A História Por Trás De Patati Patatá Feat. Igor Faria | Podcast Além Do Cnpj (EP #82)

1. O Começo de Tudo e o Acidente Trágico

A história do Patati Patatá começou muito antes do sucesso na televisão. O pai de Igor não foi o criador dos nomes, mas entrou como mágico num grupo de animadores infantis que contava com dois palhaços, um mágico e uma bailarina. Um trágico acidente de carro levou a vida de três integrantes. A mãe das vítimas, dona do grupo, entregou a marca ao pai de Igor: “Meus filhos te amavam, se você quiser tocar com os seus irmãos, fique à vontade”. Foi assim que ele assumiu, manteve o legado e, mais tarde, o formato evoluiu apenas para a dupla Patati Patatá.

“A minha casa não era minha casa, a minha casa era o escritório do Patati Patatá. O resto da casa era estoque de CDs, DVDs, LPs, camarim para eles se maquiarem. O meu pai sempre foi um treinador.”

2. De Vender Batatas na Estrada ao Mundo dos Negócios

Igor e a família conheceram o verdadeiro “empreendedorismo raiz” muito antes da internet existir. Para sustentar o negócio do Patati Patatá — que dependia das escolas, e elas não funcionavam durante três meses do ano — a família vivia de vender apresentações porta a porta. Mas a vida também reservou percalços: quando a família passou por dificuldades e o pai de Igor foi preso após investimentos mal-sucedidos em postos de gasolina, o próprio Igor, aos 17 anos, começou a vender batatas na estrada para sustentar a casa, e antes disso já empreendia promovendo matinês e viagens na sua adolescência.

“Eu decidi criar a primeira matinê da Zona Leste. Eu tinha 14 anos e fiz sete festas num ano. Na primeira foram 250 pessoas, e depois dava sold out para mais de 800.”

3. A Crise do Conteúdo Infantil: O Vazio da TV Aberta e o Risco do YouTube

Talvez o momento mais forte do episódio tenha sido o alerta de Igor sobre o atual cenário do mercado infantil. Impulsionado por regulamentações extremas e proibições de publicidade, a TV aberta no Brasil abriu mão de produzir conteúdo para crianças. O resultado? As crianças migraram para o YouTube. E lá, em uma plataforma onde “qualquer um gasta 2.000 reais para fazer um vídeo”, o controle de qualidade desaparece. Enquanto o Patati Patatá investe milhões em séries seguras para o Discovery Kids, canais independentes lucram ensinando as crianças a desrespeitar os pais.

“As televisões abertas não têm mais oferta de conteúdo para crianças de tantas travas de publicidade e multas pesadas. […] Quem tá sendo prejudicado com isso? As crianças. A gente tem que proteger as nossas crianças de conteúdos que não agregam.”

4. A Essência do Legado e da Família

Ao ser provocado com a tradicional pergunta final sobre o leito de morte, Igor deu uma resposta visceral. O sucesso financeiro não compensa o fracasso no lar. Ele ressalta que muitos bilionários morrem solitários, arrependidos por não terem passado tempo com seus filhos. O próprio Igor sabe a dor da ausência dos pais durante as turnês da sua infância, mas ressignificou isso ajudando-os a empacotar fitas e cheques nas madrugadas. A mensagem é clara: trabalhe duro, mas não sacrifique o seu bem maior.

“Nenhum sucesso fora de casa compensa o fracasso dentro de casa. Se para eu enriquecer eu perder a minha mulher e os meus filhos… esquece. Seja muito intenso pelo que você faz, mas ainda mais apaixonado pela sua casa.”

Conclusão: A história de Igor Faria nos ensina que o empreendedorismo não é um mar de rosas ou uma simples fórmula de sucesso no Instagram. Ele é forjado na dor, nas noites em claro, na reinvenção constante e na construção de um legado familiar forte. O Patati Patatá não é só uma dupla de palhaços; é a prova viva de que o trabalho de uma vida inteira, feito com amor, resiliência e foco no longo prazo, se torna imortal.

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Eu tenho essa atuação com jovens, com adolescentes, que perguntam, né: “Qual que é o meu propósito? O que eu vim fazer nessa terra? Como eu faço para escolher minha faculdade?”. Eu falo: “No que você é bom, cara? Porque isso já diz muita coisa, e o que você é ruim já diz outra muita coisa também”. Eu tenho essa facilidade de comunicar. Então, eu não sabia que isso era vendas, mas tem tudo a ver com venda. Hoje os jovens que estão nos ouvindo aqui, que estão procurando qual curso fazer ou qual empresa abrir: “Cara, o que você gosta? O que você tem paixão de falar, de estudar, de assistir?”. Não é por interesse, é por amor. E aí, sem querer romantizar negócios, você tem que gostar. Eu sinto que quando o cara faz só por dinheiro (não que a gente não queira dinheiro), fica uma coisa muito mecânica, que muitas vezes você não vai dar o seu melhor por paixão. Na maioria das vezes não dá certo. As minhas duas ou três vezes em que fiz negócio por dinheiro, apenas, não deu certo. Quando você pensa só em dinheiro, no final você deixa de pensar nas coisas que de fato dão dinheiro.

Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui pra gente trocar essa ideia de empreendedorismo vida real. E, cara, hoje o convidado que tá aqui na minha frente vai ser um papo muito legal, que com certeza vai explodir a mente de muita gente. O negócio que ele tem nas mãos é um negócio que todo mundo conhece, todo mundo já ouviu, todo mundo sabe, possivelmente conhece as músicas (principalmente quem tem criança sabe de cor e salteado). E a gente tá aqui agora para trocar ideia sobre esse negócio do ponto de vista empreendedor: como quem tá lá na frente da estratégia do negócio, toca a operação, foca na inovação, como cuida de novos produtos e como faz com que essa receita continue girando. O olhar empreendedor sobre o Patati Patatá. Tô aqui com o Igor Faria, ele é o presidente do Patati Patatá, e a gente vai trocar uma ideia sobre isso.

Obrigado, viu? Muito obrigado, cara, por vir. Vai ser um papo muito massa, já tô ansioso, a gente já tava aquecendo! Já devíamos estar gravando, perdemos uma parte importante, mas vou repetir aqui. Mas, Igor, antes da gente entrar nesse universo do Patati Patatá, de onde você veio? Quais foram suas referências? Você teve pai e mãe presentes na tua vida? Como foi a presença deles na tua trajetória? O que você fez da sua vida até chegar na vida adulta, até assumir o Patati Patatá? Dá um overview geral de forma resumida sobre a tua influência da infância até a vida adulta.

Cara, é muito legal falar sobre a minha infância num podcast de negócios, porque o meu pai é uma figura que, hoje, de uns anos para cá, eu entendo que a vida inteira ele foi um mentor, né? Eu não tinha conhecimento dessa palavra quando era criança ou adolescente, mas a vida inteira eu tive um pai e um mentor. Muitas vezes até sentia mais falta da figura de pai do que de mentor. Porque meu pai sempre foi aquele cara “treinador”. Hoje eu vejo essa figura como muito importante, aquele cara que puxa, que estica, que é bravo quando precisa, que é firme e te molda demais. Mas às vezes falta aquele carinho de vez em quando. Dou muito valor a isso, principalmente hoje. Dizem que a gente só aprende a ser filho quando se torna pai. Então hoje eu tenho um menino de 1 ano e 4 meses, e a minha esposa tá grávida de novo. E você tá com uma menina de 8 meses, né? Que delícia! A gente tá amando muito e dormindo pouco.

Essa figura de “treinador” do meu pai me moldou muito para os negócios. Então, muito do que eu sei veio dali. O meu pai usava esse exemplo sempre: “Filho, seja o que você quiser na sua vida, inclusive dançarino de balé, se você quiser. Mas seja o melhor dançarino de balé, seja o melhor professor, seja o melhor empresário, ou o melhor jogador de futebol (que eu queria ser). Mas busque ser o melhor”. Lá em casa, se eu tirava nota abaixo de nove, eu tinha uma chamada de atenção. Abaixo de oito, era uma surra mesmo. O esquema era rígido. Nem precisei tomar muitas surras porque eu cumpria, mas isso me esticou muito e sou muito grato.

Eu, Igor, sempre fui uma criança que esteve dentro dos negócios. Quando eu nasci, meu pai e minha mãe já trabalhavam com o Patati Patatá. O grupo é de 84, este ano celebramos 40 anos da marca (eu tenho 30, para você ter uma ideia). Meu pai já trabalhava com o Patati Patatá 10 anos antes de eu nascer. A minha casa não era minha casa, a minha casa era o escritório do Patati Patatá. Fomos ter um escritório com “cara de negócio” uns 15 ou 20 anos atrás. Nos primeiros 20 e poucos anos, o escritório era dentro da nossa casa. Morava eu e minha irmã num quarto, meu pai e minha mãe no outro. O resto da casa, que era grande, era para estacionar os carros do Patati Patatá, para guardar estoque de CDs, DVDs, LPs, montar camarins para eles se maquiarem, e colocar mesa de telefone e computador.

A motivação do meu pai era artística, mas eu cresci nesse ambiente de negócios. Então não foi que eu fui para uma faculdade aprender, eu vivi aquilo. O papo da janta era o que tinha acontecido no dia dentro da nossa casa/negócio, e o papo da janta seguinte era o que iria acontecer no dia seguinte. Minha mãe sempre foi parceira dele e ajudava em tudo. Meu pai não fala de futebol, não tem time, não conhece. Fez a primeira viagem internacional dele há uns 10 ou 12 anos. A vida dele foi negócio, negócio, negócio.

Meu primeiro envolvimento com negócios nem foi com o Patati Patatá. Eu decidi fazer uma matinê para menores de idade quando eu tinha 14 anos. Eu morava na Zona Leste de São Paulo, perto da Mooca, e nós tínhamos que atravessar a cidade para ir nas baladinhas, pro Paineiras do Morumbi ou para Moema. Na Zona Leste não tinha, e eu pensei: “Falta isso aqui”. Terminar na madrugada e ter que pedir para a mãe buscar era complicado. Decidi criar a primeira matinê da Zona Leste. Fiz sete edições dessa festa entre os meus 14 e 15 anos. Em um ano eu fiz sete festas.

E como o teu pai reagiu? Apoiando? Com visão de empreendedor?

Apoiando, super! Mas ele conta que ficou assustado. Um dia eu cheguei com essa “dor”, pensando onde eu poderia fazer a festa. Lembrei do buffet infantil da minha tia (irmã do meu pai). Ah, é infantil? Não tem problema, eu jogo os brinquedos num canto, adereço o outro e uso o salão. Fui até ela e disse: “Tia, a minha galera tá indo para outro lugar. Vamos fazer aqui. Te dou um terço do que a gente ganhar, e o outro terço vai pro seu filho, o Jean, que é meu parceiro”. Ela deu carta branca.

Aí cheguei no meu pai e falei: “Pai, vou fazer uma matinê para os meus amigos”. Ele respondeu: “Ah legal, filho, vai nessa”. Na cabeça dele, era uma festa em casa no quintal. Eu disse: “Pai, resolvi, vai ser lá no buffet da Tânia”. Ele: “Ah é? Mas vai ter custo para isso?”. Eu: “Não, a gente vai vender ingresso para pagar o custo”. Ele ficou surpreso: “Como assim, Igor? Eu achei que você ia fazer uma festa em casa. E o povo da sua idade não tem dinheiro”. Eu respondi: “Eles vão pedir para a mãe para comprar os ingressos”.

Uma história interessante é que nos primeiros dias eu fui vender os ingressos na escola e a galera não trazia o dinheiro. Mas eu percebia que eles queriam ir. Aí eu falava: “Lucas, não trouxe dinheiro? Mas você quer ir? Você vai estar em casa hoje à tarde? Eu busco na sua casa, porque a sua mãe tem o dinheiro lá, assim você não me dá desculpa”. No meu bairro, eu ia de porta em porta com um “buguinho” vendendo os ingressos. Chegava na porta do cara, o ingresso custava R$ 10. Os primeiros 100 ingressos eu vendi assim. O boca a boca começou. A primeira festa teve 250 pagantes, a segunda 450, a terceira mais de 600, e da quarta em diante a gente dava “sold out” para 800 e poucas pessoas. Fomos aumentando o valor do ingresso para R$ 20, R$ 40, R$ 50. Tudo em um ano.

E para a sua idade isso deve ter te ensinado tanto como empreendedor!

Muito. Eu tive gente falsificando ingresso meu. Lidei com fornecedores. E os fornecedores achavam barato, porque eu ligava com voz de menino, ou ia pessoalmente e viam um moleque na frente vendendo a ideia. Deu super certo. Só parei porque fui focar em ser jogador de futebol.

No ano seguinte, aos 16 anos, me tornei uma espécie de promoter de agência de turismo (Forma Turismo), especializada em viagens de formatura. Fui o promoter deles e ganhei a minha viagem como prêmio. Gostei da brincadeira e depois ganhei a viagem para a Disney. Levei 92 pessoas para a Disney, cobrando uns R$ 6.800 por cabeça, o que gerou um faturamento de mais de 600 mil reais para a Forma Turismo. Eu e um amigo fomos de graça, botamos um dinheiro no bolso, e fomos comprar videogame e roupas lá fora. O negócio sempre teve comigo desde moleque, essa veia de vender.

Eu tenho uma trajetória um pouco parecida. Eu virei DJ quando tinha 15, 16 anos. Comprei uma caixa de som com um amigo e a gente ficou uns quatro anos fazendo festa. Quando as coisas viraram sérias na construção civil, algumas coisas para mim eram mais simples porque eu já tinha me virado nos 30 desde cedo. Como você acha que desenvolveu isso tão natural com a idade de 15, 16 anos?

Eu acho que tem a ver com relacionamento. Até hoje a galera da Forma Turismo lembra do meu grupo da Disney. Eu dava a cara a tapa com os pais para convencer de deixarem o filho de 15 anos viajar pra Disney. Acho que eu tive sucesso aí porque eu sempre fui um cara de muitos amigos, de relacionamento. Sempre fui comunicativo (meu pai é comunicativo, já minha mãe é muito avessa à câmera). E o mais engraçado é que eu tinha um certo receio da palavra “vendas”. Eu achava que não era bom em vendas. Para mim, não era “vender”, era “chamar os amigos para viajar e ganhar dinheiro com isso”. Eu estava ajudando as pessoas. Hoje eu tenho essa atuação com jovens: o que você é bom já diz muito sobre a sua vocação. Não faça apenas por dinheiro; tem que ter paixão, senão fica muito mecânico e a maioria das vezes não dá certo.

Depois disso, você foi jogar bola?

A bola vinha desde os meus 8 anos. Meu pai e minha mãe me apoiavam. Minha mãe me levava nos treinos, mas com 10 anos, por conta do trabalho dela, ela ia me buscar tarde da noite no clube, lá no Juventus. Um dia eu falei: “Mãe, vou voltar de ônibus, já vi a linha passando na porta de casa”. Ela duvidou, meu pai apoiou, e com 10 anos eu comecei a voltar sozinho de ônibus. Eu me jogava! Joguei bola profissionalmente no Paraná Clube, em Curitiba, dos 8 aos 18 anos. O futebol era a minha paixão.

Só que no Paraná Clube eu tive a rotina de jogador de futebol profissional. O jogador profissional só treina e joga. Eu vim dos negócios, onde o dia era dinâmico com viagens e reuniões. Quando eu me vi no clube apenas treinando algumas horas por dia e indo pra musculação, achei chato. A paixão acabou virando apenas “resultado e desempenho”, com a pressão de fazer gols para não ir para o banco. Vi que o futebol não era a minha vocação como profissão. Peguei o telefone, liguei para os meus pais. O Patati Patatá estava começando a despontar (isso era 2011), fazendo shows maiores, e indo pro SBT. Batalhei a vida inteira com meus pais, roí o osso com eles, e quando chegou a hora de colher os frutos, eu estava morando fora. Decidi voltar. Tinha 17 para 18 anos.

E você assumiu os negócios e os circos!

Assumi os negócios da empresa da minha família. Entrei focando nas parcerias de circo, porque eu já tinha a bagagem do entretenimento das matinês e viagens. Eu criei o “Patati Patatá Circo Show”. Meu pai me deixou tocar essa área. Claro que no começo ele estava envolvido, mas a motivação artística sempre foi o forte do meu pai. O nome Patati Patatá surgiu num grupo (estilo Trem da Alegria ou Balão Mágico) que tinha palhaços, mágico e bailarina. Em um acidente de carro trágico, três irmãos integrantes do grupo faleceram. A mãe deles, dona do grupo, entregou a marca para o meu pai (que não estava no acidente), pedindo que ele tocasse o projeto. Ele manteve a formação no início, e depois decidiu focar apenas na dupla de palhaços. Nos 40 anos de marca, as pessoas que interpretam os palhaços mudam, mas a identidade, o trejeito, a voz e o figurino são padronizados rigorosamente pelo meu pai.

O boom da marca não veio do nada. Meus pais trabalharam 25 anos vendendo shows nas escolas para colherem frutos depois. O Patati Patatá não estava na TV nem nas rádios. Meu pai batia na porta das escolas e dizia para as diretoras: “Queremos fazer um show gratuito”. As diretoras abriam as portas porque não tinha custo. Em troca, no final do show, a gente entregava os nossos CDs/DVDs para as crianças. Os pais que queriam compravam; os que não queriam devolviam, e a escola ganhava uma porcentagem. Isso foi construindo a nossa base durante 30 anos. Tínhamos escritórios em 17 estados, com dezenas de carros e centenas de palhaços atuando em milhares de escolas diariamente. O meu pai desenvolvia o talento das pessoas (porque os palhaços que iam nas escolas não eram atores famosos).

O faturamento caía drasticamente nas férias escolares. Tínhamos que vender os CDs durante os 9 meses letivos para sustentar tudo. Em 2008, o nosso gerente em Recife ligou bravo porque estávamos com um show marcado e ingressos esgotados no Chevrolet Hall, e ele não sabia de nada. Mas era um show falso, usando a nossa marca! Tinha gente piratando o Patati Patatá. Meu pai ligou pro Chevrolet Hall, fomos para lá e fizemos nós mesmos o show. O sucesso foi tamanho que a partir daí começamos a primeira turnê nacional (Um Show de Alegria) esgotando as maiores casas do Brasil, mesmo sem estar na TV.

Em 2011 fomos para o SBT, o que explodiu a marca de vez para quem ainda não a conhecia. Antes disso eu já dirigi DVDs do Patati Patatá, inclusive o “Coletânea de Sucessos Volume 1”, onde regravamos as músicas da Xuxa e do Trem da Alegria (pagando os direitos autorais, pois muitas não eram domínio público). Fui eu quem dirigiu a gravação de estúdio com 18 anos, tendo que lidar com dois “chroma keys” ao mesmo tempo, porque o Patati veste azul e o Patatá veste verde, então não podiam gravar no mesmo fundo. A partir daí também dirigi a nossa série para o Discovery Kids. O meu parceiro técnico manjava tudo de câmeras, mas eu entendia tudo da linguagem infantil e dos valores da família. Eu sabia o que uma criança não podia assistir, como evitar coreografias sensuais e piadas maldosas. Por isso o Patati Patatá tem um selo de segurança inquestionável para as famílias.

Essa experiência da família unida trabalhando nos tornou fortes. Meus pais trabalhavam da manhã até as 10 da noite todos os dias, mas não fomos prejudicados. No domingo a gente ia para a igreja juntos, e durante a semana a gente ajudava a separar o dinheiro e os cheques dos shows. Eu sentia que estava servindo a minha família. Hoje a agenda ideológica quer te afastar de ter filhos e de envolver a família nos negócios. Querem te fazer focar só em dinheiro. Mas os filhos pagam o preço do sucesso dos pais. Meus pais trabalharam os verões inteiros da minha infância nas turnês, e eu sei o quanto isso foi importante.

A TV aberta no Brasil e a crise do conteúdo infantil é algo que as pessoas desconhecem. A televisão aberta foi sufocada por regulações pesadas contra a publicidade infantil, multas de institutos e do Conar. O resultado? As TVs pararam de exibir programação para crianças porque o conteúdo deixou de ser rentável. As crianças hoje só têm as plataformas como o YouTube, que é uma terra sem lei e sem curadoria. Gastamos milhões para fazer conteúdo seguro e educativo, enquanto qualquer Youtuber faz um vídeo de 2.000 reais ensinando a criança a falar palavrão e desrespeitar os pais. E a “proteção contra a publicidade infantil” que os ativistas tentaram criar acabou destruindo a indústria e empurrando as crianças para conteúdos tóxicos.

A minha visão como empresário é que o legado vem da nossa própria casa. O conselho que dou se a minha missão acabasse hoje seria: “Ame mais a sua casa do que qualquer outra coisa ou negócio. Quando a casa está bem, os negócios vão bem”. Eu conheço bilionários que trocaram tudo pela empresa e hoje daria a fortuna inteira para ter tempo com a filha. Não sacrifique a sua família pela riqueza. Quando você deixa um legado nos seus filhos, a prosperidade do seu negócio vem como uma consequência natural. Ninguém precisa ser multimilionário para ter sucesso. Sucesso é você ter paz, ter saúde, ser presente na vida dos seus e saber que, na hora da morte, o que vale é a influência positiva que você deixou para as pessoas.

Esse foi um episódio muito forte e inspirador. Um verdadeiro legado do empreendedorismo familiar raiz. Fica a recomendação para que sigam o projeto “Seja Luz” do Igor Faria e não percam a oportunidade de assistir ao espetáculo. Compartilhe este episódio com seu sócio, sua família e seus amigos. Muito obrigado por assistir e até a próxima!

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