Como Lucrar Mais com Gestão de Pessoas e Perfil Comportamental feat. Ronildo Queiroz | Além do CNPJ (EP #067)

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Agora você pensa bem: você vem de uma família pobre, de uma comunidade carente, aí você começa a ter carros que você nunca achou que ia ter, comer em lugares que você nunca achou que comeria, fazer viagens que você nunca pensou que faria. E aí chega uma hora que, quando você tá assim, chegando no pico, aí o Senhor vem dizer assim: “Cara, sai daí que não quero mais você aí”. A pessoa me perguntou o seguinte de uma empresa: “Você faz palestra motivacional?”. Eu falei: “Não”. Por quê? Porque eu não acredito. Eu acredito na psicoeducação. Às vezes a pessoa poderia ter expandido muito mais, e ela míngua ali por quê? Ah, porque o mercado, o Brasil é difícil… Não é, cara. Muitas vezes tá dentro do nosso próprio perfil, nós mesmos nos limitamos. Tá dentro de casa.

Buenas, buenas, buenas! Seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ, mais um episódio que a gente tá trazendo aqui pra internet. E hoje eu tô com um convidado muito legal. Cara, tem uma bagagem, tem uma história, tem uma jornada na vida dele que vai ser muito bacana. Já tô sabendo que essa 1 hora e 15, mais ou menos, que a gente tem para gravar, já vai ser pouco tempo. Então, ó, se não der tempo vai ter que ter um segundo episódio! E é o seguinte, pera… Puta que pariu, eu vou ter que parar. Ok, pera aí que desconectei o cabo. Vamos de novo. Vou começar de novo.

Não me faça te diagnosticar, filho, já tô te analisando aqui!

Isso aqui, meu, vai ser o quê? Vai ser uma consulta! Ele nem se ligou. TDAH puro aí.

Consulta grátis! E eu tenho TDAH fortíssimo.

É, já percebi.

Você acredita? Depois eu vou até te contar no ar, vai ficar mais legal contar no ar. Buenas, buenas, buenas! Seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Tô muito feliz de você estar aqui para trocar essa ideia com a gente. E o convidado que tá aqui na minha frente, cara, sensacional. Essa 1 hora e 15 que a gente vai ter já não vai ser tempo suficiente, então já tô falando para ele que vai ter que ter um segundo episódio. Todo mundo que eu trago aqui tem essa veia empreendedora, é o que a gente promove na internet, gosto de trocar ideia com pessoas assim e faço um filtro muito grande. Eu não o conhecia pessoalmente, mas parece besteira, eu analiso e faço uma curadoria fina em todos os convidados que a gente vai trazer. Primeiro, porque eu preciso me conectar com a pessoa e trazer essa verdade aqui para o Além do CNPJ. Nessa mesa tem que ter pessoas que eu queira conversar. E isso é uma das coisas que vocês já perceberam, tenho recebido muitos feedbacks de que os episódios do podcast, mesmo quando a pessoa não conhece o convidado, ela clica com a certeza de que vai ser uma baita entrevista. Tô muito feliz com o feedback de vocês. E a pessoa que tá aqui na minha frente é um empreendedor vida real, que já teve vários negócios, várias empreitadas, e além de tudo o cara é psicólogo. Então a gente tava aqui começando a gravação e, de repente, eu desconectei o fio do fone, parei de escutar, e ele falou assim: “Cara, eu já tô te diagnosticando, você tem um TDAH forte”. Falei: “Vixe bicho, isso aí é a minha vida, TDAH!”. Então você já vê que o cara é um bom profissional. Tô aqui com o Ronildo Queiroz. Cara, muito obrigado por vir hoje aqui, viu?

Obrigado, prazer meu estar aqui conhecendo. O Gustavo falou bastante de você também, e muito bom tá aqui. Vamos trocar uma ideia, e eu acredito que vai ser, no mínimo, inspirador.

É isso aí! Cara, você já deu de letra, TDAH. Sabe como eu descobri que eu tenho TDAH? Olha que viagem, aqui é vida real, conto mesmo. Nunca soube que eu tinha TDAH, sempre fui taxado pela minha família como peste, moleque louco, acelerado, arteiro. E pior que TDAH tá na moda hoje em dia, todo mundo tem, me sinto até um pouco menosprezado porque descobri isso quando ninguém sabia o que era. Quando eu entrei na faculdade, eu tinha uns 18 ou 19 anos, tava na aula de economia, que eu amava. Passou uma mosca na minha frente. Sempre tive problema com inseto assim: se passar uma mosca, o meu olhar segue e eu perco o foco, é loucura. Esses dias eu tava em reunião com uma arquiteta super renomada, passa uma mosca na minha frente e meu cérebro, para conseguir continuar a conversa, exigiu um esforço absurdo. E aí, nessa aula de economia, a professora tava dando aula e reparou que eu tava seguindo a mosca, me desconectei. Depois ela chegou e falou: “Cara, procura um psiquiatra”. Pensei: “Tá me achando de louco?”. Ela falou: “É sério. Eu vi que é uma aula que você gosta, interage, e por causa de uma mosca você se perdeu”. Fui no médico, ele me diagnosticou com TDAH, comecei a tomar remédio por um ano e meio. Mudou minha vida. Depois, um segundo psiquiatra falou que eu já tinha aprendido um pouco, o remédio já tinha me ensinado a focar, e que eu não precisava tomar para sempre. Larguei o remédio, mas cara, tenho um TDAH fortíssimo.

É que você vai desenvolvendo as estratégias de enfrentamento, que a gente fala. Vai adaptando formas de lidar e segue. Acho que é importante isso, não ficar só no medicamento, desenvolver essas estratégias. A gente do meio da psicologia fala que não romantiza o transtorno, mas existem coisas que em algumas funções e atividades parece que te dá alguma vantagem. A pessoa consegue o multifocal, faz várias coisas ao mesmo tempo e consegue entregar. O problema é quando a pessoa não dá conta, não entrega, e aí começa a ter problema de produtividade.

Mas antes, o podcast não é para falar de mim, eu quero falar de você. Conta um pouco da tua trajetória. Quem é o Ronildo? Mas antes de entrarmos no Ronildo de hoje, como o pessoal te chamava quando você era criança?

Rapaz, era Roninho.

O Roninho! De onde você veio? Onde você nasceu? Como foram teus pais, tuas referências familiares? Quais foram as influências que você teve para chegar na vida adulta, o que você queria ser? Você é um cara muito espiritualizado e eu sei que vai trazer esse lado para a tua jornada empreendedora. Conta como foi esse processo, se foi desde sempre ou se você se descobriu na religião. Dá um overview da tua trajetória.

Eu vim de família nordestina. Meu pai pernambucano, minha mãe baiana, vieram para São Paulo na época para o lado do Tucuruvi, ali no Brasil. A gente morava num quartinho que uma tia cedeu, imagina só, um casal com quatro, cinco filhos. Depois nós viemos pra Diadema. Outro dia eu tava aqui na Figueiras e um cara bateu no meu carro. Ele desceu e falou: “Ô mano, eu sou da favela de São Bernardo”. Eu falei: “E aí? Daí que eu sou da favela de Diadema, tá me tirando?”. Aí o cara olhou: “Pô, esse cara aí…”. A gente morou em Diadema, fui criado basicamente numa comunidade, na minha época era favela mesmo, barro vermelho, aquela coisa toda. Mas a gente tinha recebido dos pais valores, princípios. Fui crescendo dentro dessa comunidade e me lembro que minha mãe me colocou para trabalhar na SODIPROM na época, de guardinha, office boy. Primeira bicicleta, pagando naquele carnê de 24 vezes.

Então venho de uma família humilde, mas lá eu já tinha uma coisa comigo de pensar que a gente podia ir além. Quando adolescente, eu tinha esses pensamentos de sair, de crescer. O bairro que a gente morava era muito violento, muitas mortes. Criança de 10, 12 anos via muita gente morrendo na rua, dando o último suspiro por conta de tiro ou facada. Mas eu tinha esse olhar para fora. Fui trabalhar de guardinha no escritório, depois fui ser auxiliar de compras. Na minha época ainda era datilografia. Minha mãe me fez fazer datilografia, odiava aquele curso, mas diziam: “Tem que fazer, senão você não vai trabalhar em escritório”. Fui como auxiliar de compras, depois como comprador. Na época do Plano Collor, demitiram um monte de gente, eu assumi o cargo e assumi o departamento de compras.

Aí comecei uma vida profissional de fato. Tive chefes que me inspiraram e disseram frases que eu nunca esqueci. Tinha um alemão para quem eu trabalhei que falava assim: “Aquele que trabalha pelo que ganha não merece receber pelo que trabalha”. Na época eu achei que ele só falava isso porque era o dono. Um funcionário tem essa parada de achar que é fácil pro dono dizer. Mas depois eu entendi que você precisa ir além. A gente tem uma cultura muito de “quando eu for, aí eu faço”, mas na verdade a gente precisa fazer para ser. Essa é uma cultura que muitas vezes leva as pessoas a estagnar.

Fui crescendo, casei com 18 anos e fui pra igreja também. Na fase mais jovem, cheguei a ter problemas com álcool, bebia, chutava o balde, mas depois fui pra igreja. Fui batizado em 97 e ali começou uma história. Uma vez eu fui numa igreja bem simplesinha e um pastor orou por mim. Ele disse: “Deus me deu uma revelação, você vai ter uma empresa e eu vi um corredor comprido com várias mesas, e em cada mesa um computador”. Confesso que olhei pra ele e saí dali pensando que o cara era louco. Eu vinha de comunidade, família pobre, era funcionário… E logo depois fui demitido da empresa.

Quando fui demitido, fiquei bem mal. Um ou dois meses depois, o primo do dono da empresa foi abrir um negócio similar e foi atrás de mim. Me chamou pra ser sócio. Falei: “Cara, não tenho dinheiro”. Ele disse: “Não, você tem conhecimento”. Ele me deu sociedade e começamos numa casinha perto da Vila Mariana, depois fomos para um galpão de 200 metros em Diadema, depois aumentou para mil, dois mil, três mil metros… Hoje tem galpão de sete mil metros, empresa em São Paulo, Manaus, Bahia. O Senhor cumpriu de fato. Na época eu não entendia, mas aconteceu. Demorou uns 5 ou 6 anos. E quando unimos dois galpões e rompemos a parede, ficou exatamente um corredor comprido com várias mesas e computadores, como na revelação. Me lembrei na hora. Respeito quem não crê, cada um tem a sua fé, mas eu creio piamente e busco ser dirigido por Deus.

Crescemos muito, nos tornamos referência no meio de termoplástico, fornecendo para a Fiat, indústria automobilística e outras áreas. O ex-sócio tá lá ainda, é um querido amigo e toca a empresa. Só que aí eu fui crescendo na igreja. Quem conhece ambiente de igreja sabe: canta nos jovens (eu não cantava porcaria nenhuma, mas tava lá). Eu gostava de buscar e estudar, comecei a estudar teologia. Tive uma visão de olhos abertos na parede, vi ferramentas e uma voz me disse: “Você vai ser um pastor desse rebanho, vou te colocar como presidente dessa igreja”. Imagina alguém que tava na igreja há uns dois anos ser presidente de uma denominação espalhada pelo Brasil. Eu contei pro meu pastor e ele ficou olhando. Sempre fui boca aberta, acho que é por isso que a gente paga alguns preços, igual a José da Bíblia contando os sonhos.

Em 2011, 2012, eu estava muito bem na empresa. E Deus falou comigo: “Não quero mais você na empresa”. Pensa bem: você vem de família pobre, começa a ter carros bons, comer em lugares bons, viajar… e no pico do sucesso, o Senhor manda você sair. Várias pessoas me entregaram a revelação e Deus confirmou. Brinco que se o negócio estivesse ruim seria fácil, mas estava tudo ótimo, eu trocava de carro a cada ano e meio. Falei com meu sócio, ele entendeu. Fui concorrer à presidência da denominação, a nossa chapa ganhou e eu assumi. Saí do negócio de vez. O primeiro mandato teve concorrência, o segundo não, e no terceiro também fui reeleito. Me dediquei por 10 anos como Bispo.

Até que chegou um ponto em que me divorciei. Por uma questão bíblica e de respeito à denominação, entreguei o cargo de presidente. Eu já era graduado em psicologia e vinha atendendo. Resolvi nichar o meu negócio em empresários. Se você procurar no Google, quase não tinha ninguém focando nisso. Eu colocava: “Atendimento psicológico para empresários”. Eles me procuravam para entender o que era. Eu mandei produzir uma pasta bonita, papel timbrado, porque o empresário tem um crivo. A roupa, o carro, a pasta que você usa, tudo comunica. Comecei a atender donos de empresas e, depois, fazer trabalho com os diretores. Hoje, eu anuncio no Google buscando “habilidades sociais” porque o clique era centavos, enquanto “soft skills” era caríssimo. Sempre remei contra a maré.

Na faculdade a professora dizia que na psicologia organizacional a TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) não funcionava. Mas eu tinha cabeça de empresário. O empresário investe quando você mostra o lucro, o benefício prático. Não adianta falar só de bem-estar de forma abstrata. Eu consigo tangibilizar: mostro para o empresário por que ele tem que testar os perfis antes de contratar um diretor de 30 mil reais. Se não souber quem é o cara, ele fica seis meses, gasta uma grana e vai embora. Eu trabalho mentorando empresários, trabalhando com diretores e com mediação de conflito e clima organizacional.

Criei um produto chamado “Contratação Assertiva”. Puxo o perfil do dono da empresa, testo o candidato e faço o cruzamento dos perfis. Mostro antes de contratar as sinergias e os conflitos que vão ter. Já atendi dono de construtora que contratou alguém sem testar. A pessoa era boa, mas zero rotina e zero organização de relatórios, e o dono era muito analítico. Deu ruim. Se ele soubesse antes, colocava um assistente para a pessoa, porque o perfil dela não era preencher planilha.

Também trabalho com a liderança religiosa, unindo desenvolvimento humano e teologia. Tudo isso para trazer autoconsciência, porque da autoconsciência vem a autorresponsabilidade. Quando mentorando alguém, se a pessoa só culpa a empresa ou o país, eu pergunto: “E o que você vai fazer a respeito?”. Reclamar é fácil, produzir é a grande sacada.

Desenvolvi um treinamento chamado “Liderando a si mesmo para melhor liderar”. É um treinamento de 6 horas, punk. Aplico testes antecipadamente, levo as pastas individuais, dou a palestra ensinando a base teórica — genética, dinâmica familiar, cultura — e como isso forma os traços de comportamento. Não faço palestra motivacional rasa. Uso psicoeducação com embasamento técnico. Aí a pessoa olha para o próprio teste e tem o insight de por que ela age daquele jeito nas empresas.

Isso é surreal. Eu também tenho a dor de tentar achar um terapeuta que entenda a vida empreendedora. A gente passa por muito papagaio de pirata, muita gente bajulando, e o bom empreendedor tem que saber filtrar para não perder os pontos cegos. Quando vou na terapia, sinto falta de dividir problemas da empresa porque os conselhos às vezes não conectam com a realidade dos negócios. Essa bagagem empresarial que você tem traz muito valor.

A gente cria pacotes, desde a empresa pequena até a grande. Assumi a gestão de RH de uma empresa que só tinha Departamento Pessoal. Fiz diagnóstico, testagem, atendimento. Fui convidado para palestrar para 35 empresas em Campinas sobre RH. Há um equívoco hoje no RH: pode fazer festa e day off, mas o pilar é entender e desenvolver pessoas. A empresa não tem psicólogo, a avaliação não é técnica. Uma empresa grande me pediu para mentorar quatro diretores porque receberam processos de assédio moral no trabalho por comunicação agressiva. O cara era muito cético, da escola meritocrática, e achava que não tinha que elogiar quem era pago para fazer o seu trabalho. Eu pergunto: “Você tá liderando máquinas ou pessoas?”.

Um gerente de indústria que eu acompanhei não desenvolvia ninguém, era cético. Dei papel e lápis, ele desenhou um pai balançando a filha numa cerca. Perguntei: “Do lado de fora tem um homem com uma motosserra, o que você faria?”. Ele respondeu: “Arrancaria um pedaço da cerca e bateria nele, porque ele ia cortar minha árvore!”. Eu disse: “Eu não falei que ele ia cortar sua árvore. Percebe por que você precisa confiar mais nas pessoas e parar de criar histórias distorcidas?”.

Tá cheio de gestor assim, e a empresa não cresce. Perde talento pro concorrente porque o founder tem disfunções e não tem autoconsciência. Hoje em dia tá cada vez mais difícil encontrar gente disposta. Tem a questão do Bolsa Família, que sou a favor, mas acho que desincentiva o trabalho formal porque a pessoa perde o benefício. Então reter talentos com uma boa liderança é fundamental. E eu, como empresário, confesso que sou muito direto. Lido bem com times de alta performance. Se o Bernardinho apontar o dedo pra mim e mandar eu ir pra lá, eu vou sem levar pro coração. Sei que sou difícil de lidar. O RH diz que sou muito bonzinho com histórias tristes, mas na operação sou direto e valido pouco o time. Minha esposa fala que eu tenho que elogiar mais, e eu comecei a perceber que realmente funciona e o time voa. O empresário não é treinado para ser líder.

As graduações não ensinam o cara a ser empresário ou líder. Eu digo sempre que aumento de salário é bom, mas o que motiva de verdade está nas carências que trazemos da nossa família nuclear. São três percepções: afeto, inclusão e autonomia. Você tem um time e não sabe quem precisa mais de qual. Como líder, você precisa dizer: “Vocês não são só números (afeto), o sucesso é nosso (inclusão) e vocês têm liberdade para sugerir ideias (autonomia)”. Uma pessoa que não teve afeto em casa se retrai com uma bronca e não se engaja. Uma pessoa que precisa de inclusão se sente castrada se você traz o projeto pronto sem ouvi-la. O líder centralizador, que não dá autonomia, impede a empresa de crescer.

Atendi um CEO que estava há 12 anos com um gerente e ele nunca formava um sucessor. Fiz o perfil dele e disse: “Esse cara não serve para formar, ele serve para manter padrão nas unidades”. O CEO mudou ele de função e, em seis meses, formaram duas pessoas. É entender a diferença entre Chefe, Líder e Gestor de Pessoas. O gestor tem que identificar a peça certa para o lugar certo. Uma coisa que pergunto para os executivos é: “Como você forma novos líderes?”. O professor ensina, o treinador mostra como fazer, o mentor faz perguntas. Um gerente apertou o botão da máquina para um funcionário e achou que ensinou. Eu disse: “Você reforçou a dependência. Você tinha que ter feito ele olhar e descobrir qual botão faltava apertar”. Se você é pago como executivo e desce para ajudar a remar o barco, quem é que tá conduzindo o barco?

O dono tem que migrar pro estratégico. Tem empresário que acha que “o olho do dono que engorda o boi”. Eu respondo: “Como o olho do dono tá numa empresa presente em 30 países?”. Crescimento é pessoas e processos. Se não tem governança, software e treinamento, você fica estagnado e limita o próprio negócio.

Voltando pro seu lado empresarial, o empreendedor começa muitas vezes por necessidade e, de repente, precisa ser gestor financeiro, líder, estrategista. O meu lado processual é muito mais forte que o de pessoas. Como foi o processo de descoberta do Ronildo como líder?

Sendo forçado. Eu sou nordestino, sangue no olho, mas tive que aprender lendo e observando. Li John Maxwell, estudei teologia, filosofia, psicologia, antropologia. Fui entendendo que soft skills é a regra de ouro: tratar o outro como quero ser tratado, algo que tá na Bíblia há milhares de anos. Na minha primeira empresa a gente era sucateiro, comprávamos refugo de plástico da Brastemp, moíamos e vendíamos. Chegamos a fornecer para gigantes da indústria automobilística e agrícola, competindo com multinacionais francesas, porque nunca acreditamos no “é impossível”. O impossível é só até alguém decidir provar o contrário.

Mas voltando à questão do RH nas grandes empresas, vejo uma onda “Woke”, focada apenas em representatividade forçada e agendas extremistas, e esquecendo do desenvolvimento real. Como você enxerga isso?

Eu uso o filósofo Emmanuel Levinas, que fala sobre a “alteridade”. Alteridade é eu me sentir responsável por você sem tirar a sua dignidade, sem querer fazer de você um clone meu. Respeito suas escolhas, mas o foco tem que ser a competência. Eu não vou entrar num avião pela cor ou ideologia do piloto, eu quero saber se ele sabe pilotar. O RH precisa respeitar a dignidade do sujeito, mas não pode perder o foco no desenvolvimento e no mérito. Favorecer alguém apenas por uma característica e não desenvolver o todo é reforçar uma condição de limite. Achar que o problema é sempre o país ou o sistema, e não como nós interpretamos nossa realidade, é perigoso. O extremismo, o 8 ou 80, é prejudicial. É preciso equilíbrio.

Exatamente. Se a pessoa que defende essas pautas extremistas fica doente, ela vai querer o melhor cirurgião, e não alguém que entrou apenas por cota ideológica sem a devida habilidade. É preciso ter agendas inclusivas sim, mas a transição tem que ser inteligente e focar na competência.

E sobre essa cultura atual, a pandemia mudou muito. Hoje, CEOs que falaram que o “novo normal” era o Home Office estão exigindo o retorno presencial. Porque a cultura do trabalho não mudou a métrica; as pessoas medem o trabalho pelo tempo que o cara tá logado e não pela entrega. A cultura precisa ser modificada.

Quem escuta isso e quer contratar suas mentorias, como faz?

Tem os psicólogos que atendem com a minha supervisão. Eu aplico vários testes psicológicos e cognitivos logo de cara para embasar o trabalho e ser assertivo. Quando eu cruzo as informações, entrego o parecer para o empresário e mostro onde ele precisa mudar. Tenho clientes que peço para colocar o chinelo do outro lado da cama só para desconstruir o padrão metódico do cérebro dele. Tenho clientes que obrigo a pedir uma esfirra de sabor diferente na sexta-feira só para tirar da zona de conforto, mostrando que ele precisa parar de agir como comerciante de balcão e virar empresário.

É a bagagem empresarial somada à psicologia que faz a diferença e gera resultado rápido e assertivo.

Galera, todo esse papo que tivemos de forma gratuita na internet só é possível graças aos patrocinadores. Agradeço à CMC Displays por ajudar a aumentar vendas com soluções criativas para pontos de venda. Agradeço à SMB Store pelo ERP super fácil e acessível para pequenos empreendedores controlarem estoque e financeiro. À Agência RPL pela gestão estratégica de marketing digital com visão de dono. À WJR Consulting por profissionalizar e descomplicar a gestão financeira através de relatórios e DRE. À Inspira Capital, que traz o BPO financeiro por assinatura para estruturar seu negócio de forma segura. À Polux Online pelo planejamento tributário e gestão de crises empresariais. E à Max Service Contabilidade, por atuar de forma consultiva no coração da gestão do empreendedor. Muito obrigado a todos os patrocinadores!

Ronildo, pergunta final, vou até bater na madeira: imagina que você saia daqui hoje e bata o carro, seja a sua última mensagem para o mundo. Com toda a sua bagagem como empresário, psicólogo e líder, qual seria essa última mensagem?

Nenhum prazer e nenhum bem te completará fora de Deus. Nós viemos de uma comunidade carente, o sonho era ter um carrão. Quando você tem, em pouco tempo enjoa. As coisas são temporais e passam. O ser humano precisa ter atenção: nós queremos nos prender a coisas temporais e não nos atentamos às coisas que são eternas.

Sensacional. Que papo profundo! Ronildo, muito obrigado. A quem assistiu até o final, curtam, sigam o Ronildo e compartilhem com outros empresários que precisam ouvir isso. Até a próxima!

A maioria dos empreendedores foca incansavelmente em processos, vendas e planilhas financeiras, mas esquece que o verdadeiro gargalo do crescimento está nas pessoas. No episódio #067 do Além do CNPJ, recebemos Ronildo Queiroz, que tem uma trajetória fascinante: de menino criado em uma comunidade carente em Diadema a empresário de sucesso e, hoje, psicólogo organizacional e mentor de grandes líderes corporativos. Se você quer entender por que sua equipe não engaja, por que você tem dificuldade de delegar e como o seu próprio perfil comportamental pode estar limitando os lucros da sua empresa, este papo é uma verdadeira sessão de mentoria gratuita.

1. Liderando a si mesmo para melhor liderar

Muitos donos de empresas reclamam que suas equipes não funcionam, mas não percebem que o problema começa no topo. Ronildo explica que o empresário não é treinado nas faculdades para ser um líder. Para liderar os outros com eficácia, o primeiro passo é o autoconhecimento. Se um gestor é extremamente controlador, metódico e centralizador, ele não consegue abrir mão do operacional para focar no estratégico, limitando o crescimento do próprio negócio.

“Eu não posso cuidar do outro se eu não sei nem cuidar de mim. Se eu não souber as minhas propensões e tendências, eu crio histórias na minha mente que não são verdades absolutas.”

2. A Ilusão do Salário e as Três Percepções Essenciais

Dar um aumento salarial é ótimo, mas não é a solução definitiva para o engajamento. Ronildo traz uma visão psicológica profunda sobre o que realmente motiva um time: as carências de afeto, inclusão e autonomia que trazemos da nossa família nuclear. Quando um líder entende qual dessas três percepções falta em seu colaborador, ele consegue gerar um vínculo verdadeiro. Um elogio, um abraço ou a simples liberdade para dar uma ideia podem reter um talento muito mais do que um bônus no final do mês.

“Não é o produto nem o serviço, é a capacidade adequada de fazer vínculo. Se você consegue vincular, cara, você tem tudo.”

3. A Diferença entre Ensinar e Criar Dependência

O papel do líder não é dar a resposta pronta toda vez que um problema surge. Ronildo conta o caso de um gerente de fábrica que sempre resolvia os problemas das máquinas para os funcionários, achando que estava “ensinando”. Na verdade, ele estava reforçando a dependência. O verdadeiro mentor faz perguntas, coloca o colaborador para pensar e o ajuda a enxergar a solução, criando profissionais autônomos e desenvolvendo novos líderes.

“O mentor não diz para você o que fazer. Ele escuta você e tem que te fazer perguntas para te fazer pensar, porque a solução tá ali e você não observou.”

4. O Verdadeiro RH e as Agendas Extremistas

Hoje em dia, muitas empresas perdem o foco no desenvolvimento humano para cumprir tabelas de agendas ou pautas extremistas. Ronildo alerta para o perigo de um RH que foca apenas em compliance superficial e esquece da sua função raiz: entender e desenvolver pessoas respeitando a dignidade de cada indivíduo (a alteridade), mas sempre com o foco na competência e na entrega de resultados.

“Eu me sinto responsável por você sem tirar a sua dignidade, mas eu não posso perder o foco do desenvolvimento. Eu quero saber se o cara sabe o que está fazendo.”

Conclusão: A grande lição que Ronildo Queiroz deixa é que o empreendedorismo e a liderança são, no fundo, jornadas de autodescoberta. Não basta ter um bom produto se você não sabe lidar com a complexidade humana. E, mais importante do que qualquer sucesso material ou pico na carreira, é entender que nenhuma conquista temporal preencherá o vazio de quem não busca um propósito maior.

Quer uma verdadeira aula sobre psicologia nos negócios e gestão de pessoas? Assista ao episódio completo agora mesmo!

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