Empreendedorismo de Risco: Como Proteger sua Empresa de Furtos e Quase Falências com Leandro Montez | Além do CNPJ (EP #061)

Segurança Empresarial e a Vida Real do Empreendedorismo

Empreender no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Muitas vezes, a sua maior ameaça não vem da concorrência, mas sim da falta de segurança do próprio negócio. No episódio #061 do Além do CNPJ, recebemos Leandro Montez, um empreendedor de vida real (como gostamos de dizer) e especialista em segurança e monitoramento. Comandando uma operação que protege desde o pequeno varejo até gigantes do mercado, Leandro nos ensina como os ladrões agem, por que condomínios milionários falham no básico e, acima de tudo, como a resiliência após uma quase falência pode ser o verdadeiro divisor de águas na vida de um empresário.

1. O Jeito Certo de Investir em Segurança

Se você acha que investir em segurança é colocar um cadeado mais forte ou uma porta blindada, está pensando como o ladrão dos filmes antigos. Leandro alerta: o crime de hoje é tecnológico, cirúrgico e, quase sempre, baseado em “fita dada”. Investir em segurança eficiente significa entender a fragilidade do seu negócio e implementar tecnologias que quebram o ciclo da invasão. O reconhecimento facial, por exemplo, vai muito além de abrir uma catraca: ele fotografa a face de quem entra e pode, em segundos, cruzar dados com bancos policiais.

“Se você quer investir, invista em sistemas de controle facial e em processos de regras para entrar no prédio. Quanto mais sistema e dificuldade você colocar, mais fácil o ladrão desistir. […] Ele não entra pela porta da frente.”

2. O Atendimento de Excelência que Salva Negócios

No mercado de monitoramento e serviços, a grande dor do cliente é o atendimento raso, em que a empresa só aparece na hora de cobrar. Leandro construiu sua reputação com o oposto: um serviço consultivo e customizado que trata a dor do cliente como se fosse a dele. Seja uma lojinha de bairro ou uma megaoperação da Léo Madeiras, o time dele entra para conhecer os pontos cegos e fechar os gargalos, e o próprio dono não mede esforços para dar respostas instantâneas, mesmo de madrugada.

“A vida do cara tá ali dentro! Se um cara entrar numa lojinha e levar tudo, o dono não tem dinheiro para pagar as contas amanhã. Nós levamos muito a sério essa responsabilidade, porque ali você pode arruinar uma família.”

3. A Dor de Uma Quase Falência e a Sabedoria de Recomeçar

A vida de Leandro nem sempre foi só expansão e contratos com grandes marcas. Ele experimentou a “síndrome do toque de Midas” e a arrogância de quem achava que a receita seria eterna. Em 2016, sua empresa quebrou ao perder os maiores contratos de uma só vez (60% do faturamento). Ao invés de buscar culpados, ele assumiu a responsabilidade, cortou o padrão de vida de forma drástica, reestruturou os processos e abraçou a crise como uma escola. Em três anos, ele dobrou o faturamento que tinha antes da queda.

“O que faz a diferença é você reconhecer que a casa caiu. […] Foi o momento em que Deus começou a mudar a minha história. Porque ali eu literalmente fui pro fundo do poço, mas o melhor do fundo do poço é que você só tem que olhar para cima.”

4. A Falsa Sensação de Paz Baseada no Dinheiro

Quando a tempestade financeira finalmente passa, surge o perigo de o empreendedor achar que o dinheiro é a resposta para tudo. Leandro compartilha de forma genuína como, mesmo voltando a faturar muito alto, sentia uma lacuna interna de estresse e insatisfação. A verdadeira estabilidade dele chegou quando passou a colocar a fé, a família e os princípios acima do próprio negócio. Ele nos ensina que o dinheiro não muda seu caráter; ele apenas amplifica quem você já é.

“Quando você não tem dinheiro, todas as suas soluções você coloca no dinheiro. Mas quando você tem a grana, você descobre que nunca foi o dinheiro. Ele só amplifica aquilo que você é.”

Conclusão: A grande lição que Leandro nos deixa é que o sucesso de uma empresa, seja no combate ao roubo patrimonial ou na superação de uma crise de caixa, exige postura ativa. Não adianta terceirizar a culpa. Reconheça seus pontos cegos, seja proativo nas medidas de segurança da sua operação e, sobretudo, invista nas pessoas e no propósito que dão base ao seu império.

Quer aprender na prática as melhores estratégias de segurança e prevenção para sua empresa? Assista ao episódio completo agora mesmo!

Ler Transcrição Completa

Eu sempre falo: ladrão não tem cara. Hoje, como os caras estão roubando o condomínio? Você vai ver vídeos, chega lá um jovenzinho bonitinho, olho azul, loiro… O porteiro, mal treinado, deixa o cara entrar. “Minha tia mora aí”, não sei o quê. O cara toca a campainha, mexe, e entra. Aí eu chego com o carro para entrar, vou no apartamento tal, o porteiro interfona: “Ah, pode entrar”. Eu chego numa portaria e o cara fala: “Eu vou gastar tantos mil para colocar uma blindagem na portaria”. Eu falo: “Meu, você já viu algum caso em que a blindagem serviu para proteger o condomínio? Cara, não põe! A bazuca não vai explodir a cabine”. Roubaram um prédio perto da minha casa: entraram no carro! O cara burla o sistema. Invista em sistemas de controle facial, numa empresa que crie processos para você poder entrar no prédio com regras. O cara normalmente entra com “fita dada”. Quanto mais sistema você colocar, quanto mais dificuldade você colocar, mais fácil dele desistir. O mais fácil é o que eles escolhem.

Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, obrigado por estar aqui para trocar essa ideia com a gente. Antes de tudo, pare tudo o que você tá fazendo, pega uma cadeira e sente-se à mesa conosco pra gente trocar uma ideia de empreendedorismo vida real. Por que eu falo isso? Porque o que a gente faz aqui é bater papo de empreendedor para empreendedor sobre coisas que interessam ao nosso meio, à nossa vida, ao nosso dia a dia. São temas tão importantes pra gente gerar insight, trazer conhecimento e luz para essa jornada tão solitária que muitas vezes a gente vive.

E sabe por que eu tô muito feliz hoje? Porque eu sou um dos caras que valorizam muito o empreendedorismo vida real, esse é o slogan principal do Além do CNPJ. Eu sempre falo aqui: as pessoas mais interessantes que eu conheço, as pessoas mais inteligentes, os caras que são super legais para trazer e trocar uma ideia, são os que eu preciso convencer para trazer! Porque os caras normalmente não tão na rede social. As pessoas mais interessantes que eu conheço não têm nem perfil no Instagram aberto. São os melhores empreendedores, que muitas vezes eu falo: “Cara, a sua cabeça é um poço de conhecimento, traz pra internet”. E o cara diz: “De jeito nenhum”. Infelizmente, por conta das referências que a gente tem na internet, acabamos seguindo empreendedores que não são tão profundos, são rasos, mas fazem um bom marketing e levam os louros da fama.

Hoje eu tô com um cara que se tornou um brother, um amigo pessoal, e que eu conheci através da indicação do meu antigo sócio. Ele presta serviço pra gente. Nós o contratamos para fazer toda a parte de segurança, alarme, câmera e, principalmente — uma das coisas que eu sempre elogio no trabalho deles —, o monitoramento da empresa. Quando se trata de segurança, a primeira pessoa que eu penso é o Leandrão. O cara tem uma empresa super legal, é um cara low profile (estava nervoso aqui na minha frente, estalando os dedos). E essa é a pessoa com a qual a gente precisa trocar ideia: um cara que vive o empreendedorismo nos bastidores da vida dele, que muitas vezes não tá na internet justamente porque não tem o perfil de se expor. Esses são os caras mais interessantes. Leandro, muito obrigado, meu parceiro, por ter aceitado o convite. Muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia comigo, vai ser muito massa. Não fica nervoso que vai ser top, cara!

Eu que agradeço a honra de poder estar aqui. Te conheço desde que a sua empresa era uma pequenininha, uma portinha na garagem, e acompanhei todo o seu crescimento, e o crescimento do Além do CNPJ também. É incrível ver isso desde o comecinho.

Desde o comecinho, a gente conversava lá na empresa. Você me contava que começou num trabalho pequeno. É muito legal ver esse crescimento, não só da empresa, como na internet. Você acompanhou mesmo esse fenômeno, né? Mas tudo o que é verdade cresce, não tem jeito. É uma honra você estar aqui.

Tamo junto. Cara, primeiro de tudo, te admiro muito como empreendedor. Gosto muito do seu jeito de trabalhar e do trabalho que a sua empresa faz. A sua empresa é notável mesmo. E eu falo isso porque já passei por concorrentes gigantes seus, principalmente de monitoramento. Eu passei por aquela primeira, a ADT, e depois fui para aquela super famosa que tá todo mundo fazendo hoje, que tem a câmerazinha que “solta fumaça” (a Verisure). Puta que pariu, cara! Eu vou falar porque eu sou cliente; você não pode falar, mas eu posso. Que bosta de atendimento dessa turma! Tô falando com propriedade. Não é você falando, relaxa, sou eu falando. É minha opinião. Mas, puta que pariu, que inferno de atendimento! E quando a gente trabalha junto, é impressionante o nível do seu atendimento. Deixa eu te fazer uma pergunta séria, já para começar com polêmica: esse atendimento é só para mim ou é padrão?

Não, é padrão. É padrão mesmo.

Caraca, bicho! Porque é surreal. Às vezes eu até falo para a Raíssa: “Meu, deve ser personalizado pela amizade”. Mas é padrão! Isso é uma das coisas que a gente preza muito lá. O que a gente passa em treinamento pro pessoal é o seguinte: a gente ouve muito falar que o atendimento é o principal, que o cliente é o foco, mas quando a gente vai pra prática no mercado, você vai num shopping, você vai num restaurante, e são pouquíssimos os lugares em que você realmente é bem atendido. Eu tenho a consciência e falo isso para eles lá: nós não temos uma fábrica de dinheiro. Vivemos e pagamos as contas porque dependemos do recurso das pessoas e dos contratos. No monitoramento, em específico, coloco muito forte na cabeça deles: nós atendemos clientes que vão desde um pequeno comércio, uma lojinha de bala, até grandes redes. E ali vai muito mais do que um atendimento, porque é o comércio do cara, é a vida dele que tá ali dentro! Se um cara entrar numa lojinha de bala e levar tudo o que o cara tem, talvez ele não tenha dinheiro para pagar as contas no dia seguinte. Então a gente leva muito a sério essa responsabilidade, diferentemente de uma rede grande. Numa rede grande, o cara tem fluxo de caixa absurdo. O pequenininho não tem, a vida dele tá ali. Quando você coloca isso em prática no dia a dia, você traz essa responsabilidade para a equipe. Todos eles entendem que, para nós, desde a lojinha de bala até a grande rede, a importância é a mesma. Talvez até maior no pequeno, porque ali você pode arruinar um empresário, arruinar uma família e todo mundo que depende daquilo, um funcionário, um fornecedor.

É surreal o atendimento de vocês. Um exemplo: a gente tem o WhatsApp de vocês. Segundo: a gente sugeriu criar um grupo de WhatsApp, vocês toparam na hora. Quem tá nesse grupo? O pessoal da sua empresa que tem acesso aos alarmes e o pessoal da minha liderança mais alta. Cara, você manda mensagem às 3 horas da manhã! Quantas vezes, saindo de madrugada, eu mandei: “Vou sair agora. Vocês conseguem dar uma acompanhada?”. É instantânea a resposta. Não tô falando isso para puxar sardinha, não. Nunca teve um caso que demorassem dois minutos para responder. Em qualquer horário do dia ou da noite. Eu fico pensando: “Que pariu, cara! Não mija!”. É impressionante. “Boa noite, vai lá que a gente tá acompanhando nas câmeras. Fica à vontade. Qualquer coisa eu te aviso.” Você se sente seguro, sabe que tem gente te assistindo. Já teve um caso em que me senti inseguro. Estava à noite, só eu e a Raíssa, num feriado emendado. Comecei a escutar barulho. Liguei e falei: “Pessoal, tô assustado, acho que tem alguém aqui dentro”. Você achou alguma coisa nas câmeras? Eu falei: “Tô olhando, não tô vendo nada, mas sinto que tem alguém no telhado”. Foi quando aventamos a ideia de colocar câmera no telhado. Vocês disseram: “Você tá assustado? Vamos mandar alguém aí”. De repente, eu escuto um barulho de gente chegando. Deu uns cinco, seis minutos. Você falou que chegaram. Eu falei: “Não são eles, não deu nem tempo!”. Mas era a tua turma, cara. Falei: “Puta que pariu, surreal o nível de atendimento e a capilaridade que vocês têm de motoboys e viaturas”. De verdade, quero começar falando isso como um depoimento, porque quando a gente tá cortando gastos, olhando o DRE e pensando “onde vamos economizar”, a gente diz: “Aqui não mexe! Na segurança não dá para mexer, é o primeiro lugar que não tem como discutir”. Um privilégio trazer uma empresa com processos tão bem definidos e que funciona tão bem.

Mas antes de entrar nos processos da Prime e como ela funciona, como começou essa ideia? Você sempre quis empreender? Foi uma empresa de alguém que você assumiu? Como foi a concepção de tudo isso? Dá um overview pra gente de onde o Leandrinho veio.

Meu pai era funcionário público, policial civil. Minha mãe também funcionária pública, mas na área de escola. Eles se separaram muito cedo, eu e meu irmão vivíamos duas realidades. A família da minha mãe sempre teve uma condição muito boa, e a família do meu pai uma condição de média para baixo. Com o tempo, a família do meu pai começou a prosperar. O meu avô tinha muito dinheiro, morava em Moema, tinha aquelas lojas de móveis, mas os negócios acabaram indo mal e ele perdeu alguns imóveis. Vida empreendedora, né? A gente acha que chega num patamar e estabiliza, mas o mercado muda o tempo todo. Víamos os meus tios (por parte de pai) prosperando, então eu sempre tive essa vontade de crescer. Comecei a namorar a minha esposa muito cedo, com 15 anos. A gente sempre teve o sonho de ter casa e tudo mais.

Comecei a trabalhar em loja de shopping, foi onde conheci seus antigos sócios, o Leandro e o Johnny. Num dado momento, a loja foi vendida. Meu pai, que sempre foi pra frente, tinha um parceiro na polícia que era muito bem de vida e tinha entrado na polícia só “para brincar”. Ele era amigo dos donos da Droga Raia e Drogasil (há 18 anos). A gente viu uma oportunidade de prestar serviço de segurança nas portas de farmácia. Foi assim que a Prime começou: com segurança. Quando a loja em que eu trabalhava foi vendida, eu já tinha comprado o nosso apartamento e tínhamos uma dívida absurda. Eu precisava fazer algo. Meu pai e o sócio dele tavam com a empresa meio em paralelo; eles tinham só a Raia e Drogasil. Eu, meu irmão e mais três acabamos entrando, assumimos a empresa, pegamos empréstimo em banco, fizemos um monte de dívida e fomos fazer o negócio acontecer. Entraram cinco sócios. E hoje só sobrou eu!

A grande diferença da Prime é que nós entramos em todas as áreas em que atuamos hoje pela “porta dos fundos”, ao contrário do que o mercado faz. Estávamos numa área e os próprios clientes começaram a falar: “Olha, eu preciso de monitoramento, os serviços que tem por aí são uma porcaria. Preciso de serviço de portaria…”. O último serviço em que entramos foi o de limpeza, durante a pandemia, porque muitos clientes começaram a pedir. Como o nosso trabalho é bem feito, o cliente pedia para assumirmos. Antes de iniciar qualquer trabalho, eu sempre ia entender as dores operacionais.

Esse ano, começamos a trabalhar com portaria virtual. Já existia há alguns anos, mas eu tenho muito forte na minha cabeça que não é só ganhar dinheiro, eu quero paz. Não quero mais aquela maluquice de fazer negócio a qualquer custo, com cliente te infernizando. Quando você vai ganhando experiência, as coisas mudam. Em 2016, tive um momento muito difícil: perdemos os contratos com a Raia e a Drogasil. Nós atuávamos há mais de 10 anos com eles. A empresa foi vendida, entraram novos CEOs, as duas empresas se fundiram e cancelaram nossos contratos ao mesmo tempo. Na época, eles representavam uns 60% do meu faturamento.

Pera aí, só um exemplo. Você faturava 10.000, perdeu a Raia/Drogasil e foi para 4.000. Certo? E de lá pra cá?

Tecnicamente nós quebramos naquela época. A gente era muito novo, tudo era novo, moleque só fazia “caraca”. Foi um momento bem difícil, em 2016. Na época a gente já tava começando a trabalhar juntos (você e eu), e nosso monitoramento ainda era pequeno. Mas aquele momento foi um divisor de águas na minha vida. Eu fui literalmente para o fundo do poço. A vida que a gente tinha era excelente, com viagens internacionais e carros zero. Ali, eu vejo que Deus começou a mudar a minha história. Eu comecei a me preocupar com atendimento, com processos, e a me melhorar como pessoa. Como eu era muito novo e a gente teve muito sucesso rápido, a arrogância subiu à cabeça. A gente achava que era melhor que todo mundo. Deus nos deu habilidades, o dinheiro veio, mas o caminho estava errado. O mesmo Deus que dá, tira. E quando tira, Ele põe uma porta ali e diz: “Não te fiz para isso, vamos começar do zero”. Só que recomeçar do zero é sempre muito mais difícil, até pelo orgulho.

Como foi isso na vida real? Você estava benzão de vida. E de repente, o negócio baixa o padrão da família em casa. Baixar o padrão de vida na empresa é uma coisa (cortar gente, diminuir contratos), mas quando isso transborda em casa, é duro. Transborda pra sociedade, o pessoal vê que você tá mal das pernas e começa a falar: “Ah, eu sempre achei que esse sucesso não duraria”. Como você lidou com isso e segurou a cabeça nesse momento?

Foi muito difícil no primeiro momento. Mas eu acho que o que faz a diferença é você reconhecer que a casa caiu. Muitos empresários hoje não entendem que a casa caiu e continuam andando pelo caminho errado, pedalando. Naquele momento, eu comecei a buscar treinamento e informação. Eu escutava muito o Geraldo Rufino. Ele falava: “Eu quebrei sete vezes. Fui para o fundo do poço, e o melhor do fundo do poço é que você só tem que olhar para cima”. Ele foi meu mentor sem nem saber. Comecei a buscar os erros em mim. As pessoas normalmente querem culpar o mundo: “É culpa do governo, é culpa do fulano”. Eu entendi que era culpa minha. Se eu tivesse guardado mais dinheiro, se eu tivesse pulverizado a carteira de clientes, eu não estaria ali.

Eu não me culpei de forma autodestrutiva, porque eu não tive uma escola de gestão; eu aprendi vivendo. Hoje entendo que foi um tratamento de Deus para nos levar para o caminho certo. E a partir de então, eu dizia: “Nós vamos dobrar o faturamento que a gente tinha antes!”. Trabalhamos, trabalhamos, e em 2019 nós dobramos o faturamento de quando havíamos perdido os maiores contratos. Em três anos! Só que aí, em 2020, veio a beleza da pandemia.

O que eu fiz na parte financeira foi muito claro: cheguei para a minha esposa e falei: “A casa caiu. Precisamos de ajuda”. Tenho uma esposa incrível que abraçou a causa. Reduzimos os custos, tiramos a empregada de casa, trocamos o carro top por um carro popular. Quero parabenizar vocês dois, porque vejo tanto empreendedor que precisa fazer isso e não faz. O cara vai se afundando cada vez mais pelo orgulho, pensando “o que as pessoas vão pensar?”. Teve um período que nós andávamos com os carros velhos, ralados e batidos da operação. Eu uso até hoje se precisar. A questão do orgulho é fundamental para a pessoa perseverar. Muita gente até esconde da mulher, não conta para ninguém e sofre sozinho. Nós abraçamos a causa: viagens frequentes acabaram, saídas para restaurantes diminuíram. Dói, baixar padrão de vida dói muito. Se você nunca foi na Disney, não tem ideia do que é. Mas quando você ia e diz que não vai voltar, é dolorido.

Em 2020, nós já estávamos bem e bombando no mercado, mas a pandemia virou um caos. Ninguém sabia o que ia acontecer. O meu telefone não parava de tocar, todo mundo querendo saber como ia ser a segurança naquele período. Se três funcionários pegassem Covid? O que aconteceria se a loja fosse assaltada com tudo fechado? Eu tentei manter a calma. Sou um cara calmo por fora, mas por dentro é um turbilhão. Quando eu explodo, sai de baixo!

Eu sempre acreditei muito em Deus, mas era só aquele negócio superficial do “se Deus quiser”, que todo mundo fala. Na pandemia, eu tive clientes enormes que abriram falência e não pagaram. Uma rede famosa de patinetes e bicicletas quebrou, entrou em recuperação judicial e me deu o cano. Eu tinha mais de 100 funcionários na operação deles, fazendo rastreamento e logística de resgate de bikes nas ruas (da Faria Lima, da Yellow). E aí pensei: “Não vou pagar ninguém, vou dar um calote e jogar os funcionários pra Justiça para ganhar tempo”. Mas eu não conseguia dormir com isso, imaginando a família dos caras sem receber no meio da pandemia, quando não tinha para onde ir e ninguém na rua para pedir ajuda. Paguei os funcionários porque eu tinha dinheiro em caixa, mas aquilo me deixou perturbado.

Em 2021, minha esposa estava surtada com a pandemia, com medo de sairmos e pegarmos a doença por causa das crianças que tinham problemas respiratórios. Eu não gosto de home office, preciso sair, e a tensão era grande. Quando ela quis voltar para a igreja (de onde estava afastada há mais de 20 anos), eu fui com ela, mesmo com muito preconceito (eu era o cara arrogante que dizia “eu sem igreja sou melhor que esses caras”). Fui com o coração aberto para ver. Comecei a ter experiências sobrenaturais e a minha vida mudou. A igreja tem um papel importante, embora existam igrejas boas e ruins, assim como policiais e empresários.

O principal foi buscar Jesus: “Me ajuda aí, faz algo novo na minha vida”. Comecei a ter uma paz que excede todo o entendimento. Eu não dormia, era estressado e maluco. E passei a ter paz no meio do caos porque eu sabia que Ele estava cuidando de mim. Recebi uma palavra forte sobre a “viúva pobre” da Bíblia, que deu as duas últimas moedinhas como oferta a Deus, enquanto os ricos davam o que sobrava. Jesus perguntou: “Quem deu mais?”. A viúva, porque deu o seu melhor. Senti Deus falando comigo: “Você quer o melhor das coisas, mas você não dá o melhor para a sua esposa, para os seus filhos e para os seus funcionários. Seu funcionário tá sentado numa cadeira velha e você quer o melhor dele para o seu cliente?”. A partir daquele momento, passei a entregar o meu melhor. O meu melhor pode ser diferente do seu, mas se você dá o que tem de melhor, tudo começa a acontecer. A partir de então, vi clientes (que nem sabiam da minha empresa) fecharem contratos gigantescos só porque gostaram da minha “cara” e da minha sinceridade. Começou o favor de Deus.

E quando a gente erra, eu assumo: “O erro é nosso, vamos consertar”. Eu sou muito operacional. Sei ficar na portaria, na portaria virtual, eu gosto de vivenciar os processos. O primeiro condomínio que fechamos a portaria virtual, eu fiquei lá umas 13 horas para aprender a operar. Hoje eu chego num condomínio com autoridade para falar de dores e resoluções. Sei como o operador recebe o chamado e como o cliente entende.

Um exemplo dessa presença foi na rede Leo Madeiras. Quando nós entramos lá, o prejuízo anual por furtos era absurdo. O que os caras faziam? Iam no sábado ao meio-dia, cortavam a energia elétrica da loja. As baterias dos alarmes duram de 6 a 10 horas. No domingo eles voltavam e limpavam a loja. Quando o pessoal chegava na segunda-feira, a loja estava vazia. O meu diferencial: eu visitei todas as lojas com o responsável na época, fizemos um levantamento de vulnerabilidades. Colocamos o dobro de baterias no sistema e mudamos o protocolo: cortou a energia, uma viatura já vai pra porta da loja. O resultado? No primeiro ano caíram as tentativas de furto, no segundo foram só duas, e no terceiro já não tinha mais. Fazer vistoria em loco é fundamental.

Os ladrões de hoje não entram pela porta da frente da Léo Madeiras. Entram pelo telhado, cortam a energia. Lembra quando cortaram a energia da sua empresa, Felipe, num feriado? Eu te liguei avisando que a energia tinha sido cortada e que isso era tática de ladrão. Você duvidou. Mandei meu cara lá e as câmeras mostraram que os bandidos estavam subindo. Nós colocamos um segurança armado dentro da sua empresa até você chegar! É esse tipo de atendimento personalizado que a gente faz. E isso é para qualquer tamanho de negócio.

As empresas concorrentes são meio prostitutas: o cara quer te arrancar mais 50, 100 reais para fazer o mínimo e acaba cortando a segurança num momento de crise. Eu vou ao cliente, não vendo “kit básico de dois sensores”. Se o galpão tem 2.600 metros quadrados e várias entradas, o ladrão não vai usar a porta da frente. Tivemos um caso que havia uma obra ao lado da farmácia. À noite, os bandidos pularam a obra, usaram um martelo e abriram um buraco na parede do fundo da farmácia. O alarme disparou, a viatura foi, olhou a frente e achou que estava tudo bem. O gerente não quis liberar o acesso e os caras roubaram. Mas nós aprendemos: o ladrão entrou pelo buraco e estourou o rack de energia, a câmera caiu e fomos investigar o método. Hoje blindamos isso.

Ladrão não é besta. Eles estudam o local e sabem se tem câmera, se o segurança tá armado, onde fica o cofre. Se a farmácia não tem proteção forte, vira um caixa eletrônico fácil de arrombar, roubar remédio tarja preta e gilete. Hoje investem uma fortuna com segurança pra proteger gilete à noite. Às vezes o custo do segurança é maior que o furto. Colocar um sensor pro lado de fora que dispare na calçada e já espante o ladrão resolve melhor e mais barato. A ignorância e a falta de zelo das empresas com segurança é enorme.

Quando entro num condomínio e o síndico me diz que vai gastar uma fortuna com “portaria blindada”, eu pergunto: “Você acha que alguém vai entrar de bazuca aqui?”. Os ladrões entram com fita dada! Rendem o morador lá fora ou burlam o porteiro se passando por parente. Quando chegam no apartamento, mixam a porta, entram, roubam, botam tudo no carro da vítima e o porteiro ainda libera a saída achando que é o dono. Um sistema de reconhecimento facial, que bloqueia o acesso ao elevador de quem não está cadastrado, é mil vezes mais seguro que uma portaria blindada. O facial fotografa de frente, diferentemente das câmeras de teto que só pegam o boné do cara. Com a tecnologia de hoje, você joga a foto no sistema da polícia e pega o indivíduo em segundos. Mas a maioria dos síndicos não gasta com software de gestão, preferem reformar a piscina pra fazer cena.

A segurança no Brasil é um reflexo da própria sociedade. Os moradores querem comodidade máxima (liberar parente sem anunciar, receber dezenas de encomendas da Amazon no mesmo dia e exigir que o porteiro organize tudo). O porteiro fica sobrecarregado, com medo de tomar esporro se barrar a entrada da mãe do morador. E no meio dessa bagunça, o condomínio de luxo em Alphaville, com cobertura de 6 milhões, aprova aluguel para uma quadrilha que monta uma refinaria de drogas lá dentro! O crime de hoje não tem cara de bandido estereotipado. É um cara bem arrumado pagando aluguel no Itaim Bibi, que entra no domingo de manhã com um contrato falso e limpa todos os notebooks do andar. Por isso que, como regra inegociável da nossa empresa, todo prestador de serviços tem que entregar o RG original. O crachá da Claro eu imprimo na internet e falsifico, mas o ladrão não entrega a documentação dele para o porteiro, senão é pego na hora.

Tudo isso nos trouxe um crescimento forte. A empresa que quebrou em 2016 e faturava um valor X hoje fatura o triplo do que era na época das grandes redes de farmácia. Foi sorte? Foi Deus e muito trabalho e persistência. Tem a parte de Deus e a parte conosco. Orar significa conversar com Deus, mas também significa AÇÃO. Não adianta orar pedindo prosperidade se você rouba e maltrata seus clientes e funcionários. Mas a fé te dá resiliência. As melhores coisas que aconteceram na minha vida foram depois dos piores momentos. A vida com Deus é como um videogame: quando você chega no chefão, fica muito difícil, porque a próxima fase vai para outro nível de bênção. O problema é que a maioria morre no chefão e desiste. A fé é enxergar o que não existe ainda.

Papo sensacional, Leandro. O tempo já passou voando. Antes de irmos para a pergunta final, vou agradecer aos patrocinadores que acreditam no Além do CNPJ e investem para que esse audiovisual e conteúdo de alta qualidade chegue gratuitamente à internet: CMC Displays (soluções criativas em expositores para PDV), SMB Store (sistema de gestão de estoque, vendas e financeiro para PMEs), Agência RPL (marketing digital, tráfego e sites com visão de dono), WJR Consulting (planilhas e consultoria financeira descomplicada para PMEs), Nova Depósito de Materiais para Construção (atendimento impecável para a sua obra), Avante (excelência e suporte total em segurança do trabalho e medicina ocupacional para empresas), Inspira Capital (o BPO Financeiro e folha de pagamento por assinatura que vai salvar o seu fluxo de caixa), Polux (planejamento e gestão tributária para não deixar dinheiro na mesa) e Max Service Contabilidade (do Simples ao Lucro Real, assessorando a gestão do seu negócio). Se você é empresário e tem uma dor, pode ter certeza que alguma dessas empresas resolve seu problema.

Leandro, você tá com quantos anos agora? 38. Bato na madeira aqui, mas se por acaso você bater o carro voltando para casa e piscar os olhos e Deus disser: “Missão cumprida”. Qual seria o seu ensinamento final, suas últimas palavras que você deixaria para a humanidade e para os empreendedores?

Eu deixaria a mensagem: busquem viver uma experiência com Deus e com Jesus. Isso transforma realmente. Eu já tentei achar a paz em muitas coisas e nunca consegui. Quando entreguei minha vida, a paz que excede todo entendimento mudou minha relação com o trabalho, com a minha esposa, com os meus filhos. Isso equilibra a vida e não tem a ver com “não ter problemas”. Jesus disse que no mundo teríamos aflições, mas teríamos bom ânimo. Dinheiro não traz essa paz; dinheiro só amplifica aquilo que você já é. Se você for ruim, vai ser pior. Se for bom, vai ajudar muito mais gente. O sucesso não é quanto de dinheiro você tem no banco, mas quanto você impacta positivamente a vida das pessoas ao seu redor e dos seus funcionários. Deixe um legado e um exemplo real.

Excelente. Muito obrigado por acompanhar, pessoal. Compartilhem, comentem, cliquem nos botões e enviem esse episódio para quem precisa assistir a essa verdadeira aula de empreendedorismo sem mimimi. Acompanhem também a Jurídico GF e até a próxima. Valeu!

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *