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Ivan Moré (Jornalista e Apresentador) – Além do CNPJ #064

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Pô, você é um cara que tem uma história também muito admirável. E a maneira como, justamente, você tem essa facilidade para se comunicar com essa audiência do empreendedorismo transformou esse produto que você tem num produto extremamente valioso. 

No momento de maior adversidade da minha vida, que eu só apanhava, só chorava e vivia escanteado, concorda que eu poderia me vitimizar, falar: “O mundo está contra mim”, eu falei assim: “Mas dentro daquilo que me compete, o que é que eu posso fazer para transformar esse cenário?” A sua intuição fala o tempo inteiro com você, mas você não está apto para ouvir e, quando você ouve, você não confia. 

Eu saí de uma posição de vítima para ser um cara que encontrou protagonismo por meio do trabalho. A gente tem que parar um pouco de romantizar: “Aqui é tudo maravilhoso, a internet traz um pouco isso”. A vida é adversidade, é problema, e é como você reage. Dá medo? Dá. Tem dia que é inseguro, sim, mas vai assim mesmo. 

“Se a gente não te ligar até a próxima terça-feira, é porque você não está selecionado, você não passou, mas, se bem que, para o seu ‘café com leite’, você não vai passar de qualquer forma, né?” Na quinta-feira, tocou o telefone, e foi o telefonema mais legal da minha vida: “Você quer trabalhar na TV Globo?” 

Buenas! Buenas! Buenas! Seja bem-vindo a mais um episódio do Podcast Além do CNPJ! Muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia com a gente. Então, já pega uma cadeira, sente-se à mesa para trocar essa ideia de empreendedorismo vida real. E hoje estou com um convidado aqui na minha frente, cara! Estou me sentindo importante! Hein, Tiagão? Hoje eu estou aqui de gala, hein? Devia ter vindo de gravata.

Cara, mas sem brincadeira, é um cara que eu assistia na TV enquanto eu estava almoçando, fazendo as minhas coisas depois das minhas atividades e tudo mais, e, cara, hoje o cara está aqui na minha frente para a gente trocar ideia. Acompanhei algumas coisas que eu quero que você conte, inclusive de algumas coberturas de fatos extremamente importantes que aconteceram no mundo e no Brasil. O cara estava lá nos informando. O cara está aqui na minha frente. É um exemplo de comunicador, é um cara que… Putz! Não construiu tudo que ele construiu à toa. Foi muito trabalho, muito esforço. E, cara, o cara chegou onde chegou e está voando aí. E quero trocar essa ideia com vocês. Estou até nervoso, estou me enrolando, Tiagão, estou me enrolando aqui, bicho! O cara… Meu! O cara é o exemplo de comunicação. Estou aqui com o Ivan Moré, cara! Muitíssimo obrigado por… 

Muito obrigado pela apresentação! Fiquei até nervoso, cara! Não, nervoso! Você tem uma baita comunicação. Eu já tive o privilégio de te entrevistar no nosso podcast lá com o Yuri AB, que é o rei da creatina. E aí, poxa, você é um cara que tem uma história também muito admirável. E a maneira como, 

justamente, você tem essa facilidade para se comunicar com essa audiência do empreendedorismo transformou esse produto que você tem num produto extremamente valioso, né? Obrigado, cara! 

[…] Cara, tudo que vem de você referente à comunicação, eu ouço com muita atenção, porque, cara, você é Ivan Moré, então, bicho! Você chegou onde você chegou graças a uma comunicação que você tem, que é muito boa. Até estava conversando no dia que eu estava assistindo o podcast com a minha esposa, que eu gravei lá com vocês. Cara, surreal como a sua comunicação é. Cara, parece… Sabe quando você olha o Neymar jogando bola, você fala: “Cara, parece que é fácil jogar bola! […]” Sabe? Tipo, você se comunicando é muito simples assim. É muito… Até a tua dicção funciona muito bem. 

Então, cara, eu falo: “Cara, é uma das coisas que eu muitas vezes preciso ficar me avaliando”. Poxa, eu “como palavras”, eu falo muito rápido. Mas isso não é a minha vida. Eu precisei meio que me adaptar à comunicação para TV, para a internet e tudo mais. Porque antes eu falava para os outros, só que eu não me ouvia. É muito louco quando você começa a se ouvir, você tem feedback instantâneo e tudo mais. Então, poxa, cara, todos os seus conselhos e seus feedbacks para mim são muito importantes. Então, obrigado mesmo. 

Legal. E, cara, hoje a gente está aqui para trocar ideia não só sobre a trajetória do Ivan, mas também o dia a dia dele de hoje de uma vida

empreendedora. Cara, o cara está com uma empresa que… E eu até conversei com a sua esposa, né? Com a Giovana, um pouco antes. E, cara, ela contou um pouco dos bastidores, e eu quero também que você traga a tua visão e tudo mais. 

Mas, cara, no dia que a gente gravou o podcast, nos bastidores, a gente estava trocando ideia sobre empreendedorismo, as dificuldades que vocês têm e tudo mais. O que, putz, para mim já é um pouco mais tranquilo, eu jogo na minha zona de conforto nessa hora. Mas é uma das coisas que eu quero trazer a tua visão sobre as dificuldades de empreender para um cara que chegou lá em muitas áreas, mas que, de repente, se vê à frente – o que acontece muito com as pessoas de suas técnicas. 

Então, empreendedores médicos, empreendedores contadores, empreendedores… Cara, todos eles que têm a técnica muito avançada como a sua. […] Liga a câmera, fala, bicho! Você desenrola, você toca um programa de horas com o pé nas costas. Só que, cara, de repente, você precisa fazer um fluxo de caixa, você precisa olhar os negócios. E, cara, como que é para esse cara técnico ter que desenvolver outras frentes que não precisou desenvolver na trajetória? Então, quero entender isso aí. É difícil. 

E, cara, para mim foi muito difícil, muito difícil. E, cara, eu quero, antes de entrar nessa atualidade, o Ivan criança… Como que foi? Como que foi suas referências? Como que foi você criança? Onde você nasceu? Como que foram as coisas que aconteceram de forma resumida para você chegar na vida adulta, antes mesmo de virar o Ivan Moré, o grande Ivan Moré? Mas, assim, para se tornar um adulto… Aonde? Como você entrou nesse meio? O que que você queria da vida? Dá um overview geral, cara. 

Cara, quando você fala… É, é, primeiro, obrigado, né? Pelas suas palavras. Eu fico muito lisonjeado e feliz. E eu confesso para você, Felipe, que lá no meu interiorzinho, ainda tem uma parcelinha dentro de mim que custa acreditar. E quando as pessoas falam: “Ah, o grande Ivan Moré” ou “Ivan Moré que chegou onde chegou”, porque eu sou essa figura que você se refere, que é o Ivan Moré, tal, nada mais é, cara, do que o raquítico, um menino que sofreu um bullying absurdo no interior de São Paulo nos anos 80, porque tinha um déficit de crescimento físico e hormonal. Caraca! Eu fui crescer com 15, 16 anos. E dos 10 até os 15, 16, até aos 14, ali, eu sofri muito. Porque o ponto de virada para mim foi o trabalho. 

Quando você fala que eu tenho uma boa comunicação, poxa, também pudera! Eu encontrei no microfone a ferramenta de transformação da

dificuldade que eu vivia na época. Então, vou te, só te… Para te desenhar o contexto: anos 80, escola pública, interior de São Paulo. 10, 11, 12 anos. Os meninos começam a se desenvolver, eu começo a ter um retardo hormonal tardio. Minha mãe me levou para fazer um tratamento. O tratamento era muito caro. E aí o que começou a acontecer? Os meninos esticaram muito, e você sabe como que é adolescente, né? Cruel! Eu fiquei… E aí eu me transformei no Ivan raquítico. 

Todo o intervalo, eu vivia 20 minutos pendurado de ponta-cabeça. […] E aí eu, bravo que era, ia lá e “pum”, dava um murro na cara dos moleques. Apanhava. Apanhava no final da escola. Então, assim, todos os dias na saída eu apanhava, porque todos os dias eu era motivo de bullying na minha sala. Então, os amigos deixaram de ser amigos, porque eu perdi a vaga no time de futsal. Ninguém me chamava mais para a festa. E eu era o cara mais zoado da sala. Eu era o anãozinho, o Ivan raquítico. E as meninas não me notavam mais. E eu perdi completamente as minhas referências. 

Eu tinha um irmão mais novo e uma irmã mais nova. Eu não ficava me queixando para a minha mãe, que sentia pena de mim. E quando as pessoas sentem pena de você, é muito ruim, né? E eu sentia que os outros tinham pena de mim. Então, eu não tinha um amigo. E aí é uma fase difícil. Mas, olha como são as coisas, né? Quando você tem um bom direcionamento familiar, tudo se transforma. 

A minha mãe mapeou muito precocemente que, quando eu era mais jovem ainda, 8, 9, 10 anos, eu ia em qualquer festinha de criança, e quando tinha uma câmera — aquelas câmeras enormes, VHS, às vezes, que o pessoal gravava aniversário, casamento —, tinha uma câmera, eu enlouquecido para fazer na câmera, queria aparecer de qualquer jeito. E se tivesse um microfone com algum repórter na festa, ou fazendo alguma brincadeira, entrevistando, eu ficava mais louco. Eu não queria dar entrevista. E ela pegou e me deu um Walkman. Falou assim: “Cara, você gosta disso aqui, ó! Esse Walkman que eu estou te dando…” Você sabe o que é Walkman, né? Fita cassete, você gravar… “Dava para gravar”, ele falou assim. “O seu dá para gravar”. Então, ela falou assim: “Vamos treinar os locutores da rádio falando. Ouve o que os caras estão falando e faz parecido”. Aí eu fazia com ela. Ela falava assim: “Não está bom, faz de novo”. Bicho, estava… Ligeiríssimos, ligeiríssimos. 

Sabe o que aconteceu? No momento de maior adversidade da minha vida, que eu só apanhava, só chorava e vivia escanteado — qualquer hora que eu

poderia me vitimizar, falar assim: “Pô, o mundo está contra mim” — eu falei assim: “Mas dentro daquilo que me compete, o que é que eu posso fazer para transformar esse cenário?” Falei: Trabalhar! Tinha uma rádio na minha cidade. Falei: “Mãe, eu quero trabalhar nessa.” “Quantos anos você tinha?” 14. “14.” Ela falou assim: “Vamos lá, vou pedir emprego”. Fomos pedir emprego. Eu tinha um tio que trabalhava nessa rádio. Foi por conta dele que a gente foi conversar com o dono da rádio. “Ah, vamos, vamos, mas ele é muito pequeno, hein?” “Não, mas tem 14 anos, poxa! Queria trabalhar.” “Então, você vai ser operador de som.” 

Regra Três: eu trabalhava, eu era o operador. Eu operava uma mesa de oito canais com dois toca-discos, três cartucheiras, que é aqueles spots de disparar propaganda de 30 segundos, 80 cartuchos de spot, um tape de rolo e um aparelho de CD e duas picapes — duas picapes. E do lado ficava um vidro aonde o locutor só falava. Então, trabalhava igual um polvo! Soltava uma propaganda de 30 segundos, tinha que substituir esse cartucho, colocava outro cartucho, preparava a trilha sonora, preparava a música que ia tocar, passava para o locutor e falava: “8:02 minutos”, e soltava a música. Eu soltava aqui, preparava. Ou seja, minha vida era difícil. Trabalhava igual um polvo. Mas, para aprender a executar esse desempenho de operador de som, eu fiquei um mês. E é legal, porque o cérebro também, cara, para quem tem 14 anos já é super. 

E aí o que aconteceu? Eu gostei tanto de fazer isso. Falei: “Cara, mas eu podia fazer isso. Eu queria falar também!” Então, eu ficava de segunda a sexta na rádio, aprendendo, ia para a escola, voltava no período da tarde, de noite ficava na rádio. Sábado e domingo trabalhava o dia inteiro. Então, a minha agenda foi ocupada com o trabalho. Eu não tinha futebol, não tinha amigo. “Está bom, vou trabalhar”. E aí eu me especializei naquela parada toda, fiquei louco por aquilo. E de madrugada eu ficava sozinho, às vezes, na rádio, no final de semana, nos programas gravados, porque o locutor gravava. 

E um dia terminou um programa, uma madrugada lá, e eu peguei e falei assim: “Cara, se eu mesmo montasse meu programa e fizesse no formato ‘disc jockey’ em que eu falo e opero ao mesmo tempo?” E ficava bolando, cara! Tinha trilha musical, fazia abertura do meu programa sozinho lá. E um dia, numa madrugada de sábado para domingo, deu um problema no transmissor lá da rádio. Surgiram os caras lá, o meu tio e o dono da rádio. “Que você está fazendo aqui?” Falei: “Desculpa, não era para ter desligado a rádio. Está fazendo o que com essa rádio aqui na mesa?” Falei: “Estou

ensaiando um programa que eu falo e me comunico.” “Faz para eu ver!” Aí eu fiz. “Você consegue fazer isso no ar?” “Consigo.” “Quinta-feira você vai substituir o Fernando, que me pediu uma folga na FM. Você vai fazer um programa.” “Beleza.” Falei: “Está bom”. Aí, nessa quinta-feira, eu entrei no ar. Nunca mais saí! 

Caraca, bicho! “ZD 88.2 Rádio Jovem FM, sintonia 95.1 MHz, frequência modulada canal 236, uma emissora de Presidente Venceslau, Estado de São Paulo. Olá! Comunicação até às 11 da noite. Ivan César com o melhor da música nacional e internacional. Começamos com Michael Jackson, “Black or White”. E se você quiser pedir a sua música, ligue no 3271-1801, que eu toco para você. Boa noite!” Caraca, que da hora, cara! 

Estava 30 segundos, começava a tocar o telefone. Aqueles vagabundos que me batiam na escola. “Fala, Ivan, tudo bem? Aqui é o Tonhão, seu amigo da escola”. “Fala, o que que você quer?” “Toca uma música aí para mim”. “Cara, 

você que está falando na rádio?” “Toco […]. Toco […]”. Você descontou na hora. Os caras me ligavam. “Mas você estava, você estava ainda na escola?” “Você tinha quantos anos?” 14. “Estava na escola, 14 anos”. Aí as meninas me ligavam. Sofria bullying na escola todo dia. Pô, estava no primeiro Colegial, oitava série… Oitava série, primeiro Colegial, oitava série. As meninas amavam. “Ivan, é você?” “Sou eu. Você toca essa música para mim?” “Toco. Toco até duas!” Naquela época, a rádio bombava, todo mundo escutava. 

E aí, na grande Venceslau, uma cidade de 40.000 habitantes no interior de São Paulo, eu saí de uma posição de vítima da sociedade para ser um cara que encontrou protagonismo por meio do trabalho. E foi exatamente aí que eu percebi que a comunicação poderia ser a chave de transformação da minha vida. Porque a minha mãe já tinha mapeado algumas características que apontavam um potencial para tal. Eu não acredito muito nesse dom que você nasce, sabe, Felipe? Eu acredito que você pode desenvolver. “Você tinha uma aptidão”. Isso, aptidão. Mas isso foi fruto de resultados obtidos durante o tempo por meio da prática constante. Então, essa prática me destinou para essa carreira da comunicação, né? 

Então, eu percebi que a minha intuição falou comigo. Eu fui confiante o suficiente num primeiro momento, porque eu estava morrendo de medo no ar. Era difícil para um menino de 14 anos. “Você era tímido?” “Não, nunca fui. Nunca fui tímido não.” “Porque, querendo ou não, cara, para você entrar

numa rádio com 14 anos, você tem que ter uma confiança altíssima também, cara.” 

“É porque, sabe aquela história de que você não tinha outro caminho?” Falei assim: “Cara, vai ser esse. Tem que ser esse”. É igual ao jogador de futebol que sobe para o profissional, que está da quebrada, que joga porque a mãe é faxineira, o pai é carpinteiro ou trabalha de funcionário público numa quebrada, e ele tem mais oito bocas para alimentar dentro de casa. E o moleque tem talento para jogar, ele vai dar muito mais força, muito mais entrega do que o cara que tem uma vida feita. 

Cara, eu não estou falando que eu sou jogador de futebol, que eu sou… Não é sobre isso, mas é sobre a necessidade e a vontade de transformação que eu sentia. Eu falei: “Eu não posso deixar”. Então, pô, dá medo? Dá. Tem dia 

que é inseguro, sim, mas vai assim mesmo. Está tudo certo. Bora! E deu bom para caramba. 

“Quanto tempo você ficou apresentando?” Eu fiquei apresentando esse programa até eu ir para estudar, porque eu passei numa faculdade de Jornalismo. “Então você ficou, cara, uns 3, 4 anos?” Sim. Aí, depois que eu saí para fazer a faculdade de Jornalismo, olha como que é a ironia do destino: no meu primeiro dia de aula, eu passei em Londrina. Eram só 20 alunos por turma. Primeiro dia de aula, aula de rádio. A professora falou assim: “Nós vamos ter uma aula prática. Todo mundo sai da sala de aula, vamos para um laboratório de rádio”. Chegamos no laboratório de rádio: uma mesa de som lá, todo o formato que eu conhecia. E ela falou assim: “Gente, todo mundo hoje vai se apresentar nesse microfone. Eu vou mostrar para vocês como funciona uma mesa de som, uma estação de rádio”. Assim, legal. “Cadê o operador de som?”, perguntou, né? Para o pessoal da faculdade. “Ele faltou hoje, professora. Pessoal, infelizmente, vamos voltar para a sala de aula”. Eu falei assim: “Professora!”. “Pois não, calouro. Como é seu nome?” Falei assim: “Ivan.” “Quantos anos você tem?” “19.” Falei: “Professora, se você quiser, eu opero. Eu sou operador de som.” “Mas, como assim?” Falei assim: “Eu trabalhei, estou no rádio desde os 14 anos”. “Você tem uma […] experiência?” Eu sentei lá no primeiro dia de aula, quem deu aula fui eu, cara! Aula prática! Caraca! Eu liguei a mesa de som, mostrei como pegar. A professora pirou. A professora falou assim: “Cara, eu preciso te apresentar para o pessoal da Rádio Universidade FM, que é uma das FMs de Londrina, que fica aqui dentro do campus, inclusive, do nosso Campus. Você tem que conhecer o pessoal. Estão precisando de um locutor”. Você acredita que eu fui lá, fiz um concurso, passei e virei funcionário público da

universidade como locutor da rádio? Que da hora, cara! Durante todo o período de faculdade, eu fui locutor da rádio. Então, do lado da minha sala de aula ficava a rádio. […] Eu trabalhava de manhã e estudava à noite. E a pergunta que eu te faço: eu aprendi mais na prática de manhã ou à noite na sala de aula? Sem dúvida, né? Então, você entende qual foi minha faculdade? Mas isso foi tudo fruto da adversidade inicial. Você entende, Felipe, que eu não me coloquei como vítima na situação, mas eu fui tentar encontrar a solução naquilo que me competia. Cara, eu tinha que dar a minha parte. E aí a comunicação surgiu de uma forma mais fluida. 

“De onde veio essa filosofia, assim, de ‘putz, não posso me colocar como vítima’? Você teve essa base dentro de casa? Porque, querendo ou não, você falou que você não dividia isso com a tua família, sim? Pô, como que você criou, porque, cara, você era um menino, você tinha 12 anos, como você criou esse ‘Poxa, eu não posso me colocar como vítima, deixa eu fazer um negócio acontecer’? Qual foi a origem disso aí?” 

É a referência que eu sempre tive foi a minha mãe, porque a minha mãe, ela não conhece o pai, ela não teve contato, não sabe quem é a família. E a minha mãe foi fruto, assim, de uma traição da minha avó que não gostava dela, que se arrependeu. Então, a minha mãe, exemplo real, é um exemplo real. E minha mãe tem uma pele mais morena. Então, ela era discriminada. “Ah, a […] a negrinha que morava na quebrada de Venceslau”. Se juntou muito precocemente com meu pai, mas para ter uma proteção, né? Então, muito do que minha mãe tinha de força canalizada, ela colocou no primeiro filho, que fui eu. Então, ela sempre me motivou. Falou assim: “Filho, não importa o que você for fazer, só que você nasceu para brilhar, você tem que entender isso”. E pior que o filho escuta essa […]. “É tudo depende de você, porque o mundo vai sorrir para você. Você tem um talento em tudo que você se propõe a fazer, você só precisa acreditar nele, porque eu acredito”. E ela foi muito, muito incisiva nisso, Felipe. É impressionante. Minha mãe, ela implantou um “virusinho” na minha cabeça. Eu estou ligado. Sabe, mas é curioso. E a mãe tem esse poder, cara. Tem. 

E o mesmo não aconteceu com os meus irmãos, meu segundo irmão. E não estou falando que foi melhor comigo. Sim, entendi. As criações são diferentes. Ela estava em momento de vida diferente. Ela depositou toda aquela raiva canalizada, acho que do mundo: “Esse moleque vai voar”. Sim. E, inclusive, o meu relacionamento com a minha mãe, ele é fruto de estudo, de terapia, para mim. Caraca! Inclusive para ela, porque nós temos uma relação de Édipo, né? Complexo de Édipo. Então, assim, a minha mãe por

muito tempo ela foi minha esposa, ainda continua sendo minha esposa agora. Então, assim, tem prós e contras, porque nós sempre fomos muito amigos, muito juntos. Compartilhamos das mesmas visões, das mesmas vontades, coincidentes um do outro, mas uma extensão e vice-versa. 

Mas tudo que é demais atrapalha: atrapalha o relacionamento com os meus irmãos, atrapalha o relacionamento com meu pai. Eu ocupei muito o espaço do meu pai, porque eles se separaram. E nas brigas que eles tinham, eu entrava e defendia meu pai. Eu tenho o mesmo nome do que meu pai, porque é Júnior. Então, cara, o meu histórico de vida com a minha mãe, ele é muito legal, mas ele é bem complexo. Mas essa força que veio de solidificação… Até hoje é difícil desmamar, né? Mesmo. Caraca, mano! Eu estou num processo aos 47 anos que eu preciso me distanciar e entender, porque ela ainda é a pessoa que tem o maior poder de influência sobre mim. Isso é positivo para alguns aspectos, para outros é muito negativo. 

“Caraca, forte! Obrigado por falar, por abrir isso aqui, cara.” Não, imagina. Nunca falei sobre isso, porque isso é… Isso é uma das coisas que, assim, e você falando agora me remete à relação que eu tenho com a minha mãe também. Acredita? E eu nunca parei para pensar, mas a minha mãe, ela sempre foi essa pessoa também que depositou uma confiança em mim surreal. E é brabo isso, porque quando eu não acreditava em mim, a minha mãe confiava tanto que eu falava: “Não, eu sou esse cara, eu sou esse cara”. É isso, cara. E, tipo, agora olhando para trás, eu falo: “Caraca, mano! Talvez muitos dos momentos ainda que eu não tinha um ‘eu’ formado, porque eu era criança, jovem e passava as dificuldades, a confiança da minha mãe em mim fez eu passar por isso”. E, cara, mesmíssima coisa. Até, até a trajetória de… “Putz, às vezes eu preciso, pelo fato da minha mãe também ser separada, muitas vezes eu me sinto como responsabilidade de marido”. A gente se coloca de forma inconsciente nessa posição, porque ela fez tanto por mim. […] 

E é um comodismo do outro lado, né? É uma proteção, é um acolhimento que ela recebe. Mas quando você começa a colocar uma lente um pouco mais aprofundada em alguns aspectos da sua vida, você pode notar que tem alguns “nódulozinhos” ali que informação demais, proteção demais, intimidade demais, às vezes, faz com que a relação que deveria ser entre pai e filho se transforme num outro tipo de relação em que, quando você mistura essas bolas, dá um efeito colateral. Sabe, sai alguma coisinha negativa. Eu tenho notado isso no relacionamento com os meus irmãos.

Então, hoje, eu tenho uma família… Meu pai já falecido, mas a minha família anterior, né? Quando eu falo a minha casa onde eu nasci: mãe e três irmãos. Nós não conseguimos ter uma união que nós gostaríamos por conta de efeitos colaterais de maneiras de tratamento. É uma estrutura que tem algumas complexidades, algumas disfunções, disunião. Caraca! É, é complexo. Mas isso é tudo fruto de relacionamentos equivocados, mas sempre direcionados pelo amor. Exato, né? Eu acho que nunca… Boa intenção. Na boa intenção. Mas algumas responsabilidades, imagens e relacionamentos acabam se sobrepondo. […] Então, assim, se é mãe e filho, é mãe e filho. Não é irmão, não é marido, não é amigo, não é namorado, é mãe e filho, é isso. E algumas fronteiras precisam ser preservadas. Sabe quem me ajudou muito? Minha esposa. Mas é uma outra figura feminina. “Ah, é o que está acontecendo nesse momento comigo também. É da hora. […] Legal. […] Uma terapia aqui, hein? Tem que pagar depois. Da hora, cara. Show de bola.” 

“E, cara, e aí você foi para a faculdade, fez lá, ficou 4 anos? Jornalismo.” É, quatro. Fiquei 4 anos. E aí, como eu na faculdade eu já tinha essa proximidade com rádio, com microfone, eu falei: “Poxa, eu quero ser repórter de TV, porque isso é sonho de criança”. Eu assistia ao Globo Esporte quando eu era pequenininho. Eu falava: “Mãe, um dia eu vou apresentar esse programa aí”. Caraca, que legal! Falava: “Nossa!”. E aconteceu. 

Só que eu tinha muito definido. Eu falei: “Olha, eu sei o que eu quero na faculdade. Eu não vou ser jornalista de jornal impresso, de revista, de internet. Eu vou ser o cara de TV”. “Então, o que que eu preciso fazer para eu ser bom em TV?” “É melhorar minha dicção, minha locução, meu improviso”. E, faltando um mês para me formar, em 99, a TV Globo no Paraná promovia alguns testes para contratar novos repórteres para a Globo do Paraná, afiliadas do Paraná. E eu fiquei sabendo que ia ter um teste em Londrina. Ia contratar um repórter. Estava precisando de repórter. “Cara, você está maluco, bicho! Meu sonho é trabalhar na Globo! Se eu sair direto da faculdade para a Globo!” 

E eu tinha um jornalista que trabalhava na rádio comigo. Eu era o locutor, ele era o jornalista, escrevia os textos que eu lia no ar. E ele falou: “Ivanzinho, vai ter mesmo essa, essa, essa… Só que eles precisam de alguém formado com um ano de experiência”. Falei: “Mas, pelo amor de Deus, cara, consegue para 

eu fazer esse teste. Não vão deixar”. Eu falei: “Tenta”. Ele foi, insistiu. Os

caras me deixaram com a condição de eu ser um ‘café com leite’. “Ah, o cara não tem diploma ainda, mas deixa ver. Está na sede para fazer, manda para cá”. Aí eu fui fazer o teste. 

Fiz o teste junto com outros 15 repórteres que já tinham formação e tal, e tinha uma vaga só. E eu lembro que me falaram: “Olha, se a gente não te ligar até a próxima terça-feira, é porque você não está selecionado, você não passou, mas, se bem que, para o seu ‘café com leite’, você não vai passar de qualquer forma, né?” O cara já falou: “Você só está aqui para cumprir tabela, que você queria viver a experiência”. “Então, não espera, não tem essa expectativa”. Eu, no fundo, tinha. Aí chegou a terça-feira, o telefone não tocou. Chegou a quarta, tal. Mas na quinta-feira, tocou o telefone. E foi o telefonema mais legal da minha vida, porque era a Soraya, uma editora da Globo lá do Paraná. Falou assim: “Eu queria falar com o Ivan Moré”. Eu falei assim: “Pois não”. “Ivan, eu estou te ligando. Eu sou a Soraya, sou editora aqui da Globo de Curitiba. A gente fez todos os testes, tem muita gente legal, mas você é o mais novo de todos. Acho que você é o único que não tem diploma, mas de você que eu gostei. Eu que seleciono no teste, eu gostei de você. E eu queria te contratar. Você consegue estar aqui em Curitiba amanhã para fazer os testes? Depois eu vou te mandar para Paranavaí, que você vai ser repórter. Você quer trabalhar na TV Globo?” 

Caraca, bicho! Cara, eu lembro que, contando a história para ela depois, eu só falava: “Obrigado, você, obrigado, você”. Eu não lembrava o nome dela. O fato é que eu falei: “Mas eu não me formei ainda. Eu tenho que apresentar o TCC inclusive na sexta-feira que vem”. Ela falou: “Não tem problema. Você vem aqui, começa a trabalhar, volta, apresenta o TCC. Eu quero você. Eu não quero correr o risco de te perder, porque eu achei que você tem um talento”. Caraca! E aí eu peguei e comecei a trabalhar assim. 

E o tempo foi passando. Quando eu entrei dentro da TV Globo, eu entrei… Eu fui para a menor afiliada do Paraná, que era uma cidade chamada Paranavaí. Lá só tinham dois repórteres da TV Globo. Então, a gente fazia reportagens para o Jornal Local, o “Praça Dois”, ou seja, o SPTV que todo mundo está acostumado a ver, ele tem no Brasil inteiro, em todas as afiliadas, mas ele é local. Então, lá chamava Paraná TV Segunda Edição. Em toda afiliada do Paraná, toda a região do Paraná tinha o seu próprio Paraná TV. Então, a região de Paranavaí: o jornal tem dois, três blocos. O primeiro bloco era só para as notícias de Paranavaí. Eu que fazia as reportagenzinhas ali. Caraca, num micronicho! Micronicho, né? Eu fiquei ali 11 meses.

Mas o jornal se divide no meio, é assim. Por exemplo, aqui em São Paulo tem o SPTV Capital e Região Metropolitana. Em Campinas tem o EPTV, que é o jornal. O “Praça Dois” é o jornal que passa. Lá em Bauru tem um jornal só da região de Bauru. Lá em Presidente Prudente tem um jornal só, o Regional, da região. “Nossa, maior trampo fazer isso, cara! É maior trampo.” “Então, por isso que a necessidade dessa afiliada tem que ter muita reportagem.” Sim. 

E eu fui para a menor praça do Paraná, que é Paranavaí. E nos 11 meses que eu fiquei lá, eu falei: “Cara, muito legal trabalhar aqui na Globo, entendi o que é Padrão Globo de Qualidade, mas o que eu queria mesmo era trabalhar na Globo de São Paulo, na Globo do Rio de Janeiro”. Meu irmão queria fazer grandes eventos, Copa do Mundo, Olimpíada, entrevistar os grandes nomes. “Cara, mas você já sonhava nesse nível?” Já sonhava. Só que eu falei: “Não depende da Globo, depende de mim. O que que eu posso fazer dentro daquilo que me compete? O que eu posso fazer para entregar mais do que o esperado para chegar onde eu quero?” Eu falei: “Eu vou chegar na Globo de São Paulo e no Rio”. 

E aí, quando você me pergunta de onde veio a base desse comportamento, vem justamente disso. E eu consegui, Felipe, determinar, denominar o que é esse comportamento em 2017 por meio da formatação de um conteúdo chamado Desobediência Produtiva, em que eu acredito muito em situações que estão aos nossos olhos a todo momento, que são mapeadas por meio da nossa intuição. A sua intuição fala o tempo inteiro com você, mas você não está apto para ouvi-la, e, quando você ouve, você não confia, que é o próximo passo. Então, é intuição, confiança e coragem. 

A partir do momento que a sua intuição fala contigo e você avalia o que ela está te comunicando, você precisa ser necessariamente confiante nas suas características positivas e negativas. Você tem que saber que você é bom em algumas coisas e não tão bom em outras. Então, assim, dê vazão de atenção para aquilo que você desempenha bem. Então, assim, a intuição veio, […] confio em mim. Agora eu vou tomar risco, vou apostar nisso. Caraca! A minha jornada interna na TV foi o tempo inteiro tomando risco. 

“Bicho, isso é empreendedorismo raiz! Isso que você está explicando é empreendedorismo raiz!” Raiz. É chegar na rua e sair de uma reportagem do meio da estrada, ir para uma outra estrada para fazer uma outra reportagem. O chefe ligar, falar assim: “Onde você está? Corre para cá, que eu preciso de você, que tem um assalto a banco”. Aí o cara manda eu ir para um lugar, eu paro no meio do caminho e vejo uma cena. Falo assim: “Cara, isso aqui é

maravilhoso! Uma cena que ninguém nunca tinha visto”. Falei assim: “Não vou fazer o que ele está mandando, vou fazer isso aqui”. Falei: “Para mim, de jeito nenhum! Nós vamos fazer o que o chefe está mandando”. “Eu não vou. Eu não vou tirar a câmera para fazer essa reportagem com você”. Eu passo a mão no telefone, invento uma desculpa para o meu chefe, aposto na reportagem. A reportagem explode. O Globo Rural estava 17 anos atrás da reportagem. Os caras: “Quem que fez isso?” Falou assim: “Um tal de Ivan Moré. O moleque é um maluco, cara! O moleque vai para a rua, tem um radar, fuça tudo”. Caramba! “O jornalista tem essa autonomia de também caçar”. Cara, tem! Aí que está, precisa inclusive, né? Precisava. Era a única maneira de eu fugir do protocolo. Então, eu precisava, eu precisava necessariamente surpreender as pessoas. Então, eu sempre usei a lente da minha intuição para me direcionar para onde eu devia ir. Caramba! 

Então, com 11 meses, por exemplo, vou te dar um exemplo. Eu estava 11 meses em Paranavaí. Eu ouvi do da TV que um dia eu cheguei lá atrasado. E ele falou assim: “Eu também estou atrasado, mas meu despertador quebrou, rapaz”. Eu falei assim: “Quebrou?” Ele falou assim: “Não, mas a melhor história é do meu vizinho, que eu moro na roça, né, Ivan? E o meu vizinho, rapaz, é boia-fria, e o despertador dele também quebrou. Só que você acredita que o cara… Ele acordou atrasado esses dias e conseguiu correr junto com o ônibus de boia-fria que passa para pegar ele? Ele chegou primeiro que o ônibus. E, por causa disso, ele está treinando para ir para a São Silvestre! O cara está indo correr todo dia”. Eu falei: “Sério?” “Ele fez a inscrição para a São Silvestre?” Falei: “Vou contar essa história”. “É verdade?” Ele falou assim: “É”. Falei: “Por causa do despertador quebrado?” Eu fui lá, fui lá e contar. Ouvi essa história. Apresentei para o pessoal. Falei assim: “Quero fazer essa reportagem”. Fiz a reportagem. A matéria ficou legal, saiu, e era só veiculada no Paraná TV. 

Dois dias depois, toca meu telefone, meu primeiro telefone celular. Eu lembro. “Eu queria falar com o Ivan Moré”. “Pois não.” “Foi você que fez a reportagem do boia-fria ontem que saiu no Bom Dia Brasil?” Falei: “Bom Dia Brasil? Jornal que é Brasil inteiro? Você nem ficou sabendo?” Eu falei assim: “Não, não, não foi eu, não. Quer dizer, a reportagem quem fez fui eu”. “Mas, e saiu no Bom Dia Brasil?” Falou assim: “Não, não saiu no Bom Dia Brasil. É você?” Falou: “Não, não, então, não sou eu, cara! Essa reportagem não saiu”. Falou assim: “Ivan, quem está falando é o Luiz Malavolta. Eu sou o chefe de reportagem da Rede Globo de São Paulo. Eu estou te ligando porque o Amauri Soares, que é o diretor-geral da Globo de São Paulo, está louco com você. Ele viu sua reportagem no ar, adorou você. Você não precisa ficar feliz

com sua reportagem só no Bom Dia Brasil porque ela saiu, você tem que ficar feliz porque eu estou te ligando. Ela saiu e foi vista pelo diretor de São Paulo, que quer falar com você”. 

Caraca, bicho! Eu falei: “Você está falando sério?” Falou assim: “Está. Você tem como me mandar um material com três reportagens suas, porque o nosso diretor-geral quer te entrevistar?” Aí eu fui, mandei. Ele falou assim: “Ele quer você aqui amanhã!” Que loucura! Eu peguei um carro, saí escondido lá de Paranavaí. Minha chefe não me liberou. Saí escondido. Dei uma desculpa que meu carro estava com problema de freio lá de Paranavaí. Rodei 800 km, vim para São Paulo. Sentei com ele. Ele falou: “Pô, te caçaram até te acharam, hein, garoto! Você tem talento. Quantos você tem?” Eu falei: “23.” Ele falou assim: “Vou te preparar para você vir para a Globo de São Paulo, porque eu vivo atrás de pessoas como você. Então, se você quiser… Você não está pronto para vir para cá. Você não tem…” Um olhar também ferrado, hein, do cara! “Mas você precisa vir para o interior de São Paulo. Aprender escola de Jornalismo das emissoras perto de São Paulo: Campinas, Sorocaba, enfim, Jundiaí. Depois você vai estar para vir para São Paulo”. 

Cara, deu três meses, me chamaram para trabalhar no interior de São Paulo. Eu fui. Na sequência, o esporte começou a me chamar. Aí a minha vinda para cá… “Pô, tem um cara bom em Sorocaba, em Jundiaí, que era eu. Chama esse cara, esse cara é bom, vamos mandar esse cara”. E começaram a me acionar. E aí foi o atalho ou o caminho que eu percebi lá de Paranavaí. Pumba! Mas você percebe que a origem disso tudo foi uma reportagem ouvindo de orelhada o porteiro da TV que falou de um boia-fria. “Você estava com radar ligado?” Estava. “Mas sempre teve, Felipe.” Dá para baixar. 

“E o pior que é assim, cara, posso falar? As oportunidades estão aí, as pessoas que não estão com radar ligado.” Sim, o radar. “E o meu radar está o tempo inteiro ligado”. Até aí os caras vão falar: “É sorte”. Sorte? […] nenhuma, cara! Seu radar estava ligado. Então, mas o radar está ligado. E só que é normal que as pessoas entendam que o cara está com o radar ligado porque ele tinha uma necessidade, ele tinha uma vontade de crescer. Mas eu acho que o radar, ele precisa estar mais ligado ainda quando você está na alta. 

Sabe aquela história de você tentar hackear o seu próprio negócio para arrebentar o seu negócio, para você encontrar solução para o seu negócio não desaparecer? Eu me lembro que em 2019, quando eu estava apresentador consolidado, com Copa do Mundo, Olimpíada, grandes

entrevistas no currículo, eu falei: “Eu não quero continuar aqui. Eu vou cair fora de emissora de TV e vou sair com uma mão na frente e uma atrás, porque é o que eu preciso viver. Eu preciso viver esse frio na barriga”. Porque continuar aqui do jeito que eu estava, eu estou emburrecendo dentro de uma emissora. Eu já domino o que existe aqui dentro. A execução disso aqui não me agrega mais nada. E fazer repetitivamente Esporte não vai me trazer novas habilidades para eu ter um futuro mais longevo na comunicação, que não seja mais a comunicação de mainstream, que é a comunicação das marcas pessoais, a comunicação autoral. Eu não sei fazer isso. Eu preciso aprender. Então, eu vou ter que… 

“E você foi muito, você foi muito corajoso, cara, porque você saiu no auge”. É, eu saí numa… Mas, sabe o que aconteceu? Eu saí no auge, mas no momento em que os meios de comunicação também, Felipe, eles estavam sendo mais… Estava difícil trabalhar TV aquela época: restrição de orçamento, achatamento de cultura organizacional em que, assim, os gestores, em vez de gerirem para quem está embaixo, eles estão legislando em causa própria para se defender para os próprios gestores deles. Então, assim, “Quanto mais eu achatar os 30 colaboradores que eu tenho embaixo, mais espremer, cortar hora extra e cortar custos, mais eu me represento bem para defender o meu cargo”. Começou a acontecer isso: corporativismo total. E aí você poda a criatividade, tomada de risco, novos projetos, vontade de fazer a diferença, você poda. E eu estava sentindo na pele que isso estava acontecendo. Eu falei: “Esse espaço não é para mim”. Só que eu tenho que saltar do barco antes que o barco me cuspa. Porque o barco me cuspir foi exatamente o movimento: começaram a demitir todo mundo, os caras com salários maiores, com mais visibilidade. Falei assim: “Eu peço para sair”. Caraca! Pedi. 

“Ah, mas se você pedir para sair, você não tem acerto, hein? Você tem dois meses de salário porque você…” Eu era pessoa jurídica. Falei: “Não tem problema, está tudo certo, bicho”. “Minha impressão de fora é que você não ia ser cuspido, não.” Hum. “Minha impressão de fora, não.” A… O cuspir, assim: desidratação. Desidratação, sabe? Eles já queriam me tirar do Globo Esporte. “Já quer, você vai… Você vai voltar para reportagem, vai fazer reportagem especial”. Falou: “Mas, como assim?” “Não, não, o dono queria”. A justificativa foi que o dono queria. Aí você já sentia. E o Roberto Marinho Neto tinha subido, né? Roberto Marinho Neto, nome pequeno, né? Sim, imagina. É. Falou: “Não, Robertinho quer, e você vai voltar para repórter”. Falei: “Não vou”. “Não vai? Você não manda aqui, não, meu filho!” Falou: “Não, não. Eu não vou, porque eu vou sair, meu irmão”. Caraca! “Vocês

querem me tirar? Vocês querem me tirar? Não é problema do programa, não”. “Mas a gente quer continuar com você”. Falou assim: “Não. Você vai ter o salário reduzido. Vamos te tirar, mas você vai continuar na casa. Queremos com você. Você não vai abrir mão da TV Globo”. Falei: “Vou. Vem, me dá a conta, e embora”. “Ah, é? Você quer? Então, só dois meses”. “Não tem problema”. Os caras tentaram te colocar na parede. Me colocaram na parede. Eu peguei e fui. 

E aí, nessa, cara, veio um monte de fantasma na cabeça, monte de dor, monte de pesadelo, mas, ao mesmo tempo, foi um monte de descoberta, porque é só assim que a coisa é aprendida. É na prática, sabe, Felipe? Eu sou adepto da prática, porque foi assim no rádio, muito precocemente. Então, eu não tenho nenhum tipo de medo ou constrangimento de me jogar, de ousar, de transformar. Cara, mais uma vez, essa é a minha história, é o que eu aprendi a fazer precocemente. “Sim, você sabe dar um jeito, cara, se virar.” Eu, assim, não é que eu sei dar um jeito. Eu só sei que um jeito vai existir. Vai existir. E, se existir esse jeito, eu vou encontrá-lo, custe o que custar, porque eu não vou desistir. “E trabalho, você não tem preguiça, não.” Não tenho preguiça de trabalhar, não, nenhum. Caraca, bicho! 

“E, cara, eu achei, assim, acompanhando de fora, telespectador total, falei: ‘Esse cara é corajoso! Esse cara é corajoso!’ Porque, cara, é o que você falou. Você saiu no momento ainda que a Globo agora está todo mundo questionando, tal, mas você saiu no momento que a Globo era Globo.” É, eu peguei o momento áureo da Globo, né? Que foi ali 2013, 14, 15. Cara, eu brinco com as pessoas que, se você abrir as torneiras, tinha torneira de dinheiro, porque o faturamento da Globo naquela época era muito grande. Ela banhava mais de 70% do mercado de anunciantes geral do Brasil, né? Conseguia negociar direitos de transmissão absurdos, comprava tudo. Por quê? Porque a atenção ainda estava no mainstream. As marcas estavam entendendo o que estava rolando. A atenção estava migrando para a segunda tela aos poucos, né? Mas o dinheiro não tinha migrado para a segunda tela ainda. Mas, com o passar do tempo, foi. 

“Você se ligou isso antes?” Exatamente, é o que eu estava te falando. Quando eu percebi que internamente não tinha mais criatividade, tinha um achatamento da cultura organizacional por conta do movimento do mercado, eu falei assim: “Eu não sou ninguém nesse mercado. Está se desenvolvendo. Como que eu vou me desenvolver?” Porque dentro da casa eu era vetado de fazer campanhas publicitárias para Instagram. Eu não podia ter as minhas publicações. Eu não podia publicar nenhum tipo de marca. Eu não podia

colocar uma foto com uma camisa da Hugo Boss. Caraca! “Nem ao lado do aniversário do meu filho, tirar uma foto, você não pode aparecer nas redes sociais com a marca Hugo Boss.” Nossa! “Não podia nada?” Caraca! Falei: 

“Como é que eu vou me desenvolver? Eu preciso romper com esse formato equivocado que impede o desenvolvimento dos próprios profissionais em detrimento de um corporativismo e de uma imagem extremamente canalizada, de um que está ultrapassada. Eu preciso romper”. 

Só que aí eu fui entender o que era digital, né? E estou nesse caminho até agora. “Se jogou mesmo, cara?” Me joguei. Eu fui, em 2019, a primeira coisa que eu fui fazer: passar duas semanas no Vale do Silício, em São Francisco. Caramba, que legal! Eu fiz um treinamento rápido em Stanford. Fui entender como funcionava. Fui visitar Google, aquelas coisas lá em 2019. E eu já voltei com uma nova mentalidade. Aí eu já tinha estabelecido o meu podcast, que foi o primeiro passo. Quando eu saí, a primeira coisa que eu fiz, quando eu saí, falei assim: “Vou montar um podcast”. 

“Você já tinha desenvolvido essa teoria dos três?” Sim, Intuição, Confiança e Coragem. Porque eu montei a palestra, porque, cara, isso faz muito sentido. A palestra eu montei em 2018, eu ainda estava dentro da TV Globo. “Ah, tá.” 

E aí o mercado… Eu sempre apresentava eventos, mestre de cerimônias. “Ah, traz o apresentador da Globo”, e tal. Só que aí um dia uma agente minha falou assim: “Ivan, você tinha que ter uma palestra, cara”. Eu falei assim: “Por quê?” Ela falou assim: “Porque você tem bastante conteúdo, Ivan”. Falei: “Mas você não sabe se eu tenho conteúdo. Eu só falo de esporte”. Ela falou: “Não. Na vida pessoal, você é muito bom de conversa”. “Ela conhecia você como pessoa?” Conhecia. Ela falou assim: “Você precisava ensinar isso aí, o quem você é, para as pessoas”. Falei: “Mas, como, cara? Como é que eu vou fazer isso? Eu não tenho noção”. 

E aí um dia eu sentei para tentar entender quem era eu, o que que eu poderia extrair. Escrevi um roteirinho lá, fiquei horas pensando, mas não encontrei. E veio um insight de um amigo da TV. Ele falou assim: “Você está querendo montar uma palestra?” “Eu estava querendo, cara”. Ele falou assim: “Tem empresas que fazem isso”. Falei: “Mas, não queria empresa, cara. Eu queria me conectar com uma molecada jovem que possa ter uma visão de PowerPoint diferente, uma pegada um pouco mais inovadora para entender quem eu sou e montar esse produto para mim, junto comigo”. Falou: “Cara, tem um amigo meu aqui que tem 24 anos, trabalhava na Meta Artes, faz as artes do UOL. E tem um outro que é especialista em roteiro, que é amigo desse cara. Esses caras podem te ajudar”.

Passei a mão, liguei no telefone para esses caras. “Ô, Fulano, tudo bem? Aqui é o Ivan Moré”. “Ivan Moré? Me respeita! Você estava falando sério?” “Ivan Moré, cara. Tudo bem, estou falando sério que você está ligando para…” Falei: “Não, cara, eu queria tomar um café com você e conhecer você e o seu amigo. Parece que tem um amigo que monta isso. Queria que vocês montassem uma palestra para mim”. “A gente nunca montou palestra para…” “Vou montar a minha”. “Os caras, falando sério?” Falei: “Passamos três quartas-feiras, eu e esses caras, por 4 horas cada quarta-feira, tomando uma cerveja, comendo uma pizza em casa, seguidas, descontraído. Surgiu a palestra Desobediência Produtiva. Isso é o conceito: intuição, confiança…” “E mapeou o framework que você já vivia.” Exatamente. “E com cinco exemplos de uma palestra legal para caramba, Felipe.” 

Não. E eu… E sabe por quê? Porque você contando a trajetória, eu sinto muito isso. Eu vou falar de mim: algumas vezes a intuição bate, apesar que eu me sinto muito intuitivo e bem corajoso para tomar atitude. Mas, assim, muitas vezes a intuição bate e a coragem falta, e é o elemento fundamental. Porque o que adianta? Intuição todos têm — talvez não ouçam, mas todos têm. Mas quem tem a coragem para fazer, para sustentar, que é o que é a confiança? E, cara, é isso. Você precisa ter essa tríade mesmo, porque senão a sua vida está acontecendo. As oportunidades que você tanto pede estão chegando, chegando, só que você não está sabendo canalizar. Você não está. 

Porque é assim, é um “blend”, é uma mescla de intuição que veio, depois vem a confiança. E a confiança, ela vem meio que é ela que dá o termômetro do quanto de coragem você vai aplicar. Você concorda comigo? Pessoas que são mais confiantes são mais corajosas. Então, se eu sou um lutador de UFC, eu sou especialista em Jiu-Jitsu, eu peso mais que você, um pouco mais que você. Você é um cara mais de golpes no ar e você é mais baixo. Eu percebo que se eu te mobilizar eu sou mais… Então, eu sou mais corajoso para tomar as ações. Exato. Quanto mais confiante você é, mais corajoso consequentemente você passa a ser. Só que para você ser confiante, você não tem que só olhar para os seus pontos positivos. Você tem que olhar para os seus pontos negativos naquilo que você não é bom. Caraca! Você tem que olhar para aquilo que você não é bom, que é ali que pode ter um apontamento onde: “Vai, se der cagada aqui, o que vai acontecer?”. E talvez isso aí é o erro geral, porque ninguém olha, ninguém olha. 

Mas eu acho que o mais importante, às vezes o grande desafio é você observar características suas que você subestima e que podem ser o

diferencial. Por que você subestima? Porque você está acostumado a fazer muitas vezes aquilo. Então, você faz aquilo, faz aquilo, você acha que todo mundo faz. Exato. “Não, ah, eu sou bom nisso”. E aí você acha que é normal para todo mundo, porque vem de uma vida inteira. Então, passa a ser tão automático que você acha que é normal, e você não acha que você faz nada demais. Então, é com esse olhar de um ajuste fino que você fala: “[…] eu posso assumir risco aqui. Aqui eu vou assumir risco”. 

“Você já teve essa pira em algum momento da sua vida de achar que você não era bom no que você era bom, simplesmente por fazer isso de maneira tão natural? Por exemplo, a sua comunicação é muito boa. Você se acha um bom comunicador?” Não, eu me acho um bom comunicador. “Mas precisou passar por um processo de você aceitar isso?” Eu hoje… E eu hoje me acho um bom comunicador. Quando eu saí da TV Globo, em 2019, eu não me achava. “Então, mas foi um, foi terapêutico isso aí para você, para você aceitar que você era um bom comunicador?” Sim. Porque eu tinha receio de falar sobre muitos assuntos, mas sem tanta profundidade, né? Hoje eu consigo aprofundar mais por conta do período fora, porque eu tive que adaptar minha cabeça, Felipe. 

E aí eu vou te falar de uma fragilidade muito específica profissional, acho que da minha profissão, do meu segmento. Eu venho de uma escola de reportagem de jornalismo muito séria. A gente tinha que checar, apurar, ter um rigor técnico com concordância verbal, concordância nominal. Quantas e quantas e quantas vezes eu fui para a reportagem, para a rua, fazer reportagens, não só de esporte, que eu voltava, que eu tomava esporro do editor. “Cara, está faltando essa informação. Você não checou isso. Esse texto não está muito bom. E no esporte, não. A matéria está certa, mas a gente não gostou, você tem que ser mais criativo”. Então, eu vim de um crivo muito alto de exigência, cobrança absurda. 

Então, na minha cabeça, repórter/jornalista não emite opinião. Ele apura, ele checa, ele tem que ouvir mais de um lado, dois, três, quatro lados e tem que, o máximo possível — se bem que isso é impossível, mas o máximo dentro do possível — se manter imparcial. Se eu tiver uma opinião sobre isso, eu não posso enviar uma reportagem. Isso sempre foi batido de uma maneira muito consistente dentro da escola Globo de Jornalismo, e os caras tratam isso de uma maneira séria lá dentro. No rigor técnico do repórter: “Cara, você tem que checar. Você vai numa delegacia, você vai ouvir um julgamento, você vai ouvir um depoimento de um técnico, que o diretor fala, que o jogador fala. Cara, cruze informações, porque senão o editor vai pegar”. Quantas matérias

do Jornal Nacional o Fernando Galvão falava: “Isso aqui, vamos checar de novo, não dá”. 

Então, na minha cabeça, me comunicar, ser um bom comunicador é fazer isso. Sim. Quando eu saí da emissora, eu falei: “Cara, eu sou dono da minha opinião. Eu não preciso mais prestar satisfação para ninguém”. Porque se eu emitisse uma opinião quando eu estava na TV Globo, o meu chefe vinha, comia meu. “Você se sentiu até um pouco perdido?” Até me senti completamente perdido. Foi aí que eu comecei a trafegar no meio das pessoas do digital que têm isso em excesso, confiança em excesso. Os caras batem, batem assim: “Nós somos os melhores disso”. Quantas pessoas são os melhores do mundo naquilo que fazem no digital? Todos. Maior mentor de vendas, o maior mentor de alta performance, o maior mentor de… Você tinha toda aquela, aquele rigor de não. “Para eu falar que eu sou o maior, eu tenho que ser o maior, eu não posso”. Então, vamos lá. 

E aí, nesse período fora, eu fui me apropriando de alguns pontos de vista e de um entendimento que eu poderia ter ou não em determinados tipos de assunto. “Será que eu estou preparado para lidar com as consequências da opinião que eu vou emitir? Sim ou não?” “Estou. Mas eu estou com medo, então não faz. Vai fazer com medo.” “Agora, nesse momento, está inseguro, não faz”. Então, eu fui tateando o digital, entendendo como funciona o “mindset” desses produtores de conteúdo que visam vendas, sim, e que vendem para caramba e que têm uma estratégia de vendas incrível, mas, às vezes, que não sustentam aquilo que fazem, o que falam, que trazem na narrativa, na oratória. Exato. Eu fui me apoderando e me apropriando dessas coisas. 

Isso foi me dando uma certa confiança de uma maneira que hoje eu consigo voltar para a TV em 2024 de uma maneira em que eu me sinto um comunicador que eu acho que eu nunca fui nos anos anteriores. Porque eu voltei para um produto com liberdade editorial em que hoje tudo que eu falo eu banco. Se alguém me chamar para um debate, um “bate-bola”, para um desafio, eu estou lá com as minhas informações, e está dando bom, né? E eu consigo me defender de acordo com a minha comunicação e com os meus pontos de vista, porque tudo que eu falo eu falo baseado em opiniões, dados, pensamentos e argumentos que eu mesmo construí. 

Exato. “E o fato de você poder dar a sua opinião já te libera uma tranquilidade de certa forma, porque não é tua opinião. Cara, você acha o cara X, Y, Z. É a tua opinião, e todo mundo tem que respeitar.” E está dando bom, né? “Esse

formato, cara, não está sendo interessante?” Porque, mais uma vez, eu voltei como uma estratégia de posicionamento também. Falei: “Pô, cara, eu vou voltar para a TV, vou… Vou viver fora da TV”. Só que, no fundinho, eu amo TV, cara, porque eu sou bicho… Eu sou bichinho de TV. Eu nasci TV. O menino Ivan queria isso. Queria, cara. 

E aí a pausa que eu dei no Esporte, ela foi interessante para que eu sentisse saudade, porque eu me isolei por esses 5 anos total do Esporte. E aí as pessoas falam: “Pô, você está hoje vive criticando algumas gestões, principalmente a do Corinthians, mas eu não vi você fazer isso em gestões anteriores”. Falei: “Eu não estava acompanhando futebol. Eu me desliguei. Eu não era obrigado a acompanhar futebol. E não venham me cobrar. Eu vou me posicionar da maneira que eu quiser me posicionar hoje, com a opinião que eu tiver. E se eu quiser parar de opinar sobre futebol amanhã, eu paro, e não tenho que dar satisfação para ninguém. Eu faço o que eu quero”. 

“A internet te trouxe essa casca que eu não tinha, que você não tinha. Porque se você tivesse saído, por exemplo, da Globo para uma Record da vida, que talvez você tenha um pouco mais de liberdade e tal, num programa, talvez você não teria essa casca, não, para bancar tua opinião, porque você não tinha passado pela internet que te trouxe essa bagagem.” 

Mas a casca mais importante — a gente está falando de um segmento de conteúdo — a casca mais importante foi do “background” de entender como eu poderia construir alguns negocinhos que fossem auxiliares. Exato. Ou seja, amarrar, conectar todos os pontos, 360. “Então, o cara que saiu da TV, ele saiu para fazer o quê? Para fazer podcast? Para montar uma empresa. A empresa faz o quê? Como você fatura? Como eu posso conectar o que eu faturo com o conteúdo que eu faço?”. 

Então, assim, eu estou prestando uma consultoria para algumas empresas, que é o caso que nós fazemos. Além dessa consultoria, eu produzo conteúdo. Além do conteúdo, eu volto para a TV para falar de esporte. Como tudo isso se conecta com o que eu tenho de produto: treinamento, palestra, podcast, programa na TV falando de esporte? Sim. E a gente percebeu que dava, dá, que o sistema é um ecossistema, e a gente começou a conectar todos os pontos. E aí hoje eu estou numa escola de aprendizado de empreendedor, voltando a ser jornalista. Então, eu brinco com as pessoas que eu estou emprestando hoje o Ivan jornalista, que já tem uma imagem consolidada, para o Ivan que está se formando como empreendedor. Então, o jornalista ajuda a fortalecer um pouquinho mais todos os dias essa trajetória

de crescimento do Ivan empreendedor, entende? Porque hoje voltar para a TV é um lance de empreendedorismo total. 

“Não. E outro, um salto. Um salto de: ‘Pô, deixa eu voltar o que eu fazia de uma maneira diferente’.” Porque você está emitindo opinião, sim, e mantendo a rede social ativa, que você não está abandonando um, como você fez lá atrás, porque como você não tinha liberdade na rede social para fazer nada, como você falou aí que a Globo travava tudo, você precisou largar um para começar outro. Agora, não. Você só está somando. Você não está subtraindo para somar, você está só somando, diversificando, né? 

“E, cara, entrando nesse meio empreendedor, empreendedorismo da vida, né, dos programas, como que funciona, por exemplo, um programa de TV? Como você entrou, cara? Como que é? ‘Eu vou fazer, eu vou criar um programa’. Você criou o programa, você desenhou o programa ou te desenharam isso e te apresentaram? Como que funciona? E aí, curiosidade, mais a parte empreendedora. Porque, cara, eu olho o seguinte: ‘Cara, se eu for investir no teu programa, se eu quiser ir lá para patrocinar o teu programa, eu quero conversar com você’. Por mais que, por enquanto, inicialmente, uma equipe vá falar comigo, passar valor, dizer, tal, tal, tal, mas no final, quero. Cara, se eu estou investindo, tem alguma, tem alguma relação em algum momento de admiração, de fit com produto, com a marca e tudo mais. O gerente de marketing, o dono do negócio, vai querer uma ‘palhinha’ do Ivan. Isso aí acontece com todos os programas. Então, você vai precisar ser vendedor, você vai precisar sustentar aquela marca e pensar em resultado, sim. Você tem uma visão… Essa visão 360 mesmo que o empreendedor tem, né? ‘Está dando audiência, não está dando audiência? O público está gostando? Está se pagando, não está se pagando? O horário está bom?’ Como que você, como que funciona a entrada de um programa de TV? Como que você fez, assim? Conta um pouco da trajetória.” 

E aí, para contar essa trajetória, eu preciso destacar a importância de uma pessoa que está do meu lado, que é minha sócia, né? Que é a Giovana. E veio com essa lente digital e com essa lente de empreendedorismo, mas o empreendedorismo é cheio de frescor, porque ele é baseado nas tendências 

e nos cases de sucesso do digital recentes. Então, exato, o fato de ter a Giovana do meu lado, que é uma representante da Geração Z, né? Tem 24 anos. É como sócia e como estrategista de negócio. A gente começou a mapear o seguinte: “Vamos lá. O que que nós temos de produto no mercado?

Para onde a gente está indo? Quem faz o que a gente faz? Tem pouca gente que faz. Mas por que que a gente não está tendo a visibilidade que a gente gostaria? Então, como que nós podemos melhorar? Você tem que voltar para a TV. Ivan, voltar para a TV?” Sim. “Você na TV, independentemente qual TV, mas você é cara de TV aberta”. A gente mapeou: “Vamos fazer pesquisa”. Fazendo pesquisa no nosso Instagram: “Como que vocês me enxergam?” Deu lá: por mais que esse movimento de 5 anos fora da TV, ainda 46% das pessoas me associavam a esporte. “TV e esporte. Você tem que voltar”. 

Vamos. Vamos nos abrir para o mercado. Vamos comunicar para o mercado que a gente quer voltar para a TV. 2023, fizemos umas movimentações. “Nós estamos disponíveis”. Na virada do ano de 2024, surgiram quatro convites para a gente voltar para a TV. Caraca! 

Dos quatro convites, de quatro emissoras de TV aberta, um era relacionado a Esporte, que era o convite da Rede TV!. E esse relacionado a Esporte nos dava, pelo ambiente que a gente encontrou na Rede TV!, uma liberdade editorial e não só liberdade editorial, uma liberdade de monetização e de criação de linhas de receitas que seriam convergentes com o produto como um todo. Então, a gente foi sentar para debater com o dono da TV: “Como isso vai funcionar? Como que é? Qual que é a ideia de vocês?” “Ó, a gente tem essa ideia assim, assim, assado. A TV vai ter um grande patrocinador por trás, que é uma bet, e a gente tem um salário para te dar, mas você também vai ter chance”. 

Aí eu falei: “Pô, então aí você me abre uma possibilidade. Você podia trazer ‘merchan’?” Eu falei: “Pô”. Aí eu sentei, negociei percentuais de ‘merchan’ que eu pudesse trazer. E a primeira coisa que a gente fez foi pegar um cliente que a gente já tinha, que é a Soldiers, e levar para dentro da TV. Sim. Eu cheguei para o Yuri, falei assim: “Yuri, você quer estar na TV comigo? Eu vou voltar para a TV aberta”. “Vou? Sério? Quero”. “Então, tá”. Cheguei lá, falei assim: “Se eu trouxer o Yuri, você me dá um valor relacionado a isso?” Sim. Aí eu peguei, cheguei, trouxe o Yuri e falei assim: “Yuri, se eu te colocar na TV, vamos como montar um produto que leve o meu nome, que eu venda da minha boca para você?” Caraca, que legal! A gente criou um colágeno, que é um produto que eu preciso aos 47 anos, que tomo todos os dias. Nós criamos. É o colágeno da Soldiers Nutrition. E aí, na TV, hoje, a gente vende um produto em que nós participamos da elaboração do produto, que nós trouxemos o patrocinador. “Você amarrou as pontas para o mundo.” A gente… “Mas de quem foi essa estratégia?” Da Giovana. Cara, ela falou: “Cara, você tem que ter uma linha de suplemento, porque você precisa para começar a

treinar”. Só faz sentido eu ter suplemento hoje se há um ano e meio atrás eu tivesse começado. E eu já treinava, eu já precisava do suplemento. Então, e eu só me conectei com a proteína porque ela falou assim: “Cara, você é um cara que nós mapeamos nas linhas editoriais que precisam estar presentes no seu digital: família, lifestyle, saúde e comunicação”. Caramba! A saúde é 

esporte. “Você precisa produzir ‘story’ todo dia”. Eu fiquei um ano produzindo “story” todo dia. Aí veio uma marca de suplemento: “Por que não?”. Não adianta você: “Ah, eu quero hoje” se o cara não já tinha construído. Você atrai. Você primeiro cria. Então, você percebe que a marca que eu trouxe tem muita identificação com o que eu faço. O produto que nós lançamos tem total identificação com o que a gente necessita. Por isso que ele gera venda. Por isso que a TV topou. Por isso que um lado está satisfeito, o outro está satisfeito. Então, a gente está amarrando tudo isso. Gera um posicionamento. Está tudo certo. Foi pensado. Pensado. Foi. Foi. Mas a gente está testando, nunca fiz isso. Sim. 

Do que eu me recordo, quem fazia isso nas emissoras anteriores eram Faustão, Luciano Huck, né? Que tinha um formato de parceria, mas hoje as TVs não liberam mais isso. Na Rede TV!, eu encontrei ambiente receptivo. “Mas também você veio, você veio com um nome grande, que é o teu nome. Então, cara, todo mundo…” Cara, é porque assim, na hora do almoço, eu estou trabalhando, mas assistindo TV. Nesse modelo de esporte, cara, você passa os canais, vê Ivan Moré, você para para escutar, porque, querendo ou não, já tem essa identificação que a pesquisa mostrou. Sim, exatamente. 

Inclusive, esses dias eu fui onde eu almoço, que é um tipo um botequinho assim, bem legal, assim, aqueles botecos de comida raiz, que é perto da empresa. Eles colocam o teu programa. Colocam. Que legal! Colocam teu programa na TV. Isso é muito importante para a gente ali, porque isso eu vejo o quanto é importante. Porque a galera assiste, porque, cara, o cara muitas vezes está mutado, sozinho e está assistindo o teu programa. Hoje, eu noto que a principal dor que nós temos é que a informação chegue para as pessoas que eu voltei para a TV, que tem muita gente que não sabe. Mas é um tempo, né? É um tempo. É um tempo. 

Lembra que eu te falei que o número de ligados na hora do almoço, ele é muito baixo? Então, as pessoas estavam habituadas a assistir nesse horário que o nosso programa está no ar, um horário de igreja, que era vendido para a igreja. Então, a TV arrendava o espaço para a igreja. E aí, para o cara saber que “Pô, não tem mais Igreja Universal do Reino de Deus, tal. O Ivan Moré fazendo programa. Canal […] O Ivan Moré está lá fazendo o programa”.

Mas de que forma o digital entra para auxiliar? Por meio dos cortes. A gente está viralizando quase todos os dias, Felipe, com cortes, cara! E os views estão voando, né? Eu estou falando que quando dá ruim, dá 300.000. É impressionante, cara! “É isso, cara! Você está agora muito calçado por conta desses 5 anos que você viveu fora da TV com o digital que vai te dar visibilidade gigantesca.” Exato. E que eu não tinha noção de como operava quando eu saí da emissora. E que agora eu volto com uma noção muito mais fortalecida. 

E aí, às vezes, Felipe, eu sinto um pouco de lamentação, porque eu olho para alguns amigos que estão nos meios de comunicação tradicionais — não todos, tem [alguns] que estão muito bem —, mas eu olho para alguns, falo assim: “Cara, eu estou ferrado aqui, não estou louco para sair”. Mas desperdício. E é louco, porque sabe quando o trem passou e você não pegou? Perdeu o “timing”, cara. Não que não dê para fazer agora, mas quanto mais o tempo passou, mais difícil e complexo está sendo para você crescer no digital. 

Eu vou, eu vou citar uma pessoa. Você não quiser comentar, não tem problema. Mas, assim, a Fátima Bernardes. Assim, não tem nada a ver com o mundo do futebol. Mas agora ela saiu do programa, ela está tentando ir para a internet. “Cara, você vê que, assim, não está confortável para ela. É, é muito.” É a vida inteira. É difícil. A vida inteira sendo âncora. Aí, tudo bem, ela foi para outro. “Cara, a galera está começando a se ligar.” Só que, cara, você se ligou isso… 

É que, é que quando você fala de figuras como a Fátima, claro que eu estou falando de um ícone, né? Fica difícil. A Fátima talvez seja a maior apresentadora do Brasil, né? Não. E ela é super… Eu gosto muito dela. Ela é um amor, eu conheço pessoalmente a Fátima. Ela é um doce, ela é uma humildade, uma gentileza. E dá para perceber isso quem não conhece. Só. Então, eu acho que a Fátima, ela não necessariamente… Ela já tem credibilidade para as próximas três, quatro gerações, assim como o ex-marido dela, que é o William Bonner, também. Então, assim, não se espere do Bonner, da Fátima uma grande migração, porque eles, eles são assim, o “Pelé/Maradona” de uma geração, né? Principalmente a TV na época que a TV, de fato, era grande. 

Mas essa dificuldade ela existe. O próprio Galvão Bueno com o canal dele no YouTube é diferente de fazer digital, de fazer. “Ele fez um canal? Não, não vi.” Fez. É, que chama Canal GB. É mesmo. E vai muito bem, porque é o Galvão

Bueno. Sim, né? Assim, vai muito bem por ser o Galvão Bueno, mas comparado aos padrões digitais, é muito, é muito pequeno. É muito pequeno ainda perto de tudo que existe à disposição. Exato. Com Casimiro, por exemplo, está voando. Compara. “É porque quando eu assisti o vídeo da Fátima, eu senti que ela não estava confortável.” Assim, a minha percepção. “Muito.” Mas, assim, não estava confortável. Provavelmente não deve estar mesmo. Não estava mesmo. 

Você sabe que todos os dias, às vezes, quando eu vou fazer “Stories” até, do lado da Giovana, eu faço: “Faz um negócio disso aí”. Aí eu vou lá e faço. “Não está falando igual apresentador, pelo amor de Deus!” Já vem, já vem. Cara, é um vício de comunicação isso. É porque eu passei por uma reciclagem, e eu não me considero um cara duro para fazer digital hoje. Eu acho que eu vou bem no digital. Sim. “Sim, vai bem mesmo.” Mas, em alguns momentos, vem uma “travinha” que essa lente chega e quebra. Quebra. Porque é muito simples para eles, né? A comunicação do digital, ela é muito direcionada, ela é muito autêntica, ela é muito específica. E a comunicação do mainstream, ela é uma comunicação mais impostada, um pouco mais de rigor técnico, com um pouco mais de pausa em alguns momentos, uma elaboração um pouco maior, porque é a maneira como a gente foi acostumado. Sim, é a escola que você teve. 

“E, cara, top! A gente está chegando na parte final. Passou rapidíssimo contigo. Mas, cara, uma pergunta que eu queria fazer em relação à Desobediência Produtiva que você criou, é um produto que hoje, querendo ou não, está… É o pano de fundo de toda a empresa que você, todo o ecossistema que você criou. Como que funciona eu, empresário, querendo trazer os serviços para dentro da minha empresa?” 

“Como uma coisa que a gente conversou lá nos bastidores daquele último papo. Eu não vou citar nomes aqui, mas de alguns grandes nomes, inclusive do digital, que você participou, dando uma assessoria de imagem, comunicação e tudo mais. E são pessoas estouradas e tudo mais, e que parece que, é o que eu falei, parece simples, é o Neymar jogando bola. Parece simples, mas aquele toque… Sabe aquele ditado que o cara vai lá arrumar a máquina, ele arruma a máquina em um minuto, cobra o cara. Fala: ‘Meu, você cobrou R$ 1.000’. ‘Descreve aqui o que você fez’. Aí ele coloca: ‘Cobrei R$ 1 para apertar o parafuso e R$ 999 para saber qual parafuso apertar’. É aquele… Você… O fato parece que é simples porque é só um parafuso, mas, cara, você sabe o parafuso. E muitas coisas que a gente conversou nos bastidores, e não vou abrir aqui, mas assim, de coisas que

você falou para alguma dessas pessoas, você olha a trajetória, e eu acompanhei alguns desses crescimentos, eu falo: ‘Cara, isso foi surreal! Se isso não tivesse… Talvez essa dica não tivesse sido colocada em prática, talvez essa pessoa não seria o que é’. Por isso eu estou querendo dizer isso, porque, cara, você tem muito potencial de ajudar muita gente, inclusive empresários e tudo mais, como você faz com a Soldiers, o Yuri e tudo mais. Como que funciona? Quais são os seus serviços que você consegue trazer isso? E para o empresário, tanto como empresa, tanto como pessoa, por figura.” 

Hoje, a gente… Eu não estou dando nenhum tipo de mentoria individualizada, porque você me falou uma coisa interessante, que é assim, eu posso ajudar algumas pessoas, só que se me perguntar: “Você tem um grande tesão de fazer isso?” Não tenho. E o valor e o tempo que eu vou gastar, pelo valor que eu vou te cobrar, vai ficar caro para você e não vai ser o suficiente para mim. A gente conversou disso aquele dia, lembra? A gente conversou disso, assim. Esse tipo de treinamento eu tenho evitado, só em casos muito específicos. Quando eu pego, por exemplo, um amigo do Ricardo Bazaga, que é um cara muito próximo. Falou assim: “Cara, tem um cara que você não pode ajudar. Esse cara, ele precisa de uns três encontros para melhorar a palestra dele, tal. Você só dá aquele direcionamento fino”. E a gente senta três. “Pô, Marco, falou: vamos, vamos pegar o cara, vamos ouvir aí, tal”. Aí passa uma conta para o cara, tal, dentro de um valor razoável para a gente fazer essa estratégia. 

Agora, hoje, o que que a gente tenta fazer nessa parceria que eu tenho com a Giovana, dentro da empresa? Nós somos muito antenados com tudo que existe de tendência no mercado. A gente adora tendência. Talvez esteja aí o grande diferencial para a gente gerar provocação para dentro de outras empresas. Exato. Nós misturamos um pouco da minha lente, que é uma lente de Geração X que tentou se reinventar e está no processo de reinvenção, junto com a lente de menos experiência do ponto de vista de rodagem, mas um absorver o que é a tendência hoje. 

Então, a gente faz esse “blend” desses dois lados, sabe? E a gente consegue gerar soluções criativas para empresas, seja por meio da nossa própria produção de conteúdo, fazendo “publis”, construindo narrativas, ou seja, formatando produtos “in company”. 

Então, eu sei que a Giovana deu um exemplo aqui falando dos formatos. “A Cella chegou pra gente com uma dor. Nós precisamos gerar um senso de

pertencimento maior nos nossos corretores. Lidar com o corretor não é fácil. Nós precisamos trazer melhores corretores, reter, gerar pertencimento e contribuir com a educação. Como você pode ajudar, Ivan?” Caraca! A gente sentou, ouviu exatamente as dores, entendeu o quanto que os caras estavam disponíveis a gastar e montamos, desenhamos dois produtos, que é um podcast interno e um encontro mensal chamado “Quarto do Conhecimento”, em que a gente traz sempre um convidado fora da caixa para falar de uma maneira provocativa para os corretores, que é uma “faculdadezinha” para os caras, mas de uma maneira descolada, comprometida, descontraída, em que gera um baita de um valor. E criamos o “Cella Talks”, que a gente senta e ouve os campeões do mês. “Caramba! Então, você gera um senso… O cara não só mais quer vender para ganhar premiação, mas o cara quer mostrar para todo o nicho dele que ele é fero. Ele quer dar uma entrevista para mim.” Exatamente. Então, a gente senta e dá protagonismo para aquele cara que quer visibilidade, além dos resultados que ele tem. Real. Então, aí vendemos esse produto. Então, isso foi um produto desenhado de acordo com a necessidade que a gente mapeou, por exemplo, na Cella, que é o nosso cliente. E nós podemos, sim, contribuir, mas é tudo “tailor made” (feito sob medida), sim. Porque eu preciso ver o que que você precisa, eu preciso entender cada demanda. 

“E uma coisa que eu vejo até, e você… E não necessariamente, que é uma das coisas que a gente estava conversando da última vez, não necessariamente vocês precisam pôr a mão na massa. O valor de vocês está no ‘brainstorming’.” “É exatamente isso. Uma consultoria tua não é o dia a dia. É a reunião de planejamento. É a dica. É o ‘feeling’ que você coloca. É o caldo que você dá numa reunião de ‘brainstorm’.” É isso. Sabe, de direcionamento. Teu time executa. “Teu time executa.” 

E quantas vezes nós fizemos isso, Felipe, gratuitamente, para o camarada: “Ó, você quer isso? Faz isso, isso, isso”. Quantos áudios dela eu pegava, eu mandava para produtores de conteúdo, os caras executavam o que ela fazia. Pumba! Explodia. “Não, você me contou alguns, alguns casos específicos que você falou: ‘Faz isso, isso, isso'”. Que vontade de falar que não vou falar. “Faz isso, isso, isso”. Cara, o cara fez. Pumba! Explodiu. E aí eu falo: “Cara, se isso não tivesse sido feito, o ensino existe, mas eu acho que não teria ido. A rota, a bifurcação não seria para a direita, seria para a esquerda.” Sim. Então, eu falo isso porque, cara, é muita coisa legal que você pode agregar a essa turma.

Nós somos especialistas em encontrar estratégias que fogem dos padrões para empresas que querem testar um novo. Se você me falar se tem garantia de sucesso, eu falo: “Não te dou garantia de sucesso”. Mas eu te dou garantia é de você fugir do… Porque algumas métricas não são controláveis. Sim. “Você é bússola.” Exatamente, não é mapa. O mapa, cara, depende do dia a dia, da disciplina do cara, se o cara está disposto a fazer o que tem que fazer. Mas, cara, só a bússola é isso. A gente é isso. “A bússola já é a direção, cara.” Por isso que eu estou falando: “A bússola aqui, ó. Vai para cá e vai embora. Você vai ver que você vai encontrar um lago”. Cara, vai embora! Porque isso aí é esse “feeling” da comunicação que você tem. E citando vários exemplos que você me comentou nos bastidores, cara, de coisa que… 

Eu falo isso porque tem muita gente, principalmente CEO, está nessa pegada agora: “Ah, eu estou querendo… O CEO quem não está presente online não está representando sua empresa. Se o seu CEO não está online, você está numa empresa errada”, e tudo mais. E aí tem essa demanda de vários CEOs querendo se posicionar, que eu estava conversando. E que muitas vezes, cara, nem é esse o caminho que o cara está se posicionando. Mas, às vezes, ele quer ir, e se perde, porque é uma tendência. Todo mundo está fazendo, né? Comportamento de manada total. “Todo mundo está indo para lá, eu preciso ir também”. A gente precisa mapear o seu perfil no que que… Porque ao sentar para fazer esse mapeamento, nós conseguimos perceber características, de repente, que o cara tem superinteressantes e que ele não observa. Exato. Para adaptar para nichos que podem ser explorados, que ele sequer tem noção, porque não acompanha a tendência. É isso. É esse olhar que é o caro. É esse olhar que é o caro. Que é aquele… Está coçando para falar, mas eu não vou. Que é os exemplos que você me trouxe. O olhar. Aquele olhar, aquela dica: “Faz isso, sim. Faz isso com a tua aparência. Faz isso com tal coisa. Faz cabelo assim, assado”. Cara, surreal! Essas dicas, olhando para a trajetória, fizeram total diferença, sim. “Tanto é que são repetidas até hoje.” Sim. Entendeu? Top! […] 

“Muito, muito obrigado, Felipe. Papo muito gostoso, muito fluido. Muito bom, cara. Eu queria pedir licença rapidinho. Eu tenho uma pergunta final, mas eu vou agradecer aos patrocinadores.” Riu. “Muito fluido. Gostei demais, cara, de bater um papo contigo. A câmera está no esquema aí?” 

Boa. Galera, esse papo maravilhoso que eu tive aqui com o Ivan, trocando essa ideia vida real, queria agradecer a todos os patrocinadores que, graças a eles, a gente tem esse audiovisual de qualidade e esse conteúdo para a

internet. Então, quero começar falando da CMC Displays, do meu parceiro Adalto de Carvalho. Você está precisando vender mais? Então, o seu negócio precisa de soluções criativas para PDVs, balcões, bandejas, displays e muito mais. Aqui o @CMC na tela e também o site da SMC. 

E, gente, se você trabalha com PDV — isso é Ponto de Venda — você trabalha dentro de uma loja ou de um quiosque atendendo pessoas. Dentro desse universo de PDV, existem várias soluções criativas que fogem do ‘arroz com feijão’, que faz com que você aumente seus resultados através de ticket médio, faturamento, lucratividade, etc., por conta dessas soluções criativas. E existem algumas empresas que oferecem essas soluções de maneira muito ampla, não só as padronizadas de prateleira, quanto as personalizadas, de acordo com a tua identidade visual e tudo mais. Então, se você trabalha dentro de um PDV ou se você empreende, vendendo isso dentro de uma loja, o seu produto ou serviço dentro de uma loja ou de um quiosque, tudo mais, isso é dentro de um PDV, interagindo com o público. Conheça as soluções que a CMC Displays tem para oferecer. Clique em qualquer lugar dessa tela, fala com os caras e, com certeza, você vai voltar aqui para me agradecer. Beleza. 

Agora, quero falar da SMB, do meu parceiro Alonso. Desde 2018, a SMB Store tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, suas vendas e seu financeiro. Tudo isso com sistema acessível e fácil de usar. Está aqui o site e o @SMB aqui na tela. 

Gente, empreendedores, pequenos empreendedores, começando, microempreendedores aí do Brasil afora. A gente que empreende, muitas vezes, a gente quer gerenciar nossa empresa através de Excel. Isso quando não faz isso no papel, no caderninho. Isso quando não faz. E a gente que é empreendedor, e já passou por isso, eu já fui pequeno, sei como funciona: a gente ou cruza a bola ou corre na área para cabecear, né? Então, por isso muitas vezes a gente deixa de fazer algumas coisas que a gente acha que vai demorar demais. Mas gerenciar sua empresa organizadinha desde o começo é fundamental. E quando você, mesmo achando que Excel seria mais fácil, faz por isso, você acaba perdendo o banco de dados importante que, em algum momento, com a sua empresa crescendo, vai precisar ir para um ERP (sistema integrado). E aí, todo aquele banco de dados que você já criou se perde. Então, é necessário já começar dentro de um ERP. 

E eu entendo a sua cabeça que muitas vezes isso aí dá muito trabalho: “Pô, tem que treinar, implementar, é difícil, é caro”. Só que tudo isso, cara, cai por

terra quando a gente fala da SMB Store, porque os caras têm um sistema focado em pequenas empresas, tão fácil de usar quanto uma rede social. É fácil implementar, é fácil utilizar, tanto para você utilizar quanto, conforme cresça, criar novos usuários para a tua equipe. E se, por acaso, o sistema que você tem ou hoje contratou não funciona porque é muito burocrático, avalia a SMB. Não é só para quem não tem, é para quem tem e não está satisfeito. Clique em qualquer lugar dessa tela, fala com a SMB Store que os caras têm um ERP para controlar desde o seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso de um jeito super, super simples. Tamo junto e obrigado. 

Agora, quero falar da Agência RPL, do meu parceiro Rodrigo Álvares. RPL oferece a solução completa de marketing digital para o negócio, cuidando das empresas com olhos de dono, desde a criação de sites, gestão de anúncios, planejamento estratégico, social media. Está o site e o @RPL aqui na tela. 

Todo o marketing do Além do CNPJ e de todas as minhas empresas, qualquer agulha que eu vou mudar, qualquer coisa que eu tenho de ideia, eu coloco o Rodrigo na mesa. Rodrigo é um cara que começou a trabalhar comigo há anos atrás. É um cara com potencial surreal. É um cara que a gente se conheceu e se conectou através do lado profissional, só que estendeu isso para o lado pessoal. A gente é amigo pessoal. E, cara, é um dos caras mais sérios e comprometidos que eu conheço. E o cara tem uma agência de marketing digital que foge do convencional, que é a dor dos grandes empreendedores por aí. Porque contrata uma agência que não cuida do jeito que a gente cuidaria. Querendo ou não, quando você coloca uma agência para cuidar do seu negócio, o marketing é o que vai gerar os leads para a sua empresa, que vai girar o seu fluxo comercial. Então, tem que estar na mão de alguém responsável. Afinal, querendo ou não também, você coloca dinheiro ali, e esse dinheiro tem que ser gasto de maneira consciente. E muitas vezes a gente prefere fazer do que colocar na mão de alguém por traumas do passado. Mas eu posso falar, cara, confia no Rodrigão. Rodrigão é um cara surreal de atendimento de qualidade, de honestidade, além de tudo, de ética profissional. O cara vai dar um baita de um suporte para você, vai fazer isso a quatro mãos junto com você, fazendo de uma maneira muito melhor e melhorando teus resultados. Porque com certeza o cara vai fazer o que ele sabe fazer de melhor, enquanto a gente faz o que a gente sabe fazer de melhor também, que é o negócio que, de fato, você está inserido. Então, clica em qualquer lugar dessa tela e fala com o Rodrigão. Tamo junto. 

Agora, quero falar da WJR Consult, do meu parceiro Wallenstein Júnior: gestão financeira descomplicada para empresários. O @WJR aqui na tela e o

site também. A WJR é um dos melhores Instagrams que eu conheço, cara! É surreal a qualidade do Instagram dos caras. O Wallenstein é um dos caras que eu admiro e falo assim abertamente. Porque, além do cara ser ‘sem papas na língua’, falar a verdade nua e crua, a vida real, do jeito que eu gosto e faço aqui diariamente no Além do CNPJ, é um cara que desmistifica a gestão profissional financeira como uma coisa inatingível. Não. Ele traz isso de maneira simples para o empreendedor. 

E isso eu falo isso com propriedade que aconteceu comigo: muda a vida do empreendedor quando ele implementa gestão profissional financeira no negócio. A gente olha isso de uma maneira muito distante ou acha, de forma menosprezada, de que essa gestão profissional financeira que você fala nem é tão profissional assim. “Eu já faço muito bem”. E muito pelo contrário. Eu já fazia fluxo de caixa, já fazia tudo isso, eu tinha um financeiro bem estruturado, mas quando eu conheci o jeito certo de fazer, eu falei: “Putz, perdi tempo achando, na minha ignorância, de que eu já fazia do jeito que tinha que fazer”. Se você empreendedor não faz isso ainda, eu avalio que, possivelmente, você está deixando dinheiro na mesa ou perdendo dinheiro ou deixando dinheiro na mesa, deixando de ganhar. Então, sem brincadeira, entra no site da WJR, entra no @WJR, fala com o Wallenstein, troca uma ideia com o cara. Entende os produtos e serviços que eles oferecem, que os caras têm inúmeras soluções que, com certeza, vão poder te ajudar. Está bom? Clica em qualquer lugar dessa tela e fala com os caras. Tamo junto. 

Agora, quero falar da Inspira Capital, do meu parceiro Fabiano Brito: operação e gestão financeira por assinatura, o braço direito do empreendedor. O @Inspira Capital aqui e também o site dos caras. 

Gente, BPO financeiro não é mais futuro, é presente. Não vale mais a pena você contratar gestão de fluxo de caixa, contas a pagar, receber, uma pessoa lá que você coloca, que tem atestado, que tem férias e tudo mais, porque, hoje em dia, como acontece já com contabilidade, as pessoas pagam uma mensalidade, têm um ‘pool’ de profissionais que te oferecem serviços em horas, com uma solução completa e fechada. Está acontecendo a mesma coisa com o financeiro. Qual o problema hoje? Muita gente fala: “Nossa, vou colocar o meu financeiro na mão de alguém, de um terceiro, achando que isso pode ser um problema”. Mas, de fato, é se você não colocar na mão de alguém que você confia. 

Porque muitos BPOs financeiros por aí, sabe o que eles fazem? Eles falam: “Cara, deixa tudo comigo e eu toco”. E não é assim. A própria empresa que

você vai contratar já tem que ela se resguardar de não ter o acesso necessário para que gere esse problema para você. Hoje os bancos eles têm níveis de acesso. Então, basicamente, o pessoal do BPO financeiro vai entrar lá e vai programar contas a pagar e te apresentar o relatório no final do dia, que você bate e em 5 minutos você aprova no final do dia. Nunca um BPO financeiro sério vai pegar tudo para fazer de maneira autônoma. Nunca deixe, inclusive, se um BPO financeiro te pedir isso, desconfie imediatamente. 

Então, muita gente já entendeu que BPO financeiro é o futuro, é o presente e é necessário, inclusive, mais barato, com uma entrega muito mais profissional. Mas fica com medo de dar esse passo. Eu estou aqui para indicar para vocês a Inspira Capital, do meu parceiro Fabiano. O cara é muito bom. A empresa é muito séria. Os caras fazem o BPO financeiro do Além do CNPJ. E, com certeza absoluta, você vai curtir demais o trabalho, vai ver o quanto você perdeu tempo fazendo essa mudança e não vai se arrepender de dar esse passo. Porque BPO financeiro é, de novo, como eu falei, não mais o futuro, o presente. Clica em qualquer lugar dessa tela e fala com os caras. Tamo junto. 

Agora, quero falar da Polux, do meu parceiro Ricardo Ferrazini. Sabia que existe oportunidade de desembolsar menos com impostos através de planejamento tributário? Especialistas de gestão de tributos e de crise. Polux Online. Site e @Polux aqui na tela. 

Gente, quero falar de gestão de crise. Você sabe o que é isso? A gente que é empresário, muitas vezes, a gente está vivendo um caos, tudo dando errado. Está faltando dinheiro no caixa. Eu não estou com dinheiro para pagar salário. Eu não estou com dinheiro para pagar fornecedor. Eu estou pegando empréstimo em cima de empréstimo há meses. Eu estou com problema de saldo financeiro. Eu estou com problema de pagar 13º. Já peguei empréstimo e depois paguei 13º e depois não tive dinheiro para quitar o empréstimo. Já peguei empréstimo, dizendo: “Ah, não, só vou pagar isso daqui a pouco eu quito”, não quitei. E agora estou com uma dívida maior. O fluxo de caixa está cada dia mais me sufocando. O meu custo fixo está maior. Vários problemas. Meu imposto não para de subir. Vários problemas que vão sufocando nós empreendedores. E muitas vezes a gente não sabe sair dali. 

Só que existem empresas que elas são especializadas em gestão de crise, que elas estão sabendo, elas sabem todo o caminho de pegar uma empresa toda perdida desse sentido e criar vários artifícios com maneiras totalmente dentro da lei para conseguir organizar isso e evitar que você chegue na

falência. Porque desse jeito é o que vai acontecer. Essa empresa ela entra alguns estágios anteriores e consegue suportar a estratégia, te ajudar nisso aí, e com certeza colocar de novo a tua empresa nos trilhos. Se isso faz sentido para você, entra em contato. Clica em qualquer lugar dessa tela e fala com a Polux, porque, com certeza, os caras vão te dar um baita de um “help”. Está bom? Tamo junto. 

Agora, quero falar da Max Service Contabilidade, que tem como missão a parte consultiva ao empreendedor, estando sempre próximo da gestão da empresa, com o ecossistema completo. Eles oferecem atendimento desde 

Simples Nacional até Lucro Real. Inclusive, o Lucro Real eles têm como especialidade. Aqui está o site e o @MaxService aqui na tela. 

E os caras, com certeza, vão poder te ajudar. Quando a gente fala de contabilidade, gente, pensa o seguinte: “Ah, contador é o mais barato. Eu pago meio salário mínimo”, e tudo mais. Se você está indo por esse caminho, você já está errado. Porque contabilidade é importantíssimo que não seja um custo e sim um investimento. Contabilidade tem que andar do lado do empreendedor, lado a lado com o empreendedor, tratando dos problemas, das dificuldades, dos regimes e das burocracias que a gente está mergulhado, porque a gente está no Brasil, de maneira eficiente para você economizar o máximo possível, gastar o mínimo possível. E por isso que não deveria ser custo, deveria ser um investimento. Porque uma boa contabilidade se paga, gente, surrealmente. Se eu estou falando isso e você não está se reconhecendo na tua contabilidade, aí talvez você está na contabilidade errada. E caso você entenda que está na hora de avaliar uma contabilidade consultiva para fazer isso junto com você, eu te recomendo fortemente a Max Service. Clique em qualquer lugar dessa tela e fala com os caras. Está bom? 

E, gente, agora que é uma parte bem legal. Eu quero chegar na parte final aí dos patrocinadores. Eu quero falar de um caso que aconteceu comigo há algum tempo atrás. Cara, eu estava com dois funcionários, dois funcionários meus do mesmo setor, e tendo um conflito. Comecei a ver nas trocas de e-mail sobre assuntos aleatórios, troca de farpas, alfinetadas, a ver que em alguns grupos do WhatsApp eles se alfinetavam. E, cara, são pessoas boas, bons profissionais. E são pessoas que são extremamente importantes para a empresa. 

E aí o que eu comecei a ver? Comecei a ver que aquilo estava virando uma bola de neve. Eles estavam começando a realmente quase que criar uma

guerra civil dentro dali, começando até ter pessoas do time fora do contexto tomando partido e criando rusgas maiores. Começou a virar uma bola de neve. O que que eu fiz? Chamei imediatamente uma das delas para conversar. “Vamos trocar uma ideia. Vamos ver o que está acontecendo. Vamos fazer uma reunião de feedback”. Antecipei um pouco o feedback e acabei perguntando de outras coisas para fugir um pouco do padrão, né? E ela não entender que eu estava chamando por conta daquele probleminha específico. E no meio da reunião de feedback, citei sobre aquele relacionamento que eu não estava concordando do jeito que estava sendo lidado. Dali em diante, trocamos uma ideia, alinhamos alguns pontos. Em seguida, fiz a mesma coisa com a outra pessoa. Já pus panos quentes naquela, naquela situação toda. E, por fim, chamei as duas para conversar, a gente se alinhou e tudo isso se normalizou. 

Então, por que que é importante? Presta atenção que dica que eu vou te dar: por que que é importante a gente fazer isso? Gente, é papel do líder promover um ambiente seguro, diverso, inclusivo, colaborativo, engajado. O líder, para isso, tem que saber se adaptar às mudanças, os múltiplos contextos que se apresentam, como eu contei agora: os conflitos que acontecem entre as pessoas do time, as polaridades. 

Gente, é por isso que eu quero falar para vocês da Pós-Graduação em Liderança e Desenvolvimento Humano EAD do Senac. Gente, esse curso vai tratar tanto do aspecto técnico da liderança quanto da autogestão, autoliderança, desenvolvimento humano, Inteligência Emocional, que é preciso ter. Resumindo, gente, ele vai te dar repertório não só para pensar sobre liderança, mas também viver a liderança. O curso é lançamento do Senac EAD e cabe perfeitamente na correria da vida empreendedora, justamente por ser EAD. As inscrições estão abertas pelo site ead.senac.br. 

E, de verdade, empreendedores, não desprezem a liderança. Pessoas são o maior ativo da sua empresa. Então, qualifiquem-se, não só você, quanto a tua própria liderança, o time, os líderes que ficam abaixo de você. Porque, com certeza absoluta, quando você trouxer repertório para eles de forma profissional, e o Senac é mestre nisso, com certeza absoluta, vários problemas que hoje você enfrenta na sua empresa, que você acredita que é a causa, você vai perceber que são só sintomas, e sintomas de uma liderança que precisa melhorar. Muitas empresas falham nisso. A minha empresa tem gargalos com liderança também. Isso acaba sendo padrão. A gente não está preparado para ser o melhor líder do mundo. Lidar com pessoas é muito difícil. Mas, quando a gente tem repertório, e através de um curso como esse,

com certeza você vai adquirir isso, vai ajudar bastante você a gerenciar os próximos desafios da sua empresa. Está bom? 

Então, clica em qualquer lugar dessa tela, fala com o pessoal do Senac, entende melhor esse curso EAD, que, com certeza absoluta, isso vai ser um baita do investimento no seu negócio. Tamo junto. 

E valeu, cara. Muitíssimo obrigado! Mais uma vez, obrigado. Obrigado de verdade. Estou até mais confortável. No começo estava nervoso aqui, estava gaguejando. Mas, cara, para mim é um… Eu faço isso aqui. Eu comecei o Além do CNPJ por brincadeira. Levo isso ainda como brincadeira, não é o meu ganha-pão. Então, cara, faço isso aqui para me desenvolver, me colocar em risco, me colocar na intuição. Alguma coisa me diz que eu tenho que fazer isso aqui. Perfeito. Que é a tua tríade. E, cara, estar na tua frente, para mim, são sinais. Querendo ou não, o cara, estou entrevistando o Moré, é uma coisa legal que me traz essa direção de: “Pô, segue aí que está indo bem”. 

E, cara, queria te fazer uma pergunta que é o seguinte: nunca ninguém saiu daqui e sofreu um acidente, coisa do tipo, mas eu queria trazer o peso desse contexto para a gente conseguir extrair uma coisa legal da resposta. Cara, imagina que você sai daqui e você sofre um acidente, e você morre. Então, de novo, estou batendo na madeira. Mas, imagina que tudo isso aconteceu, e essa é a tua última aparição para a internet, para o mundo. Teus filhos estão te vendo pela última vez agora. Qual mensagem você deixaria para o mundo? 

Cara, a mensagem que eu deixaria para o mundo, ela é uma mensagem que é fruto da minha vivência e da minha experiência. As adversidades elas são permanentes na vida de todo mundo. Mas é super importante que as pessoas entendam que não importa o que acontece, mas sim como você lida com o que acontece que vai determinar o sucesso, o êxito, a maneira como você vai se livrar dessas situações. Existem pessoas que, durante toda uma vida, se lamentam e se vitimizam por algo que aconteceu. E aí, quando você olha para como elas lidaram com o que aconteceu, não existe nenhuma inovação, porque elas não lidam bem. Não importa o que acontece, você não controla. Mas o que você controla é como você lida com o que acontece. Total. 

Então, eu acho que essa frase – essa frase não é minha, essa frase eu aprendi num curso que eu fiz com o astrofísico Neil deGrasse Tyson, Dr. Tyson. Ele tem um curso de Comunicação naquela plataforma MasterClass que é incrível. Ele fala sobre viés de confirmação, ele fala sobre checagem de verdade, e o que é fake, o que é verdade, sobre a importância das fronteiras da ciência no desenvolvimento da humanidade, e fala sobre comunicação. E

ele fala muito sobre o comportamento do ponto de vista individual de cada ser humano, né? Que a frase é: “Não importa o que acontece, mas sim como você lida com o que acontece”. Você reage. 

É. Então, todas as pessoas hoje podem passar a reagir de uma maneira diferente para problemas que talvez estejam acontecendo de uma forma recorrente e repetida na vida delas. É mudar aquilo que lhe compete. Total. “É o que você falou. A vida é uma adversidade. Tem que parar um pouco de romantizar que é tudo maravilhoso. A internet traz um pouco isso, de que tudo está maravilhoso, a vida do vizinho está melhor, mas, cara, a vida é adversidade, é problema e tal”. É como você reage. “É isso. É como você reage”. 

Ivan, mais uma vez, muitíssimo obrigado pelo convite. Adorei a entrevista. Tamo junto! Bora, vamos que vamos! 

Galera, e você que ficou aqui até agora, muito obrigado por acompanhar esse papo, muito obrigado aí por trocar essa ideia com a gente. Se você curtiu, curte, compartilha, aperta todos os botões aí embaixo para engajar. E vamos para cima! Até a próxima. Sucesso. Valeu.

Confira os principais insights do Episódio #064 do Além do CNPJ com Ivan Moré. Descubra como a “Desobediência Produtiva” pode transformar sua carreira e por que sair da zona de conforto é vital para o empreendedor que não quer se tornar obsoleto.

Introdução: De Jornalista Global a Empreendedor Digital

Para o episódio 064, recebemos uma das vozes mais conhecidas do jornalismo esportivo brasileiro: Ivan Moré. Com uma carreira consolidada na TV Globo, onde apresentou grandes programas como o Esporte Espetacular e o Globo Esporte, Ivan fez um movimento corajoso em 2019: pediu demissão no auge para se reinventar no digital.

Neste papo franco e inspirador, ele abriu o jogo sobre os bastidores da TV, a transição de funcionário para dono do próprio negócio e como transformou suas maiores adversidades em combustível para o sucesso. Se você sente que está estagnado ou com medo de arriscar, as lições de Ivan são o empurrão que faltava.

1. Do Bullying ao Protagonismo: O Poder do Trabalho

Ivan compartilhou sua origem humilde no interior de São Paulo, onde sofria bullying severo na infância por questões físicas. Em vez de se vitimizar, ele encontrou na comunicação e no trabalho precoce (aos 14 anos em uma rádio) a sua válvula de escape e ferramenta de transformação.

“No momento de maior adversidade da minha vida, que eu só apanhava, só chorava e vivia escanteado, concorda que eu poderia me vitimizar, falar: ‘O mundo está contra mim’? Eu falei assim: ‘Mas dentro daquilo que me compete, o que é que eu posso fazer para transformar esse cenário?’ […] Eu saí de uma posição de vítima para ser um cara que encontrou protagonismo por meio do trabalho.”

Para o empreendedor, a lição é clara: a adversidade é inevitável, mas assumir a responsabilidade (protagonismo) é uma escolha. O trabalho não é apenas uma obrigação, é um veículo de mudança de realidade.

2. A Tríade da Desobediência Produtiva

Um dos pontos centrais do episódio foi a explicação do conceito criado por Ivan: a Desobediência Produtiva. Ele detalhou como sua carreira foi pautada por fugir do óbvio e confiar no próprio “taco”, baseando-se em três pilares fundamentais: Intuição, Confiança e Coragem.

“A sua intuição fala o tempo inteiro com você, mas você não está apto para ouvir e, quando você ouve, você não confia. […] A partir do momento que a sua intuição fala contigo e você avalia o que ela está te comunicando, você precisa ser necessariamente confiante nas suas características positivas e negativas. […] A intuição veio, confio em mim, agora eu vou tomar risco.”

Ivan reforça que o “radar ligado” para oportunidades só funciona quando você tem a coragem de agir, mesmo com medo. É a capacidade de desobedecer o padrão esperado para produzir resultados extraordinários.

3. O Perigo da Zona de Conforto

Talvez o insight mais provocativo do episódio tenha sido sobre sua saída da TV Globo. Ivan percebeu que, apesar do status e do salário, ele estava parando de evoluir profissionalmente devido ao corporativismo e à repetição mecânica das tarefas.

“Eu preciso viver esse frio na barriga. Porque continuar aqui do jeito que eu estava, eu estou emburrecendo dentro de uma emissora. […] A execução disso aqui não me agrega mais nada. […] Eu preciso romper com esse formato equivocado que impede o desenvolvimento dos próprios profissionais.”

Para empresários e gestores, fica o alerta: estabilidade demais pode significar o fim da inovação. Às vezes, é preciso “saltar do barco antes que o barco te cuspa” para continuar relevante no mercado e aprender novas habilidades (como vender e gerir um negócio).

4. O Legado Final: Reagir é o que Importa

Ao final do episódio, quando perguntado sobre qual mensagem deixaria para a humanidade se fosse seu último dia, Ivan trouxe uma reflexão poderosa sobre controle emocional e estoicismo:

“Não importa o que acontece, mas sim como você lida com o que acontece. […] A vida é adversidade, é problema, e é como você reage. […] Existem pessoas que, durante toda uma vida, se lamentam e se vitimizam por algo que aconteceu. […] É mudar aquilo que lhe compete.”

Uma mensagem essencial para quem empreende no Brasil: não controlamos o mercado, a economia ou os imprevistos, apenas a nossa reação a eles.

Assista ao Episódio Completo

Este resumo é apenas uma fração da aula de comunicação e vida que o Ivan Moré entregou. O papo completo aborda detalhes sobre como ele usa o jornalismo para alavancar seus negócios atuais, a parceria com sua sócia da Geração Z e como marcas pessoais estão dominando o mercado.

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Clique abaixo para assistir ao EP #064 na íntegra:

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