Da Máfia Chinesa à Co-fundação da Azul: A Mente Ousada de Gerard de Souza | Além do CNPJ (EP #097)

A Mentalidade por Trás dos Problemas de “Nível Hard”

No mundo dos negócios, é comum vermos empreendedores focados em otimizar pequenas etapas de seus processos cotidianos. Mas o que separa a média do mercado de mentes verdadeiramente fora da curva — como Elon Musk ou Jeff Bezos — é a obsessão por resolver problemas complexos a nível macro.

No mais recente episódio do Além do CNPJ, recebemos Gerard de Souza, co-fundador da Azul Linhas Aéreas e mente estratégica por trás da Modern Logistics.

Americano de origem chinesa e radicado no Brasil, Gerard possui uma das trajetórias mais eletrizantes e imprevisíveis do mundo corporativo global. Em um papo cru e inspirador, ele revela como pensa a engenharia reversa de grandes cadeias produtivas e como a Casca Grossa adquirida nos tempos em que atuou disfarçado no Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) moldou sua capacidade de liderar sob extrema pressão.

1. Bastidores Infiltrados: O Teste de Estresse da Vida Real

Antes de mover bilhões no mercado de capitais e na aviação, Gerard precisou aprender a dominar o medo absoluto. Recrutado pelo NYPD aos 20 e poucos anos devido aos seus traços orientais e fluência no idioma, ele assumiu a vaga de agentes veteranos que haviam sido baleados e infiltrou-se na máfia chinesa em Nova York. Lidando com redes de contrabando de armas, drogas e tráfico humano, qualquer erro de leitura significaria a morte.

Essa experiência extrema ensinou a ele que em momentos de xeque-mate — seja diante de um criminoso armado ou de um comitê de investidores internacionais —, a única saída é manter a mente fria, entender o tabuleiro e dobrar a aposta com convicção.

“A máfia olhava na minha cara e dizia: ‘Você é policial’. Naquela hora, você não pode parecer nervoso. Você vira o jogo, dobra a aposta e fala: ‘Você tá brincando comigo? Fala mais uma vez isso que eu te mato’. O cara recuava. É um jogo de pôquer puro, um blefe. Eu levei essa frieza para o mundo corporativo. Quando o mundo tá caindo, você precisa ter calma.”

2. A Fundação da Azul do Zero em 60 Dias

Em 2008, atuando como vice-presidente jurídico e de Corporate Finance da JetBlue nos Estados Unidos, Gerard recebeu a missão de analisar a compra de uma companhia aérea no Brasil (a NHT, em Porto Alegre) para o fundo de investimento do Armínio Fraga e do bilionário George Soros.

Após realizar a auditoria (Due Diligence) e notar o emaranhado burocrático, tributário e fiscal brasileiro (com as complexidades do ICMS e ISS), ele convenceu David Neeleman de que o caminho correto não era comprar uma estrutura pronta, mas criar uma nova companhia do zero.

A execução foi um recorde na história da aviação mundial: em apenas 60 dias, a equipe estruturou a governança, captou investimentos internacionais milionários no meio da crise do Subprime, desenhou o plano de negócios e assinou o contrato de compra dos jatos diretamente com a Embraer.

“Fizemos tudo em menos de 60 dias. Fechamos o investimento, o contrato com a Embraer e demos entrada no processo na ANAC no mesmo dia. O investidor estrangeiro precisava de uma âncora aqui no Brasil para ser responsável. Se o subprime estourasse dois meses depois, a Azul não existiria.”

3. Logística de Impacto e o Conceito “Lego”

Após consolidar a Azul, Gerard voltou seus olhos para o “Gargalo do Brasil”: a malha de transportes e a ineficiência de abastecimento nacional. Ele percebeu que o dono de um armazém no Norte não conversava com o do Sudeste, e que produtos demoravam de 5 a 15 dias para chegar ao destino final.

Ele fundou a Modern Logistics sob o codinome de Projeto Lego, aplicando o mesmo raciocínio fordista e a linha de produção que aprendeu gerenciando restaurantes na juventude. O conceito consiste em plugar e combinar recursos que já existem no mercado (frotas terceirizadas de caminhões, aeronaves e eixos de transmissão) para cruzar dados e desatar os nós logísticos, reduzindo o tempo de entrega para apenas um dia.

4. O Capitalismo Consciente e a Pirâmide de Maslow

Embora se defina como um capitalista convicto, Gerard defende que o sucesso financeiro e o ganho a qualquer custo são vazios se não criarem caminhos de ascensão para a base da sociedade. Ele critica as discussões abstratas de diretorias de RH sobre cotas e diversidade de fachada, ressaltando que, enquanto o Brasil não resolver a base da Pirâmide de Maslow (saneamento básico, alimentação e segurança), as soluções de topo serão inócuas.

Tanto na Azul quanto na Modern Logistics, Gerard liderou projetos sociais para levar crianças de comunidades vulneráveis para dentro de cabines de aeronaves, com o objetivo prático de expandir a perspectiva de vida e pavimentar estradas reais de oportunidades.

Quer entender como as maiores mentes do mercado internacional desenham estratégias de crescimento e enfrentam crises? Assista ao episódio completo agora mesmo!

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Ah, o cara faz isso para roubar celular. No mídia mostra que o, o iPhone X, a coisa aqui e vale tanto. Todo playboy tem que ter esse aqui, sabe? Tipo o nosso que a gente tá vendendo, o que é importante para as pessoas, a gente tem que viver com isso porque a gente faz isso. Mas no outro lado, não criar um caminho para as pessoas terem, que todo mundo… É culpa nossa também que a gente tem tanto crime, que as pessoas estão, né, todo dia tem essa violência na rua, é o porquê, porque a gente não tá cuidando, não tá fazendo algo melhor. Isso aí… O Elon Musk é altruísta mesmo, aí viu? É isso aí.

Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um episódio do podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui pra gente trocar essa ideia de empreendedorismo vida real. E meu, o episódio de hoje tá muito, muito, muito especial. Primeiro que eu tenho aqui na minha frente só o co-fundador da Azul Linhas Aéreas. Só o co-fundador da Azul Linhas Aéreas! Mas mais do que isso, cara, esse cara aqui tem uma mente que é impressionante, uma mente empreendedora, né? E pensa por exemplo… Vamos pensar, às vezes eu fico me questionando: como que o Elon Musk pensa? Sabe, que são esses caras que pensam em problemas complexos a nível hard e fala: “Ah, quer saber? Eu vou fazer um foguete voltar de ré pro, pro mundo, para a Terra”. E cara, eu fico me questionando como que essa galera pensa. E hoje a gente tá aqui na frente de um cara, cara que resolve e gosta de pensar em problemas que a gente normalmente não tá acostumado, mesmo com a nossa visão empreendedora. E eu me considero um cara visionário, hein, comparado à média que eu conheço. Mas, cara, ele tá em outro nível, outro nível de verdade, lá em cima. Que ele olha problemas macro, problemas complexos, problemas que ninguém se normalmente questiona. Problemas que a gente vai comentar aqui assim, de por que que o camarão é caro, desse nível. Por que que o camarão é caro? E aí ele começa a destrinchar a cadeia logística, o quanto custa para, para produzir camarão, quanto o produtor ganha e tudo mais. No final, não tem nada tão caro assim para para que ele na na ponta seja tão cara assim. E ele começa a questionar isso e resolver várias dores. E encontrar… resolvendo dores que ajudam a população no geral, o mundo no geral, ganhar dinheiro no meio do caminho para caramba porque ele resolve problemas de mercado grande. E cara, hoje tá resolvendo problemas de logística no país, porque todo mundo reclama da logística no país. O cara tá com uma empresa com a ideia de de fato resolver o problema logístico no país. Então, cara, é um… o cara que de fato questiona coisas grandiosas e eu acho que esse é o grande mote aí, uma das nossas grandes nesse episódio e missões, tentar pegar um pouco da mente dele de como ele pensa para aplicar nos nossos negócios. E além de tudo, cara, não bastasse, o cara é americano com traços chineses, né, a família chinesa, e ele trabalhou nos Estados Unidos nas forças especiais dos Estados Unidos, ele vai contar um pouco aqui, infiltrado na máfia chinesa em Nova York. Ele foi um policial infiltrado na máfia chinesa. Eu vou ter que entrar nessa história, bichão. Primeiro de tudo, cara, muito obrigado, obrigado, você, obrigado, cara, obrigado de verdade, cara. Sem brincadeira, eu sei o tamanho da expressividade do Gerard, cara, obrigado de verdade por ter aceitado vir aqui trocar essa ideia comigo, falar de empreendedorismo, contar um pouco da tua trajetória, falar da máfia chinesa, cara, tô lisonjeado de você, de você estar aqui comigo, obrigado mesmo, cara.

Obrigado pela oportunidade. Para falar, eu não… A história eu conto muito na, né, além do, com os amigos, né? Sim, mas é uma experiência diferente, né?

E cara, como que foi isso aí, cara? Como que apareceu, por você ter traços chineses, talvez o pessoal dos Estados Unidos falou: “cara, você é um cara bom para se infiltrar, você fala chinês”?

É, sou. A comida… É mesmo. Eu posso pedir algumas comidas, né? Eu já fiz esse erro, fiz outro dia. Estava lá em China, tal, não, eu tá pedindo coisa em chinês, depois a pessoa, né, começava falando comigo no chinês, não entendia nada. Sair fingindo que entendi, fingindo que entendi algo, né? Saí com muito mais coisa do que eu imaginava para… Tava achando que era estudante, mas, mas faz parte, né? Posso trazer molho de sei lá o que, tá tal, claro, claro, claro. Chegou um prato, gente, com coisas que você não quer comer, sabe? Tipo, da hora. Mas é o… não é coisas que… O que foi isso, cara? Como que você se infiltrou na máfia chinesa? Esse processo, eu fico pensando assim: o que que é ser demitido numa máfia? É você, o cara te mata. E se você for descoberto, pior ainda. É, cara, como que é a cabeça de uma pessoa que tá infiltrada? Me dá um overview aí de como foi essa trajetória.

Cara, é, eu acho que quando eu era mais jovem também, a gente tem um pouco menos de medo. Mas, de verdade, trabalhar com medo… Você não tem medo? Você tá louco mesmo. E tem que ter medo, mas tem que ter coragem para, né, enfrentar essa… Aplica em negócios também, totalmente.

Você tinha quantos anos, hã? Quantos anos você tinha quando…

Ah, nessa época eu, eu tinha 20 e poucos anos.

Caraca, quando começou trabalhando disfarçado, olha, olha isso como a gente estava até comentando: como a juventude ela é hoje infantilizada. Você com 20 e poucos anos estava só infiltrado na máfia chinesa. Hoje em dia, com 20 e poucos anos, o cara tá morando com os pais, sem trabalho, sem trabalho, né, ou ainda tá o, o como fala, uma mesada, ganha mesada, ganha mesada, né? Não é…

É, é uma coisa que eu, eu sempre estava estudando, pagando a escola e trabalhando na época, né? Quando… depois o colégio, e sempre pensa o, né, faz muita coisa na vida, sempre tinha o… tinha muitos sonhos, né, de fazer coisas além do que eu tava fazendo no momento. Mas também eu sei que eu tenho que pagar, pagar o, né, compromisso e fazer, né, cada passo para chegar a um lugar. E desde criança mesmo, eu estava tentando ganhar dinheiro.

É mesmo? Que legal!

Eu e fazia um embalagem no mercado para centavos na época, né? Como criança, criança mesmo. Faz uma parte, depois, né, faz coisas tipo, eh, cortar grama de vizinho, faz tudo sempre para… Vende, vende o, na época ninguém comprava água, né, na na lata, mas o refrigerante na na lata. A gente nem… lata não, era do vidro, eu vendia na na fila do posto de gasolina.

É mesmo? Coisas tipo… E teu pai, e teus pais sempre te ajudavam, tipo, apoiavam nisso?

É, mas é… Ninguém na época era normal, nem… Tipo, nem aí, verdade. Não é coisas tipo… Meus pais não falaram: “ah, vai, faz algo”. Mas é, gente, escolha, faz coisas. Lembro de brincar, a gente pensa: “nossa, é legal, ganha o dinheiro para, para ganhar algo, né?”. Coisa que é bem diferente hoje em dia, né? A pessoa só faz por necessidade, a gente não tinha… Fazia por brincadeira, para ganhar, para, né, para fazer o próprio rendimento, é independente. Não é muito, mas com criança tem…

Mas é o, é o, é o aprendizado de trabalhar e ganhar, isso aí já muda muito a cabeça da criança.

Exatamente. É a coisa que eu, eu tô acostumado com isso, né? Dessa, dessa época. Eu não… Fica fazendo isso na… Com 15 anos, lavando pratos no restaurante chinês, sabe? Tipo, mas também o… Começa criando uma ética de trabalho quando eu tava lavando prato, sabe? Tipo, sim, total. Eh é uma coisa que tipo, eh eu trato o, o lugar, essa, essa, essa, essa… Como dominar esse lugar aqui dentro da cozinha lavando prato. Porque se eu não faço bem para o, o restaurante, total, né? Então eu trato as coisas como: é o negócio, isso é… O restaurante é meu, vou fazer isso aqui, praticamente, né, com o negócio dos outros.

Não é porque o negócio não é seu, porque você é funcionário, que você vai fazer de qualquer jeito. Eu vou fazer o meu melhor como se fosse meu. E tem também o “eu ganho, ganho com isso”, sabe? Tipo, ah não, “nem aí porque não é meu”. Não, eu ganho, tem… Eu tenho orgulho do meu trabalho, é isso, sabe? Então eu aprendi isso com 15, 14 anos de idade, fazendo isso, eu levo até hoje. Mesma coisa: fazer o melhor, fazer o seu melhor sempre. Meu, meu irmão faz, fala isso também, tipo: como você faz coisas que ninguém tá, tá olhando. Ele foi nomeado duas vezes melhor chef de Nova York. E, e eu tenho essa, essa ética também de tipo, o que você faz no restaurante com, né, da cozinha com ninguém tá olhando, sabe? Você faz as coisas certas.

E esse pensamento, essa mentalidade é o que faz a pessoa ter sucesso. É, acho que é coisa que é um, um… Não sei se são valores, mas uma coisa que, né, um… É, é um pensamento que ajuda você ou não. Você pode ter um: “ah, nossa, esse trabalho é chato, tô lavando prato”, sabe? Tipo, é, é calor, é sujo, sabe? Tipo, só reclama, só olha o lado errado, reclama. Mas também eu, eu… Eu tratava as coisas como, né, e eu, eu tenho mais prazer fazendo algo porque pode escolher. Eu… Você escolhe ser feliz com o que tá fazendo.

Exato.

E também acho que é uma… É o copo meio cheio. Você sempre olha o copo meio cheio. “Eu tô fazendo isso hoje, é isso, não quero fazer isso o resto da vida, mas tá fazendo hoje, faz o seu melhor, faz com… Não com prazer, né, mas usa a oportunidade para, para aprender algo. Pode ser o… Ética de trabalho, pode ser, eh, ser paciente. Sabe, tem coisas que você pode aprender fazendo as coisas, né? O básico, talvez, para você, mas você vai usar esse, esse tempo para, eh, crescer mesmo dentro de uma coisa. “Ah, tá lavando prato, não, mas é um… Usa aí, aprende outras coisas que vai usar na frente”. É isso aí. Então eu sempre estava trabalhando muito e, e fica trabalhando nos restaurantes, né? Ah, e começa estudando e trabalhando ao mesmo tempo, só que eu estava trabalhando tanto que eu estava perdendo nos estudos. Então, eh, chega um ponto que não dá, eu estava, estava… E gastando para pagar para, né, o semestre e, e às vezes não conseguia terminar, né, o… Precisava focar no estudo. Eu estava trabalhando e as coisas… E tinha amigo que na, na época, estava ganhando muito dinheiro porque estava fazendo horas extras, estava… Não, ridículo quanto estava ganhando, porque eu estava no restaurante, um restaurante mexicano, eu fiquei anos lá. Mas eu tava ganhando muito porque, eh, eu conseguia fazer coisas que os gerentes que eles contrataram não conseguiam fazer. E foi embora e, e tocou as coisas e me mandam para treinamento de urgência. Mas não, você faz isso, mas eu tenho um salário que seria menos do que eu estava ganhando com as horas extras trabalhando, quem estava trabalhando. Então, eu trabalhando tanto…

Eles queriam te promover para te pagar menos?

É, vai me pagar menos, né? Você como garçom fazendo tudo o que você fazia, você ganhava mais só de hora extra.

Então eu, eu trabalhei muito tempo fazendo essa parte, mas a gente aprende tanta coisa fazendo essa parte, você geriu, você geriu um restaurante, fez a gestão.

Como fazer isso aqui e, e parte do meu trabalho era… Era… Como fala em português, mas vocês tipo gerenciando a linha de produção de um prato.

Linha de produção?

É, então, que tem nesse sistema do, do, do… Linha, né? Tem um posto aqui, outro posto aqui, as pessoas fazem, cada um tem o trabalho deles. Linha de produção de Ford mesmo, né? É. E você faz com que essa aqui, essa aqui montar aqui, né? Precisa montar. Faltando essa aqui e você começa coordenando essa, esse processo, o quanto é mais produtivo na ponta, ponta e, e, né, o qual tá faltando é essa, essa, essa eficiência para a coisa sair de lá, né? Baseado de quando você tinha quantos anos? Isso aí é 18, acho que…

Caraca, quando a gente conversa, você vem resolvendo e trazendo ideias de problemas muito complexos, coisas assim, desde como a gente estava conversando, como resolver o preço do camarão — é uma coisa que ninguém questiona, simplesmente o pessoal acha o camarão caro e paga e você questiona isso —, até a tua empresa hoje, que é como resolver o problema logístico do país, que todo mundo só reclama e você tá lá trazendo soluções. E as pessoas brincam, né: o Elon Musk é americano, mas quem é o brasileiro altruísta? É o Elon Musk brasileiro, americano, chinês, brasileiro altruísta, né? Como cara, e você tem essa visão de resolver problemas complexos, coisa grande que a galera só tá vivendo e vivendo com eles, entendendo que isso é só uma condição. Você olha para cima e fala: “Espera aí, isso aqui não precisa ser uma condição, vamos, vamos, vamos simular isso”. E, cara, como que é a tua cabeça? Como a tua cabeça funciona? O que que responde? Vai, inicia isso, como que, como que a tua cabeça funciona, cara?

Não, eu acho que eu, eu… Uma razão que eu posso ver soluções e, e pensar um pouco diferente, eu tenho uma vida, umas experiências muito diversas. Sim. Tem uma coisa para inovar, acho que é, é vivência diferente, diferentes perspectivas, né? E pode ser coisas estúpidas, falar: “ah, essa aqui eu gastei tempo de nada”, mas eu aprendi a fazer coisas, conceitos. Jogando no videogame, sabe? Tipo, é um jeito… É para como, como otimizar a transação. Ah, dentro desse jogo você faz isso, isso, isso, e, e todo mundo tá feliz, todo mundo baseado do, do… Eh, o valor subjetivo de cada um dentro do jogo. Sim. Então essa funciona como se fossem duas partes: uma coisa tem mais um monte de pessoas envolvidas, tem mais chances para fechar a conta dentro das pessoas. É uma coisa que não posso explicar tudo agora, mas é, é, é uma coisa que… Não, isso jogo no videogame, sabe? Tipo, tem… Você faz paralelo de realidades diferentes? Realidades diferentes. O… Experiência diferente. E, e pode aprender fazendo qualquer coisa, limpando a casa, sabe? O cérebro sempre funcionando e, e a pessoa fala: “sai, sai do caixa”. Mas sair da caixa não é só dentro de uma sala. Você tem que ter experiências diferentes. Eu, estando aqui no Brasil também, eu mudo a minha cabeça, sabe? Tipo, e, né, falando com pessoas diferentes, né? O, o… É uma oportunidade para aprender e a gente sempre aprendendo. Então, essas perspectivas você ganha ao longo da vida, é a coisa que é dentro da sua caixa de ferramentas para ideias. E, e como você escolhe uma coisa, como você… Verdade, eh inovação é, é uma coisa que… Algo que foi feito um parte, você tá pegando as peças como o, o antes, o, o último companheiro fez. É a Modern Logistics. Eh antes foi a Modern Logistics, quando montamos o conceito, eh dá um nome, code name, o nome. E, e o projeto é Lego.

Que legal, Lego.

Lego porque eu pego as peças aqui, a coisa que existe aqui. Tem milhares de caminhões, não precisa ter o próprio caminhão, já tem, sabe? Tem barcos internacionais chegando no Brasil bastante, então não precisa ter avião de grande porte chegando, né? As peças já existem, só para combinar. E os conceitos existem. Eu… Sabe, tipo, e como, como montar isso. É verdade, você usa coisas que existem já, sim. Só que se você não tem experiência com isso ou não faz, né, sabe? Tem um… Tem uma visão mais ampla, porque eu vivi um, eu sei, né? Parte da história é bem diversa, né? O, o… Mas também, eh qualquer um tem essa perspectiva diferente, sabe? Tipo, eh todo mundo tem várias vivências diferentes, mas que às vezes vão ficar cruzando, cruzando, colocando, pensando: o que, o que eu fiz numa viagem aqui, a coisa que seria aqui, a experiência que eu tinha no mercado outro dia com, né, briga que eu tinha aqui, pode ser outra coisa. Sua cabeça sempre pensando, a cabeça é… Eu, eu acho, eu vejo muito, muito como um, um, um, um mosaico das coisas, e a maioria das minhas ideias tem ligação de outras coisas, não é, não é de um dia para o outro. Ah, essa, essa é a ideia. Você fala… Não pode contar para todo mundo, sim, senão… Esse é pedaço de uma coisa maior, sabe? Isso é só um pedaço, é que é… Eu vi isso dentro e passo. Eu aprendi também, eu trabalho, trabalho, né, a experiência com grandes empreendedores na vida. Eu tinha essa oportunidade. Numa dessas, o, o David Neeleman, do… Da JetBlue, eu era o vice-presidente dele, 25 anos atrás.

Que legal!

E, e eu aprendi muita coisa com ele, porque ele me mandava fazer as coisas tipo…

Você se modelou com gente muito, muito visionária.

Que falavam: “o, o… Mas a coisa que eu aprendi, que eu acho que, eh que me ajuda muito, eu… O David falava: ‘Ah, vai fazer isso aqui, eu quero fazer isso aqui’. Então eu tenho que pensar da letra A até a Z como chega no que ele quer”. Sim. Ele não quer saber esse caminho da A até a Z, ele tem a visão. É problemas, você é… Meu trabalho é isso, vou resolver isso. Eu gostava disso, né? Mas depois, fazendo isso por, por anos, eu… Eu tenho as coisas, a parte A, B, C, o dia a dia. É impossível, sabe? Tipo, ele nem quer, nem aí, não quer saber, eu tenho que resolver, tem que estar pronto, aqui tá pronto. Eu nunca voltei para ele: “ah, isso é impossível no Brasil, não funciona, o que eu faço?”. Sabe? Tipo, ele quer saber, né? É o meu trabalho é resolver para ele. Então eu, eu, eu começo a fazer esses passos para chegar no, no… Na resolução final. Só que, com essa experiência, eu começo a fazer: “Nossa, eu vou colocar a mão na massa e eu…”. Tá sabendo que vai chegar no Z, sabendo que eu vou conseguir essa aqui, o que que mais? Sabendo que pode fazer isso aqui. O que que mais, em vez de só fazer a logística, em vez de só colocar… O que que mais poderia agregar, plugar para funcionar? Sabendo, fazendo isso aqui, você tá entregando as coisas nessa região. E antes disso, as coisas não estavam chegando para 15 dias, agora posso fazer em um dia, total. O que que mais tem que eu posso fazer na mesma região? O avião tá indo para cá, sabe? Tipo, e começa pensando além do… Quebrando a cabeça mesmo nisso, né? É além do que o, o… Né? O… O missão original. O… Sabendo isso, eu posso planejar e imaginar mais do que, né, o básico, total. O básico já vai ser grande diferente. O avião já tá vindo para cá, existe uma dor nessa rota, e o caminhão vem para cá também. Como que eu consigo unir essas pontas? Bum! O mapa tá feito, esse mapa. O que que mais? Exato, o que que mais? Possibilidade, quem qual outro… E qual outro recurso? Eu penso nesse livro que tem aqui, eu desenho o quais ecossistemas e quantos ecossistemas. Se eu tô fazendo, criando uma coisa e mais eficiente para a eletrônica aqui, o que que mais posso fazer para usar os mesmos recursos, a mesma… Desenha para fazer a eficiência, cruzar ecossistemas e, e, e salvando, usando a mesma solução, a mesma solução, baseado na coisa, no básico. Pode mudar a coisa do ponto A ao ponto B bem na frente, né?

E anos depois, eu estava na… Eu estava no… Na JetBlue, e a gente tinha um apagão, apagão no, no Nordeste, né, do do país, de Nova York até… Apagão de energia elétrica. É, até, até Ohio, sabe? Pensilvânia, todos os lugares estavam sem energia, sem energia. E a gente… Eu estava no aeroporto, eu comecei, eh, trabalhando como despachar os aviões, tipo: “ah, tem que ter essa tripulante aqui, tem que ter, né, o combustível, tem que ter”, sabe? Tipo, fazendo o checklist lá, é do… Da aqui o próximo avião aqui, essa está faltando isso. Eu começo a fazer essa parte da, da expedição. Não sei a palavra, né? É como, como montar as coisas para ser pronto, né? Preparar os aviões para sair. “Mas você tem que sair, essa falta isso, chama essa aqui, faz todas essas coisas”. E depois fazendo isso, eu fiz a noite fazendo isso. Mas na época era, eh, o diretor jurídico, acho, da companhia, que não é uma pessoa operacional, mas desceu lá e o vice-presidente operacional falou: “Cara, você é o… Como é que fala? O rato de rampa, né? Como você… Mas como você conseguiu fazer isso? Eh, tem experiência com isso? Você não é…”. Mas eu trabalho no restaurante mexicano, tenho experiência com essa mesma organização, para colocar essa aqui, essa aqui. Muito estímulo, muita coisa, muita coisa tem que ser rápido porque, pô, o piloto tem um horário, tipo lá onde tem horário para, né, você não…

O conhecimento do restaurante você usou lá para organizar os aviões?

É, é coisa de… Isso, cara, é uma coisa que, não… Trabalhando no restaurante mexicano o cara não entendeu nada, sabe? Tipo, mas uma aula, uma ferramenta, uma coisa que eu… Que fica na mente. Então, eu voltando à pergunta original, então eu, eu estava trabalhando nos restaurantes, trabalhando muito, muitas horas extras, vários trabalhos, às vezes três trabalhos diferentes.

Caramba! Ao mesmo tempo?

Ao mesmo tempo. Eu, eu trabalho durante o dia, abro o restaurante, né? Faz a preparação, faz o batem o almoço, eh à tarde eu fui para a frente, trabalho na, na frente da casa com, no bar ou como garçom, e à noite eu, eu, eu trabalho… Até o meu irmão, que é o chefe, né, bem conhecido, a gente trabalha juntos no, no cardápio do… De madrugada, de uma, um lugar que chama, eh, Cork and Bib, uma… Um pub, sabe? Que tem um cardápio e a gente fica cozinhando juntos até as 4 horas da manhã.

Caramba, né? E dorme pouco?

E dormia… Dormir, mas não… É porque era… Eu era molecão, é tá ganhando, sabe? Tipo, só que eu não… Não dá muito espaço para estudar e tá pagando. Eu acho que não, não parou nenhum, nenhum um, um mês para… O semestre para estudar, só que estava… Não tá completando nada. Então eu tenho, tenho um amigo meu que trabalhou comigo no, no restaurante, e o pai dele era policial em Nova York, no, em… No NYPD. E ele fala: “cara, você tá se matando, não tá, né, chegando a nenhum lugar com os estudos e, e meu pai, todas as pessoas com quem, quem trabalha com ele, faz outra coisa, tem outro trabalho, tem, tem, tem outro negócio, faz no lado, tem tempo para estudar. Então, eh, eu acho que ia ser interessante, e eu vou ter a prova em, em duas semanas e tenho até tipo sexta-feira para, para você, né? E, ah, fazer… Se inscrever ou não inscrever”. E eu fiz, né? E só que, do nada, em três meses eu estava na academia. Coisa… Não, não estava planejando. “Inscreveu sem imaginar, falou: vou me inscrever aqui, faz a prova”. Eu, eu, né, faço… Vou muito bem nas provas e, e quando é o, o… A escolha, múltipla escolha, você é bom em chutar. Então é coisa, eu, né, passou, passou, entrou no primeiro grupo de, dessa, dessa coisa, tipo, três meses depois estava…

E foi pro Departamento de Polícia de Nova York?

No NYPD, e eu estava lá, né? É uma organização grande, né? É, eu lembro, tipo, tinha nada. Eu estava treinando, pensei: “Nossa, o que eu tô fazendo aqui?”. Porque tem pessoas que têm isso, 18, 19 anos. Isso é… Tem esses 19, 20 anos, né? E a coisa tipo, e, e não é uma coisa que você sonha de ser policial ou alguma coisa assim, caiu lá. Caiu lá, e até, né? Tem uns momentos que, nossa, como chega daqui saber alguém tá gritando comigo, a coisa é… É lá é bem, bem… Como chama? Paramilitar, é uma organização como militar mesmo, e o número de pessoas dentro no, no… Na organização é milhares e milhares. Então é a força do exército maior, na época de 911, eh força de exército no mundo. Seria o departamento policial de lá, tem tantas pessoas. E, e é uma coisa que eu, né, como tem, tem várias, eh coisas para ser lá, eu vou bem nessas provas, né, multiple choice. Eu, no fim, eu terminei… Eu saí como primeiro lugar do, do… Da turma.

Da turma?

Da turma. E eu estava muito, muito mesmo, eh, eh tímido, muito tímido para falar, né? Tem que fazer um discurso na frente de 2.000 pessoas na, na…

Você precisou fazer?

Ele começou a fazer. É, é uma coisa que para mim é tipo, foi muito difícil. Não é difícil porque… Mas também eu… Depois lembra meus pais… Meu pai gravou e parece uma, eh outra pessoa falando, sabe? Tipo, não é… Não fui eu, é uma coisa… Cara, é lá falando, mas uma coisa…

Você tem gravado isso aí?

É, é um lugar, deve ter a coisa, mas para mim, o cara que tem, né, timidez para falar em frente de pessoas, tem que falar para mais de 2.000… Mas tem que, né? É uma coisa que surpreende, né, do do… E a coisa te mostra: é tudo possível, sabe? Tipo, eh se alguém pode fazer, é porque não, não pode ser eu? É isso, né? Então… Legal essa visão: se alguém pode fazer, por que não eu? Mas é uma coisa que a gente fala, né, eh sobre pensando grande para as coisas. É, é, é muito isso. É, é… Tem que acreditar que você pode fazer, é possível. Se é possível humanamente, porque a gente somos humanos, por que a gente não pode resolver por isso? Isso, né? O… É o, é o, é o que tira o limite do, do… Das possibilidades, né? E para, para talvez sonhar mais alto ou imaginar algo maior do que tá na sua frente, total. E essa visão, essa coisa é o, o… Né? Foi um sofrimento fazer isso, mas também conquistar a coisa. E começa trabalhando e, e quando eu estava trabalhando no… É como policial, e depois disso, eh tinha oportunidade para trabalhar disfarçado no contracrimes ousados, é o… Coisas… Não, não, porque duas vagas, dois caras foram… Baleados, é… Como fala, tomou tiros? Dois foram baleados, baleados.

Baleados, caramba!

É, os caras foram baleados e não… Porque a vaga deles abriu, mas tinha menos pessoas querendo fazer esse tipo de trabalho porque dá um congelamento… Os caras que estavam infiltrados foram baleados, aí todo mundo ficou com medo. Ah, não queriam trabalhar nesse grupo porque é perigoso, sabe? Tipo, tinha mais é… E eu era novato, né? É, você e eu falavam: “não, eu é uma coisa que não é o, o topo que tá fazendo no trabalhando no no dia a dia no uniforme, fez pouco tempo fazendo isso, né?”. Mas não, é, é… Quando veio essa oportunidade, não, eu… “Bora!”.

E como que foi para entrar? Como que você se infiltra? Já tem alguém infiltrado que te traz ou você chega lá e fala: “quero entrar”? Como que é isso aí?

Não, é porque eu era a única pessoa, a única pessoa dentro o FBI, dentro os outros departamentos, quem tava infiltrado nesses grupos foi a… o que? A máfia chinesa mesmo. Máfia chinesa, eu tenho várias tríades, né? E, eh funcionavam nessa época.

O que que a máfia chinesa mais fazia de errado nessa época?

É, é o arma, droga e o tráfico do humano, de mulheres.

Mentira, cara! É muita coisa… Coisas pesadas, né? E, puta que pariu, para se infiltrar nisso tem que ter estômago, além de tudo.

É a coisa, é… Mas também quando você, eh nesse mundo, você não tem que lembrar às vezes que a cara… Nessa… Lado em que você vira, meu, amigo da pessoa, sabe? Sim, sim, sim. A pessoa é o… Tá fazendo mal, tá fazendo mal, porque você fica… Porque você quer amizade, tá dentro, amizade. Cara, eu, eu lembrei uma vez eu ganhei, eu peguei uma multa estacionando à frente do restaurante dele, e: “cara, não, cara, desculpa, eu me dá, eu pago para vocês”, sabe? Tipo, uma coisa assim, eu lembro. Porque não, eu fiz vários casos diferentes. E uma, eu estava comprando bastante cocaína do… Dos colombianos. E, nesse caso, a pessoa com quem estava vendendo, eh quem tinha esses negócios antes era, era o marido dela, dessa pessoa. E eu entrei como a pessoa… Me apresentou e entrei como a pessoa que conhece o marido, mas não conhece o marido. Então eu tinha essa coisa do, ah risco também, né? Risco, né? Nem sabe quem… O como é, cara? Então é fingindo que é o, que o cliente dele e ele não retorna a ligação, sabe? Tipo, é um… Não, o grande risco. Só que essa pessoa, eh eu tenho uma visão diferente sobre droga, sobre problema hoje em dia, né? Mas, né, porque é preto ou branco, sabe? É certo ou errado, né? Depois, né, com mais conhecimento, eu vejo o problema muito maior, muito além, sabe? Tipo, não é só isso, não é… O problema não é assim: “ah, droga…”. Não é. Se eu nasci e você nasceu num lugar diferente, talvez você é o melhor traficante, talvez assassinar, assassinar pessoas… Assassinar pessoas é de boa, por quê? Porque eu nunca aprendi que é melhor outro caminho.

Exato, é o que acontece com pessoas que muitas vezes nascem em comunidades no Brasil: olham o traficante como herói.

É. Mas também se eu nascesse lá, talvez eu veria a mesma coisa. Como eu, eu achei o, né, posso mostrar que eu… Para quem gosta de trabalhar, quem tinha essa garra para trabalhar desde criança. Imagina que eu estava na comunidade, é isso. Referência: “Nossa, eu vou trabalhar, vou vender, vou…”, sabe? Tipo, e como a gente pode, né? Eu gosto de pensar assim, e cara, nossa, é, é um peixe na água, é isso. Só que a minha água é diferente, e, e cada vez com perspectivas diferentes, eu tá expandindo essa, a minha visão dentro dessa… Mas imagina você, sua, sua perspectiva: você nasce num, num lugar de comunidade carente, um lugar que, né, o, o… Não tem muitos, muitos exemplos de muitas possibilidades, não tem, né? Muita esperança e não tem caminho para fazer algo diferente. E o caminho que aparece, parece que é droga, então eu vou vender, sabe?

E o que você falou: às vezes, dependendo de onde ela nasceu, o melhor caminho para ela seja esse, assim, analisando as possibilidades.

Possibilidades, é coisa… Porque então, na época, eu não tinha essa, essa visão, verdade. Mas, e, né, com a experiência, eu vejo que o problema é muito maior, é coisa… E, e, e, né, caindo no mundo assim, não é uma coisa necessariamente de, né, de, de bom ou de mau, ou de… Sabe, é uma coisa que a gente é responsável por isso, porque a gente não tá criando oportunidades para as pessoas, né? E quando eu tinha oportunidade para, para mostrar outras possibilidades, numa época quando eu estava na Azul, e também com, com o, com a Modern, eh pega um ônibus grande, o, né, os… E vai na comunidade carente com, né, o trabalho de alguém de dentro, quem pode… Sim, sim, tentar pegar a autorização para sair, né, com, com as crianças, e a gente leva para para o, o, o aeroporto e mostra o, o, o ecossistema lá, as possibilidades.

Você amplia os horizontes da criança da comunidade?

E depois disso, vocês faziam esse trabalho na Azul?

Eu fiz isso na Azul, eu fiz na também no, no… Na Modern. E é uma coisa que é, é uma coisa que eu tinha como criança: a gente não tinha muito dinheiro, a gente tinha um… A gente estava bem para os Estados Unidos, a gente tá na classe média, mas classe média bem baixa. Tipo, o jantar era, era o… “Sua, essa aqui”, não tinha extra, não é “acabou, boa”, sabe? Tipo, não tem segunda, só, só na, na… No Natal, sabe? Tem especial, tem, né, segundos. Mas também você reclama, vai dormir sem comer nada, sabe? Pai vai comer. E, e… Mas eu tô falando isso porque a gente tinha essa, essa criação bem, né, bem, bem básica. Mas nos Estados Unidos você tem e sempre fala que, né, “você pode ser presidente um dia, você pode…”, sabe? Independente, né? É cultural disso, cultural. E, e lá você pode chegar além, você pode chegar lá em cima, sim. E, e eu, sabendo, tendo essas possibilidades, você pode imaginar coisas, você nem sabe quem… E, eh hoje em dia pode falar sobre as coisas de diversidade e, e, e cotas, essas coisas. Eu lembro de participar numa, numa palestra, as pessoas estão falando isso e se é bom, se é ruim, assim, mas tem que parar um minuto para isso. Você tá no Brasil, né? Esses caras de alto nível, tipo do, do, eh diretores e de RH do alto nível, sabe, das companhias multinacionais, eles estão falando isso, que nossa, eles não têm noção. Porque não é, não é só sobre se é bom ou ruim para ter esse programa do, né, do… Do “woke”, as coisas, mas o problema é muito além disso. A pessoa na na… Nesses lugares nem sabe quem é cota, nem sabe que tem a oportunidade, como vai você se qualificar para algo, nem sabe, exato.

E às vezes você coloca uma coisa achando que vai resolver o problema, mas você tá lá na pontinha do iceberg, você tem que mergulhar fundo lá na base do iceberg.

Exato, tem a ver com isso. Antes, falando do… E aí você vem às vezes até cagando regra, sabe? Tipo: “é aqui a solução”, e na verdade aquilo lá não resolve nada, nada. É só um… Exato. É mais, é mais para te, para dar uma… Sentir que você tá fazendo algo, sentir que tá fazendo algo. Mas, na verdade, você é o que que o… É abrir a cabeça também fazendo isso. Quando começa fazendo isso com as crianças lá, é uma coisa que, eh o colocar no avião, tira o, né, tira… Colocar na cabine, fecha a porta, faz um serviço tipo, né, e, e colocar na cabine com… Tirar fotos com, com os pilotos, sabe? Tipo, depois, eh eu voltei para a comunidade, entrego as, as fotos para as crianças e tudo. Delas, todas querem voar, todas querem ser comissárias, sabe? Tipo, é uma coisa que… Mas também eu, eu, eu pensei: “Putz, eu… tipo, jogar a semente, mas quem tá dando água? Quem vai ajudar essa, né? Se você não criar essas oportunidades…”. Tá mostrando que existem outras oportunidades, mas alguém precisa ajudar a criança no caminho, pavimentar a estrada para ela andar, para… E, e assim, eh tem menos pessoas que têm que cair no, no… Coisa ilícita, tem menos pessoas. Porque hoje em dia, você pensa nessa, nessa água, nesse mundo, a vida não é… Não por causa do… Diretamente da violência, de droga, coisas assim, mas por causa da realidade de saúde, alimentação. Eh você vê seu primo morre com poucos anos, sabe? Então a vida, em geral, pode valer menos, sabe? Você, naquela pirâmide de Maslow, é a base.

No Brasil não tem nem o básico.

Então, e aí tem gente querendo resolver o problema de cima, só que, meu, o cara não tem saneamento básico, o cara não tem, não tem comida para comer. Então é o, o… É ruim quando as coisas… Tem que ter lei, quem, quem pega, quem funciona, mas tem que resolver o problema embaixo, é isso. Tipo esse problema de: “Ah, cara faz isso para roubar celular”, mas também é o… A gente no, no… Na mídia mostra que o, o iPhone X, a coisa aqui e vale tanto. Todo playboy tem que ter esse aqui, sabe? Tipo o nosso que a gente tá vendendo, o que é importante para as pessoas, a gente tem que viver com isso porque a gente faz isso, mas no outro lado, não criar um caminho para as pessoas terem, que todo mundo tem, entendeu?

Concordo 100%. Então, você estando lá, de volta, seria o melhor ladrão, né? Talvez o, o traficante, se eu estivesse trabalhando nessa, vivendo esse lado, exato. Dependendo de onde você tivesse nascido. E eu… Tem um cara que escreveu um livro sobre isso, é, é um cara muito… Um bilionário dos Estados Unidos, eh e escreve sobre a prosperidade, sobre… Eu sei o nome em português, mas basicamente, eh, eh tipo, eh o… Tipo a chance da geografia. Se, se você nasceu em um lugar no meio da, do, né, do, do… Da África, essa parte, não tem como você… Não tem como, você pode ser o cara mais, mais visionário do mundo, você vai… Você tá lá, não vai ter oportunidade, não vai ter. Então, eh eu lembro, as pessoas estavam fazendo uma entrevista com ele e porque essas pessoas podem me questionar com isso: “Ah, cara, você mora aqui, você, né, assim, como você fala sobre essas coisas?”. E esse cara, quando ele faz entrevista sobre o livro dele, e ele falou: “a pessoa fala: ‘ah, mas você mora nessa casa grande, mansão, como você fala sobre, né, o pobreza ou, né, prosperidade?'”. Ele fala que: “exatamente por isso eu, eu… Eu vou continuar morando aqui, eu vou… Eu gosto de morar aqui, eh mas sabendo isso, eh eu, eu sei que eu tenho que fazer muito mais do que isso se eu ganhar”, sabe? Tipo, é, é a razão para… Eu acho que essa atitude a gente tem que ter mais aqui com pessoas que têm dinheiro, quem tem poder, total, sabe? Não só pensa: “como vou render mais?”. Ter essa cabeça de que, por mais que eu esteja nessa posição de conforto, de privilégio, tem problemas a serem resolvidos que… E também para criar, não pode ser uma coisa mais egoísta: “Ah, eu faço isso porque eu quero que meus filhos tenham uma vida melhor”. Exato, o mundo dos meus filhos… Para ter um mundo melhor, né? Meus filhos estudavam no… E é isso, pode ser egoísta, não tem problema, mas que bom. Exatamente. Porque, ah, o, o… É uma coisa, eh uma coisa até de orgulho onde você, seus filhos estudam, sim. Mas para mim é um pouco… É triste. Qual a porcentagem das pessoas que têm acesso? Acesso a essa, a essa educação? Mas, além da parte egoísta, pode fazer, mas se não mudar nada, qual mundo vai ter para minhas filhas, meus netos? Vai ter o lugar em que poucas pessoas têm acesso a essa educação e, outra, cada vez um mundo cada vez mais desigual é um mundo cada vez mais violento.

Exato. E aí todo mundo começa a perder com isso.

Exatamente por isso. Então, é, é culpa nossa também que a gente tem tanto crime, que as pessoas estão, né, todo dia tem essa violência na rua, é o porquê, porque a gente não tá cuidando, não tá fazendo algo melhor. Elon Musk é altruísta mesmo, aí viu? É isso aí.

Mas é legal essa sua visão, e assim, uma pessoa que chegou tão longe, uma pessoa que tem tantas, tantas coisas, ter essa visão é legal, de falar: caramba, não é porque o cara ganhou dinheiro, fez coisas grandiosas, que o cara não tem essa visão do todo social das coisas.

E mas também é o… Dentro do negócio, eu, eu sou capitalista, mas eu penso num jeito de, eh, eh como faz isso com uma coisa, eh como faz negócio… Você que é um mais democrático, quem… Coisas que…

O capitalismo consciente?

Consciente, né? Você é capitalista, até porque é o sistema que funciona, só que como a gente consegue fazer pensando nas pessoas? É pensando nas pessoas, pensando… Porque, na verdade, precisa ser melhor, não pode ser só ganha, ganha, ganho, ganho total a qualquer custo. É custo, e o fato de que eu sou… Deixa para trás o resto, é isso. Assim a gente tem… Cria um mundo mais desigual, com mais perigo, né? E a coisa não é… Não é só sair, eh com o relógio hoje em dia não dá, sabe? Tipo, coisas que… Mas também alguém com poder, com, né, tá pensando como criar solução para isso, como, como ajudar as pessoas a participarem da nossa economia também. Então, o que é desafio. Por isso, eu gosto da oportunidade de falar, porque eu, eu vejo bastante pessoas, né, quem tem poder falar como coach, como uma coisa, mas eu vi poucos, eh empreendedores, poucas pessoas aqui de fato olhando… De fato olhando e falando e pensando: como, como eu posso criar uma coisa que é sustentável economicamente para mim, para a companhia, para o investidor, mas, ao mesmo tempo, gira, né? O reinvestir na na na… Que o capitalista… Que as coisas… Sabe, não precisa ser doação, não precisa… É criar coisas quem… O que você fez mesmo: você pegou um ônibus cheio de crianças na comunidade, levou para conhecer os aviões, você aumentou a perspectiva delas sobre a vida. Mas eu gostaria de ter a oportunidade para criar caminhos para as pessoas também chegarem na… Não só colocar a semente, mas dar água, sol, ajudar as coisas a crescerem, né? E é possível essa coisa que… É isso, é…

De ver o problema grande, porque é um problema grande, né? A desigualdade no Brasil é um negócio maluco de gigante, mas assim, como que a gente consegue resolver, sempre com essa visão. Ô, Gerard, pra gente… pra gente finalizar e já passar a etapa da da infiltração na polícia, na verdade, tem muito… Qual foi, mas qual foi a parte mais… qual foi o episódio mais tenso que você viveu nesse período?

Ah, é o, o… Acho que quase cada vez que eu saía para, né, para trabalhar, eh foi intenso para mim, porque, querendo ou não, você, meu… Você, você tá… Você tinha medo de ser descoberto. Claro, toda hora, toda hora, mas eu tenho o… Tinha um bom cover, né? O… De estar bem disfarçado e, e aprende a ser ator, falar as coisas. Você sempre fala com a polícia? Não, não, você fala o mínimo possível para não ser descoberto. É, eu tinha o… Eu tinha uma vida bem separada, tinha meu… E, na época, eu tinha um visual, né? E nem minha família sabia o que eu tava fazendo.

Caramba! Era escondido, escondido mesmo?

Escondido assim. Até meu, meu avô, com certeza, achava que eu estava maluco, sabe? Tipo…

É mesmo? Né? Legal. Ah, o que que ele tá fazendo com esse corte de cabelo? Sabe, tipo… Mas também, para mim, era estiloso, tava, né? Eu… Pessoas falam: “ah, você foi muito nas baladas lá, né?”. Porque, querendo ou não, você estava se vestindo como… Mas eu ia lá porque eu, eu não… Eu não estava trabalhando na balada, eu estava lá curtindo, mas eu tinha o look na época e me deixava entrar de, de boa, sabe? Mas, no mesmo tempo, eu, eu trabalhei em vários casos, né? Várias coisas, eh nesse trabalho, e uma dessas era com a máfia chinesa. E coisa que, eh né, dentro de uma, uma negociação, eh a pessoa olha na sua cara e faz: “Nossa, cara, você pode ser policial, porque você não quer… E porque eu, eu não dou dinheiro na frente, quero ver o produto antes, né?”. “Não, você pode ser policial, você não quer o tipo pré-pago, ou coisa, você quer o produto primeiro, primeiro”. E, e, né, acusa… Me acusando, né, assim. E, nessa hora, você… Nessa hora, não pode parecer nervoso, sabe? Não pode parecer que pegou, sabe? É uma coisa que é, eh né, eu, eu viro o jogo, né? O, o… Você fala: “eu não… Isso não…”. Você é o tipo… Eh, é uma outra… Outro botão você tem que tocar, né? E, e levanta e fala que, né, você fala: “mais uma vez e eu te mato”, sabe? Tipo, esse tipo de atitude.

Você tem que dobrar a aposta? “Você tá brincando comigo, meu? Fala mais uma vez…”

Fala mais uma vez assim, é isso aí.

O cara: “Não, beleza”. Aí o cara: “caraca, meu”. Tipo, tem que ter…

“Eu não vou te… Eu não vou, eu não vou te dar, te mostrar a droga porque você é policial”. “Fala mais uma vez que eu te mato”, aí você…

E o coração, o que que é?

E também, sabe? Tipo, é um… Você tá… É um… Tá jogando, mas você também… A pessoa pode… É tudo um blefe.

É um blefe, né? É um jogo, bom, mas eu estava armado também. Mas também não vai matar o cara, sabe? Tipo, é assim. Mas é, eh, é… Eu posso só falar essas, essas experiências únicas, sabe? Tipo, coisas do, da pressão no momento, sabe? Ficar com a cabeça fria. Eh tem um monte de coisas que acontecem no mundo corporativo, principalmente como empreendedor, que o mundo tá caindo. Exato. Coisas de tá… Não tem investimento, as coisas acontecendo aqui, essa coisa não tá funcionando, é coisa demorando, sabe? Tipo, você tem que ter até calma. Independente de parecer que o mundo está caindo. Tem tanta história do, do… Criando o, o… A Modern, que, né, fica atrasado, né, para, para lançar as coisas. Não, eh né, o… Dificuldade com, com a ANAC para, para, para certificar, para voar. E o dia que finalmente as coisas… Todas as coisas… Ordene o… O vento, na verdade, com a… Pega uma escada… As escadas, eh móveis, as pessoas usam para, para entrar no avião, mas não é do grande, uma coisa que eles usam, né? E mais simples. Foi no outro lado do aeroporto, pega o vento, cruza o aeroporto e bate o ponto do do… Asa, e quebrou o dia. O… Vai, faz a lápis, faz o… Ah, ia lá ver o avião, fazer história, história. E essa acontece, ele sabe, vai trazer mais meses, entendeu? Coisas assim, tipo, ah mas você vai [ __ ] o seu… A ANAC ia vir aqui ver se havia ou não, demora, né? Depois disso, pode arrumar o custo, tudo isso. Mas também, se eu fico com pânico ou nervoso com isso, como o resto do, do time vai ficar? E tem várias coisas assim que, né, eh é difícil criar coisas aqui grandes, né? Uma coisa tipo, eh vai criar do zero um projeto que você imaginar, você convencer um investidor para investir, tem responsabilidade com isso, tem famílias envolvidas, e se não dá certo, tá nas suas costas, né? E dentro de tudo isso, você tem essa, eh, eh responsabilidade para manter… É um… Bem frio do, né, para você… Imagina o, o, o, o chefe, o dono, sei lá, eh tem esse… Tá com medo e, e não, não acredita que pode dar certo.

Total. Quem vai acreditar? Quem vai acreditar? Exato. E se você desconfiar disso, mesmo que você não fale, automaticamente você já passa uma mensagem subliminar pro time de que não dá certo, aí todo mundo desacredita.

E dentro, dentro desse negócio, né, você tá… Desculpa tá pulando.

Não, tá ótimo, tá ótimo.

Mas, eh quando a gente estava criando a Modern, e é… Tem várias coisas que acontecem, né? Sabe que não foi planejado que… E é uma coisa que, na verdade, se, se você não acreditar, quem vai acreditar em você, entendeu? Então eu, eu, eu lembro bem, não é tão cedo, mas no início eu estava bancando um monte do, do, do projeto, só que tinha um dinheiro, né? É contado, é finito, vai acabar, vai acabar. E eu lembro, eu cheguei a um ponto… é uma coisa que, né, aconteceu com um investidor, a coisa, né, outra história que é meio feia, né, na época. Mas é coisa que eu tinha que decidir: eu vou pagar as pessoas com o meu dinheiro ou vou perder o… Minha casa nos Estados Unidos.

Caraca!

E eu perder a casa nos Estados Unidos, sabe? Tipo, uma coisa… Olha isso, o pessoal acha que é tudo lindo e tal. Lindo, fácil não é. É uma coisa que eu… E coisas para mim é um, um… Me doía muito na época, do… Da vergonha, sabe? Tipo, eh perder algo que outras pessoas me ajudaram, né, para comprar, sabe? Os, o… Família, as coisas. Então era uma coisa bem… Seu ego fica ferido muito.

Exato, porque você tá começando um projeto e o projeto não tá indo tão bem, e você começa a dar passos atrás, perdendo coisas que, né, que eu… E não era, né? Não é uma coisa que… Quem tomou o risco fui eu, sabe? Tipo, então é uma coisa… Eu, eu lembro, chego no aeroporto, eu conhecia as pessoas da American Airlines lá, né? Me conheciam há anos por causa do sucesso da Azul. E chega lá, sabendo que tá criando outra companhia e como tá, né? E eu tenho que, né, trans… Não pode transparecer. Não pode. Porque dentro você tá chorando, sabe? Do, do status das coisas. Depois tem que enfrentar e, e vender pro investidor, sabe? Tem que mostrar o que… Às vezes, você tá desanimado, tá desmotivado, mas eu falava que… É, e eu colocava o mesmo… Até eu chorava no, no caminho. Melhor chorar agora, e lá na hora, pronto, tá… Tá de bem quando chega.

É isso, cara. Saber dormir ao som de canhões, sua mente com muitos problemas, seu coração despedaçado, mas você precisando estar lá na guerra, né?

E essa, só quem empreende para saber o jogo. E também, dentro disso, aprender algumas coisas também para foco: o que eu posso focar agora? O que possa ter um impacto agora? Tipo, não fica, eh preocupado com coisas que não controla nesse momento, porque a gente pode acumular tanta coisa na cabeça, aquilo te paralisa, paralisa, e a gente não, não chega na solução, é isso. Porque tá… No susto, não vai dar certo. “Ó, aqui eu fiz isso aqui”, sabe? Tipo assim, não tem o que eu posso fazer hoje. Não. Hoje eu tenho que levantar e ir para Nova York e ficar lá, tentar conseguir a reunião com a pessoa certa. Vai para lá, é porque a pessoa pode me ajudar a financiar, sabe? Tipo, e, ah não consegui essa aqui. Quantas vezes? Quantas vezes eu fiz um, o pitch, sabe? Quantas vezes apresentar a coisa… Né? Essa parte não alcança, é uma coisa que você tem, eh e tem paixão por que está fazendo. É o… É muito fácil falar sobre o assunto, muito…

Isso é bastidor que ninguém vê, né, cara? É essa coisa… Todo mundo olha e fala: “não, o Gerard olha lá, ó, tá fazendo um monte de coisa”. Ninguém vê os esses problemas.

Mas eu, eu, eu não gosto, não poupo muita coisa do luxo, as coisas assim, né? Eu prefiro, né, mostrar… Quando tá na, na, na, no avião, na classe econômica, dentro de duas pessoas grandes, sabe? Exprimido, né? Cansado, sabe? Tipo, o pedido… Mas para chegar e conseguir fazer as coisas, tem muito sacrifício, muito, muito… Muitas coisas. É, e uma coisa que tem que ter: o, o, o… Essa, essa resiliência, perseve… perseve…

Perseverança.

Perseverança.

Perseverança, resiliência, palavra difícil também.

Resiliência, perseverança. E, e… É, desculpa para eu soltar aqui.

Não, mas tá… Meu, dá para entender ótimo, cara. E, Gerard, como que foi esse processo? Até então, tudo isso aí era nos Estados Unidos, você trabalhando na JetBlue e tal. Mas uma hora vem o desafio: Gerard, Brasil, Azul. Como que foi?

Então, então… É, eu só para terminar a história do… Da polícia. Quando eu estava lá, eu, eu fui promovido a detetive com 24 anos de idade.

Caramba, que legal!

E é uma coisa que tenho… Com 24 anos, tenho carreira já, exato. Mas, né, porque eu sempre estava pensando, estava estudando, né? E eu me formei em Negócios na NYU, eu fui em… Eu me formei em Contabilidade também.

Que legal!

Mas também, na época, você… É o, o, o… Trabalho com o CPA lá, CPA, eh dois anos trabalhando, né, e o básico. E eu o que eu ganho menos… Tava ganhando com detetive, né, com as horas extras estava ganhando bem. Eh então eu pensei: “não, eu, eu faço muito mais de 300 vezes, eu faço o testemunho no, no, no, no processo como fórum jurídico, sabe? Testemunha no…”. Eu não sei como fala isso. Preencheu o, o formulário lá no… Não, não, eu vou na Justiça e, e repetir o que aconteceu, pro processo criminal. Você é o…

O testemunha?

Testemunha, juiz, o jurado, assim, sim, sim, sim. E é uma coisa que eu… Eu tinha um pouco de dom com isso, não sei por que, mas eh eu virava para o jurado, pro juiz, e eu conto a história, só que eu, eu penso muito, tipo eh como tá jogando xadrez. Sim. Dentro do… Realidade dentro o… O que é verdade, a versão de cada um. Porque é, eh defesas como em filmes, você faz ver eh eles tentam colocar você dentro de um, com as perguntas, e tentam colocar isso numa caixa, sabe? Essa… Depois você chega a essa caixa, tipo: “ah, o que você comeu ontem para o café da manhã? Ovos fritos. O que você comeu há um mês, o dia em que você viu o meu cliente na rua? O que você, eh o que você comeu?”. “Eu não lembro”. “Então você não lembra o que você comeu o dia, você lembra qual, qual camisa o cara estava usando? Lembra o rosto, sabe?”. Você… Um jeito para te pegar, né? E mas também sabendo que é esse é um jogo do… Do… Fazer… Eu tá pensando à frente: qual vai… Onde tá… Como você consegue fugir disso?

Eles estão tentando me colocar na caixa?

É, então é… Eu tenho a resposta por que: “eu não lembro o que comi, mas eu lembro porque essa, essa… O, o seu cliente tem essa aqui, tem a marca aqui, ele tá usando a camisa que eu tinha quando tinha 10 anos”, sabe? Tipo, tem algo que, que todo mundo que tá enxergando aquilo fala: “Hum, tá certo”. Porque, porque essa é tipo do, do jogo de xadrez, né? É frustrar muito a defesa. Então eles têm, normalmente, um, um, uma… Uma agenda, agenda não, é papel, muito papel de perguntas, e depois você corta essa linha e chega na ponta, você quer falar, tira as páginas, vai para outra, faz a pergunta e corta isso. Então é uma coisa que eu, eu, eu… Coisa que faço bem, sabe? Tipo, porque tá pensando onde, onde essa, essa linha vai dar. E, e tudo dentro é verdade, gente, o que aconteceu, não, não tá criando algo. Eu só sabendo onde essa, essa linha de perguntas vai chegar, vai chegar. E uma vez, eh a pessoa, o promotor, eh depois do meu testemunho, falou: “ah, mas já é… Nossa, essa foi muito rápido”. Foi algo que seria horas no testemunho, foi acabado em 30 minutos.

Caramba!

Eu falei: “Nossa, é… Foi muito rápido”. Ele falou: “é porque eu, né, eu estava antecipando as perguntas e de…”. Né, ela fala para mim: “não, o seu trabalho não é para pensar, é só responder”. Caramba, nossa, que idiota, sabe? Tipo… E então, depois disso, quer não quer ser advogado, sabe? Tipo, que eu posso fazer o trabalho, né, com olhos fechados, o trabalho dela, né? E então eu fui, decidi que eu vou… Vou estudar Direito. Então eu fiz um, um doutorado na University of Virginia na época, alguma… Uma das melhores escolas públicas. Eu tinha… Eu ganhei uma bolsa no, no departamento policial, me deu uma bolsa para estudar no local.

Que legal!

E cheio, mas eu… Eu não aceitei. Eu não aceitei porque…

Você queria estudar lá, né?

É, se eu ficasse lá, ficasse lá, eh não pagava nada, mas ia trabalhar dentro da polícia.

Ah, você seria, seria o advogado da polícia?

É, então eu trabalhei um pouco sobre isso no, na, na parte de estagiário, fez processos dentro da polícia. Mas, eh depois disso, eu… Eu estudei nesse lugar e eu não era o melhor estudante da coisa, porque eu… Aprender dentro da polícia, uma parte do, do escrevendo eh relatório de eventos é muito só fatos, é bem curto. Então chega na, na… Me estuda Direito, eles querem que você explica tudo, independente. Não é o… A solução não é… Sabe? Tipo, eh analisar… É mostra você analisa tudo isso, mas já analisei, é isso aqui.

Você estava muito direto por aquela experiência de polícia, então fez muito mal na escola?

Muito mal mesmo, mas nos conceitos entendo muito bem. Mas essa parte para você ficou… Você ficou prático demais?

Demais. As pessoas falam: “nossa, você respondia isso aqui, mas depois eu acho que você foi doente, porque você escreve quase nada”. Mas eu…

Mas você respondeu no final das contas.

É porque não sabia, né? Mas eles não queriam isso, eles queriam florear.

É isso aí.

É, então é, eh é… Depois disso, eu aprendi um pouco, né, sobre isso. E, e, e né, com pouca coisa eu, eu me formei. E, né, porque eu tenho… Decidi… Eu vejo um promotor mesmo, que paga quase nada em Nova York, então deve ser para pessoas que têm família rica ou pessoas que, em verdade, têm tanta paixão que vão, né, viver com pouca coisa e trabalhar no, né, com esse serviço público, que é, que que é uma coisa legal lá. Tem, tem bastante pessoas que fazem serviço público mesmo, até policiais que querem servir mesmo, sabe? Tipo…

Sim, faz pelo país, né? É uma coisa nobre, né?

Né? É, é uma coisa nobre, sabe? Faz esse trabalho. Então, na época, eu lembro, estava fazendo entrevistas com os escritórios e, e essas, essas promotoras, né? E num momento, eu estava na esquina em frente do, do fórum, e decidi: não é… Eh, foi… Ganhei a oferta num escritório grande e eu aceitei, mas eu comecei trabalhando nesse escritório em Nova York. E como eu comecei, eh a trabalhar no Brasil, eh tinha a oportunidade para, para eh tem um cara que estava no projeto no Brasil e ele ia casar, então ele, ele pega um uma semana só para voltar para os Estados Unidos para casar, e ele foi lá para o projeto no, no Pará. Eh então eu, eu… Ele era americano?

Não, americano, americano.

E ele estava no Pará?

Não, ele estava em no Rio. Mas, e ele vai casar em, em Washington. Então, ele voltou… Não, eu não conhecia ele pessoalmente na época, e eu estava no, no escritório de Nova York.

Ah, sim, sim. Entendi.

E, e a… Precisa de alguém… Eu lembro, o trabalho no escritório, na verdade, que é, [ __ ] não, punk mesmo. É um… Uma escravidão, não tem fim de semana, não tem coisas, você não planeja nada, você só trabalha, mas ganha… Eu ganho muito bem. E é uma coisa, mas também você trabalha, faz os… O trabalho, faz horas, você, né? Tem uma… É um, é o… É meritocracia. Meritocracia mesmo, sabe? Tipo, trabalha, faz o que trabalha, ganha, ganha, o que é bom, né, só para quem quer trabalhar é ótimo, né? E, e nessa época, nossa, tem muito medo, muito medo de… Primeiro dia no escritório, e eles me dão um… Porque, falta do, do espaço, me dão um escritório enorme, enorme. Eu tava ganhando uma fortuna, mais que os meus pais, sabe? Tipo, tá ganhando… O primeiro dia tá ganhando esse salário, assim. Sim. Eu sentei na mesa, dentro dessa, essa… Eh e, e esse… Que escritório enorme! Nossa, tipo: “eu sou um fraude”, sabe? Tipo… E: “vou dar conta, conta, como? Tão me pagando tanto!”. Isso foi muito péssimo na escola, sabe? Tipo, tá… Ganha tanto isso, sabe como vai. Eu lembro, primeiro dia, o, o sócio entrou e, me, me chamou e deu um projeto para a coisa, para eu fazer, escrever, fazer. Eu fiquei lá um tempo. Eu até hoje eu lembro o terno que estava usando, e, e e a gravata que estava usando, e eu tenho medo de usar de novo. Eu fui, eu, eu peguei essa… E o projeto… Eu fico no meu escritório olhando a coisa, travado completamente. Eu voltei, eu voltei para o apartamento, e no meu apartamento eu tinha… O, o, o… Compartilhava o apartamento com um amigo da escola, mas ele não estava trabalhando com… Ele… Esse… No escritório, não trabalhava mais, não trabalhava como advogado, ele era outra coisa, reformou e, e fazia outras coisas, né? E eu cheguei lá e ele olhou para mim e fala: “cara, o que que aconteceu?”. Porque eu estava tipo completamente branco, meu. “Sei lá, cara, o que eu consigo fazer, né?”. Eu dormi, acordei às 4 horas da manhã e fui, foi para o escritório, comecei trabalhando para tentar entregar o, o projeto. Mas é uma coisa tipo chocante para mim, é que não estava bem preparado. Mas é uma coisa, não, né? E eu… Mas eu usava muito isso na, na vida, fazendo coisas diferentes. Eu aprendi isso com meu irmão, ele estava no restaurante, eh lembra, a gente começou trabalhando no restaurante, num lugar bem simples. Sim. E, e ele conseguiu um, um trabalho no, no restaurante francês, era um chef do restaurante francês em Gramercy Park nessa época. E, e um dia… Você não sei… Ele chega onde quer chegar, né? Sim. E um dia eu, eu liguei para ele e fala… Ele fala que tá saindo do lugar, não… “Para aí, esse seu sonho de trabalho e, né, por exemplo, chef francês no… Comanda cozinhas francesas, essa…”. “Não, mas eu não tô aprendendo mais e não tô ensinando mais, então é o momento para eu ir para outro, é para outra coisa”. Nossa, como sai do conforto, do… Coisa boa, esse risco e, e coisa tipo… Coisas que eu fiz na polícia, saindo para ser advogado no, no… No lugar completamente… E na vida eu sempre tô fazendo isso agora, tipo: “ah, tá confortável…”. Pode ser carreira dentro… Até, até a Azul, eu podia… Ficava na Azul e, né, numa vaga fazendo… Trabalhando, trabalhando, ganhando bem, muito mais, né? E muito menos escravo.

Exato.

E quando era… Era a JetBlue, eu lembro, eu fui, eh me me, eh pediram para fazer a parte, eh, financeira. Eu era o diretor cooperativo, né? Diretor jurídico. Mas eu fiz tanto financiamento dos aviões e trabalhei com mercados de capitais e tá fazendo todo esse trabalho, já sabia, eu trabalhei com isso, né?

Mas você gostava de arrumar encrenca, né?

É, mas tava nessa lado, né? Sim, sim, sim. E a pessoa, a pessoa, né, do outro time, o outro vice-presidente: “eu quero que você venha aqui para ser a nossa… O diretor cooperativo, Corporate Finance, financeiro”. É, não é CFO, mas é dentro, é é o… O ponto, trabalhando no financiar a companhia, captação dos recursos, financiar milhões. Mas, na verdade, eu, eu fiz um curso na na… Mas era vivência, né, também. Vivência para caramba, mas é… Mas também, sim, tipo, eu tinha um lugar, né, que eu tinha que dominar, que fazendo um lugar que, na verdade, pode ser demitido total se não conseguir entregar e fazer. Então faz com medo, mas com coragem para, para, né? Vai ter que fazer. Mas também tem, obviamente eu tinha insegurança, o que é natural. Sim. Mas eu fiz, e essa abriu mais perspectiva para mim. Mais agora, depois disso, foi para o lado do marketing, eh dentro, dentro da JetBlue. Então, tantos anos atrás eu era vice-presidente de uma companhia grande, total, sabe? Tipo, é… Com experiência, não só com o cargo, não só com a faculdade. Você foi vice-presidente da JetBlue, que legal!

É muito… Eu não… Tem muitos, muitos, eh policiais que chegam fazendo isso, né? É o troço que também… Mas é isso, é o fato de você ter sido poli… eh ter trabalhado no meio, no restaurante mexicano, sido policial infiltrado na máfia chinesa, estudado contabilidade, indo para… virado advogado, estudado… eh trabalhado num, num num no escritório de… Meu, cara, isso é muito repertório, é muita coisa diferente que vai formando a cabeça, a cabeça do…

Como eu posso pensar coisas grandes, como posso ter o tempo, porque eu tenho todas as experiências. E como você… É muita coisa, vivência, não só sentar e estudar. É importante o livro, traz vivência, as coisas… É o… Verdade, dentro da escola é o, é o… Às vezes não compra livro, sabe? Tipo, coisa, eu estudei o dia antes da prova, entendeu? É… Não recomendo isso, mas sobre… Sobrevivi fazendo isso, as coisas. Aprende, aprende na escola é o mais teórico, mais teoria que te ajuda, total. A teoria é importante, mas a prática… Mas então também, tipo, é, é a coisa que eu posso usar, ter de lá. Hum. E a experiência na na mão, na massa mesmo para fazer coisas diferentes hoje, né, em vez de só foco no, no no detalhe. Como fazer? Tem um professor que fala assim, eh: você pode… E quando ele é criança ele tem que aprender a tocar feliz no piano, e quando você pode tocar isso, não precisa fazer aula mais, né, na família dele, e, e ele não gosta de estar com o piano. E a irmã dele fala: “não, você ó, você pode aprender, eh toca piano, tudo, pode tocar isso, ou você só pode aprender a tocar feliz. Então, você pode ser muito bom fazendo isso”.

Exato.

“Ou você pode aprender tudo, tudo”. É, então tem o valor de aprender tudo, ou uma coisa mais geral, né, mais macro, total, do que só, honestamente, só executar esses pontos que são importantes também. Mas é um pouco como você acha, como eu penso, como você vê a vida, né, as coisas.

Gerard, a gente já… a gente já tá com o tempo já chegando na parte final, mas eu preciso saber da Azul. Como que foi esse processo de co-fundar a Azul? Porque, cara, isso aí é… cara, a Azul todo mundo conhece, e você estava nos Estados Unidos como VP da, da JetBlue. Bora para o Brasil fundar uma companhia aérea. É, ué, cara, isso é maluco. Como que foi esse desafio?

E a coisa foi feita na na parte inicial, foi feita em menos de 60 dias, desde a primeira reunião que a gente tinha com os investidores até, eh comprar os aviões, né? O com a Embraer, negociar, estruturar a companhia, governança, investimento, negócio com investidores, tudo isso em 60 dias.

Dias! Caraca. Mas o cara chegou, você falou: “vamos abrir uma companhia aérea no Brasil”, você falou: “você tem dois meses”?

E não é, é coisa que não, não, não tinha… Não é… Não é porque é… Eu já saí do, do JetBlue, mas eu estava aqui no chão com… Eu e uma outra pessoa, o Marlon. A gente estava aqui…

Montando no Brasil?

Para montar. É, é o… Essa parte tipo: tchau, ó, você vai sair da JetBlue, você vai você e mais um cara. Eu fiquei 9 meses fora do, dos Estados Unidos na época aqui fora, família tudo, né? E, e um ano antes, né, o o… Um tempo bem antes, o começar o, o voar, né? Antes chama prone… Antes do investimento, eu tinha o, o… O presidente hoje, o John Rogerson, estava trabalhando no, no plano de negócios, né, fazendo as projeções, mas na época ele ainda estava trabalhando no, no JetBlue. E foi engraçado porque a gente, eh, eh na época, eh eu não sabia que as outras pessoas falavam português. Eh quando eu, eu era advogado, é uma época eu trabalhei… Eu trabalhei dois anos no Brasil antes disso.

Ah é?

Eu fazia M&A. Tinha cliente americano que estava comprando companhias aqui e ajudava eles a comprarem, em 2004, é. E eu ficava lá, ó, falando do cara, aquela história, o cara que foi casar, eu fui com esse projeto, né, do parte do M&A, só que eu tinha roupa para quatro dias, né? Caramba! É, porque eu sou… Uma semana aqui é para ajudar, só que o cliente gosta do meu trabalho. O cara nunca voltou para o Brasil mais. O advogado que estava no projeto precisou de… para muitos anos da vida, não como o o feriado, férias, porque deixa… deixa alguém sentar na minha, minha cadeira, não sabe. Então eu, por muito tempo da vida, eu, eu, eu fico grudado no trabalho para não dar espaço para ninguém.

Sim, porque nessa experiência, cara, quem estava fazendo bem saiu rapidinho para casar, perdeu. Perdeu a… perdeu, é. E eu fiquei lá para quatro dias, virei dois meses.

Você veio para cá só para cobrir ele quatro dias, você ficou dois meses e ele perdeu a chance?

Fiquei dois meses, e depois de dois meses eu… Eu voltei para os Estados Unidos, passei alguns dias lá e o cliente me chama de novo para voltar. Então eu fico, eh dois anos trabalhando no Rio fazendo isso. A gente, em 24 meses, eh nós compramos 24 companhias.

Caramba, uma por mês praticamente!

Por mês. E a coisa aqui é, né, porque é um… é bem complexo, sabe, trabalhar no Brasil, né? Porque as pessoas não sabiam, dentro das companhias, da internet ser coisa, eh o jeito do do ICMS, ISS, sabe? Tipo essa parte fiscal.

Fiscal, era muita loucura.

Era muita loucura. E as companhias, normalmente, as startups do… O pessoal de… Que ano que era isso, mais ou menos? 99. 99, 2000, 2001.

Caramba, que legal!

E uma coisa que não… É uma loucura. A gente faz… Fala que eu, na época do cliente, estava ganhando porque cada, cada vez que comprava uma companhia, eh eh a receita da companhia tá recebendo e, e eles foram o valua… valua… valuation. Valuation da companhia, que era público, era baseado na receita. Se a gente compra a receita do… Né? E, então, você compra isso independente, pagando milhões, eh já criaram um valor, né? Então a companhia fazendo isso, mas não fica integrando as coisas. Fusão é, é para ter economias eficientes, porque não precisa mais um escritório, um head do marketing, um… E não, você ganha eficiência operacional, que a Lira não tá fazendo isso. Mas eu aprendi tanta coisa sobre o Brasil que eu, eu briguei com, com, com o David quando a gente começou criando a Azul, porque tem coisas que não têm sentido para para estrangeiro, e…

Exato, o cara olha e fala: “não, mas o Brasil é assim, cara”. “Mas como assim?”. “Mas é, é assim”.

Lembro de algumas brigas que a gente teve feias na frente da Embraer. A gente tava lá, eh porque eu tava… Tem que pagar no investimento, o dinheiro de lá tem que para entrar no Brasil, você paga o… E para mandar fora, para pagar a conta fora, tem que pagar o frete de novo, de novo. Ele: “não é possível, não, não é possível. Eu quero falar com alguém que comente ser melhor”. “Você pode falar com quem quiser, mas é o Brasil, bem-vindo, é assim”. “Não tem… Eu sei que não tem sentido”. Mas ele fala: “não, você que não sabe fazer, não é assim, sim, é assim mesmo”. E, e foi interessante porque a gente não sabia que outras pessoas falavam português. Mas, da do time industrial, o John eh eh faz um… Acho que fez, não aqui, fez um uma missão para a igreja em Portugal. E o David sabia que, né, que fala português por causa… Nasceu aqui, os pais trabalharam aqui. Ah, fez missão aqui também, o cara que trabalhou comigo, o Marlon, e ele, ele é colombiano. O colombiano fala espanhol e aprende… Não sabia que estudava português na escola, sabe? Tipo, e, e outra pessoa, o Trey Urbahn também estudava português também. Então a galera sabia, mas a coisa… A gente trabalhava juntos nós quatro ou cinco pessoas lá.

Legal, né?

E não é, né, no mesmo time, mas não sabia que tinham tantas pessoas dentro de… É todo mundo tem essa, esses papéis. Mas você mais ou menos sabia. O David sempre… Quando você ficou dois anos aqui, você aprendeu a falar?

Não, não tanto, porque o… Um monte de negócios foi, foi em inglês, sabe? Os advogados, a maioria deles. Falei…

Mas você começa a aprender, né? Você já sabe um pouquinho. É.

E as coisas… Não, eu lembro que no início foi… Eu cheguei aqui em outubro, eh um ano antes, né? E, e até antes, o, o… Falando com investidores, era de pedir para olhar a companhia para… Que quebrou, né? Então, eh tem um, um, o… Armínio Fraga, que, quem trabalha com o George Soros no fundo nos Estados Unidos, e tinha investimento com a Gávea eh no Brasil, e pediu o Soros indicar, né, se alguém pode ajudar. E o David, né, me mandou para ver: “olha essa companhia aqui”.

Caramba, eu vejo que não só o Armínio Fraga, só o George Soros, só… Só a galerinha de… Contatos, né? O… Os contatos do David, mas é… Ganha porque tá no jogo, sabe?

Exato, você tá no jogo de xadrez deles.

É deles, então é para mim é um prazer, para, né… Eu lembro porque essa primeira vez, eu, no JetBlue, eu tomo férias. Eu fui para, né, fui para a Europa. As companhias na época tinha duas companhias voando em classe… Classe executiva, é um classe só, sim. E, né, a gente tem parceria, as pessoas, né, voam de graça para lá. E eu peguei uma semana, vou, né, para, para, para Londres. Só que quando chega lá, o David me ligou, fala: “o que que tá fazendo? Onde tá?”. Eu disse: “não, é o… Acabei de chegar aqui, eu vou tá tomando uma semana aqui”. Disse: “não, precisa de você no Brasil, não sei…”. “Como assim?”. Ele: “eu tenho que olhar essa companhia, essa casa tá, né, e tá disponível para, para comprar”. Disse: “não, para ver o, o negócio, eu é avaliar”. E então, eu avaliei, eu fico um… Eu volto na hora, pego o próximo voo de volta para os Estados Unidos, e depois pega um voo para o, para o Brasil.

Não teve nem férias? Já era.

E foi, né, foi, eh né, o… Encontra as pessoas do… No Brasil. No Brasil fizeram comprar alguém e transformar em Azul? Ou vocês montaram do zero?

Então, essa parte da história, o início da Azul, a gente foi primeiro olhando essa oportunidade, né, do do Brasil e faz o due diligence lá. E tem coisas que não contam, não fecham o negócio do… Não fecha. E o David falou para para o Armínio Fraga, né, do fundo, que é: “em vez de eu investir mais, me dá o dinheiro, eu vou criar a companhia”.

Caramba! E assim nasceu a Azul.

Como nasceu o Azul. Então é, depois disso a gente começa falando com, com investidores, e a notícia original era comprar o… Na época era, era o certidão para voar, era uma companhia chamada… Esqueci, né? E, e tem uma companhia no Sul, eh em Porto Alegre, ah a NHT, que tinha o, o… Um, um turboélice, um froto pequeno, mas eles têm o dono da companhia de ônibus, da Planalto.

Sim.

Então eu fico meses lá negociando para comprar a companhia deles, para conseguir a licença. Só… É, é para comprar a licença, foi licença basicamente, porque não vai usar o turboélice, é um, uma, um avião Let, uma coisa assim, né? E, e, e… Mas é uma coisa, porque para negociar em português era difícil, não é uma coisa muito difícil para mim, que o meu vocábulo é…

Seu vocabulário é… Está muito, muito limitado.

Sabe? Tipo isso, anos atrás, né? É, anos atrás, não é… E, e é pior que o, o… O dono, as pessoas muito gente boa, gosto muito deles, e, e o dono da companhia ele tem o… Entende, né, talvez 50% do… 60% das coisas ele fala. Sim, imagina com a porcentagem que tá entendendo do meu português. E o braço direito dele, o Reinaldo, esse cara ele não entende nada que ele fala, o sotaque dele para mim é uma coisa do outro mundo, sabe? Tipo, imagina tá tentando processar… Desculpa. Eh tentando processar e negociar, né, uma porcentagem de cada um, né? E, e eu não… Mas, no fim, eu consegui chegar ao, o acordo com eles para a compra da companhia.

Acordo, que da hora! O que acontece depois?

O David estava com o Solon, que era da… Com o Jobim na época, ele estava com essa… E o pessoal falou: “não, não compra a companhia, a gente não vai atrapalhar se você faz o… É sua, seu próprio eh é sua própria companhia”.

E do zero, né? Aí foi do zero.

Do zero, do zero. Então não comprou essa companhia do cara?

Não, então depois de tudo isso, eu tenho que… Você falou: “Putz, não vai rolar, eu tenho que falar… Eu tenho que voltar para lá, é o meu trabalho, tenho que voltar para lá”. Mas essa parte que eu, né o… O David sendo, né, o bonzinho, o cara, né? Você, você é gente boa, eu tenho que ir lá e, e terminar o, o relacionamento com eles. É, não é triste, porque eu tava vendendo também, convencendo eles, né, de entrar com a gente. Não sem dinheiro, só, né, para um pedaço do… Do record da empresa, né? E, de um dia para o outro, muda tudo, não vai rolar, coitado. Então, mas quando começar, a gente começa, eh a gente tinha as reuniões com os investidores, eh primeira semana de dinheiro do, né, esquece que foi. E, mas e a gente fecha o investimento em… Primeira semana de março.

Caramba, meu!

É, não é coisas assim… Tinha coisas que acontecem…

E vocês compraram os aviões, tudo isso em dois meses?

Eu lembro quando a gente tinha um jantar depois com o time de… Da Embraer, e porque no mesmo dia, eh fecha o investimento, fecha o contrato com do, do compra dos aviões, que eu tinha muita experiência nisso. Eh e, e fazendo o primeiro entrega do do documento para começar o processo com a ANAC.

Caramba! Fez isso no mesmo dia?

Então tinha três, quatro salas: uma com o investidor, com a Embraer, com o cara… Juntando, juntando a gente com a ANAC, com o Coronel Evaristo, que morreu, né, faz alguns anos, mas o Coronel Evaristo ajudando a gente, sabe? Eu tenho fotos dessa época, eu… Legal. Ele, ele justamente ajudando as coisas a acontecerem.

O Coronel estava ajudando com a parte da ANAC? Porque você não tinha ideia de como funcionava. Ele era o despachante, digamos?

Não, não, ajuda a gente a preparar os documentos para entregar, a gente mesmo entregava, mas ele falava: “você tem que fazer assim, assim, assim”, toda, toda a inteligência da, na experiência, para fazer. Até o, o dia a gente fechou, né? Eu mandei o, o e-mail para, para o time, né, o John, David e Trey, e falar: “Ah, seu Azul e ventos para trás, agora a gente tem a companhia porque formou, tem investimento, o dinheiro cai, né?”. Legal. E porque tem abrigado tudo isso, e, e tem os aviões. Então, em vez de falar “parabéns”, ó, nossa, vai… E quando você vai para a ANAC… Olha isso, só queria o próximo passo, é o próximo passo.

Já sei. Vocês fizeram, depois que inauguraram, vocês fizeram uma Universidade Azul lá perto de Viracopos, né? Ah, é. É, a gente participou dessa obra. Ah é? É, eu trabalho com construção civil, a gente participou. Eu me lembro de entrar lá, ver os simuladores de voo, é coisa linda. Eu tenho até foto do simulador, é lindo mesmo.

Eu trabalhei muito com isso também, faz o negócio do simulador na JetBlue. Você tem muita experiência, ele é um avião cortado, praticamente, né? Avião cortado, faz o mundo… Não, é, no, no head original da Azul era do estúdio do Google. Ah é? Que legal! Sabe, o programa do… Então é, para colocar o simulador tem que quebrar, o… Era feito para som, né, no estúdio, mas tem que quebrar e fundar um pouco para deixar o… O que não cabe, para deixar o simulador caber dentro desse estúdio.

Caramba, né? Eu não sei quando ele saiu de lá, o que que eles fazem lá para colocar de volta.

Mas e sua saída da Azul, em que momento aconteceu? Quando você resolveu sair? Que momento que foi?

É, eu, eu, na, na época, eu tinha várias ideias, né? Eu tinha alguns planos de negócios eh e é o momento para eu… O momento de voar, né? Eu estava… Eu estava fechando negócios para comprar os aviões de… Desculpa, de ATR. Eu estava em Toulouse com, com o John, com o David, e o dia seguinte eles voltaram para os Estados Unidos. Eu, eu ficava numa feira de aviação onde anunciaram a compra dos, dos aviões. Eu estava com o CEO do, eh do ATR, Filippo Magnato. ATR é uma companhia aérea, eles fabricam o… Os aviões turboélices da ATR, né? Tá. E o mesmo do, do do… O do Embraer, no início a gente faz a compra em 45 dias do… Desse de pedir que eu, né? Eh eu vou atrás desses aviões, tinha proposta já e eu comecei a trabalhar com a proposta deles para, para fazer essa compra. Mas normalmente demora muito mais. E quando tá falando… Quando a gente fecha esse contrato com, com a Embraer, eh a gente tinha essa, essa… Um jantar para celebrar os caras lá. E, na época, é o Botelho, tá? Lembra o, o CEO na época? Mas você fala comigo, eu acho o seu chefe não entende o que você fez agora, porque é um milagre fazer tudo isso em, em dois meses. Sim. Que nem abrir conta no banco em dois meses aqui, às vezes, sabe? Demora.

Sim, sim, total. E é verdade, a nível Brasil é verdade.

E burocracia, sabe as coisas? E fala que tem… Tinha o time da LOT, polonês, né? Eh tentando fazer uma compra de aviões, tá lá com o time de 15 pessoas e tá há um ano e meio negociando, rolando para conseguir fazer o que você fez em menos de dois meses, conseguir. Sabe, tipo, uma coisa que essa que ele é impossível. O que você fez foi quase impossível mesmo. E mas é o lado do David, não quer saber, primeira coisa: “Bora, tá, tá, tá bom”. E quando você vai para o David: “Acabei de conseguir montar uma companhia aérea no Brasil em dois meses”, e aí quando que voa, bom, é, é isso. Mas também é, é um… Uma forma de pensar também para não ficar: “né, muito tempo no ‘ah, parabéns'”. Mas e aí? “Bora, vamos tomar, vai, vai”, sabe? Tipo, é uma coisa que aprendi muito trabalhando com ele, né? O… Uma, uma… Um jeito de pensar. E o time é muito bom, o John Rogerson é o cara que, né, e a gente… A gente brigava muito na época, né? Mas hoje em dia entende muito bem que o, o como o cara é muito bom com, sabe, com… E controla o custo e planejamento as coisas, como liderar as coisas, sabe? Tipo, ele era bom nisso, né? E, mas não é porque a gente tem nossas diferenças, não, a gente tem… Tem isso. Acho que a gente vê um entendimento muito melhor hoje em dia, né? E, eh né, uma coisa que fica… Depois eu saí de lá, eu fico muito feliz que estava, né, especialmente essa crise, a coisa do Covid, a crise financeira, sabe? Tipo, essas coisas. Tem, tem ele lá gerenciando isso. Você pergunta essa aqui para mim na época trabalhando junto? “Não, ah, é”, sabe? Tipo, não fala, né, nem ele fala bem de mim da época, mas ao mesmo tempo você vê o valor da pessoa e a capacidade da pessoa. Caramba, a gente brigava, mas ele tinha… Ele era muito bom e ajudou muito agora os coisas que enfrentou, né? Eh, eh porque que quando eu saí de lá, por muito tempo, eu achei que o meu investimento lá, as ações que eu tinha na companhia, não iam valer nada, sim. Sabe, tipo, sim, sim, sim, não, esquece, esquece, é o troço, eu não, não vai ganhar nada com isso. Então, eh e, né, não… Ele, né, com todos os problemas, conseguiu abrir o capital. Eu, eu saí de lá quando eu estava pronto para abrir o capital, mas não era o momento no mercado. Sim. Eu, eh eu falei do Itaú porque quando eu fecho o contrato com eles, eles foram embora, eu tinha esse almoço com com o Felipe bagnato e, e ele fala uma coisa tipo, eh que ele jogava tênis e o técnico dele fala que, quando ele tá jogando o jogo da outra pessoa, ele não tá jogando o jogo dele. E então ele tenta falar para mim que eu, sabe como faz tudo isso, tá jogando, né, ainda entende? “Tá jogando, jogando. Por mais que você participa disso, você tá jogando o jogo dele, sabe? Tipo, vocês sabem fazer isso, então joga seu jogo”, sabe? Tipo…

Sim, te provocou nisso.

Provocou para eu começar fazendo, né? E então eu saio com pessoas muito boas também, sabe? Tipo, pessoas que vêm comigo, pessoas que investem comigo no início. Foi, né, basicamente não porque tava a pessoa com nome à frente, a pessoa…

Pessoas que acreditaram em você.

Eu fazia um lugar, é porque tava fazendo exato. Mas também não só a pessoa à frente de mídia, não com isso, né? Eh não pode negar que eu sou co-fundador da companhia, eu tava lá antes, né? A maioria… Você, você na verdade fundou a… Tava lá fazendo essa parte com outras pessoas, né? O Trey, o John, sabe? As pessoas estavam fazendo, mas pro time. Mas o pé no chão, mão na massa no Brasil, não, não… Fui eu, sabe? Tipo, essa parte eu estava negociando com a Gávea, fechando o negócio. Teve uma época que um, o cara da Gávea, que eh quem morreu alguns anos atrás, cara brilhante também, o outro gringo, o Chris, eh ele me ligou e fala que a gente tá fora, e eles são a âncora, porque para para investidores estrangeiros lá fora, precisa de alguém aqui, uma âncora, né?

Para fazer… Âncora para ser responsável, para…

Sabe, mais perto de… Ó, então se a Gávea sai, ferrou, ferrou! A Gávea sai também, tudo. E a época de começar a crise da liquidez no mundo, o subprime, tinha a crise do subprime. Então o dinheiro fica raro, sabe? Investimento, as coisas começam… Começa isso. Você… É uma coisa porque tem que… Eu trabalhei tanto para fechar a coisa rápido porque até eu tava sabendo, a gente, a gente tá um dia mais perto da próxima crise, do próximo sabe? E se acontecer, vai melar tudo. Vai melar tudo, toda a negociação. Não existe a Azul, né? Isso aí aconteceu. E o, o Chris, da época, eu tenho que chamar para… Aí sabendo, você cai o troço, pode, né, não vai fechar. Eu tenho que chamar ele e sento com ele e convenço ele de que eu posso proteger o investimento dele, sabe? Que eu tenho algumas coisas que não… Ele pensa: “Ah, muito risco”. Isso aconteceu? Aconteceu, porque o jeito de estruturar a companhia para proteger o, o David, independente de não, não colocar eh o parte financeiro, a gente mais alto que a gente tem o controle da companhia total, sabe? Essa, essa coisa que esses macetes, né? É o jeito, é a governança, como faz isso, como estruturar a coisa de forma que o investidor tá, tá confortável. Exato, mas também ele, ele tem… Ele não tá no risco. Se der algum problema, é a gente que faz as coisas, a loucura, mas também a gente tem o controle, protege ele contra vocês caso quisessem fazer besteira, mas também protege eles contra qualquer risco que tivesse e, e proteger o, o, o David para não ser, né, atropelado criando os negócios. Então essa parte não é… É o cara, né? Você criar, né, faz… É essa coisa que o, o parte de governança… E você, você saiu da Azul quando? Em que ano?

Deve ser uns 12 anos atrás, caramba. É a coisa que, é faz tempo. Eu, e quando eu saio, eu estava preparado para fazer o, o IPO, abrir o capital, estava já começando a negociar o do… Da TRIP com o Caprioli e a Renan, as coisas do do… Da Águia Branca, começou isso. Mas eu, essa foi fechada depois… Você saiu um pouquinho antes do IPO da Azul? É, é, não, é faz tempo antes. Mas eu, meu papel foi deixar a companhia preparada. Tava feito. Tava feito. E quando eu saí, eu, eu, eu… Um, um tempo para mim, tinha cinco, pelo menos, planos de negócios, caramba. E eu acredito que que a maioria deles funcionaria até hoje. Se… O que que fazer, é porque é o… São para uns negócios ainda que é o que ninguém sabe, ninguém fez, ou coisas que têm sentido ainda, sabe, para fazer. Só que na época eu tenho que escolher o que é melhor, o que é o maior negócio e a maior oportunidade. E a coisa era, era a Modern mesmo, essa, essa, essa… Buraco de logística.

Logística! Falei, a gente ganhou o top startups do LinkedIn, acho que em 2018, alguma coisa. Mas o amor de Deus… O David… A gente… David falou: “David, ó, j…”. A gente, a gente já estourou no tempo, mas eu quero falar da Modern pra gente finalizar, porque eu preciso te… Preciso falar do teu projeto de hoje, né? A Modern, é Modern, Modern, Modern ou se… Mas é o… Saí faz um tempo, saí do de ser o CEO da companhia. Sim, é, é o… Agora eu sou, sou acionista.

Acionista? Você, você criou a empresa?

Criei a empresa.

Tocou a empresa?

Toquei a empresa.

A empresa colocou um faturamento de mais de 150 milhões?

Caramba! E o, o… Quanto que é o faturamento hoje? É, é… Tem esse detalhe, nem sabendo, mas muito mais, é… É o troço… Eu não, é o… Você chegou em 150.000… É 1… Não, milhões, é. É a coisa, porque eu, eu, o, o, o plano era para, para criar o, o, o essa eficiência. Eu não estava focado muito no… No… Isso que que conflito com a tua ideia nessa empresa foi: eu quero facilitar e, e, e, e desatar esses nós da logística brasileira. Eu quero… Eu quero criar um eixo para o país que não é essa eficiência que não existe hoje, sabe? Uma coisa que, que eu vejo da época, eu, eu, eu, eu fiz o Azul Cargo dentro do Azul, né? Eu vejo dessa… Um parte faz essa parte do, né, do transporte, mas veja, ninguém, ninguém tá fazendo essa parte no, no… Pensando na eficiência logística. E, e a companhia aérea parceira tem uma missão exata, né? A Azul agora tem cargueiro, na época não tinha, só tinha essas franquias de, né, que faz parte do pacote pequeno, faz essas coisas. Mas para criar soluções de logística, né, para, para e fechar essa cadeia total, ferroviária… E você teve essa visão?

Visão. Porque como… Porque eu vejo que não tinha o… Não tinha o avião dedicado, por isso tinha cargueiro fazendo só o transporte que é commodity. Não é… Nunca quer ser commodity, é a pior coisa. Mas dentro dessa, dessa logística no Brasil, não tinha algo com eficiência. O dono do armazém do Norte não é o mesmo do Sul, não é o mesmo do Sudeste, e então tá tanto, tão desconectado, sabe? O foco não é esse. Essa… E essa toda eficiência é um valor total, sabe? É um custo extra, um custo: passa por aqui, passa por aqui, passa por aqui, passa por aqui. E se você pode voar para o Sul, para voltar para o Norte, sabe? Esse tipo de coisa, você, você, eh criar solução para isso e, e espalhar dentro, tipo: “ah, a gente faz isso para a Samsung no cliente, vamos fazer isso para a Motorola, nova”. Você ganha o prêmio fazendo esse trabalho, sabe? Tipo, “mas você faz isso legal, você por que não pode fazer outras coisas?”, sabe? Tipo, várias outras coisas. Vai ao cliente e, e cada um, eh vai se beneficiar com essa escala. Você começa criando, sim. Só que é uma coisa que não… Às vezes é difícil para as pessoas entenderem a visão. E, e eu quero ganhar, eu quero ganhar para o longo prazo, sustentável, não, não hoje, hoje: “ah, porque eu… Ah, mas você fala que tem o poder do pricing”. Sim, mas não é hoje para usar isso, exato. Eu quero… Você tem, você tem que resolver primeiro o problema, aí depois você ganha mais. Tem um valor para o cliente mesmo, é para ser integrado tanto, sim, sabe? Que é o, o… Coisa que o dinheiro vai vir. Vai vir porque você… É porque sei que, você fazendo algo que ninguém tá fazendo, não tem o, o, o… Solução alternativa que não… A pessoa que demora 5 até 15 dias para as coisas chegarem na Central West, faz em um dia, nunca vai voltar para… Mas se você só serve eles, esse mercado vai sofrer. Mas imagina você servindo o país todo, caramba.

Legal essa visão, né? E, e… Mas também essa coisa, acho que o investidor não é… E, e o investidor às vezes quer o dinheiro rápido. É, não tem também. Ele fala: “tá bom, entendi, mas eu quero a grana”. “É, eu quero o retorno, eu entendi essa parte também, mas andar os dois caminhos”. Eu acho que você quer criar uma solução grande para a sociedade, entender que o jogo mesmo, o jogo não era ter lucro hoje, é tá… É o troço… É o sucesso é conquistar o cliente com essa, esse nível do serviço que ninguém tá fazendo, é isso. E, e repetindo isso em outros lugares: eu preciso de muito investimento, preciso mesmo. Mas quando eu tenho essa, essa cadeia eficiente, outro país… É isso aí. E sabe o que eu, eu deixo você com isso? É, eh muitos anos atrás, 1871 talvez, 91… 1871, acho, tinha um plano para o país para criar esse eixo, porque as eficiências era o plano de Rebouças. O plano de Rebouças. Rebouças. E os irmãos Rebouças tinham uma, que era até… Era amigo do, do Dom Pedro, e tinha um plano para criar essa criatividade no, no país, na malha fluvial, trem, tinha uma plano, essa capilaridade tava de criar essa capilaridade, isso. Mas não foi feito. Mas imagina a gente fazer essa, essa infraestrutura e antes de 1900, nossa, qual… Como você… O país… A gente era outro país.

Outro país, sabe?

Um outro país, a gente estava pau a pau com os Estados Unidos. Mas depois de Rebouças, quem tá pensando nisso agora? Agora é o Gerard.

Não, mas é… Sabe, tipo, isso é um, é o… É aquela é aquele… Volta, a gente, a gente para, volta naquele pensamento: se alguém tiver que fazer, por que não eu? É isso aí, é essa a cabeça, Gerard.

Cara, que prazerzaço, obrigado por contar tua história aqui, sério. A tua história é inspiradora. Você é um cara… você é um cara que pensa realmente fora da caixa, fora da estratosfera, cara. Obrigado mesmo. E de novo, é um prazer tê-lo aqui. Acho que essa história vai inspirar muita gente. Eu vou colocar o teu arroba para a galera te seguir no Instagram, tá? Tá aí, a galera troca ideia, chama o G… O G é super acessível, gente boa demais, gente. E, gente, todo esse essa infraestrutura, esse esse cenário, esse audiovisual, esse conhecimento de qualidade, tudo isso tá de forma gratuita aqui na internet graças aos nossos patrocinadores. Então, eu quero começar agradecendo os nossos patrocinadores, beleza? Depois vou fazer um cortezinho e é isso aí. São todos os patrocinadores que nos ajudam bastante e, graças a eles, a gente tem esse conteúdo de qualidade. Meu caro Gerard, muitíssimo obrigado mais uma vez, cara. Obrigado pela pela disponibilidade, obrigado por vir aqui trocar ideia, contar os as histórias desde a máfia chinesa até a Azul Linhas Aéreas. Cara, muito, muito, muito obrigado mesmo. Parabéns pela tua história, pode ter certeza de que a tua história inspira muitos empreendedores, como inspira a minha, de realmente olhar pros problemas — como você já passou por vários — e manter a cabeça firme, chorar por dentro, mas lá fora tá, tá firme. Como olhar problemas grandes e falar: “por que não eu para resolver esse problema?”. Parar de ficar só reclamando da situação, mas tentar olhar, puxar o fiozinho e entender o que que tá acontecendo. Cara, é uma inspiração mesmo, mais uma vez obrigado mesmo pela oportunidade para trocar ideia.

E desculpa se eu, eu… Eu fiquei um pouco sem jeito…

Não, só as histórias dão… Dá vontade de fazer um podcast de 5 horas contigo, viu cara? E, cara, eh te convido, meu, sério, para… Vamos nos aproximar depois e marcar um dia de almoçar e tudo mais. Direto eu tô em Alphaville, vamos trocar ideia, tem muita coisa legal pra gente trocar ideia. Eu tenho um grupo de mastermind também, que é um monte de empresários que a gente se junta para falar várias coisas. Vai ser um… Vai ser massa tê-lo lá com a gente contando essas coisas, vai ser… Meu, a galera… As histórias que você tem, eu tenho certeza de que tem muita gente querendo ouvir, cara. Então fala mesmo, porque a galera tá, cara… Eu tenho, eu tenho 200.000… Não, mas essa por isso… Às vezes eu falo aqui, falando lá, galera… Mas a galera, a galera, meu, pode ter certeza: com a tua experiência, com a tua bagagem, muitos empreendedores eh pagariam para estar do teu lado só para ouvir essas histórias, porque isso aí é aula, cara. É lição para quem tá, tá empreendendo. Então, mais uma vez obrigado.

Mais uma vez obrigado.

Estamos juntos. E você que ficou aqui até agora, muito obrigado por ter acompanhado até o final. Aqui embaixo tem vários botõezinhos, clique em todos para engajar, compartilha com teu sócio, compartilha com teus amigos. Sucesso, até a próxima, valeu!

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