Marc Tawil o primeiro LinkedIn Top Voice do Brasil
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A gente está tendo uma dificuldade. Pelo menos eu estou tendo uma dificuldade, e o meu público também, de contratação. Não é incomum pessoas irem com os pais em entrevista.
Mentira.
Não é incomum encontrar pessoas de 20, 22 anos procurando o primeiro emprego. Se eu não me engano, 49% dos americanos até 30 anos ou mais estão morando com os pais.
A pessoa não quer sair de casa. Ela tem todos os privilégios para começar e, segundo, ela também não consegue, porque o mundo ficou mais caro, as oportunidades estão mais escassas. Eu tenho amigos que até hoje, têm 50 anos, eles moram com os pais. E eu te diria que se essa pessoa sair de casa, ela morre.
Só que a felicidade não vem na resolução daquela meta, ela vem no processo de conquista dela. Se faz tempo que alguém não te chama de louco, tem alguma coisa errada. Você não vai ter outra vida para se conectar com você. Eu joguei tudo aqui, ó.
Buenas, buenas, buenas! Seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia com a gente. Eu pego uma cadeira, sente-se à mesa, porque a ideia é essa: é trocar uma ideia de bar, bebendo água, mas de bar, para a gente trocar uma ideia como se fosse uma conversa entre amigos. Como é a impressão que eu quero sempre trazer para vocês e é o que vocês estão sentindo também pelo feedback que a gente tem recebido: “Cara, me senti sentado com vocês trocando essa ideia”. E é isso que é importante para a gente, porque é o que a gente está tentando trazer aqui: uma conversa despretensiosa sobre negócios, sobre vida, sobre mundo corporativo e tudo isso que influencia e traz insights quase que imediatos aí para você, para começar a aplicar no teu negócio quase que imediatamente. Então, tamo junto.
E hoje eu estou com um convidado aqui, cara, uma estrela. O cara é Top Voice no LinkedIn, o cara é um monstro. Eu sigo ele antes mesmo de eu ser o Além do CNPJ, desde o Clubhouse. A gente trocava uma ideia no Clubhouse, Clubhouse estava bombando. E cara, é um cara que tem uma… eu gosto muito do jeito da comunicação dele, mas principalmente das opiniões desse cara. Esse cara é um cara muito sensato, é um cara que…
Sou eu mesmo? Não, não sei, eu estou meio assim… será que ele vai me chamar?
Não, é sério, cara. Eu gosto muito da tua opinião, cara. Gosto muito da mente que você consegue trazer e fazer o download aí na internet. E é por isso, cara, não é à toa — não sou eu só que gosto — não é à toa que você está onde você está, porque você consegue… essa sua mente é uma mente que as pessoas querem estar próximas, querem entender, querem estar por perto. Então, estou aqui com Marc Tawil. Cara, muitíssimo obrigado por aceitar o convite, cara.
Beleza. Papai, você viu? Vai ser teu primeiro? Primeira filha.
Minha primeira filha, cara.
Chamado “papai fresco”.
Cara, eu já estou babão antes de nascer.
É maravilhoso. Eu tive menina primeiro, a Cora, né? Então as pessoas falam assim: “Ai, quem é o Marc?”. O Marc é o pai da Cora, pai do Josh e do vira-lata Wood. Aí nas horas vagas eu sou comunicador.
Comunicador. Cara, tua filha está com quantos anos?
Dez anos.
E teu filho?
Oito. Oito. E o vira-lata, 11. Não deixa de citar, ele veio antes. É, ele é o mais velho. Ele é o irmão mais velho. Se você não citar ele, ele fica chateado. Aliás, ele está assistindo hoje.
Qual é o nome dele?
Wood.
Wood. E aí, Wood? Tamo junto.
É, ele estava mexendo na AirFryer, está assistindo a gente.
Você fala de pet, cara, a gente também tem uma pet lá que é a Gless e é nossa filha real. Ela fica escutando a barriga da sua esposa, cara. Você acredita que ela já começou a se ligar que ela está grávida?
É bom, foram 9 meses também, né? Se não se ligasse agora, ia se ligar quando? Que cachorro se ligava…
Vou te dar uma… vou te dar um toque. Quando vocês estiverem no hospital, quando a Estela nascer, traz uma fraldinha dela para ela cheirar em casa antes da Estela chegar. É porque ela já meio que se acostuma com o cheiro, sabe assim? Porque às vezes ele pode ficar deprimido, o cachorro. Às vezes ele não fica nervoso, ele pode ficar nervoso — não é o caso de vocês — mas às vezes ele se sente meio de escanteio por um tempo. Então traz uma fraldinha, tenta deixar, porque ela é o centro das atenções. É lógico.
Não, sou eu, a Rainha e a Gless. Aí daqui a pouco a Estela chega chorando, a Raísa dando mó atenção para ela…
A Estela não é assim. Raísa, como chama o cachorro?
Gless.
Gless, Estela e Felipe. Nessa ordem.
Nessa. Aliás, Gless não. Estela antes da Gless. Mas assim, Felipe, você vai… você vai além do CNPJ, você vai além do CPF.
CPF. E é isso, cara. Eu… algumas pessoas falam assim para mim: “Felipe, no primeiro mês, cara, você tem que cuidar da Raísa, porque é ela que vai sofrer o perrengue, porque a Estela só vai querer ela”. Super. E tal. E primeiro mês até o quarto mês, pelo menos, é isso, né? E ela nem sabe quem é o pai.
Ela nem sabe. Não sabe. Não sabe. E quando o meu nasceu, quando a Cora nasceu — 10 anos atrás — e a gente tinha acabado de adotar o Wood, fazia um ano, né? Eu estava casado na época. E aí o Wood era tipo filho mesmo, filho, filho. Então quando chegou a Cora e a Cora não interagia comigo, o que que eu fiz? Comecei a dar bola para o Wood para ele não ficar triste. Sim. Então uma vez eu virei para minha mulher, falei: “Olha…” — então minha mulher, né — falei: “Olha, eu demorei 4 meses, né, para interagir com a Cora”. Ela falou: “Não, você demorou oito”. Mas tudo bem, assim, eu demorei para interagir com a minha filha, mas é maravilhoso. E a criança demora para entender, né, que o pai é…
É. Acho que assim, a partir do terceiro para o quarto mês a criança já está mais esperta e, mais do que isso, ela está sorridente. Então é mais gostoso. É, o começo é muito chato. Desculpa.
Não, mas é mesmo. Está todo mundo falando. Está todo mundo falando para a gente, se preparando.
Não, assim, e não é que é chato para o homem só. É cansativo para caramba para a mulher. A mulher para de trabalhar, a mulher produz um pouco, depois tem que parar. É super cansativo. Então assim, é realmente um momento desafiador, vamos chamar assim com educação. Mas eu acho muito chato trocar fralda, nunca gostei. E a criança não interage, ela só está lá sobrevivendo.
Não, zero. É, ela é mole, pequena, você tem que tomar hiper cuidado, porque cara, qualquer coisa realmente pode machucar e tal. E aí você tem esse lance de não interagir, ela só quer a mãe para mamar e está tudo bem.
É, depois quando come… ah, é maravilhoso. Ela te olha, sorri. E aí, e pai com menina é assim: o menino não transforma o pai tanto. A menina sim.
É mesmo?
É, a menina sim. Porque assim, se você viveu a vida toda… você é menino. Claro que não estou nem entrando na questão de gênero, mas vamos dizer um menino que gosta de azul, que brinca de carrinho.
Normal, normal. Não estou dizendo assim nessa… nessa questão, vai. Vamos pegar uma coisa…
O padrão.
Exatamente, padrão. Se você pega esse menino padrão que cresceu numa sociedade machista, como é uma brasileira…
Exato.
Com uma televisão dos anos 90, depois dos anos 2000, que tinha um monte de [__] e blá blá blá… você vai escutando seu tio…
A gente crescendo assistindo É o Tchan, Banheira do Gugu… É o Tchan, bunda na cara e tal. Hoje acho que é até pior, né? Você escuta os funks de hoje, é terrível.
E você se… e independente de K-pop… cara, que você se… muito bonito. Outro dia, que acho que a letra legal é “senta, senta, senta, senta”. Então assim, se você cresceu nesse… nesse nicho, você vai ser machista, não tem como.
Exato.
E aí quando você tem uma filha, ela vem para quebrar esse paradigma. Ela vem para adoçar a tua vida, ela vem para te mostrar um outro lado. E aí você começa a ver que um monte de brincadeira que você fez não era brincadeira; que um monte de comentário que você fez sobre a filha dos outros não era para ter feito. E você começa a se reeducar.
Ah, fiquei até arrepiado agora, cara. Mas é real. Eu acho que é isso. Não, já resgatei várias coisas que já foram faladas, eu falo: “[__], se falasse da Estela não ia ser bom não”.
Exatamente. Aí você para com essas bobagens. Quando um amigo tem filho você fala: “Oh, você virou…” — como é que é? — “fornecedor”. Que é tipo de brincadeira de churrasco. Tiozão do churrasco fala: “Não, você teve menina, aí virou fornecedor”. Então, mas aí a hora que você começa a conviver com o universo feminino — é, principalmente uma menina — é maravilhoso.
É, cara?
É maravilhoso. Porque assim, a gente não teve essa educação. A gente não sabe o que que é. Você tem que arrumar o cabelo delas para ir para a escola, você tem que pentear e comprar calcinha. Sabe? É muito delicioso. Eu estou numa fase agora com ela, que ela tem 10 anos, ela está na fase da maquiagem.
Olha que legal.
Então assim, cara, ela fica vendo os tutoriais: “Ah, quero um selador, ah não sei o que lá”. É muito gostoso.
Cara, é delicioso. Você vai ter ótimos momentos. Por que chama Estela?
Cara, a gente… na verdade, minha esposa que escolheu. Eu adorei. A gente… a nossa ideia era Estela.
Amiga minha… tia também de Estela. Estela.
É mesmo? A Estela é com S, T, E, L, L, A?
L, L, A. É exatamente.
Minha tia.
Nossa, que legal, cara. Tem… tem várias Estelas. A Raísa, meu, quando ela falou… ela falou: “O que você acha de Estela?”. Eu falo: “Gosto, é bonito, sabe?”. E Thomas. E aí seria Thomas se fosse se fosse homem. Mas é, veio… veio Estelinha. A Estelinha é muito legal isso, né? Veio para nossa vida.
O nome de homem é mais difícil.
Qual que é… não, o nome de homem é mais difícil.
É mesmo?
É, porque você começa a lembrar de pessoas que você não gosta. Então o cara fala: “Ah, como é que ele chama?”. “Ah, chama tal”. Não vou nem falar aqui. “Chama tanto”. “Ah não, mas esse aí conheço, era um babaca na escola, não vai dar”. E mulher é sempre nome de atriz, né? Muito mais fácil.
Cara, Estela… cara, eu acho que eu não conheço nenhuma Estela.
Conheço várias. Tenho amigas, tenho tia… talvez na comunidade judaica seja um pouco mais fácil, né? Mas é… é bem legal. Tem uma tia, irmã do meu pai, chama Estela.
Caramba, que legal, cara. Não sabia.
Aí você… você fala para o cara assim, né: “Por que Estela?”. Aí o machão fala: “Stella Artois, né? Pô, nome de cerveja”.
Pode crer. Não, cara, eu não… eu não… não sei se a Isa teve um significado assim, mas ela apresentou os nomes, cara, pegou, sabe?
Sabe? Legal. E é universal, né? É, funciona bem.
Universal. Em 2014, eu integrei uma campanha para chamar a bola da Copa de 2014 de “Gorduchinha”, em homenagem ao Osmar Santos. Quem me chamou foi o Delen Bueno, que aliás é um cara incrível que você pode chamar aqui. Ele trabalha hoje com Out of Home, que são aquelas… aquelas telas.
Telas tipo Elemidia e tal.
É, não posso falar porque ele trabalha na concorrência, então não falei nem o nome. É, ele trabalha na NEOOH. E aí o legal do Delen é que ele quis homenagear o Osmar Santos 10 anos atrás. E uma das coisas que pegaram é que quando você fala “Gorduchinha”, o americano não sabe falar gorduchinha. Sabe assim? Fica horrível, fica horrível. Então esse é um problema. E quando você tem um nome universal — que eu também quis dar para os meus filhos, Cora e Josh — funciona em tudo. Tudo bem que Josh a gente chama de Jorge, mas assim… fica uma coisa que você pode escrever em qualquer idioma, tal tal tal. Senão fica meio difícil.
A difícil é o Thomas também.
Thomas também.
Thomas também. Também se o segundo vier um menininho. Se for menina, a gente não sabe nem o segundo nome ainda.
Ah, mas menina, estou te falando, é mais fácil.
Tudo isso é patrocinadora. Tudo isso é patrocinador. Você viu? A galera está apoiando o projeto, cara. Isso é bom. Ô Marc, mas cara, antes de a gente começar e falar de, cara, de inúmeros assuntos que eu quero abordar contigo hoje, cara, eu queria conhecer a tua… o Marquinho.
Marquinho.
Marquinho, sabe? Chamado Marquinho. Que mais ama. Cara, da onde você veio? Quais são as suas referências? Teu pai e tua mãe? Onde você nasceu? Como que foi? Se você tinha irmãos? Como que foi essa… essa estrutura?
Não tenho, né? Vai matar minha irmã se eu tinha irmão… Tu, tu… cheguei lá fora, o cara já me chamou de senhor. Só quero uma água.
Não, cara, o Marc estava falando da idade aqui dele aqui, eu não acreditei, cara. Pelo amor de Deus, cara, você está… você está conservadaço, hein mano?
Estou tentando, estou tentando.
Conservadaço. Mas mano… então, como que… como que foi as tuas referências para você chegar até a vida adulta assim, cara?
Cara, as referências que a gente tem — e você também tem — quem é nosso primeiro influenciador? Nosso pai.
Exatamente.
E nossa mãe. Então assim, eu fui muito influenciado pelos meus pais, sou até hoje. E meu pai era um cara tipo eu assim, era mais expansivo, brincalhão, embora ele fosse muito na
dele também. E ele era um cara que gostava de fazer os outros rirem, gostava de deixar todo mundo à vontade. Minha mãe já tem um outro gênio, já tem um outro estilo.
Pode fazer essa cara, ela é legal, tá?
Não, minha mãe já tem um outro…
Eu sei, posso imaginar.
Não, coitada, ela é uma pessoa boa.
Não, mas é um pouco mais… meio nervosa. Mãe brava, né?
Brava. Então assim, é… E aí eu tive como referente… meu pai trabalhava com moda, então ele era um cara que sempre estava nos lugares, sabe assim? Aparecia na televisão. Que é um pouco do que eu estou vivendo hoje com os meus filhos. Eu estou no… na Eletromidia, por exemplo.
Eu sei, cara. Eu te vejo direto no meu elevador, cara. É engraçado. Falei… falei para minha esposa, a gente estava descendo ontem… é, a gente estava descendo ontem para dar uma volta lá no quarteirão lá com a com a Gless, aí apareceu. Eu falei: “Oh, vou ver o Marc amanhã, está aqui na TV”.
É porque é engraçado, porque assim, as crianças olham… é como se fosse um novo tipo de televisão, né? Você tem uma mídia assim na academia, no aeroporto, no prédio comercial, no prédio residencial. A pessoa te vê às vezes mais do que ela assistiria você na televisão.
Cara, eu te vejo direto. Não sei se eu… eu não sei qual é a repetição, né? Que cada 10 segundos… mas tem muita gente. Acho que é… é, cara, porque cara, eu vejo você direto. Você está com uma frequência alta lá. Porque…
Cara, nunca me vi em Congonhas. Já dormi em Congonhas que eu perdi o… nunca me vi lá, cara. No… no meu elevador eu te vejo direto. Direto, direto, direto.
Pô, legal. Que legal. Massa.
É. Então assim, primeiros influenciadores: pai e mãe. Eu tenho uma irmã um pouco mais nova chamada Lea, ela tem 47, eu tenho 50. Acho que ela vai fazer 48 em maio, acho que é isso. E família muito unida, família muito próxima, que gosta de cachorro. Meu pai nasceu no Líbano.
Caramba.
Em Beirute. E minha mãe nasceu no Cairo, no Egito. E se conheceram no Brasil. Conheceram na França, foram para a França, se conheceram depois… depois de adultos e tal, se casaram e vieram para o Brasil, que meu pai teve uma oferta de emprego. Assim que ele chegou aqui em 73, eu nasci. Então eu nasci aqui, já 50 anos atrás. Mas todas as minhas referências sempre ficaram entre a França e o Brasil, onde mora toda a família da minha mãe. E quando eu era pequeno — acho que eu nunca falei isso em nenhum lugar —
e quando eu era pequeno, eu tinha muita referência do Oriente Médio. Porque minha avó só falava árabe com meu pai, meus tios. Era uma família grande, ruidosa, engraçada.
Árabe não, mas eu vou… depois te contar o que eu fiz. E aí era uma família grande, ruidosa, muito engraçada. Meus tios eram muito engraçados, meu pai também. Eh, e aí a gente cresceu nesse ambiente, né? Um ambiente normal, nada de outro mundo, mas muito…
Completamente plural também, né? França, Oriente Médio.
Exato. E e num tempo que não se falava disso, né? Assim, estou falando de 40 anos atrás. Sim.
Você não falava que nem você fala hoje, né? De “Putz, do europeu”. Ninguém sabia nada. Então era… era mais fechado. É, eu era chamado de turco, de xiita, qualquer coisa, menos… E além de tudo, eu sou um judeu praticante. Ou seja, a minha religião é a religião judaica, que eu sigo. Então eu sou árabe, árabe, 100% árabe. A minha… a minha avó nasceu no Cairo…
Tem traços inclusive, né?
Tem traços. Minha bisavó nasceu na Síria, em Alepo. E o meu avô — avô pai da minha mãe — nasceu na Turquia. Então cara, é tudo… tudo lá. Meu sangue é 100%… eu nunca fiz os testes de DNA, mas 100% tudo de lá.
Faz, vai ser legal. Quero fazer.
É rapidinho. Aí o cara chega lá: “Suécia”. Não, não… eh, tudo vem de lá e eu cresci um pouco nessa dicotomia. Sou brasileiro, mas não sou; meu pai também era francês, mas não era. Ficou um pouco disso. Aí quando você vai crescendo, você vai encontrando esses resgates. E foi o que eu fiz.
Então dá para dizer que eu sou a mistura do Brasil com o Egito, né?
Real, né?
Real, real. E eu sempre me comportei ok. Apesar… eu fui expulso de três colégios, então assim, eu era mais bagunceiro, né? E sempre comuniquei. E aí eu comecei a entender, Felipe, que existia uma… uma questão na vida — e isso eu descobri muito cedo — que era uma questão de autoralidade. Eu não sei se essa palavra existe, mas de você fazer aquilo que tem a ver com a tua autenticidade, você ser autor de alguma coisa. Então eu sempre fiz coisas que eu pudesse me destacar por mim mesmo. Então criança, fazia bazarzinho na casa do outro, eu vendia coisa lá embaixo. Ah, o terceiro fazia o jornalzinho da escola. Aí o quarto, eu criei não sei o que lá para botar na parede. Assim, sempre criando.
Sempre criando.
É, eu não sou um cara criativo do ponto de vista de “nossa, vou desenhar”, mas eu acho que eu tento ver as coisas de um ângulo diferente.
Isso é legal, muito legal.
E isso eu gosto em mim. Tem um monte de defeito, mas esse é… é uma qualidade que eu vejo em mim que…
Verdade. E explorou isso, hein? E explorou isso, né?
Explorar mais. É que na verdade isso faz parte da criatividade. A gente acha que criatividade é “[__], vou desenhar aqui, Pablo Picasso”. E não é. Criatividade de você olhar para o mesmo problema por ângulos diferentes. Um problema pode ter 17 maneiras de você resolver, mas a gente acha duas, né? A gente é tão binário que a gente acha duas: homem e mulher, sim e não, preto e branco.
A dualidade, né, que sempre… sempre pensam em jeito dual.
Que é uma mentalidade pobre. Hoje em dia, quando você vê inclusive recorte de gênero, de negritude… os recortes de negritude são muito, muito profundos. Tanto que chama colorismo. Você tem o negro retinto, que é aquele negro super escuro; você tem um negro que é mais claro; você tem um negro que tem traços mais finos — inclusive tem um nome para isso, passabilidade, que teoricamente ele passa por um não negro, o que evita um pouco do racismo, então é legal por um lado, mas é ruim por outro; mas e o retinto? Então assim, todas essas discussões de gênero são discussões de, sei lá, 10 anos para cá, nem isso, né? E isso está influenciando a nossa maneira de trabalhar e… e de se… se fortalecer enquanto ser humano, né? De estudar melhor e de ter uma… uma um leque de oportunidades.
E eu fui percebendo isso ao longo da vida. Fui percebendo que eu não estava sozinho, primeira coisa. Fui percebendo que eu não era o centro das atenções. Então fui me dando aquela desimportância, que é um processo que acho que é de autoconhecimento que você vai sentir muito agora, né, como pai. E acabou, assim. Se você levar a Estela e ela ficar feliz na festinha, beleza, você pode não tomar nem água. Muda tudo. E claro que tem pessoas que não são pais nem mães, não querem, e está tudo certo. Mas essa consciência de que você não está sozinho no mundo, ela é importante. Porque se você não cria, né, uma… uma família para debaixo de você, as pessoas que te trouxeram ao mundo, por ordem natural da vida, vão embora. E aí vai ficar o quê?
Tudo bem, tem amigo. Não, mas… mas digamos que você não cria — porque também acho que não precisa ter essa, né, essa… essa obrigação de ter que ter filho, tudo bem — mas… mas você não pode se achar que você está sozinho.
Exato.
Porque cara, se… se você não tiver filho, cara, você é… tua esposa, teu marido, amigos e tudo mais… você vai ter que criar uma rede. Porque sozinho, cara, você… você fica deprimido, cara. Você precisa ter uma rede de…
Exatamente. Você já fica deprimido casado muitas vezes, imagina sozinho. Então… e… e o que eu comecei a perceber é que o mundo era mais vasto. E que… e muito cedo isso, né? 18, 19 anos. E que eu queria ter uma questão mais autoral, falar das coisas que eu gostava
e de um jeito próprio. Só que cara, quando você fala isso 33 anos atrás, que você tinha cinco ou 10 jornais, meia dúzia de TVs (nem TV a cabo), meia dúzia de TVs, algumas rádios e que o domínio era, né, era… era turma dessa turma… era muito pouco para você poder entrar e explorar. De que tinha uma… um… um tipo de mentalidade top down assim, aquele chefe que fica atrás do… da mesa, tipo o chefe do… do Super-Homem, jornal do Super-Homem ali, do Homem-Aranha, anos 50. Eu peguei esse… essa rebarba, esse finalzinho na transição para a internet. Então quando eu comecei a… a escrever e tal, eu comecei a me tocar que existia uma grande possibilidade daquilo amplificar.
Não é trabalhando em comunicação?
Trabalhei muitos anos. Eu trabalhei três anos na Jovem Pan. Entrei em 2000 e… entre 1990… não, 97, Jovem Pan. Fiquei 3 anos. Tinha passado por um outro lugar antes, que é a Resenha Judaica.
Que legal.
É um jornal judaico que não existe mais, virou a Tribuna Judaica. Eu tinha feito uma assessoria de imprensa chamada SMK, do Senhor Maurício Cus e do Paulo Cus, filho dele. Falando de 93.
93?
Então, 93, 95… fiquei um pouco na revista dos bares e restaurantes e aí eu fui para a Jovem Pan. Meu grande veículo. 3 anos lá, fiz um pouco de tudo. Quando eu percebi que a minha autoralidade — eu espero que essas palavras existam — ela estava… ela… ela era menor do que eu gostaria, eu queria alguma coisa que me desse mais punch. E eu percebi que eu iria me desenvolver mais como jornalista e até como uma pessoa de escrita trabalhando no jornal. E aí eu fui para o Jornal da Tarde.
Que legal, né?
Consegui uma vaga tal tal tal, fui, fiquei 8 anos. Eu tenho relacionamentos longos com a vida.
Que massa.
8 anos. Saí de lá e eu queria empreender. Mas aí eu fui convidado para trabalhar na BandNews. Aí eu fiquei três anos na BandNews. Então eram 14 anos direto disso. Em 2010 eu decidi empreender. Saí da BandNews e montei uma agência. Então era uma “eugência”, né? E fiquei 10 anos com essa agência.
Como que foi essa experiência de empreender aí, cara?
É, assim, eu tive muito apoio da minha mulher — da então, da minha mulher, né, da minha esposa — que abriu uma empresa do começo assim. Então, é… eu não tinha esse cacife, ela tinha, né, que é o cacife Business, trabalho em grande empresa, eu conheço. Então ela me apoiou, o que foi fundamental na época.
Super legal.
E ela me direcionou no seguinte sentido: “Aprende aquilo que você não sabe”. Isso foi uma lição de vida para mim. Aprende aquilo que você não sabe, ataca a sua deficiência e não aquilo que você tem de melhor. Isso aí você já faz bem.
[__] Cara.
Aí eu olhei e falei: “O que que eu não sei fazer?”. É gestão, financeiro. Financeiro, lidar com pessoas, no sentido de, né, de… de governança. Então o que que eu fiz? Fui fazer um MBA na FGV. Era 2011, tinha acabado de empreender. Aquilo mudou minha vida.
E é muito bom. É muito bom. Mas massa.
Mudou. E por que que mudou? Porque pela primeira vez eu poderia sentar em qualquer mesa e falar de igual para igual. E não só “o que que você faz?”. “Ah, eu sei escrever, eu sei fazer reportagem”. Isso não quer dizer nada, né? Hoje era jornalista multimídia. Dane-se. Se você vai ter que fazer um report para uma empresa, dane-se se você sabe escrever ou falar. Portanto é que você tem outras skills, né, outras competências. E aquilo me fez muito bem. E eu fiquei com a agência 10 anos. Então a agência começou em 2010, terminou em 2020 durante a pandemia.
Por quê? A agência foi premiada, fiz um monte de trabalho, nunca foi uma agência grande, mas aí começou a empatar. E naquele meio tempo eu tinha sido do LinkedIn Top Voices. E a minha marca pessoal fez isso…
Sua marca pessoal sobrepôs a agência.
Exato. Eu passei a agência. E aquilo foi muito ruim para mim por vários motivos. Aí eu fui convidado para trabalhar na Rádio Globo. Então acordava às 4, entrava seis.
Caraca.
Tinha o trabalho da agência e tinha o trabalho como Business Influencer, que era o começo. Estou falando de 2017, 2018.
Você foi Top Voice? O primeiro Top?
Primeiro da primeira lista que era numerada. Então 2016.
Caraca. Dezembro de 16. Não, e fez… e fez um boom gigantesco. Muita gente na época… sim, eu acho que eu te conheci nessa… por volta dessa época, porque você já era grande. Por isso que você foi considerado Top Voice?
Não, não, não. Zero. Eu comecei… eu nasci, entre aspas, digitalmente no LinkedIn. Eu tinha um pouco no Facebook, mas assim…
Não, mas assim, quando você… em 2016, para você conseguir o Top Voice, você já era grande.
Sim, já… já estava sendo. Porque assim…
Só que isso ainda te impulsionou ainda mais.
Me impulsionou e me deu uma coisa que eu nunca tive, que era ser o número um de alguma coisa. Eu tinha 43 anos. Então não é que eu era menino tipo, ah, né, Felipe Neto. Eu era… eu já estava mais velho. Então assim, você ganhar um prêmio com 43… primeiro, uma [__] vitória. Segundo, número um. Número um de uma lista gringa.
É, de uma empresa global de tech. Pera aí, o número um foi mundial? Não… como foi? Mas a lista é global, tem vários países.
Dizer tipo… tipo Forbes, tem vários países.
Se eu for, por exemplo, hoje para a Malásia, entre aspas, o cara vai saber o que é Top Voice, se ele acompanhar o LinkedIn. É diferente, entendeu? E aí eu… [__], comecei a me tocar, falei: “Cara, isso… isso realmente é um negócio tesão”. Só que em 2017 teve muito hate contra os Top Voice.
É mesmo?
É muito. Até hoje tem, mas muito.
E por quê? Que quem não entrou ficou bravo?
Ficou bravo. “Por que que você vai escolher esses caras?”. “Não, eu também sou bom”. E esse hate ajudou a gente, porque foi que nem o taxista atacando Uber: quem não sabia, ficou sabendo o que que era. E não teve lista. Então a gente ficou ali fritando em fogo brando dois anos, até a lista de 18. E eu acho que eu também soube usar isso a meu favor. Eu comecei a abraçar algumas causas, eu comecei a escrever cada vez mais, eu bati boca, eu… desculpa, é assim, ele não tem a distribuição que ele já teve e faz parte. Mas eu aprendi muito. E uma vez conversando com o Ricardo Amorim — eh, que é o… é o número um geral, acho que da… da América Latina, se bobear, e é o maior influenciador brasileiro, mas é um dos maiores da América Latina, se não o maior — e aí ele falou uma coisa assim para mim, cara… que eu era número um de um lado, ele de outro. Ele falou: “Cara, eh, esse tipo de visibilidade precisa ser do tamanho da tua responsabilidade”. Aí nunca mais esqueci. Foi em 2017. Falei: “Cara, é isso”. Então assim, e redobrar atenção quando você vai discutir, redobrar atenção no que que você vai postar, redobrar atenção porque as pessoas, elas vão direto no comentário. E olha que não era o hate de hoje, assim. Então era uma coisa assim… ele não vai virar para você e falar: “Pô, Felipe, Felipe bateu boca” ou “Felipão, toma”. Não. O que o cara faz? Ele… ninguém vem em box. O cara printa.
É, printa e manda para o WhatsApp e fala: “[__], esse Felipe barraqueiro, tal”.
Então o que que eu fiz? Eu comecei a me tocar. E começou a pintar oportunidade financeira. Imagina o seguinte: o primeiro Big Brother, tá? Primeiro: ninguém nem posava pelado, ninguém tinha não sei o que lá, ninguém…
Não era… não era a malícia que as pessoas têm hoje. Hoje o cara entra no Big Brother sabendo que ele vai ganhar muito mais dinheiro em publicidade depois aqui fora.
Depois. Não precisa nem ganhar o prêmio, ele quer visibilidade. Naquela época, não. Você… todo mundo pelo prêmio. Então quando eu ganhei o prêmio, eu era um cara muito mais orgânico. Eu não tinha essa visão de Business, “ah, com isso eu vou fazer um império”. Eu não era esse cara. Hoje as pessoas são assim, né? Eu não. Então eu comecei meio de um lugar eh, muito naïf assim, sabe? Muito, muito inocente.
E como que foi essa… quando você se ligou: “[__], eu preciso transformar isso aqui agora num business. Não tenho nem mais a agência, agora eu sou eu”?
É incrível essa história. Porque assim… que… que incrível, é triste, mas é incrível. A gente foi para a França. Eu já vinha com essa ideia. Eu já tinha percebido que as pessoas queriam, entre aspas, o Marc pessoa física além do CNPJ.
E teu Marc é forte, cara. Além do CNPJ, o teu nome é forte. Todo mundo conhece, cara.
Forte. É. Se… se todo mundo me conhece. Mas assim, eu tinha um nome relativamente forte. Mas quando a pessoa entrava para a agência, para ser meu cliente na agência, eu não estava o tempo todo. E o cara falava: “Bom, mas pô, o cara aparece, ele conversa com um monte de gente bacana e não vai me fazer conversar?”. Ele queria meio que isso, o cliente. E faz parte, né? Você vai… Pô, você vai ter… você vai ser operado do joelho com super cirurgião. Aí você chega lá, o cara passa dar uma olhada e é isso.
É assim que funciona. E a equipe dele que opera.
Então assim, era mais ou menos isso. Só que eu comecei a entender que isso estava me queimando. Estava me queimando. E eu não queria me queimar, eu tinha um nome a zelar. Ainda tenho, né? Só que que eu fiz? Falei: “Bom, eu vou transicionar em algum momento”. Esperei. Fui para a França em… em março de 2020, com meu pai, minha mãe, todo mundo. Tinha um casamento.
Março de 2020? É o lockdown aqui do Brasil. Estourou lá.
Cara. Primeiro eu fiquei em lockdown lá. Voltamos para o Brasil dia 19. A gente chegou aqui, seis dias depois o meu pai morreu de Covid.
Caraca.
Então assim, eu tive um… um trauma. Porque a gente voltou infectado, ninguém sabia o que que era, não tinha teste. Meu pai estava com pneumonia.
Meu Deus.
Seis dias depois ele morreu. Aquele enterro de Chernobyl: cada um num canto, ninguém… o cara todo de branco, uma máscara laranja… Cara, imagina: 25 de março foi a primeira pessoa que… que eu conheci que morreu.
E aqui estourou a… a… o… se não me engano, dia 20.
É isso. É, fechou. Tinha acabado de fechar.
Caraca.
Aí que que aconteceu? Eu comecei a acompanhar, como todo mundo, e teve uma explosão de lives. Você vai lembrar, né? Você abria a geladeira, tinha uma live. Tinha uma gaveta, live. E tal. E a curva da Covid abaixou, mas da live não, ficou assim, né, um tempão. E aí eu tinha meio milhão de seguidores. Sabe quantas lives eu fui chamado para fazer? Chuta.
300?
Chuta.
200?
Mentira. Nenhuma.
Nenhuma? Não, é que assim… uma…
Nenhuma. Por um bom tempo. Por um bom tempo. Pessoas comecei a falar em maio de vez em quando.
Mas você não era chamado? Nada? Como? Não entendi.
Aí que eu me toquei. Falei: “Bom, se um não chama, beleza. Se dois não chamam… pô, mas ninguém?”. E aí que eu me toquei: eu não tinha assunto. Eu era o cara que perguntava. Eu era o cara que levantava a bola. Eu era o Marc que as pessoas gostam e admiram, mas não compram. Entende a diferença?
Caraca, baita de um do insight.
É insight, mas cara, que necessitava de um reposicionamento.
Claro.
Casado com dois filhos, todo mundo em casa. Entendeu assim? E na época minha esposa também era… e minha então esposa era autônoma.
Então assim, o… se o seu sucesso inclusive afetou o seu negócio.
Afetou meu negócio. Então assim, cara, estava tudo… eu tinha um funcionários que estavam em casa, os clientes iam saindo pouco a pouco. Ou seja, [__] do estresse para a gente manter uma conta, né, de às vezes de 3.000, de 2.000… mas tudo virou dinheiro, porque cara, baita tensão. Eu triste para caramba, meu pai tinha morrido, preocupado com a minha mãe que estava viúva, super mal, que não recebia visita de ninguém. Então assim, cara, foi um inferno. E aí em 2000… eh, e aí naquele tempo, o que que eu fiz? Eu falei: “Bom, eu vou… eu vou… vou ver o que eu consigo fazer”. E aí o Diego e a Sandra, que são dois amigos de infância, me chamaram para fazer: “Você quer falar com os nossos funcionários?”. Eh… eu falei: “Ah, posso falar”. Ela falou: “Quanto você quer?”. Falei: “Não, nada”. Falou: “Não, quero te pagar”. Foi meu primeiro Zoom para falar para pessoas.
Que legal, cara. Olha isso.
Foi. É. E aí eu falei: “Caraca, Marc”.
É super recente, bicho. É agora, cara.
Não, 4 anos.
Sim, 4 anos atrás. É… é que parece que a pandemia foi um… a gente perdeu um pouco… Exato. É uma pandemia por dia.
É. Aí cara, eu fiz aquilo e aquilo me transformou. Porque eu falei: “[__], é possível”. E aí, pouco a pouco, eu comecei a… a shift, a… a mudar o que eu fazia no presencial e fazia meia boca para uma coisa que eu sabia fazer online, ia muito bem no online. Eu ia muito bem, tinha muito improviso com as do rádio e tal. Comecei a ser chamado para fazer várias coisas. E aí eu li que o Dr. Davi Uip — acho que ele era um dos secretários na época de saúde, não sei se era o secretário do estado, não me lembro, ou era um cara que fazia parte de um comitê — e ele falou: “Olha, quem teve Covid certamente vai ter uma imunidade aí de uns 8 ou 10 meses”. Quando eu escutei aquilo, falei: “Cara, nada pode me parar”. Então eu fui um dos primeiros caras a apresentar evento online. Então ia na produtora, fazia teste, não, mas apresentava. Podia ir, porque eu estava tranquilo e aquilo me ajudou.
Estava imunizando. Imunizado. E aí, quando ninguém estava.
E aí, pouco a pouco, pouco a pouco, comecei a virar o cara que tinha mais o que falar. E eu tive também um presente que eu ganhei do Joseph, da escola Conquer, que no dia que meu pai morreu, ele me chamou para fazer uma live. Eu falei: “Cara, não dá, meu pai morreu”. Estava super triste.
Primeiro convite.
Primeiro convite. Aí ele falou… mas era abril… falou: “Mas até antes dessa história das lives”, ele falou, “mas eu queria te fazer um outro convite, se você não me levar a mal: é, você consegue gravar um depoimento num curso que a gente vai lançar de Inteligência Emocional? É um curso gratuito, as pessoas vão baixar”. Tá bom. Eu lembro que eu comecei a fazer, meu filho entrou, me atrapalhou, fiz de novo. Eu não lembro o que eu falei. Imagina, eu estava de… cara, de luto.
Todo mundo em casa, cara. Todo mundo em casa com criança pequena. Sim, 3 anos, 2 anos. Cara, no inferno.
Inferno. Bom, e eu falei, falei, falei. Deve ter falado uns 10 a 15 minutos. Só que teve um detalhe: aí meu filho entrou, peguei ele no colo, tal, acho que eu chorei. Só que teve um detalhe: o curso foi baixado por meio milhão de pessoas.
[__] Meio milhão de pessoas. E no time importante, porque a cabeça das pessoas… todo mundo em casa e todo mundo preocupado. E eu lembro que eu falei sobre adaptabilidade, tal tal tal. Cara, estou meio arrepiado de novo. Aquilo me deu uma onda de amor.
Galera, sabe… você dividiu o que você estava vivendo. Exato.
Que legal, cara.
Cara, veio todo mundo assim, a Conquer espalhou, [__], assim, veio todo mundo. E quando veio todo mundo, eu me senti super acolhido e foi super importante para mim. E aquilo realmente mexeu comigo e eu voltei a respirar melhor, eu voltei a estar mais… com mais autoestima, né? Fez muita diferença na minha vida, muito, muito, muito. E aí que eu me toquei, falei: “Cara, eu estou mal posicionado”. Só que o posicionamento, Felipe, não é uma questão de como você me vê. Essa é a imagem que você tem de mim. Posicionamento é uma coisa de dentro para fora. Sou eu que me posiciono na tua cabeça.
É um trabalho proativo.
É. Então eu comecei a me posicionar diferente. E aí eu abracei um tema que eu conhecia, que eu usava, mas eu não tinha como… como fim, era como meio, que é comunicação.
Exato.
E aí eu comecei a entender que eu era visto — até sem saber — como uma pessoa de comunicação. Talvez eu tivesse aquela autoridade, mas eu fui construindo isso.
É, as pessoas viam que você fazia muito bem. Talvez a autoridade não se tinha porque você não usava isso como… exato. Quando você usar como… como fim, você fala: “Ele está falando sobre isso, ensinando sobre isso e ele vive isso que ele faz bem”.
Exatamente, exatamente. E aí pouco a pouco, acho que a… a… eu comecei a me descolar, né, do… do dia a dia da tristeza, para começar a virar um cara que, né, tinha mais referência. Em 2020 teve o Black Lives Matters, teve o assassinato do George Floyd em maio. E aí em junho começou uma história de pessoas brancas deixarem o perfil ser ocupado por pessoas pretas. Então se eu não me engano, Paulo Gustavo deixou para Djamila Ribeiro, acho que foi isso. Já me lembro… foi para 1 milhão de pessoas, sabe assim? Tipo, pessoas que tinham muito alcance faziam isso. E uma… uma amiga minha, Fernanda Guimarães, me deu a ideia de eu conversar com a Patrícia, da EmpregueAfro. E eu falei: “Bom, cara, se você quiser começar a conversar com ela…”. Foi empatia no primeiro momento, a gente falou pelo telefone um tempão e… e aí falei: “Vou te dar meu perfil do LinkedIn, meio milhão de pessoas, para você ocupar por uma semana. Você posta o que você quiser”.
Caraca.
Foi ótimo, ela foi super legal. Aí um dia ela me liga, a Patrícia, e ela fala assim, Marc, assim com essa timidez: “Você gostaria de fazer um TED, um TEDx?”. Achando que eu ia falar “ah, vou ver”. Cara, a vara, sonho da minha vida. Ela falou assim, numa humildade, ela: “Não, porque a Elena, curadora, viu o que aconteceu no perfil, achou legal”. Falei: “O quê?”. E aí eu fiz meu primeiro TEDx, que foi em julho, dia 9 de julho de 2020.
Qual foi o tema? Você lembra?
“A gente é aquilo que a gente espalha, não aquilo que a gente acumula”. Caraca.
E eu fiz um resgate. E era um período que deu para fazer, porque era… era um… assim, deu um respiro da Covid. Só que a gente fez isso no… no Allianz Parque. E aí abriu para quê? Para carros. As pessoas entravam de carro, tipo um, sabe… é, entravam de carro e
assistiam do carro. Então quando eu fui lá falar, falei para uma plateia de carro. Daí quando acabou, todo mundo buzinou. Então foi meu primeiro…
Foi num drive-in?
Drive-in. É, é drive-in. Foi o primeiro… eh, assim… depois eu fiz mais três. Então aquilo foi me dando autoridade. E aí, pouco a pouco, eu fui construindo autoridade. Tive uma — claro — uma outra mudança de vida no meu divórcio, em 2021 para 22. Aquilo mexeu, como acho que mexe com qualquer mulher ou homem. Eh, e eu pouco a pouco também comecei a entender que esse tipo de mudança, né — a morte do meu pai, meu divórcio, mudanças no trabalho — era na verdade um sinal de que as mudanças iam acontecer com cada vez mais frequência. Quando você tem 50 anos, é cada vez mais frequente que o pai de um amigo faleça, que talvez um outro se separe, que o amigo faleça.
Eu estou sentindo isso com 35. Pois é. Vendo a mãe dos meus amigos, amigo, avó, meus amigos indo embora. E… e pessoas que você gosta muito, mais velhas, né, que você gosta muito, essas pessoas também começam a ir embora. Você fala: “Cara…”.
Quando meu pai morreu, eu virei eu homem da casa, pelo menos na casa da minha mãe. Inclusive, são baitas mudanças.
[__] Mudança. Muita mudança. Então assim, foi muito difícil para todos. É… aí você… você começa a olhar para o teu filho diferente, porque ele não tem mais avô. Então é você a única referência. Tá, assim… cara, foram muitas mudanças. Só que o mundo também mudou muito.
E vem mudando cada vez mais. Mudando e mais rápido ainda.
Cada vez mais rápido ainda. Então o que que eu sinto que a gente vai ter que se acostumar? Antes eu falava assim: eh, “a única constante na minha vida é a mudança”. Tinha essa frase, né? Hoje eu falo que a única constante na minha vida é o desafio. Porque a mudança, ela está cada vez mais curta. A mudança, daqui a pouco… horizonte da mudança é cada vez mais curto, né? Você não vai ficar na mesma empresa 50 anos. Quando entrei no Jovem Pan, tinha gente trabalhando havia 50 anos. 50! A média era 30 anos. Imagina hoje em dia.
Quando… quando você olha um currículo, você fala: “Nossa, a pessoa ficou 5 anos aqui, essa pessoa…”.
Exato. E não é que são pessoas que ganhavam bem para caramba, não. Eram técnicos, ficaram lá com dissídios.
Exato. Exato. Então assim, é muito louco, né, para você que trabalha com isso.
E era um sonho inclusive, né? A pessoa entrar e se aposentar na empresa era quase que a ambição da… uma loucura se pensar isso hoje, né? E hoje em dia, em algumas situações,
se a pessoa fica muito tempo nesse emprego, na mesma função, isso é visto como… com maus olhos no currículo, como a pessoa estagnada.
Uma pessoa não faz o exercício: se você trabalhou em algum lugar 15 anos atrás, você passa na frente, você tem um colega que estava 15 anos atrás que não virou o CEO e está lá… qual a imagem que você tem?
Exato. Nossa, cara, parou no tempo.
Então assim, tudo mudou. E eu acho que com isso também eu fui entendendo o seguinte: eu estou escrevendo um livro chamado “Seja Sua Própria Marca”.
Legal.
Se Deus quiser, sai esse ano pela HarperCollins.
Você tem outros livros, né?
Eu tenho outras participações, né? Tive um livro de… de contos com amigos, depois escrevi um… um livreto em 2007. Mas esse é realmente o meu grande livro. E aí o que que eu percebi? E que a pandemia não teve lado bom, mas teve muito aprendizado, uhum, né? Eu sou vítima da pandemia, meu pai mais ainda. Então, muitas coisas aconteceram e eu percebi o seguinte: que a comunicação também deu um blow. Mais ainda, assim… a comunicação também entrou numa rota de mudança que não tem volta. Te explico: 2020, que que entrou nas nossas vidas? Tela. Zoom. Cara, sabe de que ano que é o Zoom? Chuta. Quando foi criado o Zoom?
Cara, 10 anos atrás? 2011.
2011! Só que as pessoas descobriram em 2020. Olha que louco. Estava tudo aí. Até que as ações do Zoom, buf! Estava tudo aí. Eh, então assim, mas não era padrão, cara. Não existia esse negócio de reunião online ou presencial. Imagina trabalho híbrido? Imagina! Então assim, você tem essa questão que acho que já é uma mudança de paradigma. Ou seja, a gente consegue trabalhar de casa, a gente consegue dormir no trabalho, entre aspas, né? Ah, o novo normal… mas virou novo normal. Então assim, e esse é um primeiro ponto. Então isso afetou a cultura das empresas, afetou a visibilidade das pessoas, afetou… Cara, teve gente… tem gente… tem gente que vai no consultório médico fazer harmonização facial porque fica muito tempo no Zoom. Sabe?
Por isso que falou… foi minha doutora Ana que… que ela falou que as pessoas estão se vendo pela primeira vez. Aí o cara está ali, ele fala: “Hum, esse cabelo está meio estranho, com nariz meio… né?”.
Tem… tem até um meme que fala assim: “Não se arrume tanto para entrar no Zoom. Fica tranquilo, eu não estou olhando para você, estou olhando para mim”. As pessoas… a pessoa está… está falando e está se olhando. Não, aí a comunicação vem desse espaço. Como? Então você tem uma mudança [], que é uma mudança de… “Ah, estou lá, é, vai lá”. Tem uma mudança [] que é uma mudança das telas, né? A segunda tela vira a primeira. Porque antigamente a gente fazia o quê? Assistia Netflix mexendo no celular. Hoje
é o contrário: você mexe no celular assistindo na Netflix. Então esse é um primeiro… acho que você tem uma segunda mudança…
Caraca, bicho. 2021… isso que você falou é muito… é muito. Mas é… no cinema o pessoal está no celular no cinema.
Aí você tem um segundo ponto…
É cara, uma visão ferrada mesmo. Caraca, se inverteu a prioridade.
É, você tem uma segunda… uma mudança, ao meu ver, você viu, é o jogo da comunicação síncrona e assíncrona. A gente conversou na síncrona, Além do CNPJ, no Clubhouse. Sim. Mas não dá. Não dá para você ficar síncrono o tempo todo, porque atrapalha a vida. Hoje, inclusive, já atrapalhou o Clubhouse na hora que…
Bom, bom, meu [], foi maravilhoso. Uma casa você ficava pendurado, não tinha como. E outra, você saía, falava “[], eu estou perdendo conversas maravilhosas”. Um FOMO gigantesco.
Hoje o Zoom já permite que você co-construa vídeos de maneira assíncrona, como o Trello. Felipe, tanã, caçola, tã. Entendeu?
Que legal.
É, já permite. Por quê? Porque a comunicação assíncrona também permite com que você trabalhe com outros países, outros fusos. E a gente começou a se tocar… eh, acho que vem também uma questão de digitalização muito forte, desde os bancos. Esses dias mesmo estava vendo: bancões. Nubank tem 8.000 funcionários. 8.000. O Bradesco tem 90.000.
Caramba, bicho. Que loucura.
O Nubank não tem agência. O Bradesco tem agência em todo o Brasil, que é um [__] custo. Custo. Então cara, quem que está dando melhor? O Nubank está renovando a audiência, está pegando gente muito nova que vai ficar com ele muitos anos. O Bradesco tem muito mais velho. Então, sem prejuízo ao Bradesco, óbvio, e nem eu Nubank… o que eu quero dizer é o seguinte: a gente mudou paradigmas sem perceber na Covid. Mobilidade: será que eu quero ficar duas horas? Pô, vou sair de São Paulo para ir lá para Alphaville, juntar 6.000 pessoas num prédio? Não tem sentido.
Exato. E pagar por esse prédio ainda, porque de… o valor do metro quadrado é caro.
Então assim, tem de tudo. Teve… a gente teve mudança digital, mudança de lugar, mudança na comunicação… a gente teve mudança — isso é super interessante — a gente teve mudança intergeracional. Então pais que conviveram com seus filhos pela primeira vez, marido conviveu com mulher pela primeira vez…
Verdade.
Neto conviveu de verdade com o avô. Isso tem mudado até a moda. Outro dia, agora, 2024, eu fui ver a Camila Salek, que é uma super especialista em varejo, fazer um debriefing da
NRF 2024, que é a feira de Retail, feira de varejo. Tem duas modas agora… moda, moda fashion. Uma delas é “Eclectic Grandpa”, o papai ou vovô eclético. O que que é? São os netos que convivem com a avô e falam: “[__], sabia que essa saia é legal?”. “É, sabia que essa boina aqui não fica ruim?”. Então você via um monte de gente nova vestindo peça do avô.
Caraca, olha que viagem.
E o outro é o “Dad” não sei o que lá, que é a mesma coisa. Ou seja, é usando o time de camisa de futebol larga, entendeu? Fica uma coisa meio confortável. E para quê?
E para quê? Cara, eu… eu adoro essa… essa nova moda, acho bonito, cara.
Então, né? E e assim, Felipe, essa… essa mistura é um caminho sem volta. O que que estão percebendo — pelo menos no varejo — que cada vez mais você vai ter que ser agnóstico em relação às gerações. Eu falo muito de geração, né? Geração Alfa, geração isso, geração aquilo. Aliás, tua filha vai nascer em que geração?
Cara, eu nem tenho noção. Talvez Beta.
Beta. Talvez Beta, porque os Alfas são de 2010 para cá. 2024 ela deve ser Beta, acho. Caraca.
E cada geração tem um estilo. Tem um estilo, tem um jeito de falar, tal. O que que está se percebendo depois de 4 anos de Covid? Que as gerações estão misturadas. Você vai ter um monte de jovem com a alma velha e um monte de gente mais velha com uma alma jovem.
Total.
Acabou sendo isso. Muda toda a perspectiva de comunicação, da maneira como você se veste, da maneira como você trabalha, da maneira como você acumula. No Monopoly, né, no Banco Imobiliário, a gente acumulava casas. Ou acumula casas. Será que as pessoas querem acumular casa?
Não. Meu irmão, cara, tem… tem 10 anos de diferença comigo. Então estou com 35, ele está com 25. Eu com 18, ele é Geração Z, né? É… eu quis fazer o quê? Carro. Carro! Imagina, carro era meu sonho. Meu irmão fez 18, ele não quis tirar nem carta.
Não, eles não tiram mais.
Aí cara, meu irmão comprou o primeiro carro dele agora com 25. Com 25! E assim, por necessidade. Pensa se não valia a pena Uber, fazendo conta. Eu falo: “Bicho, como assim Gabriel, você não quer?”. E aí ele: “Não, para quê?”. E tal. Então, aí eu falo: “Ó, e a casa própria?”. “Não, mas eu tenho que avaliar se eu quero ficar preso”. Eu falo: “Cara, 10 anos… é outra ideia”. 10 anos de diferença, merda. Então cara… E aí eu quero entrar nessa… nesse… nesse negócio que… que você fala muito bem. Eu acho que é legal a gente trazer essa… esse conteúdo aqui, que assim: a gente está tendo uma dificuldade. Pelo
menos eu estou tendo uma dificuldade, e o meu público também, de contratação… eh, cada vez maior assim.
Claro. Não é… não é só você, tá? Eu quando eu tinha empresa 15 anos atrás também tinha uma baita dificuldade. Uma baita.
E cara, mas parece que… parece que eu não sei se é percepção ou é realidade. Mas a nossa percepção — e a minha é realmente faz sentido, com essa, compactua com os meus seguidores — é de que está cada dia mais difícil.
Sempre tem esse conflito geracional, né? Sempre. Todo mundo acha que a geração atual é a…
Sim, sim, tem essa…
Cara, não é incomum pessoas irem com os pais em entrevista.
Mentira. Sério?
Não é incomum.
Mas como assim? O pai vai junto?
Pai… é tipo o vestibular. O… o pai fica esperando no carro. É, o pai fica esperando no carro, leva, fica esperando a recepção.
Ah, mas cara… cara, eu não lembro disso antigamente. Assim, pessoas de 20, 22 anos…
Não é incomum encontrar pessoas de 20, 22 anos procurando o primeiro emprego. Existe uma pesquisa da Bloomberg…
Eu fico pensando, sabe, como que funciona… me dá a… a tua visão aí.
Sim. Existe uma pesquisa da Bloomberg, de agora, que se eu não me engano, 49% dos americanos até 30 anos ou mais estão morando com os pais.
Exato. Acho que até 44 anos.
Ou seja, aumentou, né, o tempo que…
Pô, aumentou porque a pessoa não quer sair de casa. Ela tem todos os privilégios para começar e, segundo, ela também não consegue, porque o mundo ficou mais caro, as oportunidades estão mais escassas. Eu acho que o Brasil…
Mas você não acha que isso afeta a… o avanço da maturidade?
Super. Claro, né? Porque querendo ou não, você… claro, vira um hotel. Quando você mora… quando você mora sozinho, bicho, sua cabeça muda completamente. Mas nem todo mundo tem essa maturidade. Eu tenho amigos que até hoje, eles têm 50 anos, eles moram com os pais. E eu te diria que se essa pessoa sair de casa, ela morre. Porque ela não sabe
assim… sabe aquele… aqueles relacionamentos que a mulher não tem um namorado, ela tem um outro filho, que ela precisa fazer a mala dele, precisa fazer… entendeu?
Tua mulher faz tua mala?
Cara, o pior que ela faz. Eu não posso mentir senão ela vai brigar comigo. [__] Cara… não, quando a gente vai viajar ela cuida, compra roupa para você… a gente tem uma divisão muito certa lá. A gente… cara, eu que cozinho, por exemplo, porque ela não gosta de cozinhar.
Não, tudo bem. E aí a gente faz esses… mas um out… você está salvo. Mas assim, em geral, tem muita gente que, né, que tem essa dependência do cuidado.
Entendi o que você quis dizer. Aquele marido que fica com a perna para o ar como se fosse um filho e a mulher…
Então, o cara ter 70 anos assim. Tem mulher que gosta, tem… gosta… Você não acha isso perigoso? Qual a sua opinião?
Super perigoso. Óbvio que é perigoso. E se isso está aumentando e as pessoas cada vez mais morando com os pais e tudo mais, eu vejo isso…
Mas aí tem um detalhe. Eu acho que assim, no Brasil você tem alguns fenômenos que talvez outros lugares não tenham tanto, mas tem.
É mesmo?
Primeiro, você tem a geração nem-nem.
Total. Nem estuda nem trabalha.
Dados de 2, 3 anos atrás mostravam que 30% — ou seja, de cada 10 pessoas, três e pouco — nem estudavam, nem trabalhavam.
Com quantos anos isso?
Uma geração de 20 a 30 anos.
De 20 a 30.
De 20 a 30.
Achei que você ia falar do 16 aos 20.
Não, que 16… 20 a 30! 30%.
O que que quer dizer isso? [__] que pariu. O cara não estuda, o cara não trabalha, alguém está sustentando ele.
Meu Deus do céu.
O cara não estuda e não trabalha. Ele está produzindo alguma coisa.
Mas o cara de 30… ou ele está se ocupando… cara, posso falar? Do céu, cara.
Não, não tem mais isso que eu estou te dizendo, assim… as… as gerações não podem mais ser medidas pela idade. Você tem um conceito hoje disso. Cara, o cara envelheceu dentro de casa. Envelheceu. Não é que ele ficou mais velho, ele envelheceu. Então assim, é pessoa que não sai do… do computador, é a pessoa que não sai da rede social, é a pessoa que tem dificuldade de interação social. De interação social. E vai ser cada vez mais assim, né? E o que que eu vejo? Existe também uma outra questão, que aí eu acho que o Além do CNPJ toca fundo, né, que é a má formação do brasileiro.
Total.
Né? O brasileiro… a gente teve um boom de faculdades nos anos 90, principalmente, que eram faculdades caça-níquel.
Exato.
E essas faculdades formaram um monte de gente que…
Vendia diploma.
Vendia diploma. Essa pessoa sai, já não teve uma educação básica boa, porque aqui o melhor aluno da melhor escola particular do Brasil é um dos últimos das escolas gringas — às vezes escola pública — então assim, é uma ilusão você pagar 4, 5, 9.000 por mês, 12.000 por mês… e tem o… o mais do mesmo.
Mês por mês para ter mais do mesmo. Ah, bilíngues… hoje, aliás, a maioria… que elas têm um ensino do século XIX…
Que não… que não evoluiu.
Não evoluiu. Com empregos do século XXI e vivendo no século XXI. Já não daria para acompanhar, mas aqui então nem se fala. Essas pessoas saem mal formadas. Então elas não têm em casa um exemplo de liderança — não estou dizendo um papo de coach, mas assim — elas não têm em casa um exemplo de “[__], vai trabalhar meu filho, se vira”, e tal. Fica lá mamando. Se forma mal, não está preparada para o diálogo, para a conversa, para ouvir um não. Claro que tem uma questão geracional também, né, que não ajuda. Então tudo isso faz com que essa pessoa não esteja preparada para nada.
Mas qual é a… eu sei que a culpa, a responsabilidade, são inúmeras, né, aquele negócio que a gente falou: não existe uma… uma resposta dual. É, mas assim, qual… quais são talvez as influências? E é mais a… a responsabilidade dessa turma da internet, das facilidades, das informações rápidas? Ou talvez de uma… de uma geração de pais que vieram de uma educação extremamente rígida e… e que ao invés de replicarem isso nos filhos, foram para o lado oposto, né, de “Putz, deixa eu ser mais amável” e tudo mais? E isso acaba se confundindo com aquele mimo de muita gente que, cara, eu… eu… eu vejo isso assim com equipe minha: pessoas que não sabem lidar… lidar com frustração, com pressão. E quando eu falo pressão, não é pressãozinha. A pessoa buga.
Claro. Pessoas com problema, eh, que inclusive de ansiedade, aqueles negócios que a… Isso. Gatilho.
Sim, gatilho. Com palavras que a gente nem usava.
Exato. Agora eu acho que o primeiro ponto é não tratar isso como mimimi, tá? Tá, assim, não tratar isso como mimimi. Então isso aí já é um primeiro exercício para mim, é não tratar isso como… porque assim, primeiro a gente está num outro momento do mundo. A gente vive na economia da comparação. Essas pessoas — eu e você inclusive — a gente está se comparando o tempo todo.
Total. É isso aí.
Mesmo para quem teve uma criação fraca ou forte, isso é o dobro de pior. Não é à toa que você tem YouTubers espetaculares com 100 milhões de seguidores e o cara está deprimido em casa. Então, de novo, acho que tem uma questão dos pais, né? Pais fracos criam filhos
fracos. Você não precisa ser também o ultra disciplinador, tal tal, não é isso, chicote. Mas assim, é evidente que nem tudo vai entrar na tua casa. É evidente que vai ter limite, né? É evidente que você fala o que você quiser. Eh, você não vai criar um filho no mundo que tem um monte de de recortes de gênero com duas chupetas falando “só tem rosa, só tem azul”. É bobagem, porque o mundo mudou e as pessoas têm que saber. Mas você também não vai aceitar tudo que vem, você não é obrigado. Então acho que, eh, na cabeça, na minha cabeça, eu acho que a educação, o… o de casa representa talvez 80, 90%. Você mesmo falou: “Bom, mas a internet, eles ficam o dia inteiro na internet”. Você, pessoa, tem uma cabeça boa? Você… você compra tudo que você vê? Não. Você acredita em todos os gurus? Isso é a tua formação. Esse é o teu senso crítico. E isso você não vai adquirir na escola, você não vai. Você vai adquirir com exemplo.
Com exemplo. Claro que você pode ter tuas questões e todo mundo tem, eu também tenho. Mas assim, de maneira geral, o que eu percebo é: existe o pai… ele é tão às vezes frustrado, ele foi tão mal cuidado — porque isso é o que você falou, né? Uma outra geração, uma geração super racista, uma geração problemática, homofóbica para [__], machista.
Cara, falasse que, por exemplo, os nossos pais, a galera da nossa geração, um pouquinho mais velha, um pouquinho mais nova, que fosse homossexual, bicho, tinha um problema gigantesco.
Não, já começa com a palavra “homossexual”, sim, que aí LGBT, entendeu? Quer dizer, é… é… é tudo novo, então é tudo um aprendizado. Acho que a questão é: é o que… que que modelo que você está sendo para o teu filho, né, ou para a tua filha ou para o teu filho? Que modelo que você está sendo? Porque cara, você para… ó, meu irmão. Meu irmão, ele é gay. 25 anos. Meu pai, quando aparecia no Gugu um gay, trocava de canal.
É, o teu pai… quantos anos tem teu pai?
Meu pai agora está com 61.
- Ele tem 10 anos a mais que eu. O teu pai e eu, a gente viu a geração da AIDS.
Exato.
E a AIDS era chamada de “a peste gay”. Então assim, é um preconceito que vem vindo de décadas.
E agora pensa para o meu irmão se entendendo gay e olhando para dentro de casa e lembrando dessas cenas.
É, mas cara, é uma… e cada vez isso… mas eu vou te falar que é uma coisa que não é só do geracional do teu pai. Tem muito pai hoje, muito, que expulsa o filho, tem pai que mata o filho, tem pai que bate no filho, tem pai que leva na igreja e… e acha que realmente o filho vai… vai sair um espírito, vai ser curado. Cura gay.
[__], cura gay.
Cura gay é assunto político no Brasil ainda, entende? Então assim, o que que eu vejo? Educação dentro de casa, claro, com os teus valores e tal, mas ao mesmo tempo tem uma questão de influência geracional. Existe. Aí o que eu acho, só para completar isso, eu não acho que a gente tem que esperar nada das pessoas daqui. Zero.
Zero.
Por quê? Porque primeiro é uma questão de identificação. Se eu vejo um picareta… eu, Marc, enxergo de longe.
Também. Farejo de longe picareta.
Se eu passo isso para o meu filho, se eu ensino o meu filho e a minha filha a farejar um picareta, eles podem olhar e não vão embarcar nisso. Agora se eles vivem mais fora de casa do que dentro, se todo mundo faz o que quer e não tem limite… chega uma hora que não recebe não para… para alimentar e… e gerenciar frustração desde criança.
Óbvio, cara. Sim, você está criando… educar é difícil para caramba num mundo que nem esse.
Nossa. Não, e assim, num mundo que nem esse é quase impossível. Agora, de novo, e eles também precisam de limites. Eles também precisam de exemplo. Se você é um exemplo — sem prejuízo ao teu pai — que hora que teu… teu filho vai dizer “pai, eu sou gay”, você dá um tapa na cara dele — que não é o caso do teu pai — você dá um tapa na cara dele, você expulsa ele de casa, você vira as costas, você para de falar… que tipo de frustração você vai criar, né cara?
E não só para ele, para… para as memórias que ele vai ter.
Total.
Para como ele vai agir com a comunidade.
Não, para como ele vai interagir com as outras pessoas.
O mais louco disso é que meu pai aceitou super mega maravilhoso. Mas… mas a questão é que esse… essas atitudes que ele tinha já davam um faro para o Gabriel de que “vai dar merda”. Só que quando aconteceu de fato, talvez ele se aliviou.
Ele se aliviou. É, sabe de… e assim, e até estranho falar “aliviou”, né, parece que ele tem um diagnóstico.
Eu acho assim, eu tenho muitos amigos gays, mas a… a questão é que… e cara, quando a pessoa… ela precisa de certa forma de uma aceitação dos… dos próximos.
Claro. A validação das pessoas que são importantes para você é essencial. Cara, claro.
Tanto que você vai ter um monte de homens gays… lésbicas, porque eu não convivo tanto, né, nem pessoas trans tanto, mas especialmente de homens gays, que a primeira identificação é com a mãe.
Total, total. Porque assim, [], falei para minha mãe, minha mãe aceitou na hora, a heroína aceitou na hora. Meu pai distanciou, meu [] meu irmão não sei o que lá. Então assim, existe mesmo isso, existe esse acolhimento da mãe. E eu acho que cada família é uma família, não tem esse lugar de fala de falar “como que é ser gay” e tal. Mas eu faço os meus filhos conviverem com todos os meus amigos gays e dizendo que eles são gays: “Ele é casado…”.
Normal, normal, normal. Porque é o mundo que eles estão vivendo.
Exato. Não adianta querer travar também essas coisas. Você… assim, você trava aqui, ele solta lá. Eu prefiro que eles… não estou dizendo que eu vou botar um baseado na boca do filho: “Ah, fuma comigo”, porque até porque não fumo. É assim… é assim, fuma comigo porque eu prefiro que você fume dentro de casa. Não é essa ideia. Mas assim, eu não vou privar meu filho do mundo porque eu fui criado desse jeito ele… e hora o mundo vai se apresentar para ele, cara. E pode se apresentar do lado ruim, pode se apresentar da pior maneira possível.
Boa. Já ouviu em casa. Se ele já debateu, se ele já deglutiu junto com pessoas que ele confia, é muito diferente do que ele confiar num Zé Mané, entendeu, mal… como é que fala? Mal intencionado.
Total. Perfeito, cara. E agora entrando nesse mérito ainda do trabalho, a dificuldade e tudo mais… as coisas estão mudando cada vez a uma velocidade maior. É maluco o quanto essas mudanças estão sendo cada vez mais impactantes. Se a gente para para analisar, por exemplo, o advento aí da… do ChatGPT, cara, esse negócio aí pode mudar cada vez mais… já mudou.
E… e… e a gente… mas cara, a gente… eu fico pensando, eu falo: cara, é impressionante o quanto pode mudar ainda. É… é maluco. É uma transformação… é tipo a internet na minha cabeça, eu acho.
Sim, eu concordo. Eu acho que assim, a gente… eu estava falando do “não tem lado bom na pandemia, mas tem aprendizado”, e eu acho que para mim — que eu estou escrevendo o livro — teve muitos aprendizados. Por quê? 2020 a gente… um mundo virou um negócio das telas, tal, outro distanciamento, mudança de cultura, mudança digital. Aí em 2021, ressaca, mas a gente ainda estava vivendo um pouco isso, o novo normal tinha se estabelecido, cristalizou. 2022: guerra na Ucrânia, ameaça nuclear real, pressão de todos os lados, muita gente se [__]. A gente acompanhando essa guerra pelo TikTok.
TikTok. Foi a primeira guerra do TikTok. A gente está falando fora do ar, né? Você tem 35 anos… 35 anos atrás teve a Guerra do Golfo, né, um pouco depois, 91. Era a primeira vez que a CNN mandou pessoas para acompanhar… para acompanhar. Então no tanque, o cara subia no tanque para filmar. Claro que teve na Segunda Guerra, mas desse jeito não. Então você jantava assistindo na televisão. Depois você teve as guerras de Facebook. Aí você tem a guerra do TikTok, que tem um componente: muita gente se beneficiando da guerra para criar narrativas falsas, muita gente “tiktokzando” a guerra, no sentido de infantilizar e de falar besteira do que não sabe. É… eh, em 2022 quando teve esse ano, foi o ano do metaverso.
Metaverso. Tudo era metaverso. Zuckerberg falando e blá blá blá.
23: ChatGPT. Por quê? Porque flopou o metaverso. É. E o ChatGPT entrou em 30 de novembro de 22 e teve 100 milhões de usuários em poucas semanas.
É impressionante, né bicho? Mas muda muito. Você usa?
Eu uso todo dia, o dia inteiro.
Exato. É… é meu consultor, é meu assessor.
E agora que abriu para loja, você tem os prompt prontos, cara.
Nos… abriu para loja? Abriu para loja. Então você consegue pegar prompts prontos. Cara, eu estava com uma dúvida trabalhista lá, sabia, não sabia… e aí tem que perguntar para o contador e tal tal tal. Cara, eu baixei um prompt de trabalhista… cara, os caras não… tá… você… você não tem ideia.
Não. Então é isso que… às vezes eles respondem melhor que as pessoas. Só que isso muda, como você falou do teu irmão: teu irmão não… não tem carro. Não tinha isso []. O cara que faz a plaquinha, o cara que vende o papel para o Detran, isso [] as escolas de de, né, autoescola, [__] a indústria automobilística.
É, vende menos carro.
Acontecendo… que coisa maluca. Quer dizer, tudo é… tudo está interligado. O… a… a geração vai desmontando alguns castelos de cartas.
Exato. E eu acho que o ChatGPT vem para isso assim, ele vai… ele já está, né, mudando. Uma pessoa que é tradutora, intérprete, por exemplo, se o cara não faz ao vivo ali, cara, já era.
Já era. Não, eu vi um post esses dias dos dubladores. Mas cara, é luta… é luta sem…
Eu acho que é uma das poucas gerações que a gente vai ver dublador ainda. Porque assim, cara, é… para quem está com o negócio, é muito mais barato, é um outro custo. Te falei do Nubank agora há pouco, ele vai contratar um… cara…
Claro. Estou dizendo super dubladores é uma coisa, mas para o dia a dia…
Eu já escuto um podcast chamado “Vou… depois eu vejo”. E esse podcast… “Mente Consciente”, uma coisa assim. Eu demorei um pouquinho, mas ele é só voz de… de… de… de Inteligência Artificial.
Só a IA?
A mulher, o homem, o idoso… só essa voz. O que que o cara faz? Ele cria um texto no ChatGPT, ele joga num negócio de voz, aquilo lê e ele sobe no… no… no Spotify.
Caraca, bicho.
E tem gente fazendo mais: já tem apresentador na China e na Índia que é um Avatar. Por quê? Será que eu preciso botar uma pessoa às 3 horas da manhã lendo uma notícia tipo BandNews TV e repetindo e repetindo e repetindo e repetindo? Não vou chamar de “fantos” que só colegas, depois eu apanho, mas assim… será que essa pessoa precisa ficar o tempo todo?
Exato. Porque antes era necessário fazer isso.
Hoje você bota na… na boca de um Avatar. Claro que guardadas as proporções, né, uma pessoa é sempre melhor e tal, mas você põe na boca de…
Mas isso vai ser pessoa, vai ser diferencial.
Vai ser diferencial pão perfeito. Eu acho que é isso. E aí a pessoa está lendo ali. Será que eu preciso contratar um redator para escrever que o Messi jogou ontem, marcou dois gols? São 3 segundos, o ChatGPT faz nem isso. Então, de novo, acho que muitas profissões comunicacionais em especial, elas estão eh, têm tendência a desaparecer ou a se transformar. Então eu vejo que tem alguns pontos aqui para te devolver a palavra. Eu acho que a gente a) tem que olhar para as novas gerações com outro olhar. A gente tem problema de aceitar que a nova geração é diferente. Então não chamar de mimimi, ponto. Depois: o que que eu posso extrair dessa pessoa? A pessoa não é de toda ruim, né? Então pô… e outra: são pessoas que cresceram com essa tecnologia, deve ter um background ferrado. Elas têm uma outra visão de tecnologia, elas são nativas digitais, elas têm mais rapidez de pensamento, elas têm um recorte que a gente precisa, de gênero, de raça, de religião. Gordofobia. Imagina, gordofobia era uma coisa que você não falava, era uma palavra… era um palavrão, né? Cinco anos atrás eu me lembro a primeira vez que eu vi de gordofobia, da Preta Gil falando para o pessoal do Pânico: “Você está sendo gordofóbico”. As pessoas riam. Hoje, cara, você é gordofóbico, você é mandado embora.
É mesmo.
E por que que você vai ser gordofóbico? Você gostaria que teu filho ou tua filha tivesse acima do peso ou super gordo e todo mundo ri dele? É [__]. Então assim, só que essa é uma consciência que todos nós que já fizemos piada com gordo está mudando.
E sabe… mas sabe uma coisa que também eu vejo? Por exemplo, de uma gordofobia sobre pessoas acima do peso, também tem se naturalizado algumas coisas que, por exemplo… aí eu queria saber a tua opinião. Por exemplo, vou tocar num vespeiro aqui, tá?
Pode tocar que eu respondo tudo.
Uma Thaís Carla, tá? Que ela está num peso que de fato isso já é considerado na medicina — não é um preconceito sobre o peso dela — mas a normalização de um peso como da… da… da Thaís Carla, de fato isso influencia na saúde dela, porque tem inúmeros problemas de saúde que a… que… que um peso desse pode gerar. A normalização de super peso, digamos assim, não pode ser uma coisa perigosa, se confundindo? Se eu acho que… eu acho que a pauta de gordofobia é extremamente válida, cara, mas tem duas coisas aqui. Mas eu acho que ela se confunde… eu acho que é o efeito pêndulo, acho que da sociedade. O que que você acha?
Acho tem algumas coisas. Acho que a Thaís Carla… vamos tirar a Thaís Carla para não ser processado, porque ela processa.
Ela processa.
Mas digamos Thaís Carla… eh, esse… esse tipo de hate muitas vezes ajuda no engajamento. Tem pessoas que se beneficiam — não vou falar da Thaís Carla porque acho… eu não conheço, não acompanho, mas sei quem é — mas tem gente que se beneficia disso. Falem bem, falem mal, mas falem de mim.
E o pessoal está… tem gente usando isso.
Muita gente usando isso. Usando muito, super, com uma super inteligência aliás. Então assim, de novo: fale bem, fale mal, vai ter hate. Se ela postasse só fotos fofas ela ia ter hate do mesmo jeito. Se ela cantasse sendo gorda ela ia ter hate. Se ela cozinhasse, pessoal falar que ela ia comer tudo. Sempre vai ter hate com gordo, ponto.
Sim.
E aí eu te faço uma outra pergunta: cara, deixa as pessoas. Ela quer… ela tem 200 kg, quer botar um biquíni, [__]. Entende? Não dá para eu ficar puto se a Thaís Carla quer botar um biquíni.
[__]. Então, mas não é nem por… por pôr o biquíni. É talvez e trazer uma uma… uma padronização.
Mas quem falou que ela quer padronizar? Entende o que eu estou falando? Ela quer ser livre. É tanto que tem o movimento Corpo Livre. Ela quer ser livre. Se ela quer botar []… é que as pessoas já estão preocupadas com o peso da Thaís Carla. []. Tipo assim, [__]. Marc, e outra: é ela. É ela, cara.
Exato. Não é você. Você não concorda? Emagrece você.
Exatamente, cara. É exatamente. Então você vai se [__]? Tipo, vou ficar “ai, não posso falar da Thaís Carla, está normalizando…”. Quem está normalizando? A real é o seguinte: a internet…
Cara, ela lançou um livro… um livro falando “precisamos engordar”.
Isso é uma coisa. Aí realmente é como a Maíra Cardi, às vezes fez umas postagens consideradas problemáticas, falou de estupro… é… como que ela falou? Não sei lá, é um estupro de comida, que o cara enfia comida… sei lá. Isso é um tipo de conteúdo que eu acho que pode confundir sim. Isso pode. Agora a Thaís Carla usa biquíni, ela se sentir gostosa porque ela está gorda… [__]. É ela, acorda, é ela cara.
E… e você falando “a gente está preocupado com o peso da Thaís Carla”, você tem noção que o mundo virou… Cara, é muito louco isso que você está falando isso e eu estou refletindo aqui. E você parar para analisar, cara, a internet ela está muito louca e ela coloca a gente na loucura.
Coloca a gente na loucura de novo: de ter opinião sobre tudo quando a gente não está desperto. Quando você está desperto para o negócio, quando você está ligado que se eu xingar Thaís Carla alguém vai ver o meu comentário, eu vou me queimar… se eu xingar Thaís Carla é porque eu tenho dentro de mim um preconceito que não vai me levar para frente, para começar. Total, né? Para começar. Se você externar isso publicamente, além de tudo você é burro, porque cara, alguém vai printar e vai usar contra e vai usar contra você. Então assim, tem muitas… fala, palavra da moda… camadas nessa história da Thaís Carla. E não é só a Thaís Carla. É isso na negritude, é isso entre os gays, é isso com pessoas trans. É isso, cara: a pessoa é trans, não pode… foda-se, [__]. Deixa a pessoa viver.
Se eu… cara, a gente mora num mundo em que a pessoa não pode ser o que ela quer ser. Exato.
Por causa do outro. Você tem noção? A única coisa que eu acho que confunde um pouco é quando essa pessoa, ela quer forçar que os outros…
Sim. Bom, beleza. Aí eu acho que é um outro território, que é o que a gente entrou na… que seria talvez o livro da da Thaís Carla falando em “gordar”.
Exatamente. Entendeu? Eu acho que é uma questão de militância. Você vai ter o militante que é o militante necessário em prol da sua própria causa, de forçar ele… assim, você pega uma pessoa preta que fala sobre racismo — que é uma… que é um erro também você achar que todo preto tem que falar de racismo, é que nem todo judeu tem que falar de antissemitismo, não é o caso, então assim, já é injusto isso — mas digamos as pessoas que são pretas, que são… estão dentro da causa, essas pessoas elas têm uma militância necessária.
Uhum. Necessário. Porque cara, se não fossem elas…
Exatamente. Se você… se não fossem essas pessoas, o que que seria do mundo? Não… essas pessoas mudaram os preconceitos graças a elas.
Mudaram os preconceitos. Aliás, tem um… tem um… a gente falou pouco aqui, né, nem falou dos PCDs, da pessoas com deficiência. E tem um documentário maravilhoso que foi produzido pelo Obama e pela mulher dele, Michelle, chamado “Crip Camp”. Você já assistiu ou não?
Assiste, cara. Onde que está?
Está na Netflix. Na Netflix. Que é o quê? Fizeram uma brincadeira do nome “Crip”, né, que é uma coisa assustadora, tal, com um… um… um “Camp”. E por que Camp? Porque teve um… existiu nos anos 60 e 70 nos Estados Unidos, perto de Nova York, uma colônia de férias que começou a ser frequentada por pessoas com deficiência. A questão é: chegou um tempo que os pais largavam as pessoas lá. Você tinha um monitor, mas as pessoas eram largadas. Que que elas fizeram? Começaram a viver. Transava sem camisinha, pegavam eh, doença venérea, fumavam para caramba, riam para caramba… E um cara levou uma câmera na época. Então são as imagens daquela época, que era o quê? A normalização.
São imagens reais?
Reais! Reais. É maravilhoso. O que aconteceu? Todas essas pessoas que saíram daquele campo viraram militantes pelas pessoas com deficiência e mudaram o mundo nos anos 60 e 70. É maravilhoso.
Que legal, cara.
O que eu quero dizer com isso? A gente tem que deixar as pessoas serem quem elas quiserem. E sabe o que eles falavam na época? “Meu pai super me protege, meu pai não me deixa…”. Isso era o pai que fodia a vida do cara. O cara só queria ser um adolescente, ele queria transar, ele queria… ele queria zoar com os outros e ele não podia. Por quê? Porque o pai super protegia. Super proteção. Então veja que interessante: as pessoas querem ser elas mesmas. Se o cara está a fim de cara botar []… [], o problema é dele. Dele, só dele. Isso… a… o problema ou a solução, só dele. Eu não estou nem aí. [__]. Agora existe sim, aí eu acho, uma agenda militante. Uma agenda militante que interfere em coisas que acho que são delicadas para interferir.
E é [__], porque essa agenda muitas vezes vai contra a própria causa.
Porque querendo ou não, você… quer ver uma que para mim mais confunde do que ajuda? Eu não estou dizendo que ela não deve existir, mas eu estou dizendo que a gente precisa tomar muito cuidado: linguagem neutra. Eu sou comunicador. Quando eu chego no lugar, eu já falei, mas não falo mais: “Bom dia a todes”. Porque talvez no lugar que eu esteja tenha uma pessoa trans. Ah, mas ela precisa ser contemplada. Tudo bem. Quando eu me dirigir a ela… todos, eu falo todas e todos. Quando eu me dirigir a ela, eu vou contemplar. Agora se eu vou num lugar em que a maioria é de pessoas trans, se eu vou num lugar super progressista, se eu vou num lugar que realmente adapta o discurso, eu adapto o discurso. Óbvio. Mas tudo bem.
Que nem se eu vou num lugar de que vai ter só mulher… chamar… exato. Todas. Vou chamar de todos.
É isso aí. E quando eu vou no lugar que está mesclado, eu também chamo eh, pelos dois. Então assim, eu acho que isso por exemplo é uma agenda que eu não… isso eu conversei com pessoas trans sobre isso, elas não adotam sempre. Entende? E você vai ter… tem uma outra questão: feminismo branco. A mulher feminista branca é uma, a mulher feminista negra é outra.
Porque a experiência de vida da branca é muito diferente.
É completo. A pessoa não atravessa a rua quando te vê, a pessoa não te humilha quando te vê. A pessoa acorda preta e dorme preta. Isso ouvido das pessoas que eu frequento, que são negras. Então o feminismo branco, que é um feminismo diferente…
É outra pegada. É o gay de periferia e o gay do asfalto, que é totalmente diferente.
É sim. São… são… são… são pessoas que sobreposições de vários preconceitos que vão se somando.
Exato. Exato. Você tem o o eh, o empreendedor da favela, você tem o empreendedor do morro e você tem o empreendedor do asfalto, como eles chamam. Então assim… e aí eh, eles vão ter a mesma experiência? Não vão ter a mesma vivência. Completamente diferente. Tem até algumas feiras hoje que promovem o Expo Favela… ótimo.
Foi… ô… ô Mark, cara, top. O tempo está acabando, mas eu quero entrar no assunto… Passou rápido, né?
Passou, passou. Mas eu quero… eu quero entrar num assunto que… que eu acho que é legal a gente trazer também, você como judeu, tal, cara… que é a guerra que está acontecendo.
E falar disso hoje…
É. E que a gente, cara, não pode… o final da… pode… o final… hoje eu não queria falar disso, mas cara, sabe por que que acho que é importante? Porque eu acho que está trazendo… E aí, cara, eu vou entrar no assunto, você vai discorrendo do jeito que você acha melhor. Se não quiser entrar…
Tem mais três minutos. Então a hora que começar a polemizar, para.
Polemizar, para. Mas assim, cara, a gente tem um… várias coisas acontecendo, né? Uma guerra sim, que está vindo em retaliação a ataque que aconteceu e que parece que a ordem está se invertendo. A narrativa está se invertendo, colocando… colocando o… a vítima, na minha opinião, como agressor. Eh, alguns países como o Brasil não se posicionando porque não quer comprar nenhum lado, mas no final… ou o em cima do muro, essa é uma posição. E essa posição é extremamente delicada, porque ainda mais com quem está interagindo já sabe qual é a opinião antes… do Lula lá que… que tem essa opinião aí… Lula, faz o L… que está… que está na… nessa posição. Eu sei o quanto a
comunidade judia está extremamente decepcionada, inclusive. E cara, e você pega algumas narrativas assim… eu estava esses dias na Paulista, estava tendo… cara, sábado, Hamas… cara, eu… eu vi uma… uma manifestação de maior galera com camisa da Palestina e…
Da Palestina tudo bem.
É, então… mas… mas nesse momento era essa a pauta deles, né? Contra Israel e tudo mais. E cara, na própria Paulista você tem lá as banquinhas de camiseta que o pessoal está… os… os camelôs, eles nem sabem o que estão vendendo…
Estão vendendo o quê?
Está vendendo coisa do Hamas. É. E estão vendendo coisa Hamas e assim, gente usando. Sim. E cara… cara, é muito louco isso, porque eu não tem nem explicação. E aí você vê o quanto a narrativa, sim, é perigosíssima, cara. Qual a tua opinião de tudo isso aí?
Cara, existe uma importação do conflito. Ela existe. E aqui no Brasil, curiosamente, os grupos progressistas — e eu sou um cara mais progressista — abraçaram a causa Palestina. Que está tudo bem a pessoa dizer que a Palestina, a Palestina bem. Não é esse o problema. O problema é quando você eh, invalida 1.200 mortos. Quando você invalida anos recebendo foguete na cabeça. Cara, cada neutralização de um foguete sabe quanto custa para Israel? 50.000.
Caraca.
Sabe quantos foguetes eles são dia? 1.500, 2.000 foguetes num dia. No… no durante o 7 de outubro, eu estava acordado, era de madrugada aqui no Brasil e lá já estava amanhecendo. Os caras entraram de… parece… eles lançaram muitos foguetes para poder, né… e foram entrando pelos buracos. Uma [__] cagada da defesa de Israel, ponto. Não tem o que falar “ah, não…”. Não, foi. Foi. E estava sendo gestado há anos. Não tinha um informante para falar? Isso é uma questão militar. O que eu quero dizer é o seguinte: não dá para você normalizar uma guerra em que mulheres são estupradas, em que corpos são dilacerados de tanto… cara, bebês. Você tem pai sendo morto frente do filho… vai me dizer: “Pô, em Gaza também?”. Também. Não estou dizendo que Israel é santo. Mas Israel não entra para estuprar as mulheres e tal.
E outra: parte do que acaba acontecendo um pouco é o próprio… o próprio grupo lá colocar a cidade, as famílias, as pessoas como escudo.
Ah, mas bom, isso aí é… isso é conhecido entre os… é, entre os… os terroristas. Por quê? Primeiro que eles não têm um exército, são civis e… e são milícias. Segundo: e a maioria dos mapas de calor, quando descobre o negócio, está num drone ou está num avião, ele ataca. Só que o que o cara faz? Ele coloca o lança-foguete dentro de uma escola. O cara
fala: “[__], nunca vai atacar uma escola. Se os cara passar aqui, não vai atacar uma escola”. Por que que o Hamas, em vez de eh, criar túneis de infraestrutura para poder atacar, não investiu numa escola? Não investiu num hospital? Lógico que a vida deles é ruim. Lógico. Agora, se abaixarem todas as fronteiras, quem você acha que vai atacar quem primeiro? Você nem responde.
Então, o que eu vejo aqui no Brasil…
Infelizmente, muito maluco.
Infelizmente é muita gente se dizendo especialista do tema — eu não sou, mas se dizendo especialista do tema — sem saber nada. E mais do que isso: gays pela Palestina. Se um gay entra na Palestina, ele é cortado em pedaços. Pedaços. Pendurado em praça pública. Não sabe o que está falando. Ah, mulheres que silenciam diante e contra a opressão do Hamas. Cara, onde mulher foi estuprada dia 7 de outubro… elas falaram alguma coisa? Nada. Eh, e eu fui abandonado. Existe um sentimento na comunidade judaica de abandono, de solidão, de pessoas que você sempre ajudou e que não te passaram uma DM para dizer “tá tudo bem?”. Porque se eu ter um — Deus me livre — um ataque desse a um grupo negro ou japonês ou coreano, a primeira coisa que vou fazer é procurar esses amigos para prestar uma solidariedade. Mas eu acho que a pauta aqui progressista é tão… existe um pacto tão grande que essas pessoas não ousam defender Israel. Porque na cabeça delas…
Israel, que é super gay. Que é super gay. Tel Aviv, super gay. E Israel, que é a única democracia do lugar — todo o resto é teocracia e, né, eh, ditadura. Israel que tem 1 milhão de… não sei se chega a 1 milhão, mas assim, centenas de milhares de etíopes, ou seja, população negra.
Negra.
Negros. Morrendo, né, dentro dos territórios palestinos. Quer dizer, tem toda uma diversidade e aqui no Brasil foi sequestrado. Não… não se fala disso.
Finge que não existe.
Imagina, finge que não existe. E o que que Israel virou? Israel, que é na verdade uma partilha chamada Partilha da Palestina, que foi uma retribuição da ONU depois do Holocausto — que matou 6 milhões de judeus — pegaram um pedaço de terra onde já moravam judeus e árabes, falou “ó, isso aqui”. No dia seguinte teve a Guerra da… da Fundação. Ou seja, nove — acho que nove — países entraram contra Israel. Só que Israel sempre foi bom de militar, por isso que é tão chocante agora. Então não é santo. Não é um lugar de santos.
Sim.
Não é o lugar do… Israel está sendo colocado como branco colonizador e blá blá blá. Não é um lugar de branco colonizador. E existe um problema sério na Palestina, que Israel não é santo. Lógico que tem seus problemas, tem questões profundas de muito tempo.
Questão é que… é que as pessoas buscam o lado perfeito e não existe lado perfeito.
Exato. Lado perfeito numa guerra… e “ah, mas não é uma guerra, é um massacre”. Cara, tudo é massacre. É… tudo é massacre. Teve muitas guerras que Israel foi massacrado, de um lado, de outro. Então assim, não tem. Agora, o que não dá é para você defender coisas que são indefensáveis e… e relativizar, como tem acontecido. É pessoal falar “ah, mas é um genocídio palestino”. Cara, um genocídio aconteceu na Segunda Guerra Mundial. E a palavra genocídio foi porque eh, quiseram matar um gene… cara… por meio dos arianos…
é… essa é história do genocídio. É. Então assim, tem muita merda sendo falada dos dois lados. Tem muita gente… tem muito israelense rindo dos palestinos, fazendo enquete de humor. Está errado. Agora, não fala que é um genocídio. O genocídio é uma outra coisa, é uma máquina de morte. “Ai, tem muito israelense que fazendo mesma coisa que o Hitler fez”. Não é verdade. Lógico que… que não é verdade. Você não tem um campo de extermínio. “Ah, mas estão sendo exterminados”. Cara, é… ninguém mora lá para saber. Ninguém está lá para saber. Você vai falar para pessoas que estão tomando um foguete na cabeça há 5 anos… Teve um… eu vi os… os vídeos — entre aspas, proibidos — as pessoas foram mortas com lança-chamas.
Caraca. [__]. Lança-chama.
Tem… Sabe aquele… o Vesúvio? Hum. O… o… o vulcão Vesúvio. E quando caiu, as pessoas morreram assim com posição de medo… É uma coisa. Você tem, Deus me livre, um filho que morreu desse jeito… você não vai pirar?
Nossa, cara.
Então assim, você é louco. Não dá, não dá para a gente relativizar agora não. As fotos de bebês, cara… bebê, cara, é maluco. Não dá para… cara, não tem.
A dizer: “Pô, do outro lado também morre bebê”. Verdade. Só que do outro lado eles colocam muitas vezes a criança na linha de frente. Você não vai ver um israelense — onde o porte de arma é liberado — um israelense fazendo foto do filho dele com uma granadinha na mão. Nenhum. E lá do outro lado tem o tempo todo. É uma cultura, os caras crescem com essa cultura.
A pegada de guerrilha. E não vai… e não vai melhorar. Por quê? Porque tem um [__] desemprego, entende? Você tem outros fatores que é o… é o… é o que eles se apegam.
Exato. Para acreditar e viver. Então não tem santo. É muito ruim para todo mundo. Eh… é muito ruim que também tenha sido… esse conflito tenha sido tiktokizado. Por quê? Porque existem muitas narrativas e tem muita gente tratando isso como um brinquedo de rede social. E não é. As pessoas lá estão morrendo.
Entende? É louco, porque a rede social, do mesmo jeito que informa… Claro que não… mas eh, ela abranda. Super branda. Tipo… super branda. Vira um… vira… sabe o quê? Um filme.
Exato. Vira um filme. As pessoas esquecem que aquilo é realidade. Eu já fui para Israel, eu tenho família no exército, eu tenho gente que tomou um foguete três dias atrás na rua de trás.
Caraca.
Aonde a minha irmã ficou morreram não sei… acho que 90 pessoas que a minha irmã ficou lá uns anos atrás. Quer dizer, não é brincadeira, está acontecendo real. E a vida do
palestino também não é brincadeira. Então assim, eu acho que tem muita gente só que se importou o conflito. E aí a gente tem um… um governo brasileiro que não ajuda em nada. Onde o Lula demorou… ele nem citava a palavra Hamas, não falava que era terrorista. Quer dizer, você tem um Genoíno que fala que você tem que boicotar empresas de judeus. Ou seja, e ele está misturando as bolas e está incitando, porque ele é uma liderança.
Sim.
Né? Você tem o samba do Hamas… com… você tem quando o cara fala “Palestina do Rio ao Mar”. Então assim, é muito ruim o momento. Aumentou 1000%… 1000% os ataques antissemitas no Brasil.
Aconteceu esses dias na Bahia. No Brasil, né? No Brasil. Na Bahia lá, você viu? Quebraram a loja da menina.
Exato. Então assim, por quê? Porque as pessoas já se sentem autorizadas. Esse é o problema da narrativa.
Exato.
Quando o presidente fala em… do Brasil fala em genocídio, por que que eu não vou falar? Por que que eu não vou falar? Quando o presidente do Brasil… faz quatro meses que delegações da comunidade judaica estão tentando um encontro com Lula. Sabe quantas teve? Né? Nenhuma. Nenhuma. E aí numa situação como essa, [__], cara, no mínimo ele tem que proteger os judeus brasileiros. No mínimo. Ninguém aqui está eh, levantando bandeira que tem que matar Palestina, não é isso. Mas assim, você tem que ser equânime. Minimamente equânime. Ele foi receber os extraditados palestinos que vieram para o Brasil, ele foi receber essas pessoas. E aqui não recebe ninguém. Ninguém. Para, pelo menos, para ouvir. Não estou dizendo que ele para dar razão para um ou para outro.
Exato. No final ele já tomou um partido, ele já tem uma opinião.
Já tinha. E está tudo bem. Eu acho que o… o cara pode ser pró-palestino, tá… tá certo. Se o cara tem uma identificação, ele tem que ser pró-palestino.
Mas não ignorar a realidade do que aconteceu.
Exatamente. E você não deixa o teu povo, né, à miúda aqui. Então o que que… que está se vendo? Existe uma importação do conflito. Existe uma importação do conflito nas universidades. E você vai ter alguns judeus — que eu não vou nem citar o nome — que se dizem antissionista, né? Antissionista. Que o sionismo é racismo, sionismo é uma identidade colonialista e tal.
Nossa Senhora.
Quando na verdade você negar a existência de Israel é você negar a existência do povo judeu. Que Israel só existe por causa do Holocausto. Então assim, é… é meio óbvio, mas para essas pessoas não é. E aí eu acho — para a gente encerrar o assunto — eu acho incrível que você tenha judeus que defendam eh, não só o direito do povo palestino… tipo, porque é isso, tudo bem, eu também defendo dois estados. Mas como é que você vai
constituir um estado se você tem uma liderança outra? Israel tentou, tentou várias vezes acordos: “Ó, faz, fica aqui”. “Eu fica aqui”. Não deu. “Fica aqui, fica aqui”.
Exato, exato, exato.
A política de assentamento que é ruim, não é boa.
Sim. Só que ela está aí.
É, né? E aí quando você fala de um judeu fala: “Não, isso é uma insurgência Palestina, entrar e matar 1.200 pessoas a minha urgência Palestina…”. Eu digo para essa pessoa que se eu vi um… um judeu, um judeu falando isso, eu acho até engraçado. Porque esse judeu seria o primeiro a ser morto quando ele desse de cara a cara com o Hamas. Ele ia ser o primeiro a estar no trem indo para Auschwitz. Então esse judeu, ele na verdade é um idiota útil.
É, ele faz um papel de idiota. Está todo mundo rindo da cara dele.
Por quê? Porque ele é um… um… exato, um trouxa que está sendo pego ali para a causa dos outros, sem perceber, por uma narrativa, se colocando na rueira. Que ele seria o primeiro rato, é, né, a tomar na cabeça. Se a gente pudesse de… colocar essa figura de linguagem — que é muito ruim, mas bom, que os nazistas usavam contra os judeus. Então é assim… então muda um pouco, vai. Mas ele seria a primeira pessoa a ser morta. Você acha que o cara do Hamas ia entrar com uma metralhadora, uma camerinha GoPro — porque eles filmaram tudo, né, embora muita gente tente desmentir, “o Hamas diz, não foi exército de Israel que matou”… Hamas filmou eles! Eles fizeram a própria prova. Você acha que ele ia levantar a mão e falar assim: “Querido, eu também sou antissionista”? E o cara do Hamas falar: “Ah, então tudo bem, então… então vem… então vem”? Imagina! Ele ia ser, cara, cortado em ossos. Então é ridículo. É muita gente ridícula junta e com o microfone na mão.
Essas pessoas ganharam algum poder, ganharam voz. Ganharam voz. Complicado. É complicado. Mas cara, assim, eu acho que o tempo vai também mostrar muita coisa. É, o tempo… o tempo ele é o… é o pai de muita coisa, é o senhor da razão.
Claro. De novo, eu não estou aqui fazendo proselitismo não… os palestinos… não estou. Acho que os palestinos têm a causa deles e está tudo bem. Eu acho que tem que ter a causa Palestina. Eu também sou a favor de dois estados. Mas como é que você vai fazer dois estados sendo que um é o Hamas que está no…
Não, e outra: e… e a Palestina ela tem que também chegar num acordo, cara. Vai ficar… é, vai ficar em guerra para o resto da vida.
Pois é. Uma vez eu perguntei… uma vez perguntaram recente para o Pelé: “Quem que é melhor, você ou o Maradona?”. Aí ele falou… olha, ele falava na terceira pessoa, ele falava: “Olha, primeiro o argentino tem que decidir quem é melhor entre os argentinos, depois ele vem falar do Pelé”. Eu acho que com a Palestina é uma coisa parecida. Eles têm que se entender primeiro entre eles. Eles não se entendem. O Hamas subiu por causa de um golpe de estado, tomou o poder. E Fatah, que era uma outra divisão e já está na Cisjordânia. Aí
você tem Organização pela Libertação da Palestina, que virou um outro grupo. Hoje você tem dentro do Hamas subdivisões.
Tanto, várias.
Tanto é que… Jihad Islâmica. Tanto é que o desespero do sequestro é que não é que o Hamas sequestrou. Você teve milhares de civis que entraram para matar milhares e que foram… que capturaram pessoas. Onde estão esses reféns?
Onde estão esses reféns? E aí para finalizar… e… e estão sendo recuperados aos poucos, mas cara, um monte é… infelizmente.
Então assim, as pessoas podem entrar, uma casa pode estar num túnel, pode estar numa caverna.
Caraca, que loucura.
E de grupos que não se falam. Não é que é um grupo que sequestrou, são vários grupos. Eu não tinha essa visão. É, pô, mas as pessoas não têm mesmo. É uma… Então na verdade quando fala Hamas é… são várias frentes de…
Você tem dentro do Hamas… você tem uma… você tem os… os “super”, e super assassinos, vamos dizer assim, que são Brigadas — acho que é Al-Quds. Então assim, você tem de tudo. Deve ter gente lá da Al-Qaeda no meio.
Deve ter. Você vê como é complexo e as pessoas normal… aí tem os… os especialistas que não entende [__] nenhuma e fica “não é isso, é isso”.
Por… sabe que tinha nos vídeos que eu vi… eh, de dentro do Kibutz, bandeira do Estado Islâmico. Eles levaram bandeira e estenderam do Estado Islâmico. Então assim, é muita… é muito… muita vertente. Agora, guarda o que eu vou te dizer: o grande mal dessa história toda são os Aiatolás do Irã. São eles que potencializam tudo isso, financiam, treinam e eles não sujam a mão. Mas eles têm cabeça de lança no Iêmen, na Síria e dentro, né, dos territórios palestinos.
Estados Unidos já está meio que retaliando, né?
É difícil. O Irã é muito grande, eles são muito sanguinários. Grana, grana. E… e aí você tem uma… tem várias teorias, né? Israel estava se aproximando da… da Arábia Saudita quando foi atacado. Aí, óbvio, você tem um ataque desse, o mundo árabe se fecha para qualquer tipo de acordo. E aí dizem o quê? Que o Irã é contra a Arábia Saudita, então ele não queria que Israel se aliasse à Arábia Saudita, então ele fez um atentado. Tem muitas histórias, a gente nunca vai saber.
Isso que ia falar. E pior que não tem como saber, cara. Vira uma loucura.
O que a gente sabe é: existe um preconceito muito grande contra os judeus no mundo. Ponto. Seu José Genoíno que falou aquela merda gigante: “boicotar loja de judeus”. Se ele
falasse “vamos boicotar as lojas dos negros” ou “a loja dos homossexuais, dos gays” ou “as lojas…”, ele estava [__], né? Mas do judeu tudo bem. Então é assim… e eu vi uma certa passividade da população aceitando isso.
Cara, doido. Caramba, como assim, mano? Só não é antissemitismo matar judeu, o resto está tudo… tudo é… tudo é. A nemi o negócio deles pode, não pode… tudo pode.
Começou na Europa a ter negócios sendo marcados. Sim. Que também tem uma outra teoria, diz que quem marcou aquelas estrelas de Davi foram agentes russos, porque quando o russo marca aquilo, ele tira o foco da guerra na Rússia e coloca no Oriente Médio.
Nossa, meu Deus do céu. É complexo. É complexo. Mas eu espero mesmo, de verdade, que chegue ao entendimento.
É claro. Precisa… precisa parar. Parem dos dois lados. Porque Israel não deixou de receber foguete na cabeça, nem antes, nem depois. E todo mundo acha que acabou. Tem 100.000 desabrigados ali que não vão voltar para as suas casas. Tem traumas e mais traumas que não vão se resolver. Então é muito ruim para todo mundo. O ideal, óbvio, é não ter isso.
É não ter. Mark, cara, foi top o papo. Obrigado. Eu vou… eu vou agradecer aos patrocinadores, te dou uma pergunta final para te fazer.
Favor, tá bom. Por favor, agradeça mesmo.
Boa. Tamo junto. Ô Tira, está tudo no esquema aí? Quero agradecer a toda essa turma que acredita no nosso podcast, acredita no nosso projeto e graças a isso oferece essa solução maravilhosa aqui com esse som de qualidade, esse… esse estúdio de qualidade de forma gratuita, esse conteúdo rico de forma gratuita na internet.
Então quero começar agradecendo a CMC Displays do meu parceiro Adalto de Carvalho. Está precisando vender mais? Então o seu negócio precisa de soluções criativas para PDVs, balcões, bandejas, displays e muito mais. Está aqui o @ da CMC e o site dos caras na tela. Quando você fala de ponto de venda, muitas vezes quando você tem um balcão, aquelas bandejas, sabe, conforme o pessoal chega, consegue fazer degustação e tudo mais. Isso muda o jogo. Muda o jogo. Porque você traz mais experiência para o cliente, aumenta seu ticket médio, aumenta a sua… a sua… a sua recorrência, aumenta a consciência de marca, o branding que se faz. Isso faz muita diferença, cara. Aí você olha aquilo, o cara… é muito barato, é um valor super acessível que muda o jogo, faz o seu cliente ficar mais tempo dentro do seu PDV, no seu ponto de venda, sua loja. Traz uma experiência super legal para o cara. O cara gosta. Normalmente o consumidor, ele gosta dessas degustações, essas experiências extras que são apresentadas dentro do PDV. E aí você fala: “Tá, para onde eu vou? Onde eu compro essas coisas?”. Cara, a CMC Displays tem tudo isso prontinho para você, um preço super justo. Os caras têm trocas, soluções, são vários e vários produtos e ainda… eh, se você quiser personalizar com o teu… a tua identidade visual, a tua marca e tudo mais, cara, os caras fazem tudo isso e entregam pronto. É muito fácil, muito simples. E não tem porque você, que trabalha em PDV, num ponto de venda, tem uma loja, um quiosque, interage direto com o cliente… não tem porque você não testar essa possibilidade. Porque quando você testar, você nunca mais vai parar para você ver, porque você vai sentir na prática lá como isso influencia teus resultados.
Então se precisar de qualquer coisa, é só clicar em qualquer lugar dessa tela e entrar em contato com a CMC, tá bom? Tamo junto.
Vamos falar agora da SMB Store do meu parceiro Alonso. Desde 2018 a SMB tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, suas vendas e o teu financeiro. Tudo isso, gente, com sistema acessível e fácil de usar. O site e o @ dos caras estão aqui na tela. E quando a gente fala de empreendedor, a gente sabe que cara, a gente pequenininho — o PME, né, que o pessoal fala, pequeno e médio empreendedor — tem uma dificuldade muito grande de gerenciar o teu negócio no começo. Muito. Porque faz no papel de pão, faz no Excel… ou nem faz direito. Precisa ter um sistema logo de cara, gente. Isso é imprescindível. Logo para começar tem que ter sistema. “Ah, mas o sistema é muito difícil, difícil de implementar”. Esquece isso. Existem sistemas muito fáceis de usar, muito fácil de implementar, baratíssimo — o valor de um prato feito aí na tua região. Então cara, não tem desculpa. É facílimo de usar, como se fosse eh, tão fácil quanto usar uma rede social. Você já começa a… a trabalhar do jeito certo, você pavimenta a estrada para justamente crescer de forma sólida. Então cara, é essencial você ter um sistema que já começa a estruturar tua empresa para crescimento. Senão não adianta reclamar, falar que as coisas não dão certo, o dinheiro não sobra, se você não fizer tua parte. E se você não tem um sistema ou tem um sistema que não funciona para você, considera a SMB como parceiro. Eu conheço os caras, os caras são muito bons. Eu uso o sistema da SMB para o Além do CNPJ e posso falar para vocês que, cara, para os PMEs, para os pequenos empreendedores, não tem outro igual. É o melhor, sem dúvida, para você que está começando. Então clica em qualquer lugar dessa tela e fala que a SMB… depois volta para me agradecer, tá bom? Tamo junto.
Agora vamos falar da Agência RPL do meu parceiro Rodrigo Álvares. A RPL oferece solução completa de marketing digital para negócios, cuida da marca com olho de dono. Olha que impressionante isso aí — e eu vou falar já já sobre isso — desde a criação de site, gestão de anúncio, planejamento estratégico, social media e SEO. Rodrigo Álvares, o @ dele na tela e o site da RPL. Quando a gente fala de marketing digital, o empreendedor muitas vezes quer colocar a mão na massa. E tudo bem, faz parte, funciona. Mas a gente tem que entender que até um certo momento isso vai. Mas a partir de um… de um determinado momento da sua trajetória, cara, você começa a perder a mão. Porque você começa a dar certo, você tem inúmeras coisas para fazer e naturalmente o marketing digital fica de lado. Por mais que é o motor da… da geração de leads da tua empresa, mas você está fazendo trocentas outras coisas. E aí quando você pensa em terceirizar, você fala: “Pô, vou pôr na mão de alguém… mas isso é maior BO”. Cara, as agências e tudo mais… se você não teve uma experiência negativa, possivelmente você vai um dia ter, porque a agência é complicado. Eu entendo isso, porque até achar uma agência séria… e às vezes a agência é séria, mas o gestor de tráfego é complicado e etc… cara, você precisa ter uma segurança. E aí que o Rodrigo teve uma ideia sensacional. O Rodrigo criou uma agência que ele faz um trabalho personalizado para empreendedores com olhos de dono — que é… que é um dos slogans dele, que realmente o negócio é… é isso. Porque eu posso afirmar, porque eu sou cliente dos caras e posso falar que, cara, tudo que eu penso em marketing eu chamo Rodrigo para trocar uma ideia. O cara faz parte da minha estratégia, do meu planejamento estratégico. Tudo que eu penso para os meus negócios eu troco uma ideia com o Rodrigo, a gente monta junto e põe para rodar. O cara tem um atendimento excepcional. Se você já teve problema com a agência, se você está precisando terceirizar o
marketing, você está precisando melhorar a qualidade da… da tua geração de lead, a qualidade da tua presença online… troca uma ideia com a RPL, troca uma ideia com Rodrigão. Volta para me agradecer depois, não esquece. Mas realmente os caras são muito bons, isso faz uma diferença tremenda. Tamo junto aí Rodrigão.
Agora quero falar da WJE Consult do meu parceiro Wallenstein Júnior. Gestão financeira descomplicada para empresários. WJE Consult e o site dos caras aqui na tela. Pô, seguinte: muitas vezes a gente que é empreendedor tem um monte de dificuldade, que muitas vezes na internet está lá a solução completa, fácil de implementar. Mas a gente não tem confiança. Hoje em dia tudo está na internet. Mas se você procurar como fazer um bolo de laranja, vão aparecer 60 receitas diferentes. E aí a dúvida que fica hoje, com essa disponibilidade exacerbada de conteúdo, é: qual é a receita que eu sigo? Qual é a receita que gera o melhor bolo de laranja? Qual é a receita que vai fazer eu ter a melhor experiência e o melhor produto no final? E é isso que faz as pessoas se confundirem: excesso de conteúdo sem credibilidade. Então quando você precisa de uma gestão financeira completa, profissional… uma planilha que com poucos dados que você adiciona, ela te traz visão completa sobre o seu negócio; uma consultoria que com algumas horas de… de assessoria você consegue já mudar o patamar do seu negócio de forma imediata — com muito trabalho, claro, não existe fórmula mágica, mas que você tem um direcionamento correto do jeito certo, do melhor bolo de laranja, como eu falei. Pode ter certeza que as coisas começam a mudar na sua empresa. Porque gestão financeira é algo essencial, crucial. E cara, se você não fizer, ou você vai quebrar ou você… eh… vai ficar patinando e vendendo o almoço para comprar a janta para o resto da vida. Então gente, tem que ter uma empresa que te assessore. Então quem é a pessoa certa? Qual é o bolo de laranja correto? E eu posso afirmar para vocês com propriedade: conheço os caras, conheço o Wallenstein. A WJE é uma empresa sensacional. Não é à toa que os caras estão entregando, dando resultado em cima de resultado, estão crescendo de maneira sensacional, justamente porque os caras são muito bons. Os caras têm inúmeros produtos: planilhas prontas, assessoria, consultoria. Eles conseguem oferecer eh, soluções desde o pequenininho — você que está sozinho, você que tem poucos funcionários — até você que é gigante. É muito bom, com preços extremamente justos e que vai fazer a diferença no seu negócio. Contrata a WJE, conhece os produtos deles e depois volta para me agradecer, porque vai fazer diferença real no seu negócio, aplicável. Você vai ver e depois você me conta, tá bom? Tamo junto.
Agora quero falar da Nova Depósito Materiais para Construção do meu parceiro Márcio Novais. Há 26 anos eles estão atendendo desde pequenas reformas até grandes construções, do básico ao acabamento. Está aqui o site dos caras na tela e o @ construção civil. Gente, construção civil é um BO. É um BO, não adianta, é um BO. Porque são muitas coisas, muitas empresas, uma mão de obra difícil de gerenciar. Em paralelo também, a gente tem uma dificuldade muito grande porque a compatibilização entre fornecedores é essencial, porque um trabalho influencia na de todos. Então por isso que naturalmente construção civil tem problema. E aí quando você avalia essa construção civil, você fala o seguinte: “Tá, como que eu consigo minimizar os impactos e os problemas?”. Um jeito — e aí eu vou te dar o pulo do gato — um jeito é você ter fornecedores e parceiros que sejam sérios, fiéis, leais, corretos, éticos; que te avisam quando dá problema, que dão assessoria, que dão um bom atendimento, um bom pós-venda. E isso, por mais que pareça ser óbvio, é extremamente complexo na construção civil, porque o nível do atendimento da galera é
péssimo. Então Nova Depósito é uma empresa que eu conheço, é aqui do ABC Paulista. Os caras atendem não só o ABC Paulista, São Paulo, mas também Brasil inteiro a depender do tamanho da obra. E os caras têm um atendimento fora do comum. Só clicar em qualquer lugar dessa tela, chamar os caras, trocar uma ideia, fazer um orçamento. Você vai ver que os caras são bons de negócio. No final você vai voltar para me agradecer, porque no meio da construção, no meio da tua reforma, quando você começar a enfrentar todo aqueles BOs, você vai ver que a Nova Depósito vai estar ali te ajudando. Para muitas vezes desfalcado por outros fornecedores, a Nova Depósito vai estar te dando um help ferrado. Isso vai ajudar demais e vai favorecer a sua construção, favorecer a tua reforma de maneira muito mais tranquila. Tamo junto Nova Depósito. Tamo junto Marcião.
Agora vamos falar da Avante do meu parceiro Marcelo de Souza. Protegendo vidas e impulsionando negócios. Sua parceira de excelência na segurança e medicina ocupacional. Segurança do trabalho e medicina ocupacional. Está aqui a… o site da Avante e o @ dos caras. Gente: exame admissional, periódico, demissional, saúde, segurança, tudo isso com foco no trabalho de eSocial, né? Que o eSocial veio eh, trazendo uma baita de uma complexidade — apesar de necessária — para o universo das contratações. PGR, LTCAT, PCMSO, treinamentos de brigada, primeiros socorros, AVCB, treinamento de plataforma elevatória, treinamento de empilhadeira, paleteira, trabalho em altura, utilização de EPIs, todas essas NRs… cara, os caras oferecem tudo isso. É uma burocracia gigantesca para uma empresa. E uma empresa que quando a gente começou a crescer, cara, isso foi um BO para gerenciar. Então quando a Avante chega lá, a Avante não só oferece tudo isso — como todo mundo oferece — mas oferece isso atrelada a um diferencial sensacional, que foi crucial para a gente: assessoria, consultoria. Os caras começaram a ajudar a gente a gerenciar isso. E dali em diante, quase 3 anos trabalhando com os caras, nunca mais isso foi um problema, porque sempre está organizadinho. Então se isso para você não é realidade, considera você ter uma empresa que te ajude realmente na assessoria, organização de tudo isso. E Avante é esse parceiro. Clique em qualquer lugar dessa tela e troca uma ideia com os caras, tá bom? Tamo junto.
E agora eu quero falar da Inspira Capital do meu parceiro Fabiano Brito. Gente boa, Fabiano Brito. Operação e gestão financeira por assinatura, o braço direito do empreendedor. Está aqui o @ da Inspira e o site da Inspira Capital. E cara, quando a gente fala que o empreendedor começa a crescer e estruturar o negócio, tudo mais, você começa a ver que muitas vezes eles começam a bater cabeça no básico. Às vezes eu não… conta a pagar, receber, porque não faz de jeito certo, não estrutura as informações certas. Porque quando você não lança as informações corretas, você não consegue ter um DRE estruturado. Sem DRE você não consegue ter visão financeira. Sem visão financeira você não consegue tomar decisão estratégica. Sem… sem informação financeira você não consegue precificar direito, você não sabe se você pode comprar uma máquina ou não, se é hora de comprar um carro ou não. Cara, você está entendendo o quanto o início influencia no tudo? E muitas vezes você não sabe como resolver isso. E a solução é simples, é mais barato que você pensa. Em vez de contratar uma pessoa para trabalhar contas a pagar, receber — que muitas vezes não vai ter esse… esse pool 360 de atendimento, porque o cara vai saber fazer isso e isso muito bem, mas o resto é difícil mesmo, né, uma pessoa completa — quando você contrata uma empresa que consegue terceirizar isso, ele tem vários profissionais que, fracionados, conseguem te entender, te entregar uma solução completa, segura. Porque eles não têm acesso a banco, eles no máximo aprovam, eh… eh,
colocam, né, programam pagamento. Quem aprova é você. É uma solução super simples. Eles já fazem do jeito certo, te apresentam não só um fluxo de caixa estruturado quanto um DRE bacana, tudo isso em Power BI. Cara, é sensacional. E aí você fala: “Quanto custa?”. Igual ou mais barato que um único profissional na tua empresa que vai estar lá fazendo aquilo de maneira mais ou menos. Então cara… não sei… pô, é tendência, é futuro. Todas as empresas vão se adaptar. Somente grandes e grandes corporações vão ter estrutura própria, porque do contrário não vale a pena. E se para você isso fez sentido, estuda a possibilidade de colocar um BPO Financeiro da tua empresa. E se faz sentido e você não sabe para onde ir, a Inspira Capital é uma baita empresa. Conheço Fabiano, o cara é muito bom no que faz. A Inspira Capital é uma baita de uma empresa. Não só oferece soluções de BPO Financeiro, mas também gestão de RH e tudo mais. Inclusive sou cliente dos caras na gestão de RH e é sensacional. Então troca uma ideia com os caras, clica em qualquer lugar dessa tela, fala com o Fabiano lá, depois volta para me agradecer, porque os caras vão se pagar no primeiro mês. Tá bom?
É isso aí, gente. Tamo junto. Obrigado aí por acreditar no projeto. Vamos que vamos e sucesso.
Mark, continuando aqui com… cara, pergunta final.
Manda.
Vou bater na madeira para fazer essa pergunta. Imagina que você sai daqui, pega o carro, começa a ir, vai para tua casa e aí, por acaso, você enfrenta um acidente e vai… desce para uma melhor. Por isso que eu estou batendo… não sei se eu vou para melhor… tem muita gente praguejando, então estou batendo a madeira porque esse exemplo, né… é só para trazer o peso da pergunta que eu quero… que eu quero colocar aqui, cara. Se essa… se essas fossem suas últimas palavras, qual… qual mensagem você deixaria, cara?
Filhos, amo vocês.
Caraca.
Caraca. E o Wood desce da pia também, que ele ia aproveitar para, né, comer a comida que eu deixei.
Não, claro.
Que que… que que é mais importante…
Fortíssima essa frase.
Não, isso… cara… que que é mais importante do que isso? “Ai, desliga o Excel”, “Ai, eu te respondo o e-mail”… Vai viver a vida. “Ai, casa na praia”… []. Se você não tem tua família com você… []. Entendeu? Desculpa.
Lógico. Cara, eu estou… total, cara.
Mas é isso. Isso… Eu amo vocês e é isso. Sejam felizes.
Caraca. Chorar mano.
Caraca. Fresco… eu estou quase… eu estou babão hein, cara? Papai fresco, cara. Mark, mais uma vez, obrigado por aceitar o convite.
Pode deixar minha rede de contato?
Claro. Na verdade a gente já colocou.
Então tá bom.
Quer ver, ó? É isso aí, ó.
Ah, estou vendo, estou vendo.
Mas qual que, ó… vou… e na descrição do vídeo aí, ó: Marc Tawil. Aqui ó, aqui ó. Isso. E na descrição do vídeo está aqui, ó, o… o @ dele no Instagram, no LinkedIn, tudo.
Em tudo. Coloco todos para todos lá. TikTok… e eu tenho um grupo também no Telegram. Caramba, que legal.
É. Estou no OnlyFans também.
Com o R… o teu… hoje a rede social que você mais produz conteúdo é o LinkedIn?
LinkedIn. E também um pouco do Instagram. Mas eu quero… quero me aventurar pelo TikTok de verdade e pelo YouTube.
TikTok você tem?
Não, eu tenho @… apaguei os videozinhos que eu tinha e meus filhos… meus filhos estão curtindo e seguindo. Então meu TikTok… um monte… não, segue um monte de blogueiro que eu não sei quem são.
Você não sabe quem é?
Não.
Mas legal, cara. Eu vou inclusive na… nos vídeos dos cortes a gente marca lá no TikTok. Fechado.
Mais uma vez, Mark, obrigado por aceitar o convite. Você que ficou aqui até agora, muito obrigado. Curte, compartilha, clique em todos os botões aqui para engajar. Vamos para cima. Obrigado, sucesso. Até a próxima.
Valeu.
Confira os principais insights do Episódio #046 do Além do CNPJ com Marc Tawil. Uma conversa franca sobre a responsabilidade da influência, a fragilidade das novas gerações e o poder da autoralidade.
Introdução: A Voz que Guia Líderes
Para o episódio 046, recebemos um gigante da comunicação: Marc Tawil. Jornalista, estrategista de comunicação e o primeiro LinkedIn Top Voice do Brasil, Marc é uma referência quando o assunto é tendências de trabalho e comportamento.
Neste papo profundo e muitas vezes emocionante, ele abriu o jogo sobre a perda do pai no início da pandemia, o colapso de sua agência tradicional e como precisou se reinventar para que seu CPF se tornasse maior que seu CNPJ. Se você sente que o mundo está mudando rápido demais e que liderar novas gerações está impossível, este episódio é o seu manual de sobrevivência.
1. O Choque Geracional e a Geração “Nem-Nem”
Um dos momentos mais polêmicos do episódio foi a discussão sobre a dificuldade de contratação e a falta de maturidade de jovens profissionais. Marc e Felipe debateram o fenômeno de pais acompanhando filhos em entrevistas de emprego e a estatística alarmante da geração “nem-nem” (nem estuda, nem trabalha).
“Existe uma geração de 20 a 30 anos onde 30% nem estudam e nem trabalham. O cara não estuda, não trabalha, alguém está sustentando ele. O cara envelheceu dentro de casa. É a pessoa que tem dificuldade de interação social. […] Pais fracos criam filhos fracos. Você não precisa ser o ultra disciplinador, mas é evidente que nem tudo vai entrar na tua casa.”
Para o empreendedor, fica o alerta: a escola técnica não está formando resiliência. Cabe às empresas e, principalmente, às famílias, prepararem os jovens para ouvirem “não” e lidarem com a frustração.
2. Quando o CPF fica maior que o CNPJ
Marc compartilhou sua trajetória de dono de agência para se tornar a própria marca. Ele percebeu um movimento que hoje é tendência global: o Founder Led Marketing (marketing guiado pelo fundador). Ele notou que os clientes queriam o “Marc”, e não apenas a estrutura da agência.
“A minha marca pessoal passou a agência. E aquilo foi muito ruim para mim por vários motivos na época […] Eu comecei a entender que eu estava mal posicionado. Só que posicionamento não é uma questão de como você me vê. Essa é a imagem que você tem de mim. Posicionamento é uma coisa de dentro para fora. Sou eu que me posiciono na tua cabeça.”
A lição aqui é clara: em um mundo de conexões digitais, a “autoralidade” (ser o autor da própria história e ter uma voz autêntica) é o maior ativo que um profissional pode ter.
3. A Pandemia como Catalisador de Mudança
Em um relato tocante, Marc contou como perdeu seu pai para a COVID-19 logo no início da pandemia, em março de 2020, e como isso, somado ao “silêncio” dos convites para lives no auge do isolamento, o fez repensar sua carreira.
“A única constante na minha vida é o desafio. A mudança, ela está cada vez mais curta. […] Eu era o cara que perguntava. Eu era o cara que levantava a bola. Eu era o Marc que as pessoas gostam e admiram, mas não compram. Entende a diferença? Isso necessitava de um reposicionamento.”
Foi na dor que ele encontrou a força para migrar para o online, palestrar via Zoom e se tornar uma voz de inteligência emocional e adaptabilidade, atingindo meio milhão de pessoas com um único conteúdo.
4. A “TikTokização” da Realidade
Como comunicador, Marc trouxe uma análise crítica sobre como consumimos informação hoje. Da guerra na Ucrânia ao conflito em Israel, tudo virou conteúdo rápido, raso e muitas vezes desumanizado nas redes sociais.
“Você tem a guerra do TikTok, que tem um componente de criar narrativas falsas e infantilizar a guerra. […] A rede social, do mesmo jeito que informa, ela abranda. Vira um filme. As pessoas esquecem que aquilo é realidade.”
Para marcas e líderes, o cuidado é redobrado: a visibilidade precisa ser do tamanho da responsabilidade. Entrar em “hypes” ou discussões superficiais sem conhecimento profundo pode destruir reputações em segundos.
Conclusão: O Legado é o Agora
Ao final, quando perguntado sobre qual mensagem deixaria se hoje fosse seu último dia, Marc não falou de negócios, LinkedIn ou dinheiro. Ele voltou ao essencial, reforçando que, no fim das contas, o sucesso é sobre quem está na nossa mesa.
“Filhos, amo vocês. O que é mais importante do que isso? ‘Ai, desliga o Excel’, ‘Ai, eu te respondo o e-mail’… Vai viver a vida. Se você não tem tua família com você, nada faz sentido.”
Assista ao Episódio Completo
Este resumo é apenas a ponta do iceberg de uma conversa que passou por geopolítica, diversidade, inclusão e o futuro do trabalho.
Quer entender como se posicionar como autoridade no seu nicho e liderar em tempos caóticos?
Clique abaixo para assistir ao EP #046 na íntegra:
