De Uma Dívida de 12 Milhões à Virada: A Trajetória de Bárbara Quercetti e o Desafio da Sucessão Familiar (EP #148)

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E tem uma coisa que assim, né, eh, toda vez assim quando eu peço a Deus para que nunca me falte fé, mas que também ele nunca deixe que essa fé me impeça de ver a verdade, porque fé demais deixa a gente cega, entende? Aí você acha que sempre pode mais um pouquinho, sempre pode mais um pouquinho. Ter fé é bom, mas assim, você tem que saber até onde é, né, aonde você tá na esperança de que vai acontecer, porque às vezes você precisa mudar o caminho.
Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um podcast do Alend CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui
para trocar essa ideia de empreendedorismo, vida real. E a pessoa que tá aqui na minha frente, se
preparem, pessoal, porque esse vai ser um papo que eu tenho certeza que ainda mais no momento que a gente tá vivendo
de muita inadimplência no Brasil, que tá todo mundo meio afogado aí com dívidas e
tudo mais, a trajetória da pessoa que tá aqui na minha na minha frente vai ser um deleite pra gente importante para pro
momento que a gente tá vivendo, porque a trajetória dela foi totalmente assim
antifrágil mediante a história que ela vai contar. Aí eu não vou dar spoiler aqui porque senão vou contar a história por ela, mas é uma pessoa que eu tenho
acompanhado nas redes sociais já há um tempo, é uma pessoa que produz um conteúdo muito legal, inclusive já recomendo que vocês peguem aqui na
descrição e já comecem a acompanhar porque é um conteúdo de verdade. A gente a gente que é tarimbado no
empreendedorismo, a gente sabe quem é o empreendedor Ferrari que tá com a Ferrari só para expor e no final ganhou
a Ferrari só para prometer essas coisas na internet. E quem é o perdedor de verdade que tá à frente do negócio, que
tá vivendo operação, que tá resolvendo BO, buscha empreendedora e e essa pessoa
aqui é essa pessoa que vai trazer pra gente essa trajetória toda. Tô aqui com Bárbara Kerset, muitíssimo obrigado por
vir aqui. Prazer, não, prazer é meu tá aqui, porque eu já te falei, já te sigo, ó, já tem um tempão.
Que legal. E para mim é uma honra estar aqui. Você produz conteúdo há quanto tempo? Olha, firme mesmo. Acho que deve ter
quase um ano. Nossa, então é recente para caramba. Eu te sigo. Ah, eu eu comecei a ver teu
conteúdo já há bastante tempo. Aí eu comecei te seguir, eu acho que há alguns meses. Aí foi quando eu te fiz o convite para vir, porque, cara, o teu conteúdo é
muito sólido, de verdade. E de novo, é o que eu falei aqui, não é só um conteúdo sólido, mas é um conteúdo de verdade. Dá
para perceber que é vivência mesmo que que você teve ali. E aí, eh, é uma coisa
que você faz uma coisa que eu eu tô com uma lição de casa para fazer faz tempo, que é mostrar o dia a dia. Tem muita
gente que nem sabe o que que eu faço. Sim. a empresa, você mostra reunião, você mostra, você produz conteúdo na tua
empresa também. Eu vejo lá que muitas vezes eu entro no perfil da tua empresa e tá você lá eh na produção de conteúdo
e eu sou uma lástima com isso aí. Eu sou um produtor de conteúdo assim bem bem bem e a quem do que você tem feito e
[ __ ] o teu conteúdo tem me inspirado. Então fica fica aí a o canal de que, pô,
eu tenho essa missão de usar você como inspiração para produzir melhor os meus conteúdos. Então, olha, gostei desse feedback. E é
verdade, porque você tem aplicação. Eu é tudo que você tá fazendo é uma coisa que já tava na minha lista e eu nunca
coloquei em prática. E [ __ ] você tem feito isso muito bem. Inclusive, por isso que você que você que eu te chamei.
Bárbara, quero começar dando um overview. Uhum. Eh, da barbarinha, da onde ela veio, a
Babi, pessoal chamado de Bab, né? Eh, aonde você nasceu? Como que foi
a tua referência? Você queria ser empreendedora? antes de a gente entrar no dia a dia, toda essa tua trajetória e
na verdade o grande trunfo, né, da tua produção de conteúdo, que foi o problema que o problema que você pegou,
assumiu e deu conta. E eu quero entrar bem bem nessa nessa nessa nessa história
toda para dar esse insight pra galera. Mas antes disso, antes de chegar nesse nesse momento decisivo, pô, entrei na
empresa, agora eu tenho uma bucha para resolver. Conta um pouco desse contexto. A gente tava conversando aqui que até atriz, né, você meu e não é
atriz de TV e tal mesmo, fez novela. Dá um overview pra gente assim dessa dessa sua dessa sua vida. dá um paraa gente
entender. Meu pai, ele é empreendedor, assim, ele começou trabalhando como auxiliar de
serviços gerais e aí ele foi crescendo na empresa, né, e super interessado. E ele tem uma característica muito
específica, que ele busca sempre soluções de problemas. E aí ele começou a empreender no ano que eu nasci. Por
isso que eu falo que a Husk ela é minha irmã mais velha, porque ele abriu a Husk assim oficialmente em janeiro de 88, eu
nasci em abril de 88. Qual foi a motivação dele nesse mercado? Tinha alguma coisa que ele já atuava? Era uma
empresa que ele já fazia? Era já ele trab assim, ele trabalhava eh ele começou numa empresa voltada também para
essa parte ferroviária, porque assim, ninguém ninguém acorda um dia e resolve abrir uma empresa que faz, né, janelas
portas para trem, né? Mas ele começou a trabalhar e assim era uma coisa que como ele morava perto de
uma linha férrea, quando meu avô levava ele para passear, ele ele ouvia muito
assim o barulho do trem, ele se encantou muito com aquilo. E aí coincidentemente ou não, né, acho que não, mas os ele a
trajetória dele profissional foi empresas eh que prestavam serviços para
essa parte ferroviária. Boa. E aí foi uma decepção, na verdade, porque quando ele resolveu abrir a Husk,
porque ele tava ele tava na expectativa de ser promovido a diretora. Ele foi
crescendo dentro da empresa, ele tava na expectativa para ser diretor e aí trouxeram um diretor de fora
e aí ele ficou bem decepcionado e aí enfim, sugeriram para ele algumas
coisas, ele falou assim: “Não, vou fazer uma coisa melhor, eu vou abrir o meu negócio e eu presto serviço para vocês”. Caramba, que massa. E daí que surgiu a empresa, então ela já
veio com um segmento específico, que era o que ele já dominava, e com uma
característica específica, que era solucionar os problemas dali onde ele trabalhava. E assim, mais para frente eu
vou falar um pouco sobre isso, mas até hoje a nossa missão é criar soluções customizadas. Então assim, a gente não
abandonou essas raízes, né? Então meu pai é empreendedor, a minha mãe é advogada, né? tem o escritório dela, faz
ali as coisas, mas eu sempre desde criança, eu tive assim no no meu sangue
essa questão do empreendedorismo. Então, quando eu era pequena, eh, eu lembro que teve um ano que eu morei com a minha
avó, foi uma necessidade ali dos meus pais e a gente acab acabei, eles estavam separados, divorciados já. Eu morei com
a minha avó e eu e meu irmão e ela fazia aula de italiano e era na casa dela e
tinham alguns alunos que iam para lá junto com o professor e eu fazia desenhos que eu sempre gostei de pintar,
desenhar, sempre teve essa essa via artística. Sempre puxei bastante da parte dela,
isso. Então eu desenhava muita coisa. Aí na porta de entrada eu fazia um varal e pendurava todos os desenhos e eu vendia
os desenhos porque aí toda vez que eles tinham aula, eles davam lá R$ 1, R$ 2,
R$ 5, eu vendia os desenhos. E você nem chamava isso de empreendedorismo, né? Não, porque eu chegava no final de
semana, então tudo que eu juntava de dinheiro durante a semana, eu ia pro final de semana num kiosque de peixe e eu comprava em um monte de peixe. Eu
adorava e, enfim, fazia do meu jeito, porque minha avó falava: “Eu não vou te dar dinheiro para comprar peixe”. Aí eu arrumei o meu jeito de fazer isso.
Então, eh, desde sempre eu tive isso. Eu sempre gostei dessa coisa de de atuar.
Então, eu fazia os teatros na escola, mas eu era muito tímida, muito tímida. Então, quando eu tava assim na frente de
muita gente, eu ficava com muita vergonha, mas com a câmera para mim era mais fácil. E aí meu pai tinha aquelas
JVS, né, aquelas bem antigas, ele não queria usar mais, ele me dava
e eu ficava gravando. Então era aquelas fitas que você regravava, eu gravava 300 vezes, gravava peça, gravava um monte de
coisa ali, eh, reportagem. Então, sempre tive muito disso. E aí eu fui, eh,
crescendo, me desenvolvendo. Só que dentro da minha família ali, eu falo que era assim, era uma família um pouquinho
disfuncional, como muitas que tem aqui, né? E eu tive que ter absorver assim
muitas responsabilidades além da minha idade. Acho que pelo contexto, né, da
separação, sou irmão mais velha, o contexto da separação. Eh, meus pais, meu pai trabalhava sempre assim na vida
dele. A rasca era em primeiro, segundo, terceiro, quarto lugar, né? Eh, não julgando, mas era assim,
era era o que tinha. Exatamente. Então, assim, tinha um meu irmão ali mais novo e etc. a gente fazendo as coisas e eu tinha tinha essa
característica de absorver as coisas e e ser responsável pelo todo. E aí acho que foi isso que me fez inclusive quando
depois, né, já de um tempo, eh, a no momento que eu precisei assumir a sucessão e dentre outras coisas. Então,
eu sempre fui para este lugar, sempre gostei muito, mas sempre tentei eh criar
o meu negócio. Então, eu comecei a minha carreira, a minha a minha carreira assim profissional, eu comecei na parte de
eventos corporativos, trabalhei 8 anos com eventos. Caraca. É, então assim, o o que foi bom, porque
sempre isso me dava perringue pr caramba. É muito. E assim, você não tem tempo de pensar no problema.
É, você tem que resolver e acabou. é a solução o tempo todo. Na verdade, olhando talvez paraa
trajetória na Husk, o evento acho que foi a espinha dorsal da do que você da
transformação que você trouxe lá e principalmente num numa empresa aonde eu tenho muitos engenheiros, então são
todos pragmáticos. O meu gerente de engenharia, ele é averso a risco, porque ele quer tudo certinho. Então ele
precisa ter certeza 10 vezes antes de fazer. tá tá com todas as variáveis na mão para tomar uma decisão.
É, mas antes de eu assumir, então eu passei por algumas coisas, mas antes de eu assumir, eh, eu tive uma uma
pizzaria. Nessa pizzaria lá no Rio de Janeiro, eu tive problemas de sociedade e aí eu saí de lá e foi justamente
quando eu engravidei no Isso. A pizzaria foi no Rio de Janeiro quando eu engravidei. E naquele momento
eu falei: “Cara, eu joguei minha vida fora porque eu sou formada em publicidade de propaganda. Eu trabalhei 8 anos com eventos corporativos, fiz eh
novela lá, trabalhei nos 10 mandamentos da Record. Para mim assim, foi sensacional. E aí abri a pizzaria. A
pizzaria para mim, eu dediquei tudo. Eu eu criei do nome a cardápios, a
comunicação visual, tudo, tudo bem pensado. E aí só que eu fiz uma sociedade que não foi boa ali e isso me
custou o projeto todo, né? E eu tava num momento ali que eu tava com 29 anos,
tava grávida. Eu falei: “Cara, joguei minha vida no lixo” porque os meus amigos já tinham eh comprado um
apartamento, já tavam com a vida mais estruturada, já estavam com uma carreira sólida. Falei: “Cara, eu joguei fora.”
Você tava de certa forma quebrando um negócio com por causa de sociedade. Sim.
Porque sociedade, meu, que é aquele negócio, você tem, você divide funções, a sociedade não dá certo, cara. Muitas
vezes até o próprio modelo de negócio que daria para continuar não se sustenta com a menos, não. Porque tem um ponto, né? A gente
sempre pensa no contrato da sociedade quando a gente tá entrando. Então, ah, ah, isso aqui é maravilhoso, isso aqui a gente faz, vai ser assim, vai ser
assado. Um dia a gente vai conquistar um monte de coisa. Todo mundo esquece das cláusulas de saída, mas elas são uma das
mais importantes. O que que aconteceu? Posso perguntar? Não, a gente teve uma divergência. A gente
teve uma divergência de era só eu e mais um sócio. Ele era meu exnamorado. A gente namorou até uma semana antes da
gente abrir a pizzaria. Caraca. Porque aí quando, né, não deu quando mistura negócio de certo e aí já
era, não deu certo. E aí depois entrou um terceiro sócio que era amigo dele e que eu fiz questão que viesse porque eu
achei que em algum momento a gente fosse conseguir equalizar e dividir a necessidade. Ele era ator também e esse
terceiro sócio que entrou também ator, mas ele que tinha mais uma pegada para empreender. Mas aí no fim assim acabou,
a gente acabou terminando, foi uma questão muito passional ali de tudo. Ex
e parece que não, mas esses erros eh passionais eles ensinam muito,
muito, mas assim, na dor, né? na dor, é dor. Porque eu tive, eu tive muito eu
passional por querer ter uma empresa grande e tal e que sabe, nossa, foram os mais doloridos, mas ensinam demais,
cara, porque uma porque além de você eh sofrer o a o luto do erro, você sofre o luto de
uma emoção que, querendo ou não, embalava aquilo, aquilo tudo e p você sofre forte,
mas ensina bem. E aí quando aconteceu isso, então eu falei: “Cara, eu tô, eu me vi assim com grávida de um filho, eu
me sentia uma filha que ia ter um filho, porque eu dependia financeiramente da minha mãe, eu dependia e do meu pai, eu
dependia emocionalmente deles, né? Porque imagina, eu tava casada e a carreira artística é complexa, você
tá fazendo uma novela, mas às vezes você tá sem grana, é difícil. É, é difícil. Mas assim também além dela
ser difícil, eu sempre gostei muito de fazer isso. Só que quando eu entendi
como eram as coisas, essa dinâmica e o que eu gostaria, o que eu queria pra minha vida, não era a aquela carreira,
não ia me dar, não naquele momento. É que hoje mudou muito, né? Hoje você tem Instagram, aí depois vem publicidade,
mas antigamente você dependia de algumas emissoras específicas e todo mundo ficava na na sua na
dependência desses caras. Tanto é que as emissoras faziam o que queriam com os artistas. Uma delas, uma grandona, paga
pouquíssimo para que, porque ali você vai ter, ela vai ser uma vitrine para você. Então, o salário que ela te dá é
baixo, porque dali, se você for bom e as pessoas gostarem de você, você vai fazer publicidade, vão te chamar para um monte
de coisa e aí você ganha em outro lugar, entendeu? Então, eu via muito protagonista de novela eh de novela
assim, eh, como é que eu f relevante que dividia um apartamento de 50 m² com
mais três. Eu falo: “Cara, não é isso que eu quero”. pra minha vida, sabe? E ficar ali puxando o saco, porque toda hora
você tinha que dar um jeito de entrar na emissora para tentar falar com o produtor de elenco, para ver se você
tinha uma chance de E aí depois disso, foi nessa transição, começou o Instagram. Aí eles começaram a dar
prioridade para quem tinha visibilidade no Instagram. Aí eu falei, aí lascou de ver isso, porque aí não depende só da sua boa atuação, né? Depende do quanto
você tá disponível ali na internet também, né? E tivemos casos de de pessoas sem nenhum talento para para
atuar entrando novela, mas que era bombado na internet. Exatamente. Esse é o ponto. Aí eu falei:
“Não é isso que eu quero pra minha vida”. E eu sempre gostei de empreender. Cara, mas isso já mostra um pouco da tua, do jeito que você leva as coisas.
Isso é isso é prática, sim. Porque, ó, porque abandonar uma direção que você
tomou com 29 anos, querendo não, você não chegou na novela do nada. É. Não, né? Não,
ninguém chega numa novela de de emissora aberta do nada. Eh, foi toda uma
construção de uma carreira para quando você parar para analisar e falar: “Pô, o
protagonista tá divindo o apartamento, você olha o futuro que você quer, vê que não é o que você o caminho que você tá
esperando.” Mudar isso aí, meu, é muito difícil. Tem muita gente que acaba achando que já foi demais e prefere
continuar naquele caminão ao invés de fazer um um contorno. E você fez e assim você sofre uma uma pressão
externa que é assim, mas você desistiu de ser atriz. Exato. Inclusive da família. É, você desistiu de ser atriz. Eu falei
assim: “Não, por que que eu desisti? Eu só não, não é que eu desisti, eu posso fazer outras coisas se aparecer. Só que
assim, não é isso que tá neste momento me trazendo, assim, não vai trazer estabilidade financeira que eu quero a a
me consolidar profissionalmente. Eu me via sempre, eu sempre me vi muito mais numa Forbs do que numa tititi,
sabe? Entende o que eu quero dizer? Não desmerecendo nenhuma revista, mas assim, eu sempre me quando eu olhava assim na
banca, que antigamente todo mundo ficava, né, aquele negócio atenção muito, eu falava assim, se um dia assim,
se eu quero estar numa revista, eu quero estar na Forbes, não nessas outras de de novela, entendeu? Então isso tava muito
dentro de mim, então eu passei por isso. Só que quando aí eu fui para assumir a
empresa, aí que eu parei para ver, porque no momento às vezes as respostas que a gente espera elas demoram anos
para aparecer. Então, naquele eu lembro muito do dia, eu tava assim grávida, sentada assim na cama, eu chorava porque
eu falava: “Gente, eu acabei com a minha vida. Se eu tivesse a possibilidade de apertar um botão e voltar tudo, eu faria
tudo diferente naquele momento.” E aí depois de muito tempo, eu comecei a entender por quando eu entrei na empresa
com crise, e aí assim para contextualizar, né? A empresa tava com 12 milhões de dívida.
Nossa, 12 milhões faturando 3 milhões no ano, 3 milhões e uns quebrados no ano. Então assim, a dívida era quatro vezes mais. É
claro que assim, aí todo mundo fala: “Nossa, mas para você ter uma dívida dessa porque você faturou muito?” As pessoas precisam entender o contexto. A
empresa ela é uma indústria do setor ferroviário. É um segmento muito específico que se você não tem eh um
investimento do governo nesse setor de infraestrutura, não vai. Então assim, a gente passou, a
empresa passou antes de eu chegar por vários momentos assim, né, de instabilidade de mercado. Então, e meu
pai foi segurando você pega o dinheiro para rolar uma dívida e aquilo vai querer uma bola de neve, seu endividamento vai aumentando,
aí de repente e e o empresário sempre esperando um um momento melhor, daqui a pouco vai melhorar, o governo vai
começar a investir a meia empresarial, que é um pouco dessa paixão também de, pô, se a gente parar de analisar os
riscos e começa a falar, não, daqui a pouco as coisas melhoram e aí a dívida começa a ficar mais cara. você rola mais, aí você pega mais dinheiro, de
repente você fica com endividamento muito alto, você precisa eh aumentar o o tamanho da dívida para diminuir o valor
do parcelamento. P é muito fácil você dever quatro vezes teu faturamento.
E um dos no tempo. E um dos Exato. E um dos projetos que a gente que a gente tava, a gente tava com
pouquíssimos projetos naquela época. Um deles foi uma listação que a gente ficou em segundo lugar e o primeiro lugar foi
desclassificado. A gente pegou o projeto, é um consórcio, né, com mais empresas coreanas e eles pegaram.
Naquela época, quando a gente pegou, meu pai tava ainda com uma outra pessoa que tava fazendo a sucessão já há 5 anos
para ele e eles foram atrás de recursos de capital de giro para fazer isso. Daí o problema é que assim, não adianta você
pegar, e isso eu vejo muito na internet já fazendo, eu vou abrindo, né, várias várias janelinhas aqui, a gente fecha
tudo depois, eu prometo. Então assim, é muito, eu vejo muita gente na internet que me pergunta, fala
assim: “Ah, mas eu preciso, como é que você pegou dinheiro? Porque eu preciso pegar dinheiro. Como se a solução do
problema de caixa da tua empresa fosse você pegar um dinheiro no banco. E não é, o problema é interno. Só que se você
não olha para dentro, você pega mais dinheiro fora. E eu falo para eles, gente, eu tô, eu falo isso com conhecimento de causa, porque eles
pegaram dinheiro fora e esse dinheiro não durou 3 meses dentro da empresa, não deu pro projeto. O projeto ficou 15
meses suspenso aí por questão por porque licitação pública grande, tem todas esses esses essas questões. E aí quando
voltou já não tinha mais esse dinheiro de capital de giro, porque a empresa tava gastando 1 milhão no mês. Então adianta você pegar dinheiro de fora e
você não administrar o dinheiro que tá dentro? Então foi assim que eu entendi. Uma das primeiras coisas que eu fiz foi cortar 60% dos custos. Então a gente
caiu de 1 milhão para 400.000 e eu não tinha 400.000 no mês. Então assim, era muito difícil a gente fazer as coisas
acontecerem. Era muito difícil. Mas foi quando eu entendi que por tudo isso que eu passei, então quando eu tava
trabalhando com eventos, que foi isso que você falou, quando tava trabalhando com eventos, é assim, é solução o tempo inteiro. Você não tem tempo, você não
tem eh trabalhar com evento é um dos setores que eu acho que é mais difícil, estressante. Você tem que ter uma inteligência emocional surreal. Você não
curte o evento. Exato. Exato. Porque tem quem tá produzindo, cara, não consegue curtir o evento, cara. Nossa,
que estranha. Não. E assim, você tá ali trabalhando, né? Porque você tá produzindo pro outro. E só vem problema para você, porque quem
tá produzindo só sobe problema, porque o que tá dando certo simplesmente passa desapercebido. Não, eu fiz um evento uma vez assim que
ele deu em Fortaleza, mas ele deu tanto, deu deu tudo que você possa imaginar de errado. E uma das coisas foi que a tenda
abriu e começou um dilúvio caindo em cima do bifet. Como é que você faz? Porque assim, é uma coisa que
é uma eventualidade, acontece que você entende? Você tem que sair correndo, olhar o desespero e falar: “Cara, vamos
pensar numa solução”. Então essa minha, eu fiquei 8 anos pensando em solução
e a gente tinha sempre que ter o plano A, o B, o C, o D, sabe? A gente não para. Então, seu cérebro passou a trabalhar desse
jeito. É isso. Então, quando eu cheguei na empresa e era um problema atrás do outro, eu não conseguia ficar concentrada no problema, porque eu
ficava tentando: “Tá bom, mas qual é a solução? Qual é a solução?” Só que demorou bastante tempo para eu fazer com que as pessoas entendessem que eles
precisavam mudar essa mentalidade. Chegou uma hora que eu falava assim: “Gente, para de me trazer problemas sem solução. Vocês são engenheiros, vocês
são os técnicos, vocês entendem do que tá acontecendo aqui. Então quando vocês, Tudo bem vocês me trazerem um problema,
mas me tragam uma solução junto. Pensa qual é a solução, entende? Porque assim, como é que eu vou arrumar uma solução técnica pro negócio?
Eu até sou da besta, eu faço, né? eu tento alguma coisa, eu dou algumas ideias, mas assim, a obrigação é de
vocês, sabe? Então o evento me trouxe isso, trabalhar como atriz, além de toda
a experiência, além de e ainda mais que foi uma novela de época assim, né? Eh, tinha todo figurino, bombô, foi a única
novela que bateu a Globo. Novela é mesmo. Aham. Bateu. Lembro que o dia que bateu a audiência, nossa, foi demais. Então
assim, foi muito importante para mim e eu aprendi ali, como eu trabalhei como atriz durante um tempo, o que que a
gente tinha que fazer? Você aprende a ler o subtexto das coisas. Então eu preciso te dizer uma coisa, verbalmente
te dizer uma coisa, mas a minha intenção às vezes é outra. Então isso me fez ter um pouquinho de sensibilidade para ler
do outro aquilo que ele não tava me dizendo numa negociação com o cliente, numa negociação com o fornecedor, com os
colaboradores dentro da empresa. Então is tá tudo bem, tá tudo bem. Aquele que tem coisas é, entende? Então me trouxe essa
sensibilidade de pegar e falar assim: “Não, mas pera aí, tem algo, não tá batendo isso aí que você é”. Entendeu? Não tá batendo. Então me trouxe isso e o
fato de ter empreendido, né? me trouxe um conhecimento ali de gestão, é claro que em outras proporções. Quando eu
assumi, eu trabalhava, eu tava acostumada a faturar, sei lá, o máximo que a gente faturou na pizzaria foi 60.000. Para mim já era coisa para
caramba, né? Quando eu comecei a quando eu quando eu assumi ali a rusca, eu tava com 7.000
negativo no banco e eu achava que aquilo ali era fim no mundo, falava: “Meu Deus, aí juros atrás de juros, como é que eu
vou pagar esse negócio?” E é louco porque o empreendedor que nunca deveu, ele precisa quebrar um
bloqueio na cabeça dele, né? Eu já eu já eu falo isso porque eu já passei um momento que eu me endividei e por muito
e depois de muito tempo de uma empresa só no azul. Então eu fiquei meio que confortável nessa empresa no azul e
quando aconteceu uma crise e eu precisei me dividar, eu precisei me desdobrar psicologicamente para dar conta daquilo,
porque a cabeça vai junto, cara. Muitas vezes você não se se sustenta lá. E cara, foi complexo, cara, esse processo.
Um dos maiores bloqueios que eu acho que a gente precisa eh quebrar quando a gente fala de crise é essa crença que a
gente tem da reputação. Porque assim, eu vejo tanta gente falando para mim falando: “Não, mas eu
tenho que pagar porque eu não posso dever, não posso dever”. Falou assim: “Você conhece assim, tudo bem, existem pessoas que passaram uma vida sem dever
nada, mas gente, um principalmente um empresário, como que você passa uma vida ileso de
dever alguma coisa?” Exato. Tá sempre no azul, você tá sempre vivendo eh com as coisas estáveis.
Essa, essa é a esse é o esse é o inferno que passa na cabeça do empreendedor que tá começando ruir, que é a reputação
dele. Que que meus amigos vão pensar? Que que vai acontecer com a minha família? O que que a minha família vai
pensar? Não falo nem do núcleo do núcleo eh cônjuge, filhos, mas parentes que
porque querendo ou não, quando você empreende e começa a dar certo, todo mundo te coloca num pedestal de que deu certo, caramba, venceu, eu sempre
acreditei, aqueles aqueles papinhos. É. E de certa forma, por mais que a gente eh procura não dar ouvidos, isso
massageia a ego. Sim. E aí quando você começa a passar por um momento de crise, cara, isso aí bate
forte, cara. Bate forte. fornecedores, o medo do julgamento e também o julgamento interno, o que que a sua empresa vai
achar, como os funcionários vão lidar com aquilo, seus fornecedores vão continuar te acreditando, eh, reputação
e não vão tá tá no final ninguém tá aí com não tá não tem ninguém com você. Não, quando eu tô falando desse negócio que a gente precisa quebrar essa crença
da reputação, não é falar que, tipo assim, olha, fica tranquilo que nada disso ruim vai acontecer, não vai
acontecer, vai. Eu estou dizendo que vai acontecer, mas você precisa se preparar para isso. Eu recebi nos primeiros meses
que eu que eu tava que eu tinha assumido a empresa e tava quando eu olhei esse esse número e tudo mais, eu falei assim:
“Gente, eu vou ter que nascer de novo umas três vidas para pagar isso aí, porque se eu não tô conseguindo pagar 7.000, você imagina 12 milhões.”
Mas eu falei: “E aí todo mundo fala para mim: “Calma, Bbara, tem empresa que deve 20, 40. Dane-se. Não sou eu que tô
devendo tentando fazer deixar tranquila.” Aí depois eu falei: “Não, beleza, vai, vai ter que assim, sabe aquele negócio, assim do chão não
passa”. Então assim, se eu já tô lascada, é isso. Só que você, eu recebia ligação de
gerente do banco falando: “Bábara, eu preciso que você pague as parcelas
porque o meu meu emprego tá em risco, eu tenho filho, eu tenho isso.” Então, aquela pressão psicológica absurda. Só
que assim, o emprego dele tá em risco, só que e o banco você tem que olhar, neste caso, você tem que ser muito frio
de chegar e falar assim: “Tudo bem, cara, mas eu tô devendo pro banco, não tô devendo para você”. Entende? Então assim, se o banco tá
fazendo isso com você, o banco tá errado, porque entende perde emprego por não perde, sabe? E o banco tem os
seguros e tem as coisas, mas é uma pressão tão grande que se você fica preocupado, eu tinha fornecedor que
ligava e falava assim: “Você é caloteira, você não sei o qu, você fornecedor”. E
a gente tava devendo tudo. É mesmo, cara? Tudo que você possa imaginar. E deixa eu só entrar num contexto rápido. Você tava com 29 anos saindo da
pizzaria. Como que foi essa volta? Eu eu assumi com 31. Eu fiquei, eu tava
com 31 quando eu assumi. O Té nas, eu tava com 29 quando eu engravidei. Aí eu
voltei para São Paulo. Aí eu fiquei um período meio sabático aqui, né, entendendo. Eu falei: “Ah, tava na
gestação, falei: “Deixa curtir essa gestação, primeiro filho e tal”. E também tava sem. É. E eu tava sem. E
tudo que você fizesse também com eh grávida era um projeto de curto prazo, era mais fácil esperar realmente as
coisas assentarem. E eu sou uma pessoa extremamente produtiva. E eu não tô falando isso da parte positiva, eu tô
falando isso da parte do risco mesmo, porque eu sou extremamente é produtiva, assim, eu preciso, eu tenho a obrigação
de estar produzindo o tempo inteiro. Eu não, para mim, eu tenho uma dificuldade muito grande de ficar no óscio. Então
assim, é um trabalho que eu faço interno muito grande de falar assim: “Agora não é o momento, porque senão eu trabalho de
sábado à noite, domingo de manhã, eu trabalho o tempo inteiro, eu boto uma taça de vinho do lado e vou vou embora,
entendeu?” Dá para perceber o jeito que você fala acelerado. Eu também, eu também sou acelerado. Eu toda vez, às vezes quando eu tô, eu tenho dificuldade
de assistir um filme. Você ter ideia, é desse nível. Assim, eu preciso falar assim, Felipe, na boa, já trabalhou, tá
tudo em dia, porque senão eu quero assistir um filme com computador no colo. Cara, é desse nível. É desse nível. Eu preciso me policiar todo
momento de não tá produzindo. Eu também sou assim. E quando eu resolvo assistir um filme, eu falo: “Vamos assistir um documentário
de alguma coisa histórica, porque eu quero porque eu quero ser produtiva, entendeu? Eu vou atender um negócio
assim. Que que é? É um filme aleatório. Não, putz. Então não é é não, só para me divertir não. Vamos assistir. Cara, eu não consigo ler livro
de história. Eu só leio o livro de gestão porque eu preciso est na minha cabeça produzindo. Isso é um problema.
Só que, cara, eu gosto de viver assim de certa forma, só que eu preciso me policiar porque senão também eu frito. É, exatamente. Acho que a gente tem que
se aceitar, colocar algumas regras, mas a gente tem que aceitar a nossa essência. Não dá pra gente ficar eh nadando contra maré, entendeu? Porque aí
é difícil. E eu e assim, meu marido sabe, minha família sabe, meu pai. E ele fala, ele fala assim: “Cara, uma
conversa com você vira uma reunião de negócios.” Eu falo, tem o lado bom. Já tem uma acelerada. Exato. Vamos olhar
pelo lado bom da coisa. Então, tem um pouco disso, sabe? Mas e aí teu filho nasceu e você voltou para
aí? E como que foi teu pai te chamando? Você não trabalhava na empresa? Nas? Ele não me chamou. Ele não te chamou?
Não, ele não me chamou. Ele, eu não trabalhava. Eu já trabalhei na empresa e foi muito frustrante. Foi quando eu me
formei mesmo, eh, sou formada em publicidade de propaganda. Quando eu me formei, ele me chamou para fazer uma campanha de
tabagismo na empresa, tá? Aí eu meu pai fuma três mais de cigarro por dia.
Ele fuma assim. Exato. Exato. E aí que que aconteceu? Eu fiz, pô, muito legal a
campanha. Fiz banner, fiz isso, não sei o quê, cara. Ficou muito legal. Aí ele fumava embaixo do banner de proibido
fumar. Nossa. Aí eu cheguei, eu falei assim: “Pai, foram duas frustrações. A primeira assim, era um dos sonhos da minha vida
ele parar de fumar. Eu nunca botei um cigarro na boca, eu tenho aversão a cigarro”, né? Então eu falei assim, foi
uma frustração porque ele não parou de fumar. E a segunda foi porque ele me, eu me senti desmoralizada, porque eu falei:
“Porra, eu fiz, eu fiz uma bendita de uma campanha para todo mundo, falei, tô aqui pregando um
monte de coisa de saúde, aí você vai lá e me faz uma merda dessa.” Então eu fiquei muito frustrada e aí eu falei
para ele: “Não vou trabalhar mais com você nunca mais porque nós somos muito parecidos.” Trabalhou com ele? Trabalhou com ele também. Nós somos
muito parecidos em algumas coisas e diferentes em outras. Boa. E aí onde a gente é parecido, a gente a
gente tem a mesma postura, mas por pensamentos diferentes aí dá esse conflito. Aí eu falei: “Não vou mais trabalhar com você”. E aí ele tava, meu
irmão trabalhava com ele, mas o meu irmão ele não queria fazer essa parte de gestão, porque meu pai também não é da
gestão, né? Ele é o técnico, é, ele é o comercial, ele é o cara da produção, ele é o cara que tá procurando
solução pro problema, ele gosta de falar da da engenharia, entendeu? É é a
criatividade, é outra coisa. o o negócio de fato, é, ele é aquele cara que é apaixonado
por aquilo que ele faz e aí o meu irmão também não tem essa pegada da gestão, então aí ficou com uma
outra pessoa que tava fazendo a sucessão. E e teve uns dois anos antes,
meu pai teve um infarto lá. Caraca. E aí eu que eu e eu fiquei sabendo que
ele infartou dois dias depois, que meu irmão não queria nem me contar. Eu fiquei sabendo depois. Eu falei: “Gente,
pelo amor de Deus”, sabe? E aí ele pegou e não e ele falou para mim um dia lá em
2019, ele falou assim: “Olha, a gente tá com alguns problemas na empresa”. E até aquele momento ele ainda me dava. Desde
que, desde que eu fiz 18 anos, meus pais eram separados, meu pai começou a pagar pensão para mim, direto para mim.
E aí eu me virava com a pensão, trabalhava também, era só uma outra ajuda. E meu pai falou: “Cara, o quanto
essa daí vai ser ótimo pro pra galera que fala dos herdeiros, né? vão, vão criticar horrores.
Meu pai falou assim: “Quanto eu puder fazer isso por você, eu vou fazer. Que bom! E que sa que bom, entendeu? E que
bom, porque se eu puder fazer isso pros meus filhos também. Não foi isso que diminuiu a minha vontade de trabalhar, muito pelo contrário, porque era uma
segurança que eu tinha, era um carinho que eu sentia dele. E ainda assim eu sempre tive muita garra para fazer, para
conquistar mais. Na verdade, o dinheiro de um de uma mesada, vai, de um, de um, uma pensão, como você falou, ela nunca vai te
atrapalhar ou te ajudar. O o dinheiro não faz nada pela pessoa. Se a pessoa ela é uma encostada, ela vai ser
encostada com ou sem dinheiro. E se ela é uma pessoa ponta firme, que quer trabalhar, quer fazer as coisas, vai fazer com ou sem dinheiro.
Só potencializa. Potencializa no caso que a pessoa já é. Seu pai já via que você era uma pessoa desenrolada, que queria fazer as coisas, o dinheiro
potencializava isso para você. Exato. E por e como pai, [ __ ] faria isso paraa minha filha total. É, eu também. E aí ele falou assim:
“Olha, eu eu vou cortar o plano de saúde porque eu tô a gente tá com uma situação muito difícil na empresa e tudo mais.”
É. Aí eu falei assim, se ele vai cortar o plano de saúde é porque o negócio tá ruim. Aí eu falei: “Pai, você não pode
porque ainda mais assim, fuma três mat cigarro por dia, já infartou, é diabético, todo lascado, vai ficar sem
plano de saúde.” Então isso me acendeu um alerta muito grande e mas na assim, o que foi mais
impactante para mim naquele momento do meu alerta foi porque assim, a empresa tava com 31 anos também. Meu pai dedicou
a vida inteira dele naquela empresa. Eu falei, se a empresa tá mal desse jeito, como ele tá falando? Aí eu entrei com os
dois pés na porta, comecei a pedir para todo mundo, me dá documento disso, me dá não sei o quê, deixa eu olhar. E assim, não tinha lastro de nada, não tinha
fluxo de caixa, não tinha eh um controle de dívidas, não tinha nada de gestão com
essa sua atitude de chegar lá e começar. Então, eu sempre fui meio encrenqueira,
entende? Eu sempre fui vista com a encrenqueira da família. pai, fica quieto. E aí ele ficou meio recioso porque ele
falou: “Ela vai causar um rebuliço lá dentro”, entendeu? Mas eu acho que ele também tava sentindo que era importante,
era energia que era ele tava sentindo que era importante. Então ele tava tentando fazer aquele, sabe, não vem cá,
vamos a mediar a minha situação ali, a minha entrada com quem já estava lá. Ele
ele tentou e fazer essa mediação, mas ele me deixou fazer. Só que a hora que eu peguei e tomei pé das coisas todas,
eu cheguei para ele e falei assim: “Olha só, a situação é essa”. E eu acho que ele nem tinha noção da situação como todo aí ele falou assim: “Agora que não
sei o que eu faço, não sei o quê”. E ele já tava o muito emocionalmente abalado, sabe? O psicológico dele já não tava bom
desgastado. E aí eu peguei, falei assim: “Eu entro e eu faço e eu tomo conta”. Eu falei assim: “Eu vou, eu não sei o que eu vou
fazer, mas eu vou fazer”. Só que assim, eu preciso de uma carta branca para fazer o que eu quiser, porque assim, eu
não vou começar a fazer um negócio, aí eu vou ter que trazer um jurídico, eu vou ter que trazer alguém para me ajudar na parte financeira e aí você vai
começar: “Não, mas eu não quero gastar com isso, mas não precisa disso, não precisa daquilo”. Eu falei: “Eu não vou entrar nesse mérito, eu vou fazer do meu
jeito”. Aí acho que ele chegou qual operação, ele achou que não tinha mais jeito na empresa. Ele falou assim: “Dá onde tá?”
Acho que a empresa nunca passou por uma crise tão grande como aquela. Sim. Aí a assim, talvez você não tenha essa
informação, mas eh você chegou num momento que para ele não
tinha mais saída não. E essa crise ela não começou do nada? Quanto tempo antes você acha que foi?
Não sei te dizer quanto tempo porque assim a gente não tinha muito, não tinha o histórico controlado pelo que você,
olha, eu acho que nos últimos dois tr anos de baixa de mercado, só que o que
potencializou foi eh pegar muito recurso para esse projeto, não reduzir custo fixo e
exatamente e gastar sem uma gestão efetiva. Isso, cara, aconteceu, ô Bárbara, estranho isso porque parece que é uma
uma repetição. aconteceu comigo também isso aí a gente vinha pegando projetos cada vez maiores e a nossa empresa começou a crescer, trabalhar com
constução civil. E aí chegou uma hora que empresa tava com cento e poucos funcionários, 120. Foi uma delícia. Tava
chegando no que eu queria, porque eu queria ter uma empresa grande, sabe? Era uma coisa que eu sonhava. E aí, eh, estruturando, meu, entrando
funcionário que eu nem sabia o nome, eu achava legal esse negócio, nossa, funcionário novo e aí minha equipe contratando,
só que o mercado é uma baixa e eu demorei para para reagir assim em termos de reduzir custo fixo. E aí também eu
sempre achei que era, ah, não é um momento, eh, daqui a pouco as coisas melhoram, o mês que vem vamos vender melhor. E aí demorei para tomar ação. E,
cara, isso aí foi fazendo com que a gente tomasse empréstimo para rolar a dívida. Cara, foi exatamente isso. Aí 2
anos e meio atrás, a gente acordou pra vida, começamos reduzir o custo fixo, muito parecido com o que você fez, e
renegociamos com bancos e [ __ ] finalmente as coisas se organizaram. Mas eh talvez se eu tivesse demorado mais
seis meses para agir, não tava mais aqui para contar a história. E foi e e você para para perceber que normalmente é uma
coisa meio que tradicional do empreendedor. Esses dias eu entrevisto esses dias, faz tempo já, mas eu entrevistei um cara
falindo, é que a gente é meio sem limite, a gente sempre consegue mais um pouquinho, a gente é otimista, a gente olha o copo meio cheio, então a gente sempre acha
que as coisas vão melhorar e e às vezes falta um pouco de realismo de pôra, por mais que você tá esperando melhor, aja
como se fosse dar o pior aqui, porque é isso que você precisa. você precisa ser realista. Trouxe um empreendedor,
coloquei no story lá, quero entrevistar alguém quebrando, falindo, que não tem mais jeito. Sim.
E achei que ninguém ia querer contar a história e tiveram vários. E aí a vai ter que, né, quem sabe não seja esse
o meu bilhete da sorte que vai me tirar dessa situação. Vi um cara aqui, um um ele chama Douglas.
Nossa, coisa forte, pesado. O negócio assim também tava devendo muito, muito dinheiro. E foi exatamente isso também.
Eh, tinha um subsídio, ele trabalhava com placas solares, tal, tinha um subsídio do governo, subsídio caiu, ele
ele achou que as coisas iam continuar vendendo, via a empresa como família, não somos uma família, não vou cortar
ninguém, segura na mão de Deus e vai. E depois de 6 meses, tomou uma rasteira
gigantesca. Então, muito empreendedor também não entende e que você precisa
tomar decisões eh impopulares e que às vezes cortar 15% da folha é para salvar
o restante, cara. Exatamente. São as decisões impopulares que a gente precisa fazer. Exato. E tem uma coisa que assim, né, eh, toda vez assim,
quando eu peço a Deus para que nunca me falte fé, mas que também ele nunca deixe
que essa fé me impeça de ver a verdade, porque fé demais deixa a gente cega, entende? Aí você
acha que sempre pode mais um pouquinho, sempre pode mais um pouquinho.
Fé é bom, mas assim, você tem que saber até onde é, né, aonde você tá na esperança de que vai acontecer, porque
onde vai às vezes você precisa mudar o caminho e às vezes você não tem nem psicológico para isso,
porque ouso dizer que se não existisse uma Bárbara na vida do teu pai, a empresa eh não teria forças para se
erguer, porque o fundador, o a pessoa que tá à frente precisa ter essa energia. E às vezes a a jornada ela te
empurra tanto, a jornada do fundo do poço te empurra tanto para uma para uma
para uma energia meio de de desesperança, sabe, do futuro, que você não tem nem mais energia, você não tem
nem mais vontade de fazer acontecer. Se você olha um problema e vê que existe solução, mas que isso vai demorar 4
meses para surtir um pequeno efeito, você já não quer mais. Você fala: “Nossa, pelo amor de Deus, eu não tenho mais energia para isso”.
E foi isso. Sangue novo entrando na empresa que fez o negócio acontecer. Sim, mas muitos empreendedores não tm essa pessoa
não, né? A quem recor não. E assim, eu e tinha que ser e eu fiz tudo que eu pude. Eu deixei meu
filho assim junto disso. Claro que vieram muitas coisas que eu tive que abidicar de algumas coisas.
É, meu filho tava com 1 ano e 9 meses quando eu entrei na empresa. Eu trabalhava de 12, 14, às vezes 16 horas
por dia. Trabalhava quando entrou o projeto do começou o contrato a funcionar. Trabalhava de madrugada e a
prestação de madrugada. É grávida. Depois quando engravidei da Estela, continuei indo algumas vezes.
Ai, esse nome é lindo. Parabéns, deu muito bom gosto. Obrigado. Você também. E aí eles, eu trabalhei muito, muito. E
aí depois de 5 se meses que eu tava isso logo que eu assumi, né? Eh, então assim,
deixei o Té, eu fiz um acordo em casa porque a gente precisa sempre, né, conversar, não dá para tomar decisões.
Exatamente. Então assim, olha, eu vou precisar disso porque a cobrança é muito grande, né? E foi difícil para ele também naquele momento. Eh, mas só eu
podia fazer isso. Eu sabia que só eu conseguiria entrar e fazer daquele jeito. Mas depois de 5 se meses que eu
assumi, meu pai chegou para mim e falou assim: “Filha, olha só, eu tô muito orgulhoso de você tá fazendo, mas eu queria que fosse seu irmão no seu
lugar.” Aí eu vi na sua cara. Foi aí assim, foi uma facada no meu
peito. Que filho da mãe teu pai foi. Eu falei para ele, que filha da [ __ ] Não falando, filha da [ __ ] não queria xingar teu
pai. Não, mas eu xinguei horrores, né? Xinguei muito no Twitter, se eu pudesse xingaria. Foi horrível, foi horrível.
Foi, foi uma das coisas assim que mais me marcaram. Eu digo assim, naquele momento, hoje em dia eu conto mais. É,
hoje em dia eu conto mais assim por contar a história e não porque isso é uma mágoa que eu carrego, porque não é,
mas talvez pro seu pai ser mais antigão, ele queria o filho homem tocando o negócio assim faz um pouco de sentido. Eu
entendo, porque não é não foi uma fala de falta de amor. O que mais me doeu ali
não foi por ele pensar isso, mas foi por ele não ter o cuidado de não me dizer isso,
entende? Ele podia ter guardado para ele, ele não precisava falar para mim. Isso eu pensei naquele momento.
Delicadeza. Foi naquele momento, só que foi exatamente, foi justamente a partir desse momento e dessa fala dele que
virou completamente o meu foco, porque antes eu tava fazendo tudo aquilo para salvar ele. Falei: “Se a empresa fechar,
se a empresa falir, são 31 anos de empresa que ele se dedicou à vida inteira, não era só uma questão
financeira, porque ele tem a casa dele, tem o apartamento alugado, tem aposentadoria, ele consegue viver com isso, né?” Mas é questão psicológica
mesmo, já tá vida dele. Falei: “Meu pai vai morrer de de
como é que fala? Eh, de frustração, de depressão, entendeu? O
emocional, ele vai se afundar nisso.” E aí eu tava fazendo tudo por ele. Aí a partir daquele momento, eu cheguei e
falei assim: “Eu não tô, não vou mais fazer isso por você. Eu vou fazer isso por mim, eu vou fazer isso pela minha família e eu vou fazer isso por todas as
famílias que dependem desse emprego, que dependem dessa empresa direta e indiretamente, porque não são só os
colaboradores, né? É todo um sistema que funciona ali em volta de uma empresa. A empresa não funciona só eh com quem tá
lá. Então eu falei assim, eu vou fazer agora por eles. Então a partir daquele momento, eu mudei a minha cabeça
completamente e aí eu parei de pedir de de buscar internamente aprovação para
aquilo que eu tava fazendo, reconhecimento aquilo que eu tava fazendo, porque até aquele momento eu não era CEO da Husk, eu não conseguia me
enxergar como CEO da Husk, até porque a gente fica com essa síndrome do impostor, né? Eu não sou formado em administração, engenharia, em [ __ ]
nenhuma, né? Aí você ficava assim, nossa, eu não posso me colocar nessa cadeira porque as
pessoas vão achar que eu não, eu não, eu não mereço isso. Ex. Eu nunca tive coragem de fazer um cartão de visita. Caramba,
porque eu tinha, eu, eu internamente eu não me enxergava no direito de ter um cartão me chamando de diretora de E na
época que eu entrei, eu falava assim: “Mas que que eu vou falar que eu sou? Que eu sou gerente, que eu sou isso?” Aí uma uma pessoa que trabalhava lá chegou
para mim e falou assim: “Báber, você pode pensar o que você quiser, mas você vai ter que falar pros outros que você é se da empresa. Você tem um você tá num
consórcio até pela até pela caneta que você tem na mão, as negociações que você tem atuado. E a empresa não tá em não é uma empresa
assim, é pequena, mas assim não é microempresa. Então assim, já tem assim uma certa relevância. Você tá fazendo
contratos, você fala com pessoas de fora do Brasil, você precisa se posicionar como se você fosse uma empresa gigantesca. Então assim, tanto que a
minha transição da Bárbara atriz, da Bárbara menina e tudo mais para se de
verdade, ela foi de fora para dentro, porque às vezes a gente precisa desse recurso. Quando a gente ainda não se sente confiante o suficiente, a gente
precisa mudar nossa postura externa, que é o que vai mudar a gente internamente. E aí eu fui criando, porque a
autoconfiança você não vem da noite pro dia, então você precisa ter pelo menos uma armadura ali para você se colocar na
frente dos outros. E assim, o fato de você eh ter essa bagagem de atriz, eu sou um cara extremamente tímido, muito
tímido. E só que para negócios eu eu faço um podcast, então eu tenho além do
CNPJ. Então é toda é toda uma batalha diária a todo momento. Hoje em dia fica
cada vez mais fácil, mas no começo fazer palestra para mim era um grande problema.
E eu criava um personagem, sabe? E aí automaticamente as pessoas acreditavam naquele personagem e me
davam confiança para eu internalizar, que é o que você falou, é de fora para dentro. Você se posiciona de um certo,
de um certo modo, as pessoas acreditam daquele jeito, porque no final das contas a grande parte do que as pessoas
acham sobre você é o como você se posiciona. Exatamente. E aí, automaticamente, quando você fala: “Sou isso” e a pessoa te credibiliza
você fala: “Nossa, então dá para eu fingir ser essa pessoa”. Aí você vai lá e internaliza e a sua confiança vai
aumentando. Exatamente. E até porque assim, você nunca vai conseguir ser sempre por muito tempo alguém que você não é. Você só tá
despertando aquilo que tem dentro de você de outra forma, porque se em algum momento essa realidade não for a sua,
você não consegue sustentar por muito tempo. Então assim, é um movimento que você vai fazendo e você vai se fortalecendo e construindo isso que já
existe em você. Exatamente. Então aí eu, enfim, fiz tudo isso e aí eu comecei a
ter condições de negociar com o fornecedor e aí eu fui aprendendo o que que eu tinha que fazer. Eu precisava pegar as informações. Por várias vezes
eu negociei, estabeleci um plano com ele, que na minha cabeça eu ia conseguir executar aquele plano, mas chegava, não
dava. Aí eu tinha que ligar para ele falar: “Olha, eu preciso da sua ajuda e tudo mais”. Eu tive que convencer um
fornecedor. Eu tava devendo mais de 200.000 para ele, eu tive que convencer ele a continuar me fornecendo,
que é sem exatamente continuar me fornecendo comigo devendo para ele. Porque assim,
eu falei para ele, conseguiu convencer, consegui porque eu falei assim, olha só, eu sou muito, primeiro que eu sou uma cliente pequena para ele, né? Mas eu
cheguei para ele e falei assim, olha só, vamos lá, a gente tem algumas alternativas aqui. Eu levei obviamente todos os o que eu tinha de contrato para
receber, assim, era pouca coisa. É, era pouca coisa, mas e eu e que eu tava dando prioridade para ele e dava
prioridade pros pequenos fornecedores também, porque eu também não podia ser responsável por quebrar uma outra empresa pequena, né? Então tem essa
responsabilidade social que a gente tem que colocar aí. E aí eu cheguei para ele e falei assim: “Se você parar de me fornecer, eu não vou conseguir te pagar.
Então assim, confia que eu vou pagar e eu estou te dizendo que eu vou pagar.” E é muito importante que as empresas que
estão nesse momento de crise, eu sei que é difícil a gente ter, mas a gente precisa botar nossa cara tapa. Você tem
que sentar, você tem que é olho no olho, é você levar os números, é você falar: “Tô na merda agora, tô, mas essa eu tô
fazendo isso, eu vou segura esses 200.000, esses aqui eu vou pagando e esse aqui”. Exatamente. Eu falar assim: “Então a, eu
vou sair disso”. Então e eu estou e assim vai dando atualização pro cara, você não pode falar que você vai fazer e
você desaparece. Então assim, tanto que depois quando é interesse dele receber além de
interesse dele, porque se você quebra vai, se ele for brigar na justiça, onde é que ele vai pegar? Então ele tinha das duas uma, ele falou assim: “Bom, então eu
confio um pouco mais nela, entendeu? E vamos só disposição de ir lá apresentar os números, apresentar os contratos,
trocar essa ideia já te distingue da média dos devedores por aí que
simplesmente te abandonam e tá nem aí”. Então já mostra que, pô, ela tem uma predisposição em pagar. Não, gerente de banco, a gente tava
assim com a fábrica parada, parada. Eu tinha quatro operadores que eram os mais antigos, eu não tinha nada para fazer.
Aí o gerente falava: “Brar, a gente, eu tô tentando segurar, mas a gente vai”. Eu falei: “Olha, vem até aqui na fábrica, eu te recebo”. Recebia, falava.
Aí parecia que eu tava contando um monte de história, mas eu eu tava contando a realidade. Eu falo: “Pode vir, tir foto, fala que a gente tá aqui, porque só o
fato dele falar que a gente foi recebido ali pela, né, pela CEO da empresa e tudo mais. Exato. Não é alguém que, tipo
assim, pus uma empresa que fechou as portas, saiu correndo e aí eu vou ter que correr atrás para receber, entendeu? Então, eh, muitas pessoas me procuram
porque os meus vídeos que mais viralizaram foram esses vídeos falando da dívida, porque a gente tem muita empresa aqui no Brasil em dívida. Exato.
Aí assim, por aí eu fiz um manual, né? Eu falo que empreender é a arte da guerra. Então eu fiz um manual porque eu
falo não só dessa parte, eu eu entendi ao longo desses últimos se anos que eu
tenho, a gente tem que trabalhar o nosso sistema, a gente tem que trabalhar nosso indivíduo e a gente tem que trabalhar a nossa postura e a nossa ação. Então
assim, quando eu conto, quando eu falo sobre dívida, quando eu falo sobre sucessão, quando eu falo sobre gestão, eu falo sempre pautado nesses três
pilares que para mim são fundamentais pra gente empreender, que é uma gestão integrada. Então eu falo, gente, olha,
você precisa organizar tua casa, mas você precisa se organizar emocionalmente, que foi o que você falou, a gente quebra emocionalmente
antes. Exatamente. Falar quebra antes emocionalmente. Financeiro vem depois. É um resultado, é uma consequência.
A gente quebra antes e se você não se segura, vai tudo pro deo, entendeu? E aí
vai família, e aí vai empresa, vai você, vai todo mundo, né? Sua sanidade vai embora. Exatamente.
Então tem um pouco disso. Aí eu consegui assim depois de um tempo a gente entrou em outro mercado. Foi muito difícil
quando a gente entrou em outro mercado. Meu pai não queria sobre isso aí. É, meu pai não queria de jeito nenhum. Ele sentou no chão da fábrica, ele
chorou quando a gente colocou os novos equipamentos que foi de comodato do meu cliente, porque foi assim, a gente ficou
meses nessa concorrência, graças a Deus deu certo. E que eu, ele veio, o cliente
veio, falou assim: “Olha, tá aqui os meus equipamentos, eu tô terceirizando para vocês”. E ele viu que a gente tinha
estrutura e tudo mais e muito, muita vontade de fazer as eles que a gente precisava. Então ele falou: “Então aqui
eu vou me dar bem porque eles precisam para caramba”, entendeu? Então foi bom para ele também. E aí a gente foi virando jogo aos poucos. Só que foi
nesse processo que eu aprendi a fazer gestão de pessoas. Para mim o fundamental foi foi aprender a fazer gestão de pessoas.
Quando você assumiu o BO todo, claro, no começo foi eh levantando o que que tava
acontecendo, né? Até porque você não tinha a visão completa da coisa e você tinha que entender o cenário. Eh, quais
foram as decisões mais impopulares que você precisou tomar cortando gente? Porque querendo ou não, você falou que você tinha um custo fixo de 1 milha e
foi para R$ 400.000. 400. Quanto tempo você fez? Quanto tempo essa transição de de uma 1 milhão para 400?
Quanto tempo você demorou? Ah, foi 15 dias. Caraca, 15 dias. Eu peguei, eu falei: “Não tinha dinheiro. Não tinha dinheiro. Eu peguei
tudo, falei: “Isso aqui serve para quê? Isso aqui traz dinheiro para dentro de casa. Isso vira receita. Não tira isso
aqui vira porque tinha muita coisa que a gente pagava. Eu precisei cortar. A gente tava pagando muita coisa sem necessidade.
Meu Deus. Demitiu gente pagando na demitir não, porque a gente já tava com pouca gente. Os nossos maiores
custos eram com fornecedores grandes. A gente tinha um bendito de um contrato lá
que a gente tava pagando antes do cara executar, entende? É, eu falei assim, eu falo,
para que isso? Sabe umas coisas e tinha gente com salário muito alto lá. Eu chegava e falou assim: “Desculpa, eu não
vou conseguir pagar esse salário todo, a gente vai ter que reduzir, se não der para você ficar, tudo bem,
mas eu não consigo te pagar isso agora”. Então assim, a prioridade era pagar os funcionários, né? que ali naquele
momento não tinha muito porque a frente tava com a fábrica parada, mas tinham ali alguns era pagar eh o funcionário,
pagar os fornecedores menorzinhos que a gente precisava para não quebrar os caras e negociando. Ah, deixei de pagar
banco, deixei de pagar, esqueci. Aí tanta gente, ai, mas o que que você fez? Esqueci. Falei, deixa, um dia eu
resolvo. Um dia eu resolvo. Porque assim, precisa destravar do financeiro. Assim, se o dinheiro ele entra e ele não
vira receita, você tá no momento de crise, você tá
você tá em no modo sobrevivência. Então, crie uma estratégia de guerrilha, de sobrevivência. Você precisa, eu
passava literalmente, [ __ ] essa semana passou, graças a Deus, vamos pra próxima. Aí era na unha, isso paga, isso
não paga, isso paga, isso não paga, mas era coisa de tipo assim, R$ 150 precisa pagar ou não precisa pagar?
Se não precisa pagar, não paga. E a gente, eu fui guardando porque eu não tinha previsibilidade do das semanas
seguintes, do que eu tinha que pagar, porque a gente não tinha esse controle. Nossa, eu não tinha fluxo de caixa, então eu não sabia. Então assim, tudo que eu não
precisava pagar, você segurava. Eu segurava, porque eu não sabia quando ia aparecer uma coisa que eu precisava pagar. Fazer
uma analogia com sobrevivência. É, enquanto for e dinheiro para comprar comida para sobrevivência, a gente
segura todo o resto, todo supresso, corta, corta, corta tudo. Então assim, fui
fazendo, fui cortando, as pessoas foram, o clima é péssimo porque fica aquela
atmosfera de de crise de velório, né? As pessoas sem saber trabalhando, sem saber
se vão receber dia 5, se não vão. Por várias vezes, às vezes a gente atrasava algum vale transporte. Eu teve uma vez
de eu tive que tirar dinheiro do meu cheque especial para pagar o vale transporte de alguns funcionários,
porque tipo assim, a gente atrasou, sei lá, dois dias e aí eles falaram: “Não, então não vou trabalhar”.
Aí eu fazia um Pix da minha conta, tirava do meu cheque especial, porque eu também tava lascada e mandava, entendeu? Então assim, e aí
que eu entro numa coisa que eu sei que de primeiro pode parecer muito que é é
também é algo assim popular e polêmico de eu falar. As pessoas falam muito que o faturamento é ego. Eu falo, gente, o
faturamento não é. Quem deve muito, quem precisa de dinheiro no
caixa para fazer a roda girar, precisa cada vez mais. Você só olhar pro faturamento é sim você ter ego e você
ignorar todas as outras coisas, mas quando você tá num momento desse, você precisa que o dinheiro entre. Então quanto mais oportunidade, possibilidade
de dinheiro no caixa, você transfere, você direciona. Projetos novos financiam projetos antigos.
Exatamente. Então não adianta, tipo, quando eu vejo assim algumas pessoas falando: “Ah, mas de que adianta você
pagar isso e e não tá te sobrando dinheiro? Adianta porque eu consigo direcionar para onde eu vou corrigir o problema. Esses papos aí e são de
empresas eh Nutella de nunca passou per nunca passou perrengue. E se você parar
para analisar, por que que eu falo do Nutella? Claro, já tive eh momentos bons e momentos ruins da empresa. Se você tem
uma empresa que só passou por momentos bons, parabéns, ou você é um tá num ótimo mercado ou você é um ótimo empreendedor. Mas vamos falar de Brasil,
vamos falar da Vamos falar da onde a gente tá aqui. Cara, olha aiplência do da PJ. CPF já tá lá nas alturas e CNPJ
subindo, recuperação judicial batendo nas alturas. Cara, tá todo mundo endividado. Por quê? Porque a taxa de
juros tá alta, o banco tá eh segurando o crédito e a gente não tá conseguindo rolar dívida num mercado com crise.
Selique pra construção civil para mim é péssimo, como para muitos mercados. Então, cara, quem não passou por isso,
eh, muito bem, parabéns. Tomara que você não passe. Não quero falar assim, quem não passou vai passar,
mas tomara que você não passe. Mas, cara, existe a possibilidade de você passar. Isso são os atos e baixos da vida empreendedora. Faturamento segura.
Quantas vezes naquele momento eu precisava vender para cliente, às vezes sem muita margem, porque eu falava:
“Esse cara vai me pagar a vista e eu preciso desse dinheiro para girar.” E aí esse dinheiro vai te financiando, cara. Tem que fazer uma engenharia financeira
para fazer a roda continuar girando. E aí você precisa chegar pro banco. Exato. E aí você tem que mostrar pro
banco, falar assim: “Olha, você tá vendo que eu assim, tá, eu tô faturando, eu tô viva, entendeu? Me dá mais um tempo, eu
preciso de mais tempo.” Aí você vai no fornecedor, você mostra para ele, olha só, eu tô vendendo, eu tô fazendo. Então
não vem com esse negócio de que, ah, o que importa é a última linha, é o [ __ ] Importa quando você travou a
venda, aí todo mundo desacredita. Pronto. Aí você aí largou a mão. Não, aí é game over. acabou, entendeu?
Então assim, as pessoas não têm esse senso de realidade porque elas não, a maioria das pessoas não passa esse
perrengue, não sabe o que é você ter que escolher, se você vai pagar o vale transporte, se você vai pagar a vale refeição, salário, uma série de coisas
que os funcionários estão ali te esperando. Aí você tem que cortar às vezes plano de saúde do funcionário, aí o funcionário, cara, é um monte de
problema que essas pessoas não sabem. processo trabalhista, processo. A gente teve alguns, mas não
foi muito por conta disso. É, não. E assim, a maioria dos nossos processos a gente ganha porque a gente fica em ordem. Sim, a
maioria dos processos a gente ganha, a gente cuida, porque a gente faz, principalmente agora depois que eu comecei a entender mais, a gente começou
a fazer muito mais olhar pro jurídico, né, e para essas coisas de uma maneira mais preventiva do que contenciosa,
entendeu? Então assim, isso deu uma melhora muito grande e era assim, eu botava todo mundo na fábrica depois e e
assim no início dos processos, quando a gente pegou esse contrato novo, a gente teve uma dificuldade muito grande porque foi assim, era como se a gente tivesse
montando um business novo dentro da empresa. Era como não, a gente estava fazendo isso com uma pessoa nova, inclusive. Exato. Aí assim, eu virei madrugadas lá
com o pessoal, porque a gente fazia três turnos para entregar, eu virei madrugada com ele, com eles lá. Então assim, cara,
vai pro front, vai. E não é só pra frente do fornecedor, na frente do banco. Você tem que estim, teu time tem
que saber que tem alguém te levando. Com time assim, eu trocava. Salário vai atrasar. Como que era o o
auge do dos problemas? Salário vai atrasar, você comunicar a galera porque, cara, isso aí também é um é uma coisa
que precisa, mas não é fácil. Eu sempre avisei, eu sempre avisei até que no ano passado a gente teve uma questão assim,
eu atrasei o 13º, o pagamento ali da primeira do 13º e a gente porque a gente também tava com
veio uma questão de dois clientes grandes que deu um descompasso no caixa gigantesco e e aí na a gente tentou de
tudo e naquele momento a gente não conseguiu. Aí e para você ver como a gente sempre tem, né, momentos que você tá mais tranquilo, momento que você tá é
exatamente alguma coisa sempre vai acabar acontecendo. E aí eu peguei a gente, o RH hoje a gente já tem mais
estruturado, eu foquei muito no desenvolvimento do RH, de cultura e tudo mais. Aí o RH fez esse comunicado,
mandou e tudo mais. Num grupo paralelo, dois funcionários foram lá, printaram,
mandaram, começaram a falar de multa. Eu acho que a multa, acho que pelo que ele tinha mado no pente lá, era, acho que era R$ 150.
Aí pegou e mandou e não sei o que lá. E o outro falou: “Ah, isso aí dá processo, hein? Isso aí dá não sei o quê, dá não
sei o que lá”. Uma das pessoas viu, me mandou, falou: “Bárbara, você precisa saber o que tá acontecendo”. Eram, tipo
assim, eram duas, três pessoas que estavam nesse burburinho. O resto todo mundo ficou quieto e a gente tem bastante funcionário lá. A gente tem
bastante funcionário lá. Aí eu cheguei, entrei em contato com a com a pessoa do RH, com a pessoa do
departamento, falei assim: “Essas pessoas aí dá para desligar?” É, elas foram as que tiveram a nota mais baixa
na na avaliação de desempenho. Coincidência, né? Aí eu falei assim: “Então pode desligar, pode desligar
amanhã”. Aí eles ligaram na na sexta-feira, na segunda-feira eu fui pra fábrica, botei todo mundo no chão de
porque eu faço isso mesmo, eu boto todo mundo no chão, eu sento com eles no chão para olhar assim de igual para igual, todo mundo junto. Falou assim: “Gente,
eu só quero falar uma coisa para vocês. Eu dou 15, 14 dias de licença
paternidade para vocês aqui. Quando o mercado só dá cinco, eu dou eh Páscoa,
Dia das Crianças, Natal, a gente faz ação social com a família de vocês, a gente tem um momento para vocês e tudo
mais. Eu dou aqui curso de inglês para vocês, curso de inglês pros filhos de vocês. A gente paga parte do do material
escolar de vocês e aí a gente atrasa alguns dias o 13º e tem gente aqui, eu sei que não são vocês, mas tem gente
aqui que fala isso. Falei assim: “O que eu espero de vocês é que vocês não deem atenção e que vocês cortem esse tipo de
gente, que vocês tirem esse tipo de gente, porque não é essa cultura que a gente prega aqui. Porque quando vocês precisam, vocês me pedem.
Agora quando a empresa precisa, vocês não entendem. Eu sei que a maioria de vocês aqui entende, porque realmente a maioria levou numa boa, mas assim, a
gente sempre precisa usar toda a promoção e toda a demissão como exemplo, sempre. Aí eu levei e falei: “É isso, eu
espero que se um dia isso acontecer de novo, que essa isso que eu estou falando para vocês aqui, que vocês repassem
entre vocês, que vocês lembrem o colega de vocês que tá falando que não deve, como a empresa se comporta quando quando
ele precisa, porque é isso que a gente prega aqui dentro. É isso. E então são algumas
coisas que eu fui aprendendo. Você não pode largar o volante, o leme. E basicamente é isso, porque eu vejo que
muito empreendedor que começa a ir por esse caminho, ele começa a largar. Coisa que talvez aconteceu com o teu pai de
quando quando atrasou um VR, ele não posicionou ou quando alguém fez um
burburinho com ele, ele deixou quieto, manteve aquela pessoa ali ou não chamou
a galera toda para conversar e alinhar os pontos. coisa que o empreendedor ele só consegue crescer na vida fazendo
isso, aliando expectativa, de fato, segurando o volante independente da tempestade que esteja, que é o que você
fez. E eu acho que o empreendedor erra nisso. Você comentou de um de um manual que você fez.
É, eu consolidei todo esse todo esse conhecimento. Você compilou isso esse esse conhecimento, né? Esse
conhecimento foi porrada da vida. Como que você acessa esse manual? Como que é? Tá na internet? É um livro, tá? Tá lá no link no na minha bill. Tem
lá, tem um destaque que eu falo sobre isso, é o manual de gestão de crise, que é o Empreender Arte da Guerra. Eu falo
bastante sobre todo esse passo a passo. Eu explico o que é cada coisa, porque eu também não sabia quando tão quando as
pessoas começavam a me falar, ai, mas um fluxo de caixa projetado, o DRE, não sei das quantas, o seu índice de liquidez, o
seu isso, aquilo, falar, que merda é essa? Eu não sei o que é isso, eu não sei para que serve isso. E num primeiro
momento a gente não, às vezes não precisa, a gente precisa olhar pro, pro fluxo de caixa, mas eu tinha essa
dificuldade. Como é que eu faço um fluxo de caixa? O que que eu escolho? O que que eu vou pagar? O que não, o qual é esse para não gastar dinheiro bom com
dívida ruim? Na porrada, entende? E aí assim, eu vejo que muitas pessoas precisam disso, mas
você tem muita consultoria que te vende isso caro, tem consultoria que te vende e que nunca passou por isso e que não
vai te entregar a real da história. Não é uma questão só financeira, não é uma questão só de você colocar ali, fazer o
teu mapa de dívida, jogar tudo ali e entender quando você vai pagar. é mais profundo. É como é que você fica no meio
disso tudo, como é que você senta com as pessoas no chão de fábrica, onde quer que você esteja, e você faz com que elas
acreditem naquilo que você tá falando. Porque chegou uma hora quando a gente começou a sair da crise que eles ainda
estavam com aquela cabeça pensando na crise. Aí todo mundo ficava assim: “Não, mas é que a Rusk é rusk atrasa. Husk é
isso, a Rusk.” Mas eu falei, a gente tá atrasando? Não. Então por que vocês estão falando isso? Porque vira um ciclo
vicioso. Alguém virar a página da cultura. Não estamos mais naquele lugar. Exato. Exato. Eu cheguei para eles, eu
falei assim: “A partir de hoje eu não quero que ouv ninguém aqui que a gente tem problema financeiro, porque aí a o
problema financeiro vira uma muleta para outras questões internas de processos,
de gestão, de fluxos e tal”. Aí fala assim: “Não, mas é porque a gente tá com problema financeiro”. Não, não tá. Agora
não é problema financeiro. Você pode botar problema em outra coisa, menos o financeiro. Porque é tudo desculpa. Exatamente. Vai virando uma amuleta.
Então você vai cortando isso das pessoas. E como que faz? É quanto que ele custa? Como que é esse processo aí? Esse esse
manual, o manual antigamente, quando eu comecei a escrever ele, eu falei assim: “Eu vou escrever um ebook, não, você tem que
publicar isiv.” Eu quando eu comecei a escrever, eu falei assim: “Não, eu vou fazer um e-book para ajudar o pessoal e
tudo mais.” Quando acabei de escrever, tinham 127 páginas. Caramba. Aí eu falei assim: “Acho que não é”. É.
Eu falei assim: “Não, então eu nem chamo mais de Book, eu falo que é um manual mesmo, porque ele é muito rico, ele é muito cheio de coisa. Ele é prático
porque ele dá endividado. Se ele tá com problema, se a empresa dele às vezes nem se endividou, mas ele já tá vendo que tá
começando cheiro de dívida e de problema. Tem tem um raio X nele lá que eu falo que as pessoas preenchem, elas vão ter
uma noção de onde que elas estão nesse termômetro aí de risco de crise, entendeu? Para onde eles têm que olhar.
Aí o manual tá lá, tá no meu Instagram mesmo, tem ali uma página, tem um um destaques que eu falo bastante sobre
ele. O manual, ele tá de 149 por R$ 89. Nossa, porque assim, a minha intenção, eu não
vivo disso. Sim, só que assim, eu também acho injusto eu não disponibilizar, que é algo que
assim, eu levei três dias sentar na cadeira e escrever com calma, revisar, ainda passei pra minha controller, eu
falei: “Olha aí para ver se tá tudo certinho”. Porque eu tenho um compromisso com isso, né? Eu, é, é a minha imagem que eu tô colocando ali e
mais do que isso, é o meu propósito de ajudar outras pessoas a fazerem. Então eu falei assim, eu eu preciso colocar e
quando a gente só disponibiliza as pessoas não lem, elas não dão valor para aquilo que a gente dá é dado. Não é e
tem que cobrar mesmo, pô. Seu trabalho, outra de graça, perto de se anos, perto de se anos de tudo que eu fiz, entendeu? Então assim,
eu coloco, eu falo assim, gente, tá aqui e por incrível que pareça, tem gente que chega para mim e fala assim: “Pô, mas eu não tenho R$ 89 para pagar”. Aí eu falei
assim: “Não, então tu fecha as portas mesmo, porque se você não tem R$ 89 para pagar”. Eu quando eu tava na crise, eu
tive que optar por algumas coisas. Eu perdi dinheiro na crise. Porque assim, você, quando você não tem conhecimento,
você coloca teu dinheiro numa coisa achando que aquilo vai te ajudar e você quebra a cara. Eu caí em vários buracos,
vários. Só que assim, eu tentei, então eu gastei dinheiro na expectativa de falar: “Puta, é isso que vai me ajudar”.
Fiz uma cagada uma vez com consórcio. Eu fiz várias outras coisas que eu coloquei lá porque eu falei: “Se eu posso mostrar
pras pessoas onde eu caí, deu errado”. Coloquei, eu coloquei, eu coloquei
porque eu acho que as pessoas elas precisam ter um pouco mais de clareza nesse sentido. Ele tá no Kindle também? Não, não, ainda não.
Caramba, meu. Tem que, ó, publica isso, cara. Eu fiz assim, eu lancei ele finalzinho, dia 28 de novembro do ano passado. Foi
agora para entender. Mas publica isso aí num livro, cara, porque é um conhecimento tão rico. Eh, além do manual trazer o conhecimento
prático de fato da tua cabeça, sabe? Se você eh conseguir relembrar o que se
passou na tua cabeça, como que tava teu psicológico, como que tava o psicológico do seu pai, não é um manual de chat GPT, entendeu?
Que tipo assim, eu escrevi lá no chat, ah, faça um manual de gestão de crise, não, eu coloquei de fato, eu conto
situações reais, eu associo aquilo ali, o por que eu tomei cada decisão, o porquê daquilo, sabe? O que que você é o
que você tem que fazer, quando você tem que fazer e como você tem que fazer, sabe? E eu acho que assim, vai ajudar muitas pessoas. Da mesma maneira que
hoje eu converso muito com empresas familiares, tanto com sucessores como sucedidos, mais com sucessores, porque
eles se identificam mais ali comigo. Eu faço isso porque eu falo: “Cara, hoje eu sou a pessoa que eu não tive quando eu
comecei e eu perdi muito dinheiro, mas até aí OK, porque dinheiro a gente recupera, mas eu perdi muito tempo e eu
perdi muitas pessoas nesse processo. Então se eu puder fazer alguma coisa para que as compartilhar esse meu
compato. compartilhar esse meu conhecimento e essa minha, mais do que o conhecimento, essa minha experiência,
né? Que uma vez um colega meu falou assim: “Cara, é aquele conhecimento que entra por debaixo da unha, porque é de
você botar a mão na massa.” Então, se eu posso fazer isso para outras pessoas que eu sei que precisam, a gente no Brasil
tem 90% de empresas familiares, 70% fecham as portas da passagem da primeira paraa segunda geração. É muita coisa.
Agora é por falta de mercado, é por falta, é política, é por falta de lucro, não é? Se você tem uma empresa de às
vezes 40 anos, 50 anos que sobreviveu tudo isso, é por falta de mercado de que
ela vai fechar? Não é. É porque existem muitas outras coisas que estão ali envolvidas nessa nessa sucessão, porque
a sucessão nada mais é não é um evento que acontece, né? Ah, tá aqui, a partir de agora você manda. Não é uma transição
de poder. E é muito difícil você pegar um fundador e ele fazer uma transição de poder. E que precisa que ambos estejam
alinhados. Exato. É isso é o que dá o problema. A sucessão, ela é um processo 360. O
fundador ele tem que entender qual vai ser o papel dele dali pra frente. Ele tem que estar disposto a fazer essa
transição de poder. Você tem um processo de consultoria disso que você ajuda essa essa turma? Eu tenho, mas eu não pego muitas
empresas porque a minha profissão, a a minha função é se ali na empresa, né?
Mas eu faço ou mentoria para sucessores e aí é uma mentoria para eles aprenderem a lidar com esse processo ou a parte de
consultoria que a gente entre em algumas outras. áreas da empresa com outros especialistas, que é para fazer o que eu
fiz lá, estruturar outras outras áreas financeira, jurídica, processos, gestão
de pessoas. Muitas vezes, dependendo do tamanho da empresa, por mais que ela tá há décadas, é ainda uma gestão antiga.
A minha tava 31 gestão antiga que o cara às vezes não tem um DRE, não tem o fluxo de clasado.
E aí como que o cara toca? Às vezes no caderninho. Exatamente. Aí a equipe tem que comprar
essa sucessão. É. né? O mercado tem que comprar essa sucessão. A gente tava conversando nos bastidores que alguns funcionários que você entrou
e começou a a tocar a empresa viram você com 12 anos de idade. Exatamente. Então é isso. Aquela menina que acabou
de chegar aqui agora quer mandar, não sabe nada. [ __ ] você tem que quebrar um monte de pedrinha para conseguir ter
essa religião mulher sem formação técnica que me viu de criança, tipo assim, dá tudo errado,
a atriz dá tudo errado. E e se e você acha que a conversa de bastidor não tinha no corredor, rádio peão não falava
isso aí? Falava demais. Só que é isso, o resultado tinha. Meu pai uma vez chegou numa reunião assim que eu tava com com uns
parceiros assim e cara, eu me estressava demais porque no começo eu botava muita energia e eu não tinha tanto domínio
emocional sobre as coisas. Aí eu assim muito estressada, eles chegaram, eles chegaram e falaram assim pro meu pai,
falou assim: “Não dá para conversar com ela”. Mas eles estavam, é porque eles estavam fazendo muita sacanagem com a gente. E aí eu não tava conseguindo
lidar com isso, né? Minha filha tinha acabado de nascer, eu tava no puerpério, eu tava assim e sem parar. Eu trabalhei
da maternidade antes. Eu faz, eu fiz reunião indo pra maternidade, pro parto. Aí eu parei, passei a noite, no dia
seguinte eu tava fazendo reunião da maternidade com ela, entende? Mas eh, eu eu não espero isso de ninguém que
trabalha comigo e eu não desejo isso para ninguém, mas naquele momento eu precisei fazer isso. Se eu tivesse que fazer de novo, eu faria. Exatamente.
Porque o equilíbrio é você fazer o que é certo, semismo, sem mimimi. Precisou, eu tava lá. Difícil. É isso. Isso. O
equilíbrio é você tomar a decisão necessária naquele momento, ponto final. Isso que é o equilíbrio para mim. Não é esse negócio de posso isso, posso
aquilo, né? E aí eu desejaria. Exato. Não tem 50% salada, 50% proteína,
não existe isso. E aí meu pai chegou e falou assim: “Não, é que ela é muito estressada assim porque ela é mulher”.
Nossa, pai. Ai, é, meu pai não ajuda. Seu pai, mas eu acho que foi o jeito que ele
achou de tentar. É, entendeu? Tipo assim, ao invés de falar que eu sou, não, ela é maluca, ela é estressada,
não, ela é assim porque ela é mulher, eu, [ __ ] rapaz, não precisava, né? É, não precisava, mas tudo bem. Eu acho
que assim, e é entender que as pessoas fazem aquilo com os recursos que ela tem
e recursos emocionais, eh, bagagem, experiência de vida, uma série de coisas. Então, eu sei que ele faz o
melhor que ele pode com os recursos que ele tem. E é por isso que a gente continua bem. É isso aí, pô. E isso é muito da sua
maturidade também de entender que algumas coisas que ele comentou no meio do caminho poderiam até te travar e você
não tem. É isso. Eu acho que é um pouco dessa sua atitude de cara, vamos resolver. Não dá pra gente ficar se
apegando em coisas emocionais assim que muitas vezes pode bater no emocional, mas não pode te travar naquilo. É o que
você falou, você tava tendo o segundo filho e acabou. Eu eu tenho uma filosofia muito parecida com essa. Dá
para fazer? Dá. Gostaria de fazer? Gostaria. Mas, cara, se a vida tá te levando para outro caminho, cara, você
tem que fazer o que tem que ser feito. E acabou, sem choradeira. Porque na verdade é quem romantiza demais as coisas que a vida te impõe a se fazer.
que que começa a viver uma vida frustrada, não tem que fazer, tem que fazer, acabou. E e no final das contas,
aos poucos, a vida vai se estruturando. Cabe eu eu e você que tem um jeito parecido nesse desse negócio de de ser
acelerar e tudo mais, saber a hora também de parar, porque no final das contas a gente sempre cria mais demanda,
a gente é gerador de demanda. É que o trabalho ele não acaba num Eu falo, eu falo para eles dentro lá da
empresa, eu falo, vocês têm que fazer gestão do tempo porque o trabalho não vai acabar. Você pode virar que todos vai continuar tendo trabalho sempre.
Então, aprenda a fazer gestão do tempo para você poder organizar o seu tempo e e entregar o que você precisa nesse
período, porque você sempre vai ter, ó, se você quiser, você sempre vai fazer hora extra, você sempre vai trabalhar de
final de semana porque não acaba. E essa é a intenção, que não acabe, né, fech isso é até maluco. Parece que quanto
mais você trabalha, mais porque se você entra num ritmo frenético, vai, por exemplo, imagina que você trabalha muito com e-mail. Se você responde muito mais
e-mail do que o normal de um dia, no dia seguinte você vai ter muito mais respostas. Então no final das contas, o ritmo que
você dá, ele vai te empurrando para você se manter nele. Então você precisa dar uma freada e entender, pô, deixa eu segurar aqui porque senão você nunca vai
sair dessa desse looping, cara. Mas [ __ ] baita de um bate-papo. Adorei, de verdade. Baita de um de um podcast. Eu
já tava com expectativa alta, mas o podcast foi muito melhor ainda. Que bom. Mas não acabou. Vou pedir licença
rapidinho para agradecer patrocinador, mas eu tenho uma pergunta final para te fazer no no logo em seguida.
Galera, olha esse podcast, todo esse audiovisual aqui de qualidade, graças aos patrocinadores que acreditam no
projeto do podcast do Alentjem aqui pra gente trazer isso aqui de forma gratuita na internet. Então, [ __ ]
então já automaticamente, cara, isso aqui é é obrigatório você prestar atenção nessa turma aqui que acredita na
gente. Começando pela SMB Store do meu parceiro Alonso, que desde 2018 tem ajudado micro e pequenos empreendedores
a controlarem seu estoque, vendas e financeiro. Tudo isso com sistema acessível e fácil de usar. agência que
oferece a solução completa em marketing digital para negócios, cuidando das empresas com óleos de dono, desde a
criação de sites, gestão de anúncio, planejamento estratégico, social mídia e SEO. Polux, sabia que existe
oportunidade de desembolsar menos com impostos através de planejamento tributário? Eles são especialistas em
gestão de tributos e de crise. CC Display, está precisando vender mais, então seu negócio precisa de soluções
criativas para PDVs, balcões, bandejas, displays e muito mais. Cross quer dar
voz ao seu negócio e alcançar mais pessoas. A Cross é especialista em produção audiovisual e soluções
internet, criando podcasts, eventos e transmissões ao vivo com qualidade excepcional. Max Service, contabilidade
que tem como missão a parte consultiva ao empreendedor, estando sempre próximo da gestão da empresa. Com ecossistema
completo, eles oferecem atendimento desde o simples nacional até o lucro real, mas eles têm o lucro real como
especialidade. Você que é empreendedor, B2B total, tem algumas dores que você tá enfrentando,
pode ter certeza que alguma dessas dores que você tá enfrentando, alguma dessas empresas aqui em cima, são empresas que
conseguem te ajudar, são empreendedores, são empresas sérias que já passaram por pela nossa curadoria aqui. Muitos deles
são fornecedores nossos, inclusive. Então, pode ir de olho fechado, depois volto aqui para me agradecer. Tamo junto. Seguinte, dona Bárbara, eh, cara,
quantos anos você tá agora? Vou fazer 38 agora em abril. 38 anos. de 38 anos de vida, uma
trajetória surreal que já foi do alto ao baixo e que agora até acompanhando teu
conteúdo na Husk, eh, já tá bem mais estruturado, graças a tu a à tua atuação
mesmo lá que que foi feito. Você mudou de ramo, deu uma pivotada no negócio que foi, eu não lembro qual foi o tipo de
conteúdo que eu vi seu, mas falando que seu pai ofereceu resistência e que isso criou uma nova linha de receita surreal
para vocês e que isso foi um dos grandes trunfos dessa dessa toada. ou que uma gestão de crise não é também só cortar
custo, não é variar receita, coisa que você fez. Então, inclusive, cara, gente, sugiro
que vocês assistam eh o podcast da Bárbara com o pai dela, né? Sim, porque nesse podcast ele falou
coisas, tem o que é o a sucessora. Nesse podcast ele me falou coisas que ele nunca tinha me falado,
porque acho que a foi o momento dele, a gente ficou 1 hora e meia. Exatamente. Eu recomendo especialmente para quem é
fundador. É mesmo? Porque é uma visão diferente, sabe? Eu acho que é importante ele ele fala de um
lugar que eu não tô. Embora eu entenda o lugar dele, mas ele fala de um lugar que que eu não tô e ele tem muita
propriedade, tem que se colocar no lugar e dá para entender, né? Então, eh, como chama? A sucessora. A sucessora.
Então, a sucessora tá no YouTube e no Spotify? Tá no, mas no YouTube pode procurar como Bárbara Kerset mesmo e aí tem lá a
página do podcast. Baixo eu vou colocar todas as redes da Bárbara. Então, entrem lá. O primeiro podcast da sucessora foi
com o pai dela, né? E eu espero você lá, hein? Tô dentro. Pode me chamar, viu? Pode me chamar que eu tô que eu tô dentro. E vai
ser prazer, um prazer também conhecer teu pai e vou assistir esse podcast, vou comprar teu, teu guia, teu manual,
que eu acho que é um manual que acho que sempre sempre é bom a gente a gente coletar a experiência de pessoas que viveram realmente, porque hoje em dia na
internet tá cada dia mais gente produzindo conteúdo em cima de suposições e chatt. Não, e ele não é um manual complexo,
porque ele é assim, eu poderia colocar muito mais coisa, mas eu falo: “Cara, eu preciso colocar o que essas pessoas
precisam”. Exato. Is é esse que foi o que eu passei no começo. Vai lá e faz. Exato,
né? Mas isso com quase eh você vai fazer 38? Vou fazer 38. Com quase 38 anos de idade, toda essa
trajetória, desde atriz, eh, pizzaria e agora tocando a husk, toda essa
experiência, dois filhos, sua vida tá direcionou, sabe? Parece que agora
negócio é daqui pra frente. Tomara que você não passe nunca mais esses perrengues que a Husk e fez. se passar,
apesar que é muito louco, quando você sai de uma crise, você sai tão tarimbado, tão cascudo, que fica difícil
você cair ali. Por isso que muita gente fala que empreendedor que só empreendedor que já passou por crise
feia ou que quebrou, ele tá num num lugar diferente, porque ensina uma coisa
complexa para as pessoas e que muitos empreendedores eh não tinham. Eu tinha essa essa filosofia lá no começo que não
para você ser um bom empreendedor você não precisa quebrar porque algumas pessoas diziam isso, mas por quase ter quebrado que eu falei assim cara real
é diferente, é uma dor diferente, você passa por um negócio que te prepara de um nível surpreendente assim, eu acho que na
pegada psicológica mesmo da do empreendedorismo. Exato. Mas é isso, 38 anos de vida, você
achando que agora criando a tuas projeções daqui paraa frente que a tua vida vai por um caminho super lindo. Mas
imagina que Deus te chame um pouco antes da hora e com 38 anos de vida, com filhinho pequeno, seiador que deveria
ser, eh, tua missão tá concluída. Imagina que isso acontecesse. Qual
seria? Bate na madeira. Nunca, pelo amor de Deus, tem muita coisa ainda. Mas imagina que isso acontecesse. A
gente vive sempre esperando que a gente esquecendo talvez que a gente é finito na vida, né?
É isso. Então, imagina que essa fosse eh tuas últimas palavras, que mensagem, que
conselho seria o da Bárbara condensado de 38 anos aí de vida para pra galera?
Que que você deixaria? Olha, eu acho que a gente fica muito envolto de muita
culpa e muita responsabilidade daquilo que não é nosso. E a gente passa a maior
parte do nosso tempo carregando essa responsabilidade e culpas que a gente não precisa. A nossa vida poderia ser
muito mais leve, né? A gente poderia conseguir ter muito mais harmonia, especialmente com a família, sabe?
Porque eu acho que é uma coisa assim muito importante, eh, quando a gente faz esse processo de de se conhecer, de
esse, eu falo que assim, é um despertar, né? Não é porque a gente tá aqui que a gente entende que a gente se conhece. A
gente passa a se conhecer ao longo de um tempo, quando a gente faz esse processo de de amadurecimento, autoconhecimento.
Exato. Então, quando você alcança esse lugar e você e e assim, o autoconhecimento é um processo que tem
início, meio, mas não tem fim. E você faz isso sempre. você começa a a seguir
o teu propósito, a seguir. E o propósito que eu tô falando não é aquela coisa holística e tudo mais, não. É, é o que
você, eu bárbara, eu sou assim, eu bárbara, eu gosto de trabalhar, eu não. Então assim, as pessoas às vezes falam:
“Nossa, mas e seus filhos? Você não se sente culpada?” Não mais, não mais. Eu me sentia culpada quando os outros me
faziam me sentir culpada. Hoje em dia eu não me sinto mais porque eu sou desse jeito. Eu me aceito do jeito que eu sou
com as minhas qualidades. Ficam falando aquela aquela aquele veneninho jogado, jogado em forma de perguntas. Nossa, mas
nossa, mas ele ele tá com uma carinha de doente. Nossa, mas ele demorou para andar. Nossa, mas ele não sei o quê,
porque o meu filho, porque a minha é outra neta, porque a minha não sei o quê. Dane-se, cada um tem um processo,
sabe? E as pessoas eh elas te colocam muita responsabilidade e faz com que
você elas fazem com que você se sinta muito culpada sempre. Então assim, quando você se conhece e você se aceita,
isso não quer dizer que o fato de eu me aceitar não faz com que eu queira ser melhor, uma versão melhor do que eu sou.
Exato. Então eu vou estar sempre buscando ser uma mãe melhor, ser uma esposa melhor, ser uma CEO melhor, ser
uma gestora melhor, mas sem levar culpa. Mas sem levar culpa. Porque eu erro, porque eu acerto,
é reconhecer quando eu acerto também, sabe? Eh, eu sei que o que eu estou construindo pros meus filhos, meus
filhos, meu filho mais velho, ele tem 8 anos, às vezes ele chega assim para mim, ele fala: “Por que você não fica muito
comigo? Porque você trabalha?” Não sei o quê? Quando ele me falava isso antigamente, eu ficava, né, quando ele
era um pouco mais novo, eu ficava assim: “Nossa, que memórias que eu tô criando com eles”. Só que eu levo ele para
trabalhar comigo. Eu levo ele, ele olha para mim, ele falou para mim outro dia, ele chegou, ele falou assim: “Mãe, que que eu sou da Husk?” Aí eu falei assim:
“Olha, filho, o vovô ele é o fundador, a mamãe é filha do vovô segunda geração e você é a terceira geração que você é
neto do vovô, filho da mamãe. Ele: “Então eu sou o terceiro chefe.” Então assim, eu já vou criando conexões
porque eu sei que um dia e ele fala assim: “Pô, mas o seu trabalho é legal, você trabalha, você viraliza, você fala
com um monte de gente, ele escuta coisas”. Então, é claro que ele vai jogar na minha cara uma série de coisas
ruins, mas se eu não tiver maturidade suficiente para entender que a maneira que ele tem de colocar a frustração dele
naquele momento, sabe quando o filho fala para você, eu te odeio porque você trabalha muito. Se eu não tiver maturidade emocional para lidar com
isso, eu vou esquecer todas as coisas boas que eu faço para ele e o exemplo dele
Exato. E o exemplo que eu dou para ele, porque eu sei que daqui um tempo ele vai gostar de trabalhar, ele vai querer
atrás das coisas dele, se ele vai ser CEO, se ele vai ser engenheiro, que raio do que ele vai querer fazer, não me importa. Mas assim, quando a gente tá
muito seguro, quando a gente ocupa na nossa vida e no nosso na nossa vida pessoal, na nossa vida profissional,
aquele lugar que é nosso, sem ocupar o lugar do outro, a gente cria assim uma autoconfiança,
uma segurança tão grande que eu falo assim, cara, é muito difícil alguém tirar assim, te tira do lugar, mas
pessoas ao redor precisam disso, precisam desse pilar, precisam, precisam disso. Você precisa, eu falo para todo mundo, quando eu pego
assim algumas famílias, alguns alguns sistemas assim, né, de empresa, tudo, falo: “Cara, seja você esse ponto de luz
na tua família que precisa, seja você, não espere do outro, começa você fazendo
e aos poucos você vai vendo que isso vai ressoando nas outras pessoas, né?” É isso. Eu acho que se eu tivesse
que dar, eu falei um monte nesse conselho aqui, mas acho que o conselho é esse. Então, se saiba, se reconheça,
saiba quem você é, se aceite do jeito que você é. É isso. Seja feliz com quem você é. É
isso. Caraca, que podcast, hein? Que podcast. Quando quiser me chama de novo. Vai ser um prazer. Vamos fazer uma segunda
versão. Vamos, porque tem um monte de coisa fal. A gente vai começar a fazer um podcast que vai ter uma vez por semana, uma vez
por mês. São quatro episódios no mês, né? E um deles a gente vai ter uma mesa redonda com mais de um convidado pra
gente falar sobre temas. Aí me chama. Então, quando tiver sobre sucessão, você já tá convidada e te falo que é um dos
primeiros que a gente quer fazer. Bom, vai ser demais. Então, vai ser massa ter a tua experiência aí. Vai ser demais. E parabéns pela história. Parabéns. Já,
como eu falei, já sabia que ia ser um bom podcast, mas foi melhor ainda. E de novo, assistam, galera, assista. Aqui
embaixo, tá o link, o podcast da sucessora com, como chama teu pai? Carvalho.
Com Carvalho. É isso aí. Muito obrigado, Bárbara. Estamos junto. E você que ficou aqui até o final,
aqui embaixo tem vários botões. Clique em todos para engajar. Encaminha esse episódio para algum empreendedor que você acha que faça sentido, que ele tá
endividado, tá precisando de uma de uma dica, tá precisando do manual da Bárbara ou tá passando por uma sucessão, né?
Acho que tudo isso, toda a trajetória que ela teve é uma trajetória que ensina muito, produz conteúdo. Então, tudo isso
que vocês estão aqui observando e se gostaram desse papo, cara, ela é uma produtora de conteúdo que sempre tá
ativa nas redes sociais, trazendo muitas dicas. Então, dá para ter a continuidade a etapa dois no perfil dela. E é isso,
estamos junto, até a próxima. Valeu,

Confira os principais insights do Episódio #148 do Além do CNPJ com Bárbara Quercetti. Uma aula prática sobre sucessão familiar, gestão de crises e a dura realidade de assumir uma empresa com dívidas milionárias.

Introdução: A Herança de um Problema de 12 Milhões

No episódio 148 do Além do CNPJ, recebemos Bárbara Quercetti, CEO da Husk Group. A história da Bárbara está longe de ser o típico conto de fadas do herdeiro que recebe uma empresa próspera para apenas dar continuidade. Aos 31 anos, recém-chegada de uma experiência frustrada com uma pizzaria e mãe de um filho pequeno, ela deparou-se com o maior desafio da sua vida: assumir a empresa fundada pelo seu pai.

O cenário? A Husk, uma indústria com mais de 30 anos no setor ferroviário, enfrentava uma dívida monstruosa de 12 milhões de reais e operava com fluxo de caixa negativo. Sem formação em gestão ou engenharia, a “filha do dono” (e ex-atriz) precisou construir a sua autoconfiança de fora para dentro, encarar fornecedores, renegociar com bancos e provar à sua própria família e colaboradores que seria capaz de virar o jogo.

1. Sucessão Familiar: Quando o Poder não é Transferido Automaticamente

Um dos grandes temas do episódio foi a complexidade da sucessão familiar, um processo que a Bárbara vivenciou na pele. Assumir uma empresa não é um evento; é uma transição que exige alinhamento entre quem sai (o fundador) e quem entra (o sucessor).

“A sucessão não é um evento que acontece: ‘Ah, tá aqui, a partir de agora você manda’. É uma transição de poder. E é muito difícil você pegar num fundador e ele fazer uma transição de poder.”

Para complicar, a Bárbara teve de lidar com a resistência da equipa — engenheiros mais velhos que a viram crescer — e com o choque de ouvir do próprio pai que ele preferia que o irmão dela estivesse no seu lugar. Foi essa “facada no peito” que a fez mudar a chave: deixou de trabalhar para salvar o pai e passou a trabalhar por si, pela sua família e por todas as famílias que dependiam da empresa.

2. Gestão de Crise e Mentalidade de Sobrevivência

Quando a empresa está atolada em dívidas, o faturamento não é “apenas uma métrica de vaidade”. A Bárbara explicou como a primeira medida foi drástica: cortou 60% dos custos fixos num prazo de 15 dias.

No entanto, a verdadeira virada ocorreu através da comunicação transparente com credores. Longe de esconder a realidade, ela chamava gerentes de banco e fornecedores até à fábrica para apresentar o cenário, mostrando que havia um plano de recuperação e priorizando o pagamento aos pequenos fornecedores para evitar um efeito dominó.

“Você precisa destravar do financeiro. Se o dinheiro entra e não vira receita, você está no modo de sobrevivência. Crie uma estratégia de guerrilha: isso paga, isso não paga.”

3. Liderança, Empatia e a “Espinha Dorsal” dos Eventos

A experiência de 8 anos a produzir eventos corporativos revelou-se a melhor escola de gestão de crise para a Bárbara. Num evento, “você não tem tempo de pensar no problema, você tem de resolver e acabou”.

Foi esta mentalidade orientada para a solução que ela implementou na Husk Group. Perante engenheiros pragmáticos focados nos entraves, ela exigia proatividade: “Tudo bem me trazerem um problema, mas tragam uma solução junto”. Além disso, a sua passagem pela representação dotou-a de uma inteligência emocional essencial para “ler o subtexto” e perceber as intenções nas negociações.

4. Quebrando a Crença da Reputação e a Culpa

O empreendedor frequentemente sofre com a imagem imaculada que deseja manter. A Bárbara abordou a necessidade de quebrar a crença da reputação, aceitando que problemas acontecem e que tentar preservar uma imagem falsa apenas aprofunda a dívida.

“A gente fica com muita culpa e muita responsabilidade por aquilo que não é nosso. Quando você se conhece e se aceita, a sua vida pode ser muito mais leve.”

Para a Bárbara, o alinhamento pessoal e o autoconhecimento foram as chaves para parar de procurar validação externa e abraçar a sua verdadeira identidade — assumindo-se não apenas como mulher num mercado masculino, mas como uma CEO formidável.

Conclusão: Seja a Luz no Seu Sistema

A lição final que a Bárbara nos deixou é um convite à autoaceitação e ao protagonismo nas nossas próprias histórias. Se você se encontra numa empresa familiar com conflitos, ou num negócio a lutar pela sobrevivência, comece por você. Seja o ponto de transformação sem esperar pela validação dos outros. Assuma o seu papel, organize a casa (tanto emocional quanto financeira) e não tenha medo de tomar as decisões difíceis.

Assista ao Episódio Completo

A Bárbara ainda consolidou tudo o que aprendeu sobre como salvar uma empresa no Empreender: A Arte da Guerra – Manual de Gestão de Crise. A conversa inteira está recheada de dicas práticas.

Quer aprender a navegar por crises e liderar uma sucessão com sucesso?

Clique abaixo para assistir ao EP #148 na íntegra:

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