Hardware com IA e a Revolução da Produtividade: O Caso PLAUD Note com Lucas Borges | Além do CNPJ (EP #087)
Além do Software: Quando a Inteligência Artificial Ganha Corpo
A maioria dos empreendedores já usa o ChatGPT ou o Claude no dia a dia, mas poucos perceberam que a verdadeira revolução da produtividade não está apenas na tela do computador, mas no hardware. No episódio #155 do Além do CNPJ, recebemos Lucas Borges, cofundador da Lucabe Energy e distribuidor oficial no Brasil do PLAUD Note, o gravador com IA que se tornou o “objeto de desejo” entre os maiores empresários do país. Em um papo inovador, Lucas conta como saiu do mercado de energia para liderar a distribuição de dispositivos que transcrevem reuniões, geram mapas mentais e economizam horas de trabalho braçal.
1. O Fim das Atas de Reunião: O Poder do PLAUD Note
Você já calculou quanto tempo sua equipe gasta anotando o que foi dito em reuniões ou, pior, quanto valor é perdido porque alguém esqueceu um combinado importante? O PLAUD Note é um dispositivo da espessura de um cartão de crédito que, acoplado ao celular ou usado em cima da mesa, grava e transcreve tudo em tempo real. Integrado ao ChatGPT, ele não entrega apenas o texto, mas resumos estruturados por tópicos, listas de tarefas (to-do lists) e até mapas mentais.
“A pessoa da ata… morreu, essa é a real. O PLAUD Note não só grava, ele está integrado com o ChatGPT. Você dá o comando e ele resume, faz o mapa mental e te entrega o ouro da conversa em 10 minutos.”
2. Curadoria de Gadgets: Por que Hardware e não apenas App?
Muitos questionam: “Por que comprar um aparelho se posso usar um aplicativo no celular?”. Lucas explica que a resposta está na qualidade da captação. Para que uma IA gere um resumo perfeito, o áudio precisa ser impecável. O hardware do PLAUD investe em microfones profissionais e cancelamento de ruído que um smartphone comum não alcança, permitindo gravar palestras a metros de distância ou ligações telefônicas por vibração, garantindo fidelidade total na transcrição.
3. A Visão da China: O Futuro Chega Lá Primeiro
Como distribuidor de tecnologias globais, Lucas frequenta as maiores feiras da China, como a Canton Fair. Seu conselho para o empreendedor brasileiro é claro: se você quer saber o que vai bombar no Brasil daqui a dois anos, olhe para a China hoje. A velocidade com que os chineses transformam problemas em soluções de hardware é o que dita o ritmo do mercado mundial de tecnologia e automação.
“Se você quer saber como o Brasil vai estar daqui a um ou dois anos, vai na China um ano antes. Eles são animais de negócios. O foco não é o produto, é a dor do cliente. Se o cliente quer um saco de laranja ou um chip, eles dão um jeito de fornecer.”
4. Inteligência Artificial como sua Secretária 24/7
Imagine ter um assistente que organiza seus e-mails por voz, lembra de compromissos e documenta seus melhores insights no meio da noite. Os “Agentes de IA” discutidos no episódio mostram que estamos saindo da era de “pesquisar na IA” para a era de “delegar para a IA”. O uso de hardwares dedicados torna essa transição orgânica e invisível, transformando o modo como gerimos o tempo.
Conclusão: O tempo é o único ativo que não podemos recuperar ou pegar emprestado. A lição de Lucas Borges é que a tecnologia de hardware com IA não é um luxo, mas uma ferramenta de sobrevivência para o empresário moderno. Automatizar a parte chata da comunicação permite que você foque no que realmente importa: a estratégia e o crescimento do seu negócio.
Quer ver o PLAUD Note funcionando ao vivo e entender como levar essa tecnologia para sua empresa? Assista ao episódio completo agora mesmo!
Ler Transcrição Completa
O que ela quer, o X não é o produto, o X é a dor do cliente, a demanda do cliente. Se hoje o meu cliente chegar para mim — eu não vendo isso —, mas se ele falar assim: “Eu quero um saco de laranja, eu quero lápis”, eu tenho que fornecer isso para ele, eu tenho que atender ele. E eu falo pro pessoal: se você quer saber como o mundo, ou melhor, como o Brasil vai estar daqui a um ou dois anos, vai na China um ano antes. A nossa visão é muito clara: eu não vendo o gadget, eu não vendo um gravador, eu vendo produtividade, eu vendo eficiência, eu vendo tempo. Como que você precifica o seu tempo? O tempo é importante para você? Total. Ainda mais pro empreendedor, bicho. Se é importante, então é aí é onde eu entro.
Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vinda a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui pra gente trocar essa ideia de empreendedorismo, vida real. E, cara, o episódio de hoje, eu tenho certeza absoluta que vai começar a te dar faniquito aí onde você estiver assistindo. Você vai falar: “Cara, eu preciso desses, desses equipamentos”. Porque além da história de um empreendedor que tem uma trajetória muito legal, e a gente vai contar aqui o dia a dia dele, hoje ele está meio que na dianteira do universo de inteligência artificial no que tange, não ao que a gente está acostumado a ouvir falando de software, de ChatGPT e tudo mais. Pensa que tudo isso é o software, mas o que que tem por trás? Quais são os devices, quais são os aparelhos, quais são os hardwares que a gente pode utilizar atrelados à inteligência artificial para facilitar a nossa vida? O que que tá rolando, o que que tá acontecendo? Cara, tem coisas que podem mudar completamente o teu dia a dia, a tua produtividade, as coisas que você faz.
E a gente vai trocar essa ideia hoje, inclusive a gente tem alguns equipamentos aqui interagindo com a gente agora, que talvez vocês não percebam, mas que no final do episódio a gente vai desvendá-los e mostrar para vocês como funcionam. Então, tô aqui com o meu parceiro, Lucas Borges, da Produtos com IA. Cara, primeiramente obrigado pelo convite, é um prazer estar aqui e, pô, vamos, vamos desbravar isso e passar o máximo de informação e as novidades, né? Acho que esse é o principal.
Lucas, eu tenho novidades para caramba. Esse cara aqui é o cara das novidades, cara. Eu estava aqui no offline com ele, a minha cabeça estava fervendo com as coisas que ele tem. Fechamos até algumas compras já, chegou, já começou a rolar negócio aqui, meu, porque o cara tem muita coisa. É impressionante como… e aí eu quero entender como que você conseguiu ser o cara do… por que é uma corrida que tá acontecendo de inteligência artificial? Como que você conseguiu ser o cara que tá liderando essa corrida? Porque ele é um dos líderes do mercado, até porque ele é o único distribuidor brasileiro oficial de um dos equipamentos que a gente comprou, eu e um grupo de empresários, e que, cara, eu tô muito ansioso por esse equipamento. Alguns amigos meus já têm e a gente já vai falar dele, mas é isso, segura aqui, porque, sério, hoje você vai ter talvez alguns insights aí para aplicar na tua vida, nos teus negócios, no teu dia a dia, que, com certeza absoluta, você vai ser grato a mim por ter feito essa ponte e ao Lucas por ter te possibilitado esses equipamentos para mudar tua trajetória.
E assim, eu não tô falando de equipamento que vai te custar um rim e que você vai ter que se desdobrar para pagar para conseguir. Cara, são equipamentos super, mega, ultra baratos. Mas, sério, é de graça pro que entrega, exatamente. Não tô fazendo nem propaganda, mas é, cara, é a realidade, sim, de fato. Eu acho que o tradeoff que a gente tem que fazer é em relação ao tempo, né? Então, quanto custa o seu tempo? Eu acho que cada um precifica da forma que quer, mas falando por mim e, principalmente, vendo o valor que esses dispositivos entregam, cara, é surreal, é muito barato. É surreal. Me dá o play num dos devices, que é esse colarzinho aí que tá no pescoço do Lucas, mas esse aqui a gente já fala sobre ele lá no final. Gente, ele só apertou um botão, certo? Daqui a pouco vocês vão ver o que que esse aparelhinho fez. E quando estiver faltando 15, 20 minutos para acabar o episódio, eu vou te dar o OK para você colocar ele para rodar. Perfeito.
Mas bem, antes de a gente entrar nesse universo todo das coisas que estão bombando hoje, das coisas que você tá trazendo do mercado, cara, o Luquinha veio de onde? Qual foi a sua referência? Onde você nasceu? Referência de pai e mãe? Teve pai e mãe presentes, não teve? Como que foi esse processo da sua infância até a vida adulta e o que que você quis da vida nesse processo de crescimento? Você queria fazer o quê? Como que foi esse início da vida adulta e da tua trajetória? Dá um overview aí pra gente.
Fechou. O Lucas nasceu em Carapicuíba, zona oeste de São Paulo. Morei lá até os meus 12, 14 anos, se eu não me engano. A minha referência é a minha mãe. Então, tudo o que eu sou hoje é devido a ela, com certeza absoluta. Desde sempre vendo ela trabalhando muito e reclamando pouco, essa é a verdade. Você teve pai presente? Cara, tive um pai presente, mas assim, presente-não-presente, entendeu? Então, ela é quem segurou o rojão. Exatamente. Então, a criação de dois filhos, pegou uma empresa do zero e entregou… não vou falar que ela entregou 100%, mas, enfim, passou por isso. E se a gente for colocar isso na estatística, é algo surreal.
Ela era executiva ou empreendedora? Empreendedora. Uma empreendedora. Nós viemos da área de energia, a energia tá na família inteira. E lá, como qualquer outra pessoa que sai do zero, era comprando uma lâmpada, vendia e comprava duas; vendia um parafuso e comprava dois. E foi indo assim, foi crescendo. Só que, no meio do caminho, ela teve uma sacada que mudou um pouco a nossa vida. Eu brinco que a gente começou a ter mais condições ali quando eu estava por volta de 10, 12 anos, que foi quando ela teve essa virada de chave. Desde então, ninguém mais segurou.
Qual foi essa virada de chave? A virada de chave foi olhar para o mercado de forma diferente. Hoje existem muitas empresas ou lojas de material elétrico, mas são muito focadas no varejo, com margem muito apertada. Guerra total, banho de sangue. No final do dia, ela não queria isso. Ela sempre pensou muito grande. O que ela queria era vender menos, porém com uma margem muito maior, e trazer segurança com outras variáveis. Ela sempre olhou para as empresas muito grandes. Hoje, nessa empresa que a gente atua, a gente só vende para concessionárias de energia. Todas as concessionárias do país são as nossas clientes, entendeu? E é diferente de você vender isso no varejo para a pessoa física.
Ela saiu do varejão e começou a vender produtos mais especializados? Diferente da grande maioria. Isso acontece muito no mercado. No meu pitch para outras empresas, eu sempre falo isso: são mais de 5.000 SKUs hoje que a gente atende nessas concessionárias. E, de verdade, desculpa pela palavra, o que ela quer, o que ela sempre me ensinou e que para mim faz muito sentido, e nas outras empresas em que eu atuo eu levo muito isso: o X não é o produto, o X é a dor do cliente, a demanda do cliente. Se hoje o meu cliente chegar para mim — eu não vendo isso —, mas se ele falar assim: “Eu quero um saco de laranja, eu quero lápis”, eu tenho que fornecer isso para ele, eu tenho que atender ele. Essa é a dor dele? OK, eu dou um jeito. Porque as empresas hoje estão tão engessadas em relação a “eu só vendo o que tá dentro do meu portfólio, o que tá dentro do sistema”. Cai muito nisso na questão do vendedor; se não tá na tela dele, “Ah, não faço, não tem disponível, não vai atrás”. Então, a gente entende de fato qual que é a dor e a gente se diferencia nisso.
Baita sacada da sua mãe. São hoje, pelo menos, cinco grandes grupos de energia dentro do país, a gente atende todos, porém são cinco grupos diferentes de ser atendidos. Cada um tem uma demanda, uma peculiaridade. Exatamente. Então a gente tem todos os processos deles definidos, e se mudou o processo de um aqui, para a gente pivotar isso é muito mais simples. A gente atende todos eles de forma personalizada e da forma que eles querem. Esse é o grande X do negócio. Nenhum é atendido de forma igual. E ela saiu do varejão, conseguiu se posicionar nisso e dominou o mercado. Hoje a gente é referência, a gente não só distribui produtos de outras marcas (hoje a gente tem, em cada área da energia, pelo menos um ou dois líderes de mercado mundial como distribuidor), mas também hoje a gente tem a nossa parte de produção, tudo voltado para a energia. E também a parte de desenvolvimento, que, nem eu falei, é a parte personalizada.
Às vezes o nosso cliente chegava e falava assim: “Pô, eu gostei muito desse produto, mas eu queria que ele fosse assim”. Na grande maioria das vezes, ele utiliza… vou dar um exemplo aqui, que é a parte florestal. A gente aqui de São Paulo tá bem acostumado, com o começo do ano, com aquelas chuvas, aquele caos, e a Enel tendo que sair para a rua, e o pessoal xingando a Enel. Eu sempre coloco: às vezes é óbvio que, prevendo isso, ela tem que investir mais dinheiro, ela tem que melhorar a infraestrutura da área onde ela tem a concessão, porém, não tem muito o que fazer. Então, uma das coisas que ela precisa fazer é a parte de manutenção, que é a parte de poda. Vendo isso, a gente vendia muita máquina, motosserra, motopoda. Só que não tem nada a ver com energia isso, né? A gente às vezes tinha que comprar isso de um distribuidor, vender como revenda, e a margem lá ficava apertada. Só que a gente vendia muito no atendimento, eles sabiam que iam pagar mais caro com a gente, mas que, no final do dia, a gente ia entregar. Ponto final.
A gente começou a observar esse volume tão grande e eu falei: “Meu, tá na hora de bater na porta da Stihl”. Hoje nós somos distribuidores deles. Falei: “Ó, tenho uma demanda assim, assim, assado, atendo tal mercado”. Eu tinha certeza absoluta de que eles não estavam olhando para esse mercado, e de fato não estavam. Eles ficaram meio receosos durante seis meses. E aí eu peguei e falei: “Beleza, se você não quer me atender, eu vou para o concorrente, simples assim”. Aí um anjo caiu na nossa vida, o Thiago Noronha, que abriu as portas para a gente lá dentro da Stihl. Ele veio com uma proposta totalmente diferente, quis escutar, quis entender, viu o mercado como algo promissor. E aí eu entreguei para ele uma proposta que era o seguinte: “Cara, você não atende esse mercado, não tem como você fazer uma projeção em cima disso. Eu tô te dando a projeção porque eu sei. Se você vai abrir um linhão, por exemplo, para fazer uma linha de transmissão, você precisa derrubar tudo aquilo. Você vai fazer isso com a mão? Não, você precisa de máquina”. Então era um mercado que ninguém olhava por não ter sido feito para aquilo, e é um mercado enorme, bizarro. Ele acreditou, e hoje a minha empresa é a que mais vende a linha a bateria, por exemplo, no Brasil. Em São Paulo, com certeza, e no Brasil talvez.
E ela não foi feita para trabalhar em energia. O que o meu cliente fazia? Uma máquina daquela a combustão, se colocar próximo da linha da rede, aquilo ali é uma granada (combustível com eletricidade). Então ele queria uma que fosse adaptada, a gente teve que isolar essa máquina para poder fornecer. E quem vai fazer isso? A fábrica não vai, ela vende em massa. Então, nós desenvolvemos em casa, e hoje a gente fornece. Até hoje, você tinha 10, 12 anos quando sua mãe teve essa sacada, e ela tem essa ideia de atender a dor do cara na personalização. Você começou fornecendo equipamento de elétrica, e um dos seus mercados grandes hoje é equipamento de poda para corte de árvore, que veio da cultura de atender a dor do cara.
Tem coisas que não ficam ultrapassadas: o bom atendimento ao cliente e a inovação, a cabeça de inovar sempre. Isso que você tá falando, que é a ideia da sua mãe, eu acho que é um exercício para todo empreendedor: quem eu atendo e o que eu vendo para essa pessoa que ela também precisa comprar e que eu poderia fornecer? Você já tem o cliente na mão. Eu tô vendendo copo, mas o cara compra jarra, ou às vezes compra o copo com a jarra. Isso é o básico, mas às vezes o cara que compra o copo e a jarra também compra mesa, que não tem nada a ver com o produto principal, mas é o mesmo comprador que tem uma dor e você pode agregar isso no seu leque de produtos. A grande maioria não faz o exercício de pensar se o produto é só para aquele mercado. É um exercício fácil, mas que passa batido por ser óbvio. A outra empresa que a gente vai conversar daqui a pouco, a ideia foi a mesma, o conceito foi o mesmo. O básico bem feito funciona, é a mesma receita.
E você participou ativamente do negócio da sua mãe por um tempo, e participa até hoje. Participo, tô à frente junto com outras pessoas, se não fossem elas eu estava literalmente ferrado. Ela também atua, grande parte da receita vem dela. Ela nunca vai parar, e eu nem quero. Enquanto eu puder tê-la próxima, para mim é uma baita referência. Qual o nome da empresa? Lucabe Energy. A empresa foi construída junto com a tua vida. Você é de 95, a empresa é de 96. E o teu nome tem a ver com “Lucabe”, de Lucas. Foi uma homenagem à minha irmã, ela adora isso. Qual o nome da sua irmã? Amanda. Não tem nada a ver! Mas a minha irmã é mais nova. Ah, então não tinha como saber. Mas não tô nem aí para isso.
E você cresceu vendo o empreendedorismo acontecer de perto. Você teve alguma formação? Apesar de ter visto isso muito de perto durante muito tempo, eu sempre quis o que 90% dos brasileiros querem: jogar futebol. Até os meus 18 anos, fui morar no Rio, em Santa Catarina, jogando bola. Joguei em São Paulo. Só que, diferente da grande maioria que não vira, para mim estava muito claro. Quando fiz 18, olhei para trás e vi dois moleques com dois anos a menos do que eu voando, e falei: “Pô, eu acho melhor estudar”. Foi bom ter essa coerência lá atrás para não carregar isso como uma frustração para a frente, porque a maioria para e fala: “Ah, machuquei o joelho”, “tinha dinheiro na mesa”. Você analisou a concorrência e viu que tinha gente melhor do que você. Foi inteligente.
E também analisei qual vida eu queria levar, porque não é fácil. A gente tem que analisar quais são os nossos pontos fortes, qual a forma que eu quero viver. Eu já estava bem posicionado para ser jogador, mas depois dali, tive amigos que seguiram e, com 30 anos, estavam jogando em Rondônia ganhando um salário baixo. Nada contra, é o sonho do cara, mas para mim não fazia sentido. Com 30 anos, se você tá em Rondônia, você não virou nos grandes clubes, não ficou rico. A gente brincava que com 17 anos você já tem que ser uma realidade no futebol. Se formos pegar em estatística, os jogadores profissionais que ganham acima de 10 salários mínimos representam de 8% a 10% do país, na Série A. E 85% dos jogadores profissionais ganham até dois salários mínimos. É uma profissão que, quando dá 30 anos, você tá fora do jogo. E se você tá jogando num time que só tem calendário até junho, o que você vai fazer nos outros seis meses do ano? Vai ter que arrumar outro time.
É uma vida que você tem que amar muito, e de fato acredito que muitas vezes não seja nem tanto amor, é falta de opção ou falta de visão. Graças a Deus, a partir dos meus 10, 12 anos, eu comecei a ter uma condição diferente. Mas o futebol mistura todas as classes. Eu tive contato com o multimilionário e com a pessoa mais carente possível. Quando fui pro Botafogo, no Rio, tive contato com pessoas que nem no Natal voltavam para casa, aquilo ali era o prato de comida deles, faziam por sobrevivência. Eu tinha uma mãe empreendedora, então sabia que além do futebol existiam outras coisas para fazer. A referência é tudo, fez toda a diferença.
E depois que você largou a carreira de jogador, aos 18 anos, como foi? Começou a trabalhar na empresa? Não, eu larguei porque recebi uma proposta de bolsa para estudar e jogar futebol nos Estados Unidos. Fui para lá, fiquei um tempo, voltei, fui de novo para outra universidade, e quando voltei a segunda vez, decidi que ia ficar no Brasil. Eu ia ter uma educação excelente com bolsa, praticando o esporte que eu amava, mas coloquei na balança o tempo que ia ficar fora e o que ia perder aqui. Decidi voltar. O empreendedor pesa as coisas de forma diferente. A faculdade não te ensina como a vida real ensina. Eu tinha uma empresa familiar dando certo e decidi aplicar isso na prática.
E eu nem voltei para trabalhar com ela de imediato. Coloquei na balança o tempo com as pessoas, com a família. Minha família estava passando por um momento de divórcio, minha irmã era pré-adolescente, e eu quis estar presente. Voltei por várias coisas, tinha uma namorada na época. Decidi voltar, e foi a escolha certa. Prefiro me arrepender de ter feito do que de não ter feito. Quando você chegou, começou a empreender? Qual foi o primeiro projeto? Comecei a trabalhar na parte de engenharia de energia. Montei, eu e mais um engenheiro, uma empresa de engenharia. Prestávamos serviços aproveitando os contatos da minha mãe. Conseguimos de cara um contrato com uma concessionária grande para atender o litoral, bem no ano em que deu uma chuva terrível na região de Mairiporã e Jarinu que acabou com tudo. Conseguimos um aditivo de cara.
Em paralelo, surgiu a oportunidade de voltar a trabalhar com futebol, agenciando atletas. Mas é uma área em que eu não quero chegar perto nunca mais. Tem que ter estômago. O futebol de bastidores é um terreno de raposas, muito complicado. Apareceram dois investidores que queriam entrar no futebol, mas não tinham quem tocasse a operação, e eu topei entrar nesse processo. Durante um ano e meio, tocamos isso, tivemos atletas no São Paulo, no América Mineiro (onde tivemos maior penetração) e no Santos. Foi bem legal, mas o desgaste moral era bizarro, e decidimos dissolver a empresa e sair do mercado. É um banho de sangue, a gente fala em off sobre isso.
E a empresa de engenharia? Dissolvemos a do futebol e continuamos com a de engenharia, mas por pouco tempo. A empresa da minha família não estava passando por um momento legal, minha mãe estava com problemas e perrengues lá sozinha. No natal em família, ela tinha alguns irmãos na empresa e família com negócios é complexo. Minha mãe tem um valor de lealdade com a família muito forte, o que hoje eu não entendo, mas aceito. Ela se ferrava muito por causa disso. Falei: “Não faz sentido eu estar galgando outras coisas sendo que eu tenho que estar ali apoiando a pessoa que sempre fez tudo por mim”. A projeção na empresa da família era muito maior. Encerramos a engenharia e entrei na empresa dela, mudando o que precisava ser mudado e que ela não tinha estômago para fazer por questões de lealdade com a família. Eu fui desmanchando a sociedade com os parentes, tchau, um beijo e um abraço. No final das contas, você tem que ser leal à empresa; se você não for, está traindo o negócio. Para mim não serve. Alguns parentes não aceitaram bem, a família não levou bem o desligamento, mesmo a gente pagando tudo certinho e dando bonificações extras. Fomos os vilões. Em determinado momento, parei de me preocupar com o que a família falava e resolvi o que a empresa precisava. A poeira baixou e hoje está melhor. Toda empresa que tem família dentro passa por isso, é preciso ter uma relação muito madura, e as pessoas dizem que sabem dividir as coisas até que chega o momento de conflito. A empresa não é ONG, não interessa se é familiar ou amigo, tudo é performance. Se não performar, tchau.
E quando começa a sua história com a Inteligência Artificial? Hoje em dia o ChatGPT popularizou, mas você lida com hardwares e dispositivos de IA. Como você começou a olhar para isso? Eu sou nerd e amo tecnologia. Joguei muito videogame e sempre gostei de comprar e testar tudo que era lançado de tecnologia em geral. Quando lançou o primeiro iPad, eu comprei para testar. Comparado com hoje era ruim, mas na época era o ápice. Igual à sensação de comprar o PlayStation 1 e achar o gráfico quadrado maravilhoso. A tecnologia evolui muito rápido. Eu gostava de testar de tudo: comprei o novo drone da DJI, o Neo, que te acompanha gravando. Usei a desculpa de que precisava para filmar as subestações de energia na empresa, mas na verdade queria testar a tecnologia. Tenho várias GoPros, comprei o Osmo Pocket da DJI. Compro muita coisa em sites de crowdfunding como o Kickstarter. Gasto uns 10% da minha renda lá. O Kickstarter é um site onde você apoia projetos inovadores comprando em pré-venda para o cara conseguir o capital para tirar a ideia do papel. Tem muita coisa inútil lá, mas às vezes surgem pérolas. Eu comprei lá um drone com câmera térmica por uma fração do preço de um profissional, deu super certo.
No começo do ano, comprei um “PLAUD Note” nos Estados Unidos e trouxe para o Brasil. Eu faço parte do G4 Club e fomos visitar a operação da WEG em Santa Catarina. Não podia entrar com celular, mas eu queria registrar as informações para estudar depois, então levei o gravador. Mostrei para três amigos empresários do grupo e eles quiseram que eu trouxesse para eles também. Eu trouxe os aparelhos e entreguei. Duas semanas depois, um deles mandou o resumo de uma reunião no grupo e os outros perguntaram como ele tinha feito. Ele falou: “O Lucas me trouxe esse PLAUD Note”. No sábado de manhã, eu acordei e os empresários tinham feito uma lista com 70 nomes querendo comprar o aparelho! Eu já conhecia também outra tecnologia chamada “HYDOC” (uma docking station com gravador de IA). Hoje nós somos os distribuidores oficiais de ambas as marcas no Brasil. Eu comprei e entreguei as primeiras 50 unidades como um favor para os membros do G4, sem ver como negócio, mas para ganhar relacionamento e espaço no grupo, já que eu era o mais novo de lá. Quando veio a fatura do meu cartão de R$ 35.000, vi que tinha um potencial de negócios ali. Comprei mais 50 unidades, esgotou em uma semana. Liguei para a fábrica do PLAUD nos Estados Unidos, apresentei um plano de negócios estruturado para o mercado brasileiro, e eles me deram a distribuição oficial. Fui até os EUA me reunir com o diretor das Américas para fechar. O fornecedor precisa saber que você acredita na marca.
Hoje sou o único distribuidor oficial da PLAUD no Brasil. Obviamente tem gente vendendo mercado cinza que traz na mala, mas o meu preço é competitivo e nós entregamos com importação oficial, nota fiscal e garantia de fábrica. Mas nós não vendemos apenas o “gadget”, nós vendemos produtividade, eficiência e tempo para as empresas. Nós fazemos uma curadoria rígida: já testamos mais de 10 dispositivos de IA e recusamos trabalhar com eles por não entregarem o que prometiam, como o Ai Pin, que prometia eliminar o uso do celular mas não era prático no dia a dia. O gadget precisa entrar de forma invisível e minimalista na rotina das pessoas para funcionar, como o PLAUD Note, que parece um colar ou um cartão e as pessoas nem percebem que você está usando. Nós desenvolvemos soluções de prompts e layouts de resumos focados no mercado brasileiro junto com os fabricantes. Perguntamos o processo do cliente para entender qual é a melhor ferramenta para ele. Vendemos para psicólogos gravarem e resumirem as sessões para estudarem para a próxima semana; o ganho de produtividade é gigante. O nosso papel é aproximar a tecnologia do usuário de forma que ele utilize 120% do potencial da ferramenta para ter resultados reais.
Explica o que é o PLAUD Note e o que ele faz. O PLAUD Note é um gravador do tamanho de um cartão de crédito. A diferença dele para um gravador comum é que ele é integrado com Inteligência Artificial. Ele grava reuniões presenciais e também grava ligações telefônicas acoplado no celular via MagSafe, captando a vibração do alto-falante. Para ter uma transcrição perfeita, você precisa de uma captação perfeita, e o hardware deles é excelente, com filtros de cancelamento de ruídos. Ele grava e envia o áudio para o aplicativo no celular ou navegador, onde a Inteligência Artificial (integrada ao ChatGPT e ao Claude 3.5) transcreve tudo, separa as vozes dos interlocutores, resume a reunião em atas estruturadas e cria mapas mentais automáticos. Você faz uma reunião sem precisar anotar nada, e no final tem a ata e o “To-Do List” de tarefas gerados em 10 minutos. Ele serve para reuniões de equipe, aulas, palestras, consultas médicas e até para registrar insights no meio da noite. A IA identifica as vozes e você só precisa nomear uma vez (“Felipe”, “Lucas”) que ela repete nas próximas transcrições.
E o HYDOC? É uma docking station com gravador de IA para mesas de reunião, com várias conexões (HDMI, SD Card, etc.) que se conecta via Bluetooth com até quatro dispositivos ao mesmo tempo para gravar e transcrever conferências. Tudo isso que você mostrou na tela é bizarro de sensacional! Eu vou automatizar todas as reuniões da minha empresa. O vendedor grava a ligação com o cliente e a IA já gera o resumo e o plano de ação estruturados para colar no CRM. O PLAUD economiza muito tempo. Nós vamos dar um treinamento exclusivo online para os empresários do seu grupo ensinando a implementar o PLAUD na rotina de trabalho deles, porque o nosso diferencial é ensinar a usar o máximo da tecnologia.
Parabéns pelo projeto, Lucas. Muito obrigado por trazer essas tecnologias de primeira mão aqui no podcast. Quem quiser comprar com o melhor preço e garantia oficial, o link da Produtos com IA está na descrição do vídeo, com um cupom de desconto especial para os ouvintes do Além do CNPJ. Quero agradecer rapidamente aos patrocinadores que acreditam no Além do CNPJ e investem para que esse conteúdo de excelência seja gratuito na internet: CMC Displays, SMB Store, Agência RPL, WJR Consulting, Inspira Capital, Polux e Max Service Contabilidade. Todas as empresas passaram por uma curadoria rigorosa minha e são idôneas e qualificadas.
Lucas, a pergunta final: você está com 29 anos, expandindo seus negócios no setor de energia e agora dominando o mercado de hardwares com IA. Imagina que você saia daqui, sofra um acidente de carro e morra (batendo na madeira!). Deus aparece e diz “missão cumprida”. Qual conselho definitivo você deixaria para o mundo? Você já tem tudo. Não precisa acelerar tanto. Confia realmente nos seus valores, naquilo que você é, e viva o agora. Viver o presente com leveza, autenticidade e sem a necessidade de provar algo para os outros através de uma imagem nas redes sociais te traz paz. A felicidade não é um destino, ela é a forma como você percorre o caminho. Pratique a gratidão, o contentamento e o serviço ao próximo, começando pela sua família. O tempo com as pessoas que você ama é o único ativo que não dá para recuperar. Menos pressa e mais presença.
Baita resposta! Muito obrigado pela presença, Lucas, e parabéns pelo projeto. A quem nos acompanhou até o final, cliquem nos botões para curtir, compartilhar e engajar o episódio. Tamo junto, sucesso e até a próxima! Valeu!
