Split do Bem, Redução do PIS/COFINS Monofásico e Estratégias Tributárias para PMEs e Setor Público com Eduardo Gringo | Além do CNPJ (EP #179)
A Engenharia Tributária Além do Básico
No cenário corporativo brasileiro, a maioria dos empresários enxerga a contabilidade apenas como uma obrigação burocrática para emissão de guias de impostos. No entanto, em um dos sistemas tributários mais complexos do mundo, pagar o imposto sobre a nota bruta emitida sem analisar a cadeia de bitributação é uma das principais razões para a perda de margem de lucro em pequenas e médias empresas (PMEs).
No episódio do podcast Além do CNPJ, o host Felipe Cassola recebeu Eduardo Gringo — tributarista, economista, advogado, cientista formado pela UFRJ e fundador do Grupo Eduardo Gringo (S3 e White Label tributário).
Com uma trajetória marcante de superação pessoal — tendo morado na rua após uma falência e se reerguido através da inteligência fiscal —, Eduardo Gringo detalha o funcionamento do “Split do Bem”, a restituição de tributos acumulados no Simples Nacional e como o uso estratégico do Terceiro Setor e das Parcerias Público-Privadas (PPPs) transforma CNPJs e prefeituras.
1. PIS/COFINS Monofásico: Dinheiro Escondido no Simples Nacional
Muitos empresários enquadrados no Simples Nacional (como donos de restaurantes, padarias, bares, farmácias e pet shops) pagam a alíquota única do Simples sobre o faturamento total. O erro está em recarregar tributos sobre produtos monofásicos.
[ Indústria / Distribuidora ] ➔ [ Imposto Pago na Origem (Monofásico) ] ➔ [ Venda no Varejo (Padaria/Bar) ] ➔ [ Erro: Pagar PIS/COFINS Novamente no Simples ]
Produtos como refrigerantes, águas, cervejas, medicamentos e cosméticos já têm o PIS e a COFINS recolhidos na indústria. Quando o contador não segrega essas receitas na emissão do extrato do Simples Nacional, a empresa paga o imposto duas vezes. A revisão tributária dos últimos 5 anos permite recuperar esses valores diretamente em caixa via Receita Federal.
2. Matriz Comparativa de Estratégias Tributárias
| Estratégia / Ferramenta | Aplicação Prática | Benefício Direto para o CNPJ |
| Recuperação Monofásica | Bares, restaurantes, padarias e farmácias no Simples. | Restituição em Dinheiro: Depósito em conta bancária dos valores pagos a mais nos últimos 60 meses. |
| Split do Bem (Unidade de Recebimento) | Empresas de comércio, e-commerce e prestação de serviço. | Redução de Imposto: Migração do cálculo para o regime de caixa e segregação das receitas tributadas. |
| Revisão de RAT/FAP (Prefeituras) | Folha de pagamento do setor público ou grandes indústrias. | Crédito de Folha: Correção de alíquotas de 3% para 1%, gerando créditos para abater a DCTFWeb. |
| Uso Estratégico do Terceiro Setor | Reorganização de operações e parcerias com o setor público. | Isenção e Proteção: Imunidades tributárias constitucionais (IPTU, IPVA, ITCMD) e captação via renúncia fiscal. |
3. O “Split do Bem” vs. O Split Payment da Reforma Tributária
Com a aprovação da Reforma Tributária e a implementação futura do Split Payment (retenção automática do imposto no momento do pagamento), Eduardo Gringo desenvolveu o conceito do Split do Bem:
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Regime de Caixa vs. Competência: Ao reestruturar o fluxo de recebimento por meio de Unidades de Recebimento (UR) vinculadas ao Bacen, a empresa paga o imposto estritamente sobre o valor recebido e no momento da liquidação efetiva, aliviando o capital de giro.
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Redução da Base de Cálculo: A tecnologia financeira separa a parcela pertencente a custos, insumos e pró-labore antes da incidência das alíquotas finais, evitando a bitributação.
4. Iluminação Pública e Eficiência em Prefeituras
No setor público, a atuação do grupo se destaca pelas Parcerias Público-Privadas (PPPs) sem custo para o erário municipal:
Mapeamento da arrecadação da taxa de iluminação cobrada na conta de energia dos contribuintes do município.
Estruturação do financiamento via fundos para trocar a iluminação por LED e instalar usinas solares em prédios públicos (UBSs e escolas).
A economia gerada na fatura de energia da prefeitura (até 30%) é revertida em margem de orçamentária para a saúde e educação.
5. Resiliência: O Aprendizado no Processo
Com 48 anos de idade, tendo superado a moradia de rua na juventude e reconstruído sua carreira do zero por duas vezes, Eduardo Gringo conclui com uma lição de vida:
“Tudo é uma fase. Quando alguma coisa dá muito errado na sua vida ou nos seus negócios, pergunte a si mesmo: o que eu preciso aprender com este erro? A chave mestra para mudar de fase é o aprendizado. Quem aprende não repete o fracasso.”
Quer aprender a revisar os tributos do seu CNPJ, aplicar o PIS/COFINS Monofásico ou estruturar soluções tributárias avançadas? Assista ao episódio completo no canal Além do CNPJ!
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Por que não falando mal de contador nenhum, pelo amor de Deus, que muitos contadores já estão comigo. Mas qual é o problema? O que que um contador faz? Se o contador te der sua nota agora da empresa, o que que você faz? Você paga. O que que a gente faz? A gente esmiúça a nota. O que que daqui tá errado? Vamos tirar o que tá errado. Você tem que pagar o que é seu direito, total, não o que não é. Da noite pro dia eu perdi tudo. Aí eu não podia ficar na casa dos meus pais porque minha cabeça começou a surtar, para mim todo mundo tava querendo me matar. Não podia ir pra minha sogra, não podia ir para lugar nenhum. Era casado. Era casado, tinha um filho — tenho ainda, né? E aí, meu irmão, não tendo para onde ir, fui morar no carro. Depois eu perdi o carro para pagar dívida, literalmente perdeu, e aí não tinha, meu irmão, fui para debaixo do viaduto. [ __ ], meu irmão! Ali debaixo do viaduto eu comecei a organizar os moradores de rua, porque ano que vem a gente tá pegando uma carteira muito grande de Simples Nacional. E a minha ideia, por isso que eu abri Bangu, por isso que nós estamos abrindo Barra, vamos abrir Campo Grande… Nós estamos dando um passo a passo, porque a minha meta é novembro do ano que vem fazer o maior grupo de parceiros com tributaristas e contabilidades. E o Brasil é nosso, e ninguém segura.
Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um episódio do podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia de empreendedorismo vida real. Hoje o episódio vai ser recheado de coisas que vão com certeza trazer muitos insights. É um cara que eu já tenho acompanhado na internet, é um cara que já tem aparecido no meu feed com alguns vídeos que eu assisto e falo: “Cara, esse cara aqui ele tem a malemolência necessária para ajudar o empresário”. E aí eu comecei a acompanhar, comecei a seguir, comecei a ter mais acesso ao conteúdo dele justamente por estar seguindo. Comecei a acompanhar o que ele faz, eu falei: “Cara, esse cara é ligeiro, esse cara é ligeiro”. E aí comecei a acompanhar, chamei no inbox, comecei a trocar uma ideia com ele, e hoje ele tá aqui na nossa mesa para trocar uma ideia de empreendedorismo. O empreendedor já falou aqui algumas coisas nos bastidores muito legais que eu quero que ele traga, isso da história dele, do porquê ele tem hoje essa sapiência toda de entender os caminhos ideais pra gente conseguir economizar o máximo possível no país que a gente vive. É um cara que trabalha focado em empresários, em prefeituras (o setor público) e também o terceiro setor. Então toda essa amplitude que ele traz de todos esses setores naturalmente ajudam ele a ter ideias em todos os outros, porque no final o que você aplica aqui no terceiro setor pode servir de muita base para você aplicar no mercado privado, e vice-versa. E, pô, isso aí vai fazendo o cara se tornar esse gênio que hoje tem bombado na internet: 5 milhões de acessos, cara! 5 milhões de acessos mensais! O cara tá viralizado, mano. 5 milhões de acessos com 90.000 seguidores, 97 agora. É cinco vezes a capacidade de visualização da quantidade de seguidores, então seus conteúdos estão furando a bolha. Estão furando a bolha, graças a Deus. Tô aqui com Eduardo Gringo.
Gringo da onde? Nasceu onde, irmão?
Gringo do Paraguai. [risadas] Na verdade, o “gringo” surgiu porque eu andava de skate. E eu sempre me destaquei no skate, o pessoal… Não tem aquele cara que anda igual os gringos? “Anda igual gringo”. Pegou, não saiu nunca mais e nunca mais soltou, e segue a vida inteira. Sobrenome não é, todo mundo acha. Desde pequeno mesmo, desde pequenininho, e tá até hoje. Hoje minha família todo mundo é tudo “Gringo”.
E anda de skate ainda?
Não. Olha, essa semana aqui retrasada eu tentei andar, só que eu tô muito gordinho, aí deu ruim. Mas eu tô tentando fazer uma dieta. As manobras tão no pé ainda, tá no pé ainda.
Que legal, cara! A mente diz uma coisa, o corpo faz [risadas] outra. É igual eu jogando futebol: eu chuto a bola para um lugar que eu acho que eu vou acessar, minha mente foi, mas meu corpo não vai.
Não vai, é o que tá acontecendo comigo, faz parte.
Caramba! Agora, falando de CNPJ, você me lembrou bem, porque além do da ONG, do além das ONGs do terceiro setor, além das empresas, tanto no Simples Nacional, Real, Presumido, e as prefeituras, hoje com o “Split do Bem” a gente também tá atendendo o MEI. Caraca! Porque o MEI às vezes tá com problema com pagamento, tá pagando mal porque ele não sabe como é que vai fazer, ele tá preocupado porque no ano que vem a Receita vai atrás dele. Nós temos a solução do MEI, que a solução financeira dele ele vai resolver na base do cálculo dele e ele não vai… Dentro da lei, ele não vai ser pego. Dentro da lei ele não vai ser pego.
Caraca, mas como assim? O MEI paga uma taxa mensal.
Paga uma taxa mensal, mas ele não pode movimentar o dinheiro que ele movimenta. Mas movimenta. Eles o que que eles fazem? Começa a passar no nome da mãe, no nome do pai, acaba empurrando todo mundo, abre na família inteira. Só que com o Split do Bem ele não precisa fazer nada disso. Aqui dentro ele tem uma reserva financeira que ele consegue fazer um split dentro de uma UR, uma Unidade de Recebimento, e ele consegue sair desse problema.
Já vou entrar, já vou entrar no tema antes de entrar na tua história, mas Split do Bem… Você tá falando bastante de Split do Bem. Split para mim, ainda mais depois de toda essa reforma tributária, só vem a do mal.
Sim.
Que que é isso “do bem” que você tá falando?
Exatamente. A gente já tá estudando os splits já tem muitos anos, tá? E há seis anos atrás nós já estávamos falando sobre isso, mas eles inventaram o bolsão de pagamento, que usavam uma fintech, puxava, e aí saía o nome da própria fintech, não usava o nome da empresa. E aí nós viemos com uma UR, uma Unidade de Recebimento dentro da lei, só que nós deixamos aquilo guardado porque nós sabíamos… E eu já tenho um vídeo falando há dois anos atrás sobre o split payment, e quando veio é o “split do mal”. Então eu sempre falei: quando vier o split do mal, nós temos a defesa. Quando a cobra picar, nós temos o antídoto do veneno, que é o Split do Bem. E eu avisei em vídeos meus que você viu o que eu falei: eles não vão conseguir colocar isso agora. Muita coisa da reforma tributária não vai entrar agora, mas muitas outras irão entrar, e outras já entraram esse ano. Então o que que eu preciso fazer? Proteger os CNPJs, total. E aí vem o Split do Bem: o cara fatura R$ 100.000,00, tá? Se ele tiver no Simples Nacional, ele tá pagando R$ 12.000,00. Com o Split do Bem, ele passa a pagar ali R$ 5.000,00, R$ 4.000,00, R$ 6.000,00, e tudo dentro da lei.
Você falou de uma UR, que é Unidade de Recebimento. Me explica um pouco dentro do que você pode, mas me explica um pouco dessa operação. O que acontece quando ele faz o pagamento ou passa na máquina do cartão, ou paga aquele boleto?
Ele vai cair direto numa UR, uma Unidade de Recebimento. Essa Unidade de Recebimento que a gente monta pra empresa, ele cai nessa Unidade de Recebimento. Essa Unidade de Recebimento, junto com a empresa, a gente monta onde vai ser esplitado, e dali do meio desse split nós vamos tirar a parte do dono da empresa, que é o pro-labore ou recebimento, como ele quiser colocar.
Uma Unidade de Recebimento é uma espécie de uma agência, de um banco…?
É uma plataforma dele, da empresa dele, que tá totalmente rastreada dentro do Bacen. É um banco white label, para entender melhor. É um banco white label, ele entra ali. O nome é da empresa: você compra alguma coisa, sai tudo o nome da empresa, não é como um bolão de fintech que sai o nome da fintech. Não, Itaú… Você, o Itaú vai cair exatamente o teu pagamento. Aí quando cair lá, você vai pagar o imposto em cima do seu pagamento. Por que que a gente faz isso? Porque muitas coisas do imposto que você paga ali tá bitributado ou até tritributado. Então, por exemplo, essa garrafa vendeu para esse copo, que vendeu pro microfone, e o microfone agora paga o imposto de 27%, se tiver no CPF é 12%, 10%, 16%, se tiver no Presumido, em cima do imposto de todo mundo. O que que a gente faz? A gente rastreia tudo isso e tira o imposto de todo mundo. Você vai pagar o imposto? Sim, você quer pagar, mas o imposto que é por direito seu, não o imposto que não é por direito e não é seu. Mas as pessoas hoje saem pagando tudo, elas não veem. É o que acontece no Simples Nacional: por que que a gente recupera muito PIS/COFINS monofásico? Porque — não falando mal de contador nenhum, pelo amor de Deus, que muitos contadores já estão comigo —, mas qual é o problema? O que que um contador faz? Se o contador te der sua nota agora da empresa, o que que você faz? Você paga. O que que a gente faz? A gente esmiúça a nota. O que que daqui tá errado? Vamos tirar o que tá errado. Você tem que pagar o que é seu direito, total, não o que não é. O split payment diz até o seguinte: que se você pagar mais do que o devido, você pode pedir o ressarcimento. Só que o problema é o caixa que isso vai gerar de você tirando uma baita de uma grana do seu fluxo e depois ainda ter que ir atrás, sendo que como você conhece como é que é cobrar do governo.
Nesse caso você faz o split dentro do seu… Vai, eu vou trazer assim: dentro do seu banco. E aí você determina o quanto é pro-labore e tudo mais, você já vai pagando, e aí o que é devido da empresa você coloca na empresa e aí sim emite. Na verdade isso aí é uma elisão fiscal que você tá fazendo com uma outra empresa que você traz como instituição financeira para esplitar.
Exatamente. Não é uma evasão fiscal, não, você tá dentro da lei, é elisão total. Você tá dentro da lei, você tá trabalhando dentro do seu ecossistema. Sobre recuperação, já entrando no PIS/COFINS monofásico: hoje a empresa tá no Simples Nacional, trabalha com compra e venda. Cara, ele tá pagando PIS/COFINS monofásico dos últimos 5 anos errado. O que que a gente faz? A gente vai e avisa. Por exemplo, o cara construiu isso aqui e pagou o imposto disso aqui, vendeu pra garrafa, vendeu para você, você pagou o que já foi pago aqui. O que que nós fazemos hoje? A gente vai até você, mostra pra Receita Federal que você pagou a mais, a Receita te pede desculpas e te devolve em dinheiro. É a restituição fiscal do PIS/COFINS monofásico para o Simples Nacional. Agora, quem faz hoje… Já tem muita gente com a gente. Nós temos milhares hoje com a gente, mas antigamente que não tinha, assustava.
Quando você fala PIS/COFINS monofásico de empresas do monofásico, o que que é isso? Explica exatamente.
O PIS/COFINS monofásico, ele é um imposto monofásico: ele só tem que ser pago uma vez, não duas. E você paga a segunda vez, é exatamente o cara que tá na ponta. Por exemplo, imagina um restaurante na bebida alcoólica: você conseguiria não pagar, e aí o cara tá pagando.
Exatamente: Coca, água, bebida gelada…
Então só para trazer isso para quem tá escutando aí: pô, você não deveria pagar imposto sobre todo o seu faturamento. Ah, você é Simples Nacional, paga sobre o faturamento. O Simples diz isso por ser simples, mas quando você olha… Imagina que você faturou R$ 300.000,00. Pô, mas desses R$ 300.000,00, R$ 100.000,00 foi de bebida alcoólica, Coca-Cola e tudo mais. Você não deveria pagar imposto sobre esses produtos, por mais que você paga.
É o monofásico que ele tá falando, ó: restaurante, pizzaria, bar, padaria. Eu tenho um corte de um vídeo aí que viralizou num podcast: o dono da padaria me chamou que ele tava precisando de um empréstimo de R$ 50.000,00, eu dei entrada no dia 20, no outro dia 20 já saiu R$ 273.000,00 de restituição de monofásico que não pagou. Deu meus 30%. Numa padaria, por exemplo, o que que é monofásico? Bebida. Padaria tem muito, né? A própria bebida tem muita coisa.
Caraca! E você acha que todo Simples Nacional tem alguma coisa monofásico ou alguma coisa…?
Se não tiver o monofásico, tem a ST de PIS/COFINS. Aí quando você tem uma substituição tributária, você consegue entrar numa gama absurda, inclusive lojas de roupa. Então quer dizer, você tem muita coisa aí. Se não entrar com isso, a gente entra com o Split do Bem.
O Split do Bem você tá falando isso para a nova regra tributária ou não necessariamente?
Não, não. Como o Split do Bem serve para reduzir imposto nos dias atuais? Simples: o Split do Bem entra… Você tá, como eu já te falei, você tá com 100.000, você tá pagando 12; você esplitando, você vai pagar cinco. Você já tem uma economia no teu caixa, porque você tira tudo o que foi bitributado da cadeia da bitributação. No split vai sair toda a cadeia da bitributação, e aí você vai pagar o que você de fato usa, não o imposto que tá errado.
Tá, mas aí imagina que a empresa… Eu sou a empresa final do Simples Nacional, acabei de vender o meu produto ou meu serviço a R$ 10.000,00. Beleza, vou receber isso na minha empresa e pagar 12%. Vamos falar 100, vai, para ficar fácil: vendi 100, vou pagar R$ 12.000,00. Ao invés de receber aqui, eu recebo no split. Se você receber no split, a tampa já foi paga, a alça já foi paga, a água já foi paga, esse imposto sai todo, tá? Mas aí eu emito a nota da minha empresa aqui ou daqui?
Daqui, dos próprios 100.000. A nota você vai dar pro cliente, vai sair a notinha para ele lá. Esplitou, dali vai tirar tudo o que foi pago, e você vai pagar do do resultado. Então aí o dinheiro vem para cá primeiro. Daqui esplita todo mundo: fornecedor, paga tudo por aqui. Teu fornecedor, até mesmo colaboradores, sai daqui depois que vai para lá.
E aí como que eu faço essa comunicação contábil/fiscal aqui para eu reduzir o imposto aqui?
Pela lei, até 100 dias você tem que tirar do organismo do split. Se você não tirar, ele cai todo, tá bom? Mas você passa ele normalmente pra sua conta, normal. E como eu justifico uma nota de 100.000 que eu iria pagar 12% ou pagar só cinco? Ela já tá justificada porque você vai pagar em cima do que você recebeu. Você tem que mudar o pagamento do Simples para regime de caixa. Você vai pro regime do caixa. É aí que tá, não é regime de competência, é caixa. Regime de caixa. E ainda tem outra vantagem: o Split do Bem você comprou isso aqui e vendeu, você pode parcelar em 21 vezes. Parcelou em 21 vezes… O cara tem uma loja de celular, o cara pode parcelar em 21 vezes sem juros, porque os juros ele pode botar pro cliente, ele vai aumentar o número de vendas porque todo mundo quer um celular, e a 21 vezes todo mundo vai lá e parcela. Só que foi 21.000, ele vai receber os 21.000 no outro dia. Não é igual uma máquina de cartão, porque o fato de você ser dono da instituição financeira, digamos assim, você recebe os 21 inteiro. Nós não somos uma maquininha de adquirência igual às outras máquinas. Você passa hoje 20, vai vir 18, 19. Não, claro que tem um valor que você deve pagar para essa tecnologia toda que você usa, você paga, mas paga um percentual em cima de tudo no final que não sai nada, praticamente.
Isso que é vantagem! Só um ponto: imagina que eu faturei 100.000 aqui, o dinheiro deveria vir 100.000 para mim, mas eu transfiro esse dinheiro pra minha instituição financeira, o qual já paga todos os fornecedores. Imagina que o meu lucro aqui seja dos 100.000, 30.000, aí eu trago 30.000. Aqui eu pago imposto só sobre os 30.000. Ué, Felipe, mas como assim? Eu não tenho que pagar sobre faturamento? Pois é, quando você é empresa, você pode pagar… E aí até uma dica para vocês, tá? Pouquíssimo empresário sabe disso, hein, os pequenos e médios! Você pode pagar pelo regime de competência: o que que é regime de competência: você acabou de emitir a nota fiscal, mês seguinte você tem que pagar no dia 20, né? Se você for Simples Nacional, você vai ter que pagar o dinheiro todo do imposto daquela nota emitida. [ __ ], mas eu dei 90 dias de prazo pro cliente, você nem recebeu esse dinheiro e já tá colocando o imposto na frente! Se você vende muito a prazo, você pagando pelo regime de competência, isso é por emissão de nota, você tá sempre colocando imposto na frente. Agora, você pode mudar isso… Se eu não me engano, só pode mudar na virada do ano, né? Pode mudar. Você muda o quê: para pagamento pelo regime de caixa. Então, por mais que eu emiti uma nota de 100.000, eu só vou pagar conforme o dinheiro entra na minha conta. Só que não existe contabilmente uma correlação de: pô, você emitiu uma nota de 100.000, por que tá entrando só 30? Você coloca tudo aquilo como custo, e você bota como custo e não tá fora da lei, você tá dentro da lei do mesmo jeito.
Mas você não tá usando uma metodologia meio que do Lucro Real para uma empresa do Simples?
Então, mas aí é que tá: muitas coisas que você usa no Lucro Real, você acaba virando disfarçadamente o Lucro Real, muita coisa. Você só não pode usar do Lucro Real no Simples é crédito, crédito você não pode usar mesmo. Você não tá burlando a lei de maneira nenhuma.
Caramba!
Agora, crédito não tem. É igual PIS/COFINS monofásico para o Simples Nacional: quase ninguém usa, mas é devido o uso. Se tiver na prestação de serviço, você não consegue fazer nada. Mas se tiver compra e venda… Outra coisa, uma coisa que a gente pega muito: pessoal do e-commerce aí, ó! O pessoal do e-commerce paga muito imposto errado, eles colocam como prestação de serviço um negócio que era para ser compra e venda. Um erro contábil, eles estão pagando valores absurdos de imposto e não sabem, podendo diminuir. E o Split do Bem no e-commerce, link de pagamento funciona a mesma coisa, perfeito, link de pagamento, boleto…
E a parte de de segurança, fraude e tudo mais, porque o e-commerce pode ficar preocupado com isso, né?
Não, lá diminui, né? Porque muitas das coisas do link de pagamento eles passam mesmo onde a operadora… Não, isso tá distante. Onde que você vai ter muito problema: nas marcas grandes — não vou nem citar nome para não fazer comercial para eles —, nas marcas grandes, nas operadoras, na adquirente grande que o volume é grande, vai demorar a ver. Isso é problema, então, quer dizer, é a saída para isso.
E aí você no começo você falou do MEI, eu vou dar um pause nesse do MEI, a gente já volta na parte tributária porque eu já tô gostando demais desse episódio. Mas dá um overview da tua história: como que você chegou nisso tudo? O Eduardinho veio da onde? Você é carioca da gema?
Raiz, gema, raiz, cariocão! O que que acontece: eu nasci na comunidade, e quando eu comecei a andar de skate, o skate me tirou da favela. Quando chegou lá fora, eu falei: “Caraca, tem um mundo diferente da comunidade!”. Ali eu comecei a conhecer a vida. Minha família… Eu nunca usei droga na vida, minha família achando que eu era drogado me jogou na área de saúde.
É mesmo?
Na área de saúde eu falei: “Bom, é um jeito de sustentar meus pais”. Na área de saúde eu me formei, fiz minha primeira faculdade, me formei biologia na área médica. De lá eu vim crescendo, fiz o meu mestrado e doutorado na iniciação científica da UFRJ, e nunca ninguém viu um cientista: eu sou um cientista.
Caramba, que da hora!
E aí na área da ciência eu vim crescendo muito, comecei a dar aula, coordenei grandes hospitais, grandes laboratórios, montei meu laboratório. Mas o meu segundo grau tinha sido de contabilidade. Aí no meu segundo grau eu descobri o terceiro setor e fui para a CUFA (Central Única das Favelas), que até hoje sou parceiro, o MV Bill é meu irmãozão, até hoje todo mundo lá é meu irmão. A gente começou a fazer projeto social, captação. Ali eu mergulhei no terceiro setor, abri meu laboratório e tomei minha primeira volta. Na primeira volta ali, laboratório de análises clínicas, eu perdi tudo.
Caramba!
Quando eu perco tudo, aí eu vou morar vou morar na rua.
Mentira!
Aí na rua, perdido, o que que eu fiz? A primeira coisa… Essa primeira volta do cara foi um grupo de advogados que me fez assinar uns papéis e levaram tudo. Da noite pro dia eu perdi tudo, aí eu não podia ficar na casa dos meus pais porque minha cabeça começou a surtar, para mim todo mundo tava querendo me matar. Não podia ir pra minha sogra, não podia ir para lugar nenhum. Era casado. Era casado, tinha um filho — tenho ainda, né? E aí, meu irmão, não tendo para onde ir, fui morar no carro. Depois eu perdi o carro para pagar dívida, literalmente perdeu, e aí não tinha, meu irmão, fui para debaixo do viaduto. [ __ ], meu irmão! Ali debaixo do viaduto eu comecei a organizar os moradores de rua.
Eu devia ter uns 29, 28, talvez. Aí eu sei que você liderou os mendigos.
Comecei a liderar. Dois deles são empresários hoje. [risadas]
Que da hora, mano!
E aí começou o pessoal: “caraca, o chefe dos mendigos ali, que não sei o quê”, falou que ó: não pode usar droga, a gente tem que tomar banho, tem que arrumar a casa. Nisso eu saí dali, aí falei: “quer saber de uma coisa? Eu tô ajudando esses caras, eu vou me ajudar também”. Fui parar num município da Baixada Fluminense, lá eu peguei um depósito de lixo e reabri como uma loja. Essa loja eu reabri, e aí quando eu reabro essa loja, eu entro pra faculdade de Direito. Por quê: porque aí eu queria… Falei: “não, os advogados nunca mais vão me dar volta”. Aí entrei pro Direito, no Direito peguei a parte tributária. Aí quando eu tô com a loja bombando, o negócio alinhando, aí eu vou e faço uma outra faculdade: faço a faculdade de Economia. Aí eu volto, reabro o laboratório. Quando eu reabro o laboratório, eu começo a ganhar dinheiro, ganhar dinheiro, entro no mercado financeiro. No mercado financeiro eu vou e quebro. Aí eu quebro, perdi o dinheiro de todo mundo, desapareceu. E aí, meu irmão, eu não sabia nem quem eu tava devendo, que todo dia aparecia alguém me cobrando. Aí eu passei o inferno.
Mas o que que aconteceu? Você tinha o laboratório, e aí você pegou o capital disso e jogou na mão de…?
Montei uma operação grande, e aí as pessoas começaram a captar e jogar. Nossa, quando o trader perdeu o dinheiro, todo mundo sumiu. Eles começaram com opções binárias, depois trade esportivo, depois Forex, depois era muita coisa.
Mas é bom que você já passou pela pela ilusão do dinheiro fácil, né?
Ah, meu irmão, ali eu vi! Quando eu vi, eu falei: “Pronto, e agora?”. E perdi tudo de novo. E aí quando eu perco tudo, eu fico maluco, eu falei: “Perdi tudo”. Só que eu já tinha o meu movimento tributário: foi o tributo que me levantou de novo. Por quê: contar um negócio que eu nunca contei em lugar nenhum. Eu cheguei para um cara: “Quanto que eu te devo, irmão?”. “Você me deve X”. Aí eu falei: “Tudo bem, você tá querendo me matar, né?”. “Sim, tô querendo”. “Eu falei: vamos fazer o seguinte: se tu me matar, acabou o dinheiro, você não vai receber. Mas você é um cara muito forte na tua região, se você me der 20 padarias, eu te pago em 6 meses, 20 padarias para eu fazer um trabalho tributário neles”. “Aí tudo bem, então vai lá”. Em dois meses, o PIS/COFINS monofásico fiz o dinheiro, paguei o cara, cara! Aí ele: “Caraca, tu me pagou mesmo?”. “Não, agora você vai usar… Eu vou lá no outro, que é o cara que é seu amigo, você vai usar o que eu fiz aqui”. Eu fui jogando todo mundo um contra o outro, um contra o outro, que eu comecei a trabalhar para todo mundo. Nisso vem as prefeituras, nisso eu pago todo mundo, me levanto. Aí quando eu venho me levantando, venho me levantando, aí vem prefeitura… Aí começa e não para mais, foi o tributo que me levantou. Aí com o setor tributário eu não parei mais de crescer. Aí que que eu fiz: preparei uma operação para no ano de 2025 eu começar a trabalhar na internet. Aí em 22 eu preparei, 23… Em 24 eu começo, deixo o cabelo crescer, engrosso a lente do óculos, começo a fazer vídeo…
Deixar o cabelo crescer o quê? Intencional. Você já viu quantas pessoas são iguais na internet? Hoje eu tava na Faria Lima. Você já viu os Faria Limers? Como é que todos os Faria Limers são iguaizinhos? Cabelinho ajeitadinho, blusinha engomadinha… Todo mundo. Não, eu não sou isso, meu cabelo é assim, eu sou assado e eu falo. O que vale é o conteúdo e o que tem por dentro. Hoje eu tô com o escritório no Sul que eu faço o privado, Brasília que eu atendo o público, São Paulo, Minas, e agora tô abrindo dois no Rio de Janeiro, que o Rio de Janeiro foi o último que eu fui intencionalmente, que é a tua casa. Depois que eu ganhei o Brasil todo, o Rio me chamou de volta. Nós abrimos agora Bangu, já estamos com quase 100 CNPJs em Bangu com menos de um mês.
E canal de aquisição o quê, internet?
Não, rua, internet, muita gente, né? Hoje eu tava lá no Shopping Iguatemi, toda hora vinha um para tirar foto. Pô, cara, quando tu vê que chegou na Faria Lima e o pessoal tá pedindo para tirar foto contigo, tu vê que tu furou a bolha, cara. É isso: é cabelo comprido, óculos, aí vem “Zacarias”, “Beiçola”… Cada hora um fala um negócio para mim, quanto mais fala, melhor! Eu dou gargalhada dos haters, por quê: porque quando explodiu na internet, o conteúdo já tava lá, e o meu conteúdo é um conteúdo específico e com resultado. E tudo que eu falo hoje eu já venho falando: ó, eu vim avisando, eu vim avisando da Reforma Tributária. Em 22 eu já tava falando que eles iam mudar isso por causa do INSS, então eu já vim falando tudo. Então não tem como você falar assim “foi do nada”. Eu estive na Paulista, fui chamado por um grupo de mercados que me pediu para fazer uma determinada ação que eu falei que não ia fazer. Eles disseram o seguinte: “Ó, tem um monte de escritório que faz”. Falei: “Ótimo, faz com eles. Daqui a um ano, em vez de cobrar o meu percentual, vou cobrar dobrado para consertar”. Se você olhar no meu Instagram, você vai ver que no início do ano agora, quando bateu um ano, a Receita Federal pegou todos os mercados, foi pra televisão. Cobrei o dobro para consertar. Então o que eu tô falando aqui eu já tô avisando antes, eu tô todo respaldado dentro da lei, tá tudo avisado. Em 2016 eu avisei para todo mundo que o RAT, o FAP por liminar na prefeitura usando o direito creditório ia dar problema. Fui chamado de conservador demais, de medroso, de fraco. Três anos depois, todo mundo na cadeia, um monte de prefeito hoje paga previdenciário por erro deles, eles erraram lá atrás, não foi nem culpa do prefeito atual, não. Ele tá pagando a dívida do prefeito anterior que meteu a mão, fez a parte tributária errada. Então, quer dizer, o setor tributário ele é muito técnico, e hoje a minha equipe toda é técnica demais. Hoje o meu time é muito pesado, as pessoas olham para mim, mas não sou eu, tem um time todo por trás, um backoffice [ __ ]. Então, quer dizer, é absurdo. Hoje nós estamos no Brasil todo, em todos os estados nós estamos.
Todos? Quando você fala todos os estados, é com cliente ou com operação?
Com operação, com uma pessoa responsável. Funciona um coordenador estadual, os coordenadores regionais, tem os nacionais e o Força Nacional. O Força Nacional são alguns que saíram dessa região, que ganharam força em outros estados. Por exemplo, aqui em São Paulo tem o Ed. O Ed ele tem força aqui, ganhou prefeitura em outros estados, ele sobe pra Força Nacional. Lá em Rondônia tem a Joyce, contadora top, manda e desmanda em Rondônia, ela subiu em Minas Gerais. Luciano Ortona, muito forte, advogado. No Rio Grande do Sul, por exemplo, tem o Dr. Jéferson Carvalho, absurdo, tá no Força Nacional. Tem o Romerito em Alagoas. E assim eu vou lembrando, tem uns que eu vou esquecer, mas são a galera que… Meu time é muito pesado, o pessoal olha para mim, eu falo para eles: eu sou o mais fraco da equipe.
[risadas]
Esse é o caminho mesmo, você tem que ser o mais fraco mesmo.
Então eles vão, cara, eu só vou moldando a operação, e a cada hora a gente monta uma estratégia diferente. Por exemplo, nas prefeituras hoje: na prefeitura hoje a gente entra, o fundo banca a operação, o prefeito não bota nem R$ 1,00, a gente troca todo o parque de iluminação pública, coloca usinas fotovoltaicas, e ninguém paga nada. É uma estratégia que eu fiz com o fundo, e dentro da TIP e da COSIP o fundo recebe. Os comissionados que indicaram ganham num contrato de 5 a 17 anos, todo mês ganhando, todo mundo ganha, e ninguém perde nada.
Pera aí, vamos falar do mercado público agora. Tem um prefeito lá que você tem relacionamento ou alguém te indicou.
Alguém indicou.
Beleza. Aí falou: “Ó, me coloca aí dentro, eu vou trocar toda a iluminação pública”.
Toda, LED. E vou colocar uma usina fotovoltaica que vai gerar em cima das UBSs e em cima do colégio. Os 25% e os 15% que é da saúde e da educação, que ele usaria para pagar, vira verba de custeio pro prefeito poder falar assim: “Ó, aumentei o número da merenda, aumentei o medicamento”.
Quando ele coloca essas usinas em cima das UBSs e dos colégios, ele já tem esses 25% e os 15%, que é educação e saúde, que teria que usar para pagamento, vira verba de custeio pra própria educação e pra própria saúde. O cara vai poder comprar medicamento, pagar médico com base na energia… Nem sem crédito, só porque a gente entrou.
Porque ele tem que usar esse valor para pagar, e a gente coloca esse valor já abatido dentro da usina, da mini-usina fotovoltaica. E aí toda essa operação, esses equipamentos, essas iluminações de LED, quem banca é o fundo. E aí o dinheiro no final sai da TIP e da COSIP, que é a taxa de iluminação pública. Hoje a população paga para a concessionária, a concessionária tira, paga, abate na luz e dá o troco. Sendo que o que a gente faz quando a gente entra: a gente dá 30% de desconto na conta de energia. Dentro desses 30% é que sai tudo, é um cálculo muito bem elaborado.
Então, na verdade, por exemplo, todo mundo quando paga uma conta de luz, tá pagando lá uma taxinha para iluminação pública. O valor que se teria para essa taxa é o que banca toda essa operação, e o prefeito não sente porque ele não paga nada. E o que a gente faz é exatamente o PIS/COFINS monofásico: você pagou errado, a gente vai lá e pega de volta. Você não sabe onde tá nem como pegar, a gente sabe.
A gente entra numa prefeitura… As prefeituras pagam 3% de RAT, tá errado. Só essa correção tributária para 1%, a gente coloca em 45 dias uma folha e meia de pagamento no cofre público em crédito. Aí o que que acontece: em crédito, a prefeitura hoje sem dinheiro, como é que ela vai fazer para pagar? Simples: quando ela paga a folha de pagamento, ela tem uma guia para pagar de 33.3%, que é a DCTFWeb. A gente abate a DCTFWeb até acabar uma folha e meia de pagamento. Olha quanto que a gente traz de retorno pra prefeitura! E isso, querendo ou não, você abate o passado, e daqui em diante você tá pagando 1%, acabou, melhorou a prefeitura, sobrou mais dinheiro. Aí a gente já tá fazendo a higienização da dívida ativa, aí a gente já tá fazendo outras coisas. A gente já tá fazendo ISSQN, ISS bancário: cada banco tem que dar meio milhão pra prefeitura dos últimos 5 anos, eles não dão.
Me explica esse ISS aí.
O ISS… O banco tem que pagar uma taxa pra prefeitura, ele manda uma guia pro Bacen porque ele usa o espaço da prefeitura, e tem que pagar o imposto sobre aquilo. Só que ele manda uma guia pro Bacen da movimentação dele, e outra guia pra prefeitura. Aí os outros escritórios ficam batendo no banco: audita, descobre, bate; audita, descobre. Nós temos uma maneira que o próprio banco vai lá na prefeitura e fala: “Resolve isso para mim, por favor”. Aí o prefeito vira e fala: “Paga lá no banco, então me paga”. Aí eles vão e pagam dentro da lei, usando a própria lei contra a lei.
E esses conceitos todos são conceitos exclusivos do seu escritório?
Olha, não. O setor tributário hoje muita gente faz, setor contábil muita gente faz. Acontece que as estratégias, elas são fáceis de ser copiadas, muitas das vezes. Por exemplo, essa do banco eu já falei na internet, tem vídeo meu aí explicando a estratégia, é só você fuçar meus vídeos e achar. Eu não sou um cara de prender. A autoridade vende mais do que a qualidade. Hoje todo mundo sabe o que eu já faço, por quê: porque quando alguém entra numa prefeitura, as pessoas dizem pro prefeito assim: “Eu faço, eu fiz na prefeitura tal, fiz na prefeitura Y”. O prefeito: “Então me prova que você fez”. Porque o privado realmente a gente não pode divulgar, mas o público deve. Tá no Portal da Transparência, nós estamos lá. Eu mando logo na minha proposta, logo de cara, eu já mando as 20 últimas para você ligar pro prefeito: “Vem cá, foi isso mesmo?”. E não é as 20 principais, é as 20 últimas. Se ele pedir, eu mando mais 20, depois eu mando mais 30, mando depois mais 100, 150, até as 406.
A operação que você fez em 406 prefeituras são várias soluções que você vai entrar?
Várias, várias. A mais contratada hoje tá sendo a energia, que é o método 1, 2, 3: eu entro com a energia, aí depois que eu entrei com a energia, eu entro com a recuperação; depois com a recuperação, no método três, eu entro com os meus parceiros. Que que a prefeitura precisa? A prefeitura precisa disso, pô! A gente começa a indicar soluções. Pô, a prefeitura vai ter uma folha de pagamento, a gente tem quem compra folha de pagamento. A prefeitura e royalties, a gente tem quem antecipa em 4 meses 60% do royalty perdido. Então a gente sempre tem uma solução, só que antes disso a gente valida a solução com os nossos parceiros. Nós somos um hub de soluções pras prefeituras. Por isso que as pessoas estão me batendo tanto aí, dizendo que eu tô prostituindo o mercado da consultoria, porque eu não cobro a consultoria, eu cobro um percentual do lucro que eu te dou. Só que se eu não te der nada, você não me deve nada. Agora, se eu te der uma economia, você me dá um percentual da economia.
Ganha um saving, ganha junto.
E qual é a vantagem: a vantagem é que todos os meus clientes que já passaram na minha mão para fazer qualquer tipo de coisa tornam-se meus amigos. Então o que que a gente faz: um clube de benefícios, um cartão, um clube de vantagens que você entra conosco e você ainda ganha as vantagens que variam de 10% a 58%. De magazines, essas que vendem muita coisa nos shoppings, que são âncoras de shopping, pelo menos as 15 primeiras estão comigo, então você já tem desconto em todas elas. De marcas de calçados, as seis maiores estão comigo a nível mundial.
Então a tua carteira… Você é um dos principais escritórios do Brasil.
Olha, eu não sei se sou, não. Um dos principais acho que hoje sim, o principal não, mas ano que vem eu me torno o principal, porque ano que vem a gente tá pegando uma carteira muito grande de Simples Nacional. E a minha ideia, por isso que eu abri Bangu, por isso que nós estamos abrindo Barra, vamos abrir Campo Grande… Nós estamos dando um passo a passo, porque a minha meta é novembro do ano que vem fazer o maior grupo de parceiros com tributaristas e contabilidades, e o Brasil é nosso e ninguém segura.
E deixa eu te fazer uma pergunta: quando você fala de ir para Simples Nacional e ir para MEI, é normalmente o tipo de regime tributário em que os tributaristas fogem porque não tem muito dinheiro, é uma barreira de entrada maior. Do ponto de vista operacional, empresarial, isso não é uma faca de dois gumes, você talvez abraçar uma população grande de CNPJs, mas por outro lado se sufocar operacionalmente?
Você acabou de me responder por que que eu vou ser o maior do Brasil, pô! [risadas] Por isso que eu tô montando… O que que eu te falei? Tô montando uma estrutura, eu tô montando toda a cama de parceiros. Por que que eu ainda não sou o maior? Porque essa cama ainda não tá montada. Quando essa cama montar e eu tiver com todos os parceiros contábeis, tributaristas, tudo montado, nós seremos os maiores. Eu não quero ser o maior, eu quero que nós sejamos os maiores.
Em alguns lugares eles chamam como Grupo EG (Eduardo Gringo). O site é Eduardo Gringo, as coisas são Eduardo Gringo, mas por exemplo, eu tenho a S3, sou eu mais dois sócios, e hoje nós estamos dominando uma área muito grande juntos, não trocamos o nome S3. Mantém assim, no final das contas você quer o backoffice para rodar a operação. A marca que tá à frente tanto faz, não preciso de branding para isso, eu preciso de indicações, e as indicações elas não param de vir todo dia. Cada corte que viraliza… Às vezes as pessoas falam assim para mim: “os vídeos bateram 300 pessoas”. Qual foi a última vez que tu falou para 300 pessoas numa reunião? Qual foi a última vez que você falou para 2.000 pessoas? E aí eu vejo o resultado porque eu colho isso exatamente no CRM.
Terceiro setor vai ser a saída do Brasil. Foi a saída da Alemanha pós-guerra, China, Estados Unidos, Canadá… Tudo terceiro setor, só o Brasil não. O terceiro setor você pode colocar dentro da lei para fazer muita operação que dentro do estatuto você fica perfeitamente para usar. Por exemplo, uma empresa tá devendo agora R$ 10 milhões trabalhista, tudo sendo penhorado, ela tá com uma dívida absurda, total, e ela quebrou, mas ela tem como se levantar. Agora esse CNPJ passa para associação. Vamos lá: ele tá no ramo de transporte, ou ele tá no ramo de educação (vamos botar que é uma escola) ou saúde. Continua na tua operação, na tua atividade principal, mas ela fica abaixo de uma de uma instituição. Ela vira uma associação, só que você vai pegar toda a base financeira dela e você vai separar dela, e aí você não tem mais problema com a Receita, com todo mundo, você vai pro Ministério Público, você vai negociar com o Ministério Público, agora você travou e fez uma RJ invertida. E quando você vira uma utilidade pública, você é diferente de um CNPJ normal de uma empresa. A holding não é uma utilidade pública, a holding é uma arquitetura de proteção, ela é um guarda-chuva que coloca as empresas dentro. A holding vai acabar sendo pega uma hora, a associação não, porque isso muda toda a estrutura judiciária.
E ainda vou te dizer mais: uma operação que nós fizemos para uma transportadora: o cara tá desesperado, ele tá destruído, só que agora, com esse estatuto, com tudo certinho dentro da empresa dele, ele é uma associação. Então ele tinha um problema muito sério com os caminhões quebrando, ele precisava trocar a frota de caminhões. Aí ele vai negociar com uma empresa grande — não vou falar os nomes —, mas ele pega duas, três dessas maiores e faz uma renúncia fiscal. Ele vai pegar 3,5% do IR PJ dessas empresas e vai jogar dentro da operação dele. Quando jogar dentro da empresa dele, ele vai salvar a operação dele, e no outro ano 33,4% desse valor volta pra empresa que doou, ou seja, vira um ciclo vicioso. Ela pode doar em caminhão, ela pode doar em material, tá?
Muita gente acha que terceiro setor tem que estar lá sem fins lucrativos, esse é o maior erro de todo mundo. Isso foi ensinado errado, é estatuto errado. O problema no terceiro setor é que as pessoas não conhecem a lei, não conhecem a Constituição. Por que que vocês acham que tem Instituto Roberto Marinho, Teleton, Criança Esperança? Se você observar e começar a estudar, você vai ver que ninguém te dá dinheiro de graça, é porque quanto mais você dá, mais você recebe de alguma maneira. Qual foi o único parque que não fechou? Você vê Terra Encantada, todos fecham, menos qual? Beto Carrero: terceiro setor. O Beto Carrero é do terceiro setor. Se você olhar lá para fora, você vai ver que é tudo terceiro setor: a China é toda terceiro setor, Estados Unidos terceiro setor, a Europa toda terceiro setor. Só o Brasil que é bom pra caramba e não gosta do terceiro setor.
O setor tributário é a cabeça fritando! Lucro Presumido e Real, cara, é um absurdo de crédito que tem. Você sabia que uma empresa… Vamos lá: eu tenho uma cliente, ela tá no Lucro Real, só que o produto dela custa, vamos supor aqui, R$ 10,00 e a caixa custa R$ 40,00. Poxa, ela gasta muito dinheiro com caixa? Não, ela ganha crédito! Todo real que vende usando a caixa de papelão, ele ganha crédito do valor do papelão em dinheiro, porque acaba sendo em dinheiro o crédito. Se você botar uma tecnologia na sua caixa, ela já vale bastante, ela já tá acima do valor. É igual quando você coloca o valuation de um sistema próprio no seu balanço: você que botou. Você entra no abstrato, é igual obra de arte.
Na minha consultoria, tem muita gente me chamando para fazer consultoria e mentoria, muita gente, e eu não pego mais dinheiro. Eu falo: “me manda sua empresa que eu vou entender o que que dá para economizar”. Aí eu entro e te dou a consultoria, eu te dou a consultoria porque eu sei que eu vou te dar a economia. Eu tô me reunindo com 15 fundos que eu vou montar uma operação na qual todos os meus clientes, além de entrarem para a minha consultoria — que já ganham os descontos nesse monte de coisa —, eles ainda vão ganhar 3% de valor de uma operação mensal sem ter posto nenhum real.
Eu sou um cara muito marqueteiro pelo cabelo grande, pelo óculos, porque, bicho, é muito caricato de fato. Isso é muito inteligente. Hoje mesmo eu tô falando: na Faria Lima eu olhei, eu gravei um vídeo hoje, eu falei assim: “eu não sou um Faria Limer”. Eu gravei os caras atrás de mim, você vai ver que eles são todos iguais: de colete, padrão. Aí quando você vai para Trancoso, essas coisas, são eles iguais também: tudo padrão, mesmo cabelo, barbinha feita. Eu não, eu sou tudo ao contrário de todo mundo. Se tu vê um monte de gente igual, tu esquece; a minha cara tá aparecendo todo dia. Cheguei no Paraná, quando eu entro ele já vem: “sou teu seguidor, sou teu seguidor”. Eu chego nos lugares: “deixa eu tirar uma foto contigo aí”. Tiro, tiro! Todo lugar vem alguém: “cara, eu tenho uma padaria e eu não tô conseguindo vender muito, o que que você acha que eu faço?”. “Cara, me dá um papel e caneta, vamos ver o que que você tá vendendo, como é que tá”. Chega outro: “cara, eu tenho um bar, tá passando o jogo lá. Qual o seu time? Sou Vasco. Então, mas você sabe que Flamengo dá mais gente, então começa a fazer coisas do Flamengo lá”.
Um dia toda a minhoca que eu tô jogando no anzol vai pegar. Split do Bem, aí daqui a pouco é meu cliente, aí eu dei uma economia pro cara, o cara me deu um percentual, ele vai ser tratado no mesmo nível dos outros clientes. Aí amanhã ou depois esse cara começa a trabalhar com buffet: “olha só, prefeito, esse cara aqui é do buffet, esse cara aqui tem uma construtora, esse cara tá no Lucro Real, ele tá precisando de dedetização, esse cara aqui é meu cliente da empresa de dedetização… Vocês dois aqui, gente, vamos nos unir!”. Esse ecossistema ele não para, no final todo mundo ganha, todo mundo ganha, e é possível.
Já encerramos nosso podcast, foi rápido pra caraca! Mas não finalizamos, vou pedir licença, vou agradecer o patrocinador e tem uma pergunta final para te fazer.
Quero começar agradecendo o nosso patrocinador master, a SMB Store, que desde 2018 tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar. Quero agradecer também a RZ3, transformando conhecimento em impacto real, porque negócios fortes movem o futuro. Eles são uma consultoria integrada que une estratégia, finanças, tributos e tecnologia para transformar complexidade em crescimento. Agência RPL, porque o mundo digital não para, e o seu negócio não pode ficar para trás, eles são uma agência de inovação digital que acompanha tudo o que tá mudando na internet e no mundo, desde TikTok Shop até agentes de IA, e traduz essas tendências em resultados práticos ao seu negócio. Semic Displays: quem vende forte no varejo sabe que o ponto de venda decide a compra, se a sua marca ainda não aparece do jeito certo no seu PDV, a Semic Displays resolve isso. E Castro Consultoria em Negócios: empreender no Brasil já é difícil demais para ter uma contabilidade que só calcula imposto, a E Castro une contabilidade e consultoria em negócios para olhar a empresa e o empresário como um todo. E por fim, Cross Host: quer dar voz ao seu negócio e alcançar mais pessoas? A Cross é referência em produção audiovisual para podcasts e eventos, com estúdios em São Paulo. Tamo junto, patrocinadores!
Seguinte, meu irmão, 48 anos de idade. Com 48 anos de vida, Gringo, pô, se essas fossem suas últimas palavras, que conselho você deixaria, cara?
Bom, eu nunca pensei nisso, né? Mas eu deixaria um conselho pra pessoa entender o processo e sempre bater firme na resiliência, porque tudo é uma fase. Você, quando você menos espera, a fase passa. Entendeu? Então você precisa entender isso. As pessoas têm muita dificuldade, às vezes elas chegam assim: “Ah, minha… Tô de saco cheio, minha vida tá uma droga”. Cara, é uma fase, é para aprender alguma coisa. Se ela aprende alguma coisa naquela fase, ela sai da fase, porque a chave-mestra para mudar a fase é aprender. Se você parar para pensar, a vida é um aprendizado.
As pessoas na internet me chamam muito: “Mestre, como que você sabe isso? Mestre, como que você sabe aquilo? Mestre, como é que você pensou nisso?”. Na verdade, é porque eu sempre ouvi os mais velhos. O meu professor de terceiro setor é um japonesinho já velhinho, e ele é o único japonês no Brasil que sabe tanto assim. Ver os advogados velhos, o pessoal mais velho, honrar pai e mãe… São coisas que parece que não, mas quanto mais você levanta esse tipo de honra a quem sabe, você aprende. Então é o que eu falo para todo mundo: eu ainda tô no aprendizado aqui, é eterno. Esse dia que Deus falar nessa tua visão “cara, tá bom, tu aprendeu”, se Ele me chamar é porque eu aprendi o que tinha que aprender; enquanto eu não aprender o que eu tenho que aprender, Ele vai me deixar aqui aprendendo.
Todas as vezes que eu quebrei, eu entendi isso. Na primeira não, quando eu perdi, que fui morar na rua, não. Mas depois eu entendi o que era o processo, a segunda vez que eu quebrei, o que não me fez me matar ou coisa assim foi isso. Eu falei: “o que que eu tenho que aprender com isso? Eu tenho que aprender alguma coisa. Quando alguma coisa dá muito errado, onde eu errei? O que que eu tenho que aprender com esse erro?”. Eu descobri com o tempo que até o dinheiro é plantado. Quando você descobre que quem faz crescer é Deus, que você só planta, você tem uma noção de quando ele vai vir. Mas quando você olha muito pro dinheiro, você alavanca, e quando você alavanca, a chance de quebrar é maior.
Eu sempre penso o seguinte: qual é a solução no macro? Aí quando eu olho pra solução no macro, eu começo a olhar pro micro. Agora, se você olhar pro micro querendo solução do macro, você quebra, porque alavancar todo mundo vai alavancar, empresário não tem jeito, de vez em quando ele vai dar um all-in. E você até se blinda, você bota sempre os conselheiros seus, que é como eu faço. A minha esposa é a minha primeira conselheira, é aquela que me dá na cara, que fala assim: “Meu irmão, olha só, isso vai dar errado, olha só, tu não faz”. Mas de vez em quando eu teimo com ela. Mas empresário é louco, principalmente no país que a gente empreende, que precisa ser. Então não tem jeito, de vez em quando você vai dropar uma onda que o buraco é grandão, entendeu?
Gringo, prazer te conhecer, meu irmão! Baita do podcast! Se você gostou, clica em todos os botões, encaminha para alguém que você acha que precisa escutar, pro seu contador, encaminha pro seu sócio, encaminha para um amigo empresário. E se o que você escutou aqui faz sentido e você tá precisando de ajuda, chama o Gringo aí: Eduardo Gringo no Instagram. Tamo junto, galera! Obrigado por ter ficado até o final, tamo junto e até a próxima! Valeu, beijo!
