Branding Intencional, Psicologia das Cores e Alta Performance com Jaque Chun | Além do CNPJ (EP #121)
O Poder do Marketing de Intencionalidade
No mundo dos negócios, muitos acreditam que o marketing se resume a anúncios digitais e estratégias online. No entanto, o marketing mais poderoso é aquele que nós mesmos vestimos e transmitimos. No episódio #121 do Além do CNPJ, recebemos Jaque Chun, cofundadora da J7 e especialista em posicionamento de marcas, mídias e Personal Branding (incluindo assessorias para grandes executivas como a Nisa, CEO do G4). Em um papo cru, sincero e sem filtros, Jaque revela como transformou o seu próprio estilo pessoal em uma máquina de buzz e autoridade, usando a intencionalidade para romper as barreiras de um mercado tradicionalmente masculino e construir um ecossistema de alto valor.
1. O Rosa de R$ 1 Milhão: A Psicologia da Diferenciação
O que uma cor de roupa pode fazer pelo faturamento da sua empresa? Para Jaque, tudo. Ao participar de imersões corporativas de alto nível, onde a presença era de 160 homens e apenas 10 mulheres, ela percebeu que precisava se destacar no mar de ternos pretos, cinzas e brancos. Ela escolheu vestir rosa choque. A escolha não foi por vaidade infantil ou gosto pessoal (seu armário real é majoritariamente preto), mas sim uma estratégia deliberada de diferenciação. Três meses depois, empresários que nunca haviam conversado com ela no evento se lembraram exatamente de quem ela era. Estava validada a tese do seu Personal Branding.
“Marketing é sobre como chamar atenção. É a arte de se comunicar de uma forma estratégica e intencional. […] A partir do momento que eu entendi que o rosa ia gerar buzz, me chamar atenção e me colocar em lugares onde ninguém me colocava, eu vesti a camisa e fui fazer acontecer.”
2. Furando a Bolha: Mulheres nas Mesas de Negócios Reais
Jaque Chun traz um posicionamento firme e contra o vitimismo corporativo. Ela se recusa a pregar o isolamento feminino ou discursos vazios de cotas. Para ela, o único fator de inclusão real nos negócios é o resultado inquestionável. Ela joga pôquer, debate de igual para igual com empresários consolidados e foca em estar nos ambientes onde o capital de fato circula, incentivando que outras mulheres façam o mesmo através da qualificação técnica e da inteligência emocional, ao invés de militâncias cansativas.
“Eu não tô aqui por cota. Meu pai é negro, eu não tô por cota de ser mulher. Eu tô por cota porque meu resultado foi 85% maior do que o do segundo lugar. […] Quer sentar em certas mesas? Se qualifique para elas. Saia do vitimismo.”
3. A j7 e o Conceito de “CMO as a Service”
Após anos atuando como agência operacional tradicional — sofrendo com as amarras de criar “posts bonitinhos” de redes sociais que não geravam vendas reais —, Jaque pivotou seu modelo de negócios. Ela percebeu que o empresário não precisa de uma agência para gerenciar o Instagram; ele precisa de um braço estratégico que olhe o marketing de forma holística (360º), unindo o offline com o online. Assim nasceu a atuação da J7 como CMO as a Service (Diretor de Marketing sob Demanda), desenhando as estratégias e gerindo prestadores de serviços de alto calibre sob medida para cada cliente.
“A J7 hoje é uma empresa de marketing e negócios, um ecossistema. Eu me posicionei como a sua CMO as a Service. Eu me dedico ao planejamento estratégico, entendo o seu negócio com olhar de fora e coloco as ações na execução.”
4. O Sucesso Sem Filtros e a Saúde Mental
Com apenas 26 anos de idade, conquistando tudo o que havia planejado e mapeado na infância aos 12 anos, Jaque passou por um choque de realidade comum a muitos empresários: o vazio após a conquista. Ela abre o coração e compartilha os bastidores da depressão crônica, do estresse pós-pandemia e dos quatro burnouts que enfrentou no caminho. A grande lição foi ressignificar a própria jornada, encontrando na terapia, na espiritualidade prática (sem bandeiras religiosas) e no desapego do ego das telas de celulares e redes sociais o verdadeiro sentido de paz.
“Desromantizando um pouco o empreender jovem: você tem que abrir mão de muitas coisas… mas a trajetória é o que vai deixar saudade. É o processo de conquista. O dinheiro em si é só uma consequência.”
Conclusão: A história de Jaque Chun nos ensina que a autenticidade e a ousadia são os maiores combustíveis do crescimento. O empreendedorismo de alto desempenho não é um conto de fadas; ele exige que você aprenda a se sentir confortável no desconforto. Se você quer escalar seu posicionamento, pare de se esconder atrás de planilhas e teorias, assuma a intenção de todas as suas ações, apareça para o mercado com a sua melhor versão e entregue os resultados que o seu CNPJ merece.
Quer aprender na prática como dominar a arte do Personal Branding e do posicionamento estratégico para o seu negócio? Assista ao episódio completo agora mesmo!
Ler Transcrição Completa
Começou a virar democracia, e depois que a empresa vira uma democracia, ferrou. Então, se de fato algo foi deixado de ser feito e ninguém sentiu falta por uma semana, um mês, para quem ele estava fazendo? É mania de controle. Às vezes a pessoa quer 1.000 planilhas para poder analisar alguma coisa e aquilo, de fato, não faz sentido. E vai ter dois tipos de pessoa: a pessoa que vai contra a correnteza — e a gente já sabe o resultado disso —, e a pessoa que vai usar a IA para potencializar seus resultados. Tem gente que acha que talvez esse discurso seja grandioso ou radical demais, mas é porque, de fato, é. Ficar batendo a cabeça na parede pensando que isso daí é mais uma modinha que vai passar, depois vai de fato quebrar, cara. Vai se encontrar atrasado.
Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia com a gente. E, meu, vamos começar já apresentando esse estúdio. Olha que coisa linda essa estrutura. É uma estrutura aqui em São Paulo. Antigamente, a gente estava gravando todos os podcasts lá em Santo André, no estúdio de um amigo meu, o Rodrigão, brother máximo meu. E, para ele, não estava fazendo mais sentido a estrutura do podcast porque ele tá voando, tá fazendo trampo em Nova York e tudo mais, e tá tendo uma demanda muito grande por equipamentos. Então para ele também não fazia sentido. E para mim também já estava ficando difícil o deslocamento dos convidados lá pro ABC. Por mais que quem conheça São Paulo saiba que o ABC é super pertinho, ficava difícil porque, dependendo do horário que se grava, é um trânsito absurdo para chegar lá. Então agora a gente tá inaugurando o estúdio aqui em São Paulo.
O convidado de hoje é um convidado que já veio no podcast, já veio trocar ideia sobre empreendedorismo. É um cara que eu conheço muito bem. É um cara que, além de meu sócio, é meu irmão, meu irmão caçula. E tá aqui pra gente trocar essa ideia sobre um tema que é muito legal e é bem importante que a gente troque essa ideia num momento como agora, porque muita gente tá sendo bombardeada por informações referentes a isso, mas muitas vezes não sabe necessariamente como pegar tudo isso e trazer para a prática aplicada ao negócio. É uma das coisas que a gente tem discutido e conversado muito lá na empresa sobre como que a gente consegue trazer toda essa, essa interação de informações do mundo todo despejados na internet para a realidade. A gente tá falando de Inteligência Artificial.
Então, esse é um dos temas que a gente vai trocar ideia. A gente vai devagar aqui, vamos conversar, falar sobre o futuro e tudo mais, claro, dentro da nossa opinião, falar o que a gente tá fazendo na empresa. Esse é um dos podcasts que vai iniciar o tema IA, porque a gente já tá organizando uma mesa aqui com quatro especialistas. Na verdade, eu e mais três especialistas de IA, onde estaremos aqui trocando ideias sobre inteligência artificial. Vai ser uma mesa redonda que a gente vai conseguir trocar a ideia do futuro realmente da inteligência artificial com a galera que tá meio que pegando esse assunto no colo e puxando o mercado brasileiro e referente a esse tema pro mundo do empreendedorismo. Então, tô aqui com Gabriel Cassola, Gabriel Bernet Cassola, meu irmãozinho.
Valeu, Felipe. Obrigado pelo convite. E aí, tudo certo?
Tudo certo. O Gabriel tá nervoso porque chegou aqui e foi pego de surpresa. Falei: “Gabriel, bora lá gravar comigo que vai ser uma baita experiência legal”. É um rapaz que tá com a inteligência artificial no colo, é uma coisa que ele tá estudando quase todo dia. Mas antes de a gente entrar no tema de Inteligência Artificial, eu queria trazer um pouco das dificuldades que a gente tá tendo na empresa e como que a gente tá transformando essa dificuldade em oportunidade através da Inteligência Artificial. Bem como também eu quero trazer aqui uma das coisas que, antes de tudo, a gente vai contextualizar, mas uma das coisas que a gente tem discutido nas nossas reuniões de planejamento sobre o futuro dos negócios e como a gente espera que os negócios se moldem nessa nova realidade.
Então, antes de a gente entrar de fato no tema em IA, eu quero meio que trazer para a mesa uma espécie de reunião de sócios que a gente faz lá dentro dos negócios, falando sobre quais são as dificuldades que a gente tem pro futuro. Então, Gabriel, para, para resumir a parte da história do Gabriel… quem quiser conhecer como que ele chegou até aqui, como foi a trajetória dele e tudo mais, aqui no link, na descrição do vídeo, tem um vídeo do primeiro episódio de que ele participou. Que, inclusive, é um dos vídeos mais bem avaliados, onde a gente deu uma aula de processo, né, Gabriel? O Gabriel é mestre em processo, é um dos caras que foi o guardião da empresa por muito tempo nos processos. Então, a primeira participação dele a gente fez praticamente uma aula de processo, com tema prático mesmo, sobre como você implementar processos. Então, caso você tenha dificuldade com processos, inclusive o primeiro episódio com o Gabriel é prático total em como você colocar isso na tua empresa. Mas, Gabriel, primeiro se apresenta aí para quem não te conhece, de forma breve. Quem é você, o que você faz, em qual empresa você atua. Dá um overview geral para a galera.
Beleza, vamos lá. Como o Felipe falou, eu tô um pouco nervoso porque quando ele me convidou para vir aqui falar de IA, eu até comentei com o Felipe que é um assunto que eu ainda tô estudando. Sou entusiasta, adoro o assunto, tô estudando todo dia, tô fazendo curso após curso, vendo um monte de vídeos. É um assunto que eu tô buscando dominar. Como eu sou uma pessoa que gosto bastante de ter essa segurança, mas ele falou que é pra gente trocar ideia, pra gente falar do que a gente já fez até agora, quais são os próximos passos, então falei: “Pô, da hora, vamos fazer isso”. Meu nome é Gabriel, sou irmão do Felipe, sou sócio dele também. Trabalho na mesma empresa que ele, na Multipainel (dentro do Grupo Success). Atualmente sou o CEO lá, então gerencio toda a parte operacional, a parte comercial, estratégica. E, ultimamente, eu tô fazendo todo esse trabalho também de estudar IA pra gente entender como funciona esse universo que ainda é relativamente recente, que estourou realmente essa bolha para conseguir implementar isso na empresa. Já estamos fazendo bastante coisa que a gente vai discutir aí no decorrer do podcast. Fiquei bastante feliz com os feedbacks do primeiro que a gente fez, gostei de ver que tudo aquilo que a gente conversou de processos realmente ajudou o pessoal. Vejo que tem bastante empreendedor que sofre bastante na mão de processos, de implementar, de ter essa previsibilidade do que tem que ser feito. Gostei de trazer isso, então vamos ver se a gente consegue também ajudar o pessoal hoje.
É um podcast, o primeiro episódio que a gente teve, que é diferente um pouco dos demais. Eu acho que, até pelo jeito que a gente levou ele, é uma espécie de um curso. Quem tiver com dificuldade sobre processos na sua empresa, aqui embaixo tem o episódio do primeiro de que participamos juntos, onde demos uma espécie realmente de curso. Então, normalmente o podcast é uma coisa mais de entrevista, e nesse primeiro, claro, teve a parte da entrevista, mas também essa parte de aula específica. Então é o podcast que até hoje dá visualização legal. Quando você lança no YouTube, dá aquele “boom” de visualizações logo que vai pro ar, mas depois ele meio que cai no esquecimento porque é um conteúdo pontual. Já o nosso, pelo fato do conteúdo que a gente postou, e também eu acho que o tipo do corte, ele responde muito à busca orgânica: “como implementar processo”, “como melhorar os processos da minha empresa”. São assuntos mais constantes, e acho que entrou no mecanismo de busca, o que tem trazido visualizações até hoje. Então é, de fato, um conteúdo bacana.
Mas, Gabriel, vamos lá. O Gabriel começou lá na empresa praticamente com 15 anos de idade. Com 15 anos, e hoje ele tem 25. Faz 10 anos que ele tá lá na empresa. A gente tem 10 anos de diferença: eu tenho 35, ele tem 25. Então, com 15 anos, ele foi lá para a empresa, coloquei para trabalhar mesmo, trabalho de menor, mas basicamente foi para moldar o caráter dele através de vários ensinamentos. E o Gabriel, sendo meu irmão, passou por todos os setores, começou na fábrica, subiu para vendas e tudo mais, e meio que navegou em todos os setores. Chegou uma determinada hora em que ele já tinha passado por todos os setores, já conhecia tudo, passou para líder operacional, supervisor, encarregado, e foi subindo. Até que, em algum momento, com outros negócios surgindo no nosso grupo (eu sou o CEO em outra empresa do grupo também), falei: “Gabriel, acho que você já tá em condições de assumir”. Até porque o meu foco estava dividido, eu não estava conseguindo fazer tudo ao mesmo tempo. Quando você tem vários negócios, você precisa focar em todos eles ao mesmo tempo.
O Gabriel assumiu a diretoria da Multi, e foi surpreendente a previsibilidade que ele trouxe. Já era uma empresa com processos muito bem definidos, uma cultura muito forte. Hoje é um dos grandes exemplos. Eu acho difícil uma empresa nos moldes da que a gente tem, e do tamanho que a gente tem, ter uma cultura tão forte, ainda mais no ramo em que a gente atua. É um negócio maluco o que a gente conseguiu construir ali. Só que, ainda assim, a parte estratégica, por mais que estivesse na minha mão, era uma coisa em que eu não estava tão focado por estar com os braços divididos. O Gabriel assumiu, conseguiu trazer previsibilidade de resultados. Tínhamos meses em que faturávamos muito e meses em que faturávamos pouco. E o Gabriel, com essa ação, conseguiu, junto com o pessoal de vendas, melhorar a nossa previsibilidade, mudou todo o sistema de metas (que é uma coisa que eu queria até que a gente comentasse). Melhorou a nossa eficiência operacional, melhorou a redução de custos na parte de compras. Então o Gabriel não só aumentou o faturamento mantendo estável esse faturamento na empresa, quanto reduziu a linha do custo. Então isso fez com que o nosso EBITDA ficasse não só previsível, mas também muito maior do que antes era. Isso mostra também como uma gestão próxima do negócio faz com que as coisas funcionem. Fez uma gestão bastante cuidadosa, principalmente na parte de economia de custos para injetar direto no lucro. Renegociação com fornecedores, troca de matéria-prima que a gente usava, fizemos uma ação bem forte nisso. E é legal porque, por mais que nós sejamos irmãos, eu e o Gabriel somos extremamente diferentes. A gente tem valores muito parecidos, mas jeitos completamente diferentes. Eu sou um cara extremamente comercial, vou lá para trocar uma ideia com você sobre um assunto que não domino tanto e fico tranquilo. O Gabriel, se for para conversar sobre um assunto que não domina tanto, fica extremamente apreensivo, porque ele é muito metódico. Para ele falar que entende bem sobre um assunto, ele tem que entender a nível de especialista. É uma coisa que eu falo para ele: “Gabriel, não precisa ser um faixa preta para ensinar um faixa branca. Às vezes você é um faixa marrom, um faixa roxa, um faixa azul, e já consegue ensinar o faixa branca”. Então esse é um dos motivos de ele estar nervoso para falar de IA. Mas conhecendo o nível empreendedor aí fora e o nível que os empreendedores estão em relação à IA para os seus negócios, eu posso dizer que o Gabriel está muitíssimo avançado, a ponto de conseguir trazer muito conhecimento mesmo na IA, até muito mais do que eu, que estou usando IA quase todo dia.
A minha posição com a IA, para complementar, é a seguinte: tenho, sim, um conhecimento de IA, consigo fazer bastante coisa. Mas como estou vendo aulas todos os dias, vendo muitos vídeos de YouTube, criei contas para seguir especificamente esse assunto. Como estou me aprofundando nisso, com certeza estou com um overview que acredito estar acima da média. Mas não me intitulo um expert. E antes de a gente entrar no assunto, eu queria trazer alguns temas sobre a nossa empresa lá. Hoje a gente tem um grupo que tem algumas empresas, uma delas é a que o Gabriel toca, ele é nosso sócio e tem a diretoria. Toca toda a parte operacional, e eu participo mais na análise dos resultados que a gente faz uma vez ao mês e no conselho. Tirando as 3 horas de reunião que a gente tem mensal, todo o restante é o Gabriel que toca.
E uma das coisas que você fez foi a implementação de vários sistemas de metas lá. A gente tem uma venda mais passiva, a gente investe forte na internet para que os leads cheguem. E você trabalhou com várias formas diferentes de metas, e eu gostei porque, depois que você implementou isso, eu senti que o time engajou de fato. Você meio que fechou todas as lacunas dos desejos e necessidades lá dentro, inclusive criou um negócio em que você usa os pontos MPS. Dá um overview de como funciona esse sistema de metas, depois eu quero falar como a gente faz na CEV também, que é uma venda um pouco diferente. Dá um overview de como você faz o sistema de metas na Multipainel e como funciona.
Como que nós fizemos na Multipainel: tem diferentes frentes do que a gente queria que os vendedores focassem. E vendedores, a gente sabe como é que é, eles querem dinheiro. Então, além das metas que nós fizemos nas vendas deles, nós também criamos outras metas menores, mas que também agregam para outras coisas que eles pudessem vender e agregar na venda.
A meta principal deles é a meta individual: quanto mais eles vendem, maior a porcentagem do que eles vão receber em cima de toda a venda do mês. Como funciona essa divisão de percentual: a gente separa entre dois percentuais diferentes, um para as vendas passivas (leads que chegaram ou clientes da casa) e o resto é para prospecção. No nosso ramo, a prospecção ativa não funciona muito bem, é difícil oferecer esse tipo de produto, mas quando eles conseguem fazer alguma prospecção, ganham uma porcentagem maior. Tem diferentes classificações de metas, vai até a Meta 10 (são 10 metas no total). Na Meta 1, tem uma certa porcentagem que ele vai ganhar em cima de todas as vendas, separado entre vendas de prospecção e vendas de clientes da casa. Conforme ele vai subindo nessa escadinha, na Meta 2 sobe essa porcentagem para os dois tipos. E isso não é apenas para as vendas daquele momento em diante, é retroativo. As vendas do mês inteiro. Chegou na Meta 3, é aquela porcentagem para tudo o que ele vendeu. Por exemplo, se ele vendeu R$ 100.000, quando bate a meta, ele pula o percentual e toda a comissão dele sobe retroativamente sobre as vendas do mês inteiro. Essa é a primeira meta, a individual, onde o cara ganha dinheiro mesmo.
Para também influenciar o espírito de equipe, a gente tem a meta coletiva. Eles são competitivos ali, mas não são adversários, não são inimigos. A meta coletiva segue um raciocínio parecido: conforme eles vão batendo certos patamares das vendas somadas entre todos eles, ganham valores fixados (como R$ 100, R$ 150) que vão subindo nessa escadinha. É importante mencionar que essa venda da Multipainel, em específico, são vendas de ticket baixo. O ticket médio da Multi deve estar na casa de dois mil ou dois mil e quinhentos reais. O nosso vendedor que performa bem ganha uma boa comissão. Além da meta individual, ele tem essa meta coletiva onde todo mundo ganha junto.
Baseado nessa mesma meta coletiva, o vendedor que melhor performar, o que tiver mais vendas, ganha um valor extra que é o bônus de melhor vendedor. Além de a gente modificar essas metas e os valores (subi um pouquinho), eu também criei outras metas porque queria que eles ficassem engajados em vender outros itens. Eles tinham que vender os vidros e também os acessórios para esses vidros, e às vezes percebia que focavam muito na venda dos vidros e deixavam os acessórios de lado, sendo que a lucratividade deles é ótima. Criamos esse sistema de comissão à parte só para esses itens adicionais, os acessórios. Funciona com uma tabela diferente, dividida em três classificações. A Meta 1 exige vender no mínimo R$ 800 em acessórios. Bateu isso, a gente converte uma porcentagem do valor em uma pontuação chamada MPS (Moedas Multipainel). Criou-se uma moedinha interna.
Na Meta 2, aumenta a porcentagem que eles ganham, mas continua sendo em pontuação. E a partir da Meta 3, ele mantém a pontuação e também converte uma parte em dinheiro (a partir de R$ 3.000 em acessórios vendidos).
E para que servem as MPS? A gente separou alguns prêmios para incentivá-los a experimentar coisas diferentes. Eles podem trocar os pontos por um dia de folga (com aviso prévio e regras para não desfalcar a equipe, mas eles quase nunca trocam porque querem comissão), por ajuda de custo de até R$ 500 para reserva de hotel, ou por produtos de permutas que temos na empresa (como cestas, experiências). Basicamente, as MPS servem para trazer estímulo para venderem os itens adicionais sem que a recompensa seja puramente em dinheiro nas primeiras metas, focando em experiências. A partir da Meta 3, que é um valor substancial, ele ganha uma porcentagem em dinheiro.
Esse modelo de comissão hoje da Multi foi sendo aprimorado. E tem mais uma coisa importante que na sua época não tinha: a gente tinha muito retorno de vidro que acabava voltando por causa de projetos abandonados ou erros de medida, e o vidro ficava parado no estoque por muito tempo. Tentei fazer com que isso saísse num ritmo acelerado, mas a equipe tinha preguiça de oferecer o vidro parado em vez de pedir um novo. Ficávamos com muito dinheiro parado em estoque personalizado (estoque obsoleto, que não gira). Nós criamos um link: quando o cliente pede um orçamento de uma medida próxima à que temos parando no estoque, oferecemos um prazo mais rápido de entrega e fazemos o mesmo preço do tamanho menor, de forma que o cliente ganha no prazo e a gente escoa o estoque parado.
Para isso, criamos um sistema de metas muito parecido com a meta individual. São oito metas. Eles ganham um valor por metro quadrado vendido desse estoque personalizado. Conforme vão batendo as metas e subindo na escadinha, sobe o valor por metro quadrado (R$ 5, R$ 7, R$ 10). Depois que implementamos isso, estourou. Teve mês em que saiu mais de 100 metros quadrados de estoque parado (antes a média era 10). Secou o nosso estoque de vidros obsoletos.
Um ponto de atenção: apesar de a cultura da empresa estar lidando com pessoas, o time comercial é especialmente ambicioso. Vale a pena manter a atenção, porque se você começa a colocar estímulo demais para cada pequena tarefa (vender o principal, vender acessórios, vender estoque parado), o time pode ficar mal-acostumado. Tive uma fase na empresa com o time mal-acostumado, onde tive que desligar dois de quatro vendedores para girar a equipe, porque eles começavam a barganhar demais sobre percentuais de comissão e a reclamar se não tivessem estímulos extras para tarefas comuns. Começou a virar democracia, e depois que a empresa vira uma democracia, ferrou. O vendedor tem a obrigação de vender e já tem o salário fixo.
Temos também os prêmios do Sino: quando fazem uma venda a partir de R$ 10.000, tocam o sino pequeno; a partir de R$ 20.000, tocam o sino grande. Como nosso ticket médio é R$ 2.500, esses sinos só são tocados em vendas grandes. Quando tocam, eles retiram um papelzinho de um saquinho com prêmios em dinheiro (tem o saquinho do sino pequeno e o do sino grande), e o valor é somado na comissão final do mês. É mais um jogo para alegrar a equipe. É um sistema super simples e que criou uma dinâmica muito boa. A dinâmica do time hoje de vendas na Multi é super coesa e engajada. A previsibilidade de faturamento veio de várias ações, desde uma reunião de marketing mais próxima do comercial. Muitas empresas erram ao colocar dinheiro no marketing sem informar o comercial, ou o comercial não dar feedback para o marketing sobre os leads. Precisa aproximar os dois setores.
Nós conscientizamos os vendedores da importância de avaliarem os leads que chegam. Eles são instruídos a cadastrar tudo no nosso CRM (Pipedrive), colocando a avaliação do lead, o que ele queria, para alimentar o marketing. Muita gente erra ao colocar dinheiro no Google Ads e deixar os vendedores atendendo de forma indiscriminada, sem que o gestor de tráfego saiba o que tá dando resultado. Hoje a gente tem um alinhamento muito bom através dessa qualificação de leads. A maior dificuldade que tive na implementação foi que os vendedores no início achavam chato preencher a qualificação. Fizemos reuniões mostrando quanto custa cada lead, como funciona a planilha do marketing, para eles verem sentido no processo. No fim das contas, se o marketing souber quais leads são ruins, as campanhas são ajustadas para trazer leads melhores, e os vendedores ganham mais dinheiro vendendo. Criamos campos no Pipedrive que eles preenchem obrigatoriamente a cada lead (origem, se é cliente novo, canal, cidade, estado). Fizemos uma mudança e hoje esses campos não são travados pelo sistema para salvar, mas os vendedores continuam preenchendo porque já pegaram o ritmo e entenderam o valor. Eles dão notas para o lead (péssimo, ruim, bom e muito bom). O vendedor tem o faro de saber qual lead tem potencial de conversão e qual é apenas curioso. Grande parte dos leads que se convertem em vendas batem com a classificação que o vendedor deu no primeiro contato.
Na nossa outra empresa, a CEV, a venda tem ticket médio de R$ 250.000 e os orçamentos são muito mais trabalhados. Lá, nós temos oito metas divididas em duas colunas: clientes passivos e prospecção ativa. O valor do resultado do mês é a soma das duas colunas. Se o cara vende R$ 1 milhão, bate a Meta 3 e o percentual de comissão dele sobe retroativamente sobre as vendas do mês. Na CEV, nós extinguimos o sistema de sinos e metas coletivas porque é uma venda muito mais individual de grandes contratos.
Mas por que esse negócio de várias metas próximas é importante? Porque o ser humano é movido por motivação e gamificação. Se você coloca apenas três metas distantes (ex: R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 1.500.000), o cara que bateu R$ 550 mil faltando quatro dias para fechar o mês desiste de correr porque a Meta 2 está muito longe. Ele pendura a chuteira. Mas se você tem oito ou dez metas próximas, a diferença de uma para a outra é pequena. Faltando um dia útil, o vendedor corre para fechar mais um projeto para pular de meta e aumentar o percentual de comissão sobre a venda do mês inteiro. O gerente comercial monitora isso e estimula o vendedor a buscar o fechamento. Essa quantidade de metas faz com que o time corra até o último minuto.
Nós estendemos as metas para outros setores. O setor de instalação de vidros leva kits de acessórios organizados e, ao final da instalação na obra, oferece um kit completo para o cliente. Se vende, ganha uma bonificação. A meta de escoar o vidro personalizado do estoque obsoleto foi estendida para a logística. Como a logística entra em contato com o cliente depois do vendedor para agendar a entrega, eles tentam oferecer a conversão de um vidro padrão por um personalizado do estoque por um prazo mais rápido. Tem mês que a logística é quem mais consegue escoar esses vidros. Todos ganham quando geram “saving” e eficiência para a empresa.
Vamos falar agora sobre a Inteligência Artificial, que é o tema principal. Como está sendo a implementação da IA na nossa empresa? O processo de educar a equipe e vencer as resistências.
Eu sou muito entusiasta do tema de IA, que antes eu desconhecia. Quando o ChatGPT estourou, comecei a estudar e fazer cursos. Estamos passando por uma revolução comparável à criação da internet, onde a evolução tecnológica aumenta de forma exponencial. Em pouco tempo, a geração de imagens, vídeos e textos deu um salto absurdo.
Na empresa, o primeiro passo foi mostrar para todos o que era o ChatGPT e como usar no dia a dia para tarefas individuais, como resumir contratos, tirar dúvidas e processar textos. Todos começaram a usar e hoje o GPT está nos favoritos deles para uso pessoal e profissional. Depois, começamos a criar GPTs customizados (agentes de IA) no plano Plus do ChatGPT para apoiar a nossa logística. No ChatGPT Plus, você pode criar IAs focadas em conhecimentos específicos (como uma IA de nutrição, onde você insere as regras e o prompt). Criei um GPT de logística ensinando como funciona a nossa programação de rotas, inserindo exemplos práticos de como o setor se comunica com a fábrica. Entreguei para o rapaz do setor usar e dar feedbacks. O resultado foi sensacional.
A IA atua como um funcionário que automatiza processos operacionais. Tudo o que exige processos operacionais e repetições pode ser feito de forma inteligente pela IA. O Gabriel treinou a IA com o histórico de rotas e programações para que ela organize a agenda de entregas baseada no mapa de trânsito em São Paulo, considerando regras de rodízio de placas, restrições e distâncias, buscando o contrafluxo. O operador de logística apenas valida o que a IA propõe. Se algo está errado, ele corrige a IA e ela aprende. No primeiro teste, ela deu uma rota completamente errada e a equipe brincou que a IA nunca os substituiria.
Mas a verdade é que a IA vai substituir muitos empregos operacionais e repetitivos. Toda revolução substitui mão de obra. A Revolução Industrial substituiu os operários por braços mecânicos nas montadoras, afetando a base da pirâmide. Mas a revolução da IA afeta o meio da pirâmide: advogados, contadores, médicos, administradores. Paralelamente, o trabalho braçal está sendo cada vez mais valorizado por falta de mão de obra. Na Europa, as pessoas não querem mais estudar medicina porque exige muito estudo e o ganho final está próximo ao de profissões manuais. No Brasil, um bom pedreiro ou montador ganha muito bem porque falta profissional especializado. A IA vai fazer triagens em prontos-socorros de forma muito mais rápida e precisa que os médicos. O que segura essa evolução não é a tecnologia (que já existe), mas os lobbies corporativos. Mas a tecnologia vai vencer e mudar os empregos, e a humanidade vai se adaptar e ganhar em produtividade e qualidade de vida. Na Revolução Industrial, os operários protestaram e quebraram máquinas com medo do desemprego, mas depois se recolocaram em funções melhores e mais intelectuais. O empresário que não implementar a IA no seu negócio vai perder competitividade e ser engolido pelo concorrente que usa a tecnologia para reduzir custos e aumentar a eficiência. Como as nossas empresas são de pequeno e médio porte (cerca de 100 funcionários no total), é mais fácil agilizar a implementação da IA na nossa operação. E o fato de estarmos fora do dia a dia operacional nos permite focar na parte estratégica.
Além da logística, nós criamos um consultor financeiro de IA para analisar o nosso DRE. Nós jogamos a planilha de dados na IA, e ela faz uma triagem completa: analisa o CMV, aponta oscilações de impostos e despesas fora da média, e entrega um relatório com insights estratégicos antes de a nossa reunião de resultados começar.
Sentindo limitações com o ChatGPT padrão para tarefas mais complexas que exigiam integrações, começamos a estruturar “Agentes de IA” no setor comercial via APIs. A IA lê a nossa tabela de preços, as apresentações e PDFs de produtos, e monta propostas comerciais personalizadas a partir do que o cliente solicita no e-mail. O vendedor apenas revisa e envia pro cliente. A IA também foi integrada ao nosso WhatsApp para conversar de forma humanizada com os leads, simulando um atendente real com uso de emojis e linguagem adequada (sem ser formal ou informal demais). Ela consegue sugerir produtos alternativos baseados no contexto do cliente.
A IA funciona a partir do conhecimento da internet, nós apenas direcionamos com o nosso contexto. Criamos um GPT chamado “Carlos”, que atua como analista de controladoria avançada. Eu passei as instruções de comportamento para a IA (o prompt de sistema): “Sou um analista financeiro altamente capacitado, com experiência em controladoria avançada e finanças empresariais. Meu papel é fornecer análises detalhadas, porém simples e objetivas, conectando dados financeiros a insights práticos baseados numa vivência empreendedora de mais de 10 anos…”. O resultado das análises financeiras que ele faz é surreal. Ele faz a triagem da planilha de DRE e nos mostra os pontos críticos para tomarmos decisões estratégicas com mais agilidade.
Na Multipainel, nós somos líderes nacionais no mercado de lousas de vidro, mas é um mercado de faturamento limitado (cerca de R$ 500 mil por mês). Para crescer além disso, estamos usando a IA para brainstorming de novos produtos, licitações e tecnologia.
Um “Agente de IA” é uma IA que, além do cérebro (o modelo de linguagem), tem integrações de ferramentas (APIs) para executar ações (braços). Nós usamos ferramentas “no-code” (que não exigem linhas de programação) para integrar a IA com o Google Agenda, com o Pipedrive, com o Asana e com o e-mail. Criamos um agente que lê nossos e-mails, filtra o que é urgente e resume as pendências. Dá para programar para a IA nos enviar um WhatsApp ou um SMS se chegar um e-mail urgente de uma obra importante. A OpenAI (criadora do ChatGPT) promete liberar em breve a função de leitura de tela em tempo real, onde você compartilha a tela com a IA e ela te guia e executa comandos no seu computador. É um avanço absurdo.
A IA vai transformar o mundo e quem começar a utilizá-la agora terá uma vantagem competitiva gigantesca sobre os concorrentes. Quem não quiser ficar para trás, deve começar a estudar o ChatGPT (que tem a maioria das funções excelentes gratuitas) e entender como funciona para ontem.
E, para finalizar, uma das maiores inovações que estamos testando é a interação entre múltiplos Agentes de IA. Nós criamos gpts de áreas específicas: Diretor de Marketing (Steve Jobs), Diretor Financeiro (CFO), Diretor Comercial e Diretor de Logística. Nós colocamos esses agentes de IA para debaterem um problema complexo da empresa entre si em uma sala virtual. O debate e a troca de informações entre os agentes geram soluções com uma capacidade de conectar pontos que é gigantesca. É o futuro da tomada de decisões.
Gabriel, muito obrigado pela presença e por compartilhar esse conhecimento de IA e processos.
Obrigado pelo convite, Felipe. O papo passou rápido.
Quem quiser aprender mais sobre processos, assista ao primeiro episódio com o Gabriel. E o recado final é: Inteligência Artificial não é uma opção, é necessidade. Não ache que é uma modinha. Estude, teste as ferramentas gratuitas, dedique um tempo do seu dia para entender esse universo e implementar na sua empresa. Se você não fizer, o seu concorrente vai fazer e você vai quebrar. Comece para ontem! Muito obrigado a todos que acompanharam, cliquem nos botões para engajar e até a próxima! Valeu!
