Alavancagem nos EUA, Arbitragem de Crédito e o Mercado Bilionário de eSports com Portela | Além do CNPJ (EP #107)
A Nova Fronteira da Geração de Caixa e Distribuição Digital
Muitos empresários focam toda a sua energia em otimizar a operação tradicional e esquecem que as maiores alavancas de crescimento e proteção patrimonial estão em duas frentes ocultas: a distribuição de mídia digital e a arbitragem de crédito internacional.
No mais recente episódio do Além do CNPJ, gravado nos estúdios da Cross Host, recebemos Portela, gerente de operações da FaZe Clan no Brasil — a maior organização de gaming lifestyle e esportes eletrônicos do planeta, com uma audiência de mais de 350 milhões de seguidores.
Formado em Direito (“todo errado”, como ele mesmo brinca) e forjado no ralo do atendimento sob pressão em call centers, Portela traz uma visão visceral sobre o mercado bilionário dos eSports. Ele revela como o ecossistema dos games superou o esporte tradicional e entrega os “pulos do gato” sobre como pequenos e médios empreendedores brasileiros podem construir crédito abundante e barato nos Estados Unidos sem sair do Brasil.
1. O Império Invisível dos eSports: Audiência e Monetização Atômica
Para quem olha de fora, o universo dos games ainda é associado ao estereótipo ultrapassado do jovem isolado no quarto. Na realidade, o setor movimenta cifras trilionárias globalmente. A FaZe Clan opera como um clube de futebol de elite (como o Corinthians ou o Flamengo), arrastando multidões a arenas mundiais e gerando uma paixão fervorosa que dita o consumo da nova geração.
Portela gerencia a operação da equipe de Rainbow Six Siege no Brasil. Os jogadores moram em uma Game House premium de 400 m² em São Paulo com custos 100% integrados pela organização. A monetização do negócio expandiu-se da publicidade tradicional para a economia dos ativos digitais, através do licenciamento de uniformes e pinturas de armas virtuais (skins) dentro dos jogos, divididas via revenue share.
“O mercado é de bilhões. Um campeonato mundial em que nos classificamos gera milhões de dólares apenas na venda de uniformes virtuais (skins). O público médico, de empresários e advogados lota as arenas aos domingos. A molecada de 18 anos fatura salários fixos de R$ 20 mil a R$ 40 mil, fora as premiações.”
2. Vida Nova Financeira nos EUA: O Poder do ITIN Number
Um dos grandes insights compartilhados por Portela na mesa do podcast é a desmistificação do sistema de crédito americano para estrangeiros. O empreendedor brasileiro não necessita de um Green Card ou de um Social Security Number (SSN) para abrir contas em bancos tradicionais americanos (como o Chase ou Capital One) ou captar recursos.
Através do ITIN Number (Individual Taxpayer Identification Number), uma espécie de CPF para não residentes emitido pela Receita Federal Americana (IRS), qualquer empresário pode iniciar um histórico financeiro do zero, criando um score dolarizado totalmente isolado de problemas ou restrições que o seu CPF/CNPJ possua nos birôs de crédito do Brasil (como Serasa ou Boa Vista).
3. Arbitragem e Alavancagem de Crédito: O Jogo dos Inegociáveis
Nos Estados Unidos, o sistema de pontuação de crédito (Credit Score) varia de 300 a 850 pontos. Uma das grandes regras de ouro do sistema americano explicada por Portela é a Taxa de Utilização de Crédito.
Ao contrário do Brasil, onde o banco quer ver o limite ser estourado para liberar mais margem, o algoritmo americano penaliza quem utiliza o teto. Para explodir o seu score rapidamente, a regra matemática é nunca ultrapassar 30% de utilização no fechamento da fatura:
Ao demonstrar controle e liquidez, os bancos americanos abrem as portas para a Alavancagem por Transferência de Saldo (Balance Transfer). Essa estratégia permite captar até $100.000 ou mais, transferindo o limite de um banco para o outro com taxas zeradas de juros por períodos de até 21 meses, exigindo apenas o pagamento mínimo de 1% ao mês. É o legítimo uso do DDO (Dinheiro dos Outros) para injetar fluxo de caixa em novos negócios ou frotas de locação.
4. O Modelo de Alavancagem Patrimonial de Warren Buffett
Para empresários que buscam blindagem patrimonial absoluta e dolarização de receita de longo prazo, Portela revelou a estrutura utilizada por Warren Buffett para construir seu império: a alavancagem através de Seguradoras Americanas.
Ao aportar capital em uma apólice de seguro de vida estruturada nos EUA, o dinheiro rende juros anuais compostos baseados nos índices americanos (em torno de 9% a 9,5% ao ano). Após o primeiro ano, o empresário pode tomar um empréstimo de 50% a 80% do valor total diretamente com a seguradora, utilizando a própria apólice como colateral.
A mágica financeira reside no spread positivo: a taxa cobrada pelo empréstimo gira em torno de 4% a 4,5% ao ano, enquanto o capital total continua rendendo 9% dentro da seguradora. O empresário capta o recurso líquido, investe na operação no Brasil e ainda lucra com um spread de cerca de 5% ao ano em moeda forte.
Quer aprender a blindar o seu patrimônio, emitir o seu ITIN e aplicar as regras de alavancagem americana no seu CNPJ? Assista ao episódio completo agora mesmo!
Ler Transcrição Completa
Você pode pegar $800.000 com uma taxa de quatro ao ano, sendo que eu tô com aquele dinheiro meu rendendo 9% de spread positivo para você. Então eu tô usando dinheiro e ganhando 5% ainda. Alavancado e ainda faz margem positiva para você. Cara, parece mágica, mas é Estados Unidos, né? Estados Unidos. Aí muita gente ainda tem dúvida: “Ah, mas não tem perigo de uma seguradora quebrar, não?”. É mais fácil o país inteiro quebrar do que a seguradora, que ainda vai estar de pé lá. Por quê? Tem uma lei americana, vamos supor, falando no pé da letra, uma seguradora ela tem que garantir 100 vezes mais o valor que você tá aportando lá no seguro dela, no capital dela. Ela tem que ser seis vezes mais. Além disso, ela é obrigada a ter uma outra seguradora por trás que assegure ela. Então você tá com duas, duas margens de proteção. Tudo pode quebrar no país, menos uma seguradora. Até porque isso é efeito cascata, aí ferrou.
Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia de empreendedorismo vida real. E gente, hoje o convidado que tá aqui na minha frente é um cara de quem gosto muito, a gente se conhece há pouquíssimo tempo. Se a gente se conheceu num evento em que eu fiz uma palestra lá no Rio de Janeiro, e ele estava no palco antes de mim. Assisti à palestra dele e, cara, fiquei fascinado pelo conteúdo dele, pelo jeito que ele, que ele falava do assunto que ele estava tratando de uma maneira muito simples, né? E, cara, eu falava: “Cara, esse cara entende muito”. Inclusive, por conta disso, me tornei cliente dele, né? Sou, sou cliente. Depois a gente vai comentar melhor sobre todo esse, esse universo das coisas em que ele atua hoje e oferece pro nível empreendedor. Aí é uma coisa que eu falo para ele que tem muito potencial, inclusive a gente tá até avaliando possibilidades de justamente trazer isso para a galera do Além do CNPJ. Então é uma coisa que a gente tá conversando e, cara… Mas além disso, além das coisas que ele já faz e foi o motivo da palestra, ele é gerente de um dos times mais famosos de eSports, né, de esportes eletrônicos do mundo, cara, né? Chama FaZe, isso, FaZe Clan. FaZe Clan, cara, um dos times de games assim dos mais famosos, que ganham vários campeonatos mundiais e tudo mais. Cara, ele é o gerente. Eu quero entrar nesse universo também, porque a gente nunca trouxe alguém desse universo de games aqui para o Além do CNPJ, pro podcast. E depois, nessa segunda parte, a gente vai falar sobre esse sistema de captação de recursos e alavancagem patrimonial, seja com gastos de cartão de crédito, seja com abertura de contas internacionais, abertura de empresas nos Estados Unidos… O cara tem uma, uma bagagem sobre esse, esse tema de captação de recursos e alavancagem surreal. E isso é matéria importantíssima, imprescindível para o empreendedorismo. Tanto é que, quando eu assisti à palestra dele, já colei imediatamente, falei: “pô, muito boa tua palestra, depois vamos conversar”. Já dei a carteirada em cima do palco mesmo pra gente trocar a ideia. Tô aqui com o Portela. Meu caro, muito obrigado por aceitar o convite, vir trocar essa ideia comigo, viu?
Não, eu que agradeço pelo convite, né? Até mesmo como você falou lá no Rio de Janeiro e, logo na sequência, você de fato falou comigo. Eu expliquei para a minha esposa: “ah, ele foi gentil ali”. Meu, um cara como esse Felipe Cassola, pô, o cara tem 300.000 seguidores, já é empreendedor nato, tô começando agora, o que que ele vai fazer comigo? E, de fato, no outro dia já entrou em contato, eu falei: “Não, não tô acreditando”.
Que da hora, mano! E, cara, isso é… isso é muito porque a gente estava até conversando nos bastidores. Eh você empreende há pouco tempo, mas muito do que você faz, que para você é natural, primeiro, não é natural para o empreendedor que muitas vezes tá embarcado na operação, lotado de coisas para fazer, muita dor de cabeça. E, cara, às vezes você traz um pulo do gato aqui, uma solução que você tem de prateleira na tua bandeja para oferecer pro cara, que é uma mão na roda gigantesca, cara. E é isso que você tem feito. O Portela é um cara safo, um cara ligeiro, sabe? Tudo que hoje em dia eu dou uma olhada em determinados assuntos assim, eu já penso e falo: “Pô, deixa eu pegar a opinião do Portela para ver o que que ele pensa”. Então é um cara que tá sempre antenado nas coisas e a gente vai falar disso. Cara, o episódio de hoje de verdade é importantíssimo, assiste com certeza até o final, porque na primeira parte a gente vai explodir tua mente sobre esse universo maluco dos games que a gente estava conversando esses dias no jantar, no almoço, né? Eu falo: “Cara, que loucura, velho, é surreal os números do, desse universo”. E depois falar sobre esse sistema de alavancagem que para o empreendedor é obrigatório. Então a gente vai trocar a ideia. Mas, Portela, antes de a gente entrar nos dias de hoje, eu queria entender um pouco do Portelinha. De onde você veio? Onde você nasceu? Qual foi a sua referência, pai e mãe? Teve pai e mãe presentes? Não teve? Como foi esse processo? O que que você queria ser quando crescesse? Me dá um overview aí da tua vida até a vida adulta, cara.
Perfeito. Eh eu sou natural de João Pessoa, Paraíba. E, a priori, né, eu acho que desde sempre, desde molecão, o meu sonho era o quê? Era ser piloto de caça, forças armadas.
É mesmo? Que da hora! Sempre tive esse sonho, não tinha nada a ver comigo, com o que eu sou hoje. Eh como eu entrei nesse mundo de jogos, né? Meus pais sempre foram presentes, eu sempre fui louco por jogos, desde a época lá de Windows 95. Meu pai sempre teve computador, assim que eu me lembro, desde pequeno. Hoje eu tenho 33. Mas assim, desde que eu me lembro, meu pai já tinha computador na época de disquete, joguinho lá, Show do Milhão, etc. E aí, quando foi em 99 para 2000, veio a época febre de lan houses no Brasil, veio um jogo muito conhecido até hoje, Counter-Strike, etc. Comprei por R$ 10. Eu lembro que era dinheiro para caramba na época, pô. Dez contos na época era dez contos. Um cara lá no meu colégiozinho que gravou, eu falei: “Eu vou comprar”. E aí gostei, tudo mais, vivia na época de lan house. Eh quando eu fiz 18 anos, eu tive uma, uma seletiva online e consegui participar do primeiro campeonato mundial de um jogo chamado Point Blank, né? Era uma seletiva em que a gente não chegou a ganhar, o meu time, mas fui convidado por outros. Mas aí só foi isso, né, 2009, isso, 2009 para 2010. Deixei de lado, entrei na faculdade. Já tava com 18 anos, entrei na faculdade, mas sempre gostei de jogos. Então assim, se formou do quê? Direito, sou formado em Direito, todo errado.
Todo errado, nem, nem me pergunte assim.
Eu era considerado turista porque eu matava aula só para jogar ou para fazer qualquer coisa. Só me formei por conta da minha prima, literalmente, tá? Então eu já deixo bem claro…
Encheu teu saco, pegou a tua orelha.
É. E aí, assim, eu sempre falei para os meus pais: “eu vou te dar um, um diploma”, principalmente para a minha mãe: “você quer um diploma? Eu vou te dar, mas não vou trabalhar com isso”.
Mãe, você já falava?
Eu sempre falava desde os 13 anos. Não sei como, porque não existia nada naquela época, era mato, mas eu vou… eu falava assim: “eu vou viver de videogame”, não sei como. E todo pai, né, que tem sã consciência falava: “deixa de falar besteira, menino, vai estudar”. Aí, mais no Nordeste, que é o quê: ou você é advogado, médico ou concursado.
Caramba.
É, esse é o foco das famílias lá.
Boa.
Não importa se vai trabalhar para a prefeitura, tem que ter um concurso público para ter estabilidade. Então assim, eu fui todo errado, fui a ovelha negra da família. E aí eu, aos 18 anos, fazia faculdade, né, estudava, trabalhava de manhã e de tarde num órgão de trânsito lá que meu pai me arrumou um emprego, e à noite ainda eu chegava em casa, até, sei lá, 10 da noite até as 2 da manhã treinava com meus amigos.
Caramba!
Depois eu comecei a trabalhar em call center, né, contact center. Eu era basicamente da Sky: “Sky, bom dia, boa tarde, boa noite, em que posso te ajudar?”. Trabalhei quase 5 anos. Melhor coisa, call center, cara. Não recomendo para ninguém, mas é uma coisa que eu adorava. E se eu largasse tudo hoje, eu voltava para lá porque eu gosto demais. É, trabalho sob pressão, demanda, pá. Mas foi onde… exato, mas foi onde eu me desenvolvi. Eu era um cara muito, eh muito tímido também para falar com as pessoas. Você cresce todas as áreas da sua vida. Então eu gosto, gosto demais. Trabalhava Natal, Ano Novo, virada de ano, não para, 24/7. Folgava um domingo no mês só, o resto era durante a semana, mas eu gostava para caramba. E aí, mesmo nessa época eu fazendo faculdade, trabalhando no call center, eu jogava ainda em modo amador com meus amigos. Eu organizava campeonatos amadores, tipo grupo de Facebook.
Caramba, que legal!
E aí comecei… Desse jogo aí, Point Blank? Não, de outro já. Era Rainbow Six, por exemplo, que é o que eu trabalho hoje. É um jogo muito antigo de tiro também, de primeira pessoa, polícia contra ladrão, cinco contra cinco. A grande maioria é assim, o que eu trabalho hoje também. E eu já jogava esse jogo, Rainbow Six, em 2015 para 2016. E eu, eu entrei tipo de freelance assim, de trainee, em algumas empresas muito grandes que organizam esses eventos profissionais. Então entrei assim para pegar experiência de trabalhar de graça.
Que legal, cara!
Como tipo juiz, league ops. Tava de folga no centro da cidade de João Pessoa, começou a dar problema em um campeonato que tava rolando na, na plataforma. O pessoal abria ticket de suporte. Tava de folga, mas o pessoal me ligou: “Portela, sei que tá de folga, mas entra aqui para nos ajudar”. Falei: “Tranquilo, de graça”. Só para pegar experiência.
Caramba.
Tava organizando um campeonato que dava vaga entre as Américas, dava vaga pra China, de Counter-Strike. E aí foi num desses chamados que eu tava atendendo lá. Eu conheci uma equipe, atendi super bem, de boa. O pessoal me adicionou no Facebook, eh passou uns seis meses falando comigo, e aí, tipo, um ano depois, quase um ano, essa equipe foi comprada pela FaZe Clan, que é com a que eu trabalho hoje. É uma das… é o maior brand de game lifestyle do, do planeta. Mais de 350 milhões de seguidores nas redes.
Caraca, 350 milhões!
A gente foi a primeira empresa de gaming a atingir 1 bilhão de visualizações no YouTube também. Então assim, é gigantesca a empresa, tem vários influenciadores.
FaZe Clan, isso. F-A-Z-E espaço C-L-A-N. Caraca, bicho! Então assim, é gigantesca. E aí o pessoal: “Portela, gostamos de você. Não sei se você viu essa matéria aqui, a gente foi comprado pela FaZe, vai começar um processo de expansão, a gente quer contratar você”. Eu falei: “pô…”, nem botei fé. Eu falei: “Beleza, claro, só mandar a passagem que eu vou para onde vocês quiserem”. Ele: “tá aqui pro outro dia”. Basicamente fechou comigo: ó, final de ano, sei lá, era dia 17 de dezembro, dia primeiro de janeiro quero você em São Paulo. Cara, não conhecia nada, só tinha vindo uma vez na minha vida em São Paulo, não conhecia nada. Nunca tinha saído de João Pessoa e vai para lá. Falei: vou. Reação da minha mãe… João Pessoa, horário nobre, só aparecia Datena. “Não, você vai para São Paulo? Não, vão lhe matar lá, não sei o quê, assalto, arrastão à direita, Morumbi… onde eu moro hoje, a região. Não, só dá arrastão lá, vai não”. Falei: vou.
“Mãe, você vai morrer nos assaltos”, exatamente.
Mas não conhecia nada, cara. Eu, no primeiro ano, eu vim diretamente para Campinas. Fiquei um ano em Campinas. De lá a gente veio para São Paulo e tô aqui desde então, desde finalzinho, final de 2017.
Legal. E você veio com a ideia de, de o quê?
Eu vim para ser gerente deles aqui no Brasil, né, de uma equipe chamada… de Rainbow Six. É o nome do, do jogo que eles, que eles jogam, os jogadores jogam até hoje de Rainbow Six. E aqui a gente tem uma, uma operação, a gente tem basicamente uma chamada de game house, casa dos jogadores, eh um apartamento gigantesco, 400 metros quadrados, um quarto para cada um. Tem uma, uma mesa enorme, como essa aqui, para botar cinco computadores, um do lado do outro, tipo lan house. Eles vivem numa lan house 24 horas por dia. São jogadores espalhados pelo Brasil inteiro. Não, a gente é que paga tudo. A empresa… aluguel quem paga é a, a empresa, e o meu nome… eu represento eles no Brasil, então eu pago tudo: aluguel, eh alimentação, logística, tudo. Você só é pago para sentar a bunda aqui e jogar, e o cara ainda, além de não pagar nenhum custo fixo, ele tem salário. Um belo de um salário.
É mesmo, cara? Para jogar videogame?
Exatamente.
Que viagem, mano!
Então assim, uma molecada de 18 anos, cara.
Caraca, mano! Você com 18 anos… ó, são tempos atrás, mas molecada hoje, quanto você acha que ganha? “Ah, com 18 anos me formei, vou trabalhar com o que em São Paulo? Vai ganhar três pau no máximo, alto”. Quanto que eles ganham lá?
No mínimo 20.000.
No mínimo?
No mínimo, e o cara que mais ganha… depende, depende muito dos cenários. Aqui no Brasil ganha na faixa de uns 40.000.
Nossa, 35, 40.000?
Fixo, fora outros recursos que ganha, tipo de patrocinadores, etc. Só de salário fixo, tá? Lá fora a gente tem pessoas que ganham 50.000, o nosso salário é todo em dólar, então convertendo para você isso aí, tem gente que ganha R$ 300.000 por mês só de salário, fora premiação, fora tudo.
Na FaZe?
Na FaZe.
E a FaZe é um time de Rainbow Six ou é um time de qualquer jogo?
Não, de vários jogos. Rainbow Six é uma das modalidades.
Rainbow Six é um jogo?
É um jogo.
Aí temos outros. Pronto, o Rainbow Six é tiro, jogo de tiro, polícia contra ladrão. Também Call of Duty é uma franquia muito antiga, muito conhecida. A equipe, a empresa nasceu de Call of Duty. Então assim, hoje a gente tem Fortnite, Rainbow Six, FIFA… E tá em jogo de luta, tipo Street Fighter, né? Aquele Super Smash Bros. A gente tem também Rocket League, Halo, que é um jogo muito antigo. Temos diversos, PUBG, PES… PES de futebol, a gente estava com o FIFA, por isso, isso, mas existe também o cenário competitivo de, de PES. Tem jogos mobile que a gente tem, um PUBG de mobile, é um time da Tailândia. Então hoje as nossas equipes se concentram no Brasil, América do Norte, Europa e na Ásia.
Caraca, bicho! E aí a FaZe gerencia o quê? Como que… qual é o business da FaZe? A FaZe ela contrata os jogadores e ela ganha aonde?
Hoje nós temos duas divisões na empresa. A empresa surgiu da parte de criação de conteúdo, né, através do YouTube, do jogo Call of Duty. Como é que surgiu: a molecada chegava, fazia… a gente chama lá na, na gringa de trick shot, fazer malabarismo. É basicamente eu estava lá com a sniper no jogo, dava um 360 no ar e conseguia matar com um tiro na cabeça a pessoa lá sem mirar, [ __ ]. No scope que chama. Então assim, é um trick shot, é uma malabarismo, pô. O cara fez isso aí e é irreal, surreal. Aí ele gravava e jogava esses… fazia uns cortezinhos, jogava no YouTube. Foi crescendo assim. A molecada começou a participar de campeonatos que já existiam na gringa. Então hoje o nosso forte são duas divisões: a parte de conteúdo e a parte de eSports. Criação de conteúdo, a gente tem os maiores que se possa imaginar, tipo Bronny, o filho de LeBron James, é nosso talento.
Caramba!
Offset é um… ele não é muito da competição, ele é do… ele gosta também de jogos, mas ele não compete, ele joga por brincar, faz uma livezinha aqui no YouTube, por exemplo, né?
Parte de criação de conteúdo.
Isso, vai para eventos. Mas assim, são alguns talentos que a gente tem, entendeu? JuJu Smith-Schuster, que é da NFL, tem vários jogadores lá da NBA, da NFL, NHL, que são isso, que são nossos talentos. Ah, o Snoop Dogg era nosso diretor artístico também.
Caraca, da FaZe!
Isso, isso. O Offset, que é um rapper muito conhecido, esposo da Cardi B, que é outra gigantesca também, era um dos nossos acionistas. Tem muita gente envolvida grande lá fora, né? E, e aí a nossa parte de… a parte em que eu trabalho é a divisão de jogos eletrônicos, né, de competições de eSports, que é… como você perguntou, quais são as formas de monetizar: a gente tem um contrato, dependendo do, do tipo de, de jogo, né, com a, a publisher, que é a criadora, desenvolvedora do jogo. A gente às vezes tem algum contrato com ela, então já tem um contrato lá, a gente recebe x valor, porque querendo ou não vocês divulgam, né? A gente é um parceiro comercial, entendeu? Então a gente recebe valores lá. A gente tem, por exemplo, o nosso uniforme dentro do jogo, né, que é… são os, o revenue share, por exemplo: a gente recebe lá uma, uma parte dos dividendos lá da, da venda daqueles itens, tipo: “ah, tem um uniforme da FaZe aqui, a gente bota no personagem lá, na arma”.
Caraca! E o pior é que isso aí é que são as skins, né, que o pessoal fala. Isso aí não tem nem custo?
Isso, não. Porque, cara, você tá dando… só desenvolve e bota para vender. Você tá dando acesso a um uniforme virtual.
Exato, exato. Então a gente vende lá, uma parte fica para a desenvolvedora, criadora do jogo, outra parte para nós.
E, cara, vende muito isso?
Para caramba! Vende mesmo.
Mas a galera o quê, compra o uniforme da FaZe para jogar o jogo?
Isso, às vezes é skin. Eu não posso citar valores, mas dependendo, assim, em alguns casos ultrapassa alguns milhões de dólares de venda de skin, sim, periódico. Isso aí é periódico, não é anual, em determinados meses.
Um milhão de dólares? Caraca, bicho, que susto!
Para um evento às vezes. Isso aí é só para um evento. Ah, o campeonato mundial, se classificou, só em vendas ali. O que que surge… Isso a gente tem no FIFA também, tem lá o nosso uniforme com o Neymar jogando.
Caraca!
E faz mais de uma milha. Faz, dólar. Dólar, tudo em dólar, ou dólar ou euro, vendendo skin.
Isso.
Gente, vocês têm noção de que skin… Eu tenho um jogadorzinho que não é o Felipe Cassola, é o Felipe Cassola dentro do videogame, dentro do videogame. O Felipe Cassola lá, o meu bonequinho vai lá e vai ser o cara que vai atirar. Eu quero que a camiseta com que ele esteja vestido no jogo seja uma camiseta da Além do CNPJ. Aí eu vou lá e compro essa camiseta que tá na loja, que a Além do CNPJ vai lá, igual o Mercado Livre, cadastra. Quando vender, fica uma parte pro jogo, uma parte vem para a Além do CNPJ.
Exato, então é… é tudo virtual isso. Isso é uma das formas de monetizar: pintura de arma, tudo. Outra forma, de fato, é o merchandise comum. Nossos uniformes a gente vende aqui: a gente tem loja física, loja virtual, a gente manda pro mundo inteiro.
Produto físico.
Isso, produto físico, seja uniforme, boné, meia, cueca também tem, até cueca a gente tem, cara, se imaginar.
Caraca, bicho, tem tudo o que você imaginar. Que surreal! E a galera compra para caramba.
Compra, compra moletom. A gente tem grandes parcerias, sabe? A Champion, moletom da Champion é um parceiro nosso.
Sim, cara, esse negócio do time, para fazer uma comparação assim dessa galera vidrada em eSports, é uma espécie de time tipo de Corinthians. O cara torce para a FaZe.
Exatamente, e hoje é assim: tem, tem torcidas que são… a molecada é temática e a gente tem muito duelo com algumas equipes aqui no Brasil e no mundo. Tem as torcidas que ficam se esbarrando lá, parece torcida organizada. É um time de futebol mesmo, o mesmo nível de paixão, só que para, só para jogos eletrônicos, correto? Vão para o estúdio lá torcer, cara. Se tá ruim, reclama, vai atrás do jogador.
É mesmo?
Então, então essa molecada de 18 anos ganha uma grana, mas também tem uma pressão para caramba.
Cobrada, claro, é cobrada. Cobrada pelo pelo time?
É pela empresa, primeiramente por ele mesmo, pela empresa, pelos patrocinadores e pela torcida. Cara, os patrocinadores são sempre do time ou também têm de jogador?
Depende muito. Tem também patrocinador que a gente, dependendo do jogo, a gente consegue fazer personalizado para um jogador específico também.
Caramba, é um mercado.
Nossos patrocinadores são sempre do, do time.
Em termos de valor assim de mercado, qual é o tamanho de, de movimento assim de de grana? Você tem uma noção?
É a casa dos bilhões, tá? Eh se for assim, de modo geral, o cenário geral são trilhões de dólares. Por exemplo, a pandemia não existiu para a gente. A pandemia, por mais, né, terrível que seja no mundo, mas falando de negócio, foi a melhor fase, porque todo mundo estava trancafiado em casa querendo consumir conteúdo. Tudo estourou nas redes sociais, quem fazia live trabalhando com internet, sabendo criar conteúdo, você estourou, explodiu. Eu tinha moleque lá de… aqui no Brasil mesmo, né? Em outras equipes, eh da minha região mesmo, Paraíba lá, Rio de Janeiro, muito, muito moleque de família… eh de família não, que morava em favela, em comunidade mesmo, sabe? Não tinha nada em casa. Começou a sustentar a família fazendo essas lives, fechou contrato de 100.000. O moleque que não tinha nada, passava fome, que ia lá para a rua vender bala, tentar pegar alguma coisa no sinal, começou a ganhar 20.000 de um dia para o outro de contrato, entendeu? Que onde você ia lá e tomava…
Gente, isso com joguinho de celular.
Celular mudou a vida de muita gente até hoje. Então assim, foi um boom absurdo. Eh mas assim, só para você ter ideia, eu estava na Arábia Saudita ano passado, um… dois meses de campeonato, para eles o total da premiação: 60. Quanto é que custa uma Libertadores? Eu não sou fã de futebol, mas acho que é uns 20 milhões de reais, é. Ela era 60 milhões de dólares!
Nossa senhora!
Para você ter ideia, muita grana envolvida. Eu, eu nunca imaginei conhecer alguns famosos. Hoje a gente conhece, os jogadores lidam com jogador de futebol, cantores. Eu conheci o príncipe da Arábia Saudita, sentou do meu lado sem saber quem era, troquei a maior ideia de boa lá com ele, sem saber quem era o cara. Porque eu pensei: [ __ ], se o cara é da realeza, ia ter uns 32 seguranças no mínimo com ele. Ele estava de boa lá, sentou do meu lado, perguntou do Brasil. “Sim, sou dessa equipe aqui que tá jogando ali agora no na arena, né?”. E comecei a trocar ideia de boa. Quando ele saiu, o cara chegou: “Portela, com quem que você estava conversando?”. Falei: “Sei não, o maluco sentou aqui do meu lado, começou a trocar ideia de boa lá, falou inglês de boa”. “Aquele ali é o fulano, não sei o que, de 42 nomes lá, é o… quem é? É o príncipe da Arábia Saudita”. Cara, é muito louco, porque o jogo aproxima uma comunidade que às vezes você nem imagina, né?
E sabe o que é que é louco? Esses dias eu estava na Riot, eu fui lá na, na empresa lá conhecer a estrutura dos caras e eles estavam falando da persona que vai lá assistir aos jogos, que eles têm uma arena lá que todo domingo, se não me engano, tem jogos. Correto? E aí, cara, eles falaram que vão médicos, advogados, não é esse estereótipo que pelo menos quem é de fora pensa que é o nerd…
Isso.
…fundo de garrafa, fundo de garrafa, que é uma galera assim, empresário, eu falou, cara, que vai lá passar o domingo assistindo outras pessoas jogarem. E é uma vibração gigantesca, porque tem o time da esquerda, o time da direita e aí é pau o negócio lá.
Isso, as torcidas brigam lá, a guerra de torcidas.
De torcida. E aí eles falaram: “Cara, se você vir aqui, você não vai ver”.
O estereótipo da… não existe do nerd, não. Hoje a molecada sai, como eu falei, vive, vai para a balada com jogador, entendeu? Eh tem cantor — não vou citar nomes —, mas vive jogando com a molecada lá, com os jogadores, eles vão para a balada lá, ficam no camarote do cantor, entendeu? É outro mundo, é outro mundo. É um…
É, tá no hype igual o futebol.
Isso, são atletas de alto desempenho, só que ao invés de usar a parte física, usa pouco, usa mais o mental.
É mais o mental. E como que… pensando assim por esse, por esse caminho de business e de esporte, em algum momento o jogador de alta performance como um esporte normal, então assim, com 30 anos ele já tá velho, o cérebro para de funcionar ou a, a velocidade do reflexo diminui? Existe isso?
Exatamente, você falou: o cérebro hoje, perdão, o cérebro hoje ele se desgasta mais rápido que o corpo, o físico. Você tá malhando lá, ó, você, dependendo da sua idade, vai diminuindo a sua performance, mas seu físico tá em dia. O cérebro desgasta muito mais rápido. Então, como você falou, hoje é, é até mesmo o tempo de vida útil do jogador de jogos eletrônicos é inferior a um jogador de futebol, por exemplo.
Meu Deus!
É tipo 30 anos, 32 é o ápice ali. Tem jogador que vai até os 40 ainda jogando em time de série A, mas nos jogos eletrônicos não, é 30 anos ali. A média vai até 28, 30 anos, começa com 18. Então existe o desgaste real também no jogo. Justamente a memória e a fadiga muscular, né? Por mais tecnologia lá de luz… né, luz azul, etc., mas existe a fadiga muscular e também a memória muscular, que seria o quê: eu tô vendo um determinado ponto lá no monitor, é onde eu tô olhando, eu vou botar o mouse lá com, com a mão exatamente ali, é memória muscular. Com o tempo você vai perdendo isso, então assim, é dos 15 aos 26, 27 anos.
Anos, já tá tá velho. É que loucura, mano. Eu fiz essa pergunta já tendo certeza de que a resposta seria… Não, tem tiozinho de 50 anos estourando, cara.
Não, para você competir não tem, não dá, é muito difícil. Se você tiver cinquenta anos lá, dificilmente você vai pegar um moleque de 18, vai ser as raras exceções. Mas o bom é o quê: é como o futebol, quando você sai do gramado, você pode virar o quê?
Comentarista, algo do tipo.
Exato, tem um mercado enorme por trás.
Por trás também, exatamente isso, você também pode, entendeu, ser comentarista, trabalhar em equipes, na parte de staff, que é o que eu sou, sou gerente de equipe. Então tem várias formas, tem um mundo por trás.
E como agora, só pra gente já entrar na parte final desse tema, por exemplo, você lá é o, é o gerente de staff. Qual, como funciona o teu dia a dia? Qual é a tua obrigação? Qual é a tua, a sua missão como esse gerente? Fazer o negócio acontecer, dar resultado? Você gerencia o resultado do jogo ou você cuida da galera, da parte operacional? Como é essa estrutura que fica nas suas costas? Como que, que funciona isso?
Hoje eu sou responsável justamente por fazer toda a parte de infraestrutura da empresa e para prover os jogadores, né? Eu sou a ponta entre os jogadores e a empresa. Então aqui no Brasil, eu tenho que prover a infraestrutura, seja uma base para eles terem aqui uma casa, computadores de alta performance, eh toda a parte de alimentação — que querendo ou não, tudo o que você ingere influencia na sua, no seu metabolismo, na sua performance, tem tudo isso…
Nutricional?
…isso, a gente tem toda uma equipe por trás. Eh então assim, e eh uma secretária lá pro pessoal lá, logística para viajar, transporte, tudo eu que faço. Basicamente, eu, eu faço tudo para você aqui dentro, aqui da sua empresa, entendeu? Eu sou, vamos supor, eu sou a babá do jogador ao mesmo tempo, sou psicólogo, converso com eles.
E eh você fica próximo do cara mesmo.
Tem que ser, tem que ser, porque eles são minha responsabilidade 24 horas por dia. Eu tô aqui agora com você, e eles estão lá na casa, lá na game house treinando. Qualquer B.O. que der, aciona o meu celular. Eu saio daqui agora e vou para lá. Cara, assim, sou responsável 24 horas por eles, independente se eu tô de férias ou não.
São seis, sete?
Sete hoje, sete, que é o da desse jogo, só de um jogo chamado Rainbow Six.
E você cuida só do Rainbow Six?
Aqui no Brasil só eles. Aqui no Brasil só eles.
Caraca, bicho. Então você tem que ser responsável por tudo.
Isso, por tudo. Do jogo… Não, não, óbvio, eh a gente tenta lidar porque tudo o que você… se você tá com problema fora, né, tá com problema em casa, você traz para sua empresa, não tem como. Tem de conversar e tal. Eh teve um que descobriu que ia ser pai anos atrás, a galera que… os jogadores queriam tirar ele: “ó, não tá performando bem e tal”. Eu falei: “Cara, eu não vou tirar ele do time, ele acabou de ser pai, já conversou com ele, sabe como é que ele tá, a mentalidade dele?”. Conversei, demos uma… eu falei: “ó, o time precisa de você, etc.”. Eu conversei com os jogadores: “vamos se ajudar aí, vamos levar mais uma temporada, mais seis meses”. E nesses seis meses, ele foi o melhor jogador do mundo e a gente ganhou o primeiro título mundial em 2021. Isso da… da academia. Então assim, tem que conversar com as pessoas.
Sim, o Brasil é um bom… bom de jogo. Jogadores em geral, sim.
Caramba, principalmente nesse Rainbow Six. É mesmo? Vocês ganharam o último?
Isso, o último agora em fevereiro.
Caramba, que da hora, fevereiro de 2025.
Foram para lá. Qual que… onde foi o…
Foi em Boston.
E qual foi o prêmio?
Esse daí foram três… o prize pool foi acho que quase 4 milhões de dólares.
Nossa senhora! E como que funciona essa divisão quando ganha, entre o time?
Trinta por cento para a empresa, 70% para os jogadores, dividido de modo igualitário para eles.
Basicamente cada um ganhou 1 milhão de dólares?
De reais, já.
Isso, bicho. Mesmo assim, 30% para a empresa é pouco, hein, cara? Que paga salário, estadia…
Sim, mas é… como é que… tem os patrocinadores, é responsável por cada divisão, cada jogo, entendeu? A gente consegue manter.
Caraca, R$ 1 milhão de reais, mais um salarinho de 20 contos. Imagina um jogador desse com 20 anos, já é milionário.
Vinte anos, ganha dois, dois campeonatos desses.
E a direção, a direção disso, o direcionamento que vocês têm que dar para essa molecada para não se perder na vida.
É o que eu sempre falo para eles: guarda o teu dinheiro. Hoje, graças a Deus, não têm problema com isso, aí eles não têm. Então, no mínimo ali, 50% cada um guarda, dá para os pais guardarem ou eles mesmos fazem seus investimentos. Outros dão até 75%, porque aqui em São Paulo você não tem gasto com nada, Felipe. A gente traz vocês, passagem de avião, tudo, você só senta a bunda para jogar, você não come… você não gasta para comer nada, nada. Eles gastam besteira com iFood, essas coisas eles gastam, aí é problema deles. Ou então, no máximo, eles fazem: “Portela, vamos ali no shopping?”, aí já vai ali no Cidade Jardim, vai na, na LV, aí no máximo gasta uma vez no ano R$ 30.000 numa mochila. Não tem o que gastar, uma molecada dessa, entendeu? Mas a molecada tem… Mas isso hoje eles guardam tudo. Eu falei: “então tá de boa, quer gastar? Gasta”. Eles, eles não vão para a balada, só vão quando ganham algum título. Falei: “Vão, tá, vai pagar o camarote, eles estraçalham, vai dar R$ 10.000 lá o camarote”. Falei: “Paga tudo, e vai pagar a minha, que eu não bebo não, mas eu vou com vocês hoje”. É, mas eles não gastam com nada, são bem conscientes quanto a isso, porque eles… eu falo a eles: “Hoje você tá comigo, amanhã a gente não sabe”. E eu falo, “meu irmão, eu deixo claro para todo mundo: gosto de graça, hoje lá eu gosto de cada um fora do, do trabalho”, mas eu digo, “ninguém é amigo, a gente é colega de trabalho, amigo eu conto nos dedos, eu conto em uma mão quem é meu amigo. Então aqui é colega de trabalho, gosto de você de graça, mas lembre-se: hoje você tá aqui, amanhã você não performando bem, você tá na rua, cara. Então guarda teu dinheiro”, entendeu? É isso que eu falo.
Caramba, e a molecada tem consciência. Isso é legal, que você faz um trabalho de coach mesmo nos caras, sabe, tipo de pai mesmo, de…
É, eles sabem assim, eu sou muito preto no branco, eu sou meio grosso, eles sabem. Eu não aliso, fez besteira, vai ouvir merda, eu falo, tô nem aí, entendeu? A vida é assim, a vida não vai alisar porque eu vou…
E o, e o time, como que… como que é a gestão? Que eu fico pensando o seguinte: pô, querendo ou não, o business, o core business deles é o jogo, então eles precisam treinar, eles precisam performar, eles precisam criar estratégia, porque um, um jogo de tiro é um jogo puramente tático, né? Como que eles se organizam? Eles se organizam por conta própria? Existe um técnico?
Tem um técnico e um analista ainda por trás. Então assim, a gente… todos os jogos, né, são gravados. Você tem… o futebol fica gravado na internet, então a gente pega esses jogos, os, os VODs que a gente chama dos, dos times adversários, vamos analisar isso. E aí, semanalmente, é de terça a sexta que eles treinam. Sábado e domingo, quando tá tendo um campeonato, é onde eles vão para um estúdio aqui em São Paulo jogar contra o outro time in loco, e aí só têm a folga na segunda-feira, tá?
Caraca, terça a sexta é treino? Começa de que horas?
De 1h da tarde. De 1h às 2h, até as 3h é só tático: cada um entra no seu computador, vai estudar o que tem que fazer na sua posição. Cada um tem uma posição, digamos, é atacante, defesa, etc., vão fazer sua posição. Deu 3h da tarde, já tem um, um treino com outras equipes adversárias, a gente treina online.
Aí é pau.
Isso, mas ainda treina quanto tempo, mais ou menos?
Das 13h até as… são por blocos, são às vezes dois ou três times por dia. Começa o jogo mesmo assim, vamos lá, é das 13 horas o horário de treino, das 13h até as 21h, até as 20h, tem umas pausas para janta, lanche, mas tem pausa de 20 minutos. Cara, a molecada trabalha mesmo, eu tenho que tipo dar um… Por isso que o pessoal fala: “Ah, tem o trabalho dos sonhos”. De fato, a gente é realizado, mas quando você começa a jogar por dinheiro, não tem mais aquele prazer como antigamente. Não existe margem para erro, se você, você tá fora, é a sua pressão. Tem a sua pressão, porque se você tá ruim, você sabe que o time vai cobrar, a equipe vai cobrar, os fãs vão cobrar. Então assim, não tem margem para erro, então não tem tanta diversão.
Caraca, bicho, e molecada, hein? A cabeça deles tem que estar forte.
Isso. Antes de a gente ser campeão agora do, do mundo, eh na última janela de transferência que tem também, um jogador pediu para sair. Ele falou: “Pô, Portela, não tô mais animadão com o jogo, vou ficar em casa de boa, eu quero parar de jogar”. Aí o time se reuniu, falou com ele: “pô, vamos… como a gente pode te ajudar? A gente quer você, você é importante para a gente”, etc. Ele: “Não, beleza, vou… vamos ficar mais uma temporada”. A gente foi, ganhou o mundial.
Ganhou? Aí ele não parou.
Não parou, tá, graças a Deus, tá sendo ainda conosco.
Que da hora, cara. Puta de um baita do mercado, legal para caramba. E, cara, que, que futuro você vê para esse universo de games? Assim, você acha que uma coisa vai, vai entrar para uma coisa mais imersiva, de óculos de realidade virtual, sei lá, ou… e como que você vê a tendência para esses próximos anos do universo até que se cria em volta disso? Porque é a mesma coisa: quando abre lá um, um estádio, cria-se comércio em volta, tal, tal, tal. No universo digital, como isso funciona? E talvez quais são as oportunidades para empreendedores aí que estão olhando isso, falam: “Pô, que legal, seria um baita de um mercado para eu tentar me enveredar”. Dá um overview assim, tentando trazer isso pro palpável, pra vida real de quem não tá envolvido nesse mundo. Parte do que a gente tá conversando aqui, você já tinha me contado, mas, cara, é porque agora para mim não é novidade, mas aquele dia que você estava me contando, eu falei… eu, eu fui embora com a cabeça doendo, imaginando e, e naquele papo ainda a gente estava… não estava gravando, você me falava de números, eu falava: surreal o quanto isso é potencial, cara. Então, tipo, dá um overview assim, tentando trazer pra vida real da galera aí.
Então, pros próximos anos só tende a, a duplicar os números, porque assim, é o futuro. Hoje o futuro tá sendo todo tecnológico. Até 5 anos atrás, digamos assim, no Brasil não existia um cenário em que você podia falar: “Ah, eu sou jogador profissional, eu vivo por conta dos jogos, de joguinho de vídeo, de, de videogame lá do computador”. A galera que falava que era isso ganhava R$ 300.
Quem que você mantém? Você avançou muito em 5 anos.
Pois é, hoje você ganha… Tem gente aí, molecada com 18 anos andando de BMW, entendeu?
Caraca, gasta uma nota.
Então assim, o de fato só tende a aumentar esse mercado, porque as empresas principalmente estão abrindo os olhos para esse mercado, que é o futuro. A molecada hoje… hoje a molecada não quer saber de futebol. A molecada nova não sabe quem é Ayrton Senna, sabe quem é o Hamilton. A minha empresa é dos Estados Unidos, se você perguntar lá quem é Ayrton Senna, não sei. “Eu conheço no máximo ali o Hamilton”, porque americano mesmo nem curte Fórmula 1, é mais NASCAR. Eh eu, eu não posso falar algumas coisas, mas por exemplo, tratando de, de Ayrton Senna, já chegaram a… da família entrou em contato conosco pra gente ajudar nessa série que saiu lá do Ayrton Senna no Netflix, queriam fazer uma, uma espécie de um conteúdo global, um evento global com jogos eletrônicos, uma competição global para até reviver o nome dele, a marca dele, né? E, e divulgar ainda mais essa parte da Fórmula 1, que querendo ou não tá caindo de ombro. Aumentou agora, mas pra molecada teve uma, uma época aí que caiu bastante. As empresas começaram… porque você começa a analisar as novas gerações, as novas gerações não consomem, cara, o esporte tá fadado ao fracasso.
Exatamente.
Hoje, hoje tem um negócio chamado Kings League, que é um futebol só de estrelas aí de YouTube, etc. Tá dando mais visualização do que um futebol no convencional, pô. E ganham os jogadores… É, os jogadores de lá desse, desse joguinho amador, digamos assim, eles já… Chamaram o Neymar mesmo, queriam contratar um, o cara falou… agradeceu, mas: “vou ficar por aqui mesmo, que eu sou muito bom”. O cara recusou jogar com o Neymar no Santos.
Como? Espera aí, como que é?
Tá tendo um jogo chamado Kings League, mas tá rolando sim, Brasil, e é global, é daquele jogador acho que do Gerard… o esposo da Shakira, eu esqueci o nome dele.
Ah, do Piquê.
Piquê, ele criou isso lá na Espanha, hoje é global, tem aqui no Brasil. E aí teve um jogador que é de um time lá bem conhecido que o Neymar: “pô, gostei desse cara”, quer ouvir o nome dele, chamou ele, convidou para ser… para jogar com o Neymar no Santos quando ele voltou. Ele agradeceu, mas não quis, não quis. Para você ver lá, ele ganha muito bem e é, é tipo um futebol society, digamos assim, mas é outra parada. O nível tá chegando em… Hoje você tá tendo diversas oportunidades de fazer dinheiro, de ganhar dinheiro, se profissionalizar em diversas áreas.
Caramba, o cara criou tudo transmissão ao vivo lá, cara, tudo pela internet. Então assim, é o futuro.
Eu nem vi isso.
É o futuro, depois eu vou lhe mandar. É o futuro. Então assim, qualquer pessoa que queira investir tem diversas áreas, é só pensar de fato fora da caixa. Por exemplo, aqui eu tô aqui no seu estúdio, eu posso ganhar dinheiro como? Eu posso ter uma, uma equipe de eSports, posso estruturar bem, eu posso criar uma do zero ali, amadora, pegando série de acesso, etc. Eu posso fornecer os equipamentos aqui pra gente fazer isso, ó: microfone, câmera, tudo. Tem várias formas. Por trás das câmeras tem um mundo que você pode trabalhar, tem um background, porque você precisa… você precisa de estrutura, cara, infra. Cada evento desses vêm pelo menos 200 pessoas de fora do Brasil, é tudo de fora que eles trazem, eles trazem tudo: a cadeira é personalizada, os computadores vêm tudo lá da Suécia, da Dinamarca… é da Dinamarca. Vêm mais 200 pessoas, cara, a gente fecha os hotéis, são dois hotéis, seja Hilton, Sheraton, grandes marcas, fecha os andares inteiros superiores só pros jogadores, só pro pessoal que tá trabalhando. Para você ter ideia, são milhões e milhões envolvidos. A gente já teve patrocinador na nossa empresa… Nissan, Porsche, até ano passado era a Porsche, [ __ ]. A Porsche patrocinava a gente, cara, para você ter ideia, a FaZe e a Porsche são grandes nomes, entendeu? Então assim, tá tomando proporções gigantescas.
E, e você acha que ainda tem espaço para crescer?
Ainda vai crescer muito mais, muito mais. A gente já teve, nos Estados Unidos, pré-pandemia, teve um campeonato mundial de Fortnite, foi num estádio da, da NFL, por exemplo, dava 70.000 pessoas lá, era a Copa do Mundo do Fortnite. A gente até levou multa em Nova York porque a gente fez uma popupzinha, né, um standinho lá, em uma lojinha no centro comercial de Nova York, só que fugiu do controle, travou dois blocos, dois quarteirões do centro comercial de Nova York. A polícia foi chamada para controlar os fãs, que teve uma fila enorme, e a gente ainda foi multado.
Caraca, multa boa. Mas porque você abriu… vocês abriram uma lojinha da FaZe?
Isso, lá para o evento, mas tipo, tomou proporções… a galera lá estava travando o trânsito, não estava respeitando os fãs, entendeu? “Não, eu quero ver lá os nossos influenciadores”. É tipo a galera deusa, entendeu? Que é tipo você assina isso, Neymar: “Ah, assina minha camisa, assina minha chuteira”. O Neymar lá com a gente é o quê? “Assina minha camisa, assina meu mouse, assina meu mousepad”, [ __ ], entendeu? É muito louco, cara, isso. Eu já fui para o aeroporto, isso em Guarulhos, passando no raio-X normal para fazer o embarque, fui pegando… passei pelo, né, você bota na, na esteira lá sua bagagem de mão, passei pelo o detector de metais e fui pegar a bagagem. Do nada, dois tapinhas aqui no ombro, um segurança lá do aeroporto: “Você é o Portela?”. Falei: “Sou, da FaZe”, sou todo sério. “Pode tirar uma foto com você?”. Falei: “Claro, amigo”. O cara não deu um sorriso, mas tá lá na sala do raio-X tirando assim uma selfiezinha comigo. É muito louco, cara, porque você aparece no story dos caras, todo mundo conhece. Eu vi, eu vejo assim, pô, a gente alcançou vários nichos, a gente saiu da bolha, né? Até anos atrás era o que o jogador: “Ah, é um nerd, fundo de garrafa, aparelho, freio de burro, não sei o quê, fica lá vidradão no celular”. Não, que loucura, velho, furou a bolha.
Que universo, hein, cara? Portela, agora entrando na segunda parte do nosso podcast. Cara, muito louco esse universo de games, cara. É surreal, cara, é uma coisa que eu vou… eu preciso me antenar mais. Só que eu tenho uma tendência péssima de videogame: eu, cara, se eu começar a jogar, eu não quero parar, cara. Porque hoje em dia o jogo dos… o nível do jogo tá tão avançado que você não consegue brincar de forma madura, não sei se você tem essa percepção. Para eu jogar bem o FIFA, eu tenho que ter muitas horas de FIFA para conseguir ir pro online e não tomar 10 a 0. É um nível… Eu, eu estava jogando FIFA, aí eu fui… aí eu estava com o meu time mó bom, estava jogando contra a máquina lá, ganhando, fui para o online, eu lembro de ter tomado 10 a 0 assim do cara. Falei: “Nossa, e eu estava lá embaixo naquela… porque tem uma escala”. Eu falei: “Nossa, eu tô tomando do cara ruim, eu tô tomando 10 a 0”. Aí comecei a ficar puto, aí falei: “Eu vou desligar essa merda”, aí vendi o videogame.
Mas bem, eh cara, legal essa parte do jogo, mas também em paralelo você também é empreendedor e foi o motivo, inclusive, de que a gente se conheceu na palestra lá do evento lá do Rio de Janeiro do Will, que você falou sobre alavancagem, captação de recursos, e falou também, inclusive, do ITIN nos Estados Unidos, como criar teu, teu score lá americano. Cara, dá um overview sobre essa, essa nova face do Portela aí, sobre o que que… como que funciona, se, se desse para traduzir um pouco e, e resumir um pouco daquele tema da palestra, como funciona esse universo? Dá um overview para a galera aí.
Perfeito. Hoje é muito, é muito real, digamos assim, é muito mais… é muito, como é que eu posso falar? Ah, hoje qualquer pessoa, basicamente, você consegue se relacionar com o mercado americano, não é um, não é fechado como antigamente, não. Você não precisa ter: “ah, eu tenho que ter um Green Card, como é que eu vou conseguir um Green Card?”. É algo, né, irreal ali, muito difícil. Não, hoje qualquer pessoa pode se relacionar com os Estados Unidos. Você pode pensar: “Ah, tem as, as corretoras aí que eu faço investimento diretamente na bolsa de valores americana”. Não, não tem nada a ver, esquece isso. Isso aí é corretora — não vou citar nomes porque você não precisa —, mas assim, uma e tudo mais são corretoras, por mais que sejam abertas lá, ela tem toda uma ligação com os Estados Unidos, com o Brasil, né? Porque ela tá, ela tá… por exemplo, é do Itaú. Você é o garoto-propaganda, eu tô lá, eu tô… é no aberto de Miami, por exemplo, lá eu fui para lá, o pessoal do Itaú, pessoal do, do banco americano que eu fui, na verdade. E então assim, hoje essas corretoras você pode abrir a conta lá, via Itaú, você pode se relacionar com o mercado americano, comprar ações, o que você quiser. Eh mas você pode de fato ter conta em próprio banco americano, você não precisa ter uma corretora que é brasileira mas tem ação lá. Você pode se relacionar diretamente com o mercado americano, abrir uma conta em um banco americano, exatamente.
Você: “ah, mas eu não tenho o Green Card, o SSN, que é o Social Security Number, espécie de RG, tá?”. Não, tem um documento que é uma espécie de RNE — o RNE é um RG para estrangeiros aqui no Brasil —, lá nos Estados Unidos chama tax ID, ou ITIN number, uma espécie de CPF para não residentes, para pessoas estrangeiras. Boa, que você… Para que serve isso? Ao pé da letra, ele é um documento emitido pela Receita Federal Americana, chamada IRS, que é só para pagamento de, de impostos, tributos. Qualquer coisa que você gere valor nos Estados Unidos, você tem que tributar. Então eles facilitam esse processo porque, querendo ou não, se você tá gerando riqueza lá, você também… eles pegam você, você tem que pagar a parte deles, exatamente. Inclusive, eles obrigam isso para quem é imigrante ilegal lá. “Pô, você tá ilegal aqui, mas tá ganhando dinheiro, [ __ ], toma aqui para você abrir conta no seu banco, você precisa disso aqui, ó, abre aí”. Mesmo sendo ilegal, você pode abrir de boa, entendeu?
Entendi. São safos, querem dinheiro, tá ilegal, beleza, mas paga aqui. Até porque os Estados Unidos precisa de um pouco dessa base ilegal para movimentar isso. Então assim, com isso a gente consegue abrir conta em bancos, mesmo você morando aqui no Brasil, você não precisa ter o visto americano, tá? Você não precisa ter visto americano, nem sequer pisar nos Estados Unidos, não precisa lá, não precisa. A gente consegue abrir, tá? E não… com esse documento não quer dizer que você vai pagar imposto, só paga imposto se tiver dividendos de lá. Mas você consegue abrir conta em bancos, solicitar cartões de crédito, entendeu? E com isso você consegue se relacionar com o mercado americano, porque, por exemplo, eu uso o cartão americano aqui — deixei na mochila, depois eu te mostro, eu tenho aqui.
Ah, você tá com ele? Por exemplo, um… aquele exemplo que é o, o cartão lá, a gente pode pegar muito bem um cartão americano para utilizar no Brasil. Por quê? Eh você não tem nenhum tipo de taxa, seja IOF, seja spread, que é o que normalmente o seu cartão convencional tem quando você vai pro exterior, né? Cartão americano não existe isso, então posso utilizar ele lá fora ou em qualquer lugar do, do mundo, que é o que você tá mostrando. Cadê? Aí, isso. Esse é um cartão americano que o Felipe tá… e ó, esse aqui ó, é de metal. É de metal, ó. É, ó, bichão é brabo esse aqui. Então assim, você… eu utilizo eles até mesmo aqui no Brasil e eu ganho dos dois lados da moeda. Eu adoro quando o dólar estoura, tá na altura, eu falo: “Ah, eu vou usar esse cartão no Brasil porque se eu iria comprar, sei lá, R$ 30 de pães na padoca, eh vamos supor, ia dar dez dólares, vai dar quatro”. É, aí beleza, já saiu a fatura, diminuiu o valor, e quando o dólar baixa, eu pago, eu ganho dos dois lados da moeda.
E, cara, posso falar o que que eu vejo aqui? Cara, nessa hora eu sinto que a gente tá num país de merda, mano. Porque, cara, eu gasto lá tipo 600 contos, sei lá, aí eu passo o cartão, aí chega no meu WhatsApp lá: noventa e dois dólares, sei lá. Meu Deus do céu, que caro.
Exatamente isso, porque ele faz a conversão, ele te lembra toda hora que o… que a moeda brasileira é uma porcaria.
Exatamente, dá, dá essa raiva assim. Às vezes até brinco com meus amigos, não… deixa que algum amigo meu tem… Eu falei: “Não, paga aí, pô, tu tá ganhando em dólar, ele fica um puto sério, eu tô ganhando em dólar assim, não sou você não, que é contratado lá, isso é muito barato”.
E esse, esse aqui, gente, inclusive esse cartão aqui é do banco Carta, né? Eu abri… os dados estão aqui atrás, né, mas aqui na frente fica sem nada. Eh quem me deu toda a assessoria, que eu inclusive comentei no começo do episódio, que conheci o Portela no evento e contratei, foi o Portela. O Portela me deu toda a assessoria aí, ele que providenciou esse cartão para mim e tá fazendo o ITIN para mim lá.
Isso. Então assim, o ITIN, por exemplo, a gente dá entrada, leva em média três meses para ficar pronto, tudo digital, só ter o passaportezinho. Show de bola, a gente dá entrada. O ITIN ficando pronto, aí a brincadeira começa a ficar legal, já a gente começa a abrir conta em outros bancos. Esse, por exemplo, foi só com seu passaporte, você precisou de… mas nos bancos tradicionais, digamos assim, a gente precisa. Pegou o ITIN, já abre. A gente começou pelo Carta porque, querendo ou não, não se tem um score nos Estados Unidos, né? Então você já tá construindo um relacionamento bancário para depois, com o ITIN, transferir. Como que funciona isso aí? O cara que tá bem escorado, vai, com score bom no Brasil, isso e de alguma forma vai pros Estados Unidos, ou você precisa construir um relacionamento lá com os bancos também?
Nada daqui vai para lá. Esse negócio de Serasa e Boa Vista, Quod, nenhum dos nossos birôs de crédito vale nos Estados Unidos, tá? Para começar, a gente vai… começa, começa literalmente do zero. Então, para você que tem o nome eh ferrado, às vezes sua empresa tá passando por um momento delicado, vida nova, você consegue ter vida nova utilizando esse crédito no Brasil.
Isso, exatamente. Então isso é uma forma também para você que tá numa situação delicada, e a gente sabe que na vida empreendedora às vezes a gente passa por isso, cara. Às vezes é uma baita de uma possibilidade de você ter um crédito mais barato, mais abundante, utilizando no Brasil e dolarizando, às vezes, tua, tua, tua receita, cara. Então, escuta isso aí.
Exatamente. Eh então assim, é vida nova, entendeu? É vida nova, você não precisa de nada aqui. E aí o, o relacionamento é o quê: quando eu gero esse ITIN, com uma espécie de CPF, tem uma numeração única sua, aí quando ele é criado, os birôs, os bancos começam a mandar seu score pros birôs de crédito lá: Experian, TransUnion, etc., são os nomes lá, como fossem o Serasa. E aí sim, que você já começa ali com… na faixa de 600, 650 de score, o máximo é 850, no Brasil é 1.000 o Serasa. Então assim, com 700 já tá com score excelente, você vai pegar os melhores cartões, maior margem de crédito. E como se constrói score lá? Muito simples, um pouco parecido com o Serasa. Vamos supor, você tem 10.000 de limite nesse, no seu cartão, o principal é o quê: você pode pagar quando você quiser. Alguns bancos aqui no Brasil até não gostam que você antecipe sua fatura, eles veem mal, tá? Que é o caso, por exemplo, não sei se posso falar aqui, então deixa quieto. Pode falar. O caso do Santander, ele não gosta que você antecipe, para ele é como se você estivesse pegando mais crédito, cai o seu rating interno. É muita loucura.
O Santander… O Santander não sabia disso.
Pois é, ele não gosta que você antecipe, para ganhar… tem uma forma de antecipar lá sem deteriorar o seu score, mas, via de regra, eles não gostam. O banco americano é o contrário: eu quero o seu dinheiro quanto antes. Então se você tem 10.000 de limite, vamos supor, você tá usando o mês inteiro: “ah, atingi 10.000, antecipei; atingi, antecipei”.
Eu tô fazendo isso, às vezes eu nem atingi o limite, eu já tô pagando. Já vi que o dólar baixou, antecipa.
E aí o quê… O, vamos supor que o fechamento da sua fatura é amanhã, é 10.000 o limite total do seu cartão de crédito. Você já tá com 5.000 utilizado. O interessante é você não ultrapassar no fechamento 30% do valor total. Ou seja, se é 10.000 seu limite, deixa no máximo em 3.000. Tá em 5.000, antecipa hoje 2.000 pelo menos, se você não quiser quitar tudo, para quando for o fechamento da fatura, fechar no máximo com 30% de limite utilizado do valor total. Porque o banco americano entende o quê: o Felipe Cassola é um cara controlado. A gente deu para ele 10.000, mas eu tô vendo que ele é controlado, não gasta muito, então ele tende a aumentar mais o seu limite. No Brasil é o inverso: o banco vai te dar se você já tá utilizando muito: “ah, tá precisando de crédito, a gente vai liberar”. O americano não.
Mas só um, um exemplo: talvez eu esteja fazendo errado. Eu tô pagando, eu tipo, ah vi que o dólar deu uma baixada, eu vou lá, quanto que tem? Porque dá para pagar com o Pix, né?
Isso.
“Ah, quanto que tem? Tal”. Pum. E aí, a última vez que eu fiz, eu vi lá o valor exato, fiz o Pix, só que aí o dólar deu uma pequena variaçãozinha e aí não quitou a fatura inteira.
Não, mas aí não, não… isso daí não tem problema não. Mas aí o que eu fiz…
…agora eu já vejo lá quanto que vai dar a fatura, vai, um exemplo, tá? R$ 100, aí eu já transfiro 105, 110, aí fica lá o crédito positivo.
Mas aí não… zero, não quita inteiro, não. Você pode quitar inteiro, é o melhor. Mas eu digo assim, se a fatura fecha amanhã — não é o vencimento, é o fechamento da fatura —, o ideal é não ultrapassar os 30% do limite total que você tenha. Se você tem 1.000, deixar no máximo 300 utilizado. Se você quiser quitar hoje, amanhã já ela entra zerada, é ótimo, porque o banco tem o seu histórico, entendeu? Isso é ótimo, isso é ótimo. Mas nunca usar o limite todo, isso para não deixar no fechamento. Quando ela fechar, não deixar o limite todo utilizado.
Caramba, deixar no máximo 30%, sabia? Não sabia disso aí.
Porque o banco vê que você é uma pessoa controlada, então isso ajuda a liberar mais limite. Se você ficar…
Eu estava com os olhos de Brasil, eu estava querendo torrar tudo.
Isso é o inverso lá. Ele define assim: a minha análise, a minha análise diz que você só pode ter esse limite se você tá consumindo ele total e ele tá me pedindo… meu irmão, ou você tá ferrado, tá mal das pernas, ou você não tá com uma boa gestão financeira, eu não vou te dar limite, Felipão, sinto muito. Tchau e bênção.
Que legal, bicho! Não, tô, tô controlado, que bom.
Eles são assim.
É difícil gastar em dólar, cara. É, você, você gasta, mano, é sério, você gasta, gasta, gasta, gasta, não gasta o limite, cara. É impressionante, cara. Mas e aí o cartão ele vai te gerar por isso? E, óbvio, falando de benefício de cartão, o cartão americano é mil vezes melhor em benefício do que qualquer cartão brasileiro: milhas, tudo isso, né?
Isso, programas que você pode transferir, porque, por exemplo, falando de benefício de cartão, é mais para viagem, a grande maioria. Uhum. As nossas, as nossas parceiras aéreas são o quê: Gol, Azul, LATAM e alguns ainda têm uma parceria com algumas estrangeiras, como TAP, Iberia. O cartão americano, um único cartão eu consigo transferir para 18 companhias aéreas do mundo: American Airlines, Etihad, Emirates… Se todo mundo quer viajar na executiva da Emirates, etc., da Qatar, caramba, tem várias, são mais de 18, fora programas de hotelaria.
E quem quer te contratar, por exemplo, como eu fiz, o que que eu te contratei? Explica qual, qual foi a assessoria que eu contratei tua.
Isso, a gente vai fazer o quê: a construção do seu score nos Estados Unidos. A gente já deu um cartão de crédito para você e o principal, a gente já tirou, já processou o seu ITIN, o seu documento americano lá, uma espécie de CPF para estrangeiros. Tá no processo lá de criação que leva três meses, já tá, já tá para vencer agora.
Isso.
E aí, assim que ele for liberado, a gente já dá entrada em bancos para você lá. A gente vai abrir… se você já tiver ideia, alguns clientes têm ideia: “ah, eu quero o banco tal”, beleza, a gente vai abrir nele. Senão, eu vou pegar os melhores bancos…
Eu vou no que você me disser.
Isso, a gente vai pegar os melhores bancos, vamos supor, é o Capital One, o Chase, são grandes bancos tradicionais, muito bons. E aí a gente vai abrir conta lá, vamos pegar um outro cartão de crédito deles lá, sem anuidade, que vai servir pro resto da sua vida, isso vai ajudar, tá? Que tem benefício mesmo assim, cartão sem anuidade lá, que até uma coisa que você me falou também, que é o seguinte: lá no open banking deles, eles conseguem transferir crédito de um banco pro outro.
É isso que eu ia falar. Então, só para você ter ideia, cartão sem anuidade no Brasil não vale de nada. Lá você já tem pelo menos 200, 300 dólares de cashback gastando lá um, um mínimo lá que eles pedem. Até cartão sem anuidade já te dá algum benefício.
Caramba.
E aí o que é bom: a gente consegue fazer um balance transfer. Basicamente você vai fazer o quê: você vai transferir, você vai transferir saldo entre seus cartões. No Brasil, você consegue só transferir saldo de conta corrente, você não consegue transferir o saldo do seu cartão do Itaú pro seu do Santander, do seu limite.
Isso, do limite você não consegue. Você pode fazer um, um Pix utilizando o cartão de crédito, tá? Mas você consegue transferir o limite do seu cartão? Mas você vai pagar juros, tem toda… altíssimo e tal. Nos Estados Unidos, a gente consegue pegar, fazer o quê: basicamente pegar o seu cartão de crédito de determinado banco, transferir o limite dele todinho para um outro banco. “Ah, Portela, geralmente tem taxa?”. Sim, mas em alguns casos a gente consegue fazer o quê: transferir do A pro B com até 21 meses sem juros. Você tem 21 meses para quitar o saldo que você transferiu do determinado cartão para o outro banco.
Vinte e um meses? Quase 2 anos! Caraca, espera aí. Então eu tenho um… eu tenho, vai um exemplo, tá? 100.000 dólares no banco A. Pronto, 100.000 dólares aqui. E nesse aqui eu tenho 20.000, vamos supor. Eu vou transferir 100.000 dólares desse daqui para aqui para ficar com 120.000, e eu tenho 21 meses para quitar esses 100.000 dólares. O que que eu preciso fazer mensalmente?
Você precisa pagar no mínimo 1% da fatura do valor que você, que você transferiu.
Um por cento pela fatura? E, e sem juros?
Sem juros, 1%.
Então você tá de fato amortizando 1%?
Isso, até 21 meses eu pago sem juros, a única minha obrigação é só pagar 1% pelo mês. Até 21 meses você vai pagar 21% da dívida, 1% ao mês. A questão é o quê: até o 21º mês, que é o último, eu tenho que quitar para não ter juros. A partir do 22º, ia ter juros. Então até o 21º, se você pagar 1% ao mês, você vai pagar 21% sem juros nenhum. Falou isso.
E aí no último, no 21º, eu posso quitar o restante lá. E quando eu transferir esses 100.000 desse banco A pro B, o que que eu faço com esse dinheiro no B? O que que eu consigo fazer lá?
Então aí a imaginação é o seu limite, você pode utilizar que aí você vai poder alavancar. Muita gente utiliza isso para quê: para alavancar com casas, porque muita gente lá quer comprar uma casa própria ou fazer uma, uma reforma, alguma coisa. Eh o juros lá já é inferior ao nosso, para começar. Lá você vai pegar um juros, um empréstimo com o banco, você vai pagar 13, 14% ao ano, na pior das hipóteses. Tudo lá eh tá diretamente linkado ao teu score. Então assim, um score bom, menor taxa de juros.
Por isso que o ITIN, que o Portela tá fazendo para mim, eu já tô com a assessoria dele aumentando o meu score, porque lembra que, da mesma forma, se você deve pro banco aqui no Brasil, lá você é vida nova. Você pode ter o score altíssimo aqui, lá também você é ninguém.
Exatamente.
Então você já precisa construir um score nos Estados Unidos para começar a pegar dinheiro num dos melhores países para você estar alavancado, e tudo com o score: melhor o score, menor a taxa; pior o score, maior a taxa. Então pensa que você consegue pegar dinheiro nos Estados Unidos às vezes para trazer aqui pro Brasil, de alguma das formas, né? Eh e existem inúmeras, com juros baixíssimo, baixíssimo. E outra coisa que o Portela me explicou: esses saldos de cartão lá é praticamente o crédito que você tem no mercado. Então você consegue, muitas vezes, usar esse saldo para captar dinheiro.
Sim, muita gente faz isso, né? Esse juros baixíssimo aí de 10, 12%, 14% ao ano. Eh cara, hoje no Brasil, cara, a gente tá falando de 14% em 3 meses. Pois é, três meses no jogo.
E o que é melhor: “não quero fazer alavancagem com cartão, Portela. Tem outra forma?”. Tem o famoso Warren Buffett. 76% da fortuna dele foi feita com alavancagem através de seguradoras. O que que você pode fazer: “eu quero dolarizar, eu quero blindar meu patrimônio”. Vamos fazer um seguro de vida para você em uma seguradora americana, show de bola. Fez uma apólice, mas vamos supor, você fez uma apólice de 1 milhão de dólares, beleza? Mas você já tem 100.000 dólares. Vamos supor, a partir de um ano, 12 meses depois que você criou aquela apólice, você já em um ano, vamos supor, você tem 100.000 dólares. Ela rende atualmente, com dados atuais, 9,5% de juros ao ano. Ela vai te render. A partir de 12 meses, eu consigo pegar de 50 a 80% desse valor que você tem aplicado já na sua apólice, eu consigo pegar de empréstimo com a própria seguradora. Eu não vou sacar a minha apólice, eu vou pegar de empréstimo da seguradora, isso. Só que qual é a taxa de juros que eu vou pegar desse empréstimo? É 4%, 4,5% ao ano. Ou seja, eu tô alavancado e ainda tô com uma margem de 5% em média positivo ainda o meu spread.
Caraca, não! Então espera aí: eu coloquei 1 milhão de dólares lá na seguradora. Depois de um ano, você vai pegar 80%… Primeiro que eu já tenho um seguro de vida.
Isso. Ninguém mexe ali.
Eu tenho um seguro de vida, se eu morrer tá garantido. Então, além do… além do prêmio do seguro de vida, aquele dinheiro que eu coloquei ali, ela ainda me rende 8%, 9% ao ano.
Isso. Bom rendimento.
Pensando nos Estados Unidos. Pensando nos Estados Unidos, fora o câmbio que tá a seu favor. E sempre vai estar, tá? Você tá no Brasil, não esquece: “ah, R$ 2 vai voltar para… agora é três, vai voltar para dois; agora é quatro, vai voltar para três; agora é cinco, vai voltar para quatro”. Amigão, daqui a pouco nós vamos estar com 10, 15 aí de, de, de dólar, e pode, pode escrever, daqui a uns 10 aninhos. Então o câmbio vai estar jogando a seu favor, mas esquece o câmbio, vamos falar só de moeda para moeda, dólar com dólar: 9% ao ano de juros rendendo para você.
Rendendo para você.
Depois de um ano, aqueles 100.000 dólares… Falei 1 milhão, né? Aqueles 1 milhão de dólares, 80% ele te oferece de crédito.
Cinquenta a oitenta por cento. Você pode… você de 50 a 80, vamos falar 80, você pode pegar 800.000 com uma taxa de quatro ao ano, sendo que eu tô com aquele dinheiro meu rendendo 9% de spread positivo para você. Então eu tô usando o dinheiro, girando ele e ganhando 5% ainda. Alavancado e ainda com margem positiva para você, cara. Parece mágica, é, mas é Estados Unidos, né?
Estados Unidos, cara. Que loucura! É assim que o Warren Buffett construiu boa parte da fortuna dele. Ele coloca o dinheiro dele lá, depois de um ano ele tem liquidez, compra as coisas de que ele precisa e, no pior cenário, ele tá ganhando 5% a mais.
Exato. Aí muita gente ainda tem dúvida: “Ah, mas não tem perigo de uma seguradora quebrar?”. Não. É mais fácil o, o país inteiro quebrar do que a seguradora, que ainda vai estar de pé lá. Por que? Tem uma, uma lei americana que é, vamos supor, falando no pé da letra, uma seguradora para ela poder… ela tem que garantir 100 vezes mais o valor que você tá aportando lá no seguro dela, no capital dela. Ela tem que ser seis vezes mais. Além disso, ela é obrigada a ter uma outra seguradora por trás que assegure ela.
Caramba.
Entendeu? Então você tá com duas, duas margens de proteção. Tudo pode quebrar no país, menos uma seguradora, até porque isso é efeito cascata, aí ferrou, quebra a economia. Caramba, quem comanda elas são elas. E bicho, quando você fala de alavancagem também, pô, beleza, fui lá e consegui lá o meu crédito. Vamos falar, vamos, vamos dar o exemplo do, o meu exemplo: fui lá, abri o meu Carta, recebi o meu primeiro limitinho lá, que foi acho que de 1.000 dólares, comecei a gastar, aí depois você aumentou lá, falou conforme com os gastos fomos lá, aumentamos o limite, sei lá quanto que tá agora, acho que 2.000, 3.000. Eh mas… pode falar de número?
Pode, pode.
Deve estar com três, nem sei quanto que tá agora de, de limite. Cadê aqui? Ah, um outro ponto, hein: nesse, nesse banco aqui não dá para parcelar a compra, mas dá para parcelar a fatura.
Isso é banco americano. Não, não é um banco de modo geral, né? São alguns países latinos em que existe esse parcelamento convencional como aqui no Brasil. Só alguns países no mundo, a grande maioria latinos. De modo geral, você não consegue parcelar a compra na maquininha, você parcela na fatura do cartão. Tem incidência de juros? Tem. Mas, em alguns casos, a gente consegue ainda parcelar sem juros, da mesma forma que faz a transferência de, de valores, tá? Mas mesmo com juros, vamos supor, aqui no Brasil não compensa, mas se você vai com a sua família pros Estados Unidos, vai lá em outlets, etc., principalmente itens de luxo, vamos supor assim, sai mais barato você comprar lá fora, parcelar em 12 vezes — pode ser em três, seis —, parcelar a fatura pela fatura do cartão. Você usa o cartão americano, ah vamos supor, ah gastou… putz, nessa viagem eu gastei 10, 20.000, vamos supor, putz, muito dinheiro, vou… consigo parcelar? Consegue. Vai ser ainda mais barato 40% do que se estivesse comprando os itens no Brasil aqui, ainda parcelando, cara, ainda parcelando. Porque você fatura… você, você parcela a fatura com 9% ao ano.
Falei: “Cara, surreal, cara. Hoje no Brasil é 10% ao mês, dependendo de como você faz com a fatura do cartão”.
Sim.
E aí, beleza, tenho lá… não estou vendo aqui, mas vai, 5.000 de crédito de, de limite. Beleza. Aí tô usando, é o que eu falei, é difícil gastar 5.000 dólares, ainda mais que eu tô usando o do Brasil ainda, então tô meio que dividindo, beleza? Aí dei entrada no meu ITIN. Daqui a alguns meses, três meses depois, você tem lá o seu, o seu ITIN, que você consegue ir para outros bancos. Isso, com esses outros bancos, assim que sair meu ITIN, o Portela vai chegar nos outros bancos, falar: “Ó, Felipe, aqui tem o ITIN, tá abrindo o banco para ele, ó, ele já tem banco no Carta, conta no Carta”. E aí eu consigo mostrar para eles que eu já tenho um certo histórico nos Estados Unidos e já leva esse histórico para esses bancos. Esses bancos vão fazer o quê? Dar cartão e dar limite. E aí eu já tenho o limite aqui, um limite aqui, um limite aqui, e aí eu começo a usar e começo a construir meu score lá. Meu, meu limite começa a crescer em todos. De repente eu pego tudo, transfiro para um só. Precisa necessariamente transferir?
Não, aí é questão muito de, de cada cliente. Tem, tem cliente que tem três, quatro bancos, mas você não precisa fazer a transferência de limite, é só para isso, é só uma estratégia que muitas pessoas usam justamente para alavancar. Mas se for para algo específico, você não… porque você não tem para que transferir o limite do seu pro outro lá se você não tem algo em mente. A estratégia de transferir é justamente esses 21 meses, pode levar até… pode ser você pode ter até 21 meses para quitar essa dívida.
Sem juros?
Sem juros.
Aqui transfiro para cá, eu tenho 21 meses de um dinheiro de graça, tá sem juros.
Sem juros, é surreal, cara. É, é. Essa é uma das estratégias que até mesmo alguma uma minoria dos próprios americanos utiliza para alavancar, seja para fazer uma parte de imóvel, carro… Comprar… eu consigo fazer uma construção. …comprar carro, construção, exatamente. Eu compro carro, vendo, compro, vendo. Posso comprar uma casa, tem gente que faz isso para fazer frota de carros lá. Carro lá é relativamente barato, né, comparado ao Brasil. Compra carro para alugar, tem brasileiro que faz isso, compra carro para alugar lá, faz uma, uma locadora de veículos.
Caramba, compra um monte de carros, começa a alugar, o próprio aluguel já paga quando vencerem os 21 meses.
Exatamente.
Caramba, tem uma infinidade de possibilidades, cara, de fazer coisas lá: comprar produtos para revender na Amazon, tem gente que cria empresa lá para vender na Amazon. Se teu produto é bom, a Amazon fica de olho, ela já oferta para você.
Caramba. E cara, como que funciona esse processo? Eh qual é o tipo de assessoria que você dá para os empreendedores e como que funciona esse processo de manda aí o teu copo? E como funciona esse seu… esse processo de assessoria? O que que você oferece além desse serviço de construção de score, abertura de ITIN e tudo mais? Eh a gente estava falando de taxa de maquininha de Mercado Pago, né? A gente estava falando trocentas coisas que você oferece, cara. Você é um despachante de, de coisas especiais.
Tô começando a me identificar assim, é despachante, é isso.
Porque, como eu falei para você, isso tudo para mim aqui é, é muito novo. Aquela sua palestra até me abriu um leque na minha mente. Eu comecei há há pouquíssimo tempo, sete anos, a pensar fora da caixa. Só que para mim muita coisa, como eu falei para você, o óbvio para mim pode ser o milagre do outro.
Exato.
Você me fala umas coisas que assim, eu olho e… ó que, cara, eu tô interagindo com empresários grandes. Falo: bicho… tanto até que você tá, você tá entrando no mastermind, cara, você vai nadar de braçada lá, porque a galera, cara, quando você começar… a gente vai até estimular uma palestra tua lá para a galera para você meio que trazer esses pulos do gato, mas, cara, a galera vai colar em você porque todo mundo quer isso, cara. É, então assim, por exemplo, link de pagamento, Mercado Pago: eu vendo muito para… eu tenho minha própria agência de viagens, entre outras coisas, então eu utilizo muito link de pagamento. Eu não tenho aquela maquininha física do Mercado Pago, eu uso o link, eu mando para você, você paga, mando para… vendo pro Brasil inteiro, muito mais fácil. Só que a taxa de link de pagamento é muito alta.
É, para mim, eu tenho a menor taxa do Brasil: é 10% ali atualmente, parcelando em 12, recebendo o… 12 vezes recebendo recebimento imediato.
Olha, olha a maquininha que ele tem: 10% parcelando pro cliente em 12, recebendo de… antecipando as 12 parcelas.
Isso, o saldo… a taxa total é 10% lá.
Cara, surreal.
Só que assim, para mim era muito simples, eu já negociava isso para mim, para alguns amigos, e eu falei para um parceiro meu — você conhece o Will —, que ele não tinha também… um cara que fatura milhões por ano com o dele só educacional vendendo online: “pô, Portela, sério isso? Tô pagando 16”. Eu falei: “Porra, como assim? Que é a taxa que todo mundo paga”. É, eu falei: “Ah, eu consigo”. Ele nem tinha conta no Mercado Pago, criei, negociei na hora lá e fiz. Ele: “Bora vender isso”. Eu falei: “Como assim, cara? Eu vou vender redução de taxa de máquina no Mercado Pago?”. Ele: “Sim, isso aí é uma grana gigantesca”. Em uma semana eu fiz 50, vendi 50.
Então, se você tá pagando taxa de Mercado Pago e, outra, você consegue passar no celular, você tá me explicando. Eh tem, tem várias formas, depende do, do do foco. Hoje eu, eu foco nesse link de pagamento porque é nacional, né? A gente, a gente trabalha com muita agência de viagens, então agência de viagens é a nível nacional, né? Então você manda o link pra pessoa.
Esse, esse valor aí é no link, é no link que é a taxa mais alta devido a chargeback, né? O risco que tem. É no link isso, 10% no link, não é no Tap to Pay, não é no link.
Taxaça, taxaça mesmo. Então, cara, se você precisar de taxa, se você vende aí via… cara, já 10%, parcela em 12 pro seu cliente, já fala com o Portela. “Quero abrir um score nos Estados Unidos, Portela. Quero fazer a alavancagem”. Você, você estrutura a alavancagem, mas você estrutura isso isso dependendo do nicho de cada pessoa, o que ela desejar.
A gente tem toda uma equipe por trás lá nos Estados Unidos também, são os parceiros meus, moram lá, vivem lá, então conhecem tudo. A gente tem uma parceria, dependendo do que seja, a gente já faz toda a estruturação, dá o norte pra pessoa.
O que que é alavancagem? Me dá um overview aí.
Alavancagem é justamente o famoso DDO, né, dinheiro dos outros, que eu aprendi isso aqui com, com o pessoal lá no Mastermind. A gente pega o dinheiro para você e eh você alavanca sua vida, né, ter um lucro. Resumindo assim: ter um lucro sem precisar desembolsar do seu bolso, é dinheiro dos outros que a gente faz alguma operação, te gera lucro, você paga a dívida de quem seja de quem você pegou, e lucrou ali x por cento.
Fala alguma operação que você possa comentar aí, que vocês gerenciam.
Aqui no Brasil é muito comum carro, é muito comum carro. O pessoal compra carro 12 vezes sem juros ali. Eh 12 vezes sem juros, uma margem boa baixa da tabela FIPE. Geralmente é carro de locadora, tá? Aí pega de showroom os melhores carros lá, muito abaixo da tabela FIPE, até às vezes é 30% abaixo. Você tem um lucro bacana, compra… você consegue vender abaixo da FIPE ainda, ainda coloca um no bolso, depende do… Se for carro popular, é 7% de margem, mas se for carro maior, você pega margens maiores, 15%, etc. Isso é um tipo de operação que tá ficando bastante conhecida agora.
E aí essa operação, quando a gente fala de alavancagem, você tá comprando o carro no cartão em 12 vezes?
Isso, sem juros.
Sem juros. Aí você fica pagando as parcelas, mas enquanto isso você já coloca o carro para vender.
Exatamente. Por exemplo, você compra três carros, vamos supor, eh se você quiser, você pode queimar um. Se for carro popular, três carros populares, queima um, vende pelo mesmo valor que você comprou lá no parcelado, só para quitar, ter 4 meses de parcelas. Em três meses, você vende os outros carros, até antes.
Então, o primeiro você queima, pelo menos você não precisa tirar nada do bolso porque as parcelas estão pagas por quatro meses.
Exatamente, você quita tudo e, dependendo do banco em que você parcelou, quando a gente pode antecipar as parcelas para quitar todas elas, então quando você termina de vender os carros, você vai lá, antecipa, já ganha, já ganha e dependendo… Exatamente, até 9,5% ao ano você já tem mais uma forma ali de, de ganhar, você já ganha dinheiro aí. Se você… o primeiro você queimou, vendeu pelo preço de compra, mas os outros você ainda ganhou um dinheirinho, ainda ganhou dinheiro na, na venda e na antecipação das parcelas.
E na antecipação das parcelas. Mas o, o, o jogo não tá nem aí, o jogo ainda tá em você girar muito dinheiro no, no cartão. E aí esse dinheiro no cartão tem toda uma estratégia, porque, querendo ou não, se você tá comprando três carros, 60 contos cada um, você tá gastando 200, 300.000, dependendo de como tá a tua fatura mensal. E você aí tem alguns outros caminhos: primeira coisa, é o teu relacionamento com o banco, vai destravar ainda mais portas para você pegar financiamento, empréstimo, o que você quiser, menor taxa de juros, aumentar ainda mais os seus limites, porque ele vê que você é um cliente bem-quisto, que gasta bastante, isso é bom pro banco. Mas o principal também são os benefícios dos cartões, os pontos. Ah, você quer viajar, você pode ter momentos de lazer em qualquer lugar do mundo com a sua família viajando de cabine executiva, primeira classe, hospedando em hotéis de graça. No Rio lá, eu fiquei no Fairmont, três diárias, R$ 12.000, eu paguei R$ 900 só.
Caramba, R$ 900?
O resto com pontos do cartão.
Caramba, R$ 12.000 paguei só 900.
Novecentos que eu botei ainda com possibilidade de cancelamento, senão era só R$ 500 eu ia, ia gastar, só isso. Então se você pode viajar… “ah, eu não viajo muito, eu não ligo para viajar”. Tudo bem, você pode vender esses pontos para alguma pessoa. Uma pessoa queria pagar R$ 50.000 numa executiva daqui para, para Dubai — R$ 50.000 —, você cobra R$ 30.000 de algum parceiro teu, você fala: “ô Portela, eu queria viajar para Dubai, eu queria ir na executiva da Emirates”. Cinquenta pau, negão, é cinquenta pau. Sim. “Eu faço por 30 para você no Pix ou 40 parcelado”. Pode ser em 12, pode, show. Maquininha aí, aí… e aí já passa no Mercado Pago, você ganha de todo jeito.
E você, assim, quando, quando você me fala dessas possibilidades, minha cabeça começa a borbulhar. Só que eu, como a maioria dos empreendedores, tenho muita coisa para fazer e a gente acaba não tendo braço. Você gerencia essas opções?
A gente faz também essa… a gente chama de gestão. A gente faz essa gestão também, para chegar e falar: “pô, Portela, bora, vamos começar a comprar carro aí, bora, bora”. É isso.
Então, tipo, você vai lá, gerencia, aí tem a tua, a tua administração, mas você gerencia tudo isso.
Eu faço a parte de gestão mais das milhas, essa parte de operação de alavancagem tem que estruturar. Aí depende muito de cada cenário, tá? Até porque assim, sendo bem sério, para estruturar uma operação dessa é uma dor de cabeça danada. Então é melhor fazer e a… como é que eu posso falar? De modo individual, a gente dá o caminho das pedras. Se você não quer, dá para terceirizar, com certeza dá para terceirizar.
Mas você consegue dar o caminho das pedras: “ó, faz isso, isso, isso”.
Certeza, com certeza.
Mas dá para terceirizar, sim.
Dá para terceirizar.
Mas aí é porque já tem uma, uma pessoa que… lojas de carro com, eh como posso falar, confiáveis, já pegam o seu carro, não ficam com o carro, só fazem o repasse, interliga com o vendedor, entendeu?
Coloca, dependendo do carro popular, queima rapidíssimo.
Rápido demais.
Rápido demais, entendeu? Rápido demais. Um carro de locadora tem saída? É mesmo?
Demais. Eu vendi um para um amigo meu, ele queria, falou: “ó, eu tenho isso aqui, eu posso fazer para você, você quer preço de custo?”. Comprei na… falei: “quer?”. “Quero, Portela”. Fui pegar lá em Vitória.
Caramba, em Vitória! Mandei aqui para ele, esse um Voyage. Ele: “eu quero esse carro aí”. Show de bola, tá aí, toma.
Caramba. Portela, cara, show de bola. Eu acho que é isso, é muito assunto e, e a ideia que a galera tem que ter, e eu queria trazer para cá, é justamente todas as possibilidades para sair mais ou menos com a cabeça com que eu saí do teu… da tua palestra, e falando: “Bicho, preciso te contratar”. Gente, não ganho nada, todo, todo essa essa moral que eu tô dando pro Portela é porque realmente… e, inclusive, não ganho, quanto paguei, paguei a assessoria dele. Eh mas tô falando isso por quê? Porque o Portela é gente boa para caramba, um cara merecedor e gente boa para caramba. Então, meu, o cara dá uma baita de uma assessoria e eu vejo que é uma dor latente dos empresários, cara. Então eu acho que você pode ajudar muita… Quando eu vejo que você pode ser uma ponte para ajudar muitos empresários, tanto o cara que quer construir score nos Estados Unidos, conseguir crédito barato com tempo e se criando lá, né, esse score, quanto o cara que às vezes tá quebrado, ferrado, com banco vendendo e tudo mais, e que a gente vê que muitos empreendedores estão nessa situação — e não estão quebrados, ele só tá naquele momento difícil —, só que aí as portas começam a se fechar. Ele começa a ir para lá e começa a ter as portas abertas de novo, e começa a, a, a alavancagem de novo e conseguir se, se organizar. Cara, pros dois cenários, troca uma ideia com o Portela. Aqui embaixo tá o arroba dele e, e chama o Portela para trocar uma ideia, Portela lá, porque pra você tem muito, muito chão para queimar ainda com, com os empreendedores, que é um dos mercados de que eu vejo de mais potencial para você, cara. Tamos juntos, cara.
É, eu tô começando a abrir os olhos agora também, né? Tô começando até mesmo com suas dicas a cabeça tá começando a sair um pouco mais assim da, da caixa para ver de fato, como eu falei: o óbvio para mim pode ser o milagre do outro. Então hoje eu… não é sobre mim, é sobre o outro. Então começo a enxergar de fato: é, isso aqui eu sei, mas a pessoa não sabe. Tipo, por exemplo, baixar a taxa de maquininha é negociação pura. A galera pensa: “Você trabalha no Mercado Pago?”. Não, eu só sei negociar, eu gosto de me relacionar com os bancos, área financeira, eu tenho essa facilidade, então eu vou ajudar as pessoas, entendeu?
E pros bancos também acaba sendo uma, uma baita de uma, de uma, de uma via de mão dupla, porque você traz cliente potencial para os caras.
Não, com certeza. Até como eu te falei, só para encerrar, como eu te falei lá: por exemplo, se você é empresário — eu lido muito com médicos —, se você tem uma clínica ou qualquer tipo de, de estabelecimento, mas tem funcionário, tem que bater meta lá, principalmente o time comercial, vendas, faz lá: “pessoal, daqui para maio vamos aumentar aqui o nosso faturamento em, sei lá, x mil, 40%. Quem bater, vou pegar os top três aqui ou vou fazer um sorteio, duas, três pessoas: passagem e hospedagem gratuitas, seja pelo Brasil, América do Sul, na faixa, tudo pago”. Você vai pagar o teu funcionário, bateu a sua meta? Bateu. Você conseguiu alavancar esse faturamento 40% a mais. “Tudo bem, ah vou gastar lá com a viagem, com um programa de incentivo dentro do negócio”. Isso. “Ah, mas eu vou gastar com a passagem para ele, Portela?”. Não, não vai. O teu cartão de crédito gera os seus pontos, a gente faz toda essa parte aí, a emissão da passagem, a hospedagem com os pontos que a tua empresa tá faturando no cartão, do cartão corporativo, seja pessoa física ou corporativo.
Caramba, você dá essa assessoria, inclusive: “Ah, o cara, ó, tô usando esse cartão de crédito. Esse cartão de crédito tá uma merda, vai para esse”. Você consegue dar toda a assessoria.
É, a gente faz o overview seu, né? Lê o seu perfil, teu momento atual, o que você tem, quanto fatura, o que gasta de cartão. A gente vai, faz todo o rebalanceamento aí: “ó, isso aqui não serve para você”. Dependendo, tem banco que até mesmo o teu perfil pode não ser legal. Tem banco que aceita renda informal, tem banco que só aceita renda formal, contracheque, etc. Tem pessoas que estão começando agora, faturam muito, mas ainda é renda informal, é com movimentação. Tem bancos específicos que vão liberar lá melhor por duzentos… é no Brasil.
No Brasil? No Brasil?
No Brasil, e você entende toda essa, essa parte. Caramba, que legal, cara. [ __ ] isso é uma coisa que você tinha que vender mesmo, de, e assessoria de score a nível Brasil, a nível Estados Unidos. Por que que… por que que você… Vou dividir aqui o que que… qual foi a minha motivação pros Estados Unidos: primeiro que, Brasil, cara, crédito é muito delicado, muito complicado. Os bancos esfolam. Eh eu tenho visto operações assim, do mesmo banco emprestando para uma empresa brasileira e para uma empresa do grupo americano. Cara, a taxa é surreal. O mesmo banco, banco A emprestando para, para uma empresa do grupo B, só que no Brasil, e uma empresa para o grupo B nos Estados Unidos, parece, parece duas operações completamente diferentes. E aí se pergunta: “Nossa, mas por que essa diferença?”. Brasil. Pois é, Brasil. Centros de custo, eles cobram também, mesmo sendo a mesma instituição, tem um centro de custo, vai cobrar de um e do outro. E aí você começa a analisar, cara, muito do, do motivo de a gente estar travado na, em fluxo de caixa para empreendedores no Brasil é, é juros bancários, cara, que esfolam o empreendedor. Muito da geração de… aí o empreendedor no DRE tá dando EBITDA, mas não gera caixa. Aí quando você vai ver, muito é juros que por conta de um fluxo de caixa desajustado, o cara acaba colocando isso na mão de banco e despejando toda a geração de caixa que ele teria na, na mão de bancos. Então, cara, é complicado. Eh então esse é um dos motivos de eu ter ido para os Estados Unidos para começar a criar esse score lá. Mas segundo também que um dia eu tenho pretensão de morar nos Estados Unidos, cara. Ainda não é o meu momento, vou demorar ainda para fazer isso, mas o dia que eu, que eu, que eu der esse passo, se eu tiver negócios rodando lá, um score já rodando lá, tá tudo muito mais fácil.
Com certeza. Independente se você vai morar lá, morar lá ou não, a principal coisa é você estar dolarizado. Hoje é a moeda mais forte do mundo. Infelizmente você aceitando ou não, acreditando ou não, quem movimenta o mundo é o quê: dólar e ouro, não é petróleo, é dólar e ouro. É apenas isso, você tem que ter os dois. Ou você tem blocos de ouro guardados debaixo do colchão, que é loucura, ou você vai dolarizar. E ainda tem a parte de não estar somente dolarizado, mas proteger, né, blindagem patrimonial. Não é só fazer uma offshore. Como eu falei, apenas com o seguro de vida você já tá blindado. Ninguém pega aquilo ali, é somente quem tá no teu testemunho, só.
Caramba! E quando você faz o seguro de vida, você de fato tem um seguro de vida.
Sim, tem um seguro de vida, prêmio em caso de morte.
Sim, mas o principal também para você é o quê: enquanto vida lá, teu patrimônio tá protegido ali, tudo o que você botar ali. Fora que assim, se você já tem dinheiro nos Estados Unidos, já tá blindado perante o Brasil. Quando você tá no seguro de vida, você tá blindado perante o mundo.
Perante o mundo! Surreal, cara. Portela, cara, não terminou. Temos ainda um… eu tenho que fazer o agradecimento dos patrocinadores, eu tenho uma pergunta final para te fazer, mas deixa eu rapidinho agradecer os patrocinadores, galera. Porque todo esse conteúdo aqui de qualidade, esse audiovisual de qualidade, esse conteúdo aqui que, [ __ ], poderia tá… muito do que o Portela falou aqui, ele cobra para falar. Metade das coisas em que ele poderia te ajudar aqui, ele trouxe de insight aqui, que se você quiser fazer por conta própria, você consegue até fazer, claro que você não vai ter braço. Se você tiver muito tempo sobrando, você vai conseguir. Por quê? Porque você vai ter que descobrir o caminho das pedras. Vale muito mais a pena pagar porque ele já tem todos os caminhos das pedras, e outra, ele tá atualizado, antenado no que tá, no que tá mudando a todo momento. Então ele sempre vai te trazer a informação quentinha. Mas, cara, tudo isso aqui é graças aos patrocinadores que acreditam no projeto do podcast e investem pra gente colocar esse conteúdo de alta qualidade aqui na, na internet de forma gratuita.
Então quero começar agradecendo o nosso patrocinador master, a SMB Store. Desde 2018 eles têm ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar. Agência RPL, que oferece a solução completa de marketing digital para negócios, cuidando das empresas com olhos de dono, desde a criação de sites, gestão de anúncios, planejamento estratégico, social media e SEO. Polux, sabia que existe oportunidade de desembolsar menos com impostos através de planejamento tributário? Especialista em gestão de tributos e de crises. Semic Displays: tá precisando vender mais? Então o seu negócio precisa de soluções criativas para PDVs, balcões, bandejas, displays e muito mais. WJR Consulting: aumente seus lucros, seja aumentando receita ou reduzindo despesas, gestão financeira descomplicada para empresários. Inspira Capital: operação e gestão financeira por assinatura, o braço direito do empreendedor. BPO financeiro não é mais futuro, é presente. Cross Host quer dar mais voz ao seu negócio e alcançar mais pessoas. A Cross é especialista em produção audiovisual e produção de soluções de internet, criando podcasts, eventos e transmissão ao vivo com qualidade excepcional. Max Service: contabilidade que tem como missão a parte consultiva ao empreendedor, estando sempre próximo da gestão da empresa. Com ecossistema completo oferece atendimento desde o Simples Nacional até o Lucro Real. E Deisses e Borges Advogados: você tá com dificuldade para pagar seus impostos ou você tomou alguma autuação tributária que tá colocando em risco a sobrevivência do seu negócio? Chama a turma da Deisses Borges, escritório especializado em direito tributário e empresarial. Galera, todos esses patrocinadores são patrocinadores curados por mim. São empresas e empreendedores à frente dessas empresas que resolvem dores com produtos e serviços da gente, da… do nosso mundo empreendedor. Então muito do… dos problemas que possivelmente você tá vivendo, alguma dessas empresas aqui resolve e te ajuda demais. Então dá uma conferida e tamo junto. Obrigado aos patrocinadores aí pela moral.
Portela, seguinte, meu caro: você pega teu carro, nós estamos aqui na Vila Mariana em São Paulo, tá indo lá pro Morumbi ver os seus jogadores e aí de repente, cara, você bate o carro e morre. Bato na madeira, nunca ninguém… a gente tá com mais de 100 episódios aqui, nunca ninguém nem bateu o carro e muito menos morreu, espero que não seja o primeiro. Mas, cara, tô… eu faço essa, essa introdução pra gente trazer peso pra pergunta. Cara, no alto dos seus 33 anos, na idade de Cristo, Ele te chama e fala: “Deu o seu tempo, sua missão tá cumprida”. Você fala: “Mas como assim? Se eu soubesse que ia ser tão rápido, eu teria feito coisas diferentes”. Ele fala: “Putz, mas já foi. Foi ótima, foi ótima a sua participação, cara”. Tua última vez falando, passando mensagens pro mundo, às vezes se comunicando com a tua família, que mensagem você falaria aí, que deixaria para a galera?
Cara, pode até parecer meio clichê, mas eu acredito: dinheiro vem, vai, a gente corre atrás, mas familiar não, entendeu? E hoje eu moro só, eu e minha esposa, né? Mas eu digo assim, a gente tá longe de toda a família, a gente tá sozinho aqui em São Paulo, todo mundo tá lá na, na Paraíba. Eh eu só comecei a, a trabalhar, a entender sobre bancos, cartões, começar a gostar dessa parte devido ao meu pai, que ele… eu perdi, eu contei lá na, na palestra, o meu pai faleceu por Covid no final de 2020. E aí eu comecei… surgiram dívidas, mais de R$ 250.000 em dívidas. Só tinha um cartãozinho lá com R$ 1.000, queria saber como melhorar para pagar as dívidas do povo e dos bancos também.
Te forjou, né?
Isso. Eh e assim, tudo vai muito rápido. Então assim, estuda o que você quiser, trabalha, faz o seu dinheiro, mas sempre dê tempo para a sua família, que é a melhor coisa, porque sem eles a gente não é nada. Eu, por exemplo, hoje eu só tô aqui eh desenvolvendo, tentando empreender, aprendendo agora a engatinhar com a ajuda de várias pessoas, vários conhecidos, alguns amigos também, mas principalmente por causa da minha esposa, porque ela é quem acreditou. Senão, irmão…
É mesmo. Registrar no couro, pegou na planta.
Exatamente. Porque assim, eu só ficava com jogos, mas eu entendia muito disso aqui. Eu falei: “Pô, amor, tô estudando isso aqui à toa, ninguém vai fazer curso, mentoria de cartão, não sei o quê, ninguém vai dar valor não”. Ela: “vai sim, a hora vai chegar, foque, vá”. Isso desde 2021.
Acreditou quando nem você acreditava?
É, então assim, às vezes é… a gente trabalha muito. E a, a vida para mim começou aos 30, né? Quando meu pai faleceu, nunca tinha feito imposto de renda, ele fazia. Meu pai era contador, mas era safo também, pagava… tipo, declarava R$ 1.200, no primeiro, primeiro ano paguei 18.000. Eu falei: “Caramba, meu irmão, o que é isso?”. Aí virei PJ, virei PJ. Mas assim, tudo é com base na família, cara. Hoje minha mãe tá sozinha lá, eu tento trazer ela para cá, a saudade bate, sabe? Mas é isso: dinheiro você se vira do jeito que você quiser, contrata funcionário, demita o que for, mas sempre que quando dá merda, é a família que tá lá.
Concordo 100%, cara. Concordo 100%. E daqui a pouco você vai passar para a frente, tem vontade de ter filhos?
Tenho, no próximo ano a gente já tá, tá pensando já.
Você vai ver que, [ __ ], faz um sentido delicioso essa… isso que você acabou de falar, e vai fazer um sentido mais ainda quando você tiver filhos, que é surreal o quanto a família é a base de tudo e é tudo o que importa, cara. No final das contas, nada importa se a família não tiver bem.
Exatamente, não vale a pena trocar nada pela família.
Exatamente isso, meu brother. Papo top, parabéns. Obrigado mais uma vez, sabia que o, o episódio ia ser ótimo. Eh estamos juntos, o que precisar de mim, conta comigo.
Eu é que agradeço a oportunidade.
Vamos para cima, não, obrigadão. Obrigadão mais uma vez aí pela oportunidade. E é isso, eu só para isso, agora vamos entrar com força total aí bem no, no Além do CNPJ, no mastermind. Eh como eu falei, até para deixar registrado, sou um cara novo nisso aqui, nunca acreditei, até falei na minha palestra, esse negócio de mastermind o povo tá muito gourmetizado, né, na na internet. Infelizmente, tem muitas pessoas que não prestam e tal. Eu sempre fui muito pé atrás, tanto quando eu entrei no do, do meu sócio — hoje ele é meu sócio —, eu, eu estava na Arábia Saudita lá nos jogos, eu, eu estava de madrugada lá e aqui era de dia. E eu falei: “Meu irmão, para mim isso aqui é uma grande panelinha, do fulano, não sei das quantas lá, falei, tudo panelinha para pegar de trouxa”. Ele falou: “Portela, eu sou empresário, eu tenho isso aqui assim assado, eu tô cagando para você, meu querido, tu entrando ou não, minha vida tá feita, eu tô aqui para te ajudar. Se tu não quer, se lasque”, entendeu? Foi a melhor coisa. Eu joguei merda na cara dele, ele jogou para mim, gostei, ganhou minha confiança e mudou a minha vida, entendeu? E você, eu vi a mesma coisa. Você é um cara muito pé no chão que fala a verdade. Eu falei para ele, né, pro W… eu, ele quando foi fechar a parceria, primeira coisa falou: “Ó, vamos entrar lá no Caçola, o cara é foda”. Eu falei: “Tamos juntos”.
Tamos juntos, mano. Top, cara, tamos juntos. Vai ser, vai ser massa tê-los com a gente. Vai ser muito legal também você trazer esse tipo de conhecimento que a gente não tem lá. Você vai ver que no mastermind a galera é empresária raiz, então essas coisas de game, essas coisas a galera não tá… eles são muito parecidos comigo, a gente não tá antenado no negócio de game. Quando você fala aí: “ah, pô, milha”, eu sei que milha dá dinheiro, só que, cara, tá todo mundo com o negócio faturando, não dá tempo de olhar milha, não sabe como funciona. É, não deu, falta braço de ir atrás. Esse negócio de alavancagem nos Estados Unidos, ITIN… Cara, você vai nadar de braçada, é sem brincadeira. A maior galera vai fazer. E, e eu tenho certeza de que vai ser um baita de um, de um, de um pontapé também numa nova trajetória para você criar um braço de atender empreendedor mesmo, porque eu tenho certeza de que muita, muita gente vai embarcar nessa contigo. Tamos juntos. E, galera, você que ficou aqui até o final, pô, muito obrigado. Aqui embaixo tem vários botõezinhos, clique em todos para engajar e nos vemos na próxima. Valeu, sucesso!
Boa. [ __ ] foi top, bicho. Passa rápido, não passa?
