Gestão de Indústria Têxtil/Plástica, Internacionalização no Varejo dos EUA e Adaptação em Crises com o Grupo Mirandinha | Além do CNPJ (EP #77)
O Poder do Mindset de Solução na Indústria
No dinâmico mercado industrial e de consumo, muitas pequenas e médias empresas acabam estagnadas por tentarem aplicar métodos ultrapassados ou por temerem a complexidade do crescimento. No entanto, quando uma liderança une resiliência, inteligência operacional e foco obsessivo na solução, crises globais e gargalos de produção transformam-se em alavancas de escala.
No episódio do podcast Além do CNPJ, o host Felipe Cassola recebeu os irmãos Bruno e Thiago Mirandinha, diretores do Grupo Mirandinha — indústria brasileira referência no segmento de festas, confeitaria e utilidades plásticas, que produz mais de 10 milhões de unidades por mês e expandiu suas operações para os Estados Unidos.
Durante a conversa, os executivos compartilham a história da família, desde a criação artesanal de mini-bíblias e itens de gesso até a construção de uma ferramentaria própria com mais de 2.000 moldes de injeção, destacando a virada de chave que os levou a vender diretamente no Walmart e na Amazon norte-americana.
1. Da Gestão Familiar ao Modelo de Meritocracia
A trajetória do Grupo Mirandinha começou com a visão dos pais dos fundadores, em um modelo de produção informal e familiar. No entanto, o crescimento desordenado e a falta de separação entre o CPF e o CNPJ levaram a empresa a um momento de extrema dificuldade financeira.
Ao assumirem 100% da gestão, Bruno e Thiago estabeleceram uma governança corporativa rígida:
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Divisão Clara de Papéis: Thiago assumiu a gestão administrativa, financeira e o planejamento de expansão, enquanto Bruno concentrou-se no desenvolvimento de produtos, marketing e engenharia de moldes.
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Profissionalização da Equipe: Criação de um estatuto que restringiu a contratação de familiares e priorizou a meritocracia, trazendo executivos e consultores de grandes multinacionais.
[Gestão Informal e Familiar] ➔ [Reestruturação de Governança] ➔ [Profissionalização com Consultores] ➔ [Escala Industrial]
2. O Pivot na Crise: Do Paralisia para a Inovação em Escala
Durante a pandemia de 2020, o setor de eventos e festas sofreu uma paralisação de 100% da demanda do dia para a noite. Com estoques parados e faturamento zerado, a Mirandinha utilizou a sua ferramentaria interna para agir em tempo recorde.
Em apenas uma semana, a empresa desenhou e injetou mais de 10 modelos de frascos para álcool em gel. A inovação do álcool em gel de crachá (EPI) e os sachês higiênicos foram adotados por gigantes como McDonald’s, Bobs e Burger King, mantendo a fábrica operando em capacidade máxima e salvando o caixa da empresa.
3. A Matemática da Internacionalização: Brasil vs. EUA
Ao expandir para o mercado norte-americano, os sócios identificaram uma assimetria lucrativa no modelo de exportação e venda direta nos marketplaces globais.
[Produção no Brasil (Custo em BRL)] ➔ [Isenção/Incentivo de Exportação] ➔ [Venda em USD no Walmart/Amazon]
| Indicador de Negócio | Operação no Brasil (BRL) | Operação nos EUA (USD) |
| Carga Tributária Direta | ~30% sobre o faturamento no modelo industrial tradicional | Isenção de impostos de saída (Incentivo de Exportação) |
| Custo de Frete Interno/Logística | Custo operacional elevado de distribuição nacional | ~1% a 3% para nacionalização e envio aos centros da Amazon/Walmart |
| Preço de Venda do Produto | Exemplo: R$ 8,00 | Exemplo: US$ 10,00 (~R$ 55,00 a R$ 60,00) |
| Margem Líquida Proporcional | Exige R$ 5.000.000,00 de faturamento bruto | Equivale a um faturamento de US$ 200.000,00 para obter o mesmo lucro líquido |
“Devido às isenções fiscais da exportação e ao valor agregado do produto no mercado americano, faturar US$ 200.000 nos Estados Unidos gera a mesma margem de lucro líquido do que faturar R$ 5 milhões no mercado brasileiro.”
4. Estratégias de SEO para Vendas em Marketplaces Globais
Para ter sucesso na Amazon americana, a Mirandinha precisou adaptar seu processo de cadastro de produtos ao comportamento do consumidor local. O aprendizado gerou insights valiosos para qualquer e-commerce:
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Fotografia e Imagem Explicativa: O consumidor norte-americano exige fotos em altíssima resolução, infográficos explicativos e vídeos demonstrando o uso prático.
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Indexação por Termos de Busca Reais (Palavras-Chave): Não adianta cadastrar o produto pelo nome técnico oficial. É preciso cadastrar o anúncio com os erros de grafia e os nomes populares utilizados pelos clientes (como o caso do fabricante de calotas que multiplicou as vendas ao cadastrar o termo popular “carlota”).
5. O Legado do Processo
Ao final do episódio, os irmãos reforçam que a verdadeira conquista de um empreendedor não é o bem material ou o destino final, mas o orgulho da jornada construída:
“A felicidade não está na linha de chegada ou no carro que você compra, mas no processo e na transformação de vida que você gera para as pessoas que trabalham com você.”
Quer entender como estruturar sua indústria, otimizar sua gestão financeira e levar seus produtos para o mercado internacional? Assista ao episódio completo no canal Além do CNPJ!
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Então assim, quando você tem esses dados, essas informações na mão, você começa a achar, encontrar muito mais os erros e quem tá errando principalmente. E é, é aquilo que a gente comenta: os números não mentem. O Brasil, ele é referência em festas no mundo. É mesmo? Não sabia. Mais do que os Estados Unidos. Foi um dos poucos, né, segmentos que a gente viu que o Brasil tá, tá à frente. E se nós tivéssemos, obviamente, né, essa estrutura de hoje em 2012, a gente tava trilhardário. Trilhardário, cara! Porque a demanda era muito grande e a gente não tinha produção para entrega. Se a gente vendeu R$ 1 milhão de reais lá, né, que é R$ 200.000 a R$ 1 milhão de reais aqui, o lucro é o mesmo. Nossa! Então por isso a gente tá com um foco muito forte na operação de lá de fora. Se você vender R$ 5 milhões de reais no Brasil ou 200.000 nos Estados Unidos, você lucra a mesma coisa. Mesma coisa, isso aí.
Buenas, buenas, buenas, seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia com a gente. E, cara, hoje o papo vai ser empreendedorismo vida real, cara. O podcast já começou e vocês não acompanharam o que foi aqui a conversa de bastidores. Cara, eu vou perguntar tudo isso de novo que a gente acabou de conversar, porque foi muita coisa legal. E, cara, história de empreendedorismo de verdade, e a trajetória desses caras que estão voando, diga-se de passagem, traz muito insight pra gente, que inclusive eles falando aqui, minha cabeça já tava aqui, ó, maquinando em como eu posso aplicar esses insights que eles tiveram no meu próprio negócio. Então, cara, esse episódio com certeza absoluta — e já falo só pelo spoiler que eu já tive aqui — vai tá imperdível, vai ser imperdível. E, por favor, fica até o final, que com certeza você vai me agradecer no final. Então, galera, quero agradecer aqui a todos que apoiam o nosso podcast, os patrocinadores, e quero apresentar para vocês Bruno e Thiago, do Grupo Mirandinha. Meus caros, muito obrigado por aceitarem o convite, muito obrigado por estarem aqui, muito obrigado por topar trocar essa ideia, inclusive ideia essa que vocês vão contar bastidores da empresa que a gente tava conversando aqui, eu falei: vai ter que trazer pro ar.
Não, a gente traz pro ar! Muito obrigado, viu, cara?
Maravilha! Obrigado, Felipão, pelo convite. Parabéns pelo trabalho que você faz, né, o Além do CNPJ. Sou fã, acompanho muito. Estar aqui hoje sentado com você pra gente trocar essa ideia, né, esse papo de empreendedor, é uma honra muito grande.
Mas, cara, prazer meu! O Grupo Mirandinha, cara, quem não conhece, cara, pode ter certeza que alguma vez você já interagiu com o produto desses caras.
Isso aí. Agradeço aí justamente, né, o convite. Vamos aí para expor exatamente o que a gente passa no dia a dia e gerar insights aí pros empresários.
A gente trouxe até o presente, hein, ó?
Com certeza, com certeza, isso aí! O Grupo Mirandinha é uma indústria, né, de embalagens para festa, decoração, então aniversário, chá de bebê… Com certeza já receberam produtos.
Isso aí, esse aqui eu vou deixar para daqui a pouco pra gente ver a caixa aí. Esse aqui eu vou deixar para daqui a pouco, boa, porque esse aqui é o que começou, né? Começou, tem história.
Vai falar dele?
É, vamos ver se dá para abrir aí, acho que dá. É uma barulheira aqui. Isso aí, boa! Veio que tá bem embalado.
Tá bem embalado!
Caraca, bichão, são as tacinhas de acrílico inquebráveis, né? Então pra piscina ali, festas, né? É um jogo de taças.
Caraca, jogo de taças! É isso aí, é isso aí, olha que legal, cara! Top, nossa, que lindo, cara! Maravilha!
E, cara, é surreal, quem olha assim é vidro.
É vidro, é vidro, exatamente. E aí inquebrável e tudo, é sensacional, cara, a gente tá vendendo muito, tanto aqui no Brasil quanto fora também.
Nossa, a qualidade do acrílico é surreal, cara, é top.
E muito pra parte de eventos, né, área gourmet, piscinas, porque hoje você já não se pode usar vidro na piscina, né, em condomínios, então tá… E aí agora eles entram com essas taças, até porque a linha de descartável não é confortável, essa aqui…
Exatamente, é isso, é isso aí, esse ponto.
E esse aqui, Tiagão, aproveita que você tá de pé, Tiagão, troca aqui para mim e vai no zoom. Você consegue dar um zoom aqui em mim? Vou só colocando o Thiago em enrascada, não, mas eu coloco em enrascada porque eu sei que esse cara aqui ele dá conta, cara. O cara é bom, o cara é bom. Galera, a gente vai falar mais disso nos próximos minutos, mas quero mostrar, pera aí, rapidão, aqui, ó. Essas são as Bíbliaszinhas, ó. Com certeza você já viu isso aí, que é um chaveirinho e também um ímã. Olha lá, tá vendo, ó? E, cara, então tem vários textos, né, várias passagens.
Cara, foi onde tudo começou, né?
Segura essa informação aqui, vou deixar as Bíblias. Começou aqui.
Exato, e aí já, já ele vai contar pra gente. Ah, de uns não tem nem argolinha, já é pro ímã.
Legal, exato, a gente trouxe um…
Legal o jeito que vocês fazem, porque vocês conseguem escalar mais rápido a produção se vocês forem fazer um ímã e um…
Isso, exatamente. Então já era, Tiagão. Desculpa aí te colocar na fogueira, Tiagão, mas você é, você é mestre. Então, galera, antes de a gente começar e até entrar no que a gente tava conversando dos pormenores, das coisas que aconteceram, como vocês cresceram e etc., do Grupo Mirandinha, queria entender um pouco a trajetória de vocês. Você falou que foi jogador de futebol e tudo mais, você fez Ciência da Computação, mas assim, passa um pouco como que foi a infância de vocês, esse processo de crescer, se tornar um adulto e virar empresário. Como que foi essas referências? Dá um overview geral aí pra gente, ainda mais pelo fato de vocês serem irmãos, então compartilham histórias. Dá um overview aí pra gente.
Quer começar? Bom, vou deixar você, que você é mais velho.
Jogou a responsabilidade. Boa, boa! É, a gente teve uma infância assim, eh muito feliz, mas por outro lado também eh a gente passou por muitas dificuldades também, e viemos também de escola pública, né, a maior parte do, do nosso fundamento aí. E, mas a gente sempre teve, né, nosso pai, nossos pais como referência presentes ali, presentes ali também, e referências até como empreendedor também. Então eles sempre nos apoiaram em tudo, e por mais que muitas vezes o sonho parecia distante, eles nos apoiavam, então eles passavam a confiança de que a gente poderia chegar no objetivo que a gente quisesse, legal, por mais longe que a gente tava. Sim, sim, sim, mas isso… Mas ele dava ali a, o, a empolgação, né, o empenho de “vai lá que você consegue”. O caminho para chegar. É, então isso foi, foi bem, bem bacana também. É, e uma das coisas que os nossos pais têm muito isso, e nós temos muito, acho que até um dos nossos segredos do sucesso, que é não desistir nunca, né? Então assim, lutar, batalhar e sempre com foco na solução, né? Tanto que isso meu pai tem muito, o Bruno herdou muito isso dele também, de assim, a gente precisa do microfone de que só encontra em um lugar X da China, ele encontra o cara em 10 minutos, é um negócio surreal, é um negócio surreal. É a mentalidade que nós adquirimos, o mindset de solução, é impressionante. Se tem um problema, nós gostamos do problema, ao contrário, porque a gente sabe se a gente resolver o problema, vai ter oportunidade, vai ganhar dinheiro. É isso! E, e é impressionante, tanto que teve produto que nós desenvolvemos assim de que na engenharia não era possível desenvolver. Como eu não tinha feito engenharia, eu não sabia… Sabia! É, cara, não sabendo que era impossível, foi lá e fez. Exatamente. E aí quando a gente fez o produto, deu certo, cara, a gente alavancou muito o negócio, que é a linha de frascos, né? Que na época, sabe a, a garrafa de Coca-Cola, por exemplo, ela é injetada uma pré-forma antes…
Eu sei, aquele tubinho, ele insufla e sopra a garrafa.
Isso, e sopra a garrafa. Mas naquele cálculo é um processo matemático para fazer aquela formação, mas como eu não sabia desse processo, eu desenvolvi formatos diferentes que não poderiam ser feitos: a cabecinha do palhaço, a casinha… É isso. Há 20 anos, 12 anos atrás, e, cara, foi sucesso. Então muitas vezes… Mas assim, não poderia ser feito pela matemática, mas que funcionou.
Mas que funcionou, funcionou.
Funcionou e explodiu de vender, explodiu de vender, porque, por exemplo, era o aniversário lá do tema circo, e aí você tinha os baleiros no formato do palhaço que você colocava a balinha dentro, né? E isso aí foi uma loucura, a criançada ficava maluca, né, tirava. E outra, cara, festa infantil… Exato. É maluco, a galera gasta mesmo, gasta mesmo. E hoje eu cuido da parte de desenvolvimento de produtos na empresa, e também a gente cuida da parte estratégica. E, e é interessante que eu percebo que Deus meio que foi me moldando com o tempo, sim, porque desde pequeno eu gostava de desenhar, né? Então era um dom que ali eu nasci com ele, e tanto que era até engraçado, né, uma vez minha mãe foi até na escola em que eu estudava eh brigar com a professora porque ela não deixava eu levar os trabalhos pra casa.
Não devolvia.
Ela não devolvia, ela queria ficar com os trabalhos.
Caramba! Então desenhava bem pra caramba.
Desenhava, e como a, a minha professora era… Eu gostava muito dela, o que que eu fazia: o trabalho pra minha professora e pra minha mãe, pra não dar briga. Então essa de designer parece que foi uma preparação. Eu nunca imaginei que isso ia ser usado na tua vida.
Ia ser usado na minha vida, tanto que o primeiro praticamente emprego foi a, a empresa, né? Eu nunca trabalhei em outro lugar.
Caramba, que isso!
O que por um lado foi ruim, né, porque você acaba às vezes não tendo ali uma experiência, né, mas também por outro lado, cara, resultado, olha só, olha só. É isso aí, metodologia a gente discute, resultado não, né? E desde a época de escola eu sempre aprendi, então, por exemplo, eu gravava CDs pros meus amigos, professores. Eh nessa época meu pai já trabalhava na 25, então ele comprava lá os MP3, MP4, eu vendia na escola e aprendi a desbloquear celular, porque você lembra, na época era desbloqueado naqueles Motorolas que tinha antigamente e iPhone, e foi indo, então sempre… É um MacGyver. MacGyver! Tanto que no intervalo não conseguia comer, cara, era loucura assim, muita demanda, a demanda já era… Era o comerciante da escola. Exatamente, já era muito grande. Então eu sempre tive esse mindset assim, de, de empreender, é um negócio que tá na veia, né?
Tá na veia, na veia. E eu, por outro lado, aí iniciei mais no futebol, né? E é engraçado que assim, eu tinha uns vizinhos ali da rua que sempre eles queriam comprar um videogame, então eles deixavam o dinheiro comigo para eu juntar, guardar, e aí falava: “ó, tem o total do videogame”, e ela comprava.
Administrador já desde essa época.
E aí eu fui jogar futebol fora, comecei com 12 anos, joguei em alguns times do interior, joguei fora do país também, e uma coisa que era bem interessante, que em todos os times em que eu passei, eu sempre fui capitão, né? Então tive essa questão da liderança, né, desde lá de trás. Sim. Não sei por quê, não sei como, acredito que talvez seja até um dom aí de saber falar com as pessoas, como falar. Claro que fui melhorando isso também, fomos desenvolvendo, desenvolvendo, porque não é fácil, até por conta da pressão que nós tivemos, né, no início. Um cara muito estressado, e, e a gente, né, vai amadurecendo e vendo que vai trazendo tudo isso daí, trazendo pessoas boas também pra próxima, é muito importante. E aí foi quando, né, com o futebol, decidi parar de jogar aos 18 anos, né, até para empreender na, na nossa empresa, empresa da família.
Deixa eu te falar: parar até cedo, né?
Exatamente, quando o negócio tava começando a acontecer. E aí eu tive duas oportunidades: ou ir para, para a Bolívia, que era onde jogava, me naturalizar boliviano e jogar pela seleção, ou ir para os Estados Unidos, que eu ia jogar e estudar por uma universidade, que era um baita negócio também.
Baita.
E aí foi quando nós decidimos ficar, e estamos no negócio aí até hoje. Esse era goleiro, hein?
Goleiro, cara. Goleiro sofria, viu? Não é… É a posição mais com mais pressão que tem, cara, né? Porque assim, você não pode errar, a margem de erro é zero, então… E outra, quando… E quando é… É ingrata, é uma profissão ingrata dentro do futebol, porque para você estourar e, e ser o bola de ouro, você tem que fazer defesas incríveis.
Exato, ou pegar pênalti.
Exatamente isso. E o atacante é só meter gol, que é a função dele, então, cara… E se você errar, você tá ferrado, vai ser crucificado.
E aquele ponto, né, você pode pegar dois pênaltis ali numa partida, mas no final você tomou um gol, às vezes um frango, putz, cara, não dá.
A pressão, cara, pressão absurda, é isso aí, então desde lá de trás já fui meio que acostumado com essa pressão, que ajuda nos dias de hoje, né? Não deixa de ajudar, claro.
Para empreender é pressão pura, é 100%.
E aí foi… E aí, vocês voltaram… Você voltou pro Brasil, você já tava no Brasil, você tava começando ou já tinha largado ou terminado a faculdade? Como que foi?
Então, aí algo que foi me levando a isso é o seguinte: eh eu comecei a mexer um pouco na parte de designer com, no, fazendo digitalmente falando, né? E, e até algo que me levou muito a isso é porque tinha um amigo do meu pai que ele fabricava moldes de silicone de biscuit para fazer biscuit.
Ah, já fiz biscuit.
Conhece, boa! E aí esse molde, ele é praticamente de uma cor só, sim, e o que que ele teve a ideia na época: de imprimir a foto com o resultado final do produto em biscuit, porque no molde às vezes você não conseguia identificar exatamente o que que era.
Concordo.
E até aí OK, mas se falando há muitos anos atrás, cara, a qualidade da câmera era péssima, e aí quando ele viu o resultado, [ __ ] ferrou, tipo o resultado que eu queria. Aí tava ele conversando ali falando pro meu pai: “Poxa, eu acho que eu tô, eu tô buscando aqui uma empresa que faça o tratamento dessas imagens”, e eu do lado. Aí eu falei: “Pai, faz assim, eu faço”. Eu nem sabia fazer exatamente. “Eu dou um jeito, eu dou um jeito”. Cara, eu peguei as férias inteiras, comecei a fazer, e aí deu certo, super certo o resultado, e foi o primeiro valor alto que eu peguei de uma vez assim, que para ele foi muito barato, foi muito barato, exato. E a primeira coisa, até isso é legal, que eu cheguei, né, na minha família, nos meus pais, no Thiago, falei: “O que que cada um de vocês queria ganhar?”. E aí o Thiago era pequenininho na época, “não, quero o carrinho de controle remoto”, comia a televisão, e então foi bem legal isso assim, e o restante investir em cursos, né? Então eu fiz Web Designer, eu fui completando um pouco a graduação. Isso foi me levando muito na parte de tecnologia, aí fui fazendo cartões de visitas, aí fui subindo, estourando isso aí.
Operava… E naquela época, cara, hoje é manjadasso, mas naquela época…
95, né? 95 foi o primeiro computador, é isso aí, naquela época era o ChatGPT da época.
É isso aí, exatamente. É que hoje tem sistemas, né, que você consegue meio tratar a imagem automática, né?
Automático, mas, cara, e naquela época era muito difícil, era mão na massa, era mão na massa. E aí depois de um tempo, né, meu pai já tava empreendendo, e aí eu tive a ideia de a gente começar a entrar no segmento de festas. Eu vendi algumas coisas que eu tinha, tipo videogame, e teve um amigo meu que também emprestou um valor na época, e aí eu comecei a empreender. Aí eu fiz o meu primeiro molde, né, era uma tacinha que era usada em até em igreja, mas…
O teu pai…
O meu pai já tava fazendo as Bíbliaszinhas, ele tava fazendo a Bíblia dele, aí eu montei outra empresa à parte. Por que que eu montei à parte: eu comecei lá a ajudar meu pai, mas o primeiro mês que eu falei “Pai, beleza, vou trabalhar com o senhor, só que tem que ter o salário, preciso ganhar”, só que o primeiro mês aí já não… Aí misturou, aí eu falei: “Não, pai, não, tudo bem, deixa eu tocar aqui a vida, sim, vou, vou seguir minha vida”. E aí eu peguei, investi nesse molde, cara, aí o negócio foi acontecendo, aí foi indo, aí depois eu fiz uma…
Injeção?
De injeção, injeção. Aí eu fiz uma mamadeirinha plástica na época, que eu uso até hoje para chá de bebê, ah sim… Cara, estourou muito assim, foi um volume muito grande de vendas, tanto que quando a gente ia fazer entregar na 25 de Março, a gente ia ter que… Levava até com saco de lixo pro outro não ver, porque não tinha para todo mundo, eu não tinha capacidade produtiva.
Caramba!
E as empresas que forneciam, que antes a gente terceirizava, né, toda essa produção porque não tinha o recurso para investir no maquinário, e aí eles não quiseram investir porque eles não acreditaram. Poxa, eu era muito novo na época.
Sim.
E aí tudo bem, mas aí a gente de qualquer forma foi crescendo o negócio. Nessa época você já tinha comprado uma, uma máquina de injeção?
Não, ainda não, era você tava terceirizando.
O molde é muito caro, né?
Sim, sim, sim. E aí lá na empresa a gente tem alguns moldes, né, mas eu terceirizo tudo também, eu comprei o molde e mando produzir.
Sim, é isso aí. Aí a gente fez isso na época, o negócio foi ganhando corpo, a empresa foi crescendo, aí eu peguei um salão na época, e aí eu contratei uma pessoa para gerenciar para mim, eu tava fazendo faculdade em paralelo na época. Só que essa pessoa começou a e… Recursos da empresa, cara, e para mim, eh eu sempre enxergo o lado bom das pessoas, e para mim aquilo foi um baque porque como eu não tive experiência em nenhuma outra empresa, cara, falei: não é possível que as pessoas fazem…
Como era o do financeiro?
Era do financeiro, era do financeiro. E aí eu fui ganhando maturidade no processo. Nesse intervalo, né, o Thiago tava vindo de férias pro Brasil, não sei se você quer concluir essa parte…
Isso, e aí… Então o Bruno tava com a empresa dele, teve esse, esse gap aí, é esse problema no meio do caminho, foi um problemaço. E aí eu jogar…
Que derruba você!
Derruba, cara, mentalmente é absurdo. E aí eu, né, com 18 anos, né, vim lá com no futebol de férias 15 dias para decidir para onde ia: para os Estados Unidos ou Bolívia. E a empresa, né, o Grupo Mirandinha, até então era Mirandinha Miniaturas, eh iniciado pelos meus pais, né, então era embaixo de casa, tinha dois colaboradores, e nisso minha mãe teve um princípio de AVC. E aí eu vendo toda aquela situação, Bruno com essa situação também, meu pai é um cara brilhante, mas como gestão, né, estudou até quarta série, tudo…
Na raça!
Na raça, como muitos empreendedores, né, eh eu falei: “meu, vou deixar o futebol e vou ficar para ajudar a tocar o negócio”. E aí foi quando o Bruno falou: “ó, a gente tem um carro quitado, vamos refinanciar, entrar no segmento de festas aí de cabeça, unir a operação…”.
Unir a operação.
Unificamos, e o negócio aconteceu de uma forma assim muito, muito forte, né, muito mais forte do que a gente imaginava. E até um ponto importante que eu e o Bruno, nós ficamos num, num hype de 10 anos trabalhando em torno de 20 horas por dia, né, então… E tudo o que ia eh tendo de lucro, reinvestindo no próprio negócio, então é, foi um, um momento bem desafiador, mas foi uma…
O sucesso de vocês foi assim, eh mérito e muita disciplina de que muitos empresários não têm: colocar o carro… Carroça na frente dos bois, achou que enriqueceu Pessoa Física vai na frente e o CNPJ atrás correndo para tentar acompanhar.
E outra questão de que eu aprendi muito é a questão do tempo, porque tem um tempo para, para você colher. Eu mesmo quando eu era muito mais novo, cara, [ __ ], em dois anos eu vou tá tranquilo, mas aí você vai vendo com o tempo que o processo dessa forma, a empresa vai engolindo…
Exatamente.
A empresa no começo, quando forma, ela vai crescendo, ela vai, ela vai precisando de lucro. Se você não despejar de novo o lucro nela, você quebra.
Você quebra, porque chega um momento, cara, em que você é obrigado a crescer.
Exatamente, você não consegue.
E o empresário pequeno não percebe isso.
Exatamente, ele, ele começa lá, ele acha que em, em um determinado momento ele consegue falar: “não, não, vou ficar aqui”. Não, tem… Chega uma hora, dependendo do cliente que você tá, ou você perde o cliente ou você cresce sua empresa, porque você não consegue ficar no meio do caminho.
É isso aí! E aí eu falo muito do “Ordem e Progresso”, né, que a bandeira do Brasil é “Ordem e Progresso”, e do, do empreendedor é “Progresso e Ordem”: cresce, depois organiza; cresce, depois organiza, e é com recursos, né, para trazer pessoas melhores, para investir em tecnologia, investir em maquinários, então não é fácil. Então tem todo esse, esse processo. Mas eh não posso deixar de falar da, do início da, da empresa, né, isso que eu queria falar agora: vocês já chegaram no momento em que vocês assumiram a Mirandinha.
Exatamente.
Por que que chama Mirandinha?
O, então, nosso sobrenome da minha mãe, exatamente, o sobrenome dela é Miranda, e aí o nome da empresa ficou Mirandinha Miniaturas, que fabricavam miniaturas, né, miniatura. E aí, o teu pai… Conta a história de como, como iniciou esse processo, não ia ter uma curiosidade legal porque o símbolo são dois corações. Porque da era Mirandinha Miniaturas, e antes meu pai, o que que ele fez: ele tinha colocado o logo do McDonald’s no nosso símbolo.
Exatamente! E quem foi o designer que fez? O Bruno, né? E aí com o tempo a gente… Exatamente.
Então você vê, hoje tem o INPI aí, né, o registro de marca, que é super importante.
Mas isso é legal pra, pra gente ver a inocência do início, como muito acontece. Eu olho o início da minha vida empreendedora, cara, exatamente, era pura… Era pura fé, porque eu não tinha nenhuma preparação, cara. Exato, se você passar na rua e começar a analisar nome de empresas, cara, a maior parte não tá registrada.
Não, a maior parte… É um mercado gigantesco, gigantesco, gigantesco, e é um B.O. porque a pessoa… Eu tive um caso ontem do, dois influenciadores aí que teve que trocar o nome da… Aquela Viih Tube, né, que ela lançou uma marca, e uma empresa já com essa marca, ela teve que, que fazer a… Nós, cara, ontem, ontem! Então assim, surreal, é… E você vê a questão do assessoramento, né? Então tem que tá bem assessorado, né? Que nem a gente fala, um dos conselhos aí: ter pelo menos dois bons advogados e um bom contador, então esse que é o ponto, senão você tá ferrado.
Exatamente.
E a Mirandinha começou na… Com o teu pai, dificuldade…
Exatamente. Então o nosso pai, ele tinha um auto elétrico, né, e aí aquela dificuldade, porque você tem um carro, ele quebra, um prejuízo, você tem que tirar da onde não tem, né, para cobrir ali o, né, o, esse prejuízo. E aí meu pai… E nós eh temos muita fé, muito… Músicas vezes, muitas vezes, meu pai foi na Igreja da Sé, e ali ele conta que só tava ele e Deus, ele pediu uma luz no fim do túnel que não fosse o trem, e naquela noite ele teve que um sonho meio que acordado: que as coisas grandes faziam sucesso, chamavam a atenção — Cristo Redentor, Torre Eiffel —, só que ele falou: “pô, não consigo fazer nada grande, só que ele falou: miniaturas também chamam a atenção”. Ele falou, tava na igreja: “Vou fazer uma mini Bíblia”, interpretou, né, o sonho, interpretar o sonho. E aí ele lançou essa mini Bíblia, que foi de madeira, né, fez seis unidades, foi vender na Feirinha da Madrugada, na 25 de Março, e ali ele vendeu tudo, né, foi 100% de, de eficiência, porém tudo eram seis, e aí o pessoal ali da região, que na época eram os bolivianos ali que vendiam, começou, né, a se interessar muito pelo produto. Ele falou: “meu, preciso otimizar”. E aí otimizando, ele começou a fazer de gesso, ele e minha mãe, né, que também é muito artesanal, e passaram… O primeiro colaborador foi quando eles passaram 48 horas seguidas fazendo essas pecinhas. Eu tinha 6 anos, o Bruno…
Gesso, mas com molde?
Com molde, com molde, com molde que ele desenvolveu. Mas até chegar demorou, né, para ser… Ele ficou fazendo de madeira por um tempo, por um tempo, aí depois gesso. Então o sonho dele era ter um primeiro molde injetado. Só que o problema do gesso era o processo assim: muita perda, quer no transporte, e sem contar o pó que, que fazia, absurdo, e era escala.
Escala.
E aí foi quando, né, ele começou mais focado nessa linha de ímãs de geladeira e tudo, então ficou por um tempo, ficou em torno de 8 anos nessa linha. Aí eu fui jogar futebol fora, o Bruno, né, com o outro negócio dele também fazendo lá Ciência da Computação fora, e aí foi quando nós unificamos, porque a empresa não tava legal, tava numa dificuldade muito grande, e decidimos unir, e aí entrar de vez no segmento de festas.
Refinanciar esse carro…
A Bíblia, ela, ela deu uma estourada e depois ela…?
Mas muito grande, muito grande.
E por que que a empresa entrou em dificuldade?
Por conta da gestão do meu pai, né, então de querer ajudar os familiares, a gente só tinha colaboradores que eram parentes, e então não tinha aquela regra de quanto deveria ganhar, né? Então confundiu realmente o CPF com o…
Isso acontece com pobre que ganha dinheiro, né? Principalmente se tem família de pobre, e quando falo de pobre, é falta de dinheiro mesmo, porque a família inteira tem problemas.
É isso aí.
E quando você começa a ganhar dinheiro, você passa a ser a solução.
O papai Noel da família toda.
É isso aí, e se você não ajuda, a culpa é sua, a culpa é sua.
Mas claro que assim, né, até então a gente tinha comprado, né, meu pai comprou a casa e tudo, começou a estabilizar, assim. A dificuldade de que a gente tava na hora de que a gente tava no, no período, e, e nesse caso que você falou, é interessante: tem um tio nosso que ganhou na loteria, caramba, perdeu tudo, nossa! E trabalhava com a gente, inclusive trabalhava com a gente, né? E então esse é o ponto. Inclusive em 20 anos de empresa, né, que nós temos, 21 anos agora, este ano a gente teve dois processos, e os dois foram de parentes.
Você teve dois processos trabalhistas?
Trabalhistas, cara. E dois foram de parentes, foi desse tio aí e de um outro tio também, que era representante comercial nosso. E aí ele tava com problema, né, que ele falou que precisava refinanciar o carro dele, pagar a prestação, pediu um valor emprestado pra gente, a gente antecipou e emprestou. Com esse valor que a gente emprestou para ele, ele fez o molde e concorreu contra a gente, cara, um negócio absurdo! E aí obviamente nós desligamos ele como representante, aí ele foi e processou a gente, então, cara, surreal, surreal.
Então, cara, vocês têm hoje 300 funcionários?
Em quanto tempo de empresa?
21 anos.
300 funcionários, 21 anos de empresa. E que nós assumimos, 12, né?
12 anos na gestão de vocês. 300 funcionários, 12 anos, dois processos trabalhistas, e os dois foram de familiares.
É isso aí, tanto que na nossa política hoje nós temos o estatuto, e não pode ter mais familiares, não entra familiar, tanto nossas esposas não entram.
E como que foi para vocês assumirem uma empresa familiar que ela sempre foi sem familiar, o fato de a gestão tá entre dois irmãos, mas assim, estruturalmente familiar, para vocês desligarem a parentada sem serem os grandíssimos filhos da mãe? Como que foi esse processo?
É, na verdade passaram a… Não tem como não ser, na verdade, não tem como não ser.
Tem, e realmente é isso, porque alguns familiares deixaram de falar com a gente, eh outros acham que a gente tem obrigação de fazer, e realmente não tem, porque é meritocracia, a gente tem que ser justo, gestão justa. Tanto que nós falamos muito isso até hoje, que eu e o Bruno, nós somos os primeiros a termos que dar resultado. Se não der, tem que trocar. Pode entrar um melhor ou um pior, mas tem que trocar. Então acho que esse é o ponto, né? Então quando… E, e assim, tanto que por outro lado também foi um pouco automático: quando a gente começou a apertar o negócio, ter mais controles, as coisas começaram a aparecer, não tinha jeito, eh ou se preparava ou se não, tinha que sair. E aí a cultura acabou sendo mais forte do que…
Total, aconteceu isso comigo também. Na minha empresa, eu comprei de um… Na verdade, eu entrei como sócio de um primo meu que tinha… Primo, tia, tio, sei lá o que era, a família inteira! No começo era família pura, era… Era minha tia vendedora, a outra tia era compradora, a outra era… Era uma festa de aniversário, era uma festa de aniversário. E aí a gente foi crescendo e tudo mais, e eu sempre entrei… Quando eu entrei, eu já entrei com cabeça de business, legal. Então já cobrando resultado, e, cara, para vocês terem ideia, eu tive, eu sofri em algumas situações, ainda mais menino, tinha 20 e poucos anos, eu sofria de: “Será que eu tô fazendo certo? Será que eu que tô errado de cobrar o, o profissionalismo aqui nas coisas?”. E conforme a empresa foi crescendo, que é o que vocês falaram, é meritocracia pura, e, cara, aí teve algumas demissões, e não teve… Por mais que eu peguei muito assim, tipo, demos bônus extra na, na rescisão e tudo mais, mas, cara, é… Não tem jeito.
É isso aí.
É difícil. Eu tentei de todas as formas, algumas das vezes eu, eu mudei a estratégia e não tem jeito: todas as vezes eu fui o errado.
Exato, e você é visto como o inimigo, né? E tanto que assim, quando você assume a gestão ou o cargo ali de empreendedor, né, de empresário, você tem que estar preparado para conversas difíceis o tempo todo. Então, por exemplo, a conta… É uma dica também que até é importante deixar, é nunca seja o maior cliente do seu escritório de contabilidade, porque senão tudo o que tem de novidade vai ser com você, e seja especializado, então se eu sou do ramo do supermercado, tentar estar no escritório de que seja especializado em supermercado; no de indústria, que é o nosso caso, especializado em indústria, porque você tem algumas estratégias tributárias que aquele escritório já, já tem esse conhecimento. E no nosso caso, nós é tínhamos… Éramos o maior cliente do, do escritório de contabilidade, já estava com a gente há 10 anos. Para eu poder falar, né, para a nossa contadora até então de que nós íamos sair, migrar, fiquei uma semana com dor de barriga, falei: “Meu Deus, como eu vou falar com ela? Como eu vou falar com ela? ‘Esqueceram de mim, eu ajudei vocês a crescerem'”. Exatamente, cara, então é, é isso. E aí a gente foi pro outro lado, falou: “Meu, a gente tá dando muito trabalho para você, eu acho que é importante a gente sair para você deixar outros clientes seus crescerem também”, então foi mais nesse viés. Ela entendeu super bem, é nossa amiga até hoje, e ainda a gente acabou trazendo o filho dela, que era para ser nosso contador interno, e, e não foi fácil, porque nós viemos de uma base de estrutura familiar, exato, então para você virar essa chave para profissionalizar o negócio não é fácil. Mas a gente percebeu de que para ir pro próximo nível, a gente tinha que tomar algumas ações, não tinha… Senão a gente…
Exato, e você precisa manter a, a, a, a tua posição, porque no começo foi muito mais difícil, e aí algumas pessoas da família que ficaram entenderam, pelo menos na minha empresa, que aqui eu preciso trabalhar, é gestão justa.
É gestão justa.
E aí começaram a trabalhar direito, e aí conforme a empresa foi crescendo e a cultura engolindo porque precisa de se profissionalizar, você vai trazendo gente mais capacitada, algumas pessoas foram pedindo para sair.
Exatamente.
Então eu precisei passar por um processo de eu assumir o cargo de filho da mãe, de vilão do negócio, de vilão do negócio, e depois a própria… Isso passou a ser um uma coisa que a gente já virou essa página, e hoje a gente não tem ninguém da família, tirando os sócios que são os, os integrantes do negócio. E, cara, recomendo muito que, que façam isso, que façam isso, e uma coisa que atrapalha… Uma coisa de que nós colocamos muito, que nós estamos investindo muito é a questão de dados, né, de, de até de inteligência artificial também, de ter informação na mão, os números na mão. É que hoje também é muito difícil, né, você estruturar, você ter um balanço, você ter um orçamento, você ter uma projeção, você fazer um forecast, né, então de acompanhamento, isso é muito difícil hoje para uma pequena e média empresa, e a maioria não sabe nem o que é, nem o que é, né, porque falta informação. Tanto que é aquilo que a gente fala: eh tem que ter gestão financeira nas escolas, porque hoje, ah, o médico, ele precisa saber lidar com dinheiro? Precisa! O engenheiro, né, o padeiro, o cabeleireiro precisa, e hoje não tem. Então é que nem a gente comenta, né, até para você ganhar dinheiro você tem que se preparar, e isso é, é muito importante. Como você falou, teu tio que ganhou na loteria e perdeu tudo, não adianta nada, exatamente, não adianta. E então assim, quando você tem esses dados, essas informações na mão, você começa a achar, encontrar muito mais os erros e quem tá errando, principalmente, e é aquilo que a gente comenta: os números não mentem, né? Então você mostra os números aqui, você cobra o resultado, e se não entregar, realmente, porque a empresa ela precisa se manter como empresa, não tem como. E aí quando a gente começou também a fazer essa virada, foi muito importante, né? E outro fator de que eu vejo que é muito importante também, até um trecho de Provérbios da Bíblia que eu, que eu gosto muito, que é o 11:14, que ele fala o seguinte: “Não havendo sábia direção, o povo cai, mas na multidão de conselheiros há segurança”, que é algo de que eu percebo que a gente poderia ter otimizado um pouco mais, buscado mais conhecimento, mais conselheiros antes, mentores, cursos, né? Hoje tem podcasts como esse, isso é legal porque você ganha muito tempo dentro do processo, você economiza tempo demais, encurta. Nós fomos muito na tentativa e erro, mas eu vejo muitas pessoas que começam a empreender hoje: “Ah, eu faço bolo em casa, cara, eu vou montar uma loja”, mas, cara, será que é viável? Será que não é melhor, sei lá, vender só no iFood? E a pessoa perde dois anos da vida dela, ela perde tempo, ou muitas vezes quebra. Então eu vejo isso, que é muito importante buscar conhecimento, mentores, né? É que naquela nossa época não tinha esse acesso, e como a gente estava começando vendendo ímã de geladeira, o cara falou: “O que que você faz?”. “Vendo ímã de geladeira”. Pô! E hoje a grande facilidade é essa, porque nós temos muitos conteúdos gratuitos, acesso, né?
É, o acesso tá muito mais… Democratizou demais o conhecimento.
Democratizou! Eu digo até mais, assim, uma pessoa… É porque assim, o empreendedor quando tá começando, o que falta para ele é tempo, né, mas eh então para ele consumir conteúdo em grande quantidade acaba eh perdendo muito tempo… Perdendo não, investindo muito tempo. Mas o que você falou, pelo menos eu uso muito disso, eh também agora de que eu tô com, tô mais tranquilo financeiramente, mas no começo eu não tinha dinheiro, então tinha que eu fazer o controle de RH lá porque não tinha gente. Exatamente. Mas eh quando eu preciso implementar uma coisa de que eu não sei bem, eu compro o conhecimento, é isso. Eu trago um consultor, eu trago um cara que vai lá, fala: “meu, vem cá”, e espalha, ele vai, ele vai me ensinar aplicando no meu negócio, é isso aí. Então, cara, ele vai sair depois disso com o meu negócio implementado, aquele conhecimento de que eu precisava, e eu sabendo demais, porque eu participei do processo de implementação com um mestre do meu lado.
Exatamente, é isso aí.
Cara, você tem que comprar conhecimento, só. É muito mais barato.
Exatamente, até porque você vê, por exemplo, esses consultores, né, ou mentores que têm, a maioria deles trabalharam em várias outras empresas. Nós temos, né, até também conselheiros lá que, que já trabalharam na Nestlé, na Parmalat, em várias empresas, inclusive em uma das maiores dos nossos segmentos também. Então o que acontece: essas empresas investem milhões em consultorias, em cursos, em… E a gente consegue ter acesso a isso contratando eles, né? Então é aprender com o outro sai muito mais barato, né? E, e aí é isso, e muitas vezes assim, ele enxerga o que você não tá vendo.
Exato, é sempre assim, cara, é porque a gente tá, tá no nosso negócio, a gente tá visto, tá, né? Então a pessoa que vem de fora, ela tem uma visão realmente diferenciada. Quando você acerta num consultor bom, independente do que você, do, do ramo que seja, o cara transforma.
Transforma.
Transforma, porque o cara olha pra sua empresa assim e fala: “meu, isso aqui…”. Eu lembro a primeira vez de que eu contratei um consultor financeiro, eu não sabia o que era DRE.
Sim.
Eu não sabia o que era DRE, então é uma das coisas de que eu mais defendo hoje em dia. Então eu gerenciava a minha, minha empresa por fluxo de caixa, que era bem organizadinho, mas assim, não é uma gestão, cara. Quando ele chegou, eu lembro que ele deu uma volta comigo, ele acertou o meu custo fixo.
Caramba!
…assim, mas errou assim por reais, assim, sim, tipo: “quanto você tem de custo fixo aqui? X”. É isso, o cara sabe, feeling. E aí ele já subiu e falou: “cara, você vai, você vai precisar fazer isso, isso…”. Eu, na época, achava que minha empresa não dava lucro…
Uhum.
…porque o dinheiro não sobrava, então eu só não tava gerando caixa para investir. Que nem no nosso caso, a mesma coisa, eu falava assim: “eu não tô dando lucro, cara, eu quero… Eu tô preso nesse negócio”. Exatamente. “Eu não vejo dinheiro, não vejo dinheiro”, porque o gerenciar por fluxo de caixa, o dinheiro não aparecia, cara. Aí quando você vê uma DRE, e aí você fala: “cara, mas sobra tudo isso, né?”.
Exato.
Sobra tudo isso, porque você tá… Tudo isso aqui quando ele classificou: isso aqui é investimento, então sua empresa tá aumentando o patrimônio automaticamente. Agora, se uma hora você conseguir parar de investir porque você já chegou num patamar, distribuição de caixa, olha, tá sobrando!
É isso aí.
Aí eu olhei, falei: “Caraca!”, e é óbvio, mas nunca tinha passado na minha cabeça isso.
Felipão, eu costumo até associar na questão do consultor/mentor com um amigo, né, realmente um amigo. Então o que que o amigo ele fala: aquilo que a gente precisa ouvir, não o que a gente quer ouvir. Então assim, às vezes dói, machuca, mas o cara tá te dando uma consultoria gratuita. Tanto que quando às vezes algum, um cliente ou um parceiro fala às vezes, né, dá algum feedback pra gente, pô, eu acho ótimo, porque a gente tá tendo uma consultoria gratuita dele, então isso é muito importante, e a gente escutar, né, ter a humildade de escutar, eu acho que é, que é fundamental. E um número também que é muito forte, que eles falam de que hoje 76%, em média 76% de um tempo de um gestor, de um CEO, é resolvendo problemas em reuniões, e apenas 3% do tempo dele é com o cliente.
Caraca!
Entendeu? Esse é um dado importantíssimo. Hoje, a o Boticário, o Abilio Diniz, a Milena da, da Kopenhagen, esqueci o nome dela, isso, eles gastam, investem em torno de 30% do tempo deles com o cliente, então escutar o cliente… Não é mais o foco no cliente, é do cliente: o que que o cliente quer, né? Tanto que você vê com o gerente de conta, que é o gerente de banco hoje, é o gerente de relacionamento, ou seja, relacionar, eu acho que é isso, né? Então a gente escutar, trazer a ideia e ter a humildade de realmente mudar onde a gente tá errando, né? Então isso é muito importante.
Falando de gestão da, da Mirandinha, do Grupo Mirandinha, como que tá a divisão entre vocês dois hoje? Já, já eu vou voltar pros primórdios lá que a gente deu uma interrompida, mas hoje a gestão, como que tá dividida entre vocês dois?
Legal. Eh hoje eu cuido da parte administrativa e financeira, né, e o Bruno, ele cuida da parte de criação de produtos e desenvolvimento e marketing. Então eh nós tivemos essa profissionalização do negócio, eh porque eu acho que um dos segredos da sociedade é um não achar de que tava fazendo mais do que o outro, né? Pode ter mês que o Bruno tenha uma demanda maior, pode ter mês de que eu tenha uma demanda maior, mas a gente sempre tá junto, então a gente tem alguns outros investimentos, ah, investe em imóveis, então aluguéis dos imóveis divide por dois, tudo igual. “Ah, vai comprar, vai trocar o carro”, então a gente tem um valor… Isso a gente sempre fez, né, então a gente começou com um carrinho lá de R$ 10.000,00, e aí a gente tinha mais R$ 10.000,00 daqui três anos para trocar os carros. “Ah, eu quero um carro de R$ 12.000,00”, então você vai ter que colocar R$ 2.000,00 do seu bolso, e assim vai indo, e aí fazendo consórcio, né, estruturado, e aí para deixar a gestão justa realmente entre os sócios, e sempre muito bem dividido isso. Mas claro, assim, inicialmente nem sempre foi assim.
Nem sempre foi assim. O começo foi pau, no começo foi pau, porque a gente tem, né, nós temos perfis complementares, né? O Thiago é um perfil, um pouco gosta mais de investir, mais, mais ousado, gosta de arriscar, adrenalina.
Caramba, sério? Eu achava, pelo contrário.
Não, muito pelo contrário, o Thiago ele é mais seguro, muito.
É mesmo?
E, cara, ninguém queria ceder, e como que a gente faz? Exatamente, você é o cara que assim: “tem dinheiro, vamos…”.
O Bruno, a gente não pagava nem funcionário e só investia, e por mim não investia nada e só guardava, e… Mas eu acho que assim, o importante, né, a maturidade com o tempo é a gente foi equilibrar isso. Então hoje quando eu vou apresentar um projeto pro Thiago, eu penso muito, falei: “Poxa, como que o Thiago enxergaria isso?”.
Você melhora a tua ideia porque você já sabe que ele vai vir com o lado conservador.
Isso, eu tenho que ter o argumento pra fazer ele investir, e ele também, muitos projetos eu abortei, porque eu falei: “Poxa, eu acho que não é tão interessante mesmo”.
É porque você sabe: o cara que tá ali para investir, cara, o céu é o limite, exato. Pega um Elon Musk, meu, se deixar, ele vai embora, ele vai embora. É pra ter um freio, e você é o freio.
Eu sou o freio. E no nosso caso, até que a gente comenta muito da indústria, que é muito complicado, né? Porque a indústria, o tempo do payback, né, que eu, que eu sempre comentei, ele é muito demorado, né? Ele é muito demorado. A gente desenvolveu, hoje a gente produz os nossos próprios moldes, a gente tem mais de 2.000 moldes, a gente fabrica mais de 10 milhões de unidades por mês.
Vocês têm uma ferramentaria?
Caraca! Entendeu? Então assim, para estruturar isso, tanto que até foi um trabalho muito forte do Bruno, tem que ser falado, a gente eh estruturou toda com tecnologia muito forte, então um custo de um molde que eu vou te falar assim, e arrisco dizer se 10 ferramentarias em todo o Brasil têm esse controle, é muito, e hoje nós temos na unha quanto que custa o molde para fazer. Tanto que a gente tem molde que custa em torno de R$ 1 milhão de reais, né, e se você, assim, ó, custa R$ 1 milhão para fazer, só que se alguém chegar com R$ 1 milhão para comprar da gente, a gente não vende, porque a gente usa para trabalhar. Exato. Nós montamos a ferramentaria de ponta, tanto que foi na, na época o ex-vice-presidente, o ex-presidente da BIC, né…
Legal!
…porque, pô, ele cuidava da operação na Europa, da produção das canetas, ele falou: “Caraca! É, não perde nada assim, vocês estão muito bem organizados”.
Vocês conhecem a Arquiplast?
Arquiplast já ouvi falar.
É, eles fazem utensílios de cozinha também, de…
Eu tô fazendo uma obra para eles.
Ah, que bacana! Um que é muito próximo, que é parceiro nosso, é a Cromo, que hoje é um dos maiores, nos maiores.
E é um mercado gigantesco. Ele também tem uma ferramentaria própria e, cara, eu fui lá esses dias visitar por causa de que tá fechando a obra, cara, é enorme! É uma estrutura de ferramentaria, é muito trampo, muito investimento, absurdo.
E o outro ponto que eu sempre comento, até eu fui eleito Forbes 30 Under 30, né, também no ano passado. E no…
Com quantos anos você tá agora?
31? Você, 34?
E eu pareço ser mais velho porque sou do financeiro, né, por isso.
[risadas]
E o que acontece, pô, é primeiro que é uma… Nós fomos o primeiro do nosso segmento de festas a estar na lista da Forbes, que isso é muito desafiador, eh e como indústria também. E o que que a gente vê hoje: os jovens, você pergunta hoje para um jovem de 13, 14, 15 anos: “O que que você quer ser?”. “MC, jogador ou influenciador”. “Eu quero ser empresário, eu quero ser ferramenteiro, eu quero ser cabeleireiro”? Não quer, por quê? Porque demora a dar o retorno, né, e a gente não tem referência. Só que assim, quantos Neymares existem, quantos MCs X, Y existem? É muito pouco, e aí é por isso que a gente tem esse pico de ansiedade, depressão por conta do retorno rápido: “Eu vejo de que o MC X tem um carro, né, uma Ferrari, e eu tô trabalhando aqui com cons…”. Chegar, a comparação, isso é um problema. “Então, comparado a quem? Comparado ao quê?”, né? Então esse é um ponto muito forte. Tanto que na ferramentaria a gente sofre muito isso, porque para você se formar ferramenteiro, no mínimo é uns 15 anos de estudo.
Caramba, meu!
Então quem que quer passar esse período para virar ferramenteiro hoje? Eles querem, né, resultados mais rápidos mesmo. E tem ferramenteiro jovem hoje em dia?
Muito pouco, muito pouco, é difícil. E aí nós fizemos uma parceria com o SENAI, né, e aí nós começamos a, a trazer desses jovens, né, até para fazer visitas na empresa, os destaques, então a gente já contrata ele seis meses antes dele se formar e aí traz pro nosso negócio. Então a gente tem uma mescla, né, então tem os experientes lá, que a gente chama de “cabeça branca” e “mosca branca”, que é difícil achar, então um trabalhou na Electrolux, outro na Lorenzetti, outro na Super Bonder, e aí vai ensinando esses meninos também. Então a gente tem esse giro, graças a Deus tem dado super certo, né? E, e que nem a parte mais de tecnologia do software, né, de que nós temos, a molecada domina muito forte, então essa é uma geração de que o mais velho ensina o mais novo, e o mais novo ensina o mais velho, é isso aí.
Que cada um tem uma bagagem completamente diferente.
É isso aí.
Que legal, cara! E vocês, voltando um pouquinho lá pro pro Grupo Mirandinha, o pai de vocês começou a fazer isso em gesso e ele tinha o sonho de eh injetar as primeiras Bíbliaszinhas. Ele ele fez essa injeção de Bíblia ainda na gestão dele, ou quando vocês entraram, vocês ganharam a escala da Bíblia da Bíbliaszinha ainda?
Foi ainda na gestão dele.
Ainda na gestão dele.
Mas a gente estava numa dificuldade financeira muito grande, né, nesse começo, de que a gente morava na casa de aluguel que era de um tio nosso, e esse tio nosso despejou a gente porque meu pai atrasou dois meses de aluguel, né? Tanto que a gente agradece muito ele por isso, porque…
Vocês precisaram profissionalizar.
Exatamente, se não fosse isso, a gente estava lá até hoje, talvez, sim. Eh e aí meu pai então tinha o sonho de fazer esse molde, né, esse molde, e assim, era muito inviável naquela época. Imagine assim que a empresa faturava R$ 5.000,00 no ano, e o molde era R$ 20.000,00, então era uma coisa assim fora do normal. Tinha acesso a bancos, etc. E aí foi quando ele começou nessa linha, conseguiu fazer o primeiro molde de plástico e escalou o negócio, e aí começou a desenvolver, né, então isso foi importante, ele foi criando novos modelos.
Isso só na Bíblia?
Só na Bíblia, aí depois ele criou modelos de miniaturas, tudo o que tinha no mercado. Então, por exemplo, um arroz no formato de miniatura, né, um café no formato de miniatura para aqueles potes de mantimentos que eram de biscuit. E aí era o pote de açúcar, colocava a miniatura do açúcar, e ele aproveitou esse hype, que na época mesmo, da Ana Maria Braga, focou muito no ímã de geladeira, então…
Aí, cara, eu lembro que eu acho que eu, eu surfei esse hype, porque eu era criança na época. Que ano que a gente tá falando isso aí?
Estamos falando 2003, 2004, mais ou menos isso.
E aí tinha os ímãs de geladeira, sabe, que você apertava e fazia um barulho? Porque eu lembro que eu sempre tive pegada empreendedora e eu queria empreender, eu falei: “Mãe, me cadastra…”. Eu nem sei como eu peguei essa referência, “me cadastra num curso de biscuit”. Comecei a fazer ímãs, fiquei fazendo, eram, eram horríveis, mas, cara, mas vendia pra caramba, cara, vendia pra caramba, e eu fazia os potes, aí pegava os potes de maionese, decorava tanto, e com certeza usava as miniaturas, as miniaturas do seu pai.
Exatamente isso! E aí foi quando, né, ele, ele ficou esse tempo aí, que foi mais ou menos uns 8 anos nessa linha, que aí depois disso nós, né, assumimos, né, que foi toda essa história, esse turnaround, né, de que nós fizemos a reestruturação e entramos no segmento de festas ali em 2012. Nós assumimos a gestão 100% e o negócio teve um boom muito grande. Mas aquilo, né, o que hoje é, é muito importante para nós, porque eu e o Bruno, a gente era quem produzia, quem emitia a nota, quem contratava, quem faturava, quem demitia, quem fazia a questão de controle de impostos, então era uma loucura, né: fazer entrega, fazer o pedido. Então é esse ponto, isso nos ensinou, ensinou muito. Mas aí depois nós começamos a trazer pessoas e profissionalizar o negócio.
Vocês comentaram que nos primeiros anos vocês trabalharam freneticamente, né, cara?
Cara, surreal.
É, como que era assim a rotina de começo assim, cara?
É, tanto que hoje até a gente, né, um pouco clichê isso aí, de que vê o pessoal: “Não, você tem que acordar de manhã, ter o banho gelado, aí depois de banho gelado…”. Cara, a gente não conseguia nem almoçar, cara, nem almoçar! A gente ficou, teve um hype, eu acredito muito nisso, ouvindo várias histórias que a gente gosta muito de escutar histórias, são 10 anos, 10 anos naquele hype. A gente ficou 10 anos trabalhando 20 horas por dia, era 20 horas por dia. Tanto que teve até uma história, né: o Bruno chegou pra minha mãe e falou: “Mãe, eh faz o seguinte, o Thiago… Eu mandei uma mensagem para ele, era 4 horas da manhã, ele me respondeu, fala lá com ele para ele dar uma descansada e dormir um pouquinho mais”. A minha mãe pensou, ela não é muito assim com tecnologia: “Bruno, mas se você mandou e ele tava acordado e respondeu, você também tava acordado”.
[risadas]
Então uma loucura, cara, foi muito forte. Só que a questão é essa, é, é complicado ter esse equilíbrio, é difícil mesmo, e é difícil ter, cara. E, e posso falar? Controverso ao que eu vou falar, cara, mas eu faria tudo de novo.
É isso.
É isso aí. Tem gente que, tem gente que tá reclamando que começou a empresa e não tá dando certo, e aí eu vou ver, o cara tá tendo o maior lifestyle. Eu não tô querendo me intrometer, mas, bicho, ou você tá fazendo algo muito certo que não tá precisando trabalhar muito…
Exato.
…ou você não tá se esforçando o suficiente, porque, cara, eu também eu trabalhei por 3 anos da minha vida de domingo a domingo, é isso. Eu não tive, eu não pegava nenhum feriado, eu trabalhava de domingo a domingo, chegando 8:00 da manhã, quando chegava 8:00 da manhã, e indo embora meia-noite, meia-noite e meia, era, era esse o ritmo.
Até a comendo, né, coisas de uma qualidade não boa, aquela loucura.
Exato, de qualquer jeito, não ia pra academia fazer nada, cara. Mas aquele período foi surreal pra minha vida.
Exatamente, né, porque eu não tinha dinheiro, então quem eram as pessoas, quem eram todos esses braços que eu precisava para o negócio dar certo? Eu.
Exatamente isso, igual no nosso caso é a mesma coisa, porque a gente não tinha plano B.
Exato.
Dava certo ou era o A ou era o A, cara. Então assim, a atenção era o foco total, total, né? Então acho, e isso acho que é uma coisa muito forte mesmo, é não tinha opção de dar errado, não tinha opção de dar errado, tinha que fazer dar certo. Eu acho que com isso que a gente fomentou muito essa questão do foco na solução: tem um problema, tá, mas como a gente resolve? Tem um problema, mas como que a gente resolve? E, e assim, sendo muito, né, eh sincero e transparente com a nossa trajetória, a gente errou muito pouco, a gente errou muito pouco. Então a gente acertou muito mais, que é muito difícil isso. Eu acho que esse é o segredo: você vai errar, normal, e aquilo que a gente sempre comenta, né, que você erra por… Lançou um produto, tal, meu, foi intencional? Não foi intencional. Então beleza, então bora, próximo, e acabou, e vamos. Assume o prejuízo. E assume o prejuízo. A gente fala mais uma ou duas vezes para não, não, não esquecer, mas vamos embora. Então acho que esse que é o ponto, né, tentar não cometer o mesmo erro, né, tentar não cometer. Porque assim, imagine assim que foi onde a gente chegou num entendimento muito forte, né, que as duas partes eram interessantes, tanto a do Bruno quanto a minha, mais conservadora de que, pô, eu tô querendo fazer a empresa crescer e expandir e dar tudo certo, ele também, pô, a gente não tá remando contra. Então como a gente consegue essa, complementar isso e remar, né, da mesma forma? E foi isso, cara. Então a gente teve essa sacada profissionalizando.
No começo vocês tinham arranca-rabo de verdade mesmo ou era só umas, umas discordâncias?
Não, tinha, tinha, tinha, tinha! Eu era um pouco mais nervoso, e o Bruno também. Aí o Bruno: “pô, o Thiago não tem visão”, e não sei o que lá, e eu: “pô, o Bruno quer gastar tudo”, e não sei o que lá. Então aí foi um arranca-rabo bravo mesmo, bravo, bravo mesmo.
Se a mãe tivesse, ia bater.
Nossa Senhora, ia bater nos dois, ia bater nos dois. E, e foi muito legal que a gente começou a, a entender. E aí essa questão de ter mentores, por a gente não tinha acesso a esses caras, né, a gente não tinha acesso, tanto que hoje a gente é vizinho, né, né, de de uma pessoa que é espetacular, é um dos mentores nossos também, ele tem um banco um no Brasil, um fora do Brasil, e o engraçado quando a gente foi se apresentar, falou: “Pô, a gente mudou para lá, ah, de que que você trabalha?”. “Ah, eu tenho um banco”, tal. “E vocês?”. “Ah, a gente faz ímã de geladeira, lembrancinha”. Pô, o cara olha, fala: “Hum, eu acho que tem algum problema aí”. E é muito legal, hoje é um cara que, nossa, é incrível, sabe? Tem uma admiração muito grande por nós, e nós por ele também. Então isso é muito legal, né, essa, essa, essa troca, essa troca.
E hoje, quem é o Grupo Mirandinha dos números que vocês podem falar, como que, que hoje ele tá? Eu sei que vocês vão até já inclusive dar spoiler de que vocês não estão só no Brasil, e depois a gente já entra nesse processo de internacionalização que a gente tava comentando nos bastidores, mas hoje o Grupo Mirandinha o que que faz, quantos produtos tem, como distribui, o que, qual é o foco principal, quanto fatura se vocês podem falar esses números, assim, me dá um overview geral aí do grupo.
Legal. É, bom, o grupo… Nós somos uma indústria no segmento de embalagens e produtos de decoração para festas, né, então desde aniversário, chá de bebê, todos esses pontos. Fabricamos mais de 10 milhões de unidades por mês, né, são mais de 70 máquinas, 300 colaboradores, mais de 15.000 clientes atendidos. Esse cliente é B2B, né, então a gente tem esse B2B que através deles… Então é muito mais que isso. E hoje a gente atende todo o mercado nacional, então todos os estados, e também exportamos, né, então Bolívia, Paraguai, Peru, Uruguai, Argentina, Portugal, e a nossa operação nos Estados Unidos, né, que nós temos uma unidade lá, então uma loja física e uma distribuição que a gente vende pela Amazon, e agora recentemente, há dois meses, entramos no Walmart, né, então…
Aí sim, hein!
Aí tem, tem crescido bastante, a gente tá nessa, nessa expansão aí também, né? E o legal que o, o Brasil, ele é referência em festas no mundo.
É mesmo? Não sabia.
Mais do que os Estados Unidos. Foi um dos poucos, né, segmentos que a gente viu que o Brasil tá, tá à frente. Então acaba sendo algo a nosso favor, é tanto que a gente até comentou assim de que nós assumimos em 2012, e se nós tivéssemos, obviamente, né, essa estrutura de hoje em 2012, a gente estava trilhardário, trilhardário, cara! Porque a demanda era muito grande e a gente não tinha produção para, para entrega. Só que hoje o mercado americano ele tem essa dificuldade também, ele tá justamente nesse momento de ter uma demanda… Tá no timing do Brasil lá, cara. Essas festas maiores com decoradores, que isso chegou, né, aqui há um tempo, lá tá chegando agora.
Que legal.
É porque eles não têm essa cultura que nem nós temos, de fazer no buffet, por exemplo, salão de festas, eles fazem em casa.
Então não é uma superprodução.
Não é uma superprodução, e agora por conta, né, do dos brasileiros que que estão lá, os latinos, eles estão levando mais essa cultura para lá.
Que legal.
Então o mercado meio que tá desenvolvendo, e também o americano ele se cobra muito por trabalhar demais e não dar atenção pros filhos, então tem mais o sentimento de “ó, eu mereço, e vamos fazer a festa”.
E isso… E tem um estudo até na NRF, que foi uma das edições que o Bruno foi, quase sempre ele vai, que fala que o mercado americano ele consome 22 vezes mais do que o mercado brasileiro. Se a gente ter uma loja lá, corresponde a 22 aqui, caramba, né? E a questão da exportação, putz, tem N benefícios aí que é que é muito… Que é a… Que na exportação você não paga imposto, você não… Exato, tem benefícios, né, de impostos, porque nenhuma nação, né, quer ter o dólar alto, então quanto mais exportação você fizer, mais dólar entra pro Brasil, e aí o dólar baixa, por isso que eles te dão incentivo para exportar e você gera empregos.
E número vocês podem falar, número vocês não preferem, preferem não falar?
Cara, é bom, melhor não falar, porque o brasileiro acha que faturamento é lucro, né, o pessoal fala: “nossa, os caras estão estourando”. Exatamente, tanto que eu sempre falo do cliente bom: quem que é o cliente bom? Aquele que compra bem, paga em dia e dá lucro. É isso, né? Então se não tiver um desses três fatores…
Quer ver? Quer ver uma referência, né, de um produto, por exemplo, que nem o Thiago, né, havia comentado antes: sei lá, um produto que nós vendemos a R$ 8,00 aqui no Brasil, nós vendemos a $ 9, $ 10 nos Estados Unidos, então… E assim, o custo de que você tem agregado é só logístico.
Exatamente, porque nem imposto tem.
Nem imposto tem. Para nacionalizar lá também é muito baixo, é 1%, 2%. Então no final fica elas por elas.
Elas por elas.
E o custo de imposto que você tem para vender aqui é o que você tá economizando na venda, e talvez isso agrega no custo em logística.
Elas por elas.
O custo de material vendido… É até menor, é até menor, é até menor porque o nosso custo hoje de imposto é em torno de 30%, o custo de frete lá é 3%.
Isso, e a grande questão por conta, né, de… É a questão entre China e Estados Unidos, então teve várias sanções que foram feitas lá, exatamente. Eh então isso abriu muito o mercado, né, então para empresas brasileiras, mexicanas e argentinas…
E outras fábricas. Eu tô numa concorrência de um de exportação de vidro pros Estados Unidos que eu tava concorrendo com uma empresa de de Israel, sim, e que eu, eu não tava acreditando muito nesse negócio, mas esse negócio começou a esquentar, esquentar, esquentar, e quando eu fui entender, foi justamente as sanções, porque eles importavam esses vidros da China.
É isso aí.
E tão boicotando legal lá.
Mas demais. E a questão do custo, né, o custo aumentou de contêiner, custo, né, o frete, toda a operação. É tanto que o prefeito mesmo da, da Flórida ali, ele colocou que chineses e russos, por conta da guerra, não podem mais adquirir imóveis, então os chineses estão saindo de lá também. Então essa oportunidade tá vindo muito forte para nós, e além disso, como tava vindo muitos recursos da China, eles estavam comprando muitos imóveis lá e tava inflacionando, tava subindo muito o preço para, pros americanos, né, aí eles seguraram isso.
A loja de vocês é onde?
Na Flórida, Miami.
E um ponto que é muito importante, se o Bruno quiser falar um pouco mais sobre, eh nós somos uma indústria 100% brasileira, 100% nacional, e muito a gente vai remando contra o, o mercado, né? Que o pessoal importa da China, né, então tem essa questão. E hoje nós fazemos tudo aqui, e nessa oportunidade a gente teve um ganho muito grande porque…
Uma coisa que eu, quando você, quando eu vejo o modelo de negócio de vocês, olhando de fora sem entender nada, falou: caramba, como que esses caras seguram a concorrência chinesa? É isso, em termos de preço você consegue bater de frente?
Consegue, ah, é mesmo? Até porque assim, antes, né, a gente sofreu um pouquinho, mas hoje o dólar tá, tá muito alto, ah, agora tá mais fácil porque tem a barreira cambial.
Exato, e a questão do frete, né? Porque tavam trazendo esses carros da BYD, então o custo de um contêiner que era 2, foi para 12.000, então isso no diluído, pro de vocês foi bom?
Foi bom, e aí não, um produto de baixo valor agregado, isso que ia falar, dá volume, né, e baixo valor agregado, então o frete influencia muito no preço.
Exatamente.
E além disso, a gente investe muito no, no design diferenciado do produto.
Hum.
Então pode ter na China, mas, cara, o nosso é diferente, aquele negócio: você tá na prateleira, “eu quero comprar dois copos, eu quero comprar um copo, tem esse aqui e esse aqui, esse aqui é R$ 1,50 mais, mais caro”, o que R$ 1,50 no produto de vocês é dinheiro pra caramba.
Muito!
…R$ 1,50 mais caro, o cara paga porque ele gosta mais, ele acha mais bonito.
Exatamente, e o americano ele é muito forte nisso, então ele paga muito mais caro, mas ele prefere não comprar produto chinês, então foi justamente com essa ideia, e lá nós abrimos uma empresa, né? Nós temos uma LLC lá.
E como foi esse processo de internacionalização? Porque assim, brasileiro, muitas vezes a gente tem a síndrome do vira-lata, de que a gente acha que o nosso produto não vai ser bem visto lá, que é o que eu, quando eu fui eh assediado por uma empresa dos Estados Unidos, eu também fiquei: meu, os caras vão comprar vidro meu? E, e quando você vai ver, cara, você é competitivo lá, você fala: “cara, eu não, eu não tinha essa visão, eu não tava enxergando esse mercado”. Como que foi para vocês desbravarem e terem essa visão? Vocês sempre já tiveram? Como que foi isso aí?
Legal, e até você falando desse caso, é muito engraçado porque assim, a gente fala: “Meu, abri uma empresa”, né, com a burocracia que a gente tem no Brasil, você fala: “Pô, nos Estados Unidos não quero, longe”. Quando a gente foi falar com o nosso contador lá, ele falou: “Thiago, não traz essas coisas do Brasil para cá, não. Aqui é assim, assim, assim”. Eu falei: “Mas é só isso?”. Ele falou: “Não, é só… Você quer mais coisas?”. Falei: “Meu, não é possível, não é possível!”. E o melhor de tudo: não tem Direito Trabalhista, não tem… Nossa, é isso! …você não dá, não tem férias, não tem 13º, então é o cara ganha por hora, por hora. Se o funcionário for muito bom, muito bom, você dá uma folga pro cara no Natal, no Ano Novo, cara, é surreal isso pra gente, fala: “Meu, não é possível”, né? Então tem muito isso, pro funcionário lá processar uma empresa, ele tem que pagar, caramba, entendeu? Então é isso, aqui quando teve mais ou menos isso, já caiu, despencou, né? Hoje tem em torno de 7.000, cara, coitado dos caras, não tem processo, não tem lei trabalhista lá, por isso que tem tanto americano vindo pro Brasil trabalhar aqui, é isso.
[risadas]
Entendeu? Tá com uma fila lá na empresa mesmo, tem um monte… Na imigração tá lotado de americano querendo o quê: FGTS.
É isso. E aí, é por isso que a gente fala, por isso que lá desenvolve economicamente, porque o empresário que nem eu sempre falo, eh se você assiste uma novela, não que eu assista, mas quem que é o, o inimigo? É o empresário, cara, sempre foi condicionado a isso, né? E aí o pessoal vê o empresário lá ao contrário, né, você vê o empresário como, né, gerando empregos, ajudando ali a economia, dependendo de como o empresário reage, como o Elon Musk lá da dos Estados Unidos, que tá cumprindo tudo isso, ele é visto como herói.
Exatamente, exatamente, que é o que a gente como empresário no Brasil vê também o cara, mas o, o povão vê o cara como… Que o Elon Musk no, na massa brasileira aqui, o inimigo.
Exatamente, exatamente.
E a questão da internacionalização, nós tivemos a pandemia, que foi um momento muito desafiador, né, pro nosso segmento. A gente nunca tinha visto crise no nosso segmento, né?
É porque sempre quando tinha alguma crise antes, o acabava usando o empreendedor, né, para ele, ele empreendia com o nosso produto. “Então, ah, vou fazer uma festinha”, então era o contrário, mercado… Não deixa de fazer a festa do nosso setor, ou parte de confeitaria, por exemplo, “ah, vou começar a fazer um bolo em casa”, vem com as nossas, com as nossas embalagens. Mas aí nessa questão…
Então o teu produto, ele é uma ferramenta pra crise, é isso?
É isso aí, para que as pessoas na crise saiam dela.
Então, exatamente, e o nosso slogan é “Sempre existe um motivo para celebrar”. E na pandemia, depois até da pandemia, muito mais as pessoas começaram a comemorar ainda mais, né? Tanto que algumas pessoas não querem ter filho, mas tem um cachorro, e tem o aniversário do cachorro, tem crescido muito.
Exato, e o mercado da, da influência aqui no Brasil também promove isso, né? É o mesversário, cada hora é o chá revelação, o chá revelação é uma coisa assim, nova.
Exatamente, é isso aí, então cada vez mais tem, tem aumentado, né? Eh e aí o que acontece: com a questão da pandemia, a gente teve uma dificuldade muito grande, nosso segmento parou 100%, e aí nós tivemos uma sacada muito assim, rápida, em uma semana, né? O Bruno desenvolveu uns produtos e, em uma semana, nós desenvolvemos 10 modelos, e esses modelos de frascos de álcool em gel foi o que explodiu o mercado. Foram 10 modelos de álcool em gel, olha lá!
É o da…
Foi isso aí, cara!
E assim, eu já recebi um, um frasquinho desse, eu nem imaginava que era de vocês.
Exatamente, cara, é nosso! E foi assim, né, Bruno, a gente sentou… O prefeito de Guarulhos, o Guti, um abraço para ele também, ia visitar a nossa operação, nossa empresa, e aí ele desmarcou. Quando ele desmarcou, aí eu liguei pra secretária, ele falou: “Thiago, teve dois casos no aeroporto, e o negócio é sério”. A gente falou: “Caramba!”. Começa a ligar para todos os clientes, a gente estava no maior pico de recebimento de pedidos da história da empresa, caramba! E aí no ano de maior investimento também, e aí o pessoal: cancela, cancela, cancela, cancela. A gente zerou de pedidos! Sentamos juntos, falamos: “Meu, e agora?”. Duas coisas tá sendo vendida no Brasil todo mais do que tudo: é álcool, né? Diminuiu o nosso capital de giro porque assim, e os clientes compram faturado, hoje a maior parte deles, então eles quiseram adiar o pagamento dos boletos, prorrogar, e a gente arcou com fornecedores de matérias, não deixou de pagar ninguém, cara. E o Bruno teve um problema que ele fez uma cirurgia, perdeu uma parte do pulmão, era grupo de risco, risquíssimo, e ele falou: “Meu, não vou deixar o Thiago sozinho lá”. Ficou eu… O médico me ligou, ele falou: “Cara, não saia de casa”. “Ah, mas aí eu senti isso”, eu falei: “Cara, não posso deixar, né? No momento de que a empresa mais precisa ali, eu não vou deixar o Thiago sozinho nessa, nessa operação”. Aí tava eu e o Bruno, a gente na época tinha um, acho que uns 100 funcionários, mais ou menos, aí ficou eu e o Bruno, mais dois só, e, cara, e revolucionamos. Aí o Bruno falou: “Nós vamos fazer esse, esse modelo”. Imagina o cara com uma loja de móveis planejados fazer o móvel planejado sem ter a medida, e o cliente… Foi mais ou menos isso. Na semana seguinte, a Coperálcool, que é uma das maiores empresas de álcool em gel, contactou a gente, e foi engraçado que a gente recebia em álcool, cara! Então, por exemplo, a gente mandava lá R$ 100.000,00 em, em frascos, em vez dele pagar, o Sete falou: “Não, manda em frasco de álcool em gel cheio”, porque a gente vendia por 150, porque o álcool não tinha, você não encontrava álcool, vixe! E aí teve a sacada, né, de fazer o álcool bag, porque teve uma, uma empresa que ela foi processada porque um funcionário teve COVID, faleceu, e aí ele falou: “Pô, mas isso daí não é na empresa, o cara, né, tá aqui, a gente tem toda essa questão, vai, é um problema sanitário”. Sanitário. E o que acontece para poder e diminuir esse risco, a gente falou: “Pô, vamos criar um produto que você coloca ele no crachá”.
É um EPI.
É um EPI, foi um EPI, um EPI, e nós vendemos como EPI, aí saiu no Pequenas Empresas, na… Explodiu, cara!
Cara, eu entendo quase, quase nada de injeção e por essas coisas, cara, pra você fazer esse buraco aí no meio é um trampo, né?
É um trampo, é isso aí, exatamente isso, cara, uma loucura.
Eu, porque, cara, esse buraco aí é o que fez o negócio dar muito bom, foi o que nós fizemos, foi o seguinte: a gente jogou o dardo e correu para pôr o alvo.
Não, e olha que loucura! Foi aquelas coisas da engenharia, né? Exatamente, foi isso aí. Não, e olha que loucura, né, que a gente fala que não tem como não acreditar em Deus, né, por toda a nossa história. Nossa, que quando nós fizemos esses produtos, nós víamos os clientes, e aí eu tava conversando com um cara que ele vende performance também, a gente conversando sobre um determinado assunto lá, OK, desliga o telefone, daqui a pouco o cara me liga, ele começou a falar comigo: “Não, porque eu tenho um cliente aqui, a Coperálcool, que eles querem esse frasco aqui, tá, tá, tá, tá”. Falei: “Não, a gente tem de…” que já tinha feito esses 10. O seguinte: ele não tava ligando para mim, ele tava buscando esse frasco no mercado com alguém e, cara, coincidência! E aí a gente acabou fechando com o cara, então… Não, isso foi, cara, até arrepia! E aí o que que aconteceu: a Coperálcool queria a nossa… Essa aí era pra vocês, cara. É, é Deus, tanto que a gente fala: é Deus, Deus tem de fazer. E aí a gente… E eles queriam, eles estavam fabricando daquele modelo 1 milhão por dia, queria o nosso 1 milhão por semana. A nossa capacidade era 500.000 no mês, e aí o que que nós começamos a entregar: os 500.000. E aí como nós temos a ferramentaria própria, voltou os ferramenteiros, pessoal tudo, a gente falou: “Meu…”. Aí entramos em contato com o concorrente nosso, falou: “Ó, a gente tem uma, uma demanda desse da… Você quer fazer?”. “Quero”. Nós fizemos o molde, mandou pro cara, começou a me entregar 1 milhão. É, ou seja, salvamos um concorrente nosso, o cara é grato até hoje com a gente por causa disso. E, cara, e foi indo. Aí as empresas…
Cara, mas com toda a estrutura da Mirandinha, vocês conseguiam, você ver como que tava a demanda, cara?
Mas absurdo, absurdo! Era um negócio que você não conseguia entregar, não conseguia entregar. E aí e nós passamos no Pequenas Empresas, né, quem que personalizava… Que a gente desenvolveu também é o sachê, porque aí eu peguei a gente, eu tava indo na empresa, aí eu pedi um delivery, falei: “Ah, não vou parar para comer um pouco”. Aí quando chegou o delivery, cara, não tinha, não veio nenhum papel para limpar a mão, falei: “Caramba, nós estamos na pandemia e não veio papel e não mandaram nada para higienizar”. Aí, por exemplo, imagina os motoristas na rua, o pessoal de Uber, cara… Aí eu olhei pro sachê de ketchup e falei: “[ __ ], poderia colocar álcool em gel aqui dentro”. Nós fizemos, e aí a gente acabou, né, fazendo esse produto. E o que que era mais legal na pandemia, né, um lado positivo até abriu o mercado, que, cara, abriu o mercado. Você conseguia falar com pessoas que normalmente você não conseguia falar, porque tava todo mundo buscando solução, né? Porque tava todo mundo buscando soluções, então o que que acontece: a gente chegou, cara, em Bobs, McDonald’s, Burger King rápido, em dois telefonemas eu cheguei nos caras que normalmente seriam impossíveis no mercado normal.
Exato, e aí os caras, a gente foi lá, só que a gente pegou uma empresa que faz o envasamento, que a gente não tinha essa, né, essa tecnologia. E aí os caras quiseram ir lá, cara: “Gostamos da ideia”, tal. Fechamos com o Bobs, eh não foi negócio… Então foi assim, algo… Tem até hoje lá, né, o do… E isso que é legal, porque a gente achava que tava trabalhando, cara, mas a gente viu que dava para fazer o a mais na pandemia, que a gente se esforçou para fazer mais, né?
Exato, enquanto tava todo mundo morrendo de medo, vocês estavam voando lá, cara, é isso, exatamente. Cara, olha isso, esse produto, cara, surreal, surreal, cara! É uma história realmente que o, o que é soprado, isso, soprado, é… Foi invenção. Isso aí eu nem vou tirar, que isso aí deve ser segredo. Cara, isso aí é isso, é uma… Em tempo recorde, né, em tempo recorde.
Cara, esse furo aí passando álcool, foi… Se eu tivesse ainda prensado aqui isso, e feito o buraco, uma coisa é… Mas não tá passando álcool por trás, cara, passando exatamente, cara! Loucura, loucura, loucura! Foi, foi incrível! E aí, então, foi essa questão da… É, nós…
Tiagão, pode tirar, obrigado, Tiaga.
Eh, a gente então passou por essa fase, e nós decidimos, falou: “Meu, vamos eh diversificar os investimentos”. Falou: “Pô, o mercado… Que o pessoal já vacinou, a demanda tá voltando lá, vamos focar os Estados Unidos”. Apareceu um parceiro, né, que era um decorador na época, ele tava dando cursos, né, pros Estados Unidos para decoradoras lá de como montar os produtos, a decoração de mesa, festas, e aí só que lá não tinha os produtos para poder usar, e aí foi quando nós começamos a, a distribuir para lá. Começamos a distribuir daqui para lá, até que nós pensamos em montar uma unidade lá, uma loja que era com esse decorador. Acabou não dando certo, né, foi no meio do caminho os contêineres lá, a gente tinha $ 100.000 de investimento nesses dois contêineres, e aí nós fizemos a sociedade, eu e o Bruno fomos para lá eh sem saber o que ia fazer, onde ia colocar esses contêineres, e Deus mais uma vez iluminou a gente. Aí um cliente nosso da Bolívia tava lá assim, num show, num concerto Bad Bunny, que é um cantor que tem, falou: “Meu, eu tenho uma amiga que tem um warehouse, você não quer levar esse contêiner para lá?”. Nós levamos, somos muito gratos a ela, uma boliviana também, boliviana, a Verona, e aí ela falou: “Traz para cá”, a gente não precisou nem pagar ali para ela naquele momento. E aí nisso a gente falou: “Meu, vamos entrar na… Vender pelo marketplace, pela Amazon”, né, e, e aí beleza, então começamos a fazer os anúncios, tudo e tal. E aí quando nós começamos a imputar os produtos no site da Amazon, eles fizeram uma oferta para comprar esses produtos da gente, a Amazon! A Amazon, cara! Aí ofereceram… A gente tinha $ 100.000 de produto, ofereceram $ 150.000, falei: “Meu, $ 150.000?”, mas fiz, falei: “Bora!”. Falei: “Bruno, vamos vender! Já tava chateado e p… da vida com o ex-sócio lá”.
Exatamente.
Aí o Bruno: “Pô, Thiago, mas se os caras querem comprar, é porque é bom. Os caras têm um sistema lá que eles conseguem saber a demanda dos produtos”, e tal. Aí eu fui fazer as contas: se nós fôssemos vender, porque, por exemplo, a gente tem aqui uma cabeça de, de abóbora, que é para o Halloween, que lá o Halloween é muito forte, aqui a gente vende a R$ 7,50, lá a gente vende a $ 10,00, caraca, e não tem para quem quer, então assim, uma demanda muito forte. Aí fazendo as contas, falei: “Pô, a gente consegue vender por $ 500.000”. “E aí? Ah, não, não vamos vender. A gente então vamos fazer, né, os anúncios”, tal, e aí nós começamos a fazer os anúncios, custo fixo lá, além do investimento, $ 11.500, né, para deixar tudo armazenado, todo… Primeiro mês, uma venda, falei: “Meu Deus do céu!”. Segundo mês, duas vendas. Falei: “Ferrou, devia ter ficado preocupado, ter vendido, deveria ter vendido pros caras”. Falei: “Cara, loucura!”. O Bruno: “Meu, mas onde a gente tá errando? Não é possível, tem demanda, tal, isso e aquilo”. E aí estudamos bastante, o Bruno, né, focou, fez uma imersão mesmo no negócio, né, de como fazer, melhorar anúncio, palavra-chave, como que eles chamam, como que faz, como que não faz. E aí os negócios… O que que vocês acham que fez engrenar: tempo, mudança de título, foto? O que que você acha que, que foi a, a grande sacada assim, a virada? Eu sei que não foi uma coisa…
Tá, com certeza foi uma sucessão…
…é de fatores, mas algo que eu vejo muito é a parte de… É o título, que nem você comentou mesmo, né, a forma que eles pesquisam o produto, porque até então a gente tinha um conceito de pesquisa para produto de festa diferente aqui no…
BR, Mercado Livre.
…então pra gente entender também demorou um pouquinho, e também, cara, a qualidade da, das fotos, qualidade das fotos, vídeos também dos produtos, tem que ser muito, muito profissionais mesmo, de que eles dão muito valor a isso. Se você tiver um produto com uma foto meia-boca, cara, não vai vender.
Não, fotos explicativas, também diferente do Brasil, porque aqui vixe, Brasil você coloca qualquer coisa a mais, cara, vende, mas lá se você não chegar num nível um pouco acima, cara, não vende. Você tem que tá profissional lá, tem que tá profissional, profissional, porque o pessoal olha a Amazon, acha que é tipo um Mercado Livre, qualquer coisa vende, até produto falso tem no Mercado Livre. O faturamento de 1 bi e 500 milhões de, de dólares, né, ano, absurdo, e, e assim, nós estamos com a operação lá há mais de, de 2 anos agora, né? De 2 anos a gente vendeu mais de, de 1 milhão de dólares, caramba, então realmente foi um investimento. E assim, quando você vê os benefícios tributários de que tem, se a gente vender 1 milhão, 1 milhão de dólares de reais lá, né, que é 200.000… R$ 1 milhão de reais lá e R$ 5 milhões de reais aqui, o lucro é o mesmo. Nossa! Então por isso a gente tá com um foco muito forte na operação lá de fora.
Se você vender R$ 5 milhões de reais no Brasil ou 200.000 nos Estados Unidos, você lucra a mesma coisa?
Mesma coisa, isso aí! O Brasil, é o Brasil, por a parte tributária, né? Então todas essas questões, e com isso a gente viu, né, essa oportunidade lá realmente foi muito…
Mas já colocando o custo de indústria no… Tudo.
[ __ ] que pariu, cara, tudo, mas é assim, é surreal! Tanto que a gente faz as contas, tanto que a gente até a gente tá… A gente empreende correndo pra frente e o vento para trás, lá você fala: “Meu, não é possível, o vento vai tá a favor”, exato. Tanto que faz duas semanas, ela tava falando com a vice-presidente do JP Morgan, ela fez um contato com a gente, falou: “Meu, não vai demorar muito para uma empresa americana querer comprar vocês, porque, pô, isso aqui tá oportunidade, a demanda, tal, como vocês estão indo”.
Delícia!
E outro projeto de que tá na gaveta, mas a gente tá começando a estruturar, é franquear o negócio lá também, exato, porque como nós montamos agora a loja física, e lá, cara, a oportunidade é muito grande… História, até porque essa maior rede de lojas de festas que tinha 800 lojas declarou falência, então estão fechando, nossa, então tá no timing, tá no timing perfeito, só como o online tá crescendo muito também, e aí fica naquela questão de braço por trazer mais braço… Abriu lá, você não tem braço para abrir. E no caso deles, qual que foi o erro, né, da Party City, né, que essa rede? Eles acabaram colocando uma estrutura muito, muito grande de loja em lugares muito caros, dependiam muito da China, dependiam muito da China, 100% dólar aumentando… Tudo isso aconteceu, dólar aumentando para eles não muda, é… Para eles não, mas, mas essa burocracia aumentando frete, aumentando, aumentando, e às vezes eles tinham corredores inteiros, cara, de um tema só, só que, cara, ninguém vai conseguir consumir. Nossa! Os caras diversificaram, então foram vários erros, e também a pandemia ajudou com isso, porque você ficar imagina dois anos com 800 lojas pagando altíssimo, e um outro ponto também que, que era deles, de que assim, praticamente em torno de uns 70% do faturamento deles era aquele balão de gás hélio, que na pandemia ou ia para respirador ou ia pros balões, e aí a gente sabe para onde foi, então foi uma série de problemas, né? Foi um timing ruim também para eles. E aí até um, um exemplo que, que a gente, né, eu posso dar dessa questão de, de, de turnaround, né, que a gente mudou aí do, do da Amazon, aqui é um exemplo do Brasil: a gente tem um vizinho, né, um amigo nosso, que ele fabrica calotas, né, calotas de carro, então a calota você tem ela da Fiat, da Volks, da Chevrolet para cada determinado carro, e ele fez um anúncio top, ele chama de “anúncio FIFA”, né, quando a imagem tá top, a descrição, tudo e tal, só que não vendia, cara, não vendia, não vendia, não vendia, e é um produto vendável, né? Produto vendável, tem muito no Brasil, meu, usa muito, e, e aí ele falou: “Pô, né, não tá vendendo, não sei o que tá acontecendo”. Aí um dia, um funcionário dele foi fazer lá um anúncio, ao invés de escrever “calota”, escreveu “carlota”, com R. Hoje ele vende R$ 1 milhão por mês, é por causa do título, do título! Não é como eu falo meu produto, é como as pessoas buscam.
Meu Deus!
Então essa é até uma dica bem importante para deixar aí pras pessoas: o quê? É pensar sempre no foco na solução, e às vezes assim, o errado tá certo, o errado… É que nem fala aqui no Brasil, até o passado… O brasileiro chama como? “Carlota”, é isso. Porque assim, aí você assemelha, né, a questão a pessoa que tem um carro que tem a calota, que é “carlota”, talvez não tenha tanta instrução, às vezes a escrita dela é, é errada, e aí ela busca por aquele produto, né, e aí isso serve para “mortadela” e “mortandela”, e não sei o que, então é esse ponto, então a gente vai dar uma dica, hein, para você que vende online, avalia como o consumidor pode errar o nome do produto que você vende…
Exatamente!
…e cadastra como ele busca, por exemplo, lá nos Estados Unidos mesmo, nós temos um produto que é da, de uma empresa nossa da linha de construção civil, e aí é um produto para a instalação exposta, sabe umas abraçadeiras para instalação exposta? A gente falou: “Pô, lá nos Estados Unidos eh vende, tem bastante construção, vamos vender lá também”. Aí quando a gente começou a vender, teve um cliente, só começou a comprar muito, né, começou a comprar muito, muito, muito, falei: “Meu, quem que é esse cliente?”. Aí o cara fabrica bicicleta, falou: “Mas o que que tem a ver o cano fixo a abraçadeira com a bicicleta?”. O que acontece: ele coloca embaixo do, do banco, naquele caninho, pluga o cano fixo ali, né, que é esse produto, a abraçadeira, e coloca a lanterna da bicicleta atrás. Então, o que a gente sempre fala: a gente não conhece o bolso nem o coração do nosso cliente, então é isso, tá livre, se, pô, o cara quiser comprar esse copo, quiser vender como laranja e alguém quiser comprar como laranja, é laranja, bora, vamos embora.
E o legal é isso que o Thiago falou, porque assim, não importa o ramo de atividade, sempre dá para você ampliar mais os canais de venda, e que nem no nosso caso mesmo, por exemplo, nós temos uma linha de vasos que são utilizados para, para decoração de festa, mas por que que eu não posso vender esse vaso pra floricultura?
É vaso de flor, né?
É vaso de flor, e a gente não oferece pra floricultura, e nós não oferecemos. Então eh tem muita oportunidade, tem muito dinheiro na mesa, é isso, se você não… Só na nossa empresa, mas qualquer empreendedor, cara, tem forma de diversificar.
Exatamente, e tudo dá dinheiro, tudo dá dinheiro, só tem que saber fazer, tem que saber fazer e focar. E focar, porque também, cara, eu já tive um período da minha vida que eu fiz três coisas ao mesmo tempo. Logo que eu comecei a empreender, eu tinha uma… Trabalhava com vidro, achava que esse produto não seria escalável, a Camila Farani não investiria no Shark Tank, e aí eu falava: meu produto não é bom. E aí comecei a abrir vários negócios diferentes, cheguei a ter 10 empresas diferentes no mesmo, no mesmo hub lá, e, cara, todos os negócios bons, sim, aos olhos individuais do produto, do, do serviço que oferecia, só que era eu gerenciando 10 empresas. 24, 5 anos, louco! Então, meu, cara, você para para analisar, fala: cara, foco é tudo, é o que você falou. Tudo dá dinheiro, foco é energia, qualquer empresa daquele, daquelas 10, se eu escolhesse “ah, quero ficar com essa” e tivesse focado, daria certo, foi o que eu fiz. Eu comecei a vender os negócios, foquei na construção civil e deu certo, é isso aí, depois que foquei. E aí depois você pode diversificar. No nosso caso, então, a gente focou sempre no negócio, agora vamos diversificar um pouquinho, vamos diversificar.
E vocês estão diversificando aonde?
Então, aí, por exemplo, nós temos essa operação dos Estados Unidos, que querendo ou não é a Mirandinha que produz para elas, né, então é um braço. Aí a gente tem uma rede de pet shop que chama Mimel Pet, hoje tem 12 lojas, né, em dois anos, tudo, tudo loja própria, é franquia, é própria. Agora 11 franquias. Aí a gente tem essa de construção civil…
A gente tem uma de locação de móveis…
C… O que que é? É a Cano Fix, né, que a gente fornece essas abraçadeiras para, agora a gente fechou exclusividade, né, como empresa, e aí aqui no Brasil a gente tem a exclusividade, fornece para eles, eles vendem no Brasil todo também.
Indústria também?
O mesmo conceito, indústria. Eles são distribuidores, então eles atendem os depósitos, a gente como indústria, e eles é distribuidor para material de…
Tem produto para… E tem na construção civil, tem muito leque também para vocês abrirem para outros produtos.
Ó, você tá babando aí, ó, já tá, já tá!
E uma dessas que exatamente, que é o nosso bebezinho, que é o Hackeando Ansiedade. Três anos atrás eu tive um burnout, né, tive um burnout, minha mão formigou, a língua enrolou, cara, eu achei que ia ter um treco, e aí eu comecei a fazer terapia, e o meu terapeuta me chamou para abrir uma empresa. A minha esposa quase me matou, ela falou: “Você vai lá para sair dos negócios, você vai abrir um negócio?”. E aí falei com o Bruno, né, que aí a gente, né, tava aquele negócio de não abrir mais empresas, até ele vai falar um que é não… O engraçado é isso, porque uma semana antes eu queria eh entrar com uma, numa empresa de tecnologia, queria investir nessa empresa, e eu tin… Bruno fala que quando uma empresa não tem tecnologia, ela é fadada a morrer, então isso eu também concordo, e a gente não, não ia entrar em mais nada por enquanto, a gente já tá com muitos negócios, né? Aí ele falou assim para mim, falou: “Não, Bruno, mas é o seguinte: se você adivinhar o número de empresas que a gente tem, a gente investe”. É, eu falei assim: “Ó, o Bruno, seguinte: eu vou te fazer uma pergunta, se você souber responder, eu te dou uma Ferrari e a gente investe nessa empresa”. Eu falei: “Quantas empresas nós temos?”. Aí o Bruno: “Eu acho que é três”. Eu falei: “Nós temos 10”. [ __ ] Aí eu falei: “Então ele não vai investir, é porque quem administra…”. E aí ele foi no terapeuta e, e ele sugeriu abrir uma empresa. Falei: “Tá de brincadeira! Acabou de falar isso agora?”. Não, primeiro fiquei uns três dias também pensando, [ __ ], eu vou ter que falar, acabei de declinar, acabei de declinar, só que, meu, o negócio é bom, e essa empresa ela cuida do quê: de cultura e de saúde emocional dos colaboradores.
Cara, [ __ ]!
E aí até o nosso terapeuta fala isso, que é hoje o CEO da empresa, Guilherme, ele é fora da curva, e ele fala: demanda infinita. E realmente é, porque a ansiedade é, né, a depressão é para homem, mulher, idoso, jovem, e tá assim, presente, totalmente presente, presente. E todas as empresas, sem distinção, pode ser indústria, comércio, banco, eh distribuidora, lo… Todo mundo é pessoas, né, são pessoas.
Isso.
E vocês abriram uma empresa que cuida disso?
Que cuida disso, é uma consultoria. Então ela faz esses treinamentos aí, né, eh sobre cultura, sobre eh saúde emocional. Fazem seis meses de que a gente tá de operação, com vários clientes, vários clientes, até em outros estados, clientes no Tocantins, Brasil todo também, e tem crescido muito, cara, é uma demanda também que nós estamos desenvolvendo um aplicativo para essa empresa também.
Exato, então você vai ter como se fosse um gráfico de BI que você vai acompanhar a saúde emocional da sua empresa.
Nossa, que ótimo!
…usado dos colaboradores até diário também, cara, isso é ótimo, porque vamos supor: às vezes o seu colaborador não tá bem naquele dia, cara, você tem de dar um feedback pesado pro cara, você não deixa, você não faz aquilo naquele momento, é isso.
Acaba, vai ter um termômetro, né, então, por exemplo, como que eu estou hoje: feliz, triste, angustiado, chateado, aí você coloca lá: tô triste. Aí você vai ter que dar um feedback ali para aquela pessoa, você sabe que ela tá triste, você já vai, “calma”, você já sabe como que tá, e o outro detalhe é: a equipe também começa a ter empatia. Por exemplo, a gente tem um cliente nosso que tinha uma pessoa que tinha o TOC, então assim, o copinho dela tinha de tá aqui, a caneta, o computador, se alguém mexesse, cara, ela era tida como chata, “essa pessoa é chata, não pode mexer nada na mesa dela e tal”. Quando a equipe dela entendeu o que ela tinha, começou a ter uma empatia muito melhor e começaram a trabalhar muito melhor. Então é, é sempre esse…
É surreal, porque hoje em dia a gente… Eu falo que quando a gente é empreendedor, a gente é um, um líder de creche, praticamente, porque são várias pessoas que às vezes não têm inteligência emocional para interagir entre elas, e você precisa muitas vezes entrar num conflito que você não tem nada a ver, que não tem nada a ver até com a empresa, se você parar para analisar, é porque a pessoa falou mal de sei lá quem que não tem nada a ver com o âmbito profissional, mas que afeta completamente, que aquilo vira um câncer. Então você precisa sim olhar pra cabeça das pessoas, porque, cara, é o nosso maior ativo.
Exatamente isso. E, cara, e a gente vê isso daí muito, muito real, porque às vezes fala: “Não, isso é mais operacional, não tem diretores”. Se, eh eh que foram vice-presidentes ou diretores de grandes empresas, e ainda tem essa disputa de ego, e tanto que, cara, parece que quanto maior o cargo, pior, pior é. E aí a gente fala que tem até um estudo que fala que 84% dos erros de uma empresa: falta de comunicação. “Ah, não, não gosto daquele cara, deixa lá, não vou falar nada, não”. “Ah, não, esse cara não… Deixa o cara quebrar, cara, não deixa o cara ser prejudicado”, e quem é prejudicado é a empresa, né? Então esse é um ponto muito importante.
Que legal. E a diversificação então tá na Mimel Pet…
Isso.
…empresa de construção civil, e agora essa empresa de consultoria de arqueando…
É, ah, ch… Hackeando.
…Hackeando Ansiedade.
Hackeando Ansiedade.
Nossa, bom nome esse, esse nome aí é bem forte, bem forte.
Legal, cara.
E a gente tá com um projeto também que é Mirandinha Lab, que é justamente seguindo essa linha desse produto de construção, é a gente fazer parceria com outras empresas que queiram eh produzir alguma peça de plástico que já tem alguma demanda, a gente também tá buscando agora essa, é um mercado gigante. Por exemplo, lá o Raul da Biscoitê quer fazer uma embalagem X para um produto dele, a gente desenvolve isso.
Nós… Um white label.
Nós fazemos a algumas empresas, né, muito grandes já, e só que não é, não é divulgado isso como produto, né, então a gente quer expor para que as pessoas eh saibam disso, né?
E o próprio mercado da construção, eu que tô no mercado da construção, cara, tem trocentas coisas que se você fizer só o mesmo que todos estão fazendo, você já estoura, e tem trocentas soluções de coisas de que estão faltando e não se faz…
Pô, mas é muito grande! E, e um ponto muito forte do Bruno é isso, porque assim, você vai falar: “Eu quero um copo”, mas ele vai te dar um copo que você vai ter uma argolinha que você vai conseguir tomar com canudinho, então ele consegue ainda melhorar, melhorar a ideia, a ideia.
Que legal, cara! Baita de, de negócio! Pessoal, o tempo acabou, mas não, não… Eu vou, vou pedir licença para agradecer aos patrocinadores, eu tenho uma pergunta final para fazer para vocês ainda, mas, cara, o episódio foi top. E, cara, sinceramente, eu vejo o seguinte: com todo esse essa bagagem de que vocês têm, eu queria até me aprofundar em temas de como vocês gerem a operação, como vocês construíram a cultura da empresa, como que é o RH de vocês para gerenciar tanta gente assim, mas não deu tempo. Então fica o convite já pra gente fazer uma segunda, um segundo episódio pra gente entrar nessa parte técnica mesmo, como que vocês estão gerenciando tudo ali, que isso aí é, é sensacional, cara. Apesar de que o episódio já, já se pagou com certeza, mas se a gente abrir também para uma, uma, um segundo episódio de entrar nisso, cara, vocês têm muita bagagem, pô, tem que… Eu queria extrair isso aí de vocês também. Então já fica o convite, hein? Tiago, tá no esquema aí, Tiagão? Então bora.
Galera, toda essa infraestrutura, essa qualidade de áudio, vídeo, os convidados que vêm aqui para despejar aqui na internet de forma gratuita todo esse conhecimento, e, pô, imagina quantos insights vocês estão saindo daqui… Eu mesmo já, já tenho alguns aqui que amanhã eu vou falar com meus sócios, falar: “ó, a gente tem que pensar nisso, nisso e nisso”. Então, cara, tudo isso aqui é graças aos patrocinadores que acreditam no projeto, acreditam no nosso, no nosso, no nosso podcast e por isso investem para que tudo isso aqui seja gratuito pra internet.
Então quero começar agradecendo a Semic Displays, do meu parceiro Adalto de Carvalho: tá precisando vender mais? Então o seu negócio precisa de soluções criativas para PDVs, balcões, bandejas, displays e muito mais, tá aqui o site e o arroba na tela.
SMB Store, do meu parceiro Alonso: desde 2018, a SMB Store tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar. SMB aqui na tela, junto com o site e o arroba. Inclusive a SMB, não sei se vocês repararam, mas ela tá passando com mais frequência aqui na TV. A SMB acabou de fechar uma parceria comigo, eles são… Eles estão entrando como patrocinadores master do podcast, o que isso mostra o quanto o podcast, graças a Deus, tem trazido retorno aí pro patrocinador. E hoje eu posso anunciar para vocês que eu sou embaixador da SMB, então vamos que vamos, sucesso.
E agência RPL, do meu parceiro Rodrigo Álvares: a RPL oferece a solução completa de marketing digital para negócios, cuidando das empresas com olhos de dono, desde a criação de sites, gestão de anúncios, planejamento estratégico, social media e SEO. O site e o arroba da RPL.
WJR Consulting, do meu parceiro Valenstein Júnior: aumente seus lucros, seja aumentando receita ou reduzindo despesas, gestão financeira descomplicada para empresários, DRE, análise de capital de giro, fluxo de caixa e uma gestão profissional como todo negócio merece e precisa. WJR Consulting, site e Instagram aqui na tela.
Inspira Capital, do meu parceiro Fabiano Brito: operação e gestão financeira por assinatura, o braço direito do empreendedor, BPO, gestão financeira por assinatura, gestão de marketing, RH, site e arroba da Inspira aqui na tela.
Polux, do meu parceiro Ricardo Ferrazini: sabia que existe oportunidade de desembolsar menos com impostos através de planejamento tributário? A Polux ela é especialista em gestão de tributos e também gestão de crise quando a empresa tá passando por maus lençóis, é importante você ter uma empresa e uma consultoria que te ajuda a justamente passar por isso. Polux Online, arroba e site aqui na tela.
E por fim, Max Service Contabilidade, que tem como missão a parte consultiva ao empreendedor, estando sempre próximo da gestão da empresa. Com ecossistema completo, oferecem atendimento desde o Simples Nacional até o Lucro Real, inclusive o Lucro Real eles têm como especialidade. Aqui embaixo o site e o arroba da Max Service.
Todos vocês que acreditam no projeto, muito obrigado. São todas as empresas que passaram na minha curadoria de pessoas sérias, empresas sérias e com produtos e serviços que valem a pena para empreendedores. Às vezes tá com uma dor aí, possivelmente alguma dessas empresas aqui tá conseguindo te ajudar, beleza? Sucesso.
Senhores, pergunta final. Vou fazer uma pergunta, eu vou contextualizar ela, mas ela é uma pergunta pesada, mas nada aconteceu de grave quando as pessoas saíam daqui, mas eu vou bater na madeira. Imagina que vocês estão saindo daqui, pegando o carro para ir embora para os lares de vocês, e vocês acabaram sofrendo um acidente, o carro bateu e vocês morreram, então os dois irmãos estão partindo dessa para uma melhor. Cara, ninguém saiu daqui e bateu o carro, ninguém saiu daqui e morreu, tá? Mas imagina que, só pra gente trazer peso para a pergunta mesmo, imagina que, cara, essa é a sua última aparição pro mundo, a última vez que você tá deixando uma mensagem pra humanidade, pro mundo, pras pessoas, porque já, já tua missão tá cumprida. Qual seria a tua última mensagem, começando por você, cara? Difícil, hein? Difícil. O que que você deixaria pro mundo, cara?
Bom, o nosso slogan, né, da empresa é “Sempre existe um motivo para celebrar”. Então, para você continuar celebrando com muita responsabilidade, e tudo que você for fazer, fazer com amor, né, pensando nas pessoas, porque realmente até uma uma vez eu ouvi uma pergunta, uma pessoa perguntou assim: “Thiago, qual que é a sua missão?”, e eu travei e não sabia responder. E aí depois uma outra pessoa me falou: “Pô, Thiago, sabe qual que é a sua missão?”. Eu falei: “Caramba, qual que é?”. Ele falou: “Ajudar as pessoas”. Né, então a gente eh focou muito nisso, né, ajudar as pessoas, ajudar outras outros empreendedores. A gente tem muitas ações sociais que nós fazemos, isso a gente não divulga tanto, que nosso marketing até fala para divulgar, mas a gente acha que é uma coisa mais, mais nossa. E então é isso: é fazer tudo com muito amor, continuar comemorando e com muita responsabilidade, e ajudar as pessoas, porque o retorno ele vem, né? E não que a gente faça alguma coisa esperando um retorno, mas isso, mas vem, mas vem. Nós… A nossa história, a nossa trajetória é muito iluminada, da onde nós saímos, nem nos melhores e maiores sonhos a gente poderia imaginar, né, tá onde tá hoje, né? Para nós ainda é muito pequeno, né, para muitas pessoas pode ser muito pequeno, mas pra gente a história é, é muito forte da onde vocês vieram, cara, da onde nós viemos. E um outro ponto é que às vezes não é o final, mas a trajetória no caminho. Então, por exemplo, ah, o meu sonho era ter aquele carro X, você compra o carro X, eu compro o telefone X ou a casa X, você fica feliz num período, mas depois passa, e agora? A trajetória até chegar naquele carro, naquela casa, que é o que faz a diferença, e quando você olha para trás, fala: cara, conquistei aquele negócio, mas foi o processo.
É isso aí, e muita gente muito ansiosa pela, pela conquista não curte o processo.
Exato, e não aprende, é o principal.
Baita dica, cara, baita dica boa! E a dica que eu deixo é: vai um pouco de contra com a tecnologia hoje, mas é tentar estar mais próximo das pessoas, né? Porque eu vejo que tecnologia eu gosto, eu adoro, mas as pessoas estão cada vez mais se distanciando das outras, né? Então às vezes as pessoas querem só uma atenção e um carinho, às vezes sei lá, não dá uma atenção aos pais, os filhos, cara, ouvir. Então acho que é meio que a gente tentar não perder esses valores que a gente tem, né, estar próximo da família, respeitar o próximo, eh que eu acho que essa tecnologia tá avançando, mas a gente não pode perder nossos valores.
A humanidade.
A humanidade é isso, tá ficando cada vez mais caro.
Exatamente, e para você encontrar as pessoas, que é o que o Bruno falou, tem empatias, precisa fazer festa, fazendo festa comprando é Mirandinha.
[risadas]
Junqueira, obrigado, uma honra, satisfação, prazerço! Episódio top demais, cara! Vocês vão ver quando vocês assistirem que eh ficou muito bom o conteúdo que vocês passaram aqui. Obrigado por pelos insights, e de novo, já tá, tá no ar, tá gravado, vocês vão voltar.
Tamo junto, vai ser uma honra. Obrigado pelo convite.
E, galera, tamo junto. E você que ficou aqui até agora, muito obrigado também por acompanhar até o final. Aqui embaixo tem vários botões, clica em todos pra gente engajar, pra gente mandar esse episódio para a maior quantidade de gente possível. Encaminha para seu sócio, encaminha para as pessoas que empreendem que você acha que todo o conteúdo daqui pode ajudar. Tamo junto e até a próxima, valeu!
Bora!
