Neurociência, Inteligência Artificial e Liderança com Ronaldo Von | Além do CNPJ (EP #156)

A Evolução da Gestão: Entre a Democracia Empresarial e a Inteligência Artificial

Você já parou para pensar se a sua empresa está se tornando uma democracia onde o excesso de controle sufoca a produtividade? No episódio mais recente do Além do CNPJ, estreamos nosso novo estúdio em São Paulo com uma conversa que vai do chão de fábrica até o futuro dos algoritmos. Com a presença de Ronaldo Von, um executivo de carreira brilhante e um profundo estudioso da neurociência e filosofia, além do co-host Gabriel Cassola, CEO da Multipainel, mergulhamos nos bastidores do empreendedorismo real. Debatemos como processos mal implementados podem virar burocracia inútil e como a Inteligência Artificial (IA) já deixou de ser “modinha” para se tornar o diferencial competitivo de quem vai sobreviver no mercado.

1. A Armadilha da Burocracia: Quando o Controle Vira Democracia

Um dos maiores erros do empreendedor que começa a escalar o seu negócio é achar que precisa criar uma planilha para cada respiração da equipe. A máxima discutida no episódio é clara: se um processo foi deixado de lado por uma semana e ninguém sentiu falta, ele era inútil. A gestão eficaz não é criar “democracias” onde cada passo é questionado ou engessado por regras sem sentido, mas sim simplificar. A água do rio nunca escolhe o caminho mais difícil. Processos precisam ser enxutos para garantir que a equipe foque no que realmente importa: vender e entregar valor.

“Se de fato algo foi deixado de ser feito e ninguém sentiu falta por uma semana, um mês… para quem que ele tava fazendo? É mania de controle. Às vezes a pessoa quer 1000 planilhas para poder analisar alguma coisa e aquilo de fato não faz sentido.”

2. A Inteligência Artificial Não é Mais Opcional

O medo de ser substituído pela Inteligência Artificial é real, mas o verdadeiro perigo não é a máquina roubar o seu emprego; é o seu concorrente usar a máquina para ser dez vezes mais rápido e barato que você. O episódio destaca que a IA não é uma onda passageira. Ela afeta diretamente o meio da pirâmide (advogados, contadores, médicos, administradores) e exige uma reinvenção imediata. Usar o ChatGPT e “Agentes de IA” para analisar relatórios financeiros (DRE), otimizar rotas logísticas e montar propostas comerciais já é uma realidade prática. Quem ignorar isso vai bater a cabeça na parede.

“Vai ter dois tipos de pessoa: a pessoa que vai contra a correnteza e a gente já sabe o resultado disso; e a pessoa que vai usar a IA para potencializar seus resultados. […] Ficar batendo a cabeça na parede pensando que isso daí é mais uma modinha… vai de fato quebrar, cara. Vai se encontrar atrasado.”

3. O Peso do Legado e a Busca pela Própria Identidade

Ronaldo Von trouxe uma perspectiva única sobre o peso das expectativas. Ser filho de uma figura pública consagrada (o artista Ronnie Von) trouxe privilégios, mas também uma pressão avassaladora por perfeição. Qualquer erro seu refletiria na imagem do pai. Essa dinâmica o empurrou para o mundo corporativo e financeiro, longe dos holofotes artísticos, onde ele pôde construir sua própria identidade e credibilidade. A lição que fica é a importância de traçar o próprio caminho e não se deixar paralisar pela necessidade de agradar ou pela falsa vida perfeita que as redes sociais tentam impor.

“A minha vida, aliás, eu deixei de viver muito da minha vida de verdade, porque eu tava sempre muito preocupado com o que os outros vão achar. […] Quando você tem um compromisso com os teus princípios e valores mais absolutos, acabou, cara.”

4. O Equilíbrio Entre o “Memento Mori” e o “Carpe Diem”

O episódio encerra com uma reflexão filosófica profunda. O empreendedorismo, no final das contas, é feito de pessoas. E as pessoas são finitas. Lembrar que a morte é inevitável (“Memento Mori”) não deve ser motivo de tristeza, mas um alerta para viver o presente com intensidade e propósito (“Carpe Diem”). Não importa se você lidera três ou três mil funcionários; o que define o sucesso é se você está entregando o seu melhor com honestidade e construindo relações de confiança (técnica e moral) que sustentem a sua jornada.

“No fundo a gente, a vida não é para nós, né? A vida é para aqueles que você deixa, que você toca de alguma maneira. […] Seja no que for, entregue o seu melhor, porque eu acho que é um compromisso que você tem com você.”

Conclusão: A tecnologia avança, as metodologias de gestão mudam, mas a essência dos negócios continua a mesma: resolver problemas reais com integridade e coragem. Se você está empreendendo, não lute contra a correnteza. Abrace as novas ferramentas, simplifique seus processos, corte a burocracia e, acima de tudo, não se esqueça de viver o agora. Afinal, a vida é a sua maior empresa, e você é o único CEO capaz de geri-la.

Ler Transcrição Completa

Começou a virar democracia e, depois que a empresa vira uma democracia, ferrou. Então, se de fato algo foi deixado de ser feito e ninguém sentiu falta por uma semana, um mês, para quem ele estava fazendo? É mania de controle. Às vezes a pessoa quer 1000 planilhas para poder analisar alguma coisa e aquilo, de fato, não faz sentido. E vai ter dois tipos de pessoa: a pessoa que vai contra a correnteza — e a gente já sabe o resultado disso —, e a pessoa que vai usar a IA para potencializar seus resultados. Tem gente que acha que talvez esse discurso seja grandioso ou radical demais, mas é porque de fato é. Ficar batendo a cabeça na parede pensando que isso daí é mais uma modinha que vai passar, depois vai de fato quebrar, cara. Vai se encontrar atrasado.

Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia com a gente. Meu, vamos começar já apresentando esse estúdio. Olha que coisa linda essa estrutura. É uma estrutura aqui em São Paulo. Antigamente, a gente estava gravando todos os podcasts lá em Santo André, no estúdio de um amigo meu, o Rodrigão, brother máximo. E para ele não estava fazendo mais sentido a estrutura do podcast porque ele tá voando, tá fazendo trampo em Nova York e tudo mais, e tá tendo uma demanda muito grande por equipamentos. Então para ele não fazia sentido. E para mim também já estava ficando difícil o deslocamento dos convidados lá pro ABC. Por mais que quem conheça São Paulo saiba que o ABC é super pertinho, ficava difícil, porque, dependendo do horário que se grava, é um trânsito absurdo para chegar lá. Então agora a gente tá inaugurando o estúdio aqui em São Paulo.

O convidado de hoje já veio no podcast, já veio trocar ideia sobre empreendedorismo. É um cara que eu conheço muito bem. É um cara que, além de meu sócio, é meu irmão caçula. E tá aqui pra gente trocar essa ideia sobre um tema que é muito legal e bem importante de abordarmos agora, porque muita gente tá sendo bombardeada por informações referentes a isso, mas muitas vezes não sabe necessariamente como pegar tudo isso e trazer para a prática aplicada ao negócio. É uma das coisas que a gente tem discutido e conversado muito lá na empresa: como conseguir trazer toda essa enxurrada de informações do mundo todo para a realidade. A gente tá falando de Inteligência Artificial.

Esse é um dos temas que a gente vai abordar. A gente vai devagar aqui, vamos conversar e falar sobre o futuro, claro, dentro da nossa opinião e do que a gente tá fazendo na empresa. Esse é um dos podcasts que vai iniciar o tema IA, porque a gente já tá organizando uma mesa com quatro especialistas. Na verdade, eu e mais três especialistas de IA, onde estaremos trocando ideias. Vai ser uma mesa redonda para a gente conseguir debater o futuro da inteligência artificial com a galera que tá pegando esse assunto no colo e puxando o mercado brasileiro. Então, tô aqui com Gabriel Bernet Cassola, meu irmãozinho.

Valeu, Felipe. Obrigado pelo convite. Tudo certo?

Tudo certo. O Gabriel tá nervoso porque foi pego de surpresa. Falei: “Gabriel, bora lá gravar comigo, vai ser uma baita experiência legal”. É um rapaz que tá com a inteligência artificial no colo, é algo que ele tá estudando quase todo dia. Mas antes da gente entrar no tema de Inteligência Artificial, eu queria trazer um pouco das dificuldades que a gente tá tendo na empresa e como estamos transformando essa dificuldade em oportunidade através da Inteligência Artificial. E também trazer para a mesa uma espécie de reunião de sócios que fazemos lá na empresa, falando sobre as dificuldades pro futuro.

Para quem quiser conhecer a história do Gabriel, como ele chegou até aqui e a sua trajetória, na descrição do vídeo tem o link do primeiro episódio do qual ele participou. É um dos vídeos mais bem avaliados da gente, demos uma aula de processo. O Gabriel é mestre em processo, foi o guardião da empresa por muito tempo nisso. Então a primeira participação dele foi praticamente uma aula prática sobre como implementar processos na empresa. Mas, Gabriel, primeiro se apresenta de forma breve: quem é você, o que você faz, em qual empresa atua. Dá um overview.

Beleza, vamos lá. Como o Felipe falou, eu tô um pouco nervoso, porque quando ele me convidou para vir falar de IA, eu comentei que é um assunto que ainda tô estudando. Sou entusiasta, adoro o assunto, estudo todo dia, faço curso após curso, vejo vídeos. Mas não é um assunto que eu sinta que domino totalmente como um expert, e eu gosto de ter essa segurança. Mas ele falou que é pra gente trocar ideia, falar do que já fizemos até agora e quais são os próximos passos. Meu nome é Gabriel, sou irmão do Felipe e sócio dele. Trabalho na Multipainel (dentro do Grupo Success). Atualmente sou o CEO lá, gerencio toda a parte operacional, comercial e estratégica. Ultimamente, também tenho feito esse trabalho de estudar IA pra gente entender como esse universo recente funciona e implementar isso na empresa. Já estamos fazendo bastante coisa que vamos discutir. Fiquei feliz com os feedbacks do primeiro episódio que fizemos. Gostei de ver que o que conversamos de fato ajudou o pessoal, pois vejo que muito empreendedor sofre na mão da implementação de processos e em ter previsibilidade do que tem que ser feito.

É um podcast diferente dos demais, até pelo jeito que a gente levou. É uma espécie de curso. Novamente, quem tiver dificuldade com processos na empresa, o episódio está aqui embaixo. A gente fez uma aula específica. E é um podcast que dá visualização até hoje. Normalmente um podcast dá aquele “boom” logo que vai pro ar, mas depois cai no esquecimento. Mas pelo tipo do conteúdo que a gente postou, ele responde à busca orgânica (“como implementar processo”, “como melhorar os processos”). São assuntos constantes.

O Gabriel começou na empresa com 15 anos. Hoje ele tem 25. Faz 10 anos que ele tá lá. Coloquei para trabalhar mesmo, trabalho de menor, mas foi para moldar o caráter dele através de vários ensinamentos. Ele passou por todos os setores: começou na fábrica, subiu para vendas, navegou em tudo. Chegou um momento em que ele já era líder operacional, supervisor, encarregado. Foi subindo. Até que outros negócios foram surgindo no nosso grupo (eu sou o CEO em outra empresa do grupo também). Falei: “Gabriel, acho que você já tá em condições de assumir”. Meu foco estava dividido. O Gabriel assumiu a diretoria da Multi e foi surpreendente a previsibilidade que ele trouxe.

A empresa já tinha processos bem definidos e uma cultura muito forte. Hoje é um grande exemplo, é difícil uma empresa do nosso tamanho e ramo ter uma cultura tão forte. Só que a parte estratégica eu não estava conseguindo focar por estar com os braços divididos. O Gabriel assumiu e conseguiu trazer previsibilidade de resultado. Tínhamos meses em que faturávamos muito e outros pouco. O Gabriel mudou todo o sistema de metas, melhorou a eficiência operacional e reduziu custos. Ele não só manteve o faturamento estável e o aumentou, como reduziu a linha do custo, fazendo o nosso EBITDA ficar previsível e muito maior.

Isso mostra como uma gestão próxima do negócio faz com que as coisas funcionem. Fiz uma gestão bastante cuidadosa, principalmente na parte de economia para injetar direto no lucro, renegociando com fornecedores e trocando matéria-prima. E é legal porque nós somos extremamente diferentes. Temos valores parecidos, mas jeitos diferentes. Sou um cara comercial, troco ideia sobre um assunto que não domino tanto e fico tranquilo. O Gabriel, se não domina o assunto a nível de especialista, fica apreensivo porque é muito metódico. Eu falo pra ele que não precisa ser “faixa preta” para ensinar um “faixa branca”; um faixa marrom ou azul já ensina. Por isso ele tá nervoso para falar de IA. Mas conhecendo o nível do mercado, o Gabriel está muitíssimo avançado.

Sobre a IA, tenho sim conhecimento, consigo fazer bastante coisa. Estou vendo aula todo dia, criei contas para seguir especificamente o assunto. Estou me aprofundando e acredito estar acima da média. Mas não me intitulo um expert.

Hoje temos um grupo com algumas empresas. Numa delas, o Gabriel é o CEO, cuida da parte operacional. Eu participo mais na análise de resultados mensais e no conselho. Uma das coisas que o Gabriel fez foi a implementação de vários sistemas de metas. A gente tem uma venda mais passiva (investimos forte na internet para os leads chegarem). Você trabalhou com várias formas de meta, e eu gostei porque o time engajou de fato. Criou até os “MPS”, que são pontos. Dá um overview de como você faz o sistema de metas na Multipainel.

Na Multipainel há diferentes frentes que queríamos que os vendedores focassem. Além da meta principal de vendas, criamos outras menores para agregar. A meta principal é individual: quanto mais eles vendem, maior a porcentagem que recebem. Separamos em duas frentes: vendas passivas (leads que chegaram ou clientes da casa) e prospecção (que no nosso ramo é mais difícil, então a porcentagem é maior). Temos dez classificações de meta. Na Meta 1, tem uma porcentagem para as vendas. Conforme sobe na escadinha (Meta 2, 3, até 10), a porcentagem sobe para todas as vendas do mês inteiro, de forma retroativa.

Para influenciar o espírito de equipe e evitar que fossem apenas competitivos como adversários, temos a meta coletiva. É um valor que eles recebem de acordo com as vendas somadas de todos. Não é porcentagem, são valores fixados (ex: R$ 100, R$ 150) que vão subindo conforme batem patamares. O nosso ticket médio é de uns R$ 2.500. Não é um ramo para “estourar” de ganhar dinheiro com comissão altíssima, mas dá uma boa comissão. Baseado na meta coletiva, o vendedor que melhor performar ganha um bônus extra de “melhor vendedor”.

Além disso, criei metas para focar em outras coisas importantes. Por exemplo, eles tinham que vender vidros e também os acessórios (canetas, suportes). Eu percebia que focavam muito no vidro e deixavam os acessórios de lado, sendo que a lucratividade é ótima. Criamos um sistema de comissão à parte só para esses itens adicionais, com três níveis. Na primeira meta (ex: mínimo de R$ 800 em acessórios), a porcentagem que eles ganham (5%) é convertida numa pontuação chamada “MPS” (Moeda Multipainel). Na segunda meta, a porcentagem sobe, mas ainda em pontos. Só a partir da terceira meta eles mantêm a pontuação e também convertem uma parte em dinheiro.

Para que servem os pontos MPS? Para prêmios em formato de experiências. Eles podem trocar por um dia de folga (embora raramente troquem porque querem vender mais), ajuda de custo para reserva de hotel, e produtos de permutas que temos na empresa (cestas, jantares). Não abrimos mão de que, até a meta 3, a recompensa seja em experiência e não em dinheiro.

Outra coisa que não existia antes foi a solução para os vidros personalizados que retornavam por algum motivo (erro de projeto, abandono) e ficavam parados no estoque obsoleto. Eu criei um sistema de metas muito parecido para empurrar esse estoque. São oito metas. Eles ganham um valor por metro quadrado vendido do estoque personalizado. Conforme sobem a escadinha, o valor aumenta (R$ 5, R$ 7, R$ 10). Demorou um pouquinho para engrenar, mas depois estourou. Teve mês que saiu mais de 100 metros quadrados (antes não passava de 10). Secou o nosso estoque obsoleto.

Porém, um ponto de atenção: ao colocar estímulos demais (vender o principal, vender acessórios, vender estoque parado), o time pode ficar mal-acostumado. Tive uma fase em que desliguei dois de quatro vendedores e girei a equipe porque eles começaram a barganhar demais sobre os percentuais da meta. A empresa não pode virar uma democracia onde a equipe decide as metas. É preciso pulso firme. Tem até a premiação do Sino: para vendas acima de R$ 10.000 tocam o sino pequeno; acima de R$ 20.000 tocam o sino grande. E tiram um prêmio em dinheiro sorteado de um saquinho. É um sistema super simples e criou uma dinâmica muito boa.

Na nossa outra empresa, a CEV (focada na construção civil), o ticket médio é de R$ 250.000. Lá a dinâmica é diferente, a venda demora dias para fazer orçamento de planta. Lá não temos o sistema de sinos ou meta coletiva, é mais individual. Temos nove metas lá, com a diferença de R$ 150.000 entre elas. O “checkpoint” (meta zero) é o que o cara tem que vender para “se pagar”. A empresa existe para dar lucro, então se o vendedor só bate o checkpoint, ele não ganha bônus. Como a diferença entre as metas na CEV é curta, faltando um dia útil para fechar o mês, o vendedor corre desesperado no Pipedrive (CRM) para converter mais um cliente e pular de meta, ganhando muito mais no comissionamento de todas as vendas do mês.

Mas vamos focar na Inteligência Artificial, que é o tema principal. Como está sendo a implementação da IA na nossa empresa? Deu trabalho forçar as pessoas a usarem, assim como foi difícil fazer a galera usar o Waze antigamente. Como foi a ideia e o processo?

Está sendo muito da hora. Eu adoro esse universo de IA, que até pouco tempo atrás eu ignorava a existência. Estourou a bolha com o ChatGPT e fui entender o que estava acontecendo. Como muita gente diz, estamos passando por uma fase na história da humanidade comparável (ou até maior) à criação da internet. A evolução tecnológica aumenta exponencialmente. Da invenção da IA há pouco tempo até hoje, a evolução das imagens, vídeos e textos é maluca.

Na empresa, o primeiro passo foi um trabalho individual com o ChatGPT. Mostrei para todos como usar no dia a dia. “Precisa ler e resumir um contrato? Coloca aqui. A IA consegue processar dados, prever palavras e criar soluções”. A equipe começou a usar e deu certo, estão com o GPT salvo nos favoritos.

Depois, assinamos o GPT Plus e comecei a criar IAs (GPTs customizados) para ajudar no agendamento logístico. Expliquei para a IA como a nossa logística faz a programação de rotas, como manda por escrito para a fábrica, e enviei vários exemplos de texto. Treinei e entreguei para o rapaz da logística: “Comece a usar e dê feedback para a IA”. O resultado foi da hora. A IA atua como um funcionário que automatiza processos operacionais. O nome é Inteligência Artificial porque ela realmente é inteligente. A IA já tem o conhecimento da internet, você só precisa dar o contexto da sua empresa para ela condensar as informações. Se ela erra na rota, o funcionário a corrige, e ela aprende (embora haja o fator de “alucinação”, onde a IA pode falar algo sem contexto).

Sabemos que a IA vai substituir muitos empregos. Toda revolução econômica afeta empregos. A Revolução Industrial substituiu o trabalho manual por robôs; a IA afeta o meio da pirâmide (advogados, médicos, contadores). Hoje, o trabalho braçal está inflacionado porque falta mão de obra qualificada. Na Europa, pessoas evitam Medicina porque o esforço e o custo de estudo não compensam quando profissões manuais pagam quase o mesmo. A IA fará triagens médicas, analisará contratos. Quem for contra a correnteza vai quebrar; quem usar a IA para potencializar seus resultados vai voar.

O concorrente que colocar a IA na frente vai reduzir muito os custos e aumentar a eficiência. As empresas maiores já têm setores de IA. Como estamos fora da operação, eu e o Gabriel conseguimos olhar para a parte estratégica e implementar isso.

Além da logística (onde a IA cruza rotas com o trânsito do Google Maps para fazer o contrafluxo), colocamos um consultor financeiro de IA para analisar o nosso DRE. Ele traz insights incríveis, identifica se o CMV (Custo da Mercadoria Vendida) ou os impostos saíram da média, e sugere ações práticas de redução de custos.

Depois comecei a me aventurar na parte de “Agentes de IA”. Um Agente de IA é uma IA que tem integração (via API) com outras ferramentas, ou seja, você dá “braços” ao cérebro do ChatGPT. Criei um agente que entra no meu e-mail, lê tudo, resume os urgentes e interage comigo. No setor comercial, criamos um Agente que lê a nossa cartilha de preços, entende as descrições dos produtos e monta as propostas comerciais de acordo com o pedido do cliente. Tive que me atentar à “janela de contexto” (limite de tokens), para não sobrecarregar a memória da IA.

O mais fantástico é o que chamamos de “Conselho Diretor de IA”. Nós criamos GPTs especialistas: um Diretor de Marketing (com a mentalidade de inovação de Steve Jobs), um Diretor Financeiro (CFO) e um Diretor Comercial. Quando temos um desafio na empresa, colocamos esses agentes de IA em uma sala virtual para debaterem o problema entre si. É impressionante ver essas inteligências artificiais interagindo, cruzando dados e propondo soluções estratégicas para o nosso negócio.

O recado final é: a Inteligência Artificial não é uma opção para quem não quer ficar para trás. Não é uma modinha que vai passar. A hora de começar é agora. Acesse as ferramentas gratuitas, estude, veja vídeos, reserve um tempo do seu dia para entender como aplicar isso na sua empresa. Muito obrigado e até a próxima!

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