O Segredo da Superação e a Arte de Empreender com as Cartas que a Vida te Dá: Patrícia Fonseca (EP #081)

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Eu nasci com um problema de coração. Quando eu nasci, falaram para os meus pais que eu não ia sobreviver, que eu tinha um problema de coração e que eu não passaria de um ano de idade. Aí eu passei. Depois, falaram que eu não passaria de três anos de idade, porque eu tinha o coração muito fraquinho e ele não ia se desenvolver à medida que eu crescesse. Aí eu passei. Acho que essa, talvez, foi a grande sacada da minha vida: como eu entendi que essas são as cartas que vieram na minha mão. Não tem justiça ou injustiça, não tem culpa de ninguém, não tem comparação. São as minhas cartas. Qual o melhor que eu faço com elas? E eu acho que tudo está dentro do que a gente acredita que é possível. Se você não acredita que é possível, vai ser muito difícil o seu corpo e a sua mente alcançarem esse patamar. De tudo que eu vivi na minha vida, eu não acredito no impossível. Então, eu só penso onde eu quero chegar. Isso não se dá para chegar ou não.

Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia de empreendedorismo vida real. E cara, hoje tá parecendo aqui, ó, vou até trazer para cá: olha esse coração, que coisa linda, lindo, né? Cara, a convidada que eu tô aqui na minha frente, cara, é uma história inspiradora demais. É uma história que com certeza vai trazer muito insight pra gente sobre a luta pela vida, sobre a vontade de viver, sobre as coisas que muitas vezes a gente, com problemas pequenos do nosso dia a dia, acaba colocando tudo como um grande pesadelo e a gente mal sabe quais são as lutas das outras pessoas. Essa mulher aqui é uma guerreira, uma pessoa que, cara, é impressionante. Eu não vou ficar dando tanto spoiler porque a história dela vai dizer por si só. Eu tive o prazer de tê-la comigo no palco do Itaú, junto com Ricardo Amorim e outras grandes feras, o Raul e tudo mais. E, cara, quando chegou a vez dela e ela falou da história dela, todo mundo ficou em silêncio assim, ela foi maluco o peso da mensagem que ela tem e que ela carrega. Então, tô aqui com Patrícia Fonseca. Tô muitíssimo, de verdade, obrigado por você estar aqui.

A honra é toda minha. A gente já desmarcou algumas vezes por problemas técnicos, mas tô muito feliz porque, cara, o episódio de hoje eu tenho certeza absoluta que vai cair como uma mensagem de Deus para muita gente que tá nos ouvindo. Então, muito obrigado por estar aqui, viu?

Espero poder ser esse canal. E é uma honra estar aqui porque agora eu já virei tua fã, entendeu? Já sou seguidora do Além do CNPJ, então é um prazer estar aqui também levando essa mensagem para os seus seguidores, para a galera que te acompanha. Eu acho que é uma mensagem que vai somar muito para quem cria e produz, sabe? Todos os dias na vida real, no Brasil, né? Para poder se energizar, né? Se abastecer para criar ainda mais.

Isso aí. E a Patrícia, além de tudo, é empreendedora, tem uma empresa de palestras, tem o livro dela, que inclusive, ó, quem já viu lá, tem um de presente. Muitíssimo obrigado, com muito carinho, uma dedicatória com carinho. Você acredita que depois que a gente participou lá do evento, quando nós saímos, a Raísa, minha esposa, falou assim: “Vou comprar o livro dela”, só que caiu no esquecimento. Não, como que ela não comprou? Porque agora vocês ganharam. Olha aí, Raísa, ó, eu não vou conseguir nem ler antes dela, provavelmente ela vai ler primeiro, ela vai devorar isso.

Vou te contar uma coisa que em geral acontece: quando, num casal, um lê primeiro, o outro fica até meio frustrado, fica quase como se ele lesse ao mesmo tempo. Porque a pessoa não aguenta: “E você não sabe o que aconteceu com ela, você não sabe o que aconteceu depois”, e a pessoa vai dando spoiler. “Para de contar, eu quero ler também!”. Olha aqui, ó: Coração de Atleta: Renascendo na Mesma Vida. Uma Jornada de Ousadia, Superação e Conquistas. E com prefácio do Pedro Bial. Pô, cara chique o negócio, hein? Prefácio do Pedro Bial. Foi generoso, foi generoso: “Patrícia Fonseca opera o milagre de fazer visíveis e palpáveis os fios que unem e os fazem humanos, os humanos. Até a chamada amor”. Cara, que livro lindo também, lindo, né? Não, você sabe que quando eu recebi… eh, cheiro de livro, cheirinho de livro. Eu recebi o prefácio dele, eu me senti saindo do Big Brother, né? Eu tive a honra de receber um texto escrito por ele falando sobre a jornada, falando sobre a minha história. Então, assim, sabe, foi muito legal, cara.

Eu tenho certeza absoluta, pelo pouco que a gente conversou aquele dia, o quanto deve ser transformador ler esse livro aqui. Esse foi o grande projeto da minha vida, a gente vai até falar dele aqui. Mas assim, com toda a certeza, sabe, foi assim a… acho que nada na minha vida eu me dediquei tanto. E eu já fiz muita coisa, a gente vai falar de empreendedorismo, já tentei fazer muita coisa. A saúde, a vida, me atropelou muitas vezes em muitos projetos. Mas o livro foi sabe aquela coisa que você olha e fala: “Eu dei tudo de mim”? Sim. Não tinha como escrever, não tinha como eu escrever melhor. Talvez outras pessoas poderiam escrever melhor, mas eu sei que eu dei 100%. E é raro a gente conseguir chegar a isso em alguma coisa, né? Eh, é um livro que se eu te contar: demorou 15 anos para escrever. Eu fiquei 5 anos totalmente dedicada. E o meu objetivo era esse, era colocar assim de uma forma resumida — apesar dele não parecer tão resumido, mas cara, já tô louco para ler — é todos os aprendizados que eu tive nessa jornada, que foi desafiador, e a gente vai contar aqui desses desafios.

Então, e posso falar? Além de tudo, tá, o conteúdo aqui, só de ler alguns trechos de início aqui, já deu vontade de parar, senão eu vou começar a ler. Eh, além de tudo, o livro é uma delícia de ler assim, a parte estética, a cor da folha, tudo foi pensado. Tá perfeita, cara. Aquele livro gostoso de ler, não é muito condensado o texto, cara. Não, o que todo mundo fala é isso: a hora que você começa, esse livro você engole, e quando tá chegando no final, você fica triste porque ele tá acabando. Então todo mundo me pede, as pessoas falam: “Eu tô sentindo falta da sua energia, porque quando eu lia um pouquinho todo dia, meu dia começava melhor”.

Uma pessoa com energia de alto astral total, né? Sempre assim, cara, eu tive que ser, né? Eu acho que eu não estaria aqui falando com você se eu não fosse. Sempre foi assim? Sempre foi assim, sempre foi assim. E e eu acho que tudo na vida tem um porquê, né? E eu trago isso da minha família e isso é interessante. Então assim, eu venho de uma família em que meu pai sempre foi muito alto astral. É, algumas coisas a gente só realiza, só compreende tempos depois, né? Porque a gente tá convivendo ali naquele meio e vai conectando os pontos. Aí um dia eu falei: “Cara, vem do meu pai isso”. Meu pai, imagina Felipe, ele acordava 5 horas da manhã para trabalhar todos os dias. Meu pai é empresário, né? A gente tem empresa, eu venho de uma família de empresários, empreendedores. Meu avô saiu do Norte do Brasil para vir empreender em São Paulo para criar indústria, depois perdeu tudo, ganhou, perdeu tudo de novo, sabe aquelas histórias? E depois meu pai construiu do zero uma empresa, e todos os dias eu cresci vendo meu pai acordar 5 horas da manhã arrumando os cadarços, assobiando feliz. Olha que maravilha! E ia trabalhar, e trabalhava até às 10 da noite em casa, tanto que a gente ia falar com ele e tinha que tomar cuidado, sabe? Porque ele tava fazendo as contas, porque ele tava trabalhando, senão ia fazer barulho. Todos os dias a gente trabalha na indústria, né? O setor da indústria. E então eu acho que tanto isso me trouxe tantas mensagens de alegria — que ele sempre foi uma pessoa muito alegre, minha mãe também sempre foi uma pessoa para cima — mas também do valor do trabalho, que o trabalho é algo bom, que nos faz felizes, que não é um fardo, que é o que nos traz dignidade.

Isso é um ensinamento de casa mesmo. É um ensinamento de casa e que é muito, muito valoroso. Tanto que eu converso às vezes com algumas pessoas e eu digo o seguinte: a gente… olha, eu tô falando as coisas, a gente já entrou na onda, já estamos surfando, mas eu vou começar até pelo final da vida. Eu costumo falar que eu acho estranho as pessoas quererem se aposentar. Total. Deveríamos construir uma sociedade em que queremos contribuir a vida toda. Porque se o que a gente tá fazendo, o nosso grande sonho, é parar de fazer, será que a gente devia estar fazendo? Que fardo é esse pra vida toda? Não, e e o mais interessante é que a pessoa passa a vida inteira sonhando se aposentar e, quando se aposenta, deprime. Porque quem é que quer essa vida? Gente, pelo amor de Deus, sem fazer nada. A gente não foi feito para isso, nem nosso corpo foi feito para não ter movimento, nem nossa mente foi feita para não produzir, nem nossa alma. Então, não faz sentido, não encaixa para mim essa ideia que nos é vendida de aposentadoria, sabe? Sonho de aposentadoria.

Se, por acaso, faz sentido se aposentar, é porque você tá vivendo o hoje errado. É porque se faz sentido se você espera o momento de parar de fazer o que você tá fazendo, cara, a vida é uma só, bicho, por que você então tá fazendo isso? “Ah, mas eu preciso etc”. Mas será que precisa? Não precisa. Eu até entendo se a pessoa falar “ah, eu tô fazendo isso para conseguir pro meu plano B”, mas ela… mas quando ela tiver no plano B ela não quer se aposentar, ela vai querer fazer. Você já viu um professor querer parar de dar aula em faculdade? Aquilo é é o que alimenta ele. Você vê um médico que gosta do que faz — tô falando quem faz por vaidade… o médico ama o que faz. Infelizmente, tem algumas profissões que entram por vaidade. O médico que gosta do que faz, cara, ele só para de operar quando a mão dele não dá conta. Exato. E, muitas vezes, ele nessa hora começa a se dedicar à residência de outros. É.

Então eu acho que é isso, a gente precisa construir uma vida que nos faça pulsar a ponto da gente querer cravar o pé nesse planeta Terra e falar: “Não quero sair daqui”, entendeu? E essa, a vida que nos faz acordar felizes e pulsantes todos os dias. Então a gente tem que buscar isso.

Essa Patrícia, como você falou, você sempre foi assim, você trouxe de casa. Mas como que… vamos vamos… só vou te fazer uma pergunta para a gente já entrar na sua história. Como que foi nos momentos mais difíceis da sua vida para manter essa, essa chama aí? Sim. Eu acho que, assim, eh, tiveram muitos momentos desafiadores. Então, assim, vou fazer um resuminho rápido para o pessoal entender. Então assim, eu nasci com um problema de coração. Quando eu nasci, falaram pros meus pais que eu não ia sobreviver, né? Que eu tinha um problema de coração e que eu não passaria de um ano de idade. Aí eu passei. Aí falaram que eu não passaria de 3 anos de idade, porque eu era… o coração era muito fraquinho, não ia desenvolver à medida que eu crescesse. Aí eu passei. Mas assim, eu cresci sendo desenganada na prática, né? Então foi mais ou menos assim, ir correndo para a UTI, operar de urgência e vários vários casos nesse…

Seus pais também sofrendo muito com isso, porque querendo ou não eles recebiam essas notícias e abalava todo o emocional deles, por mais que não quisessem acreditar, né? Sim. Mas o que eu acho muito interessante foi justamente isso, em primeiro lugar: o papel dos meus pais e como conseguiram me blindar disso. Você não vai achar que é difícil algo que o seu entorno não acha difícil. A gente fala tanto de ambiência hoje em dia, a ambiência começa em casa, né? Então, assim, é… não se usava a palavra “doença” em casa. Era “probleminha de coração”. Olha que legal. Eu tinha um probleminha de coração. Então, às vezes, a gente ia no médico, né? Fazia Raio-X, fazia eletro, fazia um monte de coisa. Mas não era toda criança que fazia isso. Não era. Claro que eu fui entender que não era, porque nunca foi tido como um peso, era uma rotina normal de uma criança. É, eu às vezes costumo falar, até no livro eu brinco com isso, que eu não entendia, parecia que eu tinha problema de boca e meu irmão não tinha. Porque minha mãe falava… a insuficiência cardíaca, quando você está com problema de coração, você tem às vezes os dedos mais roxinhos, a boca mais roxinha, porque o sangue não tá chegando nas extremidades. É isso, é por isso que você fica com lábio cianótico, que é o lábio roxinho. Minha mãe falava: “Patrícia, para de pular, a boca tá roxa! Patrícia, sai da piscina, a boca tá roxa!”. Eu falava: “Cara, meu irmão nunca tem problema de boca, ele nunca precisa parar de brincar”, sabe? Então, eh… Nossa, que legal a cultura que seu pai e sua mãe trouxeram para dentro de casa, de não criar esse trauma em você. Desde criança eu fui tratada igual ao meu irmão, né? Tanto, se a gente fosse entrar em assuntos de de homem e mulher, sempre fui cobrada igual. Mas assim, em termos também da questão cardíaca, da da… É uma coisa que normalmente os pais fazem, né? Vai vamos vamos superproteger a fragilidade. Como você tinha essa insuficiência, todo mundo te superprotegia. Eu era cobrada igual, eu levava castigos piores em geral, entendeu? Então, assim, as regras valiam pros dois. Então, não me via diferente porque eu não era tratada diferente. E eu acho que, assim, e uma das coisas que mais me marcaram — e isso já fala pro pessoal, pega um lápis, uma, assim, uma caneta, um papel e anota, que isso é pra vida — é uma frase que me marcou muito do meu pai. Meu pai gosta de jogo de baralho, jogo de pôquer e tal. É mesmo? Ele adora. É, não, ele adora. Então, eu ainda, eu era bem pequena, um dia ele passou no meu quarto e ele falou: “Patrícia, presta atenção no que eu vou te falar. A vida é como um jogo de cartas, a gente não escolhe as cartas que vêm na nossa mão. E o vencedor não é quem ganha o jogo, mas aquele que faz o melhor que pode com as cartas que tem.” Caraca, eu entendi o que ele falou. Forte! E eu acho que essa talvez foi a grande sacada da minha vida: como eu entendi que essas são as cartas que vieram na minha mão. Não tem justiça, injustiça, não tem a culpa de ninguém, não tem comparação. São as minhas cartas. Qual o melhor que eu faço com elas? Caraca, teu pai não sabe… foi, essa foi a minha vida, eu jogando com as cartas que eu tinha, e eu acho que eu tô fazendo um bom jogo, né? Total, tá fazendo um bom jogo.

E como que foi esse processo, a Patricinha, né, que é as referências e familiares que você tá contando, e onde você nasceu, eh, você tem… você tem um irmão? Só só um irmão. Como que foi essa criação, e vamos vamos nos aprofundar nessa história. Então, você nasceu uma criança desenganada a viver. Sim, sim. E como que foi? Foi logo que nasceu os médicos já descobriram, contaram pros seus pais? Eles, como eles reagiram? Conta um pouco da visão de pai e mãe. Como é que eles descobriram, né? Então, quando eu nasci, eh, eles já viram que eu tinha problema de coração. E logo que eu nasci, naquela época talvez pré-natal não pegava essas coisas, né? Hoje em dia tá muito mais… hoje em dia eles operam feto, operam o coraçãozinho de feto, tipo, tá na barriga da mãe, assim, nossa, é uma uma medicina maravilhosa que tá sendo executada hoje. Então, assim, com 20 dias de idade, eu já estava internada na UTI cardiológica. Meu Deus do céu. Isso porque meus pais acharam que eu tava muito roxa, saíram correndo, a minha mãe de camisola, saiu correndo pro hospital. Então não sabiam com 20 dias, eles não tinham entendido exatamente o que era, entendeu? Caramba. Minha avó conta que quando ela chegou no pronto, e só que olha o que é interessante, muitas dessas histórias eu só fiquei sabendo há alguns anos, enquanto eu escrevia o livro, eu ia conversando com as pessoas e algumas coisas iam iam sendo soltas, que eu não sabia. Eu não sabia que, quando eu nasci, a minha avó viu os médicos fazendo massagem cardíaca três vezes num bebezinho para reanimar. Meu Deus! Então, você… eu tô te falando que eu quase fui embora muitas vezes, muito, muito real, entendeu? Antes de… praticamente chegando e indo embora. Cheguei indo embora, e tipo: “Não vou, não vou embora, vim para ficar”. Caraca, na hora que nasceu já fez, já passou… E a pergunta é: e se o médico não tivesse tentado a terceira? Caraca, bicho. Entende? Um bebezinho… você… você é improvável. É, se parar para analisar, porque assim, tipo, foi uma sucessão de coisas que foram feitas para que você não fosse embora. Sim, tipo, a terceira tentativa… tudo. Sim, sim. Não, a história ela tem, eu tenho erro de diagnóstico, erro de erro médico, entendeu? E, apesar de tudo, estou aqui. Então, também assim, eu acredito muito que quando a gente quer, sabe, muita vontade de viver é enorme, cara. Foi moldando o universo. Foi, foi. Eu também acredito muito nisso. As coisas vão chegando, as pessoas certas, vai chegando gente que te salva, entendeu? Vai chegando o exército. Então, eu acho que a fé e o nosso pensamento têm um poder assim, e que ainda é desconhecido. Também acho. Sabe? Porque eu visualizei possibilidades muito improváveis, que nem as pessoas que tinham expertise na época falariam: “É possível”, e eu falei: “Cara, mas eu quero”. A tua, a tua, a tua vontade moldou o universo para acontecer. Sim, e acontece isso mesmo, cara. Então, por exemplo, quando eu tava na faculdade, eu eu me formei em Economia, eu tava na no começo da faculdade, na metade da faculdade, o médico falou: “Você não vai aguentar estudar e trabalhar. Escolhe”. Eu tava num estágio, amava meu estágio. Aí eu falei: “Pô, tá bom, então vou estudar, né? Para terminar de estudar”. Aí depois fiquei muito ruim, ruim no nível de ir correndo também para a UTI, achar, sabe, vários auês, quem quiser detalhes sobre os auês pode ler o livro, é bem é bem aventureira a história. E aí o médico falou assim: “Menina, tu tá no fio da navalha. Não te dou nem seis meses de vida”. Nossa, mas falou assim na minha cara. Que filho da mãe. Eu tinha 18 anos. Então, assim, me deram claro que eu não ia sobreviver quando eu nasci, com 14 anos me deram uma semana de vida, eu tive que fazer uma sem… uma cirurgia de urgência. Depois que você nasceu e conseguiu passar dessa fase difícil, a segunda maior crise, já grande, com 14 anos, foi… 14 anos, foi. Aí operei de urgência. Com um ano, já não tava mais boa a operação, queriam fazer de novo, então foi foi esse processo todo. Foi com 20 anos, falaram que eu tinha seis meses de vida. Aí foi interessante, né, que quando passou seis meses, eu passei a contar minha vida a cada seis meses. Então eu já vivi mais 36 meses, que legal, entendeu? De quando falaram que eu não tinha nem seis meses. Caramba. Então eu fui eh mudando a minha visão, entendeu? Eu acho que isso te marca muito, porque a possibilidade da partida e a possibilidade da morte eram tão prementes, elas eram tão presentes, que eu passei a enxergar o valor diferente da maioria das pessoas. Eu passei a enxergar muito valor no meu tempo, então, assim: “O que que eu tô fazendo aqui?”, sabe? E “o que que eu posso deixar aqui?”, “o que que eu posso contribuir?”, “o que que eu quero viver aqui?”. Eu não quero viver pros outros, eu não quero agradar, sabe? Então, assim, eu eu quero isso, se eu quero isso eu vou lutar por isso. Se não, não vou perder meu tempo com isso. Nem com pessoas, eu passei a ser muito seletiva, “não tem os meus valores, não não não, não pensa parecido, não quero junto de mim porque não vai agregar”, sabe? E tudo bem. Exato, é isso aí, maturidade total. Então eu acho que, assim, eu passei a selecionar muito cedo porque eu queria que tudo tivesse muito significado e sabe… Nossa, que lindo. Que valesse, é isso. Vale esse o tempo que eu tô aqui, você tem hoje, hoje eu tenho… mas só que o tempo precisa, né? Eu tenho 39. Que legal, olha, é isso. E e depois dos 14 você passou por outra aos 20. Depois teve outro grande… Aí com 26 anos eu tava ruim de novo. E o interessante é que apesar de existir o transplante, eu era negada pro transplante, porque eu tava tão mal que eu não era elegível para um transplante. Então, assim, para quem, para quem eles vão dar um novo órgão? Para quem eles acreditam que vão, que vai sobreviver à cirurgia, vai usar bem esse órgão. Não, e que vai sobreviver à cirurgia, eles não acreditavam que eu sobreviveria à cirurgia do transplante. Então durante 10 anos eu fui negada para a fila de espera do coração, porque o meu pulmão tinha uma hipertensão pulmonar, porque meu coração nasceu fraquinho, e o nosso corpo é tão mágico, sabe, assim, é tudo é assim, é muito incrível como nós funcionamos. Porque o coração nasceu fraquinho, então o pulmão se adaptou e aprendeu a mandar o sangue assim, não arregaçado pro coração, só dar um toquinho, então a pressão que tinha no meu pulmão pro coração… um novo coração não tava acostumado, não aguentaria, né? E o interessantíssimo… e aqui assim, já vou dar spoiler, né? O pessoal já vai saber do transplante. Uma semana pós-transplante, o coração não, o o pulmão não tinha hipertensão pulmonar. Olha a sinfonia, a orquestra que é o nosso corpo. Chega a peça, chega peça nova. “Opa, pode parar de acelerar aí”.

É, os médicos diziam que não ia aguentar e, na verdade, se o seu corpo se equilibrou… eu usei 10 anos eh diurético, porque eu eu não, os meus rins já não funcionavam. Chegou um novo coração, meu rim voltou a funcionar. Meu Deus do céu, cara, mas isso a medicina já sabia que o corpo tinha essa capacidade? Eles devem saber, mas mas não pode contar com isso. Talvez não pode contar, hã? Mas a minha recuperação, ela realmente foi foi uma referência, foi recorde, ela ela traçou novos… a tua vontade de viver é tão enorme. É, e eu acho que tudo tá dentro do que a gente acredita que é possível. Se você não acredita que é possível, vai ser muito difícil seu corpo e sua mente alcançarem esse patamar. Concordo 100%. De tudo que eu vivi na minha vida, eu não acredito no impossível. Então, eu só, eu só penso onde eu quero chegar. Isso não se dá para chegar ou não. Isso. Então, eu, tanto que eu acredito também tanto no poder da palavra, que eu colocava papeizinhos, né, na na UTI — eu faço isso para muita coisa, para as coisas do trabalho também — e um deles era “recuperação recorde”, porque eu falava: “Para que eu vou pedir uma recuperação boa se eu posso pedir uma recorde?”. Então tudo isso acabou se realizando. E é isso, cara, é real, você molda as coisas. Eu acho legal aquelas pesquisas que mostram assim, por exemplo, “Ai, até a década X, o ser humano só conseguia correr uma maratona acima de 2 horas”, tentavam, tentavam, não ia, até que uma pessoa vai lá e consegue. Aí, no mês seguinte, na semana seguinte, no mês não, é isso, é uma quebra de paradigma. Então isso é muito real, sabe, na nossa vida, e e a gente tem que lembrar disso. E você foi essa pessoa! Levou menos a sério o que os outros falavam pra gente, exato. E como que foi pra essa, minha, minha dúvida principal, né, cara? Esses momentos difíceis da sua vida… você vai, passou por uma recém-nascida, outra com 14, com 14 você já tinha consciência, mas assim, como que foi para uma pessoa com tanta vontade de viver, o vale mesmo, sabe? O dia que você não acreditou, todo dia, ou teve dias que você falou: “Não sei, sabe?”, tá entendendo? Eu tô querendo puxar os dias ruins dessa… Sim, eu acho que assim, eh, às vezes as pessoas me perguntam: “Você nunca achou que ia morrer?”. Eu nunca achei. Caramba, todo mundo achava. Às vezes eu me perguntava: “Será que eu tô ficando louca? Total. Porque eu não acho que eu vou morrer, mas parece que todo o universo tá tão pronto para isso que parece que eu é que sou… Sinais todo ao meu redor falando: “Vai morrer”, tipo isso isso. Eu falei: “Será que eu tô louca?”. Mas assim, se for para acreditar, com 14 já já era isso. Com 14 eu acho que não era tão consciente ainda, era protegida pela minha família. Fui, sim, eu acho que foi mais consciente a partir desse momento, 18 anos, 20 anos, e eu fui me moldando. Cara, jogou na tua cara com 14 anos, tanto que quando o médico virou, falou pra minha mãe no hospital, é assim: “Ah, ela vai ter que operar assim, eu cheguei num num dia no hospital à noite”, eles falaram assim: “Ela vai operar de urgência amanhã 7 horas da manhã, senão não vai, não vai sobreviver”, minha mãe desmaiou, eu nunca soube que minha mãe tinha desmaiado. Entende a força? Eles estavam ali me sustentando, então eu também costumo sempre falar para as pessoas: não existe vitória individual, não existe. Eles seguraram uma barra enorme, é sempre de muitas pessoas, é sempre de mais pessoas, entendeu? Então, assim, as primeiras pessoas que fizeram a minha vitória foram a minha família, né? Desde tudo, até meu irmão, quando eu passei eu tive que comer sem sal, né? Então assim, 100%, cara, tu já comeu 100% sem sal? Sem feijão, 100% sem sal, durante 10 anos da minha vida eu tinha que comer assim, era até difícil sair para comer, sim. Tudo tem sal, tudo tem sal. E eu tinha restrição hídrica também. Então, só podia tomar um… isso aqui é um luxo, isso aqui é uma alegria de viver para mim. Tipo, um luxo para mim é chegar no bebedouro e poder beber o quanto eu quero, porque eu podia tomar 1 litro de líquido por dia, contando as refeições. Eu passava sede. Sabe, às vezes eu ia no banheiro, eu fechava a água e cuspia, só para sentir assim a água, sabe? Nossa, mas por que? Por causa que… Porque quanto mais líquido tiver no seu corpo, mais o sangue… o coração vai ter que bombear. Se tiver menos líquido, ele trabalha menos. Então tudo foi pensado, foi tudo moldado para você trabalhar em baixa, o ritmo… Aham, exatamente. Para segurar o coração e poupar o coração para ele durar o máximo que ele pudesse, até que a medicina trouxesse alguma saída. E eu acho que aí também tá um pouco a resposta do que você tá perguntando. Apesar que tem tantas respostas, dá para derivar tanto. A minha família sempre também teve essa cabeça de acreditar no que ainda não existe, chama isso de fé. Total, pode chamar. A medicina vai caminhar e vai salvar ela. É, vai vir uma resposta. Vai. Tanto que as pessoas quando vêm, vêm muita gente falar comigo, ajudo muita gente e tem a ONG também, a gente vai falar dela depois, Sou Doador. Mas mesmo pessoas que não são da, da, dessa questão de estar na fila de espera, pessoas estão passando por um câncer, por outras coisas, eu falo muito isso para elas. Eu falo assim: “Se você não quiser acreditar em Deus, acredita pelo menos na medicina. Porque eles estão estudando todos os dias para encontrar respostas e saídas”. Pesquisadores, cientistas, médicos, enfermeiros, a classe inteira mobilizada para isso, exato. E vai vir uma resposta. Até um dia antes de tentarem o transplante, não tinha o transplante. Até um dia antes de tentarem a penicilina, não tinha penicilina, até, entendeu? Então, assim, as coisas vão sendo, acontecendo. Talvez amanhã a gente vai acordar com as notícias de “descobriram a cura total do câncer”, total. A gente só precisa chegar até lá. E eu acho que essa também foi sempre na minha cabeça, e que eu falo que é, a fé é como caminhar na neblina. Quando você tá caminhando na neblina, e você tá indo para algum lugar, às vezes você não sabe se falta um passo, 100 passos, 1 km, 10 km, e fé para mim é continuar caminhando, acreditando que só falta um passo, mesmo sem você estar vendo. Total. Eu acho que essa também foi minha cabeça nos nos momentos desafiadores.

Mas então, assim, nos momentos difíceis, nos momentos de vale, eu acho que assim, um dos principais foi o da faculdade. Porque eu amava minha faculdade, eu amava o meu estágio, eu tinha minha vida, eu via todos os meus amigos indo no show da Ivete, entendeu? Na micareta, eu queria estar vivendo tudo aquilo. Então, assim, primeira coisa me vem a frase do meu pai: “Quais são as minhas cartas?”. Essas são as minhas cartas. Não queria ter essas cartas, mas essas são as cartas que eu tenho. O que que eu vou fazer com elas? Então, assim, o que eu pensei naquela época foi — aí esse é um outro pensamento que eu tenho também que vale pra tudo — tem um lado bom. Tudo tem um lado bom. Aí você vai falar: “Tu é louca. Tu realmente é louca. Tu sobreviveu porque você é louca. Como é que você vai ver o lado bom de tudo isso?”. Então, o que que eu enxerguei quando, quando eu tive que parar a faculdade, ficar mais de um ano de cama em casa tentando recuperar, sabe? Eh, eu falei: “Qual é o lado bom disso que tá acontecendo?”. E aí o que que eu parei para pensar: “Gente, tanta gente às vezes quer tirar um ano sabático, sabe? Para parar a vida, pensar na vida. Olha que oportunidade!”. Eu falei: “Qual é a única chance que eu tenho de isso ser algo bom na minha vida? Se eu ler muito, se eu pegar esse período e ler muito, quando eu sair desse período eu vou estar melhor”. A sua fé era tão enorme que você, você já tava falando de futuro. Enquanto as pessoas falando assim: “Nossa, será que ela vai passar dessa?”, você tava falando: “Quando eu sair dessa…”. O quê? Cara, eu vou voltar melhor, entendeu? Como eu vou usar isso ao meu favor? É isso que segurou. E eu li muito, eu lia livro de autoajuda, de filosofia, de tudo que você imaginar. E realmente isso fez um diferencial na minha vida, porque quando eu voltei eu tinha uma outra visão de mim, de mundo. Eu tive, eu falo que foi um semestre sabático, né? É, o semestre depois virou um outro semestre de novo, porque em tese meu médico tinha falado seis meses, mas virou um ano de cama. Eh, então realmente voltei com outra cabeça. Voltei tão madura e com uma cabeça tão boa que uma professora me notou e me chamou para fazer uma pesquisa científica com ela, e eu virei pesquisadora ainda fazendo faculdade. Então, a gente publicava pesquisas científicas no mundo todo, de economia comportamental, que a gente pode derivar e falar disso. Mas assim, eu não tinha nem formado, eu tava fazendo pós e não tinha nem formado. Aí, como eu cheguei na pós, eu falei: “Eu só quero o conhecimento, não precisa me dar certificado. Eu quero fazer aula porque eu tô fazendo pesquisa. Eu quero esse conhecimento, eu quero aprender isso”. Aí eles: “Cara, assim, você não quer o certificado?”. Eu falei: “Não, eu quero poder entrar na sala. Eu pago, eu tô pagando o curso, eu quero entrar na sala”. Caraca. E ele: “Tá bom”. E no final me deram o certificado. Então, meu certificado de pós é antes da minha conclusão de curso de faculdade. Mano, que sensacional. Cara, acho que eles lembraram depois disso, nem lembraram, deram igual. Eu falei: “Ai, tá bom. Eu fiz mesmo, entendeu? Passei mesmo”. Então, se a gente não se deprime, porque olha, oportunidades para deprimir todo mundo tem, todos os dias, entendeu? Não era tipo: “Ai, olha a história da Patrícia”, não, a tua, de todo mundo. Porque isso também foi uma coisa que eu aprendi na minha vida: a gente nunca sabe a cruz que o outro tá carregando. Porque, apesar de tudo isso que eu tô te contando agora, eu te conto agora assim, se eu tivesse passando, você não ia saber. É, porque a minha cabeça estava erguida. As poucas pessoas sabiam… é porque, enfim, estudava comigo, viu que eu sumi, perguntaram: “O que a a Patrícia… a Patrícia tá com problema de coração, a Patrícia tá em… tá internada, a Patrícia…”. A pessoa soube por alguma questão assim muito direta, eu falar isso se a pessoa perguntasse: “Ai Patrícia, como você tá?”. Falava: “Não, tô bem. Tô bem. Tô tranquilo”, porque eu aprendi na minha vida que reclamar piora. Total. Eu nunca vi reclamar solucionar problema. Não sei porque que as pessoas reclamam tanto. É, é real. Isso é uma falta de reflexão, mas é mais do que isso. Reclamar piora, porque quando você bota… se a gente acreditar no poder da palavra, da palavra positiva, que nos abre caminho, que abre portas, que constrói, que atrai, a palavra que não, não é positiva ela nos afunda, a gente fica com aquela energia. Então, se eu ficar… Até a energia que você, você ficar falando pra você: “Ah, não, sabe o que acontece? É porque eu não tô bem de saúde, eu tô aqui em casa, sabe? E sei lá, tá difícil”. Cara, falei que tá difícil, já ficou. Você viu que pesou? Só de você representar isso já pesou, entendeu? Então, eu não podia reconhecer nem para mim. Para eu sobreviver, eu não podia reconhecer “Ah, a dificuldade”. Para mim, de de analisar a realidade como realidade, você tinha que criar uma nova realidade. É. Sim, então eu tentei lutar com todas as forças e ferramentas que eu tinha para construir o melhor que eu podia com as cartas que eu tinha. Tava ruim? Tava. Não tô fantasiando: “Ai, tudo que eu queria era isso”. Qual o lado bom? Tem um lado bom. Então acho que esses olhares foram o que me ajudaram a construir. Claro que eu chorava, né? Sim, você tinha seus momentos de deprimida e tal. Mas era… Mas eu chorava, chorava sim, era um momento, 5 minutos, 10 minutos, entendeu? Respirava fundo, bora. Bora fazer alguma coisa. Pega um livro, entendeu? Vamos fazer alguma coisa. Cara, e fazendo um paralelo da sua vida, não, não fazendo um paralelo comparativo, tá? De jeito nenhum, mas um paralelo com a vida empreendedora: é muito isso. Você parar para analisar, eh, empresários que estão em crises muito grandes, quando você vai conversar com o cara você consegue saber se o cara vai sair dessa ou não nos primeiros 3 minutos de conversa. Se ele já se entregou, se ele tá derrotado, cara, acabou. É muito louco como a gente consegue sair do nada e transformar toda toda toda a parte improvável em realidade só pelo fato de acreditar. Que é o que você falou: você era improvável perante as probabilidades do mundo, né? A chance de você morrer, porque você tinha um problema que nem elegível para transplante tinha, era grande perante as probabilidades da vida. Mas cara, da vida e da realidade atual, né, que as pessoas tinham. Você não acreditou nisso, você simplesmente não acreditou e e cara, não só manteve a energia necessária, a aceleração necessária para sair dessa, quanto mudou a realidade. Eu vejo empresários que estão em crises, endividados e tudo mais, é só olhar pro cara você consegue saber se ele vai sair dessa ou não. E não quer dizer que se você tá derrotado, reclamando e coisas do tipo tipo, você não possa mudar também. Sim. Quantas vezes, e eu te falo isso com com muita humildade mesmo… quanta… eu sou um cara muito positivo, sempre vejo o lado bom das coisas, mas quantas vezes eu, em momentos muito difíceis da minha vida empreendedora, passei assim 2, 3 meses deprimido. Não entrei em depressão porque eu tava trabalhando e tudo mais e tal, eu acho que eu não cheguei a, mas eu tava deprimido. Eu tava acordando sem vontade de acordar e indo dormir com vontade de permanecer. Quem nunca? Ninguém. É, e fiquei um período ruim, reclamando, olhando só o lado negativo das coisas e parecia que aquilo ia somando, parecia empilhando o problema em cima de mim. Teve horas que eu olhei e falei: “Meu, não consigo mais. Tá impossível.” E teve uma hora que eu olhei e falei assim: “Se eu seguir dessa, se eu continuar nessa, eu vou acabar com a minha vida, eu vou entrar no fundo do poço, eu vou entrar em depressão, e aí cara, eu não vejo luz no fim do túnel. Mas a certeza é que se eu ficar aqui eu vou morrer aqui, então eu preciso continuar. E se eu morrer no meio do caminho, pelo menos eu morri mais perto do final.” Eu, eu falo pras pessoas o seguinte: o fundo do poço não tem fundo, o poço não tem fundo. Eu vou falar uma coisa meio polêmica, tá? É uma, é uma coisa, uma visão minha. As pessoas falam muito hoje em dia assim: “Ai, se permita viver a tristeza, se permita se dar esse momento”. Não se permita. Entendeu? Se permita receber a mensagem que a tristeza tá te trazendo. É isso. Se permita ouvir a mensagem, o aprendizado. Deixa lá na porta. Não oferece água, não oferece café, senão ela entra e se instala. Senão ela entra e se instala. A tristeza, se tu deixar, o fundo do poço não tem fundo. É isso. Não tem. Entendeu? E aí vai, vai para baixo. Então assim, você você não pode chegar na beira do poço, você vai se afundando num num túnel infinito, fica mais difícil de sair. É, então, assim, é, é, é, é bem isso, sabe? É… Você já tava num buraco caindo. “Ah, a de repente eu falei assim: segura, segura, mais baixo não, porque senão é isso, você vai se afundando.” Quando eu falo, por exemplo, eu não poderia falar que eu eu cheguei no fundo do poço porque eu não entrei em depressão e coisa do tipo. Tinha muito mais fundo. E, como você falou, às vezes é até um suicídio, te digo, por muito menos. Há dois dias eu fiquei sabendo de um, de um amigo, de um conhecido que morreu. Eu falei: “Como assim, morreu? Morreu do quê? Morreu do quê, gente? Que isso, a pessoa… o pessoal correu comigo na Olimpíada, saudável.” Caramba. Cara saudável, transplantado, saudável e tal. Falei: “Que isso?”. Aí eu fui dar uma entendida, né? O que que tinha acontecido? Cara, isso. Entrou numa depressão, e a depressão às vezes te leva para um caminho… então assim, o que eu te falei, o fundo, você vê, o fundo do poço não tem fundo. O poço não tem fundo. Então essas pessoas que estão realmente num estágio muito avançado têm que procurar ajuda, têm que procurar medicamento que não tem estereótipo. Se precisar tomar, tem que tomar. Tanto que minha mãe falava muito isso, eu acho que a, a, eu tive a felicidade de ter grandes pais, entendeu? Então teve… eu tinha preconceito com remédio de dormir. E minha mãe às vezes virava para mim e falava assim: “Patrícia, tem que tomar. Tem que tomar, você precisa dormir.” Exato. Entendeu? Depois um dia você tira. Então, teve períodos da minha vida que eu tomei. Por quê? Porque tava difícil. E teve períodos que eu não vou mentir para você, Fê, teve períodos que o momento mais feliz do meu dia era o momento que eu esperava para tomar o medicamento para dormir, porque tava muito difícil a época da, a época da fila de espera, né? A época que eu tava esperando o coração. Porque você pensa só o seguinte: quem que vai entrar numa fila de transplante que tá muito ruim, né? Quem tá para morrer. Então assim, tá muito ruim, senão as pessoas não têm… Então, você ainda tem tratamento, você ainda tem cirurgia, você ainda tem medicamento… tentou tudo, transplante. Ah, que vai pro transplante. Então quem tá na fila do transplante tá porque que precisa e precisa urgente — porque depois a gente vai falar disso. Mas assim… então assim, tava muito mal, mal no sentido que eu não conseguia falar. Caramba. Mal no sentido que, esse esse foi o momento mais difícil de todos, em que eu tinha 29 anos já e os pensamentos ficavam na minha cabeça porque eu não tinha forças para falar. Eu tinha uma piada para te fazer, eu estava ouvindo aqui tudo que todo mundo tava falando e eu queria falar também, [mas] não tinha força, tava tão cansada. E eu sabia que me cobrar um preço muito alto eu falar, sabe? Se… então, deixa. Comecei a deixar de falar. Então, assim, esse momento era, foi muito triste. E…

[Música]

Eh… acho que tá tocando meu alarme. Sério? Sei lá. Quer que eu pego lá? Não, desculpa. Quer que eu pego? Pego. Pega. Não, só para desligar, senão fica esse barulho aqui na gravação. Ai, desisto… não, começou a musiquinha no fundo, assim ó. Nossa, começou, gente. Eu deixei… Não tem problema. É alarme de de remédio mesmo. A gente bota no… isso aqui é vida real. Quer tomar um remédio já? Aproveita. Eu tomei antes, acredita? Tomei antes. Obrigada. E e e vou te falar uma coisa que vem de… Se você não for cortar essa parte… Não vou cortar de jeito nenhum. Só que é vida real. Meu, melhor parte. Eu… isso é uma coisa que também você mostra assim, como um, um pensamento que você tem vai se moldar para tudo na sua vida. Então, assim, eu penso que tudo tem um lado bom. Eu penso que tudo tem uma saída, uma resposta. Vou entrar nessa história da resposta depois, já, já. Então assim, as pessoas falam assim: “Ai, porque quem quer achar problema vai achar em tudo. Quem acha a solução, vai achar sempre”. “Ai, mas você tem que tomar remédio pro resto da vida porque eu sou transplantada de coração. Fiz um transplante… tipo assim: nossa, tem que tomar remédio para o resto da vida”. Eu falo assim: “Graças a Deus!”. Exato. Graças a Deus que tem medicamento, que tem farmacêutico, que tem pesquisador, eu tô viva por causa disso. Eu sou triatleta, eu trabalho, eu produzo, eu vivo minha vida pessoal, tenho uma vida maravilhosa, graças a esse medicamento. É isso aí. Então assim, não tô entendendo onde tá o problema. É… as pessoas que olham sempre o lado ruim… É. E que, sinceramente, devem enxergar a própria vida desse jeito, então só tem essa lente. Só tem essa lente. Eu não acho… eu eu fico triste por elas, porque uma pessoa que que consegue fazer um comentário desse não me abala nada… tantos outros que fazem… Você tá blindada. É, mas é que assim, eu fico triste pela pessoa, porque é o que você falou: “Nossa, como ela vê a própria vida? Nossa, deve ser um fardo, né? Ganha um momento… ‘ai, mas só isso?’. Isso é só chegar de uma viagem… ‘Nossa, mas aqui para São Paulo’, sabe? Tipo tudo”. A pessoa que tem a mania de reclamar sobre tudo e todos. É. Então, assim, essa vida não prospera, entendeu? E voltando ao que eu ia falar. Então, assim, eu acredito que tudo tem um lado bom. E eu acredito que tudo tem uma resposta, todo problema tem uma resposta. Eu acho que isso conversa muito com a vida do empreendedor. O empreendedor que acreditar nisso vai prosperar, porque ele não vai desistir, só tem que achar. Ela só tem que… ela já existe, em algum plano, em alguma frequência, em algum lugar tem essa resposta. Pelo pouco que a gente já conversou, a gente acredita… é muito parecido sobre o universo, a vida, o Deus e tudo mais, e é real isso, é muito real. Aí a gente… resposta para tudo. E aí, quando a gente acredita que existe, porque existe, é só a gente, que é ignorante e não sabe ainda, acessar. Então, a minha vida foi muito pautada por isso, muito pautada. Então, a sua vida é a prova disso. Sim, mesmo numa questão mais macro: “Nossa, ainda não tem a solução pro meu coração”. Mas essa resposta existe. Ela vai chegar. Então, temporalmente também pode ser elástico, né? Talvez ainda vai chegar… E e e na realidade cientificamente é elástico. É elástico. Ou também, realmente, aqui, nesse momento. Então, o que eu amo na vida, quando vem um problema, eu falo: “Tem uma solução, tem uma saída”. E deixo de uma coisa bem bestinha, sabe? Tipo, anteontem a gente pediu um japonês, não mandaram hashi, sabe? Aí, todo mundo — isso é uma coisa do ser humano — se adaptou, pensou: “Ah, tá, vamos comer de garfo”. “Não, cara, com japonês, cara, comer de hashi. Não, não tem hashi, não vai ter hashi. Vamos fazer um hashi”. Aí eu comecei a pensar, olhar a casa, olhar o ambiente. Eu falei: “Um elástico!”. Aí eu peguei um elástico, peguei duas facas, passei na ponta… nem é tão inteligente, vai. Mas é por quê? Porque eu procurei uma solução. Quem nem procurou, não vai achar. Tava todo mundo de garfinho lá comendo com h… E tudo na vida é isso, entendeu? Se você olhar pro lado e falar: “Tem, tem um jeito. Aqui nessa casa tem, aqui tem uma resposta e eu vou encontrar”. Tem mesmo. Às vezes não é a melhor ferramenta para aquele momento, mas desenrola. Comi tudo, comi tudo com meu hashi de faca e elástico. E mesmo, por exemplo, na UTI. Às vezes, eu tava na UTI internada já, porque a espera do coração, chegou uma hora que eu não aguentei mais em casa, tive que esperar na UTI, no hospital. Quanto tempo você ficou na fila? Cinco meses ao todo, porque eu demorei para entrar. Então quando eu entrei, eu já tava muito mal e eu entrei com prioridade, pelo meu estado. Então também tem um critério de urgência na fila e eles não… como eu tava, era um estado grave… É uma coisa interessante: quem já ficou internado em hospital, não sei se já ficou ou não, em geral, a cama tem aqueles botõezinhos que você mexe, mexe, mexe o encosto, mexe o pé. Isso no quarto. Na UTI, os botões ficam fora, para você não mexer. Para só a enfermagem poder mexer. Então, você não tem direito nem aos seus movimentos, escolher como você fica. Só que eu era uma pessoa muito consciente, uma paciente de longo prazo na UTI, muito consciente. Ao meu redor eram todos os, vamos falar dessa forma, desculpa, os velhinhos do universo, que estavam morrendo já, entendeu? Toda hora morrendo, toda hora eu escutava um pi… entendeu? E era desse nível. Eu falei: “Cara, eu eu… O mínimo que eu quero são os meus movimentos. Tem uma saída.” Eu fiquei uns dias pensando isso. Tem uma saída, tem uma resposta, tem uma saída, onde tá a saída? Até uma hora que fez pim. Eu falei: “Se eu conseguir enfiar a minha mão pela cama e o celular e tirar uma foto dos botões…”. Você consegue saber e voltar. Eu ponho minha mão, eu tateio e eu aprendo, mesmo sem enxergar. E eu fiz isso. E aí, ninguém, ninguém sabia, mas eu tava, eu lá, mexendo, movimentando. Peguei meus movimentos de volta. Então é isso. O empreendedor que nem você falou que olha isso: uma vitória enorme, gigantesca. É o que você falou: às vezes você não tinha força de falar. Falar exigia um alto custo para você. Não, e e e a e a, eu sempre quis ser independente, né? E a dependência ela é muito… E aí a gente desdobra de novo para pessoas, né? Como pessoas são a coisa mais rica que nós temos na vida. Então assim, bons pais, amigos, pessoas… Procurar essas pessoas também para estar ao nosso redor. Às vezes, você não tem um um pai, mas tem um tio incrível, um avô incrível. E eu tinha uma tia-avó que ela fala o seguinte para mim: “Patrícia, nunca deixe que ninguém faça para você o que você mesma pode fazer”. Isso é um hino da independência. Ela com 96 anos me falando isso, ela dirigiu até os 86, sempre fazia tudo. É, não, então, venho de uma família muito independente, de mulheres também independentes, isso também é muito positivo, força, né? Então, assim, eh, se a gente não se entrega na vida, na empresa, no profissional, a gente vai encontrar soluções, vai encontrar respostas, elas existem. Total. Então, com certeza. E aí, você fez o seu transplante. Como que foi essa notícia? Não, aí foi o dia mais feliz da minha vida, né? Cara, você tava super fraca. Eu tava super fraca. E eu já tava há meses ali na UTI esperando o coração. Quanto tempo você ficou na UTI? Na UTI, eh… mais ou menos dois meses. Nossa, não… E o tempo lá passa diferente, né? Um dia na UTI vale um… É, eu fiquei esses dias internado. Meu Deus! Com a minha esposa. Meu Deus do céu, fiquei três dias lá, cara, parecia que eu fiquei um mês. É, é isso. Então, assim, eu era visitante. Dois meses são 2 anos, 5 anos, né? Mais ou menos assim. Isso. E eu acho que foi chegando uma hora que eu também, assim, eu eu eu eu tava ainda com o que eu podia, lutando, pra você ter ideia. Eu comecei a tentar entender como era o transporte, a logística de órgãos no Brasil. Mandei trazerem meu computador para a UTI. Cotava frete enquanto eu tava lá. Porque eu descobri, eu fui entendendo o sistema, eu falei: “Cara, as minhas, minhas chances são muito pequenas”. Porque eu entendi o seguinte: eu tava esperando um coração que já tem compatibilidade, né? Então, ele tinha que bater tipo sanguíneo, ele tinha que bater tamanho e peso. Porque um coração de uma pessoa muito maior que eu não cabe na minha caixa torácica. Ele tinha que bater anticorpos. Então é não… é quase uma mágica, entendeu? Eu falo, é o Tinder da… Caramba. É surreal. Então é muito, muito difícil mesmo. Então, assim, se uma pessoa teve hepatite C e eu não tive, eu não posso pegar esse coração, senão eu vou pegar hepatite C, entendeu? Então assim, tem a compatibilidade de anticorpos, é super complexo. Eu falei, já é, todo órgão tem isso? Sim. Nossa, muito complexo. Já é, e já é muito difícil. E aí eu descobri que eu só tinha de, só, só iam buscar com ambulância. Eu falei: “Não, como assim? Se, se aparecer um coração em Natal, em Minas, vocês não vão buscar?”. Aí eles: “Não. Porque o coração tem um tempo de isquemia. Ele só dura 4 horas fora do corpo. Então, se você não tem um transporte aéreo, você só pode ir de ambulância, e de ambulância, ou seja, 4 horas fora do corpo, duas horas para ir, 2 horas para voltar. Então, na verdade, eles falaram para mim que era um raio de 100 km”. Eu falei: “Raio de 100 km? Eu tô em São Paulo, vai pegar o quê? Guarujá, Campinas, Santos?”. Falei: “Tô ferrada, eu tô achando que é Brasil, e eu tô aqui”. Eu comecei a cotar frete aéreo pra, para aumentar minhas chances. Então, assim, a minha cabeça tava assim. Só que chegou uma hora, realmente, que eu tava assim, esgotada, eu tava cansada, tava… a cabeça tava falhando de certa forma. Sim, sim. E ansiosa às vezes. E mas mesmo na UTI eu vivia. Então eu fiz Dia dos Namorados na UTI, movimentei a UTI. Tava chegando no meu aniversário, eu falei: “Cara, eu tenho um pouco de vida, mas eu quero comemorar o pouco de vida que eu tenho”. Fiz um aniversário, comprei bolo que parecia o aniversário de São Paulo, porque eu queria que tivesse bolo pros médicos, pros enfermeiros, pros técnicos de enfermagem, pros fisioterapeutas, pra moça que limpava meu box, para todo mundo que cuidava de mim. E no dia 28 de julho, eh, eu fui dormir feliz, apesar de estar muito mal assim, né? Porque no dia seguinte era meu aniversário e ia ter bolo na UTI. Então eu fui dormir… Você foi construindo momentos bons, né? Num lugar péssimo. Sim. E que, na verdade, é uma analogia pra vida de todos nós. Não importa a situação em que você está, mas o que você faz com ela. E você consegue construir momentos bons. Consegue, em qualquer lugar. E eu acho que assim, eu trago uma força para a minha vida gigantesca porque, cara, naquele lugar, eu tive momentos felizes e eu vivi. Total. Se eu consegui viver naquele lugar, não tem nada, lugar nenhum que vai ser, que possa me abalar aqui fora, entendeu? Tudo a gente melhora e constrói. E aí eu estava dormindo ainda, no dia 29, que é meu aniversário, 29 de julho. E uma enfermeira veio me trazer um celular super cedo. Eu falei: “Nossa, quem quer me dar parabéns tão cedo?”. Aí eu olhei, meu médico, e falei: “Que bonitinho, ele quer ser o primeiro a me dar parabéns”. Aí, quando eu atendi ele: “Patrícia, aguenta firme. O coração chegou no seu aniversário”. No dia do meu aniversário de 30 anos. De 30 anos, cravado. Sim. A primeira ligação do dia foi meu médico para dizer: “Patrícia, o coração chegou”. Eu chorava, eu ria. Eu chorava, eu ria. Porque assim, era o sonho de uma vida toda, né? O que eu queria… coincidente, não? Mano, não, sim. Me emocionei. É, não, é assim. E foi o dia mais feliz da minha vida, todas as pessoas em geral… Qual a chance de ser no seu aniversário? Qual a chance? Mas para quem não tem, não acredita em chances, toda chance é possível. Pessoal, leiam esse livro, pelo amor de Deus. Leia, porque leia que vale a pena. E assim, e as pessoas pensam assim: “Ai, vai pro centro cirúrgico”. Eu fui tão feliz pro centro cirúrgico, que era lá que eu queria estar. Tudo que eu queria era esse novo coração, sabe? E as pessoas falam que isso foi contaminando, sabe? Pro bem, foi foi pegando essa energia, sabe, com elas. Quando eu cheguei na porta do centro cirúrgico, eu virei pras pessoas e falei: “Vocês nunca viram alguém mais feliz passar por essa porta”. E aí me levaram. Quando chegou no centro cirúrgico, eles queriam me apagar, porque falaram que eu tava falando demais, que era meu aniversário, anestesia logo. Você operou no dia do seu aniversário? No dia do meu aniversário, tem que ser super rápido isso. Mais do que isso, Fê: eu operei à 1 da tarde. Eu nasci à 1 da tarde. Eu nasci e renasci exatamente no mesmo dia e hora. Meu Deus do céu, não é incrível? E ainda num num ano completo, 30 anos, 30, 30 cravado. E e aí eu falava para eles, eu dormi, eu, antes de apagar da anestesia: “Fala pro coração, quando ele chegar, que ele é muito bem-vindo. Fala para ele que ele é muito amado”. Então, assim, tudo, tudo isso foi, foi sabe, é, trazendo as pessoas para essa energia e dali foi só para cima, né? Porque se eu, se eu fiz uma boa vida… porque eu fiz uma boa vida, eu fui feliz antes nesses 30 anos. Eu aprendi muito, entendeu? Eu vivi minha vida, eu namorei, eu viajei do jeito que dava, tudo era do jeito que dava. Então, com as cartas que você tinha. Com as cartas que eu tinha. Então, eu não aguentava subir uma escada, eu fingia de preguiçosa. Eu não ia falar que eu não podia, que eu não conseguia. Falava assim: “Ai, gente, vamos de elevador”, entendeu? Legal, dando meu jeitinho. Agora, nunca se vitimizando. Nunca dizia: “Ah, não, ah, é ruim, eu não posso”, nunca. E, mas é o que você falou: “Ah, eu tive meus dias”. Gente, eu aprendi isso percebendo. Claro que algum dia eu reclamei e eu percebi que eu fiquei pior. E eu falei: “Cara, esse negócio não tá certo, não. Se eu vir por esse caminho, eu vou ficar lá no poço”. Tentativa e erro. Foi entendendo. Tudo, tudo na vida é assim. Então, assim, não vou vender a ideia do tipo assim: “Nossa, sem…”. Tudo na vida é isso, a gente percebe, e a gente… eu fui percebendo o seguinte: que se eu reclamasse, ficava pior, e que se eu reclamasse as pessoas se afastavam também. Quem quer ouvir uma história triste? Quem quer ouvir um peso? Exato. Então, a tua energia impacta você e impacta as pessoas ao seu redor. E eu percebi que a minha leveza melhorava a vida dos outros. Então, apesar de ser uma pessoa, foi uma barra dessa, você era inspiração. Exato, ainda acontecia isso. Se eu te falar que as pessoas iam pegar eh consulta de vida comigo na UTI… Você acreditaria? Você acredita que eu aconselhei uma pessoa que queria se matar? Caramba, não! Eu lá, ligada em todos os aparelhos, todos os fios assim, e a pessoa falando, falando pra mim, eu não… ia se matar. Eu falei: “Mas tem tanta coisa para você viver, sabe?”. E eu… e a po… tirei a po… Você tinha muita… você tinha muita autoridade nisso. Tinha autoridade, né? Eu falo, cada cada gotinha ali que pingava era minha autoridade, né? Isso. Total, total. Então assim, eh, tudo é uma escolha, né? Eu escolhi me posicionar de uma forma que fosse boa para mim, e acabou sendo boa pros outros também. Porque quando é bom pra gente, a gente transborda, né? A gente contamina pro bem. Contamina pro bem, a contaminação, ela é pro bem ou pro mal. Sim. E daí aconteceu coisas muito loucas, porque eu recebi um novo coração. Em tese, tudo que eu queria era viver. Ah não, não quero básico. Fiquei esperando durante 30 anos, eu quero tudo agora. Aí eu falei: “Eu quero praticar exercícios”, porque eu nunca pude, eu era liberada da academia, não… exato, não podia subir uma acad… uma escada. Não, nunca fiz educação física na escola. Aí eles falavam assim: “Ah não, mas acho que não vai dar, tal”. Aí eu falei: “Não, eu quero fazer triatlo”. E aí, eh, nunca antes uma transplantada de coração no mundo tinha feito triatlo. Prazer, eu sou triatleta. Que da hora, meuz Deus! Então é isso. Se você não a… é o que a gente acabou de falar do impossível. É impossível até alguém ir lá e fazer. Gente, pelo amor de Deus. Depois de você, teve outros? Teve vários, vários, que aí se inspiram, né? E, para não ser incorreta, na prova que eu fiz fui eu e uma australiana. Eu e uma australiana, Kate Philips. Nós somos as duas primeiras transplantadas de coração triatletas do mundo. Caraca. Que ela tava lá na mesma prova que eu. E depois foi uma porrada. Ah, foi uma porrada. Iron Man, e tal, fui fazer um monte de coisa. Então, assim, é… você abriu o caminho. A gente abriu o caminho, a gente abre o caminho para muita coisa, para muita gente, né? Então, assim, foi uma reviravolta muito grande de vida, e eu acho que, o que mais ficou forte, par… e sabe uma coisa curiosa? Vou, vou comentar do livro rapidinho porque é uma coisa curiosa, cl… claro. Todas as vezes que achei que eu tava quase morrendo, sabe, quando todas as as informações, os fatos falavam algo nesse sentido, sabe qual a única coisa que vinha na minha cabeça? Eu não pensava assim: “Nossa, eu ainda não fiz isso”, “Eu não falei te amo pra essa pessoa”, sabe? Não. A única coisa que, a única coisa que sempre vinha na minha cabeça, em todos os momentos, de todas as idades: “Você ainda não escreveu o livro”. Caraca, era a única… Que livro era esse, que nem eu sabia direito? Então assim, quando eu transplantei, eu… esse livro eu comecei com 20 anos de idade, esse, esse… quando eu tava internada, e, em casa, né? Um ano por causa da, aí parada, por causa do coração, parei a faculdade. E aí ele tinha 17 capítulos, e eu falei: “Ah, quem vai querer ler isso?”. Parei. Aí com 26 anos estava ruim de novo. Aí voltei a escrever. Aí eu falei: “Gente, mas não tem final. A história não tem final. Vou falar o quê? Ah, e eu continuo doente”. Eu falei, parei. Então, quando eu transplantei, chegou o coração, eu falei: “A história tem final. Agora tem final”. Falei, eu juro para mim, mas eu prometi para mim mesma, eu falei: “Eu vou contar essa história”. E aí a grande ideia, no fundo, não é uma história sobre mim para mim. Não é uma história sobre mim para mim. Eu usei a minha história como narrativa, como ferramenta, para entregar todos os aprendizados que eu tive na minha vida. Fê, eu vou até me emocionar se eu falar isso. Se eu for embora, eu sei que eu deixei tudo aqui. Eu quis isso, porque eu não queria deixar tudo para mim. Eu passei por muita coisa, e eu, em qualquer momento que eu vá, eu vou falar: “Eu deixei tudo, não vou levar nada comigo”. Deixou, deixou o que precisava deixar. Seus aprendizados, as pessoas levam, o que tem mais valor. As pessoas falam assim: “Ai, você vai morrer, não vai levar seu dinheiro”. Meu amigo, tu leva tuas ideias. Você leva o seu conhecimento. Você levou uma vida inteira para juntar isso e não deixou para ninguém? Foi vaidoso, foi mesquinho, não quis que as pessoas fossem melhores que você? Eu quero que as pessoas sejam melhores do que eu. Usem isso aqui como trampolim para se impulsionarem. Tudo que eu, que eu pude, entendeu? Porque eu só estou aqui porque eu bebi de outras fontes, eu só estou aqui porque eu pulei em trampolim de outras pessoas. Eu li muitos livros, eu aprendi com muita gente, muita gente me ajudou, e eu peguei tudo isso e falei: “Ó, tá aqui, ó”. Juntou com a sua vivência e trouxe a tua versão dos fatos. E eu acho que isso é ir em paz. Você olhar para trás e falar: “Eu deixei tudo. É isso. Ficou lá”. Você escreveu quando esse livro? Ele foi lançado, finalizou? Quer dizer, ele foi lançado em julho? Lancei no meu aniversário, no dia do meu aniversário. Que emblemático. Lançou em 2023? 29 de julho de 2023. E é, e foi emblemático e estratégico, porque aí todo mundo teve que ir no lançamento para me dar parabéns. Aniversário é a festa. É presente, não quero presente, compra o livro. Não quer ler, dá para alguém, cara. É, tem que ter versão dois, hein. Tem, é… não, todo mundo tá pedindo já. Porque as vezes eu vou postando no meu Instagram: “Ah, isso é história do livro”, e: “Mas você sabe que eu quero derivar até para outros livros, para outras coisas?”. Eu acho que aqui é muito pro individual, é muito pra vida pessoal. Olha, muita gente traz esse feedback para mim que, tipo assim: “Nossa, teve a vida transformada, viu a vida de outro jeito”. E eu tenho muita vontade de escrever sobre o social. Porque eu acho que a gente tem um papel aqui, e a maioria não exerce ou não enxerga sua importância, seu poder e seu papel aqui no mundo. Então, assim, eu tento exercer hoje o meu na ONG. Na ONG que eu fundei, no Instituto Sou Doador. E a gente luta pela doação de órgãos. Posso falar mais, já a gente já vai se aprofundar nela. A gente, posso falar mais depois. Mas todos nós podemos contribuir, temos o que contribuir com a nossa sociedade, com o nosso entorno. E e me assusta que as pessoas se alienem desse papel. E eu vou até fazer uma, vou vou vir para outro lado agora. Provoque, provoque, provoque a audiência. Vou provocar a audiência. Eu acho que a maioria das pessoas, e vou vou nichar, eu acho que a maioria dos brasileiros tem uma postura infantilizada perante a vida e a sociedade, no sentido de acreditar que tem um “grande pai” que vai, o governo, que vai prover tudo. Eu acredito. Concordo 100%. É, eu acredito em assumirmos a responsabilidade do país e da da sociedade que nós queremos construir. Total. É nossa responsabilidade. “Ah, as pessoas estão morrendo na fila de espera”, e eu vou ficar assistindo isso no Fantástico? Vou ficar assistindo isso na TV, reclamando, fazendo post reclamando? Não. Amiguinho, fundei uma ONG, eu aprovei uma lei, eu criei um curso para formar professores de toda a a… de todo o Brasil, de todas as escolas. “Ai, não, eu sou especial”. Não sou. Eu só fui botar a mão na massa. Aí eu tô falando de empreendedorismo social, entendeu? Que todos nós podemos e devemos fazer. É muito fácil as pessoas falarem assim: “Ai, a sociedade tá ruim, as coisas estão… qual, qual parte que você tá fazendo?”. As pessoas estão no individual, preocupadas em “Ai, quero acumular, quero ganhar mais, quero comprar o carro, quero… para roubarem depois”. Tá fazendo sentido? Tá fechando essa equação? Será que não é melhor trabalhar um pouquinho menos, um pouquinho mais pro social para você ter o que você tem, aproveitar o que você tem? Então, assim, vamos lembrar que é papel nosso. Não é papel do governo. Tudo, ele nem dá conta, é uma ilusão. Eu acredito, na verdade, meu viés é um Estado mínimo que provê o básico e que a gente vai fazer o Estado que nós queremos. 100%. Então, eu quero que as pessoas não morram na fila de espera. Hoje isso é mais premente para mim. Gostaria de lutar pelo direito das mulheres, gostaria de lutar pelo meio ambiente. Não dá para lutar por tudo, você tem que escolher uma luta. Essa é a minha luta, eu tô lutando para as pessoas que estão morrendo na fila de espera, porque eu já estive lá e eu sei o que é, e elas não têm muito tempo, não têm muito tempo para salvar essas pessoas. Chama Lei Tatiane. Ai, que eu aprovei à toa. A Tatiane morreu. Morreu na fila de espera, o coração chegou. Dela, não. Então assim, cada um… Você conheceu ela? Era minha amiga, era minha amiga. Eu acompanhei toda a espera dela, né? E ela tinha certeza que chegaria o coração, o coração também. E posso falar mais depois da Lei Tatiane. E então assim, a gente tem, todos nós, um papel, né? E aonde que a gente tá exercendo isso? Não vai cair do céu, não é o cogumelo que vai cair do céu e falar: “Nossa, o Brasil virou um país melhor”. É a nossa parte, é a parte de todo mundo. É uma ilusão achar que o governo vai fazer… gente, vi um vídeo falando que a política, muita gente fala que a nossa política é ruim, mas a nossa política é um reflexo do povo. Exatamente. Então, a pessoa tá alienada do seu papel. Exato. Escolhe um. “Ah, eu gosto dos animaizinhos”. “Ah, eu quero lutar para ajudar as pessoas com câncer”. “Ah, eu quero ajudar os idosos”. Escolhe alguma coisa e vai, e vai, entendeu? A lei… eh, é que eu acho que é isso, se as pessoas simplesmente tomarem consciência, não nem acreditar, porque às vezes acreditar parece uma coisa meio de longe, é ter a consciência do seu do seu poder, que todo, todos nós temos. Eu não sou especial, você não é especial, ninguém é especial. E a lei… “Ah, eu aprovei uma lei”. E quantas pessoas olhavam pra minha cara, quando eu contava a história da lei, e falavam assim: “Ai, tadinha, tadinha”. Mal sabe. Não, tipo assim: “Quem ela acha que ela é? E Brasil, né? Brasil…”. Muito complexo. Mas isso é tudo um pensamento de escassez, né? O Brasil é difícil, o Brasil é do jeitinho. Não, o Brasil é de trabalhador, de pessoas honestas, de empresários sérios, de trabalhadores que estão ali dando duro todos os dias. A notícia tá viciada para a gente acreditar que a coisa é ruim. Tem muita gente boa, a maioria do nosso país é de pessoas boas, grande maioria, entendeu? Então, assim, a gente tem que, ó, sabe, falar assim: “Esse é o nosso país, é o que a gente construir, tem que se juntar e falar vamos nós”. Não, isso é uma ilusão que nos é vendida, não existe isso aí. Então, assim, “ai”, as pessoas olharam pra mim assim: “Ai, nossa, muito difícil. Ai, no Brasil tudo é difícil”. É muito possível. Eu aprendi a aprovar uma lei aprovando uma lei, eu não entendi de processo legislativo. Mas é isso, é o empreendedor, não é do tipo: “Eu fui estudar se dava”. Meu querido, tem umas coisas também na vida que se você for estudar, você não vai fazer. Exato. É mais, é mais ação do que que… você tem que falar: “Eu quero, é isso, eu quero”. Eu quero porque eu acho que precisa. Digo mais ainda, muitas vezes a gente, sem saber… aquela frase, “não sabendo que era impossível, foi lá e fez”. Adoro essa, adoro essa frase também. Porque muitas vezes, se for para para analisar várias coisas que eu fiz na na minha vida, eu só fiz porque eu não sabia que era impossível. Exato. Eu era um louco, um inocente, talvez, né? Mas que tinha certeza absoluta que dava para fazer. E aí fez, cara. Aí eu falo: “Nossa, cara…”. Por exemplo, do jeito que eu comecei a empreender na minha vida, jamais daria certo. Jamais. Eu não sabia nada, eu não tinha preparação para nada, eu não tinha dinheiro para isso. E todas as vezes que a realidade se imperou, né, tipo “é isso, você vai quebrar”, eu precisei dar o sangue, o que eu não tinha, o combustível extra. Trabalhei 24 horas às vezes, finais de semana seguidos, e consegui dar um jeitinho. Sim. Então, eu fui improvável também. Porque, porque existia uma saída, existia uma resposta. Exato, existia uma uma saída, uma resposta, e mais, muitas vezes eu falava assim… eu nem sabia onde eu tava me metendo, eu só tava… eu falei: “Eu vou fazer, e bora”. Isso. E o querer tem muita força. Total. Uhum.

Então, assim, eu decidi que eu ia aprovar uma lei. Como, eu não sei. Ia durar 2 anos, 20 anos? Eu vou aprovar essa real… essa é a realidade que diferencia as pessoas que fazem as coisas acontecerem. Não sei como, mas vai. Pode não ser tão rápido, pode não ser fácil, mas daqui 10 anos que seja, essa lei vai estar, vai sair. Fácil nunca vai ser, as pessoas já têm que começar desse pensamento. Tu quer facilidade, nem devia ter nascido, entendeu? Viver é uma delícia, mas exige teu teu comprometimento, entendeu? Tu vai ser desafiado e é pro teu bem, pro teu crescimento, sabe? Esse é o lado bom das coisas. É para você sair da inércia, sabe? A gente, a gente tende à inércia. O ser humano tende à procrastinação e tende à inércia. A vida vai chutando as canelas. Então, assim, a vida vem chutando a tua bunda, amiguinho. Se você souber andar com as próprias pernas, menos chutinhos você recebe. Eu tenho esse pensamento, um chutinho, eu falo: “Tava andando devagar”. É isso aí, tá. “Não tava olhando direito, porque não tava precisando levar esse chute”. Eu sou muito atenta a isso, eu falo assim: “Legal, quero, não quero, não quero que a vida me chute, eu quero me antecipar”. Chute na bunda. Tô andando devagar, andando devagar. É. Ou eu tô andando pro lado errado, ela precisa dar um “tum”, entendeu? Então, assim, se eu, se eu tô meditando… meditar à noite, entendeu? Preciso aquietar a mente. Você consegue, porque você é muito acelerado. Eu sou muito acelerada, sou. Mas eu não consigo ter o quê? Senão não durmo. Cara, eu posso não meditar, só não vou dormir. A cabeça não para, porque eu sou muito ansiosa, porque eu penso demais, o meu viés é para esse lado. Então, assim, só que esse desacelerar e olhar mais amplo pra vida e ajeitar as prioridades… nossa, me poupa de muitos chutinhos na bunda. Eu fico irritada, eu nunca… não levo grandes chutes. Grandes chutes já foram, já passou. Você começou no chefão, você começou no chefão. Comecei no Bowser do Super Mario Bros, a idade entrega. Direto. Não foi na, no Yoshi, direto. É, meu sonho era pegar o cogumelo verde e ter mais vida, né? Então… e eu tinha, sabia, um de pelúcia que simbolizava isso. Mas assim, então… nossa, até me perdi aqui do que eu tava falando. Que a gente tava falando de, dos chutinhos que a vida vai te dando. É. Não, então é isso. E se eu tô muito atenta, eu não levo o chutinho. Mas a gente tem que se colocar, né, na vida. Se na vida… Ô ô, Patrícia, uma coisa que, eh, eu queria fazer um podcast de umas 6 horas com você fácil, mas a gente já, a gente ainda aqui tem tempo, a gente tem mais mais um tempinho. Mas quais são os seus… depois de tudo isso, você você foi transplantada e começou a falar “bom, não parou aí, agora eu tenho que mostrar para que, para porque eu vim para cá, né?”. Porque você já tem toda uma história, só que agora você tem toda uma missão que antes nem energia por conta do coração você tinha para para cumprir tudo isso. Muita predisposição, mas você tá, a ferramenta tava tava limitando de muitas coisas. E aí eh, triatleta, atleta, ONG, palestra, projeto de lei. Conta um pouquinho desse dessa enxurrada de coisas que você fez em tão pouco tempo, que foram 10 anos. Você foi transplantada com 30, tem 9 anos de transplante, 9 anos de transplante. Cara, você viveu uma vida em 9 anos. Não, eu vivi mais nesses 9 anos do que nos últimos 30. Isso, eu acho que eu acho que primeiro eu tinha muita vontade de fazer. Eh, você você sabia para que lado ir depois do transplante? Não. E eu acho que na vida é isso. Às vezes a gente também não sabe as coisas, as coisas vão acontecendo. Foi um recomeço. Renasci. No começo, foi até um pouco perturbador. É uma frase muito forte, porque traz uma coisa negativa, porque não foi negativo. Mas foi meio que assim: a hora que eu transplantei pela primeira vez, eh, abriu, abriu um mundo de 360 graus de possibilidades. Eu podia ser qualquer coisa. Porque antes eu não era o que eu queria, eu era o que eu podia. Exato. E se eu puder qualquer coisa, quem é a Patrícia? Total. Nossa. Fortíssimo. Eu nunca pude me fazer essa pergunta. Você nunca teve opção. E eu aprendi na minha vida: “não faça perguntas que, que vão te atrapalhar e te, vão te levar para próximo da beira do poço”. Eu também tive essa sabedoria na minha vida, eu sabia jogar com as cartas, quando a vida me tirava os sonhos… Eu tinha muitos sonhos, foram tirados. Eu não fiquei na minha casa, eh, deprê, etc. É, eu sempre produzi. Eu criei, eu queria ser… eu fiz economia, né? Eu queria ser a a Miriam Leitão da Classe C, né? Então eu queria ir pra comunicação ensinar finanças de uma forma fácil. Economês era difícil. Criei um projeto, chamava Amigo Rico. Se você procurar no YouTube você acha meus vídeos, tinha tudo para dar certo. Aí eu fiquei ruim de novo. Pá. Aí eu tinha consultoria de economia comportamental, as coisas estavam indo bem, aí fiquei ruim de novo, dei todos os meus projetos e clientes pro concorrente porque eu quis honrar o compromisso que eu tinha com aquelas pessoas, entendeu? E levei para uma pessoa que a gente fala concorrente, mas não tem mal-estar, pessoa super respeitável, maravilhosa. Então assim… eh, então a vida me tirou esses sonhos várias vezes, né? Então, assim, depois que veio o transplante, eu falei… “De repente você se vê lá com…”. De repente eu vi. Pá. Eu falei: “Tá. Para onde eu vou? Quem eu vou ser agora?”. Lembra aquele filme que tem o tempo no braço? Aham. É é forte, é fortíssimo aquele filme. Eu não sei nem o nome. Mas eu também não lembro o nome. Tempo. Tempo In Time de vida. E o transplante é isso, transplante é o meu tempinho, tava acabando, e me deram mais tempo. Exato. Então assim, a primeira coisa que eu sabia que eu queria era fundar a ONG. Eu eu vi o que eu passei, eu vi que eu não morri por isso aqui, entendeu? Muito preparada para isso também, porque você estudou muito. Então eu venho de pesquisa, eu venho de uma formação em Economia, eu tenho uma visão macro, entendeu? Tenho… Eu li, sempre li muito, sempre estudei muito, beleza, falei: “Bora fazer esse negócio com um ano”. Então, eu fundei a, a ONG e, né, e, e isso trabalhando em finanças em paralelo. E aí também queria ser atleta, então comecei a a treinar em alto rendimento. Participei de três Olimpíadas, que são as Olimpíadas dos Transplantados que têm no mundo, as Olimpíadas, as Paraolimpíadas e as Olimpíadas dos Transplantados. Que legal. A partir dali, eu já dava palestra, né? Você participou de três Olimpíadas? Não… sim. Eh, não. Juro, juro, juro. Eh… imagina. Se eu for lembrar que eu era a pessoa que você não ia convidar para onde andar, dava o que falar, entendeu? Dependendo do que ia fazer, pedia uma cadeira de rodas. “Ah, vai vai resolver um negócio no Sam’s Club… Sam’s Club, né? Entendeu? Uma coisa que tivesse que andar muito, pedia cadeira de rodas. Aeroporto… você você foi contra real, tudo que que era… tudo que, tudo que a vida te empurrava. Porque pensa que por muito menos algumas pessoas se encaixotam. Por muito menos, às vezes, por um um jeito que a mãe educou, a pessoa já se encaixota. Você teve tudo para se encaixotar, tudo para se encaixotar, e não se encaixotou. Não ficou com os traumas de uma, de uma pessoa frágil. Sim. Sabe? Eu vou falar: você foi contra, você foi contra a psicologia, cara. Sim, mas eu usei da psicologia. Lembra que eu falei que eu li muito? Quando eu tinha uns 20 anos de idade, eu parei a faculdade, essa sacada eu descobri sozinha, né? Estudando, quando eu ainda tava presa na cama em casa. E essa eu vou dar para todo mundo de graça, entendeu? Que tá escutando, para pensar nisso: presente. Os outros vão te ver como você achar que você é. Então, você acha que você é o que os outros pensam que você é. Mas é o o que você pensa que você é que os outros vão achar que você é. É isso. Então, assim… eh, se eu decidi, não preciso nem me ver ainda dessa forma, total. Se eu decidir que eu sou bonita, já era. Vai ser, eu vou entrar nos lugares com uma confiança total, que vai chamar. Se eu decidir que eu valho a pena, se eu decidir que eu não sou coitada, que eu tenho uma história incrível, que, na verdade, eu sou uma guerreira, eu tenho muita força. Sem, e sem essa fragilidade de ego: “Não, eu sou e acabou, sou bom, fiz isso”. Gente, cada um tem… não estamos competindo, estamos se levantando todo mundo. Então, a hora que eu entendi que eu era o que eu escolhia que eu era, total, aí minha vida, entendeu? Não… a palavra talvez não seja “deslanchou”, mas seja “ninguém me diminuiu porque eu não permiti que diminuíssem”. Então, assim… Jung ia ter que te estudar de novo e ter que falar: “Deixa eu estudar a Patrícia”. Tudo é escolha. Acho que a grande sacada, a mensagem, é essa escolha. Total. A gente escolhe. A gente tem que assumir nossas escolhas, né? Ir para cima. Então, e aí a ONG foi o primeiro projeto. A ONG foi o grande primeiro projeto e e ela foi crescendo. Conta um pouco da ONG. O nome dela. O Instituto Sou Doador foi fundado em 2016, um ano pós-meu transplante. Ele é um time multidisciplinar de transplantados, profissionais da saúde e pessoas que não têm nada a ver com a causa. Em geral, te abraçaram. Te abraçaram. Que pensam: “A pessoa quer contribuir com alguma causa”. Então fala assim: “Não, vou vou ajudar essa galera, que eu sei que eles são sérios, que sei que eles são do bem”. E e a gente começou trabalhando com conscientização, com campanhas. Eh, até que a Tati morreu. E aí, quando a minha amiga morreu… Não, não, ela não fazia parte da ONG. Ela era só minha amiga. A ONG é, é um… você conheceu na fila? Eu conheci quando ela tava na fila. Ela me viu numa matéria da Fátima Bernardes, porque minha história também já foi em muitos lugares. O prefácio é do Pedro Bial porque também já fui no programa do Bial, então sabe, ele foi super generoso. E ela me viu na TV, ela falou assim: “Cara, quero quero virar essa menina”. Ela me viu lá, triatleta, transplantada de coração, ela tava para entrar na fila do transplante. Você já você já tinha sido transplantada? Já tinha sido transplantada quando, quando ela me procurou. E a gente acabou virando amiga. Durante dois anos acompanhei a fila dela e ela faleceu. E quando ela faleceu eu falei assim: “Chega. A gente tá enxugando gelo. Campanha de conscientização… esse negócio de Setembro Verde… Legal, vamos continuar a fazer, mas assim, as pessoas não morrem só em setembro. Exato. O ano todo. E assim, aí eu vou provocar uma outra coisa. Falem assim o que quiserem, o governo não atua, não tem. Você viu alguma coisa? Não. Você viu alguma coisa, pelo amor de Deus? O que é feito é eles chamarem uma agência de publicidade para fazer uma campanha, entendeu? Para lançar no dia 27 de setembro. Gente, a gente precisa de um negócio grande para salvar essas pessoas. Conscientização de massa. Uma campanhinha num dia do ano não vai fazer diferença, sinceramente… aqui eu tô falando de conscientização por parte do governo. Quero fazer um paralelo falando que a gente tem o maior sistema de transplante público do mundo, e o Brasil é foda nisso. Sim. A gente é referência no mundo. Então assim, em termos de equipe de transplante, de médicos, o nosso Sistema Nacional de Transplantes é incrível. Não é disso que eu tô falando, eu tô falando de, de outra coisa aqui, entendeu? De governo fazendo conscientização. Não, e outra, é o que mais precisa. Então a conscientização na população precisa, das pessoas, que as pessoas se conscientizem e deem a possibilidade, a oportunidade da doação. Porque doar é o que eu falo para as pessoas: doar não é um dever, é um direito. É um direito a seu último gesto de generosidade. A minha mãe faleceu, a gente autorizou a doação de órgãos, ela queria ser doadora, é um orgulho pra nossa família. Então a gente tem que desassociar também doação de morte, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Se a doação é uma possibilidade, é porque a pessoa já partiu. Exato. E outra, é… tem que associar a doação com vida. É vida. E essa é a premissa do Sou Doador e quando, quando ele veio com essa premissa, ele inovou, porque as pessoas sempre trouxeram o tema falando: “Ai, nossa, que pena, alguém partiu, mas pelo menos ajudou”. Não, gente, você não tá entendendo. A pessoa já tinha partido. Ninguém partiu para salvar alguém. Ninguém morre para salvar alguém. A minha mãe faleceu. Tudo que podia foi feito por ela. Não. Ela faleceu, nós podíamos salvar outras vidas. Uma pessoa que acompanhou a vida inteira esse processo. Ela deu vida. Nós podíamos ajudar. Exatamente. Então assim, hoje duas pessoas no Brasil enxergam por causa da minha mãe. Isso é um motivo de orgulho pra gente. Então, eu acho que a gente tá tirando das famílias e das pessoas esse orgulho. Sim. Não é sobre dever. É sobre oportunizar a doação. Sem informação não existe liberdade de escolha. Hoje, as pessoas não são livres para escolherem se querem ou não serem doadoras de órgãos.

Te falo agora, vou entrar nas minhas dúvidas. Eu mesmo, vou te falar, eu sou muito leigo nesse assunto. O pouco que eu sei, sinceramente, é o que eu aprendi no nosso bate-papo do Itaú, tá? É o pouco que eu sei. Eh, e eu tava super nervoso porque eu tava no palco, então também nem eu não consegui absorver quase tudo. Eh, a minha ideia de doação é ter que pôr no RG, tá? Tá. Pelo menos foi o que minha mãe, eh, me mostrou. Inclusive, minha mãe, ela é doadora de órgãos e tá no RG dela mesmo. E não vale nada. Não vale nada. Não vale nada. Então, já fiquei maluco, já não tem mais nada. E como que, como que funciona para ser doador? Para ser um doador de órgãos no Brasil, você precisa avisar a sua família, nada mais. Pega trabalho de documentação gigantesca, porque às vezes a pessoa fala que quer e a família nega. “Ah, ah, não, não deixa”. É, não, tem família que nega, né? Eh, a gente pode chegar ali depois. Então, assim, tem que avisar a sua família. Manda um WhatsApp, manda um telefonema, conversa no almoço de domingo. “Vamos falar sobre doação de órgãos”. Vocês têm vontade de ajudar outras pessoas, né? “Vocês têm… eu sou doadora de tudo: de órgãos, de tecidos, de ossos, pele, de tudo”. Eu falo: “Doa tudo”. Dá para doar osso também? Você não tem noção do que ajuda. É isso, as pessoas nem sabem, sabe? É isso que a gente quer levar para as escolas, que eu vou entrar na Lei Tatiane, que a gente aprovou, em que agora o tema é obrigatório dentro das escolas brasileiras. Que legal! Escolas e faculdades de todo o Brasil, é. E a Tatiane foi, foi isso. Quando a Tati morreu eu falei: “Chega. A gente tá enxugando gelo. Campanha não chega em lugar nenhum. A gente precisa de uma massa, de uma conscientização de massa, dar um salto quântico nessa informação”, entendeu? Então, eu quero uma lei que fale que é obrigatório levar esse assunto pras escolas e faculdades para que chegue nas famílias, para que elas tenham a oportunidade de escolher se elas querem ou não serem doadoras. Uma pessoa falar para mim: “Não quero ser doadora”. Tá tudo bem. Mas eu nunca vi alguém falar que não quer ser doador depois que entende o que é doação de órgãos. Nunca vi. Para você ver que seria maravilhoso se essa informação chegasse. É. Então, assim, aprovamos a Lei Tatiane depois de 4 anos e meio de luta no Senado, em novembro de 2023. E agora ela entrou em vigor, em fevereiro de 2024. E agora a gente tá trabalhando para… Recentíssimo! A gente aprovou ano passado e o Instituto Sou Doador criou material didático gratuito, já tá disponível para download no nosso site para todas as escolas do Brasil. Porque, depois manda o link, vou colocar aqui embaixo, não basta a gente aprovar a lei. A gente tem que ajudar, então, essas escolas a colocarem em prática. Criamos material, a gente desenvolveu durante 3 anos a lei… Essa é a visão também, né? A lei ainda estava para ser aprovada, a gente estava em processo. Nós já estávamos trabalhando no material, porque ela ia ser aprovada, e quando ela fosse aprovada eu queria que o material estivesse pronto. Não era para fazer o material depois. Durou três anos. E o governo vai conseguir disponibilizar esse material de forma física? Poderia, né? Ou não? O que a ONG tá fazendo hoje, o Instituto Sou Doador: a gente capta recursos para imprimir esse material, junto com livros didáticos pertinentes, né, sobre o tema da doação. Tem, tem livros muito lindos, sabe, que contam os… livros infantis, tudo é pertinente à idade, sabe? Você não vai falar sobre doação e morte com a criança, mas você vai falar sobre doar o tempo, doar amor, doar cabelo para alguém que não tá com cabelo. E quando você trabalha a empatia, a solidariedade, você prepara essa criança para mais tarde, no ensino fundamental, no ensino médio, falar exatamente sobre doação de órgãos. Agora, olha só que interessante, Fê, quando a gente leva o assunto de doação de órgãos e tecidos para as escolas, a gente tá levando os melhores valores. Total. Eu tô indo ensinar nas escolas de todo o Brasil sobre empatia e solidariedade. O pessoal crescer com a humanidade, entendeu? Então, isso é muito maior, na verdade, do que só doação de órgãos. É muito maior o impacto que nós vamos ter criando uma cultura doadora e uma sociedade mais empática. Eh, então a gente começou a escrever esse material didático enquanto a gente ainda tava aprovando a lei. Agora a gente tem o material didático, ele tá disponível. A gente capta recursos para imprimir e distribuir pras escolas. Eh, super bem-vindo empresários e pessoas que queiram ajudar. Que funciona para entrar em contato? Tá, pode entrar em contato pelo e-mail contato@soudoador.org. Vou colocar o pessoal da da edição, coloca o letreiro aqui. Sim. Eh, ou pelo nosso Instagram, pelas nossas redes sociais, né? @soudoador.org. E coisa, coloco o letreiro aqui @soudoador.org. E também vai estar na descrição do vídeo. E 100% dos recursos que a gente capta são aplicados na causa. Toda nossa equipe é de voluntários. Que legal! Eu sou voluntária. Toda a diretoria é de voluntários. Tem que, meu, pelo amor de Deus, hein. Tem ONG que é um salário… super salários. Conheço as outras, eu sei como nós trabalhamos: 100% dos recursos. Falo com propriedade porque tem ONG que paga super salários, é isso. Quando realmente uma causa existe, a causa tem que ser o foco. O foco é esse. Então, o dinheiro que a gente recebe, então, a gente trabalha com um projeto por vez, a gente também acredita nisso em foco. Então, assim, qual é o nosso projeto? Aplicar a Lei Tatiane. Isso, aplicar a Lei Tatiane, fazer uma corrida pela doação de órgãos. Não vamos… nosso projeto antes era aprovar a lei, nosso projeto agora é a aplicação da lei. Vai vir recurso, é para mandar material para as escolas. Vai vir recurso, é para gravar curso pros professores. É para isso. Então, a gente recebeu um, um dinheiro da EMS Farmacêutica, super agradeço eles, maravilhosos. E por causa desse dinheiro, nós gravamos em estúdio, sabe, um conteúdo, um curso para formação dos professores. Porque se a gente quer que o professor ensine, a gente tem que ensinar ele. Então a gente tem também já o curso que é gratuito, já tá lá no nosso site: https://www.google.com/search?q=cursosoudoador.com.br. Então, a ONG trabalha nesse sentido de trazer, de construir essa conscientização. Eh, aprovamos uma lei, construímos o material e vamos continuar trabalhando nesse sentido. Sensacional.

E desde todo esse movimento da ONG, desse movimento de ativista, como atleta, no triatlo… aí vêm as palestras, né? Que, que, vamos dizer assim, eu trago… Tá louco, você tem uma bagagem gigantesca de palestra, cara. E, e o que eu gosto muito e eu amo dar palestra, né? Eu amo a comunicação, já fui tão privada de falar, eu amo falar e eu costumo estudar o mercado. Então cada palestra minha ela é personalizada. Quando eu vou para uma empresa, eu entendo o que aquela empresa precisa e aí eu entrego duas coisas: o que ela precisa e o que eu quero falar. Total. O que ela precisa e o que eu acho que os colaboradores precisam. Total. E é muito interessante isso. Então, eh, eu tenho… falo para evento de vendas, evento de performance, falo para evento de qualidade de vida, para bem-estar, falo para… quando me chamam na escola, só para falar de doação de órgãos, falo em hospital, falo em empresa, falo em tudo quanto é lugar, porque eu adapto, eu, eu monto algo personalizado. E é interessante, porque em geral, as pessoas às vezes me recontratam não pelo que elas pediram, mas pelo que eu achei que eles precisavam. Por esse, por esse olhar personalizado, às vezes a pessoa nem sabe o que ela precisa. Exato. O que os colaboradores precisam e, às vezes, aquele punch que faz todos eles darem valor na vida deles e falarem assim: “Vamos fazer isso aqui movimentar, sabe”. A tua história, ela inspira isso: o improvável, o impossível, é construir, é fazer acontecer, é dar valor. Então, às vezes, um funcionário que tá infeliz com a vida dele, ele não vai criar tanto valor. Total, total, total. Porque a pessoa, é aquela história, porque ela tá só vivendo no automático e tudo mais. Ela tem que lembrar como a vida é um presente. Tá aqui, a tua história é o grande ouro de tudo. E, e tá feita, tá feita. Você é uma… é uma história… é uma história que tá ali, já tá na pedra. Você é transplantada, você tá fazendo trezentas coisas e tem muito o que fazer. Você tem 39? 39. 39 anos. Uma, uma jovem de 39 anos. Cara. Eu falo que eu sou a verdadeira história de Benjamin Button. Eu já fui velha, exato, agora eu sou jovem, e pretendo viver 120 anos. Vai para cima disso aí. De verdade, quero te parabenizar pela tua história. Eu acho que você não nem precisa, porque você já já é uma, uma pessoa que tem tudo, todos os louros. Cara, é sensacional, tudo que você viveu é inspirador de verdade, conhecer a tua história. Eh, a gente é importante a gente conhecer pessoas que tiveram coisas muito mais grandiosas e a gente minimiza demais nossos problemas. É importante a gente… eu sei que cada um tem as suas cartas e, e não não há comparação. Mas quando você olha a a luta que você teve, você fala: “Cara, quais são os problemas que eu tenho? Pelo amor de Deus. Para, Felipe, acorda pra vida”. E eu tenho certeza que a tua história serve pro empreendedorismo, serve pra clt, serve para atletas, serve para todo mundo. Porque, cara, você é inspiração pura de verdade. Parabéns, obrigado, obrigado por ter vindo. Não terminou ainda, mas eu só s… que eu tô feliz aqui de ter você aqui comigo. Pô, obrigado mesmo, foi um prazer. E continua falando, arregaça na palestra porque, cara, você tem que, você tem que fazer o mundo inteiro te conhecer, de verdade. A tua ONG, vai para cima. Eu acho que é um, um tema bastante importante. Eu, inclusive, a minha esposa já falou para mim, muito abertamente, sobre “pode doar tudo”. Eh, vou fazer questão de falar isso para todo mundo. Eh, levantar esse tema, numa… por exemplo, eu não sei se meu irmão doaria órgãos. Então vou vou vou perguntar para as pessoas que estão ao meu redor. É legal porque é um tema que deve ser um tema leve, e que fale sobre “Poxa…”. Eh, é sobre o bem que aquela pessoa quer fazer. Isso fala sobre mim, sobre os meus valores, entende? E eu vou fazer um… falo mais, numa das reuniões, eh, gerais da nossa empresa, vou levar, vou levantar esse assunto, e, assim, tipo, de verdade, porque é realmente cara… putz, cara, a pessoa, a Tati, a Tati, a Tati morreu esperando. [] que pariu, entendeu? Cheia de sonhos, uma menina linda. Meu Deus do céu! E por que que não chegou e por que não teve coração? Eu vou te dar um número que vai… Se o coração viesse tava salva. Vou te dar um número que vai ser um pouco assustador, tá? Que foi esse número que me fez falar: “Eu vou aprovar essa lei”. Eh, inclusive o desabafo que eu fiz no dia que a Tati faleceu, viralizou. Teve mais de 20 milhões de visualizações, sabe, foi um, assim, sabe alguma coisa que aconteceu, foi forte, e eu falava exatamente esse número nesse texto. Eh, a Tati esperou dois anos. Nesses mesmos 2 anos, 5.487 pessoas negaram a doação de órgãos. [] que pariu! A gente só precisava de um sim. Meu Deus do céu. Nesses mesmos dois anos, 218 pessoas morreram. A diferença entre os dois números é tão assustadora, que a gente nem precisaria que todos doassem para ninguém morrer. Deixa eu te fazer uma pergunta. Dá para… então, quando essas 5.000 e poucas eram pessoas que tinham um coração compatível? Aí a compatibilidade eu vou entrar nesse mérito… É uma probabilidade. Sim, mas é, é isso. O número é assustador, pra é muito assustador quando você pensa que 218 morreram e 5.400 negaram. Vamos fazer até conta. 218, quantas negaram? 5.487. Cara, 3% é isso. Só que você tem que me lembrar de outra coisa: dessas cinco… um doador pode doar oito órgãos. Nossa! Você multiplica por oito essa [__], entendeu? Então… eh, nossa cara, é isso. As pessoas morrerem por falta de informação não é aceitável, eu não acho que é aceitável. Caramba, o governo tinha que estar muito em cima disso. É tão pro governo, é, é tão mais fácil resolver isso porque ele coloca isso em… Não, vamos, vamos, vamos falar com cabeça de economista ou de empresário. É burro, porque é um dinheiro que tá sendo gasto em saúde, em hospital, total. Morrendo gente jovem, pessoa… é o que eu falo, eu quando eu escrevi a lei, a justificativa da lei, se você buscar quando ela ainda é, eu falei economicamente. Economicamente falando, gente jovem morrendo é perda pro governo. Nós estamos perdendo capital produtivo, pessoas que ao voltarem pro mercado de trabalho voltam a produzir, gerar riqueza, gerar valor e gerar impostos, e estamos gerando um peso pro sistema de saúde e pro INSS. Quantas pessoas estão na fila? Total! Deveria ser uma grande prioridade pessoas na fila. Exatamente, as pessoas, enquanto elas não estão produzindo, estão muito doentes, elas ainda são um custo. Nossa, cara! Então, assim, isso se paga, se paga, é um investimento que se paga, paga! Mas assim, tudo bem, o governo não quer fazer, a gente faz, é isso. Eu acho que essa tem que ser a nossa mentalidade para tudo, não adianta, a equação é essa, a gente que tem que tomar à frente e fazer. Se paga, se paga aquilo que eu tô produzindo pro país, eu tava morta, exato, mas chegou um coração, entendeu? E antes eu era o quê? Um custo. Eu brinco até: “o meu sonho era dar, dar lucro pro plano de saúde, eu só dava prejuízo”. É verdade. Hoje eu dou lucro, entendeu? Hoje eu dou lucro pro plano, até pro plano de saúde eu dou lucro. Minha galera… Isso, isso se paga, cara, surreal. Paga surreal.

Quais são os próximos passos? Implementar a lei, implementar a lei, sem dúvidas. E os meus eu acho que é ampliar esse trabalho de levar a mensagem em palestras, né? Porque o mesmo que vale pro livro é o que eu penso pras palestras: eu quero impactar o máximo de pessoas que eu puder enquanto eu tô aqui. Então, o máximo de palestras que eu puder dar, máximo de pessoas que eu puder alcançar… Eh, e eu tenho vontade de escrever outros livros também. Então, sim, é, é o que você falou: dá para derivar demais, dá para derivar demais. Até que você tenha… eh, mais 9 anos aí de trajetória e fazer um segundo, surreal, é. E se esse traz um “plim” pra vida individual, quero muito trazer “plim” pro social, sabe? Eu acho que as pessoas precisam… eu acho que é um amadurecimento social total que nós precisamos para sermos a nação que queremos ser. Surreal, cara. Patrícia, parabéns mais uma vez. Eu não terminei ainda, tenho uma pergunta final para te fazer, eu quero só agradecer aos patrocinadores. Desculpa encerrar assim, mas cara, e a tua história é inspiradora demais, eu de verdade. Se a Raísa falar que tá terminando algum livro, eu já já vou engatar nele e te dou feedback depois, tá bom? Eh, quero muito, quero muito. Vou vou te dar super, super de coração, de verdade, e tô muito feliz. Para quem quiser, o livro tem na Amazon. Boa, só procurar “Coração de Atleta”. Coração de Atleta, exatamente. Tem na Livraria da da Vila. Eu vou colocar o, o link da Amazon também aqui, porque aí fica tudo mais fácil, você vai lá e clica. E quem quiser ajudar pode botar o comentário na Amazon, avaliar, porque isso ajuda o algoritmo, né? A indicar pras pessoas: “Ah, você também vai gostar”. De quem ler o livro e gostar, né? Se não leu, não precisa colocar, de verdade. E, e aí também, eh, depois a gente vai, depois eu te chamo com mais calma, mas pra gente fazer uma campanha no Além do CNPJ de de angariar fundos pra ONG. Maravilhoso, mara. Acho que seria legal da gente às vezes fazer um videozinho, e juntos a gente pode se organizar ou até pegar alguns cortes e tudo mais, a gente pode até tentar aproveitar isso para angariar fundos para ONG. Não, maravilhoso, porque a gente precisa captar. A gente fez o curso pros professores do Ensino Fundamental I, a gente ainda precisa fazer o curso do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, e para isso a gente precisa dos recursos. Então o recurso é para isso, vai ser para formar o curso, para formar os professores, para formar conscientização. Empresários tanto para contribuir até para patrocinar, e coisa do tipo. A gente vai, a gente vai trocar. Super aberta a parcerias. Então a gente também… Da, assim como agradeci aqui à EMS Farmacêutica, e ela fez parte desse projeto, que a gente possa agradecer muitos outros. Agradeça sempre que puder a eles, porque é isso, tem que valorizar quem quem tá valorizando o projeto.

Sucesso, Patrícia. Vou te pedir licença, pagar seus patrocinadores. Galera, olha que história sensacional que a gente trouxe hoje aqui! É uma história de vida, uma história de empreendedorismo. Se você tá com a lente de empreendedor, você fez inúmeras analogias, insights, e com certeza você tá saindo daqui reenergizado. E independente da vida que você tenha, com certeza na tua lente isso aqui serviu como uma luva pro, pro teu momento, pra tua, pra tua vida. E tudo isso, gente, graças aos patrocinadores que acreditam no projeto do podcast do Além do CNPJ e apoiam a gente aqui a trazer todo esse audiovisual de qualidade e os convidados com esse, com esse nível de conteúdo aqui de forma de graça para a internet, de forma gratuita. Então quero começar agradecendo:

  • CMC Displays, meu parceiro Adalto de Carvalho. Tá precisando vender mais? Então seu negócio precisa de soluções criativas para PDVs, balcões, bandejas, displays e muito mais. O site e o arroba deles tá aqui na descrição do vídeo.

  • SMB Store, do meu parceiro Alonso. Desde 2018, a SMB Store tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar. Tá aqui o site, o @SMBStore na descrição do vídeo.

  • Agência RPL, do Rodrigo Álvares. A RPL oferece a solução completa de marketing digital para negócios, cuidando das empresas com olhos de dono, desde a criação de sites, gestão de anúncios, planejamento estratégico, social media e SEO. O site, o @rodrigorpl aqui na tela, aqui na, na descrição do vídeo.

  • WJR Consulting, do parceiro Wallenstein Júnior. Aumente seus lucros aumentando também a receita e reduzindo as despesas. Gestão financeira descomplicada para empresários, DRE, análise de capital de giro, fluxo de caixa e uma gestão profissional como todo negócio merece e precisa. O site, o arroba, na descrição do vídeo.

  • Inspira Capital, do parceiro Fabiano Brito. Operação e gestão financeira por assinatura, o braço direito do empreendedor. O BPO financeiro é o presente, não mais o futuro. Terceirize a gestão financeira do seu negócio. @inspiracaodiariaofc

  • Oportunidade de desembolsar menos com impostos através de um planejamento tributário. Especialistas em gestão de tributos e de crise. O arroba e o site da Polux aqui na descrição do vídeo.

  • Max Service, contabilidade que tem como missão a parte consultiva ao empreendedor, estando sempre próximo da gestão da empresa. Com ecossistema completo, oferece atendimento desde Simples Nacional até o lucro real, inclusive lucro real eles têm como prioridade. O site, o arroba, aqui na descrição do vídeo.

  • E De Sisto e Borghese. Você está com dificuldade para pagar seus impostos, tomou alguma autuação tributária que tá em risco, então, a sobrevivência do seu negócio? Chama a turma da De Sisto e Borghese. Eles são um escritório jurídico especializado em direito tributário e empresarial. Afinal, como já dizia Sobral Pinto, a advocacia não é uma profissão de covardes. No site e o arroba da De Sisto, aqui na tela.

Galera, todos esses patrocinadores são patrocinadores que, ao eh demonstrarem interesse, passaram por uma curadoria especial minha, pessoalmente minha, conhecendo todos os empresários à frente dos negócios, e os negócios também são empresas sérias em que você pode confiar. E também, quando eles querem entrar no patrocínio, a gente avalia se faz fit com a nossa audiência para saber se eles vão ter também resultado, porque senão, coloca uma pessoa muito avulsa aqui, investe, mas não tem retorno. Então, são empresas também que, com certeza, alguma das dores que você tá enfrentando, possivelmente algum desses patrocinadores tem para te ajudar. Então dá uma olhada com carinho, com certeza absoluta grande parte dos problemas que você tá tendo aí, tem alguém aqui que pode te ajudar. E se você falar que veio do Além do CNPJ, todos eles têm uma condição especial. Beleza? Tamo junto.

Patrícia, vou te fazer uma pergunta final, que eu até perguntei para você se você queria spoiler no começo, falou “não, eu prefiro que você faça sem me dar spoiler“. E basicamente é a seguinte, aprender disso agora, vai ser na coragem, hein. Hum. E é, e é bem profunda, ainda mais no tema que a gente tá conversando. E eu vou perguntar do mesmo jeito que eu pergunto para todo mundo: imagina, Patrícia, que você veio aqui gravar o podcast e, na hora que você sai daqui, pega teu carro para ir embora, você bate o carro, sofre o acidente e morre. Cara, Patrícia, 39 anos, 9 anos de transplantada, toda essa luta, para morrer num acidente. Não vai acontecer, nunca ninguém saiu daqui, bateu o carro e morreu, mas só para trazer peso pra pergunta. Sim. Cara, pensa então, traduz isso na tua realidade mesmo, 9 anos de transplantada, tua missão tá feita, e aí essa é a tua última aparição pro mundo. Além do livro, qual seria tua última mensagem?

Uau, que lindo. Minha última mensagem seria: essa vida, essa oportunidade de existência que nós temos é um presente gigantesco. Não percam minutos, segundos, horas com coisas que não valem a pena ou que te trazem uma tristeza ilusória. Porque nós não temos motivos para ficar tristes aqui, isso tudo é um grande aprendizado. Total. Isso aqui… isso tudo é uma grande escola e uma grande oportunidade da gente ser feliz. E construir a nossa felicidade tá sempre nas nossas mãos. A nossa vida tá nas nossas mãos, são as nossas escolhas. Então, que cada pessoa que tá ouvindo possa abraçar essa oportunidade, esse presente que recebeu, que talvez muitas outras pessoas quiseram tanto e não conseguiram fazer durar tanto, sabe? E cara, vai viver tua vida, sabe? Vai ser feliz, vai realizar seus sonhos, vai ousar, vai fazer o seu improvável. Todo mundo tem uma grande história para contar. Então assim, qual é o seu sonho? Ele não é pequeno. Não é pequeno. Sim, vai viver ele, a gente tá aqui para isso.

Caraca, você é foda! Parabéns, mais uma vez, baita do episódio, foi delicioso conhecer a sua história. Uma honra! Nossa, uma grande honra. Uma grande honra porque eu escutei, eu escuto, e assim no, no monte de gente, sabe, top, que vem, e que bom poder deixar um pouquinho, sabe? Que bom poder contribuir para esse time de feras.

Que você é fera demais. Seu episódio tá uma delícia, de verdade. Eh, eu não… eu normalmente não assisto a todos os episódios porque eu já gravei, eu sei o que aconteceu e tudo mais. Mas esse episódio vou fazer questão de, de escutar de novo. Um episódio bom pras pessoas, todo mundo que ouviu de vez em quando pode voltar aqui no Além do CNPJ e escutar de novo, porque é uma mensagem que a gente precisa se relembrar. Eu também me relembro vez ou outra, entendeu? É necessário a gente escutar os nossos… os próprios nossos ensinamentos de tempos atrás. Às vezes eu escuto vídeos de coisas que eu ensinei e que eu falo: “Cara, eu não tô aplicando”, é, entendeu? E eu, que naquele momento que aplicava. A coisa mais doida, quando eu tava escrevendo o livro, eu sempre fiz diário, né? Então o livro também é muito forte por, por isso, tem muita… muito trecho real da de quando eu tava vivendo. E eu fiz diário desde os 11 anos, eu peguei muitos trechos, e às vezes eu lia e falava: “Ah, fui eu? Eu escrevi isso?”. Porque eu tava numa outra frequência. Tava tão ampla nos momentos mais difíceis, tava tão ampla que eu tava acessando outras coisas, entendeu? A minha vida tava com um olhar maior. E às vezes eu faço isso, talvez é por isso que a meditação também é tão boa para mim. É um passo para trás, me, que, que me volta a essa… enxergar de uma forma mais ampla. Então, eh, a gente nunca tá parado na vida. Ou a gente tá andando pra frente, a gente tá andando pra trás, isso não existe, parado. Então a gente precisa fazer esse esforço cotidiano, semanal, de se lembrar que valores a gente quer que nos guie.

Total. É isso, tamo junta, mais uma vez. Prazer, obrigado. E pô, você que ficou aqui até agora, muito obrigado por ficar até o final. Espero que você tenha adorado essa história. Aqui embaixo tem a ONG da Patrícia, como chama mesmo? Desculpa. É @soudoador.org, e meu Instagram também @coracaodeatletaoficial. Aqui no começo você teve o, o letreiro dela aqui também, agora já coloca o letreiro dela também e segue ela. Aqui na descrição do vídeo também tem, tem a ONG dela. Contribua, e a gente precisa fazer essa mensagem chegar ao máximo possível da criançada, que hoje tem uma lei já. A parte mais difícil ela fez, agora ela só precisa de fundos, cara. E fundos é… tem dinheiro sobrando no Brasil. Vamos colocar dinheiro na mão dessa, dessa guerreira aí, para fazer o negócio acontecer e ir para cima de tudo quanto é, é escola e trazer esse conhecimento para nossa humanidade. Que, com certeza, é muito além de doação de órgãos, é, é um ensinamento que vai virar de uma, de uma sociedade melhor. Então, nos ajude nessa causa aí. E muito obrigado por ter ficado até aqui, até o final. Compartilha essa história com todo mundo que você conhece, seus sócios, seus amigos, seus parceiros. Aqui embaixo tem vários botões, clique em todos para engajar e vamos para cima. Obrigado, até a próxima. Valeu, Patrícia. Sucesso. Obrigado. Valeu, maravilhoso!

A Vida Não é Sobre o que te Acontece, mas Sobre o que Você Faz com Isso

Imagine nascer com um “prazo de validade” estipulado por médicos e, contra todas as probabilidades, transformar essa fragilidade na sua maior força. No episódio #081 do Além do CNPJ, recebemos Patrícia Fonseca, autora, palestrante e empreendedora, que compartilha uma jornada visceral de sobrevivência e otimismo. De uma infância marcada por problemas cardíacos graves a um transplante que mudou tudo, Patrícia nos ensina que o segredo da superação — seja na vida ou nos negócios — está na forma como olhamos para as cartas que recebemos.

1. O Jogo de Cartas da Vida

Patrícia compartilha uma lição fundamental que recebeu de seu pai, também empresário. Em vez de ser protegida em uma redoma de vidro, ela foi ensinada a encarar sua condição como uma circunstância, não um destino. Essa mentalidade é o que diferencia quem se entrega às crises de quem as utiliza como degrau.

“A vida é como um jogo de cartas. A gente não escolhe as cartas que vêm na nossa mão, e o vencedor não é quem ganha o jogo, mas aquele que faz o melhor que pode com as cartas que tem.”

2. A Ambiência que Blinda o Mindset

Um dos grandes insights do episódio é como o ambiente familiar de Patrícia “blindou” sua mente. Em sua casa, a palavra “doença” era evitada; falava-se em um “probleminha”. Essa abordagem evitou traumas e permitiu que ela crescesse com a mesma garra de qualquer outro empreendedor. Para quem tem empresa, a lição é clara: a cultura do ambiente determina a resistência da equipe diante dos desafios.

“Você não vai achar que é difícil algo que o seu entorno não acha difícil. A ambiência começa em casa.”

3. Transformando o Vale em um Ano Sabático

Aos 20 anos, Patrícia recebeu um ultimato: tinha apenas seis meses de vida e precisou abandonar faculdade e estágio para ficar de cama. Em vez de deprimir, ela decidiu que aquele seria seu “semestre sabático”. Mergulhou em livros de economia, filosofia e autoajuda, voltando para o mercado muito mais madura e preparada do que seus pares.

“Qual é o lado bom disso que está acontecendo? Se eu ler muito, quando eu sair deste período, eu vou estar melhor.”

4. A Fé como Caminhada na Neblina

Patrícia refuta o impossível. Ela detalha como sua vontade de viver moldou sua realidade biológica, desafiando diagnósticos médicos e alcançando recuperações recordes. Ela compara a fé e a determinação com o ato de caminhar no escuro, onde o próximo passo é a única coisa que importa.

“Fé para mim é continuar caminhando acreditando que só falta um passo, mesmo sem você estar vendo.”

 O Empreendedorismo da Vida Real

A história de Patrícia Fonseca é um lembrete poderoso para todo dono de CNPJ: reclamar piora qualquer situação. A maturidade vem de selecionar onde gastar energia e entender que a nossa vontade tem o poder de moldar o universo ao nosso redor. Se ela sobreviveu a múltiplos diagnósticos de morte para se tornar uma voz de impacto, quais são os “probleminhas” da sua gestão que você está transformando em monstros?

Assista agora a este episódio emocionante e descubra como aplicar a resiliência de Patrícia Fonseca no seu dia a dia empresarial.

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