Tripé da Confiança e a Ciência da Alta Performance na Liderança com Ana Ceneviva | Além do CNPJ (EP #095)
A Ciência por Trás da Liderança de Elite
No universo dos negócios, é comum ouvirmos que todos os problemas de uma organização se resumem à liderança. No entanto, o mercado tradicional falha ao tentar resolver essa dor com discursos motivacionais rasos. Alta performance não é uma questão de intuição; é uma ciência aplicada.
No mais recente episódio do Além do CNPJ, agora gravado no estúdio premium da Cross Host na Vila Mariana, recebemos Ana Ceneviva, fundadora da Hora Educação e uma das vozes mais influentes do LinkedIn em carreira e liderança.
Com uma trajetória impressionante que une passagens executivas por gigantes como Danone, Colgate e British American Tobacco (BAT), Ana hoje atua em uma das fronteiras mais restritas do desenvolvimento humano: o treinamento de atletas olímpicos, executivos C-Level e operadores de forças especiais e agências de inteligência dos Estados Unidos.
1. Ambientes de Alta Consequência: Onde o Erro Não é uma Opção
O que diferencia o líder de uma empresa comum de um comandante de forças especiais ou de um cirurgião cardíaco? A resposta está na gravidade do erro. Em ambientes de alta consequência, um julgamento equivocado não custa apenas uma linha no EBITDA; custa vidas humanas.
Ana explica que, na dinâmica de operações de risco extremo (como o conceito militar de Fox Hole ou Toca da Raposa), a liderança e a sobrevivência do grupo não dependem do profissional mais técnico ou brilhante, mas sim daquele que detém a confiança absoluta do time.
“Na Toca da Raposa, um militar dorme enquanto o outro vigia. Se o que vigia pegar no sono, ambos morrem. Em ambientes de alta consequência, o primeiro critério de escolha não é a competência técnica isolada; é a confiança moral.”
2. O Triângulo da Confiança: As Três Verticais da Liderança
Para construir essa conexão inabalável com a equipe de forma intencional e estratégica, Ana desenvolveu a metodologia do Triângulo da Confiança. Para que qualquer mensagem ou ordem de um líder aterrise com eficácia no liderado, ela precisa conter três vértices perfeitamente equilibrados:
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Lógica: O argumento técnico precisa fazer sentido e ter fundamentação sólida.
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Autenticidade: O time precisa perceber que o líder fala exatamente o que acredita de verdade, agindo com transparência e sem personagens.
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Empatia: A mensagem deve deixar claro o interesse genuíno pelo desenvolvimento e benefício do outro.
Se apenas um desses vértices estiver bambo ou frouxo, a comunicação falha, o engajamento é destruído e o líder é obrigado a retroagir para ferramentas jurássicas de comando e controle.
3. Produtividade Insana: O Poder do Blank Space
Muitos empreendedores e executivos exibem a exaustão como um troféu, acreditando na velha máxima industrial de que “produzir é fazer mais com menos recursos e em menos tempo”. Ana Ceneviva desconstrói esse mito com o conceito da Produtividade Insana (um trocadilho com In-Sanity, ou seja, produtividade com sanidade).
A neurociência e a fisiologia do esporte de elite provam que a capacidade de gerar insights inovadores e tomar decisões sob pressão depende diretamente de uma estratégia intencional de recuperação. O cérebro humano necessita de Blank Spaces (espaços em branco) para digerir o estresse antes da próxima tomada de decisão. Um líder exausto e sobrecarregado deixa de ser um ativo e se torna um peso morto para a sua própria empresa.
“Ninguém resolve problemas complexos colado na tela do computador ou no meio de uma reunião tensa. As grandes ideias nascem nos momentos de pausa. Se você só descansar quando sobrar tempo, você nunca trará seus melhores talentos para a mesa corporativa.”
4. Liderança Feminina Sem Ideologias
À frente da mentoria Promova-se, voltada para a aceleração de carreiras femininas, Ana aborda os desafios de gênero sob uma ótica estritamente factual e científica, eliminando ativismos rasos. Ela aponta que vieses inconscientes da sociedade moldam comportamentos desde a infância: meninos são estimulados ao risco e à quebra de regras, enquanto meninas são cobradas pela obediência e passividade.
Quando chega ao topo do ambiente corporativo, a mulher enfrenta desafios de comunicação específicos, sendo frequentemente julgada com maior rigor quando tenta adotar posturas de autopromoção que são naturais nos homens. A mentoria atua no desenvolvimento de estratégias de networking, postura corporal e produtividade inteligente para que a mulher ocupe espaços de poder mantendo a sua essência.
Quer dominar a ciência da alta performance e aplicar o tripé da confiança na gestão do seu CNPJ? Assista ao episódio completo agora mesmo!
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As empresas falam assim: “Ai, todos os problemas da empresa são na liderança”. Então o líder precisa aprender a engajar. Sim, ele precisa das pessoas certas. Autenticidade, lógica e empatia. Se a sua mensagem traz essas três vértices fortes, ela vai aterrissar no outro. E um líder exausto não consegue trazer para a sua mesa, com consistência, os seus melhores talentos. Um líder exausto vira um peso pro seu time. Se você não quer passar uma vergonha por um tempo, você não vai ficar extraordinário em nada. Perfeito em nada.
Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um episódio do podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia vida real, empreendedorismo vida real. E, cara, hoje eu tô chique aqui, meu. Por que? A convidada que tá aqui na minha frente… meu, quer ver? Vou… até anotei: Ana Ceneviva. Ela é empreendedora e CEO da Hora Educação, Top Voice no LinkedIn em liderança e carreira. Então a pessoa que eu tenho aqui na minha frente… a gente vai trocar uma ideia muito legal. Eu vou pegar uma consultoria grátis, vou aproveitar esse podcast aqui para fazer uma consultoria grátis de liderança. Mas olha que viagem, cara: ela trabalha nos Estados Unidos com atletas de alta performance, agentes — eu não vou falar o nome, tá? — agentes das forças especiais americanas e funcionários das agências de inteligência dos Estados Unidos. Cara, eu preciso entender tudo isso aí que você faz. Muito obrigado por estar aqui, Ana Ceneviva. É um prazer estar com você. Obrigado de verdade por estar aqui para trocar essa ideia com a gente, viu?
Obrigado, Felipe. Obrigado pelo convite.
Tô muito feliz, meu. Quero começar assim: antes de a gente entrar nessa trajetória toda que você conquistou, esses lugares de que você faz parte e tudo mais, Aninha, de onde você veio? Como funciona? Onde você nasceu? Você teve pai e mãe presentes? Quais foram as suas referências quando você era criança? O que você queria ser quando crescesse? Como foi esse processo até chegar na vida adulta e influenciar nos dias de hoje? Dá um overview.
Deu um dejá-vu quando você falou o que você queria ser quando você era criança. Eu lembrei de um episódio de uma policial, era uma policial ruiva que passava antes da Super Vicky quando eu assistia à Sessão da Tarde. Que da hora! E era Dama de Ouro, ela chamava. E eu falava assim: “Cara, esse trabalho é muito legal. Esse trabalho de você correr atrás dos ladrões, de você fazer a justiça, e uma mulher, ainda por cima”. Uma mulher. Eu achava ela muito incrível, não sei nem o nome da atriz, nunca mais vi esse episódio. Mas eu me lembro muito forte de ter esse senso de justiça desde pequena. Então, quando eu via alguém lutando pelo certo, isso era algo que me atraía muito. E eu tinha muito também essa questão de dar voz para mulheres em ambientes que não eram necessariamente… onde elas não eram necessariamente bem-vindas.
E é o que você faz hoje?
Exatamente, é o que eu faço hoje de um jeito diferente, um jeito muito diferente. É o que eu faço hoje. Eu morei a maior parte da minha infância e adolescência em Itaquera, ali onde é o estádio do Corinthians hoje. E eu me lembro de desde pequena… e me lembro de um episódio que acho que resume muito quem é a minha família e de onde eu vim. Eu me lembro de um episódio onde a gente estava… éramos só eu, meu pai e minha mãe naquela época, e do meu pai falando assim, e a minha mãe também obviamente, os dois sempre trabalharam: “A única coisa de luxo que a gente vai dar para você é a sua educação”. Caramba. “Esse é o único luxo que você vai ter”. Eu, até os meus 13, 14 anos, todos os meus brinquedos cabiam numa caixa desse tamanho. Então, muito cedo ficou claro para mim o que é prioridade e o que não é. Então, enquanto as minhas vizinhas, as minhas amigas que moravam na mesma rua que eu, tinham cinco Barbies, eu tinha uma boneca Barbie genérica e estudava na melhor escola particular do bairro.
Caramba. Sábio o teu pai, hein? Teu pai fazia o quê?
Meu pai era vendedor gráfico, ele só fez o colegial. Ele trabalhava numa indústria que hoje não existe mais. E a minha mãe era professora de escola pública. Sábios. E aí foi isso que me formou, formou meu caráter desde pequena. Eu entendi que se eu fosse conseguir alguma coisa na minha vida, ia ser através do estudo, ia ser através do conhecimento, ia ser através do meu esforço. Eu vi meu pai trabalhando, virando a noite fazendo o que na época eles chamavam de vegetal, que era a matriz que imprimia depois as coisas. Ele aprendeu a fazer sozinho, autodidata, para não ter que pagar um terceiro e conseguir com isso economizar uma parte do processo produtivo e ter mais dinheiro, além da comissão dele como vendedor de indústria gráfica. E a minha mãe bem super ética, super trabalhadora. E desde sempre ela fazia a jornada dupla da maioria das mulheres, né? Trabalhava fora, depois trabalhava dentro de casa. Então tudo isso, toda essa formação, essa ética profissional que eu aprendi dentro da minha casa de gente que ia lá, meu, e ralava para ganhar o que precisava ganhar para pagar suas prioridades e conseguir viver, e fornecer para os outros que amava também aquilo que acreditava que era importante… Tudo isso formou muito o meu caráter. E hoje, coincidentemente ou não, eu trabalho com educação e eu fiz o meu pé de meia, a minha riqueza, o meu negócio ensinando pessoas também a ganharem dinheiro, a liderarem pessoas. Mas, como a gente estava conversando aqui antes, né? Sem deixar corpos no caminho.
A gente estava conversando nos bastidores, né? Exatamente.
Sempre com ética, sempre com respeito, sempre fazendo a coisa certa, sem deixar de fazer o que precisa ser feito, sem desrespeitar as pessoas. E tem jeito de fazer isso. E quando você trabalha… vamos evoluindo, né? Eu fui trabalhar no mundo corporativo porque… a gente estava até conversando, estava conversando com uma pessoa que veio aqui me acompanhar e a gente estava respondendo umas perguntas no Instagram. Eu perguntei pro meu público: “Ai, o que que vocês querem, se você fosse o dono do podcast, o que que você me perguntaria?”. E aí estavam me perguntando um pouco sobre se eu tivesse 20 anos, se eu teria um trabalho diferente do que eu tive, e eu falei que não, Felipe. E vou te falar por quê: porque eu aprendi muito cedo que, se você não tem dinheiro no seu bolso, você não tem poder de barganha. Então, antes de eu fazer o que eu amava, eu fiz o que dava dinheiro. Acho que foi fazer o pezinho de meia. Exatamente. Então eu fiz Administração de Empresas, que é aquele curso que todo mundo faz quando não sabe o que fazer, mas que você sabe que você não vai ficar desempregado, né? Fui pro mundo corporativo. Antes disso, eu tinha ganho uma bolsa… eu estudei na USP, eu tinha ganho uma bolsa para estudar fora, fui estudar fora na França sem falar francês. Cara, eu consegui, eu consegui convencer os caras a me darem uma bolsa para eu estudar na França e eu não falava francês. Quando eles me deram a bolsa, eu contratei um professor particular e estudava todos os dias para conseguir fazer as aulas lá.
E você deu conta, cara?
Eu dei conta. Eu tirava várias notas baixas. As minhas provas vinham todas corrigidas, com o francês corrigido, então eu parecia assim… parecia uma criança de ginásio fazendo faculdade. Mas assim, o conteúdo do que eu falava era muito bom, só que as minhas provas vinham corrigidas na ortografia, eu escrevia em francês errado.
Nossa, mas tá ótimo, cara. Mas tipo, cara, você acha que eu vou perder essa oportunidade legal? Eu ganhei uma bolsa para estudar na França, por que que eu não vou? Só porque eu não falo francês? Eu aprendo!
Caramba, você é correria, hein?
Sou mega correria, sou mega correria. Quando eu voltei, eu fui trabalhar onde? Numa empresa francesa. Trabalhei na Danone durante vários anos. Eu fui uma das pessoas que trabalhou na fusão da Danone com a Paulista.
Que legal, meu! Que mega experiência.
E eu coordenei a área comercial da Cooperativa Paulista para se integrar com a Danone numa época onde eu era assim… eu não era nem gerente júnior ainda. Uma função operacional? Ou uma função mais de liderança? Uma função mais de liderança, foi minha primeira função de liderança. Até então, eu só tinha trabalhado em trade marketing, só tinha trabalhado com marketing, com as marcas de Danoninho, Danette, só coisa divertida. Aí até que eles falaram assim para mim: “Se você quer ser uma CEO um dia, você tem que ir para a área comercial”. E aí eu fui muito cedo. A maioria das pessoas às vezes evita, né? Fala assim: “Ah, eu não vou lá carregar caixa, eu não vou lá, tipo, tirar pedido, eu não vou lá negociar com cliente”. Cara, eu fui. Eu fui e eu tive essa experiência. Ah, eu devia ter uns 24 anos.
Caramba, jovem para caramba!
Super jovem, super jovem. E foi uma experiência assim, muito densa na minha vida, porque todas as pessoas que eu liderava, e eram mais de 500 cooperados… Caraca. Primeiro, não se reportavam para mim diretamente. Eles não precisavam prestar a menor conta do que eles estavam fazendo, porque eram 500 empresários. Eles não eram 500 funcionários, eles não eram 500 vendedores, eles eram 500 empresas cooperadas. Engajamento puro. Engajamento puro, engajamento puro, construção de confiança. E hoje eu ensino muito disso para os líderes que treinam comigo, especialmente os líderes mais seniores, porque você tá longe da operação, é difícil as pessoas confiarem em você porque elas não sabem quem você é.
Total.
Então essa construção de confiança foi acontecendo para mim de um jeito intuitivo por um lado e muito na marra pelo outro, porque eu percebi muito rapidamente que, se eles não confiassem em mim e eles não soubessem que eu estava do lado deles, nada ia acontecer. O resultado não ia vir. Depois disso, eu fui para uma empresa de tabaco.
Que legal.
Eu trabalhei na BAT muitos anos, com as pessoas mais inteligentes que eu conheci. O negócio não é o negócio com o qual eu mais me identifico, mas eu trabalhei com pessoas geniais durante todo esse processo. Depois, eu fui para uma empresa de bebidas. Aí a minha mãe ficou mega orgulhosa, ela falou assim: “Só falta armas agora, né? Tipo, tabaco, bebidas alcoólicas… Vamos lá, filha, você vai trabalhar com armas também?”. E também foi uma experiência muito incrível, sempre nas áreas de marketing e comercial. E depois disso, eu fui trabalhar na Colgate, que foi minha última empresa no mundo corporativo, onde eu fiz trabalhos no Brasil, fiz trabalhos nos Estados Unidos e fiz trabalhos na Índia.
Que legal! Eu liderei grupos globais, grupos latino-americanos, fiz projetos em uma cultura que, gente, sério, assim, tem histórias mega engraçadas. Porque na época não tinha smartphone na época que eu fui. Então, eu cheguei lá…
Em que ano que era, mais ou menos?
Cara, foi 2005, 2006.
Uns 20 anos atrás.
É, 20 anos atrás. E aí eu lembro que eu cheguei lá e eu fazia as reuniões, e eu falava assim: “Então, pessoal, tem que fazer isso, a visão é essa, eu sugiro nessa situação essa abordagem, vocês concordam?”. E eles faziam assim. O pessoal da Índia? O pessoal da Índia. E eu falava assim: “Cara, o que que eu tô fazendo de errado? O que que eu tô fazendo de errado, Felipe?”. E aí, no dia seguinte, eu fui conversar com a secretária da área, isso é um aprendizado muito legal. Falei assim: “O que que as pessoas falaram do primeiro dia que a gente trabalhou juntos?”. Ela falou assim: “Eles adoraram! Eles acharam incrível tudo que você falou, eles estão mega motivados para colocar em prática esse plano que você tá sugerindo”. Eu falei assim: “Não foi a percepção que eu tive”. Mas por que que toda hora que eu falo eles fazem assim? Ela falou assim: “Porque assim é ‘sim'”.
Mentira!
Juro por Deus!
Nossa! Eles não fazem assim, eles fazem assim. Isso aqui é concordar?
Nem imaginava! Então assim, às vezes a gente subestima o impacto da cultura nos relacionamentos, na conexão. E às vezes até a tua aderência ao conteúdo, porque você se sentia insegura porque o pessoal não estava concordando, e às vezes a galera estava concordando total contigo.
Cara, a galera estava pirando, estava assim mega motivada. E eles falavam uma coisa, o gesto dizia outra para mim porque eu não entendia a cultura. E eu falava assim: “Eu tô fazendo alguma coisa errada”, porque o que eles falavam… eles falavam assim: “Não, tá ótimo, não, a gente concorda”, só que eles faziam assim: “A gente concorda total”.
Cara, falando de cultura, até pegando um gancho, na semana retrasada eu estava no Rio de Janeiro fazendo uma palestra. Na semana passada eu fui para Blumenau. Cara, eu achei que a galera de Blumenau não tinha curtido a palestra. Eu achei que, no meio da palestra, eu falei assim: “Meu, a galera não tá curtindo”. Porque a galera não interage com você. Aí eu até pensei, eu falei: “Cara, é a mesma palestra, o mesmo conteúdo, são as mesmas piadas, costuma funcionar…”. As mesmas piadas não estavam funcionando, cara. Sabe por que? Piadas funcionam, a mesma piada sempre funciona quando você tá em público. Então, conforme você vai pegando alguma coisa que funciona, você só usa ela de novo porque sempre vai… E lá em Blumenau não ia. E aí eu falei: “Cara, mandei mal, não me conectei com o público”. E os feedbacks foram ótimos! E aí conversando com algumas pessoas, é cultural. Cara, você olha para o pessoal lá e: “E aí, o que que você achou, tal, tal, tal?”. O pessoal olhando super sério para você. E era só uma questão cultural, porque o carioca é expansivo para caramba, e aí eu fui pro Sul, que é uma coisa uma questão mais germânica, uma tradição mais germânica. E é isso, pensa num país… Já é uma diferença surreal, e nem é tão longe, hein? Imagina a Índia, totalmente diferente, cara.
Não, e por isso esse foi um aprendizado super grande, porque se eu não tivesse perguntado para essa secretária, a minha estadia lá teria sido um inferno por muito tempo. E eu teria duvidado da minha própria confiança e capacidade de fazer o que eu estava lá para fazer. E isso foi um aprendizado muito grande.
Era pessoalmente?
Era pessoalmente, eu me mudei para lá.
Caramba! Quanto tempo você ficou lá, cara?
Fiquei lá quase uns seis meses fazendo esse projeto.
Que da hora!
Foi da hora mais ou menos, porque só contando os bastidores, foi da hora mais ou menos. Mas assim, profissionalmente foi um crescimento absurdo, e foi um aprendizado que depois, quando eu fui estudar mais sobre liderança e me formar para treinar profissionais de elite, atletas de elite, profissionais que atuam em ambientes de alta consequência, eu aprendi o poder de algo que eu usei intuitivamente nessa ocasião de perguntar para a secretária, que é a curiosidade. Porque se você não tem curiosidade, até você descobrir o que está funcionando ou não, você já danificou muitos relacionamentos, a sua credibilidade e a confiança que você tem nos outros, que os outros têm em você e, a pior de todas, que você tem em você mesmo. Você começa a duvidar de você mesmo. Então, um bom líder ele tem uma curiosidade proativa, ele tem uma curiosidade genuína de entender se o que ele tá fazendo tá funcionando. “O que que os outros estão achando? O que que você tá achando das minhas respostas até agora? Você tá curtindo a nossa interação? Tô no caminho certo para fazer esse podcast um podcast bem-sucedido?”. Então, essa curiosidade é uma coisa que a gente não costuma ouvir falar nos treinamentos de liderança, por exemplo. Você fala de empatia, você fala de autenticidade, você fala de ser assertivo, mas falar assim: “seja curioso”…
Sim, que um líder tem que ser curioso.
Sim, e é uma coisa que a gente estava até conversando nos bastidores sobre receber feedback. Eu sou louco por feedback e sempre buscando saber se o que eu estou fazendo tá indo pro caminho certo, se tá tendo aderência com quem eu estou conversando. E é uma coisa que muitas vezes as pessoas não só não têm esse estímulo de curiosidade, quanto não estão preparadas para receber talvez os feedbacks. Porque quando você também é curiosão, “eu quero toda hora saber onde eu estou errando” e tudo mais, o que que eu posso me desenvolver, saber a opinião das pessoas, às vezes vem coisas que você não quer ouvir, né? E isso é uma baita oportunidade.
E quando você me falou isso, o que que eu falei para você? Eu falei assim: “Isso é um mega diferencial seu”, porque muitas vezes o líder ele não quer saber de verdade o que os liderados pensam dele. Quando chega a pesquisa de clima, ele até fica preocupado e às vezes até tem um choque, fica mega surpreso. Mas assim, como que você tá surpreso? Você podia ter perguntado todo dia, você podia ter descoberto antes e agido sobre isso proativamente. E a sua pesquisa de clima não só não ia ser surpresa para você, como ela poderia ter vindo diferente, total.
Concordo.
Então, esse lance da curiosidade genuína pelo outro não é para ser bonzinho, é para ter resultado. Não é para ser bonzinho, é para você poder agir antes, é para se antecipar à catástrofe de uma má liderança.
Repertório, repertório total do que tá acontecendo, você precisa estar mapeado toda hora, todo momento. E o mapa já te engana muitas vezes. Quando você tá querendo de fato intencionalmente mapear, imagina quando você tá fugindo do mapa. A situação que você tá enfrentando ali muitas vezes é desconhecida e você tá indo com várias estratégias e um mapa que não tá conhecido. Cara, eu vejo isso… pelo menos eu vejo na minha empresa, já vi, né? Agora a gente tá resolvendo esse problema lá de trás. Mas em algum determinado momento que a gente cresceu muito, o meu tático, que são as pessoas que ficaram entre eu e a minha operação, não sabiam o que o próprio time achava deles. A gente errou em trazer táticos bons tecnicamente. Sabe quem é o melhor aqui? Aí fomos trazendo a galera tática para a liderança. E aí tivemos uma catástrofe em liderança, de pessoas que não tinham a menor noção e tato com pessoas e, pior, não estavam nem dispostas a aprender. A pessoa tinha dificuldade de receber feedback nesse sentido e tudo achava que era ataque pessoal. Um feedback qualquer era um ataque pessoal. A gente teve um problema específico, eu estou falando de uma pessoa específica, não vou citar nomes, claro, mas que foi um caos lá para a gente e a gente perdeu uma ótima profissional e tivemos problema de liderança com outras pessoas. Cara, eu vejo que os péssimos líderes eles fogem do mapa, eles fogem da realidade porque eles não querem se ver de frente com o problema que de fato tá ali. Porque quando você vai entender o problema, basicamente o que acontece é um espelho na tua frente, porque ele vai refletir tudo o que tá acontecendo: as pessoas, a cultura, tudo o que elas falam, como elas agem, como elas se respeitam… Tudo isso é reflexo da liderança. Faz sentido isso?
Como que faz total sentido! E eu vou juntar isso que você tá falando com o próximo passo da minha história, que é: chegou uma certa hora na minha carreira, eu já tinha sido expatriada duas vezes e o meu marido teve a mesma oportunidade, só que ele me deu na época… ele era meu namorado ainda, e ele me deu um ultimato do tipo: “Ou você vai comigo ou eu não vou aceitar, e a minha carreira vai dar uma estacionada, porque eu não aguento mais esse negócio de vive na Índia, vive em Uberlândia, vive em Nova York”. Então, ou a gente vai junto ou a gente não vai, mas agora a gente faz movimentos juntos. E nessa época eu estava super bem na minha empresa, só que eu estava cansada, eu estava mega cansada. Eu combinei na empresa, eles falaram assim: “Vai”. Eu falei: “Não, eu não vou ser expatriada de novo, não tenho tempo para isso”. Eu estava no Brasil de volta, falei assim: “Meu relacionamento vai acabar, então é assim: eu estou pedindo demissão”. Só para ficar bem claro. Eles falaram assim: “A gente te contrata nos Estados Unidos assim que você tiver um visto de trabalho”. Falei: “Show, maravilhoso, reputação tá boa, tem espaço para mim lá, só vou tirar o visto de trabalho”. Demora aí uns seis meses, beleza. Quando eu cheguei nos Estados Unidos, eu comecei a buscar coisas que preenchessem esses seis meses de uma maneira útil, porque quando a gente trabalha e a gente é workaholic e a gente quer ser útil, é difícil você ficar só em casa esperando o visto sair. E eu, por sorte, morava perto da Universidade de Princeton e eles me aceitaram como aluna ouvinte. Eu fui lá na diretoria deles, expliquei a situação, falei assim: “Cara, eu não posso ficar parada, sou esse tipo de profissional. Existe algum programa ou alguma coisa que vocês possam me oferecer para eu aprender com vocês?”. Eles me deixaram de graça assistir à aula que eu quisesse, quantas aulas eu quisesse na universidade.
Eu vou te falar: foi aí que…
E você também cavou essa oportunidade, né? Não caiu no teu colo, cara. É importante falar isso aí: você cavou a oportunidade. “Ah, nossa, que sorte!”. Caiu no… Não, meu, você estava lá e falou: “Vou atrás”. Poderia ter esperado na minha casa confortável assistindo à TV.
Exato, você foi atrás do negócio, meu.
E aí eu comecei a conviver com gente, né, nas Ivy Leagues americanas, que queriam não ser funcionários da empresa A ou da empresa B, construir carreira no setor A ou no setor B; eles queriam resolver problemas do mundo. E isso tocou muito fundo em mim porque eu falei assim: “Não é porque eu vim do Brasil que eu também não posso resolver um problema”. Total. “Não é porque eu vim de uma origem humilde e nunca poderia, em condições normais, pagar uma universidade dessa, que eu não tenho capacidade e vontade e força e energia para também resolver problemas importantes do mundo”. E foi aí que o empreendedorismo entrou na minha vida.
Foi picada pelo bichinho.
O meu visto saiu e eu nunca voltei. Você não foi para lá? Eu não voltei, eu não voltei pro mundo corporativo. Eu comecei a estudar Psicologia, eu comecei a estudar Nutrição para performance. Eu sou certificada em Psicologia da Alimentação nos Estados Unidos, porque isso era um assunto que pessoalmente me interessava. Falava assim: “Eu queria saber o que que uma pessoa precisa para ter mais foco, eu quero saber o que que uma pessoa precisa ter de dinâmica alimentar para ser uma pessoa mais empática, eventualmente, para ser uma pessoa mais paciente ou para ser uma pessoa mais direta”. Porque a alimentação influencia na forma como você se apresenta para as pessoas, não só no seu físico, não só na fisiologia, mas também na parte emocional e mental. E isso começou a me abrir portas nos Estados Unidos, ter esse tipo de conhecimento e conversar com as pessoas. Mas tinha uma coisa que ainda me incomodava, Felipe: eu achava que eu não nasci para ser empreendedora. Demorou, depois de quase 20 anos de mundo corporativo, falou assim: “Como é que eu vou ganhar dinheiro com isso?”. Porque claramente eu tenho o conhecimento, eu tô aprendendo muito, as pessoas já veem que eu tenho uma reputação… Até aqui nos Estados Unidos, onde o coaching é outra história, não é igual ao coaching no Brasil, outra coisa, e falar assim: “mas eu não sei como monetizar esse conhecimento”. E aí fui conversando, ativando meu networking lá, conversando com pessoas, e conheci uma pessoa que tinha feito uma migração do mundo corporativo para o empreendedorismo nesse setor de alta performance. E aí, conversando com essa pessoa para saber como ela monetizava o conhecimento dela, ela trabalhava num instituto americano que treinava atletas de elite, militares de forças especiais…
Legal.
…agentes de agências de inteligência. E aí ele virou para mim — ele é meu mentor até hoje —, ele virou para mim e falou assim: “Você já pensou em trabalhar com a gente?”. Porque eu tinha um background de esporte, não só de fazer esporte, eu fiz balé 8 anos, então eu tinha aquela disciplina, aquele tato com a importância de você se dedicar ao corpo, mas também eu entendia as regras de todos os esportes. Eu amo esporte, eu amo performance. Então eles queriam alguém que entendesse de esporte, entendesse de atletas, já tivesse se dedicado a uma especialidade atlética em algum momento da vida e tivesse uma experiência corporativa para fazer o quê: para juntar as duas coisas. Para pegar tudo o que se usa no mundo do esporte, tudo o que se usa no mundo militar e transformar, digerir, empacotar isso: “como que eu posso usar isso na realidade do mundo corporativo?”.
Caramba, surreal.
E aí, quando essa conversa aconteceu, a gente se encontrou e eu faço isso até hoje. Junto, em parceria junto com eles, a Hora Educação é uma parceira deste instituto nos Estados Unidos até hoje, e lá a gente treina todos os tipos de profissionais, incluindo esses que a gente falou até agora, mas a gente também treina pilotos, a gente treina controladores de voo, cirurgiões e líderes empresariais no mundo inteiro. Ou seja, todo mundo que, quando toma a decisão, não pode errar. Porque quando você erra, isso tem alta consequência. Se um cirurgião acordar de manhã e falar assim: “Não estou num bom dia, mas eu tenho três cirurgias”, você quer ser o paciente dele nesse dia?
Nossa, de jeito nenhum.
Piloto, tudo isso aí, esse é o ponto. Você vai tomar um avião e o seu piloto falou assim: “Então, faz três noites que eu não durmo”. Caramba, você fica no avião ou você desce? Sabe? E não é… ali é meritocracia pura, você quer voar com o melhor, você quer estar com alguém preparado, você quer…
E é o que você falou, pessoas que não podem errar, elas não têm o direito de errar, porque se ela errar, vai meio mundo junto, o avião inteiro vai embora.
Exatamente, então tem alta consequência, né? Se um militar fizer um mau julgamento com uma arma na mão, tem uma alta consequência. Se um médico fizer um mau julgamento, tem a consequência, pode ser a vida da pessoa que tá naquela mesa de cirurgia.
Você chama isso de profissões de alta consequência.
É, a gente chama isso de ambientes de alta consequência, pessoas que atuam em ambientes de alta consequência. Um presidente de empresa, você, eu, a gente trabalha em ambiente de alta consequência, porque se você tomar uma decisão ruim, várias famílias são afetadas diretamente. Não é nem indiretamente, é diretamente.
Diretamente.
Então, às vezes as pessoas… e durante, mais recentemente, tem se tirado um pouco o status dos executivos e dos empreendedores, das pessoas que trabalham com isso. Então tem vários perfis no Instagram que tiram sarro de quem tem esse tipo de trabalho, mas quando você para para pensar, tudo o que é feito no mundo é decidido por alguém num escritório.
Verdade, cara.
A estrada que você pega para ir visitar os seus avós no interior foi decidida… não foi decidida pelo engenheiro mais genial. O engenheiro participou, mas quem decidiu foi o executivo responsável por aquela concessão, se a estrada ia ser da qualidade 100%, 90%, 80%, qual o risco de você fazer um asfalto 80%…
Sempre sai do executivo ali em cima.
Sempre sai do executivo. Então assim, eu digo quando eu tô treinando líderes nas organizações que essa é a profissão mais poderosa do mundo.
Total, e é mesmo. Qualquer coisa, esse copo, alguém decidiu que esse copo ia ser assim. Manda prender e manda matar, literalmente, inclusive manda matar, a depender do ramo em que se encontram os que você treina.
Exatamente, exatamente. Então assim, você quer que as pessoas que tomem decisão estejam nas suas melhores condições e, se elas não estão, que elas saibam lidar com isso. Total. Então, quando a gente treina, por exemplo, militares — e aí você estava falando muito, me chamou muita atenção fazendo agora o link com a situação que você descreveu na sua empresa —, às vezes você tem alguém tecnicamente muito bom, né, que entende muito de técnica de combate, que entende muito do risco versus retorno de uma determinada empreitada, mas existe uma coisa, por exemplo, em grupos de militares que a gente chama de Toca da Raposa ou buraco da raposa (fox hole). E o fox hole nada mais é do que uma inserção que você faz no chão quando você tá numa empreitada para que você consiga descansar parte da sua equipe até o próximo momento onde vocês têm que atacar ou onde vocês serão atacados. Então uma tropa ela sempre planeja momentos de alto estresse, onde ela vai estar agindo, com momentos de descanso e recuperação. Esse Toca da Raposa é um desses momentos de recuperação. E, em geral, você não escolhe o melhor tecnicamente para estar no buraco da raposa, na Toca da Raposa com você; você escolhe quem você mais confia. Sabe por quê? Porque na Toca da Raposa um fica dormindo, descansando, enquanto o outro fica acordado.
Caramba.
Só que tá todo mundo cansado, então você quer que a pessoa que tá acordada ali cuidando da tua segurança seja alguém que você confia que, de fato, vai fazer isso. Que se pegar no sono, estão os dois enrascados.
Exatamente, ambiente de alta consequência.
Então, num ambiente de alta consequência, o primeiro a ser escolhido, aquele que as pessoas vão querer seguir e estar junto, não é necessariamente o mais competente; é o que você mais confia.
Caramba, baita lição! E muitas vezes essa pessoa que tem mais a confiança da equipe, normalmente é natural, não é necessariamente um negócio de: “ó, você vai ser o líder, ganhe a confiança”. É natural daquela pessoa.
É, e existem técnicas que você pode aprender para aprimorar e elevar o nível dessa confiança que você vai construindo com as pessoas, de você ser cada vez mais, e para mais gente, de uma maneira intencional, essa pessoa que todo mundo confia, essa pessoa que as pessoas querem seguir.
Legal.
Então tem uma coisa que eu ensino muitas vezes para vários tipos de profissionais, que é o Triângulo da Confiança. Não sei se você já ouviu falar.
Não, cara. Para mim, assim, é um jeito muito simples de você explicar como você constrói confiança no seu time, nas pessoas que você quer que te sigam, nas pessoas que você quer que façam algo por ou para você. O Triângulo da Confiança ele é composto de três vértices, obviamente: um deles é a lógica, o outro é a autenticidade e o outro é a empatia. Então, todos nós, quando nós nos comunicamos, a gente usa em alguma medida essas três características: lógica, empatia e autenticidade. O que acontece é que, quando um desses vértices ele tá meio bambo, ele tá meio frouxo, a mensagem não aterrissa no outro. Então, se eu falo uma coisa com muita lógica, nossa, tudo o que eu falei para você é que meu raciocínio da alta consequência fez todo sentido, mas se você sentisse assim: “Hum, mas como é que ela treina esse tipo de profissional se ela fala assim tão fofinho? Não parece que ela é capaz de fazer isso”. Hum, então eu passei uma mensagem com lógica, mas eu não consegui passar autenticidade. Quando a gente traz isso pro mundo corporativo, você com certeza já passou por isso, talvez passe por isso todos os dias como líder e como empresário. Sabe quando você tem que dar uma mensagem ou pedir para as pessoas fazerem uma coisa, você fala assim: “cara, eu não queria tá pedindo isso para essas pessoas, mas isso precisa ser feito, eu nem acredito que seja tão importante assim, mas se a gente não fizer vai ter consequências, então vamos fazer”. E aí você vai lá e fala para as pessoas. Quando você fala, fala assim: “Isso precisa ser feito”, tá, você já comunicou, as pessoas já sabem que assim… você falou que isso precisa ser feito, que é uma linguagem lógica, e aí você pode explicar por A mais B porque o governo, porque a concorrência, porque o vizinho, porque seu salário… você pode explicar toda a lógica do racional do que você pediu para eles, mas você falou assim: “tô te pedindo, vai ter que fazer, tá, é isso”. A pessoa já entendeu que você não tá sendo autêntico naquele pedido, aquele pedido não é o que você realmente acredita que precisaria ser feito. Então esse vértice ficou bambo, e o engajamento você perdeu. O outro vértice que pode ficar bambo também no mundo corporativo… é muito difícil você ter lógica bamba, lógica bamba a pessoa não costuma evoluir até certos níveis… é o vértice da empatia. Então, além de eu falar uma coisa que faz sentido logicamente, além de eu falar mostrando para você o que eu acredito de verdade nessa mensagem, eu também tenho que falar genuinamente em seu interesse: o que que tem de bom nisso para você? Então eu sempre gosto de dar um exemplo de uma vez que eu tive que falar pro meu time que a gente ia fazer um projeto, que o projeto ia durar seis meses e que eu odiava esse projeto, que eu achava que ele não precisava ser feito, que esse produto não ia dar certo e que a gente estava fazendo isso só porque a matriz mandou. Como é que, se eu falar isso, eu vou ter engajamento das pessoas para trabalharem nesse projeto? Então eu, como líder, eu tive que visitar esses três vértices e falar assim: “como é que eu falo para eles fazerem esse projeto de um jeito que eu acredite que vale a pena eles colocarem tempo e energia nisso e que eles vão ganhar algo com isso?”. E eu acredito genuinamente nisso. E aí eu virei para eles e falei assim: “esse projeto é um dos piores projetos que eu já vi”.
Você falou?
Falei, falei assim: “mas eu sou uma das melhores profissionais que têm aqui. Se eu pudesse ter evitado esse projeto, já teria acontecido, ele teria sido evitado. A gente não vai conseguir evitar, a gente vai ter que fazer. Uma vez que a gente vai ter que fazer, qual é a minha crença? A minha crença é que quem conseguir levar esse projeto até o final, não só vai ter um nível de exposição e amadurecimento acelerados versus quem tá tocando projetos bacanas, mas também vai ter um nível de aprendizado sobre o que fazer e, especialmente, o que não fazer muito maiores”.
Cara, e você conseguiu converter de verdade a má notícia numa empatia, que é o que você falou. Você usou muito o vértice da empatia aí com o time, exatamente.
Eu tive que mostrar para eles de um jeito que eu acreditasse o que que dava para ganhar com isso, mesmo falando que você não gostou do projeto. Exatamente. E às vezes a gente, como líder, é… esse tripé é importante sempre avaliar: como que eu vou fazer esse legal, bacana. E é um jeito simples de ensinar como você ser um líder que engaja, um líder que cria confiança nas pessoas. Porque se eu tive coragem, se eu tive ousadia, a autenticidade de virar pro meu time e falar assim: “eu não acredito nisso aqui”, e ainda assim fazer com que as pessoas queiram participar, se engajem olhando o valor pessoal nisso, né?
Exato, você é líder. O dia que você faz isso, você é líder.
E esse checklist do tripé da confiança é muito simples de usar. Sim, então daqui para frente, galera, daqui para frente lembrem-se: autenticidade, lógica e empatia. Se a sua mensagem traz essas três vértices fortes, ela vai aterrissar no outro, ela vai tocar o outro, ela vai engajar o outro, ela vai fazer o outro sentir vontade de seguir te ouvindo, de seguir fazendo aquilo que você tá propondo. Se um dos vértices tá bambo, tá frouxo, sua mensagem não vai aterrissar, você vai ter que voltar, você vai ter que dar seguimento, você vai ter que usar ferramentas de comando e controle, e aí que a coisa desanda.
Top, cara. Tô até em silêncio aqui porque eu tô fazendo tanta reflexão lá para a empresa, eu já tô… eu já tô quase pegando um caderno aqui para notar, mas isso aí é isso aí, o que você falou é sensacional. Eu quero… eu quero chegar no ponto da, da, do treinamento com o pessoal dos Estados Unidos. Todas essas siglas que vocês conhecem aí, que a gente não pode falar aqui, faz parte do, da turma que você treina. Mas a tua empresa, você… você resolveu empreender lá nos Estados Unidos? Em que momento a empresa atual surgiu?
Surgiu lá ainda, surgiu lá ainda, beleza, porque à medida em que eu fui treinando em parceria com o instituto, foram se abrindo portas com outros profissionais em outros lugares. Então a empresa surgiu nos Estados Unidos. Eu lembro que eu até tenho uma foto até hoje do dia que eu fui no contador abrir a empresa. E, gente, assim, era um tiozinho, ele falou assim… tinha um, um calendário assim de, sei lá, 2000 e tralalá, e falou assim: “ai, vamos ficar aqui na frente para tirar uma foto para gravar esse momento”. Falar assim: “eu, a paulistana de Itaquera, que só tinha a educação como luxo, tô abrindo a minha empresa nos Estados Unidos”.
Legal, cara.
Eu tenho essa foto até hoje, para mim é um momento muito marcante assim, é um dia especial da minha vida. E aí, depois dos Estados Unidos, o meu marido foi pro México por causa da carreira dele, a gente se mudou pro México. A minha filha nasceu nos Estados Unidos, hoje ela tem 9 anos. E quando a gente se mudou pro México, eu falei assim: “agora eu vou abrir uma filial no México”.
Que legal!
E então a gente abriu uma filial no México, conseguimos muitos outros clientes, outros parceiros, parceiros na América Latina, então a gente começou a treinar a América Latina. O primeiro treinamento que eu consegui lá no México… eu também não falava espanhol.
Caramba!
Eu me mudei pro México, eu não… eu até hoje assim, um dos meus maiores parceiros comerciais hoje, eu treinei o time dele assim, do Canadá até o fundo lá do Chile. Eu nunca fiz uma aula de espanhol na minha vida, eu aprendi correndo como dar aquele conteúdo em espanhol. Porque quando o cliente me contratou, ele falou assim: “maravilhoso, a gente fez as entrevistas todas em inglês, maravilhoso que bom que você é brasileira porque você pode dar treinamento também no Brasil, mas a gente tá te contratando para sua empresa dar treinamentos na América Latina”. E eu: “caramba”.
E você que treina o time?
Naquela época, só eu treinava. Naquela época era só eu. Eu falei assim: “não, tá ótimo, vamos embora”. De novo, fiz eu fiz uma faculdade na França sem saber francês, exatamente.
A pessoa que tá… o que que é um treinamento, o que que é um treinamento. E aí fui. E foi muito incrível porque o meu mentor nessa época, ele estava nesse treinamento, e eu lembro que ele contou para todo mundo essa história, para todos os participantes. Falou assim: “ó, queria dizer para vocês que esse é o primeiro treinamento desta empresa com a gente e dela em espanhol”. Os participantes levantaram e bateram palmas, e eu comecei a chorar lá na frente porque eu falei assim: “finalmente o risco deu retorno”. E essa é uma sensação que você já deve ter sentido em vários momentos no seu negócio, que quem não toma risco nunca vai experimentar. Então tem gente que fala assim: “ai, nossa, mas ela é muito ambiciosa”, ou “ela é muito sem noção, como que… como que você aceita fazer um troço desse, podia ter dado tudo errado?”. Podia, e não podia, porque uma vez que eu aceitei, eu vou fazer tudo o que eu puder, é isso, para dar certo. E tem gente que chama isso de ambição, eu chamo isso de compromisso.
Concordo 100%. E outra, tantas oportunidades que apareceram na minha vida que me levaram para um novo nível, foram oportunidades maiores que eu, várias vezes, várias. E aí eu falava assim: “Bora!”. Como você vai fazer agora? Meu, fechei, agora se vira, é isso, compromisso, exatamente.
E isso é uma coisa… essa característica de você pegar oportunidades maiores que você, a gente chama, quando a gente tá treinando atletas de alto rendimento ou militares de elite, a gente chama isso de exposição intencional ao estresse.
E é de fato, é de fato, porque não é… não vai ser fácil, vai ser um perrengue, você vai ter que descobrir durante o acontecimento lá o que dá certo, o que dá errado. É o que eu falo: às vezes, quando os projetos eram entregues, que eram maiores do que eu, eu falava assim: “só quem tá no bastidor para saber o quanto eu sangrei para entregar”. É isso, mas tá entregue, e o próximo, se for igual a este, você não vai sangrar mesmo.
Exatamente, já aprendi, já aprendi. Exatamente. Então essa característica também de você estar disposto a ser ruim para ser bom é algo que as pessoas de alta performance têm em comum. Então, em inglês, a gente fala be willing to suck. Então assim, meu, você tem que estar disposto, mas mais do que estar disposto, você tem que querer ser ruim por um tempo para ficar bom. É de verdade, se você não quer passar uma vergonha por um tempo, você não vai ficar extraordinário em nada, perfeito em nada.
Cara, isso… isso que você está falando, nunca parei para pensar por esse prisma, mas isso é tomar risco. É total, porque você se expõe, cara, se expõe a ser ruim, você expõe às vezes uma fragilidade. Eu sou um cara tímido por natureza e tenho muita dificuldade de falar em público, em eventos e tudo mais, e hoje eu faço palestras. Só que eu olhava aquilo, além de ser chato para mim, foi uma terapia no processo todo, até o podcast é um processo terapêutico. Mas, cara, quando começou a aparecer as primeiras demandas de palestras, eu ficava… falava: “como que eu vou fazer, cara, super…”. E, cara, minhas primeiras palestras foram horríveis, foram horríveis, mas eu estava lá disposto. E ainda mais quando você sabe que você tem dificuldade de falar em público, que você fica tímido, que você fica nervoso e tudo mais, e que é um medo natural do ser humano. Eu falei: “porra, cara, eu posso simplesmente morrer com esse medo ou posso me expor ao risco”. E era um estresse: chegava na semana, eu ia fazer uma palestra no sábado, segunda-feira eu já estava mal, só a minha esposa que acompanhou isso para saber. Tipo, chegava na véspera, eu não conseguia dormir, nesse nível. Chegou a acontecer em palestras maiores que, antes de chegar a hora de eu entrar no palco, cara, meu intestino dava sinais assim, de eu precisar ir pro banheiro fazer número dois, de chegar no físico. E, cara, hoje eu fico zero nervoso. Não estou falando que eu sou um ótimo palestrante, mas o nervosismo já era. Às vezes eu até… às vezes eu tô lá, tô vendo que tá chegando minha hora e eu… eu paro e me observo, falo: “não acredito, cara, que aquilo não existe mais”. Por quê? Porque eu me expus ao risco, exatamente, e é muito dolorido. É muito dolorido, é isso, é se colocar no estresse.
Como você falou.
E eu vejo que as pessoas que conseguem posições maiores, ganham muitas coisas… quem não se coloca em risco e ganha, não ganha, é graças a isso: é saber ser ruim, cara, se colocar nesse lugar, se expor mesmo. É uma coisa que eu nunca parei para analisar, simplesmente fazer por natureza. E tem muita gente que fica lá só jogando no safe: “não, não, não, não, aqui ó, não, não, ah não, isso aqui eu não sei fazer, não, não vou passar vergonha, ah não, cara”. Essa pessoa não evolui, ela se expõe ao ridículo, digamos assim.
Exatamente, e a gente chama isso, na Teoria do Estresse e Performance, a gente chama isso de Construção de Capacidade. Você só constrói mais capacidade em algo que você já sabe fazer, ou uma capacidade nova em algo que você nunca fez antes, se você se expuser ao estresse de tentar, ou num nível mais difícil, ou algo totalmente novo que você nunca fez antes. Então essa disposição, essa vontade… Então algumas pessoas falam assim: “ai, nossa, a pessoa tem que ter uma vontade de aprender”. Legal. Eu sou uma pessoa que eu tenho como principal valor o amor ao aprendizado, mas amor ao aprendizado eu posso nutrir na minha casa lendo 10 livros por mês, é isso. Amor ao aprendizado útil é aquele que é colocado sob estresse, é aquele que me faz vir aqui, não sendo host, e ficar na frente da câmera e contar para você um pouco do meu trabalho, contar um pouco dos bastidores, contar o que funciona, contar o que não funciona, mesmo que esse não seja o ambiente que eu frequento todo dia, mas porque isso tem um valor, isso tem um propósito e isso vai construir mais capacidade para mim, pros meus objetivos futuros. Isso aqui é um treino para outras coisas também, tenho certeza que você, quando criou o podcast, o podcast não era o seu objetivo final, o podcast é um meio.
É um meio.
E as pessoas falam assim: “Felipe, cara, como que sua comunicação melhorou, que curso que você fez?”. Eu não fiz curso nenhum, eu só tô me expondo a todo momento, a todo momento, a todo instante. Por exemplo, quando a gente se conheceu no evento que a gente estava lá na Suno, eu vi você falando, eu falei: “meu, é uma pessoa legal para eu levar pro podcast”. E o podcast, além de tudo, é uma forma de networking, por quê? Porque a gente mal se conhecia, agora você vê aqui, a gente vai sair daqui com uma hora e vinte conversando, super sabendo quem é um ou o outro. Qualquer coisa que eu pensar em liderança, vou pensar em você e tudo mais, por quê? Porque a gente se conectou. Então, além de tudo, é uma forma de conhecer pessoas, interagir com pessoas, melhorar o networking, o podcast só tem a agregar.
Com certeza.
E é isso, é se colocar em risco. E, cara, falando disso tudo, quero trazer… eu quero trazer a empresa pro Brasil. Em que momento você veio pro Brasil? Porque eu quero entrar numa… cara, você já trouxe muito conteúdo de liderança, mas eu quero entrar numas perguntas até teóricas mesmo, de: “cara, como que funciona tal coisa?”, “quais dicas que você dá?”, porque eu tenho conhecimento. E até já vou te deixar um convite de verdade para você voltar, porque agora, nesse… eu acho que a partir de março, eu já quero começar a trazer isso, eu quero começar a trazer pelo menos uma vez ou talvez duas no mês, temas pro podcast. Então, ao invés de trazer não necessariamente só um convidado para trocar uma ideia e tudo mais, que já é maravilhoso, mas trazer temas. Então vamos falar sobre inteligência artificial, vamos falar sobre liderança, e um dos temas que eu quero trazer é sobre liderança. E aí que vão ser quatro pessoas: eu e mais três pessoas falando sobre esse assunto num debate, numa mesa redonda — que não é um debate, é uma construção. Então, quando o tema for liderança, já quero te convidar para voltar, tá?
Aceito.
Você aceitou! Aí, pessoal, podem cobrar, hein? A Ana já vai estar nesse próximo podcast para a gente trazer cases, perguntas. Aí eu já vou fazer toda uma preparação no meu Instagram para a galera perguntar e eu trazer as perguntas aqui para a mesa.
Maravilha, conta comigo.
Tamos juntos, tamos juntos. Mas em que momento você trouxe… seu marido continuou trabalhando no México, depois ele veio pro Brasil? Como foi esse processo? E você trouxe pro Brasil e como que foi trazer todo esse know-how americano, mexicano pro Brasil? Ou teve outra empresa, teve outro país no meio do caminho? Como que foi isso aí?
Não teve outro país no meio do caminho. Depois de quase 4 anos no México, treinando a América Latina bastante, depois de treinar a América Latina inteira para vários clientes, a carreira do meu marido voltou pro Brasil. A nossa filha tinha 3 anos e pouquinho, a gente falou assim: “cara, queremos voltar pro Brasil”. A gente direcionou essa mudança porque falou assim: “os avós…”. Eu sou filha única, então assim, minha filha não tem tios, tem uma tia só do lado do meu marido, ela tem os avós ainda, e a gente falou assim: “cara, é a chance de ela conhecer a cultura dos pais, porque até hoje ela só morou em outros países”.
Total.
E a gente falou assim: “vamos aproveitar isso nos anos formadores dela”. A gente voltou, e aí eu falei: “que bom, né, que eu criei uma empresa fora do Brasil, porque agora criar empresa no Brasil vai ser muito fácil, certo?”. Gente, ser empreendedor no Brasil é uma gincana.
É porrada, é porrada, cara.
Parece que você tá… é uma gincana porque tem um dia que você tem que tirar um papel, aí você tira o papel, você acha que funcionou e agora você resolveu, mas você não resolveu porque você descobre que tem que tirar outros cinco papéis para você funcionar. E aí você fecha um contrato com as pessoas, mas aí você descobre que na verdade você não fechou contrato com aquela empresa, você fechou com o intermediário da empresa, que ainda vai fazer um background check para ver se você pode ser fornecedor daquela empresa. Isso que você já fez 10 reuniões, 10 reuniões de negociação.
É fácil você ser quarteirizado no país, facinho.
Exatamente, então assim, ser empresário no Brasil é parecido com participar de uma gincana, cara: todo dia é uma prova nova, é uma atividade nova, você tem que se desenvolver ali, se virar nos 30. Mas, por outro lado, tem o benefício de eu conhecer essa cultura, então você tá em casa, literalmente. Exatamente, eu sei como as coisas funcionam. Quando uma pessoa fala isso, eu sei ler nas entrelinhas, porque é muito diferente de quando você tá fora, você demora, você demora para entender o que que está nas entrelinhas. E quando eu trouxe pro Brasil, durante muito tempo eu ainda atuei… porque o perfil de clientes que a gente tinha no começo, e a maioria dos clientes que eu tenho até hoje, sempre foram multinacionais que entendiam a importância de treinar os seus líderes. Então eu nunca tive muito que educar os executivos sobre a importância daquilo que eu estava ensinando. Quando cheguei no Brasil, falei assim: “se eu quiser expandir esse negócio de verdade e fazer uma diferença positiva na vida das pessoas, não vai dar para atuar só em empresa mega master, a gente vai ter que democratizar um pouco mais esse conhecimento”. E aí foi a partir da minha vinda pro Brasil, sete anos atrás, que comecei a entrar nas mídias sociais, a escrever no LinkedIn. Porque o meu entendimento — e eu tinha muito preconceito — foi de mídias sociais… Tinha mega, assim, tipo…
E você é Top Voice de lá?
Pois é, eu me tornei Top Voice no LinkedIn com preconceito das mídias sociais. Porque eu falava assim: “LinkedIn talvez seja a única rede onde eu tenho coragem de me expor de verdade e dizer o que eu penso”. Porque quando eu via o Instagram, falava assim: “ah, isso aqui tá muito rebuscado, isso aqui tá muito fake por trás”. Só que no LinkedIn eu falava assim: “essa é a minha rede, esse é o meu ecossistema. Quem tá aqui é do corporativo, tá com uma dor no trabalho”. Porque você só entra no LinkedIn… você não entra no LinkedIn para se divertir, de jeito nenhum, para se entreter. Você entra no LinkedIn porque você tem uma dor para resolver, ou porque você tá buscando um fornecedor e você quer indicações da sua rede, ou porque você tá sondando o mercado porque onde você tá talvez não esteja tão legal e você quer entender como que o mercado tá funcionando naquele momento, ou porque você tem uma visão de futuro, talvez: “ah, hoje eu tô no mundo corporativo, amanhã eu quero empreender”, e você começa a expandir o seu networking. Então o LinkedIn, diferente das outras… de outras redes — não vou generalizar —, mas de outras redes onde você entra para se desconectar da vida real, no LinkedIn você entra para se conectar, conectar, é isso.
É intencional total o papo lá.
E foi aí que eu consegui…
Mas você manda bem no Instagram para caramba.
Ah, obrigada. Começou agora, né? Mas o Instagram é uma baita de uma ferramenta, eu tô aprendendo com ele. Essa é a minha zona de desconforto, onde eu estou criando uma nova capacidade. O Instagram é onde eu tô criando uma nova capacidade, o LinkedIn para mim já é a minha zona de conforto, vamos dizer assim.
Sabe que, fazendo uma provocação assim, mas eu acho que funcionaria super bem você se comunicar super bem, conhece bastante gente… um podcast de liderança, porque é um baita de um conteúdo que você já vai nutrir a tua a tua base de Instagram e de TikTok. E você tem muito conteúdo para falar, você vai junto com outras pessoas, você vai desenvolver isso bem. Pode ser um podcast mensal só para realmente produzir conteúdo, funciona bem para caramba, cara. Falo isso com propriedade porque eu passei por isso, eu tô passando por isso.
Pois é, eu amo essa ideia e vou te convidar para ser o meu mentor.
Meu, te ajudo total, cara. Tô com quase 100 episódios aí, já passei por todos os perrengues de podcast, te ajudo total: qual é o caminho, como cortar, como fazer, como… Meu, eu vou te falar que essa conversa foi o empurrão final para algo que eu já vinha maturando, mas de novo, é minha zona de desconforto, nunca pensei em ser host de um podcast.
Vai mandar super bem, você fala super bem, você se comunica super bem. E trazer temas de liderança… você pode trazer gerentes de RH de empresas e tudo mais, cara, trocar a ideia mesmo de liderança. Acho que vai ser um… é um podcast que eu ouviria tranquilo, papo sobre liderança de verdade, de verdade, super legal.
Amei, amei.
Top, vou te cobrar, hein? Você já é o meu mentor, tá eleito, tá eleito meu mentor pro projeto podcast e vai ser meu primeiro convidado.
Fechado, tô fechado, tá combinadíssimo! Testemunhas, hein? Testemunhas, pode chamar.
Não, é verdade, tá combinadíssimo de verdade, acho que vai ser um baita de um projeto.
Maravilha.
E aí eu estava vendo que você fala sobre produtividade insana. Qual é que é isso aí? Porque, querendo ou não, no mundo em que a gente vive, e aí eu já quero entrar um pouco na parte técnica também, que de fato a gente precisa ter uma produtividade surreal, né? Como que é essa… qual é a lógica, qual é a explicação de produtividade insana, quais são os benefícios, se é que tem, os malefícios, se é que tem? Qual é… quando ela é colocada na balança, como que isso acontece? Dá um overview aí pra gente.
Maravilha. Produtividade insana é por si só um nome provocativo, né?
É isso aí, provoca.
E eu gosto de colocar alguns nomes provocativos nos projetos e nos produtos que a gente vende. Então eu tenho uma mentoria para líderes mulheres, para líderes femininas, que chama-se Promova-se.
Legal.
Então assim, de cara, eu não vou medir palavras aqui: você tá aqui para aprender a se promover, você tá aqui para aprender a crescer pelas suas próprias pernas, total, não esperando o reconhecimento alheio. E a produtividade insana vem na mesma linha. Insana porque, em inglês, é com sanidade, in sanity, que é com amba, e sana, que é de são, ligeiro, que é com sanidade.
Muito criativo.
Então é uma produtividade sem deixar corpos no caminho.
Caramba, que legal. Inclusive o seu, que muitas vezes fica…
Exatamente, é o primeiro, inclusive é o primeiro a sofrer. Os empreendedores, a gente tá disposto muitas vezes a dar o sangue pelo nosso negócio, a vida se virar do avesso, e cara, não é isso que o seu time precisa de você. Então a produtividade que a gente aprendeu na escola, que a gente aprendeu nos filmes, que é exaltada nas mídias, é aquela produtividade da pessoa que tem sete braços, que consegue tocar sete projetos ao mesmo tempo.
Exatamente, se vangloria disso.
E que, muitas vezes, o psicológico tá indo por água abaixo, mas você tá lá se mantendo forte, entregando muito, entregando muito, entregando muito. E aí essa é uma noção de produtividade que veio da Revolução Industrial.
Caramba!
Quando a gente pensa em produtividade, vem uma frase na cabeça da maioria das pessoas, do inconsciente coletivo, que é o famoso “fazer mais com menos”: fazer mais coisas em menos tempo, fazer mais resultado com menos recursos. Quando a pessoa consegue chegar num nível de eficiência, às vezes ela se sente culpada por estar trabalhando pouco. Você já se sentiu assim? Culpada por descansar.
Descansar, né? E aí eu vou trazer de novo o conhecimento que a gente traz dos militares e dos atletas de elite: todo o processo de criação de uma nova capacidade, ou de você fazer melhor aquilo que você já faz, ou de você adquirir uma habilidade que você ainda não tem, ele leva em consideração não apenas a sua exposição ao estresse, mas também a sua estratégia de recuperação.
Caramba, isso aí tá batendo no coração de empreendedores aqui, porque a gente acha que quanto mais esforço, mais resultado é isso, quanto mais suor, mais resultado.
Acontece que não. Tanto o nosso corpo, quanto o nosso cérebro, quanto as nossas emoções precisam do que a gente chama de blank space, um espaço em branco para… Vou usar a imagem do nosso mental, tá, para explicar. Um espaço em branco, sabe quando você… Quer ver? Vou dar um exemplo que eu acho que vai conectar. Me fala onde você tem as suas melhores ideias.
Em casa, acredita? Fazendo o quê? Na frente do computador? Fazendo nada. Fazendo nada, às vezes eu tô no parque e tenho uma ideia top.
Exatamente, e aí é que entra o tal do blank space. Ninguém resolve nenhum problema na frente do computador ou tem uma ideia genial durante uma reunião.
Eu nunca tinha me ligado nisso, acredita?
O nosso cérebro precisa de um espaço em branco para fazer o seguinte: pegar o estresse que você viveu do problema que acabou de cair do seu colo — como empreendedor resolve 10 vezes por dia —, pega esse problema, digere, dá um espaço entre o que você acabou de ouvir ou saber ou entender e a decisão que você vai tomar. Às vezes não precisa ser muito, mas tem que ser intencional e estratégico. Então, quando a gente tá ensinando líderes de alto nível, que têm que tomar decisões muito difíceis e que afetam muito a gente, a gente fala: “crie vários espaços em branco no seu dia e tenha um repertório de estratégias de recuperação física, mental e emocional para que você consiga manter o seu nível de performance e entrega do começo até o final do dia”. Porque o que que acontece com a gente em geral, né? Começamos bem cheios de energia o dia e aí o dia vai indo assim, ó.
É isso, e eu termino o dia esgotado.
Pessoas de alta performance não terminam seus dias esgotadas, elas conseguem gerenciar os seus investimentos de tempo e energia de uma maneira tão estratégica e com o método… Que é isso que eu ensino. Qual é o método para você manter sua capacidade física, mental e emocional do começo até o final do dia? Tá? Imagina se eu chegasse aqui depois de ter resolvido 10 pepinos no trabalho da empresa da minha filha, tipo, descobri que a minha filha não tinha posto os nomes das etiquetas nos livros antes de sair daqui, foi isso que eu fiz com ela e etc. Se eu não tivesse o meu método para me recuperar não só dos estresses, mas das frustrações muitas vezes do dia, eu não chegaria aqui com a energia que eu cheguei, às 8 da noite.
Total.
Então, você ter um método de exposição ao estresse e recuperação que seja intencional e estratégico é o que te ajuda a começar como líder, não só a entregar muito, mas entregar com alto impacto, conseguir fazer conexões que as outras pessoas não conseguem porque elas estão exaustas mentalmente, e conseguir dar contribuições únicas, diferenciadas. Hoje em dia, não é fazer mais com menos que vai te levar mais longe, porque isso quem faz é a máquina, isso quem faz é a inteligência artificial daqui para frente. O que você como ser humano vai agregar daqui para frente é ter impacto nas horas certas e contribuições únicas que só você como ser humano, com a sua experiência, vivência e conhecimento, poderia trazer naquele momento.
A nitidez total para você conseguir ter o melhor, o melhor resultado ali, exato. E você tá falando isso, eu tenho um amigo que chama Felipe Mojave, que é jogador de pôquer profissional. E é muito louco… A Mojave, até falando de você, vou te trazer aqui nesse podcast, já vou te convidar aqui. Mas o Mojave, né, o Mojave ele ia para um circuito, por exemplo, europeu fazer um torneio de pôquer, e na agenda dele — o pôquer é um jogo, é um esporte mental, inclusive é considerado um esporte da mente, né, igual ao xadrez —, e aí quando ele estava indo para lá, na agenda dele, entre os torneios, ele colocava recovery total. Ele colocava massagem, isso estava na agenda dele: massagem, spa, etc., várias coisas. E agora você falando sobre esse momento de recuperação, né, que é tão forte quanto o momento certo do estresse máximo, é necessário também o momento certo do descanso, de recuperação. Me veio à cabeça o Mojave porque ele tinha essa estratégia, essa estratégia muito bem definida, intercalando momentos de alto estresse com momentos de descanso e conforto para que realmente ele conseguisse meio que manter o alto nível lá. E é o que muito empresário faz, muito empresário… É uma coisa que eu sempre comento, isso acontece comigo, só que muito do meu ensinamento na internet é por regra de aprendizado total, eu passei por aquilo, já estive naquele limbo e aprendi e trago, né? Mas assim, na vivência, mas assim, quantas vezes eu achei que eu tinha perdido o tesão no negócio e, depois de sete dias fora dele, eu estava com saudades e voltei com uma baita vontade? Eu descobri que era o quê? Cansaço. Cara, eu tava só cansado, exato. Quantas vezes eu falava: “não aguento mais”, e aí eu peguei um final de semana para espairecer e na segunda-feira já voltei com outra energia. Então, tipo, o empresário ele precisa entender, e eu acho que todo profissional — e por isso que o empreendedor tá ouvindo isso aqui e tomara que crie consciência —, que, cara, descanso é importante. Esse blank space que você falou, que é justamente… eu não tinha me atentado a isso, muitas das minhas melhores ideias vêm em momentos aleatórios, exatamente aleatórios, do nada bum, faz um download lá, falou: “caraca, como esse negócio chegou, do nada, não tava nem pensando”. Veio uma ideia aleatória, que do nada eu penso naquilo e falo: “caramba, a solução daquele problema em que eu estava super engajado em conseguir veio agora”. Foi nos momentos de descanso mesmo, exato.
E você ter um método para fazer isso, você ter essa consciência de que essa oscilação entre estresse e recuperação é a melhor maneira de você gerenciar o seu dia, e que você precisa ter um repertório de estratégias de recuperação. Porque às vezes, Fê, você vai ter 30 segundos entre um estresse e outro. Às vezes acontecem vários estresses numa conversa. Sim, total. Então se você se deixar levar pelo momento do estresse numa inércia, né, tipo, a coisa vai ladeira abaixo, você não vai conseguir tomar as melhores decisões na continuidade daquela conversa. Então, você tendo a consciência de que: “puxa, eu acabei de passar por um estresse que exigiu de mim emocionalmente e mentalmente nessa colocação”, cara, eu respiro, eu peço uma pausa na conversa para ir ao toalete, porque, gente, necessidades fisiológicas todos temos, ninguém vai questionar que você não precisa ir ao banheiro. Mas isso é uma pausa estratégica que a gente chama. Pausas estratégicas são as suas estratégias repertoriais, vamos dizer assim, que você tem na sua manga para criar intencionalmente esses espaços em branco que vão te colocar em melhores condições para a próxima tomada de decisão que você tem que fazer. E nós, como empreendedores, todo mundo que tá ouvindo a gente aqui precisa aprender a fazer isso de uma maneira intencional. Porque se você só descansar quando der, se você só descansar quando tiver tempo, você não vai conseguir trazer o seu melhor nas horas em que seu negócio, seu time, precisam dos seus melhores talentos.
Total, cara. Você falando isso, cara, tá batendo muito forte, porque por muito tempo eu ignorei descanso, esporte, tudo, saúde, tudo. E um tempo, um tempo atrás eu comecei a fazer jiu-jitsu, comecei, que foi um esporte de que eu gostei muito, e, cara, quando eu comecei a fazer esporte, eu falei: “por que eu não comecei antes?”. Não por causa de saúde, sinceramente, nem por causa de saúde, por causa do esporte em si, mas porque o meu rendimento, né, na empresa melhorou. E aí eu falo: “cara, eu era um… vamos falar do meu potencial máximo, eu estava lá um empresário nota 7”, porque eu não estava descansando. Só que às vezes, cara, se você é nota 7 todo dia, no final você é um líder nota 7, um empresário nota 7. Agora se, no momento de estresse máximo, você descansa e consegue voltar nove no outro dia, você faz um esporte e consegue voltar nove no outro dia, você vai você vai para 10, e num dia ruim, sete, tudo bem. Mas nesses altos e baixos sua produtividade sobe muito. E por mais que o tempo que eu estaria no jiu-jitsu eu poderia estar trabalhando, no final das contas, o fato de eu estar com uma nota média muito maior, o tempo em que estou trabalhando entrega muito mais resultado, conta muito mais resultado. Não são horas trabalhadas, é entrega de fato, né, que é a eficiência que a gente fala.
Então, cara, quero… pra gente… a gente já tá chegando no final, mas eu tenho duas perguntas que eu não posso deixar de fazer. Uma delas é o seguinte: quando a gente… você falou que treina forças especiais dos Estados Unidos e tudo mais, que são essas profissões… Qual é o nome que não pode errar? É ambientes de alta consequência. Bom, esse é o sonho de todo, de todo empresário, de todo, de todo líder de equipe, de ter uma equipe de alta performance, que todo mundo fala muito de alta performance, mas chegar lá é o que você falou: nos Estados Unidos, o coaching é muito bem respeitado; no Brasil, acabou banalizando e o brasileiro acaba não colocando essa moral que deveria, né? Mas a gente sabe que alta performance realmente é um é um estudo complexo e completa, é uma ciência de fato. Quando a gente fala: “ah, eu quero uma equipe de alta performance”, ponto número um: como você consegue entender que a tua equipe de fato é de alta performance, quais são os KPIs ou os “cheiros” que isso vai deixando, que é uma equipe que consegue não levar pro pessoal, etc.? Quais são as características de uma equipe de alta performance? E a outra: como trazer uma equipe que não é de alta performance para a alta performance? Quais são as coisas que a gente poderia, como líder, estimular nesse time pra gente conseguir trazer eles para essa, para essa região aí?
Eu queria poder dar uma receita de bolo e uma resposta mega impactante em cinco segundos. Eu sei que não é o padrão, mas vamos lá: eu vou falar um pouco do que a gente entende que funciona, porque isso é muito da essência do ambiente de alta consequência. Muitas vezes você não vai usar a solução mais sofisticada, você vai usar aquilo que funciona para aquele momento. Então, você ter gente que tá disposta a fazer o que precisa ser feito naquele momento é uma das características de uma equipe de alta performance, que tem até o discernimento de escolher o que fazer. Então a gente tá falando aqui da capacidade de fazer o que precisa ser feito, da vontade de, às vezes, fazer mal, mas fazer para você aprender e evoluir da próxima vez, fazer certo e fazer muito bem, e de você não ter o preconceito ou o julgamento por si mesmo e passar por isso muitas e muitas vezes. Esse ciclo de: “qual é que é a próxima coisa em que eu vou fazer mal antes de fazer bem?” é algo que precisa ser uma disposição comum entre todos os membros do time. Porque senão, sabe o que acontece? As pessoas começam a se esconder, se esconder atrás do medo de assumir riscos, se esconder através da falta de o que eu chamo de senso de aventura. A gente vê que as pessoas de alta performance, elas têm senso de aventura, que é você assumir riscos de um jeito calculado. Seno de aventura é isso. Quando você quis se desenvolver em fazer palestras, em falar melhor, em ser um melhor comunicador, você não foi, na sua primeira tentativa, na frente de uma palestra de uma plateia de 5.000 pessoas, foi?
No dia nenhum.
Você provavelmente começou com uma plateia menor, você treinou na frente do seu espelho, você treinou com o seu time, aí você treinou com uma plateia dos seus amigos ou de alguém que te convidou porque te conhece, sabe da sua competência, e gradativamente você foi se expondo a mais e mais riscos, a um risco cada vez numa graduação maior. E é isso que a gente vê nas pessoas de alta performance: essa disposição de passar por esse processo muitas e muitas vezes, de continuar aprendendo a ser ruim para depois ser bom, perfeito.
Isso é ótimo. E aí, como que você leva um time a fazer isso?
Eu acredito muito em que a gente ensina tudo, menos força de vontade para as pessoas. Eu nunca vi ninguém que não tinha vontade receber uma vontade por osmose do seu líder. Então eu vejo de uma forma muito injusta quando as empresas falam assim: “Ah, todos os problemas da empresa são na liderança, então o líder precisa aprender a engajar”. Sim, ele precisa das pessoas certas. Perfeito. Então a empresa, o RH e nós, como líderes, precisamos ter a coragem e também a transparência de dizer para as pessoas: “você não é a pessoa certa para este trabalho”, o quanto antes. Porque quando a gente não diz, não só a gente tá perdendo o nosso tempo, como a gente tá perdendo o tempo de todas as outras pessoas que performam bem em volta daquela pessoa, e a gente tá perdendo o tempo dela também, porque ela, em outro ambiente ou em outro trabalho, poderia ser brilhante, é isso, poderia voar.
Poderia voar.
Então, esse nível de agilidade em identificar e tomar a decisão de: “eu tenho o time certo?”, depois que eu tenho o time certo, eu ensino os meus líderes a levarem esse time. Mas se eu não tenho as pessoas certas, é que nem você pegar um moedor de carne, colocar capim e achar que vai sair carne moída de primeira: não vai, vai sair capim moído. Então, para você ter carne moída de primeira, você precisa colocar uma peça de primeira no moedor. Perfeito. Com liderança é a mesma coisa, show.
E agora, cara, respondeu muito bem, era o que eu precisava. E a pergunta final pra gente, na verdade, chegar nos patrocinadores e encerrar, mas essa é uma pergunta que eu não podia deixar de falar porque eu sei que você também tem uma pegada muito forte sobre a liderança feminina, né? Sobre como a mulher conquistar esse lugar de liderança. Que de fato a gente sabe… eu já tive alguns papos, inclusive recentes aqui, com mulheres que falaram sobre o quanto o ambiente de negócios é hostil, muitas vezes, para a mulher, que espera dela n coisas, e tudo o que ela faz pode levar a duplo sentido: se ela se arruma demais, ela pode ser sexualizada; se ela fala muito grosso, ela pode ser grossa; e tudo para a mulher acaba levando uma conotação exacerbada pelo ambiente, né? Se ela é muito simpática, ela pode estar… os caras podem levar que ela tá dando, sendo fácil, e se ela… então, enfim, cara, é um… é um perrengue para a mulher no mundo corporativo gigantesco. Sorte que eu nasci homem, que talvez eu não saberia lidar com isso aí, porque, cara, é um BO, é um BO. E aí, cara, eu vejo isso, né? Eu vejo isso muito para a minha esposa, que é minha sócia lá na empresa, e ainda é uma coisa que ela que ela reclama, que ela tem uma voz bem fininha, tal, tal, tal, e ela fala: “meu, é difícil eu dar uma bronca porque a minha voz não passa credibilidade numa bronca”. Mas que também eu falo: “não tem nada a ver, cara, o pessoal tem mais medo dela do que de mim lá na empresa, sabe?”. Então, tipo, é uma questão muito relativa de caso a caso. Mas, cara, falando… e eu não podia deixar de citar isso… para as mulheres que estão nos assistindo aqui, qual é a dica que você daria para as mulheres que estão se descobrindo líderes, e que talvez sintam essa insegurança de estar num lugar de poder liderar outras mulheres, mas também outros homens? Cara, qual… dá um overview para a mulher aí desse ponto de vista de liderança, o que que você poderia dizer aí, deixar de mensagem?
Quando eu comecei a estudar sobre liderança feminina e entender as diferenças entre a mulher que lidera e o homem que lidera, e como isso é percebido pelos liderados, uma coisa que me chamou muito a atenção foi a questão de que as mulheres, elas advogam muito melhor quando elas estão advogando em favor do outro, e elas são muito mal percebidas e mal recebidas pela sua audiência — seja a audiência quem for, pode ser um nível sênior, pode ser um nível júnior, podem ser os seus pares — quando ela advoga em favor próprio. Com o homem não acontece da mesma maneira.
Caramba, você foi atrás da ciência por trás do negócio. Tem estudos que provam isso, você não foi você foi zero aqui parcial, você foi assim: “cara, e faz muito sentido o que você tá falando”. Eu não sei nem por que, mas faz muito sentido.
Tem… faz parte de um viés cultural inconsciente que existe na sociedade de que, quando você vê um homem advogar por si mesmo, falar de si próprio, você fala: “esse cara é foda”, exatamente, sim, “ele é muito bom, tá claro que ele é muito bom, olha só, e ele tem consciência de que ele é muito bom e ele nem hesita em dizer que ele é muito bom”. Se uma mulher falar exatamente as mesmas palavras que ele falar, mas estão saindo da boca de uma mulher: “Nossa, que convencida”, “nossa, surreal isso”, é real, “ela não é humilde, tá vendo? Tá se autopromovendo, só quer se vender”.
Inclusive, posso falar? Vou tocar talvez num vespeiro: outras mulheres pensam isso.
Sim, porque o viés não é um viés do homem contra a mulher, é um viés da sociedade, da sociedade, exato, porque a gente aprendeu… E aí eu vou trazer para quando a gente era criança, né? A gente começou essa entrevista de como a gente era criança. Vamos fechar: quando a gente era criança, quando os meninos são crianças, o que que a gente fala de bom sobre o menino quando ele atua? “Nossa, olha só como ele se arrisca, tá vendo? Ele tá brincando de Super-Homem, ele tentou pular da janela, nossa, ele não tem medo de nada”. O menino faz bagunça, fala assim: “olha como ele é criativo, né? Ele pinta o sete na parede”, e fala assim: “olha só, ele não tem limites, ele não se prende a regras”. O que que a gente cobra das meninas pequenas, das meninas mocinhas? Que elas sejam educadas. Uma boa menina ela é comportada, boazinha, boazinha, obediente, ela não interrompe os outros, ela segue as regras, ela escuta, ela não interrompe. Quando você cresce numa sociedade que cobra coisas tão diferentes e valoriza coisas tão diferentes nos gêneros de que a gente tá discutindo aqui, você ensina as pessoas a verem os gêneros dessa maneira. Então é muito mais profundo do que só: “Ai, nossa, é um preconceito do homem contra a mulher, ou da mulher contra a mulher”, não, a gente é educada desse jeito, a gente coloca os gêneros numa caixa.
Exatamente.
Então, desaprender o que você aprendeu efetivamente que era a coisa certa a ser feita… Você aprendeu no seio da sua família que você precisava ser obediente, boazinha, seguir as regras. Quando você chega numa posição de liderança e falam para você: “assuma riscos, se posicione, contradiga, desafie as regras”…
Quase contra a biologia, cara.
Se você se sente desconfortável fazendo isso, é… Você se sente desconfortável fazendo isso por quê? Porque você teve todo um treinamento até ali do contrário. Sim, sim, sim, porque, querendo ou não, faz… E outra, é um negócio repetido por gerações, e aí chega… [ __ ] eu concordo 100% e é assim, é o que eu falei, faz parte quase que do gene, porque a pessoa acredita nisso. E é um processo de desconstrução dificílimo, é dificílimo. Como… como que você tá atuando em prol… porque assim, eu tenho uma filosofia, e eu falo isso porque, [ __ ], eu admiro a minha esposa num nível surreal, e eu tenho a filosofia de que uma mulher… é mais difícil ver mulheres empreendendo do que os homens, mas uma mulher quando resolve empreender e ela e ela faz isso bem, cara, não tem homem que aguente, porque a mulher é surreal. Ela faz 600 coisas ao mesmo tempo de maneira bem feita. Uma mulher líder, cara, ela é muito mais engajada, o time ama ela e, cara, é um negócio que o homem não tem essa característica. Por mais que tente, não tem, a mulher tem uma coisa, cara, que… Por exemplo, a minha esposa tem a equipe na mão dela de um jeito assim, sabe, tipo, as pessoas fazem por ela, sabe? É uma coisa muito linda assim, o que eu vejo… o que a mulher tem de capacidade muito, muito superior aos homens, inclusive. Só que eu vejo pela minha esposa, inclusive, o quanto ela sofreu para chegar nesse lugar de confiança, o quanto ela se menosprezou, o quanto ela já se invalidou, o quanto ela ela achava coisas que não existiam. Por exemplo, a gente estava fazendo uma reunião geral com a empresa, eu estava falando e, de repente, ela falou bem e ela falava assim: “pô, na hora que eu falei, você viu que praticamente ninguém prestou atenção?”. Eu falei: “cara, todo mundo super prestou atenção”. Mas é uma coisa que a cabeça dela trabalhando tal, e eu vejo que anos de terapia resultaram hoje numa empresária muito foda que é a minha esposa e tal, mas eu sei, eu participei dos bastidores disso, cara, é muito dolorido. A mulher, ela precisa assumir alguns papéis e assumir uma posição de confiança que é difícil muitas vezes. Falo isso porque eu vivi isso em casa. O que que você recomenda?
Cara, foi exatamente por ver isso acontecer tantas vezes com várias mulheres altamente talentosas, que ficaram pelo caminho porque elas não tiveram esse aprendizado de como se posicionar dado que a sociedade a vê de uma determinada forma. Como que você encontra atalhos? Como que você estrategicamente molda aquilo que você quer dizer de um jeito onde não vai ser percebido com preconceito, mas vai ser percebido como algo que as pessoas também querem junto com você. Então, quando eu vi que isso não era ensinado em nenhum lugar, eu falei assim: “eu vou ensinar, então”. E foi daí que surgiu a mentoria Promova-se. A mentoria Promova-se, ela tem três pilares, Fê: ela tem o pilar de networking, por quê? Porque a mulher, quando vai fazer networking, ela passa por esse preconceito de que você falou de: “Ah, como assim ela tá abordando um outro homem num evento público?”. Falam: “Ah, será que ela é meio fácil? O que será que ela tá querendo?”, etc. Então, existe uma forma de fazer networking para as mulheres que é diferente da forma de fazer networking para os homens, e a gente ensina essas nuances na mentoria Promova-se. O outro ponto é o ponto do posicionamento e influência. Uma mulher se posicionando e influenciando tem que ser feito de uma maneira diferente, com palavras diferentes, com uma postura corporal diferente do que um homem faria. Porque, durante muito tempo, as mulheres no mundo corporativo, elas, para conseguir sobreviver, o que que elas fizeram? Começaram a se masculinizar na forma de liderar, inclusive algumas até na forma de se vestir, para conseguirem ser respeitadas. E hoje a gente sabe que, pelo contrário, traga para a mesa os seus talentos e as características únicas que só mulheres poderiam trazer para a mesa.
Exatamente.
Exatamente, mas de um jeito estratégico, de um jeito que não vai ser percebido como algo, como uma fraqueza, mas sim como uma vantagem competitiva. E o terceiro pilar é o pilar da produtividade inteligente. Por quê? Porque as mulheres, como você falou, né: “ainda bem que eu nasci homem porque dão os passos… sair da corrida com os passos na frente”, na frente. As mulheres, além de gerenciar as suas agendas e dos seus times, gerenciam as agendas domésticas, e na grande maioria dos lares no Brasil e no mundo.
Total.
Isso significa que, se você não tiver estratégias de produtividade adequadas a isso, você vai ser uma líder exausta o tempo todo. E um líder exausto não consegue trazer para a sua mesa, com consistência, os seus melhores talentos. Um líder exausto vira um peso pro seu time.
Que é o que a gente estava falando agora sobre descanso, exatamente.
Então, na mentoria Promova-se, além de ensinar com que a mulher saiba se posicionar estrategicamente, fazer um networking considerando essas nuances culturais, ela também aprende estratégias de produtividade para que ela consiga fazer boas escolhas, priorizações, dizer “não” na hora certa e se mostrar na sua melhor versão nos momentos da verdade.
Social, essa… essa mentoria Promova-se, como que faz? É 100% aberta, é…
A gente tem ondas em que a gente lança, a gente vai lançar agora na segunda quinzena de fevereiro, então quem quiser se inscrever, aproveitar… Vou deixar… Se a gente puder deixar o link no YouTube, a gente tem uma página de captura, você se inscreve na nossa lista e a gente já começa a mandar ferramentas de produtividade, inclusive para quem se inscreve na lista.
Nossa, que legal, me manda depois, não esquece de me mandar o link que aí eu já peço pro pessoal colocar na descrição. E é um baita trabalho, acho assim… um pouco do que você já falou sobre analisar a situação do homem da mulher no ambiente corporativo de maneira real, objetiva, objetiva, de maneira científica, de maneira de maneira psicológica, zero ativismo, sabe? De entender qual é o qual qual é o lugar que a mulher está por conta de uma de uma de uma de uma construção histórica que de fato acontece, qual o lugar que o homem está e como extrair o que precisa ser extraído com estratégias diferentes, porque não existem estratégias iguais, de fato, porque são lugares diferentes, são polos de partidos diferentes. Sim. Então, acho… parabéns mesmo por por falar desse assunto de maneira tão lúcida, tão assim… posso falar, você… E posso afirmar com muita tranquilidade aqui: você falando e entendendo que a mulher tem tem tem um lugar de partida e o homem tem outro lugar de partida, porque são lugares de partidas diferentes como você falou. Quando você nasce homem, pensando num num ambiente corporativo, você já já já nasce passos e passos à frente. Quando você entende que de fato você está ali e olha por que isso acontece, como a sociedade pensa, como as pessoas pensam, você tá contribuindo muito para a evolução e equidade sobre essa sobre esse tema de uma maneira muito realista. Então, pô, parabéns mesmo, de verdade, porque eu acho que é uma coisa que eu sofri por ver minha esposa sofrendo e não sabia nem ajudar. É porque, muitas vezes, as minhas dicas eram umas dicas totalmente do ponto de vista meu, do que você faria: “Meu, faz isso, isso, fala duro, sabe?”. E aí não… e não funcionava, por que? Porque era eu, era eu tentando ajudar. “Dá uma porrada nele, fala: não, tá demitido”. Eu falava… teve… eu lembro que teve uma época que eu falava assim para ela: “sabe o que tá faltando para você? Uma demissão, acha alguém e demite para a galera começar… para a galera começar a botar moral”, entendeu? Então, tipo, e eu estava talvez indo pro lado errado, mas era o que era, era o que eu tinha de repertório. Então, pô, baita de um de um conteúdo legal, parabéns de verdade. Vou, inclusive, depois… me lembra, me lembra… e eu sei que você vai me lembrar, mas me lembra mesmo de quando as as inscrições forem abertas eu dar… eu te dar uma moral lá nos meus stories, dar uma divulgada para as mulheres.
Show de bola, show de bola, cara.
Já, já chegamos no final, mas eu tenho que agradecer aos patrocinadores agora e tenho uma pergunta final para te fazer, tá bom? Mas meu, adorei, adorei, adorei, adorei.
Eu também, foi muito boa.
Galera, todo esse audiovisual de qualidade, todo esse esse conteúdo aqui, cara, de forma gratuita na internet só vem graças aos patrocinadores que acreditam no projeto do podcast e investem para que a gente tenha esse audiovisual de qualidade aqui para vocês. Então, quero começar agradecendo à SMB Store, do meu parceiro Alonso, nosso patrocinador master. Desde 2018 a SMB Store tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com sistema acessível e fácil de usar. Agência RPL, do meu parceiro Rodrigo Álvares. A RPL oferece a solução completa de marketing digital para negócios, cuidando das empresas com olhos de dono, desde a criação de sites, gestão de anúncios, planejamento estratégico, social media e SEO. Polux: sabia que existe oportunidade de desembolsar menos com impostos através de um planejamento tributário? A Polux é especialista em gestão de tributos e também de crise. A depender do momento que sua empresa tá vivendo, é importante ter alguém direcionando as estratégias. CMC Displays: tá precisando vender mais? Então seu negócio precisa de soluções criativas para PDVs, balcões, bandejas, displays e muito mais. WJR Consulting: aumente seus lucros, seja aumentando receita ou reduzindo despesas, gestão financeira descomplicada para empresários. Inspira Capital, do meu parceiro Fabiano Brito. Operação e gestão financeira por assinatura, o braço direito do empreendedor. Afinal, BPO financeiro não é mais futuro, é presente. Cross Host: todo esse estúdio aqui de qualidade são nossos patrocinadores também. Quer dar voz ao seu negócio e alcançar mais pessoas? A Cross Host é especialista em produção audiovisual e soluções na internet, criando podcasts, eventos e transmissão ao vivo com qualidade excepcional. Se você quer elevar o seu posicionamento de marca e se conectar com o seu público, seja de forma autêntica e especial, a Cross é a parceira ideal para transformar a tua comunicação. Max Service Contabilidade, que tem como missão a parte consultiva ao empreendedor, estando sempre próximo da gestão da empresa. Com ecossistema completo, eles oferecem atendimento desde o Simples Nacional até o Lucro Real, inclusive Lucro Real eles têm como especialidade. E, por fim, Deisses Burguese Jurídico: você tá com dificuldade de pagar seus impostos ou você tomou alguma autuação tributária que tá colocando em risco a sobrevivência do seu negócio? Chama a turma da Deisses Burguese, eles são um escritório jurídico especializado em direito tributário e empresarial.
Meu, mais uma vez, cara, só quero agradecer. Foi um baita bate-papo, um bate-papo que poderia ter tido duas, três horas aí, batendo um papo que… Cara, entrando nesse nesse assunto mais técnico de liderança, cara, eu poderia trazer cases e tudo mais. Mas, de novo, você já topou voltar aqui, hein? Já tá na minha agenda, só marcar o dia. A gente vai marcar o dia e a gente vai vai trocar essa ideia. Mas eu queria te fazer uma pergunta, o seguinte: imagina que você tá saindo daqui, indo embora para a tua casa, e eu vou colocar essa analogia só para trazer peso para a resposta, mas imagina que você sofre um acidente, bate o carro e morre. Tá, bate na madeira aí também. Boa, beleza, nunca ninguém bateu o carro, muito menos morreu, tá? São 90 episódios, então já não já já já provou essa teoria furada.
Esse track record é track record.
Mas, mas, cara, é só para a gente trazer peso porque, pô, depois de tudo isso, toda essa sua experiência, cara, chegou a hora, Deus chegou, bateu na tua porta e falou: “filha, já sua missão tá cumprida”. Você fala: “agora? Bem agora?”. Você fala: “meu, é isso”. No alto da da da tua maturidade, experiência, que mensagem você deixaria pro mundo? O que que você deixaria de aprendizado, que que mensagem você deixaria para a humanidade?
Que profundo, gente. Todo mundo responde assim, de… Pô, que mensagem você deixaria para a humanidade. Eu vou te falar que a minha… a forma como eu vejo hoje, ela mudou depois que eu me tornei mãe e continuei sendo eu mesma. Eu sou mãe de uma menina que hoje tem 9 anos, e o que eu quero ensinar para ela é que ela pode ser o que ela quiser. Então, criar o primeiro produto focado em levar mais mulheres pro topo não é uma estratégia comercial, é parte do aprendizado que eu quero deixar para a minha filha, do exemplo que eu quero dar para ela. Eu não quero que ela olhe só para mim e fale assim: “minha mãe era uma grande empresária, a minha mãe era uma excelente coach internacional”. Eu quero que ela veja muitas mulheres bem-sucedidas e escolha os exemplos dentre um grupo gigantesco de exemplos que ela vai ter, e não que ela tenha que fazer como eu, pegar assim a agulha no palheiro dos exemplos escassos que existiam no mundo corporativo há 20 anos atrás, quando eu entrei como estagiária numa empresa de produtos lácteos. Então, eu cumpri minha missão quando a minha filha tiver exemplos abundantes de mulheres que chegaram no topo, além de mim.
Hum, te digo que é lindo o que você tem feito e agradeço, inclusive, porque agora, como pai de menina — tô com uma menina de 11 meses em casa…
Parabéns!
Obrigado. Uma delícia, a Estelinha. É isso, assuntos do universo feminino têm batido diferente porque agora eu tenho uma uma cria, né? Então é muito louco. Então, obrigado mesmo pelo papo, adorei, adorei te conhecer.
Eu quero te parabenizar como host, porque já participei de alguns podcasts, eu sou uma consumidora ávida de podcasts brasileiros e internacionais, e você como host foi, assim, agradabilíssimo, super hábil e demonstrou um interesse genuíno no assunto e na sua convidada. E eu tenho certeza que quem tá assistindo vai sentir toda a diferença, e quem fez essa diferença foi você nessa condução hábil e generosa.
Obrigado, isso… Muitíssimo obrigado, viu? Foi um prazer estar aqui com você. Você vai voltar, hein? Você vai fazer o seu… Vamos lá, aí agora já vou lá, tem um monte de de casa aqui, ó, em vídeo registrado, galera, não tem como falar que não foi. Falar mais uma vez: muito obrigado, viu? E você que ficou aqui até agora, muito obrigado por acompanhar até o final, espero que esse podcast tenha feito sentido para você. Se fez sentido para você e você acha que pode influenciar outras pessoas, amigos, sócios e tudo mais, encaminhe para essas pessoas. E aqui embaixo tem vários botõezinhos, cliquem em todos para engajar. E estamos juntos, até a próxima, valeu!
Valeu!
