Liderança Raiz: Como Gerir “Peãozada” e Construir um Time Leal com Marcelo Di Souza

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Eu tive uma situação que eu expulsei um cara da obra, falei: “Ó, Mão de Onça”. Já tinha falado com ele. Tinha lá uma parte do empreendimento que era um “L,” e aqui era um vão livre. O cara estava pulando por aqui, ó. Meu engenheiro chegou e falou: “Esse cara aqui eu quero fora”. Tirou a foto. Esse cara estava pulando o abismo para conseguir cortar caminho. “Pô, você é doido? O cara matou os caras lá no Nordeste! Lá vai [o] cara da obra”. Então, você vê… Esse cara tinha quatro RGs, veio fugido de lá. Teve gente que a gente contratou que veio fugida do Nordeste, jurada de morte. Quando você vê um prédio sendo construído na Berrini, é essa turma que está lá dentro construindo. Não vamos romantizar esse negócio. É isso, é o Brasil, é retrato do Brasil, lidar com isso para trazer dignidade para essa turma. Só que a felicidade não vem na resolução daquela meta, ela vem no processo de conquista dela. Se faz tempo que alguém não te chama de louco, tem alguma coisa errada. Você não vai ter outra vida para se conectar com você. Joguei tudo.

Buenas, buenas, buenas, seja bem-vindo a mais um episódio do podcast Além do CNPJ. Primeiro de tudo, quero agradecer por você estar aqui. Estou muito feliz que você está aqui trocando essa ideia com a gente. Já quero te convidar para pegar uma cadeira, sentar-se à mesa com a gente para trocar essa ideia. Papo esse que eu sempre quero trazer aqui de muita verdade, muita vida real, muito do que acontece nos bastidores do empreendedorismo, fora esse empreendedorismo que a internet mostra aí de coisa bonita, andando de Ferrari, chegando nos lugares de helicóptero — que também pode ser uma possibilidade, mas que é a grandíssima minoria. A gente tem que falar dos perrengues, das coisas que nos aproximam da realidade do da média, né? Para a gente ver que, porra, perrengue não é só comigo, acontece com todo mundo. E é possível passar por esses perrengues, aprender lições com isso, se desenvolver, conseguir chegar ao sucesso. Então, cara, é bem importante a gente falar da vida real, dos bastidores que a gente passa. E hoje eu estou com um convidado, cara, muito legal, porque é um cara que eu contrato, a empresa dele é um prestador de serviço da nossa empresa, um cara que ajudou muito a nossa empresa a se profissionalizar nessa área, que era uma coisa que eu já entendo muito pouco. E vai ser legal porque eu vou aproveitar para ter uma consultoria aqui, particular, com o cara e, além de tudo, trocar uma ideia muito legal sobre esse universo todo que é tão importante para muitas empresas e que muitas vezes é negligenciado também, né, cara? Sempre a gente passou perrengue para caramba, porque, cara, a empresa, conforme vai crescendo, a gente vai burocratizando um monte de coisa. E existem coisas que todo mundo diz, é uma frase muito conhecida, que é “Segurança em primeiro lugar,” que é essencial, e a gente precisa trazer essa realidade aqui para o CNPJ também e trocar essa ideia com vocês.

A gente vai falar de segurança do trabalho, a gente vai falar de medicina ocupacional e, principalmente, cara, uma coisa que eu quero trazer muito, porque esse cara traz muita bagagem desse universo todo de chão de fábrica, de lidar com pessoas com uma menor escolaridade, peãozada mesmo, que a gente precisa trocar ideia, e que muitas vezes é também negligenciado na nossa liderança. E são pessoas que, cara, têm tudo com a gente, e que se abraçam à liderança, que se engajam no propósito, cara, eles vão dar o sangue pelo negócio. E muitas vezes a gente acaba não fazendo do jeito certo. E eu falo “a gente” no sentido amplo do empreendedorismo, cara, porque, às vezes, nessa comunicação, você precisa fazer o básico, cara, mas que muita gente acaba se perdendo nisso, trazendo palavras chiques, fazendo relatórios, fazendo uma coisa que não conecta com os caras e que muitas vezes desconecta numa coisa que poderia ser muito positivo para a tua empresa. Então, quero apresentar para vocês Marcelo de Souza, da Avante. Meu parceiro, obrigado por aceitar o convite, cara, de vir aqui trocar essa ideia com a gente. E obrigado mesmo por estar aqui. Vamos trocar a ideia desse universo todo. Cara, você quer dar suas palavras, agradece a turma aí.

Primeiramente, boa noite, né? Eu que agradeço o convite, na verdade. Eu já atendo vocês há muito tempo. Quanto tempo? Já uns três anos, já. Três anos? Caraca, bicho! E há um ano e meio, três anos, que eu não tenho mais esses BO, hein? E há um ano e meio que a Marta me falou: “Ó, Felipe tem um podcast”. Falei: “Meu, como assim? Que legal!”. E aí, fui dar uma olhada, fui ficando mais próximo e gostei do conteúdo. E a gente acompanha, né? Que legal, cara! Então, eu falei: “Meu, quero ver o dia que eu vou lá. Como que eu faço para chegar no Felipe, para poder ir lá participar com ele, participar, contar a história e tudo mais”. Exato. E aí aconteceu, acompanhando o podcast: “Ah, quem quer patrocinar?”. Falei: “Pô, acho que agora é hora”. Cara, mas você acredita que eu já tinha falado com a Rebeca? Teu nome já estava na lista de convidados antes mesmo de você falar de patrocínio. Porque eu queria trazer, cara — como eu te falei —, eu estava tendo uma demanda muito grande do pessoal do Além do CNPJ, que falava: “Cara, é legal você falar sobre gestão de escritório e tudo mais, mas eu queria que você trouxesse alguém com experiência de gestão de fábrica, gestão de peãozada e tudo mais,” que é uma dinâmica completamente diferente, completamente diferente. Eu quero trazer até alguns BOs, problemas diferentes, para o mundo todo que não gerencia a peãozada entender também como funciona essa realidade. É uma realidade completamente diferente, a ponto de a gente já ter feito campanha lá contra a violência doméstica, porque os meus funcionários chegavam todos arranhados porque se pegaram com a esposa tipo a noite passada, bateram na esposa. Então, sabe, é outra realidade, é outro universo, é outro mundo, né? Quando você tem um chão de fábrica e um escritório, a gestão, a liderança desses dois ambientes são completamente diferentes. E você tem muita experiência nisso. Então, quando eles trouxeram essa demanda de: “Cara, traz alguém com essa experiência,” cara, eu lembrei de você. É, na verdade, são mundos diferentes, são mundos completamente diferentes. Você desce no escritório, vai para o chão de fábrica, né? Principalmente construção civil, que a escolaridade é bem baixa, às vezes nula, né? E você vê e você começa a entender o porquê o cara é bravo, o porquê ele não quer te ouvir. E aí você vai criando formas e ferramentas para poder trazer aquele camarada para você.

E cara, hoje eu quero abordar bastante esse assunto. Mas, cara, antes de começar — quer dizer, começando já, na verdade —, eu quero perguntar o seguinte: Cara, Marcelo, de onde você veio? Quais foram suas referências, suas origens, sua criação? Onde você nasceu? Como que foi esse processo de crescimento até virar adulto e para qual universo você foi? Você já começou a empreender? Conta um pouco essa origem toda aí para a gente. É, eu sou de origem de Cubatão, litoral. Na verdade, por parte de mãe, eu era o único filho homem. Então, vivi com muita prima. Então, sofri um pouquinho por conta disso, porque o caderno de uma era com glitter. Minha letra era de médico. Eu falei: “Acho que eu vou ser médico quando eu crescer,” que tinha dia que nem eu entendia, e até hoje. Então, vim de Cubatão, fui criado na rédea. Na verdade, como a gente morava em periferia, minha mãe tinha um medo muito grande. Então, assim, era o caminho errado, tal, tal, tal. Então, ela segurava. Eu não era de apartamento, mas eu brincava com o amigo do lado de fora e eu do lado de dentro. Queria brincar com carrinho lá na rua, eu botava a mão para fora, nesse nível. Então, a preocupação era muito grande, até porque, como era periferia, hoje em dia está um pouco escancarado. Antigamente tinha o risco, só que ele era um pouco mais escondido, na verdade, não era tão aberto assim, né? Hoje perdeu-se um pouco o medo. Hoje você vê um cara fumando maconha. Se eu visse um cara fumando maconha, eu corria para casa com medo de apanhar porque eu estava vendo. Hoje não, hoje você tromba com o cara, já era. Dependendo da comunidade que se entra, você vê os caras armados. Exatamente, o negócio é louco. Hoje em dia, quando eu vou visitar a minha mãe, se eu passar um pouquinho do ponto — na verdade, a gente anda lá porque conhece todo mundo —, mas se passar um pouquinho do ponto, você começa a ver. E ela tinha muito medo com relação a isso. Então, fui um cara preso, na verdade. Eu e minha irmã, a mais velha, tem uma diferença de dois anos. Fomos muito… “Você não é todo mundo”. Exatamente. “Vem cá, vou comprar um sorvete, vou te comprar um videogame,” porque hoje em dia a juventude quer ficar em casa. Aliás, antigamente, eu queria andar na rua, cara, jogando bola. Mudou isso mesmo. Eu estava conversando esses dias com um cara aqui: antigamente, a gente queria sair de casa. Hoje em dia, a juventude não quer sair, cara, quer ficar no quarto jogando videogame no computador. O meu sonho era: “Meu, deixa eu ir para a rua,” e a mãe: “Não”. E hoje você briga com a molecada: “Vai para a rua, vai dar uma volta, vai jogar futebol”, e não tem isso mais. Isso já se perdeu, é verdade.

Então, na minha infância eu fui criado muito preso. Aos 18 anos, né? “Pô, agora você vai arrumar um emprego, você vai poder sair,” que é aquela ideia: “Eu fico de maior, né? Agora, livre”. Mal sabe, “enquanto morar aqui, as regras são minhas”. Na verdade, eu nunca sonhei com empreendedorismo, né? Eu fui criado para ser engenheiro, médico. Então, assim: “Vai estudar, escolhe uma profissão, estudar e seguir carreira,” um detalhe, né? Então, assim, para compensar o tempo, para eu não ficar enchendo o saco da minha mãe, o que que eles faziam? Curso. Cara, eu opero empilhadeira. Que legal! Fiz elétrica, mecânica, caldeira. Qual [foi] a referência da sua mãe? Sua mãe é estudada? Não. A minha mãe, ela, quando casou com meu pai, os dois trabalhavam juntos, se conheceram na empresa. Que legal! Nasceu os filhos. Como toda mulher, pisou no freio com o trabalho, pisou no freio para cuidar da família. E o pai foi. Porque ela tinha uma sabedoria boa de te manter na rédea curta, porque na situação que se vivia, ela sabia que, dependendo da influência, podia te encaminhar para o lado errado, e ocupar teu tempo com curso. “Sempre vai estudar, vai estudar”. Sua mãe foi bem sábia nisso aí. E um detalhe muito grande: não tinha condição financeira. “Meu, vai fazer a prova e tu vai passar”. Olha que legal, cara! Aquela mãe antigamente que falava: “Vai fazer e dá um jeito”. E assim, ela me controlava tanto que, se eu chegasse com um lápis diferente, eu tinha que explicar onde tinha arrumado, porque o medo realmente de: “Ah, você começa pegando um lápis, daqui a pouco você está pegando uma outra coisa,” e assim vai. Então, te ensinou valores sólidos em casa, né? Exatamente. Continuando, fui fazer curso de tudo que você imaginar. Elétrica, mecânica, industrial, caldeiraria. Então, nesse meu percurso, tudo que meu pai podia colocar, ele colocava. “Alguma coisa você vai ter que fazer”. E aí, um belo dia, meu primeiro emprego não era registrado. Aí tinha um amigo meu que já vivia… Eu com 18 anos, os caras com 18 anos me davam problema: “Tem um emprego lá, está contratando”. E aí você chega, nunca saiu de casa: “Entra no ônibus aqui, vamos embora”. Acordei cedo, fui com o cara. Desci lá sem registro. “Fulano de tal, Sicrano, Beltrano”. Chegou em mim, falou: “Quem é você?”. Falei: “Sou Marcelo e eu vim trabalhar”. Falou: “Não estou pegando ninguém, não estou pegando ninguém, não. Você pode ir embora”. Eu falei: “Cara, subi de ônibus, cheguei até aqui, não vou poder ir embora. Vou ficar aqui até esperar o ônibus sair, 4 horas”. Aí, esse cara foi, soltou o serviço. Acho que ele ficou com dó, me deu um carrinho de quatro rodas, uma lata de tinta, falou: “Ó, está vendo essas guias? Pinta uma sim e outra não. Aí você ganha o dia de hoje. Aí você não vem amanhã”. Beleza. Peguei. Tinha um senhorzinho que estava comigo. “Vamos pintando”. Só que eu vi o senhorzinho ficando para trás. “Meu, você foi desenrolando? Ô, me espera aí”. Falei: “Não, vamos lá”. Quando acabou minha tinta, fui almoçar. Quando o cara voltou, falou: “Que diferença é essa aí?”. Falei: “Cara, você mandou pintar”. O cara já estava mais velho, mais malandro. A gente, quando não entende nada, eu pensei: “Vou sentar o aço aqui, porque quando o cara chegar, já estou aqui mesmo”. Terminou o dia. “Você volta amanhã”. Olha que legal, hein, cara! Ah, beleza. Aquele negócio de fazer tudo que você faz bem-feito. Aí falei para minha mãe: “Mãe, arrumei meu emprego”. “Qual que é o nome da empresa?”. Falei: “Eu não sei. O dono é Chico Ferro”. O nome do cara é Chico Ferro. “É de confiança?”. Falei: “Ó, quem me arrumou foi o Alessandro, né, que eu tenho apelido de PB. Ele que me arrumou”. Como ela confiava nele, “então pode ir”. No outro dia, fui, continuei pintando. No terceiro dia, ele me colocou para cavar. Acho que devia estar me testando, né? “Vamos cavar aqui uma… Vamos fazer uma cerca com os mourões”. Cavadeira, um sol, e tome trabalhando. Falou: “Agora é o seguinte, vamos te levar para um galpão e lá você vai trabalhar”. Lá nós fazíamos virada de material de grãos, né? Ureia, tinham uns materiais lá que serviam para fazer adubo. Só que o que acontece? O galpão era alto, o caminhão basculava e ficava um vão muito alto. O pé direito era grande. Então, eles criaram uma pá com extensor que ele empurrava até uma certa altura e, de lá, a gente levava para o final no carrinho de mão. Caramba.

Só que aí, para você ver como é, como a gente presta atenção: toda sexta-feira o cara falava assim: “Felipe, João, quantas horas você fez?”. Nem o cara anotava. Falei: “Beleza”. No outro dia, peguei um caderninho, a gente sai tudo junto, anotei. Na sexta-feira, ele falou: “Quantas horas você fez?”. Eu falei: “Está aqui, ó, eu anotei: Alessandro, tal, tal”. “Você anotou de todo mundo? Todo mundo?”. Caraca, o cara não esperava nada. Ele: “Beleza, pô, legal”. Na segunda-feira, começamos a trabalhar e ele falou: “Vem cá, chega aí. Eu não sei ler direito, você anota isso para mim”. Falei: “Ah, beleza, anoto”. “Mas vem cá, você vai agora tomar conta desses caras para mim”. Falei: “Como assim?”. “Não, você só vai anotar a hora, vê o que o Seu Antônio quer aí de material, o que que ele precisa de alguma coisa. Está aqui o telefoninho. Qualquer coisa você me liga. Se der algum problema, alguém faltar, você me avisa que eu trago”. Falei: “Ah, beleza, vamos ali”. Aí tinha uma cantina lá, falou: “O que ele pedir, aí está na minha conta, pode liberar”. Caraca, bicho! Olha isso! “Ah, beleza. Só que é o seguinte, a partir de hoje não quero ver você mexendo com vassoura, você vai tomar conta disso”. Não tinha como, não tinha nada para fazer. Não aguentava. Aí eu falei: “Pô, acho que não tem problema eu varrer com os caras”. E também ficava naquela resenha. Ficava lá sozinho e: “Vamos varrer”. Chico Ferro chegou: “Que que você está fazendo?”. “Varrendo”. Falei: “Não, não é para varrer, não”. Falei: “Cara, não dá, não tem o que fazer, não dá”. E assim, eu fui para trabalhar, não para ficar fazendo aquilo. E naquela inocência do menino ainda de falar: “Putz, o cara,” aquela vontade de trabalhar! Você não ficava parado. E assim, para mim — e hoje em dia é tão difícil achar esses caras, né? — para eu trabalhar, tinha que estar varrendo, fazendo alguma coisa. O que que eu vou fazer aqui olhando? Já dava sono, né? Falei: “Meu, vamos”. Fiquei nessa historinha aí três, quatro meses. Aí já operava a máquina. O operador ia dormir, deixava a gente operando. Já tinha habilitação: “Pode operar”. E aí ele ia dormir, já passava para outro. Já ia um confiando no outro. Até que um dia a empresa ia contratar registrado. Você estava sem registro? Sem registro. Caraca, bicho! “Vamos contratar. Ah, beleza. Preciso de três ajudantes e um conferente”. Falei: “Ah, beleza, estou aí”. O cara me chamou, falou: “O seguinte, tem uma vaga de conferente, mas é para a noite. E pode ser você. Você está tomando conta das coisas aí para o Chico Ferro. Como que dá para fazer?”. Falei: “Não, eu beleza. Quando eu começo? Hoje, 8 horas”. Era 4 horas da tarde. Falei: “Lascou. Minha mãe não vai deixar”. Já pensei na mãe: “Como que eu vou explicar? Tu trabalhou o dia todo, vai voltar para lá?”. Aí eu falei: “Eu vou conversar com ela”. Aí o Chico tinha me dado um telefone. Falei: “Eu ligo para o senhor avisando se eu venho ou não. Eu acho que ela não vai deixar, não”. Mas aí fui.

“É verdade”. Eu falei: “É, pô, quando chegar lá, você me liga”. Falei: “Peraí, eu vou ligar para ele”. Aí ele conversou com ela. “Tá bom”. Olha que legal, sua mãe viu! Caraca! E aí fui, beleza. Fiz o trabalho, fiz o trabalho certinho. Se veio três caminhões, foi muito. Lá já não varria mais, né? Tinha o pessoal lá já na empresa. Já tinha aprendido. Você já começou a ficar esperto, né? Falou: “Pera aí, deixa eu ir lá na balança tomar um café. Deixa eu entender como funciona aquilo”. Lá você via os tickets de café. Era à vontade para nós. Para os caras do pátio não. “Mas lá: ‘Toma aí, come'”. Distribuía café. “Vou tomar café só, peguei um café para mim, toma aí”. Talvez nem tomava, para dividir com eles. Sim, sim. E aí registrei. Passei quatro meses. Meu primeiro curso foi no Senai de caldeiraria. Eram dois anos de formação profissional. Voltando um pouquinho lá atrás, quando eu fui fazer a caldeiraria, eu já entendia um pouquinho de elétrica, só que eu não sabia que elétrica tinha tanta conta. Falei: “Meu, esse negócio aí é para louco”. Mecânica, eu já não demorava para dar forma às coisas. Caldeiraria, aquelas tubulações, falei: “Vou fazer”. Só que, junto a isso, a gente não é tão nerd. Eu falei: “Pô, caldeiraria, a nota é menor. Para eu passar, se eu pegar essa daqui, você desenrola, consegue passar”. Todo mundo colocando lá elétrica, mecânica e caldeiraria na sequência. Falei: “Não vou colocar caldeiraria. Se não der, vai para elétrica”. “Pô, mas se a nota der para elétrica… A competição era menor. Vou para cá”. Também tinha a questão de matemática. Falei: “Não vou mexer com isso”. Passei, fiz o curso de dois anos. Voltando para o trabalho que eu consegui lá, noturno, o telefone toca. “É da Wilson Sons. O Senai te indicou aqui”. Na verdade, o Senai faz isso, né? Ele te dá formação e depois começa a indicar. “Tem uma vaga aqui de ajudante de caldeiraria, que eu estudei dois anos para isso. Vamos lá? Bora”. Na época, o salário era o dobro do que eu ganhava. Caramba! Fui, fiz o teste lá, conversei com o encarregado. Cheguei para o Seu Antônio: “Antônio, vou precisar pedir as contas”. “Está doido?”. Falei: “Vou”. Expliquei para ele. Relutou um pouquinho, mas me mandou embora. Quatro meses [de trabalho] tinha, né? “Ah, beleza, vai embora”. Para mim, quando eu comecei na caldeiraria, parecia… Falei: “Meu, o que que eu estou fazendo aqui?”. Porque a Wilson Sons é um estaleiro. Sim. Estaleiro faz navio. O primeiro dia o cara me botou em cima do navio para ir fazer manutenção. Até aí tudo bem. Isso lá em Cubatão. Guarujá. Também é Canal 6, ali, em frente ao Mercado do Peixe. Hoje ele é grande. Na época, era um terminal. Hoje os caras expandiram. Eles faziam rebocadores e balsas. Falei: “Meu, eu não sei nadar. Que que eu estou fazendo aqui, bicho?”. Eu vou falar para você, acho que naquela época eu fiquei com depressão. Você nem sabia o que era isso, né?

Nesse trabalho de caldeiraria, que eu vi que, enfim, já estava lá. E aí, a questão de você aplicar. Você conhece um, conversa, conhece outro, e Deus sempre comigo, colocou um cara: “Vem cá, é assim, é assado, cozido, fitado, tal, tal”. E aquele detalhe: você dá o máximo. Se você se propôs a fazer, não é para fazer meia boca, não faz. Não é demagogia, tem que fazer. O financeiro foi o que conversamos. Eu não quero [fazer meia boca]. Vou ensinar alguém, vou conhecer mais ou menos ali como funciona, para conseguir supervisionar de certa forma. Mas alguém que vai fazer. Mas falei: “Meu, estudei caldeiraria, beleza”. Começou a vir os trabalhos legais. Por quê? O cara me colocou para fazer manutenção. Manutenção é o quê? Você entrar num navio cheio de ferrugem e meter a lixadeira para dentro com maçarico. Ele estoura tudo porque o ferrugem não deixa. Chegava em casa todo queimado. Minha mãe: “Que que é isso?”. Falei: “Meu, o trabalho. É o curso que eu escolhi, né? Devia ter feito elétrica, que era menos competitivo, para fazer conta”. Exato. E aí, conheci algumas pessoas. E a gente vai aprendendo, vai pegando o macete. Na Wilson Sons, vai pegando o macete dentro da empresa. O fulano já te ensina uma coisa, o outro já. E eu, como te falei, eu gostava de… “Estou curioso, como é que funciona esse maçarico aí?” Comecei a fazer. O encarregado chamou: “Que que você está fazendo?”. “Estou cortando de maçarico”. “Mas, pô, você tem três meses!”. Falei: “Não, eu fiz isso no Senai. Fiz uma vez só, com o professor em cima”. E lá era à vontade. O profissional, naquela preguiça de fazer o trabalho, falava: “Ó, toma aqui”. O cara que está interessado, aprende. Passou três meses, porque eu não era da Wilson Sons, eu entrei pela empresa que fazia a contratação. Você era o terceirizado? Na verdade, aquela empresa que faz a seleção de três meses. Depois de três meses a empresa contrata. Falou: “O seguinte, três meses acabou, você vai passar de meio oficial”. Falei: “Opa, caraca!”. O cara me sentou e falou: “Você faz isso, já dá uns pontos de solda. E o meio oficial lá já tinha o seu maçarico”. Na verdade, era a mangueira, né, porque eram 50, 70 metros de mangueira que você ligava na central, vinha puxando, puxando. E aí, fui para a parte de manutenção, fiquei ali mais ou menos um ano. É importante a gente puxar um adendo, cara, para você ver como quem tem vontade, como quem faz o seu melhor, sabe, de filosofia de vida mesmo. A pessoa que fala: “Não importa o que eu vou fazer, eu vou fazer bem feito”. Você odiava no começo o que você fazia. Você falou até que entrou em depressão por causa disso, e estava fazendo bem feito. Quando você vive essa filosofia, a oportunidade bate à porta a todo momento. E aí, alguns momentos, as pessoas vão falar que foi sorte. Exato. Mas é aquele negócio: você entrava nas empresas e crescia muito rápido. Por quê? Estava querendo dar o seu melhor, cara. E assim, tem um personagem que não apareceu ainda, né? Meu pai. Sim. Então, o exemplo era ele. “Ó, furou um cano, vamos lá mexer”. Não tinha dinheiro, “vamos mexer”. “Pô, o chuveiro quebrou, queimou a resistência, vamos trocar”. “Ah, mas é, vem cá, ó, você esticar aqui, coloca aqui”. Nunca mais eu troquei. Até hoje, se queimar a resistência em casa, eu dou uma esticadinha. “Ah, mas é, isso resolveu”. Então, eu via meu pai. Meu pai e mãe foram casados por trinta e poucos anos, minha infância toda. Eles foram casados. Eu não tinha contato com ele porque o cara não parava em casa, trabalhava, trabalhador ferrenho. Você via, às vezes, quando chegava, era couro, né? Porque tinha aprontado, tinha tentado sair, ou caiu da laje, ou alguma coisa do gênero. Ele vinha, a mãe dava um primeiro round, ele vinha com o segundo. Mas aí, de onde vem essa determinação? Porque eu via meu pai não estava em casa, né? Porque estava lá trabalhando. E assim, sustentando a casa. O cara demorou 20 anos para montar, para fazer a casa. Olha isso! Quando eu casei, depois de uns cinco anos, ele acabou. Desde os três, a gente mora lá. Cara, essa é a história do brasileiro, hein? Se você parar para analisar, a história média do brasileiro é essa aí. O cara que mudou de vida, que conseguiu dar uma posição melhor para os filhos. Olha isso, o que o trabalho do seu pai não fez pela família dele. Você é um empresário, cara. E um detalhe muito grande: o que que me tirou daquela depressão que eu achei que eu estava? Eu vi um setor melhor. Falei: “Então, vou trabalhar direitinho aqui”. Conversei, né? E hoje a gente vê que a palavra network está em qualquer lugar, cara, em qualquer lugar. Dentro da empresa, principalmente. Porque eu vi um encarregado lá. Falei: “Meu, como é que faz para vir para cá?”. Falou: “Ó, tem que entender disso, disso, disso e disso. Mas para a gente te tomar lá do encarregado, que era o Adão, vai dar trabalho, porque você está no pior setor que tem, ninguém quer. Então, para você sair de lá, tem que cair alguém, enfim”. Aí, você foi conversando, fazendo a política e, pum, deixei o Adão meio que com raiva de mim, né? Se ele gostar, ele não larga. Então, eu comecei a dar umas “furadas” com ele. Falei: “Não quero esse cara mais, não”. E aí ele cai no setor. Enfim, passei três anos nessa empresa. Que legal! Mas, como você acabou de dizer, a gente tem determinação. E aí começa a vida a te mostrar que a sacanagem ela existe. Entrou o amigo [do outro interlocutor]. Com dois meses, ele virou caldeireiro. Pô, eu, meio oficial, trabalhando com caldeireiro de ajudante. Caraca! E aí a gente desanima, né, como todo ser humano. Aí foi atestado. O cara desanimou. Atestado daqui, atestado ali. O meu supervisor na época falou: “Meu, é assim”. Na verdade, ele tinha me prometido. Então, quando você promete, você cria uma expectativa na outra pessoa. Falei: “Esse ano eu vou”. E aí, não sei o quê, segundo ano. Aí, entrei nessa vibe de atestado todo dia. Em vez do cara me dar 15 dias, eu pegava todo dia no hospital, no mesmo.

Aí, um belo dia, eu cheguei lá, eu não sei o que ele me passou, se foi um Rivotril, não sei. Eu sei que eu dormi o dia inteiro. Perdi o dia. Fui dar nó. Cheguei 10 horas, acordei 5 da tarde. Falei: “Acabou o dia”. Falei: “Amanhã eu não vou trabalhar mais lá, não”. Caiu a ficha, né? Você fala: “Pô, estou dando nó à toa. Mais fácil mudar de vida”. Meu supervisor falou. Mas, na verdade, em paralelo, eu estava procurando outra coisa. Já tinha experiência. Eu lhe digo, não é igual hoje. Hoje você tem o meio oficial de “vidro”. O cara fala que faz e faz um negocinho. Tem que contratar ele profissional porque você não tem mão de obra no mercado. E na época, não. Eu ia sair de meio oficial, ou eu iria de ajudante, ou no mínimo, meio oficial. Exato. Então, você vai regredir, né? Aí, esse meu amigo que me arrumou aquele primeiro emprego sem registro falou: “Está pegando na Coipa, empresa grande”. Lembro até o nome da empresa: Enesa. “Caramba, dá seus documentos”. Falei: “Beleza”. Isso uns dias antes desse remédio que eu tomei. Eu sei que eu dormi o dia todo. No outro dia que eu tomei esse remédio, ele falou: “Vai fazer exame”. Falei: “Beleza”. Fui, meti outro atestado, fui fazer exame, tirei sangue, tal. Fez exame, quer dizer, passou. Já era. “Acabou, pode pedir conta”. Pedi a conta. Cheguei no emprego. O encarregado veio: “Pô, desse jeito, eu não consigo, os caras ficam…”. Já estava “pê” da vida. Mandei ele para aquele lugar, peguei minha caixinha de ferramenta e falei: “Você pega isso aí tudo e come, e eu vou embora”. “Não, não é assim”. Falei: “Não é assim do jeito que você está fazendo, cara”. E assim, mesmo que ele me desse a classificação, já não tinha mais ambiente. Já era, já tinha perdido. Fui lá, tinha um monte de ferramenta que não estava na minha cautela, que a gente fabricava muita coisa. Aí, distribuí para Deus e o mundo. Olhei o básico que tinha na fichinha, no checklist, devolvi. Fui. [Fui ao] RH, fiz aquela cartinha. Nem exame demissional eu fiz. Caramba! “Ah, vai fazer exame”. Eu falei: “Vou”. Aí, caiu dinheiro na conta. Já era. Falei: “Não, ainda ele vai me chamar”. Não chamou. Cancelaram a parada. Fiquei 4 meses desempregado. Caraca, bicho! Aí, já ouviu, né? A mãe, o pai. Nesse meio tempo, eu estava querendo sair de casa, tive a brilhante ideia de casar. Quantos anos você tinha nessa época? 21. “Se eu casar, eu saio de casa”. Exatamente. Quando eu estava já com casamento marcado e tudo, eu pedi as contas. Fiquei sem emprego 4 meses parado. Meu pai falou. Na outra semana, casei, fui morar. E aí, como é que mantém a casa? Eu lembro que, nesses quatro meses, meu pai me deu cesta básica. Caramba, bicho! Tu sai de casa, e ele tem que me dar trabalho agora, com mulher.

Aí, apareceu um outro amigo que Deus coloca na vida: “Tem um trabalho lá para fazer para auxiliar de limpeza”. Na verdade, não era auxiliar de limpeza, era separador. Era uma empresa que acondicionava comida, né? Arroz, feijão, e atendia esses grandes restaurantes. Então, ele mandava a lista, a gente ia lá separar. Cheguei lá, o cara falou: “Ó, a vaga de separador acabou, só tem de auxiliar de limpeza”. Falei: “Vou lavar banheiro?”. Falou: “Não, não é lavar banheiro, não. Você vai lavar antecâmara, você vai lavar… vai fazer a limpeza do material que fica estocado. Você vai entrar 6 horas da manhã e aí você faz essa limpeza. Quando for sete, que o pessoal chegava, está limpo”. Falei: “Beleza, fechou”. Na época, era 400 e uns quebrados o salário. Falei: “Beleza, melhor do que nada”. Eu estava ganhando 1.200. Falei: “E agora? Mas, enfim, depois eu acho outra coisa, pelo menos sustenta a casa um pouquinho”. Falei: “Seu Manuel, o seguinte, eu vi que a empresa era nova”. E, assim, a empresa nova, na verdade, tem algumas empresas que elas servem para você crescer. Você aproveita o crescimento dela para ir junto. Detalhe: meu pai é operador de máquinas pesadas dentro do cais. Ele falou: “Vou arrumar um trampo para você”. Eu falei: “Eu não quero”. E aí eu fui. Só que assim, ele não me obrigou a fazer um curso de empilhadeira. Eu falei: “Vou usar esse curso aqui dentro”. Eu tinha da pequena e daquelas Terex de container. Caramba, tinha dela também. “Seu Manuel, o seguinte, eu entro, mas se me der uma oportunidade na empilhadeira…”. “Se aparecer a vaga, e você tem o curso?”. “Tenho”. “Tem habilitação?”. “Tem”. “Então, tá bom”. Entrei. Comecei a limpar. Entrava seis, saía duas. Aí, de manhã tinha um cara que chamava “13,” mas era 13 porque ele era 13. O cara louco, assim, ele raciocinava, mas era doido. Se ele pegasse uma paleteira, volta e meia ele derrubava o material. Era doido, louco. Se ele chegasse, bagunçava tudo. Gritaria. Falou: “Marcelo, tinha aquelas paleteiras normal, né? Hidráulica”. Falou: “Pega essa elétrica aqui”. Ele operava a paleteira, e ele fazia limpeza antes de mim. Ele saiu da limpeza e eu entrei porque ele virou operador. Falou: “O seguinte, eu vou te deixar uma chave e aí de manhã não tem ninguém. Você pega a paleteira. Em vez de ficar puxando esse negócio aí, você vai com ela, mas vai devagar, tá?”. Foi gente boa o 13, hein! “Como que opera?”. Ele falou: “Sobe aqui”. Que negócio difícil! Falou: “Ó, de manhã você consegue mais tranquilo”. Falei: “Eu vou me matar com isso aqui de manhã”. “Pega aquela ali, que aquela ali ela está limitada, anda mais devagar, tal, tal, tal”. Fui. Seu Manuel nem sonhava, né? Que dava. Não tinha câmera. Quem que fica olhando câmera? Ninguém. Beleza. Dois meses. O que acontece? Eles guardavam carne, se não me falha a memória, para a Rússia. Caramba, bicho! E os caras eram enjoados. Eles tinham uma câmara fria no fundo e uma antecâmara, que era a do fundo. Eles alugaram toda. E as anteriores eram para outras empresas. E eles não queriam dividir o espaço. Falou: “Então, o seguinte, esses caras não vão passar com carne no meio do meu estoque. Joga essas carnes para a frente. A nossa é para o fundo”. Beleza. Um belo dia, faltou um operador de paleteira. Os caras encostam a carreta de fundo na doca, a gente vai com a paleteira elétrica, levanta e leva para os lugares. Eu lembro que faltou um operador, e aí falei: “Meu, minha chance!”. Aí o 13 falou: “Ó, ele opera”. Falei: “Está doido? Vai falar para o cara que eu opero?”. Falou: “Não, pô, está precisando. Você opera mesmo?”. “Pega lá”. E era a máquina que você pegava todo dia, que é a transpaleteira, né? Aquela que você sobe em cima. Por isso que hoje eu dou treinamento, já entendo também. Na verdade, não tem a mesma prática, mas a gente sabe ir para trás, consegue orientar o camarada, que é o básico. Mais uma vez: “Vamos, Marcelo, arruma um cara para colocar na limpeza. O dia que você encontrar alguém, você vem para cá. Só que é o seguinte, você vai ficar de operador de paleteira, de auxiliar de limpeza, até passar na experiência”. Os caras também aproveitam, né? Beleza, passei. Encontraram um cara. Era mais doido que o 13, só que era “freio de mão puxado”. Falei: “Meu, esse cara não vai aprender, para eu sair daqui logo”. Aí, já fui para a transpaleteira, já estava de olho no quê? Empilhadeira elétrica de mercado. E sempre olhando o próximo passo, né? Eu falei: “Não, eu vou. Eu entrei lá para ser operador da Terex”. Na época, o salário de operador de Terex nessa empresa era 700, fora. Era 2.500. Caramba! Mas, por quê? Porque você aprendia lá dentro. Se o cara tiver a visão, ele fala: “Vou aprender aqui. Quantos anos de experiência você tem? Pátio apertado, pequenininho. Onde é mais fácil de pilotar: num apertado ou num grandão? É aqui que eu vou já pegar a experiência aqui mesmo”. Tinha um operador velho que era responsável pelas empilhadeiras elétricas, o líder dos operadores. Mesma conversa: “Deixa eu pegar, tal”. “Tem curso?”. “Tu não tem curso”. Eu falei: “Tenho”. No outro dia: “Deixa eu pegar”. “Não tem”. Falei: “Tá aqui o certificado”. E lá na empresa que eu fiz o curso, ela existe ainda: INCATEP. Ela que capacita todo mundo do cais. Os operadores, a grande maioria, é com ela. Tem outras empresas, mas ela é o carro-chefe. Ela é líder. Falei: “Aqui, ó”. “Está doido? Senta aqui. Só que essa daqui não é igual àquela que você operou”. Tal, de lado. Pega um dia, dois. Mesma conversa. O cara voltou: “Está operando”. Conversou lá com o Seu Manuel: “Vou ensinar o moleque aqui, tal, tal, tal”. Os caras gostam porque eu ainda estava de ajudante. Precisa de gente também. Só que aí arrumei um outro problema. Tinha que colocar um cara na paleteira. Você tem que sempre deixar um para trás, mas na verdade eu fui ver isso lá na frente, que é criar o substituto, senão você não cresce. Exato, senão você não cresce. É isso aí. O empresário tem que sair [do operacional], mas se ele não colocar alguém ali que entenda, perfeito.

Eu falo isso direto, cara, você tem um substituto. E esse doido para me ajudar… o doido era doido e era “freio de mão puxada,” e não sabia operar nem a pau. Aí, essa contratação ficou por conta deles, porque eu não consegui treinar aquele cara. Falei: “Meu, esse cara aqui vai se matar”. Eu dava a empilhadeira para ele. Falei: “Não, esse não serve”. Mesma conversa: “Marcelo, tem um carregamento hoje, pesado, à noite”. Isso eu trabalhava de dia. Na verdade, me recordei: na sexta-feira eles faziam a separação de madrugada para o sábado carregar de manhã. Então, todo mundo trabalhava de manhã, e aí ia para casa. Quando era 8 horas, virava a noite. Na hora que acabava a distribuição, ia embora. “Você quer vir, só que você vai operar a máquina, a empilhadeira?”. Caramba! Falei: “Ah, beleza”. E uma semana antes o cara tinha tombado na empilhadeira uma carga de merluza, era o mais pesado. Aí inventaram de colocar no cinco de altura. Quando ele levantou, que ele virou, não recolheu, só fez assim: “Foi embora”. O nome do operador era Williams. E perde a carga, né? Na verdade, você avariou. Aí, você aproveita, mas acho que 50%, e olhe lá. Mas o problema não é a carga e como tombou a empilhadeira. É com a lança toda aberta. Deu maior trabalho ele tentando levantar com a outra, escondido, para ninguém ver, mas não tinha jeito. Estava cheio de carga lá, enfim. Aí, já fica com um pouco de medo, né? Porque sempre que você pega uma carga assim com [cinco] de altura, o centro de gravidade já está mais comprometido. Falei: “Beleza, eu venho, mas não vou pegar nada assim com [cinco] de altura, não”. Aí o Williams falou: “Não, deixa que eu pego, tal”. Eu falei: “Meu, você derrubou a máquina num dia desses! Não, mas vai acontecer, cara”. Tudo isso foi passado em quatro meses. Tudo isso aí aconteceu rápido. O cara falou o seguinte: “Você vai ficar na empilhadeira”. Arrumei outro cara, só que eu ainda estava de ajudante. Nesse meio tempo, quando eu estava lá na Wilson Sons, antes de casar, eu comprei uma moto. Eu ia trabalhar, dava segunda, 8 horas, estava na rua. Tinha um barzinho de esquina. Quatro cervejas eram R$ 10. Então, passava [o amigo]: “Paga quatro”. Você pagava quatro, ia embora. Nem bebia, às vezes. Sim. Todo dia eu estava lá. Meu pai falou: “Não quero vagabundo aqui”. “Mas já trabalho”. “Mas essa vida que você está levando não dá certo. Vai fazer um curso”. Sempre a família te colocando na linha. Vou fazer o curso de mecânica industrial, técnico em mecânica. Na minha cabeça, o técnico em mecânica, porque já tinha saído daquele negócio: “Ah, não quero mais mexer [com o] operacional. Agora eu quero ficar de boa. Quero mexer com papel”. Cheguei lá uma semana, o cara falou assim: “Para você ser mecânico lá [na empresa], você tem que ter o técnico tal”. “Para ser mecânico? Mas faz o quê o mecânico?”. “Não, a mesma coisa, cara. Vai trocar e flã…”. Eu falei: “Não”. Pedi conta. Lembro que na época minha prestação da minha moto era 400 e uns quebrados. Falei: “Não vou fazer”. Cheguei em casa, falei para meu pai: “Desisti do curso”. Falei: “Então tu se vira, nem que tu venda essa moto aí, você vai fazer alguma coisa”. Aí veio o curso de técnico de segurança. Que legal! Começou aí. Por que que eu estou falando dele? Porque ele vai entrar agora nessa empresa que eu estou te falando. Voltando, eu estou lá operando a máquina. Meu celularzinho, aqueles quadradão, tocou. Falei: “Caramba, que que esse cara quer comigo?”. Padrinho da minha irmã.

Ele era técnico de segurança no Odebrecht uma porrada de tempo. Ele me chamava de “magrelo,” né? Aí: “Magrelo, aí, peixe, beleza? O seguinte, tem uma oportunidade aqui para você na Odebrecht. Você quer vir? É auxiliar de segurança, tal, tal, tal”. Falei: “Beleza, vamos”. “Só quem é Alfaville? Onde é isso?”. Pô, estava lá em Cubatão. Caraca, bicho! Falou: “Não, você não pediu [conta]? [Faz] dois anos já que eu tinha terminado o curso”. Falei: “Esse bagulho não vai dar nada. Todo mundo que [fui] arrumou comigo, ninguém arrumou nada”. “Vem”. “Ah, beleza”. Falei pro Seu Manuel: “Preciso faltar”. E já era, né? Parou de atender. “Tchau”. Já ficou com raiva. Falei: “Pedir conta”. Tive que pedir conta. Mas enfim. Eu falei: “Eu preciso faltar que eu preciso ver isso aqui”. Na verdade, assim, tentei ser transparente. Mas aí o cara não gostou. Foi para me deixar aqui e tal. Enfim, faltei. Fui lá, conheci o engenheiro. Na verdade, fui lá. “Vim para cá, subi a serra”. O cara, eu nunca vi aquilo. Eu nunca tinha acordado 3 horas da manhã para ir trabalhar. E o cara morava em São Bernardo e trabalhava lá na Berrini. Ele pegava aquele [ônibus]. Saía 4:30. Passava a madrugada. Terminava de dormir. E um detalhe: “Ah, mas tu entra às 7 horas”. Legal. 7 horas era o DDS (Diálogo Diário de Segurança). Então, tinha que estar lá 6. Chegava 6:20 todo dia. E morando em Cubatão, cara. Aí, ele já me trouxe, né? Como ele era padrinho da minha irmã, fiquei um tempo com ele, uma semana. Aí ele falou: “Falei, mas é aqui Alfaville?”. Falou: “Não, pô. Aqui é o Morumbi, está doido? A Alfaville é lá. O engenheiro vai te passar hoje e vai te levar para lá”. Aí me apresentou um enfermeiro que era da obra, fez uma obra junto com ele, um outro empreendimento junto com ele. Foi para Alfaville, alugou uma casa em Carapicuíba. “Ó, você vai morar com esse cara”. Beleza. Aí me apresentou um engenheiro. O engenheiro me levou. Nunca tinha entrado num Mitsubishi Pajero Full blindado. Falei: “Eita, mexiga”. Falei: “Da hora,” né? Eu pensando que aquele cara era meu engenheiro. Para você ver. Inocente. Quando você sai do… é que nem você falou, eu era chão de fábrica. Já não estava mais. Você já começa a se relacionar com um cara que você fala: “Meu, ó o engenheiro vai te buscar”. Falei: “Ó o cara [de Pajero Full]”. Falei: “Tá bichiga”. Chega. E é muito legal você contar essa versão do cara, é o peão crescendo mesmo, cara. Você vivendo essa realidade, até para entender essa cabeça que a gente vai trocar ideia. E Walter Bman o nome do engenheiro, lembrei. Chegou lá, me apresentou o engenheiro Rodrigo Prado. “Ó, seu Rodrigo Prado”. Cheguei lá, estranhei o engenheiro. Nossa, anda muito quieto. Mas os caras são muito calmos, meu. Enfim, o cara me apresentou a obra, tal, tal, tal. Me apresentou para o mestre lá. Apresentou um pessoal. “Amanhã você faz o DDS”. Legal. Como que tu faz o DDS para três pessoas sem nem entender de nada? Que que é DDS, cara? Diálogo Diário de Segurança. Aquela reunião que você faz todo dia. E na verdade é assim, você fala todo dia, mas você não faz todo dia. Mas na Odebrecht tinha que fazer todo dia, todo santo dia. Algumas obras que a gente participa tem todo dia. É, então, porque na verdade é assim, era todo dia, cara. Nossa, mano, não podia nem dormir um pouco mais. E assim, eu não estava de técnico, tá? Me contrataram de auxiliar. Porque a Odebrecht tinha um detalhe no imobiliário que não poderia ter atividade nenhuma se não tivesse alguém da segurança e um técnico de enfermagem. Então, se eu me atrasasse, o cara tinha que ficar esperando chegar na obra. Caramba, cara! Aí, foi, você travava a operação mesmo. Aí, foi desenrolando. Achava que estava mandando em tudo, né? Fui querer dar orientação para o cara lá, nem sabia. Porque para mim assim, você entra na empresa, pelo menos onde eu tinha trabalhado, todo mundo é funcionário. Eu fui brigar com um cara lá, o cara era dono de uma empresa. Era o primeiro gato que eu conheci. Falei: “Meu, você está com esse carro aí dentro aí, por quê?”. “Ah, se liga, moleque, tal”. Só que esse era o pai. Aí o mestre falou: “Ah, liga não, isso aí é doido. A obra começando, não tinha portaria, não tinha nada”.

Eu falei: “Beleza,” né? Você fica meio assim, fala: “Que que esse cara tá falando assim comigo?”. Aí o mestre explicou como funcionava: “Isso aqui é empreiteiro, não tem nada a ver”. Ele não vai fazer atividade, tal. “Mas pô, ele está de tênis, cara, não pode”. [O amigo] é o seguinte, aí começou a me dar o beabá. “Tem uns cara aí que não gosta de mim, vai querer te prejudicar. Mas é qualquer coisa você fala para mim que eu ligo para eles”. E esse era um dos caras que não gostava porque ele não me avisou. Ele falou que era meu primo. E aí, a gente foi passando, foi entendendo a política. Fui me acostumando. Alfaville, o cara falou assim: “Vamos almoçar ali”. Falei: “Bora”. Igor, da empresa, que até hoje cresceu. “Bora”. Eu tinha R$ 50 no bolso. Falei: “Para comer, né?”. R$ 32 o quilo lá. Ele me levou no Alfaville, pô, para almoçar no restaurante. Eu falei: “Lascou”. Falei: “Já era o dinheiro”. E eu só fui ver o preço depois que eu tinha pego a comida. Falei: “Lascou, e agora eu vou ter que vir embora a pé. Vou ter que trabalhar a pé amanhã”. Mas é que nem eu te falei, Deus ele coloca as pessoas na nossa vida. E aí quando fui pagar, eu falei: “Meu, não dá”. “Pô, vou pagar para você”. E aí eu conheci o Igor que me ajudou muito, me mostrou muita coisa. E aí a gente vai pegando aquela maturidade, vai entendendo as coisas. Claro que, como eu trabalhava, eu não tinha experiência. Via alguma coisa, tinha dúvida, não tinha WhatsApp. Câmera fotográfica. Ia no computador, descarregava. [O amigo], que que eu faço aqui? Tinha um Nextel. Modo arcaico mesmo, né? “Magrelo, faz assim, assim, assim, assim”. Aí foi. Para você ver, uma galera, vários anjos na tua vida que foram te ajudando, né? E assim eu fui crescendo. Na empresa a gente foi aumentando o número de pessoas. Você vai se ambientando com aquela realidade, né? Um dia o engenheiro de segurança chegou, me pegou com uma vap na mão lavando [a roda]. Falou: “Quem mandou?”. Foi o mestre. Falei: “Rodrigo, na verdade o caminhão estava para sair, não tinha ninguém para lavar. Eu peguei lá e lavei”. Falou: “Não, mas não é para fazer isso aí”. Não tinha acho que 12 pessoas na obra. Os caras estavam tudo enrolado. Eu fui lá porque [tinha que fazer] a atividade, né? Na verdade eu tinha que anti a limpeza da rua. Não podia deixar sair. Porque a gente, além de tomar conta da parte de segurança, tinha do meio ambiente. E assim, quando ele chegava e via a terra na rua, ficava enchendo o saco. Falei: “Deixa eu lavar aqui rapidinho”. Você desenrolava, né? Já tomou uma bronca. Falei: “E agora?”. Enfim, ele não estava lá. E assim, o cara chegava do nada. Pô, de novo? “Pô, Rodrigo, não tem nada para fazer? Não. Vai lá olhar os cara lá. Vai para sala, mandar e-mail, vai ver alguma coisa”. E aí a gente vai entendendo. É justamente aquela diferença que eu te falei. Aqui no chão de fábrica é totalmente diferente. Você conhece pessoas melindrosas na parte administrativa. Totalmente mimizenta. Que no chão de fábrica, cara, é você fala o que tem que falar, do jeito tem que falar, e o pessoal que lida. E lá em cima é um ego, joga o ego, né? O ego entra muito na jogada. E às vezes você lida com aquele funcionário que é o primo do irmão do Felipe. Ele acha que é comigo? Não, não precisa. Empresa muito grande tem muito disso, cara. Porque os líderes acabam tendo autonomia na contratação e acaba trazendo a parentada toda para dentro. E aí tinha disso. A gente inventou apelido para um cara lá, ele era primo não sei de quem. E aí a gente… então você tinha que tomar esse cuidado. Porque assim, na verdade, e eu vou falar, eu, minha preferência, se tiver ali três peão e dois engenheiros, eu vou bater papo lá. Eu gosto de ir para lá. Porque assim, na verdade, os assuntos são… O cara começa a falar do negócio nada a ver. Aí você conta uma piada, o cara olha para cara, não entende. Ali não, ali você resenha, você passa. E por que a minha experiência no início foi isso.

E tive até um episódio. Já tinha um salário bom. O VR na época era 700 e o meu era 300 e uns quebrados. Meu engenheiro falou: “Quanto tá ganhando de VR?”. Eu falei para [ele]. “Tá louco?”. Falou: “É”. Aí ele subiu lá em cima. O ADM da época, o que nós inventamos o apelido: “Não, mas ele não é técnico, ele é só auxiliar”. Ele falou: “Você tá louco? O cara do meu setor, meu, de três meses já pode aumentar o VR do cara e colocar o retroativo?”. Aí que vem a parte boa. Porque os dois respondiam para o mesmo cara. Acabou. Eles eram pares. A cartada [dele] agora. Sentou lá e falou: “Tu acha justo?”. Olha aí, ó. “O moleque tá tocando a obra com vocês. Pô, tempo todo. Tem dia que eu saí 2 horas da manhã. Concretagem”. Caraca, bicho! E 7 horas tinha que estar dando DDS. E morando lá na região. Já estava em Carapicuíba, mas mesmo assim eles me davam um táxi para ir para voltar. No outro dia de manhã era 5 horas da manhã o ônibus. Porque para entrar em Alfaville, entrar e sair nos horários de pico, meu amigo, você não consegue. Hoje está um pouco mais fácil que criaram várias saídas, mas teve uma época lá que estava impossível, cara. Era duas horas. Tinha dia que eu desci do ônibus e atravessava aquela ponte a pé porque não tinha [como]. Falei: “Não vou ficar aqui não”. Caraca, bicho! E esse engenheiro é o Rodrigo Prado. Eu falo até o nome porque é um cara que eu aprendi muito. Em determinado momento, você não gosta do seu líder. Você fala: “Esse cara é só enche o saco”. Mas depois que você passa a situação que eu saí da empresa, que eu olho para trás, aí fica lá os nomes. Esse cara foi um professor, né? Você repara depois. É assim. E eu tô até com um livro ali que é a arte de lidar com pessoas. E você precisa ser uma pessoa amável. Uma pessoa que, pô, esse cara era desse jeito. Deixar ele bravo era difícil. Às vezes tava um problemão, a gente parava a obra. Ele: “Calma, o que aconteceu? Vamos lá fazer a reunião”. Aí sentava lá os engenheiros tudo brabo. Porque dentro da Odebrecht é o seguinte: se a tua equipe tivesse errado, pode parar todo mundo. “Tira, vai dar treinamento”. Parou. Nós uma vez mandamos devolver oito bateladas de concreto porque a bomba tava em condições ruins. Aí o engenheiro dava pulo dessa altura. E falou: “Você viu? Liga lá para a concreteira. Se a bomba dela tá ruim, a responsabilidade é dela”. Então, nós tínhamos esse [respaldo]. E o cara não ficava nervoso. Ele lidava com o BO com tranquilidade, né? Então, é um exemplo que infelizmente a gente demora para entender. A gente fala: “Esse cara é fresco, mano”. Um cara todo… não, mas é um cara sábio. Ele não emocionava, né? Também tinha 23, 24 anos. É tudo é fogo, né? Tudo é briga, tudo. “Não, vamos na porrada,” e tal, tal, tal. E aí fica esse aprendizado com esse engenheiro que ele me mostrou. Então, como falei, tem os melindrosos. Tem as pessoas que olham para você. O ego tá envolvido, exatamente.

Mas tem de vez em quando aparece um ou outro que nem esse Rodrigo aí que acabava dando uma amenizada na situação. Por esse motivo, se eu não sou bem tratado lá em cima, porque o canteiro era assim, né? Era a parte de baixo, já era até separado. Embaixo era peãozada, em cima era de ADM, engenheiro, tal, tal. Então, a gente ia lá de vez em quando. Para você ver, não gostava nem de subir, né? Se a impressora quebrasse embaixo, usar em cima era maior briga. Caraca, bicho! Mas para algumas, assim, briga que eu digo, o cara olhando torto. Total. Ah, então, tipo, eu evitava ir lá, tomar café. A gente fazia café lá embaixo justamente para… então acabou separando. E acontece essa divisão, né? Infelizmente, foi o que eu vivi. Eu vivi essa separação. E a gente aprende assim, cara. Mais na frente eu vi que não era assim, mas já era tarde porque você já pegou umas manias. Exato. Hoje você visita a obra, você olha na cara do cara, você sabe aquele cara é aquele cara folgado que igual aquele outro lá de trás. Exato. Você já identifica só de olhar. É isso mesmo. Experiência de obra. E assim, hoje eu falo. Hoje eu fui numa obra em Guarulhos, cara. Mesma coisa. O cara fala: “Meu, você já sabe, você já mapeia”. Falei: “Calma aí, pô. Vou fazer uma visita assim”. “Não, não sei o que, tal, tal, tal”. Então, você vê que o cara tem aquela meio aquela prepotência. E não precisa. E aí, no fim, quem resolve é o peão. É isso aí. Você pode ir lá bater nos seus funcionários tudo, que quem faz o trabalho são eles. Então, quando a gente aprende isso. Infelizmente, ficou essa má impressão que eu venho tentando trabalhar. Mas a gente não muda as pessoas, a gente muda a gente. Mas e você vai mudando a percepção das pessoas pouquinho por pouquinho que vai mudando. E cara, quando que vem a Avante na história? 10 anos de Odebrecht. 10 anos você ficou na Odebrecht, cara? Caraca! E assim, deu para notar que eu não fui mandado embora de lugar nenhum. Todos eu pedi [conta], saindo. A Odebrecht me mandou embora. É mesmo? Lava Jato. É assim. Aí eu volto lá naquele personagem que é meu pai. “Moleque, se cuida. Guarda dinheiro que você acaba”. Falei: “Tá louco, Odebrecht vai quebrar? Tá maluco! A não ser que eu mate alguém lá dentro, do contrário eu tô pregado pro resto da vida”. 2017, 2016. Aí começou, tal, tal. Conheci um cara já que virou meu sócio na época, né? Na verdade, nós éramos amigos. Então, já era técnico de segurança Sênior. Na época ele já era pleno ou era júnior, estava começando ainda. Só que eu já tinha uma certa experiência. Ele chegou na obra. A gente, que nem eu te falei, fui criado doutrinado de uma forma arisca. O cara chegou, falei: “Ah, vamos metendo no banco”. Falei: “Vamos fazer um teste”. Chegou umas peças de guindaste lá. Falei: “Ó, você não é você não é pleno? Vai lá resolver”. Aí ele fez o [procedimento] todinho, igual eu tinha aprendido. Parou tudo, deu maior [complicação]. Eu falei: “Ah, então esse cara vai dar bom”. Porque chegou lá [e] todo: “Ah, tem tantos anos de Odebrecht, tal, tal, tal”. Falei: “Vamos testar? Vamos testar”. Esse cara passou. Viramos amigos. Eu saí de Alfaville, fui ali pro.

Na verdade é assim, a gente acaba… você é itinerante, né? Você acaba criando ali um ciclo de amizade. Pô, Felipe é técnico de segurança, é bom. Quando eu mudei de obra, a Odebrecht começava uma, puxava. Só que aí que acontece: os caras vão ficando caro, né, pro empreendimento. Então, o cara começa a filtrar. Eu trabalhei 10 anos na Odebrecht, mas eu trabalhei em duas obras. Caramba! Essa de Alfaville, que tinha oito Torres, e essa do Morumbi, que é do lado da estação, de 10 Torres. Então, em 2013 nós fomos para lá. Esse Daniel que era o meu sócio, a gente se conheceu em Alfaville. O Ricardo que me colocou foi para Alfaville, depois foi pro Morumbi, depois me levou e tal. E assim foi. Depois trouxe Thiago. Aí começa a trazer o time todo. Como a obra era grande, suportava. De folha, você vê, a Odebrecht tinha mensal 240 pau. Caraca! Entre técnico, engenheiro, tal, só a parte de segurança. Sem falar de saúde. Numa obra, meu Deus do céu, 240 pau de segurança do trabalho numa obra. Você já foi numa obra que tem sete técnicos? Caraca, bicho! Obra gigantesca, né? Então, assim, era 1.200 pessoas e meu tinha noturno, mas de dia ficava aí com quatro, cinco caras rodando. Chegou a Lava Jato. Só que antecedendo todos os problemas da Odebrecht, eles fizeram uma reunião. Entrou compliance, tal, ética, não pode vender. Aí começou, né? Você não pode vender tênis aqui dentro, tal, tal, tal. Você tem empresa? Não tinha. 2016, fiz lá. Respondi o questionário. Passou mais um tempo. Daniel, o Daniel que já era Sênior, já estava pesado. Então, nessa hora é bom você ser o novato, porque começa a voar os pesados. É saiu. Só que antes disso, ele pô: “Vou montar uma consultoria”, porque ele veio de consultoria. E de verdade, tudo que eu te explico hoje, que eu explico para a Marta, que eu auxilio teu pessoal, não sabia nada. Ah, mas você era técnico? Sim. Operacional, DDS, tava lá no dia a dia. Abre um PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), na época era PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais). Você não sabia nem por onde ir. Tem isso, isso e isso. Tá certo. Ele falou: “Não, vou montar”. Falei: “Cara, não tem como. Não, eu vou com você, tal, tal, tal”. Falei: “Ah, um ano e pouco”. Ele saiu, falou: “Acho que chegou a hora”. Falei: “Cara, você me aliciou esse tempo todo. A gente tem uma amizade boa. Então, vamos montar”. Montamos Renova Seg. Só que é o seguinte: “Vamos abrir no teu nome, que eu tô com [o meu] meio bagunçado”. Falei: “Beleza, abre lá essa bexiga aí, manda a bala”. Abriu no teu nome. Exato. Passou o tempo. 2017, aí começou a rodar, né? Porque na verdade quem era nosso cliente era os empreiteiros. Você começa… você já tem muito até hoje eu vivo assim, tá? De indicação. Conhece um monte de gente. Pô, o cara: “Gostei do serviço, vai lá, tal, tal, tal”. Um belo dia ele pegou um trampo de um engenheiro. “Pô, você tá fora da Odebrecht? Você pode fazer o trampo. É lá de Campinas”. Mas é que nem eu te falei antes de começar o podcast, os caras têm pressa. Qual que é o processo natural? Você vai contratar uma empresa, você vê o preço, fecha contrato, tal, documentação. Tá ok, vai fazer. Às vezes você faz ao contrário. Sim. “Eu preciso do cara pra amanhã, se vira, mano. Já traz aqui”. Depois foi o que aconteceu. Porque se tivesse feito o processo correto, o meu CNPJ não tinha batido lá. Ele fez um LTCAT (Laudo Técnico das Condições do Ambiente de Trabalho). Agora emite a nota. Só que eu nem ele. Olha que loucura! O meu engenheiro na época, o meu coordenador, fez uma reunião porque tava começando a acabar e só tinha essa obra. Nossa. Então, ele falou: “Vamos começar a desligar algumas pessoas. Então, a gente precisa criar uma estratégia para você já saber. Ó, daqui a dois meses eu você, tal, tal, tal”. Falei: “Vixe, lascou”. Sentamos. Fizemos a reunião. Então, tinha eu mais quatro, cinco. “Então, beleza. Como eu era o segundo mais velho”, ele falou: “Então, vai ser assim, ó: sai esse, esse, esse”. Caramba! Fez um processo mesmo. “Marcelo e Iranildo, vocês saem por último”. A reunião foi tipo 10 horas, ficamos até umas 11 e pouca. Beleza. Quando acaba a obra, ele falou: “Cara, isso aqui vai mais um ano para quem ficar”. Os outros já tinha prazo, data para sair. “Vocês dois o que eu consegui segurar”. Porque qual que era a esperança? Era o negócio organizar e voltar. Beleza. Não vai precisar de nada disso. E no meio do período o que acontece? Do tempo que eu tô na Odebrecht, fui lá fiz engenharia ambiental e de segurança do trabalho. Tava terminando. Falei: “Beleza”. Qual que era a ideia? Manteve-se estudando. A visão qual que era? Era sempre aquela: “Pô, tô de técnico aqui, mas amanhã eu quero sentar ali, ó”. É isso aí, próximo passo. Finalizo reunião 10 horas. 11:20 acabou. 2 horas ele me chama no rádio: “Dá um pulo aqui na sala”. Beleza. Me chamou. Falei: “Cara, o que que ele quer?”. Nunca chamava no rádio. “Porra, tu emitiu nota para a Odebrecht?”. Falei: “Tá louco? Como que emiti nota?”. “Essa nota aqui, ó. Tu tem empresa? Foda-se. Já era, cara, vou ter que te mandar embora hoje”. Caraca! Por causa da empresa que você tinha aberto com o cara. Eu tinha aberto. Mas até se ele tivesse feito, se o engenheiro lá tivesse feito, mas assim, não deu problema só para mim. Os caras se enroscaram. Mas é igual eu te falei, quando você é primo do primo do primo.

Aqui tava fácil. Era só fazer o quê? Mas, na verdade, assim, quando você fala de compliance, os caras realmente já pensam que tem alguma coisa. Agora eu te pergunto: mas por que só eu que saí? Te colocaram como bode expiatório. “Ah, mas você saiu porque você mentiu”. Mas eu não menti. Se você pegar a data que eu preenchi, a abertura do CNPJ. Enfim, alguém tem que ser bode de piranha, né? O cara manda lá. Bode expiatório. Exatamente. Manda embora. Acabou. Precisou ser eu. Falei: “Agora, salário bom”. Falando: “Agora vem para cá, salário menor que isso aqui, ó. Vou começar a nossa empresa”. E eu falei: “Bicho, eu sou técnico de segurança, não sei mexer. Que que é isso? Tem que fazer o que aqui?”. Aí foi criando os processos. Aí foi. E você ainda é sócio dele na Avante? Não. Aí vocês… a gente vai chegar na… 2017, 18, 19, 20. Pandemia. Só que na verdade é o seguinte, quando eu saí… Só vou pedir para você acelerar, que nós já estamos no final, cara. Ó o tempo. E aí você separou a sociedade. Separamos a sociedade. E que sociedade difícil! Casamentos, relacionamento, tem que ter ali o jogo de cintura. E o que acontece? Não deu certo. Ah, ele tem a versão dele, eu tenho a mim. Enfim, os dois porque não tá nem errado. Cada um pensa de um jeito, né? Às vezes não dá certo. Aí separamos. “Agora tô sozinho. Vamos dividir 50/50, tal, tal, tal. Monta o seu CNPJ. O outro a gente, como era de sociedade, já tinha um nome, a gente exclui ele e cada um começa do zero”. Eu comecei das empresas que já tem os contatos que já tem. Tinha 100 empresas, 50 para cada. Quando que a Avante oficialmente se abriu assim? 2021. Caraca, bicho! Então, nós fomos um dos seus primeiros clientes? Porque na verdade o que acontece, ela tem CNPJ 2019. Por que, a minha esposa já trabalhava comigo. Falei: “Não vou começar com CNPJ novo aqui nem a pau”. Você já abriu um. Ela já tinha o MEI dela, transformei em Simples Nacional e foi. E cara, qual que foi a… Deixa eu te fazer uma pergunta. Como que a gente começou a contatar vocês? Você lembra? Então, Paola. A Paola… Eu perguntei para ela. Achei no Face. É mesmo? Como que ela me achou no Facebook? Eu não sei, não. Fazia anúncio. Que legal, cara! Eu falo, Deus ele vai encaixando as coisas. Falei: “Ah, Grupo Sucesso. Vem aqui fazer uma visita”. Quando eu cheguei lá, eu falei: “Eu tenho uma empresa desse tamanho”. Que da hora, cara! Falei: “Caramba”. E vocês resolveram um BO pra gente, até fazendo esse depoimento, porque é onde a gente se encontra. A gente tinha uma segurança do trabalho de um cara que atendia a gente malemar. Daquele jeito, sabe? Treinamento malemar, documento malemar, atendimento malemar, gerenciamento de EPI malemar. A empresa começou a crescer, cara, e a gente começou a ver que não tava mais dando conta. Falou: “Meu, a gente precisa resolver esse negócio”. Começamos a pegar obra maior, começamos a ter problema com documentação, e a gente precisa resolver. Como que a gente resolve? Precisa entender. Aí começamos. “Putz, acha alguém. Quem? Não conheço ninguém. Acha. Precisa resolver”. É aquela instrução: “Precisa resolver. Resolve isso aí”. E cara, segurança sempre em primeiro lugar, só que eu não tinha paciência de travar na burocracia da segurança, sendo que isso, na minha opinião, já deveria ter sido resolvido. Exato. A gente já tem que ter visto isso previamente. Eu não posso atrasar uma obra porque eu não tenho uma documentação, cara. Resolve isso. Só que, cara, ou a gente tinha que contratar um cara de segurança do trabalho, que era uma coisa que a gente avaliou na época, mas não valia a pena. Na… ainda era muito pequeno para isso. E que às vezes o cara chega sem conhecimento, ele sabe uma parte de um todo. E que putz, e aí começamos a fazer um monte de conversa. Aí, cara, eles contrataram vocês. Só que eu nem participei desse processo, cara. Você só cobrava resultado. Eu lembro, eu não lembro qual foi o primeiro treinamento, acho que foi com o pessoal do bombeiro, lá. Isso. Foi esse primeiro, né? Foi. Aí: “Vai ter um treinamento, você também tem que participar”. Eu falei: “Eu tenho que participar? Tem”. Beleza. Vamos todo mundo lá.

E aí vocês foram lá, deram baita de um treinamento de segurança do trabalho, de primeiros socorros, de incêndio também, né? De. Obrigada, cara. Obrigada. Vocês deram baita de um treinamento que a gente, cara, naquele tamanho, a gente nunca tinha tido um treinamento profissa. Era sempre uma coisa bem pincelada, uma coisa. Vocês foram com um bombeiro lá, cara. E aí eu falei: “Caraca”. E eu lembro que eu cheguei no RH e falei assim: “Vocês casam caro? Quanto vocês estão pagando nesses caras aí?”. “Não, meu, o preço super bom, tal, tal, tal”. Eu falei: “Porque pro que tinha, pro que por que vocês apresentaram”, eu falei: “Puta que pariu. Pessoal deve estar gastando maior grana aqui”. Aí eu perguntei: “Esses caras são um cara?”. “Não, total”. Falei: “Legal”. Aí teve uma reunião que eu participei lá atrás, que eu nem lembrava o que que… Só sei que tava um BO, tava jogado esse setor. E aí foi você lá e pum: “É assim que funciona, tal, tal, tal”. Eu falei: “Nós estamos entrando em tal construtora, tal construtora, tal construtora”. Falou: “Não, isso aí eu já tô acostumado, e tal, tal, tal. É só passar pra gente”. Eu falei: “Não acredito que esse cara tá me oferecendo essa solução. Tá muito bom para ser verdade”. Porque, meu, é uma documentação. Gente, vocês não têm noção. É muito BO, cara. É, é que na verdade, você tem que entender o que o mercado quer. Não é nem a mais, nem a menos. Eu comecei a falar: “Cara, eu tô entrando em tal construtora e tal, tal, tal, e os cara pede tudo”. Você falou: “Não, não, eu sei. É assim, assim”. Você começou a falar o linguajar que a construtora falava, e a gente estava perdido. Eu falei: “Como que funciona?”. “Não, me coloca em contato, que a gente agiliza”. Falei: “Você cuida?”. “Cuida”. Nossa. “E quanto custa?”. “Não, a gente, o que vai custar é os documentos, os exames”. Aí eu falei: “Cara, o cara tá me oferecendo uma consultoria de fato. Ele vai cuidar desse BO, e aí quanto custa?”. “Não, vai custar nada, não. Os exames, tal, tal, tal”. Eu falei: “Cara”. Aí você saiu dessa reunião, eu falei assim, para eles, eu disse nesse papo, falei assim, ó: “Se ele tiver, se ele entregar o que ele tá falando, vai embora, deixa os caras”. E cara, 3 anos depois, eu nem sei mais o que é segurança do trabalho. Você tá cuidando disso aí desde sempre. É um BO a menos no nosso colo. É um negócio que funciona. Quando a gente chega em obra, cara, o cara fala: “Meu, aqui é difícil entrar”, porque os caras, eu acho que o pessoal da construtora já sabe que quando tá trazendo alguém, é tão burocrático que ele até fala: “Nossa, esse cara vai passar um perrengue”. Eu falei: “Isso aí, cara.

A gente tá acostumado. Fica tranquilo, porque isso não é mais um BO. Avante, cara”. “Fala com a Avante, a Avante desenrola”. E cara, nunca mais foi um problema pra gente. Fora que a gente profissionalizou demais o time. Parece que é besteira, mas empresa muito pequena, e eu vou falar isso aqui olhando pra câmera, tá? Empresa muito pequena de construção civil e tudo mais, muitas vezes compra certificado. Assina aqui, o cara assina, não faz nada. Aí você manda seu menino para trabalhar numa obra que mal sabe o que tá fazendo, o que coloca ele em risco, perde produtividade. E outra, pode ser um BO gigantesco. O treinamento é essencial, cara. Então, cara, o cara volta sabendo de fato operar em altura. Ele volta de fato sabendo de fato a importância do EPI. Ele volta sabendo de fato as importâncias de um primeiro socorro. Cara, tudo isso é muito importante. Tem que ter uma empresa que organize isso aí. Hoje quem organiza tudo isso pra gente são os caras da Avante. Cuida de tudo, cara. Eu não sei mais o que é ter problema com isso aí. Desde então, vocês cuidam de tudo. E cara, eu agora que eu descobri que a gente praticamente foi um dos clientes que começou com você, eu achei que você já era, até pela estrutura que vocês ofereceram. Para você ver como é a pegada do profissionalismo. Vocês ofereceram uma baita estrutura. Eu falei: “Caramba, esses caras são grandes”. Eu tive essa percepção. Falei: “Os caras são estruturados, os caras são grandes”. É, é porque nem tudo se cobra, né? Exato. Pô, o cara vai me ligar, passa o contato da engenheira. “Eu quero entender o que ela quer”. Exato. E tem muito engenheiro que cobra aí, não sabe o que tá cobrando. “Olha, mas a norma não tá pedindo isso”. “Por que você tá querendo?”. E às vezes já aconteceu de orientar o engenheiro do outro lado, falar: “Meu, você tá cobrando um negócio que não tem lógica. Precisa, tal, tal, tal”. Porque muitas vezes é uma burocracia tremenda. E cara, deixa eu fazer algumas perguntas técnicas, tá? Aproveitando para tirar essa consultoria aí. Cara, vou te perguntar coisas assim que, de novo, eu até te falei isso antes de começar, eu falei: “Bicho, você resolveu um BO para mim, mas eu nem sei o que as coisas que você faz direito, porque eu não entendo nada de segurança do trabalho”. Por quê? Porque eu tenho um setor administrativo que cuida disso. É a Marta. Você conversa com a Marta. A Marta entende bem isso aí. Gerencia essas documentações junto com vocês, e vocês cuidam. Então, cara, tá feito. E cara, se vocês colocam a gente nas obras que a gente trabalha, é porque tá bom, porque senão a gente não entrava, porque essa é uma burocracia tremenda, cara. Cara, eSocial, que eu sei que é um negócio que me assustaram lá atrás. Falou: “Vixe, começar eSocial agora, tá ferrado”. E aí tem lá saúde e segurança do trabalho com foco em eSocial. Que que é eSocial? Que que é esse organismo aí chamado eSocial? É, o eSocial é um sistema que o governo criou, né, para amarrar as informações. O que acontecia antigamente? O camarada contratava uma pessoa, não fazia ASO. Caraca! Tinha isso, porque era tudo, e assim, arcaico. Você nunca ouviu falar que o cara contrata, não registra? Se der acidente, você registra retroativo? Acontecia muito isso. Direto acontecia. E o eSocial veio para acabar com isso. Não só isso, mas outras falcatruas que uma, eles acabaram caindo na informalidade. E o que acontece? Se você pode ver, hoje tem aquele Gov.br, ele tá linkando tudo. E uma das das ideias do do governo é a questão do eSocial, porque ele te audita e online. Peraí. Por que que o grupo sucesso contratou o Joãozinho? Mas cadê, cadê o ASO? Mas por que esse ASO foi feito três meses depois? Cadê essa informação? Cadê o levantamento de risco? O próprio sistema confronta. Por quê? Tem um problema, que é um dos maiores: PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário). Profissiográfico. O que que é o PPP? Perfil Profissiográfico Previdenciário. Sabe nem que existia essa palavra. Pro cara aposentar. Sabe aqueles caras que aposentam especial? É com esse documento. Só que ele não existia. Por quê? Quem que dá base para alimentar essa informação? É o LTCAT. Putz, peraí. Deixa eu… Então, o eSocial na verdade é um sistema que veio para automatizar essa parte de contratação. Tanto é que, na minha cabeça, cara, quantas vezes, para você ter ideia, antigamente como que eu trabalhava? Eu não fazia a experiência de três meses. Eu sempre contratei todo mundo assim, ó: “Você vai ser contratado”. Se a pessoa tava desempregada, principalmente, falava assim, ó: “Vamos fazer o seguinte, vamos fazer um teste de 15 dias. Você conhece a empresa, a gente te conhece. E se você gostar e a gente gostar de você, a gente registra. Eu te pago os 15 dias e eu te registro retroativo”. Exato. E aí parou de poder o retroativo. Eu nem sei por… Então, é por causa do eSocial. Exatamente. Ele resolve vários problemas com ele. Ele profissionaliza de fato a contratação, né? E o que acontecia muito é tipo a Receita Federal se automatizou. Então, você consegue saber se o dinheiro tá entrando, saindo. Isso aconteceu nas contratações. Depois de 2022, o funcionário tem acesso ao PPP dele. Então, ele não fica mais preso na empresa. Quantos processos de trabalhista tem? Você dá autonomia pro, pro, porque o cara trabalhou 10 anos numa empresa com atividade especial e não tem como provar. Entendi. E aí se se já tá errado, ele já vê na hora. Aí eu lhe digo, o cara passa a vida inteira para se aposentar. Quando aposenta, não consegue. Chega no período ali de 25 anos ou 20 para se aposentar, não tem embasamento. Vai mover um processo que demora anos e anos e anos, e o cara fica aí abandonado. Exatamente.

E fora que da forma que era feito anteriormente, o cara deixava de registrar. Então, ele não tinha os custos também. Tinha. Não pagava as taxas que o governo… Nossa, cara. Você acredita que aconteceu isso com meu sogro? Trabalhou a vida inteira numa empresa, mano. Teve um BO gigantesco no final. E não sabia. É isso aí. Acho que esse eSocial ele traz autonomia pro próprio funcionário ter visão do que que tá acontecendo e profissionaliza de forma automática essa parte de contratação. Pô, legal. Não sabia. PGR. E ainda eu falo, eu só sei que custa e que, às vezes, pelo menos na construção civil, algumas construtoras pedem um por obra. É, na verdade, o PGR ele é o Programa de Gerenciamento de Risco. Então, assim, via de regra, quem precisa do PGR é a construtora. A norma diz: “As empresas subcontratadas necessitam enviar o inventário de risco”. A última reunião que eu tive com a Marta foi justo eu falei disso aí pra você. Só que elas não aceitam. Elas querem o PGR. Tem embasamento técnico? Eu tenho o item da Norma. Eu mando pro, manda pro seu cliente. Aí você fala: “Marcelo, eu vou brigar ou não?”. Exato. E não vale a pena brigar, porque os caras, você sabe, né? Isso quando não me pede com RT. Mas, mas pela Norma em si, não precisaria. Você manda o inventário. PGR da construtora. Como ela subcontrata, ela subcontrata, o inventário de risco só vai entrando, na verdade, vai agregando no PGR dela. Exatamente. Mas e por que que eles, então, pedem um PGR para cada empresa? Eles entendem que é mais seguro. É mais seguro. É a visão que eu tenho. Porque hoje o cara pede uma RT de um PGR. Tudo bem. Ah, mas eu… Ah, o Felipe assinou um RT. Mas e qual que é o problema? Você corresponsável junto comigo. A norma tá lá dizendo que eu preciso entregar o inventário de risco. Eu já mandei inventário de risco para vocês. A obra aceitou. Fiz para um cliente um PGR. O cara falou: “Ó, podia ser o inventário”. Então, depende muito de quem você vai atender. E o que que tá… O que que é o PGR? É um programa de gerenciamento de risco. O que que tem dentro dele? Cara, o que que você fala pro PGR? O PGR é o seguinte, você entra dentro do do do do ambiente da empresa, seja, independente do tamanho, da atividade dela, você vai identificar os riscos. Então, pô, tem trabalho em altura? Tem. Em que atividade? Beleza. Quais são os cargos? Exato. Então, vamos lá. Eu tenho lá o administrativo. Ele tá em ambiente ruidoso? Não. Então, ele não vai entrar nesse grupo. Ah, esse aqui tem o mesmo risco que aquele ali. Então, a gente forma grupos. É um mapeamento de fato. Eu mapeio os riscos da empresas por função e e e e setores. E lá dentro, eu identifico: “Pô, tem trabalho a altura? Qual que é a medida de prevenção? Vamos treinar. Vamos fazer exame X, Y, Z. Vamos fazer programas aqui internos para poder tá tá renovando a conscientização do pessoal”. O PGR ele levanta os riscos legais para que as medidas. Então, ele é um mapeamento da empresa mesmo. E aí, muita coisa que eu… Cara, essas perguntas que eu tô te fazendo, eu tenho nem noção, de verdade. Não tô fazendo para gerar conteúdo. Não, é porque eu quero também entender. LTCAT. Eu sou meu… Eu ouço lá a Marta: “LTCAT”, né? Sei que aí o vendedor: “Ah, LTCAT”. Eu não tenho nem ideia. Eu só escuto. Que que é LTCAT? É Laudo Técnico das Condições de Ambiente de Trabalho. Ele tem… É assim, ele é basicamente tem a mesma função que o PGR. Ele identifica os riscos. Só que o eSocial ele trouxe algumas atividades que elas são e que elas dão direito a aposentadoria especial. Então, o LTCAT vem para dizer se aquele cara recebe aposentadoria especial ou não. Que que é aposentadoria especial? Se o cara trabalha em altura, em… Hoje, hoje, normalmente, o cara para se aposentar 35 anos. Na atividade especial, vamos lá. O cara trabalha no ambiente com ruído além do limite. Então, vamos dar exemplo. A norma diz que o camarada pode trabalhar no máximo com 85 dB por 8 horas. Cada um decibel que você vai aumentando, ele vai caindo essa exposição. Então, o LTCAT ele vai pegar essa informação. Então, vamos dar exemplo. Tem ruído? Tem. Quanto? Como que eu vou saber? Quebra o equipamento: dosímetro. Esse equipamento fica no funcionário durante o período laboral dele, pausado na hora do almoço, e pega uma média. Essa média, se ela der acima do limite de tolerância, já é aposentadoria especial. Que aí é o seguinte, ele aposenta em menos tempo porque ele não pode elaborar por tanto tempo assim, porque isso vai gerar risco de saúde para ele. Qual que é a ideia da da… Ali da ele pode receber a insalubridade, né, dependendo do caso, e junto à aposentadoria especial. O que acontece? Na maioria das vezes, o pessoal não faz, porque não é toda a obra que tá que tem cobrado. Porque o LTCAT ele é para previdência. O PGR do Ministério do Trabalho. O que que as construtoras hoje pedem? PGR, Ministério do Trabalho. Estão começando a pedir LTCAT por conta do eSocial, mas ainda a gente tá caminhando. Então, o PGR é para para atender a norma do Ministério do Trabalho. Do Ministério do Trabalho, e o LTCAT pra previdência. Até para: “Opa, esse cara aqui é insalubre, trabalha insalubre. Então, ele vai ter uma redução”. Coisas que antigamente você perdia esse controle. Não tinha esse controle. Já tá agora migrando tudo para o eSocial para esse controle automático acontecer. Para você ver, eles seguem normas diferentes. Então, que nem, ah, o camarada tem produto químico. Ele que ele não é, não dá, não é insalubre e não dá aposentadoria especial. Então, a gente precisa entender. Exposição. Exato. Então, são dois documentos quase que semelhantes, só que atendem legislações diferentes. Assim, o LTCAT é para alimentar o PPP. Ponto. Para ficar mais claro. Perfeito. E aí tinha lá o PPRA que virou o PGR. Exato. Tá. E o PCMSO? O PCMSO ele é a continuidade do PGR. O PGR levanta os riscos. “Ah, meu amigo, você tá trabalhando em ruído”. O doutor vai lá e fala: “Como que eu vou saber se ele, qual que qual que é a se tá tendo perda auditiva ou não? Vamos fazer uma audiometria na entrada e na saída, e periódico”. Ah, periódico. É verdade. Por quê? Quem vai, quem vai dizer… a gente faz lá, o que? Uma vez ao ano, né? Uma vez ao ano. Boa. Quem vai, quem… Qual que é o parâmetro que eu vou utilizar para ver se as minhas medidas de controle estão eficazes? É o camarada. O resultado vai estar nele. Se ele teve perda: “Opa, vamos voltar lá no PGR, melhorar as medidas de controle”. Então, todo risco, trabalho em altura. Caraca, que legal! Então, até esse controle, por mais óbvio que seja, mas eu nunca parei para pensar: meus funcionários que estão lá há 5, 6 anos, a gente consegue saber se ele teve uma perda auditiva. Um detalhe muito interessante é que assim, os empresários menores, eles não entendem isso. Fazem exame aqui, lá, lá, lá. Isso é proteção. O que você precisa? Guardar esses documentos por 20 anos. Caraca, bicho! Então, se amanhã você falar: “Marcelo, eu tô indo embora”. “Ó, Felipe, tudo bem. Pede pra próxima clínica mandar aqui a carta retirando seu prontuário, porque isso aí tem que ficar”. Ah, mas eu tenho um cara aqui que já foi demitido. Leva tudo. É 20 anos. E hoje você tem… Na verdade, eu tenho cliente que você pede o histórico. “Cara, não, não tem. Eu fiz um ASO em qualquer lugar”. Achou uma clínica, o cara vai lá e faz. Não tem proteção nenhuma. A proteção jurídica. Deixa eu já te fazer uma pergunta, coisa que eu vou… dúvida lá da empresa. Então, cara, o fato de eu ter, de eu estar trabalhando com a Avante, se por acaso, imagina que chega lá um funcionário, João, Joãozinho da Silva, vai lá, vai fazer uma audiometria periódica do ano, e ele teve perda, você me avisa. Sim. Então, se você não me avisou, tô tranquilo. Então, beleza. Olha, para você ver. Eu tenho um cliente, ele é, ele aqui da região.

A gente descobriu que um camarada, na verdade, assim, fez o exame, né? Ele para Equidade visual. E ele foi ver porque deu uma alteração: “Ó, tá inapto pra altura”. Equidade. O que que é equidade visual? Exame de acuidade visual é aquele que bota: “Ah, o que que tá escrito ali?”. “Não tô enxergando”. Exato. “Ó, esse cara não vai trabalhar”. “Mas eu preciso dele pra trabalhar altura”. “Então, preciso no oftalmo para fazer um óculos”. Caramba! Chegou lá, ele tava com problema. Caramba! Então, tava para ficar cego. Olha que legal, cara. O que que a Avante faz além do que eu imaginava? Então, vocês cuidam até disso. Cara, vocês cuidam da saúde. É assim. Se eu tô com funcionário subindo em altura, e você sabe que a gente trabalha em altura, pendurado em corda, rapel. Caramba! Se eu tô com funcionário fazendo esse trabalho, é porque ele passou nas necessidades básicas e obrigatórias para ele fazer esse trabalho, em termos de saúde. Exatamente. E outra, eu me sinto protegido pelo fato da Avante tá garantindo que, se amanhã depois esse funcionário de má fé me processa, dizendo que ferrou a visão dele, ou perdeu a audição, ou ferrou a coluna, coisa do tipo, a gente tem essa garantia de que: “Opa, você entrou nessas condições, no ano a ano as suas condições estavam iguais, então não foi aqui que isso aconteceu”. Exatamente. Quando dá uma alteração, o ASO vai… ele é enviado para a Marta, por exemplo, e uma guia de encaminhamento: “Ó, encaminho Felipe para o endócrino”. Por quê? Glicemia 120. “Marta, você precisa… você precisa mandar ele”. Ele não foi. Ano que vem te pega de novo. Era 120 a 140. E se ele não vai, a culpa é de quem? Então, na verdade, a empresa tem que fazer essa gestão, porque o que acontece? Ele passou esse um ano. No ano que vem, ele é reprovado, porque a gente pega o prontuário. Peraí. “Cara, não fez o tratamento”. “Ah, mas eu tomo o remédio e não tomei no dia”. “Então, tudo bem. Você vai tomar o remédio e vem fazer de novo”. Exato. Passou, não passou. Top. Cara, depois eu vou até olhar lá. Vou conversar com o pessoal se existem alguns encaminhamentos pra gente ver como a gente tá fazendo essa gestão, porque a gente tem convênio, tem que fazer, e tal, e se embora. Então, é legal a gente criar, inclusive, um relatório. Já, ó: “A gente tá fazendo reunião de segurança do trabalho aqui, hein?”. Você viu, né, Tiagão? Já tô aproveitando, né, bichão? Já vai matar dois coelhos numa cajadada. Já tira azul. Então, cara, quando tiver um encaminhamento, uma necessidade de encaminhamento, não só um aviso, seria legal a gente montar um relatório para que isso fique num servidor e a gente fala quem são as pessoas que a gente precisa. Por exemplo, o João tem que ir pro oftalmo, a Maria tem que ir pro, como você falou aí, a o endócrino e tal, pra gente fazer esse acompanhamento, porque cara, ainda mais a gente que lida com com peãozada, você sabe, cara, é complexo. Às vezes você precisa de um de um de uma certidão de de nascimento, cara, você tem um BO gigantesco na mão de o cara ter esse certidão de nascimento. Imagina mandar o cara pro médico, que são pessoas que não gostam nem de ir pro médico. E respondendo a sua pergunta: quem é responsável? Você acaba pagando lá na frente. Exato. Porque se eu não faço essa gestão, no final fica: “Já foi no médico?”. “Ah, não fui, cara”. Você vai ter que ir. Pronto. Por mais que esse camarada não esteja, vamos dar exemplo, saiu do da do normal, mas tá dentro do do limite: “Ó, Felipão, dá uma olhada, porque na próxima pode ser que ele já esteja”. É o que acontece.

E isso pode virar um problema meu. Exato. Por quê? Se ele não se acidentar, no outro ano ele não pode trabalhar em altura. Então, você tem ou você tem que agir em alguma das causas. Então, vou fazer o quê? Vou prevenir para que eu não perca ele lá. Porque o cara que tem diabetes, o cara que tem uma pressão alta, o camarada que tem pode dar um mal súbito e cair. Exato. Caraca! Então, é, é, é, eu acabo me corresponsabilizando até pelos hábitos alimentares dele. Porque se ele não se cuidar, isso vai pode me gerar um risco de ele mesmo se acidentar numa situação de risco de uma altura, por exemplo. Às vezes, uma labirintite, coisa do tipo, que se ele tem, eu preciso tirar ele dessa função. Porque quando você contrata, ele não bebe, não faz nada, né? Exato. Não, o cara é um anjo na contratação. É um anjo. Acabou de nascer. Acabou de nascer. É isso. Cara, mas o o o o o o legal do trabalho é justamente isso.
E eu tenho clientes que já descobrimos silicose, que é problema da sílica no pulmão. Caraca! Então, assim, nós temos exemplos que a gente fica a noite inteira aqui de de clientes, situações que já já pegamos. E na verdade, tem o o exame psicossocial, que hoje em dia você fala: “Ah, o cara tá com depressão”. Hoje hoje o pessoal acredita, tal. Um cara foi fazer exame, a gente não sabe quem é, né? Chega lá. Você, ninguém vai saber que você é dono. O cara fez exame, a psicóloga falou: “Ele tá reprovado”. “Pô, no psicossocial. Ah, o cara tá doido”. O cara me ligou, que eu trabalho muito com muito parceiro. Falou: “Man, o cara que eu mandei, aí você reprovaram o psicossocial. O cara não tá doido, não, pô. Não sei o quê”. Falei: “Não, peraí, que eu vou conversar com a psicóloga”. Falou: “Cara, ele tá com algum problema. Isso é particular dele, eu não posso te falar, mas pergunta, fala para ele ver”. Enfim. Resumindo, o cara era casado há 30 e tantos anos, peão de trecho.
Pegou uma doença e não queria passar pra mulher. Mas como é que fala? Caraca! E aí descobriu. É, falou: “Tá vendo? Porque ele não pode subir altura”. Se o cara tá numa altura lá e inventa de se jogar, como tu vai falar pra tua mulher que pegou uma doença venérea?
E até a saúde mental dele pode gerar um suicídio. Exato. Opa, esse cara aqui tá propenso a fazer merda. Então, é mapeado. E é interessante. Caraca, que legal, hein, bicho! E bicho, deixa eu te fazer uma… Mudando um pouco de assunto, mas também dentro desse assunto da tua experiência, pra gente já caminhar pra parte final. Bicho, uma coisa que a gente falou no começo é liderar a equipe de escritório, pessoas que são já cresceram dentro do universo um pouco mais administrativo, de vendas, ou pessoas até que possuíram uma instrução em casa de uma família presente, como você teve, né? Uma família e com baixas condições financeiras, mas uma família presente, que já é fundamental isso na vida de uma pessoa. E pessoas que estudaram, que fizeram faculdade, fizeram vários cursos, que, independente da situação, você mesmo veio de uma família humilde, cara, conseguiu estudar e tudo mais através de uma família presente, é diferente de uma uma uma galera que trabalha em chão de fábrica, que trabalha em obra, que trabalha em construção civil, que muitas vezes, cara, a gente sabe que a construção civil ainda tem até, em algumas situações, regimes análogos à escravidão e tudo mais. Que aqui em São Paulo acho que é mais difícil, mas a nível Brasil tem pra caramba. Eh cara, já tive casos de pessoas que vieram da Bahia para trabalhar numa empresa, e cara, o cara dava um lugar para ele morar em troca do salário. Então, isso é quase que uma escravidão. Tô te dando uma cama em situações extremamente ruins de de moradia, e você trabalha para mim e acabou. E o cara ia formando uma dívida. Então, o cara era um escravo. Ele tava preso a às amarras invisíveis que ele criava do cara. E cara, eu presenciei isso. Eu contratei esse cara, tirei ele desse desse negócio. Inclusive avisei: “Meu, você tá…”. Ele ele veio fazer entrevista comigo. Quando ele me contou essas coisas, eu falei: “Cara, sai de lá sem falar que você vai sair, porque, porque entendeu?”. Eu a gente puxou o cara. E nem vou quase falei o nome dele aqui, mas não posso. É, mas ele não tá mais com a gente, mas a gente libertou ele dessa situação. Então, tipo, cara, é maluco, tá? E a gente enfrenta, cara, problemas assim, cara, Marcelão. Você sabe disso que eu tô falando, que você vive isso aí. Cara, a gente faz campanha de conscientização contra a violência doméstica para eles. Por mais louco que eu vou falar aqui, mas isso é o retrato do Brasil. Esse é o retrato da da pobreza. Esse é o retrato da da falta de família presente, de pessoa… Cara, não necessariamente que a pobreza quer dizer isso, mas essa desigualdade maluca que a gente vive e tudo mais. Cara, a gente faz campanhas lá de conscientização contra a violência doméstica, porque bater mulher não é normal. Por mais maluco que isso possa ser, a gente faz campanha de contra o absenteísmo, porque você não pode faltar sem avisar. Exato. Por mais que tá acontecendo alguma coisa, cara, tem que avisar: “Ó, deu um BO aqui, eu não vou hoje”. E isso no escritório, a gente, quando eu comento com alguns amigos que tem pessoal mais de escritório assim, eles falam: “Cara, como que você permite isso?”. Eu falo: “Cara, não é questão de permitir”.

Se eu demitir um cara que faltou do nada e não avisou, eu não vou ter funcionário. Porque na peãozada isso é é quase que normal. E um grande detalhe: às vezes aquele cara precisa de você. Exato. É uma é uma troca. E no meu escritório eu não passo esses problemas. Eu cara, eu não sei. Eu não sei se teve na história da minha empresa alguém de escritório que simplesmente faltou sem avisar, por mais que seja uma mentira, tá entendendo o que eu tô falando? O cara fala: “Minha mãe passou mal, meu cachorro morreu”, por mais que seja uma mentira, mas avisa. E quando você vai pro chão de fábrica, o cara falta e nem te avisa. E no dia seguinte vem como se nada tivesse acontecido. Normal. Então, cara, você tem que fazer um trabalho. Isso assim, o cara ele ele fura com você. Até a tua própria história aqui, você vê que tem vários casos, enquanto você tava lá
no chão de fábrica e tudo mais, que você ganhava oportunidade na falta dos caras. Exato. Exatamente. Então, cara, é um é uma outra realidade completamente diferente. Gerenciar de fábrica é outro rolê, bicho. Com essa tua experiência, dessa pessoa que viveu isso, que fala sobre segurança do trabalho, que gerencia essas pessoas, cara, 10 anos de Odebrecht, você tava lidando com essa turma. Como que você fala pro cara: “Cara, você tem que usar luva pela tua segurança”? Como você conscientiza isso? Como você consegue acessar o coração e a mente dessa galera que não se preocupa, que muitas vezes tá nem aí pra segurança. Usar EPI é coisa de boiola. Eu tô falando a linguajar de peãozada. “Isso é coisa de marica, isso é coisa de viado”. Tá entendendo? Tipo, sabe? Tô entendendo. E ah os acidentes. “Pô, eu sou macho, porra. Você acha que eu vou cair daqui 30 anos trabalhando desse jeito?”. É uma galera que você precisa conscientizar real. Só que para conscientizar, você tem que atingir o quê? A mente do cara, o coração do cara. Qual é que é, cara? Passa um pouco dessa experiência de liderança de chão de fábrica pra galera. É, na verdade, se ele não quiser, ele não vai usar. Fato. Então, o que você tem que fazer é fazer aquele cara gostar de você, te respeitar por alguma coisa. Total. Por uma água, pô. Por um favor que você fez para ele, que ninguém iria fazer. Por ouvir. Que nem você falou. Às vezes, o cara faltou. Será que o encarregado chegou nele lá? Porque assim, às vezes, o cara tem problema em casa. Isso são problemas duros, hein? Que não é só bebedeira. Ah, pode ser filho drogado, pode ter um monte de coisa. É uma família disfuncional. Tem que pensar que a gente tá lidando com pessoas disfuncionais em famílias disfuncionais que tem problemas dos mais diversos possíveis. Problema duro mesmo, né? Porque, eh, às vezes, ele precisa de uma orientação. E se você manda um camarada desse embora nesse momento, é o tiro de misericórdia. É claro que você não pode ser o Papai Noel. Mas você tem que entender o que tá acontecendo. Tem cara que é realmente falta porque não tá interessado. O mercado tá aquecido. Acontece isso. O cara não tá nem aí. E tem aquele cara que pode parecer besteira, terminou com a namorada e não consegue entender. É, eu trabalhei com um técnico. O cara queria se jogar, pô. É, é isso. Porque são são pessoas que precisam de auxílio, cara. E qual que é a qual que é o macete? É ouvir o camarada: “Vem cá, que tá acontecendo?”. E fazer ele gostar de você de alguma forma. Que nem eu tava, quando tava comentando antes do podcast começar. Estávamos lá em Alfaville. Eram cinco Torres. Ficou uma torre pro técnico, que era o Júnior. Para uma, que era pleno, ficou para mim. E a outra ficou para o outro técnico. Em determinado momento, e como o camarada dele já é Sênior, então ele… você pegar, você falar pro teu vô, uma pessoa mais velha, seu vô, alguma coisa, ele fala: “Você é coisa de marica”, não sei o quê, tem que bater, tal, tal. E eu já vinha de uma outra realidade. A gente já começa a ver. E aí tive uma reunião com o engenheiro. Falei: “Vamos trocar de lado. Você vai pro meu lado e eu vou pro seu”. E os caras não usava, velho. Não usava. Subia lá na laje. O cara até colocava para você parar de falar. Mas assim que ele tava lá, pum, tirava. Não. E às vezes, fala: “Pô, tu quer ir embora mesmo?”. E manda embora. E aí o que acontece? Obra do cara, falta quatro lajes para terminar o empreendimento. O cara não vai não vai achar outro empreiteiro. O cara não vai. Quanto que o cara vai cobrar para terminar aquilo ali? E aí, eu vou fazer um adendo, gente, rapidão.

Marcel, cara, mas falta mão de obra. Você não pode tirar a peãozada. E o cara tá querendo ser mandado embora. E ele não usa para te confrontar. E se você falar: “Cara, tem que usar, tal, por você, pela sua segurança”, ele fala: “Cara, não tá feliz, manda embora. Tô 20 anos assim, nunca caí”. E você não pode nem mandar embora. Ex. Cara, é muito complexo a gestão de peãozada, cara. E aí fazia DDS, conversava com eles diariamente. Nada de
resultado. Subia lá. Era a mesma. Já sabia. Já subia, o coração acelerava. Falei: “Meu, eu vou arrumar confusão”. E chamava os cara e para, e tal.

E mexe no bolso para eles. “Vamos bater papo”. E nada. E aí tinha um líder, né, que o apelido dele era Ladrão. O apelido do cara: Ladrão. Falei: “Mano”. Aí, Ladrão. Conversei com o encarregado. Porque assim, falando de carpintaria, tem o encarregado. Mas o encarregado não manda nada. Quem manda é o líder da: “Vamos embora”. O cara desce, desce todo mundo vai embora. Isso porque ele sabe que você não é o, não é o líder em assinatura. É o líder nato. É o cara que assumiu a aliança: “Essa equipe é minha, veio comigo”. Quem que é o líder? Aí, Ladrão. “Vem cá, chega aí”. E aí eu conversei. É o cara que os caras se respeitam, né? Ele era o cara que fazia a escada. Aí eu conversando com ele, eu via lá, olhei, vi uma uma garrafa de café, todas aquelas… Não era bem uma garrafa de café. É aquelas garrafa térmica. Os caras botava café, mano, e, e tal. Falei: “Meu, tive uma ideia”. Falei: “Ladrão”. Conversei com ele, e tal: “Não, mas não sei o quê, não sei o quê”. Falei: “Ladrão, vem cá. Vamos fazer o seguinte, ó, me ajuda que eu te ajudo. Cara, mandar embora. Meu chefe chega aqui, tá sem proteção, vocês tão tudo solto. Pô, você, eu sei que você não tá feliz, mas pô, não dá para me prejudicar. Vamos fazer o seguinte, vamos fazer uma troca. Eu trago essa garrafa de café para você todo dia cheia. Só leva ela lá. Quando terminar hoje, lá, deixa na minha sala que eu vou pedir pra Dona Maria dar uma lavada nela e botar o café fresquinho, quentinho de manhã. Só de tarde, não”.
Beleza. Cara, se eu vou te falar que isso mudou, eu não sei se eles me via, colocava o EPI. Eu sei que eu chegava lá, você pegava um ou outro funcionário. Primeiro dia que eu levei a café. Na verdade, assim, eu falei que levava. Mas, na verdade, ele tinha que levar e de manhã passar para pegar. Falou: “Cadê minha garrafa?”. Falei: “Aí”. Falei: “Não, não é essa, não”. Falei: “É, pô. Ela lavou”. Que da hora. E é isso. Você deu você deu condição para ele. Você falou: “Pronto, agora a tia da a tia da obra vai fazer seu café”. Mais um exemplo. Tinha um cara chamado assim, não me pergunta o nome. O apelido dele era Decumento, porque ele não falava documento: “Ô, me dá meu decumento aí”. Isso é muito de de… É, documento vira decumento. E aí, pá, conversando com ele. Cheguei, tava conversando com ele: “Pô, roubaram o meu carro, bicho, ontem. Eu não consegui ligar no seguro, tal, tal. Como que ele conversa com a mulher do seguro?”. “Decumento, não sei o quê”.
Falei: “Vamos lá. Faz assim. Vamos lá na minha sala, a gente liga lá no telefone da empresa e a gente explica”. Ah, eu tive que me passar por ele, porque ele não cons… Marcelo, sabe o que é louco? Porque puta, isso é muito real o que você tá falando. Meu, é, vocês não têm noção como pro Decumento ligar para resolver esse BO é quase que impossível. Exato. Na cabeça do cara, ele não tem nem noção. Ele ele às vezes deixa de pedir o o ressarcimento do carro dele, só para não ter que passar por um call center que não sabe nem se comunicar. Exato. A gente tá falando de uma coisa muito dura da realidade brasileira, que eu só descobri quando eu fui pra construção civil, porque eu tava numa bolha de que é pessoas semianalfabetas, que, por mais que elas elas não sabem se comunicar, elas não sabem trocar ideia. Sabe? É quase que um linguajar diferente. Quando ela liga no call center e começa a ter aquelas perguntas, ela começa a entrar em pânico. Exatamente. E ela evita aquilo, até mesmo para conseguir os direitos dela de ressarcir o carro. Ela prefere fugir disso. Então, cara, o que você está falando, cara, é assim, chamar o cara na sala e falar: “Deixa eu resolver para você”. Cara, o cara fica grato a você para caramba. Porque
ele fala: “Meu, esse cara tá comigo”. Puta, é muito legal o que você tá falando. Porque isso aqui é um é é é a base de você trazer pra peãozada dignidade, tá ligado? Você traz dignidade pro cara, você ensina dignidade, você você dá dignidade pro cara. Uma garrafa de café limpa com café fresco todo dia é dignidade, bicho. Um copo de água que você oferece pro cara é dignidade. Só que esses caras são invisíveis na sociedade, marginalizados. Muitas vezes o cara nem vê. Sabe? Se ele entra no restaurante, depende do restaurante, olha um feio, porque ele tá sujo. Exato. Você tá dando só dignidade, o que deveria ser obrigatório na sociedade. Mas essa porra dessa sociedade não funciona desse jeito. A minha primeira briga dentro de obra foi com o encarregado. Eu nem sabia. Ele foi reclamar pro mestre que eu chegava lá cobrando, não dava bom dia. Olha isso, cara! Pô, o cara não dá bom dia. Meu, eu sentei com o mestre. Falei: “Mas como não?”. E realmente faltava. Faltava isso. E você foi no caso do… no no no exemplo do Decumento, entrou na sala, ele entrou na sua sala e se ligou lá e passou pelo documento. Resolveu o BO dele. E eu peguei, tava tremendo. Falei: “Não, Decumento, vamos resolver”. Cara, tudo que eu pedia para esse cara depois, ele tava contigo. Preciso botar uma placa ali. “Não, tá aqui”. É isso. E cara, essa realidade de chão de fábrica funciona muito assim, cara. Os caras são, por mais que eles são casca dura, casca grossa, os caras são corretos, muitas vezes. Sim. Honestos. Eles lembram de quem ajudou eles. Eles têm uma ética. Sabe? Tipo, você me ajudou, eu te ajudo. Sabe? É uma coisa. Se você vai já pra essa galera do administrativo, esses mimizentos que a gente fala.

Às vezes você ajudou o cara, o cara te vira as costas, tipo apunhala. Em chão de fábrica, cara, se você ajudou o cara, o cara lembra disso, o cara te ajuda. Claro que tem as exceções. A gente tem exceções para todo lado. Mas a regra de convivência funciona muito assim, cara. Sabe? Tipo, você ajudou, tamo junto, tal, tal, tal. Você me ajudou naquela. “Putz, cara, chegou um caminhão de… Vai chegar um caminhão 11 horas da noite aqui. Eu preciso descarregar esse caminhão, bicho. Preciso de ajuda”. “Galera, vai”. Cara, se você fizer ele gostar de você, é o que ele não precisa pagar hora extra. “Não, que eu vou ficar”. Você tem tudo dele. É isso aí. Teve um outro exemplo. Acabei de fazer um DDS. Porque lá nós éramos xerife: “Mandou parar”. Por isso que eu falei, eu até falo até hoje, eu não não fui pra outra construtora porque eu não ia assim se ambientar. Era mandão. Pronto. Eu quero assim e acabou. É. Fiz um DDS. Falei: “Não é para comer fora do refeitório”. Os cara ia ficar, ia comer marmita, tal, tal. Terminei o DDS. Quando 10 horas, tô descendo na torre, pegava o elevador cremalheira, e vinha descendo. Tô escutando um barulho, uma algazarra. Quando eu chego lá: coxa de frango, farofa, rapadura. Eu botei o pé, os cara: “Fodeu, lascou”. E aí, tá, segurança, ferrou, né? “Vamos jogar fora”. Falei: “Não, que joga fora, mano. Dá uma coxa aí”. Só que é o seguinte, isso aqui é igual cometer um crime, não deixa rastro. Pega isso e joga fora depois. Por quê? Os caras eram tarefeiro. Muitas das vezes chegava lá, não conseguia tomar café. Sim. E o café que os caras comprava, mano, vinha às vezes leite podre. Negócio é assim. Você compra a garrafa de café pro teu pessoal, tu acha que quando volta com a garrafa o cara joga fora? É. Dá uma batizada lá, manda de volta. Então, assim, e o pessoal que a grande maioria que é do Nordeste, é cuscuz, rapadura. Ganhou uma. “Ó, leva pro você lá”. Então, você precisa entender os caras. Existem as regras, mas pô, lá tá a equipe toda parou para comer o negócio. Vou fazer jogar fora? É. Foi só. Só não vá ficar. Mas enfim, tô fechando o olho dessa vez. Dignidade. Dignidade, bicho. Dignidade. E outra, quando você faz isso, sabe o que você faz? Você ganha os caras. Então, o que eu o que você pede. Você falou, tem as exceções. Exato. Vou fechar o olho para essa, vou até comer com vocês. Mas é o seguinte, bicho, a próxima não vai ter. Pô, bota o EPI que meu chefe vai me mandar embora. Então, não era por ele, já tava fazendo por mim. Por mim. Exato. Cara, então você você começa a entender isso. Tanto é que tem camaradas que o eu tenho um, que é o Alan. Cara, Marcelo, preciso fazer um treinamento. Falei: “Vem cá”. Ele não paga. Todo ano eu renovo o treinamento do cara. Porque ele é, ele trabalhou um tempo em solo. Ele era sinaleiro e ia para um canto e pro outro. Preciso renovar. Passa aqui, não tem custo. Porque esse cara me quebrou um galho uma vez que eu esqueci de pagar IPVA. Eu falei: “Puta, Alan, não paguei o IPVA”. Porque eu fui líder de sinaleiro também. Sim. Dentro da Odebrecht. Quando era técnico. Não paga o IPVA do carro, mano. Olha que documentação. Ele falou: “Não, minha mulher trabalha.

Vou pra tempo daqui”. Caraca! Olha isso. É isso. “Só me dá o dinheiro”. Acabou. Já desenrolou. Então, é é isso que fica. E Marcelão, cara, isso é é muito realidade do chão de fábrica que a gente precisa trazer pra realidade da do empreendedor. Porque a gestão tem que ser assim. Tem que ser próxima dos caras. Tem que é quase que um trabalho social de você trazer essa dignidade, de você aproximar o cara de um de um sonho que muitos caras ainda nem sonham, por mais maluco que pareça, né? Porque os caras vivem por sobrevivência. Tive uma situação que eu expulsei um cara da obra. Beleza. Aí depois o encarregado veio atrás de mim. Falei: “Ó, Mão de Onça. Ó, Mão de Onça”. Meu, tava já tinha falado com ele. Tinha lá uma uma uma parte do empreendimento que era um “L,” e aqui era um vão livre. Não deu de mandar. O cara tava pulando por aqui, ó. Meu engenheiro chegou, falou: “Esse cara aqui eu quero fora”. Tirou a foto. Falei: “Puta que… Esse cara ele tava pulando o abismo para conseguir cortar caminho”. Exato. Falei: “Mano, não acredito”. “Não, não foi”. Falou: “Eu vi”. Aí eu subi. Quando eu cheguei lá, tava o cara. Falei: “Pô, Mana, vou tirar da obra, tá, tá. Vamos dar”. “Não, você vai”. “Não vou sair”. Falei: “Você vai. Cara, não sou eu. Meu chefe, tá”. Beleza. Depois o encarregado me chamou: “Pô, tirou Mão de Onça da obra”. Chamei ele no rádio assim: “Pô, você é doido? O cara matou os caras lá no Nordeste. Lá você vai arrumar o cara da obra”. Então, você vê, olha o a o pessoal. “Ô, esse cara que tinha quatro RG, pô”. Exato. Veio de lá fugido. Então, é, é, é, e já, cara, você a gente já teve gente que que a gente foi que a gente contratou que veio fugido do Nordeste, jurado de morte. E assim acontece. É é muito louco a gente falar essa realidade. Ô, Marcelo, sabe por quê? Porque essa é a realidade. Cara, essa é a realidade do chão de fábrica da construção civil. Quando você vê um prédio sendo construído na Berrini, é essa turma que tá lá dentro construindo. Não é tipo. Não vamos romantizar esse negócio. É isso, é o Brasil, é retrato de Brasil, bicho. É verdade. E como que a gente lida? A gente que é empreendedor, precisa lidar com isso. Inclusive lidar com isso não só para fazer o negócio acontecer, lidar com isso para trazer dignidade para essa turma, ensinar para eles coisas que infelizmente eles não tiveram oportunidade de ter uma mãe presente, um pai presente, uma família estruturada para ensinar isso dentro de casa. O cara, ele precisou ser assim para conseguir sobreviver. Porque aonde ele tava, lá, vulnerável, ou era assim ou morria ou ficava. Então, o cara precisou criar essa casca. Então, cara, eh são pessoas que é o que você falou. Chamar para trocar ideia. Você falou, a casca, depois que você consegue ultrapassar ela, você vê o lado humano daquele camarada que você olha pro cara, fala: “Meu, esse cara aqui”. E é como eu te falei, e eu sempre gostei de estar com eles, porque também é resenha, né? Você fala de besteira, besteira, e não tem, e não tem mimimi. Você chama o cara de Decumento e o cara brinca, dá risada. É uma uma turma que ainda não se manchou por essa babaquice que o mundo tá vivendo, de que: “Opa, não me chama de japonês porque isso é contra”, e o pessoal da Ásia. Sabe? Sabe? Tipo, exato. Qualquer coisa vira mimimi hoje em dia, cara. E não que a gente não ter que também ter um certo respeito em algumas coisas, mas tudo, cara, hoje tudo é problema. E você vai numa obra, cara, você se lembra como é legal brincar, divertir, e não levar na brincadeira, e tudo se zoeira. O cara fala Decumento e zoar, e o cara não levar isso pro coração, e zoar o cara que é o 13 e o Mão de Onça, que os apelidos que você fala aqui. Puta, muito, muito legal, cara. Adorei esse episódio, cara. Adorei. Eu acho que é um é um papo que a gente tem que trazer aqui, Marcelo. Eu te convido a a voltar, apesar que não acabou. Mas eu te convido a voltar pra gente trocar ideia só de de histórias de obra. Ixi, tenho tenho várias. Mas história de obra. Sabe? Falar do Decumento, falar do Mão de Onça, contar história de obra pra gente trazer cada vez mais essa realidade pra internet, cara. Porque a gente precisa mostrar isso. E sabe sabe o que é legal? A gente falando isso aqui, o cara que tá assistindo, o empreendedor que tá assistindo, se você é da construção civil ou dependendo do se você tem chão de fábrica e tudo mais, você tá reconhecendo essas histórias nas suas histórias aí com o seu time. Então, é isso. A gente tem que trazer dignidade para essa turma. Chamar o cara para conversar. Às vezes o cara faltou, por mais que isso é muito grave nos nossos olhos: “Pô, o cara não me avisou”. Chamar o cara para conversar, porque às vezes o cara tá vulnerável, tá com BO em casa, e etc. E ele não tem nem sabedoria de contornar isso, que para você seria simples, mas para ele é todo um contexto gigantesco de BO. Chamar a conversa.

Sair, etc. Cara, trazer dignidade mesmo para esse povo. Porque, por mais que esse cara não melhore, ou ele melhore um pouquinho, ou ele não melhore o suficiente, e daqui alguns meses ele vai embora, cara, você fez algo por alguém que saiu um pouquinho melhor. E sempre e sempre dá para ajudar. Sempre dá para ajudar. 1%? 1% se ajudar o cara. Você falou, tem aqueles que vão se aproveitar e vão: “Ah, o cara é bonzinho. Vou aproveitar”. Mas tem aqueles que você realmente muda. Exato. Total. Você pô, aquele cara ali. A gente tem tem cara que eu me vê na na obra hoje mesmo. Eu fui lá: “Ei, Marcelo”. Eu olhei, falei: “Será que eu?”. Marcelo, faz tanto tempo. E eu lembrava o nome do cara. Não lembrava. E aí, irmão. Pô, vem cá, pá, trocando ideia. “Pô, tava lá no Morumbi, tal, tal, tal”. Falei: “É”. Lembrava. Mas ele sabe meu nome. Então, ele me viu. Porque eram 2.000, 1.500 pessoas. E a rotatividade era muito grande. Todo dia tinha 50 pessoas integrando, porque saía uma. Então, pensa, passaram 10.000 pessoas na obra no total. E aí a reflexão que fica: se eu fosse um filho da puta.
Exato. É me pegada aí. Exato. Então, e é assim que funciona. É a lei da vida. Top, Marcelão, cara. Foi massa demais. Eu vou te fazer uma pergunta final ainda. Mas antes de finalizar, Tiagão, preciso agradecer aos patrocinadores. Tá tudo no esquema. A Tiaga é boa. A galera toda que apoia o podcast, que automaticamente patrocina para que tudo isso aqui aconteça, né? Querendo ou não, olha o som de qualidade, a luz de qualidade, o cenário de qualidade. Tudo isso para trazer o quê? Conteúdo de qualidade pra internet. Só que de forma gratuita. Tudo isso, esses insights que vocês têm, graças a essa galera que acredita no podcast. Então, quero começar agradecendo meu parceiro da CMC Displays,

Adalto de Carvalho. Tá precisando vender mais? Então, seu negócio precisa de soluções criativas para PDVs, balcões, bandejas, displays e muito mais. Tá aqui o site, tá aqui o arroba, aqui na tela. Quando a gente fala de PDV, gente, PDV é ponto de venda. Quando a gente fala de ponto de venda, é quando você tem um lugar, um ponto de contato com o cliente final, que você interage com ele. E essa interação, independente do que você venda, quando você agrega um universo de outras experiências possíveis para esse cliente, você consegue aumentar o teu ticket médio, você consegue aumentar a suas vendas, você consegue aumentar a tua lucratividade. Por quê? Porque você tá atraindo pro teu produto ou teu serviço mais atenção. E hoje em dia, atenção é tudo. Então, quando você tem lá no teu ponto de venda um ponto de contato a mais que você explora outras possibilidades, outros sentidos do cliente, você consegue inúmeras coisas boas pro teu negócio. E quando você pensa: “Pô, como que eu consigo agregar soluções legais pro meu PDV, pro meu ponto de venda?”. Algumas empresas, elas têm soluções complexas e completas e prontas para te entregar. Uma delas é a CMC Displays, que consegue te trazer o quê? Um pool de produtos e serviços, inclusive que te entregam de bandeja tudo prontinho.

Imagina que você vai lá, coloca um ponto de, no teu ponto de venda, um balcão, uma bandeja, um display legal, e você fala: “Cara, mas eu queria personalizado”. Eles personalizam. Eles não têm só esses produtos prontos para te atender, mas também personalizam com o teu logo, fazem arte, tudo mais. Tudo isso de maneira super simples. Então, clica em qualquer lugar dessa tela e agrega as soluções e e e as ideias da CMC Displays pro teu negócio, porque o teu PDV vai mudar de patamar com a ajuda dos caras. Então, clica em qualquer lugar dessa tela e fala com a galera aí da CMC Displays. Tamo junto, CMC. Tamo junto, Adalto de Carvalho. Obrigado aí pela parceria. Agora quero falar da SMB Store do meu parceiro Alonso. Desde 2018, SMB Store tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro. Tudo isso com sistema acessível e fácil de usar. Tá aqui o arroba dos caras na tela. Tá aqui o site deles na tela. E você que é eu empreendedor, eu empreendedor, ou eu empresa, né? Que é o cara que trabalha sozinho, tá lá gerenciando suas seus negócios. Muitas vezes, cara, você acha que você é eu empresa ou eu empreendedor porque você é sozinho. Mas não necessariamente. Tem muita gente aí com três, quatro, cinco funcionários que ainda tem a cabeça de eu empresa e faz com que a empresa fique dependendo tudo dele. Então, você que é eu empresa de verdade, que tem somente você como o dono do negócio, mas também uma eu empresa que ainda tá com a cabeça daquelas daquela ideia antiga de: “Pô, eu faço tudo sozinho”, mesmo que você tenha alguns funcionários, eu sugiro fortemente. E assim, se eu esse se eu tivesse que que dar uma dica para você do fundo do meu coração, é já profissionaliza o teu negócio a partir de agora. Mesmo que você é sozinho, a partir de agora você ter que profissionalizar. E sabe por quê? As pessoas fogem tanto dessa informação, porque acha que profissionalizar é complexo, difícil, mas não é. Dá para profissionalizar o negócio através de coisas simples. Hoje, ao invés de gerenciar teu negócio num papel de pão, numa planilha do Excel, gerencia isso através de um sistema. “Ai, Felipe, mas sistema é caro”. Não é. “Ai, Felipe, mas sistema é difícil”. Não é.
Cara, existem tantos sistemas bons aí, tantos sistemas baratíssimos, que, cara, sem brincadeira, custa muito valor. Custa o valor de um PF, cara, no mês. Então, você fala, cara, como que pode isso? Vai te trazer tanta tranquilidade, tanto profissionalismo, tanta informação relevante. Isso vai criar um alicerce para tua empresa crescer de forma estruturada, de você ganhar dinheiro. Cara, é tanta coisa que te agrega que, se eu pudesse
dar uma dica para você que é pequenininho, micro pequena empresa, tenha um bom sistema. Implemente um bom sistema. “Ah, Felipe, eu não sei com qual eu vou”. Pesquisa na internet, tem várias opções. Uma delas que eu sugiro fortemente, que eu uso pro Além do CNPJ, é SMB. Os caras são muito bons, cara. É muito simples usar o sistema dos caras. O sistema deles é tão fácil usar quanto uma rede social. É fácil de implementar, é um sistema fácil de usar, é um sistema super completo. Cara, funciona muito bem. Um preço extremamente agressivo, cara. Se você tá precisando de um sistema, ou você tá num sistema que não te atende, considere a SMB como um parceiro ideal para você. Clica em qualquer lugar dessa tela e fala com a equipe dos caras. Tamo junto. Obrigado, SMB, pela parceria aí. Agora quero falar da Agência RPL do meu parceiro Rodrigo Álvares. RPL oferece a solução completa de marketing digital para negócios, cuidando das empresas com os olhos de dono. Desde a criação de site, gestão de anúncio, planejamento estratégico, social media e SEO. Tá aqui o arroba dos caras na tela e também o site da RPL. Eu sei o que você tá vivendo, empreendedor, que gerencia o seu próprio marketing digital. Faz com que a gente tenha um medo gigantesco de colocar isso na mão de outra pessoa. E você gerenciando suas próprias mídias, né, fazendo sua gestão de tráfego, sua empresa começou a dar certo, pô, você conseguiu ganhar uma credibilidade no mercado, crescer um pouquinho. Só que por conta desse crescimento, você não consegue mais gerenciar. Tá difícil. E aí o que acontece? A gente que é empreendedor, a gente tem medo de colocar uma coisa tão importante quanto marketing digital na mão de alguém. Quem que eu vou colocar em que essa confiança de gerenciar isso aí? E cara, eu sei o que você tá falando, porque é um problema mesmo. Existem tantas opções de agência no mercado. Qual é a opção que eu acredito? Ah, ou eu vou para essas agências desconhecidas, ou eu vou para essas agências famosas, mas que no final das contas eu vou cair em cima em cima de uma de uma empresa desconhecida, porque elas são todas franquias. E por mais que ela é famosa, eu vou cair na na na na franquia de um cara que talvez nem saiba direito o que ele tá falando. E aí você sente só mais um. E eu eu entendo completamente, cara. Eu comecei a sentir uma dor lá atrás e falei assim: “Cara, eu preciso de uma agência que cuide das minhas coisas com do jeito que eu cuidaria, só que o foco dela seja essa esse foco de cuidar da empresa como eu cuidaria”. E aí que entra uma empresa, cara, que eu falo com muita propriedade como depoimento, porque eu sou cliente, não tô fazendo aqui propaganda, tô fazendo um depoimento. Todas as minhas empresas quem gerencia é o Rodrigo. Todas. Ah, mas o Rodrigo é quem? É o meu primo? É o meu sobrinho? Não, é uma agência, RPL. Cara, todas, gestão de tráfego, SEO, tudo de planejamento que eu penso, eu coloco o Rodrigo na mesa e troco ideia com ele e ele gerencia tudo de todas as empresas que eu fiz até hoje e todas que eu vou fazer. Porque o cara tem uma visão de dono. O cara é uma boutique de atendimento que atende o empreendedor como o empreendedor precisa ser atendido. É impressionante o nível de entrega dos caras. O preço deles é super super super dentro da média de mercado e se paga demais. Se você teve experiências negativas com marketing digital, considera que você passou por más experiências, mas o marketing digital é para você, porque marketing digital é para todo mundo. E se você tá com alguém que talvez não tá te atendendo bem, você precisa de alguém que realmente olhe pro teu negócio com sinceridade, com verdade, com entrega, considera a RPL como um parceiro ideal, tá bom? Tamo junto. Clique em qualquer lugar dessa tela e conversa com o Rodrigão que, com certeza, você vai voltar para me agradecer. Tamo junto. Obrigado à RPL pela parceria. Agora eu quero falar da WJR Consult do meu parceiro Valentin Júnior. Gestão financeira descomplicada para empresários. Tá aqui o arroba da WJR. Tá aqui o site da WJR. Uma coisa que eu quero te falar que é muito
importante, cara, eu fiquei mais de 10, 12 anos empreendendo, e cara, só com 7 anos de empresa eu descobri o quanto gestão financeira mudava o patamar da minha vida, do meu negócio, da minha empresa. Eu falava: “Cara, por que que ninguém me falou isso antes?”. Cara, eu achava que eu era eu… Olha isso. No começo da minha vida empreendedora, eu era visto pelos meus amigos empresários do tamanho que eu tinha como um exemplo de gestão financeira. Por quê? Porque eu tinha um bom fluxo de caixa, organizadinho. E só depois de um tempo, cara, a empresa foi crescendo, eu comecei a ter mais funcionários, aumentar meu faturamento e não ganhava mais dinheiro por isso, não. A empresa começou a crescer, as pessoas começaram a olhar para mim, a achar que eu fiquei rico, achando que eu fiquei rico, e mal sabiam que eu tava mais pobre do que eu já era. Tava crescendo o patrimônio da empresa, mas no final das contas, isso aí, quando você quebra, você sabe que computador não vale nada, mesa não vale nada, por mais você gastou uma grana naquilo. Desfazer daquilo tudo, você vende por preço de pó. Eu falava: “Cara, eu tô construindo um negócio muito doido, porque as pessoas estão achando que eu tô rico, mas eu tô ganhando menos dinheiro do que eu ganhava antigamente”.

“Eu giro muito dinheiro, faturo muito dinheiro, tenho muito funcionário, mas não sobra. Que que tá acontecendo?”. E aí me apresentaram um negócio chama DRE (Demonstração do Resultado do Exercício), que é um negócio de contador, mas que se aplica na vida empresarial de gestão. E que quando me ensinam aquilo, eu olho de um jeito que eu tenho uma visão que eu nunca tive da minha empresa. Me explicam aquilo, que eu tive até um no começo uma certa dificuldade de entender. Quando e eu sou assim, eu sou ruim para número. Então, eu achava que essas coisas não era para mim. Até que eu consigo entender. É super simples, quando você entende. E eu falava: “Por que que nunca me explicaram isso, pelo amor de Deus?”. Viram eu passando um baita num perrengue, cara. Por que que eu demorei tanto tempo para encontrar isso? Porque nunca ninguém me explicou que isso existia. Porra! Isso mudou minha vida, cara. Mudou minha vida. Sabe quando você descobre uma coisa, você fica, você descobre uma coisa maravilhosa, só que você fica triste por entender a importância daquilo e o quanto você perdeu de tempo? Eu falei: “Nossa, como isso poderia ter me economizado tanto dinheiro, tanto tempo, tanto perrengue, cara?”. Mas tá bom, daqui em diante vai ser diferente. Minha vida dali em diante mudou, graças a uma consultoria financeira que me ajudou a entender o que é uma gestão financeira descomplicada, uma gestão financeira profissional. E parece que é besteira, mas cara, você que é pequenininho, eu empresa, você pode profissionalizar sua gestão financeira. E você que é grande, ter uma empresa multinacional, você também pode. Porque muitas vezes tem muitos gargalos. E tem uma empresa chamada WJR, que, cara, ela tem consultor para todos os níveis de de tamanho de empresa e todos os bolsos. Cara, é uma consultoria que se paga no primeiro mês. Pode confiar no que eu tô falando. Eu tenho inúmeras pessoas da do Além do CNPJ que já contrataram a WJR e voltam dizendo: “Cara, se eu tenho uma coisa que eu poderia te agradecer é ter indicado a WJR. Os caras mudaram a minha vida”. E muda realmente. Porque, infelizmente, a gente que é empreendedor não tem muito conhecimento sobre algumas coisas que são imprescindíveis para a nossa gestão, mas a gente só sabe vender vidro, só sabe fazer móveis, só sabe entregar laudos, só sabe fazer doces, só sabe cozinhar, depende do seu mercado. Mas tem tanta coisa em volta do empreendedorismo que é importante a gente saber. E a WJR vem ensinando isso pra gente e ajudando demais os empreendedores pelo Brasil. Então, entre em contato.

A WJR não é caro. A depender do seu bolso, sempre tem um consultor que vai conseguir te atender e te ajudar do time da WJR. E de novo, você vai voltar para me agradecer no primeiro mês, hein? Não vai nem demorar. Sucesso. Obrigado, WJR, obrigado pela parceria. Vamos que vamos. Agora eu quero falar da Nova Depósito Materiais para Construção do meu parceiro Márcio Novais. Há 26 anos, e olha que isso não é para qualquer um, hein? 26 anos de empresa, bicho. 26 anos atendendo desde pequenas reformas até grandes construções, do básico até o acabamento. Tá aqui o site da Nova Depósito e o arroba da Nova Depósito. E você que tá na região do ABC, saiba que a Nova Depósito é daqui. Você que tá em São Paulo, a Nova Depósito pode te atender. Você que é do Brasil, a Nova Depósito pode te atender. Cara, isso é extremamente importante, porque quando a gente fala de construção civil, é um negócio maluco, tá? Porque é um mercado extremamente bagunçado, zoneado e caótico. São muitas empresas, muito muitos players, muitos produtos, muitas compatibilizações a serem feitas. E quando você olha essas coisas acontecendo, quem já se meteu em obra sabe que é um BO gigantesco. Você dá um caminhão para entrar e um caminhão para sair, dois caminhões para sair, é uma loucura. E quando você entra na construção civil, você precisa ter parceiros que te tranquem e te agreguem confiança para que uma coisa que já é caótica por natureza, que a construção civil, seja a mais tranquila possível. Essa gestão, a Nova Depósito, cara, trabalha no mercado extremamente commodity, commodity pura. Eles vendem material de construção. Agora pensa você que talvez trabalha num mercado desse, uma competitividade gigantesca. Casa tem preço bom. Mas aonde ele se diferencia no mercado que tudo todo mundo tem mais do mesmo? Eles se diferenciam pelo atendimento que eles oferecem. Cara, não teve ninguém que já passou aqui pela Além do CNPJ que contratou a Nova Depósito que disse: “Cara, os caras não me deram atenção”. O que você promete é o que eles entregam, cara.

Deu problema, que pode acontecer. Ninguém, ainda mais na construção civil, pode acontecer. Os caras te avisam com antecedência. Os caras não vão deixar faltar material na tua obra. Os caras te entregam no prazo. Os caras têm pós-venda. Se deu qualquer coisa, se você ligar, eles vão atender. É impressionante o nível de ética e atendimento que os caras têm com os clientes que eles atendem. Então, pensou em material de construção, pensou Nova Depósito. Se você tá em obras menores, a região do ABC aqui, pode ir de olho fechado. Obras maiores, São Paulo e Brasil todo, eles atendem. Então, vamos que vamos. Conte com a Nova Depósito aí para as suas parcerias. Se você tá no meio de uma construção civil, se você é construtora, e se você trabalha com empreita, se você trabalha na construção civil, considera Nova Depósito como um parceiro e vamos que vamos. Obrigado, Nova Depósito, pela parceria. Só clicar em qualquer lugar dessa tela e falar com os caras lá. E depois volta agradecer, porque a sua construção, a sua obra vai ficar muito mais fácil com a Nova Depósito te ajudando. Sucesso. E vamos para cima. Agora quero falar da Avante do meu parceiro Marcelo de Souza. Avante, protegendo vidas e impulsionando negócios. Sua parceria na excelência da segurança do trabalho e da medicina ocupacional. Cara, tá aqui o arroba da Avante e tá aqui o site da Avante. Quando você pensa em segurança do trabalho e medicina ocupacional, são coisas que todo mundo, todo empresário precisa. E você fala: “Putz, segurança do trabalho, um BO. Medicina ocupacional, fazer ASO, registro admissional, periódico, demissional”. Cara, isso é um BO gigantesco, né? Que conforme você, e que é necessário, obrigatório para inclusive você se defender, tá, até de coisas trabalhistas e tudo mais, que você consegue através disso ter respaldo mesmo de de uma empresa que te assessora. E cara, lá na empresa já foi um BO
gigantesco pra gente conseguir estruturar isso. Porque, conforme a gente foi crescendo, isso foi se tornando cada vez um problema maior, que ia travando cada vez mais e travando a gente de prosseguir. A gente queria conquistar o mundo, mas essas coisas vinham com a burocracia toda, travando com com obrigação. Claro, porque segurança em primeiro lugar. Só que eu falava: “Cara, como que a gente tá travando nisso? Isso tem que tá pronto, isso tem que tá funcionando. Não sei porque a gente tá travando nisso”. E depois de muito procurar uma empresa, a gente encontrou uma empresa que, cara, e é legal a gente falar isso, porque a gente encontrou uma empresa que não só cuidava de tudo isso, mas dava consultoria de tudo isso e começou a gerenciar. E não só começou a mais fazer o que tava acontecendo de gente ir atrás, correr atrás do próprio rabo. Não, começou a fazer um trabalho preventivo. Ah, nossa, mas é caro. Quanto é mais? Não, não custava mais. Simplesmente eles agregavam esse serviço. Você já pagava ASO, pagava essas coisas todas. A questão é que com eles você paga valores compatíveis com o mercado, mas eles gerenciam e te ajudam a gerenciar isso aí com uma baita consultoria do time da Avante lá, que eles dão para você de forma gratuita pelo fato do contrato existir.

Cara, é impressionante o quanto os caras melhoram a segurança do trabalho e a medicina a medicina ocupacional da sua empresa. Fora que os caras têm tudo. Tem desde AVCB, treinamento de empilhadeira para os funcionários, todos os exames. Tudo eles gerenciam. Tudo, EPI, etc., treinamento de primeiros socorros, bombeiro. Cara, e eles, além de tudo, eles são os prestadores de serviço do Além do CNPJ. Meu, não do Além do CNPJ, que eu não preciso no, não ter funcionário. Mas nas minhas empresas, cara, o papo que a gente tá tendo aqui, eh, por coincidência, hoje o episódio é com o dono da Avante. Cara, vocês estão vendo. Tudo isso que a gente tá falando é extremamente obrigatório e necessário. E cara, os caras são monstro. Isso aí, Marcelo da Avante, aqui, que tá na minha frente, cara, o cara é monstro. Até, pô, obrigado pela parceria, porque o cara resolveu um BO na minha empresa. Então, considera a Avante como parceiro. Vamos que vamos. Tamo junto, meus parceiros.
E se você precisa de ajuda nessa parte de segurança do trabalho e medicina ocupacional, clica em qualquer lugar dessa tela e fala com o pessoal lá da Avante. Depois volta para me agradecer, porque do jeito que eles fizeram comigo, eles vão resolver essa situação na tua empresa. Sucesso. Obrigado aí pela parceria. Vamos que vamos. E para finalizar, eu quero falar da Inspira Capital do Fabiano Brito. Operações e gestão financeira por assinatura. O braço direito do empreendedor. Tá aqui o arroba da Inspira Capital. Inspira Capital e o o o site dos caras. E uma coisa que eu sempre falo e sempre eu repito isso, sempre, sempre para todo empreendedor, eu falo: “Cara, como que é a gestão financeira da sua empresa?”. E ele começa: “Ah, eu tenho uma menina lá que faz ADM. Aí ela faz financeiro, contas a pagar, receber, emite as notas. Aí ela me ajuda. Ela também cuida do café e faz as compras de insumo”. Eu falo: “Beleza”. Isso aí é muito do padrão da pequena empresa, né? A gente sabe como que é. E aí, conforme a empresa vai crescendo, ela deixa de fazer o café. E aí, conforme a empresa vai crescendo, ela já não consegue cuidar direito do RH. Aí, conforme a empresa vai crescendo, ela vai fazendo o financeiro sozinha. E aí, cara, as coisas vão começando a crescer, crescer, crescer, e as pessoas vão ficando em cada um dos setores. E como você vai ver, cara, sua empresa simplesmente aconteceu, mas nada foi planejado. Simplesmente você chegou ali, a empresa foi crescendo. Teu financeiro poderia ser muito melhor, mas a menina que sempre fez está fazendo, e tal, tal, tal. E aí, quando você vai ver,

você tá pagando um salário alto para uma pessoa que não sabe direito o que tá fazendo, porque caiu ali.

Para uma empresa menor até funcionava, mas para uma empresa um pouco maior, que mesmo sendo pequena, já não funciona direito. Você não tem um controle certo de de fluxo de caixa para você implementar coisas importantes como um DRE, coisas legais que vão te trazer profissionalismo para você gerenciar tua empresa. Você não consegue ter o banco de dados necessário, porque os lançamentos são feitos de forma errada. Você fala: “Cara, que tá acontecendo?”. E aí você vai procurar alguém melhor no mercado: “Vou contratar um cara bom, uma pessoa boa, uma mulher boa”.
Custa muito caro. Você fala: “Caraca, meu. Como como custa caro essa um contas a pagar bom, fiscal bom, contas a receber bom, financeiro bom, como custa caro?”. “Cara, que que eu faço?”. E você vai ter que morrer na mão dessas pessoas que simplesmente caíram ali, que até fazem bem, tal, mas no final das contas falta aquele profissionalismo todo. E aí, cara, sabe o que que é a solução que veio para ficar no mercado? Negócio chamado BPO (Business Process Outsourcing). São empresas com da parte financeira que eles contratam os melhores profissionais e colocam várias pessoas para operar junto e te oferece esse serviço integrado na sua empresa com plano de assinatura. Esse plano de assinatura você paga mensalmente e, invés de ter uma pessoa do financeiro, eles gerenciam tudo. Você fala: “Nossa, mas é arriscado. Vou colocar a conta na mão da pessoa”. Não. Hoje em dia com os bancos e tudo mais, você tem acessos. Então, a pessoa entra, lança, programa os pagamentos e você aprova. Então, você com alguns cliques no final do dia consegue fazer tudo através de uma programação feita pelo pessoal do BPO, já atualizado em sistema, de uma maneira leve, funcional, profissional e mais mais barato do que ter uma pessoa no teu time. Então, cara, é o futuro. BPO é o futuro. É ter uma empresa profissional com gente gabaritada que você não teria capacidade de contratar pelo custo, com pagando uma fração disso para eles gerenciarem todo o financeiro da sua empresa e resolvendo um problema na vida do de muitos empreendedores aí que sabem fazer muito bem o que o que o que se propuseram a fazer, seja restaurante, doce, construção civil, marcenaria. Os caras sabem fazer isso, só que o financeiro acaba sendo uma pedra no sapato. Quando você traz o BPO financeiro com um preço super justo, mais barato, como eu disse, pode até te trazer uma economia, mais barato até do que você contratando uma pessoa para fazer isso, a pessoa resolve resolve e te ajuda a profissionalizar o teu negócio. Então, gente, considera um BPO financeiro como uma oportunidade na tua empresa de redução de custo e profissionalismo. Você só ganha, você economiza e ganha, né, com qualidade, tá? E se por acaso fez sentido isso para você, saiba que existem empresas que não só fazem isso, mas também gestão de RH, que é outro BO muitas vezes esquecido na mão do pequeno empresário, que a gente sabe que é que a pessoa mesmo que faz o financeiro, faz o RH, faz o DP e tudo mais. Eles têm também várias e soluções de outras gestões que eles conseguem te ajudar. Eu tô falando pessoal da Inspira Capital. Inspira Capital. Então, cara, é só você clicar em qualquer lugar dessa tela, entrar em contato com os caras e resolver uma coisa que é… eu sei que é, porque eu sou empreendedor, eu conheço muito bem a nossa realidade, é uma dor nossa. Terceiriza esse esse esse essa parte financeira de uma forma extremamente segura, profissional e com uma empresa segura e profissional, uma empresa ética. E os caras são pessoas que vão conseguir te ajudar demais. Eu conheço o trabalho dos caras. A Inspira Capital faz um negócio muito sério, muito honesto, que você não vai ter problema. Tô chancelando isso como Além do CNPJ para você, e você depois vai, com certeza, voltar
para me agradecer. Você fala: “Felipe, putz, por que que você não tinha falado disso antes?”. Mas é isso, às vezes a informação acaba demorando um pouco mais para chegar, mas quando chega, é para mudar o somos da tua da tua empresa. Então, considera os caras como uma opção. Terceiriza e faz a assinatura da gestão financeira com os caras e depois volta para me agradecer. Tamo junto aí. Obrigado, pessoal da Inspira Capital. E é isso. Obrigado, Tiagão, aí pela parceria. Obrigado aí por tudo. É, valorizem os patrocinadores do Além do CNPJ. São pessoas que estão aqui trazendo soluções que cabem para você, que são importantes para você. Nesse pool das coisas que eu falei, cara, foi um monte de informação importante de empresas importantes que pode te ajudar e agregar soluções ao seu negócio. Muito obrigado a todos vocês que acreditam no projeto. Mais uma vez, vocês que escutaram essa turma aí toda que tá patrocinando são todas empresas que trazem soluções pra gente que é empreendedor. Então, dá uma moral pros caras. Acompanha o site dos caras. Olha o Instagram e contrata se você precisa de algum desses serviços, que com certeza tem um monte dos que eu falei aqui que você precisa de fato. Então, troca uma ideia com os caras que são todos os caras que quando resolvem investir no no podcast da Além do CNPJ, passa por uma curadoria minha. Eu avalio a empresa, vejo se realmente é uma empresa séria. Porque a partir do momento que eu coloco o meu nome, vinculo o meu nome para indicar, precisa ter uma certa credibilidade para conseguir de fato entregar o que prometem aqui. Então, tá passando pelo crivo de qualidade aí do Além do CNPJ. Tamo junto. Obrigado a todos vocês. E agora, Marcelão, para finalizar. O que que eu preciso? Cara, preciso de uma pergunta para você. Vou te fazer uma pergunta final. E eu já começo batendo na madeira, porque é o seguinte: imagina que você tá saindo aqui, você pega teu carro. Onde você mora? Moro em Cambuci. Cambuci. Você tá voltando pro Cambuci, e aí, cara, você bate o carro e morre. Por isso que eu bati na madeira, para para realmente isso não acontecer. Mas é só para trazer o peso da pergunta e a e a e a filosofia da resposta que eu quero trazer. Imagina que essa é a sua última aparição na internet, essa última aparição pra vida. Porque daqui em diante você vai embora, sozinho. O carro. Cara, se essas fossem, se essas fossem suas últimas palavras, o que que você deixaria pro mundo? Cara, essa pergunta é meio boa. Na verdade, ô Felipe, eh tem muita história que eu não consegui contar, porque o tempo não deixou. E aí, passa rápido, não passa rápido. O que eu deixaria pras pessoas é justamente o o o o básico que a gente falou aqui: cuidem mais do próximo. Cara, tem tanta gente precisando de ajuda. Eu te falo isso, porque eu já passei por uma situação que eu precisei de ajuda. Fiquei dois meses sem sair de casa, só acompanhado. Crise de ansiedade. Ninguém descobre o que é. “Tal, tá tá louco”, “Tá isso”, “Tá aquilo”. Então, assim, olha pro pro pro próximo.

E aonde que você recarrega suas energias? Família. Cara, família. Perfeito. Quando eu me vejo atrapalhado e agora não vou raciocinar, minha esposa. É isso, cara. E aí você vai na família. E é uma recarrega real as energias, né, cara? Exatamente. Então, ali tá: “Ah, mas eu você tem alguém que você tem aquele aquela aquele sentimento que você lembra e fala: ‘Pô, vou para lá agora que eu vou estar com ela'”. Então, às vezes nesse nesse contato você traz o a solução do problema. Então, as pessoas precisam se conectar mais. Pronto, essa é a palavra. Total. E ajudar o próximo. E assim, ajudar o próximo, quando você diz, não é nem ir lá pagar um dinheiro, fazer alguma boa ação. Às vezes é um bom dia. Às vezes é um copo d’água. Às vezes… Experimenta. Experimenta dar um bom dia pro morador de rua pra você ver. Exato. É a dignidade, cara. Ele pensa: “Pô, tô sendo visto”. Vai dar a lição, cara. E às vezes é isso que ele precisa para conseguir sair dali. Exatamente.
Marcelão, cara, baita do papo. Adorei, de verdade, cara. Puta de um episódio. Gostei de de falar dessa realidade que, cara, sei lá, 30 e poucos episódios, quase 40 episódios, Além do CNPJ, nunca trouxemos essa realidade de chão de fábrica aqui, cara. Então, obrigado por a gente conseguir levantar esse assunto, porque eu acho que é muito importante. E para quem fala de empreendedorismo vida real, tem que falar da vida real, cara. Tem que falar desse dessas coisas que nas bolhas da sociedade administrativa não se vê. É a realidade do Brasil, o retrato do Brasil.

Que a gente tá falando disso aqui, tá? A gente tá falando de, ah, não, não é construção civil, estamos falando de chão de fábrica, estamos falando de peãozada, estamos falando. Ah, peãozada é pejorativo. Não é. Eles se autodenominam peãozada. É isso mesmo. E gostam, valorizam. “Eu sou peão, trabalho”. Entendeu? Então, eh menos mimimi, mais vida real. Porque, na verdade, é isso aí que é a vida real. O que a gente vê na internet: “Ah, não, não chamo o cara de peãozada”. Isso aí é um mimimi do cacete que no final não leva nada. A gente precisa olhar a realidade e o problema do jeito que ele existe, trazer dignidade para essa galera. É o que a gente precisa para melhorar o país num todo, valorizando o ser humano como ser humano. E pronto. Mais uma vez, Marcelão, cara, foi top. Adorei o episódio. E você que ficou até aqui, até agora, obrigado por acompanhar. Espero que você tenha se sentido sentado à mesa com a gente mesmo para trocar essa ideia, como se você tivesse sentado com a gente trocando uma ideia de bar. E se a gente conseguiu atingir essa expectativa, trocando essa ideia com você e tudo mais, clica nos botões aqui embaixo, curte, compartilha, engaja aí para ajudar o episódio a chegar cada vez mais longe. Tamo junto. Até a próxima e sucesso. Valeu.

 

Confira os principais insights do Episódio #043 do Além do CNPJ com Marcelo Di Souza. Uma aula de liderança raiz, gestão de pessoas e a realidade nua e crua do chão de fábrica.

Introdução: A Liderança que Nasce no Chão de Fábrica

Para o episódio 043, saímos do ar-condicionado dos escritórios e fomos direto para a realidade das obras e fábricas. Nosso convidado é Marcelo Di Souza, fundador da Avante (Segurança e Medicina Ocupacional).

Marcelo não aprendeu gestão em livros de Harvard. Ele aprendeu na prática, operando empilhadeira, trabalhando em estaleiros e liderando equipes em grandes obras da Odebrecht. Neste papo franco, ele compartilha como saiu da periferia de Cubatão para se tornar um empresário de sucesso, e as lições valiosas sobre como gerir pessoas que, muitas vezes, são invisíveis para a sociedade.

1. A Realidade do “Chão de Fábrica”

Esqueça o “mimimi” corporativo. A gestão de equipes operacionais (a famosa “peãozada”) exige uma abordagem diferente. Marcelo e Felipe discutem como a comunicação precisa ser direta, mas humana, e como pequenos gestos de dignidade transformam a lealdade do time.

“O cara faltou e não avisou. No escritório isso é inadmissível, mas na obra é comum. Você tem que entender o contexto. Às vezes o cara tem um problema em casa, uma família disfuncional. Se você demitir, é o tiro de misericórdia. O segredo é ouvir: ‘Vem cá, o que está acontecendo?’.”

Para o líder, a lição é clara: não adianta chegar com arrogância. O respeito se conquista no dia a dia, resolvendo problemas reais e tratando o funcionário como ser humano, não como número.

2. A Estratégia do “Cafézinho”

Marcelo contou uma história incrível de como conseguiu fazer uma equipe inteira usar EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) sem precisar dar uma única bronca. O segredo? Um garrafa de café.

“Os caras não usavam EPI. Eu chamei o líder informal deles, o ‘Ladrão’, e fiz um trato: ‘Eu trago café fresco todo dia pra vocês, e vocês usam o EPI’. Não foi pela regra, foi pela troca, pela dignidade de ter um café quente feito pela tia da cozinha. Isso mudou o jogo.”

Essa é a essência da liderança servidora: identificar o que realmente importa para a sua equipe e entregar valor antes de cobrar resultado.

3. De Ajudante Geral a Empreendedor

A trajetória de Marcelo é uma prova de que a proatividade abre portas. De pintar guias sem registro a operar empilhadeiras e liderar equipes de segurança em grandes obras, ele sempre buscou fazer mais do que o combinado.

“Eu fui contratado para varrer, mas não aguentava ficar parado. Comecei a anotar as horas do pessoal, a organizar o pátio. O dono viu e falou: ‘A partir de hoje você não varre mais, você vai cuidar disso aqui’. A oportunidade bate para quem está preparado e disposto a trabalhar.”

4. A Importância da Segurança e Medicina Ocupacional

Além das histórias de vida, o episódio trouxe um alerta importante para empresários: a gestão de SST (Saúde e Segurança do Trabalho) não é apenas burocracia, é proteção jurídica e cuidado com o time.

Marcelo explicou a importância de documentos como PGR, PCMSO e LTCAT, e como uma gestão bem feita pode evitar passivos trabalhistas milionários e garantir que o funcionário esteja apto e seguro para exercer sua função.

Conclusão: O Legado é Cuidar do Próximo

Ao final, quando questionado sobre sua mensagem para o mundo, Marcelo reforçou o que pautou toda a sua carreira: o cuidado com o outro.

“Cuidem mais do próximo. Às vezes é um bom dia, um copo d’água. Isso dá dignidade pro cara. Ele pensa: ‘Pô, tô sendo visto’. E às vezes é isso que ele precisa para sair de uma situação difícil.”

Assista ao Episódio Completo

Este resumo é apenas uma fração das histórias hilárias e emocionantes (como a do “Mão de Onça” e do “Decumento”) que o Marcelo contou.

Quer aprender a liderar com humanidade e entender a realidade do Brasil que constrói o país?

Clique abaixo para assistir ao EP #043 na íntegra:

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