Mudanças de Consumo no Mercado de Saúde e o Modelo da Sunrise com Guilherme Suetugo | Além do CNPJ (EP #158)

A Grande Disrupção do Mercado de Bem-Estar

O mundo dos negócios está passando por transformações tão profundas que ramificações inesperadas começam a surgir em indústrias completamente distintas. Você já imaginou, por exemplo, que a quebra de patentes de medicamentos voltados para o emagrecimento (como o Ozempic) faria com que grandes companhias aéreas notassem uma redução no peso médio das aeronaves e, consequentemente, economizassem milhões em combustível? No mais recente episódio do Além do CNPJ, gravado no novo estúdio profissional da Cross Host, recebemos Guilherme Suetugo, cofundador da Sunrise, marca pioneira no setor de wellness. Guilherme traz um panorama real de como o mercado de bem-estar superou o de saúde tradicional e revela os bastidores de sua trajetória de sucesso.

1. O Efeito Ozempic e as Mudanças Globais de Consumo

As novas tecnologias médicas e a queda de patentes de compostos como a liraglutida estão redesenhando o comportamento do consumidor. As pessoas estão reduzindo drasticamente o consumo de fast-food, doces e bebidas alcoólicas, o que tem forçado gigantes da indústria de bebidas (como as grandes importadoras de uísque) a buscarem fusões e parcerias estratégicas para sobreviver. Para Guilherme, esse movimento comprova que o mercado de bem-estar e prevenção hoje é maior e mais dinâmico do que a medicina tradicional de tratamento de doenças.

“A companhia aérea tá falando que o peso da aeronave tem caído… Isso economiza combustível. […] As grandes importadoras de uísque e bebidas alcoólicas estão tendo que se fundir porque o consumo tá caindo no mundo inteiro. É uma fase muito louca do mundo, tudo está mudando.”

2. A Jornada da Sobrevivência ao Sucesso: Chão de Loja e Investimentos

A trajetória de Guilherme foi forjada no ralo e na raça. Ele começou dividindo um quarto humilde na Liberdade antes de assumir a gestão de uma rede de farmácias no interior paulista (Jales). Rodando 1.200 km toda semana, ele aprendeu a gerir a operação olhando desde o pano de chão até o controle fino de estoque e faturamento, escalando o negócio para os oito dígitos. Em paralelo, usou sua habilidade de relacionamento para fundar espaços de coworking em Pinheiros e atuar como investidor-anjo de startups de tecnologia e marcas de calçados veganos (Slow).

3. O Modelo de Negócios da Sunrise: Comunidade Antes do Produto

Ao fundar a Sunrise, Guilherme e seus sócios (que incluem nomes de peso como Erasmo Viana, Jonas Sulzbach e Di Ferrero) usaram a engenharia reversa. Ao invés de apenas lançar um produto de prateleira e brigar no “banho de sangue” das commodities, eles estruturaram primeiro uma comunidade sólida e engajada através do marketing de influência. Em seguida, fecharam uma sociedade estratégica com a ProNutrition (indústria que atende gigantes do setor) para garantir fórmulas exclusivas e limpas, como a proteína de ervilha sabor Chai, focada em digestibilidade. O ecossistema se expandiu para o franchising com as lojas Sunrise Shake House, unindo as vendas físicas ao e-commerce de forma integrada.

“A gente não é uma empresa em cash burn. […] A gente cresce devagar, só que muito mais organizado, planejado e sólido. A gente não quer nunca dar aquele passo a mais pela precipitação. Sobra mercado no final para você.”

4. A Filosofia de Vida Além do Cargo

Ao vender suas participações no setor farmacêutico para focar 100% no mercado de wellness e câmbio (Lime), Guilherme consolidou sua maturidade empreendedora aos 36 anos. Provocado pelo host com o tradicional cenário do leito de morte, ele traz uma visão lúcida sobre a finitude da vida e o papel do dinheiro. O dinheiro é apenas um meio de troca que potencializa energeticamente quem você já é por dentro. O sucesso real reside no bem que você pratica e na habilidade de se enxergar feliz despido de qualquer cargo ou crachá corporativo.

Conclusão: O avanço tecnológico e as mudanças de comportamento exigem que o empresário saia da operação cega para enxergar as novas avenidas de crescimento. Se você quer que o seu negócio sobreviva aos próximos ciclos de mercado, a lição de Guilherme Suetugo é clara: planeje com solidez, foque nas pessoas, use a influência de forma inteligente e nunca perca a capacidade de se reinventar diante do novo.

Quer aprender na prática as estratégias de comunidade, diferenciação e expansão por franquias com o fundador da Sunrise? Assista ao episódio completo agora mesmo!

Ler Transcrição Completa

Mercado da saúde, a gente tem os dois cenários aqui, né? Igual você falou, pô, agora que a gente tem que caiu a patente da liraglutida, que é o Ozempic. Aí, pô, a gente tem uma mudança de comportamento no consumo, né? As pessoas não vão comer mais tanto, não vão comer doces, fast-food ali. Então a gente tem uma mudança no consumo. Isso vai impactar em todas as cadeias, né? Cara, você tem ideia, a companhia aérea tá falando que o peso da aeronave tem caído. Exato. Olha o nível. Exato. Isso economiza combustível. Não, mas você começar a analisar como impacta essa porra, é loucura, cara. O peso da aeronave caiu, né? Quando eu estava na LATAM trabalhando, impacta diretamente, né? Mas tem o cargo também. Você vê as grandes importadoras de uísque, bebidas alcoólicas, tendo que se às vezes fundir, juntar ali, porque, cara, tá caindo de todo mundo. Então, vamos fazer um merge aqui para poder… Uma fase muito louca do mundo, né, cara? Que tá tudo sendo mudado, cara. Muito louco. Muito louca. Nada tá ficando do jeito que era.

Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um episódio do podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia de empreendedorismo, vida real. Aqui do meu lado, Bruno Bertozzi. O cara, o cara. Esse cara aqui é monstro. O cara do lado do cara. O cara do lado do cara, mano. Mais um, mais um episódio, segundo episódio que a gente grava nesse estúdio maravilhoso. É o segundo episódio, cara. A gente acabou de mudar. Sensacional. Muito massa. Essa qualidade de câmera, cara, é um absurdo. Até para ver as entradas. Eu acho que todo mundo fica bonito com essa luz, né? Mais ou menos. É, mais ou menos. Fazer aqui, ó: esse buraco aqui tá me incomodando. Eu vou pintar de canetão. A próxima vez eu tenho uma médica boa, viu? Pronto. É, isso aqui é cabelo colocado. Caraca, eu tô pensando em fazer, cara. Depois você me indica isso aqui. Já, já vendemos um aqui. Já vendeu. Já vendeu. Já pagamos. Já pagamos.

Galera, o convidado de hoje é um cara com uma baita experiência. A gente estava trocando ideia do currículo dele. Quantos anos você tem, cara? Eu tenho 36. Novo para caramba, bicho, pro currículo que você tem. Depende, né? É, depende, depende do ponto de vista. Mas, cara, muito feliz de ter você aqui, de ter aceitado o convite de participar, porque a trajetória dele é o que a gente fala sobre a trajetória do empreendedorismo vida real, cara. Muito, muito isso. E eu queria que você… então, cara, primeiro de tudo, Rodrigo Setubal. Rodrigo não, velho. Guilherme. Ele tentou tanto decorar, aí ele focou só no outro. Ele tá até roxo agora. Nem o que você falou, ele ia errar. E ele falou com ímpeto, ele falou com tanta, tanta certeza. Esse não tira não, né? Não, vamos deixar, deixar esse daí. Esse daí, Rodrigo foi o anterior. Volta. Guilherme Suetugo. Guilherme Suetugo. Não, mas contextualizando: o nome dele é Suetugo. Não, Suetugo. Aí ele falou: “difícil falar, tá, tá, tal”. Segundo, você falou assim… e o pior é que ele virou e falou assim, tipo: “Suetugo”. Aí ele falou: “Nossa, primeira vez que acertam o meu nome”. Falei: “Calma, porque no ar é certeza que ele vai errar”. Mas foi batata. E eu não errei o sobrenome, o sobrenome foi bem. Muito bom, muito bom. Desculpa, Guilherme, obrigado. Tamos juntos. Desculpa aí, mano. Da hora. Obrigado por topar o convite. Já começamos na melhor energia.

Cara, dá um, dá um overview pra gente do Rodriguinho. Puta que pariu, do Guilherminho! Passou Rodrigo. Vou chamar de Suetugo. Chamar do Suetuguinho. Pode ser Suetuguinho. Suetuguinho. Pera aí. O Guilherminho, da onde que veio a referência? Mas falando, falando sério agora, voltando, eh, aonde você nasceu? Você teve as suas referências familiares, pai e mãe presentes? Quando você crescesse, o que você pensava? “Pô, queria ser tal coisa”. Dá um overview do contexto da sua vida até chegar na vida adulta. Obrigado. Obrigado.

Mas é muito bom. Primeiramente, obrigado aí pelo convite. Obrigado pelo… Isso é energia boa, né? A gente já começa diferente. Eu gosto disso, eu sou muito disso. Só fazer um resuminho rápido aqui de tudo o que foi isso: eu sou nascido aqui em São Paulo, mas minha mãe faleceu quando eu era pequeno, eu tinha de três para quatro anos de idade. E meu pai tinha eu e minha irmã mais velha. E a gente se mudou pro interior, para Jales, que é longe, longe para caramba. 48.000 habitantes. São Paulo ainda, quase na divisa com Mato Grosso do Sul, longe. E fui criado lá, foi maravilhoso, né? E meu pai conheceu minha nova mãe, que eu chamo de mãe também, que é sensacional. Quem me educou, me deu os valores que você falou, que me deu norte, foram muito presentes. Isso eu sou muito grato a Deus mesmo, de tudo isso que aconteceu na minha vida.

Mas cresci lá numa cidade do interior, pequena, aquela que vocês já conhecem a mentalidade. Convivi com pessoas que são extremamente sensacionais aí do ponto de vista tanto de negócios que todo mundo fala aqui, empreendedorismo. E voltou para São Paulo para estudar, e aqui com certeza a minha cabeça fez assim, né? Bum! Calma, o que que eu tô fazendo? É aqui que eu quero ficar. E eu sempre quis assim, ser empresário, né? O que eu tinha na cabeça: “Pô, ser empresário, empresário”. Hoje eu falo “empresário”, não, não sou empresário, sou empreendedor mesmo, mão na massa, né? Porque quando você fala que você é empresário é muito gostoso, né? Parece que você tá ali sentado numa cadeira de soberania. “Cheguei, cheguei, tô de terninho aqui, bacana”. Nada a ver com isso, né? E estudei aqui, voltei a estudar, fiz Administração, fiz Economia e continuei minhas graduações. São Paulo. Vim para São Paulo sozinho. Sozinho para São Paulo. Bom, vim estudar na marra. Morava com um amigo meu aqui que tá morando em São Paulo atualmente até. Dividia um quartinho ali na Liberdade. Que legal. Aquele quarto de… como que eu chamo? Aquele azulejo de cor de barata, sabe? Aquele maravilhoso marrom. Tivemos que forrar o tanque com azulejo porque não dava nem para lavar roupa de tanto lodo que tinha, é engraçado lembrar disso agora. E a gente dividia o quartinho, dividia o banheiro e porra, eu olho para ele hoje — a gente tava até falando disso —, caramba, como a vida mudou, né? E mudou assim, graças a Deus, para uma coisa muito boa.

Mas comecei trabalhando desde o primeiro ano de faculdade. Meu primeiro estágio foi na Universidade de São Camilo, trabalhava com marketing para alunos de Medicina. Olha só. Consequentemente, era desde o flyer naquela época, pô, até agora assim evoluiu 200.000%. Mas comecei ali, trabalhei, saí de lá, fui pro Santander, fui pra GE vender aparelho de licitação hospitalar. Que legal, não tinha nada a ver com o que eu fazia. E, enfim, fui passando por diversas experiências aí, e depois da faculdade eu já tava naquele ímpeto de: “Pô, que que eu faço? Que que eu faço? Será que eu sigo a carreira? Será que eu não sigo?”. E eu estava na LATAM na época, eu entrei lá num programa de trainee, trabalhava com revenue management. Resumindo aqui, né: eu tinha que encher os voos, basicamente é isso. A gente montava a estratégia de como encher os voos. E tava lá, mas tava meio infeliz assim… não é infeliz, né, mas estava: “porra, será que é isso que eu quero fazer todos os dias? Estar aqui olhando pro dólar, olhando pra planilha?”. Falei: “Não, não é isso”. Vendi meu carro na época, eu tinha um Tiida, um Tiida vermelho na época, maravilhoso. Vendi o carro. Falei: “Tá, e agora?”. Comecei a comprar participações dessa rede de farmácias no interior de São Paulo.

E mas você já conhecia o dono ou alguma coisa?

Não, conhecia o dono já. Já conhecia o dono, ele tinha relações ali. Eu sou oriental, né? Por mais que eu não pareça, mas eu sou oriental. Era uma comunidade japonesa ali, né? Meu pai é oriental também, meu avô era oriental, então a gente tinha contato com todo mundo.

Agora você tá falando, tem um pequeno traço.

É, o Suetugo vem daí. Suetugo é a única coisa que ele acertou agora. É a única coisa que ele acertou. O Suetugo vem daí. Mas eu sou a terceira geração. Então a gente já tinha contato entre o que a gente chama de familiares, que é a maçonaria ali do interior. E comecei nisso e, ao mesmo tempo, estava trabalhando ainda na LATAM, fazendo esse movimento: comprar, comprar, comprar. Ali em 2013 para 2014, eu já comecei a meio que tentar mudar a minha cabeça para começar a empreender. Então tinha um dinheirinho suado ali que eu juntei nos estágios da vida e mercado, sempre na bolsa de valores ali apostando. Tomei um tombaço com a OGX, eu lembro disso. Caramba, tomei nos ‘X’ da vida aí. A MMX, me fodi. E ficou lá, né? Ficou lá. Não teve jeito, não. Eu olho, tá lá ainda, né? Nem tá mais lá na corretora hoje. Mas foi isso.

Nesse tombo eu falei: “Tá, agora eu quero saber onde eu posso capilarizar, crescer diferente”. E comecei a pensar como eu poderia ter um espaço legal para que eu pudesse conhecer empreendedores e trazer pessoas novas pro meu meio. Isso aí foi 2016 para 2017. Eu já estava produzindo alguns conteúdos, só que eles eram muito aqueles conteudinhos que você fazia no Instagram, só um postzinho, nem tinha carrossel na época. E comecei a produzir, comecei a me relacionar com diversas pessoas da rede social. Conheci um sócio que ele era cantor do Cine, da banda Cine, né? Nossa! E de repente, ele pensando em uma coisa, eu pensando em outra, falei: “Cara, vamos unir tudo isso junto e vamos fazer um coworking”. Na época, o pessoal brasileiro ainda não estava acostumado com isso.

Mas isso e a rede de farmácias em paralelo?

Seguia toda semana andando 600 km de ida e 600 de volta. Pá, pum, pá, pum, ficava na farmácia. Caraca, desde o pano de chão até o último remédio do estoque! E aí eu tive que começar a aprender rápido ali. Então, em 2014 eu peço a demissão da LATAM: “Pô, vou tentar o meu sonho aqui, vou ir atrás”. Peguei tudo o que tinha ali de reserva e falei: “Pum, all in”. Então, comecei a fazer paralelamente: eu ia para Jales toda semana, batia lá, ficava na farmácia, voltava para São Paulo e, ao mesmo tempo, comecei a conhecer muita gente por causa do meio em que eu estava querendo frequentar, participando de eventos e essas coisas que você conhece muito bem. Essa época o networking era novidade, digamos assim. Comecei a tentar expandir a minha rede para que eu conseguisse abrir um coworking já cheio. Então eu precisava estar em eventos, startups, comecei a me aprofundar nisso, e batendo na farmácia toda semana e voltando, difícil.

E comecei a tentar entender mais sobre a farmácia em si. Porque medicações a gente tem milhares, mas no fim do dia é uma margem muito pequena. Então você tem que entender muito mais de negócio do que do remédio em si. O que que o ticket agregado vem buscar? A Dipirona, a Novalgina, isso daí eles vêm buscar, mas o que que você vai entregar a mais? Como que você consegue complementar. Exatamente. Exatamente. E ali no interior, o diferente daqui é muito o relacionamento. Farmácia quando você olha aqui em São Paulo é localização, estacionamento, ponto, porque você tem que parar rápido. Se estiver em casa, você pede hoje direto para entregar. Mas o interior era um pouco do estacionamento, mas muito mais o relacionamento. Então o que que a gente fazia lá: se relacionava com os clientes, chama pelo nome, olha no olho, “já te conheço, quer fazer um fiado? Vamos fazer o fiado”. Faz o fiado, paga daqui a 30, 60 dias. Puta que pariu, pode parcelar para mim em 200 vezes? Claro, vem. Como que a gente ia competir com a Raia? A Raia chegando, Drogaria São Paulo chegando… calma, então vamos nos reinventar. Então, durante todo esse tempo, na verdade, foi muito mais um negócio de relacionamento do que de qualquer outra coisa. E aí eu começou a entender a essência de muitos negócios, porque é relacionamento, é sobre pessoas do dia a dia. É sobre pessoas. Sempre é sobre pessoas. No final das contas, tem um CPF se relacionando com outro CPF, não tem jeito. Exatamente. Todas as relações, inclusive as internas. É isso. É muito doido, né?

E, nesse meio tempo, fui fazendo a farmácia ali acontecer, a gente tinha que modernizar muitas coisas. Então a gente foi tentando se entender ao mesmo tempo em que a Raia vinha com muita força pro interior, e a gente conseguiu manter esse relacionamento com os clientes e fazendo o prazo que eles queriam. Enfim, ali eu entendi que o negócio era como se fizesse o papel de um banco, porque a gente financiava os clientes e tinha um relacionamento. Então eu comecei a olhar para aquilo, falei: “Hum, tá, financeiro, tem algo aí, tem algo aí”. E aí, nesse meio tempo, eu comecei a pensar, tá? Então, eu preciso ter alguma ferramenta para oferecer alguma coisa para esses clientes. Foi aí que eu comecei a indicar clientes para a área de investimentos. Caramba. E aí eu só indicava, indicava, ganhava o rebate; indicava, ganhava o rebate, até que isso se tornou maduro. E eu fui para dentro do escritório mesmo, com um cargo que hoje é muito difícil você ter no meio dos investimentos, que é o Hunter. Por quê? Porque é difícil o Hunter se provar e ele ter, de fato, o espaço, porque acaba que o assessor tem mais relacionamento com o cliente. Só que o que eu quis desenvolver com o cliente foi o relacionamento. Então esse cliente vai ser sempre meu, porque eu sou o primeiro cara de confiança dele. E ali eu comecei esse negócio dos investimentos.

Isso em paralelo com a farmácia. O maior canal era a farmácia. Caraca, velho, que animal! E é legal porque é oportunidade. É o que o Bruno falou, todo mundo tem que comprar remédio, fralda pro nenê, todo mundo passa por isso. Então era uma primeira necessidade, igual comida. Então a gente precisa disso. Como que eu posso acessar isso? O mais louco é que a mentalidade do empreendedor é animal, porque o seu principal negócio na farmácia não era o remédio. Você podia estar vendendo qualquer outra coisa ali dentro. Você estava falando sobre relacionamento, você estava falando sobre negócio entre pessoas, sobre o ecossistema, confiança. É outra coisa, cara. Outra coisa. E é isso: vender investimento… o cara podia comprar qualquer coisa de você, porque é a confiança na pessoa, exatamente. A marca se confunde com a pessoa, é um negócio muito engraçado.

Mas resumindo essa história, comecei a fazer esse… enfim, indicar pro escritório. Isso começou a crescer, tomou uma proporção legal. E, nesse meio tempo, conheci os sócios, que era um Diego, grande sócio que tá morando em Barcelona hoje até. E ele me apresentou para o Felipe Lombard. E a gente desenvolveu um espaço de coworking ali em Pinheiros, um negócio bem aconchegante. Ele não era aquele escritório que a gente tem por aí, normal, não; ele era bem diferente, tinha sofá, porque a gente se espelhou muito na gringa para trazer um negócio diferente, legal. E a gente começou a colocar startups para dentro. No primeiro mês a gente já tinha clientes ali dentro que eu tinha conhecido em algum evento. Chovendo, caindo água, inundando o coworking, eu com o rodo aqui puxando, e a gente pintando parede, chamando empreiteiro: “faz aqui, resolve, dá um jeito”, e tudo ao mesmo tempo. É isso. E pingou na sala do cara: “tá, vou te dar um desconto de R$ 500 a menos”, e doíam esses R$ 500. E a gente continuou fazendo isso.

E nesse entretempos, tô falando de 2014 para 2017, eu comentei que comecei a conhecer mais a fundo essas startups que passavam ali por dentro. E a gente tinha uma parceria com o BeerCoffee. Ah, lembra da Roberta? E bombou na época. O BeerCoffee era tipo um Tinder de pessoas de networking: você entrava lá e marcava uma cerveja ou um café com alguém. Com alguém. É isso aí. Puta que pariu, mano. Exatamente. Exatamente. Hoje virou o Woba, se não me engano. Ah, tá ativo ainda? É, nem sabia. Tá ativo, só que hoje ele é como se fosse um geolocalizador de espaços legais. Ah, então eles te linkam. “Tenho demanda para uma empresa que tem 20 pessoas, você consegue fazer um espaço aí?”. Sim. Ah, entendi, entendi, entendi. Caramba, legal, isso é bom! Isso, legal, é isso, bom, é bom. Isso, você tem um espaço ocioso, vamos alugar. Tem internet, tem TV, tem o que tiver funcionando. Legal, hein? Depois me passa o nome. Woba, com ‘W’. Se eu estiver falando errado, me desculpa, mas quem conhece o BeerCoffee, na verdade, é quem estava vivendo a cena de startups, que é empreendedor, né? Cubo, cubo, nossa, startup. E era exatamente isso, você ia tentando se conectar.

Nesse espaço de tempo, eu conheci o André Loureiro. O André Loureiro foi VP do Tinder até, puta que pariu. Foi VP do Tinder, ele teve uma carreira na Cuponeria, no Groupon, ele passou por tudo isso, né? Engraçado, os cupons… o mercado vai e volta, né? Eu acho que o único que ficou firme para tudo quanto é lado, empresa de cupom que abriu, né? Eu acho que o único que ficou ainda de grupo de compra foi o Privalia, porque o restante acho que sumiu. Eu conheço o Boscolo, que é o CEO da Privalia, ele acabou de recomprar a empresa do fundo. Que legal, meu. Lá, para você ter noção — posso errar números —, mas cerca de 600.000 pessoas passam por lá todo mês. É uma audiência de 600.000 pessoas todo mês passando por lá sem tráfego pago, é animal. O que é um clube de compras? Animal. É, você compra por lotes com desconto, a Tramontina faz um lote com desconto e você compra em grupo. Você só entra e compra os produtos (vestuário, home, tudo). Bem legal, mercados que ajudaram a maturar o nosso mercado.

E aí você se conectou com esse cara, o André Loureiro. Ele me apresentou o pessoal de uma startup da qual virei investidor logo em seguida, que é a Filmer. Me apresentou o Ricardo e o Fernando, dois irmãos gêmeos. A gente até brinca que foi tomando sorvete que a gente fez negócio, ali nos Jardins. Tomamos sorvete e falamos: “Vamos ser sócios?”. “Vamos”. Foi assim. Começamos: “o que que a gente tem que fazer?”. Eu falei: “Pô, eu tenho o espaço de coworking, vocês não querem vir para dentro? Monta a operação ali, a gente vai fazendo um tradeoff: eu invisto em vocês, dou um desconto no espaço, vai entrando um pouquinho de equity”. Comecei a investir em startups nesse momento. Legal, cara. E a maturidade veio ao longo das custas mesmo, perdendo dinheiro, investindo, vai e vem.

E é uma aposta sempre, né?

Sempre é uma aposta. E são pessoas, e eles eram pessoas muito boas, entendiam muito do mercado. Esse aplicativo primeiramente era o Stay e foi um aplicativo que ele explodiu porque o Ronaldo Fenômeno fez um vídeo com o aplicativo. Caramba, na época não existia, né? Edição vertical orgânico total. Puta que pariu. Ele pegou para usar o aplicativo mesmo, e explodiu. A Gabriela Pugliesi também fez um vídeo ali no Ibirapuera que ficou muito famoso. Ele era como se fosse um CapCut da época. Era uma época ainda que a galera estava indo contra o formato vertical, os fotógrafos insistiam em fazer horizontal e a galera não tinha ainda cedido. Exatamente isso. Eu lembro que a gente fez um evento em que pedi pro cara fazer a filmagem vertical e ele me entregou horizontal. Puta que pariu. Você não usava, dava problemas. E a galera boicotava, cara. A galera boicotava. Vai usar pra que? Pra assistir no YouTube, né? Que é o que faz aqui. Tem vários falando: “isso daí é modinha, daqui a pouco vai voltar tudo para o horizontal”. E olha aí, tá todo mundo no vertical agora com a câmera virada. O vertical virou moda. E eles já tinham essa tecnologia no Stay, mas eles não conseguiam tracionar e monetizar o aplicativo mesmo com esse boom que tiveram com a Pugliesi e com o Ronaldo. Então, nesse momento, vem o André, que era um excelente executivo, e começa a alimentar o aplicativo com novas ferramentas. O Stay vira Filmer, e o Filmer começa a ser desenvolvido com mais investimento. A gente fez uma rodada legal de investimentos, captou capital. Eu entrei com uma porçãozinha muito pequena nisso e, de repente, a empresa estava crescendo. Dentro do coworking, a gente tinha três empresas: uma era a Nama (que faz chatbot para o Poupatempo e para o Burger King, explodiram), a outra era a Grant Thornton (consultoria) e a Filmer. De repente, as empresas começaram a crescer e não tinha mais espaço no coworking. A Nama ficou com um andar inteiro, a Filmer com um andar inteiro. Naquele momento o coworking ficou maduro, porque a gente tinha receita previsível e eu conseguia viajar mais tranquilo para Jales cuidar da farmácia e voltar para São Paulo.

E nesse paralelo ainda com o negócio da farmácia? Doideira! O cabelo caiu no meio de tanta coisa. A farmácia ainda era um business potencial para você lucrativo. Como você conseguia acompanhar? Porque a farmácia não é um business que você acompanha de longe, né?

Não, não. Você tem que estar lá todos os dias. E eu tenho… você tinha um sócio operador lá? Tinha dois sócios. Ah, ele operava. Exatamente. Um operava e o outro ficava mais ali na gestão. Só que a gente tinha funcionários muito bons, muito. O funcionário vendia o dia inteiro e, às 5 horas da tarde, subia para fazer o pedido pro outro dia. Chega muito rápido, né? Subia para fazer o pedido. O outro funcionário, que era motoboy na época, começou a crescer muito porque era o melhor vendedor — deve ser até hoje, o Renatinho. Ele começou a vender muito e virou o melhor vendedor da farmácia porque ele sabia o que vender e ele cuidava das cobranças. Caramba, porque na época ele levava para cobrar de motinha. Olha só. Então ele passava cobrando. Olha que legal. Ele entendia como era o business, né? Impacto do empreendedorismo, né? É muito doido, cara. Olha o tanto de gente que você já impactou que você desenvolveu. É doido. Tinha, tem até um, hoje ele é personal, tem um estúdio lá em Jales grande e ele era também cobrador, motoboy, fazia entrega e cobrança. Ah, não. E ele falou para mim: “pô, tenho um sonho, Carlos, de fazer Educação Física”. Falei: “vamos fazer, que horas você consegue?”. Ele fez o curso à noite, se formou, o coloquei numa academia onde eu tinha contato, ele se destacou e hoje tem o próprio estúdio dele, fez uma pós-graduação e cara, é muita gente que passou pela vida, né? E a gente volta nesse ponto: são pessoas, pessoas dispostas. E ali aprendi que o meu negócio era gente. Eu tinha que estar próximo e fui conseguindo fazer isso de uma maneira distante; mesmo longe eu conseguia estar presente porque eu chegava e conversava com eles: “o que que tá acontecendo? Vamos resolver”. Sempre muito próximo. E aí de domingo a domingo, sem folga, Ano Novo, Natal, nossa, corrido. É empreendedor, né, velho? Farmácia é todo dia, todo dia ainda mais, ainda mais com concorrência de peso assim na cidade. Você levou final de final de ano, carnaval é onde mais vende, né cara? Porque a galera passa mal, é onde lota. Novo agora do Felipeel, fazer propaganda aí, ó. Tô fazendo, hein, Felipe.

Mas ao longo desse tempo eu fui me entendendo ali, né? E a gente conseguiu formar uma equipe muito boa em Jales. Tinha pessoas muito capacitadas e inteligentes que faziam o negócio acontecer. E eu entendi que eles entendiam muito mais do que a gente que estava lá em cima. Tinham dois andares, né? Por quê? Porque eles estão no chão. Eles sabem o que tá acontecendo, né? É o famoso chão de fábrica, né? Você vai ali embaixo, vê o que tá acontecendo. E eu ficava lá embaixo porque gostava de ver e acompanhar a operação, o que tava acontecendo. E eu acho que aí eu aprendi muita coisa, e a farmácia continua andando, o coworking continuou andando. De repente, o escritório do coworking era todo da Filmer. Caramba. A gente foi para uma segunda rodada de investimentos e aí eles pegaram o escritório inteiro. A gente modelou o escritório para eles, colocou a churrasqueira lá em cima e eles continuaram como coworking. Continuaram. Vocês continuaram como coworking ou eles compraram na compração? A gente tinha um acordo que era entre sócios e, enfim, bem chegados e pô, colocamos uma churrasqueira lá em cima, fizemos um rooftop, ficou super legal. E nesse momento eu comecei a ter muito contato com eles, comecei a me organizar mais nos meios das startups, investi em algumas, e algumas deram muito errado, totalmente errado. Não, o mercado de startups era isso aí. E continua assim, acho que agora dá uma segurada porque não é tão fácil conseguir investimento, mas teve uma época, bicho, que você levantava a mão com uma ideia num PowerPoint e conseguia dinheiro, cara. Ah, vi, é o nosso amigo Kiko. Exato. Exatamente. Não, ótimo vendedor. Ótimo vendedor. Você pegava aquele que o cara tem de cérebro, deve ser um negócio, com PowerPoint. Pois é. Pois é. Teve um segundo que fez isso, só que aí nesse caso o Álvaro Schocair contando que ele… cara, qual a empresa que ele criou que foi a Tarp Investimentos? Sei que eles fizeram um PowerPoint com a ideia de comprar alguns fundos, algumas empresas, levantaram o capital e compraram, tornando-se gigantescos, inclusive intermediando a fusão da Sadia com a Perdigão. E assim, em cima de uma ideia, cara, só que levaram a sério, pô, e fizeram, né? Fizeram negócio acontecer. Levantar o capital com uma ideia e foi para cima. Deu bom, vendedor, né? Hoje em dia não, hoje em dia eu acho que não existe mais isso. Mais ou menos, né? A gente tá com a janela de IPO fechada e o dinheiro tá difícil, né? É, dinheiro tá difícil. Acho que é um momento a nível Brasil e a nível mundial. Acho que é uma questão atual assim, o dinheiro tá curto, a gente percebe no dia a dia que tá difícil captar e o dinheiro tá muito caro, né? Exato, no mundo inteiro.

E voltando para isso, vou tentar ser até mais curto aqui. Tá top, continue. Ficamos no coworking ali e o Filmer foi crescendo, a gente foi fazendo, tinha um MRR ali, uma receita recorrente muito legal, e começamos a crescer, crescer, crescer, crescer. E de repente tomou uma proporção muito grande. E nesse momento a gente começou a conversar o que ia fazer com o aplicativo, o que ia fazer com o aplicativo. E eu lá em Jales, mas ao mesmo tempo eu tinha que prestar um facilities ali no coworking, trocar o papel higiênico que tinha ali dentro até o último caso. E a pandemia, pum, veio a pandemia. Era um aplicativo, então o pessoal estava acostumado a trabalhar de home office, mas fechamos o espaço porque a gente não podia mais conversar com as pessoas, não podia mais estar perto. Fechamos o coworking às duras custas e de repente eu vou para Jales nesse momento porque fechou o espaço, a gente continuou rodando o aplicativo em home com o pessoal, e aí de repente a farmácia começa a ficar muito atrativa, porque veio a pandemia e todo mundo comprando tudo. Enfim, as pessoas com falta de informação, eu posso dizer hoje, comprando remédio, tudo o que você pensar: hidroxicloroquina, a gente passou por diversas coisas, ivermectina, virou moda na época, o pessoal nem sabia para que servia, comprando. E a farmácia começa a ganhar muito corpo; desde o momento que entrei, a gente faturava ali R$ 1.700.000 e a farmácia começa a crescer e subir pros oito dígitos. Ela começa a crescer, crescer, crescer sem parar, porque a gente ajustou também o fiado no meio do caminho no relacionamento também. E a gente foi se entendendo com a margem. De repente, pum, pandemia estoura, só que aí tá todo mundo em casa.

E aí eu começo a tentar reverter isso para o outro negócio que é o dos investimentos. O pessoal estava em casa, não tinha dinheiro para gastar, não tinha onde gastar, na verdade estavam guardando dinheiro, e aí não tinha para onde viajar, não posso fazer nada, todo mundo se capitalizou. De repente, o brasileiro começa a crescer na bolsa de valores, a gente sai ali dos 2 milhões para 10 e começa a crescer 45 milhões e meio na bolsa. Nesse momento eu entendo que o negócio de investimentos era uma boa e começo a pivotar tudo o que eu estava fazendo pro negócio de investimentos. Caraca, que legal! Porque aí todo mundo começou a ir para a bolsa de valores e só se falava nisso, né? Só se falava nisso. O Thiago Nigro estava muito em alta ali, bombando. E eu começo a jogar os clientes pro escritório, jogar, jogar, jogar. E fui crescendo com o negócio dos investimentos, porque começou a fazer muito sentido. Nesse meio tempo, eu entendi que ali estava uma habilidade de relacionamento, porque você tá lidando com os investimentos da pessoa. É o core da vida da pessoa, né? E eu entendo ali que é muito legal. A gente começa a crescer o escritório, crescer, crescer, crescer e de repente toma uma proporção um pouco maior. Nesse meio do caminho eu ainda estou focando na farmácia, porque não podia parar, né? Doideira. A gente volta ali, o escritório em São José do Rio Preto, que é no interior ali também, pertinho de Jales, 160 km de Jales. Cidade sensacional, gigante já. Terra da franquia, exatamente. Tem o Reinaldo da Seguralta ali, o Semenzato também gigante ali, né? Cidade boa de PIB e tudo mais.

O escritório começou a crescer e eu tinha mais um grande amigo daqui de São Paulo e a gente fez uma sociedade, veio pro escritório como sócio de fato. Então aí começou a tomar uma proporção muito mais legal de tudo o que estava acontecendo. Então, basicamente eu continuei tocando a farmácia e os investimentos. Não cuidava de carteira de clientes porque não dava tempo, mas eu era o comercial que puxava a galera através de relacionamento. No fim do dia, era relacionamento.

E nesse meio do caminho eu conheci o Crica, que é o meu sócio hoje da Sunrise. E ele já estava nesse mundo dos investimentos em startups há muito tempo. Então ele lançou um curso, um dos primeiros cursos online que tiveram, das influenciadoras. A esposa dele é a Juliana Góes, que é uma influenciadora também grande, faz palestras hoje até e cursos de maquiagem, cursos de várias coisas. E ali eu conheci ele nesse mercado, por um acaso. Apresentou também pro André Loureiro. De repente o mundo estava conspirando para esse nosso relacionamento. Eu comprei esse curso da Jana Góes, acredita? Por causa de… a gente estava nessa época abrindo uma infoprodutora. Ah, você comprou para poder testar, ver qual que era, para modelar. É. E a gente lançou uma turma e foi bom para caramba, mano. Ganhamos um dinheiro forte isso aí. Lancei um cara chamado Rogério Gozi, de anatomia. Você nem sabia dessa história, não é? E pô, conta aí, eu quero saber também. Um dia depois eu te conto os bastidores porque senão vou roubar teu brilho aqui. Mas aí a gente lançou o Rogério Gozi e lançamos um curso de pintura hidrográfica, cara. A gente faturou em um ano e meio assim, a gente deve ter faturado umas 3 milhas, cara. Só com lançamento, não era nem só lançamento, a gente entrou num perpétuo assim, foi muito legal. E modelei a Jana Góes por cima. Legal. Meu sócio, a Ju também é sócia nossa, coincidência, na Sunrise. É hoje, né? A gente demorou 10 anos para, enfim, fazer nosso primeiro negócio juntos. E o Crica tem uma plataforma, tem ainda, a Vegan Business, que eles faziam o equity crowdfunding, então eles levantavam capital, só que para empresas só veganas. Então ele se tornou vegano também depois que teve o filho. A gente até fumava charuto junto, tomava uísque, e ele falou: “Quando nascer o meu filho, eu paro tudo”. E ele parou, parou mesmo. Caramba, que legal! Parou de beber, parou de fumar, virou vegano e foi assim de verdade, não foi aquele que só fala. Trouxe para a vida dele e a gente começa ali uma nova relação de tentar fazer algum negócio junto. Nesse meio do caminho, eu tinha pensado numa ideia de equity crowdfunding em 2012 — depois eu mostro até esse projeto para vocês —, mas eu queria fazer na época como se fosse uma vaquinha, só que tinha dois lastros: um era para ONGs e o outro braço era para apoiar os empreendedores. Essa foi a primeira tentativa que eu tive de empreender, na verdade, e tenho guardado até hoje só para eu olhar e falar: “Pô, legal, bem legal”.

Bom lembrar a cabeça que você tinha pro projeto, muito louco. E o tempo passa, né? Passa rápido quando você analisa a longo prazo. Quinze anos atrás parece que foi ontem quando você põe projeto. Você faz projeto a cinco anos aqui, aí depois você olha assim: “Caraca, já chegou agora o negócio de 10 anos atrás”. Acho que é coisa da gente que tá mais ou menos nessa mesma idade. Quinze anos atrás parece que foi ontem. E era bom, né? A preocupação era diferente, era gostoso. Faz parte a vida.

Resumindo, ali em 2023 surgiu uma oportunidade de o Filmer ser vendido. A gente estava num momento legal, a gente lançou um aplicativo que tinha uma realidade aumentada, então você conseguia aqui na câmera colocar uma imagenzinha de um unicórnio que estava na moda na época, estava voando isso aí. E vendemos para a InVideo, que é uma empresa de Singapura focada em aplicativos de filmagem, eles são muito grandes e lá na Ásia eles dominam muito o território ali. Foi legal, foi o primeiro exit que eu tive que era internacional. Você participou do processo? Participei, mas muito mais porque eu tinha muita relação com os meninos. Inclusive depois eles até foram para a praia para curtir aí o momento posterior, eles sempre gostaram muito. O primeiro exit foi para falar: “Cara, legal, acho que faz sentido os investimentos que eu tô fazendo”. E comecei a me aprofundar. Isso foi em 2023.

Em 2024, eu já estava com muita coisa andando na parte de investimentos e eu já tinha feito alguns investimentos ali junto com o Crica, meu sócio. Inclusive esse tênis que eu tô aqui hoje é de uma das investidas, que é a Slow. Sobe o pé aí, o pé aqui, ó. Bonito, cara. A Slow foi uma empresa em que eu investi ali no comecinho e os fundadores são muito legais. São calçados veganos: tudo isso aqui é linho, é vegano, o couro é alternativo, então nada de origem animal. Caraca, que massa, hein! É muito legal. A gente até conseguiu uma parceria com o pessoal da Peanuts, do Snoopy, lá nos Estados Unidos. A gente conseguiu um contato muito legal e a gente licenciou. Então, o primeiro tênis que veio aí com a Peanuts tem uma coleção, já tá à venda, já tá no site. Conseguimos por um contato fazer uma colab, conversamos com o pessoal de lá e eles são bem rígidos para aprovar, etc. A gente vestiu azul também em linhas aéreas e o pessoal estava todo de Slow ali.

E eu fui aprendendo como eu poderia me envolver, conversando com as pessoas, trazendo para perto: “qual é a sua dor?”. Já passei por isso e fui começando a investir um pouquinho mais e investi em algumas quatro empresas ali com o Crica. E a gente começou a se relacionar muito mais. De repente surge a ideia da gente fazer uma marca de suplementos, e começamos a conversar. Isso eu tô falando de 2023, no mesmo ano ali. Boa. A gente começa a pensar como a gente vai empreender, o que a gente vai fazer, tal, suplementos. Vai começar a vir essa nova onda de wellness pro Brasil. Todo mundo tá meio assim, certo? Momento certo, e foi muito legal o timing. E aí a gente pensou com a cabeça: hoje tá todo mundo entrando, mas vocês entraram no time certo porque vocês estão estruturados. Agora todo mundo quer fazer alguma coisa, todo mundo quer alguma coisa. Está vindo uma onda de que o mercado de bem-estar hoje mundialmente é maior do que o mercado da saúde. É lógico. Mas isso é bom, porque a gente começa a antecipar o cuidado e focar na prevenção. Ao mesmo tempo em que o mercado da saúde tradicional é gigante e existe um lobby gigantesco, o do bem-estar sendo tão grande ou maior agora… vai existir suplemento para caramba que no final das contas também cabe você analisar quais são essas fontes de estudo. É diferente porque o mercado de saúde farmacêutico está no wellness também. E não é tão complexo, porque querendo ou não, quando você fala de saúde, você tá falando de tratar doenças. No wellness, se eu colocar um suplemento que não vai fazer mal pro meu corpo, ele te gera benefícios de fato. Não tem uma barreira complexa tanto quanto a da saúde. Mas de qualquer maneira, vocês sabem que quando você fala em papers, estudos e tudo mais, é tudo encomendado pela indústria. É uma coisa de se avaliar o tamanho desse mercado, mas a indústria quer participar do game, porque aí vem a Nestlé comprando a Puravida. Então está todo mundo dando “all in” nisso. É lógico, porque a gente tem no mercado da saúde os dois cenários aqui: agora que caiu a patente da liraglutida, que é o Ozempic, a gente tem uma mudança de comportamento no consumo. As pessoas não vão comer mais tanto fast-food e doces, então a gente tem uma mudança no consumo. Isso vai impactar em todas as cadeias. A companhia aérea LATAM, onde trabalhei, revelou que o peso médio das aeronaves tem caído, o que impacta diretamente na economia de combustível. Não, mas é surreal você começar a analisar como impacta, é loucura, cara. O peso da aeronave caiu. Quando eu tava na LATAM trabalhando, impacta diretamente, ou o cargo também. Você vê as grandes importadoras de uísque e bebidas alcoólicas tendo que se, às vezes, fundir, juntar ali, porque, cara, tá caindo o consumo de todo mundo. Então vamos fazer um merge aqui para poder… Uma fase muito louca do mundo, né, cara? Que tá tudo sendo mudado, cara. Muito louca, nada tá ficando do jeito que era.

A gente pegou o meio, fase boa, porque veio a internet junto. A gente passou pela transição agora para a IA. O avanço tecnológico de medicina e de saúde, de um lado, é uma delícia. A gente tá vivendo realmente duas eras. Nós somos a geração que viveu duas eras, o antes e o depois da internet, perfeitamente. O que é muito louco, cara. Mas pensa só como é muito louco, porque na nossa época de criança a gente comia chocolate. Aí a gente ficou maior, e veio o “sabor chocolate” porque agora é só gordura fracionada. E agora não é nem chocolate e nem gordura, agora é qualquer outra coisa com sabor de doce, porque também doce não pode. Então assim, tá muito louco o negócio, né, cara? Tava vendo a tabela tradicional, por exemplo, do Danoninho: não é a mesma coisa, já mudou. O Danoninho dos anos 90 não tem nada a ver com o Danoninho de agora. Então não são os mesmos produtos. Antigamente era produto bom, né? E aí vocês… o papo é bom, dá para viajar, né?

E a gente começou a pensar no negócio e a gente estava olhando pro wellness, logicamente. E a gente começou a pensar ao contrário. Então a engenharia reversa como foi: tá bom, a gente tá aqui, só que a rede social tá bombando. Então vamos fazer um negócio antes de comunidade e aí a gente começa a desenhar a marca. Então hoje a gente tem os sócios, o Jonas que estava no Big Brother, o Erasmo, a Pat Costa, o Di Ferrero do NX Zero é sócio também hoje. Que legal, tudo intencional. Muitos desses sócios eu já conhecia porque eu tive contato em algum momento ali com eles, e a gente começa a formar essa comunidade de influenciadores. O Jonas, por exemplo, ele tinha já essa comunidade junto com ele. O Jonas é sensacional, gosto muito dele. E nesse momento a gente começa a construir a Sunrise e a gente começa, na verdade, primeiro a fazer as provas do produto. Porque a gente queria ser diferente também no suplemento em si, porque senão a gente ia virar mais do mesmo, que é o que você falou, commodity. E a gente chegou numa fórmula. Hoje a gente tem uma indústria que é sócia, que é a ProNutrition. A ProNutrition faz produtos para a Cimed, para diversas empresas muito grandes. Eles são sócios nossos, então a gente conseguiu aí fazer um negócio muito legal com pessoas muito boas. Eles são muito fortes em P&D. Então a gente conseguiu chegar naquela fórmula que você provou, que ela tem curcumina e tem diversos outros produtos que são naturais. O whey deles é muito forte. O chai, ele é como se fosse um chá em si, mas ele é um chá um pouco mais leitoso. Você já viu o matcha? Ele vai um pouco nessa linha. Exatamente, é um chá ali, ele é gostoso, é muito gostoso e ele tem diversos benefícios que é essa linha de produtos que a gente queria. Então uma linha que você pudesse tomar, só que não ia ser aquele suplemento que você fica, enfim, com a barriga cheia, estufado. Você pode tomar depois do treino e não fica estufado. Isso não é venda minha não, isso é estatística, tá? A galera prova e diz isso. Porque a gente tinha esse incômodo com a gente, né? E essas pessoas aí, pô, o Jonas, a Pat, o Erasmo, treinam desde que nasceram, eu acho. E eles provaram, chegamos na fórmula. Vamos fazer a comunidade. E a gente começou a criação de marca da Sunrise. E a gente pensou: antes a gente tem que ser comunidade, a gente tem que ser hype para depois a gente vender o produto que já é bom. E a gente se movimenta exatamente nessa linha.

E aí eu começo a olhar mais para a Sunrise. Em 2024 eu já tô careca, né? Então já não aguentava mais viajar pro interior e voltar. E surgiu uma oportunidade de fazer uma venda ali para que a gente ficasse legal dentro da rede. Eu já era um acionista majoritário ali, eu já tinha uns 50% da farmácia, que foi construída ao longo desses 12 anos, às duras custas. Mas foram movimentos que eu fui fazendo, enfim, apostando na compra e tentando aumentar o máximo possível de equity que eu tinha. E vendo isso, em 2024 saio e falo: “tá bom, então agora minha energia vai ser focada na Sunrise, vamos fazer acontecer”. Começamos a Sunrise.

Só uma dúvida sobre a farmácia: vendeu para uma rede?

A gente vendeu para a mesma rede. Ah, então continuam os sócios, eles compraram em conjunto e eles seguem com a mesma rede. Foi bem legal. Pô, torço para eles para caramba, né? Porque deu muito certo quando a gente olha para trás. Foi muito trabalho, muito chão. Eu olho as fotos assim de antes de reformar a loja, a gente pensando em layout — que naquela época nem pensava, né? A farmácia mudou muito também, toda uma estratégia de você andar na loja e agregar o ticket. É a dinâmica de movimentação. E a gente era a única farmácia que tinha licença para vender medicamentos controlados na cidade. Que massa!

Duas coisas que antigamente a galera na farmácia parava muito: ou era o refrigerante ou era a balança. Todo mundo parava, entrava, se pesava e saía. Aí depois começaram a cobrar a balança, lembra? O segredo era colocar a balança no fundo, deixa a galera passar pela loja. Todo mundo colocava na entrada, mas era só colocar a balança no fundo. Nossa era na entrada também, e o que que tinha do lado? Sorvete. Emagreceu na balança, vamos levar dois potes de sorvete! Atendia ambos os públicos, mais ou menos isso. E é engraçado que funciona, né? É o gatilho do ser humano que tá ali.

Mas enfim, a gente faz essa venda em 2024, começa a focar ali na Sunrise e ao mesmo tempo eu começo a fazer uma migração para abrir o escritório próprio de investimentos e a gente consegue trazer esses sócios relevantes para dentro do negócio. A gente consegue criar uma marca relevante. Hoje a gente é uma marca que tem essa comunidade forte. A gente é um produto vegano, porém esse nunca foi o nosso apelo principal de venda, porque na verdade a gente só queria que você consumisse uma coisa legal e que te fizesse bem, que não fizesse mal aos animais e te gerasse benefícios de fato. Então a gente chegou num produto muito legal. Começamos a vender muito bem, muito bem, o online funcionando muito bem por causa da comunidade e a gente consegue crescer a marca muito rápido. O Gabriel Sydney, que é um tenista também, virou sócio e abriu uma loja lá em Curitiba, tem loja própria também. E aí, nesse meio tempo, a gente faz essa migração pro pessoal poder provar, o pessoal poder enfim conhecer mais a marca, e a gente começa a abrir a Sunrise Shake House. Então, hoje a gente tem oito franquias, a gente abriu a oitava agora. E o primeiro a apostar no nosso sonho foi o Erasmo. O próprio sócio fez a primeira loja lá no estúdio de crossfit que eles tinham, o Mahamudra Core, que eles venderam (o Erasmo era sócio do Core também e foi vendido, uma grande venda). E ele abriu a primeira loja em Salvador, foi nosso primeiro franqueado. Hoje a gente tá na oitava franquia. Esse ano a gente tem um plano de vender 42, então a gente tá com um pipeline bem legal. A gente abriu na Velocity agora do Anália Franco, a gente tá forte na parceria com eles. O faturamento cresceu muito porque a gente conseguiu equilibrar isso: o público poder provar o shake na loja e depois chegar em casa e falar “pô, acho que é legal essa proteína”. Então a gente consegue, pela comunidade, fazer a pessoa provar ali numa atividade e depois ela volta para a compra no e-commerce, que é o nosso maior canal de vendas. As vendas são muito espontâneas. A gente tá fazendo uma promoção hoje, aliás: compre um, leve dois. Se quiserem comprar, a gente vai…

Acabei de comprar, tá vendo? Sacanagem! Tinha que ter mandado o link antes.

Mas a gente tem esse apelo online que é muito legal, a gente tem uma estratégia muito legal online que a gente consegue fechar esse ciclo de venda. Essas promoções também agregam muito para a gente porque as pessoas realmente estão consumindo mais. Antigamente, um pote de proteína dava pro mês, hoje em dia o pessoal consome muito mais. Proteína virou o novo ouro. Meu filho de dois anos toma ela também, eu dou para ele. É doido isso, né? Quando você ia pensar? Você tomava leite na época. E a nutricionista validou que o que a gente tá fazendo é uma boa proteína. Se quiser provar, pô, legal. E a proteína do quê, como é vegano? Não é do soro do leite, é do quê? É de ervilha. Ervilha.

Cara, você sabia que eu me descobri intolerante à lactose faz quatro meses e mudou minha vida? Tirar a lactose — não tirei totalmente —, mas o meu whey hoje é de colágeno. Custa caro pra caramba e dura nada. Já devo saber até qual é. É gostoso. Potinho que parece de Achocolatado. É isso. Só que não é o whey tradicional. A minha esposa continua tomando o whey do soro do leite lá e eu esse aí. Talvez a de ervilha seja uma boa para mim.

Faz muita diferença, você não sente estufado, é muito bom. E o shake de proteína tem 23 gramas de proteína, é bom para caramba, é bastante proteína. Se você toma duas doses no dia ali, a gente tá falando de 46 gramas. Nossa bicho, mas ervilha tem proteína? Nem sabia dessa porra! Ervilha tem proteína ali. Você tem diversas outras proteínas no mix. É uma porção de proteína excelente. Eu misturo de manhã com o Supercoffee, boto lá, acelera já a proteína para dentro e já deixa gostoso.

Que legal, cara. Vou comprar, vou experimentar assim.

Não, prova sim. Mas a gente tá num momento muito legal. As franquias estão dando muito certo e a gente tem a preocupação com o franqueado em si. Então a gente não quer vender franquia a todo custo, encher o bolso de dinheiro e sumir, basicamente é o que a gente não quer fazer. Então a gente quer os franqueados próximos, a gente tem um contato diário ali. Amanhã eu tô lá, a gente tem uma em Moema que é a Velocity, onde tem um box da Sunrise. Fui até treinar lá, tô arrependido até agora, tô com dor aqui, era só para eu tomar o shake ali e acabei treinando. A gente vai fazer novos shakes agora também que o pessoal tá pedindo e tem sido muito legal. Resumindo essa história que a gente começou a contar desde o início de tudo aí, eu acho que o grande pulo foi arriscar mesmo. Se eu não tivesse arriscado, de onde eu poderia sair para onde eu poderia chegar, acho que nada disso teria dado certo.

Você estava buscando assento na LATAM até hoje.

Exatamente, exatamente. Você estava lá, né? Não dá para saber. É porque você tem que ter aquela fagulha do incômodo, cara, para andar, porque senão você fica mesmo no lugar. A vida te empurra para o comodismo toda hora. E a gente se acostuma, né? Eu acho que é um comportamento do ser humano, a gente trava às vezes porque tá confortável, e isso te impede de ter oportunidades. Mas a minha vida foi meio que movida a isso: movimento. Eu acho que minha vida sempre foi movida a movimento, nunca parar de me movimentar, porque são áreas muito distintas, né? Você vem da farmácia, vai pro coworking. Minha mãe sempre pergunta isso para mim: “pô, o que que você faz?”. Eu falei: “mãe, um monte de coisa”. Tô trabalhando com o que não precisa saber, tô com um monte de coisa aí no negócio, mas tá tudo certo. Mas o que que você faz? Quando me perguntam no interior: “mas o que que o Guilherme faz?”, eles respondem: “é o carregamento de pó branco”. Que é isso? Creatina, calma mãe! Não ia ver isso, né? Nossa.

E cara, falando de números, a gente já chegou na parte final, mas qual foi o crescimento que vocês estão tendo? Se der para falar faturamento, se não tiver, não tem problema, mas dá um overview assim pra gente ter uma noção do tamanho da empresa.

Legal. A gente começou ali nas primeiras vendas nos meses conseguindo vender R$ 50.000, R$ 80.000. E era assim, nada, né? A gente tinha só um teste ali para fazer com um sabor, dois sabores que a gente tinha ali, e a gente foi crescendo consistentemente aí 30%, 30%, 30%. A gente espera chegar longe. A gente conseguiu algumas promoções ali que cresceram no mês, o que foi justo com esse alcance que a gente criou de comunidade.

Uma boa sacada de vocês foi ter feito a sociedade com a indústria, hein?

Total, porque senão você não tem esse game changer, você não consegue fazer promoção, você não consegue dar dinâmica a isso. Exatamente. É do interesse deles poder fazer para a nossa marca. Então a gente consegue ali também uma estratégia de sociedade muito legal. Isso aí foi chave, essa sociedade. Ah não, mas acho que as duas sociedades, né? Porque a sociedade com a ideia de crescer a comunidade com os creators, a ideia de influência… você vê como o planejamento influencia. Planejamento é tudo, cara. Se tiver saído de qualquer jeito, não estaria acontecendo muito hoje em dia. A galera tá saindo de qualquer jeito, de qualquer forma, porque o wellness tá na moda, vamos fazer. Só que isso não é perene, a gente não sabe para onde vai esse mercado. A gente tá vendo os players grandes matando todo mundo, mas é por um interesse comum que você falou: é o sistema. O sistema tá jogando duro, mas a gente nesse plano de crescimento aí, a gente quer chegar ali nos oito dígitos também. Está bem desenhada a estratégia. A gente tá crescendo, a gente brinca que a gente cresce devagar, só que muito mais organizado e muito mais planejado, sólido. A gente não quer nunca dar aquele passo a mais pela precipitação, e não é por uma falta de ambição, é muito mais por enxergar aonde a gente pode chegar no mercado e não se precipitar naquele ímpeto que não precisa. Sobra mercado no final para você. A gente não é uma empresa em cash burn, então a gente levantou uma rodada de capital com pessoas muito boas, a gente escolheu os investidores, isso foi muito legal. E o capital tá em caixa, a gente conseguiu fazer estratégia e enfim, o payback já tá aí. Então o negócio investiu com payback rápido, foi muito doido, é um negócio muito, muito legal. E a gente tá conseguindo fazer um trabalho muito legal e estamos com tudo aí trabalhando. Continuo aí no 24×7 porque eu continuo sendo empreendedor, tudo ao mesmo tempo. Mas tá certo, é isso aí, uma empresa com esse crescimento tem que dar o sangue. Agora você tem que aproveitar o crescimento, cara, para não deixar nada na mesa. E a gente tá aí, né? Entrei de sócio agora também numa empresa de câmbio que é a Lime, que é uma coisa nova também, não bastassem essas coisinhas que a gente faz, para ter mais uma coisa para dar mais problemas e sobrar mais fios de cabelo branco aqui. E é isso, resumindo essa curta história muito longa.

História de empreendedorismo real, que é o que a gente fala: você vai para um lugar, vai pro outro, faz dois negócios ao mesmo tempo, vai para cá, vem para cá. É o cara que começou do nada mesmo. Então, pô, parabéns, meu, pela tua trajetória. E é muito louco porque hoje se olha, fala: “Pô, o cara é sócio da Sunrise” e nem imaginam o perrengue, as coisas e tudo o que traçou. E é louco porque são essas coisas que fazem você olhar para essas oportunidades que você tá colhendo e ter consistência. Total, total. Porque, cara, nada disso teria acontecido, nada dessa visão teria acontecido, nada desses contatos que você tem teria se solidificado nessa amizade e tudo mais se você não tivesse repertório, cara. Mas imagina se ele começa a queimar relacionamento também, porque isso é o que a galera faz, né? Elas criam um relacionamento e começam a queimar o relacionamento. Parte disso aconteceu na Sunrise: vamos fazer a Sunrise e já vou chamar pessoas que eu conheci ao longo da jornada. Isso, exatamente. E se fosse uma jornada sem credibilidade, nenhuma atenção você teria dessas pessoas. É, exatamente. Acho que existem pessoas interesseiras e pessoas interessadas, né? E eu acho que você consegue identificar também. Você vai aprendendo muito errando. Pô, errei para caramba. O caminho bonito que todo mundo para aqui para olhar, “pô, maravilhoso”, na verdade foi terrível. É isso. Você passa por perrengue toda hora, tua cabeça fala: “pô, acabou, não sei o que eu vou fazer agora, preciso empreender, preciso me renovar, preciso parar, botar a cabeça em ordem, preciso dormir”. E nesse meio tempo sua vida pessoal também tá acontecendo e os pratos da vida pessoal continuam girando, você precisa continuar equilibrando. Exato. Então é muito sobre isso, eu acho. No fim do dia, além do CNPJ é isso, além do CNPJ é muito doido.

Tamo junto, Gui… não, Rodrigo, desculpa! Foi bem agora, foi bem. Tamos juntos, cara. Puta história, parabéns de verdade pela trajetória. Gosto muito de gente que tem essa humildade. Claro, não é desmerecendo histórias, mas o cara que veio construindo ao mesmo tempo e, de certa forma, é aquele cara que precisava sobreviver total. A vida vai te empurrando. É isso, cara, é isso. Você não abriu outra empresa, você não ia para Jales porque você queria vender a farmácia, você estava sobrevivendo, cara. Isso aí faz você construir a casca que hoje aos 40 anos, que é a idade média que a gente tá aqui, é a hora da virada. Você para para analisar a história de muitos caras que estouraram, é uma trajetória muito semelhante, que às vezes com 40 anos o cara chega num nível de maturidade empreendedora que ele tem o olhar total, né? E leva tempo. Tem coisas que não se compram em curso, não tem escola, não tem faculdade, não tem MBA, não tem nada que compre essa vivência, cara. Não tem. Eu particularmente não sigo nenhum guru de internet. Eu vejo o Rony da Reserva falando, que é um cara que eu gosto muito, e é muito isso: se você não tá seguindo alguém que botou a mão no chão ali e pintou parede, tem alguma coisa errada. E sabe o que é louco? Porque quando alguém vem trazer alguma história para mim, alguma ideia de negócio, eu olho aquilo e sei se vai dar bom ou não, sabe? A questão é: me explica por quê. Para eu te explicar, eu tenho que abrir tantas janelas para explicar o porquê, porque às vezes a resposta está na tua mão. Às vezes a resposta está na tua mão e, dependendo da pessoa, o negócio iria para a frente, mas na tua mão não vai, pelas dúvidas que você tem e tudo mais. E às vezes o excesso de conselhos é complexo, porque você vai tirar a oportunidade do moleque de dar com a cara na parede e justamente chegar ao patamar de ter esse olhar. Exatamente isso, você tira o cara da vivência. É foda, mas é a vida. É muito difícil, mas a gente vai aprendendo a apontar um caminho: “olha aqui, ó, isso aqui é um ponto cego”. E eu acho que é o que falta hoje no empreendedorismo, porque a gente tem muita galera vendendo sonho, vendendo margem, vendendo venda, vendendo faturamento, vendendo quantidade de gente dentro da empresa, vendendo Ferrari, e cara, não direciona. E aí você pega o empreendedor perdido, cara, ele só precisa de direção. Só que aí tem um ponto também: o empreendedor muitas vezes não consegue olhar para isso com um olhar de direcionamento, ele quer que você resolva a vida dele. Exato. Quer uma babá. É, cara, e aí não existe, cara. Primeiro o cara fala que não tem tempo para nada e aí você dá o direcionamento, fala: “cara, só otimiza o seu tempo, faz isso, faz aquilo”. Você dá a faca e o queijo, e ele inventa mais uma desculpa. O cara olha e fala assim: “ah legal, mas eu preciso fazer isso, isso, isso”. Sim, você tá direcionando, só tá organizando o valor, e é difícil priorizar. É difícil porque às vezes a cabeça do cara não caiu a chave, não caiu a ficha, porque saber uma coisa é uma coisa, cair a ficha é outra. Quantos conselhos que eu não recebi que, se eu tivesse ouvido, eu tinha evitado problemas. Eu também. E que aí eu olho para trás e falo: “filho da puta, aquele tiozinho estava certo, agora eu tô entendendo aquele conselho de três anos atrás”. É que o termo coach no Brasil ficou com um nome ruim, a conotação errada, mas existem coaches maravilhosos. O cara te dá um conselho que vai mudar tua vida. Total. Mas é olhar diferente às vezes pro seu negócio, cara. Coisa simples que o cara não olha porque tá ali na operação. Só que o cara tá na operação e ele quer continuar dentro da operação, aí que é o BO também. Sim.

Mas finalizamos. Vou agradecer aos patrocinadores e tem uma pergunta final para te fazer. Não terminamos por completo. Vamos embora. Vai vender a caneta! Galera, esse audiovisual de qualidade aqui, ainda mais nesse novo estúdio em que a gente tá gravando, ainda na estrutura da Cross Host, só mudamos de sala e viemos para uma estrutura muito mais profissional, com uma qualidade muito melhor. Tudo isso graças aos patrocinadores do podcast que acreditam no projeto e investem pra gente trazer esse conteúdo aqui com o mais alto nível de qualidade e de forma gratuita para vocês. Quero começar agradecendo à SMB Store, que desde 2018 tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar. Quero agradecer também à RZ3, transformando o conhecimento em impacto real, porque negócios fortes movem o futuro. Eles são uma consultoria integrada que une estratégia, finanças, tributos e tecnologia para transformar complexidade em crescimento. Todo negócio precisa ou vai precisar um dia da RZ3, porque a complexidade não espera você estar pronto para lidar com ela. Agência Rplan, porque o mundo digital não para e o seu negócio não pode ficar para trás. Eles são uma agência de inovação digital que acompanha tudo que tá mudando, desde o TikTok Shopping até os agentes de IA, e traduzem todas essas tendências de forma prática no seu negócio. Se você sente que a inovação tá acontecendo rápido demais e você não tá conseguindo acompanhar sozinho, a Rplan é exatamente para isso. Polux, sabia que existe oportunidade de pagar menos impostos? A Polux é uma consultoria especializada em gestão tributária e gestão de crise, que encontra de forma legal onde seu negócio tá deixando dinheiro na mesa com impostos. Todo empresário que ainda não fez um planejamento tributário está, na prática, pagando uma conta maior do que precisa. Semic Displays: quem vende forte no varejo sabe, o ponto de venda decide a compra. Se a sua marca ainda não aparece do jeito certo no PDV, a Semic Displays resolve isso. Eles são líderes no Brasil em soluções criativas para PDVs com balcões, bandejas, displays e muito mais. Tá precisando vender mais? Conte com a Semic. Cross Host: quer dar voz ao seu negócio e alcançar mais pessoas? A Cross é a referência em produção audiovisual para podcasts e eventos, com estúdios aqui em São Paulo, na Vila Mariana, e estrutura completa para quem quer construir autoridade de verdade. Se você tem algo a dizer, eles fazem isso chegar do jeito certo pro seu público. E a Max Service, que é uma contabilidade consultiva que fica do lado da gestão, não só do balanço e da burocracia. Enquanto a maioria dos contadores aparece uma vez por ano na sua empresa, eles estão na mesa de decisão junto com o empresário mês a mês, especialmente para quem opera no Lucro Real, que é onde o jogo fica mais complexo e mais caro quando mal gerido. Você que é empreendedor, possivelmente tem hoje alguma dor aí, algum gargalo na sua empresa, pode ter certeza que algum desses empreendedores e essas empresas que eu acabei de citar ajuda você nesse processo. Então pode ir de olho fechado, foram curados pela gente, são pessoas e empresas em que a gente confia. Depois você volta aqui para me agradecer.

Tamo junto, Guilherme. Várias dores, várias dores. Aqui só tem quem resolve!

Meu caro, pergunta final para te fazer. Você tá com quantos anos mesmo?

36 anos. Ao longo dos seus 36 anos, a gente, ainda mais jovem, vive como se a vida fosse infinita, porque a gente sabe que, pela ordem natural das coisas, a gente tem pelo menos mais o dobro pela frente. Mas a gente não sabe os planos de Deus. Imagina que, voltando desse podcast para a tua casa, num piscar de olhos, você aparece na frente Dele e fala: “porra, Deus, me deu um cano, Deus! Eu tentei, ainda te trouxe aqui para te ouvir e você me mete uma dessa, tchau?”. Você diria: “Pô, Deus, eu esperava tanto, tanto mais tempo para acontecer”, e Ele fala: “Cara, missão cumprida. A sua história foi linda, maravilhosa”. A gente vive com essa ideia de que temos tempo. Bato na madeira aqui, porque nunca ninguém bateu o carro e morreu, muito pelo contrário, tá todo mundo voando aí. Mas só para trazer peso para a pergunta: ao longo desses 36 anos, se essas fossem suas últimas palavras, se sua vida estivesse realmente no fim e você tivesse que condensar toda a tua trajetória num conselho, que conselho você deixaria?

Caramba, forte, hein? Uma pergunta 200 vezes mais pesada que a da caneta. A da caneta é mais fácil. Eu achei que você ia dar uma canetinha para mim aqui e eu ia sair tranquilo. Eu ia vender as duas! Ele veio o podcast inteiro com a caneta na mão.

Se eu partisse hoje, acho que o principal, tirando os sonhos que eu ainda tenho, que é ter os meus filhos que eu ainda não tenho e ter essa família que eu tô construindo agora, acho que o principal seria olhar e falar: “Pô, tá cumprido até aqui, foi legal tudo o que eu fiz, eu fiz bem para as pessoas, as pessoas vão ter essa lembrança de mim, de que ele espalhou realmente o que queria”. E acho que no fim do dia é muito sobre isso. Eu sempre procuro ser muito correto com as pessoas. Sou muito expansivo, sou muito alegre. O Bruno me conhece de longa data e sabe bem disso. Não tenho inimigos. É um negócio muito engraçado isso: eu sempre fui o cara que conversei com a concorrência, sempre fui o cara que não tive problemas. Então eu acho que, quando a gente para para olhar de fato, o dinheiro é um meio, ele nada mais é do que um meio de troca para você fazer suas coisas na vida. E todos os dias tá todo mundo tão atolado pensando “preciso de dinheiro, preciso de dinheiro”, que o dinheiro virou o fim. O verdadeiro sentido da vida é você conseguir trazer esse meio muito mais como um meio do que como um fim, e conseguir entender que na verdade a sua jornada aqui, da maneira que você toca, você realmente tem que melhorar e tentar melhorar todos os dias. Eu procuro isso, olho muito para dentro de mim. Acho que isso tem muito a ver com a minha personalidade e com o que eu aprendi nos negócios, que foram as pessoas. Pessoas que, enfim, não tinham nada, nada mesmo, e só precisavam de uma oportunidade. E você vê ali que as pessoas são muito felizes com pouco. Então esse é o grande dilema que permeia quase 100% da população. É você entender realmente o que é ser feliz, o que é estar feliz e o que é a felicidade. Porque acho que, no fim do dia, não é sobre dinheiro. Acho que nunca vai ser, a não ser que eu esteja muito errado e Deus possa me corrigir nisso. Acho que é muito mais sobre o bem que você pratica e o que você enxerga como seu principal objetivo de vida. Deus, se eu cumpri até aqui o que eu queria, espero que esteja bem feito, porque eu não estou com percalços amarrados a nada que eu precise resolver; até onde consegui, eu acho que pude resolver. Se eu tiver alguma frase, é muito mais sobre isso: entenda dentro de você quem você é, o que realmente você quer e tente se ver sem o seu cargo corporativo. Tente olhar para você e falar: “Pô, quem eu sou se eu for apenas o Guilherme?”. Simplesmente o Guilherme. Eu acho que aí tá o grande segredo da vida.

E cara, posso falar? Sobre o dinheiro, não só concordo que ele seja um meio, mas também acho que ele é um potencializador energético. Se a sua intenção é boa, ele vai potencializar essa energia; se a sua intenção é ruim, ele potencializa o mal. No final das contas, o dinheiro sobe para a cabeça porque ele potencializa o que já tem ali dentro. O cara ganhou dinheiro e virou um fdp? Ele sempre foi, só não tinha poder para isso. O dinheiro revela e de fato desonra as pessoas que não têm estrutura. Acredito muito nisso, ele revela as pessoas.

É isso, Gu. Parabéns pela tua trajetória, cara. Desculpa a brincadeira e o erro no começo, eu fiquei tão focado no seu sobrenome que acabei trocando o seu nome por Rodrigo. Tô saindo como Rodriguinho aqui! Rodriguinho Setubal!

Baita podcast, parabéns pela tua vivência, sempre captando as oportunidades e deu no que deu, você tá voando aí. Foi um prazer conhecer a tua história, mano. Tamos juntos mais uma vez, valeu!

Valeu, valeu!

E você que ficou aqui até o final, muito obrigado por acompanhar o podcast. Aqui embaixo tem vários botões, clica neles para engajar. Encaminha esse episódio para algum amigo, para algum sócio ou conhecido que você acha que faz sentido ouvir essa história também. Tamos juntos, até a próxima, valeu! Bora!

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