Gestão do Shelf Life, Desossa de Leitão e a Força da Marca com Flávia Brunelli (Del Veneto) | Além do CNPJ (EP #167)
A Nova Era da Carne Suína Premium no Varejo
No mercado de proteínas e no agronegócio brasileiro, a maioria dos grandes frigoríficos foca sua operação em volume de abate e na comercialização de commodities brutas de gado bovino. No entanto, os empreendedores mais estratégicos entendem que a verdadeira lucratividade e a diferenciação residem em explorar nichos negligenciados e construir marcas com forte conexão emocional com o consumidor final.
No mais recente episódio do podcast Além do CNPJ, gravado no estúdio da Cross Host, recebemos Flávia Brunelli, fundadora e CEO da Del Veneto — marca pioneira e referência nacional em cortes porcionados e alta gastronomia de carne suína.
Representando a quarta geração de uma tradicional família de criadores italianos (vindos da região do Vêneto), Flávia compartilha como utilizou a sua bagagem executiva na multinacional Tetra Pak, aliada ao estudo de gastronomia e comportamento do consumidor, para criar um mercado do zero e quebrar preconceitos históricos em torno da carne de porco.
1. A Estratégia de Ir Onde Ninguém Está Olhando
Enquanto os frigoríficos tradicionais disputavam o concorrido e inflacionado mercado de cortes bovinos especiais, Flávia identificou uma lacuna mercadológica brutal na suinocultura. O porco no Brasil era historicamente vendido em grandes porções inteiras, restrito a datas festivas (como o final de ano) ou processado em embutidos genéricos de baixo valor agregado.
Para desenhar o portfólio da Del Veneto, Flávia estudou a anatomia animal, fez benchmarking com os mercados da Itália, Alemanha e EUA, e adaptou as desossas tradicionais do gado e do cordeiro para os suínos. Ela foi pioneira na introdução de cortes como o Ancho, T-Bone e Prime Rib de porco no mercado nacional, estruturando uma linha de produção com mais de 60 cortes refinados voltados para atender à dor dos chefes de cozinha nos restaurantes.
2. A Ciência do Shelf Life na Cadeia do Frio
Empreender na economia real de alimentos perecíveis exige o domínio milimétrico da logística refrigerada. Controlar a temperatura de recebimento, o porcionamento e o transporte termonizado é um dos maiores desafios estruturais do Brasil corporativo, onde qualquer variação pode arruinar toneladas de produtos.
Para vencer essa barreira e viabilizar a entrada do produto refrigerado (não congelado) em grandes redes de varejo premium — como o Mambo e as lojas especiais do Pão de Açúcar —, a Del Veneto utiliza uma estratégia técnica: a adição precisa de temperos e marinadas. O processo de temperar a carne in natura reduz a atividade de água livre na superfície e atua como uma barreira protetora contra microrganismos.
Essa técnica desacelera a deterioração celular, garantindo um incremento exponencial no tempo de prateleira (shelf life) do produto fresco na gôndola, reduzindo as perdas operacionais do varejista e entregando praticidade ao cliente final.
3. Founder-Led Marketing: O Dono como Embaixador da Marca
Nos primeiros anos do negócio, Flávia operou em regime de bootstrap puro, investindo os recursos de sua própria rescisão e vendendo o carro para financiar o capital de giro. Ela atuou sozinha na linha de frente como a única vendedora da empresa, visitando restaurantes e quebrando as amarras do preconceito de um meio majoritariamente masculino.
A grande virada de chave no faturamento e no awareness da Del Veneto aconteceu quando Flávia assumiu o papel de âncora do seu próprio marketing. Ao colocar o rosto na internet, gravar vídeos executando a desossa técnica e cozinhando receitas saudáveis de baixa caloria e low carb, ela se tornou a “advogada do porco”, usando a autoridade pessoal para educar o mercado de forma intencional e acelerar as vendas.
4. O Quadripé da Liderança de Alta Performance
Ao fechar o episódio sob a tradicional provocação do leito de morte aos 32 anos, Flávia Brunelli entrega uma lição visceral sobre o real significado de sucesso para o empresariado. Ela defende que construir valor no CNPJ exige clareza absoluta de metas, resiliência para não ceder nos momentos de aperto e a estruturação da vida sob um quadripé de sustentação:
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Saúde em Dia: O preparo físico e a disciplina de treinar para suportar a carga de trabalho.
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Trabalho Duro: Foco cego e imersão total nos processos operacionais da empresa na hora de produzir.
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Família Conectada: Ter um cônjuge alinhado com o seu propósito. “Não adianta conquistar o mundo se você não tiver com quem dividir a conquista”, destaca.
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Base Espiritual: O relacionamento com Deus como o alicerce definitivo para vencer a vontade de desistir nas crises de mercado.
Quer aprender a estruturar canais de aquisição fortes, blindar os processos da sua fábrica e posicionar o seu produto no varejo premium? Assista ao episódio completo agora mesmo!
Ler Transcrição Completa
É contar para as pessoas que a carne é saudável, que se ela tem procedência você pode comer mal passada. Assim, meu sonho é assim, 45 anos eu quero fazer um curso na Itália de cozinha assim, mas de hobby, eu nunca me imaginei trabalhando. Eu fiz gastronomia para entender como funcionavam os restaurantes, para entender a dor dos chefes. Trabalhei, estagiei em restaurantes, então entendi o dia, o fluxo, a dificuldade de recebimento, de porcionamento, de mão de obra. Na vida a gente tem que fazer escolhas e ter o caminho trilhado. Então tem caminhos que a gente acaba acontecendo, a gente não tem controle, mas o que tá dentro do nosso controle, eu acho que a gente tem que tomar a rédea e seguir. Bovina já tem gente, muita gente fazendo corte diferente. Suína ninguém tá olhando. Eu gosto de ir onde ninguém tá olhando. Então aí eu fiquei acompanhando uma época uma desossa de cordeiro. Aprendi os cortes do cordeiro, vi o tamanho parecido, falei: “Vou desenvolver desossa de leitão”. Então eu fui pioneira em desossa de leitão no Brasil. Eu sou obcecada, eu sou a melhor em suíno. Hoje até que eu tô um pouco mais aberta assim para outros negócios, mas assim já porque eu tô como referência, então eu sei tudo de carne suína assim, sem dúvida nenhuma. No Brasil, poucas pessoas sabem mais de, mais de suíno do que eu. Eu como frigorífico eu coloco temperado quando eu quero um produto refrigerado, porque aumenta o shelf life. Então o tempero aumenta o shelf life para vender refrigerado.
Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui pra gente trocar essa ideia de empreendedores vida real. Vou começar antes de apresentando a galera aqui, me desculpando porque eu tô voltando de um resfriado, então minha voz tá um pouquinho rouca ainda. Tô precisando tossir às vezes para recompor, engolir saliva. Já começando aqui. Então se por acaso eu precisar me recompor e recompor a minha voz, faz parte. É a vida empreendedora que nos baixa a imunidade de vez em quando e faz a gente nessa queda de tempo, mudança de tempo, ter que passar por andanças doentísticas. Meu amigo Bruno Bertozzi ao meu lado. Caramba, Brunão me deu uma informação aqui nos bastidores que eu fiquei impressionado, hein? É, a gente já tá completando quase um ano junto, quase um ano de aniversário aqui dessa collab aqui que foi sensacional, Brunão. E já passamos por caras, não tivemos… tivemos podcasts emblemáticos e principalmente o de hoje vai ser um deles. Mais um. Aqui na nossa frente tem uma, uma convidada que eu já acompanho nas redes sociais faz um tempo, já conheço pessoalmente, a gente já se encontrou em eventos, indicação de uma grande amiga nossa também que já teve aqui no podcast, que é a Juliete. E meu, a história… produtora de conteúdo, então também depois que eu divulgar ela vale a pena ir acompanhar nas redes e tudo mais. E é uma pessoa que já estamos tentando trazer faz um tempo, por morar longe também. Tivemos alguns, alguns encostos da agenda da nossa parte aqui, reagendamos alguma vez, mas estamos aqui na frente com ela e a gente vai falar sobre o empreendedorismo no nua e cru, que eu sempre gosto de falar do da vida real, as dificuldades, o como a gente precisa fazer para trazer um conceito diferente pra internet. Ela trabalha e, e eu acredito muito, né? Não entrei muito nesses méritos porque eu gosto de deixar muito isso pro podcast, mas ela, ela trabalha a produção de conteúdo como veia estratégica do negócio dela, e gostaria de entender como fazer isso. Porque muitas pessoas que reclamam na internet, reclamam no mercado: “nossa, meu mercado tá assim, assim, assado, eu não consigo me posicionar”. Mas você tá se posicionando? Não. Então, pera, pelo amor de Deus. Então, cara, a produção de conteúdo pode ser, sim, uma um… pode não, deve ser, né? É uma uma forma de contato, um canal de aquisição da sua, da sua empresa. Então eu acho que, que a Flávia vai conseguir nos ajudar bastante com isso. E tô aqui com a Flávia Brunelli. Flavinha, muitíssimo obrigado, veio de São José dos Campos para cá.
Exatamente, sem WhatsApp.
Sem WhatsApp, sem WhatsApp para gravar com a gente. Obrigado por… pela presença, viu?
Obrigado, tô muito feliz de estar aqui hoje. É um prazer a gente bater esse papo, tô animada e vai ser muito bom, tamo junto.
A mulher do porco.
A mulher do porco, a mulher do porco. Vocês entenderam? Mas agora vocês vão entender o que que é eh esse, esse, esse… essa isso que eu falei, né? A mulher do porco. Mas porque o mercado em que a Flávia trabalha tem eh eh ligação com o porco, e a gente vai entender aqui já. Flávia, seguinte: a Flavinha, de onde veio? Eh você nasceu aonde? Você teve pai e mãe presentes? Eh o que que você queria ser quando você crescesse? Dá um pouco de contexto de forma rápida, breve, pra gente chegar na vida adulta e entrar na tua trajetória empreendedora pra gente entender. Faz um overview pra gente.
Eh eu comecei, eu acho que com 7 anos de idade. A minha mãe tem um, um primeiro… um primeiro panorama eh de eu querendo organizar uma festa de aniversário e eu fazendo negociação com a mulher do buffet, porque minha mãe sempre trabalhou muito. Minha mãe, ela é fazendeira, tem o meu, meu… eu venho da quarta geração com a carne suína. Meu bisavô na Itália, em Verona, na montanha do Vêneto é a região. Uhum, Verona é a cidade. Eles continuam com a fazenda até hoje, há quase 100 anos lá.
Que legal, bicho.
É, os primos de primeiro grau da minha mãe cuidam da fazenda. Meu nono veio para cá, um imigrante italiano, chegou com uma mão na frente, outra atrás, e sempre construiu fruto de muito trabalho, muito esforço, com a vontade de voltar ao campo.
O seu nono foi o fundador lá?
Fundador não, meu bisavô lá, meu nono aqui. Aqui no Brasil foi quem chegou e, e minha mãe e meu tio hoje cuidam da fazenda. Eh cresci de filha de pais separados, meu pai não tenho tanta interação eh mas cresci vendo uma mãe muito forte eh que trabalhava muito. E lá atrás teve algumas chavinhas da minha vida que fizeram essa virada. Eh quando pequena, as pessoas falam: “Ai, o que que você queria ser?”. Eh eu saí recentemente numa matéria da Caras e aí eu até postei, falei assim: “No meu sonho, nunca imaginei estar na Caras”, porque a Caras para mim era uma coisa de eh cantor, cantor, ator, e eu nunca me imaginei. Eu me imaginava tanto… o meu sonho era ser aprendiz.
Que legal. Era aquele primeiro livro, todo mundo passou por essa fase, né? Tinha a veia empreendedora, olha.
Nossa, o primeiro livro de que eu… foi da história de uma mulher jovem que tinha sido aprendiz. Então assim, isso era meu… a minha vontade, ver uma mãe empreendedora. E ver um lado também meio ruim assim, ruim de que dá um pouco de medo, no lado negativo: minha mãe acordando de madrugada para resolver problema de caminhão roubado. Eu via que era desgastante. E aí eu fui fazer faculdade, eu fiz Administração de Empresas em Campinas e depois eu trabalhei, comecei estagiando na Tetra Pak.
A fazenda era onde, ou é em São José dos Campos?
São José dos Campos. Fui para Campinas.
Boa. Eh sempre assim, eh sou… tem uma empresa familiar, tem um histórico de desafios entre tios e primos, não é tão simples assim, sucessão, muito complexo. Então, eu falei: “Quero ter minha carreira independente, não quero depender, vou para a minha vida, eh vou ser bem-sucedida executivamente”. É, era isso, meu sonho era estar no último andar.
Mas em algum momento pensava em seguir isso como uma forma de aprendizado para voltar aos negócios da família, ou não queria mesmo?
Família era o único caminho que era diretora, VP, assim, eu já sonhava grande já. Eh e aí lá atrás, eh quando eu tava na Tetra Pak, fiz um TCC da faculdade, foi um fast-food especializado em carne suína e eu ganhei o, o primeiro lugar desse TCC. Ganhei uma viagem para fazer um curso na Disney, lá em Orlando.
Olha que legal!
E como era um fast-food especializado em carne suína, eu falei: “Gente, essa ideia deve ser boa, né? Porque, tipo, as pessoas… para eu ter ganhado uma viagem para fazer um curso na Disney Universe lá, os bastidores da Disney, eu falei: gente, essa ideia deve ser muito boa, porque como assim?”.
E para você é algo super carne suína.
É, eu cresci, mas é assim, é engraçado porque eu cresci numa família de criação de carne suína, mas não comia tanta carne suína no meu dia a dia, não tinha acesso porque não tinha cortes porcionados, e aí eu… era uma coisa mais de produção de abate grande, né?
Exatamente, animal vivo, venda de animal e tudo mais.
E aí eu via… comecei a falar assim: “Opa, essa carne suína todo mundo tá falando”. E depois do TCC, todo mundo falou assim: “Flávia, você tem que investir nessa ideia”. E aí na época, eu fui promovida na Tetra Pak para ser um cargo de coordenadora da América Latina, com 21 para 22 anos.
Caramba! E era um cargo numa área de manutenção.
E eu nem que engenheira eu sou, sou administradora. E meu sonho era trabalhar assim, meu sonho é assim: 45 anos eu quero fazer um curso na Itália de cozinha assim, mas de hobby, eu nunca me imaginei trabalhando. E, e aí foi uma mudança de chave. Teve um episódio de eu conviver lá atrás com uma diretora, assisti uma diretora do meu lado vendo uma situação com a filha dela, da Tetra Pak eh falando: “Filha, você tem certeza que a mamãe vai te buscar na escola, não sei o quê?”. Aí eu vi aquilo lá assim, falei: “Gente, eu quero ser, eu quero trabalhar muito, mas ao mesmo tempo a minha mãe tinha muita liberdade, ela conseguia se ajustar”. Eu falei: “Eu quero ser mãe e eu quero trabalhar muito”. E aí foi uma mudança de chave espiritual, de propósito, de vida eh de poder abençoar vidas. E aí naquele momento virou a chavinha. Eu tive coragem.
Com 21 para 22?
21 para 22 anos. Hoje as p… Hoje eu olho para trás, maturidade, jovem desse jeito. É uma ousadia muito grande, que eu… é que é inspirador no meu nono, né? Hoje eu tenho consciência disso, que tem muita inspiração nele. E, e aí eu pedi demissão, recusei a promoção, e aí comecei a empreender e fundar a Del Veneto. Então foi um processo. A Del Veneto é uma empresa de que eu não tenho sócios, então eu sou sozinha. Eh eu sou uma cliente da empresa da minha família: minha família cria o animal vivo, eu compro o animal deles, terceirizo o abate, faço toda uma desossa artesanal, e aí foi um processo de que eu fui construindo aos, ao longo agora, 9 anos.
Caramba, que legal, cara, 9 anos já. E é louco porque assim, com 21 para 22, isso foi quando você fez a transição, você já tinha uma visualização da vida empreendedora nos seus prós e contras, acompanhando tua mãe. Uhum. E aí teve uma visualização também de prós e contras acompanhando uma diretora e, e colocou na balança. Acho legal isso porque é uma coisa que muito empreendedor fala e critica, né: “pô, eu não tenho vida, trabalho muito e tudo mais”. Sim, mas um ponto real de que o empreendedor tem é a flexibilidade. Uhum. Então, não só a flexibilidade como… E flexibilidade em todos os sentidos, acho que a flexibilidade de salário, a flexibilidade no dia, o risco. Mas assim, eu consigo, por exemplo eh sair, se por acaso me der na telha, sair um dia mais cedo para levar minha filha num cinema às 3h da tarde, tranquilo, posso levar, sabendo que provavelmente quando eu chegar em casa, depois de que ela dormir, vou ter que trabalhar. Sim, é isso. É a flexibilidade, coisa de que o CLT não tem, mesmo com cargo de diretoria, executivo e tudo mais, você não tem. A moça da Tetra Pak mesmo, a diretora dela, tentando gerenciar os pratinhos de mãe, mas não podendo sair porque: “ai, é pedir de novo pro meu chefe, eu já tô abrindo…”, eh sabe? É uma preocupação, mulher, né? Porque mulher vive essa transição, o homem é menos. Porque a gente, a gente praticamente… tenho dois filhos, mas a maternidade é vivida pela mãe muito mais do que pelo pai, né? A gente ainda continua saindo para trabalhar o começo da maternidade.
Exatamente, o nosso corpo não muda, o nosso nosso… a gente não… a gente a gente não tem o nosso humor também não, não muda, né? Os hormônios estão todos certinhos, não amamenta, pra gente tá fácil, cara, graças a Deus.
Não é, é isso. É, tem que, tem que louvar as mães porque é complexo mesmo. E, cara, administrar empresa, negócio, sendo qualquer outra jornada de pai, mãe, nesse sentido de família, é muito importante. Você, você já era casada?
Não, não, não.
Então, olha isso, também já tinha um projeto de vida de ser mãe, mesmo que ainda não tivesse eh um relacionamento, e já balanceou. Isso aí eu acho que é muito importante, porque melhor, cara, porque a galera não tá entendendo como que funciona. É porque muita gente reclama da vida e tudo mais, mas vai vivendo a vida de um jeito tão automático que vai simplesmente se enfiando em corredores que, lá na frente, quando você parar para perceber, não tem saída, e voltar de ré não dá tempo. Então, cara, você tem que projetar isso.
Eu tinha muito claro uma visão de que… o que eu queria com… Antes achava que 32, agora eu já estou com 32, eu já tô prorrogando por 35 em ter filhos. Então assim, mas eu queria, falou assim: “tenho que dar um sprint na minha vida assim muito intenso, porque eu sei que eu vou ter que parar um pouquinho, pelo menos, para ser mãe”. Assim, alguns meses a mulher tem que abdicar.
E essa, e essa visão clara, e diz muito sobre o as… a tua vida cada vez mais regrada. As coisas dão certo na tua vida, mas é óbvio, porque se você planeja, não quer dizer que não vai dar nada errado, mas que as coisas que deem errado estejam dentro de um planejamento de que você consiga suportar. Aí tanta gente vai vivendo no automático, depois reclama.
É ex… É, é legal essa visão com tão pouca idade, de 21 para 22.
Escolhas, né? Eu falo que na vida a gente tem que fazer escolhas e ter o caminho trilhado. Então tem caminhos de que a gente acaba acontecendo, de que a gente não tem controle, mas o que tá dentro do nosso controle, eu acho que a gente tem que tomar a rédea e, e seguir.
Legal. Aí agora entrando um pouquinho de negócio, né? Porque você falou que você pegou, você virou cliente da empresa familiar e você tem toda uma desossa de que você compra o, o, o… o animal vivo, depois o abate e tal. De onde veio, e por… a ideia do fracionamento do levar a mercado, veio com o TCC? Foi a ver com… na época lá, eu comecei a fazer um plano de negócio, estudar marketing, e aí eu comecei a entender por… estudar consumidor. Aí eu comecei, na época, eh antes de, de empreender, descobri sobre NRF e, e aí comecei a ver tendências de consumo, e lá atrás eu enxergava o porcionamento. Falou: “Gente, as famílias estão diminuindo, as pessoas estão menores”. E a canina, né? Antigamente no supermercado, se era perna, uma peça grande, uma barriga inteira. Ninguém compra uma peça grande para consumir no dia a dia, ainda mais com forno no pequeno. Isso quando você fala antigamente, porque 10 anos atrás já era o comer carne de porco é comprando grande porção.
Exato, nem na minha casa eu comia carne de porco porque não tinha acesso a carne moída, cortes porcionados, nem minha mãe.
Que legal, bicho.
É, muito doido isso, nem imaginava. E eu não tinha o hábito, eu, eu comia carne suína quando eu viajava, quando eu ia para a Itália na fazenda da minha família. Aqui era uma coisa assim de vez em quando, e costelinha e olhe lá. E aí, quando eu fui, aí estudei Gastronomia, que é uma delícia.
É que é uma delícia, mas, mas hoje eu trabalho com um leque assim muito mais amplo: ancho, T-bone, prime rib.
Nem sabia que tinha isso de porco.
Uma variedade super grande de cortes, assim.
Quantos cortes tem, assim?
Hoje a gente tem mais de 60 cortes no portfólio.
Caraca, cara! E tudo começou quando você estava me perguntando como eh eu fui fazer Gastronomia. Então, eu fiz Gastronomia para entender como funcionavam os restaurantes, para entender a dor dos chefes. Trabalhei, estagiei em restaurantes, então entendi o dia a dia, o fluxo, a dificuldade de recebimento, de porcionamento, de mão de obra, eh perdas, recortes. Então eu criei um produto já orientado pro, pro chefe. Então eu criei um produto e continuo criando constantemente. Uhum, sou amiga dos chefes e, e acabei me tornando isso lá atrás, porque eu no Senac lá de Campos do Jordão, foi de lá que foi abrindo as portas. Meus primeiros clientes foram de Campos, mesmo minha empresa sendo de São José dos Campos.
O fato de você eh ter essa proximidade com chefes, que de certa forma você se aproximou de quem entendia o mercado, é igual a construção civil se aproximar de arquitetos. Uhum. Eh você sentiu uma dificuldade, logo de cara, no, no conhecimento dos chefes referente à carne de porco, ou já era uma coisa super estabelecida entre eles? Eles falavam: “Nossa, eu tô precisando urgente de um T-bone de, de suíno”, ou como que foi? Porque, querendo ou não, quando você eh cria uma disrupção no mercado, você tem que… você tem uma um desafio enorme, de que quando você cumpre, surgem vários concorrentes com a estrada pavimentada para só surfar a onda que você criou. Como foi esse processo de educação, porque senão também fica… o que também é legal a gente contar essa história, porque muita gente fica criando um monte de coisas novas, aí não vende, fica reclamando do mercado, mas não pensa em educação, que é trazer, ensinar o mercado a consumir teu produto. E ainda o cara quer, quer… quer vender rápido, né? Exato, vender um produto de que ele não tem público ainda, de que ele tem que educar o cara como faz, o que faz, não sei o quê, e reclama do mercado. Reclama do mercado, é isso. Imagina se eu colocar eh esses cortes simplesmente à disposição num site ou num e-commerce, ou em algumas prateleiras, não ia ter saída, não ia sair, né? Caramba, como que é, talvez… Então, pô, como foi esse processo?
Ensinar. Eh eu fui nos Estados Unidos, na Argentina, na Itália, e foram meu… minhas escolas de açougues. Então eu fui em açougues, casas de carnes premium e cheguei lá e aprendi como… eu fui, aprendi, mas eles já eram meio… eles já são avançados na carne suína. Eles não só na carne suína, tem alguns até com bovinos que eu criei da minha cabeça de tipo: ó, tem no bovino, por que que não pode no suíno? Eu entendi a anatomia do animal eh e adaptei do bovino, dos do cordeiro. Eu via cortes de cordeiro e via cortes de leitão, que no Brasil ainda não existiam. E eu pensava assim: “mas leitão, eu amava leitão e eu esperava todo dezembro, 25 de dezembro, para comer o leitãozinho inteiro quando reunia a família”. Por quê? Para assar um leitão inteiro tem que ter um forno especial, tem que reunir muita gente, é 15, 20 kg um leitão. Então eu falei: por que que a gente não faz cortes? Aí eu fiquei acompanhando uma época uma desossa de cordeiro, aprendi os cortes do cordeiro, vi o tamanho parecido, falei: “Vou desenvolver desossa de leitão”. Então eu fui pioneira em desossa de leitão no Brasil. Então tudo observando, aprendendo no, no boi ou no cordeiro e trazendo pro suíno, fazendo benchmarking com ela. Eu falo que assim, benchmarking, eu até hoje todo meu passeio favorito é em mercados quando eu viajo, e eu aprendo com a categoria de peixes, frangos, eu… eu analiso tudo assim, não é só nos pin, eu falo muito: se a gente ficar só de olho no nosso, a gente não tem, não expande, a gente não, não vê o além. E, fora isso, olhar fora do país, né? Então, os primeiros vídeos com que eu aprendi era tudo de fora do país, às vezes de eh Alemanha. Eu nem sei falar alemão, mas eu só via lá fazendo. Então assim, a desossa eu criei do zero no Brasil, fui pioneira nisso e agora, que você falou, realmente depois vem agora surfando, mas há 9 anos atrás ninguém fazia, ninguém nem pensava em carne suína especial. O primeiro frigorífico a que eu ia, aluguei uma sala por um dia lá, eh ele virou e falou assim: “Flávia, mas isso dá muito trabalho, ninguém vai pagar por isso, demora muito”. Esse cara hoje arrendou o frigorífico dele pro Oba. Você tem noção como a vida, a vida volta? E ele falou para mim assim, de que eu falei: “Nossa, um dos primeiros nãos assim foi emblemático”. Ele: “não, mas é muito trabalho, nossa, ser porcionadinho, ficar limpando… o que que…”.
E, cara, e como que pode o cara questionar isso, sim, sendo que já existe esse mercado de outros animais, mas ninguém enxergava no suíno?
Então, e é justamente por isso. A minha família também tem criação de bovinos, de gado, não é a principal da fazenda, o foco é suínos, mas eu falava: bovino já tem gente, muita gente fazendo corte diferente, suíno ninguém tá olhando. Eu gosto de ir onde ninguém tá olhando. Então eh ao longo da jornada, você falou sobre oportunidades, apareceram no começo da jornada muitas oportunidades: “ah, vende vinho também, vende outra coisa também”. E eu tipo, eu tinha uma mente, uma coisa assim: eu sou obcecada, eu sou a melhor em suíno, então hoje até que eu tô um pouco mais aberta assim para outros negócios, mas assim já porque eu tô como referência suína, então eu sei tudo de carne suína assim, sem dúvida nenhuma. No Brasil, poucas pessoas sabem mais de, mais de suíno do que eu. Então assim, isso foi uma estratégia de saber dizer não. Hoje eu olhando para trás, eu aprendi lendo, ouvindo, foi, foi… ouvi de, não lembro de quem, mas assim, algum curso, eu ouvi… eu ouvi que a gente tinha que ser focado e, e dizer não, aprender a dizer não para outras ideias, porque eu queria ser a referência de suíno, porque bovino os outros já tinham vários.
Sim, e, e a tua estratégia — já, já vou te dar a palavra, Bruno, só mais… —, mas a tua estratégia de focar em restaurantes, começando com o trabalho de chefes e tudo mais, eu acho super, super eh pontual e inteligente. Porque, querendo ou não, quando você doutrina um pessoal que tem um paladar mais aguçado através de referências de chefes, você traz um pouco dessa, dessa realidade do porco pros lares, né? Mas como funciona o porco numa esteira de produtos de carne, de proteína? Porque nós temos aqui o que acontece: vai quando eh aumenta a inflação, começa a aumentar automaticamente a venda de frango, Uhum, no passo de que se, se baixa a venda de carne vermelha.
Isso.
Aonde que o porco entra em termos de consumo, em termos de proteína e em termos de valor agregado assim nisso, nessa, nessa esteira de proteína? É acho que até na cesta básica assim, entendendo como que é, como que ele…
Cesta básica, hoje a carne suína no Brasil antes, há 10 anos atrás, a gente consumia 14 kg per capita por habitante por ano.
Até que bastante.
Quatorze é muito pouco, muito pouco. Não dá nenhuma leitora. Não, 14 o quê? Quilogramas per capita por ano. [ __ ] Mas 14 kg… ô, você não, pô, você não… você não come um porco, cara. É, você não… ah, é verdade. Você comia só de baconzinho, é a pururuca. É a pururuca da feijoada. Só nos… só nos embutidos. É muito mais embutidos. Nossa, mesmo, a gente comia muito pouco. Subiu esse número para 21, mas assim, tem países fora de que é 50, caraca, 30, 40, 50,60, chega na Ásia. Então assim, eh eu via esse gap assim eh eu via que tinha potencial porque fora se consumia muito e aqui ainda não. Então lá se enxergava e eu enxerguei que tinha problemas de preconceito, de comunicação, então desmistificar de que é uma carne gorda, de que faz mal. E não é, é uma carne branca, é uma carne super magra. Eh a gente tem hoje… exatamente, hoje eu compartilho isso nas minhas redes sociais, de como ser magra comendo carne suína todos os dias, como ter uma vida saudável, fitness, eh comendo carne suína, e é uma carne extremamente magra. Então assim, não é… até a gordura de que a gente achava como vilã, a banha é super saudável para cozinhar. Eu cozinho com banha de porco. Ah, não uso óleo, e é uma delícia. Fica muito mais gostoso, fica muito mais gostoso. A pururuca até agora tem muita gente de low carb agora indo para uma pururuquinha pura. Então assim, eh os médicos… tem médico de que é meu amigo de São José, que tem 4 milhões de seguidores, fala só sobre emagrecimento com jejum e, assim, carne suína número um para ele em emagrecimento. Olha isso, entendeu? Assim, é uma… é uma realidade, não é… E, e eu testei no meu corpo, se transformou numa realidade, né? Porque não era, isso não era… As pessoas tinham medo, até hoje têm, até hoje, porque sempre foi a instituição do, do porco, né? Aí dentro da feijoada, pô, era a orelha do porco, o focinho do porco, era tudo na feijoada, cara. É, pensa, porco era bacon e linguiça, e aí é bacon e linguiça. O resto, churrasco era bacon, linguiça, mas se pegou o pior, vai, digamos assim, o pior em termos de gordura, pelo menos visualmente falando, e aí se associou ao resto todo do porco.
Consequentemente, conceitualmente era o pior, né? Porque você pegava só a pururuca, o bacon, a linguiça do porco, e outra, a linguiça era macerada com tudo o que você tinha. Aí, exatamente, hoje o marketing foi malfeito. Eu falo que hoje linguiça você pode comer uma linguiça do Del Veneto assim no dia a dia sem nenhum risco. Como por quê? Porque é só carne e gordura, não tem CMS, que é limpeza de ossos, não tem soja. Hoje meu café da manhã foi teste de salsichas, salsichas só carne moída, bom, nada mais, tempero.
Cara, isso é uma baita notícia. Aí eu já vou querer. Me fala lá onde eu aperto, porque eu amo linguiça, cara. Amo, lá ele. Mas é, mas eu amo linguiça, desculpa, meu, que isso? Tem sempre a quinta série, hein? Mas, cara, eu gosto para caramba de linguiça, só que, cara, é… não é nada saudável assim, do ponto de vista das linguiças que você compra no mercado.
Compre, eu comeria… eu comeria linguiça todo dia, cara. E pra linguiça saudável, que tem essa carne de porco eh magra e tudo mais, com essa mesma textura e sabor, [ __ ] vou adorar, cara.
Mas sabe que é muito doido, porque eu fiz intercâmbio, eu fiz intercâmbio na Alemanha. Ah, então… E aí eu fiz isso em 2008. Você fala alemão, bicho? É, falo hoje, pode ser que eu… pode ser que eu relembre algumas coisas. É, mas o meu café da manhã era um pão com salsicha de manhã lá. A salsicha boa ou a boa? A salsicha é muito boa, é… tem a bockwurst, que é a branca de ervas, tem a de alho, tem a… saudáveis, exatamente. E lá, a gente ia paras áreas de que chama grill zone, né? Tipo a área de, de… no parque onde você podia pôr a churrasqueirinha e fazer churrasco. E a gente ia comprar carne: não, era impossível você comprar uma carne de boi porque, tipo assim, era 1 milhão de vezes mais o preço.
É mesmo?
E a carne de porco lá era muito… então o que a gente comprava os pedacinhos de carne de porco e filé mignon era a mesma coisa. Só que eu tô falando de 2008. Isso é lá, é Europa como um todo.
Alemanha, mas a Alemanha é um dos principais assim da Europa.
Caralho! É, e era muito doido. Eu relembrando aqui porque, cara, era muito… Só que o chão que tem… tem a Viena, né, que é fininha, tem a outra maiorzinha, enfim, é muito legal isso, cara. Parabéns. E como que foi, e como que é então nessa esteira? Como que a… hoje a nível Brasil se posiciona em termos de saúde? Show de bola, baita de uma carne?
A gente desmistifica, meu trabalho é desmistificar. Eu falo eh que eu era embaixadora da carne suína, aí meu ChatGPT esses dias, tava aquelas atas engraçadas, falou que eu sou advogada do porco. Aí eu falei: “Olha, gostei de desse, desse… dessa nomenclatura, porque assim, é contar para as pessoas que a carne suína ela é saudável, que se ela tem procedência, você pode comer mal passada”. Eu fiz até hambúrguer… as pessoas nos comentários metendo o pau: “gente, carne de procedência você pode”. Eu falo assim: “ah, não tô grávida ainda, mas o dia que eu estiver grávida, eu vou comer carne de porco do mesmo jeito, quer me ver louca?”. É ver alguma mulher grávida falar: “ai, não posso comer carne de porco”. Tipo assim: “olha, minha filha, você não sabe de informação nenhuma”.
Mas é tipo japonês. Aí eu vou explicar por quê: por causa do procedimento de procedência.
Procedência, é porque, tipo assim, ah o cara fala assim… Ah, nenhum médico fala assim: “você tá liberado para comer japonês”, porque não, você tem… você corre o risco. Eles falaram assim: “se você garantir sempre você da procedência, é tudo bem, mas você garante?”. Isso, mas você garante? É esse que é o medo, entendeu? É esse que é o, o desafio. Então, beleza, você tá com o produtor na mão, você tá com o negócio na mão, você, você é tranquilo. E até na procedência do fazer, exato, porque não é o problema do, do comprar só de um lugar bom, é o procedência do fazer: a carne chegou lá, ficou muito tempo, passou do ponto, o chefe errou, exatamente, o restaurante errou no processo. Então tem muita, muita complexidade.
Mas sem pensar agora necessariamente na procedência da carne que você produz, isso, o porco no Brasil hoje em que prateleira tá em termos de preço? Frango, peixe, bovinos… É vermelha e, vermelha e porco. Não vamos colocar outras carnes de cordeiro e tudo mais, mas no geral, onde que, que tá?
Hoje, te pensando em nível de porco, as pessoas… uma média de R$ 25 o quilo a carne in natura, sem processamento. Eu hoje, com a Del Veneto, eu vendo cortes porcionados, eu vendo raça de Duroc, eu vendo um outro animal, eu não vendo um porco tradicional, tradicional. Então hoje eu consigo agregar quase o duplo do valor de venda, mas ainda assim o valor muito alto… mais alto é ainda muito menos do que você comprar um corte bovino super caro. Então eu vendo uma oportunidade sem segunda paga, eu vendo uma oportunidade de… pro dono do restaurante. Então você coloca um corte super nobre suíno, num prime rib por R$ 60 o quilo, porcionadinho, dois a dois. Então assim para ele: “nossa, cara, é um super negócio”. Então, ancho suíno, uma panceta, uma linguiça especial. Então eu, eu vendo… eu enxerguei a dor dele e fui lá: “ó, você me v… te ajuda”.
Nossa, e legal, né? E a preparação pro cliente final é tão fácil quanto o bovino? Sim. Assim, como eu vou preparar um filé, o, o porco pode seguir as mesmas…?
Sim, hoje assim, no mercado, agora a gente tá em São Paulo, a gente entrou no Mambo agora, então a gente tá com a linha de linguiças…
Parabéns!
…e ancho no Mambo e, e alguns defumados prontos assim, são super práticos. O ancho ele já vem temperado, é só… só já vem com tempero, não precisa de nada, só grelhar na frigideira.
Eu ia perguntar, porque tradicionalmente a carne de porco, a maioria das carnes de porco que você compra, elas vêm eh temperadas. Por quê? Tem algum…?
Eu não sabia disso, não.
É dificilmente você vai no, no, no açougue lá e fala assim: “Ah, eu quero…”. A não ser que você pegue costelinha, mas o restante todos, é todos eles vêm fracionados e vêm, vêm, vêm…
Então, o temperado… eu, como frigorífico, eu coloco temperado quando eu quero um produto refrigerado, porque aumenta o shelf life. Então o tempero aumenta o shelf life para vender refrigerado. Se eu vendo congelado… agora eu vou entrar eh no Pão de Açúcar, a gente vai vender congelado para algumas, para as 12 lojas premium. A gente não vai entrar em todas de uma vez, eh porque o meu público, o meu produto não é para todo…
Sim, para todo mundo.
…sim, para todo mundo, é um produto diferenciado, é um produto para quem valoriza, para quem compra uma carne bovina, que vai lá escolher uma carne bovina.
É louco, porque pelo preço até daria para atingir outras classes. Sim. Mas a questão é que não é valorizado. É, ainda as pessoas não conhecem, não…
É, mas ainda assim é um público que eh não, não é para o geral. Sim, sim. Eh posicionamento, né?
Posicionamento, exatamente. E aí, quando eu pego lá num, num mambo ambo ou num… O temperado é pra facilidade de preparo e shelf life, mas se eu que… f… live quando eu dou minhas palestras, tudo, eu falo assim: “dê limão na carne suína porque você mascara o gosto eh…”.
Que eu adoro, cara, um limãozinho, uma gordurinha.
Eu falo, o limão tem uma função: quebrar a gordura. Mas não é o limão, você cozinha a carne se você coloca… Se você põe depois que tá pronto, tudo bem.
Hoje, pronto.
É, não na marinada. Se você colocar na marinada aí, não. Aí você tá cozinhando a carne antes, entendeu? Quando a carne tem procedência, eu gosto de só sal e pimenta, não precisa de nada assim, o gosto… você vai sentir o sabor da carne.
Mesmo, cara, caraca, ferrado. Quer soltar uma? Eu tenho uma aqui na fita.
Manda, manda ver.
O começo da via Veneto… Del Veneto, desculpa. Via Veneto, tá vendo? O começo da tua empresa, você já tinha a cabeça e o projeto do TCC, do TCC que você já, já tinha meio que desenhado. Mas assim, beleza, hoje falar de 10 anos atrás fica muito fácil, né? Olha o que você já… olha a quantidade de barreiras, pedrinhas que você já quebrou, o quanto você já se posicionou no mercado e tudo mais. Mas o começo disso, os nãos que você falou para todo mundo e tudo mais, qual era a tua ideia de negócio exata no começo? “Ah, eu quero já começar a fazer e corte premium”, ou: “eu quero só fracionar, porcionar o, o porco e trazendo isso de forma mais abrangente pros chefes?”. Talvez você já tinha isso na mente para o varejo? Como era a tua ideia do começo e como foi esse processo de evolução da empresa até os dias de hoje?
O TCC, na verdade, era um restaurante fast-food especializado em carne suína, só que quando eu fui fazer o estudo do negócio do TCC, eu vi que poucos fornecedores tinham separados… é, não tinha o que eu precisava de cortes diferentes, eh e também a história de comunicar pro consumidor final que pode comer a carne com procedência. Então, eu percebi que tinha um gap no mercado de frigoríficos. Então foi aí que eu olhei e falei assim: “Não, antes de ter o restaurante, eu preciso ter o fornecedor do restaurante”. E ainda tendo a proximidade com o setor da família, ficou fácil de plugar. Mesmo que não tenha sido uma facilidade, mas uma, uma… um benefício, mas era uma facilidade. Você, você já é o que eu entendi… Isso foi lá atrás também, assistindo a palestras de outros ramos eh de storytelling, as pessoas contando no palco a história da família. Lá atrás eu entendi, eu falei: “Nossa, eu tenho uma história, eu preciso contar isso, contar a fazenda, contar a origem, contar a procedência, o próprio nome conta, né?”. É. E por mais que assim, não seja a mesma empresa — porque eu, eu também reforço muito isso, porque são empresas separadas —, mas é a história da minha família, ninguém vai mudar, ninguém vai mudar a história que é do meu nome. Olha a família de longe, não deixa de ser um ecossistema familiar.
É, exatamente. Por mais os B.O.s que a gente tenha por trás, cada um no seu quadrado.
Cada um no seu quadrado, a Del Veneto é uma cliente da fazenda, a Del Veneto não é a fazenda, eu ressalto bastante isso. Mas eh a história da minha família ninguém vai tirar de mim, então é, é o meu nono que começou, que me ensinou, a minha família da Itália, de que eu tenho super carinho e eles vêm pro Brasil, me ensinam muito quando eu vou para lá. Então assim, é uma relação muito próxima. E eu enxerguei isso: que, que não adiantava eu ter o fast-food ou o restaurante se eu não tinha o fornecedor de cortes especiais contando a história. Então assim, eh lá atrás, minha mãe ouviu isso de um, de um amigo dela, de donos de frigoríficos muito grandes aqui do Brasil, e aí ele falou para ela que era muito mais difícil construir uma marca do que um frigorífico infinitamente maior do que o meu. Porque assim, tem os frigoríficos hoje, os amigos dela são gigantescos, mas não têm uma marca, não comunicam o que…
São invisíveis no processo.
…não comunicam, não estão próximos com o consumidor final.
Eu visitei um dia desses, esses dias, no interior de São Paulo, um frigorífico gig… não sei se o nome é frigorífico, mas um, um abatedouro de frangos. Uhum. Cara, os caras são gigantescos, gigantes, mas assim, uma estrutura surreal, eh de impressionar mesmo, sabe? E eu olhava para a marca dele, nunca tinha ouvido falar a marca. E aí eu ficava tentando entender onde ele estava na cadeia de processos, porque a minha visão é marca, né? E é isso aí. Eu falei: “Nossa, cara, esses caras são tipo white label, é tipo invisível”. Os caras, eles estão no meio da cadeia de fornecimento, são extremamente importantes do ponto de vista da industrialização do animal e tudo mais, mas, cara, ele ele não tá nem interessado, o site dele é uma porcaria, sabe? Tipo, porque ele ganha dinheiro de outro jeito, de uma coisa commodity total, cara. Negócio de louco, é eficiência, como ganha… ganha 3 centavos ali no negócio e puf, esses três centavos na eficiência dá um salto de, de lucro para ele gigantesco. Acabou, ele não tá nem interessado na marca. Achei… eu achei louco, porque eu sempre trabalhando com B2B, fortaleço muito a marca, e, e é legal ver negócios em que a marca é quase irrelevante, que não deveria ser, poderia ser uma, uma nova fonte de negócio, né? Você criando a tua empresa aí, poderia ser um frigorífico criando uma, uma marca dessa. Diga aí, queria entender quais foram… E é legal porque a galera olha de fora, você tem 9 anos, já tem uma empresa, uma marca construída, e eu queria entender o como você construiu, quais foram os passos ali de construção de um, de um negócio. Porque, querendo ou não, pô, depende de um abatedouro, depende de fazer o procedimento da carne, não tem um shelf life tão grande, então você tem que sair distribuindo isso, precisa haver ponto de venda. Então, como que você construiu essa, essa extensão e hoje como que ele, como que tá o, o o andamento? Quais são os gargalos hoje dentro do… o que que é próprio, o que que não é? Assim, do ponto de vista, porque eu sou de marca também, é uma faca de dois gumes, porque se você, para garantir uma qualidade excepcional, começa a, a internalizar processos, você faz tudo menos construir uma marca, porque você passa a ser um… É, não é muito complexo, porque não é construir uma marca, educar o mercado, né? Colocar isso, porque o tempo de vida de alimento é muito ruim, a cadeia de, de venda é muito complexa, né? Então, sim, a cadeia do frio é, são muit… Nossa, é não, o transporte no Brasil, a logística é um dos maiores desafios.
Legal. Isso é legal também depois explicar um pouquinho como que você tá centralizada, se você tá centralizada, tá descentralizada, já tá atendendo o Brasil inteiro, enfim, como que foi essa, eh como foi essa construção, e depois a gente entra nisso. É legal entender o modelo de negócio que foi criado ali de trás pra galera entender o como que é, qual é o desafio, é a vida real por trás do negócio.
Vida real. Eh eu comecei lá atrás, eh eu acho que o que faz a diferença no processo é que eu me especializei muito. Então eu entendo muito: eu sei desossar, eu sei cada parte do animal, eu sei de como ele, como ele sai, sei como faz uma linguiça, sei uma salsicha, um salame, eu… uma defumação, eu conheço tintim por tintim.
Que legal.
Então isso acho que foi um ponto primordial. Eu não comecei sabendo tudo, então eu comentei aprendendo a desossa do básico, primeiros cortes primários. Minha família tem fazenda, mas nunca sou… ninguém me ensinou. Minha mãe não sabia nem onde ficava uma picanha, então eu aprendi por minha conta. Então eu ia em cursos eh de assadores, de churrasqueiros aqui em São Paulo. Eu era uma mulher, eu era muito nova na época. Eu sou nova, eu tenho 32, mas assim, na época eu tinha 22. É, tinha vezes em que eu falava a minha idade, as pessoas ficavam assim: “como assim?”. A dona de idade, tipo… A parte da idade acho que foi o maior desafio. Ser mulher também não foi fácil, porque o meio da carne é só homem. Eu nos eventos, e praticamente era só eu de mulher trabalhando, o resto eram mulheres acompanhando os maridos. Tinha algumas… não existia mulher. Hoje ainda tem, graças a Deus, eu tenho algumas amigas já desse meio, assadoras de carne, mas no começo não existia mulher. Então me… eu precisei de muita coragem, muito foco assim no trabalho. Eu tinha o exemplo da minha mãe, que era uma mulher também no meio dela também de… e ela sempre falou assim: “Flávia, a competência fala mais alto, então estuda, seja muito boa, não tem o que falar, ninguém vai olhar para você eh não é porque é novinha, não é porque é bonita, não é porque qualquer coisa, é porque você sabe muito do que você tá fazendo”. Então isso… baita cons… foi lá atrás, foi fundamental assim para, para passar por cima de n situações desagradáveis. Não tava nem aí, eu tô lá para trabalhar, eu sempre estive para trabalhar, eu sempre fui obcecada pelo meu negócio, obcecada em atender bem o cliente, entender bem do meu produto. Então, lá atrás eu comecei primeiro com a desossa normal, só os cortes. Aí eu fui primeiro estudar uma linguiça, como fazer uma linguiça, porque eu não sabia fazer linguiça. Então eu fui estudar como fazer linguiça.
Aí, só, só um ponto: você no comecinho, ainda mais nesse começo, em que você tá numa fase de aprendizado… Uhum. …eh você também tá num, num cenário em que você precisa investir em aprendizados, criação de processos, criação de mercado e tudo mais, mas em paralelo ganhar dinheiro para pelo menos se, se bancar. Então você foi fazendo esses cursos, aprendendo na raça, que hoje é o seu grande diferencial para você ser a mulher do porco, né? Todo esse processo mesmo, você precisa fazer, você vai fazer, mas você comprava o porco da fazenda da família e aí você alugou um frigorífico para fazer, e você…?
Exatamente, eu aluguei uma sala, um lugar, nem era… Primeiro eu peguei num terceirizado alguns dias de desossa, arrendei uns dias de desossa, aí depois eu consegui o meu primeiro espaço, adaptei, tinha câmaras frias, e construí tudo, assim, todos os maquinários. Meu nono tem muito uma visão de ferro-velho, meu nono ele construiu tudo, então acho que eu tenho essa…
Legal.
…paixão de criar coisas assim. Não sei fazer serralheria, mas eu sei pedir o que eu quero, mas eu sei tudo assim. Não tem o que eu de máquina que eu veja que eu não queira criar, que eu não vou atrás de encontrar um jeito.
Que da hora.
Então, lá atrás assim, eh foi muito com, com entender na raça. Na raça. Não tinha recurso, foi com a rescisão da, da Tetra Pak na época, que eu coloquei toda, depois tinha um carro, o eu eh coloquei o dinheiro todo do carro na minha empresa. Então assim, foi 100%: “tô comprando uns porcos, ó, aprendi uns cortes, vou fazer”, já fez, vendeu, putz, aí fiz outros cursos, tal, tal, tal, com… Eu fiquei um ano sendo a única vendedora da minha empresa, sozinha. Então, um ano visitando os primeiros clientes, então, abrindo, testando como que… como era falar com os donos de restaurantes. Então, depois… hoje eu falo que eu tenho bootstrap real, mano. Eu tenho muito domínio para ensinar qualquer parte da minha empresa, da minha operação praticamente, porque eu já fiz um pouco de tudo. Então, eu faço ainda bastante coisa, mas eh eu sei lá atrás o tintim por tintim. Então assim, isso o tempo… e eu falo isso como líder, eu acho que é bom às vezes em alguns aspectos, às vezes eu vou muito no detalhe, não deveria saber saber tanto, mas assim, é importante também saber. Eh poderia perder tempo contratando gente mais sênior. Todo mundo fala: tem duas alternativas, você tem dinheiro, você já contrata mais sênior, ou você vira essa pessoa sênior para depois ensinar as outras. Eu fui dessa alternativa mais low cost. Então, eh isso me deu o domínio de saber de todas as partes do meu negócio, seja financeiro, seja administrativo, seja RH, seja logística. Já tive carro próprio, já tive vários carros, hoje tenho mais terceirizado, porque também dava problema de mecânica. A logística refrigerada hoje no Brasil é um dos maiores desafios. Hoje com a minha marca é crescer a logística, já é um B.O.
Logística refrigerada é ao quadrado isso, é loucura!
…nível de mecânica, cara, eu tive 17, 18 carros.
Pelo amor de Deus, que inferno.
É carro quebrando…
Nossa, é batida, meu Deus.
…um monte de caminhos também.
O cara é desesperador.
É, o… a logística é uma dor assim, bem grande, Brasil, é refrigerado, termoquinado. Nossa. E o recebimento não tá com a temperatura certa, os clientes medem. Então assim, gente, é uma coisa complexa, foi, continua sendo, os desafios vão mudando. Sim, mas foi, eu acho que o… eu já enxergava lá atrás de que a Del Veneto ia ser um, eh um frigorífico para fornecer para, eh para restaurantes e varejo. Varejos. Eu entendi que era uma coisa depois, primeiro eu tinha que estar muito bem estruturada internamente, a os processos da fábrica, a minha equipe tá bem redonda, e a gente vai aprendendo constantemente, evoluindo em maquinários, então comprando mais maquinários para alguns processos automatizar, mas só que automatiza sem perder o artesanal. Então tudo foi, foi maior construção e eu acho que o, a principal coisa é não desistir, porque no meio do processo não foi rápido, não foi o todo. Por eu ser jovem, foi positivo nesse sentido, porque eu não tava preocupada em ganhar dinheiro, tava preocupada em construir minha marca.
É isso.
Eu não tava preocupada em ganhar dinheiro, tirar dinheiro lá, consequência se acontecer.
É, é. Não, e foi… demorou muito tempo, não foi, gente, aquela, aquela… porque assim, e a minha… o meu negócio, ele envolve maquinários, envolve… então assim, todo dinheiro vinha, só que era reinvestido toda hora, era 100% no negócio. Ou era… se eu tinha dinheiro, eu pensava: eu vou aumentar para mim ou vou contratar alguém mais caro, do mais caro. Só preciso, eu só preciso do… eu só preciso do mínimo para, para mim e o máximo para de ver.
Conseguiu, sempre conseguiu ter essa prudência em termos de vida pessoal, a ter uma vida simples eh e não colocar o carro na frente dos porcos?
Sim, foi boa essa. Eu fazia escolhas assim, financeiras, por exemplo: eu morei sozinha, fiz, eu era independente, trabalhava e tudo. Voltei para empreender, voltei para a casa dos meus pais, uma economia.
Legal.
Ah, queria estar com… Antes, eu só saí da casa com meus pais quando eu casei agora, com 30, ano passado. Eh queria estar com a minha casa, queria, mas eu pensava assim: por que que meus pais sempre foram tranquilos? Eu trabalhava, eu só vivia trabalhando, voltando para casa. Isso. Por que que eu precisava ter uma casa? Por que que eu precisava? Não precisava, não era menos independente por causa disso. Era uma visão de onde investir meu dinheiro.
O sucesso deixa rastros, né? Você não vai… você começa a ver assim, você não constrói do dia para a noite, né? Você começa a ver a história, você fala: “Nossa, por que que será que tá super eh bombando, eh se tornou referência?”. Cara, é só ver a história. Tá vendo? Por isso que a gente gosta sempre de pegar contexto e conhecer a história da pessoa, porque deixa pistas, deixa rastros, não foi do nada, não foi. Ah, quer… por isso que talvez algumas vezes você fala: “Pô, por que as coisas não dão certo para mim?”. Você coloca seu dinheiro na frente, você pega mais dinheiro do que precisa da empresa, você troca de carro, você tem um carro acima do que você deveria, você tem, você mora num lugar acima do teu padrão de vida, que sua empresa… aí, amigão, não dá para ficar reclamando, cara. Se você parar para analisar as pessoas que deram certo, foram pessoas que pagaram preços na hora em que eram necessários. Olha aqui a história da Flávia.
Sem ativos assim, meu objetivo sempre foi os ativos foram a Del Veneto, é isso aí. Então, eh e eu também tenho uma outra coisa: abdicação de tempo também. As pessoas acham que é, é… eu ouvi uma vez uma pessoa falando assim: “Flávia, ai, como que eu posso ter uma empresa?”. Ela faturava até mais do que eu, minha empresa e, ah eh “como que faz para ter uma empresa como a sua?”. E aí ela me contou lá atrás que um dos valores era não abrir mão de finais de semanas em casa. Aí eu falei: “Olha, eu não sei ainda como construir, eu não sei te contar, porque para chegar até hoje, eu ainda consigo um pouco mais abrir mão, de que eu consigo em alguns eventos grandes assim colocar mais gente para trabalhar para eu não precisar ficar o evento inteiro”. Mas assim, o começo não era assim, gente: era entrega total, era final de semana, eu vivia, eu respirava Del Veneto, eu respiro até hoje Del Veneto. Mas assim, tem que abrir mão, não tem como achar que vai ser. As pessoas acham… minha maior irritação é aquelas pessoas que querem vender empreendedorismo: “ai, trabalhe menos, não tenha, não tenha chefes, liberdade de tempo”. Tá bom, a gente falou de liberdade de tempo, mas gente, tem liberdade de tempo, só que à noite você vai ter que resolver mais, trabalhar mais. Na verdade, é flexibilidade de tempo.
Você tá ferrado. Flexibilidade é achar que você não vai… não existe preço. Ontem, ó, estamos numa segunda-feira, ontem eu tinha que mandar uns e-mails até segunda às 10h, eu vi que minha agenda tava ferrada, comecei a trabalhar às 18h ontem, com a minha filha brincando na sala, e terminei meia-noite. E aí até terminei e falei para a Raísa, falei: “Cara, e tem gente que acha que é fácil, e cara, é isso, ah eu gostaria de estar ali fazendo aquilo, não gostaria, mas tem que fazer, acabou, tem que reclamar, enxuga as lágrimas e faz. Tá louco?”. E é isso, não que a a moça não deveria ter talvez um foco em priorizar finais de semana para a família… Sim. …mas não é assim, isso não pode estar numa, numa cláusula, é numa, numa cláusula pétrea lá de que, ó, não pode. É, eu não, eu não acho que, que eu acho que cada um tem os seus limites e os seus padrões, e acho que tá tudo certo você pensar: “eu quero… é, eu quero empreender e ter os meus finais de semanas”. Só que é isso: “eu quero empreender e ter os meus finais de semanas”, são dois, dois finais de semanas a menos que você dedica pro seu negócio. Então você tem que ver que o alongamento do, do, do que você pode conquistar tá para a frente também, não tem problema. Se tiver, se você tiver isso aí, se você tiver a expectativa, acabou.
É, e também com o cônjuge também acho que é muito importante, porque isso é super importante. Empreendedor com cônjuge, cônjuge errado é, é doideira, é doideira.
O meu marido ele é médico, então, nossa, é pior do que o… vida de empreendedora.
É igual, a gente entende. Correria, ambos estão na correria.
Ou tá estudando, ele também estuda muito, trabalha muito e tá sempre mais pós, mais não sei quê, mais especialidade. Então assim, a gente se divide, a gente se organiza assim. Não falar que de final de semana eh eu não vou me dedicar, não vou fazer cursos, não vou fazer as coisas. O meu… eu trabalho no meio de alimentação, comida envolve. Eu assim, horários, eventos, estar presente, é noites, faz parte, eu escolhi. As pessoas olham o meu Instagram, falam: “Nossa, como você dá conta de tanta coisa?”. Organização. Eu acordo, saio de casa 6 horas da manhã com a mochilinha, vou pra academia já, direto pra empresa, depois para eventos. Assim, gente, não tem jeito, faço duas coisas ao mesmo tempo. Quando a… se eu tô fazendo cílios, eu tô fazendo reunião junto no fone, é assim, não tem cara.
Isso aí eu acho, eu acho impressionante a capacidade da mulher empreendedora, a mulher é muito mais organizada do que o homem e ela consegue dar… Eu já, eu já tive essa discussão com algumas mulheres aqui do podcast assim, o porquê eh temos tão poucas mulheres empreendedoras eh do ponto de vista mundial, assim, não é nem só país, né? Eh porque você pega reuniões de negócios, reuniões de networking e tudo mais, e em vários mercados tem um, um número bem pequeno de mulheres. Aí, aí dá para você entrar em machismo, estrutura, tal, tal, tal, até em eh antropologia, a origem da mulher lá nos primórdios da sociedade cuidando, enquanto os homens saíam para caçar. Eu acho que não tem muito esse negócio de feminismo, machismo, não entro muito nessa, nessa nessa doideira, não. Tento ir para uma coisa mais antropológica mesmo. Mas das mulheres que resolvem, que são empreendedoras e que resolvem pegar firme no empreendedorismo, as [ __ ] são extremamente complexas de competir. Quando, num dos mercados em que eu atuava, quando entrou uma mulher empreendedora, que eu olhei e falei: “Essa daí é empreendedora”. Porque tem mulher, como tem… tem pessoas que empreendem, homens e mulheres, não são empreendedores, empreendem por n coisas, às vezes uma, uma um golpe do destino, alguma coisa que mudou, aí a pessoa começou a empreender. Mas a pessoa que empreende por ser empreendedor é diferente. Aí quando você pega uma mulher empreendedora, bicho, é isso aí, é impressionante. É 100 funções ao mesmo tempo, pensa em 600 coisas ao mesmo tempo, faz reunião fazendo cílios, e é imbatível porque… e uma liderança sensacional, sensível do ponto de vista eh de toque humano, de sensibilidade com as pessoas e tudo mais. A mulher é um é um bicho que, quando falo bicho trazendo todos nós ao nível de bicho, eh é um bicho que quando resolve empreender é imbatível, na minha, na minha cabeça. Então, pô, parabéns.
Estamos chegando no final, mas eu, eu tenho uma pergunta, eu sei que você tem mais uma. Cara, voou o podcast, cara, mas podcast bom é assim, falei que ia ser emblemático, muito rápido. Eh em algum momento você viu que você tava no mercado criando disrupção a todo momento, criando mercado, criando coisas diferentes, fazendo benchmarking com mercado paralelo, trazendo para pro universo da carne de porco. E pô, você tava com inúmeras dificuldades, de que você poderia simplesmente sentar e reclamar de que o mercado não tava entendendo o que você tava querendo entregar e tudo mais, até que você vê que eh a parte de, de ensino é uma coisa importante. Em que momento você vira a chave? E isso foi desde o começo de você falar: “Pô, eu preciso começar a produzir conteúdo, eu preciso me tornar referência, eu preciso fazer marketing pessoal, eu preciso ser a pessoa, eu preciso ser Forbes, eu preciso aparecer para que eu seja um canal de aquisição da minha empresa e puxe essa, essa relevância pro, pro fundador, né?”. Que é uma coisa de que a gente fala muito, para que a minha imagem puxe bastante relevância também pra minha empresa. Isso também foi estratégico? Como foi essa, esse passo a passo aí na tua trajetória?
Foi, acho que nos dois primeiros anos eu ainda foquei muito no Instagram da Del Veneto, depois eu já entendi que a Flávia tinha que aparecer, e aí uma pessoa me falou: “Flávia, você só fica mostrando… cozinhando”. Ainda eu ia nos eventos só o prato, falou: “vai aparecer sua cara”. E aí, desde então, eu virei uma chavinha e assim, entendi que eu não queria que minha marca tivesse que pagar um chefe. Eu sei cozinhar, eu, eu sou a a cara da minha marca, então eu cozinho, dou as aulas show, eh tenho hoje, graças a Deus, uma rede de amigos chefes assim, incríveis. Mas eu tô escrevendo o meu livro.
Que legal!
É o meu primeiro livro de receitas de carne suína do Senac. São 30 receitas minhas e 15 de chefes convidados: Alex Atala, Luiz Filipe do Evvai, Rodrigo Oliveira do Mocotó, Roberto Ravioli, têm chefes renomadíssimos.
Caramba! E quando que lança?
Agora em setembro.
Olha, tá chegando, hein? Já tá chegando.
Dois anos assim, no forno, demorando. Nossa, é um processo, porque não é um livro de escrita, é um livro de receitas, aham. Tem a minha parte da minha história, mas é uma… não é tão grande, mas a parte de receitas dá muito trabalho, revisão.
De fato, você tá… você tá trazendo literatura pra carne de porco mesmo.
Exatamente, e, e para mim foi uma grande conquista ser o Senac, porque eu já fiz aula lá e, quando eu via, era só picanha, é costelinha e lombo. Eu falei: “Nossa, agora eu… a gente tem tudo, tem receitas super diferentes”.
Legal, cara. Putz, que legal. E aí, e, cara, e também muito antecipado: você começou a produzir conteúdo 7 anos atrás, então, olha isso, porque também a visão que você sempre teve de longo prazo, isso é, isso é uma coisa que chama atenção. É, eu queria entender essa visão de longo prazo: o que que você enxerga daqui para a frente para a Del Veneto? Você é uma pessoa que acerta muito a visão de longo prazo, você tem uma, você tem um norte muito bom, porque várias coisas… coisas de que você fala como normais são, normalmente, gatilhos e buracos em que os empreendedores caem. Falar não pras oportunidades, saber focar, colocar a vida profissional na frente da pessoal…
O empreendedor que tem 10.000 projetos, né?
É, o cara quando começa a dar certo, ele fala: “Ah, acho que hamburgueria tá dando dinheiro, agora vou pro outro, outro”. Eu percebi que o teu… você é uma pessoa muito determinada e essa visão de longo prazo, mais a sua determinação, faz com que você tenha um caminho de aqui, claro, com vários problemas óbvios que a gente não comentou aqui, óbvios, normais de uma vida, mas você é uma pessoa muito decidida e isso fez com que você evitasse vários percalços normais do empreendedor, que é um pouco desfocado, que sempre tá pensando em coisas novas e tal. E você não, muito determinada e focada. Então, a sua visão de longo prazo me chamou a atenção. O próximo passo, qual que é? Vai que a gente pega algum insight aqui, né, para entender o que que você tá, o que que você tá traçando agora pros próximos passos.
A mesma coisa que lá atrás, na verdade, eu criei a Del Veneto para ser a referência número um em carne suína no Brasil. Então, tá nos melhores pontos de vendas de varejo do Brasil, nos melhores restaurantes. Ainda a gente tá só em São Paulo, eh mas o objetivo é crescer. É, os próximos meses, anos, na verdade, esses meses vai ser crescer dentro do estado de São Paulo, depois nos próximos anos em outros estados. Então, eh os varejos, eh o produto diferenciado, porcionadinho. As minhas embalagens, eu… era para eu trazer para vocês, mas ficou lá na hora em que eu saí, a sacola. Mas eu vou mandar, eu vou mandar para vocês verem as embalagens, vou mandar pro endereço da casa de vocês, fechou? Pode mandar. Eh as embalagens de que eu fiz porcionadas assim, estão chamando muita atenção. Então assim, sem referência, se eu olhar no mercado, até a escolha da cor: quando eu escolhi lá atrás a, a cor verde… Legal. …as pessoas trabalham com carne dura, é muito preto ou vermelho.
Sim.
E eu coloquei o verde porque o verde remete à natureza, fazenda, uma cor diferente lá na gôndola — só vê preto e vermelho —, e o Veneto até verde. Então assim, eh olhar elementos do que o consumidor valoriza, contar história e ensinar o consumidor a fazer, pensando muito em Air Fryer, pensando em coisas práticas, mas saudáveis, práticas, mas sem perder a saudabilidade, isso eu não abro mão. Tipo assim, crescer eh em tamanho, mas sem perder o artesanal e sem perder os ingredientes. Algumas coisas eu não mudo e não aceito mudar jamais.
Que show, é, que que é isso? É isso que é legal. O que que é o inegociável da sua marca hoje?
A procedência, a origem, ah e os ingredientes, a forma de fazer, o artesanal, a defumação natural com lenha de jabuticaba, então, os temperos… a gente usa o mínimo de sal de cura, que é obrigatório pela legislação, os temperos de que eu desenvolvia. Então assim, tudo… eh isso não, eu não abro mão, pode crescer, pode ser mais máquinas para automatizar, fatiar mais rápido, eh tem máquinas do meu… é eficiência, mas não perdendo o, o processo, o produto em si ser super diferenciado. Nunca você vai provar a linguiça da Del Veneto e achar que é igual a uma qualquer outra linguiça.
Cara, uma dúvida, e é o seguinte: por exemplo, pô, as pessoas estão ouvindo aqui: “pô, cara, eu quero experimentar essa linguiça da Del Veneto, como que eu compro? Eu vou ter que ir lá para São Paulo? Como que funciona?”. Eu sei que talvez, e como você já comentou, não tem no Brasil inteiro, mas você tem um e-commerce, como que funciona? Tem como comprar direto de vocês? Como que é o processo de compra?
No nosso Instagram, @delveneto, tudo junto, eh vocês entram, tem um e-commerce, mas também tem um WhatsApp para quem preferir, para tirar dúvidas, entender melhor. A gente entrega dentro do estado de São Paulo, não é todo, mas bastante regiões. E hoje, a compra online, ou em São Paulo (Mambo), Campos do Jordão, tem alguns lugares, São José dos Campos, eh Campinas, um breve Pão de Açúcar.
Breve Pão de Açúcar? Parabéns, meu, que, que projeto, hein? Top, né? [ __ ] gostei demais. Legal é a trajetória empreendedora, isso é… Parabéns, de verdade, parabéns de verdade, porque eh eu gosto de trazer histórias assim, cara, de um negócio super sólido, super legal, de várias barreiras normalmente que criam disrupção, né? Que é o que muita gente erra. Tem muita, tem muito empreendedor de que ele não é empreendedor, ele é inventor, e sabe o que que é o mais legal? Mas que ele não sabe colocar em prática, aí ele começa a enfrentar as barreiras do mercado e fica achando que o mercado tá jogando contra ele e que, no final, não puxa o protagonismo de entender o que precisa ser feito. E você é uma pessoa que sempre puxou, gostei para caramba. Empreendedorismo vida real, economia real. Porque muito se fala do digital, todo mundo cresce com serviço, com sistema, com digital, não sei o quê. Cara, crescer em produto desde a essência de fazenda, mão de obra, desossa, fazer a transporte… Então, tudo é muito complexo e dá para fazer, dá, tem oportunidade, Brasil, é isso.
E o teu Instagram?
@flaviabrunelli, tudo junto, com Brunelli com dois ‘L’s, a mulher do porco.
Muito bom, Flavinha, prazer te receber. Não acabamos ainda, eu vou agradecer os patrocinadores, vou te pedir licença rapidinho e aí no final eu tenho uma pergunta para te fazer ainda, tá bom?
Galera, olha esse podcast, a qualidade desse papo. Cara, esse podcast voou e dava para ter, e dava para ter feito mais um, pelo menos uma meia horinha aí, só de perguntas cruciais, sempre bateção de papo. Mas, cara, tudo isso aqui é graças aos nossos patrocinadores que acreditam no projeto do podcast, investem pra gente trazer esse audiovisual de qualidade de forma gratuita aqui para a internet.
Então, quero começar agradecendo à SMB Store, que desde 2018 tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar. Quero agradecer também à RZ3, transformando conhecimento em impacto real, porque negócios fortes movem o futuro. Eles são uma consultoria integrada que une estratégia, finanças, tributos e tecnologia para transformar complexidade em crescimento. Todo negócio precisa, ou vai precisar um dia, da RZ3, porque a complexidade não espera você estar pronto para ter que lidar com ela. Agência RPL, porque o mundo digital não para e o seu negócio também não pode ficar para trás. Eles são uma agência de inovação digital que acompanha tudo o que tá mudando na internet, desde o TikTok Shopping a agentes de IA, e traduz essas tendências em resultados práticos ao seu negócio. Polux: sabia que existe a oportunidade de pagar menos impostos do que você tá pagando atualmente? Eles são uma consultoria especializada em gestão tributária e gestão de crise que encontra, de forma legal, onde seu negócio tá deixando dinheiro na mesa. Semic Displays: quem vende forte no varejo só sabe, o ponto de venda decide a compra. Se a sua marca ainda não aparece do jeito certo no PDV, a Semic Displays resolve isso. Cross Host: quer dar voz ao seu negócio, alcançar mais pessoas? A Cross é referência em produção audiovisual para podcasts e eventos, com estúdios aqui em São Paulo e estrutura completa para quem quer construir autoridade de verdade, inclusive estamos aqui nos estúdios da Cross Host. E Max Service, contabilidade consultiva que fica do lado da gestão, não só do balanço e da burocracia. Enquanto a maioria dos contadores aparece na tua empresa uma vez por ano, eles estão na mesa de decisão junto com o gestor, com o empresário, especialmente para quem opera no Lucro Real.
E vocês que estão aí escutando esse podcast, depois de tantos insights assim, com certeza vocês no dia a dia de vocês têm várias dores, dificuldades e tudo mais. E parte desses patrocinadores são empresas e empresários que estão à frente delas, que são curadas pela gente, pessoas da nossa confiança. Então pode ir de olho fechado, porque muitas delas com certeza resolvem dores de que hoje você tá enfrentando. Tamos juntos, obrigado aos nossos patrocinadores.
Flávia, seguinte, pergunta final para te fazer. Primeiro agradecer, foi massa demais o podcast, aproveite bastante. Agora a gente estava conversando nos bastidores, pega isso, corta e, e usa, usa e abusa, porque eu tenho certeza de que tem bastante conteúdo aí que vai poder ajudar, porque são… a sua história é muito legal. Eh mais, pergunta final para te fazer: você tá com 32 agora, boa, 32 anos de vida, casada agora, com uma trajetória muito bonita, e ainda tenho certeza de que é só o começo, né? De muita coisa que você vai construir. Mas a gente, ainda mais que é novo, vive pensando sempre em longos prazos, né, entendendo que a ordem natural da vida é que a gente tenha uma vida longa, mas às vezes os planos de Deus são diferentes. Então, imagina que você tá saindo daqui, eh acontece um acidente, você bate o carro e morre. Bate na madeira aí, por favor, nunca aconteceu, com quase 200 episódios nunca aconteceu, mas nunca aconteceu. Mas é só pra gente trazer peso para a pergunta mesmo. Mas assim, ao longo dos seus 32 anos, com tanta disciplina, tanta, tanto foco, tanta visão de longo prazo, sabendo o que você queria, planos de… planos familiares e profissionais, se hoje, num piscar de olhos, você aparecesse na frente de Deus e, às vezes, com o peso até na consciência, falar: “Meu Deus, agora?”, e Ele falar: “Meu, Flávia, relaxa, a missão tá cumprida, você cumpriu tudo o que você tinha que fazer”. Mas a gente, a gente vive como se fosse para sempre, né? Se isso acontecesse, como que você condensaria 32 anos de vida num conselho? Sabe? Que conselho você deixaria?
Eu acho que saber o que quer, assim, ter clareza de onde você quer estar. Então assim, eh cada conquista foi fruto de um sonho e muito trabalho. Então, ter sonhos e trabalhar para isso, porque se a gente tiver só… fizer por acontecer… A disciplina… eu não era uma pessoa disciplinada, eu não era uma pessoa organizada, eu me tornei por ver referências. Eu sempre procurei gente muito melhor do que eu, seguir, acompanhar, eu sempre… minha barra foi lá, bem alta. Então eu entendi que eu precisava ser disciplinada, aprender a gostar do esporte, por exemplo, eh que era chato no começo e hoje é uma terapia, hoje eu adoro. Então assim, entender que tem coisas do caminho do sucesso de que você não vai abrir mão, mas ao mesmo tempo tem duas coisas de que eu falo assim… tem… eu tenho um quadripé, não é um tripé: eh saúde em dia, eh trabalho duro — quando eu tô trabalhando, trabalho com foco, não penso em nada mais, nada mais, até meu marido quando quer falar comigo, coisas, eu tô trabalhando, tô focada, nem ele fala, mas, mas eu tô lá fazendo isso —, e família também é uma coisa de que assim, eu falo, não adianta conquistar o mundo se você não tiver com quem dividir a conquista do mundo. Então não, a família é uma coisa para mim indiscutível. E Deus, meu quarto pilar, espiritual, é a minha base, tudo sem Deus eu não sou nada. E eu falo de Deus em todos os lugares em que eu vou, porque sem… e não é religião, é relacionamento com Deus. Para mim, relacionamento é o que me sustenta assim, o todo. Eu só aguento porque… vontade de desistir, gente, eu tive muito ao longo desse período, tá? Nos primeiros anos eu pensava assim: “Meu Deus, por que que eu fui empreender? Por que que eu não tinha uma carreira lá, um salário super bom?”. É, eu tenho uma vida, uma estabilidade pensando, e tive muita vontade de desistir. Deus nunca me deixou desistir assim. O o lado espiritual para mim assim é a base de tudo. Então, se eu tiver lá e falar assim: “Deus, eu vivi o meu propósito”, é porque eu fiz isso e falei eh do que me fez… do que fez diferença na minha vida.
É o que, o que te motivava. Eu sinto, eu sinto que Deus conversa muito com a gente através da nossa empolgação, eh tirando um pouco aquela empolgação superficial que normalmente vem de loucuras, né? Mas aquela inclinação que te sustenta, o que te motiva… Quantas vezes, possivelmente, se você fosse fazer, talvez agora um… passar uma régua na sua vida, nas suas duas vidas: eh uma que você viveu e outra que você não viveu, hoje no sucesso da, da tua empresa, da Del Veneto, e Veneto, né, da Del Veneto, e o quanto você já ganhou de dinheiro na pessoa física e tal, tal, tal, comparado ao quanto você teria ganhado na Tetra Pak, naquela famosa vida, e se… talvez na outra até você teria ganhado até mais hoje no payback atual. Mas no final das contas, não é isso, e o impacto… Hoje eu olho assim as famílias de que eu sustento, isso hoje vale o preço de cada isso de, de cada suor e lá, exatamente, quando eu vejo um funcionário trocando o carro, eu vejo comprando a casa, isso eu falo: as pessoas acham que isso não é uma conquista, talvez é uma das melhores conquistas do funcionário, é uma realização nossa também, nossa, cara. É igual a um filho vencendo na vida, cara. Então, cara, eh parabéns, e é isso, siga a empolgação de que eu acho que é um caminho legal pra gente eh escutar a voz de Deus, que é onde a gente tá precisando focar. Flávia, obrigado, parabéns.
Obrigado, foi um prazer estar aqui hoje.
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