Linguagem Corporal Executiva, o Fim da Culpabilidade Maternidade-Carreira e o Caso Galápagos Capital com Rebeca Nevares | Além do CNPJ (EP #127)
A Engenharia do Posicionamento em Ambientes de Alta Pressão
No ecossistema do mercado financeiro e de grandes corporações, a ascensão a posições de C-Level e a entrada em estruturas de partnership (sociedade) raramente acontecem por mero tempo de casa. Quando uma profissional atua em um ambiente predominantemente masculino, a construção de autoridade exige o domínio de duas vertentes fundamentais: a entrega de resultados inquestionáveis e a leitura fria de engenharia social.
No episódio do podcast Além do CNPJ, o host Felipe Cassola recebeu Rebeca Nevares, sócia e Chief Marketing Officer (CMO) do Galápagos Capital — uma das principais investment houses do país, que conta com cerca de 500 colaboradores e R$ 20 bilhões sob gestão.
Com uma trajetória que envolve mais de 25 mudanças de cidade durante a infância (filha de militar do exército), atuações como trader na bolsa, liderança na corretora Ativa, criação do projeto Elas Vem Aí na XP Inc. e diretoria de marketing na Monte Bravo, Rebeca ensina como utilizar a ciência da comunicação, a postura corporal e o pragmatismo para superar barreiras de gênero sem vitimização.
1. A Leitura de Ambiente e a Desconstrução da Reatividade
Nos estágios iniciais da carreira, a reatividade e a tentativa de “ganhar discussões na força” costumam estagnar a evolução de jovens profissionais. A virada de chave de Rebeca ocorreu ao compreender que opiniões pessoais têm pouco peso quando desacompanhadas de embasamento técnico e dados do setor.
[Opinião Pessoal / Reatividade] ➔ [Resistência e Desgaste de Imagem]
[Dados do Setor / Estudos de Mercado (Harvard/MIT)] ➔ [Discussão Estratégica] ➔ [Ancoragem de Autoridade]
Para neutralizar ruídos de imagem em mesas de diretoria, a executiva adotou uma postura de escuta ativa: em vez de rebater críticas de forma reativa, passou a devolver questionamentos com perguntas estratégicas, guiando o interlocutor para a análise de métricas objetivas.
2. A Ilusão da Perfeição: Maternidade vs. Posições de C-Level
Um dos temas mais densos abordados no episódio foi o retorno da licença-maternidade e o “mito da mãe perfeita”. Ao retornar ao Galápagos Capital após o nascimento de seu filho, Rebeca estabeleceu o que chamou de “Waiver de 100 Dias” com seu marido: um acordo de entrega total para acelerar o reposicionamento do departamento de marketing e garantir a entrada na partnership no ciclo anual de avaliação.
| Dimensão da Vida | O Mito da Perfeição (Gera Burnout) | A Gestão de Prioridades (Gera Resultado) |
| Atuação Corporativa | Tentar manter uma entrega nota 10 em todas as reuniões diárias. | Foco nas Alavancas: Escolher os projetos institucionais de maior impacto para o valuation. |
| Maternidade / Família | Tentar estar presente em 100% dos momentos sem rede de apoio. | Qualidade de Presença: Divisão de papéis com o parceiro e alinhamento de expectativas. |
| Saúde Mental / Social | Culpa constante por não atender a todas as exigências externas. | Relações Desnecessárias: Entender que pais felizes e realizados educam filhos mais independentes. |
3. A Curadoria de “Lojas e Experiências” e a Construção da Marca Galápagos
À frente do marketing do Galápagos Capital, Rebeca liderou a transição da marca de uma estrutura focada apenas em Wealth Management para uma plataforma financeira completa.
A estratégia para captar a atenção do cliente Ultra High Net Worth (alta renda) baseou-se em criar um posicionamento de terceira via do mercado financeiro, combinando o ecossistema de investimentos com experiências exclusivas de lifestyle, como parcerias com grifes globais em Paris e eventos de relacionamento fechados.
4. A Regra do “Saber o Seu Lugar”
Para evitar o desgaste em negociações e manter a autoridade técnica sem perder a identidade feminina, a executiva compartilha uma lição sobre a clareza de papéis:
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O Erro do Ego: Levar críticas ou feedbacks duros de diretores para o lado pessoal.
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O Foco no Negócio: Tratar a cobrança como uma oportunidade de aperfeiçoamento da entrega executiva, mantendo a serenidade e a firmeza na comunicação não verbal.
5. Dê o Seu Melhor: A Mensagem Final
Ao encerrar o episódio com uma mensagem de vida aos 39 anos, Rebeca ressalta a importância da presença intencional:
“Dê o seu melhor em tudo o que você fizer. Quando você tem a certeza de que deu 100% do seu esforço com estratégia, o resultado vem. E se não vier no formato que você esperava, é porque aquele não era o seu caminho.”
Quer entender como utilizar a comunicação não verbal para acelerar sua carreira, posicionar sua marca e gerenciar equipes de alto desempenho? Assista ao episódio completo no canal Além do CNPJ!
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A gente com 30 anos, a gente quer ser combativo, a gente quer ser reativo, a gente não escuta. E foi uma coisa que eu demorei muito para aprender: você quer ganhar na força, você quer ganhar na força, você quer quer mostrar que sabe aquele assunto e quer falar. Só que, cara, você sendo jovem e mulher, a sua opinião no final do dia ela pouco importa. Você tem que trazer sempre alguma coisa para a tua opinião que embase. Então eu aprendi que qualquer coisa que eu levava para defender uma ideia, eu levava contextualizada com algo, eh realmente algum estudo. Se fosse de Harvard, melhor ainda, porque não era sobre a Rebeca, exato, era sobre algo que tá acontecendo, é sobre uma tendência que tá acontecendo e que a gente precisa olhar para isso. “Queria trazer na mesa essa discussão, o que vocês acham?”. Então é muito mais para levar pro todo do que impor aqui.
Buenas, buenas, buenas, seja bem-vindo a mais um episódio do podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui pra gente trocar essa ideia de empreendedorismo vida real. E a pessoa que tá aqui na minha frente é uma pessoa que eu tô convidando há bastante tempo, só que ela tava grávida há um tempo atrás, não deu para para se organizar, né, também 800 coisas acontecendo. Vocês vão ver a vida que ela tem aqui. E hoje a gente conseguiu se reunir. É uma empreendedora, tem uma história de de vida muito legal. Eu me conectei com ela numa palestra, num evento de um amigo nosso, do Daniel Scott, que ela tava palestrando e eu também palestrei logo em seguida. E foi uma palestra que me marcou, tanto é que faz tempo pra caramba, eu tava comentando dessa palestra, que foram coisas assim que eu levei até para conversar com a Raícinha, levei para casa, já usei essa aquilo aquilo que ela falou naquela palestra muitas vezes na minha vida, e queria até retomar esses assuntos aqui, porque são coisas extremamente curiosas sobre os bastidores que muitas vezes a gente não vê. E é uma pessoa que hoje tá voando, sempre voou, né, mas hoje tá voando, e é a Rebeca Nevares, sócia e CMO da Galápagos Capital. Muitíssimo obrigado por aceitar o convite, viu?
Eu que agradeço. Assim, na verdade, faz tempo mesmo. Deve ter uns dois anos tentando trazer aqui.
Dois anos. Quantos anos tá seu filho?
Dois. Tem mais do que dois, né, que eu tava grávida.
Isso, era para você ser uma das primeiras convidadas, aí acabou por causa da da gravidez, e eu e eu lógico entendi, porque a a Raísa engravidou. E era em outro lugar que você gravava também, tinha que pegar estrada e tal.
Era era superlonge, era Santo André. Tava maior difícil levar convidado para lá, por isso que eu vim para cá.
É, e eu tava acho que grávida já há um tempo, mas tem a hora certa para tudo, né, porque agora tô com uma história até melhor.
Exatamente, a história tá mais tá mais divertida agora. Mas, Rebeca, mais uma vez, de novo, obrigado por por aceitar o convite. Eu acho que o papo que a gente vai ter aqui vai ser muito legal. Quero chegar nos no que a gente estava conversando aqui. Os a gente estava conversando aqui nos bastidores, já devia ter gravado, mas eu vou ter que retomar todos os assuntos aqui pra gente trocar essa ideia. Mas antes de a gente entrar na tua vida atual, isso que a gente tava conversando, a Rebequinha veio da onde? Eh onde você nasceu, que que cidade, que estado, como que foi tua infância, você teve pai e mãe presentes? Como que foi as referências, o que que você queria ser quando o que você queria ser quando você crescesse, tipo no que você lembra assim, quando criança até a vida adulta? Dá um overview pra gente só pra gente entender o contexto da Rebeca de hoje.
Essa é uma história bem curiosa, porque quando as pessoas me perguntam, até pelo sotaque, de onde que eu sou, eh cada um diz um lugar diferente, mas eu falo que eu sou brasileira, boa. Eh que na verdade meu pai era militar no exército, então eu morei de norte a sul, literalmente de Roraima ao Rio Grande do Sul. Não é? Sim, eu já fiz mais de 25 mudanças. Só que eu nasci mesmo em Garanhuns.
Caraca, eu não acredito, na cidade do nosso querido presidente, presidente.
Eh eu não conheço a cidade porque, depois de dois meses, meu pai foi transferido pro Rio de Janeiro, embora meus pais sejam de Recife. Então eu sempre ia visitar meus avós, tudo em Recife, mas eu…
Ele tava viajando pra Garanhuns também, por acaso?
Não, não tava. Ele tava morando lá, tinha dois anos servindo num quartel que tinha lá. E aí logo depois eu eu nasci e logo depois ele foi aí transferido, e eu nunca mais voltei. Dizem que é a, eh tem inverno, né? É um lugar superdiferente no Nordeste, e eu nunca mais voltei. Então é curioso, mas eu falo que eu sou brasileira no final do dia porque meu sotaque é muito misturado. A galera sugere qual mais?
Minas.
É, até porque foi um dos lugares que eu mais fui e voltei.
É, a minha filha é mineira.
Eu achei que você era mineira.
É, então eu morei muito tempo em BH, e morei também em São João del-Rei. Falar BH, eu falo igualzinho a BH, né, mineiro, BH. Só que aí quando eu, por exemplo, se eu for pro Rio de Janeiro, eu pego também um sotaque do Rio, eu acabo absorvendo o sotaque do local.
Apesar que eu também faço isso, cara.
É, e eu absorvo muito. Às vezes eu fico até preocupada de não acharem que eu tô eh querendo fazer um rapport demais, né? Fazer uma piada com a galera, sabe? Eu começo a imitar o sotaque da pessoa, mas é porque…
E cara, dependendo de onde eu fico, eu volto falando o sotaque.
É, e eu volto total porque eu não tenho raiz. Então assim, eu absorvo rapidamente. Quando a minha mãe tá perto de mim, logo eu estou falando “vixe”, “oxe”, então não tem, não tem, é porque não tenho base de sotaque, né? Mas o pessoal fala muito Recife e Recife não, Rio de Janeiro e e BH.
E BH.
É.
E como foi essa essa de ter passado por tantas cidades e e estados assim para uma infância? Achou que foi massa isso?
Então, eu acho que tem prós e contras. Eh lá em casa somos três, né, eu e mais dois irmãos. E assim, os meus irmãos tiveram muito mais dificuldade do que eu, porque eu sempre fui uma… Acho que eu tive que me adaptar a ser uma pessoa extrovertida, e para mim não foi uma dificuldade. Então assim, todo lugar que eu fui, em até nas escolas, eu sempre fui a líder de turma, o que é muito curioso, dado que eu não tinha amigos assim, né, amigos sem profundidade. Então eu sempre falo que eu conhecia todo mundo, mas não era amiga de ninguém, boa. Mas eu tinha essa capacidade de organizar a galera e vamos aqui fazer. Então para mim foi uma escola de adaptabilidade, que eu acho que é uma skill hoje que é altamente necessária, e até demonstra muito na minha carreira, que eu já fui assim diversas eh cargos em áreas diferentes, porque no final do dia não é sobre eh skill técnica, né, é sobre você liderar pessoas e tal. Mas hoje em dia, hoje em dia na verdade é isso que faz um profissional ser…
Exato, então eu acho que isso veio muito dessa minha vivência, mas também não me criou relações. Eh inclusive na Galápagos a gente tem uma psicóloga que cuida dos C-levels, né, a lá Billions, a a Wendy a gente tem, que é a Luciana, é maravilhosa. E aí ela até a gente numa sessão, aí eu virei, ela falou assim: “Ai, você não tem amigos?”. Eu falei: “Como é que hora? Eu tenho filho, tenho marido, tenho a Galápagos, tenho isso”. Ela: “Mas assim, para mim nunca fez falta porque essa foi a minha vida, e eu até tô nesse momento sendo superintencional de falar: cara, eu quero ser sua amiga, vamos lá na minha casa sem chiqueza, vamos pegar aqui uma pizza e tal”. Porque eu tô vendo, e até quando a gente estuda sobre longevidade — eu tô super nesse momento porque o território da marca na Galápagos é longevidade —, tem que ter saúde social. Foi aí no SXSW esse ano, e eu não tenho relações profundas em função disso tudo. Então isso foi um… Isso é legal pra caramba.
É que é talvez por conta da sua infância e você ser muito ativa profissionalmente, a sua a sua barrinha social sempre estava cheia.
Exato.
Mas às vezes faltando relações profundas.
É. E assim, aqui em São Paulo, acho que você vai concordar comigo, o networking ele não é genuíno de fato, ele é sempre para negócios. É aquela coisa de que você tem que tá às vezes performando aquela relação, não é algo assim: se você me falar “pega o telefone para desabafar com alguém”, eu vou pensar quem eu vou, porque eu não tenho essa relação.
A gente fica até tem até dificuldade de entender isso. Não sei se algumas pessoas que que a gente de que eu conheço e que eu falo: pô, essa pessoa eu seria… Eu sempre faço essa análise, falo: meu, eu seria amigo dessa pessoa assim, amigo do lado pessoal? Essa pessoa combina comigo na minha PF, no meu CPF, como você falou. Beleza. Só que às vezes começa uma cobrança, alguma coisa aqui, não é de uma amizade genuína. Algumas amizades genuínas você fica às vezes dois anos sem falar por causa da correria, e você fala: caramba. E quando você se encontra, meu, tipo, vai continuar acontecendo, parece que nada aconteceu e que você continua com o mesmo nível de intimidade.
É, mas eu acho que é a diferença entre networking e conexão, sabe? Eh aqui em São Paulo é networking, essa palavra tá até chata já, mas as conexões reais, né, que que vão gerar… Eu falo muito isso eh nas minhas comunicações lá, porque eu tô estudando, mas é as conexões que de fato geram a nossa evolução, as conexões que geram a nossa saúde mental, social. Eu acho que isso aqui em São Paulo é um gap, mas que a gente vai chegando nessa idade… Acho que você tá próximo também da minha assim, né? Eu vou fazer 40, que a gente precisa de relações mais duradouras, que a vida não é só sobre essa… Eu acho que tá tudo bem, com 30 anos você tem que correr mesmo atrás, e vai batalhar. Até porque a gente vai viver mais 50 anos, dá tempo. E e talvez até mais, do jeito que tá a tecnologia aí, até mais. É isso. Então assim, agora tudo bem, eu vou focar nisso, mas isso acho que foi realmente uma… Eu tenho até dificuldade de, de me relacionar mesmo profundamente, porque é isso: a cada dois anos eu sabia que eu ia mudar, então eu já colocava ali aquela eh barreira de “eu não vou me abrir tanto porque senão eu vou sofrer”, porque eu também vi meus irmãos sofrendo. Às vezes a extroversão até serve como uma barreira, uma defesa. Não que não seja teu jeito, mas uma defesa, porque quando você se encontrava numa situação em que você tava lá com um monte de gente que você não conhecia, a extroversão fazia você ter atenção.
É, total. Não, e assim, ou eu era extrovertida ou eu não ia conhecer ninguém. Então foi uma coisa tipo: você tem que ser, tem que se adaptar ao meio. E eu vi meus irmãos, que são mais velhos… O meu irmão mais velho tem 7 anos a mais que eu. Então eu vi no momento de adolescência dele ele sofrendo muito com isso, meu pai mudando e ele com namoradinha, aquele aquele momento, né? E ele ficou, teve um momento que ele ficou depressivo. Então assim, na a minha cabeça é: eu tenho que criar relações aqui. E ele é tão extrovertido quanto eu, mas ele não conseguiu se adaptar, né? E sei lá, esse a esse processo, mas deve ser difícil mesmo. Foi difícil. Então, no meu caso, eu passei bem. Isso trouxe muitas coisas positivas na minha vida culturalmente, porque é isso, eu conheço assim… Eu consigo me adaptar a qualquer nível de pessoa, seja de ai, que ela se deu isso, ela… Esquece esse tipo de coisa, adaptável. E ao mesmo tempo não foi tão bom porque… Tem que ser os prós e contras, mas também essa consciência que você tem hoje, talvez também graças à terapia e tudo mais, que hoje em dia a gente tem que correr atrás das coisas, faz você ter justamente esse essa lição de casa de aprofundar relacionamentos e criar amizades.
É isso aí.
E para mim não é tão natural. Eu sou um cara meio caseiro.
É, meu marido é assim também. Se deixar, ele não gosta de gente.
Eu também. Eu sou, eu sou bem parecido assim, viu? Eu gosto de ficar em casa, eh quando eu quero sair, eu quero sair com a minha família para um restaurante que existe uma possibilidade pequena de encontrar conhecidos. Eu vou para restaurantes que… Então eu sou, eu sou um cara recluso, só que eu sei o… Só que toda vez que eu marco com alguém, uma amiga e tudo mais, quando começa a chegar próximo, eu fico com preguiça. Eu falo: “Nossa, por que que eu marquei?”. Tanto é que quando vou marcar uma pizza, te entendo. Eu faço o seguinte: eu marco para daqui dois meses para ficar bem tranquila a minha agenda, falo “vou marcar daqui dois meses”, porque eu não sou, eu não sou furaço, porque daqui dois meses eu jogo pra frente. Aí começa a chegar perto, eu falo: “Nossa, tá chegando a pizza”. E aí sempre eu vou com preguiça. Não é de uma pessoa, de interação, mas no final eu sempre falo: “Cara, a gente tem que fazer mais isso”.
Mas acho que porque a gente tá exausto do dia e a nossa bateria, ela já tá mais… Acho que antes, por exemplo, eu eu fazia muito networking, tanto é que a gente se conheceu num evento, então era muito realmente para alavancar a minha vida eh profissional e tudo mais, mas eu não tinha essa coisa da vida social. Hoje, quando eu tenho vou marcar algo de vida social, é realmente você fica com preguiça porque você já tá exausto do dia que foi o networking, que foi o trabalho, que foi a coisa realmente para você gerar algum negócio. Então eu acho que a gente eh tem que começar a separar, sabe? Eu também tô tô jogando pra frente, e eu tenho feito na minha casa, porque eu acho que também é diferente quando você acolhe e a tua cabeça vira um pouco, porque você só chama na sua casa quem que você gosta. Então eu também não tô chamando, tô chamando pessoas que eu quero me relacionar e que eu acho que são bacanas e que… E para chamar em casa você coloca um filtro muito maior, muito maior. Então ah, é isso, não é para você ter 100 amigos, eu quero ter…
Bons.
…exato, eu quero ter bons amigos e eu quero já mostrar que assim: cara, você faz parte de um cluster exclusivo porque tá na minha casa. Isso. Eh e aí você acho que também já fica mais leve porque tá em casa, sabe? Essa coisa de ir pro restaurante aí também é isso, né? Que qual vinho vai pedir? Sempre tem uma coisa de… O ser humano, a felicidade dele é relativa, é sempre em relação ao outro. Então ah, será que eu tenho mais, que ele tem menos? Tem um pouco disso aqui em São Paulo, né? Eu senti muito isso. Isso me dá um pouco de preguiça, mas os o que eu acho legal é que com alguns amigos que eu escolhi ser amiga, eu consigo já até falar um pouco mais as coisas que eu penso sem tanto filtro. E aí eu consigo até meio que cagar para esses para essas regras.
É, se ele gostar de você, ele vai ficar. Ele vai aceitar um convite e show de bola. Acaba sendo um filtro, e beleza, e tá tudo certo. Teve várias pessoas que eu que eu chamei para pra amizade e que depois de um primeiro encontro, parece um relacionamento mesmo, né? Depois de um primeiro encontro a gente falou: “Pô, gente boa pra caramba, meu meu amigo, meu amigo profissional, mas não não coube tanto a a relação pessoal”.
E é sobre valores, né? A gente vai chegando nesse momento. E como e como você se estabilizou?
É, então aí eh eu sempre tive um sonho, você perguntou qual que era o meu sonho de menina, e vai chegar nessa estabilidade. Eu sonhava em ser uma grande executiva quando era pequena, usar tailleur. Não sei se sabe o que que é tailleur. Não, homens não vão saber. É só saia, sabe? Aquela coisa bem de antigamente, com sapato alto.
Da onde veio isso?
Ah, porque eu acho que eu via em filme, né? É, era, não tinha referência assim, não tinha referência de de mulher, não. Minha mãe era dona de casa porque militar do exército, meu pai… Minha mãe foi professora e tal, mas não era. Eu via em filmes e assim, eu queria ser uma grande executiva e tal. E aí, bom, até virei uma grande executiva, mas nem uso tailleur, né? [risadas] E já acabou a moda. Mas é uma coisa meio Chanel, né? Tailleur é uma coisa meio da Chanel. E aí o que que acontece: eu também casei com militar. Eu eu estudei a minha vida toda em colégio militar e e quando eu casei, eu também saí mudando. E aí eu eu tinha muita dificuldade de continuar a carreira, embora eu sempre dei um jeito de trabalhar. E aí quando eu eu tava no Rio de Janeiro trabalhando numa corretora, já era sócia dela, e…
Como que você entrou no mercado financeiro, foi do nada?
Então, não foi do nada. Você sabe que foi mais ou menos, mas assim, eu tinha um dinheiro e meu, assim, meu pai tinha me dado um pouquinho, mesada, aquela coisa, e eu tava estagiando. Eu devia ter, sei lá, uns R$ 3.500,00, isso em 2005, sabe? E aí eu comecei a investir. Eu lembro de comprar, a minha primeira ação foi Sadia, nem existe mais, tô velha. E aí eu comprei Sadia, Banestes, sabe esse tipo de coisa daquela época? E eu comecei a estudar sobre, na na época era livro mesmo, né, que a gente comprava. Eu comprava no Submarino vários livros, e eu fui estudando sobre. E aí surgiu um programa eh na TV Abril, eu acho que nem sei se você sabe essa história, que chamava Traders. Era da TV Abril na Directv, né, antiga Sky, né, para quem… E aí passava em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Era um programa de quatro equipes, no caso duplas, que disputavam eh quem ganhava mais dinheiro em 20 dias de pregão com R$ 70.000,00, era um reality show. E aí eu me…
Day trade pra galera.
Era day trade, e eu fazia em casa com aquele dinheirinho e tal. E aí eu me inscrevi, eu passei. Mentira! Eu era da equipe roxa, a única mulher do programa. Aí tinha a pessoa… Mas tem isso ainda na internet?
Tem no YouTube. Eu tinha 21 anos, isso há 20 anos atrás, realmente há 20 anos atrás vai fazer. Eh e aí era eu como profissional, totalmente entre aspas, porque na verdade eu já tinha um, dois anos, porque isso foi em 2008, eu já tinha um, dois anos que eu tava operando assim, e e aí um um pupilo que nunca tinha operado, mas queria entrar. E aí ele juntavam as duplas e a gente disputava entre a gente, e quem eh quem era o apresentador era o Didi, não sei… E ele era uma figura muito conhecida no mercado na época, era um analista gráfico, fazia HSBC, ICAP, enfim. E aí eh ali eu entrei no mercado, né, de uma forma com mais visibilidade, e ganhei o programa.
Caraca, ganhou dinheiro!
Eu eu ganhei o programa, ganhei dinheiro, na verdade, porque que fui eu que perdeu menos. [risadas] Não, não, eu ganhei dinheiro, eu saí com 9 dias, sei lá, R$ 77.000,00, só que a gente não podia ganhar o valor que tava ali porque tinha que pagar o prejuízo dos outros. E teve uma equipe que sozinha perdeu mais de 30.000. A gente tava numa semana antes de acontecer o investment grade, eu lembro, logo depois aconteceu. E o cara tava apostando toda hora em eh venda a descoberto, e vendia e vendia achando que ia cair porque tava dando ali um topo de fato. Depois caiu, né, do investment grade, que aí veio toda a crise e tal, mas ele já tava antecipando algo que não acontecia. Então a minha estratégia foi ganhar bem pouquinho, eu fazia umas estratégias e ficava na moita esperando a galera só perder. Então foi um pouco disso. E aí como profissional eu ganhei, mas o meu pupilo perdeu por R$ 20,00 de um outro pupilo, mas enfim. Ali abriu portas para mim de eu trabalhar no mercado, e eu morava no Sul, vim para São Paulo para gravar o programa, fiquei 20 dias aqui gravando.
Você você tava casada com…?
Não tava casada ainda, não. Eu tinha 21, 22 anos assim. E aí, mas você já tava morando sozinha?
Não, você ainda morava com seus pais?
E aí você veio, veio sozinha para cá?
É, e eu vim, fiquei aqui num hotel 20 dias. Eh e aí quando terminou o o Didi tava trabalhando, que era o apresentador na ICAP, e aí eles falam… Aí eles me chamaram para trabalhar primeiro na consultoria dele, que era Doxi. Doxi, né, o nome de um negócio de gráfico, da vela do gráfico. E lá tinha uns aquários, né, por causa dos sardinhas, tubarões, e aí eu era dofista aquarista, e aí eu ficava ali aprendendo e fazendo análise, porque todos os meus cursos no início ali foram na época a XP tava no Sul, no início de tudo, fazendo curso de análise técnica. Foi meu primeiro curso, foi com eles, e aí eu aprendi muita coisa ali. E depois ele foi ser contratado para pela ICAP e acabou me indicando, daí eu saí da do… De fato, e fui trabalhar na corretora, isso no Rio de Janeiro. Então eu já saí eh do Sul e fui trabalhar no Rio, e com isso eu aí eu fui morar com amigas. Eu tinha 23 anos ali, nem amigas, as pessoas que conheci na internet, tipo ICQ, MIRC, sei lá, nem lembro se foi MIRC ou foi ICQ, e eu falei: “Gente, eu tô precisando de um lugar para morar”. Graças a Deus elas não eram malucas e deu certo, eu dividi quarto com uma delas e fui trabalhar, fui com a cara e a coragem tentar trabalhar. Eu fazia Comércio Exterior de faculdade.
Caramba, também fiz Comércio Exterior.
Pois é, olha só que loucura. E e aí eu fui para a ICAP de lá, depois eu casei, e aí o meu que agora é ex-marido, ele foi transferido para Blumenau. E aí em Blumenau também não tinha nada, mas na época a Plural, que é uma corretora supertradicional daqui de São Paulo, tava abrindo distribuição. Na época só tinha ações, tava abrindo distribuição de fundos, e aí eu fui para tocar a distribuição de fundos na região, e aí eu fui a que mais vendeu e tal, que eu sempre tive essa veia eh vendedora, bem comercial.
Vendia.
E aí depois ele foi para BH, na verdade para São João del-Rei, e aí eu falei: “Puta, São João del-Rei…”. Eu já tava eh formada, já tava fazendo MBA na FGV de Finanças Corporativas com ênfase em Gestão de Investimentos, e aí eu fui levar meus currículos. Tinha agências bancárias na cidade, fui levar. O gerente virou para mim e falou assim: “Cara, mas seu currículo é melhor que o meu”, o gerente geral da agência, “não dá para eu te contratar”. Então assim, não tinha zero espaço, o meu currículo era muito bom pra cidade, porque era mercado financeiro puro. E aí eu falei: “Vou pra BH”. E aí eu fui pra BH, fui trabalhar na Ativa Corretora. Era longe de São João, era 3 horas, então eu ficava a semana lá e todo final de semana eu voltava. Cara, não tem… É isso, né, não tem como você crescer sem sacrifícios, assim, eu acho que é uma crença meio limitante minha, mas não tem.
Não, mas tem que… Não, mas na verdade eu também, eu concordo 100% com isso aí.
Não tem, não tem o que fazer. E eu fiquei nessa assim por dois anos, e até engravidei. Aí até engravidar de Maria. Quando eu engravidei, eh ele foi transferido para Goiânia, e aí eu falei: “Puts, como é que eu vou agora? Ativa não tem Goiânia, Ativa só tem no Rio”. Eu tinha algumas filiais, mas não tinha em Goiânia. Aí eu fiz uma estratégia de voltar para banco, e aí eu fui pro Santander, eh pra área de ações do Santander, era em BH, já pensando na minha transferência para Goiânia. E, tipo assim, faltavam uns 5 meses pra minha transferência, não contei pro pro Santander. Fui na cara e coragem, falei: “Cara, eu tenho que ser a primeira aqui, porque senão a primeira não vão me transferir”. Porque na verdade banco tem umas regras que só pode te transferir ou te dar eh alguma promoção com pelo menos um ano. Mas eu falei: “Ah, isso tudo com performance cai, né?”. Aí eu realmente fiquei top 3 do Brasil.
Caraca!
E aí eu falei, agora eu vou falar pros caras em São Paulo, porque a gente respondia para São Paulo porque era a mesa de ações. E aí eu falei: “Ah, olha, então meu marido foi transferido pra Goiânia”. Aí ele falou: “Olha, a gente não tem mesa de ações em Goiânia, fica em Brasília, mas a gente tá abrindo…”, na época tava abrindo o Santander Select, “e a gente tinha aquela figura do gerente de investimentos, e eu era CEA”, que é uma certificação do mercado aí. E lá não tinha nenhum CEA em Goiânia inteira, era tipo supernovo. É isso em 2015, hoje tem, né, centenas. E aí ele falou, eh: “Só que a gente já tá com o gerente de investimentos lá, mas eu acho que eles não estavam gostando muito do cara, e vamos testar, e vamos”. Eu falei: “Não, estamos dentro, vamos embora”. E aí eu falei de novo: “Se eu tiver performance, eu vou conseguir”. E aí de fato o cara era muito técnico, ele não tinha essa coisa de atender, porque no final do dia, quando você trabalha numa agência bancária como gerente de investimentos, é você, o seu cliente é o gerente do banco, e o seu… O cliente final. Então eu fiz ali todo esse, e o cara, eu tive uma sorte, coitado, ele tá bem hoje, ele teve zika, sabe? Lembra da época da zika?
Nossa!
Ele ficou 15 dias em casa por conta da zika. E aí eu falei: “É, agora é só as oportunidades que aparecem”. Que que eu vou fazer? A culpa não é minha da zika.
Não, isso é, é mercado, né, é competição.
E aí foi uma época que tava marcado um evento com médicos, porque a gente atendia toda a Unimed de Goiânia, e ia ser na agência, e ele ia abrir o evento e tal, e aí ele pegou zika e eu tive que assumir. Resultado: deixei, converti vários clientes, a regional de Goiânia era a pior em vendas assim, ficou sendo top também no Brasil. E aí ele acabou sendo desligado. Não, ele tá bem hoje, né, tá bem. Não, mas a gente é amigo hoje, olha que loucura, a gente é amigo. A gente, ele dá aula no Mackenzie, já me chamou para dar aula pro… Assim, porque ele entendeu que era outra veia, não era a pegada dele mesmo, que eu acho que o capital humano não tava bem alocado.
É isso.
E aí acabei dando supercerto. Só que o seguinte: banco ou você se joga da do precipício ou, né, você sai. E aí deu 10 meses de banco, eu falava assim: “Não, pelo amor de Deus, gente!”. Eu sempre fui pró-cliente e não, não tem mais produto para ser pró-cliente. Eu tinha colocado Tesouro, o banco me matava que eu colocava Tesouro, mas eu só tava acertando os calls, e o que que eu podia fazer? E aí eu liguei pra Ativa e falei: “Vocês não querem abrir uma filial aqui?”. Essa minha veia empreendedora, ela acabou sendo muito intraempreendedora também dentro das empresas. E aí um dos sócios, donos da Ativa, ele sempre teve fazenda por lá, ele falou: “Cara, eu quero”, que eu acho que aí tem um superpotencial. Nem tinha chegado o XP lá ainda, tava superincipiente esse mercado, e aí eu falei: “Então vamos abrir”. E aí eu saí, abri só eu num… Fiquei 4 meses sozinha dentro de um escritório de $30\text{ m}^2$ lá, e em 4 meses, como eu fiz a coisa certa com os clientes, porque é isso, quando você faz a coisa certa, o cara te procura e fala “eu quero continuar investindo com você”. A Ativa não era ninguém, ninguém conhecia, mas as pessoas confiavam em mim porque eu tinha dado call não do banco, mas o que a pessoa precisava, né? E e aí com quatro meses eu contratei uma estagiária, com seis meses a gente estava no breakeven, eu já tinha captado mais de 400 milhões, assim, a gente nadou sozinho em em Goiânia até chegar a XP e tudo mais. E aí com isso eu fui promovida a gerente de todas as filiais e virei sócia. E aí a matriz era no Rio, então eu voltei pro Rio, né, e comecei a fazer um trabalho com todas as filiais da Ativa lá.
E teu casamento?
Aí nesse momento, o o meu ex-marido, ele tava na intervenção federal do Rio de Janeiro, lembra disso?
Não lembro.
Teve o presidente fez uma intervenção federal no Rio, e ele foi, se voluntariou para ir e foi comigo, então passou um ano lá, e depois ele conseguiu ficar lá, superfuncionou. Só que meu sonho era o quê: ser uma grande executiva, e eu vivia em São Paulo, mas a grande executiva tem que trabalhar em São Paulo. Então eu tava com isso na cabeça, e aí eu tava indo superbem lá e tal, mas a Ativa era uma corretora muito já antiga e que já tava nos seus limites. Eu tinha batido no teto, porque lembra, na coisa de eu me adaptar, eu já tinha sido na Ativa eh gerente comercial, né, de filiais, aí eu virei produtos, aí eu virei RH e eu virei marketing. Eu sentava na mesa de diretoria já com todo mundo, mas os caras 50+, eu ali com 30, e cheguei no meu limite, cheia de energia, precisando, querendo voar, e a galera “ah, não…”, não tinha dinheiro. Exato, todo mundo cheio de dinheiro, já tava em outro momento de vida, e eu falei: “Ah, não, então agora bateu um pouco do meu teto”. E foi nessa época inclusive que eu conheci até o Daniel Scott, porque eu fui num evento que a gente fez várias eh a gente foi na Amazon, a gente foi na Oracle, e eu falei: “Eu preciso conhecer gente, preciso ir para São Paulo para começar a entender para onde que eu vou”. E daí eu vim para São Paulo a convite de um banco digital que foi péssimo. Eu sempre fui muito estudiosa de cultura também, porque adoro esse tema de cultura de empresa, e assim, eu entrei… Eu deixei minha família, já tava com a filha, deixei meu marido, minha filha no Rio, e falei: “Eu vou para São Paulo primeiro”, porque eu recebi a proposta, eu voltava toda sexta-feira.
Caraca!
Eh e aí e ele tentando ser transferido, mas ia demorar pelo menos um ano, então a gente ia ficar nesse um ano, tava alinhado. Só que aí deu dois meses, eu falei: “Meu Deus, o que que eu fiz?”. Porque eu odiei esse lugar, a cultura era horrível, eu sofri assédio. Foi assim, foi péssimo, foi tudo ruim. E aí foi nesse momento que eu de fato empreendi, que a gente tava conversando, é, que aí eu falei: “Puta, eu vou tenho que fazer alguma coisa, não aguento mais trabalhar com homem”. Esse é o problema: os homens, os homens não, mentira, gente, eu não, eu adoro homem, tá? But…
[risadas]
Mas o, mas o, mas só, só entrando num assunto sensível, o assédio foi assédio moral ou…
Caraca, bicho!
Pegar na minha perna, esse tipo de coisa.
Mentira!
Mentira, que doideira.
E aí eu falei: “Não”. Aí, lógico, se beijou. É, e aí me indicaram para um lugar, fui fazer a entrevista. Eu na verdade eu marquei a entrevista, aí o cara falou assim: “Ah, eu não consigo agora, mas se você quiser vir aqui jantar comigo…”. Eu falei: “Caramba, eu tô num lugar…”. Aí eu já assim, já achei que São Paulo era só isso. Eh e aí eu falei: “Não, eu não quero mais trabalhar no mercado financeiro com homens porque nem em São Paulo…”. E assim, na verdade eu na na Ativa eu nunca tinha sofrido nenhum assédio desse tipo, mas era um lugar muito pesado do ponto de vista de cultura, porque a galera que tinha o trabalho não garantia. Então assim, eu fui forjada na dor total, mas isso OK, vamos lá, na porrada, tô acostumada. Agora o outro lado já é mais difícil, né?
Exato.
E aí eu falei: “Não, agora eu vou trabalhar com mulher”. E aí eu fiquei pensando o que fazer, não o que fazer, mas eu tava lá ainda tentando, né, fazer a minha transição, pensar o que eu ia fazer, e aí foi quando eu tava vendo um jogo de futebol feminino por acaso. Tava num domingo no final do dia, já tinha chegado do Rio para trabalhar na segunda, e aí eu tava vendo futebol feminino, e aí veio um download. Acho que empreendedor sabe o que eu tô falando, porque de repente vem uma ideia na sua cabeça, parece que ela tá pairando aqui, e ela cai assim, faz um download, você conecta, você sintoniza a ideia. Sintoniza a ideia, e foi exatamente isso. Eu sintonizei, falei: “Cara, vou abrir uma assessoria para mulheres. Eh assim, a gente não tem esse espaço, e a gente precisa desse espaço”, e tal. E a XP já tentava me levar há muito tempo para abrir um escritório para trabalhar lá, e eu sempre dizia: “Não, nunca tinha tido ainda o momento certo”. Aí eu liguei pro cara que era da expansão lá que eu tinha esse contato, eu falei: “Agora eu tenho uma ideia, vamos jantar amanhã?”. Aí ele: “Vamos”. E aí eu cheguei e falei: “Olha, eu quero abrir uma assessoria para mulheres”, assim. Eu tava mega empolgada, pá, pá, tipo paixão de empreendedor. E aí ele: “Cara, só pela tua paixão tá fechado, vamos fazer”. E assim, XP também naquela época não era paz e amor, é homem, até hoje só homem. E ele falou: “Não, eu acho que nos Estados Unidos o mercado já é super clusterizado, né? Tem desde as mulheres divorciadas, tem advisor para isso, então eu acho que aqui a gente tem um espaço, vamos fazer”. E eu falei: “Olha, mas existe um um um desafio aqui, porque eu não cuidava mais de cliente, eu já tava muito institucional, então eu tinha zero clientes. A minha a carteira já tinha ido para todo o meu time assim”. E aí eu falei: “Mas eu vou usar as ferramentas que eu tenho de marketing”. E aí eu fiz uma estratégia… Eu sempre fui muito eh fã do case do Nubank, né? Eu tava falando da Cristina Junqueira para você, e aí eu falei: vou abrir uma lista de esperas, vou abrir um Instagram, fui, não sei o quê, e aí assim, quando a gente abriu, a gente foi o escritório que mais abriu conta no primeiro mês de vida da história da XP, só pra mulher, 99% era mulher, 1% era gay. Mulher, porque eu também me posicionei como o primeiro escritório de mulheres e LGBTQ, porque, cara, no final do dia era para isso, era para essa minoria, entre aspas. E assim, eu saí desde o Jornal Nacional até ensaio na Vogue.
Mesmo?
Porque passarinho que chega cedo bebe água limpa, então assim, o assunto ficou muito em alta na Faria Lima. Eu meti nos relógios de rua “Elas Vem Aí”.
Caraca, eu…
Porque como eles viram também de marketing, né, já é assim, eles investiram. Eu falei: “Cara, eu tenho que investir em marketing aqui e criar um buzz“. E aí depois o orgânico no digital foi fácil, entendeu? Só que aí veio a pandemia. Isso em 2019 que eu abri, tipo junho a gente lançou “Elas Vem Aí”. Em outubro de fato a operação iniciou, por isso que eu já tinha fila de espera, que ao longo de abril veio. E aí quando surgiu a pandemia, eu tava num evento marcado dentro da XP do Dia da Mulher, em março, e a XP, o meu evento era dia 13, a XP foi a primeira a fechar, não sei se você lembra, foi o primeiro caso e tal aqui em São Paulo, e aí cancelou tudo. Eu falei: “Caramba, vou…”. Eu tinha acabado de alugar um espaço na Gomes de Carvalho, ali na Vila Olímpia, era a Elas era toda roxa assim, aí tava lindo o escritório, fecha tudo, aquela confusão toda. E aí assim, eu tinha caixa até setembro, e aí eu fui tentando administrar, mas aí o que que aconteceu: abria 25 contas por dia assim, orgânico, era superlegal, mas a XP também começou a me canibalizar porque ela começou a ver que tava dando certo, mas era a a mulher ela tava despertando para investimento. Então ela não era o ticket médio dela era baixo, era baixo, e aí ela viu que era uma cliente para a Rico. Então ela começou a fazer uma estratégia, se você olhar na linha do tempo da XP, ela começou a fazer uma estratégia de mulher na Rico, que foi quando ela colocou a Betina Roxo como estrategista-chefe e tal. Ela comprava a minha palavra no Google, ela mesma começou a me canibalizar, e aí além disso, todo mundo foi pro digital. E eu, que abria 25, e sem dinheiro para colocar, comecei a abrir tipo 11, 7, 4. Quando chegou em quatro, comecei a ficar nervosa. Liguei pro Álvaro, né, e falei: “Álvaro, tá acontecendo isso, que que você acha? Você é um cara experiente, me dá uma luz”. Mentoria. Eh “Eu tenho alguns players que estão querendo me comprar porque eu já tinha duas propostas de compra, mas eu tava muito assim: cara, isso aqui vai dar, tá dando certo, eu só preciso de tempo, mas a gente não sabia o que ia acontecer e grana também para conseguir concorrer com os caras”.
Exato.
Só que é o seguinte, eh a gente, autônomo naquela época, não podia ter sócio-investidor. Hoje pode, com a CVM 177, se eu não me engano. Eh mas naquela época não podia, então ou era a XP que botava dinheiro ou não tinha jeito, ou uma outra casa me comprava, mas o BTG ainda tava nesse, o BTG não tinha nem comprado a EQI ainda.
Caramba!
Então não tinha esse movimento. E aí eu falei: “Cara, eu não sei o que fazer porque eu também tô com medo, porque eu não sei o que vai acontecer. Eu sei que a ideia é boa, tá dando certo, mas a gente não sabe esse hiato, né, da pandemia”. Aí ele falou: “Olha, você tem casa te comprando, você tá com problema de caixa, você tá nervosa e tal, de repente essa pode ser a melhor opção”. Aí eu fui estudar os meus cases que tavam, eu recebi proposta da EQI, da Monte Bravo, assim, eram as melhores, eh e a Monte Bravo, ela não tinha expertise digital, ela tava eh querendo… Então ela queria, na verdade, me comprar para eu poder tocar lá. Aí que aí já tinha, e eles queriam uma cara, aí eu falei: “Ah, esse negócio de ser cara não é, eu quero, é muito descartável, até porque é descartável. Eu quero, eu quero construir do zero lá e eu vou ter relevância, os caras vão captar com o que eu, com o que eu fizer, e aí eu vou ganhar mais sociedade e tal”. Eu tive mais fit com, com os meninos da Monte Bravo, Pia e Portela, e daí eu fui para lá e, e foi incrível assim, eh foram… Eu fui, virei marketing, a gente fez rebranding, tudo que era, eles eram iguais à XP, assim, não tinha a menor diferenciação. A gente fez rebranding, aí eu fui pra aquisição, a gente captou assim mais de um bi em um ano só com o digital. Caramba, foi bem legal! Só que aí a XP comprou, foi na época que tava rolando BTG/XP, aquela confusão toda, a XP comprou 45%. Foi ótimo, era sócia, ganhei dinheiro, né? Um evento de liquidez sempre é bom, mas também foi aquela coisa de “chegou no teto de novo, todo mundo deu uma perdida, quem é agora?”, e eu falei: “Hum, tá na hora de eu, de eu fazer uma transição aqui”. Eh e aí foi quando a Galápagos, na verdade eu tive, graças a Deus, eu tive muitas propostas, eu pude estudar, mas a Galápagos assim, quem era o fundador da Galápagos e o comitê executivo era muito sedutor, né? Porque o Carlos Fonseca fundou o BTG com o Esteves, daí saiu do BTG, fundou o C6, e tava fundando a Galápagos. Tinha um ano…
Currículo, só currículo.
Tinha um ano. Eu falei: “Cara, isso aqui é é assim, o mercado financeiro você tem que pegar lugar que tem prêmio. A XP já não tinha mais prêmio, então ela paga um bom salário, mas ela não tem mais prêmio. BTG é a mesma coisa, te paga um de um salário, mas não tem prêmio”, e eu queria fazer prêmio de novo, assim como eu fiz na Monte Bravo. Eu falei: “Cara, tudo bem eu dar um passo de novo para trás para conseguir prêmio com esse projeto”. E aí eu fui para a Galápagos nisso, e assim, início Severina total, eu entrei, tinha 50 pessoas na Galápagos, hoje tem 500.
Caraca, que legal!
Eh então foi uma trajetória, eu entrei na verdade para fazer uma coisa que era aquisição de clientes, mas no final a gente comprou uma DTVM que era do BS2, o banco BS2, toda a parte de investimentos deles. E aí, como eu sempre trabalhei em corretora, fui eu que toquei esse projeto dentro: “Stopa aí aquisição, vai vir 60.000 novos clientes, tem que tombar cliente…”.
Começando mesmo, começando.
…tem que tombar, tem que fazer aplicativo, tem que isso, tem que aquilo. Então eu passei dois anos com o Banco Central aprovando, fazendo essa fusão para depois entrar.
Que que é um B.O., hein?
Super B.O., B.O. cultural inclusive.
Cultural nem posso te falar, não sobrou, acho que não sobrou ninguém. Se eu olhar hoje, hoje eu acho que não tem… Se bem que tem uma menina em BH, mas do BS2 mesmo aqui em São Paulo, ninguém, sobrou uns meninos de uns dois em operações, mas a parte comercial toda, todo mundo foi embora. É outra mentalidade, mentalidade de banco, batendo ponto, aquela coisa, não era mercado financeiro raiz, e eu era gestora de todo mundo, não… E era uma dificuldade assim, e eu sou muito direta, eles falaram que era muito dura. Imagina. É mesmo? Eu fui criada com o Banco Garantia, sabe?
[risadas]
E aí foi muito difícil, mas tudo bem, a gente tava ciente de que isso ia acontecer. Eh a gente tava comprando a carteira…
A gente estava comprando a carteira e a gente tava comprando um arcabouço tecnológico na verdade, porque a gente precisava do aplicativo, a gente precisava da DTVM para fazer custódia das carteiras administradas. Então a gente tava comprando um arcabouço, os clientes vieram ali, e também nem era muito o perfil dos nossos clientes, porque era uma base muito varejo e a nossa base ela é um pouco mais alta renda, então também não era uma coisa ali para cliente. Mas ainda assim você tem que desligar lá e ligar aqui na mesma hora pro lugar. Então foi um B.O., foi um superdesafio. Dois anos, dois anos eu engravidei no meio do processo, o meu chefe quase morreu porque era isso, a gente era muito pouca gente. E aí quando nasceu o meu filho, eu entreguei também o projeto, pum. E aí eu até fiz uma transição supercertinha da minha licença-maternidade, contratei alguém, treinei, e tal, e aí quando eu voltei, eu já voltei promovida pra diretoria de marketing, então foi um pouco dessa trajetória.
E que momento você vira sócia? Pera aí, deixa eu beber uma água. É, eu acho até que eu me estendi, né?
Mas conte… Você deu o contexto inteiro, show.
Eh eu virei sócia no início desse ano. Olha só, depois de qu-, vai vai fazer 4 anos que eu tô… Depois de três anos, caramba! Depois de uma fusão… Depois de três anos. Eh não foi, não é fácil ser sócia da Galápagos. Os sócios são super assim, a galera é muito… Quem trabalha na Galápagos sabe, tem a gente tem esse employer branding, vamos dizer assim: são pessoas que foram muito bem-sucedidas. O meu chefe hoje era CEO da TAM, que é o Marco Bologna, e na época ele era CEO até quando caiu o avião aqui em Congonhas, então é um cara que assim, lidou com toda a fusão LATAM. Eh ele é o meu chefe, ele nem é o CEO da empresa. Tem muita gente muito boa dentro do da empresa, que iniciou a empresa, então eles tiveram muito esse cuidado da partnership, é uma empresa partnership mesmo no modelo raiz do mercado financeiro, mas com muito cuidado de quem vai entrar nessa partnership, sabe? E eu na verdade, eu tava numa fusão, mas na parte de wealth, porque a empresa hoje ela tem IB, ela tem wealth, ela tem seguros, ela tem investment solutions, ela tem… Ela tem tudo que um ecossistema bancário tem, só que a gente é uma companhia de investimentos, a gente não é um banco, então ela é muito mais eficiente, que é um pouco desse modelo natural que o mercado financeiro brasileiro vai chegar, e a gente já antecipou. E aí, eh todo mundo que veio, já veio com um know-how muito grande, e eu vim para uma área específica, eu não era institucional. Então assim, para eu ser reconhecida institucionalmente, eu precisava até de uma posição institucional. “Ah, não, Rebeca é aquela coisa do Severino também, pô, Rebeca resolve tudo, mas ninguém sabe exatamente o que ela faz”. Eu tinha muito essa visão dentro do wealth, né? Por um lado é ótimo, por outro lado também é ruim. O o head do wealth, que é o Arnaldo Corvelo, ele sabia exatamente que eu era o braço direito dele, mas ele sozinho num comitê executivo às vezes ele não conseguia levar exatamente o que eu fazia. Quando eu sou promovida a diretora de marketing de uma forma institucional, eu pego um marketing que não existia nada e faço a marca ser reconhecida da forma que é hoje. Aí, e isso, isso de fato aconteceu, porque Galápagos, eu eu tinha visão da Galápagos acompanhando no teu Instagram.
Uhum.
Foi assim que eu descobri o que era Galápagos, aí depois de um tempo, quando você assumiu, eu comecei a ver Galápagos de outras formas sem ser via Rebeca, ver Galápagos via mercado, isso aí…
É a Rebeca.
E a gente conseguiu realmente entrar no nicho que a gente queria, que é esse alta renda mais. Eh e hoje a gente já consegue ser falado, eu até acredito que a gente é essa terceira via, sabe? Eh é o que a gente brinca, que é a evolução natural, uma hora você vai chegar aqui. Sim, né? Então isso em um ano eu consegui mostrar, porque quando a gente volta de licença-maternidade, agora pras mães aí que estão assistindo a gente, quando a gente volta de licença-maternidade, a gente principalmente para uma vaga nova, mas independente de não ser a vaga nova, né, porque alguém já assumiu o teu papel, você tem 100 dias para te provar, para se provar de novo. Então eu cheguei pro meu marido e falei: “Você precisa me dar um waiver de 100 dias, porque eu vou dar a vida aqui”, porque na cabeça dos homens, quando você volta, você volta meio aconchambrada, que na verdade não é verdade, mas isso é um mindset que tá enraizado, principalmente no mercado financeiro. Tanto é que tem muita demissão de mulher no mercado financeiro pós-licença, e eu falei: “Isso não vai acontecer comigo. Eu fui a primeira grávida da empresa, e eu vou entregar muito”. Então, quando eu entrei, eu já identifiquei qual eram os gaps que eu participava do comitê de marketing anteriormente representando o wealth. A gente tinha contratado uma gerente, mas que era uma gerente que tinha vindo do Itaú, tava muito acostumada com essa coisa bem organizada do marketing, e lá a gente é quase que uma startup grande, você tem que fazer tudo, botar a mão na massa. Então eu sabia qual eram os gaps. Então na hora que eu entrei, eu falei: “Eu vou atuar aqui, que o ganho de valor vai ser muito forte. Depois eu vou atuar nisso, depois eu vou atuar nisso”, e aí você grava vídeo, você vai pra frente da câmera, você faz tudo, é isso aí, é uma pegada bem startup mesmo. E aí eu falei: “Aí eu vou fazer com que eles enxerguem valor no que eu entrego, e aí sim acabou essa coisa de licença-maternidade”. Eu lembro deles, assim, eu fiz um evento com e evento com político é uma coisa muito difícil. Aí eu fiz o evento e, no dia seguinte, a gente tinha evento em Campinas. Então eu saí à noite de São Paulo, já fui direto para Campinas para montar o evento lá, e eles assim: “Nossa, ela tá com um bebê de 4 meses em casa e ela tá saindo nisso e aquilo”. E assim, uma loucura, porque realmente eu deixei meu bebê, mas eu sabia que era um sacrifício que era importante para mim, que eu precisava alavancar minha carreira naquele momento, porque ou eu ganhava sociedade aquele ano ou não ia dar certo.
Ia passar o timing.
Ia passar o timing, até porque o valuation da empresa tava crescendo e eu sabia que ia acontecer coisas que eu precisava entrar naquele valuation. Então eu fiz esse alinhamento, né, com o meu marido, falei: “Cara, o waiver é de 100 dias, e eu vou entregar a vida”. E de fato aconteceu, e eu continuei entregando. Ele fala que esse waiver nunca acabou, né, que eu continuo até hoje. Eh e aí eu me tornei sócia. Na Galápagos tem avaliação em no final do ano, né, e aí tem aquelas curvas forçadas igual o BTG, né, então é excelente, muito satisfatório, aquela coisa toda. Então eu fiquei “excelente”, que é 3% da empresa.
Caraca!
E, e aí o “excelente” ele não vira sócio, não necessariamente, mas aí eu virei, fiquei excelente, top performance, e virei sócia. Então foram oito sócios, oito novos sócios nesse ano, e aí eu fui uma delas, então foi muito legal para mim. Eh e assim, hoje eu tô bem consolidada.
Top, que, que massa! História sensacional! E e no meio disso tudo tem a Rebeca mãe, Rebeca mulher, que aí eu puxo um pouco do assunto da nossa da palestra de que você que você trouxe. A Rebeca, para você ter ideia, ela eu tava tava tava até conversando com ela aqui no nos bastidores, falei: “Tem como a gente puxar aquele assunto?”. “Tem, tem, tranquilo”. Que é foi uma, na verdade não foi uma palestra, foi um talk que você fez lá, você… Eu acho que você não tinha nem slide, se eu não me engano.
É, acho que foi uma conversa, né?
Foi um bate-papo. Você deve ter ficado lá uns 40 minutinhos conversando, mas, cara, foi muito legal. Primeiro que você se se comunica superbem, e segundo que você é desbocada, então você fala as coisas de um jeito desbocado. Isso é um elogio, tá?
Vou, vou anotar.
[risadas]
É porque você tá, você solta as coisas que acontecem nos bastidores sem muito filtro, e de um jeito, claro, claro que você sempre eh se posiciona de, de maneira coerente, você não tá falando coisa que não pode, mas sempre contando assim uma coisa de que até eu vejo um pouco sutil do que acontece na realidade. Porque tem muita gente que tá só vivendo a realidade, mas não tá reparando na realidade, sabe o que eu tô falando, nos bastidores, nas entrelinhas. E você contando o que tava acontecendo aqui, fazendo várias análises: “Meu, eu tava num ambiente masculinizado, eu tava me masculinizando”. Em algum momento eu comecei a ver que… Aí você começou a falar de alta sociedade, como, como se comportar em alta sociedade, aí eu falava: “Que legal, você tem um olhar sociológico, sabe, psicológico sobre a, sobre a situação, você não tá só vivendo no automático”.
Mas é porque eu acho que essa coisa até do marketing, quando eu comecei a lidar com marketing lá atrás, marketing é sobre comportamento humano, então eu acabei entrando muito nisso, sabe? Eu gosto muito de dessa coisa da psicologia, antropologia, sociologia.
Você tava contando a tua vida, fazendo um paralelo sobre como as coisas estavam funcionando no invisível.
É, sabe?
E você meio que hackeando isso também, hackeando. “Opa, como, como que eu consigo aproveitar dessa regra invisível…”
É isso.
“…para me posicionar?”. Então, perfeito. Porque eu sou, eu faço isso o tempo inteiro na minha vida, porque eu não sou quem indica, não fui herdeira, nem nada. É como que eu hackeio o ambiente, exato, e dá para perceber isso na tua vida, porque além disso você é você, independente de “ah, foi a Elas no meu canal empreendedor”, não, você a tua trajetória inteira foi empreendedorismo.
Sim.
Até, “putz, eu não tô satisfeita aqui”, você precisando se virar toda vez que seu marido mudava de cidade, e já entendendo que ele vai se mudar, fazer um movimento lateralizado para ir para um banco de que conseguiria te dar uma, uma projeção de transferência, cara, isso é um B.O.
É um B.O., é um B.O. B.O., é um problema.
Você tava, você tava jogando no nível hard lá e tava conseguindo, até a ponto de: “Pô, tô numa cidade que não tá me abrindo vaga, vou criar a vaga, abre uma filial aqui”. Isso é empreendedorismo puro. Eh mas vamos trazer um pouco dessa dessa palestra. Talvez você não lembre, mas você já sabe a o assunto. Vamos trazer um pouco dessa palestra: como que foi para você entrar num ambiente totalmente masculino, um lugar que uma mulher já tem dificuldade de ter voz, uma mulher bonita mais dificuldade de ter voz, uma mulher feminina mais ainda dificuldade de ter voz, e aí você acaba se masculinizando? E como que foi esse processo, e como que foi essa sua percepção invisível sobre o invisível para ir se ajustando? Dá um overview primeiro na ida, depois a gente fala da volta.
Bom, vamos lá. Acho que a primeira percepção de que eu tive disso de fato foi quando eu assumi mais cadeiras na Ativa, e aí eu comecei a participar de reuniões com diretores e CEOs, que era a reunião de diretoria. Toda segunda-feira era um almoço, e eu tinha… Eu ficava muito nervosa de levar as coisas, e eu sempre fui cara de menina, eh sempre muito sorridente, então eu tinha dificuldade de vender a ideia de uma forma que eles vissem “ah, não é a menininha que tá trazendo aqui, é a profissional”. E aí eu acho que nesse momento a gente tem que ter a humildade de falar “eu preciso melhorar isso aqui”.
Até a extroversão nesse ambiente acaba jogando contra.
É ruim, é ruim. Eu era feliz demais, sabe assim, rindo demais. Então eu falava “eu preciso me conter, e como que eu vou fazer isso, né?”. Então eu lembro de contratar uma coach, era uma fonoaudióloga, mas era coach de comunicação, e aí eu sentei com ela e falei esses desafios. E aí eu falei para ela: “Cara, eu preciso aprender a falar com homens em reunião para me deixar mais segura”. Eu tinha visto já um TED Talk da Amy Cuddy, que ela fala sobre linguagem corporal, eu comecei a fazer aquilo, aquilo já melhorou demais a minha postura. De fato, aquilo funciona muito. Só que aí eu falei: eu sou boa, todo mundo falava que eu era boa em comunicação, e eu acho que quando você é boa em algo e você melhora aquilo, você de fato vira um outlier, né? Então é a curva, né, das pessoas medianas, tá todo mundo aqui. Daqui eu fui para cima, então eu fui melhorar o que eu já era boa e trazer técnica pra reunião. Então algumas coisas assim são detalhes mesmo que me trouxeram pra algo, porque também com 30 anos a gente tem uma coisa que eu vejo muito, até eu olho às vezes para umas meninas com 30 anos, eu falo “eu também fui assim”, mas eu não tinha ninguém para falar para mim, porque ninguém fazia mentoria, não tinha essa coisa de mentoria, não tinha de feedback, não tinha. Então quando como não tinha, eu buscava fora. Então tipo nossos encontros com o Daniel, aí eu falava meus meus desafios pras pessoas. E assim, a gente com 30 anos a gente quer ser combativo, a gente quer ser reativo, a gente não escuta, né? E foi uma coisa que eu demorei muito para aprender. Você quer ganhar na força, você quer ganhar na força, você quer quer mostrar que sabe aquele assunto e quer falar. Só que, cara, você sendo jovem e mulher, a sua opinião no final do dia ela pouco importa. Você tem que trazer sempre alguma coisa para a tua opinião que embase. Então eu aprendi que qualquer coisa que eu levava para defender uma ideia, eu levava contextualizada com algo, eh realmente algum estudo. Se fosse de Harvard, melhor ainda, porque não era sobre a Rebeca, exato, era sobre algo que tá acontecendo, é sobre uma tendência que tá acontecendo e que a gente precisa olhar para isso. “Queria trazer na mesa essa discussão, o que vocês acham?”. Então é muito mais para levar pro todo do que impor aqui.
E a galera… E é legal porque assim, só fazendo um parênteses: em nenhum momento você se vitimizou, isso que eu achei muito legal da tua palestra, de tipo assim, “ai, eh nós, as mulheres, machistas”, não. Você falou assim: tá, esse é o cenário?
É isso.
Mas sabe o que que eu acho? É que essa coisa da mulher mais vítima ela veio depois, eu acho que se eu talvez tivesse no mesmo contexto, talvez eu ia… Eu não sei, mas isso não existia, ninguém falava sobre assédio, ninguém falava sobre mulher, não sei o quê, a gente era minoria e ponto final: cala a boca e faz igual a todo mundo, entendeu? Era um pouco de você tá… A vida acontecendo, como diz Cristina Junqueira, é a vida acontecendo. Então eu só que eu precisava hackear aquele ambiente e conseguir, afinal de contas o meu sonho era ser uma grande executiva, não é mesmo? Então como que eu faço para chegar lá? E aí eu fui tendo essas estratégias, eh mas que ao mesmo tempo isso também mudou um pouco a forma que eu sou, porque naturalmente, num ambiente masculino, você é fruto do contexto. Até tem um estudo que fala que eh o contexto às vezes muda mais do que o próprio DNA, ele passa por cima. Então às vezes você nasceu com uma coisa, mas o contexto te molda. Então o meu o meu contexto altamente masculino foi me moldando. Eu tive um feedback que inclusive o Arnaldo foi meu chefe há pouco tempo, hoje é meu sócio, a gente fala até de igual para igual, e é maravilhoso, mas assim, uns dos meus feedbacks mais pesados vieram dele, de eu chorar uma vez e ele me encurralar assim num cantinho e falar: “Para de chorar, não é assim”, não sei o quê, gritando. Hoje em dia se a gente fizer isso vira assédio, né? Mas assim, aquilo ali me trouxe uma casca tão importante que eu só tô onde eu tô porque eu consigo aguentar a porrada necessária, que lá em cima é uma porrada. E não é nem uma porrada de pessoas, é do mercado.
É do mercado.
É uma porrada do do desafio que tá na mesa, não é sobre você, não é pessoal. Mas assim, até as pessoas conseguirem dividir isso… E aí esses dias eu soltei uma caixinha e fizeram essa pergunta pra mim, né, de uma mulher e tal, e aí eu contei essa história que eu tô contando aqui, a mulher: “Ai, deve ter sido muito sofrido”. Eu falei: “Gente, eu nem consegui perceber que era sofrido, porque eu tava traçando uma estratégia de eu ler o ambiente e crescer, porque aquele era o meu objetivo”.
É que é um pouco de engenharia social, você saber jogar o jogo.
E não era sobre quem eu sou, é o que é o que o contexto me pedia naquele momento, que eu não vi como um sacrifício, como “ai, foi pesado, foi duro, foi duro”. Quando o Arnaldo me chama de volta para trabalhar na Galápagos junto com o Fonseca, eu cheguei para meu marido e falei assim: “Nossa, meu Deus!”. Mas o fato de eu ter saído e voltado e ter dado certo até em outro lugar, ele ele me tratou tão como profissional assim, que eu falei: “Respeito”.
Porque ele me criou enquanto profissional, porque um dos meus primeiros trabalhos foi com ele por muito tempo, a gente ficou seis anos trabalhando juntos, e eu volto depois num outro contexto.
Você faz um movimento lateralizado, e ele reconhece isso, você no mercado, e te puxa, e te puxa de volta.
Então assim, e hoje a gente tem uma relação que tá quase de igual para igual, não vou dizer porque ele é mais sócio lá, mas assim, a gente troca, faz almoço de mentoria dele. Ele não é mais meu chefe, e a gente faz de ambos os lados. E foi assim, eu poderia falar que ele é um um líder megaduro, mega isso. Não, acho que a gente tem que entender a leitura de ambiente. Não foi pessoal, muito pelo contrário, foi para me desenvolver, e a maioria das vezes não é pessoal.
Quando o líder… Quando o líder é pessoal, que é um cara bom e cobra, cara, normalmente não é pessoal.
Exato, e aí então assim, eu consegui passar por essas coisas de como ser mulher numa mesa de uma forma como estratégia. Foi como estratégia. E aí eh corta para a Galápagos: quando eu entrei na Galápagos, eu também tinha uma reunião toda segunda-feira só com homens, inclusive o CEO e tal. E aí os primeiros dois, três meses eu era invisível, porque é isso: beleza, ela veio e tal, mas assim, eu não… Eles não me conheciam, só quem me conhecia era o Arnaldo, eu não tinha ainda essa, né, essa relevância. E aí foi quando eu li o artigo que eu te falei no início aqui nos bastidores, eu li um artigo eh de Harvard, que eu comecei a estudar muito sobre isso, até por causa da Elas também, e que falavam que CEOs do Vale do Silício estavam se enfeiando, entre aspas: então assim, prendia o cabelo, cortava curto, colocava óculos, mulheres, tá, colocava uma roupa mais masculina, porque o poder tem cara de homem. Então a a estratégia aqui é você fazer rapport com homem. Eh porque quando você é feminina demais, você aciona o reptiliano, vamos dizer, daquela pessoa outra coisa, e não que você precisa acionar, porque você precisa ser vista como performance e conteúdo, e não sobre as suas curvas e e tudo mais. Então, ainda mais numa mesa com vários homens, porque potencializa o reptiliano.
Vários homens, exato.
E aí eu entrei, eu comecei… Falei assim, eu lembro de falar com o meu marido: “Eu preciso de uma estratégia”. Eu comecei a ir dessa forma, além de ficar calada e só falar quando de fato fosse acionada, eh até que um dia eles falaram… Eles antes brincavam entre eles, e eu não participava dessas brincadeiras. Era antes de entrar na sala, eu vi que eles estavam falando algum bucho ali, e eu ficava mais de longe, até que um dia eles falaram que uma mulher era gostosa, não sei o quê, na minha frente, eu falei: “Pronto, agora eu ganhei!”. Porque eles tinham dedo para falar comigo, eles tinham medo, porque também a gente acha que a gente é a única mulher e que o homem tá dominando ali, não, mas ele também tem medo de você ser a única ali, porque ele não sabe o que ele pode falar e como que você vai agir. Então naquele momento eu eu consegui ser percebida como um homem dentro da sala. Aqui era a minha primeira estratégia, a primeira fase da estratégia. Falei: “Bom, agora eles já me enxergaram de igual para igual, tô aqui, consegui fazer o rapport“.
Olha que louco, porque dependendo, a mulher não se sentiria bem com esse comentário. Mas você entendeu, é o que eu falo que por isso que a palestra me chamou muita atenção. E no caso você já tá contando casos pós-palestra.
Pós-palestra, mas é isso, você nunca ficou pegando esse… Isso, cara, me chama muita atenção, e e talvez tomara que esse podcast seja eh exemplo para todo mundo, não só para as mulheres e tudo mais, porque é isso: é entender que muitas vezes não é sobre você.
Não, não era sobre você, não. É leitura de ambiente, entendeu? Você tem que ter a leitura. Então assim, a partir do momento em que eles conseguiram se abrir comigo, não comigo na mesa, isso é uma intimidade a mais, é um ponto a mais, um ponto a mais. Porque as mulheres falam assim: “Ah, a gente não tem aquele momento de networking com os homens, porque eles saem sozinhos e eles falam sozinho”. Cara, às vezes você tem que jogar com a brotheragem. Então aquele momento foi: eles estão me vendo como brother. Se eu sou brother, eu consegui já um step. É isso. E aí eu fui pro próximo step, entendeu? Então, e foram coisas que foram acontecendo que foram me levando para esse lugar de mais confiança com eles. E aí corta agora que eu já tô 4 anos na empresa e que eu já sou sócia. Hoje é engraçado porque quando eu tô arrumada, bonita, eles… Eu eu sou tão brother que hoje é assim: “Nossa, Rebeca, você tá em ordem”. Eles não conseguem falar que eu tô bonita, eles falam: “Você tá em ordem”, porque não existe esse, né? É é essa coisa de eu nunca passei dos limites com eles, e nem eles comigo, porque eu sempre fiz esse rapport de: cara, eu sou um homenzinho aqui. Só que agora, depois que eu conquistei, eu comecei a ficar mais feminina, até porque eu precisava também, porque esse é o lado negativo, você vai ficando meio masculina, e aí eu precisava resgatar algumas coisas. Então, mas agora tá tudo bem, eu sei… Só que no momento que eu posso ser.
Exato, você já conquistou o teu lugar profissional.
Exato.
Então você tem autoridade inclusive para se femininar de novo, porque você já tá naquele lugar.
Já tô, e assim, até o meu olhar feminino para as coisas ele é valorizado, porque agora eu já entreguei performance, eles já reconhecem quem eu sou enquanto profissional, tenho respeito. E não foi na base do grito, não foi na base… Porque é isso: a mulher ela quer ser ouvida, e aí ela quer falar, e ela não para. Isso foi uma coisa também que aconteceu: o meu marido, ele era meu chefe, tá? O meu segundo marido, o Yan, ele foi um superchefe para mim na Monte Bravo. E aí ele virou para mim uma vez numa reunião — a gente ainda não tinha nada —, ele virou, e eu tá, tá, tá, ainda tava nessa fase de tá, tá, tá na reunião, sabe? E aí ele virou para mim e mandou assim no WhatsApp: “Cala a boca e escuta”. Desse jeito. O que que eu poderia fazer? Ficar como a maioria, 99% das mulheres iam falar “puta, que louco, que que filha da… Que que é isso aqui?”. Na hora eu fiquei com raiva, mas assim, como todo feedback difícil, para mim foram três: esse é o segundo. O primeiro eu contei, esse foi o segundo. Eu parei, falei “é verdade”. Eu falei para caramba, e eu falo demais.
E posso falar? Normalmente, por exemplo, eu falo isso com propriedade porque eu sou bem direto também como líder, só que eu sou muito mais direto com os meus liderados homens. É, eu mandaria um “cala a boca e escuta” para um subordinado, mas não mandaria pra mulher. Então quando ele te manda isso, você conquistou o que você queria também, você concorda? Você você conquistou o que você queria, porque você não quer ser tratada… Como igual para você conseguir justamente respeito. Quando ele manda um “cala a boca e escuta”, pô, ele tá te dando uma validação do que você tá acontecendo.
É um pouco disso, tipo: o homem quando a gente fala “ah, vai se…”. Ah, e cara, e não é… E você conquistou o seu espaço de igual pra igual. “Ah, agora ferrou, agora aguenta”. Não pode, você não pode achar que é porque você é mulher e ele não pode falar isso. E aí eu falei: “Nossa, mas ele tá certíssimo, eu falei demais, meu Deus!”. E aí eu absorvi aquilo para a vida, eu comecei a ter mais consciência. Então, essa coisa de de fala, a mulher quer falar demais, sabe? Ela ela não não é uma defesa, é compreensível, mas é… E não é uma mulher, eu vou refazer aqui: eu acho que eh o jovem adulto na carreira, ele acha que ele ele tem ele tem muitas certezas, quando na verdade ele não deveria ter certeza nenhuma, e ele deveria escutar. É o que… E tem mais outras pessoas, a maior parte do tempo eu tô calada porque é muito, eu tô aprendendo. É isso, entendeu? É assim, cada…
Perder a oportunidade de aprender por querer se destacar.
Às vezes o silêncio ele é uma estratégia de comunicação, sabe? Então hoje eu lidero o comitê de marketing, participo do comitê de people, participo de comitê de cibersegurança, e assim, no comitê de people e de marketing, obviamente eu lidero ele, então eu tenho que falar. Mas quando as pessoas falam, eh eu lembro assim de as pessoas falarem “não, isso aqui tá horrível”, e eu poderia ficar rebatendo, e aí sempre devolver com uma pergunta: “O que que tá? O que, perfeito, você tá achando que tá ruim? Por que que tá ruim? Por que que isso?”. E não ser combativo, e não levar pro pessoal também, né?
Pessoal, eu acho que assim, a nossa, principalmente as mulheres dessa geração, ela ela quer combater porque ela acha que ela tá levando aquela porrada porque ela é mulher, quando na verdade, quando você olha, todo mundo leva essa porrada lá em cima, entendeu? Não é sobre você. Exato, eh eu levei uma porrada esses dias que foi meio feminina, vamos dizer assim: o cara virou para mim e falou assim “você não negociou, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, você tá parecendo sabe o quê? Aquela mulher traída que eh abre exceção uma vez e fica abrindo sempre”. O que que eu vou fazer com um feedback desse na frente de 10 pessoas? Eu vou ser combativa? Simplesmente eu fiquei calada, escutei, e falei depois de três dias, porque isso alugou um triplex na minha cabeça, porque assim, ele quis dizer alguma coisa com isso, né? A analogia não tenha sido boa, mas na cabeça dele fez sentido. E eu fiquei: “Perfeito, eu tenho um gap enquanto executiva que é exatamente isso, porque às vezes a gente tem dificuldade em dizer não”. E aí, não, pô, você é a líder desse negócio, você deveria ter se posicionado. Você não se posicionou, tá parecendo mulher traída. E eu e depois eu fui lá e agradeci para ele, entendeu? Como mulher, eu poderia ter ficado… O RH veio porque o RH tava na mesa, porque participa do comitê, e ele falou: “Ai, você tá chateada?”. Eu falei: “Cara, eu acho que ele pegou pesado, eu concordo, mas ele estava coberto de razão, tá tudo bem, não foi sobre mim”. E pessoal, e tal. E talvez isso poderia também ser um feedback totalmente dado a um cara, usando essa mesma exemplo, não podia, tá entendendo o que eu tô falando?
Podia, “parecia uma mulherzinha traída aí”.
Exato, porque a analogia no final das contas traz uma mensagem: é para de, para e se posiciona. Porque se você é muito permissível, como o um cargo de alta chefia não pode ser permissível, porque vácuo não existe, sempre alguém pega o espaço.
Momento que eu tô de exec-, de de ser uma executiva, uma diretora, uma sócia, e assim, se ele tá me batendo, é porque ele quer me desenvolver nesse sentido. Então eu fui lá depois de três dias, agradeci, e ele ele ele ficou meio eh sem graça porque ele viu que ele… Mas assim, tinha saído, já era, foi, entendeu? E eu não tem nada a ver, eu adoro ele, tá tudo certo. Eh mas eu acho que é isso, assim, a gente tem que parar de levar as coisas, né, para “ai, é porque eu sou mulher e tomei essa porrada”, e tal. Acho que não, e mais também, todo o feedback… Às vezes eu recebo feedbacks que eu não concordo, mas, cara, eu fico sempre fazendo o uma análise de: mesmo que esse feedback esteja errado, o que que eu fiz para ele achar? Qual a percepção que eu tive, né, que eu passei para ele? Exatamente, se eu se eu tive alguma ação que gerou nele essa percepção, você errada tô eu também do mesmo, no final.
Exato, no final das contas é sobre analisar o o o comunicação do ponto de vista de branding, como você falou: que imagem que eu tô passando, cara? Será que, independente de que ele falou, tá totalmente errado, mas o, ou ele é um, ele é um louco completamente, ou o que que talvez eu fiz, quais foram minhas falas, minhas atitudes de que ele acionou?
Exatamente. Então quando você você puxa esse protagonismo sobre tudo, inclusive é sempre nossa, né?
Exato, e aí você e você fala “cara, isso sempre ensina”.
É, mas é que é isso, é muito difícil porque as pessoas sempre querem achar um culpado. O culpado é sempre o terceiro, quando na verdade você precisa focar no seu. De novo, a nossa rainha aqui que eu adoro, Cristina Junqueira: “foca no seu, cara. Se você focar no seu, você vai entender que no final do dia é você que tem a responsabilidade de tudo”.
Isso aí.
Mas aí levando para qual foi o problema disso tudo, né? Eh eu acabei separando do meu primeiro marido.
Eu ia falar justamente isso, a volta, né?
Isso, e foi muito porque eu virei essa tratora. Esse meu chefe, o Arnaldo, ele me chama de “tratora”, assim: eu virei essa pessoa que é executora, pá, pá, pá, e se tiver na minha frente eu vou dar aquela atropelada. Tinha um teto, você dá xeque. É isso. E isso é energia masculina pura, isso é testosterona pura, então eu eu me perdi um pouco também. Meu pai fala que eu assim: “Cara, você ficou muito racional na sua vida”, e é o contexto. Então o meu esse meu ex-marido, ele teve muito problema de identidade mesmo: qual é o papel dele na nossa relação, porque ele que passou a ser realmente, né, a mãe da minha filha, e eu e ele como militar, as pessoas perguntavam: “Como assim você deixa sua mulher trabalhar em São Paulo e você que cuida da sua filha?”. Aquele contexto para ele era muito diferente do contexto social que ele vivia, então acabou não dando certo, foi assim super dos dois lados, sim. E quando eu quis me relacionar de novo, aí eu falei: “Eu acho que eu preciso de terapia”. Não era para para superar minha separação, nem foi para: como eu encontro de novo o meu eu feminino, porque ele não existe. Eh e aí foi, eu fui num lugar assim, numa terapeuta, uma psicóloga que era especialista nisso.
Caramba!
É, que tem tudo hoje, né? Especialista em tudo. E a e a Ana, ela foi tentando resgatar isso em mim. Eh a Elas foi um bom ponto, porque você lidar com mais mulheres foi importante, e aí eu fui vendo que eu precisava de estratégias externas para mandar mensagens pro meu cérebro para dizer que aquele feminino existia também, porque o que acontece: o masculino tá muito ligado ao racional, e o feminino tá muito ligado no coração, no sentir, sim. E assim você vai desconectando, e a todos nós temos um homem e a mulher, essas duas energias, né? Você tem o coração, você sente, mas assim, você tá tão focada em entregar, que é só o pensar é que tá ali. E a gente precisa a, tanto é que a intuição ela vem do coração, e a intuição feminina é algo poderosíssimo, só que na verdade é para todos, é que a gente… O homem acessa menos porque ele tá no racional.
Não, mas por exemplo, a todas as intuições da minha esposa, cara, de que eu fui contra, foi um “eu te avisei” no final.
Não, eu tenho um padre que fala assim: “Se vocês ouvissem mais a esposa de vocês, vocês passavam por menos problemas”.
Mas é verdade, mas é isso.
E eu senti que eu eu tava me perdendo, sabe? E aí e eu precisava dessas estratégias externas. E o que que eu fui fazer? Assim como eu fiz o rapport para virar mais homem, foi estratégico também. Eu acho que eu sou virginiana, né? Eu depois eu fui entender um pouco dessas coisas, mas, cara, pra mim sempre teve um… Eu adoro framework, eu vivo com… Acho que framework para tudo na vida funciona.
É, também acho.
Então, deu certo, vamos… Depois a gente aplica, e aí vai ver surgir outro, e assim a gente vai aplicando. E aí eu peguei o que que dava para fazer externo que ia trazer para mim essa feminilidade. Então final de semana, usar um vestido florido, ir pra cozinha… Eu gosto de cozinhar, minha mãe sempre me ensinou, minha mãe é a forma natural de uma mulher feminina, porque casada com militar ficava em casa, dona de casa, então minha mãe sempre me ensinou a ser essa mulherzinha, né, e sem ser pejorativo.
Sim, sim, sim.
Tal. E aí eu fui… É um poder, na verdade, tanto é que é um poder que você tá resgatando.
É, então assim, eu vou pra cozinha final de semana, eu tenho meu momento de… Não sei se você já ouviu esse esse Instagram, que é Ballerina Farm, conhece? É uma mulher que tem oito filhos lá nos Estados Unidos e mora numa fazenda, e ela é inclusive Miss América, tipo assim, a mulher ainda é linda, né? Mas o marido dela também é bilionário.
É, ticou tudo.
E aí eu eu, tipo assim, final de semana eu sou a Ballerina Farm, entendeu? Eu vou fazer o pão, a panqueca, o almoço, eu não tenho… Ponho a mesa com louças bonitas. Eu tenho uma babá para me ajudar, afinal de contas são três filhos, mas todo a casa é comigo, e eu vou realmente fazer que: “ah, tarefas domésticas é só pra mulher?”. Não, porque aí o que que o meu marido vai fazer? O meu marido, ele vai para coisas do jardim, de consertar as coisas da casa, porque isso também a galera vai ficar louca, mas é ele vai pras coisas do do cara da casa, do homem da casa, do homem… Que isso não é sobre machismo e feminismo, isso é sobre eh energia mesmo, energia.
Homens da caverna, enquanto um tá cuidando de alguma coisa, você tá indo, e você tá indo pra biologia, cara.
Porque a mulher tá, a mulher cuida, né? O homem, ele provê, e aqui eu não tô falando de dinheiro em si.
Total, concordo 100%.
Ele tá provendo uma segurança melhor na casa, ele tá provendo um jardim melhor, e eu tô…
Marido se sente bem fazendo isso.
Total, meu marido ama isso.
O marido se sente poderoso, o homem se sente poderoso.
O cara tá numa cerca, cara. Meu, não sei por que dá na nossa cabeça, mas a gente ama furar um furo lá que sai certinho, você fala: “Nossa, é isso! Se contratar o marido de aluguel que nada, eu vou fazer isso aqui”.
Exatamente, e tá se perdendo muito isso aí, tanto do lado feminino, das mulheres serem mais donas de casa e tudo mais no final de semana, quanto dos homens, cara. O homem não sabe fazer nada em casa, mas a mulher também não tá dando espaço pro homem fazer.
É isso que eu que eu que eu também não dava. Uma vez eu fui almoçar com um amigo meu de trabalho, que era é da XP, um diretor, e aí eu falava assim: “Ah, o garçom… Ah, isso, isso, isso, isso, isso”. Ele falou: “Cara, você não vai deixar eu pedir o meu café?”. A gente atropela, a gente tá nessa energia de atropelar o homem. Então as mulheres ficam assim: “Tá difícil de arranjar um homem”, mas a gente não tá deixando nem os caras serem homens, e eles tão tentando aí, para equilibrar, eles ficam… Eu vou dar uma palavra aqui: eles ficam meio bundões, porque eles ficam femininos, entendeu? Então assim, não é culpa nossa de a gente tá, mas é é o ecossistema tá desequilibrado.
Todo mundo tem que reassumir seus lugares.
Todo mundo tem que reassumir seus lugares, ou a gente dá o espaço. Esses dias a gente… Eu fui trabalhar, uma menina do meu time, aí o namorado dela foi, e aí ele tava fazendo um caminho com a gente que era mais longo, aí ela: “Esse caminho tá errado”. Só que ele tava na frente, liderando o caminho. Eu falei: “Fica quieta, a gente vai andar mais, tá tudo bem”. Sabe por quê? Deixa ele liderar esse caminho, esse é o papel dele. Ele tá abrindo os caminhos no Morumbi, cheio de gente, cheio de homem, e ele tá querendo ser o homem que dá a segurança para você. Só deixa. A gente vai andar 2 minutos a mais, deixa, a gente não deixa. A gente tem que fingir pelo menos, entendeu? Mas isso depois de muita terapia eu entendi, até porque se eu não entendesse, eu não ia estar casada de novo, e aí a gente não consegue se relacionar.
E você tava falando inclusive, e que é muito legal, acho que é uma dica importante, o quanto esse assunto é um assunto de casa, sobre você deixar mais de lado sua energia masculina, ele a energia feminina, vocês se podarem e se colocarem nesse lugar.
Total. Foram acordos que foram criados.
Esse esse tem que ser um assunto de casa.
É um assunto, então assim, eh meu marido… Eu chego em casa e eu ele sabe que eu tô mais… Eu vou brincar aqui, e ele fala: “Meu bem, tira o pinto, assim, você tá demais”. E eu falei: “Perfeito, tô mesmo, volta, volta, volta”. É isso, e é um âncora, ele é um âncora, assim como eu sou quando ele por acaso ele fica mais sensível, falar: “Para com esse drama, para com esse drama, volta”. Não é sobre o homem não trazer a vulnerabilidade dele, não é sobre isso, né? Porque senão também o homem não pode ser vulnerável, e a mulher também não pode ter a energia um pouco mais, mas é saber equilibrar e os dois poderem falar sobre isso, porque sabe que se desequilibrar, o relacionamento vai minando, porque você vai perdendo admiração, porque a mulher admira. É isso, tá no nosso DNA, entendeu? Esse cara que ela sabe que na hora H vai dar o respaldo e segurar as pontas. Isso, entendeu? E o cara a mesma coisa: sabe que na hora que precisar, a mulher tá lá para cuidar e para sustentar a família no que ele precisa.
Isso, e é isso que admira.
É isso. E só que assim, a gente leva um tempo para entender isso, e as mulheres elas foram ensinadas nos últimos 20 anos que elas não precisavam de ninguém. Eu também fui, né? Só que a gente acorda um pouco pra vida: não, a gente… O homem precisa, a mulher precisa, ninguém vive sozinho, nós somos seres humanos corpóreos, a gente precisa do outro.
Divisão entre sexos é ridícula, porque no final das contas você precisa, um precisa do outro, e na verdade a força da sociedade tá justamente nos dois. Então não é… Homens e mulheres juntos transformam a sociedade, cada um dando o seu melhor, cada um se se organizando para se melhorar.
É isso, potencializando o outro, sabe? Só que você demora a entender isso, porque você quer, né, um mundo meio egocêntrico, individualista, né, que a gente ficou por um tempo… Ai, bati aqui… Eh que a gente ficou por um tempo, mas eu… E aí você olha, eu vi hoje que saiu uma uma pesquisa do JP Morgan, que os próximos até 2030, os próximos 5 anos, a gente vai ter mais mulheres entre 25 e 45 anos solteiras e sem filhos.
Caraca!
Então assim, porque isso foi criado mesmo na gente. E eu mentoro meninas assim de 20 e poucos anos, eu dou… A gente tem uma iniciativa na Galápagos, Galápagos Por Elas. Não, mas isso sem… Via Galápagos. Via Galápagos, é o tempo todo. Já lá mesmo, a gente… É tanto quem é as estagiárias que trabalham, quanto meninas que querem estagiar, a gente também abre. E a maior dor dessas meninas é: será que eu vou dar conta de ter uma família também? Cara, não é isso ou aquilo, forte. Você consegue, mas assim, você vê que as meninas estão na faculdade já pensando nisso, e é muito louco porque quando a gente olha realmente a maioria das minhas amigas de 40 anos, 37 em diante, elas estão sem filhos mesmo. Então a referência que você tem quando você olha para cima é que não dá. Sim. Não dá para ser… Vou falar que é fácil? Não é fácil, é difícil para… Entendeu? Eu tenho que ter muita gestão do tempo, tem que investir muito dinheiro. Eu investi muito do meu dinheiro para poder ter uma estrutura, porque meus pais não moram aqui, eu não tenho família aqui, a rede de apoio. Então assim, por muitas vezes, basicamente eu paguei, eu zerei para trabalhar, né? O que eu ganhava era para pagar estrutura, mas eu sabia que aquilo ali era um investimento para eu crescer, porque quando você olha lá em cima, realmente só quem chega é quem ou teve uma estrutura ou quem não teve filho, porque não dá mesmo, não dá a quantidade de C-levels. A Ana Paula Padrão, ela faz mentoria e tem uma empresa de lideranças femininas, ela falou que assim: 50% das mulheres que estão chegando na nos cargos de C-level, elas estão ficando entre dois anos, depois elas saem, elas não dão conta, não dá conta, é, é um, é uma exaustão e tal, total, imagina. Então, e não adianta, com a maternidade exige muito mais da mulher, exige. Ah, você quer ser pai presente, tudo mais, cara…
Sou presente, mas precisa se…
Mas a gente precisa ressignificar isso, Felipe, esse que é o ponto, entendeu? Porque a gente, você tava falando de culpa quando a gente tava falando aqui, não é só a exaustão física, mas é a exaustão mental da culpa de não dar conta de tudo, dos pratinhos caírem, cara. Os pratos vão cair o tempo inteiro, entendeu? Como vai cair pro homem também. Já parou para pensar? Tem um documentário muito bom que é O Silêncio dos Homens, não sei se já assistiu, não, depois assiste no Netflix. O peso também dos homens, a gente também tem falado pouco sobre isso, assim como a gente tem o peso da maternidade, da culpa, o homem também tem o peso de sustentar tudo aquilo. Então no final do dia não é sobre o homem, não é sobre a mulher, é sobre os dois juntos, os dois são os pilares que cada um exercem na casa. Assim, meu marido acorda de noite na madrugada porque ele não consegue acordar de manhã cedo, ele é não presta de manhã, ele não é ninguém de manhã, mas de madrugada ele funciona melhor. Então lá em casa a gente dividiu: ele fica à noite, e quando dá 5:30 da manhã, sou eu que tô de pé e vou fazer as coisas, entendeu? Não é sobre $50/50$, é sobre o que dá para funciona para cada um. Às vezes vai ser $80/20$, às vezes vai ser $20/80$. Teve vários… Eu tô viajando muito a trabalho, ele tá sendo 100% no momento em que eu trabalho, e aí, entendeu? E tudo bem. E ele também tá tá lá sustentando, tá pesado. Então assim, no final do dia, eu acho que que a gente precisa ressignificar a maternidade e a paternidade, que dá para fazer. Não é fácil, e no final a gente dá conta, sim.
Dá conta, e é uma delícia.
E é uma delícia, e eu posso falar: e é isso que move a gente a ser melhor, porque você ser pai e mãe é pensar além de você mesmo. O egoísmo sai, esse egocentrismo sai, e você pensa além de você mesmo, não só pro seu filho, mas pro outro. Você passa a ser mais empático, você passa a ser mais tudo, entendeu?
É que você tá na sua segunda biológica, no seu terceiro.
É, mas cara, há dois, há um ano e meio atrás, eu não sabia o que era ser pai, e é impressionante como tudo ganha inexpressividade, porque é só você fazer uma base comparativa. Todos os seus problemas, cara, reduzem a quase zero, é impressionante. Tudo é importante, claro, tua carreira é importante, tua empresa, teu, os teus, o teu lado financeiro, mas se tudo desse errado e você colocasse numa base comparativa, cara, você troca tudo, tudo pelos filhos, é.
Significa tudo bem, você sai da tua, do teu casarão, vai morar num $50\text{ m}^2$, tá tudo certo, no final do dia é sobre aqueles seres.
Exatamente, cara.
E a gente dá conta, eu falo isso muito pra minha esposa. Minha esposa hoje, especialmente a gente tá gravando aqui, a bebezinha tá zoada, tadinha…
É, o meu também, 39º C de febre.
Nossa, a minha também tá zoada. E por exemplo, ela não queria desgrudar da mãe, ela é bem grudada a mim porque eu sou o da zoeira, só que dengo, cara, ela quer minha esposa, e minha esposa cheia de reunião hoje, precisou ficar em casa e precisou deixar a bebezinha de lado para muitas vezes fazer a reunião, sendo que ela ficou chorando, queria no colo da… Cara, falou: não tem o que fazer, você já ficou em casa, não tem o que fazer. E essa culpa tem que deixar de lado porque, cara, se a gente já tá dando o seu melhor…
Exatamente.
…estamos dando o melhor. Eh é muito legal esse trazer esse tema aqui pra mesa porque, cara, eh se, se não for assim, não faz, e se não for fazer, cara, pode ter certeza que é muito pior, porque ter esses seres em casa são uma delícia, além… Assim, é maravilhoso ser mãe, acho que me mudou muito, a gente ressignifica isso. Mas antes também de você ser mãe, você é uma mulher, você é uma esposa, você tem outros desejos, e isso você nunca pode deixar morrer, porque senão você fica só naquela coisa das entranhas da mãe com o filho, e em algum momento eh você se perde. Eu vejo isso direto acontecer, isso não aconteceu comigo, tanto é que a gente vê uma quantidade de mulheres com depressão pós-parto hoje em dia, e é muito em função de se perder em quem eu sou agora depois da maternidade, né? Eu acho que eu estudei, eu sou aquela pessoa curiosa, então eu vou lá e estudo sobre o tema, né? Então agora tô estudando sobre adolescência porque tá todo mundo chegando lá em casa na adolescência, eh mas eu acho que a a mãe ela quer ser sempre essa essa pessoa que é a procurada pelo filho, né? Ela quer ser a querida, a amada, a procurada, e aí quando ela não consegue dar, ela se sente culpada também. Mas eu tava te falando que eu tava lendo o livro, né, que é eh Filhos Independentes, Pais Desnecessários, eu acho que a gente tem que saber qual é o exemplo que a gente quer dar pro pros nossos filhos, que na verdade a gente quer que eles sejam adultos funcionais, né? Eu até falo, né, que é não precisa transformar o mundo, né, adultos funcionais, porque quando a gente olha hoje em dia para pessoas de 30, 40 anos que tá morando na casa dos pais e dependendo dos pais, dá vontade de matar essas pessoas, não dá, não? E a gente olha e dá vontade de matar, mas eu olho um monte de pai fazendo a mesma coisa que esses pais fizeram com seus filhos dentro de casa, que é essa geração “nem-nem”, né, e tal. E a gente precisa de não passar os medos pros filhos, a gente precisa não passar essas inseguranças e e deixar eles sofrerem. Eu tava lendo que o músculo da resiliência, na verdade, num cérebro, ele precisa ser exercitado, se você não exercita, lá na frente ele tem dificuldade. Então assim, é o que a gente sofre hoje quando contrata: essa geração não tem resiliência, mas ela não passou por frustração, nem para pedir comida ela se frustra, nem para ver o episódio que ela tem que esperar uma semana ela se frustra, tudo é fácil, e a gente quer toda hora eh proteger, proteger, proteger, proteger, e a gente não tem que fazer isso, entendeu? A gente tem que deixar quebrar a cara. Esse final de semana foi meu aniversário lá na minha casa, e aí veio…
Não sabia.
É, foi dia 22. Aí eu fiz, e lá em casa com o meu meu irmão tava aqui em São Paulo, minha mãe também, e aí meu irmão tem duas filhas, e tal, e aí todo mundo vendo meu meu filho com dois anos também, fez agora dia 24, então a gente fez tudo junto, e o menino tava pulando no sofá, quase caindo, batendo a cabeça, e meu pai “ai, meu Deus!”, e meu irmão “ai, meu Deus!”, eu falei: “Deixa se bater e quebrar, tá tudo bem, eu vou levar no hospital”. Mas sabe por quê? Eu tenho que deixar ele, é claro que nos limites…
“Ah, vai cair, vai pular do prédio…”.
Não, não, não pode. Mas assim, ficar “ai, cuidado”, “ai, isso”, “ai, aquilo”, sabe, vai cair do sofá no tapete, sabe aquela mãe que fica ou vó que fica o tempo inteiro em cima, entendeu? É, é… Minha mãe foi dar comida para ele, e ele tava tentando comer sozinho, aí minha mãe: “Deixa que eu te ajudo”, eu falei: “Você não vai ajudar, ele sabe comer sozinho, ele está aprendendo a comer sozinho, quando você ajuda, você tá tirando uma independência que ele tá conquistando”. Então a gente tem que deixar as crianças conquistarem, sabe? E aí eu acho que a gente tem que se sentir, e aí vai do ego, né, você tem que se sentir menos… Desnecessária. Desnecessária, você é necessária para cada fase, você é necessária num num momento, mas vai passando de fase, vai ficando coisas que são desnecessárias. Daqui a pouco você, a sua filha não precisa mais de você para comer, não precisa mais de você para trocar de roupa, e se você se apega com esse com esse ego mesmo, com essa com essa quase que necessidade sua, quase não, com essa necessidade sua, não da criança… Então não é sobre a criança, é sobre você, você tem que fazer terapia, entendeu? Você tá projetando medo, dor, insegurança, tudo na criança. Então eu acho que a culpa também vem um pouco daí, sabe, de não conseguir dar conta. Não, cara, você tá dando o melhor, você tá você tá trabalhando, você tá dando o exemplo. É isso que isso é o mais importante. A gente não fala tanto de liderar, por exemplo? Por que que a gente não consegue liderar, né, nas nossas casas? Quais são os valores que você quer passar, igual valores de empresa? Cara, pega o framework de uma empresa.
Total, você criar filho é o empreendedorismo.
Isso, total, entendeu? É o maior empreendedorismo na sua vida.
A cultura de de casa.
A cultura de casa, então você quer que ele seja resiliente, o que você vai, exato. E é muito louco porque esses dias… Esses dias não, tem uns três anos que eu conversei com o meu marido sobre isso: quais são os valores que a gente quer passar aqui em casa, vamos definir, porque a gente tem isso claro em nossas empresas, as pessoas sabem, não sabem da casa.
É louco, porque quando você é um casal, você não precisa muitas vezes definir porque você não tá criando um novo ser, mas quando você tem um serzinho lá sendo criado, você tem que criar a cultura de fato.
Vou fazer isso com a minha esposa: criar a cultura de casa.
Desenhar, porque senão, se você faz uma coisa que ela não acredita, tá a cultura desalinhada, cachorro que tem dois donos vai morrer de fome, porque ela vai falar uma, você vai falar B, os líderes lá em cima não têm que falar nada, conflitos do dia a dia você volta pra cultura. O que a cultura diz? A cultura diz isso, qual é o valor que tá aqui em cima, então a gente quer criar resiliência, pera aí, se para de ficar nhem-nhem-nhem com a criança, a gente tem que criar resiliência nela.
Fica aquela menina falando…
Então assim, é isso que a gente quer criança, não? Ah, a gente quer passar… Então, cara, a gente precisa definir isso, e aí essa culpa vai diminuindo um pouco porque você tá dentro, e certo também de onde você tá indo, e no final todo mundo vai julgar, que é o que a gente tava falando: se você trabalhava, julga; se você não trabalhava, julga. Não, esses dias a gente viajou, eh eu e a Raísa, e deixamos a a bebê com a criança, com a a criança com com os avós. Nossa! E deixa eu te falar, mais importante: cagamos, no final cagamos. Mas assim, teve julgamento. É, mas no fundo caga, mas aí ela fica com aquela sensação de que ela não deu o melhor para o filho, sabe? A mulher sempre vai para esse território, mas no final do dia, pais felizes, crianças felizes, se você tiver bem com ela, você vai passar por qualquer coisa. E antes de ser mãe, ela era sua esposa, a gente também perde muito nisso, parece um papo meio cristão, embora eu seja cristã.
Sim.
Mas acho que não é não é esse o ponto. O ponto é que quando todo mundo vai sair de casa… Eu tenho esse exemplo dos meus pais, meus pais têm 50 anos de casados, assim, eles são desnecessários na vida dos três filhos, mas eles sempre nos visitam e tal, mas assim, eles têm 72, minha mãe 70, e eles são um casal que eles namoram ainda. Namoram no sentido pra gente não falar outra palavra. Eh eles namoram, eles viajam, eles fazem tudo, mas eles sempre fizeram isso desde quando a gente era pequeno. Então eu fiquei com 12 anos em casa, um mês em casa sozinha, porque meu pai foi trabalhar na Espanha e minha mãe falou: “Eu vou acompanhar o seu pai porque ele não vai ficar sozinho um mês na Espanha, eu vou com ele”. Os meus irmãos já estavam fora, estudando em outra faculdade, e eu fiquei em casa. E assim, de uma boa, meu pai… Eu tinha o cartão de crédito na época, era o Bbebequim, do Banco do Brasil, eu ia lá no banco, pagava as contas, organizava tudo.
Isso trouxe uma uma independência também, uma lição de vida total. Pensa, quantos anos você tinha?
12 anos. Eu eu ia pro banco, eu já conhecia a gerente do banco, eu levava os boletos, porque aquela época dos boletos eu tinha que ir na gerente, eu tinha a senha do cartão, eu pagava as contas, aí tinha a menina que vinha cada, sei lá, três vezes na semana, fazia comida, depois eu ia na casa da vizinha, a vizinha batia lá. Então assim, 12 anos, uma loucura! Quem é que deixa uma criança de 12 anos hoje? Não tô falando para deixar sozinha, mas o até a época era outra também. A época era outra, mas o ponto é que eles sempre se preservaram enquanto casal, coisa que a gente hoje é assim: primeiro a minha vida, depois o outro. “Não, eu tenho que ter meu individualismo, eu tenho que ter minhas amigas, eu tenho que sair, eu tenho que isso”. Tá, e o teu marido, quando que é assim? Eu não consigo nem conceber às vezes essa coisa de “ai, vou viajar sozinha”, sabe? Eu vejo muito, acho lindo, respeito, mas assim, cara, eu não consigo, não dá pra mim, é casal, porque mal a gente tem tempo junto, eu ainda vou desperdiçar viajando sozinha?
Exatamente, é mais um pratinho para equilibrar.
Mais um pratinho para equilibrar, individualismo completo até de viagem, então. E nisso eu acho que a geração mais antiga pode ensinar um pouco mais, porque eles eram pais muito… E no final eles ensinam a gente, eu também tô com 30, vou fazer 37, e aí eu fico olhando para trás e falo: “Cara, eu com 25 achei que eu tinha todas as respostas já”, e no final eu olhava, eu olhava esses conselhos que hoje eu tô valorizando pra caramba e achava besta, eu achava: “Meu, se ele tá falando isso, é porque ele ainda não entendeu essa cara”. Aí eu eu taxava os tiozões, as tiozonas como ignorantes até, sabe, por conta dos… Eu sei porque eu também eu já olhava para meus pais, falava: “Ah, para!”. Exato, e tipo, eu lembro até no no mundo empreendedor, nem falando só de de da vida pessoal, eu vi um dono de padaria lá de onde eu cresci, rico pra caramba, não sei quantas padarias, comprou quase todos os terrenos da região, eu achava ele um… Olha que doideira, eu achava ele um fracassado porque ele tava preso operacionalmente na padaria, porque ainda ele tinha que trabalhar todo dia. Mas graças a Deus ele tinha que trabalhar todo dia, porque um dos pilares da longevidade é você se sentir útil.
Se sentir útil.
Mas eu falo: “Caramba, que momento…”. Eu lembro de eu pensando nisso, eu falo: “Meu, como eu era ignorante, cara!”.
Mas é que a gente teve uma época que tudo que a gente queria era aposentar com 30 anos, você também deve ter tido isso. “Ah, meu primeiro milhão de que tenho que fazer, eu tenho que aposentar, eu tenho que isso”, acho que a própria internet trouxe isso.
É, cara, depois você vai fazer o quê? Tudo bem, você pode diminuir o trabalho, curtir mais, ter flexibilidade, mas sempre você precisa se sentir útil. Quem deixa… E isso eu vi muito no meu pai, meu pai tá com 72 e ele era militar do exército, e militar, uma vez que acabou a carreira, acabou a carreira, e assim, ele poderia tá muito melhor do que ele tá, tô falando mentalmente mesmo, sabe? Eh ele era um cara muito inteligente, sempre antenado, e hoje você vê que ele tem uma certa dificuldade. Poxa, ele tá com 72. O Bologna, que é meu chefe, tem 70.
Caramba!
E é um cara assim com que com ativo, começo, meio e fim, estratégico e e feedbacks. É assim, todo dia trabalhar com ele é todo dia uma mentoria. Então o meu pai poderia estar nesse território desde que ele tivesse trabalhado ainda, mas não se manteve. Então a gente tem que se manter ativo em alguma coisa, talvez não vai ser na padaria todos os dias.
Sim, exato.
Visitando lá três vezes… É um pouco, acho que a gente precisa, no final acho que quanto mais a gente envelhece, mais a gente descobre que os conselhos dos nossos avós e pais eram certos.
É isso.
E a gente começa a virar tiozão. Já às vezes eu olho eu repetindo os conselhos que eu falava “esse tio tá falando para mim”, e eu falando “escuta”, eu falo mesmo, mano, acho que a gente ficou velho, né, porque a gente já não consegue mais…
É isso, a gente tá envelhecendo, eu tô virando tiozão. Às vezes eu chego no funcionário novinho lá, dou vou dar uns conselhos para ele, aí eu começo: “Cara, eu poderia ser seu pai”. Eu já falo: “Puta, já tô indo pro lado do…”, sabe, tipo bem tiozão mesmo. Mas é isso, eh a gente descobre que eles estavam sempre certos.
É, mas o nível de maturidade que a gente tinha, né? É que hoje talvez tá todo mundo muito mais terapeutizado, né, talvez algumas coisas as pessoas já conseguem absorver mais, mas na nossa época, com 20 anos, a gente não tinha a menor capacidade de entendimento, a gente vivia realmente muito na bolha, não tinha internet, né, então a referência era aquilo ali: a tua rua, o teu colega, a tua escola, não era? E também era bom porque a a ignorância ela é também às vezes uma dádiva, né? Hoje você também se cobra demais porque você precisa ser melhor em tudo, e tudo tem que aprovar. Você tem a consciência de que precisa, às vezes você fica se cobrando por coisas que faz parte do processo, se compara demais com os outros, que era um pouco do que a gente tava falando antes da vida social, né? Assim, eu não sou herdeira, mas assim, para eu vou fazer uma viagem agora com clientes para Paris, que eu vou levar, pô, a gente vai fazer experiência na Vuitton, na Dior e na Aquazzura. Cara, eu tenho alguma coisa outra dessas marcas, mas eu preciso, eu sou diretora de marketing da marca, eu preciso posicionar não só a marca como a mim mesma. Então você tem que ter essa leitura de de ambiente, sabe? Mas isso é maturidade, é, né? Não, não tem.
Sim.
É. E e você e de novo sempre olhando esse invisível, e não caindo só nessa vala também de, putz, ficar se ficar se consumindo e consumindo coisas desnecessárias, mas entender… E ficar mal, que é o que a gente tava falando desse ruído aqui: não é para se comparar e ficar mal, não, é como eu uso isso a meu favor para me alavancar enquanto diretora e carreira, e de novo, é hackear o invisível aqui que acontece.
É, Rebeca, foi sensacional.
Não, acho que a gente estourou o tempo, né?
Não, mas não tem problema, foi ótimo, e eu tenho uma pergunta final para te fazer ainda, mas eu só vou pedir licença rapidinho para agradecer os patrocinadores, aí eu já volto contigo.
Galera, olha esse esse papo que a gente teve aqui, esse audiovisual de qualidade e esse conteúdo aqui de forma gratuita. Cara, isso aqui é uma essa esse episódio foi um um uma terapia profissional que desembocou numa terapia pessoal. E tudo isso aqui, graças aos patrocinadores que acreditam no nosso projeto, investem pra gente trazer esse conteúdo aqui de forma gratuita pra internet. Então quero começar agradecendo a SMC. Beleza? É isso aí, muito obrigado a todos vocês, eh nossos patrocinadores. E você que tá assistindo esse episódio, você que é empreendedor, possivelmente alguma das dores que você tá enfrentando, algum desses essas empresas aqui em cima eh consegue te ajudar. São empresas e empreendedores sérios que passaram por uma curadoria minha, e pode ir de olho fechado que os caras vão te ajudar bastante, depois você volta aqui para me agradecer.
Boa, Rebeca, pergunta final para te fazer, vamos.
Seguinte: imagina que você tá pegando teu carro agora, você veio de Uber, né?
Vim.
Você pega o Uber e você tá voltando pra tua casa. Aos, você fez 40 agora?
Fiz 39.
39, você fez 39 anos, você tá no alto dos seus 39 anos voltando pra tua casa depois de um episódio desse aqui, e o carro sofre um acidente e você morre. Bate na madeira, são 120 e poucos episódios, nunca ninguém bateu o carro, muito menos morreu, então fica tranquila, é só para trazer peso pra pergunta, mas coloca nesse contexto, tá bom?
Tá.
Bebezinho novo, 2 anos, eh mais dois filhos por ali, casamento supersaudável, voando, acabou de virar sócia.
Eu tô pensando só assim: meu seguro de vida tá em dia.
[risadas]
Acabou de virar sócia, aí Deus num piscar de olhos, você aparece lá na frente de Deus, aí fala: “Rebeca, missão cumprida, foi perfeita, tudo maravilhoso, porta do céu aqui, ó, tudo certo”. Mas, pô, imagina que essa fosse sua última aparição, assim, sua última mensagem, que que você deixaria de mensagem para condensar 39 anos de experiência, 39 anos de vida pra pra galera aí?
Nossa, que difícil, hein!
Forte, é forte, mas normalmente são as primeiras, apesar que esse episódio já foi uma um um cheiro disso aí, mas que que você deixaria de mensagem, um conselho, sabe? Não é uma mensagem, não precisa ser uma, um conselho.
Eu tô pensando aqui, mas aí ao mesmo tempo que eu tô muito dura, eu tô aqui muito leve, que é um pouco da minha vida, sabe o que que eu falo? Dois conselhos, dois conselhos: faz a defesa com estratégia. Um pouco disso, mas eu acho que eh vamos dizer que eu voltaria para falar comigo, que aí eu acho que talvez seja mais fácil de eu de eu falar. Eh é que eu acho que dá o seu melhor, que no final as coisas vão dar certo, assim, resumindo. Se você sabe que você deu o seu melhor, ele por consequência, né, vai dar certo, fluir, vai fluir, né, com intenção, com eh de forma legal, né? Faz o seu melhor e de olho nas oportunidades, de olho na leitura do ambiente, exato, não é “deixa a vida me levar, a vida leva eu”, longe disso, né? Faz ação com intenção e com estratégia que vai dar certo, é isso.
Isso resume a tua história, inclusive.
E no final das contas, quando a gente dá o seu melhor, e é o melhor de verdade mesmo, né, é isso. Dá o seu melhor é tão confortável porque, no final das contas, dentre não da-, dentre a situação de o cara fazer meia-boca, mas porque se você deu o seu melhor, ou as coisas vão acontecer, ou as coisas não tinham que acontecer.
É isso, você sabe que tá tudo bem, eu dei, não aconteceu, é porque não era para ser, e você tá super…
Porque se você deu o seu melhor, não tinha mais 1% a mais.
É, porque se se me exigisse 1% a mais, eu não tinha, porque eu dei o meu melhor. Mas você tem que dar o seu melhor em vários cenários, esse é o… Tem um livro muito bom que chama Pensamento Eficaz, não sei se você já leu.
Não, nunca li.
Eh não é só o cenário A e B que você tem que dar o seu melhor: “ah, não, se acontecer, não acontecer isso, eu vou fazer isso para acontecer”, não, cara, sempre tem um outro jeito depois de você esgotar alguns cenários, não é um cenário binário, aí você deu o seu melhor, entendeu? Só que o nosso cérebro foi feito para A e B.
Concordo, concordo.
“Ah, não, tô tentando esse A, pronto, já deu o meu melhor”. Não, não, às vezes um B, um C, um D, um E ainda é uma variável do A, é isso aí, é isso aí.
É isso. Perfeito. Rebeca, muitíssimo obrigado. Baita episódio!
Foi, foi massa demais. Bom, eh pô, tenho certeza que vocês curtiram também. Usa e abusa desse desse episódio aqui para tirar corte, que saiu muita coisa boa. Três é muito pouco, que é o que é o que é o que a gente vai tirar, mas usa e abusa, puxa esses cortes aí porque eu acho que tem muita coisa legal para para pôr na internet aí.
É, eu vou usar no meu Instagram.
Fechou. E você que ficou aqui até o final, muitíssimo obrigado por ter ficado até aqui. Aqui embaixo tem vários botões, clique em todos para engajar esse episódio. Se você acha que o que a gente conversou aqui faz sentido para um sócio, para um amigo e tudo mais, compartilha esse episódio. Tamo junto e até a próxima, valeu!
Obrigada. Falei!
