Cultura de Hackathons, Mídia Espontânea e os Bastidores do M&A da Rocket Seat com Rodrigo Terron | Além do CNPJ (EP #117)

A Engenharia das Comunidades e o M&A de Oito Dígitos

No atual ecossistema de tecnologia, muitos acreditam que o sucesso de uma startup depende exclusivamente de rodadas sucessivas de venture capital ou de queimar caixa (cash burn) para comprar mercado. No entanto, os verdadeiros players das trincheiras sabem que o ativo mais valioso e perene de qualquer CNPJ é a disponibilidade mental e o senso de pertencimento de uma comunidade engajada.

No mais recente episódio do podcast Além do CNPJ, gravado no estúdio de alta performance da Cross Host na Vila Mariana, recebemos Rodrigo Terron, cofundador da New Hack e do fundo de investimentos Entry Point.

Terron, eleito Top Voice e um dos nomes mais influentes do ecossistema de inovação aberta do Brasil, abre a caixa-preta do mercado de tecnologia. Ele revela como escalou operações do zero, os bastidores reais da venda da Rocket Seat para um grupo argentino e entrega as chaves de como pequenas e médias empresas podem hackear o mercado através de conexões genuínas.

1. Da Periferia ao Topo: A Construção de um “Outlier”

Rodrigo Terron faz questão de frisar que não possui o “pedigree” tradicional do ecossistema da Faria Lima. Vindo de uma origem simples na Zona Leste de São Paulo — filho de mãe cozinheira e pai pedreiro —, ele foi criado em uma chácara de difícil acesso após a balsa no Riacho Grande, em São Bernardo do Campo.

Sem computador em casa até os 18 anos, ele cavou sua primeira oportunidade digital ao ser aprovado num concurso de monitoria de informática em uma escola pública. Forjado no ralo operacional de portarias de prédios de luxo e na rotina de call centers (gerenciando relatórios de tráfego de dados na Intervalor e Banco Cacique), Terron engoliu o Excel, o SQL e o VBA, desenvolvendo uma mentalidade altamente analítica e focada em eficiência de processos.

2. O Fenômeno dos Hackathons: O Case da Shawee

Em 2016, ao participar de sua primeira maratona de programação (hackathon), Terron identificou um oceano azul: o mercado de inovação aberta corporativa era carente de organizadores profissionais. Foi assim que nasceu a Shawee, plataforma especializada em hackathons que se tornou a maior referência do Brasil, impactando mais de 150.000 desenvolvedores.

O grande divisor de águas ocorreu em 2017, quando a startup fechou um contrato de R$ 250 mil com o Banco Original para realizar um megaevento que distribuiu três bitcoins e meio em premiações. A partir desse portfólio de peso, a Shawee abriu a porteira e passou a assinar os hackathons corporativos de marcas tradicionais como Itaú, Santander, QuintoAndar, iFood e até projetos globais com a Qualcomm e a Uber.

3. A Fusão com a Rocket Seat e a Armadilha do Pós-Venda

Em 2020, em plena pandemia, a Shawee realizou uma fusão estratégica com a Rocket Seat, escola de tecnologia que liderava o mercado B2C de programação. Unindo a força das duas comunidades, o negócio explodiu em um crescimento agressivo: passaram de menos de 30 para 100 funcionários em apenas 9 meses, faturando dezenas de milhões de reais e conquistando o prêmio de Startup do Ano pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups).

[Comunidade Shawee (B2B)] + [Comunidade Rocket Seat (B2C)] ➔ [Transformers Tech] ➔ [Escala de 30 a 100 colaboradores em 9 meses]

Com o valuation no topo, a empresa atraiu o interesse de fundos e recebeu uma proposta de aquisição de 100% da operação por um grupo multinacional argentino. No entanto, Terron alerta para o “pós-venda”, um período onde as flutuações macroeconômicas (como a crise na Argentina e os layoffs globais de tecnologia em 2023) redesenham os acordos e exigem resiliência tática dos fundadores.

4. New Hack e o Fundo Entry Point: O Retorno ao “Zero a Um”

Após cumprir seu período de lock-up e passar o bastão da liderança executiva da Rocket Seat para talentos formados dentro da própria comunidade, Terron optou por não se acomodar no conforto financeiro. Movido pela paixão do estágio inicial de negócios, uniu-se ao investidor sênior Paulo Braga para fundar a New Hack.

O ecossistema funciona como um funil perfeito de inteligência e arbitragem de capital:

  • A Comunidade New Hack: Abriga mais de 1.000 fundadores em estágio inicial que recebem mentorias, imersões e participam de eventos como o Startup Night.

  • O Fundo Entry Point: Uma estrutura robusta de R$ 40 milhões de reais focada em cheques de até R$ 1 milhão por startup.

O fundo atua como o investidor profissional de primeira linha (smart money), aportando capital em teses escaláveis de inteligência artificial e tecnologia, como a Bfident — plataforma de ensino de inglês via IA no WhatsApp que alcançou 60.000 alunos e projeta faturar R$ 40 milhões em apenas dois anos de operação.

5. A Gestão do Tempo e a Preservação da Essência

Ao final do episódio, provocado com o tradicional cenário do leito de morte aos 33 anos, Rodrigo Terron entrega uma reflexão visceral e inesquecível sobre o valor do tempo. O maior erro do empresário moderno é postergar experiências reais de vida (como viagens com os pais) sob a desculpa de planejar o futuro para daqui a 5 ou 10 anos.

Inspirado pelo conselho de seu mentor, de que “paladar não retrocede”, Terron defende que o empreendedor deve estar sempre disposto a frequentar ambientes simples, comer um PF de rua e manter sua essência humilde intacta. Ter o controle do negócio e o desapego ao ego de comandar folhas de pagamento infladas é o verdadeiro segredo para operar com foco, sanidade e liberdade de tempo.

Quer aprender a estruturar comunidades engajadas, captar recursos para a sua startup e dominar a governança de venture capital? Assista ao episódio completo agora mesmo!

Ler Transcrição Completa

Até hoje a grande empresa que quer fazer um hackathon não cai na gente. Assim, já fazem. A Shawee não existe mais teoricamente desde 2020, mas até hoje… mas você continua sendo referência. É. E, e falou de hackathon, vai cair em mim. E aí você até me perguntou como que eu conheço tanta gente. Foram 150.000 pessoas impactadas dentro de hackathons. Em aí assim, quando a gente fez a fusão, dia um assim, ficou mais ou menos uns 25 pessoas das duas empresas. A Shawee tinha diminuído um pouquinho na pandemia, a Rocket tinha mais ou menos, então tinha, sei lá, 15… dava menos de 30 funcionários. A gente foi de menos de 30 a 100 em 9 meses. Caraca, bicho! Foi muito rápido porque a gente pegou o boom daquela coisa das empresas querendo contratar, é a digitalização em massa, todo mundo tem que investir no digital, tal, tal, tal. A demanda por desenvolvedor aumentou muito, o salário do desenvolvedor aumentou muito e a gente tinha um bom produto. Assim, eu até brinco assim, na época a gente com R$ 20.000 a gente fazia um mega evento, aí explicamos, ah ideias, o que que a gente põe de prêmio, tal, tal. E aí a moça do, do marketing lá, ela falou assim: “Ó, só vou deixar uma coisa muito bem clara, a gente não tem um orçamento infinito, cara. A gente pode gastar no máximo, no máximo uns 250.000 com esse projeto”. Aí eu olhei assim, eu falei: “Cara, eu acho que dá”.

Buenas, buenas, buenas, seja muito bem-vindo ao podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar ideia de empreendedorismo vida real. Então já pega uma cadeira, sente-se à mesa com a gente porque a gente vai falar sobre business no sentido mais amplo da palavra e, hoje, mais especificamente sobre tecnologia, sobre startup, esse universo todo, que é uma coisa em que eu não tô tão antenado porque a gente é mais da economia real. Trabalho com obra, trabalho com peãozada e tudo mais, mas, cara, é uma… é uma seara de que eu curto demais, e o cara que tá aqui na minha frente é uma lenda desse, desse universo aqui. O cara conhece o mercado inteiro, todo mundo com quem eu troco ideia, bicho, fala: “caralho, esse bicho aqui, meu, fala… o bicho é conhecido aqui em São Paulo, meu”. Então, cara, é um prazer ter você aqui na minha frente. Obrigado por aceitar o convite. Tô aqui com Rodrigo Terron.

Opa, meu caro, muito obrigado por aceitar o convite, estar aqui trocando ideia.

Uma honra participar, tô bem animado aí com esse papo.

Da hora, cara. Aí, mestre, antes de a gente começar o papo, falar da tua vida profissional, como você conhece São Paulo inteiro, como que fez para, para todo mundo te conhecer e tudo mais, eh me dá um overview, cara, do Terronzinho, boa, né? O Rodriguinho, de onde ele veio, de onde você nasceu? Você nasceu aqui em São Paulo mesmo ou não? Como que foi o seu crescimento? Tua mãe, teu pai eram presentes? Como que… dá um overview assim da infância mesmo, coisas que ajudaram a moldar o teu caráter como adulto e tudo mais. Dá um overview pra gente, cara.

Boa, boa. Bom, eu nasci em São Paulo, né? Nasci e na Zona Leste ali, ali em Guaianases, né? Então, sou corintiano, naturalmente. Eh cara, vim de uma origem familiar simples, né? Minha mãe é cozinheira, meu pai é pedreiro.

E, caramba, que legal, cara!

É, tenho dois irmãos, né, e, e sou, sou o filho mais, mais velho, então eu fui ali o primeiro. Eh cresci parte da minha infância na Zona Leste. Aí, em algum momento, a gente se mudou para São Bernardo do Campo, numa região que poucas pessoas conhecem, que é… talvez você conheça, mas você tem São Bernardo do Campo, aí você tem o Riacho Grande ali, aí você tem a balsa, eu morava depois da balsa.

É, caraca, bicho, eu fiquei ali bastante tempo.

Então, tipo, para vir para São Paulo era balsa. O transporte público era balsa. Aquela região é um, é uma reserva da Mata Atlântica e é um arquipélago, na verdade. Dá para você, eventualmente, pegar, por exemplo, via rodovia dos Imigrantes ali, você consegue ir sem pegar balsa, mas é mais gigante.

Mas, por exemplo, pra escola eu tinha que pegar balsa para caralho.

É.

Então era bem… Até lá assim, não tinha internet.

Eu casei no Riacho Grande!

Sério?

Casei lá.

Ah, então você conhece bem.

Isso, eu que eu sou de Santo André, pô.

Sim. Ah, bom, sou, sou do ABC. É, então eu morei uma parte legal ali. A minha avó tem uma, uma um pedaço de terra, né, uma chácara ali, a gente acabou morando bastante, dividindo ali. Aí fui para a Zona Sul de São Paulo um período, meu meu pai… trabalho… a gente morou ali no Grajaú e tal, bem no extremo sul ali. Eh e aí, morei na periferia, etc. Aí, em algum momento, a gente voltou para São Bernardo do Campo.

Caraca, meu.

É, rodei, rodei bastante. E eu me formei no ensino médio em São Bernardo do Campo. Até os meus, cara, quase 17, 18 anos, eu tinha acesso muito limitado à internet, a computador. Eu não tinha um, um computador.

Você não era um cara tecnológico desde moleque, então?

Não, eu era louco por tecnologia, então assim, eu não… eu não podia ver um computador que eu, cara, endoidava. Eh mas não tinha ali e tal. Aí no ensino médio, até engraçado assim, eu estudava, estudei só em escola pública, né? Então eu estudava na escola estadual e, e na época o governo abriu um concurso público para monitor de sala de informática. E acho que eu nunca falei isso em podcast. Aí eu me inscrevi, estudei bastante pra prova, passei, acabou que eu fui aprovado, só que até eu me formar e a sala de informática não tava pronta ainda. E aí eu ficava na secretaria ali da escola. Então eu estudava na época de manhã e aí eu fazia o meu… tinha um turno à tarde.

E aí foi um… isso era concurso público real, assim?

É, era um concurso público, meio menor aprendiz e tal, mas foi um concurso público, uma prova tal, tinha todo o processo. Foi o único também que eu fiz. Aí eu, eh era… quando eu me graduasse ali no ensino médio, acabava, acabava. E aí, como eu ficava na secretaria, eu virei meio assim, o “faz tudo” da secretaria. Quando não tinha o que fazer, o pessoal da secretaria falava: “Cara, tem uma sala ali, tem um computador, fica ali estudando”. Então foi onde eu tive acesso ali a, a usar mais o computador e, e, e aí comecei a pensar muito: tá legal, o que que, o que que eu vou fazer? Pô, terminei o ensino médio, não sabia o que eu ia fazer, não tinha a mínima ideia.

Caramba.

Eh aí eu tive um… tinha um cara da igreja, né, e tinha um cara da igreja que tinha uma fábrica de cosméticos, ele vendia para salão de cabeleireiro. Então ele vendia o produto lá que a, a cabeleireira usava, cliente. Aí ele falou: “Cara, você não quer vender isso? Você tem que montar uma cartela de clientes e ir passando de, de salão em salão e tirando pedido”. Aí eu fiz isso um pouco, fiquei um tempinho ali.

E eu sempre fui um cara meio com essa pegada comercial.

Mas isso é bom, cara, pro moleque passar por essa experiência. É uma vivência gigante, cara.

Não, e eu colocava o social… social link, tal, chegava ali, bater de porta em porta. É novão. Trabalhei bastante tempo com a minha avó, a, a minha avó, e ela também sempre foi meio comercial, então vendia, trabalhava com laticínios. Aí eu ia com ela, tirava pedido, cobrava.

Que legal, isso, isso eh já depois do ensino médio ou nesse período acho que do ensino médio ali, acho que eu tive algumas etapas, né? Algumas, algumas escolas na vida.

Exato. Aí quando eu terminei, eu falei: “Cara, preciso achar um emprego agora”. Aquela coisa, né? Terminei a escola, eu fui trabalhar num prédio como porteiro.

Caraca, bicho!

Eu era o… a gente chamava de porteiro folguista. Então eu, eu trabalhava eh um dia, aí eu folgava um dia e, no outro dia, eu trabalhava na madrugada. Então eu cobria as folgas do, da galera, da galera, da galera. E era legal assim, porque era um… eu, enfim, eu morava num lugar que, pô, não tinha nem asfalto e tal. Eu fui trabalhar no centro de São Bernardo do Campo, num prédio de alto padrão. Também não me lembro como que eu consegui isso, mas acho que foi a oportunidade, bateu lá. Acho que alguém falou: “Cara, tá precisando de um porteiro”. “Bora”. Eu era completamente diferente dos outros porteiros, né? Era uma galera mais velha, tal, eu super novão. Mas aí, beleza, tinha o Wi-Fi lá também, aí na época tava começando internet no celular, então ficava pesquisando as coisas. Era super legal a dinâmica ali, né? Com os moradores. Desse prédio eram pessoas legais, então a gente trocava muita ideia. Mas isso foi dando, acho que algumas referências.

E aí, em paralelo a tudo isso, no ensino médio, eu fiz um curso do Centro Paula Souza de Gestão de Pequenas Empresas, era um curso gratuito dentro da minha escola. E ele teve uma participação importante porque o professor que ele eh basicamente assim… era dentro da escola, mas eles pegaram um professor de mercado. Então tinha um professor que na época trabalhava na TIVIT, e aí esse professor ele acho que ele fez duas, teve duas contribuições: o nome dele é Tony, né? Uma foi a de me pressionar muito para falar em público, então ele, com uma frequência… eu odiava falar em público, não gostava de participar da aula. Então eu ficava na minha ali, quieto, e aí ele puxava: “Não, amanhã, próxima aula…” era de sábado, né? “Próximo sábado você vai apresentar a aula, você vai apresentar isso daqui”. Isso me estimulou bastante. Acho que ele viu um potencial ali que acho que ninguém tinha visto até então. Eh e depois disso, na época o SAP tava muito forte, a TIVIT fechou uma turma de SAP e aí ele, ele tava ali na turma, acho que ele era meio que um organizador assim do curso de final de semana, e ele pediu pra galera tipo: “Ah, posso trazer um aluno meu aqui para acompanhar?”.

E caraca, o que que era?

E aí eu fui, mas assim, não entendi nada não. Mas esse professor, cara, ele foi… teve um papel importante, até hoje eu tenho contato com ele, ele mantém contato com boa parte dos alunos que eram do curso.

Que legal, cara.

Eh e hoje ele não tá no mercado, hoje ele, ele tá dando aula, virou professor, professor mesmo e tal, eh da… na escola pública. E aí ele, ele puxou muito isso. Aí quando ele me levou — eu me lembro que foi na Paulista esse, esse curso —, foi quando eu, eu falei: “Cara, eu quero acho que viver isso daqui”. Assim, na, na época eu lembro assim, eu cheguei num prédio espelhado, entrei numa sala de reunião, pô, no coffee break assim, né? Hoje a gente, cara, participa de evento quase todo dia, a gente não valoriza, mas naquele momento ali eu falei: cara, tipo, a galera todo mundo social, bonitinho, eu nem tinha roupa social na época direito assim, mas fui, participei desse curso do SAP, aí me formei. Quando eu me formei… você, você é do ABC, né? Acho que São Bernardo do Campo é uma cidade em que a maior parte da galera que estudou comigo foi trabalhar na Volkswagen, nas montadoras. É, e eu não falei: não é o que eu quero, tal. E aí foi…

E sinônimo de sucesso, né? É tipo, caramba, você entrou na Volks, caramba, estourou.

Exatamente. Não sei como tá hoje, mas naquela época era muito… na época era sinônimo de sucesso.

É.

E aí eu falei: “Não, eu quero, eu quero ir para São Paulo”. Eu tinha essa referência de São Paulo e tal, queria fazer faculdade eh, eh na área de tecnologia, e aí eu caí no call center. Eu, eu vim para São Paulo na época, cara, era muito doido isso, porque para chegar às 7h30, que eu acho que eu entrava no call center, eu acordava às 3h50.

Nossa!

Aí eu pegava um ônibus que era gratuito, o ônibus depois da balsa, aí eu atravessava a balsa, era 4h e pouco da manhã, muito frio. Aí pegava um ônibus até o centro de São Bernardo do Campo, aí eu pegava o trólebus até o Jabaquara, aí eu pegava o metrô até a Luz. Então, tipo assim, eu fiz isso durante muitos meses assim, ia todos os dias e tal. E aí eu vi uma oportunidade de começar a faculdade, eu fiz FMU.

Você estava com quantos anos agora nessa época?

Cara, 19, talvez. Eu não sou tão…

Já estava numa correria.

Não, mas mais ou menos, mais ou menos. Eu também sou péssimo. Você pergunta: “você estava com quantos anos, cara?”. Eu, eu já menti umas quatro vezes, só dou quatro versões diferentes de com quantos anos eu comecei a empreender porque eu não lembro. Aí falando… quando eu palestro, eu fiz um… eu tenho um slide assim de 2008 para frente que eu coloquei as datas que eu falei, senão eu vou falar errado assim. Mas assim, eu comecei fazendo cobrança do cartão de crédito das Casas Bahia.

Caraca, bicho!

E aí foi legal assim, melhorou minha comunicação na época. O… assim, não tinha tanta essa acho que a pressão que tem hoje com o sindicato. Então assim, eh a gente tinha demanda infinita, então eu podia fazer hora extra, então eu ganhava R$ 500 na carteira, mas eu dobrava isso com hora extra e, e eu era o cara que, cara, era o primeiro a chegar no call center, ficava até a noite, fazia freela de final de semana, tudo o que tinha que… pô, pagava ali. Eh e aí me inscrevi na, na graduação. Então, na época eu ganhava 500, ganhava uma horinha extra ali e pagava 300 de faculdade.

Caraca.

Eh aí, cara, eu comecei a ficar muito cansado porque… do que ele quer, eu fiz Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Aí eu já fui pra área de tech, só que chegou uma hora em que eu tava muito cansado, não tava dando conta de, eh ficar indo e voltando e tal, e aí eu fui morar numa república na Bela Vista. Peguei, pô, dividi o quarto com o cara, com umas oito pessoas assim, mas era assim, uma qualidade de vida surreal que trouxe porque…

E era do lado, né?

…acordava, ia pra faculdade, ia pro trabalho, voltava. Só que aí eu fui crescendo, né? Então eu era operador, aí eu recebi uma proposta para ser operador ainda, só que dentro do Banco Cacique, que era um banco que fazia financiamento de veículos. Aí eu já dobrei o salário, já era… o ambiente de trabalho era completamente diferente. Então o cartão das Casas Bahia era a gente… cara, trabalhava num prédio de, sei lá, uns 15 andares de operadores assim, era… Aí o Banco Cacique já era, sei lá, 100 operadores na operação, então já era uma equipe exclusiva. É. E aí surgiu uma possibilidade eh de trabalhar numa empresa numa área que a gente chama dentro do call center de control desk, que é um agente de tempo real. Então, eh basicamente eu ficava dentro da operação, sentava ali junto com os operadores, mas eu, eu controlava: “ah, tá, tá chegando a ligação, ah pausa, quantas pessoas podem sair de pausa agora sem prejudicar?”.

Você era o gestor da operação, praticamente.

É, geralmente tem um supervisor, tá, que ele é um cara que faz a gestão das metas e, eh e gestão também do ponto de vista ali de, eh eh correção, feedback, etc. Eu fazia uma coisa um pouco mais técnica, então eu ficava ali gerando… a gente chamava de relatório hora a hora. Então, de hora em hora eu tinha que disparar o resultado pros clientes, pr pra galera, e, eh eu munia o, na época, o assistente, o analista de planejamento, de informações, só que eu ficava no meio da operação. E aí eu vi… fui para essa posição, eh deu acho que, cara, seis meses eu virei assistente de planejamento.

Que legal, cara.

E aí eu, cara, engoli o Excel e o SQL assim, cara, fiquei muito bom.

Principalmente o dia… e você não sabia, cara?

Eu sabia que o básico, é porque assim, quando… é que eu tava na escola ali, que você tinha um computador, você não tinha muita coisa para fazer no computador, então você tinha o pacote Office. Eu amava o PowerPoint, eu também fazia muito isso aí. Então eu já tinha ali, mas eu aprendi tudo ali. Então assim, aprendi, pô, macro, VBA e, eh algumas coisas mais avançadas assim nessa época, fazendo relatórios. A gente fazia muitos relatórios, porque você tinha várias operações de call center, então você tinha que ter relatório de tudo. E aí eu acho que eu desenvolvi esse lado mais analítico nessa época, nessa época.

Aí virei analista, virei assistente, eh chegou uma, uma hora ali em que eu, eu estava nesse papel de analista, eh já tava numa posição meio que liderando pessoas. Então o, o meu chefe na época ele falava: “Cara, pô, vou pôr esses a galera mais júnior para tocar com você”. Eh e aí aconteceu uma coisa assim, na época esse meu chefe, ele, cara, fez uma cirurgia e tal e, e aí ele meio que não voltou, e a empresa em que eu trabalhava a sede, toda a matriz, era em Salvador e eles tinham… eles falavam que o, a o site ali, né, de São Paulo, ele era meio que, cara, um negócio mais para gringo ver assim, né? Para levar um cliente, falar: “não, a gente tem um escritório lá em São Paulo”, então assim, a gente tinha uma operação pequena em São Paulo e, e cara, 15.000 operadores na Bahia.

Caramba!

E aí meu chefe saiu, ninguém repôs o… Não, entrou um outro chefe ali, aí ficou assim meses, né? E eu comecei a desenvolver esse lado como coordenador. Eh aí eu… aí aconteceu aquela coisa que acontece muito, né? Eu virei coordenador antes de ser promovido a coordenador. Então, fiquei um tempão, só que eu vi aquilo como uma oportunidade. Falei assim: “Pô, não tem chefe aqui”. Foi difícil porque, quando você vai para esse papel assim, por exemplo, teve gente do time que não aceitou bem, teve gente que falou: “Pô, por que você virou coordenador agora?”. Então, tive que aprender a lidar com pessoas ali. Eh era uma equipe de planejamento de umas 15 pessoas, mais ou menos. Então, fui, fui aprendendo a, a fazer uma gestão mínima ali, porque também ninguém me treinou. Foi, foi ali que eu aprendi a fazer uma demissão, por exemplo, foi ali que eu aprendi a a importância de dar um feedback e foi ali que eu aprendi a fazer processo seletivo. Porque aí, ó, saiu uma pessoa do time: “pô, preciso repor essa vaga”. E aí eu comecei a ver muito a questão de eficiência. Eu falei: “Cara, a gente é um time de planejamento que não é muito eficiente, tipo, falta… tipo assim, sobram pessoas e a entrega é ruim, não tem nada automatizado”. Então eu comecei a, a tentar colocar algumas melhorias. Aí eu já tava no papel ali de coordenação, só que meu objetivo era virar o gerente da área, que era o papel do meu chefe. Só que eu vi que isso não ia acontecer, por mais que o meu chefe direto, que era lá da Bahia, gostasse muito, falava: “Pô, você é muito bom, tal, tal”. Só que a diretoria da empresa falava: “Não, não dá para ter um gerente com 21, 22 anos”. Eu era muito novo.

E tinha preconceito demais. Hoje em dia caiu um pouco o preconceito dessa da galera mais jovem, mas na minha época, cara, tinha funções que eu já estava desempenhando, só que o cargo não vinha por causa da idade, cara.

Não, e na época em que eu saí, o meu chefe pediu desculpas. Ele falou assim: “Cara, você é o cara certo e, pô, a gente tá perdendo, desculpa, mas é uma diretriz da diretoria, não dá para ter um gerente de 21, 22 anos, tal, tal”. E aí eu fui para outra empresa na época.

Aí foi telemarketing também?

Telemarketing também. Aí, aí lá era uma empresa já mais consolidada, então a matriz da empresa era super bonita assim, era a mesma coisa: cheguei no prédio, me impressionou com a estrutura, atendia basicamente bancos, então a gente tinha clientes muito grandes, né? Então atendia eh pô, Sky, todos os bancos, Banco Pan, Bradesco, então era uma operação bem legal. Claro, a gente fazia uns trabalhos assim, bacanas. E ali eu dei um passo atrás assim, porque eu voltei a ser analista por seis meses, mas ganhando mais do que eu ganhava como coordenador. Aí beleza, fui. A, a minha chefe na época, eh ela me apoiou muito, ela, ela falou: “Ó, não vem… a vaga que eu tenho é essa hoje, mas pô, se você ficar aqui, você vai crescer”. E realmente se cumpriu rapidamente, assumi posições diferentes e tal.

Só que nessa época eu, eu coumecei a, a olhar um pouco assim, até onde eu poderia chegar, e aí eu falei assim: “Cara, não sei se aonde eu conseguiria chegar aqui é aonde eu gostaria de chegar”. Projetar o futuro e falar: “Meu, daqui a 5 anos, talvez eu seja aquela pessoa, e não é o que eu quero”.

Exatamente.

Aí eu comecei com a coisa do empreendedorismo. Eu falei assim: “Pô, eu queria…”. Começou, foi naquele… Na verdade assim, começou com uma coisa assim, eh uma pessoa falou assim: “Pô, você não consegue fazer um site para mim?”. Aí eu falou: “Pô, consigo”. Eu já tinha esse conhecimento. Chamei um outro amigo meu que trabalhou comigo, falei: “Cara, vamos fazer junto isso aqui, a gente mata dois finais de semana, a gente faz, eu divido a grana contigo”. Aí a gente fez um… aí eu falei: “Cara, agora eu tenho um case aqui, eu tenho… eu já tinha esse portfólio, eu já era o vendedor assim, eu já tinha essa característica de querer vender. Então eu vou começar a procurar clientes”. Então, comecei a procurar, ainda trabalhando ali, eh montei um… a, a gente era em quatro sócios ali quando começou a primeira empresa, que a gente meio que saiu dessa coisa de fazer sites para virar uma fábrica de software. E aí a gente foi do site pro e-commerce, pro aplicativo. Quando, quando começou a gerar um faturamentozinho assim, OK. Não cobria ainda, por exemplo, meu último salário, demorou muito para cobrir. Eu falei: “Ah, assim, ah agora tô saindo”. Só que eu tinha uma coisa assim: eu queria pedir as contas, e a minha chefe não deixava, ela falava: “Não, pô, você vai virar um dia… é, você vai virar o superintendente aqui, o mais novo da empresa, tal, tal”. E eu tinha muito respeito dentro da empresa, assim, o o presidente da empresa… O que? É, não, eu tinha uma moral assim gigantesca dentro, chamava Intervalor a empresa. E na época, a Intervalor foi comprada, ela foi comprada por um grupo alemão, foi um negócio… eu participei muito assim, eh eh da preparação dos materiais que levaram para a venda, e isso falou: “Cara, pô, você pode ter uma empresa e um dia você pode vender uma empresa”. Então uma coisa que foi legal.

E é louco que você… uma coisa de que eu tenho observado na tua história é que a sua vida foi acontecendo, mas você não estava lá só de passageiro, você estava percebendo as coisas. Desde porteiro, percebendo a referência, até como coordenador, sem ser coordenador, percebendo as experiências, pô. E é isso aí que eu vejo que diferencia uma pessoa que tem muito sucesso, porque a pessoa sempre coloca o aprendizado próprio em primeiro lugar, cara, e não fica: “ah, a empresa é uma porcaria, então não vou fazer nada”, que é o que muitas vezes acontece. Só que a pessoa não vê que, quando ela não faz nada, ela também não tá se desenvolvendo, afinal tudo estagna.

Não, eu sempre, eu sempre… a minha atitude sempre foi uma atitude por eu ter esse perfil empreendedor. Eu, eu nunca senti que eu estava trabalhando para alguém e, e eu sempre senti que eu estava buscando a minha própria evolução. Isso… Então assim, eu lembro quando eu entrei no call center, eh isso bem no comecinho assim, aí tinha um… eu vi: “ah, esse cara é um coordenador, um cara de social, arrumadinho”. Ele entrou numa sala de treinamento: “sejam bem-vindos à empresa, tal, tal, não sei o quê”. Eu lembro que eu entrei na sala dele assim, no segundo ou terceiro dia de empresa, falei: “Cara, tô pensando que faculdade que eu faço, que faculdade que eu tenho que fazer para crescer rápido aqui?”. Aí ele falou: “Cara, não faz por causa da empresa, faz por causa de você, escolhe o…” e eu não sei nem o nome desse cara hoje, assim, mas o cara me deu um conselho. E aí eu saí com aquilo e tal.

Aí chegou essa fase, a empresa em que eu estava foi comprada, eu queria pedir as contas, a minha chefe falava: “Não, não sai, não sai, não sai”, e tal. Aí chegou um dia em que ela chegou, falou assim: “Terron, você vai me matar. Eh tô saindo, eu estou indo para, eh cofundar uma startup e tal”, e até então não conhecia muito o que era startup. Aí eu falei: “Camila, tranquilo, só avisa que eu tô saindo também assim”, porque eu, tipo assim, eu fiquei até agora, é porque aprendi muito com ela, sempre foi uma pessoa muito… e, eh e que me desenvolveu bastante, na pancada mesmo. A Camila era super… e era uma chefe muito assim, exigia muito, mas eu gosto de gente assim, trabalhar com gente assim. É, ela tinha, até hoje assim, agora ela é mãe, virou mãe, tem duas meninas, tá, tal, ela, ela acalmou. Mas assim, ela sempre tem uma personalidade muito forte e era um clima muito mercado financeiro. Então assim, a gente, cara, qualquer errinho ali era multa contratual, tal. Então foi uma empresa que me blindou bastante assim.

E aí eu falei: “Camila, eu já tô empreendendo, tô fazendo meus sites aqui, eu quero… já queria sair, avisa que eu tô saindo”. Aí ela avisou, e aí o Bento, que é o presidente da empresa, me chamou e ele falou: “Cara, eh se 16 anos atrás alguém me impedisse de pedir as contas…”, ele trabalhou na época, ele era do BTG, que era o Pactual, né? Ele falou assim: “Eu saí do Pactual, fundei a Intervalor e hoje eu já era aqui. Quando eu saí tinha, sei lá, mais de 3.000 funcionários. Então, olha o tanto de… olha o impacto que eu gero porque alguém não me impediu de empreender. Eu não vou impedir você, quero saber como eu posso te ajudar. Tipo assim, você vai…”.

Puta cara gente boa, cara.

Não, ele até hoje assim, a gente é muito amigo. Virei mentor dele.

É mesmo? Que da hora.

Ele é investidor na, na na estrutura que eu tenho hoje, que é do fundo, então ele é um dos investidores e tal. E a gente assim, faz mais de 10 anos que eu saí, a gente mantém contato ainda. E aí eu falei: “Bento, pô, se você puder me ajudar, eh me dando demandas, gostaria de ser um fornecedor, continuar aqui dentro, dentro do ecossistema”. E aí aconteceu uma coisa muito engraçada que, quando eu saí, eu, eu vendi consultoria para as duas empresas para as quais eu trabalhei. Eu vendi consultoria para a Intervalor e eu voltei lá para a Telsul, falou: “Pô, desde que você saiu, tal, tal, não sei o quê”. Já tinha três anos que eu tinha saído e eu entrei lá para fazer uma consultoria com eles de planejamento, estruturação da área. E aí eu já não era mais o cara de 21 anos, eu já era, eu já era gerente, já tinha uma, uma posição legal e, e pô, foi super legal isso.

E é legal voltar para a empresa em que você um dia trabalhou tão rápido, eh e em outra posição, né?

Sim. Não, e na Intervalor eu virei, de fato, fornecedor. A gente, a gente fez várias coisas, eu mantive sempre contato com, com o Bento. Então foi algo que marcou muito assim a, a minha carreira e foi algo que eu valorizei muito assim quando eu fui pedir as contas assim para empreender. Eu falei: “Cara, o único ativo que eu vou levar daqui são os contatos”. Então eu lembro que eu sentei assim, eu falei: “Eu vou fazer uma planilha com quais contatos importantes eu conheci aqui para mim não esquecer que eu…”. E aí quando eu saí, eu lembro que eu mandei um e-mail para todas as pessoas falando assim: “Cara, ó, sou o Terron, era da Intervalor, cara, não faço mais parte da empresa. Hoje eu tô fundando o meu próprio negócio, se você precisar de site, blá, blá, cara, tá aqui meu contato”. E vieram algumas coisas, oportunidades, vieram, vieram daí. Aí, basicamente, pedi, pedi as contas, a gente tinha uma salinha menor que a sala do podcast aqui na Paulista. A gente alugou uma salinha e começamos a trabalhar com sites.

Você sozinho, ou estava você e aquele…?

Aí já era… Na verdade, esse meu amigo, ele não foi, é porque chegou uma hora em que ele, ele continuou, ele tá bem hoje, ele é um mega desenvolvedor, assim, um cara que eu admiro bastante. Mas aí eu me juntei com mais três outras pessoas e a gente fundou a, a primeira empresa, chamava Horizon Four. Não sei por que, nome ruim, mas a gente criou a Horizon, começou a ficar famosinha, pô, fábrica de software. Quando abriu o Cubo, em 2015, que é um espaço de startups ali do Itaú, eh eu comecei a ver isso como uma oportunidade e a Camila, que era essa minha chefe, ficava dentro do Cubo. Então ela, ela foi uma das minhas primeiras…

E ela foi cofundadora da empresa da… Ela foi, ela cofundou uma empresa, certo?

Cofundou uma empresa que ficava dentro do Cubo. Ela foi, então, da primeira geração do Cubo, mas ela foi bem, mano.

É, das primeiras startups. E aí eu comecei a atender algumas startups do Cubo, alocava mão de obra técnica para essa galera de programação.

Dev, total.

É. Ali eu fazia, é: “ah, preciso fazer uma API”, beleza; “ah, preciso construir uma parte do sistema”. Aí eu, eu priorizava empresas que já tinham um executivo técnico, então já tinha um CTO, tinha ali, sei lá, cinco desenvolvedores. Não era aquela bagunça toda em que você tinha que organizar, já vinha documentado, você só programava, de fato.

É, eu só, eu escalava o time dele. Assim, eu fiz também coisas do zero. Então a gente teve vários aplicativos assim que, pô, o cara chegou: “pô, tenho uma ideia”, a gente construiu, só que era muito mais difícil porque às vezes o cara tinha uma ideia, mas ele não entendia como refletir aquela ideia numa plataforma, regra de negócio também. Então, aí eu fui focando em startups, foi como eu entrei dentro do ecossistema de startups. Foi mais ou menos ali em 2014, eh 2014, 2015, né? O Cubo nasceu em 2015, 2014 era mais site, e-commerce, aí 2015, startups.

Quando foi em 2016 ou começo de 17 — acho que foi 16 —, eh o pessoal do time, e aí isso virou a chave assim, foi uma mudança radical na, na minha vida. O pessoal do time falou assim: “Ô, vai rolar um hackathon”. Aí eu falei assim: “Vai rolar o quê?”. “Um hackathon”. Eu falei: “O que que, o que que é um hackathon, cara? Não é uma…”. “É muito louca, é uma maratona. A gente vai no sábado cedo, vira a noite lá, eles vão dar um problema, a gente vai montar uma equipe, tentar resolver o problema, no final a gente apresenta a solução ali para uma banca e, se a gente for bem, a gente ganha o prêmio, e os caras dão comida, dão brinde, eh você vai ter acesso à tecnologia, tem um monte de mentores”. E aí você conhecia gente para caramba. Eu vi aquilo como uma oportunidade comercial, falei assim: “Ah, vai ter um monte de gente ali, eu vou conhecer desenvolvedor para contratar, vou conhecer empresas, vou nesse negócio”. A gente foi com o time todo, todo mundo com a camiseta da empresa, aquela coisa super legal. Quando acabou o evento, eu, eu, eu assim, eu não vou falar que eu não dormi porque eu não lembro na real, mas eu fiquei incomodado com isso uns três dias assim, falando assim: “Cara, que negócio fantástico! Do tipo, eu conheci umas 200 pessoas e é uma energia muito louca, né, a vibe, a energia assim, a ambiência”. Eu acredito muito na coisa do ambiente. Então, quando eu falei assim: “Ah, pô, deve ter um monte de empresas especializadas em organizar isso”. Eu comecei a pesquisar e eu vi que não tinha nenhuma. Eu falei assim: “Cara, não tem”. Aí eu falei com a empresa em que eu participei, falou: “Ah, a gente mesmo que organizou aqui, mas, pô, a gente procurou um fornecedor, não tinha”. Aí eu virei pro Abraão, que era meu sócio, falei: “Cara, isso aqui vai ser um puta produto, vamos começar a, a aprender a organizar e vender isso pras empresas”. Então eu comecei a virar meio entusiasta, a falar: “Cara, você precisa organizar um hackathon”, isso em 2016, 17. E aí, assim, não demorou muito, um parceiro, uma empresa falou assim: “Cara, tá bom, vai, quanto você precisa aí? Organiza para mim”. Aí a gente organizou.

E a empresa traz uma dor dela?

Traz uma dor ou, ou depende muito, tem vários motivos, né? Você pode fazer porque você quer de fato pôr uma dor ali, você pode fazer porque você quer contratar o dev, você pode fazer para testar alguma coisa. Às vezes não é uma dor, mas, pô, assim: “pô, queria testar muito ferramentas de inteligência artificial para pôr na minha plataforma”. Então, “ah, eu quero me relacionar melhor com os meus parceiros”. Só que a gente pegou, a gente pegou dois momentos históricos importantes, né? Então, um foi essa coisa assim do momento em que passa a existir um ecossistema de startups e aí começa a surgir um monte de startups. Em 2017 até 2020, que foi o nosso ápice assim de crescimento, eh a gente pegou o boom das áreas de inovação. Então começou em 2014, 15, surge startup. Quando é 2017, a grande empresa fala: “Cara, se eu não fizer nada aqui, eu vou ficar para trás. Eu vou ficar para trás, então eu preciso fazer alguma coisa”. E o hackathon era uma coisa legal, então toda a área de inovação queria fazer uma maratona para validar hipóteses, para meio que se posicionar. E aí, basicamente assim, eu organizei um, organizei dois e aí começou com os cases, eu comecei a puxar mais.

Aí uma época, um parceiro meu — na verdade ele nem era meu parceiro na época, mas um conhecido de mercado —, ele me chamou no escritório dele e falou: “Cara, eu gosto muito do que vocês estão fazendo. Eh eu tenho um cliente aqui, ele me perguntou se eu faço. Eu poderia fazer, eu sei fazer, mas eu acho que faz mais sentido passar para vocês. Você não quer fazer um hackathon pro banco… pro Banco Original?”. Caramba. E na época eu atendia empresas pequenininhas, né? Eu falei: “Cara, vamos embora”. Assim, eu até brinco assim, na época a gente, pô, com R$ 20.000 a gente fazia um mega evento, e aí a gente chegou lá na reunião, aí explicamos, ah ideias, o que que a gente põe de prêmio, tal, tal. E aí a moça do do marketing lá, ela falou assim: “Ó, só vou deixar uma coisa muito bem clara: a gente não tem um orçamento infinito, cara, a gente pode gastar no máximo, no máximo uns 250.000 com esse projeto”. Aí eu olhei assim, eu falei: “Cara, eu acho que dá”. Putz, eu tava pensando um pouco mais, mas eu falei assim, não… e na minha cabeça eu falei assim, cara, cobrava 20, eu falei: “Cara, aqui eu vou cobrar 50”.

Sim. E aí é tipo, a primeira venda de 50 que ela soltou primeiro.

É. Aí ela falou lá, falou assim: “ó, já vou pôr aqui, jogar a real, tal, tal, tal, não pode passar disso”. E, cara, a gente fez um negócio gigante, a gente deu em 2017, três bitcoins e meio de prêmio.

Caraca!

A gente conseguiu uma parceria na época com a Foxbit, eles falaram: “Cara, a gente entra”. O Bitcoin também tava muito abaixo, né?

Sim, sim, sim. Mas será que o cara que ganhou segurou?

Acho que o cara na primeira… tava milionário, mas a gente entregou tal, e foi um evento assim fantástico, e foi o case de que eu precisei. Depois do Banco Original começou a vir um monte aí. Aí eu lembro assim…

Você abriu a porteira pros grandes, né?

É. Aí a gente teve que se especializar porque assim, eu tinha uma referência de como era lidar com uma empresa grande por causa da Intervalor, porque os clientes da Intervalor eram grandes. Mas assim, ali naquele momento, a gente como startup não tinha um escritório legal para levar as empresas e tal, então a gente tinha que se posicionar. Aí um dia assim… aí a gente, cara, fez Itaú, fez Santander, fez QuintoAndar. Eh a gente, pô, a gente fazia um hackathon — esse nos dias atuais daria super bom —, a gente fazia um hackathon dentro do plenário da Câmara dos Vereadores.

Que legal, cara!

Eh com a temática de combate à corrupção e dados abertos.

Que legal.

Então, a gente colocava ali os desenvolvedores na posição dos vereadores, montava as equipes e a galera tinha que propor soluções contra a corrupção…

De tecnologia?

De tecnologia. Então, os caras abriam tudo o que era dados abertos e tal. Aí a Procuradoria-Geral do Município participava, tal, era super…

Que legal, bicho, foi super legal essa iniciativa. Muito legal a iniciativa.

Aí saía na TV, eu pego o vídeo hoje assim da entrevista, falei: “Cara, que tipo… como, tipo assim, foi a Globo gravar lá eu dando entrevista, que da hora”. E aí fala: “Cara, não tem nada a ver assim, mas da hora demais, cara, a vida rolando, né?”. Aí um dia, cara, no LinkedIn, um cara da Uber me chama, falou assim: “Cara, queria falar com você sobre hackathon, tal, a Uber vai abrir um centro de tecnologia aqui no Brasil e a gente tá com uma demanda”. Legal. Entrei ali, ele falou assim: “Cara, mas a gente quer fazer isso, eh a gente quer fazer em cinco estados e a gente quer fazer uma final aqui no Brasil e levar a galera pro Vale do Silício que ganhar”. Falei: “Cara, beleza, bora”. Nunca tinha feito evento fora de São Paulo, o primeiro evento foi em Porto Alegre, eu nunca tinha ido para Porto Alegre. A gente fez um evento inteiro, cheguei lá em Porto Alegre um dia antes, assim, e aí tinha uma certa expertise, mas cara, [ __ ] alugar espaço… Aí chegamos lá, o espaço era menor do que a gente imaginou, a cenografia… Uma dessas, a gente pegou ali aquela época da greve dos caminhoneiros, aí a nossa cenografia tava toda em Recife, e a gente tinha um evento na semana seguinte em São Paulo, não chegou, a gente tinha que fazer… Então assim, aquela coisa de produção de eventos em que a gente foi aprendendo. Eh mas assim, a Uber colocou a gente no mapa.

Aí esse mesmo cara do Banco… ou do Banco Original, ele me procurou depois, falou: “Cara, que legal essa evolução que você teve”. Ele falou assim: “preciso ir pro Vale do Silício”. Eu falei: “Cara, não tá assim na realidade, a empresa é legal, a gente tá começando a faturar um pouquinho e tal, mas não tenho dinheiro para ir pro Vale do Silício”. Ele falou: “Não, tira o passaporte, arruma o visto aí, eu faço todo ano uma…” ele chama de Dev Trip, né? “Uma Dev Trip, eu levo a galera de tech, etc., e a gente vai conversar com o time de tecnologia e produto das empresas”. Eu falei: “Tá, mas eu não tenho dinheiro, como que eu… não?”. “Você vai, você vai me representar lá”. Eu falei: “Esse cara é o Baeta, né? Ele é o dono hoje do E-Commerce Brasil”. Eu falei: “Baeta, você tá louco?”. Eu falei assim: “Eu não falo inglês, eh não tenho dinheiro, não conheço lá, como, como que eu vou te representar?”. Ele é um cara que tá na tecnologia. Ele falou: “Não, você vai com outro instrutor, fica ali de assistente do instrutor, mas, mas eu… eu senti que você tem que ir, cara, você vai entender chegando lá, vai para lá”.

E o Vale do Silício, para quem não tá familiarizado, né, ele é de onde saíram as grandes inovações, todas as big techs, tudo de tech. Então assim, é um dos lugares mais tecnológicos, inovadores do mundo. Quando eu cheguei lá, eu falei: “Cara, que loucura”. Assim, eu não sabia falar porra nenhuma em inglês, a única coisa que eu conseguia falar em inglês assim… eu tentei em todos os lugares, eu combinei com a galera, falei: “Cara, todos os lugares em que eu for, eu vou perguntar como eles enxergam hackathons. Aí depois você traduz para mim”. Aí eu era a pergunta inteligente do tipo: “cara, como você enxerga… vocês fazem aqui e tal, tal?”. E aí eu percebi que assim, das 15, 16 visitas que a gente fez, todo mundo fazia hackathon lá como cultura. Falou: “Não, a gente faz interno, faz externo, faz na universidade, faz”.

Caramba.

Aí eu falei: “Cara, esse negócio é interessante”. Aí voltei pro Brasil. Aí depois… aí eu, cara, fiquei provocado, fui pro Vale do Silício de novo, voltei pro Brasil, fui, acho que fui três vezes. Aí na quarta vez eu falei assim: “Cara, eu vou para lá e eu só volto pro Brasil quando eu fizer um hackathon lá na Califórnia”. Aí eu fui, fiquei seis meses morando lá, também foi onde eu melhorei um pouco o inglês, que não existia. Eh fiz 15 eventos, a gente começou a falar com high schools, com colleges. Aí eu falei: “Cara, é isso”. Tipo assim, lá tem mais de 5.000 high schools que fazem hackathons todos os anos, mais de não sei quantas universidades. O mercado é enorme lá. É, aí o volume é muito grande. Aí comecei, comecei a desenvolver um relacionamento com a galera assim, mudou minha vida, mudou minha cabeça, mandei meus sócios para lá também, todo mundo foi beber um pouquinho do, do Vale do Silício. Isso foi… morei em 2019. Aí eu falei: “Cara, vou voltar pro Brasil, arrumar minha vida e vou vir morar na Califórnia”. Na minha cabeça era isso, já era.

É, é.

Só que veio a pandemia, então eu já tava ali falando com advogado de imigração, tal, tal, tal. Veio a pandemia, eu falei: “Ah, deixa passar aqui seis meses, a pandemia acaba, eu vou”. Acabou que a pandemia demorou muito, a gente foi pro modelo de eventos online. A gente já tinha feito 150 hackathons presenciais, a gente chegou a fazer cinco simultâneos no mesmo final de semana.

Legal, foda.

É, dividia o time, né? Eu e meu sócio, a gente começou a montar.

Mas você montou uma empresa gigante de eventos já, não? Já faturava alguns milhões a, a Shawee, porque a gente pegou muito essa veia da inovação. Então, tipo assim, a grande empresa… até hoje a grande empresa que quer fazer um hackathon não cai na gente. Assim, já fazem. A Shawee não existe mais teoricamente desde 2020, mas até hoje… mas você continua sendo referência. É, e, e falou de hackathon, vai cair em mim. E, e aí você até me perguntou como que eu conheço tanta gente assim: foram 150.000 pessoas impactadas dentro de hackathons.

Tá explicado, tá explicado.

E aí era assim, essa galera é super legal, que essa galera tava toda no começo da carreira, hoje eles estão nas maiores empresas do Brasil, muitos estão empreendendo, muitos estão fazendo carreira fora do Brasil. Então essa galera ali da primeira leva que a gente fez de eventos, pô, a gente se conectou, e você vê hoje onde as pessoas estão assim, cara.

E dá, e dá, e dá um tesão diferente, eh, eh quando eu vejo alguém que através de uma força que eu dei, mesmo que pequena, te dá uma sensação tão boa, quase que a mesma que você tem quando você vence.

Às vezes até mais, isso porque até mais, porque, cara, você faz: “caramba, que legal, cara”. Por mais… é uma, é uma sensação quase que, perdão pelo nome da palavra, mas egoísta, porque você sente um tesão, mas fala: “Caramba, cara, eu consegui trazer essa, essa pitadinha de, de influência para essa egrégora, não tem preço”. Eu constantemente encontro pessoas que aí as pessoas falam: “Cara, não sei o quê, o que você fez de alguma forma mudou a minha vida”. Exato. Isso não tem preço, cara, é uma das coisas assim que, cara, mexe comigo assim.

Exato, é legado realmente, você fala: “pô, tô fazendo a diferença aqui nesse momento”. É muito doido, cara.

Ano passado, ano passado eu fui pro Qatar no Web Summit lá do… eh primeira edição do Qatar e tal. Aí assim, geralmente se você vai nesses eventos fora do Brasil, você meio que vai mapeando quem são os brasileiros que estão ali e tal, tal, tal. Aí, pô, tinha, sei lá, uns 10 brasileiros ali e aí um brasileiro tava com o standinho. E aí, assim, eu, eu vi, aí a gente criou um grupo de WhatsApp dos brasileiros lá, tal, tal, tal, aí marcaram assim do tipo: “ah, vamos lá no estande do cara que tá, tá expondo”. Acho que tinha um, tinha dois brasileiros acho que expondo. Aí a gente chegou ali e aí eu nunca, cara, vi o nome, eu não associei nada, não conhecia. Aí o cara virou para mim e falou assim: “Terron?”. Aí eu falei assim… eu não lembrava. Eu falei: “Cara, da onde que a gente se conhece?”. Ele falou assim: “Cara, olha onde eu tô. Eu tô expondo o meu negócio aqui no Qatar, eu comecei num hackathon tipo, lá em 2017”. Aí tipo, aí já mexeu assim. Eu falei: “Caramba, tipo assim, que, que negócio doido assim”. E eu vivo isso assim, bastante.

Então, cara, você fez num ano lá, você falou 150 hackathons, cara, foi em 5 anos.

Cinco anos, bicho, cara. 150 hackathons, cara, pelo amor de Deus. Qual é a média… eu sei que existem os gigantes e os menores, mas a média de pessoas por hackathon?

Cara, no presencial, umas 100, 150 pessoas.

De quantidade? Por isso que todo mundo te conhece, cara. Por isso que…

Mas a gente chegou a fazer com 1.000. Então a gente… a gente fez uns três ou quatro hackathons. É o que eu, o que eu falo: eh depois que a gente se se conectou, tive algumas oportunidades de, de falar de você e tudo mais, cara, a galera fala: “Meu, o Terron e tal, tal, tal”. Cara, bicho, esse cara conhece todo mundo aqui em São Paulo, é muito doido, cara. Porque eu, eu estava numa aula ontem, eu faço MBA, e, e aí o professor falou assim: “Ah, eh na média você… a gente tem uma capacidade cognitiva de armazenar 150 pessoas”. Eu falei: “Ferrou, você já tá… eu faço isso por final de semana”. Você tá precisando de de uns HDs aí, cara.

A minha agenda… e, e isso acho que a minha rede é o maior legado, assim, total, o… que você fala: “O que que você criou de mais precioso?”. A minha rede de contatos. Não foi dinheiro, não foram negócios, é, é a minha rede. E às vezes eu, ainda na minha agenda assim, sei lá, tipo, tem uns nomes assim, tipo ‘Pedro’. Cara, eu devo ter uns 400 Pedros na minha agenda, eu fico assim: Pedro, Pedro, Pedro, Pedro, até achar. Tem, tem que saber o sobrenome, senão não vai, não. E é… o pessoal às vezes chega assim: “ah, você conhece o fulano?”, do tipo assim, é impossível. É, mas isso é muito legal assim, porque onde eu vou, cara, eu vou lá na Califórnia, conheço todo mundo. Eu vou, cara, rodo o mundo, todo lugar. Se eu vou em qualquer lugar… cara, outro dia eu fui, cara, interior do interior lá de, de de Pernambuco, na prainha, não sei o quê, eu fiz um stories, cara, deu 10 minutos, o cara manda no direct: “Você tá aqui? Você tá aqui, cara? Posso tirar uma, uma foto com você? Dar um abraço, tal, tal, tal?”. Então isso é muito louco assim, porque eu não me considero famoso, porque famoso… não sou uma celebridade, só que assim, tem um…

No teu nicho, você é, você é gigante.

É, você desenvolve essa relevância, mas a galera conhece. Isso é muito legal assim, né?

Eu tenho, eu tenho um sócio que trabalha comigo, né, que, que ele tem uma página chamada Vidro na Obra e a página tem 350.000 seguidores. Então ele não é um cara famoso, só que no mercado do vidro, ele é o mais famoso. Numa feira de vidro, é impressionante, é assim, tipo, o cara parece uma celebridade, você não consegue andar na feira do vidro. Por quê? No nicho. Dentro do nicho de dev e startup, todo mundo te conhece, no, no nível eh empreendedor aqui de São Paulo, você tá dentro do Cubo e tudo mais. Toda hora a galera te tá te conectando, tá, tá vendo você conectado a essas realidades. Então, pô, teu nome tá, tá bem aventado.

Você acaba desenvolvendo. E isso é legal, cara. Comercialmente também é muito bom. O, o Max da Adapta, ele, ele do nada assim, tipo assim, no mesmo dia, acho que umas três pessoas falaram assim: “Cara, não sei o quê, passei teu contato pro Max, blá, blá, blá”. Aí ele chegou, ele sentou comigo e falou: “Cara, eu falei com cinco pessoas de áreas completamente diferentes, que não se conhecem, para perguntar sobre quem poderia me ajudar com o hackathon”. E ele falou: “As cinco indicaram você, já era, não tem o que fazer”. Ele falou assim: “Não teve uma segunda indicação, e isso acontece constantemente assim”. Então é algo, é algo bem, bem interessante e da hora, cara.

E, mestre, qual, pra gente já… a gente já praticamente já chegou no, no final, já estourou, mas eu tenho uma pergunta aí para te fazer: o seguinte, qual o próximo passo, cara? Você tem, você tem olhado o futuro? O que que você pensa para a New Hack, pro fundo? Dá um overview pra gente aí.

Legal. Ah, a gente tem um, acho que, enfim, a gente quer democratizar muito esse acesso a capital pro cara que tá começando. Então, óbvio que o tamanho de hoje… eu tenho um fundo para investir, sei lá, em umas 40 empresas, então eu não posso errar, tenho que acertar muito. Mas a ideia é a gente criar cada vez mais programas, mais incentivos, aumentar o fundo também.

Aumentar o tamanho do fundo?

Exatamente. Mas o, o posicionamento que a gente tem é de ser, não sei se quando… você conhece a, a YC, que é a… não é a Y Combinator ou Y Combinator, que é hoje a maior aceleradora de startups do mundo. Então assim, a as empresas que passam pela YC, que é YC lá na na Califórnia, no Vale do Silício, é a maior do mundo, cara. Tipo, entre aspas, se eu não sei em volume e tal, mas é… eu diria que é o melhor do… tipo assim, você passa… não sei se você já viu no LinkedIn algumas pessoas que colocam assim ‘YC’ e um número no perfil, é porque ele foi acelerado pela YC. E aí, se ele tem esse Y, é uma chancela, você vai ter dinheiro disponível, tal. Então a gente olha muito e fala assim: cara, a gente quer ser o que a YC é lá na Califórnia aqui dentro do Brasil. E a gente quer muito assim… a gente tem falado muito com o empreendedor brasileiro fora do Brasil, então a gente também quer investir nesse cara. Só que assim, nosso cheque é muito pequeno, né? Se a gente fala assim: ah, o que que é…?

É.

Aí você vai falar assim: pô, é 200.000, eh dólares. 200.000 lá é um dinheiro, dinheiro. Você tem, você tem, você tem um fundo de 800.000, 8 milhões. É pequeno, geralmente isso é uma rodada de uma empresa. Mas a gente, a gente busca fazer muito isso, criar uma comunidade gigantesca. Então assim, eh eh na Shawee a gente criou uma comunidade com 150.000 pessoas, cara. Na Rocket a gente impactou mais de 1.5 milhão de de talentos em tecnologia. A gente tinha o maior canal do YouTube sobre programação, o maior servidor do Discord. E, e hoje, quando a gente procura comunidade sobre empreendedorismo, eh existem vários, mas muito locais. Então assim: ah, a comunidade da galera lá de BH… A gente quer criar a comunidade Brasil.

Legal, cara.

Não que não tenha, mas a gente entende que tem espaço para ter algo maior.

Legal.

A gente quer ser esse cara que fomenta, a gente quer esse cara que vai na universidade.

Você já é há anos, mas assim, agora na New Hack de novo, escalado. Legal, pô. Parabéns, cara, que puta história. Obrigado. Prazerzão te conhecer mesmo, tipo, de verdade. Eh como te falei, sei que sua agenda é corrida para caramba, e nós, na verdade, dentre as nossas agendas aqui para marcar o podcast, eu furei algumas, então peço desculpas, mas deu certo. E, e cara, prazer, conta comigo de verdade, o que precisar, tem desde colocar à disposição o Além do CNPJ, legal, para às vezes, de verdade, divulgar algum evento, alguma coisa lá. Deve ter uma… eu tô com 200 e poucos mil seguidores, deve ter um monte de gente que é de startup, do universo de startup, por mais que eu não seja. E, e o que precisar de mim, sério, de verdade, conta comigo mesmo, cara.

Não, vamos fazer mais coisas juntos, com certeza. Obrigado.

Cara, eu vou, eu vou agradecer os patrocinadores e eu tenho uma pergunta final para te fazer ainda, viu? Mas essa aí é a pergunta mais, mais diferente.

Medo!

Mas rapidinho, eu tenho… só vou agradecer aos patrocinadores que, gente, olha o papo que a gente teve aqui de qualidade, falando de startup, falando sobre comunidade, sobre hackathon e o que é mais legal, né? A gente eh no mundo do empreendedorismo, a gente tem várias frentes. E quando… e o Terron vem aqui falando sobre startup, hackathon, cara, eu nunca participei de um hackathon, eu sei como que funciona, mas nunca nem presenciei. E, olha isso, só esses insights que ele já trouxe: pô, dá para a gente trazer isso para a nossa realidade. Quais são as dores que eu tenho na minha empresa que eu poderia desenvolver nos métodos de hackathon, um evento interno dentro da minha empresa para resolver esses problemas? Como que a gente consegue implementar IA nos nossos processos e traz um evento interno para colocar os funcionários para discutirem essas coisas ou trazer pessoas de fora? Então, cara, sempre é isso. A gente, como empreendedor, tá escutando papos que eh são de uma outra realidade, mas que trazem insights para a gente. E tudo isso aqui, gente, é graças aos patrocinadores que, que acreditam no podcast do Além do CNPJ e investem pra gente trazer esse conteúdo aqui de qualidade, de forma gratuita para a internet.

Então, quero começar agradecendo o nosso patrocinador master, a SMB Store, que desde 2018 tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, suas vendas e seu financeiro, tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar. Quero agradecer também à agência RPL, que oferece a solução completa de marketing digital para negócios, cuidando das empresas com olhos de dono, desde a criação de sites, gestão de anúncios, planejamento estratégico, social media e SEO. Também quero falar da Polux, do meu parceiro Ricardo Ferrazini. Sabia que existe oportunidade de desembolsar menos com impostos através de um planejamento tributário? Eles são especialistas em gestão de tributos e de crise. Também a Semic Displays, do meu parceiro Adalto de Carvalho, tá precisando vender mais, então seu negócio precisa de soluções criativas para PDVs, balcões, bandejas, displays e muito mais. WJR Consulting, do meu parceiro Valenstein Júnior: aumente seus lucros, seja aumentando receita ou reduzindo despesa, gestão financeira descomplicada para empresários (DRE, análise de capital de giro, fluxo de caixa e uma gestão profissional como todo o negócio merece e precisa). Inspira Capital, do meu parceiro Fabiano Brito: operação e gestão financeira por assinatura, o braço direito do empreendedor (BPO financeiro não é mais futuro, é presente). Cross Host, inclusive estamos aqui nos estúdios da Cross Host hoje aqui. Você quer dar voz ao seu negócio e alcançar mais pessoas? A Cross é especialista em produção audiovisual e soluções em internet, criando podcasts, eventos e transmissões ao vivo com qualidade excepcional. Se você quer levar o, o posicionamento do seu negócio, o posicionamento da sua marca e se conectar com o seu público de forma autêntica, a Cross Host é a parceira ideal para transformar a sua comunicação. Max Service, contabilidade que tem como missão a parte consultiva ao empreendedor, estando sempre próximo da gestão da empresa. Eles têm um ecossistema completo que oferece atendimento desde o Simples Nacional até o Lucro Real, inclusive o Lucro Real eles têm como especialidade. E, por fim, Deisses e Borges Advogados: você tá com dificuldade para pagar seus impostos ou você tomou alguma autação tributária que tá colocando em risco a sobrevivência do seu negócio? Chama a turma da Deisses e Borges, eles são um escritório jurídico especializado em direito eh empresarial e, principalmente… inclusive os nossos fornecedores dessa arte aí, que é o direito tributário.

Estamos juntos, todos os patrocinadores. Provavelmente alguma das dores que você tem aí na tua empresa, das coisas que a gente tá falando aqui, alguma assessoria que tá faltando para, para você, pode ter certeza de que algum desses patrocinadores com certeza te atendem. E são empresas com curadoria própria minha, não só da empresa, mas também dos empreendedores que estão à frente. Então, pode confiar. São empresas que prestam serviços e oferecem produtos de altíssima qualidade, cara, com certeza vai te dar o maior help. Beleza? Tamo junto, Terron, mais uma vez, cara, obrigado pela, pela disponibilidade, obrigado por vir aqui trocar ideia, contar as histórias desde a máfia chinesa até a Azul Linhas Aéreas. Cara, muito, muito, muito obrigado mesmo. Parabéns pela tua história, pode ter certeza de que a tua história inspira muitos empreendedores, como inspira a minha, de realmente olhar pros problemas — como você já passou por vários — e manter a cabeça firme, chorar por dentro, mas lá fora tá, tá firme. Como olhar problemas grandes e falar: “por que não eu para resolver esse problema?”. Parar de ficar só reclamando da situação, mas tentar olhar, puxar o fiozinho e entender o que que tá acontecendo. Cara, é uma instrução mesma, mais uma vez obrigado mesmo pela oportunidade para trocar ideia.

E desculpa se eu, eu… eu fiquei um pouco sem jeito…

Não, só as histórias dão… dá vontade de fazer um podcast de 5 horas contigo, viu cara? E, cara, eh te convido, meu, sério, para… vamos nos aproximar depois e marcar um dia de almoçar e tudo mais. Direto eu tô em Alphaville, vamos trocar ideia, tem muita coisa legal pra gente trocar ideia. Eu tenho um grupo de mastermind também, que é um monte de empresários que a gente se junta para falar várias coisas. Vai ser um… vai ser massa tê-lo lá com a gente contando essas coisas, vai ser… meu, a galera… as histórias que você tem, eu tenho certeza de que tem muita gente querendo ouvir, cara. Então fala mesmo, porque a galera tá, cara… eu tenho, eu tenho 200.000… não, mas essa por isso… às vezes eu falo aqui, falando lá, galera… mas a galera, a galera, meu, pode ter certeza: com a tua experiência, com a tua bagagem, muitos empreendedores eh pagariam para estar do teu lado só para ouvir essas histórias, porque isso aí é aula, cara. É lição para quem tá, tá empreendendo. Então, mais uma vez obrigado.

Mais uma vez obrigado.

Estamos juntos. E você que ficou aqui até agora, muito obrigado por ter acompanhado até o final. Aqui embaixo tem vários botõezinhos, clique em todos para engajar, compartilha com teu sócio, compartilha com teus amigos. Sucesso, até a próxima, valeu!

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