Gestão de Franquias, DRE vs. Caixa e a Escala do Biscoitê com Raul Matos | Além do CNPJ (EP #070)
A Transformação de uma Commodity em Presente Premium
No varejo tradicional, muitos empreendedores tentam escalar seus negócios competindo por preço ou margens espremidas em produtos commoditizados. Contudo, a verdadeira margem de lucro e a lealdade do consumidor são construídas quando uma empresa consegue aplicar o conceito de posicionamento e valor agregado, transformando um item simples em um objeto de desejo.
No episódio do podcast Além do CNPJ, o host Felipe Cassola recebeu Raul Matos, cofundador e CEO da Biscoitê — a primeira rede de boutiques de biscoitos do Brasil, que projeta alcançar R$ 100 milhões de faturamento com mais de 80 lojas espalhadas pelo país.
Vindo de uma origem humilde em São Bernardo do Campo, Raul trabalhou desde os 9 anos de idade e construiu uma carreira vitoriosa em fábricas de alimentos e private label, atendendo multinacionais como Nestlé, Unilever e PepsiCo. No episódio, ele revela as lições de governança, o risco da concentração de caixa e a virada de chave para criar uma marca ícone no franchising brasileiro.
1. A Lição do Caos: DRE de Competência vs. Regime de Caixa
Um dos pontos mais críticos abordados no episódio foi a ilusão do faturamento. Em uma das suas operações anteriores (uma indústria de cookies que chegou a produzir 280 mil peças por mês), o DRE apontava lucros teóricos, mas o prazo de recebimento dos grandes varejistas era de 150 dias, enquanto o pagamento de matéria-prima ocorria em prazos muito curtos.
Essa incompatibilidade gerou um “furo de caixa” de 60 dias. Quando a maior rede varejista atendida cancelou pedidos grandes sem contrato de rescisão, a estrutura de custos fixos ruiu.
“O DRE no papel mostrava lucro, mas o nosso caixa não refletia aquilo. Não olhe apenas o DRE de competência. O dinheiro no banco e o fluxo de caixa real são o que mantém o CNPJ vivo. Se você não monitorar a liquidez diária, o próprio crescimento pode quebrar a sua empresa.”
2. A Virada de Chave: O Nascimento da Biscoitê
Em julho de 2019, Raul tomou a decisão de deixar uma grande operação industrial para focar 100% no projeto da Biscoitê junto com sua esposa, Carol. A proposta era audaciosa: criar a primeira boutique de biscoitos finos para presente do Brasil.
No entanto, em março de 2020, o fechamento dos shoppings durante a pandemia paralisou as 18 lojas recém-abertas da rede, com estoques de Páscoa comprados e mais de R$ 2 milhões comprometidos. Com transparência e renegociação direta com fornecedores, shoppings e colaboradores, a Biscoitê pivotou, expandiu o canal de franquias e encerrou aquele mesmo ano de crise com 20 unidades ativas.
[Crise de Estoque / Shoppings Fechados] ➔ [Renegociação Transparente de Prazos] ➔ [Aceleração do Franchising] ➔ [Expansão de 18 para 80 Lojas]
3. A Filosofia do Franchising Skin in the Game
Para garantir a qualidade dos processos e o engajamento da rede, a Biscoitê opera com um modelo misto: das 80 unidades da rede, cerca de 32 são lojas próprias.
| Modelo de Franquia | Atuação do Franqueador | Impacto na Rede |
| Franqueadora Pipoca (Pirâmide) | Vive da venda de taxas de franquia e não opera lojas do grupo. | Alto Risco: Falta de sensibilidade operacional e desalinhamento de interesses com o franqueado. |
| Franchising Skin in the Game (Biscoitê) | Operação de dezenas de lojas próprias e suporte no ponto de venda. | Sólido: O franqueador vivencia a dor da ponta, testa novos produtos em campo e garante a saúde do canal. |
4. Cultura, Liderança e o Exemplo no Chão de Loja
Raul destaca que a cultura de uma empresa não se sustenta apenas com discursos em reuniões, mas com o exemplo diário do fundador. O lema da Biscoitê baseia-se em três pilares: Pessoas, Amor e Empreendedorismo.
Durante o treinamento de onboarding, todo franqueado precisa operar uma loja por duas semanas — abrindo a unidade, tirando cafés, limpando o chão e atendendo o cliente no balcão. Quando o líder domina a operação do chão de loja, ele ganha autoridade moral para gerenciar seu time e encantar o cliente.
Quer aprender a estruturar um modelo de franquias de sucesso, proteger o seu fluxo de caixa e aplicar estratégias de branding no seu negócio? Assista ao episódio completo no Além do CNPJ!
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Mas literalmente: “cara, não tenho dinheiro para vender, tenho um produto bom, você tem tua marca, deixa eu fazer para você”. E aí entra do pensar grande, né, cara? O primeiro cliente que eu quis falar: Nestlé. Caraca! Aí eu falei: “cara, já que é para vender, vou vender pro maior, cara”. Franqueador que não tem loja própria não acredita no negócio dele, concordo. Cara, eu tenho sim muitas lojas próprias, porque eu tô literalmente skin in the game. O franqueado fala: “não vende”, “vende que na minha loja vendeu”. Faço um trabalho de também de dar palestras em escolas públicas e tal, porque eu falo: “cara, a gente tem que voltar para lá para falar, cara, eu saí daí, estudei com a mesma professora que você estudou e tô aqui hoje. Eu tenho um negócio que fatura mais de R$ 100 milhões de reais, conquistei tudo que eu precisava do ponto de vista financeiro”. Quando você não tem atalhos, leva mais tempo: 10, 15, 20 anos, mas você chega com muito mais consistência, é isso.
Buenas, buenas, buenas, seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia de vida real, empreendedorismo vida real com a gente. E o convidado que eu tô aqui hoje é um cara vida real, é um cara que a gente tava trocando ideia aqui nos bastidores. [ __ ] cara, tem uma história… Eu falei para ele assim, ó: “cara, se esse tempo não vai ser o suficiente, vai ter que ter episódio dois”. E, cara, vou tentar extrair o máximo possível porque tem muito assunto para falar, inclusive inteligência artificial, que a gente tava conversando nos bastidores. O cara tá superantenado, inclusive sobre como a inteligência artificial pode ajudar na gestão do negócio, então quero trazer esse tema também aqui. E o cara tem uma empresa muito conhecida, possivelmente você já conheceu. Eu conheço ele há pouco tempo, né? Muito por conta da campanha do Itaú, que também a gente vai falar aqui, mas eu já sou cliente dele, ó, há 300 anos. Brinde de final de ano lá da nossa empresa já foi da marca dele. Então, cara, vai ser massa. E aí ele, vendedor, falou: “não, a partir de agora só vai ser Biscoitê”. Agora eu já trouro o jabá para poder conhecer a linha inteira e fazer mais brindes, né? É isso aí, cara, quero apresentar para vocês Raul Matos, da Biscoitê. Meu caro, muito obrigado por aceitar o convite. Sei que sua voz não tá das melhores hoje, mas se necessário, bebe água, se necessário, tosse, pode ficar à vontade, porque a gente quer trocar essa ideia com você.
Mas eu falei: “cara, empreender é assim, né, cara?”. Acordei meio mal, sem voz, falei: “cara, você tem que fazer, tem que fazer”. Tava marcado, vamos embora. Então tô meio rouco, mas vai ser bacana porque é mais uma superação pro jogo.
Cara, top. E você trouxe um jabá aí, meu, um presente para mim, né?
Cara, você sabe que eu sou um vendedor nato, né, cara? E assim, um vendedor que não tem seu produto, cara, não tem orgulho do que faz. E a filhinha vai adorar em casa, ó: uma lata de Limonê. Esse aqui é famosíssimo, hein? Esse é o nosso best-seller, o nosso mais vendido. É uma flor de fubá com limão-siciliano e uma camada de chocolate meio amargo, incrível.
Essa… Olha que linda essa embalagem, bicho!
É muito legal. E tem o livro mais doce que você já leu na sua vida, porque dentro…
Caraca, que linda essa embalagem, bicho! É muito legal, né?
E tem uma linha inteira dessa, a gente tem vários livros.
Cara, não sei se tá dando para ver na câmera, parece um livro de verdade, cara.
Tem grandes e tal, e a gente tem uma coisa bem legal, inclusive depois vou te falar uma novidade aqui em primeiríssima mão de uma loja que a gente vai abrir…
Opa!
…junto com uma livraria, mas eu já te conto, spoiler, hein, spoiler, spoiler, spoiler. Esse aqui é o que a gente ganhou, o Tartufi, que é um biscoito de parmesão com trufas brancas. Parmesão curado seis meses com trufas brancas de Alba, cara, produto incrível. E salgado, para você tomar com uma cerveja, com vinho. Aliás, daqui a pouco a gente pode abrir e já tomar com uma cervejinha aí.
Lá no Itaú, a gente ganhou um… Ah, foi o Oliver, que é um de queijo gouda com azeitonas pretas. A gente importa as azeitonas, usa o queijo gouda e um toque de azeite.
E o azeite também, o azeite que vocês ganharam, né?
Ganhamos. É um azeite, cara, com 0,3% de acidez, incrível, cara, surreal. Sério, os produtos que vocês têm são tops, hein?
E esse aqui é um… E esse aqui é um novo que a gente lançou agora em homenagem às mulheres, e aí tem toda uma cena desenhada pelas nossas artistas, chama Tortina.
Não, pera aí, essa… Essa arte é de vocês? Vocês contrataram artistas?
Cem por cento das nossas… Das nossas artes são feitas por nós, e 100% dos desenhos são feitos pelos nossos artistas.
Caraca, eu achei que era uma obra de arte, cara, assim, que vocês tinham…
Cada embalagem nossa é uma obra de arte e um projeto de que assim, é desenhado à mão. E então assim, o azeite que você gostou, aquela arte é feita à mão também pelos nossos artistas. A gente tem uma, vários artistas que a gente tem fixos, fixos da empresa. Porque o que aconteceu: a gente começou a crescer muito e aí todo mundo começou a copiar. Aí a gente falou: “cara, como é que eu sigo me diferindo?”. Por embalagem é uma parte muito importante, então a gente começou a desenhar os nossos traços, né? Então toda, toda embalagem é feita internamente e, e a gente lança mais de 140 produtos por ano, então é literalmente, meu, uma, uma loucura a quantidade de produtos que a gente faz.
Mas assim, ó, uma coisa de que… Por isso que eu falei, esse episódio, cara, vai ter que ser… E a gente, eu já vou te convidar de verdade para a gente fazer… Nossa, que coisa!
E aqui tem toda uma história, é um… É uma base de, de, de baunilha com…
Tiagão, vem para essa câmera aqui rapidão, só para você fazer um foco, cara, porque eu vou aproximar. Porque, cara, mostrar rapidão… Pera aí, nem sei… Ah, vai aí. Ó, olha isso.
E, cara, “uma sorte é ter você”, porque é uma homenagem a todas as pessoas que a gente ama, cara.
Olha… Aproveitar, tô causando com você, né?
[risadas]
Quem sabe faz ao vivo, né, Tiagão? Olha que coisa linda. Caraca, Tiagão! Agora deixa eu sentar aqui. Causei, né, Tiagão? [ __ ] que pariu, faz parte, faz parte, né, cara? Pô, que coisa linda, cara!
E, cara, são 140 produtos que a gente faz, então tem bastante diferencial, fora que cada formulação é feita por nós também, pelos nossos… Nosso time de engenharia e de, e de culinária lá, muito legal.
Culinária… É porque assim, cara, sem brincadeira, da, da experiência que eu tive da primeira vez… Deixa eu colocar aqui só para não abrir… A primeira vez que eu tive de experiência com a Biscoitê, que foi na, que foi naquele, naquele fatídico ano, eu não lembro quanto que foi exatamente, mas que eu coloquei eh presentes para todo mundo. Todos eu dei, não só pros funcionários, mas também dei pros clientes, tá? E, cara, primeiro já, já impressionou pela embalagem, e o sabor… Ah, foi uns… Foi uns potinhos, tipo, [ __ ] não lembro exatamente o que que era, mas era uma delícia, cara.
Esse de Perlê, que é um que a gente tem, que é de, de baunilha com açúcar gelado.
Ah, eu acho que era. Cara, surreal, cara, a galera voltava assim. E, e sem brincadeira, vocês não eram tão grandes na época, faz bastante tempo.
É, nós viemos crescendo bastante.
Mas aí depois eu comecei a ver Biscoitê em tudo quanto é lugar, eu falei: “caramba, são aqueles caras!”. E agora a gente tá aqui trocando essa ideia.
Que legal, né, mano?
Que legal, cara! E, Raul, seguinte: antes de a gente entrar nessa, nessa seara da Biscoitê — até quero, como eu falei, preciso já te estender o convite para um segundo episódio, porque dá pra gente entrar em muita coisa, porque assim, cara, eu falo com empreendedor que muitas vezes chega em mim e fala assim: “Felipe, eu…” vida real mesmo, sabe? Tipo: “Felipe, eu não… O meu, meu concorrente tá vendendo mais barato”. E, cara, essa reclamação é muito recorrente e muito fácil de rebater, porque no final o cara que não tá sabendo se posicionar… Se você vende preço, você tá fadado ao fracasso.
Fadado ao fracasso.
E, cara, você é um, é um mestre de posicionamento, então, tipo, é um tema que eu gostaria de a gente falar de posicionamento, de inteligência artificial. Se der tempo, a gente dá uma pincelada em tudo, mas depois a gente se aprofunda. Até hoje eu quero conhecer um pouco mais da sua história, mas às vezes no segundo episódio a gente faz uma coisa um pouco mais técnica.
Só para deixar aqui um negócio importante, assim: quando a gente resolveu vender biscoito como presente, todo mundo achou a ideia horrível. Nem meu sócio, nem o fundo na época topou, nem os shoppings compravam a ideia, que era uma loucura você vender biscoito para presente, ninguém fazia isso no Brasil e nem no mundo. Então, levou… O sucesso foi muito rápido, foram 10 anos da noite pro dia. 2012 a gente começou, eh e no começo todo mundo achava que era uma loucura, que ninguém… “Não vão comprar, que não sei o que”, e hoje a gente virou referência em presentes. Eh mas assim, depois de muitos, muitos perrengues e, e muita crença no negócio. Mas a gente fala depois de posicionamento.
Cara, sensacional, tá, tá ficando bom aqui na câmera, Tiagão? Coloca aí na geral, tá bom, deixa eu tirar esse. Boa, já era, legal, bora, vamos que vamos, bora.
Raul, seguinte: antes de a gente entrar nessa seara da Biscoitê, o Raulzinho, como que começou o Raulzinho, de onde você veio, suas referências? E pai e mãe, teve pai e mãe presentes? Como que foi isso aí, como foram as suas referências dessa, dessa infância até a vida adulta? Dá um overview geral aí pra gente.
Cara, cara, eu nasci aqui do lado, né, em São Bernardo, né? A gente tá em Santo André. Eh em São Bernardo, literalmente ali, cresci na favela do Montanhão, que é uma favela em que até hoje a gente tem muitos amigos e, e adora. Eh estudei em escola pública a minha vida toda. Eh perdi minha mãe cedo, caramba, e tenho um pai alcoólatra…
Caraca, bicho!
…até hoje, né? Porque…
Com quantos anos você perdeu sua mãe?
Cara, a gente tinha uns 16, mais ou menos, 15, 16.
Caraca, bicho! E seu pai já era alcoólatra na época?
Desde os meus 13 anos de idade. É, o alcooolismo é uma doença muito complexa, mas que eu aprendi a lidar com isso. Eh e também hoje eu, eu, eu… Muito do que eu sou hoje é por essas dificuldades que a gente viveu.
Foi te moldando, né?
Foi me moldando. Pô, é uma coisa que eu nunca contei, mas, cara, pô, internei meu pai 16 vezes, eh é uma história complexa, mas eu digo o seguinte: que de tudo isso, eh me fez quem eu sou hoje, total. Então eu falo: cara, mesmo as nossas dificuldades, né, então, poxa, a gente eh passava muita dificuldade, a gente nunca faltou nada na nossa casa para comer, mas a gente nunca teve nenhuma fartura. A gente, para ter uma ideia, até material escolar a gente pegava da PM lá, né, que era da escola, porque minha mãe não tinha dinheiro para comprar material escolar pra gente, então uma vida muito, muito eh regrada, ah sem grana, mas com muito amor, que é o que eu levo até hoje comigo, né? Então, apesar da gente nunca ter dinheiro, a gente sempre teve uma casa com muita harmonia, meu pai e minha mãe, é uma relação incrível, apesar do problema dele, cara, é uma relação incrível até ela, ela falecer. Eh e, e ela sempre assim, com muita sabedoria, nos deixando os valores mais importantes que eu levo até hoje na minha vida.
Que legal, cara.
E, e eu até resum… Tentei resumir um pouco desses valores porque eram tantas coisas que minha mãe passava — nós somos em três irmãos, né —, eh e minha mãe sempre falava, né, poxa, três coisas importantes, né: a primeira, de que pessoas são pessoas e você não é melhor e nem pior do que ninguém. E você não se achar… É quando você tá lá na favela, na escola pública, ou, ou no ônibus, ou fazendo uma coisa que você não tem grana nenhuma, é fácil você não se achar melhor do que ninguém, mas é difícil você não se achar pior do que ninguém.
Total.
E eu acho que por eu nunca ter me achado pior do que ninguém, a minha vida toda, desde os meus… Comecei a trabalhar com 9 anos de idade entregando marmita, ah vendendo saco de lixo, cara, tudo o que dava na rua, literalmente. Eh mas você não se achar pior do que ninguém faz com que você consiga olhar no olho de qualquer pessoa, desde do, do teu parceiro ali, até a, sei lá, um executivo, um alto executivo que você conheça. Pô, o Jorge Paulo Lemann, o Abilio Diniz, ou qualquer grande empreendedor com quem eu tive já muito contato, pô, a gente sentava e falava de igual para igual. Então isso faz com que você tenha autoestima, eh se chegue mais longe. A segunda coisa que ela sempre falava pra gente é assim: que a gente pode ser quem a gente quiser, eu acho que isso, cara, é uma coisa que eu tento passar pro meu filho, falo: “quem você quiser, desde que você nunca desista”. Então assim, não é que você pode ser quem você quiser e vai ser fácil, daí você nunca desista, que você persista e que você estude, corra atrás, porque não vai ser fácil.
Sua mãe era sábia, hein!
Ela era incrível, cara. E, e a terceira coisa que ela sempre falava é: “você tem que estar sempre aberto para ajudar”. A minha mãe, apesar de ela não ter dinheiro para… Da gente às vezes não ter uma roupa para colocar, ela ajudava dezenas de crianças da favela pedindo as coisas pros outros. E olha que irônico também, acho que eu nunca contei isso, umas coisas inéditas aqui.
Cara, tô à vontade, é isso aí.
A minha mãe, ela sempre dizia que ela não tinha… Ela não tinha coragem para abrir a boca para pedir nada para ela, mas pros outros ela pedia tudo. Então ela saía, cara, pedindo tudo: roupa, não sei o que, cara, tudo, e conseguia. Porque ela tinha o o nosso dom de comunicação e ela fazia um baita trabalho social na própria comunidade. Cara, minha mãe fazia trabalho social com os presos, minha mãe fazia trabalho social na favela, minha mãe fazia trabalho social com as crianças. Cara, minha mãe era uma, um uma alma iluminada que, que tão iluminada, foi cedo para Deus, foi cedo para fazer companhia. Mas olha que loucura: uma coisa que eu, que eu que eu refleti não, mas que eu também nunca que eu contei, mas assim, cara, e ela usava a voz dela como principal, e ela falava: “enquanto eu tiver voz, enquanto eu puder falar, eu vou pedir e vou ajudar as pessoas”. E aí depois ela teve um câncer e perdeu a voz, perdeu a voz.
Meu Deus, cara, que ironia!
Que ironia, né? E nesse momento, até ela se revoltou na época com Deus, falou: “poxa, mas como eu…?”. E depois ela aceitou, ela era uma pessoa muito iluminada, ela aceitou e falou: “mesmo sem a voz, eu consigo usar vocês”. E a gente ia falar e a gente entendia muito, mesmo ela não falando, né, porque ela tinha uma traqueostomia, eh ela falava pra gente e a gente entendia tudo, e a gente falava, falava… Bom, e aí essa ajuda que ela começou lá virou uma ONG que a gente tem até hoje, que ajuda mais de 1.000 crianças todos os anos, em, não só mais no Montanhão — no Montanhão a gente nem faz mais —, mas em favelas no Lixão de São Mateus, na Cidade Júlia em Diadema, e em pá, tem alguns lugares que a gente ajuda, além de alguns asilos. Então assim, ela era uma pessoa muito iluminada que o legado dela tá aí, tá na gente até hoje. Eh e, e eu acho que assim, graças a Deus que tive essa mãe que, apesar de pouco tempo e nenhum dinheiro, me deu o que é mais importante, que são os valores, total. Cara, isso fez quem a, a gente sei que a gente é, e, e na prática eu tento falar dessa história dela, apesar dessas coisas nunca ter contado para ninguém.
Legal, cara, obrigado, obrigado por compartilhar, cara.
É porque nem todo mundo teve essa sorte, total, e é muito importante isso, cara, muito, e a gente acreditar na gente, cara. É, é, é não… Ela deixou, ela deixou um poder aí para você, cara.
Incrível, incrível. Então, e uma história bacana, até me perdi aqui, cara, de tanto…
Não, cara, mas foi lindo, lindo. Já, já começamos no, no ápice, cara, porque é isso, família é uma coisa que influencia demais na nossa vida, e por isso que eu gosto de perguntar.
E só para complementar, cara, pô, apesar de tudo isso, né, cara, minha mãe colocou a gente para trabalhar com 9 anos de idade…
Caramba, legal.
…para entregar as marmitas que ela fazia. A gente ia na madrugada com ela no estacionamento da Volkswagen, que é aqui em São Bernardo, para vender lanchinho, café, bolo, ela vendia uniforme na, na sa… Na saída da escola, cara, ela se virava para pôr comida na, na mesa…
Batalhadora.
…total, batalhadora total. E também sempre nos, nos incentivou muito a estudar, né? Então, mesmo a gente não tendo muito dinheiro, com bolsa e com a ajuda dela, cara, estudei inglês, computação, e foi isso que foi me dando os passos depois na minha vida. Então, às 9h eu comecei a trabalhar com, com ela e no mercadinho. Pô, tinha um botequim ali, chamava Recanto do Norte, que, como tinha muitas pessoas do Norte ali no Montanhão, cara, ele vendia coisas do Norte. Aí depois a gente eh com 12 para 13 anos já tava cansado de trabalhar com meu pai, meu pai falou: “tá bom, você não vai trabalhar aqui, você vai trabalhar em algum outro lugar”. Arrumei emprego, literalmente, para abrir bucha, uma empresa que chamava Orgânica — é um abraço pro Luiz ali, pra Pérola, que foram meus primeiros chefes e, [ __ ] meus amigos até hoje —, eh e me deram a oportunidade para ir trabalhar, literalmente, abrindo bucha. Aí depois, por causa do meu conhecimento, que eu sabia mexer com computação, por programar e falava um pouquinho de inglês, chegou o computador lá e eu acabei indo pro escritório. Eh porque era lá na Orgânica, porque era o único, o único que sabia mexer no computador, então eu ficava metade do meu tempo na produção, metade no escritório. Aí depois eu cheguei no meu tão sonhado cargo de office boy, que era o que eu queria fazer, queria trabalhar, e office boy nem existe mais, acho que essa profissão. Que era ir nos bancos… Eh e aí fui indo, cara. Pô, aí com, encurtar a história, com 17 anos, eu acabei tendo oportunidade para ir para uma outra empresa onde eu achei que eu fosse ser o gerente de vendas. Fui numa entrevista, eh também uma outra coisa, né, aquele negócio de você também ser sempre ajudado, né? Nessa empresa tinha uma pessoa que chama Hélio, que me ajudou muito, que acreditava em mim, num moleque que não sabia nem se vestir, nem falar, e falava: “você tem muito potencial”. Eh surgiu uma vaga para um gerente de vendas numa empresa em que ele, que ele foi trabalhar depois, eh ele me levou no shopping, comprou um terninho para mim lá da Colombo lá, é mesmo? Que da hora! …e me colocou lá para fazer uma entrevista. Eu fui, e o Décio — um abraço pro Décio também, tanta gente que a gente vai lembrando, e os anjos, né? Pessoas… Os anjos, cara. O Décio falou assim: “ah, eu queria um gerente, não queria um cara que não tem experiência”. Me deu uma chance de ser promotor de vendas lá. Trabalhei lá por um tempo, a empresa acabou quebrando, acabei virando sócio…
Que legal!
…dessa empresa, porque ela quebrou, e aí eu começo de verdade a empreender.
Com quantos anos isso?
17 para 18.
Caraca, começou cedo demais, hein bicho!
18… É que com 18 eu já tinha, [ __ ] já tinha 9 anos de experiência, né, cara? Já tava velho, já tava… A vida, eu já tinha vendido, eu já tinha comprado pente de madeira, colocado em embalagenzinha, vendido em todos os, os cabeleireiros da região.
Legal, cara. E você sabia disso? É a referência da tua mãe.
Sim, meu pai e minha mãe sempre foram empreendedores, assim. Nascer no comércio faz com que você… 6 horas da manhã a gente recebia o leiteiro, o padeiro, a gente fazia troco, a gente pagava o fornecedor, a gente recebia as pessoas, servia pinga, cortava frios, fazia frango. Cara, domingo de manhã tinha que acordar 6 horas da manhã para colocar frango no espeto, porque meu pai fazia a gente acordar com, sei lá, 10 anos de idade, eh faz… Cara, então assim, essa dinâmica do comércio faz você ser, ter o mundo aberto, então… E quando você aprende isso na infância, faz parte do teu DNA, faz parte do DNA. E aí, cara, na sua vida adulta você não passa perrengue, cara, você pode até passar dificuldades, mas assim, você se vira, que é o que você aprendeu com seus pais.
É isso aí, na prática é o seguinte: qualquer pessoa que tenha eh uma boca pode vender qualquer coisa, exato. Então assim, você tem problema de alguma coisa, que precisava de dinheiro para, na época, para pagar meu curso de inglês, eu ganhava um salário mínimo, eh meu chefe não queria me dar aumento de jeito nenhum. Eu me virei, arrumei, comprei uns pentes lá, ia no cabeleireiro, falava: “esses pentes por quanto?”. “Ah, vende por R$ 19”. Pô, sabia que no fornecedor era R$ 8, sei lá, R$ 9, R$ 10, punha um saquinho lá, falava: “vou pôr o meu pente aqui, você vende o meu?”. “Vendo, te dou 20% de comissão”. “Tá bom”. E eu ia fazer as coisas… Cara, tem muita oportunidade, como o comércio mesmo tem oportunidade demais até hoje, sempre vai ter, que é isso aí: você comprar por um valor e vender pelo outro.
E, cara, e aí essa trajetória empreendedora, você começou lá com 18 anos entrando numa empresa quebrada, não tava quebrada ainda, mas tava quase, aí depois quebrou de quase… E acabou quebrando mesmo, [ __ ] beleza. E como que foi essa trajetória? Você se endividou nessa quebra, como foi essa trajetória empreendedora? Aí eu quero falar agora dessa etapa, até antes da Biscoitê, tá? Porque eu sei que você abriu alguns negócios e tudo mais, você falou aqui de sociedades de grandes nomes. Como que foi essa, essa trajetória?
Essa empresa ela, ela, ela quebrou e eu fazia Administração, Comércio Exterior aqui na Metodista, é mesmo? Eu também fiz Comércio Exterior. E, e tava devendo na faculdade, ganhava um pouco mais do que um salário mínimo, e aí um dia meu chefe liga, fala: “cara, quer ficar com a empresa?”. Aí tinha uma dívida lá, e eu falei: “beleza, eu topo”. Eu não tinha a menor noção do que eu tava fazendo, e tinha uma dívida lá. E aí a gente acabou, e começou um negócio de barrinhas de cereais que, naquela… E ele falou: “fica com a empresa e com a dívida”. É, claro: fica com a empresa e com a dívida. E aí, pô, ele falou: “Pô, meu filho vai, vai aí para ficar contigo, tal”. E esse meu sócio tá, já conhecia o Leo já há bastante tempo, bastante tempo, mas já conhecia ele. E aí, cara, a gente ficou e começou uma empresa literalmente do zero — do zero não, do menos R$ 150.000, que era a dívida da época, né? Então que era dinheiro para caramba, hein? Que era dinheiro, mas não tinha a menor noção, porque como a gente não tinha dinheiro para pôr gasolina no carro, cara, dever R$ 1.000 ou R$ 150.000 tava na… Era dever igual. Mas aí, cara, eu acho que uma coisa que eu aprendi lá é que você pode dever eh paras pessoas, você não pode fugir, é isso. Você não pode não dar a cara a tapa, você não pode se esconder. Então a gente chamou todos os fornecedores, todo mundo, falou: “olha, a gente tá tentando retomar o negócio aí”, né? Montei um plano na minha cabeça lá, e depois eu acabei criando uns PowerPoints para mostrar para quem ia. Falei: “cara, a gente vai entrar no mercado de barra de cereais, o mercado é incrível, é grande lá fora, aqui no Brasil ninguém fazia, ajuda a gente”. E, cara, e alguns fornecedores ajudaram e, e aí a gente começou, foi literalmente pra cozinha fazer fórmula de barrinha de cereal naquela época. E aí, como a gente não tinha grana para fazer o go-to-market — que não sabia nem o que que era isso —, que era ir ao mercado, sim, a gente acabou ah pegando essas barrinhas e arrumando clientes que tinham marcas, mas que não tinham fábrica, que já tinha pensado em fazer isso, que legal. E a gente começou a vender para esses caras.
Private label total.
Exatamente, o que a gente chama de private label hoje. Naquela época não tinha a menor ideia do como chamava, mas literalmente falou: “cara, não tenho dinheiro para vender, tenho um produto bom, você tem tua marca, deixa eu fazer para você”. E aí entra do pensar grande, né, cara? O primeiro cliente que eu quis falar: Nestlé.
Caraca!
Aí eu falei: “cara, já que é para vender, vou vender pro maior, cara”. Lancei um projeto de PowerBars, marquei uma reunião na Nestlé, levei lá, o cara falou: “pô, incrível, mas deixa eu visitar tua fábrica”. Aí quando ele chegou lá, era uma fábrica um pouco maior que essa mesa aqui, onde a gente fazia barrinha de cereal à mão, à mão. Eh aí ele falou: “ó, legal a ideia, mas não… Você não tem a fábrica, não dá, então volta daqui a uns anos”. Bom, depois de muitos anos voltei, a Nestlé foi minha cliente, aliás por décadas a Nestlé foi minha cliente, que legal. Mas encurtando a história, a gente acabou fazendo uma empresa bacana, lançamos mais de 100 marcas de barra de cereais no Brasil, depois a gente cresceu, eh lançamos marcas fora, criamos uma marca que tem até hoje, se chamava Ebar, depois virou Bio2, que é uma marca que tem até hoje produtos veganos, tal. Aliás, o Leo tá lá até hoje, uma, uma empresa incrível eh que ainda tá lá nas bancas, ainda existe, que é essa empresa que eu tô contando aí, cara. Em 2006, mais ou menos, 2005, 2006, eu tinha o sonho de fazer a maior fábrica de barras de cereais do Brasil, e naquela época meu sócio queria fazer um negócio um pouco mais nichado pro mercado de orgânicos e tal, e falei: “ali tá tudo certo, mas o meu sonho não tá mais batendo com o teu sonho”, e tudo bem, é normal, segue, eu vou seguir com o meu sonho aqui, vou entrar em outros negócios. Aí acabei vendendo minha participação para ele, ele seguiu, somos amigos até hoje, é e acabei entrando numa fábrica de pão de queijo ah em Ribeirão, que não deu muito certo, mas aí conseguimos, conseguimos vender, o crescemos o negócio, conseguimos vender ele, mas perdemos algum dinheiro lá. E aí depois eu acabei entrando numa fábrica de cookies em, em Canela, no Rio Grande do Sul, pequenininha, eh também tinha uma empresa de representação na época que fazia consultoria, eh pô, ia fazendo várias coisas, eh e aí essa empresa era uma empresa pequena, mas que existia há alguns anos e que viu o potencial de escalar nesse negócio, que era sempre a minha vertente, sempre foi: cara, eu quero escalar os negócios, eu nunca pensei pequeno. Aí eu falei: “cara, esse meu sócio na época ela topou a ideia da gente fazer a maior fábrica de cookies do Brasil”, esse era nosso sonho lá atrás.
Legal.
Apesar da gente ter uma fábrica bem pequenininha…
Começa assim, né, bicho?
Exatamente. Começa alinhando o sonho, exato. O grande problema, e aliás em todas as minhas sociedades eu tive várias, dá ruim quando o sonho desalinha, total. Isso é muito complexo porque o sonho muda ao longo da vida, ele é cíclico, não, e as pessoas crescem, é assim, ganham dinheiro e aí fala: “ah, vou comprar um barco”. Até uma das minhas sociedades acabou porque, pô, meu sócio tava lá e comprou um barco. “Cara, mas a gente tem que agora vender o barco para poder comprar mais uma linha de produção”. “Pô, mas eu não quero, quero trabalhar menos”. “Cara, você quer trabalhar menos? Dá para construir um maior negócio, vai ter que trabalhar mais”. “Pô, mas eu já tenho grana, para que que eu vou trabalhar mais?”. “Porque o nosso sonho é fazer o maior negócio, não é ganhar grana”.
Sim.
Então eh ao longo da minha vida eu vi que alinhar o sonho é a coisa mais importante e ter consciência de que o sonho pode mudar, porque teu filho cresce, porque você tem filhos, porque você casa, porque você nunca teve grana e você começa a ter, você começa a querer viajar, e aí teu sonho vira conhecer o mundo, cara, não dá para querer conhecer o mundo inteiro e construir um negócio grande, não dá. Para mim não, eu costumo dizer uma coisa meio polêmica…
Cara, eu concordo, até agora concordo.
…o equilíbrio, o equilíbrio total é algo utópico que nos venderam para nos colocar numa corrida dos ratos, é isso, para você estar sempre infeliz e sempre querendo fazer. Cara, não existe equilíbrio total, existe alguma coisa na tua vida vai estar eh com menos atenção quanto mais atenção para a outra. O que que eu acho que existe pra gente ser feliz: um estado de consciência. Fala: “OK, eu sei de que estando aqui à noite eu tô deixando de colocar meus filhos para dormir, isso para mim é uma coisa muito importante, eu abri mão disso consciente para estar aqui. Eu faço isso um dia, eu faço isso dois, não faço 10”. Exato. Então quando você tá consciente, você não fica com peso na consciência porque você faz no estado de presença. Então, total, eu acho que, cara, construir coisas grandes demanda esforços hercúleos, exato, e, e eu acho que dá para equilibrar, só que sendo medíocre em tudo. Talvez o que eu odeio… Eu pego até, pô, muita gente que na Bíblia já fala: “seja, não seja nota 6, ou seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito”, tá na Bíblia. O cara é um pai nota 6, o cara é um marido nota 6, o cara é um profissional nota 6, o cara é tudo nota 6, ele tá equilibrado, mas assim, é medíocre em tudo. Mas eu acho que tem algumas coisas inegociáveis, né? Então, pô, para mim, né, família, né, hoje eu tenho dois filhos, cara, e equilibrar trabalho e família é muito importante, exato. Agora, equilibrar trabalho, família, hobby, conhecer tudo de vinho, viajar o mundo inteiro, ter… Cara, não dá, eu tenho muitos sonhos, eu adoro esportes radicais, adoraria fazer, virar paraquedista mais profissional, cara, adoraria fazer um monte de coisas, mas eu falo: “cara, no tempo correto eu vou fazer”, é isso.
Então, cara, aí acabei voltando, só voltando a história, né? É isso aí, entramos, entramos massa nesse, nesse… É, cara, eu acabei ficando nessa empresa, a gente cresceu. Em 2013 eu trouxe um fundo, um fundo grande, né, que na… É essa a dos cookies que você trouxe lá, que era o Jorge Paulo Lemann e o Marcel Telles…
Brancob.
…que, cara, na… A vida é muito louca também, né, porque o meu sonho sempre foi conhecer grandes empreendedores. Eh e só dando um passo para trás, cara, quando você tá na periferia, quando você tá na favela, quando você tá num lugar onde você não tem grandes referências, infelizmente para essa comunidade, para essas crianças, e para mim foi muito parecido, o teu maior… A tua maior inspiração às vezes é o cara que faz a coisa errada, às vezes é o traficante, às vezes é o cara que é o roleiro, às vezes é o cara que faz tudo errado, cara. E hoje eu falo: cara, não dá para julgar, porque poucos empresários estão voltando para contar essa história. Eu tento contar muito, tento voltar, faço um trabalho de também de ir dar palestras em escolas públicas e tal, porque eu falo: cara, a gente tem que voltar para lá para falar: cara, eu saí daí e eu hoje eu tenho um negócio que fatura mais de R$ 100 milhões de reais hoje, conquistei tudo o que eu precisava do ponto de vista financeiro. Eh ainda não tô nem, nem longe de tá satisfeito com onde a gente quer chegar, mas, cara, eu saí daí, estudei com a mesma professora que você estudou e tô aqui. Eh dá, não precisa ir só para… Ah, o lado errado. O lado errado talvez seja mais curto o caminho, mas também o seu sucesso vai ser curto. Eh quando você não tem atalhos, leva mais tempo, 10, 15, 20 anos, mas você chega com muito mais consistência, é isso. Então esse eu acho que é uma coisa muito, muito importante para quem tá nos ouvindo aí, que passa perrengue todo dia. Eu passo perrengue todo dia também e ainda, né, cara? Ainda, cara, a gente fala: “Putz, ah, vai passar”, não passa. Eu tinha uma, eu tinha um romantismo sobre você ganhar dinheiro de que as coisas ficavam mais fáceis. Cara, fica cada vez mais difícil, só que você vai ficando cada vez mais cascudo também, no final eu vejo que você só fica mais maduro pros problemas, né, você não leva… Pelo menos eu não levo, antes eu eu sempre fui muito inflamado, sabe, muito nervoso com as coisas, eu era extremista em algumas coisas assim na empresa. Por exemplo, cara, uma pessoa atrasava 5 minutos, eu ficava louco, sabe, tipo coisas assim que, quando eu olho para trás, eu falo: “Nossa, cara, quanto, quantos dias da minha vida custaram esses atrasos só de tanto passar nervoso”, cara.
Mas tem uma pergunta complexa: eu adoro filosofia também, medito e tal, porque me ajuda muito, porque, cara, quem… Aliás, quem empreende e, e não estudou filosofia, principalmente a filosofia estoica, que eu adoro, ou nunca meditou, tá perdendo tempo, é porque, cara, isso ajuda demais a você dormir. Aqui a gente tem problemas cabeludos todos os dias e que a gente não vai resolver aquele dia. Eh mas a gente precisa dormir, senão a gente não vai resolver no dia seguinte. É. Então assim, para mim assim, tem uma pergunta, né: você falou “pô, ganhar dinheiro”, só o que é ganhar dinheiro? Para mim, ganhar dinheiro era, era ganhar dois salários mínimos, era relativo, três ou quatro. Depois eu falei: “não, ganhar 10.000 era comprar um tênis, uma calça jeans, um carro, uma Mercedes, um helicóptero, um avião”. Cara, para mim a ficha caiu o dia em que eu tava voltando de carona com um amigo num… Tinha acabado de comprar um avião intercontinental, que faz São Paulo/Europa eh sem escala, animal. Eh cara, tava assim em êxtase pelo sucesso dele, e, e a gente pousou em Sorocaba, e quando a gente pousou eh eu desci do avião e aí, o curioso, né, tinha um avião na frente, e, e aí eu chamei ele, falei: “cara, que avião…”, porque quando o cara compra um avião, ele conhece tudo de avião, né? Sim, é. Eu falei: “cara, que… Desculpa minha ignorância, mas que avião é aquele ali? Porque, pô, bonito, tal, legal”. Aí também não sabia, chamou o piloto, falou: “cara, qual que é aquele?”. Aí o piloto falou: “cara, esse… Aquele ali é igual o teu avião, só que ele tem dois lugares a mais e tem uma autonomia de mais 3 ou 4 horas. Mas, na prática, eles fazem a mesma coisa, só que é um pouquinho maior, tem um pouquinho mais moderno”. Aí ele bateu nas minhas costas e falou: “cara, mais uns dois anos eu compro um daquele”. Aí eu falei: “ferrou, não tem fim, não tem fim”. É, eu falei: “cara, olha onde o cara chega, tinha avião, helicóptero, cara bilionário”. E aí eu falei: “cara, é… Se para ele, ele tá querendo trocar de avião, já significa não tem…”. Só que isso é uma [ __ ] lição, porque na prática eu comecei a refletir de que ganhar dinheiro ou chegar em algum lugar, não é o fim. Eu ganhei o ano passado “Empreendedor do Ano” no Brasil, e foi incrível. Fui para Mônaco, cara, com cento e poucos países lá, os maiores empreendedores do ano de cada país, todos eles negócios de bilhões lá, e eu lá, eu falava: “cara, esse é o topo, não tem topo, não tem topo”. É, quando você chega, você quer mais, você quer mais, você quer mais, e eu acho que isso é a graça da vida, você ter ambição, mas não ganância, total. A ambição é você ter essa gana, essa vontade de chegar; a ganância é fazer isso a qualquer preço, é fazer isso não com as pessoas, mas acima das pessoas, isso cara, tira tua paz. Então você vai ser um cara tão pobre que só tem dinheiro, é isso. E tem muito desses caras, eu cansei de ver cara pobre que é bilionário, é, e cara rico… Cara, eu, eu, eu, desculpa me, mas cara, eu lembro quando eu saí uma vez de uma reunião na Faria Lima e fui pro, pro um churrasco no Montanhão, na favela, e eu saí da reunião, cara, com um monte de gente rica lá, tal, e que começaram: “não, mas tá difícil porque não sei o quê, porque não sei o quê”. Cara, aí eu cheguei lá, lá o cara que ganhava um salário mínimo tinha pegado, sei lá, R$ 200, comprou tudo em carne, acabou com o dinheiro dele e tava lá se divertindo, e eu falava: “cara, quem é rico e quem é pobre?”. Então eu acho que essa métrica, cara, ela é, ela é complexa e você vai ao longo… Mas levei 42 anos, que é a minha idade hoje, para aprender essas coisas, também não era assim. Entendi, mas cara, eu já tive acesso a grandes nomes também, famosos, grandes e famosos, e conhecer um pouco mais a fundo o cara… Claro que eu não vou citar os nomes aqui, mas, mas um que me, que eu, que eu lembro bastante, eu, eu tava conversando com o filho dele e que vida falida, cara. É, cara, cheio da grana, muito famoso. Todo, se eu falar o nome dele, todo mundo sabe quem é, e que vida falida! Então, tipo, pode ser um exemplo pros teus, pros teus filhos, cara, exato. O que que você deixou pro mundo? E o filho dele, cara, meio que ele nem me conhecia direito e desabafou. Eu falei: “Nossa, cara, ele nem, eu nem tenho intimidade para ele me falar essas coisas do pai dele”. Não, e, e no fundo é assim: provavelmente a relação dele com a família tá falida, provavelmente a relação dele com os amigos tá falida, provavelmente a relação dele com os colaboradores dele tá falida, e as pessoas só estão lá pelo dinheiro, exato. E quando você tem colaboradores que estão com você só pelo dinheiro, ferrou, você tá ferrado, ferrou, você nunca vai construir algo grande. Porque as pessoas têm que estar com você pelo propósito, pelo que você inspira, pelo que você tá fazendo, e não é fácil, é porque, cara, todos os dias a gente tem que matar 10 leões. E agora, que graça tem você trabalhar até às 10 horas da noite, 12 horas por dia, 14 horas por dia para ganhar, para trocar de relógio, cara? É, é bizarro. Mas, bom, de novo, eu tive uma transição, né? Até acho que isso é interessante pro, pra galera que tá empreendendo aí, e que, né, tá atrás da corrida dos ratos. Eu precisava ganhar dinheiro porque eu não tinha, eu sustento minha, meus pais, tal. Pô, meu pai tá, tal, então assim, ajudei muito meus irmãos, tal, e hoje, graças a Deus, estão todos empreendedores bem. Mas eu tava lá naquela, naquela vida que nos venderam, né: cara, você precisa ganhar dinheiro para você sobreviver, para você poder ter um dinheirinho para você poder trocar de carro, para você poder guardar, porque senão você não tem um convênio, senão você não tem… Cara, isso, aquilo que todo mundo tá passando aí, e essa, essa barreira inicial, essa, essa arrebentação de ter uma, uma moradia boa, uma escolaridade boa, uma escola boa para os seus filhos, convênio bom, cara, é muito difícil passar ali porque é caro, é caro esse break-even de uma de uma qualidade de vida bacana, né? E eu, e eu, [ __ ]. E aí assim, você ter pessoas do teu lado que te apoiem é incrível, e eu tive a sorte de ter uma esposa e sócia, né, a Carol, maravilhosa, porque eu vou contar um episódio aqui interessante: quando eu decidi ir pra essa empresa de cookies, a minha meta… era, era crescer, sei lá, oito vezes, faturar… A empresa tinha 18 anos, caramba, e eu queria ser sócio. E o cara falou: “Não, sócio eu não te dou”, é porque sociedade não dá certo, nem a da minha mãe deu certo. Aí eu falei: “cara, eu quero ser sócio de algum negócio. Se você não dá, então não temos como conversar, eu não quero salário”, tal. Aí ele falou: “tá bom, se você me ajudar a crescer e chegar nesse número aqui…”, ele falou que a briga era a gente faturar R$ 20 milhões, a empresa faturava uns três, quatro, “se você chegar em R$ 20 milhões, eu te, eu deixo você comprar uma participação da empresa”. Eh e aí eu falei: “cara, eu acho que dá, né?”. Mas vou lembrar que a empresa tinha 18 anos e ela faturava uns três, quatro, três, quatro. Quando eu contei primeiro pros meus amigos, cara, todo mundo falou: “cara, que loucura! Como, como você vai fazer isso, cara? Pô, a empresa já era…”. Falei: “cara, eu acho que dá, porque se a gente fizer isso, isso, isso”, tal. Cara, eu tava casando. Eh isso você tinha quantos anos mais ou menos, cara? 20 e poucos. Foi 2008, eu casei em 2009.
Você acabou de comprar o apartamento?
Tava casando. Não, cara, não tinha dinheiro nenhum, dinheiro guardado, não era que eu tinha assim, ah uma pé de meia, tal. Cara, eu ia pegar o apartamento lá, eu tinha uma empresa minha de consultoria e apresentação, que eu ganhava tipo umas três vezes o que eu ia ganhar lá com salário, caramba. É, e o cara não podia me pagar, ele falou: “cara, te dou tá, sei lá, vou dar um exemplo, qual que era: eu ganhava, sei lá, R$ 15.000”, ele falou: “te dou cinco”. E, e aí eu tinha a chance de, de virar sócio do negócio, virar sócio. Só que com cinco eu não pagava o consórcio do… Eu não pagava a parcela do apartamento que eu tinha comprado, caraca! E aí eu chamei a, a Carol e falei: “amor, eh e aí, o que que você acha?”. Eh, “é teu sonho?”. Eu falei: “é”. Ela falou: “você acha que dá?”. Falei: “eu acho que dá”. Aí eu falei: “só que se der tudo errado, a gente não vai conseguir comprar nosso apartamento, eu vou ter que devolver o apartamento”. E ela virou para mim, às vésperas de casar, isso. Porque ela vem de uma família super bacana aqui de Santo André, tem, teve todo o conforto do mundo. Diferente da minha história, ela sempre teve conforto, e abrir mão de conforto é mais fácil do que quando você nunca teve, beleza. Ela falou: “se der tudo errado, a gente muda para um apartamentinho pequenininho, a gente vai ser feliz junto”. E, cara, até me emociono com essa história porque…
Surreal!
…é, é muito difícil isso, os casamentos não… E se não fosse ela ali, eu não ia ter coragem de tomar essa decisão. E, e quando ela topou, eh falou: “vai”, e deu certo. Eh cara, eh mas assim, poderia ter… Não, e aí uma outra dica que eu dou para quem tá começando, mas ela tava lá, se tivesse dado errado, essa pegada não teria dado certo anyway, porque quando você acredita muito e você não desiste… Não foi fácil, eu achei que eu ia fazer isso em dois anos. Primeiro ano, a gente perdeu 60% do faturamento, tinha dois clientes grandes, esses caras, por uma questão de mudança de máquina, pararam de comprar um produto que a gente tinha, e eu falei: “ferrou, né?”. E aí, cara, mas eu falei: “cara, mas eu tenho que fazer isso dar certo, eu não tenho outra alternativa, não tenho plano B”. E, e aí a gente fez o negócio dar certo. Mas aí, uma dica, né, cara, contando a história e refletindo aqui… Esse papo do DRE: uma dica, cara, assim, tenha muito cuidado de quem vai estar do teu lado, porque essas pessoas vão determinar o teu futuro. E não é eh que você tem que ter preconceito, mas é que você tem que falar: cara, se as pessoas não te apoiam nas, nas dificuldades… Na alegria, na festa todo mundo te apoia, quando você ganha empreendedor do ano, vai todo mundo bater palminha. Agora, quando você quebra, quem vai te socorrer, é isso. Quando você quebra — e aconteceu comigo na Biscoitê, já conto —, quem vai te dar crédito, quem que vai trabalhar para você de graça porque você não tem dinheiro para pagar, cara, e eu tenho algumas histórias dessas.
Caraca, bicho, meu, é sério! Eu vou de verdade, eu vou te convidar pro segundo.
Bora!
Porque eu quero… Eu quero me aprofundar nessas histórias. Pelo menos eu vou estar com uma voz boa.
[risadas]
Uma voz boa, quero me aprofundar em todas essas histórias. E, e o que você tá falando de, de um cônjuge, né, da, da tua esposa, Carol…
Carol, um beijo pra Carol aí.
Olha isso, cara, isso aqui foi uma de… Ela falou uma coisa hoje para mim que ela tem que vir aqui falar, ela que não gosta de aparecer, mas a Carol é a alma por trás da Biscoitê, ela é que cria essas coisas lindas. Eu não tenho esse bom gosto mesmo, cara, não, zero. Ela é que cria todas as coisas lindas, ela tem um bom gosto incrível, até para escolher marido, né? É, isso aí, isso ela errou. Mas ela falou uma frase para mim hoje engraçadíssima, cara, porque ela falou assim: “é, é fácil hoje as pessoas acreditarem em você”, mas ela falou: “eu fui visionária, eu comprei você na baixa”.
[risadas]
“Na planta, amor”. Essa frase você me falou hoje, tô falando para todo mundo aqui, ó: “você me comprou na baixa, comprou quando tava baratinho, em promoção. Agora, agora tá valendo um pouquinho mais”. E é isso, cara, e, e o que você falou é surreal. A palavra que você usou: a pessoa que você vai escolher pro teu lado determina teu futuro, não influencia, determina. Porque eu falo isso porque a minha esposa, cara, compartilho da mesma situação: todas as loucuras aos olhos da sociedade ela falou: “você quer isso? Vai”. “Mas e se der errado?”. E aí ela falava: “ó, pelo menos Netflix a gente vai poder pagar”.
[risadas]
A cara, ela falava: “se der errado, a gente já tem tudo, a gente tem a nossa família, a gente tem um ao outro, a gente se vira, a gente recomeça, a gente recomeça”. Agora, esta segurança faz com que a gente dê uns saltos loucos.
Exato, sabe, sem isso você fala: “cara, você imagina o seguinte, fala: não vou empreender, e se der errado eu vou perder a pessoa que tá do meu lado, e eu tô ferrado em casa, que minha mãe ou ela vai só apontar o dedo”. É, cara, não, ela vai falar: “cara, estamos juntos, vamos lá”. Então isso é muito, muito… E não são, não… Óbvio que o, o cônjuge, a esposa, a namorada é a parte mais importante porque é quem tá do teu lado, mas os teus amigos, a tua família… Tem horas, e aí eu tomei uma coisa: quando minha mãe morreu, meu pai tinha esse problema de, de alcoolismo, e a gente era moleque, né, e, e a minha vida e a minha casa virou uma casa de rock and roll, a gente gostava de rock, e o meu irmão [ __ ] adorava rock metal, thrash metal, cara. A nossa casa virou o lugar em que todo mundo ia fazer festa, porque, cara, uma casa que não tinha ninguém, não tinha pai, não tinha mãe, é… E eu chegava em casa às vezes, cara, não tinha um copo para tomar água porque, cara, tá tudo zoado, entendeu? 500 pessoas lá, sabe aquela, aquela casa de que todos os amigos… Virou república, boa. Eh e aí as… Sabe, muita gente da minha família virava, falava assim: “cara, os três infelizmente não vão dar nada, mas também, né, putz, a mãe não tá mais aí, o pai…”. E eu tenho certeza de que todo mundo achava que a gente não ia dar nada. E, graças a Deus e aos ensinamentos da minha mãe, eu, Ricardo e Rogério, nós três demos muito certo. Temos uma família incrível, cada um tem a sua família, os três empreendem.
Que legal!
Então, pô, meu irmão tem empresa de paisagismo, meu outro uma importadora. E, então assim, os três são muito felizes no casamento, né, porque a gente teve bons exemplos dentro de casa e a gente também nunca deixou tanto o relacionamento cair por uma besteira, né? Então assim, são coisas que você tira da vida pessoal pra vida profissional, e hoje eu acredito que, cara, não tem o Raul na pessoa física, na pessoa jurídica, é a mesma coisa.
Tudo igual, é tudo igual.
A mesma pessoa. Isso aí é um, é um ditado que colou um tempo atrás, todo mundo falava: “nossa, ser diferente, nossa, você tem…”. Eu também acreditei quando eu era principalmente CLT, eu falava: “não, aqui é o meu lado profissional, eu não trago problemas para dentro…”. Você é louco, não tem como, cara, isso… Acreditei nessa mentira há muito tempo, eu achei que durante muito tempo eu… Cara, que para você vencer, eh para alguém ganhar, o outro podia perder, né? Eu durante muito tempo, cara, você me dava uma missão, falava: “você tem que ir para cá”, cara, eu quebrava a parede se tivesse que bater a meta, e batia a meta. Eh e isso eh não me fazia ser feliz, total. E hoje, cara, eu não acredito nisso, hoje eu acho que assim, cara, a gente tem que construir com as pessoas, eh a gente precisa ser quem a gente é, a gente pode chorar, a gente pode errar, a gente pode dizer “não sei”, eh porque isso conecta muito mais as pessoas do que aquele… Até discutimos um pouco isso lá, né, no, no… Na nossa palestra juntos, falei: cara, essa jornada do herói é muito pesada.
É, é um fardo.
Ela só é bonita de contar, é… É um fardo, cara, que a gente não precisa carregar, porque a gente não é herói, a gente só deu certo, e, e a gente não é melhor do que ninguém que tá aí, né, nossa… A gente só pode ser um pouco melhor… Não desistimos. É o ensinamento da sua mãe. É porque, cara, quantas… Cara, isso é brincadeira, olhando para trás, eu tenho certeza, você vai se conectar com isso também: quantas vezes a única saída provável era desistir? Então, se ela não é… Se desistir não é uma opção, ela não é uma saída provável, é uma saída provável, é isso, cara. É o que a gente… A gente falou isso no Itaú, inclusive, falou assim: cara, não tem plano B, é isso aí, tipo, não tem, não tem. Não é que “ah, não, eu sou persistente”, né, não, não tem plano B, ou isso aqui vai dar certo ou isso aqui vai dar certo. “Mas, cara, deu 99,9% errado”, então eu vou fazer esse 0,01% dar certo. E aí você vai se adaptando e moldando o teu negócio para aquilo que você vê também, não dando murro em ponta de faca. Mas se eu falo pro meu filho, sempre falo: “cara, Rafa, tem uma coisa que eu, que o papai quer na cabeça, assim: não desiste, não tem plano B, se tem que fazer, vai lá e faz”. A gente, pô, tô sem voz hoje, tinha a gente tinha que gravar, e, cara, e minha agenda tá uma loucura. Eu falei: “cara, vamos gravar, e se tiver que parar, a gente para”, exato, eh mas assim, cara, por… Porque no fundo é isso, cara, acho que isso é um exemplo de falar: cara, se eu tenho que abrir… E aconteceu isso na Biscoitê várias vezes, ou lá na, na minha outra empresa, eu falava: cara, você tem que fazer, eu vou lá e faço, cara, e acabou, não fica arrumando… Tem um mentor meu que eu também tive muitos mentores ao longo da vida, adoro pedir ajuda, eh e esse cara falava o seguinte: tem dois tipos de profissionais, tem o cara que é muito bom em explicar por que não bateu a meta, e esse cara é incrível em explicar, ele tem um PowerPoint, ele tem a meta, ele tem a meta que ele fala do mercado, ele fala da economia, ele, ele faz uma proxy com o dólar, cara, ele acha, ele acha que entrega. Esse cara que entrega não sabe explicar, mas ele entrega a meta. Ele falou: cara, e aqui na minha empresa eu só preciso do cara que entrega, o cara que explica não me interessa. Então, tá feita a meta? Bora e vamos entregar. “Ah, mas eu…”. Mas entrega a meta, senão, cara, faz tudo o que você tem que fazer e não desiste, você vai… Que uma hora chega, exato.
Até as pessoas que são batedoras de metas são essas pessoas que não ficam achando desculpas, e a gente como empreendedor muitas vezes a gente tenta ir por esse caminho, né? “Ah, não vou dar certo, ah, não, tomei uma decisão errada, os negócios não estão indo bem. O que que é? O governo, ah, a economia tá uma porcaria, ah, tal coisa”. Mas, cara, assuntos macros movimentam a todos, inclusive você e seus concorrentes, tá todo mundo vivendo essa…
Eu criei um negócio no meio da pandemia, no meio da pandemia, no meio da… Na verdade, a gente criou isso no meio de uma crise gigante lá, né, de 200… Eu entrei em 2008, porque que tem tanta crise, né? 2008 quando a gente foi, 2012, né, 2013, é… Você entrou na, na principal crise econômica, né, cara? 2008, bora pro… Na crise as pessoas comem, na crise as pessoas eh saem de casa, na crise as pessoas se vestem, talvez não gastam aquilo que tinham que gastar. E a gente é um… A Biscoitê nasceu, né, com a ideia de ser um presente incrível mais acessível. É, então, cara, a gente navega muito bem na crise. Mas voltando pro conceito do que você falou, eu acho que assim: a gente a vida inteira na escola eh foi ensinado a arrumar desculpas, a se autossabotar. Vou dar… Contar uma história também: eu tava na Vladimir Herzog, que é uma escola pública aqui de São Bernardo do Campo, e a gente estava no… Acho que era terceiro ano, não sei porque agora acho que não sei, mudou agora, né? Mas no meu último ano, no fundo pra caramba, é para ir pra faculdade, e eu queria ir pra Metodista, que era uma escola cara, eu ganhava um salário mínimo ainda, trabalhava na, na Orgânica ainda lá, eh e aí a gente começou a estudar, eu e um amigo da, do, da, da escola lá que, de 60 alunos, só eu e ele queríamos fazer faculdade. Então assim, no intervalo a gente estava lá estudando, e aí a professora chegou e falou: “mas para que que vocês estão estudando?”, que a gente já era bons alunos, apesar de eu não ser um cara assim que nunca fui o, o cara… Era o mais comportado na escola, tal, eu era bom aluno, tirava boas notas. A professora falou… Foi porque a gente queria passar na faculdade, aí falou: “qual faculdade?”. Falou: “pô, a gente queria fazer Metodista, a gente queria fazer juntos”. E, e aí a professora chegou e falou: “mas vocês já viram quanto custa, né? A gente quer passar no vestibular”. “Já viu quanto custa? Como é que vocês vão pagar?”. Aí a gente falou: “não, a gente não viu quanto custa, mas primeiro a gente tem que passar no vestibular, e depois a gente vê como é que a gente vai pagar”. Aí a professora falou: “isso não foi feito para vocês”.
Nossa, cara!
“Faculdade… Vai fazer a Lauro Gomes”, que era uma ETEC que tem aqui, “e vai fazer um curso técnico, porque vocês não têm dinheiro para pagar a faculdade, e eu não quero que vocês se frustrem, então desiste da faculdade e vai”, porque hoje faculdade é barato, na época era caro. Sim, sim. Eh e aí aquilo, cara, foi um balde de água fria para mim. E, e aí essa energia é ruim, eu acabei pegando isso, e graças aos ensinamentos da minha mãe — porque não é fácil você fazer isso —, eh eu acabei… Falei: “agora eu vou passar, agora eu vou fazer, eu vou provar para ela que dá”. Então a gente tinha esse negócio de pegar um problema e falar: “eu vou fazer”, que sei que não é fácil, sei que não é todo mundo que vai. Quando a pessoa vinha te amortecer aqui numa situação, né, você tava acelerando, você falava: “hum, isso aqui vai ser impulso”. Isso vai ser impulso. Isso é o valor que você trouxe de casa. É o valor que eu trouxe de casa. E aí a gente… Eu passei na faculdade, marquei uma, uma reunião… Fiz a faculdade com bolsa.
Caramba!
É, marquei uma reunião com a diretora, com a reitora lá, falei: “eu quero a… Fazer”. Ela falou: “se você tirar, sei lá, 8,5 ou 10, 9, sei lá, na faculdade, eu te dou bolsa”, e fiz a faculdade. Mas eu, eu, eu trago esse exemplo porque assim, de novo, eu não julgo essa professora, ela queria o nosso melhor, ela quis porque ela sabia que a gente não ia conseguir pagar. O meu amigo infelizmente desistiu. Ela tava tirando pela média. Ela, ela, e ela, e ela tava tirando pelos valores dela, sim, eh então assim, eh isso foi um, assim, um balde de água fria, mas depois me, me virou um puta impulso, e eu acabei fazendo faculdade, não graças a ela, mas falei: “agora eu vou”. Então, às vezes na vida vem essas coisas, você fala: “cara…”, e a gente é mestre, “ah, isso não é para mim, ah, isso aqui é só para empreender, para quem tem… Ah, o Raul tem cara de rico, o pai deve ter financiado, ai, não sei o que”. Cara, as pessoas são, são mestres em sabotar, principalmente na internet, né? Na internet isso é terra, porque na internet todo mundo tem uma vida perfeita, né? Exato, todo mundo… As pessoas, a gente, a gente tá aqui, mas não vê que são, sei lá, 7, 8 horas da noite. Que horas são? 19h20. 19h20 da noite, o quanto a gente pelejou para tá aqui hoje, né, cara? Exato. E, e todo mundo acha que, ah, não, todo mundo, cara, ah, deu sorte, todo mundo minimiza os, os, os problemas que a gente vive, as coisas que… Uma coisa assim, cara, eu não acredito em sorte também, é… Eu falo: cara, a sorte é para quem tá preparado, é isso. A sorte é para quem enxerga a oportunidade por tá com a visão… É, é falar: “cara, pô, você não deu sorte na vida inteira”, cara, eu sou um cara extremamente sortudo porque eu tive pessoas incríveis que sempre me ajudaram, eh eu tava… Eu falo assim: “ah, mas tava na hora certa, no lugar certo”, cara, eu me coloquei lá. Eh e às vezes eu fiquei um ano esperando aquela onda passar, 2 anos, 3 anos, 5 anos, até que a gente conseguisse fazer. E mais: “ah, deu sorte porque encontrou uma esposa legal”, não, você soube selecionar. Eh inclusive a Carol tem uma coisa incrível também, ela falava que ela escrevia uma listinha do que ela queria no, no próximo namorado dela, que era eu depois, é… É isso, você precisa saber selecionar, cara. Você mentalizar o que você quer é, é uma pré-seleção, total. “Ah, você tem uma namorada que não gosta que você trabalha muito”, cara, será que é a pessoa certa pra você estar do lado? Se você tem 18 anos, tem uma namorada que não gosta que você trabalha até tarde, será que é a pessoa errada? Ah, tudo bem, se você não quer trabalhar, beleza, agora se você quer, é a pessoa errada, exato. Aí você tem que ir conectando os valores lá e tudo mais, porque, cara, usando, até puxando, vou puxar um gancho lá de trás, e daqui a pouco eu vou, vou pra frente: quando você falou da, do cônjuge, eu tive a possibi… A oportunidade, não sei se é oportunidade, ou enfim, a experiência, digamos assim, de empreender sendo casado, mas tendo um outro sócio também casado que vivia um lar completamente diferente, completamente diferente. Então a gente tava lá construindo o nosso sonho e às vezes dava alguma coisa errada na empresa, e a gente teria que então trabalhar até tarde. Eu ligava para a minha esposa, sei lá, sexta à noite, sexta, 5h da tarde, falava: “putz, deu um perrengue aqui, tal, tal, tal, eu vou chegar em casa um pouco mais tarde”, e a resposta era: “putz, quer, quer que eu faça alguma coisa? Quer que eu já vá preparando o jantar?”, e etc., “estamos juntos”. E do outro lado era uma guerra, e isso influenciava nas nossas tomadas de decisões, e por isso que a sociedade inclusive não deu certo, porque não tem como. Sim, porque os valores familiares do sócio são trazidos pra empresa. Às vezes, quando a gente ia planejar os, os negócios, muitas das decisões ele falava: “cara, não vamos fazer isso não, porque se der errado, eu tô ferrado em casa”, sabe? Olha que loucura, porque você perde até a confiança, porque você sabe que vai ter alguém lá te apontando o dedo, que é o que a gente tava conversando.
Eu acho que, eu acho que no fundo, cara, eh isso trocando pro mundo dos negócios: você estar no meio das pessoas que te inspiram, estar no meio das pessoas que te apoiam, estar no meio de pessoas que já fizeram faz com que você ache normal fazer. Então, se você vive no meio de empreendedores… E eu tive a, a, a, sabe, a sorte não, porque eu fui cavando lá, mas, pô, entrei na Endeavor muito cedo, conheci, conheci na internet, depois virei empreendedor Endeavor, cara, fiz dois scale-ups, tal. Cara, você tá lá e você fala: “cara, pera aí, as pessoas fazem, sim, e então eu posso fazer”. Quando você tá no meio de lugares de pessoas que só reclamam, de pessoas que nunca fizeram nada, como você vai aprender alguma coisa? Como é que você vai se inspirar? Então, ou seja, você tá sempre dando um passo para que a tuas cinco pessoas com quem você mais convive sejam pessoas eh que sabem mais que você e que são espelhos para você, é muito importante. Mas lembra que assim: tem que ser espelhos em tudo, não podem ser pess… Pessoas que são só grandes empreendedores, porque de repente você pode se perder. Se você tem lá um cara que é um grande empreendedor, mas que é um péssimo pai, como você falou, que é um péssimo, uma péssima pessoa, se você ficar muito perto dele, você aprende a isso. E eu trago uma coisa, cara, que com… E um grande mentor meu, Pedro Mello — um abraço pro Pedro aí, cara, que me ajudou muito muitas vezes na vida —, ele falava uma coisa muito cedo para mim, ele falou: “cara, Raul, você tem um potencial gigantesco, você precisa conhecer o teu lado luz, que é movimentar pessoas, que é trazer as pessoas pro lugar que você quer, tal, e o teu lado sombra, que é movimentar pro lugar errado”. Falou: “grandes empreendedores, grandes empresários na vida e grandes pessoas que movimentaram o mundo pro bem e pro mal são pessoas que têm a capacidade de movimentar as pessoas, de influenciar as pessoas”. E para mim foi muito incrível conhecer isso muito cedo, caramba, legal, porque essa minha reflexão fazia, todas as vezes que eu ia fazer alguma coisa, eu falava: “cara, pera aí, eu tenho uma responsabilidade, porque eu consigo convencer as pessoas a ir do ponto A pro ponto B. Agora, isso vai ser bom para elas ou vai ser bom para mim?”. Total. “Se for bom para mim, eu tô no meu lado sombra. Se for bom para todo mundo, eu tô no meu lado luz”.
Caramba, forte, forte.
Então, cara, é isso, incrível. E ao longo da minha vida, que eu acabei empreendendo, vendendo algumas empresas, quebrando outras empresas, investindo… Hoje invisto em alguns fundos, tô no conselho de outras empresas. A hora que eu olho, eu falo: “cara, essa pessoa tá olhando o lado luz”. E a prosperidade eh em geral, que tem a ver com ganhar dinheiro, sim, que tem a ver com ter aquilo que é o seu sonho — não bens materiais por bens materiais, mas se teu sonho é ter um relógio de, sei lá, R$ 500.000, compra o relógio; se teu sonho é ter uma Ferrari, cara, compra —, agora, não porque é o sonho do teu amigo, não porque é para você aparecer, é porque… Não vai te fazer feliz, daqui a seis meses você não vai estar mais feliz, é isso. Então quando você, quando a gente olha hoje empreendedores até pra gente investir, a gente olha: cara, são pessoas que têm os nossos valores, são pessoas do bem, porque talvez pessoas que não tenham os mesmos valores consigam fazer empresas grandes, mas eu não vou ter orgulho disso, exato, e aí não vale a pena, você não vai se reconhecer no resultado, né? Não vale a pena, cara. Beleza, você ganhou dinheiro, você ficou bilionário, e aí, você tem um filho que te odeia, é… Você se orgulha disso? É isso. E, cara, então hoje assim, pra gente ter valores é, é o ponto mais importante de qualquer… E, e dos pontos que a gente tem, pô, e, e puxando, cara, e é muito legal a gente estar conversando sobre isso porque eu, pelo menos, eh na minha vida muitas vezes falava assim: “ah, não, pessoas…”, e tudo mais, eu, eu achava que era um desperdício de tempo isso, sempre tive esse conceito porque eu tava numa loucura, eu falava: “operacionalmente tem que funcionar e tal”, não distratava ninguém, mas eu não colocava as pessoas no centro de tudo. A minha, a minha… Eu te trago pro lugar em comum porque assim, na minha última empresa, em todos os valores que a gente tinha, não tinha pessoas lá. Hoje eu olho e falo: “cara, como eu deixei passar? Como a gente fez isso?”. É, é só que na… Ah assim, quando você se enxerga na, na guerra de Esparta lá, né, que você é um guerreiro espartano, cara, eh você nunca vai ver pessoas como você tinha que olhar. Quando você vê a construção eh quando você coloca, como a gente tem lá nos… A gente tem três valores na Biscoitê: Pessoas, Amor e Empreendedorismo.
Que legal!
Quando a gente falava de amor na, 10, 12 anos atrás, todo mundo dava risada, principalmente, vou chamar da, da turma dos investidores, cara: “ah, isso aí, pô, é só retorno sobre investimento”. Eu falava: “cara, retorno sobre investimento não, a gente tem que falar de amor, porque amor é importante. Isso aqui é difícil para caramba de fazer, se você não amar o que você faz, não por dinheiro nenhum do mundo eu vou trabalhar 15 horas, porque, pô, já ganhei uma grana e já não precisaria trabalhar 15 horas por dia, mas, cara, é por não precisar que eu trabalho, e o amor então faz parte demais disso aí, porque te dá… O amor te dá a resiliência para você fazer aquilo por muito tempo, mesmo que esteja comendo grama, você fala: cara, eu sei que tem algo maior aqui, e que não é, é só a grana, é, é desenvolver”. Hoje a Biscoitê são mais de 500 famílias…
Caraca!
…que dependem da gente. É, são eu… Até perdi a conta assim, mas lá 25, quase 30 franqueados, cada franqueado tem a sua família, colocou a vida aqui, eh e a gente tem mais 240, 250 pessoas ali na, entre a fábrica e o nosso time. Cara, essas pessoas estão lá colocando a vida delas lá. Então eu sou responsável pela vida dessas pessoas nas decisões que eu tomo, eu não sou responsável individualmente porque eu também não acredito de que você consegue motivar as pessoas, para mim a motivação vem de dentro para fora, eu acho que você tem… Tem que dar o propósito, que no nosso caso é transformar a vida das pessoas através de momentos biscoitos e presentes feitos com amor. Tem que dar os valores, que é o campo em que você vai jogar, que é Pessoas, Amor e Empreendedorismo. Faça tudo o que você quiser dentro da Biscoitê, desde que seja conectado com esses valores. Então se tiver aqui… Já tivemos vários casos. Uma vez, na numa loja, caiu café, a mulher derrubou um café n… Nela mesma, e ficou triste lá, e aí a nossa líder de loja, que nem é a gerente, achou que ela tinha que comprar uma outra camisa, porque a mulher era… Ia para uma entrevista de emprego, e ela comprou a camisa e mandou a nota fiscal pra gente pagar. Quando chegou, eu falei: “cara, pera aí”. Eh o gerente na época falou: “cara, isso tá errado porque tomou uma decisão sem me consultar”. Falei: “pera aí, a gente não disse que nossos valores são Pessoas, Amor e Empreendedorismo? Que ela podia tomar decisão? Ela achou certo isso, e mesmo que eu ache errado, eu não posso discutir porque ela jogou dentro do campo aqui. Eu posso dizer para ela: ‘olha, eu acho que isso aqui tá certo, tá errado, mas você fez certo, a tua atitude foi certa porque você ajudou aquela pessoa a passar na entrevista, que era talvez o momento mais importante da vida daquela pessoa'”. Então, quando você coloca os valores e o propósito, você não precisa controlar, que também é um outro tema polêmico. Eu aprendi, de novo, com o Pedro, que é um cara incrível: você tem que… Você não controla nada, você não controla nada. Você não controlar as pessoas é uma, é uma utopia de que também colocaram pra gente. Cara, você inspira, controlar você não controla. Então, quando você coloca os valores e quando você coloca o propósito, as pessoas vão jogar dentro daquilo, e quem não jogar, você tem que tirar do teu time rápido, porque uma laranja podre contamina, contamina as outras. Eh mas sair da síndrome do… Esquecer a síndrome do herói e esquecer que você controla faz com que a gente possa literalmente ser muito mais leve, e ter hoje… Eu tenho biscoiteiro no Brasil inteiro, tem loja que eu não conheço, não que eu me orgulhe, eu adoraria conhecer todas, mas tem uma hora que não dá. Eh mas eu sei que tem alguém lá que tem os mesmos valores, total. Então eu sei que a gente tá atendendo, encantando o cliente lá como eu faria, total. Isso é muito bacana. E, putz, tô adorando o papo, pena de que tá acabando, cara.
Caraca, a gente não falou de nada.
Mas, cara, vou entrar rapidinho na, na questão dos cookies que você, do nada, do dia pra noite, né, como a gente tava, 10 anos depois, do dia pra noite…
[risadas]
…eh virou sócio do Jorge Paulo Lemann, como que foi isso aí para você conseguir um investimento de um tubarão desse? E, e como que foi essa experiência, você interagia junto com esses caras, como que era essa, essa situação?
Não interagia nada, foi na verdade… Acabei conhecendo uma… Eu fiz um curso nos Estados Unidos, chama Babson College, porque também acredito muito em educação, então, apesar de ter estudado em escola pública, depois eu fiz Babson College, Fudan University na China, em Xangai, fui atrás, né, cara? Fui atrás e fui fazendo porque, cara, conhecimento é o, é o bem mais valioso, ninguém tira isso de você, total. E todas as vezes que você se expõe a um novo conhecimento, você é transformado, e às vezes você não percebe, mas ao longo da vida você vai aprender. E então acabei tendo uma conexão lá, que conhecia um dos fundos… A gente já tinha uma empresa muito organizada e, e que fazia para grandes marcas, e acabei conhecendo um fundo que chamava Axxon Capital, que era um fundo que tava investindo nesses negócios. E aí fui fazer uma reunião com eles para apresentar nosso negócio e eles adoraram o brilho no olho, que é o mais importante de quando você vai falar com o fundo, cara: é espírito, brilho no olho, é um negócio grande, é o cara à frente, né? Não tem, é o sonho grande, como você vai fazer, e uma coerência, porque sonhar é fácil. Eu até… Tem uma frase que eu sempre falo, que é assim: cara, o empreendedor não é o que sonha grande, é o que consegue sonhar grande, transformar isso num plano tático e atrair as pessoas certas para executar esse plano.
Total, cara! Resumiu, cara, é isso, cara!
Sonhar é, é… Agora, fazer os outros sonharem com você é que é difícil, total. É, então… Pô, aí… Acabei conhecendo, conhecendo… O Jorge Paulo e o Marcel eram nossos sócios, foram meus sócios de 2013 até 2020, quando a gente vendeu a, a empresa, e junto com o fundo e um time incrível lá que a gente tinha, cara, aprendi um monte.
A empresa de cookies que o cara te deu a sociedade foi vendida no final?
É, não, entrei como sócio, aí depois eu trouxe um fundo, aí a gente acabou virando… Ficando meu sócio, o fundo e eu, aí depois a gente vendeu esse negócio em 2020 eh pro próprio fundo ou a… A própria empresa era tão saudável que acabou comprando o negócio da gente. A gente, legal, a gente já tava no momento de sair, porque também outra coisa que eu aprendi, né, cara: tem ciclos na vida, total. Então eu já tava encantado com a Biscoitê, já era a minha menina dos olhos. Em 2019, julho de 2019, aí o conselho dessa outra empresa falou: “cara, esse negócio aqui tá tomando energia tua. Decide: ou você fica aqui, ou você vai para lá”. E ali era um negócio superestável, grande, com [ __ ] salário, com… Cara, era o sonho de executivo. E quando eles me colocaram na, na, na parede num café da manhã, eu falei: “cara, tá decidido, vou para a Biscoitê”. Os caras falaram: “não, duvido, você vai largar esse negócio aqui de milhões?”. Cara, a gente já faturava quase uma uma centena de milhões de reais lá, cara. A gente tinha 30% do mercado de cookies, cara, era um negócio incrível.
Qual o nome da empresa?
Dalpper. A gente ch… Fazia cookies pra Nestlé, Unilever, PepsiCo, Lacta, Quaker, Mãe Terra…
Caraca, bicho!
…todas, Bauducco, Cacau Show, Kopenhagen, cara, todos esses cookies eram de… Você exportava pra vários países?
Mundo, para a Inglaterra…
[ __ ]!
…Kellogg’s, a gente fazia cookies. E aí você saiu desse negócio, falou: “vou abraçar…”.
Aí quando eles me colocaram na parede, eu falei: “cara…”. De novo, graças a Deus eu tinha os meus valores, falei: “cara, sonho não tem preço, cara, eu abro mão de tudo aqui pra ver a Biscoitê”, que é um negócio que, cara, eu acho que tem um baita mercado. Como eles não acreditavam muito nisso, eh eu acabei em julho de 2019 saindo do dia… De executivo da Dalpper, ainda era sócio, para ir empreender na Biscoitê. Mas a Biscoitê era eu, a Carol e, eh e um assistente, na verdade durante muito tempo foi a Carol e esse assistente, porque eu ainda tava na Biscoitê… Na Dalpper lá tocando as coisas, tá. E, cara, é muito louco, né? Porque eu nunca tive dúvidas de que era o que eu queria fazer. Mas vai ter que ficar para um outro podcast, porque assim, aí eu abri de julho de 19 e até dezembro de 19 a gente tinha três unidades, eu abri 15 unidades 100% com capital próprio…
Da Biscoitê.
…da Biscoitê. E eu, cara, tava acreditando demais que na Páscoa de 2020 eu ia arrebentar de ganhar dinheiro, e eu arrebentei [ __ ], Páscoa de 2020: pandemia. A gente abriu 18 lojas e coloquei todo o meu dinheiro, tudo o que eu tinha e o que eu não tinha lá.
Caraca!
Comprei, sei lá, nem lembro agora mais, quase R$ 2 milhões de reais de, de, de ovo de Páscoa, de coelhinho, de tudo, e abasteci todas as lojas no dia 16, e fechei todas no dia 18. Não vendi nenhum coelhinho, não vendi nenhum ovo de Páscoa. E aí a gente quebrou literalmente no meio da pandemia. E é… E foi… E aí também cruzando com as coisas pessoais, né, a Carol tava grávida do meu outro filho, caraca, bicho, gravidez super difícil, a gente ia colocar todo o nosso dinheiro ali, eh cara, foi um momento assim que a gente falava: “[ __ ], ferrou”. Eh e eu tinha um outro negócio do joint venture em pompa, o pessoal: “volta, volta, volta”, eu falei: “não, eu dei a minha palavra na época, eram 40 pessoas para essas 40 pessoas que estavam aqui e eu recebi uma ligação de uma vendedora de uma loja que a gente teve que demitir e a gente não tinha dinheiro para pagar, cara, e ela ligou e falou: ‘olha, Raul, a Biscoitê é uma empresa incrível, eu nunca trabalhei num lugar tão legal, eh eu trabalho de graça para vocês, eu ponho o meu carro, meu marido eh me ajuda, eh e eu, o que vocês quiserem, a gente tá à disposição'”. E não foi só uma ligação que eu recebi, foram algumas. E quando eu recebi essa ligação, eu falei: “cara, eu não tenho o direito de desistir, eu não tenho o direito de voltar pro meu limbo lá e falar: vou voltar para outro negócio, pro meu salarinho lá”. Falei: “cara, eu trouxe essas pessoas para esse lugar e daqui a gente vai sair junto”.
Que massa!
E, e aí em 2020… E aí que é bom você ter bons valores, né? Todo mundo nos ajudou, os shoppings, cara, e assim, só que eu fui de peito aberto, falei: “gente, ferrou, não tenho grana. Se tudo der errado, eu vou vender essa outra empresa e eu vou conseguir pagar todo mundo. Agora eu não tenho dinheiro, mas eu vou ter, e vai dar tudo certo, mas por… Confiem em mim agora, me deem mais crédito, me ajudem a sair desse negócio”. Cara, e de coração aberto, absolutamente todo mundo, os shoppings me deram novos pontos…
Que legal!
…as, os meus colaboradores voltaram a trabalhar, a gente estava na pandemia, de novo, minha esposa grávida, não sabia nem como é que ia ter o nosso filho, porque não, não sabia se shopping ia voltar. Bom, em resumo, a gente terminou 2020 crescendo.
Que legal!
A gente, a gente começou 2020 com 18 lojas, a gente fechou quase, fechou todas, depois três a gente acabou fechando, e, mas eu terminei, terminei 2020 com 20 lojas, então a gente abriu mais 20.
Você deu uma barrigada e depois conseguiu…
Uma barrigada, a gente foi, por quê? Porque, pô, muita gente começou a acreditar na gente, falou: “cara…”, e eu falava: “gente, isso aqui era legal antes da pandemia, vai ser legal depois, isso vai passar, quando, não tenho a menor ideia, a gente vai passar por esse perrengue junto”. Eh então a gente continuou crescendo, pô, depois de 30, 50, hoje a gente deve terminar o ano com 80 lojas, faturando mais de R$ 100 milhões de reais. Eh e a gente tava absolutamente quebrado.
E dessas 80 lojas é tudo, tudo é própria, franquia, como que tá mais ou menos hoje?
Hoje a gente tem 74, né, e aí funcionando, 32 próprias e o resto são franquias. Eh a gente cresce com o misto de lojas próprias e, e franquias, porque eu acredito muito que… E é um tema para um outro podcast, mas eu acredito muito que assim, franqueador que não tem loja própria não acredita no negócio dele.
Concordo.
Eu costumo dizer o seguinte: por que que eu te convido para abrir uma loja se eu não tenho… Se você não quer colocar teu dinheiro? E tudo bem, eu acho que tem momentos de franqueadores, então assim: beleza, eu não vou, ah, ah, como vários franqueadores grandes ali e super sérios, cara, eu não acredito, eu não, eu não tenho dinheiro, então não vou, não vou colocar dinheiro porque, cara, eu não tenho dinheiro, então coloca você, eu divido o lucro com você, justo. Mas, poxa, se você tem capital, se você tem condições de tocar a loja, se você vende pro franqueador de que a tua operação é uma operação… Pro franqueado, de que a tua operação é uma operação simples, por que você não pode tocar? Então, cara, eu tenho sim muitas lojas próprias, vou continuar tendo, e elas são incríveis para que eu seja um bom franqueador, porque eu tô literalmente skin in the game, cara, tô ali.
Cara, você tá sentindo a dor do franqueado.
O franqueado fala: “não vende”, “vende que na minha loja vendeu, então faça isso, isso, isso”. “Não vende”, “não vende mesmo, cara, esse, esse aqui, esse micou, micou, eh bora mudar e bora refazer os produtos”.
Que legal.
Então assim, a gente acredita muito de que… E de novo, cara, uma outra coisa muito polêmica, cara: quando eu entrei no mercado de franquias, eu vi que infelizmente o mercado de franquia era um mercado com um potencial gigantesco, que tinha muita gente séria, mas que tinha muito picareta, mas muito picareta. E quando você olha esses picaretas do mercado, eu costumo dizer que aquilo não é franquia, aquilo é uma pirâmide, porque o cara vive de vender franquia. A gente, a gente fala sempre o seguinte, cara: o meu negócio é vender presente. O dia que eu precisar da taxa de franquia para sobreviver, eu não tenho um negócio, eu tenho uma pirâmide. É isso. E qualquer franqueador… E eu falo, cara, discuto isso muito: qualquer, qualquer franqueador que vive de taxa de franquia tem uma pirâmide, não tem uma franqueadora. A gente tem que viver de, de ganhar dinheiro junto, e você não ganha dinheiro vendendo franquia, você ganha dinheiro vendendo produto, porque quando o franqueado ganha dinheiro, você ganha dinheiro. Então é, é um… É polêmico, não, mas é…
Cara, isso é polêmico, mas é realidade pura. Eu esses dias, veio a, a Milena aqui, que é especialista em franquia, foi um papo massa de franquia, porque eu também tenho vários, várias vírgulas na minha teoria de franquias que, por conta… Eu já tive uma agência de publicidade que a gente atendia algumas franquias, franqueadoras, algumas que, só por Deus, cara. É…
É que a franquia… “Ah, eu quero abrir uma franquia”. Cara, franquia não é negócio, franquia é canal. Franquia é uma forma de você expa… Expandir. Eu posso vender para um distribuidor, eu posso vender pro Pão de Açúcar, eu posso vender para um franqueado, isso é canal. E se você quer ter uma franquia, tá errado. Você deveria falar: qual negócio eu me identifico? Então, ah beleza, eu me identifico com agência de publicidade, então vou achar alguma franquia na agência de… Aí é incrível, porque você vai comprar o know-how. Cara, eu já gastei uma dezena de milhões de reais para montar o que tem de Biscoitê de branding hoje. Então, esse cara, essas dezenas de milhões de reais… É fácil vender Biscoitê, quanto você gastou para fazer isso? Quanto eu errei! Eu tinha uma outra marca, eu lancei um monte de produtos que não deram certo, eu amarguei com milhões de reais de produtos que não venderam, cara, eu coloquei 10 sistemas que não funcionaram, montei o digital que não funcionou, coloquei mais R$ 1 milhão de reais agora em digital para, para o negócio acontecer. Cara, a gente errou um monte. Isso quando você entende qual é o teu… O teu propósito: “ah, eu gosto de agência de publicidade, eu go…”. Eu falo: Biscoitê, quem não gosta de servir e quem não gosta de presente, de biscoito, não pode ser meu franqueado, é isso. Porque, ah, o nosso investimento… A gente tem um negócio que o investimento é, é relativamente baixo, então a partir de 200, entre 200 e R$ 400.000 você consegue abrir uma Biscoitê com tudo.
Caramba, legal!
Eh só que a gente tem eh um franqueado que a gente coloca ele para dentro com base dos nossos valores. Então assim, eu já tive franqueados que colocaram R$ 5 milhões de reais na mesa e falaram: “cara, eu quero abrir X Biscoitês”. Eu falei: “obrigado, não tenho o menor interesse em ter um investidor, porque se eu quisesse dinheiro eu ia no banco, eu não, não ia procurar…”. Porque no final, o franqueado é teu sócio.
É.
Então eu preciso que ele queira, eh então a gente busca pessoas que queiram ter mais de uma loja, então a gente não quer… A gente até tem vários franqueados que têm uma Biscoitê, mas com sonho grande: “então eu quero alguém que tem uma Biscoitê, mas quero ter duas, três, quatro”, eh então sejam multifranqueados, eh e que estejam nas principais regiões. Então, nossos planos são 342 Biscoitês no Brasil, principalmente em shoppings, eh e a gente tem já os pontos mapeados. E de novo, a gente também faz todo o processo, a Biscoitê vai te ajudar em tudo: a gente escolhe o ponto com você, vai atrás, negocia o ponto, faz o projeto arquitetônico, treina você, vai ficar na Biscoitê virando encantador por duas semanas.
Legal, que massa!
Você vai operar a loja, você vai abrir e fechar, você vai tirar café, você vai limpar o chão, você vai abrir a loja no domingo, porque empreender é isso. Se o teu colaborador não for no domingo, você vai ter que abrir a loja.
Total.
Você vai ter que ser a retaguarda, você vai ter que ser a retaguarda. Então, e a gente faz isso porque assim, muitos não passam por esse… Eu adoraria, até porque ele vai lá, acha que é só ficar tomando, tomando no… Higi, cara, é fazer o café. Eu vou dar um exemplo real aqui, e que empreender… Semana passada fui almoçar com o CEO de uma empresa gigante aí, que todo mundo conhece, no Shopping Morumbi. Cheguei na minha loja, a minha encantadora tava desesperada porque das três pessoas que tinham lá, só tinha ela. Pico do café, 1 hora da tarde, 1h30 da tarde. Cara, eu e o meu sócio, Chau, a gente chegou na loja, a gente viu aquilo, aí eu falei para esse, para essa pessoa, falei: “cara, desculpa, mas eu preciso ajudar”. Arranquei na coisa no casaco, tal, fui lá, recolhi a mesa, fui lavar xícara, comecei a atender as pessoas, tirar café. Eh cara, meu sócio na hora, o Chau foi lá também, falou: “Raul, vai lavar xícara, eu vou lavar xícara, vai lá para cá, para lá”. E cara, aí do nada, essa pessoa, que é um CEO de uma empresa gigante, esse cara tava lá tirando as xícaras e atendendo as pessoas também.
[risadas]
E aí eu falei: “cara…”. Eu fui mesa por mesa falar: “desculpa o que tá acontecendo, a gente é, é uma coisa…”. Mas assim, foi uma tragédia, né, uma teve um acidente e, e a outra teve outro pessoal gravíssimo, eh e assim, a gente ficou ali uma hora eh ajudando e colocando a mão na massa. Então assim, empreender é isso, é isso, sabe? É, por trás do CNPJ tem alguém que vai ter que ralar, né, eh para fazer o negócio acontecer, e tem que enfiar a mão na massa. Então isso é o que a gente busca de franqueados: cara, quem tá disposto a fazer isso, eh porque no final, se você não dá o exemplo, você não pode cobrar, e não dá, né? Então assim, se você não sabe tirar um café, se você não sabe limpar um chão, se você não sabe operar o sistema, você não pode ser um franqueado. E você faz isso no seu onboarding de franqueados, porque querendo ou não, isso filtra, você consegue já saber na hora de que assim… Eu falo, é igual o Tropa de Elite, né: pede para sair, né? Falo: “cara, assim, empreender é muito difícil”, é. E o cara fala: “não, o franqueado que chega: ‘não, eu gostaria de treinar de segunda a sexta, aí sábado e domingo eu vou passear com a minha família em São Paulo, aproveitando em São Paulo'”. Você vai trabalhar sábado. “Ah, mas eu não tô disposto a fazer isso”. Então, cara, você não pode ser franqui… “Caraca, ah, mas aqui eu tenho já uma viagem já no final do ano de que eu vou com a minha família”. Falou: “cara, esquece, sexta-feira Santa você vai estar trabalhando; Páscoa, uma das nossas maiores vendas, sim, esquece; Natal, dia 24 você vai estar na loja”. Cara, é, é… Faz o teu Natal depois, eh viaja em janeiro, aí viaja o mês inteiro se quiser, mas, cara, você vai estar trabalhando no Natal, você vai estar trabalhando no Dia das Mães. “Ah, mas isso é sagrado na minha família”. Cara, então, mas o business, o business pede, pede dessa, essas datas, né, são as, são os… Se você não tiver, você não consegue mandar em ninguém. Então assim, lembra que você é o exemplo. Pô, final do ano, cara, vai todo mundo pra loja, né, eu vou pra fábrica, pra loja direto, sim. Se você não sabe, se você não dá o exemplo, cara, é uma coisa… A frase do Rony, da Reserva, que eu adoro, o cara fala: “cara, como é que é, cara? É, é o, sei lá o que pede se o exemplo arrasta”, né? É, [ __ ] esqueci agora, cara. É isso, mas é o exemplo arrasta. Se você for, a galera vai lá e faz, se eu não tivesse lá de lavar xícara, ninguém ia ter feito, total. Agora é justo com aquela pessoa que tá ali se matando para fazer? Não. Você foi lá e ajudou. Como depois a menina… E ela, quando eu cheguei, ela ficou nervosa: “ai, mil desculpas”. Eu: “desculpa, desculpa eu por, por ter te colocado na situação, direta e indiretamente. Bora resolver junto”, entendeu? É isso aí.
Que massa, cara! Cara, Raul, finalizamos. Foi, foi muito legal, gostei demais, de verdade, baita… Cara, já, eu já esperava muito desse podcast, mas me surpreendeu positivamente. Foi muito, muito legal mesmo. Que a gente não falou de inteligência artificial, ó!
De verdade, eu vou… Vamos, eh daqui a um mês, um mês e pouquinho, só para dar um respiro, vamos colocar um segundo episódio pra gente entrar nesses temas. Quero entrar nesse tema de eh branding: como que você faz o branding da Biscoitê; quero entrar nesse, nesse tema de processos: como que você cria esse processo, a tema de liderança, cultura, e fechar em IA, cara, que a gente… Eu sou apaixonado por IA, eu uso IA em tudo. Inclusive amanhã a gente tem um negócio de que a gente começou, que chama Clube do IA, que legal, que eu quero disseminar essa cultura da inteligência artificial para todo mundo na Biscoitê.
Que massa!
E é voluntário. Então a ideia é a gente se juntar para falar sobre inteligência artificial, porque não vai mudar… Eu falo que isso não é uma coisa profissional, é uma coisa pessoal, porque se você não entende a IA e você não quer entender, a tua vida vai ser complicada daqui a 2 anos, daqui a cinco, daqui a 10, sim. Então se você não entende, vai mudar tudo, cara.
Vai mudar tudo, vai mudar tudo, já tá mudando, mas vai mudar muito.
Porque o negócio tá… É exponencial.
Exatamente, é… É surreal o quanto… Cara, de verdade, mais uma vez, muito obrigado. Deixa eu só agradecer rapidinho os patrocinadores, tenho uma pergunta final para te fazer, tá? Tiagão, tudo no esquema aí? Sucesso. Galera, todo esse papo aqui, essa qualidade, essa qualidade audiovisual, esse assunto, esse conteúdo que a gente trouxe aqui de, de forma gratuita para a internet é graças aos patrocinadores que acreditam no, no projeto do, do Além do CNPJ Cast, e investem pra gente trazer esse conteúdo aqui para vocês. Então, quero começar agradecendo a Semic Displays, do meu parceiro Adalto de Carvalho, tá precisando vender mais? Então o seu negócio precisa de soluções criativas para PDVs: balcões, bandejas, displays e muito mais. Aqui o site e o arroba da Semic na tela. PDV, ponto de venda, é o lugar em que você recebe seus clientes para expor o teu produto ou serviço e então vender mais. Quando você tem a ciência por trás da, do PDV, sabendo exatamente o que faz você aumentar resultado, faturamento, ticket médio, recorrência, branding, tudo isso fica mais fácil. Então, se você simplesmente colocou as bandejas, as, os, as prateleiras todas espalhadas com seus produtos e tudo mais, e não tem um estudo por trás, pode ser que você tá deixando dinheiro na mesa, e existem empresas que trazem soluções criativas para que no teu PDV você aumente teu resultado, essa é a Semic Displays, clique em qualquer lugar dessa tela e fala com os caras, tamo junto.
Agora quero falar da SMB Store, do meu parceiro Alonso. Desde 2018, a SMB Store tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, suas vendas e seu financeiro, tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar. Tá aqui o site da SMB aqui na tela e também o arroba. O empreendedor pequeno passa muito perrengue porque, muitas vezes, tem até potencial, sabe fazer o trabalho, sabe fazer bem feito, mas não tem gestão. E aí, muitas vezes, ele falha porque, sabendo que a gestão é o seu gargalo, ele tenta fazer da maneira mais simples possível, e eu tô falando isso dos pequenos, microempresários mesmo, fazendo isso num Excel e tudo mais, não colocando um sistema, e aí ele não coloca um sistema porque ele acha que é burocrático, que vai fazer ele perder tempo de focar no que realmente importa, mas aí que ele se engana. Porque, de fato, alguns sistemas burocratizam demais, mas se você encontra o sistema que tá… Que foi construído pro pequeno empreendedor, pro microempreendedor, o sistema de que seja fácil de usar tão quanto uma rede social, por exemplo, aí ele consegue organizar sua gestão de uma maneira eficiente e muito mais prazerosa, porque, querendo ou não, ele vai ter relatórios, ele vai ter um monte de informação que normalmente ele não teria do jeito antigo de gerenciar. Clica em qualquer lugar dessa tela e conheça a, conheça a SMB Store, que é um sistema que eu inclusive uso no Além do CNPJ e é surreal: é fácil de implementar, fácil de usar e é muito, muito, muito bom. Então clica em qualquer lugar dessa tela e fala com os caras.
Agora quero falar da agência RPL, do meu parceiro Rodrigo Álvares. A RPL oferece a solução completa de marketing digital para negócios, cuidando das empresas com olhos de dono, desde a criação de sites, gestão de anúncios, planejamento estratégico, social media, SEO. Rodrigo Álvares, o arroba aqui na tela e também o site da RPL aqui na tela. Gente, quando a gente fala de marketing digital, tá muito claro hoje na nossa cabeça que marketing digital não é nada mais do que o marketing hoje em dia, é uma coisa só. Sempre foi, só que as pessoas se acostumaram a falar de marketing digital, marketing, marketing, pronto, é isso. E, naturalmente, um dos braços do marketing é o digital, e quando a gente fala de marketing digital, né, desse braço digital dentro do universo do marketing, é tão fácil, tão simples, tão na boca do povo, mas é tão difícil encontrar quem faça do jeito certo, muita gente fazendo, mas pouca gente fazendo bem. O marketing precisa de um planejamento estratégico que converse a mesma língua para todas as frentes trabalhadas, inclusive o offline, inclusive, muitas vezes, na comunicação de quanto esse marketing vai conversar com o seu setor comercial, vocês têm que estar alinhados nisso aí. Normalmente, o marketing comercial é um pé de guerra, então quem que tá à frente desse negócio e quem eu posso colocar à frente desse negócio que tenha essa visão 360 da coisa? E aí eu falo para vocês eh de um parceiro meu, de um brother, amigaço pessoal mesmo, cara surreal de bom, que é o Rodrigo da RPL, que ele faz esse trabalho junto com o empreendedor, ele é focado em empreendedores para fazer essa gestão 360 com um preço extremamente justo que se paga, e no final das contas você vai voltar aqui para me agradecer, clica em qualquer lugar nessa tela e fala com o Rodrigo, tamo junto.
Agora quero falar da WJR Consulting, do meu parceiro Valenstein Júnior: gestão financeira descomplicada para empresários, o arroba da WJR aqui na tela e o Instagram da WJR na tela. Gente, basicamente você tem várias coisas para fazer no universo do empreendedorismo, mas uma das coisas que a gente não pode deixar de lado é a parte de gestão financeira, e não é gerenciamento de fluxo de caixa e tudo mais, é a gestão financeira profissional analisando inúmeras coisas: balanço, DRE, fazendo um, um, um provisionamento bom do seu budget, quanto você vai gastar dos seus orçamentos e tudo mais. Tudo isso é muito importante, a parte do, da gestão financeira e da parte de controladoria, que é uma coisa que pouquíssimos empresários, os desses menorzinhos principalmente, conhecem, a parte de controladoria, que é uma coisa surreal o quanto isso traz de melhorias e visão pro empreendedor. Então quando a gente acha que tá fazendo a gestão financeira do jeito certo é porque tá, a gente tá se enganando, porque falta na grande maioria, 99% dos casos, falta essa abordagem um pouco mais técnica, muito mais profissional, e que é possível hoje, tá democrático hoje trazer esse conhecimento para dentro do seu negócio, como? Através de empresas que prestam essa consultoria com valor superjusto, que faz o valor retornar, se pagar muito rápido. E eu tô falando da WJR Consulting, cara, meu parceiro Valenstein, clica em qualquer lugar dessa tela, conversa com os caras e com certeza absoluta é um dos investimentos que vai se pagar muito rápido no seu negócio, você vai voltar aqui para me agradecer, tá bom? Tamo junto, obrigado, obrigado WJR, obrigado Valenstein pela parceria, e vamos que vamos, tamo junto, sucesso.
Agora eu quero falar da Inspira Capital, do meu parceiro Fabiano Brito: operação e gestão financeira por assinatura, o braço direito do empreendedor, arroba aqui na tela e também o site da Inspira Capital. Você que é empreendedor tem o seu setor financeiro lá, o contas a pagar e receber, só que, pô, ele pega férias, né? Tem 13º, pega atestado quando tá doente, né? E muitas vezes essa pessoa de que você lá paga seus R$ 2.500, para falar de um salário baixo para essa pessoa, R$ 2.500 baixo, hein? Se você quiser contratar alguém bem experiente em contas a pagar, por exemplo, você vai pagar lá seus quatro, cinco, a depender do estado em que você tá aqui no país, fora todo isso na CLT, fora todos os desdobramentos da CLT que a gente sabe que isso dobra, então não é um valor barato. E essa pessoa desempenha qual função? Contas a pagar. Agora imagina: você precisa contratar um contador para a sua empresa, vai ser caro, não vai? E esse contador vai fazer o quê? Contabilidade no universo que ele tem de especialização, ele vai fazer DP, vai fazer RH? Não, por quê? Porque ele é um cara só. Esse mesmo conceito se aplica no financeiro que eu comecei falando. Se você contrata uma pessoa, além de gerenciar essa pessoa, você tem o conhecimento específico dela; agora, se você aloca esse mesmo dinheiro numa empresa que faz o financeiro para você, você consegue garantir recursos a mais no teu negócio pelo mesmo valor, porque são várias pessoas atuando num contrato, como uma contabilidade acontece: você paga uma mensalidade na contabilidade e tem um pool de pessoas, um pool de profissionais te ajudando na parte estratégica, contábil, DP. No financeiro já tá acontecendo isso há muito tempo, e se você não se adaptou, talvez você tá deixando o carro passar, o bonde passar. Não é mais futuro, é presente, BPO financeiro, terceirizar o financeiro do seu negócio não tem férias, não tem atestado e é muito mais profissional. Justamente por isso, por conseguir pegar um pouquinho de cada profissional e te oferecer isso através de um contrato. Se para você faz sentido o que eu tô falando, clica em qualquer lugar dessa tela e fala com a Inspira Capital. Os caras são mestres em BPO financeiro, são ótimos, isso aí. Fazem o BPO financeiro inclusive para, pro Além do CNPJ, e, cara, surreal. Fala com o Fabiano e com certeza vai voltar aqui para me agradecer depois, tamo junto.
Agora quero falar da Polux, meu parceiro Ricardo Ferrazini: sabia que existe oportunidade de desembolsar menos com impostos através de planejamento tributário? Especialista em gestão de tributos e de crise, tá aqui o arroba da Polux online. Muito empreendedor tá pagando mais impostos do que deveria, e muito do que eu falo é do Simples Nacional, que você acha que tá aí bombando, estourando e, e economizando com imposto, pagando lá essa alíquota que você paga, e aí quando você acha que tá assumindo faturamentos maiores, que você pode, a alíquota tá subindo aqui, qual é a brilhante ideia que você tem ou o teu contador fala: “vamos abrir um segundo CNPJ no nome de alguém, no da mãe, do pai, do filho, do primo”. E aí você começa a dividir faturamento, dividir faturamento, e então, automaticamente, aquela alíquota que você pagava mais alta começa a cair porque é sempre em cima dos últimos 12, e você tem um CNPJ pagando pouquinho porque não tem faturamento, e você começa a faturar ali, e aí então aquela alíquota de 10 cai para 7,5 e você fala: “tô estourando”, mas ainda assim, se você já tá faturando acima de 200 paus mais ou menos por mês, tá mais ou menos 2,4, 2.400.000, 2,5 milhões ao ano, possivelmente mesmo no Simples você já tá perdendo dinheiro. E como você faz essa análise? Através de um planejamento tributário, que uma empresa consegue te ajudar nisso. Se isso que eu tô falando faz sentido e se encaixa com você, estuda um planejamento tributário pelo menos para pôr no radar qual é o momento certo de desenquadrar, e se você não tem a quem recorrer, clica em qualquer lugar dessa tela e fala com o pessoal da Polux, os caras que me ajudaram no meu planejamento estratégico, no meu planejamento tributário literalmente lá nos meus negócios da construção civil, e eu tô trazendo aqui agora no CNPJ para indicar para vocês, tamo junto.
E agora, por fim, quero falar da Max Service Contabilidade, que tem como missão a parte consultiva ao empreendedor, estando sempre próximo da gestão da empresa. Com ecossistema completo, oferecem atendimento desde o Simples Nacional até o Lucro Real, inclusive no Lucro Real eles têm como especialidade, tá aqui o arroba da, da Max Service e também o site dos caras. Contabilidade não é custo, faz tempo que não é custo, contabilidade é investimento. Quando você paga muito barato uma contabilidade, aquilo é custo, porque além de você desperdiçar um dinheiro de que você poderia estar colocando num lugar que tá te trazendo retorno, não, você tá colocando dinheiro numa empresa que te vendeu simplesmente preço e, justamente por entrar essa concorrência desleal, que é o mercado dos serviços, ainda mais de que não agrega valor, tá fazendo um preço muito baixo com uma margem muito baixa, o que faz com que os profissionais que ele contrate não sejam bons e mais, às vezes nem entregue o mínimo, o mínimo do que você paga, que são as obrigações acessórias, como eu já tive o problema de tomar multa e tudo mais por causa de falta de entrega de obrigações acessórias de contabilidades antigas. Não é custo, não é custo, é investimento, só pelo fato de você contratar alguém que faça do jeito certo já tá bom para caramba, sai um pouquinho mais caro, sai um pouquinho mais caro, não tô falando de muito mais caro não, mas sai um pouquinho mais caro. Mas só o que você economiza de problemas lá na frente, pode ter certeza de que essa conta chega, eu achei que não, teve época em que eu só pensava em custo e essa conta chegou, infelizmente, tive que ir pagar. Então fica esperto nisso aí, contabilidade não é custo, é investimento. Mas mais do que isso, só fazendo o básico já vale a pena, mas uma contabilidade consultiva consegue te ajudar num nível surreal, te ajudando em vários pontos que faz você inclusive economizar dinheiro. Então a contabilidade consultiva que dá uma consultoria trazendo todos os atributos de DP, RH, a própria parte contábil, fiscal para dentro do negócio, trazendo esse olhar, né, dessa essa visão todas que eles têm pro seu dia a dia, cara, isso traz uma visão surreal, uma visão estratégica surreal, ajustes de rota imprescindíveis pro negócio, e aí você começa a falar, fala assim: “cara, esse detalhezinho que eu fiz, putz, virou a chave aqui, eu economizei a maior grana”. Aí quando você olha o valor que você economizou, às vezes paga três anos dessa contabilidade, aí você fala: “putz, esses caras se pagam”. E se o que eu tô te falando agora não faz sentido para você porque você nunca viveu isso, talvez você tá na contabilidade errada, e caso você entenda que esteja na contabilidade errada, que você tá com um contador que não faz sentido para você, eu te convido a conhecer a Max Service, que são os caras que fazem a minha contabilidade e é por conta deles que eu tô contando toda essa história para vocês, clica em qualquer lugar dessa tela e fala com a Max Service, tamo junto, sucesso.
E é isso, galera, muito obrigado a todos que confiam no projeto do podcast, a você que tá aqui assistindo e tudo mais. Todas essas empresas que eu trouxe para cá foram curadas por mim, eu sempre… Não é só querendo investir, chegar com o dinheiro que entra, não, muito pelo contrário, eu olho o negócio, olho a empresa, vejo se dá aderência pro público, para vocês, e todos esses negócios aqui são negócios que de fato ajudam a vida empreendedora, então com certeza algum B.O. de que você tá vivendo tem solução dentro dessa turma de que eu acabei de falar, beleza? Então sucesso.
Raul, vamos continuar aqui, meu caro. Raul, pergunta final, meu caro. Imagina, e aí quero fazer essa pergunta com bastante tranquilidade, imagina que… Por isso que eu vou bater na madeira. Imagina que você tá saindo daqui, você bate o carro e morre. Bate na mesa aí. Cara, são mais de 100 episódios, nunca ninguém bateu o carro, muito menos… Muito menos ninguém morreu, mas fica tranquilo. Mas eu gosto de fazer a pergunta que, cara, para trazer peso para a pergunta mesmo. Mas, bicho, cara, quantos anos você tá?
36, estamos na me… Estamos na mesma idade. Então, pô, no alto dos seus 36 anos, cara, chegou tua hora, você fecha o olho, abre, Jesus tá na tua frente, meu, e aí? “Eh, se eu soubesse…”. Pelo menos é Jesus, né? É, é isso aí, já é uma boa notícia. Aí você fala assim: “Cara, se eu soubesse que eu ia morrer com 36, eu tinha feito diferente”, tal, tal. Pô, mas sua missão já foi cumprida, pô, parabéns, baita vida, legal, mas essa é a tua última aparição, cara. Que mensagem você deixaria aí? Não é nem uma coisa tão filosófica, mas que mensagem você deixaria pro mundo, cara? Se você tivesse… Falou de um conselho de que deixar, que mensagem você deixaria?
[ __ ] essa é porrada, mas é o… Normalmente a, a primeira coisa que vem na cabeça é a melhor resposta.
Porrada, cara. Eu acho que é assim… Eu contei minha história no começo, né, de, de como eu parei na Biscoitê, como eu não me arrependo nenhum dia. Tem dia que é difícil, cara, que a gente acorda, tá atrás da meta, pressão e tal, você fica: [ __ ] merda, mas eu nunca me arrependi, e eu acho que isso foi porque eu consegui sair da zona de conforto, eh e sair de um, de um lugar que, [ __ ] eu adorava assim, adorava as pessoas com quem eu trabalhava, tinha um… Adorava o Rio, tinha um trabalho que intelectualmente era bem desafiador e ganhava bem, e tal, para procurar uma coisa meio no sonho, com a esposa grávida…
Sim.
…e caramba, você mudou no meio do…
É, no meio do COVID. Então, cara, ela tinha, sei lá, devia tá na 15ª, 16ª semana e eu mudei de emprego para ganhar muito menos, porque aí era um microprojeto na época, eles não renegociam a proposta, e era um outro momento, né? Era um momento de muito mais eh eh ação, você ganhava muito mais stock, muito mais ação pro longo prazo, e o salário era o que dava para pagar, é isso, né, como empresa Series B. Conforme a gente vai crescendo, você vai… A ação tá valendo cada vez mais, então a gente recebe cada vez menos ação e cada vez mais salário, essa é a tendência natural das coisas, né? E, e foi isso, cara. E aí, [ __ ] me encontrei na Biscoitê, eh graças a ter essa, essa coragem.
Coragem, é isso aí, coragem.
Ah, e não podia deixar de agradecer também à Simone, minha esposa, que me incentivou para dar esse passo aí grande, que faz diferença, hein, cara? Nossa, cara, nossa. Porque se ela fala “não quero”, acabou.
Nada disso.
Ela fala: “putz, mas nossa, você ganhava tão bem, né, como é que vai ser?”. Pelo contrário, assim, ela que foi ela que me empurrou. E é, então acho que é isso, cara.
Simone, Simone aí, Simone, você tá…
Legal, cara. Pra… Obrigado mais uma vez de verdade, Bisco. Baita de um papo, papo leve. Perguntei tudo o que eu tinha que perguntar, bateu um horário certinho, [ __ ] legal para caramba, super bom. Pô, mais uma vez, o que precisar de mim, o que precisar do Além do CNPJ, sério, o que eu puder contribuir com alguma coisa, fico, fico à disposição. De novo, usa e abusa desse conteúdo, esse conteúdo ficou muito bom, cara. Você falou muita coisa sobre a Biscoitê e mais, tô saindo aqui com um, um compromisso contigo: vou colocar meu RH para falar com o teu.
Boa, legal. E, cara, quem, quem tiver ouvindo aí, tiver assistindo até agora, a gente pode até fazer uma, uma campanha legal aí, a gente dá legal, dá 20% de desconto nas três primeiras mensalidades.
Boa, então já vou pegar, já vou pegar 100% para entrar nesse…
Só falar que veio do Além do CNPJ.
Só falar, então já era. E, galera, você que ficou até, até aqui, até o final, pô, obrigado por ter ficado até esse momento. Aqui embaixo tem vários botões, clique em todos para engajar, encaminha esse episódio para algum sócio, para algum amigo que tá empreendendo que você acha que esse papo que a gente teve aqui pode contribuir. Tamo junto e até a próxima, valeu!
