Alocação de Capital, O Mito das Apostas e o Mude o Seu Mundo com João Henrique da Fonseca (JH da Fonseca) | Além do CNPJ (EP #028)
A Ilusão dos Ganhos Rápidos no Mercado de Capitais
No cenário de negócios no Brasil, muitos empreendedores que acumulam liquidez após anos de esforço acabam caindo em uma armadilha comum: acreditar na promessa de enriquecimento acelerado via produtos financeiros complexos, moedas digitais e apostas de alta volatilidade. A busca por atalhos costuma drenar a energia e o caixa de quem levou anos para construir um patrimônio sólido na economia real.
No mais recente episódio do Além do CNPJ, apresentado por Felipe Cassola, recebemos João Henrique da Fonseca (conhecido nas redes como @jhdafonseca), fundador e gestor de um Multi-Family Office responsável por administrar fortunas de grandes famílias brasileiras, além de autor do romance Aimar.
Em um papo direto, denso e sem filtros politicamente corretos, Fonseca desconstrói o sensacionalismo do mercado financeiro da Faria Lima, diferencia os investimentos reais dos meros “colecionáveis” e explica por que a estabilidade de um país e a proteção do seu caixa exigem uma visão técnica de longo prazo.
1. A Cura pelo Infortúnio: A História que Moldou o Gestor
A trajetória de João Henrique é marcada por um evento de superação na infância. Filho de pais de origem humilde — o pai colhia café na infância e a mãe, algodão —, aos 8 anos de idade ele foi diagnosticado com um osteossarcoma (câncer ósseo agressivo) na perna esquerda após uma queda banal.
A vivência nos corredores do Centro Infantil Boldrini, em Campinas, aliada à postura de enfrentamento direto de sua mãe e uma experiência de fé vivenciada durante o tratamento, curou a doença e moldou sua maturidade precocemente. Aos 13 anos, ele já utilizava economias para trocar dólares e investir em ações na Bolsa de Valores.
“Ter tido câncer foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, porque moldou quem eu sou hoje. Quando você passa por um evento limítrofe muito cedo, você entende o valor real do tempo, da disciplina e da retaguarda familiar. Tudo o que veio depois foi consequência dessa preparação.”
2. Ativos Reais vs. Colecionáveis (Collectibles)
Um dos grandes momentos da entrevista é a diferenciação analítica trazida por Fonseca entre o que é um ativo produtivo e o que é apenas um objeto colecionável (collectible).
Para a gestão profissional de grandes fortunas, a alocação de capital não se pauta em especulação ou mania de mercado, mas sim na capacidade do ativo de gerar caixa recorrente (cash flow).
[Capital da Família/CNPJ] ➔ [Alocação em Ativos Produtivos (Ações/Imóveis)] ➔ [Geração de Caixa e Dividendos]
| Categoria | Definição Técnica | Exemplos do Mercado | Raciocínio de Longo Prazo |
| Ativo Produtivo | Bens ou títulos que produzem renda intrínseca e dividendos independentemente da venda. | Ações de boas companhias, imóveis alugados e títulos de renda fixa. | Sólido: O ativo trabalha e gera valor sozinho pelo fluxo de caixa gerado. |
| Colecionável (Collectible) | Bens cuja valorização depende exclusivamente de um terceiro disposto a pagar mais no futuro. | Criptomoedas, relógios raros, obras de arte, carros antigos e vinhos. | Especulativo: Não produz renda intrínseca; depende da mania ou escassez da tese. |
3. A Drenagem de Renda: O Perigo das Apostas e das Criptos no Brasil
Fonseca expressa profunda preocupação com a distorção do consumo no Brasil. A proliferação das apostas esportivas (bets) e da especulação desenfreada em criptoativos drenou a renda da classe média e das populações vulneráveis.
A massa salarial no Brasil cresceu nos últimos anos, mas o endividamento das famílias não cedeu porque o capital excedente foi canalizado para a promessa do ganho fácil. Em vez de formar uma base sólida de investidores em Tesouro Direto ou ações de empresas perenes, o brasileiro médio foi empurrado para o modelo do “cassino digital”.
“Se você está investindo com euforia, empolgação e a sensação de estar num cassino, você não está fazendo investimento — você está apostando. O verdadeiro investimento é monótono, técnico, lento e baseado em fundamentos de balanço.”
4. A Filosofia do “Mude o Seu Mundo”
Ao ser provocado no encerramento do episódio para deixar sua mensagem final caso fossem seus últimos momentos de vida, João Henrique deixa uma reflexão profunda sobre o impacto individual:
-
Descubra quem você é: Conecte-se com seu propósito e pare de tentar viver para atender às expectativas do algoritmo ou de terceiros.
-
Mude o seu mundo (não o planeta): Esqueça a obsessão ingênua de tentar salvar o mundo inteiro e concentre sua energia no seu microcosmo — sua família, seus funcionários, seu bairro, seus clientes e seus amigos.
Quer aprender a proteger o patrimônio da sua empresa, fugir de armadilhas especulativas e entender a macroeconomia na prática? Assista ao episódio completo agora mesmo!
Ler Transcrição Completa
Eu falei assim: “Ganha dinheiro?”. Falou assim: “É”. Eu falei: “Pô, então tá fácil”. Um dia lá, chegamos lá, cara, tinham assaltado a Log. Parece que essas coisas acontecem quando você tá prosperando. Quando você tem raiva, você canaliza ela e vira combustível, cara, executa. Independente se você não sabe tudo, você vai aprendendo no processo, vai pro front, vai vender, vai faturar. O mercado é grande. Como é que você vai fazer para você se diferenciar disso? Só que às vezes o cara não conhece a segunda página. A caminhada do empreendedor é isso, cara: você tem que abrir mão, tem que ter sacrifício. Porque tem coisa que funciona para um e não funciona para outro. Não era o certo, é porque a gente tava tão [ __ ], porque acho que era o único jeito deles receberem. É você não se conformar com a derrota. Eu me recusei a fracassar, por mais fracassado que eu estivesse.
Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vinda a mais um episódio do podcast do Além do CNPJ. Tô muito feliz de você estar aqui, quero agradecê-lo e, principalmente, quero convidá-lo a sentar-se à mesa, porque a gente vai trocar uma ideia e eu quero que você tenha essa percepção de estar sentado com a gente para trocar uma ideia de bar, para conversar sobre as coisas do dia a dia, conversar sobre a experiência e a trajetória do convidado, e é isso. Eu quero que você se sinta bem confortável com esse papo, coloque na sua TV, no seu celular e fique à vontade com a gente trocando essa ideia. Hoje eu tô com um convidado, cara, eu tava até nervoso. Acordei e falei pra minha esposa assim: “cara, eu tô ansioso pra, pra entrevista de hoje”, porque é um cara de quem eu sigo, cara, não perco um story desse, desse cara. Eu tava conversando aqui nos bastidores, falei: “cara, você tem que ir pro feed”. Já tava enchendo o saco dele para transformar ele logo num influencer. Eu falei: “você tem que ir pro feed, cara”, porque a mensagem que ele tem, o conteúdo que ele posta, a acidez que ele traz a alguns assuntos junto com humor, junto, cara, é muito bom. A sequência de stories que ele traz diariamente pra gente, com ainda muita informação, cara, é muito, muito, muito bom de verdade. E se vocês não seguem, assim que eu apresentá-lo, já pega o arroba do Instagram dele e já segue imediatamente. É conteúdo obrigatório, sem brincadeira. Quem me segue e gosta do meu conteúdo e compactua com as minhas opiniões, pode ir de olho fechado, certo? Até porque muitas das coisas que eu posto também bebo da fonte do conteúdo dele. E ele trabalha no mercado de investimentos, tá todo dia… é um Faria Limer, tá todo dia na Faria Lima e, e é um cara muito verdadeiro, muito, muito vida real, é um cara que troca ideia, fala de sentimentos, é um cara sensível no sentido amplo da coisa, cara. É um cara, é um cara muito, muito legal. Tô muito feliz de conhecê-lo pessoalmente e tô, como falei, tô ansioso aqui por esse papo, porque é uma pessoa a quem eu admiro muito. Então, cara, queria, queria agradecer primeiro por você ter topado o convite e quero aqui apresentar o João Henrique da Fonseca, meu parceiro JH da Fonseca, como o pessoal te conhece. Cara, obrigado.
Felipe, pô, depois dessa introdução aqui, fico até sem jeito. Falou que ficou ansioso pra entrevista, eu mais ainda, porque eu não sou influencer, né, cara? Exato, eu tava falando para você virar influencer, cara. tava falando do feed. Foi bom. Meu feed é sagrado, é família, amigos, uma coisinha ou outra. Até porque eu não montei o Instagram pensando nisso, montei o Instagram para postar as coisas que eu gosto, da minha família, amigos. E nos stories eu sempre usei, sabe aquele boneco da academia, o sparring da porrada ali? Eu sempre usei o Instagram para desabafar: política, filosofia, mercado. Coisas… É muito legal, cara, e aquele negócio foi crescendo, mas nunca foi o objetivo. Tanto é que eu não ofereço produtos, não falo de produtos específicos. Até acho que seria antiético com, com os meus clientes. Não, eu vejo que algumas pessoas perguntam coisas para você do mercado financeiro e tudo, você fala: “cara, isso aqui, esse não é o… para isso”. Falar: não vou falar, não vou falar de produto. Acho até uma irresponsabilidade falar de um produto específico. O indivíduo vai lá e adquire por conta do negócio que você falou e você não tem contato, não consegue fazer a gestão daquilo. Até, aproveitando, né, toda essa, essa introdução aqui, deixa eu te dar um presente, que é o mínimo, né?
Opa, obrigado, meu caro.
Aí eu escrevi aqui. Não tem absolutamente nada a ver com o mercado financeiro, é um romance, uma ficção. Queria te dar um exemplar aqui.
Putz, meu caro, obrigado. E esse, e esse no… Ah, caraca! Esse aqui…
Esse é edição limitada, deu um erro aqui na lombada do livro: em vez de escrever ‘Fonseca’ na frente e ‘Fonseca’ atrás, deve ter uns 200 exemplares desse, esse aqui já tem gente procurando, querendo pagar mais caro. Foi no Mercado Livre, edição ‘Fonces’.
Caraca, obrigado, cara. E, cara, o, os reviews que eu vejo do, do Aimar, a galera falando…
É, por enquanto tá indo bem na Amazon. Eu acho que em algum momento vai aparecer alguém que odiou o livro, e isso é esperado e natural, mas por enquanto tá indo estranhamente bem lá na Amazon.
E, cara, é o que o pessoal tem falado, é sucesso máximo. E eu vou entrar nesse assunto, vou deixar ele aqui, obrigado pelo, pelo presente. Vou deixar ele aqui e daqui a pouco eu vou trazer ele de volta, porque eu quero falar sobre ele: como que um, um cara que trabalha no mercado financeiro escreve um romance? É muito legal essa, essa sua variedade, sabe, de assuntos e tudo mais. Eu gosto também de você trazer assuntos complexos, polêmicos hoje em dia ainda na internet, que tudo é polêmica, tudo é mimimi, nada pode, nada, nada é bom falar, você tem que… E ainda assim, cara, você é um cara que, ao contrário do que muitos falam, e pregam, e dizem, e agem, você não é um cara que tá a favor de separação e de briga. Você tem amigos esquerdistas. É uma coisa que eu sempre falo isso também, eu tenho amigos de… Eu fiz Relações Internacionais e, no meu grupo de amigos do WhatsApp, a gente fala: tem a bancada do PSOL, a bancada do PCdoB, daí tem o pessoal do P… É isso, é isso. Isso é essencial. Inclusive, eu estudei Relações Internacionais, cara, era esquerda a minha sala. Eu era do contra. Inclusive, naquela época eu era de esquerda, sabe, jovem universitário. E aí, cara, participei de manifestação para derrubar o reitor, mas depois eu, eu ganhei lucidez, graças a Deus. E aí, é cara, mas é isso, eu tenho amigos da época de que a gente discutia muito e tudo mais, e que depois que eu comecei a defender mais a direita, entender e tudo mais e mudar minha opinião, eu mantive amizade com essas pessoas. A gente tem uma conversa super ótima, sabe, de política, discussão política mesmo, sabe? Mas você levar pro pessoal, que é o que o pessoal desaprendeu… E, cara, são pessoas muito queridas. Um dos meus melhores amigos é de esquerda.
É, eu acho que tem alguns… Algumas pesquisas, inclusive, se olhar, tem uma pesquisa do Pew Research lá nos Estados Unidos que fala inclusive isso: eh os conservadores têm uma propensão maior a não abrir mão de uma amizade por conta de, de opinião política. Eu acho que tem uma explicação lógica para isso: a gente tem uma… A gente valoriza muito o indivíduo, o microcosmo. Exato. Então eu não vou abrir mão de um super amigo, não vou abrir mão de um bom médico por, porque ele é de esquerda ou alguma coisa assim, ou porque ele discorda de mim. Até porque eu, eu acho que você não deveria comprar o pacote. O pessoal fala: “ah, mas você é de direita”, cara, se você olhar a fundo, vai ter certamente várias nuances minhas onde eu tenho muito mais afinidade com a esquerda. Eu acho que a gente deveria ter pensamento independente.
Exato, é porque é uma caixinha que as pessoas tentam colocar isso.
E não se colocar em caixas e não abrir mão do indivíduo, porque no fim do dia ninguém tá nem aí pra gente. Se eu olhar ali em Brasília, ninguém tá nem aí pra gente. Se olhar as pessoas, quem tá preocupado com a gente é nossa mãe, nosso pai, nossos amigos, nosso vizinho, nosso médico, a enfermeira que cuidou de você no hospital. Esse microcosmo é o importante para você, e não opinião, opinião política. Política você joga uma coisa extremamente radical, né, o cara defende o extermínio, aí, aí você começa a ter alguns problemas, você tem alguns problemas. Senão não, para que brigar por conta de política? Mas eu acho que parte de eu não brigar… Eu inclusive falo: não bloqueio ninguém, nada. Eu acho que a hora que você vai ver, tem muita origem lá de trás, desde a minha infância, tal, sempre foi muito importante para mim os indivíduos, eu nunca consegui ver a sociedade assim como um coletivo ou uma massa onde você tem que priorizar, assim, pelas caixinhas: isso aqui não, quem fez milagre na minha vida foram, com a ajuda de Deus, graças a Deus, indivíduos. Foi o médico que cuidou de mim, foi a enfermeira quando eu tive câncer, por exemplo, e, e quem me ajudou na escola, os professores, os professores, o coleguinha, o coleguinha que me carregava porque eu não podia andar, né, quando era mais novinho. Então são indivíduos que vão formando a nossa vida, e não um, um, um instituto. Exato. Uma, uma sociedade que se define por adjetivos prontos. O Estado não vai pegar você e vai cuidar de você, você não vai ter uma instituição que vai fazer tudo isso, né? Quem vai fazer são os indivíduos envolvidos na sua vida. Achar que a sociedade é uma coisa única e que defende os mesmos interesses e pensam igual é, no final, uma visão um pouco romântica sobre a vida, porque eh é idealizado. E faz sentido você pensar nisso no Brasil, né? Eh a gente tem um país latino, e eu sou católico, então posso falar, sou católico, sou bastante religioso, mas posso falar que acho que a Igreja Católica tem um papel prejudicial na América Latina. A gente tem uma mentalidade muito diferente dos países saxões. Se você pegar os países anglo-saxões… Tem até um livro que chama eh A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, é um livro do Max Weber e trata isso. Ele fala como que o protestantismo conseguiu tirar aquela coisa de, de vítima, de ser rico é ruim, de não adianta se esforçar. Uma coisa meio paternalista, né? Falando patrimonialista… Tava falando paternalista, eh enquanto a, a influência latina, católica aqui na América do Sul, você predominou uma visão mais paternalista: eu preciso ter um Estado, um alguém provedor, né? Então Deus, a Igreja… E no limite isso acaba… Isso acaba sendo transmitido, essa, essa figura pro Estado, né? Então ela é, ela é… A gente tem uma sociedade paternalista tanto de baixo para cima — ou seja, quer o, o Estado ou alguém que vá e resolva —, quanto de cima para baixo. Quem tá em cima também não resolve, porque é muito fácil criticar quem tá embaixo em situação ruim e querendo alguma ajuda, sem fazer também porcaria nenhuma. A elite brasileira doa muito pouco, faz muito pouco, total. Se você comparar com a elite americana, a elite americana jorra bilhões, mais de meio trilhão de dólares por ano eh em filantropia. E no Brasil, não, porque a mentalidade lá é outra, olha: quem tá em cima tem que ajudar quem tá embaixo, quem tá em cima enriqueceu de modo eh nobre, justo, foi virtuoso, e quem tá embaixo precisa se mexer, mas também tem gente em cima te ajudando a subir as escadas e não, e não vendo eles como “ah, nós contra eles”, como muito… Não, por isso que você vai assim, em algumas universidades americanas, isso tá mudando, mas em geral você vai nas universidades americanas, você vai lá: Salão Rockefeller, Salão de Carnegie…
Exato, da galera que tá investindo no, em, na base.
Isso, porque são os capitalistas que, [ __ ], subiram muito, cresceram muito e devolveram isso pra sociedade: montaram uma biblioteca, montaram um auditório, montaram uma faculdade nova. Eles veem isso com, com admiração, com gratidão inclusive, sim. Então é um ciclo onde embaixo e em cima estão interconectados, e não separados e distanciados, igual a gente tem aqui na América Latina.
E com essa visão de América Latina de depender e esperar isso de um Estado, automaticamente também criam-se figuras que aproveitam dessa, dessa demanda, né, de se colocar como o pai dos pobres, e nós contra eles. É o que a gente vê com o Lula, que o discurso, cara, é exatamente o que… O que que é o Lula? Eu falo que ele é mais um produto. O pessoal adora criticar: “é o PT, o PT…”. Não é o problema, gente, ele é o produto, é o produto da sociedade. Se você olhar a Argentina, se você olhar a Bolívia, se você olhar o Equador, é tudo muito parecido, eles têm os seus respectivos partidos populistas. E outra, eh a Argentina não funcionou bem nem na direita, nem na esquerda, e o Brasil também foi populista, teve experiências populistas tanto na direita como na esquerda. Exato, né? A gente funciona… Né, a gente não tem uma população hoje com maturidade para… Igual os ingleses falavam nos anos 80: “ó, aguentar 11 anos de Margaret Thatcher não gostando dela”, exato. Os caras não gostavam dela, falavam: “ó, não votaria nela para ser síndica do meu prédio ou algo muito perto, mas ali precisa… O paciente tá doente, precisa de um remédio forte”, e tal. A gente não tem essa mentalidade, não tem, vai por… “Ah, de quem eu gosto?”. Ele é, cara, a gente vê pelos comentários da esquerda nas postagens de esquerda, você vê que são as pessoas… Deturpam o que foi falado, deturpam o conteúdo, deturpam inclusive o jeito de analisar aquela situação e falam: “Ah, eu te amo, Lula, o Lula é nosso pai”. É uma coisa muito dessa, assim, é muito paternalista. Acho que até um… Talvez um… Veem ele com carinho assim, uma coisa meio tipo: “eu amo esse cara”.
Maluco. É, eu até entendo as quem votou nele das regiões que foram beneficiadas, né? Teve muita gente que ficou aquele racha no Nordeste, Sudeste, falou: “pessoal, não foi o Nordeste que elegeu o Lula, não”. Aliás, foi a gente aqui no Sudeste. São Paulo. Porque lá eles foram beneficiados, né? Eles foram muito… Pô, nos anos 90 faltava energia elétrica, e fez aquele programa Luz Para Todos, levou luz, eh fez programa de cisterna, fez crédito ao produtor, pequeno produtor rural, então ali é justo. Ali, ali tem querendo ou não, uma certa gratidão, né? E faz sentido. Esse é um voto que, que eu considero super legítimo, que eu não acho… O cara que não foi beneficiado, eh o, o cara que foi inclusive prejudicado no Estado, em estados aqui no Sul, Sudeste, de ver que foram lá e se… Para para analisar, cara, é isso. Aqui embaixo no, no país, foi muito ruim a votação pro, pro Bolsonaro também, cara. Sim, ele saiu com cerca de 8 milhões de votos a mais só em São Paulo em 2018 — eu não tenho o número preciso —, mas eu acho que ele perdeu 4 milhões de diferença só no estado de São Paulo, que é mais do que o suficiente para ganhar a eleição. Desse quatro que ele perdeu, cerca de 2 milhões de delta vieram só da cidade de São Paulo, ou seja, ele praticamente perdeu a eleição só na cidade de São Paulo, porque ele fez 68% em 2018 e fez menos de 60 agora no estado, e perdeu na cidade. Na cidade, o Lula teve mais… O povo fala: “Minas, Minas, Minas”. Ele poderia ter perdido Minas igual ele perdeu, não tem problema, mas as margens dele no estado mais populoso do Brasil comprimiram demais. E, e o segundo… Eu falo que o segundo colégio eleitoral do Brasil não é Minas, é o interior do estado de São Paulo. Exatamente, que o pessoal não divide muito isso. O interior do estado de São Paulo também, ele fez uma… Ele fez uma margem de mais de 70 pontos, 70%. Então ele fez cerca de… Acho que foi 70 a 30, foi 40 pontos de… É muita coisa. Em 2018 essa margem comprimiu, é muito… Perdeu, perdeu aqui, mas… Mas mesmo se você olhar o governo Bolsonaro, como que foi o final dele? Populista, populista, exato. O final dele foi populista.
Então, e, eh Brasília assim, ele só é a oferta de uma demanda que a eleitoral que a gente tem. A gente não tem, igual a gente tá tendo, por exemplo, agora nos Estados Unidos, gente que sai na rua pedindo corte de gastos. A gente não tem. Igual em 2010… Falta consciência na população. Eu lembro, se não foi 2012 ou 13, foi quando explodiu o Tea Party e o Obama perdeu a maioria dele na Câmara, mas assim, perdeu vergonhosamente. Eh perdeu para um movimento que defendia: vamos parar de fazer excesso de gastos, cortar um pouco de gasto social onde não tá fazendo mais sentido. É, é uma população mais madura politicamente. É, por enquanto, né? Estão sabotando, votando bastante, mas você ainda tem uma população que pensa no Estado com balanço, débito e crédito ali, e, e procura votar… Eles colocam as pessoas certas, né? E, e procura votar o que eles chamam de conservative, é o cara… Basicamente é gasta pouco, tentar gastar pouco. Curiosamente, né, o brasileiro é engraçado, e especialmente o brasileiro conservador. Eu acho que a nossa direita ainda precisa amadurecer muito. Quando o Biden foi eleito: “Pô, o Biden é comunista”. Falou: “meu Deus do céu, comunista, né?”. Tá tendo o maior orçamento militar da história. Caraca, bicho, nem sabia. Despejando dinheiro em Israel, despejando dinheiro em… É, mal sabe que o último superávit fiscal consistente dos Estados Unidos foi do Bill Clinton. Caraca, bicho, nem sabia. Foi do Bill Clinton. Se eu falo que se o Bill Clinton tivesse ficado mais 8 anos no poder, né, 16 no total, os Estados Unidos teriam acabado com o dinheiro do mundo porque eles estavam ficando superavitários, ia pagar a dívida pública americana. Imagina os Estados Unidos sem dívida, meu Deus do céu, né? Quebrava o mundo, quebrava o mundo inteiro, né? Então eu acho que aqui a gente precisa amadurecer. Acho que o problema no Brasil não é quem a gente bota lá em cima, né? A população ainda tem muito a amadurecer, achando que é, é quem vai colocar no… Lá em cima de que vai resolver o problema. Não vai resolver, ninguém vai resolver nada. Ninguém vai resolver nada, o Brasil é complexo, é enorme, eh tem muito… Tem muito… Acontece isso muito, né? Tem cara, tem gente se elegendo através de Tiririca, sabe? É umas coisas malucas.
O fato de o Brasil ser complexo, acho que favorece… Países grandes no geral funcionam mal com o presidencialismo, daí vão falar: “ah, mas os Estados Unidos é a maior potência do mundo e é presidencialista”. Eh se pegar os países europeus, altos, né, é isso. Os Estados Unidos é um bicho completamente fora da caixa, os estados têm uma independência gigantesca, então um país gigante e onde as unidades federativas são extremamente diferentes e elas têm liberdade para expressar sua diferença, de modo que você ir na Califórnia e em Oklahoma, você vai falar: “Meu, onde eu tô?”. Mas você vai para Utah e você vai para a Califórnia ou para Nova York, parece outro país do ponto de vista de tributação, do ponto de vista de de penalização do que que é crime, do que que não é, de punição. Exato. Países que têm droga liberada… É, estados que têm droga liberada, estados que… Sim, inclusive tá tendo uma, uma retração agora nessa discussão. Oklahoma botou para votar e perdeu, então foi um primeiro sinal de que a gente tá num ponto de inflexão. Eu acho que vi até stories de aumento de esquizofrenia, estudos que mostram esquizofrenia, aumento de esquizofrenia com, atrelando ao uso indiscriminado de maconha, se eu não me engano. O titular da… Acho que é da Escola Paulista de Medicina, de psiquiatria, o professor Laranjeira, é um psiquiatra, eh fala: esse debate já tá esclarecido aqui. Ninguém quer falar isso, já tem material… Vai… Probatório volumoso na ciência de que a maconha aumenta, e aumenta substancialmente, assim, o, o índice de esquizofrenia, especialmente nos mais jovens. Não querem trazer essa pauta. Não querem trazer essa pauta e outros problemas psiquiátricos, como várias… Como várias pautas woke que não interessam à esquerda, ela simplesmente abandona, ela finge que não existe, ela ignora. É, é assim, eu acho que a ciência tem que ser, se é para ser científico, tem que ser em tudo, exato, em tudo, né? Inclusive, esse é um dos maiores medos que eu tenho hoje em dia, né? A ciência só se viabiliza se você puder questionar. Exato. De que não pode mais… E hoje isso se tornou palavrão. Na semana, não sei se foi semana passada ou retrasada, as grandes farmácias dos Estados Unidos, a CVS e a Walgreens, anunciaram que iam retirar medicamentos à base de fenilefrina, se eu não me engano, no mercado. É tudo o que tá disponível hoje. Disponível hoje em dia para antigripal. Se você for comprar os antigripais, não sei se podem citar nome de marca aqui, for comprar, acho que, se não me engano, Neosaldina, Cimegripe, vai estar este, este componente lá. Pô, esse componente é o mais vendido desde os anos 30, 40, mais ou menos. Chegaram à conclusão que não serve para nada. Demorou… Era um consenso, era verdade de que aquilo lá fazia efeito, passou, não serve para nada, para talvez sirva para outra coisa. Graças à ciência. Graças à ciência, que que questionou aquilo lá. No início da pandemia, quem falava que o vírus poderia ter saído do laboratório era banido das redes, naquela época o Twitter não era… Depois aquilo se tornou não só plausível, como oficial de órgãos de inteligência de, de democracias ocidentais, a própria vacina. E a, a vacina, cara, tem um arrependimento do [ __ ] meu, tomei duas… Eu tomei três. Três, eu acho que ela salvou vidas, e eu ainda tenho uma opinião cética, eu, eu acho… É, eu tava conversando com o médico outro dia, foi… É muito difícil separar o que que é efeito colateral de longo prazo da vacina, do que é do próprio vírus, falou, porque a gente tá entrando em contato com o vírus, falou: “[ __ ] a vacina eventualmente dá uma reação no coração, dá, isso já tá, tá esclarecido já, já tá inclusive lá no site do FDA de que pode dar um…”. Tá, mas o vírus dá muito mais, né? Quando lançaram a vacina da pólio, a pólio deixava… Acho que a cada 1 milhão de contaminados, 50.000… Não lembro agora o, o valor preciso, eh paralisados. A vacina também deixava, só que não eram 50, eram 500, eram 50. Então, ou seja, aí todo mundo: “tá vendo, tomou a vacina, ficou… Tomar a vacina ficou paralítico”. Então você… O seu cenário-base não deve ser não tomar vacina, deve ser pegar a doença, que é melhor pegar a doença do que tomar a vacina, exato. Mas aquele negócio: você não podia nem questionar. É. E que é o problema: você não podia questionar. Traz vacina chegando, e aí: “ah, uma dose é suficiente”, agora duas, “opa, três”, agora quatro, agora cinco. “Ah, 99% de eficácia”, 96, 95, 60 e pouco. Né, cara? Se você olhar a própria, a mídia, a ciência foi se questionando e, e mudando, e aí daqui a pouco agora era 30, aí a AstraZeneca foi banida em alguns países. Esse é o, é o problema da censura. A censura ela parte do pressuposto que você tenha uma entidade onisciente, que, no caso, na minha opinião, só Deus, exato, né, de que consegue separar com precisão aquilo que é verdade daquilo que não é. Não existe verdade, né? Tem opinião. Então a gente precisa deixar o, o, o, o debate rolar, né? Igual o, o Bill Maher, é um apresentador famoso nos Estados Unidos, inclusive progressista, inclusive com, com, com opiniões públicas sempre mais pro Partido Democrata, etc. Olha, eh a gente defende a ciência, tal, isso inclui aceitar questionamentos. Eh e foi, e hoje tá se tornando palavrão. Os que questionaram algumas coisas, falou: “bom, no caso da COVID a gente tem que aceitar a ciência, tudo, etc., mas quando aparece um médico na Suécia falando: ‘olha, veja bem, se você dá puberty blockers, né, bloqueadores de puberdade para uma criança, isso pode afetar a fertilidade dela, pode afetar a densidade óssea dela, pode afetar o desenvolvimento cognitivo dela’. Pô, isso é uma palavra, não, isso é ciência, tem um médico que estudou, fez grupos de controle, chegou à conclusão de que isto aqui é extremamente prejudicial”. Não, não pode falar porque senão é transfóbico. E ele é um cara de esquerda, o Bill Maher levantando esse… Acontece com essas, com essas cirurgias e tudo mais de que, que estão sendo feitas por aí. Tem uma, eu, eu não lembro o nome, mas uma, eu acho que era… É uma mulher trans que ela começou a questionar porque ela começou a ver algumas pessoas que tinham feito a cirurgia já há um tempo se arrependendo, e aí ela começou a levantar essa discussão. E ela tinha um livro… [ __ ] eu não lembro o nome dela, depois eu vou lembrar, vou colocar até nos comentários. Ela começou… Aí ela, ela tinha um livro falando sobre e a, esse universo todo, e ela começou a questionar: “pô, será que vale a pena a gente, a gente, e aceitar que nossas crianças façam isso? Será que não vale a pena a gente e fazer um tratamento psicológico e se, depois de um tempo, na sua maioridade, ela resolve fazer, ela segue com isso?”. Mas, cara, na hora em que ela começou a trazer só esse questionamento, ela começou a ser mutilada pelas pessoas de que a J.K. Rowling… Sorte dela que ela escreveu Harry Potter antes desse assunto, senão teria sido cancelada, exato. Então é… Pode questionar, cara? Essa discussão, essa discussão vai dar muito pano pra manga, especialmente nos Estados Unidos, porque agora foi pro Judiciário. Então isso vai chegar na Suprema Corte americana, você tem hoje um volume grande de ações no Judiciário americano questionando o quanto é uma decisão científica ou o quanto criou-se uma indústria… Uhum. …onde lá na frente quem vai pagar o preço é o ser humano que foi diagnosticado erroneamente e tratado erroneamente. E, e, e, e ainda com uma, com uma, ainda cabeça fraca porque é jovem, né, influenciada. Eh muitas vezes, se você perguntar pra criança, ela fala… Não, para um menino ele fala… Extremamente… É, “eu sou uma, eu sou uma menina”. “Ah, você quer, você quer cortar o, o teu pênis?”. “Quero”. Vai, um exemplo aí. E toma uma decisão de… Tudo bem, é perpétuo, cara. Então, cara, é uma criança. Então, cara, você não poder questionar essas coisas, cara, é ridículo, cara. É… Vai muito além disso até. Só para fazer um, um parêntese aqui, acho que o pessoal tá assistindo, fala: “que que esse cara tá falando de tudo, né?”. Mas esse, esse é o João Henrique da Fonseca. Não, deixa, deixa eu dar um parêntese bom: eu tenho uma gestora, hoje eu trabalho no mercado financeiro, tenho uma gestora de, de, de patrimônio. Esse até, dá até outra coisa, tem que medir as palavras, tava falando com uma menina de marketing outro dia, falou: “olha, eh eu costumo falar wealth“, ele falou: “não, wealth tem muita gente que não, não entende, tem que sair da bolha”. Falou: “tá bom, então gestora de fortuna”. “Não, fortuna é uma coisa meio soa… Ah, não, nossa, nossa, não pode falar fortuna”. Mas é uma gestora de fortuna, eh é no resumo que eu faço, se o cara tiver 5 milhões, você gere? Não, é acima de 10. Não, é, é acima de 10, então, bicho, é fortuna, basicamente o que eu faço hoje é gerir a fortuna de, de, de, de, de algumas famílias, é o que a gente chama de multi-family office. Eh mas acho que tô aqui hoje por conta de todo o contexto de, de falar de outras coisas, né, porque eu comecei muito cedo, né? Eu tenho 32 anos, mas com, com 9 anos eu já pegava a minha mesada, que era R$ 10, ia num doleiro — pode falar, naquela época o dólar paralelo saía no Jornal Nacional —, ia num doleiro que tinha numa esquina, trocava…
Caraca, cara, isso, isso que ia te perguntar, você já tinha essa… Você sempre teve essa consciência financeira? E você já, e você tinha vontade de… O que que você queria ser quando você crescesse, assim?
Cara, eu tive um pequeno conflito, né? Eu acho que eu, no fundo, no fundo, sempre foi mercado financeiro. E não é uma coisa… O povo acha que é do meu pai. Meu pai nem… Odeia ação, não tem nada a ver, ele foi diretor de empresa de multinacional eh e, e hoje reestrutura pequenas empresas e tal. Mas assim, não é envolvido com o mercado financeiro, tal. Aliás, meu pai falou que é um vencedor. Teve, acho que a minha avó pariu mais de 20 vezes, ele foi registrado com nove. Meu pai catava café, caraca, bicho, e, e conseguiu se fazer na vida. E minha mãe catava algodão, então são dois self-made assim, que se conheceram no meio, no meio do caminho. Meu pai passou fome, meu pai falava que sempre falou para mim: a dor da fome é a pior dor que tem. Ele trabalhava em empresa aqui em São Paulo, né, com 15 anos veio para cá, e fala: “cara, comia segunda, terça, quarta, quinta, sexta no refeitório, sexta-feira comia, ficava com a barrigão desse tamanho porque sábado e domingo não tinha comida, só a água da torneira”. Caraca, bicho. Então esse é meu pai. O povo acha: “ah, berço de ouro”, tá… O pai que ensinou. Não, sabe, construiu do zero, nada. Eu me encontrei, né, encontrei meu sentido aí com o mercado financeiro. E eu acho que e começa muito, muito mais atrás, quando eu tive câncer com 8 anos de idade, foi em 2000. Eh e, e acho que eu sempre falo para todo mundo: a coisa, a melhor coisa que aconteceu na minha vida foi ter tido câncer, cara.
Caraca, todo mundo fala: “como assim? Não, não acredito, que desgraça”.
Não, acho que foi a melhor coisa porque moldou quem eu sou hoje. Eu tive com 8, 9 anos de idade, isso mudou. Comecei a tratar com… Foi um ano, mas comecei a tratar no, o último, seis meses do, dos 8 anos de idade, né, início dos anos 2000. Faço aniversário em agosto, terminei no final do, do, do, do ano de 2000. Isso muda completamente a vida de uma pessoa.
Como foi, cara, descobrir isso aí, cara?
Cara, minha opinião, né, o pessoal fala: “pô, como pode o cara tão racional ser espiritual?”. A minha opinião foi Deus: eu caí, bati e fez um raio-X e tal, e descobri muito cedo.
Caraca! É, você, você, você sofreu um acidente?
Não, eu caí, criança brincando, não lembro agora se foi na natação, acho que foi na natação. Caí, bati a perna, daí a perna ficou… Começou a doer a perna. A mãe falou: “deve ter quebrado, trincou alguma coisa, vamos ver”. Foi pro médico, a hora que fez o raio-X, tinha um tumor ali bem pequenininho.
Meu Deus do céu, cara, não acredito nisso!
Foi Deus, cara. É, eu falo ali foi… E era na perna?
Era na perna, na perna… Perna esquerda, foi um osteossarcoma. Para médico que estiver escutando, é um tumor bem grave, bem, bem agressivo. A gente pegou… Tinha menos de 1 cm assim, os médicos falam: “cara, pegou muito cedo, muito, muito cedo”. Foi Deus real, não tem, não tem explicação. Daí eu fiz o… Eu fiz a quimioterapia, fiz no Boldrini, e a cirurgia eu fiz em São Paulo. E tu… A família descobrindo isso aí, cara… E aí é o que eu falo de que você começa a ser moldado como gente, né? Você começa… Você tem um nível de interação com pai e mãe e, e, e observar como eles lidam com isso, não tem como não influenciar, né? E eu falo que lá no Boldrini tinha alguns tipos de mãe. Eu não julgo nenhuma, porque só Deus sabe a dor que uma mãe que vê um filho doente passa, mas tinham mães talvez mais assim, que queriam evitar que o filho passasse dor, e tinham eh mães assim que escutavam o médico de modo mais neutro. E tinha… Eu falo minha mãe tá salva no meu celular como Mussolini, assim, não, não que ela seja fascista, nada disso, porque a gente vem de família italiana, e minha mãe é muito brava. Foi para cima, muito, então a eu e a minha irmã sempre brincavam: “lá vem a Mussolini”. Aprontava alguma coisa, vai vir o chinelo, tal, tamanco. Sim, tá. Minha mãe sempre foi muito brava. E ela no hospital assim foi uma leoa, foi ver o que que tem que fazer. Sempre com uma indignação construtiva, assim, que não se… Como que é? O que que é essa célula? É isso? É isso? Pode espalhar para cá? Tem que… Que exame tem que fazer? Quais as opções? Sabe, buscando o que fazer, querendo entender, e me enfiando no processo decisório, mesmo com 8 anos, explicando para mim: “olha, tem que fazer isso, isso, isso, isso. Vai cair o cabelo. Isso aqui depois vai ter que operar. A gente vai ajudar, vai escolher o médico que vai te operar”, etc. e tal, e explicando tudo para mim. E no começo tinha a chance de eu perder a perna, e ela falou: “ó, a gente vai fazer um exame agora e, dependendo do resultado, pode ser que tenha que…” um [ __ ] perna. Nunca vou esquecer da… A gente tava na sala do médico, ela pediu pra médica desenhar. A médica fez uma bolinha assim: “ó, se parece uma bolinha assim no exame é porque talvez tenha infiltrado a medula, e daí tem que a medula óssea, daí tem que amputar”. Então daí assim…
Caraca, bicho, a sabedoria da tua mãe! Mesmo com, com 8 anos ela já, ela já me enfiou… Tem gente que fala “pô, muito novo”, tal, mas, cara, eu discordo. E também, e e ali a gente começou o tratamento. O tratamento você tinha um protocolo que era o padrão na época, não lembro o nome das drogas agora, tinha um que era muito forte, que tinha mais chances de cura, mas poderia deixar com problema de visão, com problema no coração, com problema na audição — que é a origem do meu zumbido. Eu tenho zumbido agora, tô escutando ele piando. É bem baixinho, no… Bem baixinho, mas é, mas já, já acostumei, acostumou —, poderia deixar um zilhão de sequelas. E daí minha mãe pensou muito e assinou para ir… Precisava a autorização do pai para ir no protocolo pancada, bomba nuclear. Pancada. E aí eu comecei a tratar, fiz acho que uma ou duas sessões de químio. Teve um dia que a minha mãe levou um grupo de oração lá na, na, na hospital, no hospital. Eu ainda nem tinha operado, o tratamento ia durar vários meses, acho que era a segunda sessão. Fizera o grupo de oração e daí, nesse dia à noite, minha mãe tava dormindo, tal, eu acordei assustado, por volta de umas 2 horas da manhã, era de madrugada, tava no Boldrini, no hospital, e minha mãe tava dormindo. Eu lembro até hoje, falei: “mãe, tem alguém no quarto, tem alguém no quarto, tem alguém no quarto”. A janela tava aberta, tinha uma janelinha assim no Boldrini, acho que era de correr, e ela não acordava. Só que eu via que ela tava dormindo. Ah, não acordava, não acordava. E nisso vi alguém entrando no quarto assim, uma luz branca bem forte assim, pela janela, não… Não lembro assim, tava no quarto. Só lembro que eu assustei muito assim, eu vi uma, a mão pegando na minha perna assim, branca.
Caraca, bicho! Tá arrepiado, mano!
É, eu faço questão de falar porque eu acho que a gente tem que dar o nosso testemunho. E eu também, ó, tô tremendo.
Eu cara, tô arrepiado.
E essa mão branca entrou na minha perna assim, puxou. No que puxou, assustei. Minha mãe acordou: “filho, tá tudo bem?”. E eu contei para ela…
Caraca, mano!
…e aí falei: “mãe, tinha alguém dentro do quarto”. “Ai, o que que você viu?”. Minha mãe perguntou: “o que que você viu? O que que você viu? O que que você viu?”. Eu falei: “mãe, eu só vi uma mão entrar na minha perna e tirando alguma coisa”. Daí no outro dia a gente fez tomo, tomografia para ver como é que tava a doença, se a químio tava fazendo efeito, e a médica chamou a minha mãe e falou: “Olha, tem coisas nesse hospital que a gente não explica, o tumor do seu filho…”. Foi no dia seguinte disso aí? [ __ ] que pariu, cara! “…o tumor do seu filho não tá mais lá, a massa…”. Não sei o que que significava, então eu falo… Eu falo que quando perguntam se acredita em Deus, eu falo: seria irracional eu não… Irracional eu não acreditar em Deus. E [ __ ], desde então… E não foi do nada, você teve uma visão? Tive a visão ali, e no outro dia não tinha mais nada. E minha mãe optou por fazer… Continuar o tratamento, né? Quando fez a cirurgia, a gente teve a confirmação total de que de fato não tinha mais nada. Porque quando você tem o tumor ósseo, eles olham lá: que é grau um, a químio não fez muito efeito; grau dois, um pouquinho; grau três, fez efeito, mas você ainda acha uma célula ou outra do tumor viva; grau quatro, que chama, quando aquilo é cálcio, minério, não tem mais célula viva maligna, né, morreu tudo. O meu deu grau quatro, tá tudo… Era um esqueleto, basicamente, morreu tudo o que tinha de ruim ali. E foi embora. E, e foi… Esse ano eu aprendi muita coisa, sabe? Tipo, ia perder o ano inteiro, minha mãe fez estudar, [ __ ] eu não podia ir na escola. Que esperança da [ __ ]! Porque ela tinha que… O negócio falou: “não, você não vai perder um ano”. Ia na escola, pegava a prova, “ah, mas não pode ter aula”, então aprende a estudar sozinho. Acho que muito, muito disso… Caraca, o tamanho… Muito de eu estudar sozinho acho que veio dali, eu tinha que me virar. Então estudava, fazia a prova lá na maca mesmo do, do Boldrini. E, e por exemplo, deixa, deixa sequela, né? Me alimento muito bem, né? Falo “comem demais”, tal, mas as crianças do Boldrini emagreciam muito, emagreciam muito porque vomitam e minha mãe falava: “você vai comer e, se vomitar, vai comer de novo”. E a mãe não liga de fazer o que você quer comer, porque quando rejeita a comida do hospital, era horrorosa, ela pegava o carro, falava: “deixa eu ligar pro meu pai”, meu pai tinha que trabalhar, “vem aqui que eu vou fazer de novo o prato dele, de… A comida, vem aqui que eu vou fazer de novo pro prato dele”, deixava a quentinha, tudo pronto. Então assim, isso me moldou muito, te moldou, te, te fortaleceu, né? Faz a gente… Mudou teu caráter. Isso aí é… Eu falo para todo mundo: acho que quando a gente passa uma dificuldade, a gente tem dois jeitos de olhar, quando o negócio… Meio, “ah, pô, que b… Não merece pena de mim”. Ou, ou olhar com… E eu não julgo também quem, quem, quem, quem olha com esse, porque eu já tomei susto depois de saúde, e eu fui muito mais fraco do que quando com 8 anos do que com 8 anos. Eu tirei um tumor benigno da boca em 2020. Só de esperar a biópsia você tava desesperado. Trauma, tava desesperado. Foi ainda mais pelo pelo… Pelo histórico, né? Até pedi perdão, falei: “perdão, Deus, tudo que eu passei, tudo que você fez, b… Eu não deveria duvidar”, exato. Né? E, e ali também, em 2000, no hospital, acho que aí começa a explicar por que de todo o interesse de estudar mercado financeiro: tava tendo a eleição do Bush contra o Al Gore, foi aquela eleição extremamente apertada, com várias recontagens e que eu adorava ficar acompanhando essas coisas, e da TV, que o meu mundo era ficar vendo TV, era ficar vendo anime na Globo, ali tinha Dragon Ball, tal, essas coisas, era a tua companhia, e jornal. Jornal, sempre gostava de ficar vendo jornal, Jornal Nacional, Jornal Nacional, Jornal Nacional, e tinha… Pô, o que vai ganhar, não vai ganhar, etc., e comecei a ter contato com isso. Depois veio um conflito, né? Quando eu saí do hospital, fiquei assim: pô, será que se eu sigo essa coisa de Economia, dinheiro, uma coisa de que eu gosto, ou faço Medicina para devolver um pouco? Eu tinha aquela coisa de: ai, Medicina ou Economia, Medicina, Economia. Você fala: “pô, nada a ver uma coisa com a outra”. Medicina, hein? Eu pensava muito em fazer Medicina, fazer Oncologia, que eu queria devolver. Olha que legal, cara. Mas conforme foi passando o tempo, fui vendo de que, na verdade, tava dentro de mim, sempre foi uma que eu não deveria também virar escravo daquilo. Bom, quero devolver pra sociedade, acho que o melhor jeito de eu devolver pra sociedade é olhar para dentro, ver o que que eu nasci para fazer e fazer, fazer bem. É isso. Acumular capital e depois devolvo. É isso, é isso. Pô, se Deus quiser, a vida bilionária eu monto um hospital filantrópico, exato. É do que fazer uma outra carreira que talvez eu não, não fosse, consiga prosperar, de que tava no meu D… Porque eu comecei a perceber: pegava a mesada, trocava em dólar, com 13 anos eu comecei a comprar ação, era…
Caraca, bicho! E você não tinha influência na família?
Não, não, não. Meu pai teve que ir comigo lá no Unibanco abrir a conta, daí tinha… Teve que ser conjunta, porque não podia ser emancipada, alguma coisa assim.
Como, como que você conseguiu esse conhecimento, assim, do que era, se…
Estudando, estudando. Daí eu chegava pro meu pai, falava… Tinha uma poupança lá com R$ 1.000, R$ 1.000 e poucos reais, falei: “pai, eu quero arriscar isso aqui”. Daí meu pai olhava, falou: “você vai se ferrar, vai perder tudo”.
Seu pai te apoiava, cara?
Mas eles sempre deram corda, assim. Olha isso, que [ __ ]! Que, que… Eles sempre deram corda. Acho até outra, algo talvez para quem estiver ouvindo, que for pai, eu tô falando como filho, não como pai, porque não tenho filho, mas como filho: não podar o sonho da criança, exato, assim. É saber, saber identificar o que que é um sonho de verdade, porque a criança fala: “ah, meu sonho é ser Youtuber”. Exato. Já era. Ring light, entrega. A pessoa é… Não, não é bem assim. Eu acho que tem muito, muito do que a gente… Do que a turma fala que é sonho não é sonho, é só uma coisa, uma ilusão, uma miragem de um caminho rápido. E não, a criança precisa olhar para dentro para ver o que ela quer, né, que que é o sentido dela. Mas se você tem filho, tá vendo que seu filho já identificou um sentido, pô, dá corda pro cara, dá corda pro cara, não poda. E é o que muita gente faz, né? Muitos pais acabam querendo despejando no filho uma, uma ambição própria ou… Despejando no filho uma ambição própria ou podando, podando a ambição dele. Eu, eu, eu falo que acho que todo mundo nasce com ali no chip: você nasceu para fazer isso.
Também acho, né?
E, e é onde o teu coração aponta, né? Isso, eu costumo dizer… Eu não sou psicólogo nem psiquiatra, então o meu comentário agora é anedótico, mas com base no que eu vejo, eu sinto que a, a infelicidade, a depressão tanto do, do, de jovens quanto de adultos, ela tem uma mesma raiz, que é essa desconexão com o que você nasceu para fazer. E a gente confunde hoje alegria com felicidade, assim, aquele ex… Isso não… Felicidade é você não tá ansioso, é você deitar à noite, apesar de um monte de problemas… Às vezes você pode estar num momento triste, você é feliz, mas morreu alguém, ou você é feliz, mas aconteceu algo ruim na empresa… A gente que é empresário sabe, tem meses que… Mas você é feliz porque você tá conectado com você. E o oposto também ocorre, eu vi muitos amigos quando eram mais jovens assim, que estavam o tempo todo felizes, alegres — não felizes, alegres —, meio que entorpecidos e tristes, só que eram pessoas infelizes, né?
Então, alegria e tristeza é o estado momentâneo.
Exato, e é uma confusão gigantesca, é felicidade e infelicidade. Eu acho que tem a ver com você tá conectado. A partir do momento em que você se conecta, pô, você identificou que você… Uma criança tá conectada da pista, a pista consegue identificar. Se você olhar teu filho, se você olhar teu filho com carinho, você consegue, sabe? Não, não dá para saber. Eu acho até que os, talvez os pais possam ajudar, mas acho que é o maior desafio é os próprios filhos. Eu vejo, as pessoas não conseguem olhar para dentro mais. Eu tenho muito amigo, muita gente que não sabe o que quer fazer, ela faz uma faculdade, faz outra faculdade e depois troca de emprego, não sabe, fica confundindo a, e, e as coisas, né? Eu tinha um, acho que o exemplo muito bom: tinha uma amiga que fazia Enfermagem uma vez, tava conversando com ela, falou: “pô, e aí, você tá feliz?”. “Ah, mais ou menos”. Falei: “por quê?”. “Ah, porque eu queria mesmo era ser médica”. “Nossa, tá, e daí, você não vai fazer Medicina?”. “Ah, não, muito difícil passar, tal, não sei o quê”. Nossa, exato. Tem gente que complica a própria vida, cara. Cara, você não vai ter outra vida para se conectar com você, eu falo: a vida é uma só, não é para você curtir, encher a pança de droga, tal… Ia falar outra palavra, mas é… É se encher de droga…
Mas pode falar, não tem problema, não.
A vida é uma só para você dar um sentido, um propósito. Vai atrás, faz essa porcaria dessa Medicina. “Ah, não, muito difícil”, falou: vai e faz Medicina, porque agora você tá infeliz porque você não tá indo atrás do que você quer, e quando você estiver mais velha, você vai estar infeliz porque você não foi atrás do que… Foi pela rede… Rendimento, prestou 2, 22, passou numa estadual.
Olha isso, cara!
Passou, passou. Já tá formada, já é médica. É que é isso. Eu acho que esse é o ponto, e aí não é uma coisa do pai, é uma coisa do jovem, sabe, de querer o caminho curto, o caminho rápido. E quantas vezes já vi da pessoa confundir um obstáculo no meio do caminho com o caminho. Eu sempre falo: cuidado quando aparece o obstáculo para não achar que é o caminho que tá errado, porque a tendência é: “não, o caminho tá errado, tem um outro caminho aqui que é mais rápido, então eu vou por esse aqui”. Exato, o obstáculo do vestibular ser difícil é um obstáculo. É um obstáculo, não é o caminho que tá errado. Às vezes você pode estar no caminho errado, e daí tem que trocar, exato. Mas a maioria das vezes em que você vê um obstáculo, é um obstáculo, você tem que passar por ele e não trocar de caminho.
Cara, eu tenho uma, eu tenho uma filosofia eh que que eu, que eu sigo, assim: é o seguinte, o nosso coração sabe muito mais do que o nosso cérebro. Eh então eu sempre olho o seguinte, uma visão meio espiritual da, da coisa, como eu enxergo a vida: onde tá minha empolgação, sabe? O que que faz sentido? Quando eu penso assim, tipo, às vezes eu falo: “ah, qual é o sentido da…”. Eu vejo muita gente travada aí, cara, das, das minhas caixinhas de perguntas, sem brincadeira, empreendedor às vezes com empresa faturando bem, tal, tal, tal: “como eu encontro o meu propósito?”. Cara, de propósito eu acredito que o propósito ele é cíclico, hoje você… Qual o teu propósito? Teu propósito hoje é ser um bom gestor de fundos e tudo mais, gestor de, de, de fortuna, como você fala, e tal, de patrimônio, tal, tal, tal. Cara, você tem trocentos propósitos, você é multifacetado como todo ser humano. Eh e amanhã ou depois o seu propósito pode ser, depois de ganhar muito dinheiro, abrir um hospital de, de Oncologia, o propósito é cíclico, cara. Cada hora é uma coisa. Mas as pessoas acham que: “eu vou pegar um propósito, vou abraçar esse propósito dos 18 aos 65 anos, eu vou ter o mesmo propósito e essa vai ser minha vida”. E aí, como ele vê na internet muita gente com propósito muito bem definido e achando que as pessoas são todas, todas bem resolvidas, ele fala: “meu, eu tô fora do ninho, eu tô perdido”. E eu vejo assim, eu vejo que a vida… Que é o que eu acho aqui, porque as pessoas f… Eu tenho uma opinião um pouco diferente, tá, só que ela é diferente, só que não tanto. Eu acho que… Eu acho que o propósito é uma coisa não tão mutável.
Você acha que não?
Só que a diferença é que eu não acho que o propósito é… Tem um autor, o, o, o cara que fez, que fazia o Dilbert, esqueci o nome dele agora, o Scott Adams, aí ele fala: olha, você tem goals e systems. E goal é, são os objetivos: “ah, meu goal é perder 10 kg”, inventando aqui, uma pessoa às vezes quer emagrecer, isso é um goal. System é diferente: meu system é todo dia ir na academia e, e treinar para manter, não… Para manter o meu corpo saudável.
Sim, a dopamina.
E não tem esses 10 kg, é de hoje até o final da minha vida, uhum. “Ah, meu goal é chegar até R$ 1 milhão de reais antes dos 25 anos”. Isso não é um propósito, é… O objetivo é conseguir ter uma vida que… O propósito é assim, é um sistema muito maior, replicável, escalável. O propósito, na minha opinião, ele não é finito, você não consegue cumprir ele, é uma busca, entendeu? Ele é uma busca. Então assim: “ah, meu, meu propósito é fazer minha empresa faturar 10 milhões”, hum, hum, isso não vai, vai terminar bem, porque a hora que você chegar ali, você vai ver que lá não tá… Vai ter um vácuo. Não, seu propósito: sei lá, montar a melhor, a melhor empresa de construção civil. Tá, cara, todo dia você vai acordar e vai viver por aquilo, você nunca vai conseguir, exato, cumprir aquilo, né? E embaixo deste propósito vão aparecer os objetivos de, de, de curto prazo, que vão mudando ao longo da vida, mas não pegar um goal e engessar e jogar toda a sua vida em cima daquilo.
Mas você acha que assim, um propósito… Ah, por exemplo, você nasceu com um propósito, você descobriu ele e ele é um ciclo no final. É porque a palavra, quando você fala de propósito, tem muita gente que nem sabe para onde tá indo, você sabe disso. Tem muita gente que tá perdida, simplesmente tá deixando a vida me levar, uhum. Só que eu vejo que a busca pelo propósito dessa pessoa que ainda não entendeu torna ela uma refém dessa busca, da própria busca, não?
Fica procurando um osso para roer.
Exato, aí ela fica, aí ela fica se abraçando em cois… “Qual é o meu objetivo? Qual é o meu objetivo? Qual é o meu objetivo?”, sabe? E ela, e aí ela se perde, ela se perde assim. A, e até fez parte… Acho que eu tinha um pouquinho de, de, de, de engessamento nisso, né? Eu tinha um… Então tava falando, terminei o tratamento, comecei a investir na Bolsa muito cedo, falei: “bom, quero trabalhar no mercado financeiro”. A hora que eu saí dessa, cheguei à conclusão de que não ia ser Medicina, que me di… que eu ia devolver de outras formas através de doações, etc., vou por esse caminho, vou por esse caminho. Eh fui… Falei: “bom, quero então fazer Economia”. Fui, fiz numa faculdade boa, fiz na Unicamp. Não sabia ainda direito o que tava fazendo, fui o segundo melhor aluno lá da, da, da minha turma, e, e eles costumavam a, a não premiar, mas fazer certa honraria até os, até os três primeiros. No meu ano, foi só o primeiro.
Caraca, bicho!
Porque eu, todas as minhas teses eram contra a casa. Eu nem fui na… Todas as minhas teses foram contra a Unicamp, assim. Teve uma professora uma vez que fez uma caixinha no final da correção… Isso eu sou obrigado a dizer que eles davam a nota justamente, eu nunca fui penalizado por, penalizado por opinião, por não concordar com a casa. Será que hoje tá assim ainda? Não sei. Na época, fez uma caixinha: “se não concorda com as teses da casa, por que estuda aqui?”. Daí eu respondi de modo marxiano, eu falei: “porque eu estou maximizando minha função utilidade com a minha restrição orçamentária”. A minha família, eu falei: “minha família é de Campinas, eu moro em Campinas, tenho acesso a condições favoráveis em Campinas e, e a faculdade é de graça em Campinas, então, portanto, vou fazer aqui para maximizar a minha função utilidade com o meu orçamento”. Então essa foi minha decisão, não porque eu concordo. Exato, talvez por, por concordar ou não, tivesse feito outra instituição, mas já naquela época já tava pensando em economizar, economizar, economizar. Eh e daí comecei a trabalhar num grande banco de investimentos, e aí eu tinha aquela coisa: não, preciso fazer carreira num grande banco de investimentos. E, e engessado, né? Como comecei a reparar de que, cara, o que eu… Meu propósito de que eu queria era gerir recursos e, de certa forma, ajudar os outros na gestão dos recursos. Agora, eu adoro geopolítica, leio muito sobre geopolítica, adoro Psicologia, acho que o mercado é mais sobre Psicologia até do que do que sobre, sobre técnica. E eu comecei a reparar de que, cara, tava ficando muito engessado nessa ideia de fazer a carreira numa instituição maravilhosa que adorava trabalhar, por sinal. Mas quando veio a pandemia, eu fiz essa reflexão, falei: “olha, eu tô começando a confundir agora”. Então foi quando eu montei a, a Azul Wealth Management, que é a minha gestora, gestora. Eh quando eu… Foi quando eu recebi o convite de uma família, que é a nossa família âncora, para sair e, e, e botar… Na verdade já vinham convidando já fazia um tempo, e eu tava meio que engessado: “não, é aqui, por aqui, por aqui”. E, e eu percebi que eu estava confundindo, que eu comecei a ficar um pouco infeliz, e a hora que você começa a ficar infeliz é que você tá se distanciando real do, do teu propósito. Cara, eu tô começando a ficar infeliz, e não é por causa de obstáculo, porque eu sempre… Sempre me deram osso duro para roer no banco, eu roía, ficava até 4 horas da manhã trabalhando. Não tem um problema de essência aqui, eu quero, gosto do mercado financeiro, tenho um norte, tenho um propósito, mas o que vai me aproximar mais dele agora: tomar coragem e empreender, de empreender, né? Acho que já comi a grama, acho que todo mundo deveria comer um pouco de grama assim no, em grandes instituições, tal, aprender para empreender. Então esse o propósito não é um objetivo que dá para você pôr numa frasezinha, ele é ele é um sistema, né? O T… É um processo de vida, né? É, sei lá, o Pedrinho com 15 anos já sonha em ser neurocirurgião, quer ser o melhor neurocirurgião do mundo, tal. Ele não vai… Isso é um sistema que inclui estudar, que inclui passar numa boa faculdade, que inclui a hora que entrar num hospital e depois decidir se vai abrir a clínica ou não. Então isso tudo são… Tá embaixo do guarda-chuva do propósito da vida dele, que é abrir crânio e fazer boa cirurgia e salvar vidas, esse é o propósito da vida dele e ele vai fazer pro resto da vida. Agora, como ele vai fazer isso, acho que tem sub, sub-decisões, então por isso que eu falei, eu concordo, porém, eu concordo que você tem sub-decisões diferentes. Mas o propósito, por exemplo, o meu eu sempre senti que fosse uma, uma coisa… Seguir nesse caminho. É, é esse é o caminho aqui. Às vezes eu me distancio, às vezes exige que eu faça uma curva à esquerda que eu falo, para um lado, para o outro. Exato. Eu, eu falo uma coisa, que a vida é tipo uma, uma coisa que é um caminho escuro que a gente tem um lampião e que muitas vezes a gente consegue enxergar 2 metros de raio, assim. E você segue a vida, e muitas vezes é o próprio, é o próximo, é o próximo passo que você dá que vai iluminar um passo a mais para você ver a, a direção e ir seguindo. E tem muita gente que fica se vendo eh naquela escuridão, só enxergando ao seu redor, que são os, os futuros, o futuro próximo. E aí, por não enxergar o futuro, trava. E aí eu falo: cara, o melhor jeito de descobrir alguma coisa é caminhando, é, é andando, é buscando novas, novas formas. Então eu vejo isso, cara, e parece que é tão simples, cara. Para você ter ideia, olha isso: eu fiz um… Eu tenho um quarto na, no meu apartamento que tava vazio, não usava. Eu fiz um vídeo e falei: “cara, eu vou começar, vou montar isso aqui, é um estúdio”. Olha a, a loucura em que o mundo tá entrando. “Vou montar um estúdio aqui”, gravei. Basicamente fui lá, comprei a, a parte acústica, comprei as coisas, fui lá, fiz. E, e duas semanas depois eu filmei aí, ó. E aí ainda fiz o antes e depois, cara. Eu tive vários relatos, e para não falar um ou dois, cara, foram dezenas, sei lá, 15, 20 relatos de pessoas que falaram assim: “cara, que impressionante, eu vi você há duas semanas falando que você ia fazer, você fez”. Olha, olha a loucura em que tá entrando: é que as pessoas estão muito engessadas, sabe? É tipo: “cara, como assim? Eu falei que ia fazer e fiz”. Mas as pessoas, elas por presenciarem a, o nosso dia a dia, né, a gente que é influencer, você eu não sei, eles viram e falaram assim: “caraca, você foi lá e fez!”. Eu falo: “cara, é isso”. Acho que a humanidade, ela tá… O ser humano, sei lá, eu acho que tá travado por… Eu não, eu não consigo entender para onde a gente tá indo, sabe, nesse sentido.
É muita ansiedade, quando eu falo e do, do, do, do propósito, sempre bato nisso: se conecta com você, é porque eu também acho que você ter um propósito de longo prazo elimina a ansiedade. O que que eu quero dizer com isso: uma colega que tava na dúvida de fazer MBA ou não, “ai, vou, não vou, vou, não vou”, tava uma ansiedade de curto prazo. Falei: “cara, onde você quer tá daqui 50, 60 anos? Você não precisa acertar, mas só tem uma noção, mais ou menos. Você quer ser presidente da empresa?”. “Ah, queria”. Falei: “então, não sei se você sabe, naquela empresa especial…”, não lembro agora se era algo formalizado no estatuto ou se era algo que a gente brinca, né, oficioso, né? Todo mundo que era diretor estatutário para cima tinha MBA em Ivy League, todo mundo. “Então, se você quer ser presidente da empresa, bora, já tá tomada a decisão”. Eh então o que eu vejo é: quando você não tem esse norte, você tem que tomar uma decisão por dia. Tomar decisão é um processo estressante pro ser humano, porque a hora que você toma uma decisão, você tá perdendo alguma coisa e tá ganhando alguma coisa, você abre mão de um monte. Daí você aumenta a carga de estresse, acaba travando. Se você tem um propósito, um objetivo de longo prazo, a decisão já tá tomada: vai ajudar ou vai atrapalhar? Vai ajudar, então vai, então vai, é isso, acabou. “Ah, mas não tem…”, você tá montando a empresa, sabe onde a empresa vai chegar, não sei, isso aqui vai ajudar ou vai atrapalhar? “Ah, vai ajudar, mas vai dar trabalho”. Faz, já tá tomada. Isso, o norte ajuda muito, o norte ajuda muito. Se você não tem norte, o teu nível de ansiedade sobe muito, de você ter uma grande decisão que decide por si só todas as outras. Você tem que tomar uma decisão por dia, uma decisão por dia, uma decisão por dia, isso é muito estressante.
Total, total, é desesperador.
Desesperador mesmo. E daí a pessoa entra num estado em que ela congela, fica catatônica, não consegue fazer nada.
E, cara, tem muita gente assim, muita gente assim. Tipo, e eu tô falando de empreendedores, gente que você nem imagina, cara, que tem 100 funcionários e tá travado, ele tá infeliz, ele não sabe o motivo, fica catatônico. “Fui montar uma gestora, dá trabalho, precisa, [ __ ], tem que ter licença, CVM, ANBIMA, um monte de coisa”. Fora que você, como empreendedor, muitas vezes se distancia do, do seu dia a dia mesmo para resolver problemas, burocracias. Quer fazer? Tem que enfiar a mão na massa e fazer. É obstáculo, não? Obstáculo é um obstáculo assim. Tinha noite que falava: “nossa, que porre, quanta coisa, burocracia, tal, tem que fazer”. Falou: “não tem, porque é o… uma etapa necessária pro meu sonho, então vamos, bora, então bora”. Igual a menina lá que eu citei, a amiga, fazia Enfermagem, queria fazer Medicina: vai ter que estudar um, dois anos, resolve, faz logo, senão depois vai ter 40, 50 anos de idade, falando: “pô, por que que eu não fiz? Porque eu não fiz”. E, no final, a dor do arrependimento é muito maior.
Muito maior, muito maior, com certeza.
Cara, João, eu vou dar um pause rapidinho porque eu vou agradecer ao patrocinador master, e daqui a pouco eu vou entrar nesse assunto aqui, ó, do livro. Tiagão, tá no esquema aí? Boa. Eu queria agradecer a São Lucas Contábil, o nosso parceiro Leandro Bueno, mais de 20 anos no mercado. A São Lucas hoje atende mais de 800 empreendedores, eles ajudam empreendedores digitais a resolver seus problemas com impostos e contabilidade. Eles são uma contabilidade digital especializada no segmento digital, mas também e-commerce, serviços, produtos offline, empresa, indústria e tudo mais. Aqui tá o arroba da São Lucas Contábil, o site da São Lucas, mas também aqui, ó, o arroba do Leandro Bueno, contador. E eu sempre conto essa história porque assim, eu, cara, sou empresário como você, você sabe, né? Com, na época, com 80 e poucos funcionários, faturando algumas cifras, e a partir do momento em que a gente foi crescendo, eu comecei a analisar o seguinte: “[ __ ], eu preciso me proteger melhor”, ainda mais que eu trabalho com construção civil, então é um mercado que oferece riscos muito grandes, né, e, e tudo mais. Bom, e aí comecei a estudar e falei assim: “cara, o ideal seria eu montar uma holding para proteger patrimônio e tudo mais”. E comecei a conversar com o meu contador, foi a primeira pessoa a quem eu fui… Isso aqui eu tô falando com o João aqui na minha frente, é o cara que mais manja disso aí. E o meu contador, a primeira coisa que ele que fez foi me desestimular, falou: “não, não faz isso”, tal, tal, tal, por quê? Porque, no final das contas, ele não tinha muito conhecimento. E aí eu pedi para ele ir atrás, numa próxima reunião ele me trouxe conhecimentos inferiores aos meus, que fui por conta própria buscar. E aí, buscando na internet, acabei descobrindo um contador que ensinava outros contadores a como oferecer o serviço de formação de holding — holding simples, nada de, de muito, muito eh trabalhado e tudo mais, uma coisa mais básica assim, para, para organizar a parte fiscal de empresas, proteger patrimônio em, em holding familiar. E aí, cara, eu descobri que esse contador que dava o curso para as outros, pros outros contadores em como oferecer esse serviço, ele tinha outros clientes enormes na carteira, desde de pessoas muito grandes do mercado digital, mas também outras grandes empresas. E acabei seguindo o conteúdo dele, cara. Falei: “[ __ ], se o cara ensina outros contadores, pô, eu queria aprender com ele”. Comprei o curso, fiz, ajudei… Eh ajudou muito isso lá na, na formação da, da empresa, tudo mais. Acabou que, no momento em que eu tava os seguindo e interagindo com ele, ele começou a me seguir de volta, a gente começou a interagir, nos tornamos amigos e hoje ele é meu contador. E, cara, é impressionante. Hoje eh eu sempre defendi que o contador não é um custo, é um investimento. Mas isso aqui não é nem um, um patrocínio, isso aqui é quase que um depoimento de um cliente satisfeito: quando a gente manda obrigações acessórias, que não são poucas na, na contabilidade… Quando eu troquei de contador lá atrás, eu descobri que muitos contadores nem estavam cumprindo as obrigações obrigatórias, né, as, as obrigações acessórias lá que são obrigadas pelo, pelo governo, e eu pagando lá mensalidade, e só na, na transição a gente descobriu que nada estava sendo entregue. Então tem contador que nem entrega. Na São Lucas a gente não só manda as obrigações todas acessórias, quanto eles geram… Pensa a quantidade de banco de dados que você tá gerando e mandando pra contabilidade: eles transformam isso num Power BI. Cara, isso foi muito louco, porque isso nem foi uma, um argumento de venda na hora que a gente tava estruturando. Mas, cara, eu tenho um Power BI com inúmeras informações fiscais, desde a parte de departamento pessoal da empresa e tudo mais, cara, que me dá uma visão de gestão ferrada. Fora que na parte fiscal também é impressionante. A, a São Lucas tem um grupo, um conglomerado de empresas que também faz parte a Sócio do Tributo e tudo mais, e os caras me dão a maior assessoria. Então, cara, o contador ele precisa ser um braço da… Uma extensão do empresário na parte estratégica. Muitas vezes quando eu vou tomar decisões, eu troco uma ideia com o Leandro. O Leandro também é empresário da vida real, tem trinta e poucos funcionários, então sempre a opinião dele é importante para mim. E fora que é um cara especializado nesse universo todo, então, cara, se tudo isso que eu tô te falando, ter esse contador não só como aquele cara que você paga e acabou, mas ter o contador como um braço direito da tua estratégia e tudo mais, se isso para você não é realidade, avalia se você tá numa contabilidade bacana e se você avaliar que tá na hora de mudar, e talvez ir para uma empresa que trate a contabilidade como uma parte estratégica do seu negócio, que de fato é, avalia a São Lucas: preço justo, os caras são muito bons, eles te ajudam demais. O Leandro é referência, ele é influencer, o Leandro tem um dos maiores perfis de contabilidade do mercado, dá palestra para 300.000 pessoas, todos os eventos de contabilidade que têm de 2, 3, 4.000 contadores numa plateia, o Leandro é um dos palestrantes, e é um cara legal também para você seguir e acompanhar o conteúdo de contabilidade que ele posta. Então, obrigado São Lucas, obrigado Leandro pela, pela confiança aí. Tamo junto, sucesso.
João, seguinte, cara: eu achei que você ia entrar num monte de assunto polêmico.
Tô escapando, Argentina…
Mas, mas relaxa que a gente, a gente vai, a gente vai entrar nesses assuntos ainda. Deixa eu perguntar, cara: um economista, o cara que faz gestão de fortuna aí, o cara vai lá e escreve um romance, cara, e…
E bem viajado, assim.
E bem viajado. E eu sei que esse aqui é só o primeiro de vários, porque você já tem um monte escrito. Como que foi isso aqui, cara? Você, quando você falou lá no começo que você ia lançar um livro, a primeira coisa que eu falei: “[ __ ], da hora, vai ser um livro de Economia”. Aí você vai lá e: romance. E você falou uma coisa que é legal: “se você quiser conhecer sobre o autor, leia o livro de ficção, leia o livro de ficção”. Não, tô morrendo de medo, cara. Tem um monte de amigo lendo que fala: “ah, já, já tô sabendo o que que você pensou aqui, pensou…”. Cara, como que foi isso aí? Quando que começou esse processo criativo aí de, de escrever?
Quando eu mudei para São Paulo, inclusive. Ó, pessoal, aqui, ó, o Aimar aí, Tiagão, aqui, ó, obrigado, obrigado. Tá lá na Amazon lá, na Amazon, tem os reviews. Obrigado. E tá sendo muito bem falado, viu, muito bem falado. Eu vou ler, eu te dou o review.
E pode ser sincero.
Vou ser sincero, cara.
O livro, eu nem tinha pensado em publicar, né? Ele, a origem dele foi em 2014, quando eu mudei para São Paulo morando sozinho, eh eu tive… Foi período, foi um perrengue assim, fiquei muito… A vida inteira morei em casa perto de família, tal, fiquei muito triste assim, às vezes chorava à noite, tal. Eu comecei a ter uma série de sonhos assim que se repetiam, sonho que se repetia, se repetia, se repetia. Aquele negócio começou a me incomodar e começou a afetar… Inclusive eu tava trabalhando e pensando naquele negócio. Vou comprar um Moleskine. Eu comprei o Moleskine, comecei a anotar a… “Aqui tem…”, falei: “Pô, isso aqui tem uma história”.
Olha só, nos sonhos, cara.
Lembro de alguns, alguns, alguns lembro, outros não, é, mas quando começou a repetir, lembra? Repetiu, eu comecei a anotar, eu falei: “cara, tem uma história aqui”, sabe, uma coisa meio Platão, tem uma história aqui no mundo das ideias, ela tá querendo vir pro mundo real, para você passar pro papel. Daí começou no Moleskine à mão mesmo, depois comecei a escrever eh no, no Word, e eu li, eu vi, não tava bom, e eu também não tava falando o que a história queria falar. Eu consegui conversar, nem lembro como, com uma australiana, chama Alison Weicking, traduziu Chico Buarque, traduziu várias, vários livros do português pro inglês. Ela é australiana, né, nativa, e ela faz essa tradução reversa, legal. E a gente bateu um papo, tal, e ela me falou: “João, eh você tem que soltar os freios, assim, tem que enfiar a mão na caixa de gordura”, aquela coisa, “por mais que você não goste de uma coisa ou outra, você tem que soltar os freios…”.
Escrever um download mesmo, né?
…e sem censura, é, e inclusive com seus medos psicológicos, com as suas inseguranças, com tudo, é, e outra coisa, uma, uma coisa que daí eu tirei de um, do de um, de uma orientação do Stephen King no livro dele sobre a escrita, falou: “os personagens, eles precisam ser preenchidos com almas, assim, e eventualmente essas almas são pessoas que você conhece, né? Você já sabe o que ele vai fazer, mas o jeito como ele vai fazer precisa ser alguém com quem você tem intimidade para que você…”.
Mais realista.
E aí teve todo um processo para construir a história. Pô, tem o Excel com o cenário, com… Cara, você mexe numa coisa na página 5, vai bater às vezes lá na 400, é, e daí escrevi uma vez, deixei o livro descansar. Na hora que você relê de novo que não faz o menor sentido, escrevi de novo. E comecei pela última cena, que não tá nem aí, tá no, no, no, no terceiro… A última cena desta história — são quatro livros, mas o quarto ele falou que é um, um antes, ele é o zero —, comecei pela última cena, que é do que vai acontecer no, no, no livro três, e comecei a passar esse negócio pro papel. Muito veio o, o… Eu diria que a história principal veio dos sonhos, e o recheio aí a liberdade, a, a, a liberdade do autor. E ficava escrevendo todo dia. Eu tive que estabelecer um método aqui: das 11h às 2h da manhã escrevia, e depois ia pro banco, dormia pouquinho e acordava cedo, já ia trabalhar. E às vezes não dava…
Quanto tempo você escreveu?
É, de 2014 até mais ou menos 18, 19 foi criação, escrita. A revisão demorou mais, que a revisão foi 19, 20, 21 e um pedaço de, de 22.
Caraca, que legal do, do primeiro livro.
Mas é um exercício muito de soltar os cachorros. Eu conversei com um amigo que é bestseller de, de, de autoajuda — não vou citar o nome dele porque eu não sei se ele autorizaria —, e ele falou: “Pô, tô tentando escrever um romance”. Falei: “Olha, eu ainda não vendi, não sei se o meu vai fazer sucesso, mas se me permite um conselho, cara, você tem que abrir a caixa de gordura, assim: você escreve autoajuda, é tudo muito bonitinho…”.
Exato.
“…você se tranca no quarto, lembra das dores que você sofreu, das inseguranças que você sentiu, dos seus traumas, das suas rejeições, de tudo, das… Todos seus medos, questões espirituais, e bum, joga”. E você sabe que a história tá madura quando você não quer que algo aconteça, mas a história é mais forte que você.
Caraca!
Ali, essa é… Quando eu, quando eu falei isso, depois eu tive outros colóquios com a, com a Alison, até perdi um pouco o contato com ela, mas ela falou: “Não, agora você tá…”. Você mandou pra ela? “Agora você tá no ponto, não preciso mandar”. Boa ideia, eh porque eu falei: “Não, o dia que ficar pronto, eu vou chamar você para traduzir pro inglês”, eh e ela falou: “Não, agora o seu livro tá no ponto, porque agora aconteceu uma cena de que você não queria que acontecesse, mas a história tá tão viva que você sabe que não seria real aquilo não acontecer”. Então vou dar um exemplo aqui: pô, o personagem A matar o personagem B. “Pô, mas você se afeiçoou ao personagem, você não quer, você é a…”. Mas você sabe que naquela situação, com a personalidade de A com… É isso o que tem que acontecer, a história toma vida. É a história, daí você passa de um mero tradutor que vai lá e, e vai passando, tirando a história do mundo das ideias e… E, [ __ ] vou ler, vou começar hoje, inclusive, obrigado.
Eu terminei um livro ontem e, e vou começar esse aqui. [ __ ] show de bola, cara. Então, gente, pessoal, o Aimar, e esse, esse nome, hein?
Tem que ler o livro, tem que ler o livro, tem que…
Já fica, não… Não vai ter spoiler aí, Tiagão, ó. Ó, Aimar, compre, tá, tá na Amazon, tá em tudo quanto é lugar e, e tá super bem recomendado. Eu vou…
Editora Pendragon, isso, é especializada em ficção.
É mesmo? Que legal, boa. Sucesso. Cara, você não vai escapar das polêmicas, você não vai escapar das polêmicas. Eu queria, eu queria dividir com você algumas, algumas opiniões e tudo mais, e, e queria ouvir a tua opinião. E eu sou um cara que investi em cripto, hum, eu sou um cara, mas não sou aquele defensor da cripto e tudo mais. O que que eu achei: falei, será que isso vai pra frente, será que não vai? Eh que que eu fiz: peguei uma grana, coloquei lá e falei, cara, isso aqui é para perder, vou deixar. Eh mas tua opinião da cripto, ela é controversa ao mundo atual, assim: “fala não, não vai”. Tem, tem gente muito, muito do, do universo da economia e tudo mais, muito inteligente, que fala: “não, isso aqui é o futuro, blockchain é o futuro”, e etc. Claro que cripto e blockchain são coisas diferentes, mas você é categoricamente contra, e, e dentro da, da acidez do teu repertório lá no, no, no story, o que é muito legal, cara, quando, quando a, a cripto cai, você comemora isso. E quando sobe, às vezes fala: “mas não vai falar nada?”. Falou: “não, não, não vai”, exato, porque você não tá querendo, você tá querendo botar uma lenha na fogueira, então é legal essa, essa, essa… “Ah, mas você é parcial?”. Sou, sou, eu… Você não gosta, mas qual é a, tem, qual é a tu… É, é mais o personagem, né, que a, é o storytelling que você segue no Instagram. Mas qual é a tua opinião com fundamento?
Tem um fundamento, na verdade não é cripto, é a, a categoria maior no qual eu classifico o cripto, e eu falo que dentro do universo do que a gente chama de ativo, você tem o que eu, João, chamo de ativo de fato, e tem os que são collectibles, colecionáveis.
Sim.
O que que é um ativo de fato, né? Ativo de fato é aquilo que gera retorno per se. Então eu compro um pedaço de uma companhia, se eu não fizer nada e a companhia for uma boa companhia, ela vai produzir lucro, eu vou ter acesso a um pedaço desse lucro, seja via dividendo, seja via retorno; eu compro um bond, eu vou ter acesso ao juro, etc. e tal. Então ele é alguma coisa de fato, o ativo, ele produz valor. Exato. Eh eu não vou entrar em moeda, porque moeda… Eu não considero moeda um ativo, é um meio de transação. Eu adoro ativos da moeda americana porque é a economia mais poderosa do mundo, agora ter dólar parado enfiado no colchão, não, você vai perder dinheiro. E o collectible tem uma categoria, uma, uma característica muito específica: é tudo aquilo que, para você ganhar dinheiro, depende de que alguém compre, esteja disposto a pagar mais do que você pagou. Pô, cripto subiu, etc., isto não invalida a tese de que a cripto seja um collectible. Por exemplo, tem um relógio da Patek Philippe, acho que é o Nautilus em parceria com a Tiffany, que foi comprado por 50.000, chegou a ser negociado por 6 milhões de dólares.
Caraca!
Isso é uma super valorização, isso é característica do collectible. No geral, o valor dele deriva de ter uma mania, um desejo de ter aquilo e escassez, é por isso que os preços dos Rolex começaram a cair, porque ele não é tão escasso quanto um Patek Philippe na… Que foi fabricado ali um número específico, é por isso que uma Mercedes SLS, que é um carro que foi fabricado ali em 2011, que é as de asa de gaivota, subiu mais do que outros modelos importados, porque aquilo lá não tem mais. Então eu falo que a cripto, ela tem… Eu não vou entrar nem nos pormenores, porque cada collectible tem a sua tese toda floreada por trás.
Falando que a cripto ela uma hora vai parar de, de minerar porque ela tem um limite no…
Pois é, mas mesmo que ela… Você tem, tem a oferta extremamente restrita, só transforma num collectible mais restrito, igual esse relógio que saiu de 50.000 dólares para 6 milhões de dólares. Agora, isso não é um investimento escalável e fundamentado, não vou botar dinheiro de cliente lá. Aliás, não vou botar dinheiro de cliente em moeda nenhuma, que ao longo da história da humanidade, moedas não são bons investimentos. Então assim, o… Uma, a cripto ela pode virar uma moeda, e se ela virar uma moeda, eu acho que é um péssimo negócio para quem tem, porque uma boa moeda tem o quê: pouca volatilidade, então você não vai ganhar dinheiro, exato, é, e alta conversibilidade, isso é uma boa moeda, dólar, uhum. Ou então ela vira um bom collectible, aí são os bons vinhos, as boas obras de artes. De todo modo, a, a, o exercício que eu faço é sempre: reflita… Mas a cripto como collectible não traz uma… Você pode ganhar dinheiro como não pode ganhar dinheiro, como qualquer collectible, depois que ela chegar no seu limite, o que que ela traz de vantagem? Mas ela não tem, ela não produz valor intrínseco, exato, ela não tem valor, não tem valor intrínseco. Uma obra de arte tem valor, você tem que… Mesmo uma obra de arte é um collectible, ela depende de que alguém esteja disposto… O exercício que eu faço é: dentro da categoria ativo, o quão irritado, triste você ficaria se amanhã você detivesse aquele ativo e alguém falasse: “você não pode mais vender”? Esse é o exercício. Falou: então vamos pegar aqui 1 milhão de dólares, você tem 1 milhão de dólares eh num ativo que paga inflação mais 8, né? Não pode mais vender, mas todo ano cai inflação mais 8 na sua conta. Acho que você ia ficar meio irritado, “ah, fazer o quê, vou ter que…”, mas, mas vai entrar todo ano 8% de ganho real. Não pode mais vender, mas eu tenho 1 milhão de dólares numa laje num bom lugar, eu tenho um pequeno pedaço de imóvel na Faria Lima, tudo bem, não pode mais vender, que saco, mas vai entrar o aluguel ali. Exato. “Ah, não pode mais vender, mas eu tenho ações da Vale ou do JP Morgan”, você vai receber ali o retorno. Agora, não pode… Você comprou um Picasso por 100 milhões de dólares, não pode mais vender, o Picasso não vai produzir nada, não vai escorrer uma tinta ali e virar ouro. “Aí eu comprei o Patek por 6 milhões de dólares achando que ele vai valorizar e vai para 12”, não pode mais vender… Que que adianta? Sim. Então a característica do collectible é essa: você só vai conseguir ganhar dinheiro se alguém estiver disposto…
Especulação.
…e é do que aquilo que você pagou, e, e o valor dele deriva da escassez, da mania. Tem até um livro do Charles Kindleberger, chama Manias, Pânicos e Crashes. O primeiro collectible foi as tulipas, né, a bolha das tulipas, exato. Então eu considero cripto um collectible como qualquer outro, um… Cripto é um, uma… Tem uma, foi… Se construiu uma indústria em volta da cripto de colecionável, você vê que é o assunto que mais se fala no… Estudando a Bima, é o assunto mais falado pelos influencers. Mas, de verdade, Felipe, não é o assunto de que o investidor médio precisa ouvir. Exato, não é, de longe não é o que o investidor médio precisa ouvir. Primeiro do básico… Não, mas aí você, você vê pela influência, cara, você… Ele caiu, mas aí você entra nos conflitos de interesse. Eu tenho um amigo que perdeu… Um dos meus melhores amigos me ligou semana passada, perdeu R$ 50.000 em cripto, para ele é muito dinheiro. Isso que me dá dó, sim, quem está perdendo é quem não pode perder, perder, sabe? E eu tava conversando com um amigo que é economista e a gente tava discutindo para onde tá indo o dinheiro. O salário tá subindo, o PIB subiu desde a pandemia e o endividamento não tá caindo, as pessoas não estão consumindo. Para onde tá indo? Você sabe para onde tá indo? Para aposta.
Não acredito!
Aposta. Então o cara quer um milagre e isso vai para aposta, vai para cripto, vai… Por isso que as apostas estão bancando o mundo. Você, se você parar para analisar, tá em jogo de futebol, tá em tudo. A massa salarial subiu, a renda subiu e as pessoas não estão gastando. Por que que o endividamento não cai, meu Deus do céu? A tese que existe hoje entre os economistas que olham o Brasil é aposta esportiva. Tem 40 milhões de CPFs cadastrados no mundo de apostas esportivas.
Meu Deus do céu!
E cripto, se não me engano, é a próximo de 10. Ações é perto de cinco. Mas a aposta é muito mais destrutiva além de tudo. Se… Sim. Então, mas você vê que é uma coisa psicológica: os collectibles, os colecionáveis oferecem e as apostas oferecem o que a possibilidade, na cabeça, de…
Ganhos rápidos.
De ganhos rápidos, exato, e nunca sabe que a casa sempre ganha mais. Não deveria ser ao contrário? Você deveria ter 40 milhões de brasileiros comprando títulos de renda fixa, Tesouro, eh que seja, ações. Aquela consciência americana, sabe, de eu, eu adoro ações, mas eu acho o mercado brasileiro horroroso, ruim, né, horroroso.
Horroroso.
Acho que tem um conflito de interesse gigante. Pega os últimos IPOs e FIIs, é criminoso, criminoso. É criminoso assim, e infelizmente a gente tá longe ainda de ter um mercado com… Sério, morro de medo da pessoa física entrar no mercado brasileiro, compra IPO, cai 90%. E nós estamos falando de casos tipo Lojas Americanas acontecendo no Brasil, né, cara? E é isso, nem foi um IPO, se você pegar os últimos IPOs — não vou citar nomes específicos porque eu não gosto de citar ativos —, não é raro você achar uma dúzia que caiu 90%, exato. Então também daí eu vou falar pro cara parar de, de aposta esportiva, ir pro IPO, ele fala: “não, aí é certeza de que eu vou perder 90%, aqui pode ser que eu ganhe…”. Que o cara foi lá, fez, fez a, fez o IPO justamente para enriquecer, para executar. Muito triste. Eu acho que o brasileiro precisa de educação financeira hoje pro básico, total, pro básico. Faz Renda Fixa bem-feita, meu filho, tá feito, depois vamos começar a olhar Renda Variável, né? E o que o mercado da internet tem trazido pro brasileiro médio é a ilusão de que ele vai enriquecer investindo, e ele, e assim… Sabe o que acontece, cara? O brasileiro médio vai lá, conseguiu juntar com, com muito… Vai, vamos falar da classe média-baixa: juntou seus R$ 25.000 com suor, ele não vai ficar rico com isso, ele vai ficar rico onde? Se ele conseguir… Sim, você pode ficar rico investindo, e eu acho isso super factível. Você tem história, tem o Buffett, você tem o Luiz Barsi aí, histórias maravilhosas, eh mas assim, a sua vida tem que ser isso. Exato, você tem que mergulhar nisso, senão… E assim, e se você acha que você vai sair de casa advogado, vai pro escritório, vai trabalhar, vai fazer… O médico que fica o dia inteiro operando, você acha que ele vai, vai ver um vídeo de 5 minutos no YouTube, comprar a ação que tá rolando que o pessoal viu a dica, vai, e pô, errei, dobrei o capital, não vai. E outra: o brasileiro médio que investiu R$ 25.000, se ele dá uma, uma acertada e dobra o capital, ele tá em 50. O que que adianta? É, subiu para 100, o que que vai mudar a vida dele? Mudou nada na vida dele. E o tombo é muito grande. Então o enriquecimento, ainda mais do, do da pessoa que não é desse universo, o investimento é uma forma de você potencializar o que você já ganha. Então… É a vida real. …trabalha nisso. No brasileiro, por exemplo, no meu mundo é um pouco diferente, ah claro, no teu mundo é esse, é o universo. O, o brasileiro que montou uma empresa, e acontece muito, tá, eu tenho muitos clientes que não tiveram o ensino fundamental completo, mas o cara montou uma empresa, deu certo, a empresa explodiu, o cara faz um movimento de liquidez, que é a venda da companhia, vai lá, bota 200, 300 milhões no bolso, aí sim aquilo vira investimento, aquilo vira instrumento de, de enriquecer, mas o cara tá, o cara tá alavancado, tá potencializado, tá com dinheiro, tem escala, uma… Você tem várias situações no mercado. Agora, você enriquecer pura e simplesmente no mercado, é possível, mas são casos muito específicos, são casos específicos. E assim, na média, os que fizeram no longo prazo é aquele negócio: você fez um post… No longo prazo, não sei se foi você, eu acho que foi você no, no story, no post, no story, né, de que você falou assim: cara, eh se você tem a percepção de, de investimento com euforia, não é investimento, investimento é chato, é monótono, é um transatlântico, não é uma lancha. Exato, exato, é isso. Assim, é olhar, olhar o balanço da empresa, tá bom o retorno… Se você tá investindo com empolgação, com euforia, é porque tá fazendo errado. Tá fazendo errado, você tá feliz, você virou um negócio assim: nossa, que legal, meio aposta, meio roleta, tô no… Eu acho que o post: se você tá se sentindo num cassino, aquela alegria do… É porque provavelmente você está no cassino, você não tá fazendo investimento. Investimento é algo extremamente monótono, de que você tem que olhar os pormenores, você… O cara vai e compra ação de companhia a 120 vezes o lucro, alavancada, e acha que vai dar certo porque o Youtuber falou que vai dar certo, e tá tudo engajado. Não vai. É uma irresponsabilidade. Sabe que eu não faço indicação nem para amigo de infância de 20, 30… Não faço. Quando o amigo meu pede: “ah, me dá uma dica aqui, que ação que eu compro?”, cara, sabe qual que é o problema? Eu não tenho… Eu só trabalho com gestão discricionária, ou seja, os meus clientes dão a chave do carro, falam: “toma, toca, toca a bala”. E eu falo que isso é essencial, porque se alguma coisa não for bem, você vai me responsabilizar, e você vai ter um, um, um fiofó aí para falar: “é esse aqui que eu vou bater”, sim, né? Porque se eu faço uma recomendação, o cara compra, às vezes é uma boa recomendação hoje, a empresa performa bem, passam dois, três anos, a ação tá indo bem, só que eu cheguei à conclusão que eu não quero mais, eu vou ir vendo, você não vai avisar. Eu vou esquecer. Não, eu preciso lembrar de que, no… Há dois anos atrás eu avisei esse amigo para comprar. Ó, lembra daquele negócio? Francisco, aquela… Pedro, vende, Francisco vende, Davi vende. Não é… Exato, não, não, não dá. É uma irresponsabilidade, eu acho. Já eu não faço nem para amigo, que dirá para fazer pros outros, pro seguidor, pro seguidor, fazer uma página: “fala não, agora comprem esta ação, tá?”. Daí, se eu mudo de opinião, eu vou ter que ligar para todo mundo para vender? Exato, não tem como. E outra, e a ação é uma árvore dentro de uma floresta que é o portfólio, né? Às vezes a, uma ação que faz muito sentido num determinado portfólio, ela sozinha, ela sozinha não faz o menor sentido. Tem ação que faz hedge, tem uma ação… Tem ação de uma companhia que tem posição muito alta em, em exportadora cambial, tem uma exposição alta a dólar, bom, aquilo lá também serve de hedge, se o dólar subir você tá, você tá… Você só compra aquilo e daí o dólar cai, pum, já era, né? Então não dá, por isso que eu trabalho com gestão discricionária, eu consigo montar a floresta do jeito que eu acho que faz sentido.
Você trabalha com uma gestão específica para todo mundo? Todo mundo entra nesse bolo? Como que funciona essa conversa?
Não, por isso que eu não tenho fundo, hum. Cada família tem uma necessidade muito específica, caraca. Então por isso que é o, quando fala Family Office, de que você realmente gerencia de acordo com o que você alinhou no… Você vai lá e, e bota seu dinheiro num fundo, o gestor tá gerindo seu dinheiro do mesmo jeito que tá gerindo o dinheiro de todo mundo, e não tá pensando nas suas necessidades. Então você bota o dinheiro, você bota o dinheiro comigo, fala: “João, só que no meio do ano eu vou ter que enfiar 5 milhões aqui na companhia”, ou seja, não posso correr risco nesses 5 milhões, e eu preciso comprar alguma coisa que vença rápido ou tenha liquidez rápida se eu precisar. Então cada família tem necessidades muito específicas. Tem família, por exemplo, que é agro, exportador, com exposição a dólar. Tem família que chega para mim e fala: “não quero saber de dólar”, entendi, “porque eu já tenho, eu recebo em dólar, minhas vendas são em dólar, então não quero saber de dólar, quero outra coisa”. A família que tem incorporação, tá no meio da construção civil, fala: “não quero exposição às incorporadoras ou não quero CRI porque eu já…”. Ele não faz o hedge de que precisa. Então você tem que olhar é o todo. Tem família que ainda produz liquidez, tem família que não produz mais, que vendeu, exato. Então você tem um outro cenário: então uma coisa é o cara tem duas empresas, vendeu uma, a outra tá indo muito bem, e ele usa pro dia a dia o dinheiro que recebe da outra; outra coisa é o cara vendeu a empresa, não tem mais nada.
Então ele vai viver com a renda.
Ele vai viver com a renda, então eu preciso assumir, eu preciso produzir fluxo de caixa, porque ficar também resgate antecipado, você toma pênalti. Então tem que produzir, e são carteiras muito particulares.
Legal, que legal.
É uma gestão específica por família. E específica, então quando às vezes perguntam o volume mínimo, eu falo: “10 milhões”, eventualmente deve subir para 20 esse ano. Eh para aumentar o ticket médio e, porque de fato não dá, não é arrogância, não dá, e não… O o meu negócio não daria retorno se eu fizesse isso para R$ 5.000.
Total, exato, você não consegue, não tem como. Perde, perde a característica do seu negócio.
Isso, isso.
Top! João, pra gente já entrar na parte final, cara, que que você vê pro futuro do nosso país, eh com uma política do jeito que tá indo, em que tipo tão mudando a lei para conseguir ajustar algumas coisas, por exemplo, mudar a Lei das Estatais para colocar cabide de emprego em tudo quanto é estatal, voltando atrás de coisas que nós fizemos, querendo voltar atrás na reforma da Previdência, cara, umas loucuras que você fala: meu Deus do céu, cara, pelo amor de Deus, demorou tanto pra gente chegar a aqui, e se isso acontecer… A gente olha que o Brasil é um navio, ele não faz uma curva rápida, cara, quando se ele resolver fazer uma curva a 90º, ele tá ferrado, ele vai demorar um raio enorme de de transição. Então quando você vê algumas coisas que estão sendo feitas nesse governo, na minha opinião, eu falo: “meu Deus do céu, a gente tá perdendo 10 anos de país”, sabe, na minha cabeça. Qual, qual é a tua percepção eh pro país? Qual é a tua percepção… Você é o economista muito ligado no, no, em tudo, em geopolítica inclusive, você é esse cara multifacetado que eu falo. Como você vê eh os outros… A gente se posicionando agora a, a junto com ditaduras, Rússia, China e tudo mais, como você vê o, a, o ocidente olhando pro país? O que que você acha que isso pode gerar? Você acha que isso pode gerar talvez num governo Trump da vida, que pode ser que aconteça, sanções contra o país? O que que você vê pros próximos anos, cara? Me dá uma, uma visão aí do geral mediante a tudo isso que tem acontecido.
Cara, vou começar pela, pela boa notícia. Acho que, diferente da Argentina, tem amigo gringo que, que, que olha emerging markets, e ele fala: diferente da Argentina, o Brasil sempre chega perto do precipício e não pula, a Argentina pula e pula, e pula, e pula, e, e talvez pule de novo agora, né, inacreditável. O país totalmente colapsado, inflação… Eu tinha certeza de que ia dar na primeira, eu tava com o pé atrás por conta dos, dos servidores públicos. Tem mais de 40% da, da população hoje depende do Estado.
Caraca!
Então assim, os caras: é difícil, vou votar em alguém que vai cortar o Estado, vai cortar o Estado, né? Então é isso, o populismo vai criando amarras, você não consegue se livrar dele a menos que você tenha uma população igual eu falei, os ingleses votaram 11 anos na Margaret Thatcher mesmo não gostando dela, que vai cortar gastos, mas tem que ser ela, o paciente tá com doença, doença grave, o tratamento é grave. Assim, historicamente o que eu acho que acontece no Brasil — o Marcos Lisboa fala isso muito bem —: o Brasil ele é sequestrado por grupos de interesse o tempo todo. E eu acho que esses grupos de interesse, eles têm um, um paradoxo: é o mesmo grupo que ajuda com que o Brasil perca todas as oportunidades de dar certo, mas também impede que o Brasil pule nos precipícios. Não é interessante para esses grupos de interesse nem que o Brasil dê certo e nem que o Brasil pule no precipício, porque senão mata o hospedeiro, porque senão você mata, eh o hospedeiro. Então o Brasil, eu tenho a sensação de que a gente vive numa situação de reprodução de mediocridade, é literalmente isso. A gente reproduz um modelo medíocre, a gente não caminha… Toda hora a gente vai pro precipício e pula, mas também a hora que a gente chega próximo de flertar com “vamos resolver o problema”, isso vai bater em certos grupos de interesse, por algum motivo a gente sempre toma a decisão errada, né? E eh não acho que a gente vinha de um governo também maravilhoso, acho que teve coisas assim desesperadoras. Mas, do ponto de vista macroeconômico, a gente tava tendo um enxugamento e eh e do Estado, e eu acho que a gente ia ver agora, viver um processo agora de privatização mais forte de ativos que com certeza fariam muito mais sentido estar com esse dinheiro no bolso do pobre do que no, no, e numa estatal. E, e eu acho, no final, serve para… E como economista, para mim é uma excrescência você fazer gasto em momento de expansão. Também o liberal que fala “não, o governo tem que pular fora disso aí”, não existe, a gente tá num país pobre. O governo precisa, a gente tá num país pobre com muita desigualdade. E, por sinal, o cara que se diz de direita que fala que é contra o Bolsa Família, não sabe o que é direita, porque o Bolsa Família tá no livro do Milton Friedman da década de 60.
Necessário, é necessário.
Eu falo, defendendo isso, que pro capitalismo funcionar, não adianta você ter um cavalo manco, com fome, um cavalo fortão e falar: “agora saiam correndo vocês todos”. Não, e o dinheiro precisa girar. Então você, você tem que, igualar as pessoas, os cavalos têm que estar nutridos, as pessoas têm que ter condições de competir. Acho que isso os programas redistributivos fazem, é muito bem. Mas a gente vinha de um, de uma trajetória de diminuição do Estado, onde boa parte do crescimento econômico — que surpreendeu os economistas durante o último governo inteiro, ela fala “ah, esse ano vai, vai crescer um”, crescia cinco, “vai crescer nada”, crescia quatro, o ano… Internacionalmente, né? O ano passado falavam, começaram o ano falando que ia ser empatado, depois crescimento de… Cresceu três o ano passado. É porque o crescimento tava vindo do setor privado, é muito mais difícil você projetar crescimento do setor privado do que do público, o público é fácil: “o governo vai gastar quanto? 2% do PIB”, exato, faz a continha lá. Então a gente entrou em 2023 num ano muito bom pro governo aproveitar que o PIB tava crescendo e continuar enxugando, guardando munição para uma crise, porque imagina se, se agora o Brasil entra em recessão. O Brasil entra em recessão, entra em crise, o que que o governo tem que fazer? Tem que tentar produzir demanda para tirar o Brasil da recessão, bom. Como é que você gasta se você já gastou? Já gastou, você não tem dinheiro nem para gerar demanda. Assim, de modo bem básico para quem tá ouvindo: o governo bem gerido deveria o quê? Na bonança, gasta menos, faz caixa; a hora que o setor privado engasga, vem uma recessão, você aquece a economia enquanto o setor privado se recupera, vai fazer… O Estado vai reformar coisas, o que não… Na pandemia gastamos, o mundo inteiro gastou, tá? Adoro o cara que é desinformado que vem citar o déficit do Brasil: o mundo inteiro fez déficit, inclusive maior que o do Brasil, foi uma pandemia. O Brasil foi bem, inclusive, né? Economicamente foi bem, gastou. Daí a economia reagiu, inflação e crescimento, você faz caixa, já, já vai vir outra crise porque o capitalismo é cíclico, vem outra crise, pega esse caixa e torra. Pô, a gente tava com 73% de dívida/PIB, agora já deve tá passando de 80, e só de… Sabe onde isso vai parar, pô? Imagina se cai para 60, se vai caindo bonitinho, etc., vai ficando lá perto de 70, atraindo investimento, atrai… Vem uma crise, eu tenho onde gastar. Então assim, eu não… Só que, respondendo à sua pergunta, eu acho que a gente vai ficar reproduzindo o estado de mediocridade que a gente reproduz desde que caiu o Império e começou a República: é um estado de mediocridade constante. E não acho que a gente vai virar uma Venezuela, Argentina, não vai. Vai ficar um país que gasta muito, e portanto o governo gasta muito, portanto o juro não consegue cair muito. E, e com o juro alto, as empresas também não conseguem fazer investimentos de longo prazo. Acho que tem gente em Brasília que precisa entender que o juro que importa não é o curto, é o longo, exato. Não adianta nada a Selic cair para cinco, abaixa… É o, é o, é o Roberto Campos que tá travando o Brasil, calar a boca tudo, ninguém fala mais, nada disso. Se o Roberto Campos amanhã sair, medida extraordinária, a Selic caiu para cinco, sabe o que vai acontecer com as condições de liquidez? Provavelmente vão piorar, piorar, exato. Porque vamos ver essa presepada, a curva, que é o que importa, o juro longo vai subir, é o efeito gangorra que aconteceu um pouco agora, né? A taxa de juro curta caiu e… É um efeito meio gangorra. As condições estão piores mesmo com o juro caindo. Uhum. Por que que o juro longo é importante, né? Para quem tiver lá em Brasília, tem gente no Ministério da Economia que talvez não entenda de economia, então vou explicar aqui: o juro longo é importante porque é ele que financia o investimento de longo prazo. O cara que vai montar uma fábrica, um investimento de infraestrutura, um aeroporto, esse… Ele vai se financiar a longo prazo, então ele não tá olhando a Selic, se a Selic tiver 13, mas o juro longo tá nove, é melhor do que a Selic a nove e o juro longo a 13, total, porque é este juro que fala: é o que o que eu vou coletar no próximo… Ninguém toma financiamento de curto prazo para fazer investimento de longo, pelo menos ninguém… Nenhum empresário decente, empresário sem gestão financeira talvez, aí o cara quebra, exato. Então o cara vai, vai entrar, vai emitir uma debênture, vai contratar financiamento com o banco para pagar em 7 anos, 5 anos, 10 anos, isso é o juro longo. Então a gente vai continuar com, com pouco… Com pouco investimento de longo prazo, ruim. O Brasil vira um país meio de “capital motel”, o que que eu falo capital motel: o juro tá alto, o mundo tá meio pacificado, vem para cá, temos juro tal, curte, hum, estourou alguma coisa, sai rapidinho, é um capital financeiro, é diferente do cara que vem e monta uma fábrica, de que não dá para você vender e tirar do dia para a noite, cara. De fato investe na economia real, na economia real, que era o que a gente tava tentando criar, você tem que criar essas condições diminuindo o juro, porque daí o cara não vai vir para cá… E segurança jurídica, segurança jurídica, que é outro problema. É, nossa, isso aqui é um caos, né? Quando às vezes falam “ah, os bancos esfolam”, por que que o juro é alto no Brasil? Dentre outras coisas, falta segurança jurídica. Porque falta segurança jurídica, pode dever à vontade. Você pega dinheiro emprestado comigo e você me dá, sei lá, os recebíveis da sua empresa em garantia, né, você me dá lá um monte de contas de que você tem para receber, bom. Nos Estados Unidos, se você me der a… Tomar, me der calote, ó, pego os recebíveis, ponho no bolso, então eu consigo cobrar um juro menor porque eu sei que se você me der calote, eu tenho… O seu risco é menor. É, o meu risco é menor porque eu tenho a garantia, ela funciona. Uhum. No Brasil, eu já tive experiência com isso em banco de investimentos, e dependendo de onde você cai no Judiciário, a decisão é uma. Tem juiz que fala: “não, esses recebíveis aqui são essenciais para a existência da empresa”. O discurso parece bom: “ó, estou salvando uma empresa”. Só que, porque você está salvando esse mau pagador, outras empresas vão pagar caro, empresas boas.
Eu já, eu já me ferrei com isso aí.
Porque todo mundo tem que pagar juro alto para dar conta do caloteiro.
Tomei, tomei um… Você acredita que existe muito, muito, muita coisa errada, cara. Teve uma empresa que entra em recuperação judicial, aí ela fez uma reforma para aproveitar dessa… E, cara, nossa! E quebra tanta empresa. Nós tivemos uma também que a gente tava devendo um pedido grande, a gente tava com uns R$ 200 e poucos mil para receber, os caras entraram em recuperação judicial. Acabou. Não acabou, Rodo. Pode esquecer o dinheiro.
Tanto é que, no sistema financeiro, quando alguém pede recuperação judicial, a menos que você tenha uma garantia muito boa, uma alienação fiduciária de um ativo muito bom, ou, ou aplicação financeira, você tem que marcar, já provisionar tudo.
Provisionar tudo.
Eu te emprestei 1 milhão, você entrou em recuperação judicial, provisiona tudo.
Total, PDD, vai embora.
Tem lá a curva de que você vai… É acelerada, 90 dias, 180 dias, e PDD não vale nada, é isso o que acontece, porque você sabe que você tá no Brasil, você não vai receber, não vai receber. E dano em si, não vai ter, não vai… Você pode subir isso para onde você quiser, não vai. Então hoje, por exemplo, eh a presidência contribuiu negativamente com o crédito porque aprovaram lá o projeto da Lei das Garantias, que seria um marco para dar mais segurança, e a presidência vetou alguns artigos que, por exemplo, a retomada de, de, de automóveis, por exemplo, acho que foi, foi vetado, foi vetado isso aí contra, acho que foi vetado contra a própria Fazenda. Ou seja, o ministro da Fazenda orientou o presidente: “faça-se, não vete”, porque é melhor o presidente falar “vetou” porque pro discurso parece bom, “não vou deixar tomar o carrinho de volta”. Mas justamente porque você não vai deixar tomar o carrinho de volta que um monte de gente justa que quer comprar um carrinho agora vai ter que pagar mais caro para cobrir o caloteiro de que vai sumir com o carro, é isso, ou que vai deixar o carro na garagem, o cara não vai poder pegar o carro, é isso. Então essa insegurança jurídica atrapalha muito o ambiente de crédito, e o pior é que o discurso da… E aí eu vou falar da esquerda, mas de novo, não, não colocando em caixas, tá, mas o discurso, esse discurso populista é: “ah, é a picanha”, as coisas, e, cara, é um, é um discurso tão superficial que, que engana as pessoas. Você vê o pobre se ferrando com isso e, cara, você não consegue nem explicar.
Mas é uma resposta à demanda, porque as pessoas no Brasil querem coisas. Por que que tem 40… Por que que tem 40 milhões de CPFs em apostas esportivas? Porque querem o milagre, exato. E quando você quer algo que é impossível, só uma mentira vai te satisfazer. Se você quer algo que é impossível, só um mentiroso vai conseguir prometer aquilo que você quer, né? Eu não acho que é culpa da esquerda, eu não acho que a culpa é da esquerda, eu acho que é o produto, é o que você fala: o Lula é o produto, o Lula é só um produto, o populismo do Brasil é o produto. O Bolsonaro também é um produto. Eu falo: pô, você vai, você vai para a Europa às vezes, imagina uma eleição Tony Blair contra Margaret Thatcher, né? Se fossem… Elas não são da mesma época, mas se fossem, cara, tem várias ressalvas contra o Tony Blair, né, preferiria, votaria provavelmente na Margaret, mas seria uma eleição muito próxima do “tanto faz”. É porque a esquerda europeia não é essa esquerda tacanha e radical e obsoleta do Brasil. É possível você ter uma social-democracia… A esquerda na Europa, acha… Tá voltando atrás de deportar o… A esquerda na Europa está acelerando as deportações agora, fizeram essa reflexão. Mas pega, por exemplo, Israel: o Parlamento Europeu, que tem muito partido de esquerda, votou massivamente para condenar o Hamas, taxar aquilo como organização terrorista, a favor, a esquerda. E por sinal, a esquerda mundial antigamente era muito mais associada a Israel. O fundador de Israel do estado, do jeito como é hoje, o primeiro, primeiro-ministro, que é super famoso, David Ben-Gurion, o símbolo do partido dele era a foice e o martelo. Caraca, o cara era de esquerda, né? Então assim, o problema é que a nossa esquerda não é civilizada, e a direita também não, sabe? Na semana acho que retrasada, a comissão, não sei se foi a Comissão de Direitos Humanos, eles aprovaram um projeto na comissão ainda — precisa de plenário —, proibindo o casamento gay. Eu vi, cara, isso aí é um, pelo amor de Deus! A líder da extrema-direita alemã é lésbica, o Trump se dá super bem, exatamente. E eu acho que isso joga contra a direita. Já, já a ciência já ultrapassou essa discussão, sabe? Uma coisa é a gente discutir transsexualidade, acho que tem uma super discussão lá. Sabe o que tá acontecendo também, na minha opinião: primeiro, fui totalmente contra quando eu vi isso, repudiei, sou… Meu irmão é gay, cara, é, e, cara, isso, isso ainda eu falo de meu irmão ser gay, isso doeu pessoalmente. Eu sou, é mesmo? Não sabia, cara. …então, cara, isso doeu pessoalmente no meu coração mesmo, falei: “caraca, bicho, eu precis…”. Eu sou mais velho que o meu irmão, eu ajudei o meu irmão a se, a se, a se abrir em casa com meu pai. Meu pai era machista para caramba, tal, foi tenso. Eu pessoalmente isso aí, eu sou de direita, falou: “cara, como pode a [ __ ]?”. E eles acabam alienando o seu irmão de, de votar nele. Se seu irmão é uma pessoa um pouco mais sensível a essa pauta… Eu sou, e sempre fui, um grande… Como a gente diz no mercado, caguei para isso, sabe? Não é um, não é um assunto… Exato. Eh, eh e, cara, sabe o que… Mas sabe uma coisa que eu acho que atrapalha a pauta eh gay: o jeito que tá se misturando a questão da homossexualidade com a transsexualidade, com a transsexualidade, cara. Tão pegando um debate legítimo, científico, e estão passando uma ideologia. Essa é uma discussão que eu sempre tenho, cara. Gabriel, cara… Esse, eu falo pro Gabriel, meu irmão: Gabriel, toma cuidado com essa [ __ ] [ __ ], sabe, tipo, não entra nessa, nessa fissura. Só que sabe o que acontece: meu irmão é de direita também, concorda muito com, com a, com a minha opinião e tudo mais, só que o universo da galera que, que, que ele interage e tudo mais, cara, você acredita que muita gente que até, muitas vezes até um, um namorado que ele conheceu, quando vê algumas opiniões de que ele tem, não… Cancela, cancela ele. Ele sofre cancelamento dentro… Mas aí, mas aí isso é uma teoria que eu tenho. Eu acho que, diferentemente das mulheres, compraram a ideia, sabe? E eu, eu acho que você pegar a mulher… Eu vou chamar a mulher de minoria por conta do poder, não por conta de número: tem mais mulher do que homem, total. Mas pegar a mulher antes de conquistar os direitos e pegar os gays antes de conquistar os direitos, a forma como que cada grupo conquistou o direito é muito diferente. Então, mulher, se você pega uma, as mulheres, você tem lá: Marie Curie, física; você tem Angela Merkel, política de direita; você tem a Michelle Bachelet, uma política de esquerda; você tem a Hillary Clinton no Partido Democrata; você tem a Dilma Rousseff aqui, que foi presidente pelo PT; você tem a Rita Lee, que faleceu agora, que era uma roqueira. Então, as mulheres, elas se emanciparão de uma forma horizontal, tudo. Elas conquistaram, elas conquistaram o mundo horizontalmente, todas as mulheres de todas… Eu acho até que você tem um, uma, um grupo de mulheres radical-feministas, às vezes, que tem uma propensão mais à esquerda, mas se você olhar, as mulheres são bem homogêneas. E pelos países tem mulheres, tem países onde a maioria do eleitorado feminino é conservador, né? Inclusive no feminismo americano ele prosperou, o feminismo tradicional lá antigo, quando as mulheres progressistas se uniram com as conservadoras que queriam votar, mas por outros motivos, porque queriam evitar homem bêbado dentro de casa, né, queriam preservar a família, quando elas uniram os interesses. Então foi um negócio homogêneo onde você não cancela ninguém, elas aprenderam ao longo do tempo que elas são mais fortes juntas. Eh eu tenho a sensação de que os gays se emanciparão de uma forma vertical: você tem uma vertical barulhenta, eh e que vem de um pacote de que puxou, e acho que tem um mérito de ter puxado a discussão. Só que hoje, passadas décadas, acho que esse assunto tá super naturalizado. Eh essa vertical virou o que a gente chama de narcisismo das pequenas diferenças, essa vertical comanda a emancipação e não aceita diferenças. Então qual que foi a vertical? Foi a vertical das paradas, a vertical mais exibicionista, a vertical mais promíscua, mais usuária de drogas, que é isso de que fica, então… Que é o que, que é o que é o que se vende, na verdade. Isso, eu tenho um amigo que é psicólogo, que ele fala que, e, e, e tem pacientes que eram mais felizes atrás do armário, porque saíram do armário, o cara, o cara é boiadeiro, gosta de rodeio, churrasco, odeia Anitta, tal, e daí o cara… Daí ele sai do armário, ele passa a ser rejeitado… Ele tem que comprar o pacote. Ele tem que comprar o pacote, [ __ ] que pariu, ele tem que comprar o pacote. E quando a direita brasileira faz esse movimento de querer proibir o casamento gay, ela afasta esse cara que poderia ser esse… Exatamente. Eu vejo isso, cara. Perguntaram outro dia pro Jordan Peterson, que é um psicólogo, ele é conservador, sobre o casamento gay, falou: “sou a favor”. Daí o cara, a plateia: “como assim a favor?”. Falou: “cara, eu acho que a gente tem uma epidemia de solidão e de ansiedade em todos os setores do, do da juventude, não só gay, os héteros também. Se pegar os mais jovens, tem uma epidemia. Como que eu resolvo essa epidemia de promiscuidade e depressão? Fortalecendo a família”. A família, e quando, quando a direita faz isso, ela tá afastando o que ela promoveria. É isso. Então deveria abrir o, a, a família: “pô, se eu tenho uma instituição de casamento…”. Democratizar a família. …isso, eu tenho uma instituição tradicional que é o relacionamento monogâmico regulado pela figura do cas… Da instituição do casamento, eu tenho que abrir, falar: “vem para cá”, porque se eu não fizer isso, o cara vai procurar abrigo em outro lugar, exato. E ele vai procurar abrigo no outro lugar, quem vai abraçar eles? Quem vai abraçar é por… É por isso que você vê eh arranjos de poligamia de todas as coisas mais entre jovens e mais eventualmente em gays e lésbicas, porque foram, estão sendo rejeitados pela família. Então assim, eu tava tendo uma discussão com um colega que é político, né, não é segredo para ninguém, no ano passado eu tentei ajudar na, na, na, na campanha, fui a Brasília algumas vezes e tal, falei: “pessoal, a gente precisa… O jeito de conquistar é abrindo a…”. Assim, se pegar a direita que tá dando certo na Europa, ela tá focada no quê: contas públicas, fiscal, imigração, tal, e, cara, sim, tem um viés ambiental. Pô, não é segredo para ninguém de que a gente tá acabando com o planeta, eu tenho algumas discordâncias, mas tá acabando assim, eu tô muito mais preocupado com água potável do que com global warming, a gente pode discutir essas coisas, mas que tá acabando, tá. O cheiro do Rio Tietê é horroroso. Existem evidências, existem evidências. Então focar nisso, focar no econômico. Como é que o conservador ganha eleição na Europa: falando de cortar impostos. E outra coisa, falei: a forma da nossa direita é muito ruim, né? Tava conversando com esse colega, falei: não falem em corte de gastos, falem em corte de impostos, exato. Você tá falando a mesma coisa. Se você quer manter o equilíbrio, fala… Exato, se você… Você tem que falar de um jeito que a população abraça, é isso. Dói muito mais pro cara pagar imposto do que pensar em gasto, porque gasto para ele é dinheiro que vão tirar dele. Pô, eu recebo isso, recebo aquilo. Então fala: não, corte de gastos você não deveria falar em teto de gastos, sim em teto de impostos, exato. Nossa! Por que, cara? É a mesma coisa: teto de impostos, proibir… Carga tributária não pode passar de 34% ou de 33%, carga tributária não pode subir na Constituição. Não ia falar a mesma coisa de jeito diferente? Então a direita erra na forma, a direita europeia, a direita americana é mais profissional nessas… Aqui é mais bagunçado, é mais bagunçado, tá? Anos atrás essa questão do, do, do, do casamento gay foi: meu Deus, nossa, cara! Quando saiu isso aí, e eu nem, eu nem vi de que isso ia ser aprovado e tava em pauta, quando eu fui ver o que aconteceu, falei: “cara…”. Fortalecer, de proteger as famílias e as crianças do trans, total, que é um debate que está aberto na ciência, não quer nem dizer que sim ou que não, né? Você tem estudo, tem um estudo de… Num país escandinavo, não lembro agora, que esse estudo chegava à conclusão de que a maioria das crianças com disforia de gênero, que chama, né, e na verdade se você deixasse ela quieta, a maioria, maioria mesmo, 80%, 90%, ela ia chegar à conclusão de que na verdade era gay, que não estava se entendendo. Exato, isso. E, portanto, eu acho… Eu até falo para amigo que é gay, falo: “a gente, se a gente defender isto, me parece que a gente tá promovendo um genocídio a nós mesmos, porque nós estamos promovendo a Mutilação… Tão promovendo a mutilação em massa de crianças que na verdade são gays, que estão se conhecendo”. Estão no processo de descoberta, que é normal entrar em crise. Assim, neste estudo — esqueci o, o nome, depois posso até te passar —, nesse estudo que é um estudo de um país escandinavo, 80%, 90% resolvia sozinho. Como que a gente troca ideia sobre esse assunto se você não pode questionar? Não pode, vai ser associado como transfóbico. No Brasil inclusive hoje isso é crime, é crime, é crime. Você ter esta… E e essa discussão, se você não tiver muito cuidado, vão te colocar como… E assim, eu não tô falando que, cara, vamos, vamos avaliar, vamos ver se é isso mesmo, vamos ver os dados. A direita ajudaria muito em abrir as portas. Cor… Exatamente. Aí vai lá e proíbe o, o relacionamento, o casamento. Tá, para você ter o debate, falou uma coisa: esse debate aqui que é científico, inclusive, não precisa ser gênio para observar no, na história humana, na história dos outros primatas e outros e outros mamíferos, etc., outra coisa é você ir para um debate eh que é o debate de trans, que tem cada vez mais característica de ideologia do que de ciência. Esse negócio de gênero neutro, cara, é ridículo, meu Deus do céu, cara! E, e me parece… E toma forma, né? É, me, e me, e me parece que isso você, você não ajuda a criança. O Jordan Peterson, psicólogo, fala muito isso: a se firmar no seu corpo, na sua identidade, você acaba criando um indivíduo que é isso: ele é tudo, que é o que é o they no inglês, o que que você é? “Eu sou they, sou uma entidade, eu sou tudo, eu sou cachorro de manhã, eu sou gato”. Ele, ela não é assim. Alguém precisa levantar a mão e falou: “pessoal, a que ponto…”. Mas com 70 anos de idade você vai fazer exame de próstata, exato, é igual você m… É, mulheres de próstata, [ __ ] isso atrapalha. E não atrapalha a ciência? E a ciência não pode questionar. Não vou citar, não, mas tenho um amigo que é diretor médico num hospital grande aqui em São Paulo e tava num congresso tal, recentemente, e lá fora tava tendo esse debate do d… De como tratar esse paciente. Falou: “gente, prejudica o tratamento do paciente”. Eu preciso saber, né? Então ele mexe com, com, com dermato, especialização dele, falou: “paciente que tem psoríase”, ele falou, “se ele é homem ou se ele é uma mulher tomando testosterona, muda tudo, tudo”, entendeu? Não pode perguntar, cara. O paciente que tá com, com uma crise de acne pesada e é uma mulher tomando testosterona, eu vou ter que falar: “olha, é ciência, o teu corpo biológico feminino, quando você… Se você tirar a testosterona, vai sumir, resolveu o problema”. Então essas discussões estão morrendo por quê? Porque é politicamente incorreto falar sobre isso, não pode levantar o debate, não pode levantar, é complicado. Nossa Senhora, cara, que caos! Então eu sempre que tenho reunião com alguém envolvido na política, falou: “olha, vocês precisam começar a separar o joio do trigo, e porque senão a esquerda vai conseguir criar um curral eleitoral, acabou. A gente, se a gente se prendeu, a gente não consegue mais discutir, e eles dominaram. Porque eu falo: como que eu vou defender o voto numa política econômica conservadora se ela vem casada com uma série de políticas sociais que não faz o menor sentido, estão ultrapassadas? Só questionar já é, já te coloca… Ultrapassadas. Eu tenho muito amigo gay no mercado financeiro que não conseguiu votar no Bolsonaro porque tinha receio dessas políticas avançarem. Eu não acho que eles estão errados, porque essa… Que essas políticas estão avançando sem ele. Imagina sem ele, imagine com ele. O cara falou: “cara, eu não posso votar num cara que, se eu estiver com o amor da minha vida tá se relacionando 40 anos de idade com a pessoa, eu tenho uma família, não posso ter uma família, total, é isso, é, é a burrice da direita no Brasil”, entendeu, que afasta, que afasta, afasta, que afasta. Vai ver se o Boris Johnson quando fez aquela supermaioria — depois ele saiu por um escândalo muito particular —, perdeu tanto voto de, de, de gay igual o Bolsonaro perdeu aqui, não perdeu, né? Com certeza, eu imagino que o Labour Party tenha atraído a maioria do voto, mas é uma, uma diferença 60/40, aqui deve ter sido 90/10. Total, exatamente. É, entendeu? Virou um curral eleitoral pesadíssimo que a esquerda soube se apropriar de… Pesado. Isso, e a, a direita europeia agora tá nadando de braçada nessa guerra de Israel, e a direita nossa perdeu a oportunidade. A direita europeia agora tá falando: “tá vendo, ó? Sabe quem vai permitir que vocês possam se casar? Nós, os conservadores, porque a gente é o seguinte: o cara quer vir para cá, ele tem que abraçar os valores ocidentais: liberdade de expressão, liberdade de casar com quem quer casar”. Aqui até a liberdade de expressão tá tolhida. Então a gente, a gente… A direita nossa perdeu uma oportunidade de ouro de crescer em segmentos de, de minoria, né, de falar: “olha, que vai fazer muita diferença”. Ô, imagina se vem um projeto, se vem um projeto da direita falando: “ó, vamos, vamos passar em lei a questão do casamento gay, inclusive para proteger a liberdade desses grupos radicais religiosos”. Meu Deus do céu, você é louco, é per… E perde, falta… É, e é, é burrice, cara, esperteza, parece… Parece que, parece que eles não têm assessoria, por mais que, por mais, João, cara, por mais que eles não concordem, o cara lá tá… Por isso, por pura estratégia, sabe? Pelo amor de Deus, cara. Eu acho ridículo, eu fico chateado com essas coisas. Se a gente não quer que a esquerda tenha sucesso, ela tem em criar esses pacotes, que a gente saiba… Precisa se abrir, precisa, precisa ajudar o brasileiro. E outra, não é porque o cara… Porque a gente aliena também muito eleitor, porque o cara votou na esquerda em determinado assunto, uhum, “você é esquerdista”, cara. Desencaixotando as pessoas, não pode encaixotar nem para um lado, nem para o outro, por isso que o debate é importante, sabe, de saber trocar ideia e tudo mais, porque senão você acaba dividindo. Agora, agora, a esquerda civilizada e a direita civilizada, elas existiram em 2022, nenhuma foi para o segundo turno, é isso aí. Você tinha lá o Luiz Felipe D’Avila, sim, quantos votos ele teve? Ninguém foi para ele, ninguém foi. Você tinha… Sim, falavam “terceira via”, mas ninguém tava disposto… Você acha que o Brasil estaria melhor se a Simone Tebet fosse a presidente? Não, eu acho que sim, você acha que sim, com certeza sim. Simone Tebet não era de esquerda, ah não, comparado ao Lula hoje, é isso o que eu estou falando. Você acha que o Brasil estaria melhor se, ao invés do Lula, fosse a Simone? Ah, não, lógico, lógico. Qualquer um, na verdade, naquela… Não, não, você tinha extrema-esquerda ali concorrendo, que acho que não… Ah, não é… É, mas o… Ah, e, e mesmo assim, ó, D’Avila com certeza ia fazer um, um melhor governo; Simone Tebet ia fazer um melhor governo. Tem aquela outra moça lá que, que eu achei extremamente despreparada, a Soraya. A Soraya não ia deixar passar essa reforma tributária, eh que é, aliás… Aliás, era até monótono, imposto único federal do professor Marcos Cintra. Nossa, e, e por isso… Nossa reforma tributária, eu costumo falar, essa reforma tributária, ela é maravilhosa pro pós-guerra, ela, ela… O pilar dela parte, na minha opinião, sim, sim, sim, é, é… Parte do pressuposto de uma sociedade industrial, nós não estamos mais numa sociedade… A gente tá entrando com IA, acabou com o serviço, o serviço vai… Meu Deus, isso, a gente tá entrando com o IVA, que é um imposto maravilhoso, que cumpriu seu papel, Europa… Os Estados Unidos usavam tá 50, 60, 70, 80 anos depois, exato, enquanto os europeus e americanos já estão pensando em como tributar direito a economia de serviços, exato, tá tendo essa discussão de um pequeno imposto em cada transação, sabe? Isso vai acabar com o serviço no Brasil, cara, tá todo mundo desesperado, quem, quem presta serviço no Brasil, exato, né? Então assim, você vê, a gente tá falando: “ah, mas tinha a Soraya”, a Soraya não ia deixar passar isso, segurar… A gente tá seguindo um, um, um modelo que funcionou lá atrás, teve muita proposta boa em 2022, nenhuma delas foi pro segundo turno, a gente escolheu, o país… Os extremos irem pro segundo turno. E aí, e aí entra aqui o que a gente falou no começo dessa discussão toda: presidencialismo, esquece. Estados Unidos, Estados Unidos é um bicho… Founding Fathers fizeram perfeitamente aquilo lá, fizeram de um jeito muito difícil de desamarrar, sim, eh tirando os Estados Unidos, país grande no geral funciona melhor com Parlamento, total, com Parlamento, porque se deixar… E de preferência distrital puro. O que que é distrital puro: o Brasil tem 200 milhões, cem e poucos milhões de eleitores, 200 e poucos milhões de cidadãos, você divide aquilo lá por 513 deputados e cria os distritos, acabou. Então, ah fazendo aqui conta de padeiro, vai dar 200 e e poucos mil… Eh é 200 e poucos mil eleitores por deputado, então aqui em São Paulo vai ter alguns deputados, pega lá, lembro Araras, interior de São Paulo, junta, vai ter um deputado só. E, pô, a campanha fica barata porque não, não adianta você fazer campanha nacional, cara, você tem que ganhar no bairro ali, acabou, ganhou, você representa isso, tem que ir para a rua. A campanha fica barata, fica auditável, você sabe quem que é o seu representante, o brasileiro não sabe, não sabe, né? E o Parlamento ganha o, o parlamentarismo com, com o distrital puro, quem que ganha a eleição? Quem tem mais votos, isso obriga a se consolidar, acaba sobrando três, quatro partidos, então você vai votando em ideias, exato, então muda tudo, mas ninguém quer resolver, ninguém quer… Não, o Brasil não… A pessoa não, não pensa a solução.
João, rapidinho, cara, o papo tá muito bom, mas a gente tá encerrando e eu preciso… Mas tem uma pergunta ainda para te fazer, só quero agradecer os patrocinadores, já volto contigo.
Fácil usar quanto uma rede social, testa, entra no site dos caras, abaixa o site lá, eles têm um plano super baratinho, super em conta, custa sei lá, R$ 50 ou menos, e você vai ver o quanto isso ajuda você a gerenciar a tua empresa, cara, é obrigatório, tá? Esquece papel de pão, esquece planilha do Excel, “ah, mas eu, eu ainda sou pequeno”, é exatamente esse o momento certo para você começar a usar. E se você já tem um ERP que não te atende ou não tem, considera a SMB como o parceiro ideal, tá bom? Eu uso no Além do CNPJ, posso garantir para vocês que é muito fácil, muito simples de usar e vale muito a pena porque te dá visão importante para gerir o teu negócio, tamo junto SMB, tamo junto Alonso, obrigado pela parceria aí. Agora quero agradecer a WJR Consulting, do meu parceiro Valenstein Júnior: gestão financeira descomplicada para empresários. Aqui tá o site, aqui tá o Instagram do, da WJR, e eu posso falar o seguinte: algo que mudou minha vida lá atrás foi quando eu comecei a gerenciar a parte financeira do meu negócio de maneira profissional, por que eu demorei tanto para fazer isso? Porque eu não tinha conhecimento, por mais que eu sabia gerenciar, eu gerenciava a empresa por fluxo de caixa, eu olhava se eu tinha dinheiro ou não, quanto tempo ia durar e assim era como caminhava a humanidade. E aí muitas vezes eu não sabia se eu, se tava dando lucro, se não tava, porque essa análise nem existia porque eu não sabia fazer, e posso falar, possivelmente você tá escutando isso e tá sentindo na pele o que eu tô falando, porque realmente, cara, às vezes você não sabe se de fato isso faz sentido para você ou não, se você consegue ter lucro ou não, porque muitas vezes você também não tem esse controle. Quando eu trouxe uma consultoria financeira para me ajudar com precificação, com DRE, com análise de capital de giro, com análise de fluxo de caixa, com toda essa parte aí, cara, minha vida mudou, comecei a eliminar os ralos de dinheiro, aumentar o fluxo de dinheiro e comecei com gestão a fazer sobrar o que de fato já poderia ter sobrado há tanto tempo, mas por falta de gestão não tava conseguindo. A WJR é uma consultoria para todos os bolsos, eles têm consultores para todos os tipos de negócio, e se é um investimento que se paga no primeiro mês, você vai meu, me agradecer, pode voltar, contrata a WJR de olho fechado e depois volta aqui para me agradecer, tá bom? Tamo junto, obrigado, obrigado WJR, obrigado Valenstein pela parceria e vamos que vamos, tamo junto, sucesso. Agora eu quero agradecer a Agora Marcas, o registro de marcas mais rápido e fácil do Brasil. A Agora Marcas é uma startup que revolucionou o registro de marcas no Brasil, eles registram uma marca em pouquíssimas horas, de modo 100% online e, mais importante de tudo isso, com um preço super justo. Tá aqui o o site da Agora Marcas e o arroba da Agora Marcas, e uma coisa legal que eu quero passar para vocês é uma experiência própria, nem vou ficar falando da Agora Marcas porque vocês sabem o que é registrar a marca: é garantir que você possa usar a tua marca, o teu logotipo, que ninguém te copie e, principalmente, que ninguém roube tudo o que você construiu através de uma marca de que as pessoas começam a reconhecer no mercado. E aí eu quero trazer uma experiência pessoal: eu já contei no último episódio que eu passei um perrengue gigantesco com uma marca que a gente lançou logo no começo da minha vida empreendedora, e eu perdi rios de dinheiro, mas depois disso não foi o suficiente para aprender a lição. Eu tinha um produto que eu vendia com um preço elevado no mercado e um concorrente entrou vendendo um produto mais barato, e aí eu comecei a ignorar por, por hora, mas ele começou a me incomodar, e aí eu falei: “já sei, vou criar uma linha de combate”. O que que é uma linha de combate? Eu não vou diminuir o preço do meu, mas eu vou criar uma outra marca totalmente diferente, e com, com essa marca, que eu nem vou atrelar à marca principal, eu vou começar a vender barato para também incomodar o cara e conseguir pegar essa de mercado. Mais ou menos o que a Brasil Cacau fez com a Kopenhagen, né? A Kopenhagen tava perdendo mercado para a Cacau Show, e em vez de baixar o preço do bombom da Kopenhagen, ela criou a Brasil Cacau para concorrer com a Cacau Show, então quem não sabia, né, a Brasil Cacau é da Kopenhagen, é a linha de combate para concorrer com a Cacau Show. Eu fiz exatamente a mesma coisa, então fui lá, criei um vídeo, fiz um vídeo super legal no YouTube que, inclusive, tá cheio de visualizações, comprei o domínio — o domínio tava disponível —, achei que o domínio disponível já poderia comprar e pronto. Investi em materiais também, eu já tinha passado aquele perrengue anos atrás, mas, cara, sei lá, bugou minha mente, foi em displicência real, e eu comecei a desenvolver aquilo até que, novamente, fomos acionados. E aí, nesse acionamento, nesse caso em específico, era uma marca de uma empresa totalmente diferente da minha: eu trabalho com vidro, ele trabalhava com painéis de LED focados em rodovias, mas, por acaso, eu usei a mesma marca de que ele já tinha registrado. E aí, para eu não perder os materiais, eu consegui, a… Numa conversa de parceria, trocar a minha marca mantendo a mesma, eh a mesma fonética, o mesmo jeito de falar, mas de escrever de um jeito diferente, em contrapartida de ele deixar eu usar uma marca parecida no jeito de falar, uma vez que eram mercados totalmente diferentes, eu daria o domínio para ele de presente. E aí, por acaso, por conta disso e por ele ser um cara super respeitoso e tranquilo, e tava a fim de solução e não de problema, nós chegamos nesse, nesse acordo. Mas isso gerou uma dor de cabeça gigantesca para mim, mais uma vez foi a segunda e última, desde então de que eu nunca mais errei com isso, sempre quando eu vou pensar numa coisa diferente, a primeira coisa que eu faço é registrar minha marca, e sempre há anos faço com o pessoal da Agora Marcas porque, cara, é muito rápido, é 100% online e super simples. Então você vai curtir demais, testa a Agora Marcas, entra em contato com os caras, é muito rápido, o preço é super justo e os caras são porreta no que fazem, pode ter certeza, e não erra nisso, tá? Aprende com meu erro e evita gastar dinheiro do seu bolso à toa aí, eh porque é importante a gente aprender com o erro dos outros, tá bom? Tamo junto Rodrigão, tamo junto Luana pela parceria e vamos que vamos, sucesso. Agora quero agradecer a Nova Depósito Materiais para Construções, há 26 anos atendendo desde pequenas reformas a grandes construções, desde o básico até o acabamento. Tá aqui o e-commerce deles: novadeposito.com.br e o arroba da Nova Depósito. Uma coisa que eu sempre vejo no universo da construção civil é que ou você, você cai na mão dos players grandes (Leroy Merlin e tudo mais), ou você fica na mão dos pequenininhos, que é uma porcaria de atendimento. Primeiro, é aquela imagem daquela, daquela loja de construção pequena com a luz apagada, um tiozinho encostado no balcão com a camisa entreaberta, cheio de pelos saindo para fora, aquela, aquele típico material de construção de bairro que é uma porcaria de atendimento, o cara nunca tem nada, ele tem um, um produto, ele não consegue competir com preço, basicamente. Ou você cai na mão dos grandes e acaba pagando caro e tudo mais, ou você cai na mão dos pequenos porque não tem nada e, e fica refém disso aí também, dessa falta de profissionalismo. E a Nova Depósito entra com uma inovação muito grande no mercado, e é legal falar disso porque inovação não necessariamente é fazer algo diferente, às vezes é fazer algo que todo mundo já faz, só que de, eh de uma melhor, eh com melhor, com uma melhor qualidade, um melhor atendimento, e os caras são esses, exatamente nesse, nesse lugar de que eles entram. Eles são uma empresa que atende desde as pequenas até as grandes obras com preço justo, com uma qualidade legal, os caras têm um bom atendimento, eles conseguem te dar uma consultoria, você consegue entrar no site dos caras e comprar por e-commerce caso precise de uma coisa simples, ou você pode entrar em contato com eles, fazer um orçamento, visitá-los. Eles são aqui do ABC, mas entregam geral em todos os lugares, se você é de São Paulo e tudo mais, eles fazem a entrega completa, e eu tenho certeza de que você vai gostar demais do atendimento dos caras. Quem já fez obra sabe o perrengue que é fazer obra, e o que você precisa para uma obra dar certo são de pessoas ao seu lado que são ponta firme, parceiros e fornecedores que são ponta firme, a Nova Depósito vai conseguir te ajudar com certeza e o atendimento dos caras é surpreendente. Então vai de olho fechado, Nova Depósito, obrigado pela parceria e vamos que vamos, tamo junto, sucesso. E aí, para finalizar, eu quero agradecer a D-T Live, esse espaço maravilhoso que a gente tá aqui, ó, tudo marronzinho, essa luzinha bonitinha aqui atrás, essa, esse microfone maravilhoso da Shure, coisa chique que a gente tem aqui, né? E toda essa estrutura, esse profissionalismo, a qualidade que, inclusive, melhorou do Além do CNPJ para trazer conteúdo para vocês foi graças a essa parceria de que a gente fez eh aqui com a D-T Live, que os caras são muito, muito profissionais e eles fazem transmissão ao vivo de maneira profissional, né? Então desde estúdio de podcast até pod… Podcasting in company dentro da sua empresa, transmissões ao vivo e consultoria de streaming e transmissão de shows, congressos, palestras, eventos e muito mais. Se você tá fazendo um evento, um show, uma palestra, um curso, um congresso na sua empresa, tem pessoas de fora do estado, difícil trazer, é muito mais barato, muito mais eficiente, inclusive dá para transmitir ao vivo e deixar gravado esse, esse material para novos acessos, cursos de treinamento e tudo mais. Tudo isso você consegue fazer com a parceria com a, eh criando uma parceria com a D-T Live e, assim, sem se preocupar com nada. Os caras são profissionais, tem eventos grandes, coisas grandes que eu conheço aqui bem próximo dos bastidores dos caras que acontecem aí pelo Brasil afora, São Paulo, shows enormes internacionais que tem gente que pede ajuda pros caras pedindo consultoria técnica, então quando você fala de D-T Live, você tá em boas mãos. E não é porque os caras são, são feras desse jeito de que você vai pagar caro por uma, por uma transmissão ao vivo e tudo mais, cara, cabe para todos os bolsos dependendo do tamanho do seu evento. Então, cara, você vai ver que se paga e é muito positivo o, o impacto que isso traz para os seus eventos, para as suas transmissões. Tamo junto D-T Live, tamo junto Tiagão. Site e arroba dos caras aqui na tela. Isso aí, tamo junto, obrigado a todos os patrocinadores, sucesso, tamo junto, valeu Tiagão.
João Henrique da Fonseca, agora, bicho, eu vou te fazer uma pergunta final, por isso que eu tô batendo na madeira, porque é o seguinte: você viu que eu já bati a madeira, cara, imagina que você tá saindo daqui, tá voltando para tua casa, cara, você bate o carro e morre. Pelo amor de Deus, por isso que eu tô batendo na madeira mais uma vez, três vezes, mas, cara, essa é a tua última aparição pro mundo, cara, cara, suas últimas palavras. Qual seria, bicho, a a tua mensagem para a humanidade, porque acabou sua existência dessa vida e já se foi, e você quer deixar um recado, se fosse a tua última mensagem, qual mensagem você deixaria pro mundo, cara?
Cara, acho que são duas coisas: primeiro, eh se conectem com vocês mesmos, descubra por que que você veio aqui, você não veio para a Terra para não fazer nada e para se divertir. Divertir não é ser feliz, acho que se conecta… Exato, é aquilo que a gente falou, né? …com você mesmo, e, e, e vai atrás disso, sem dúvida nenhuma, eh e segundo ponto: não tente mudar o mundo, tente mudar o seu mundo.
Nossa, eu, eu sempre falo isso para todo mundo.
Construa o seu mundinho, sabe? Não tenta mudar o mundo, você vai se desgastar…
Fortíssimo isso, fortíssimo.
…mude o seu mundo, sabe? Escolha bem as pessoas à sua volta, escolha bem como você trata as pessoas, escolha onde você vai… Outro dia um amigo meu que tem filho me perguntou: “você acha que o Brasil eh vai para frente, vai mudar? Tenho um filho”. Cara, de verdade, na sua posição, com filho, eu acho que eu mudaria do Brasil, eu não tenho obrigação nenhuma, nenhuma de ficar aqui e tentar mudar esse país. É um amigo que tem muita liquidez, um amigo tá muito bem de vida, tá tranquilo, falei: “cara, tranquilo, sai daqui, vai… Pô, tem tanta cidade no mundo que não tem um homicídio há mais de 20, 30 anos, cidade boa, país rico, educação boa, vai, vai embora, muda o seu mundo”. Exato. Não se, não morre tentando mudar o mundo, esquecendo de viver a sua vida, de que não dá. E se frustra, não dá, não dá. E eu digo mais: a probabilidade de você mudar o mundo mudando o seu mundo é maior, é bem maior, porque é aquele efeito borboleta também, você… É bem maior. Se você mudar o seu mundo, você tem uma chance de causar algum impacto no mundo. Agora, [ __ ] fica perdendo tempo aí tentando salvar o planeta, não arruma o lençol da…
Caraca, não, essa dica é muito forte, cara, muito forte. Mudar o seu mundo, mudar as pessoas ao seu redor, eh tratar as pessoas bem, é dar, é dar um bom dia pro porteiro de verdade. Cria a sua bolha, a bolha do, do bem-estar, da gentileza, é isso, da educação, da conversa, é isso. Só o meu, o mundo pode estar caindo aos pedaços e eu não, não tenho muito o que fazer, e ele tá caindo aos pedaços, o que eu posso fazer é construir o, o meu mundinho, o mundo, fazer o nosso mundinho aqui bom, mundinho, legal. Vou levar essa, vou levar essa, essa… Bom, cara, não, cara, de novo, um prazerzaço, sério. Eu sou teu fã de verdade, gosto muito do seu conteúdo, gosto muito dessa sua… Ser multifacetado eh de vida mesmo, cara. Você é, você estuda piano, você é um cara sensível à arte e tudo mais, você é uma economista, você é um cara que é muito pragmático em opiniões e espiritualizado, sabe? Essa… Você escrever um romance, essa multifacetas de que você tem, é, eu acho que é o… E mostrando isso de forma natural e trazendo… Até Tiagão, põe de novo o b.g. do, do João, por favor: sigam o, o JH da Fonseca no Instagram, o João, cara. Acompanha os stories do cara, é muito bom. Pena que ele não é influencer, eu falo para ele: tem que ser influencer, você tem que… Tem que seu mundinho. Mas, cara, quem quiser entrar no trem, fica à vontade, cara. Se o João, sério, sem brincadeira, eu falei isso para ele antes de começar, se ele estivesse há um ano produzindo esse conteúdo que ele produz no story, mas trazendo os stories principais para o feed, ele estaria por baixo com 300.000 seguidores, eu falo: “cara, é uma pena o Brasil…”. Porque você pode…
Mas daí acaba a minha vida pessoal, cara.
É isso é verdade, tem que ficar esperto com isso aí, mas, cara, seria muito…
Vida pessoal tem que ser bola baixa, escondido, o povo gosta de mostrar, eu fico longe.
Mas, João, cara, você ia conseguir, cara. De novo, vou ser insistente aqui, tá? Pensa nisso, por quê? Porque se você vai, você vai expandir teu mundinho, você vai expandir teu mundinho e vai influenciar outras pessoas, cara, com essa visão de que você traz, essa… Eu acho que seria muito legal pro, pro país, assim.
É, eu tenho que ser muito responsável também com, com os meus clientes, com o meu mundinho, com as pessoas que dependem de mim, que se eu conseguir extrapolar e adicionar à sociedade dessa forma complementar, que é óbvio que talvez esteja fazendo um pouquinho, ótimo, né? Mas até uma coisa de que eu sempre brinco quando me falam de influencer, de Faria Limer, tal, não sei o que, falo: “cara, eu ganho dinheiro trabalhando e gerindo o dinheiro dos meus clientes, é assim que eu sou pago”. Sua vida tá ali. Se eu estivesse na internet o dia todo, é porque provavelmente eu seria melhor nisto, vender algum conteúdo, do que em gerir dinheiro. Os bons gestores de dinheiro não ficam vendendo curso, cara. O, o capital é escasso, o ser humano vai fazer aquilo que ele é melhor remunerado e faz melhor. Então é uma opinião minha, eu trabalho, e ao longo do dia uso o Instagram para comentar política, filosofia, economia, vida.
É, querendo ou não, você tá analisando, vê um insight, vê alguma coisa, você vai lá e faz download, por exemplo.
Ah, tô falando da guerra, eu tô falando de economia, tô falando do mercado, e de repente eu tô viajando, vida pessoal: fui pro Vaticano e vou comentar de, da Igreja, da arquitetura, falar: “cara, olha a Pietà aqui, como que um moleque de 20 anos fez isso, né?”. Vou falar: “pô, como é que o Michelangelo fez tudo isso e hoje a gente não consegue produzir nada com, com essa qualidade?”. Eu, eu falo aquilo que tá, que tá vindo de dentro de mim, não vou falar “não, agora eu preciso falar desse produto aqui”.
É, você, você faz download da tua mente lá, isso é muito legal. Então, cara, sigam o… Eu sei que ele não quer ser influencer, mas tô dando esse apoio. Sigam, porque vale bem a pena seguir, é um conteúdo bem legal. E, cara, obrigado, como eu te falei, gosto muito das, das tuas opiniões, e obrigado por ter aceitado o convite, tô muito feliz, a gente volta aqui. E, cara, isso de que eu queria te falar, eu tô eh agora pro segundo, pra quarta temporada do, do podcast, que é a partir de janeiro, eu, a ideia, cara, em vez de ficar buscando novos convidados, uma hora você começa a, a perder um pouco a própria essência do podcast de trazer gente que não faz muita conexão com o assunto porque você tá precisando de convidados, às vezes vale mais a pena você continuar uma conversa.
Exatamente, é isso do que eu tô falando.
Eu vou trazer para janeiro, eu quero, para janeiro, eu quero continuar conversas, então eu te convido a voltar.
Sim, sim, e às vezes a gente vai ver esse podcast aqui, vai: “hum, aqui dá para…”. Até porque eu sou meio prolixo às vezes, vou pra Psicologia, volto pra minha infância…
Legal, eu acho que essa é a ideia, a ideia é a gente trazer o que tá vindo na mente, cara. Eu achei que esse podcast foi muito legal, tenho certeza de que você gostou também, cara, mais uma vez agradeço, obrigado mesmo, cara.
Tamo junto.
Boa viagem para casa, porque você mora longe daqui.
Até a Faria Lima agora, agora não é tão, tão… Agora você vai demorar 45 minutos, 50 minutos, coisa rápida.
É rápido, é rápido, 50 minutos. Pra gente que é paulista, a gente acha pouco, mas pessoal do interior fala: “15 minutos é longe”, né?
É, eu acho longe, eu moro aqui em São Paulo já faz tempo, eu acho longe, acha longe, né, cara? Por isso que eu gosto de…
É, gente, você quer deixar algum recado final? Tá, quer tá dado, se quiser, a gente volta aqui para… E, cara, de novo, te convido mesmo a voltar, vamos já, até vou até pedir pra Rebeca te chamar lá, já marcar na agenda, sim, a… Fala de outra coisa, da… Vem de coletinho, vem de coletinho de Faria Limer.
Galera, você que ficou aqui até agora, muitíssimo obrigado pela companhia, de novo, siga aí o, o João. Eh espero que você tenha tido a experiência, como eu sempre tento trazer aqui, de você ter a exper… Ter a sensação de estar sentado à mesa com a gente. Eh comenta aí embaixo o que que você achou e tudo mais, tamo junto, obrigado e até a próxima, valeu!
Obrigado, pessoal, tamo junto!
