Como Perder a Vergonha de Gravar Vídeos e Vencer a Timidez com Fernando Sardinha | Além do CNPJ (EP #151)
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Então, há dois anos caiu essa ficha que eu falei assim: “Caraca, porque antes eu queria ensinar às pessoas a fazerem conteúdo de humor sobre os seus nichos. Como a minha base de criação é a criatividade ampla, qualquer coisa que me correlacionar, eu vou conseguir criar, porque eu gosto dessa energia de conectar uma ideia na outra, eu vou fluindo. Mas não tem como ensinar isso se uma pessoa realmente não quiser”.
Boas, boas, boas. Seja bem vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia de empreendedorismo, vida real. Do meu lado, o novo friorento aqui do nosso estúdio. Tá com frio, Bertozzi?
Nossa, semana retrasada eu passei um frio dos infernos aqui, agora já vim preparado. Vim de blusa de inverno mesmo. Não é por causa disso que vocês vão frito deixar esse ar-condicionado gelando aqui, senão eu vou.
Mas cara, Bertozzi, mais uma vez nos coroando aí pra gente fazer uma isca de uma entrega ferrada de conteúdo bacana para vocês. E na nossa frente tem um cara bom para caramba, troca ideia super bem. De novo, que vontade de trazer um pouco do que a gente conversou nos bastidores para cá, porque é o offline, né? A quebra de gelo a gente faz aqui no offline. Quando a gente começa aqui, a gente já tá em casa, e é onde saem as pérolas.
E o cara que tá aqui na nossa frente é um papo do qual eu vou conseguir me divertir bastante, porque eu sou um cara que já falei muitas vezes no Além do CNPJ: sempre fui tímido. O Além do CNPJ foi a minha grande provocação. Comecei de maneira que eu não aparecia no começo, até os 10.000 seguidores ninguém sabia quem eu era. E aí, quando uma página começou a pegar atração, as pessoas perguntaram mais quem eu era do que sobre empreendedorismo. Cheguei a pensar em desistir da página porque eu não queria aparecer, só que a dor de desistir passou a ser menor do que a dor de aparecer. Foi quando apareceu. Eu tinha vergonha de fazer história na frente da minha esposa! Eu estava gravando uma história na sala, a minha esposa aparecia, eu fechava o celular. Hoje não ligo mais, faço história onde precisa e tudo mais. Mas graças ao quê? Muita tentativa e erro. É fazer o mesmo, se colocar à prova. Hoje em dia, se eu precisar fazer uma palestra ou gravar um Reels aqui na frente de vocês, eu vou fazer. Não é normal, continua não sendo normal, mas eu vou e faço.
Eu também. Para mim não é normal. Nunca foi muito normal fazer na frente da galera, mas eu sempre fiz para poder tirar aquele trabalho. Você começa e aí vai embora, aí você desencana. Mas o negócio não é tão simples. Eu sempre fiz publicidade, sempre falei que estaria por trás das câmeras, monitorando as grandes marcas, os bastidores. Aí, no final das contas, eu não gostei muito de ficar estudando e fazendo os relatórios, então todo mundo me jogou para apresentar. Eu gostei de estar na frente de apresentar porque eu peguei o material, ia lá, fez o meu show, e a galera falou: “Você tem que estar na frente das câmeras”.
Então não fica assim tão normal, que é uma coisa que a gente vai trocar ideia hoje com ele, que se intitula como um ex-tímido. Eu não sou um ex-tímido, eu continuo tímido, mas eu quebro a minha timidez na hora que fui convocado. Eu preciso chegar ali nesse nível. A gente já está fazendo um podcast à parte aqui! Mas é legal sentir aquele friozinho na barriga quando você vai entrar numa palestra. Você pode ter cinco pessoas ou um milhão de pessoas. Começa aquele friozinho, aí a hora que você começa, você olha o relógio, faltam 5 minutos, e você pensa: “Nossa, já passou um monte de coisa, preciso falar mais 10.000 coisas”. O sofrimento é prévio, porque no topo do palco você às vezes entra no flow. É muito doido.
E o cara que está aqui na nossa frente, a gente vai conhecer um pouco da trajetória dele, de um ex-tímido que hoje faz até stand-up. E sabe o que é o mais legal? Ele tá na tendência, porque é o Founder Led Marketing (ou Founder Led Growth ). É o quanto você tem que aparecer, o quanto você tem que se projetar nas redes sociais. E não só nas redes sociais, mas em todos os movimentos que você faz. Porque as redes são um ponto de captação, mas se você tá num evento, numa palestra, numa dinâmica, como você se relaciona? Muita gente já vem com a cabeça de: “Ah, eu preciso ser o blogueiro da minha empresa”. E não é isso, é produzir conteúdo. Às vezes você tá no evento, você faz um vídeo: “Pessoal, to aqui no evento, três dias de muito conteúdo, deixa eu passar um pouquinho para vocês o que a gente viu”. Não é você virar blogueiro, é você conseguir colocar sua cara na tapa e produzir conteúdo.
Tem uma frase que eu gosto que é: “Eu transbordo aquilo que eu sei para quem quer colher, e eu colo de quem quer transbordar”. Criação de conteúdo ou exposição nada mais é do que transbordar aquilo que você conhece. Quem quer encontrar, recolha. Quem quer seguir, quer estar perto, vai sentar e colher. Quem não quer, tá tudo certo. E aí a gente colhe de quem a gente gostaria de ter esse conhecimento.
Hoje estamos aqui com três tímidos! Estamos aqui com o Fernando Sardinha, meu irmão. Tamo junto, gente. Seja muito bem-vindo.
Antes de tudo, muito obrigado pelo convite. Que honra estar aqui mesmo. É diferente, cara. Nossa, agora você levou a expectativa lá em cima, eu não posso gaguejar, nem posso falar nenhuma palavra errada. O pessoal vai pensar: “Nossa, ele é profissional de comunicação e está falando errado, gaguejando”. Mas eu estou muito feliz mesmo de estar aqui, porque eu entendi na dor o meu propósito e eu sinto com muita clareza os meus caminhos daqui para frente, que é justamente destravar a comunicação das pessoas. Porque quando a gente destrava a nossa mensagem, a gente alcança quem quer e transborda para quem quer colher, como o Bruno falou lindamente. Que honra estar aqui, que prazer estar falando com essa audiência maravilhosa, num estúdio lindo com câmeras de alta qualidade.
Eu sou de Brasília. Mudei aqui para Alphaville tem um mês. Tô morando na caixa, tão recente, mas já estou me sentindo desumilde. O pessoal fala que todo mundo de Alphaville tem a patotinha de Brasília lá, mas nunca tive muito contato. Sempre tive dinheiro só em bancos públicos, banco privado nenhum! Mas a minha história é a seguinte: meus pais são professores aposentados, então eu cresci nessa referência de concurso, concurso, concurso. Eu sempre fiquei muito focado nos estudos. Na minha infância para a adolescência eu fui muito magro. Então a minha timidez começou aí, porque o meu irmão começou a fazer bullying comigo, e depois os meus primos na escola.
Eu entrei no ensino médio com blusa de frio e não tirava. Dos três anos de ensino médio, em dois eu não tirei a blusa de frio para nada. Um sol escaldante, eu jogava bola, suava, ia no banheiro, passando desodorante Ax sabor chocolate, abanava e voltava suadaço. Mas eu tinha vergonha das pessoas descobrirem que eu era magro. Então isso aumentou minha timidez de uma maneira absurda. Eu me escondi muito.
Aí, no final do terceiro ano, eu que sempre fui o primeiro ou segundo melhor aluno da sala, vi uma circunstância mudando tudo. Um colega que passou em medicina foi na direção e falou: “Olha, tem uma galerinha que tá atrapalhando o rendimento da turma”. A direção tirou uns nove “maus elementos”, aquela galeria do fundo da sala que ficava rodando caderno no dedo. Essas pessoas fizeram referência ao meu irmão e aos meus primos, que sempre me zoavam por ser magro. Quando eles saíram da sala, no finalzinho do terceiro ano, eu me senti um pouco mais solto. Comecei a fazer piada na sala de aula, comecei a brincar com aquelas piadinhas bobas do ensino médio.
Você começou a fazer bullying com alguém, então?
Só uma vez, com uma menina que também era muito magra, porque eu tinha referência nela. Desculpa, Stephanie, depois de 20 anos! Mas tirando isso, eu comecei a interagir. Na aula de português, eu levantei a mão e falei: “Professor, cimento é substantivo concreto?”. Coisa boba. Mas eu comecei a achar legal o fato de buscar a interação das pessoas e fazê-las rir. Fui quebrando a minha timidez através da comédia. Veio uma volúpia de querer subir ao palco e fazer stand-up. Eu decorava os CDs de piadas do Costinha, do Espanta, do Adamastor Pitaco. Aí mandei uma mensagem para uns comediantes em Brasília, e em 2013 fiz a primeira apresentação de stand-up. Eu tinha 18 anos, hoje até com 31. Fui na cara e na coragem. Foi excelente, extremamente magro, mas foi muito divertido. Ali eu me encontrei e comecei a empreender, porque ser artista é empreender na tora. Você tem que se divulgar, tem que se vender, tem que prospectar. Fui quebrando a minha timidez fazendo as pessoas rirem.
Hoje eu olho para trás e com a engenharia reversa acho super normal, mas na época não era. Quando você ri de você mesmo, é onde o autoconhecimento e a autoaceitação começam. Não precisa ser necessariamente uma piada, mas quando você expõe seus defeitos e dificuldades, você começa a se entender, se aceitar e deixar a situação mais leve. O humor tem essa potência de quebrar a tensão. Inclusive, contra o bullying, é o que funciona.
Eu sempre falo: o meu nariz cresceu mais rápido do que eu e não parou de crescer. O pessoal da escola me chamava de Napa. Até hoje tem gente que me conheceu por Napa. E olha que hoje a proporção tá melhor, imagina quando eu tinha 14 anos, era só um nariz e uma pessoa em volta! E o que eu fiz foi exatamente essa estratégia. Como eu era zoeiro e gostava de um bullying mais leve, eu abracei o apelido e já era. Jogava na hora do “Napa”, escreveu “Napa” na camiseta do futebol. O melhor jeito é assumir, porque o engraçado do apelido é o cara não gostar. Incomodava na minha adolescência, eu não gostava de ter o nariz grande. Mas eu falei: “Não posso jogar contra”. Isso fez com que, de fato, eu parasse de ligar para essas coisas.
Para um adolescente, isso é uma estratégia baita. Porque você ri de você mesmo, se torna o melhor antídoto contra o bullying e você vai aprendendo a fazer um bullying reverso equilibrado. Quando uma criança ali não quer aceitar e os outros vão se intensificando, nossa, isso causa problemas psicológicos absurdos. Eu tive problemas na questão da autoestima pela magreza, eu me escondi. No início da fase adulta demorei a transar pela primeira vez porque eu estava inseguro. E a adolescência é um período difícil, aquele mundinho de 30 pessoas na sala de aula parece que é uma vida toda. Eu joguei bola, me escondi na bola porque eu não era o cara popular, então foquei em ser o melhor naquilo para ter destaque.
Mas como você corta a timidez no palco? Porque imagina: você tinha timidez, e com 18 anos se colocou à prova para fazer a galera rir, o que é muito difícil. Como foi esse processo? Foi instintivo ou intencional?
O palco foi muito instintivo. O Ricardo Araújo Pereira, um grande comediante português, fala que achou interessante ver que ele conseguiu despertar reações nas pessoas só com as palavras, sem tocá-las e sem chegar perto. Eu também achei fascinante o fato de poder gerar um sorriso e deixar uma pessoa mais feliz só com as palavras. Foi instinto de ir para o palco, fazer piada de mim mesmo e ver as pessoas felizes.
Agora, a parte intencional nesse processo foi que eu comecei a criar situações e conhecer pessoas interrogadas nas ruas. Eu entrava numa loja qualquer, super nervoso, pupila dilatada, coração acelerado, e falava: “Oi moço, tudo bem? A minha tia tá vindo de Fortaleza, ela queria um vestido rosa fluorescente, você tem?”. Ou via uma menina bonita numa loja de celular, parava com o coração esturricando e falava: “Te achei muito bonita, tô indo viajar agora, você me passa o seu telefone?”. Eu comecei a criar essas situações.
Isso é um ensaio na vida real. A gente tem que sair da inércia, parar de pensar tanto e fazer mais. Quando eu comecei a fazer isso, era como se eu criasse situações que as pessoas não sabiam se eram reais ou não, só estavam na minha cabeça. Como ninguém me julgaria e não geraria constrangimento ou prejuízo para a pessoa, eu deixaria fluir. A vida não tem roteiro. Então eu parava de pensar e fazia mais. Isso me deixou mais seguro para conhecer pessoas, fazer networking e vender. Na época eu divulgaria meu próprio show, então eu distribuía os flyers nos bares, interagia com as pessoas e de noite ainda tinha o show.
Isso é muito doido, só de pensar em fazer isso a minha timidez já ataca! Outro dia a gente tava na rua, ele virou e falou: “Calma aí que eu vou parar uma pessoa aqui”. Já comecei a me sentir incomodado. No restaurante ele fingiu para o garçom que era português querendo um vinho que não tinha. Por fim, acabei pedindo um suco de tomate. O cara não gosta de suco de tomate, pediu o suco, a gente ficou zoando o almoço inteiro, e ele bebeu tudo só para sustentar a brincadeira e ainda fez história!
Eu tenho uma prima que fez teatro. Ela sabia que um dos exercícios para enfrentar a timidez era justamente criar situações complexas. Eles se vestiram de mendigo e foram pedir grana no farol, depois doaram tudo para caridade. Você quebra o ego, se coloca na posição. Eu tava viajando com a minha esposa na Europa, vi uma moça pedindo dinheiro na rua, ajoelhei do lado dela e comecei a pedir também. A galera assistindo, olhando, dava uma graninha. Eu peguei a grana, entreguei para a moça e fui embora. Senti que estava numa zona de conforto porque ninguém me conhecia. Se eu fiz isso em São Paulo, com gente conhecida passando, a timidez atacaria por conta do julgamento. A timidez é você projetar um monte de julgamento futuro que você nem sabe se existe. E como você transformou isso em negócio? E você é esse ex-tímido de verdade hoje?
Sim, hoje é zero timidez. Chegou um momento em que eu posso fazer qualquer coisa desejada, imitar qualquer animal num ambiente corporativo, que não tenha mais aquele tiro de adrenalina. Quando eu era tímido o coração disparava, hoje eu consigo controlar isso. O friozinho na barriga sempre existe antes de entrar num palco, se não tiver, você já morreu por dentro. Mas é controlável. O perigo é deixar isso escalar e o sistema límbico ativar o “luto ou fuga”. Você tem que fazer o trabalho reverso: “Tá tudo bem, tá tranquilo, eu vou mandar bem”.
O meu público maior de stand-up foi de 4.000 pessoas, com o Maurício Meirelles em Brasília, na praia. Foi muito massa e, ao mesmo tempo, foi mais fácil do que quando eu fiz para cinco gravados num compasso, que nem sabiam que ia ter stand-up e não queriam assistir aquilo. Isso cria uma casca do caramba. No público de 4.000, você acha uma pessoa que gosta e foca nela, usa isso como reforço positivo. A pressão é só antes de subir ao palco.
Um amigo fotógrafo, o Emerson Lima, me contou uma história de uma amiga dele que subiu no palco para 400 pessoas e tava toda tremenda. Ele virou e falou: “Posso falar a real? Você estar assim é sóbrio. Se tivesse cinco pessoas, você estaria tranquilo. Só porque tem muitos, você tá com medo de errar”. Isso deu um “tilt” na cabeça dela e ela conseguiu subir e dar o melhor. Se você só fica nervoso com o público grande, é porque não respeita o público pequeno. Respeitar o pequeno e dar o seu melhor é o que te dá base para os grandes.
Como você encontrou seu modelo de negócios atual?
Eu fui encontrar a minha zona de potência. Há dois anos caiu a ficha: eu antes queria ensinar as pessoas a fazerem conteúdo de humor sobre seus nichos. Só que não tem como ensinar isso se uma pessoa não tiver a centelha ou o “timing” para o humor. Uma piada na boca de duas pessoas diferentes é completamente diferente. Eu gosto do desafio de pegar uma empresa, desenvolver uma narrativa e correlacionar com o entretenimento, mas percebi que o meu diferencial era ensinar comunicação. As pessoas me falaram: “Você me ensinou isso e eu destravei”.
Eu uso o humor para gerar leveza no ambiente e proporcionar segurança psicológica. Sabendo os pontos fracos da pessoa, eu não toco neles, eu os contornos e deixo ela à vontade. Ela vai errando na oratória e eu simplesmente dessensibilizo a situação, tiro a atenção do erro. Usar a minha linguagem para deixá-la confortável e entender que errar faz parte. Porque sempre há um trauma: o irmão mais velho, um professor, uma apresentação de escola em que a pessoa foi retalhada. Na mentoria eu faço uma anamnese, peço um áudio para uma pessoa contar a história de vida dela, estudo isso para entender as travas. Estudo muitas coisas no flow, vou iniciar a psicanálise agora, porque eu faço o processo de forma muito intuitivo, gerando relacionamento através do humor.
Para quem procura uma mentoria, você pega “pedras brutas” de todos os tamanhos. O melhor feedback que uma pessoa tem como criador de conteúdo é assistir, porque você percebe seus comentários de linguagem e suas interrupções. Como você estrutura esse trabalho?
É meio a meio. Tem uma estrutura, mas é muito sem fluxo para adaptar-se à dificuldade específica de cada um. Gosto muito de fazer o trabalho presencial, porque a gente trabalha a comunicação corporal. Coloco a pessoa para apresentar no palco, crio situações e dessensibilizo o tempo todo para ela entender que está tudo bem errar. Hoje eu tenho um tripé de atuação. Atuo como palestrante falando de comunicação (e improvisando muito, que é a minha paixão); atuo como mestre de cerimônias orquestrando a energia dos eventos (minha bagagem de stand-up ajuda muito a saber a hora de subir ou baixar o ânimo da plateia); e eu sou como entrevistador.
Como entrevistador, eu vou para os eventos com a minha maleta e o microfone de lapela. Eu não cheguei a perguntar: “Você quer dar uma entrevista?”. Eu já chego com o microfone: “Qual foi o melhor insight que você tirou da palestra?”. Com isso, eu gero conteúdo, agrego para o contratante do evento e gero prova social. Eu brinco com as pessoas até extrair o melhor depoimento possível, mesmo daquelas que no começo dizem que são tímidas e não querem falar. Essa abordagem abre muitas portas e networking para mim.
Antes da gente terminar, preciso agradecer aos patrocinadores. Todo esse audiovisual de qualidade, que chega de forma gratuita na internet, é graças aos patrocinadores que acreditam em nosso projeto. Agradecemos à SMB Store, nosso patrocinador master, com seu sistema acessível de controle de estoque e financeiro. À Agência RPL, com solução completa de marketing digital. À Polux, especialistas em planejamento tributário e gestão de crises. À CMC Displays, líderes em soluções criativas para PDVs. À Cross Host, especialistas em produção audiovisual de podcasts e eventos. E à Max Service Contabilidade, focada na gestão consultiva do Simples ao Lucro Real. Muito obrigado, patrocinadores!
Agora a pergunta final, Sardinha. No alto dos seus 31 anos, você acabou de se mudar para São Paulo, buscando expandir sua carreira e o networking, deixando claro que o dinheiro e a economia real estão no físico e não apenas isolados no digital. Imagina que, saindo daqui, você bate o carro e o ciclo se encerra. Se essa fosse a sua última reunião, como você condensaria 31 anos de experiência em um conselho para o mundo?
Eu diria: seja autêntico. Faça aquilo que é a sua verdadeira essência. Eu fui me aceitando. Eu gosto de usar a cor amarela, gosto de usar gravata, meia do Bob Esponja, gosto de gerar esse contraste entre a seriedade e o humor. Quando você aceita e tem tranquilidade em ser você o tempo todo, você entende que sua essência é seu maior ativo.
Quando você é autêntico, você não se deixa abalar com o que os outros vão achar. Tem vergonha de aparecer num vídeo para falar da sua empresa? Tem que medir a cara e dar o seu melhor. A sua autoestima se torna um combustível para você ir mais longe e um escudo para repelir julgamentos externos. O seu propósito sempre está correlacionado com a sua dor, porque você tem propriedade e “lugar de fala” para ajudar outras pessoas que passam pelo que você passou.
Eu não fico querendo sustentar o personagem. Eu tenho paz interior. Se uma pessoa gostou de mim, ótimo, vamos fazer acontecer. Se não gostou, tá tudo certo, sucesso pra ela. É difícil porque temos medo do julgamento, mas a criança é o melhor exemplo: ela solta a verdade no meio do jantar porque não tem filtro. Nós vamos criar essas máscaras e perder a leveza.
A grande lição é: dê a devida desimportância ao que os outros pensam. As pessoas não param o tempo delas para te julgarem, porque elas estão gastando o tempo julgando a si mesmas! Ninguém vai ficar lembrando para sempre do que você falou ou do mico que você passou. Eu estou preparado para a finitude da vida, por isso procuro tirar um sorriso de todas as pessoas que passam por mim. Essa é a minha assinatura, e é o que me tornou uma pessoa feliz.
Muito obrigado pela presença e pela aula de comunicação! Para quem assistiu até o final, compartilhe este episódio com aquele amigo ou sócio que é tímido e precisa ouvir esse papo. Até a próxima!
O Medo do Julgamento e a Trava da Câmera
Para muitos empreendedores, abrir uma câmera do celular e gravar um vídeo sobre o próprio negócio é um desafio maior do que fechar um contrato milionário. O medo do julgamento, a insegurança com a própria imagem e a timidez paralisam grandes ideias. No episódio #151 do Além do CNPJ, recebemos Fernando Sardinha, um ex-tímido que usou a comédia stand-up para quebrar suas barreiras e hoje atua como mestre de cerimônias, palestrante e mentor de comunicação para empresários. Em um papo extremamente descontraído e cheio de insights, ele nos ensina que o segredo do Founder Led Marketing (o marketing guiado pelo fundador) não é perfeito, mas sim autêntico.
1. Rir de Si Mesmo é o Melhor Antídoto
A timidez de Fernando começou na infância e adolescência devido à sua magreza extrema e ao tamanho do seu nariz, o que o tornou alvo de bullying. Em vez de se esconder para sempre, ele descobriu que a melhor defesa era o ataque: ele abraçou os apelidos e começou a fazer piadas sobre si mesmo. Esse processo de autoaceitação através do humor tirou o peso dos “defeitos” e desarmou qualquer julgamento externo. No mundo dos negócios, aceite suas próprias falhas e rir delas humaniza sua marca e cria conexão imediata com o público.
“Quando você ri de você mesmo, é onde o autoconhecimento e a autoaceitação começam. Você começa a se entender, se aceitar e deixar mais leve, porque o humor tem essa potência de quebrar a tensão.”
2. A Terapia do Constrangimento Controlado
Para perder a vergonha de falar em público, Fernando criou um método inusitado: ele entrava em lojas e puxava conversas consultadas com desconhecidos, criando histórias fictícias apenas para exercitar a comunicação sob pressão. Essa “ensaio na vida real” dessensibilizava o cérebro dele em relação ao medo de ser rejeitado ou julgado por pessoas que nem o conheciam. É uma prova de que a comunicação é um músculo: quanto mais você se expõe a situações de desconforto controlado, mais natural se torna ligar uma câmera ou subir num palco.
“Eu entrava numa loja consultada e, super nervoso, com o coração acelerado, conhecido com pessoas solicitadas… A vida não tem roteiro. Então eu parava de pensar e fazia mais.”
3. A Diferença Entre o Palco e a Câmera
Muitos empresários lideram reuniões com dezenas de funcionários, mas trabalham completamente quando uma lente é apontada para eles. A câmera tem o poder de mudar a modulação da voz e drenar a energia da pessoa. A dica de Fernando é simples: suba o tom de voz. O celular é apenas um recorte de 10 segundos do seu dia; energia entregue, não tente sustentar um personagem engessado e lembre-se de que a régua da internet é baixa. Um pouco mais de animação já é suficiente para reter a atenção nos primeiros segundos.
“O friozinho na barriga só acaba quando a gente morre. E se você não tem, você já morreu… A câmera é como se fosse um frame da sua linha de tempo de vida. Você não tem que mudar o tom de voz para um personagem, tem que ser você mesmo, mas com mais energia.”
4. A Arte de Dar a “Desimportância”
O medo de gravar vídeos e se expor nas redes sociais está diretamente ligado ao ego: nós achamos que as pessoas vão parar suas vidas para nos julgar. A verdade libertadora é que todo mundo está ocupado demais julgando a si mesmo. Quando você compreende a “desimportância” do que os outros vão achar, você encontra a verdadeira paz interior para criar conteúdo autêntico, errar, aprender e transbordar o seu conhecimento para quem realmente quer ouvir.
“A gente tem que dar a devida desimportância. As pessoas não vão parar o tempo delas para poder te julgar, porque elas estão gastando o tempo delas julgando elas mesmas. Seja autêntico, a sua essência é o seu maior ativo.”
Conclusão: A grande lição que Fernando Sardinha nos deixa é que uma comunicação autêntica não exige perfeição gramatical ou uma postura robótica de autoridade. Exija que você faça as pazes com sua essência. Quando você para tentar agradar a todos e perder o medo do ridículo, sua mensagem finalmente alcança quem precisa dela.
Quer destravar sua comunicação e dar boas risadas com histórias de bastidores? Assista ao episódio completo agora mesmo!
