Sucessão Familiar e o Valor do Design: A Trajetória de Marília Veiga e Daniel Borges | Além do CNPJ (EP #089)

O Design como Ativo de Qualidade de Vida

No universo da construção civil e decoração, muitas vezes o cliente confunde custo com valor. Acha que o projeto é um gasto, quando na verdade é o único caminho para evitar prejuízos e garantir o bem-estar. No episódio mais recente do Além do CNPJ, recebemos uma dupla que é referência absoluta no mercado: Marília Veiga, com mais de 40 anos de experiência em design de interiores, e seu filho Daniel Borges, que trouxe a visão de gestão e marketing para profissionalizar o escritório. Em um papo honesto sobre sucessão familiar, processos de obra e a psicologia por trás de uma casa bem decorada, eles mostram que o luxo mora na organização e no detalhe.

1. Sucessão Familiar: Quando o Filho Profissionaliza a Mãe

A história do escritório Marília Veiga Design mudou drasticamente em 1999. Marília, vinda de uma formação tradicional, ainda desenhava à mão e usava disquetes para transferir arquivos. Daniel, saindo do mercado hoteleiro e de marketing, entrou no negócio com uma missão: digitalizar a operação. O choque de gerações, que muitas vezes destrói empresas familiares, aqui foi o motor do crescimento. Daniel trouxe processos financeiros, gestão de redes sociais e fotografia profissional, permitindo que Marília focasse no que faz de melhor: a curadoria artística e o relacionamento com o cliente.

“O Daniel virou e falou: ‘Você vai aprender a mexer nisso, porque se não souber dominar as redes sociais e o computador, você vai ser analfabeta digital’. Eu tive a humildade de escutar, e ele abriu portas que eu não abriria sozinha.”

2. O Erro como Aliado e o “Double Check” na Obra

Quem trabalha com obra sabe: o imprevisto é a única certeza. A diferença entre um amador e um escritório de alto padrão é como eles gerenciam esse erro. Marília revela que, no início, sofria com a falta de sincronia entre fornecedores. Hoje, a empresa exige o manual do proprietário antes de qualquer furo na parede e mantém um engenheiro fixo em cada obra. A cultura do “Double Check” e as reuniões de pós-obra para analisar falhas e acertos transformaram o escritório em uma máquina de eficiência.

“O erro é o nosso maior aliado. Errou? Aprende. Não fica perguntando de quem é a culpa. A gente faz uma reunião técnica após toda obra para ver o que deu errado e como evitar que aconteça de novo.”

3. Não Vendemos Preço, Vendemos Valor e Tempo

O mercado de arquitetura brasileiro sofre com a desvalorização do serviço. Daniel e Marília combatem isso focando no High Ticket e no atendimento personalizado, o “CFO as a Service” ou a “Alta Costura” do design. O diferencial deles é entregar a casa pronta: com as roupas de cama esticadas, flores no vaso e até o estoque da despensa organizado. Eles compram a “dor de cabeça” do cliente ocupado (executivos e empresários) e entregam tempo e paz.

“A gente não fala em preço, fala em valor. É um trabalho de alfaiate para o cliente se sentir mimado. O brasileiro ainda não valoriza o serviço, mas quando ele percebe que o arquiteto evita que ele compre o sofá errado ou fure um cano, ele entende que saiu mais barato.”

4. A Psicologia do Ambiente: Por que Você é Mais Feliz em Casa?

A casa não é apenas um conjunto de móveis caros; é a âncora emocional da família. Marília explica que detalhes técnicos como a temperatura da luz, o caimento da água no chuveiro e a altura da TV em relação ao sofá ditam o humor e a saúde dos moradores. A consultoria vai além da estética: é sobre entender se o casal precisa de banheiros separados para manter a harmonia ou se uma brinquedoteca integrada vai salvar a sanidade dos pais.

Conclusão: A trajetória de Marília e Daniel é uma aula de como unir o legado da experiência com a energia da inovação. Para o empreendedor, fica o insight: cerque-se de pessoas melhores que você, tenha processos claros e nunca, em hipótese alguma, negligencie o fator humano. Afinal, as empresas são feitas de pessoas, para pessoas.

Quer descobrir como funciona os bastidores de um escritório de design de elite? Assista ao episódio completo agora mesmo!

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O erro é o nosso maior aliado. Errou? Aprende. Não fica: “Ai, errou, de quem é a culpa?”. A gente tá vivendo um momento de uma velocidade de informação que quem apostar num design de interiores, numa arquitetura de interiores, ele vai ter uma qualidade de vida melhor. E quanto custa? Porque a gente não fala em preço, a gente fala em valor. Valor é um trabalho, é uma alta costura, é um alfaiate realmente para o cliente se sentir mimado mesmo. Acho que as pessoas hoje ficam com essa desvalorização do serviço, e é muito importante entender que o brasileiro não valoriza serviço.

Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um episódio do podcast Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia de empreendedorismo vida real. Hoje aqui na minha frente estou com uma dupla dinâmica, uma dupla de gerações: mãe e filho de uma empresa que tem uma tradição gigantesca no mercado. Vai ser bem bacana o papo que a gente vai tocar aqui hoje porque é do universo que eu vivo, o da construção civil. Vai ser legal ter a experiência da Marília aqui comentando com a gente toda essa bagagem que ela traz do universo da construção civil, design de interiores, arquitetura, toda essa parte que é extremamente importante. Vamos falar dessa importância e o filho dela, o Daniel, que vai conseguir trazer pra gente uma baita de uma bagagem em cima de como eles atuam hoje. Essa sucessão também é um tema bastante importante e vamos ver como eles batem essa bola. Vou até entrar em situações polêmicas: como vocês conseguem dividir inclusive a relação filho e mãe, porque tem aqueles arranca-rabos de “não, mãe, não quero”, e como vocês conseguem dividir isso na parte profissional. Estou aqui com Marília e Daniel, muitíssimo obrigado por estarem aqui conversando com a gente. Eu estou tentando marcar esse podcast com vocês já há um tempo. Estou muito feliz, de verdade. Eu sei o tamanho que vocês são, o quanto são renomados no mercado e trocar essa ideia com vocês é um prazer.

Eu que agradeço pelo convite. Muito obrigado. A gente estava muito animado e já no carro vínhamos trocando ideias. Achei bem interessante o nome do podcast, Além do CNPJ, porque é muito além mesmo. É gostoso esse bate-papo, esse bate-bola, poder falar sobre as nossas experiências.

Tô de verdade muito feliz por tê-los aqui. Da mesma forma que trabalhamos no universo da construção civil, design de interiores e arquitetura, ainda assim é um CNPJ, é uma empresa. Vocês são empresários com todos os desafios: financeiro, comercial, etc., além de executarem essa arte que é a decoração e o design. Mas antes de entrarmos nos dias de hoje, começando com você, Marília: a Marilinha nasceu onde? Quais são as suas referências? Teve pai e mãe presentes? Como foi esse processo da tua trajetória desde a infância? O que você queria fazer quando crescesse? Já era isso ou foi descobrindo no caminho?

Na verdade, eu sou a quarta filha de uma família de descendentes de italianos. Tanto meu pai quanto minha mãe eram descendentes de italianos. Eu não tive que fazer teste vocacional. Sempre gostei muito de ver meu pai, que era uma pessoa que tinha muito esmero pela casa. Ele arrumava a casa, o sofá, os adornos, e eu já gostava daquilo. Pus na minha cabeça que queria fazer isso. Quando chegou na idade de comunicar ao meu pai que eu queria fazer arquitetura, ele, como bom descendente de italiano tradicional, meio sisudo, virou e falou: “Não, eu não vou pagar para você fazer desenhinho. Suas irmãs são professoras, minha mãe era professora, suas irmãs fizeram o curso normal para dar aula”. Eu falei: “Mas eu não quero ser professora”. Como sou muito determinada, sei o que quero e sou persistente, fui trabalhar numa empresa de arquitetura de interiores que chamava L’Atelier, ficava no Conjunto Nacional. Com o dinheiro desse trabalho, paguei um curso de design de interiores para mim. Foi desafiador, mas muito gratificante. Aprendi muito e consegui fazer o que sonhava. Foi uma realização. De lá para cá, comecei realmente a trabalhar nisso. Comecei pequena.

Nesse primeiro trabalho no Conjunto Nacional, eu era empregada de uma empresa que vendia mobiliário, mas era importante porque era um mobiliário desenhado por um arquiteto muito importante, o Jorge Zalszupin. Ele tem um mobiliário super atemporal que hoje, inclusive, as lojas da Alameda Gabriel Monteiro da Silva reeditaram. Aquilo foi para mim uma escola. Depois de lá, tive uma cliente que queria decorar a casa mas não queria usar só os móveis desta loja. Foi a minha primeira cliente solo. Comecei a trabalhar em casa, saí da empresa, e logo casei. Casei com 20 anos.

Então você já estava empreendendo com 20 anos?

Eu já trabalhava com 13 anos. Meu primeiro emprego foi no Natal, no Shopping Iguatemi. Contratavam vendedores extras na época de festas. Fui numa loja de presentes. Meu pai falava: “Filha minha não trabalha”, mas eu não ganhava mesada e queria ser independente. Fui para a loja fazer pacotes. Eu só tinha 13 anos. Mas em vez de fazer o pacote, quando entrava alguém na loja, eu já atendia. O dono da loja falou: “Não, sai do pacote e vem para as vendas”. Ali percebi que tinha facilidade de comunicação e de ajudar as pessoas. Aos 17 anos, quando meu pai disse que não pagaria a faculdade, eu já estava trabalhando e era muito esforçada. Casei com 20 anos e estava vinculada a essa empresa quando percebi que queria ter filhos. O Daniel nasceu depois de um ano e nove meses de casada. Decidi que não queria ficar vinculada a uma empresa com horário fixo. Estudei, conheci uma colega e começamos a trabalhar em casa, as duas. O meu filho nasceu, depois nasceu o filho dela, e fomos empreendendo. Chegamos a ter 10 empregados. Chegou um momento, após 25 anos de casamento e 25 anos de sociedade, que eu resolvi seguir carreira solo nos dois sentidos. O meu casamento acabou e a sociedade também. Justamente nessa época, o Daniel trabalhava num hotel na área de marketing. Ele virou para mim e falou: “Sabe, não estou feliz no meu trabalho. Eu olho para o meu gerente e não quero chegar onde ele chegou. Queria muito trabalhar com você”. Eu fiquei emocionada, mas avisei: “Olha, eu não vou ser boazinha, porque eu sou brava, tenho fama de brava”. Ele veio e foi maravilhoso, porque a união trouxe o sucesso. O Daniel é de uma geração de novidade e criatividade, e eu sou de uma geração mais tradicional. Naquela ocasião eu ainda desenhava à mão. Ele chegou com um laptop, jogou na mesa e falou: “Você vai aprender a mexer nisso. Se você não souber dominar as ferramentas e a internet, você vai ser uma analfabeta digital”. Eu tive a humildade de escutar.

Muitas vezes o conflito de gerações acontece porque o filho acha que sabe mais que os pais, e os pais não querem ouvir os filhos que têm algo a agregar.

Nós dois somos do mesmo signo, geminianos. Temos um respeito e uma admiração mútua. Quando o Daniel fala de mim, eu fico até surpresa. Ele sabe da minha trajetória sacrificada, da perda da minha mãe por câncer quando eu tinha 22 anos. Sou muito grata porque ele abriu portas que eu não abriria sozinha. Ele nos apresentou às construtoras, profissionalizou a gestão da empresa. Quando recomeçamos sozinhos, éramos eu, ele e mais uma arquiteta, pois as outras 10 que trabalhavam conosco preferiram ficar no outro escritório quando me separei da antiga sócia. Recomecei na minha casa, numa fase fragilizada. Casamento e sociedade acabaram ao mesmo tempo em 1999. Hoje faço palestras com o tema “Se vira nos 25”, sobre esses 25 anos de sociedades. Mas foi muito melhor. Comecei a gerir a minha vida 100% como eu acreditava. Na sociedade você tem que ceder. Quando você trabalha sozinha, é como se casasse consigo mesma. Esse respeito e admiração é o que faz o sucesso da nossa sociedade hoje. O Daniel cuida de uma área diferente da minha. Ele brinca que vende a mãe mas não entrega, esse é o marketing. Ele me ensina, me respeita e tem um papel vital no escritório: faz o gerenciamento financeiro, admite pessoas, gerencia as redes sociais. Foi um ótimo casamento profissional. Ele me deu tranquilidade para eu fazer o que sei fazer bem. Hoje temos 10 pessoas na equipe, arquitetos de 20, 30, 40 e 50 anos. Cada um traz uma novidade.

Isso é importante porque as pessoas que têm sucesso às vezes caem na soberba de não querer ouvir ninguém.

A gente tem que ser humilde e aprender sempre. Se estamos apresentando um projeto e uma grande ideia não veio de mim, mas de outra arquiteta, eu faço questão de dizer ao cliente que a ideia foi dela. Quando você valoriza quem está do seu lado, o ambiente fica mais natural. Em todas as obras que entrego, faço questão que a arquiteta responsável abra a porta para o cliente. Quando ganho um prêmio, digo que o prêmio é nosso, do escritório Marília Veiga Design. As arquitetas se espelham nela com admiração positiva. Tenho admiração por todos. Meu motorista está com a gente há mais de 20 anos e ajuda na finalização da obra, dando opiniões sobre onde colocar um vaso, e eu ouço. Todo mundo se sente parte do projeto.

Daniel, e como foi para você? Você estava insatisfeito no hotel e resolveu empreender com a sua mãe.

Eu sou o oposto da Marília na questão profissional de início. Ela sempre soube o que queria. Eu sou geminiano nato, tive muita dificuldade de fazer escolhas. Fiz Administração de Empresas no Mackenzie e sempre gostei de comunicação. Saí da faculdade com aquela sensação de que não sabia nada. Morei oito meses em Boston para estudar inglês. Quando voltei, consegui um emprego no hotel Renaissance como estagiário, fui promovido para o marketing e vendas. O hotel era legal, mas a pressão era desumana. Eu via os diretores saindo destruídos de estresse no final do dia e não queria aquilo. Minha mãe teve a ideia de abrir uma pizzaria na praia, na Riviera. Eu pedi demissão na hora, com 22 anos, pronto para morar na praia. Mas a ideia nem foi para frente. Aí falei que queria trabalhar com ela. Ela estava saindo do antigo escritório e montando a estrutura na nossa casa. Era tudo muito rudimentar. O arquiteto gravava o projeto num disquete e levava para outro computador. Não tinha rede. Eu falei que precisávamos de internet rápida e os computadores precisavam se falar. Fui trazendo essa tecnologia. Entrei em junho de 2000, então nossa sociedade já tem 24 anos.

Nosso trabalho é muito visual. Naquela época, os registros de obra eram álbuns de fotos da Fotótica, com anotações à mão. A Marília viajava muito para os Estados Unidos e eu pedi para ela trazer uma câmera digital, uma Nikon Coolpix de 2 megapixels que custou uns 500 dólares. Aquilo revolucionou. Eu ia na obra, tirava foto do antes e depois. Eu me apaixonei pela fotografia de arquitetura. Eu acompanhava as sessões de fotos das revistas Casa Cláudia e Vogue. O fotógrafo era um artista, usava fotômetro, era tudo feito com cromo, muito caro. Uma digital no copo podia estragar a foto porque não dava para editar como hoje. Eu ficava do lado do fotógrafo aprendendo tudo. Com o tempo, comprei tripé e lentes na loja B&H em Nova York. Hoje eu mesmo faço as fotos do escritório. No começo, eu era o “Bombril”, fazia de tudo até me localizar no que gostava. Eu não gostava do financeiro, mas ela disse que como só éramos nós dois, um teria que fazer. Hoje o sistema me dá o fluxo de caixa com seis meses de antecedência.

Toda foto que você vê no nosso site ou no nosso livro é de como entregamos o imóvel para o cliente. Nosso diferencial é que entregamos 100% pronto. Não é um desenho 3D, é obra viva. Nossa profissão não é um gasto, é um investimento. A construtora entrega o apartamento com o piso só nas áreas molhadas e sem gesso. O cliente nos procura muitas vezes antes de comprar. Fazemos consultoria para ver se o sonho do cliente cabe naquele imóvel. Tivemos um caso de um cliente que comprou um apartamento de 50 anos de idade e fizemos uma reforma total, só ficaram as paredes estruturais. Atualizamos o imóvel e ele ficou com espaços amplos que os apartamentos novos não têm. O processo começa com um briefing detalhado sobre a rotina do cliente, se tem pet, se tem filhos. Depois fazemos o projeto, o 3D para visualização, o orçamento real e o cronograma. Acompanhamos todas as compras, desde a pedra até a automação. Temos um leque de fornecedores fiéis e pontuais. Hoje nossa norma é ter um engenheiro fixo na obra, cuidando de tudo em tempo integral.

O erro é nosso aliado para aprender. Toda vez que termina uma obra, sentamos com a equipe para analisar o que funcionou e o que falhou. Aprendemos com a vivência. O escritório acompanha o cliente em tudo, não o deixamos sozinho. Eu vou com o cliente em quatro ou cinco lojas escolher a poltrona de leitura, as cores, os tecidos. É um trabalho de alta costura. O cliente entra na casa e está tudo pronto, inclusive com a roupa de cama montada. Eu recolho objetos dos fornecedores e monto a decoração que idealizei. O cliente vê e decide o que quer comprar. A maioria fica com tudo. Na entrega do imóvel, fazemos uma comemoração com a família e a arquiteta responsável. Registramos o projeto com fotos e vídeos, explicando as soluções arquitetônicas, como embutir um ar condicionado ou resolver o problema de uma coluna no meio da sala. Tentamos fazer o processo ser gostoso e respeitar prazos. O cliente mais fácil é o que confia na nossa expertise.

Obra é problema, dá problema. Eu aprendi a olhar a obra do ponto de vista administrativo para evitar gargalos. Quando a obra é grande, o gerenciamento de comunicação e mão de obra é o maior desafio. Quando os fornecedores já se conhecem, eles se ajudam. O marceneiro sabe que a última demão de pintura é só depois que ele instalar os armários. Puxamos o cliente para que ele seja rápido nas decisões. Damos assistência por dois meses após a mudança para qualquer ajuste fino. Qualidade gera lucro. No início, eu aceitava fornecedor ruim indicado pelo cliente, a obra ficava ruim e o cliente me culpava. Hoje eu bato o pé por fornecedores de confiança. Design de interiores é qualidade de vida. Detalhes como a pressão do chuveiro, o caimento do piso para a água escoar, o desembbaçador de espelho, o conforto do colchão e, principalmente, a iluminação. Uma luz errada te deixa deprimido ou faz o ambiente parecer um hospital. Pensamos no home office, na distância correta do sofá para a TV. Sugerimos que o casal tenha banheiros e closets individuais para evitar conflitos por toalha molhada ou pelos de barba na pia. É um estudo de rotina.

São Paulo tem um trânsito infeliz, então chegar em casa e ter comodidade pensada por um profissional vale muito. Projetamos a estante para os livros, o armário para os ternos. Criamos ambientes afetivos para receber amigos e fazer churrasco. No corporativo, levamos esse aconchego residencial para escritórios e consultórios médicos. Fizemos uma empresa em Ouro Preto, o Banco EFI, que é estilo Google, com patinetes e área de lazer. Todas as pessoas da cidade querem trabalhar lá porque o ambiente é lindo.

O sucesso da Pormade e do nosso escritório veio da consciência de buscar conhecimento, mentorias e humildade para aprender com quem já fez. A gente nunca está pronto. Estar perto de grandes referências não tem preço pelo acesso e pela mentalidade. O conhecimento que se transforma em execução é o que valida o resultado. O dono nunca pode deixar de cuidar das pessoas. Cuide bem das pessoas que a empresa cuidará de si mesma. Uma empresa quebra por pessoas, não por produto.

A descentralização é um caminho sem volta nos negócios. Quanto mais confiança você tem na equipe, mais você pode descentralizar. Mas isso exige uma cultura formada. Mandar menos e controlar menos é a arte do futuro.

Agradeço aos nossos patrocinadores: CMC Displays, SMB Store, Agência RPLAN, WJR Consulting, Inspira Capital, Polux e Max Service Contabilidade. São empresas sérias que resolvem as dores dos empreendedores.

Marília e Daniel, pergunta final: imagina que vocês saem daqui, batem o carro e morrem (batendo na madeira!). Se Deus dissesse que a missão está cumprida, qual mensagem vocês deixariam para o mundo?

Marília: Que a gente pense no próximo. Que a gente olhe para quem está perto e quem está longe. Precisamos viver em comunidade. A melhor lição muitas vezes vem de quem você menos espera.

Daniel: Valorizar os pequenos momentos que julgamos insignificantes. O ideal é não esperar o momento ideal. Não guarde o vinho para uma ocasião especial que pode nunca chegar. A felicidade é feita de momentos e de contemplar o belo, como ver os ipês brancos floridos ou olhar para a lua. Caridade anunciada é vaidade. Ajude alguém sem precisar se valorizar. Um bom dia para o jardineiro ou para o gari gratifica mais do que qualquer lucro no banco.

Muito obrigado, foi um prazer conhecê-los melhor. Parabéns pela história e pela energia. Sucesso sempre! Compartilhem esse episódio, pessoal. Até a próxima!

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