Indústria Automotiva, a Lei de Emissões de 2029 e a Visão do “Tesla Brasileiro” com Flávio Figueiredo Assis | Além do CNPJ (EP #170)
A Coragem do Impossível no Empreendedorismo de Raiz
No universo das pequenas e médias empresas brasileiras, a grande maioria dos fundadores opera no limite da sobrevivência, buscando margens imediatas e temendo grandes saltos de escala. No entanto, quando um empresário do mercado financeiro e de benefícios decide investir dezenas de milhões de reais do próprio bolso para criar a primeira montadora de carros elétricos e híbridos 100% nacional, o ecossistema precisa parar para ouvir.
No episódio do podcast Além do CNPJ, apresentado por Felipe Cassola e Bruno Bertozzi, recebemos Flávio Figueiredo Assis, fundador da Lecar (carinhosamente apelidado no mercado como o “Elon Musk brasileiro”) e ex-proprietário da Lecard — empresa de meios de pagamento e cartões de benefício que faturava bilhões no setor de licitações públicas até ser vendida.
Neste encontro visceral, Flávio revela como a crítica atua como consultoria gratuita, explica por que a transição para os carros elétricos não é uma “modinha”, mas uma exigência legal irreversível, e detalha como está estruturando a produção nacional do modelo Lecar Pop.
1. Crítica é Consultoria Gratuita: A Mentalidade dos Visionários
Mudar a rota do mercado e enfrentar corporações seculares (como as montadoras tradicionais da Ásia, Europa e EUA) exige uma carcaça psicológica blindada. Diante de artigos de imprensa e opiniões céticas de jornalistas automotivos que apelidaram seus protótipos de “carros de maquete”, Flávio adotou uma postura pragmática.
Para ele, quem está na arena executando, cometendo erros e desenhando o futuro do país não pode parar para ouvir quem nunca construiu nada. “Quem nunca montou um carrinho de mão não pode julgar quem está montando uma fábrica de automóveis”, dispara o empresário.
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2. A Lei de Emissões de 2029: Por que a Transição Elétrica é Inevitável?
Um dos pontos mais esclarecedores do episódio é o alerta trazido por Flávio sobre a legislação de emissões veiculares do Brasil. O avanço para o padrão Proconve L8 (e as diretrizes da ONU para 2029) inviabilizará a produção e venda de motores puramente a combustão interna na América Latina.
A tabela comparativa abaixo demonstra por que o mercado de automóveis precisa mudar a sua matriz de engenharia de forma urgente:
| Padrão / Ano de Referência | Limite de Emissões Permitido | Impacto Direto nas Montadoras Nacionais |
| Proconve L7 (Até 2021/2022) | $80\ \mu\text{g/km}$ | Provocou a tirada de linha imediata de ícones como VW Gol, Uno e Kombi. |
| Padrão de Transição (Atual) | Em redução progressiva | Obriga o aumento do tamanho de baterias em modelos híbridos. |
| Diretriz de Emissões (2029/2030) | $30\ \mu\text{g/km}$ | Inviabiliza o motor a combustão isolado: Exige tração 100% elétrica ou híbrida com altíssima eficiência. |
3. A Engenharia de Ecossistema: O Modelo de Parcerias Globais
Para não queimar caixa de forma desordenada no desenvolvimento de protótipos do zero, Flávio aplicou a lógica da escala enxuta na indústria automotiva. Em vez de reescrever a física de motores e softwares, a Lecar fechou alianças táticas com os principais gigantes da tecnologia mundial:
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WEG: Desenvolvimento de geradores de alta eficiência para a matriz de tração.
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Horse (Renault/Geely): Fornecimento do motor a combustão utilizado como extensor de alcance do sistema híbrido.
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Qualcomm: Integração de chips de alta capacidade para os sistemas de conectividade, painéis e inteligência onboard.
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Randon: Parceria estratégica para o desenvolvimento de soluções leves em compósitos e testes dinâmicos de chassi.
4. A Rede de Concessionárias e o Modelo “Lecar Pop”
Diferenciando-se das redes tradicionais que exigem investimentos de dezenas de milhões de reais em prédios de luxo para abrir uma única concessionária, a Lecar desenhou um formato de parceria com lojas de seminovos já existentes.
Reaproveitando o custo fixo de lojas locais (luz, equipe e espaço físico), a Lecar converte revendedores em pontos de venda da marca, viabilizando o lançamento do Lecar Pop — um SUV compacto 100% elétrico com valor estimado entre R$ 115 mil e R$ 120 mil, focado no mercado interno e com alto ângulo de ataque para rodar em qualquer estrada brasileira.
5. A Oração e a Intuição: A Mensagem Final
Ao ser provocado no fechamento do episódio para deixar o seu conselho de vida no auge dos seus 54 anos, Flávio Figueiredo Assis sintetiza sua filosofia de negócios e de fé com uma metáfora inesquecível:
“Quando você quer falar com Deus, você faz uma oração. Quando Deus quer falar com você, é uma intuição. Acredite nela. Acalme o barulho da rotina, desligue o telefone por alguns minutos e deixe a linha aberta para quando a intuição bater.”
Quer entender como a Lecar está desenhando o futuro do mercado automotivo nacional e como preparar seu negócio para as mudanças de mercado? Assista ao episódio completo no Além do CNPJ!
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Assim, pra mim tava muito confortável. Eu tinha a faca e o queijo na mão, eu tava cortando e distribuindo assim, ó, numa velocidade absurda e agregando muito valor pro… Agregando muito valor. Mas é exatamente isso: eu não tive ninguém para chegar e falar. Eu… Eu nunca trabalhei fora da empresa dos meus pais, até então eu nunca tinha trabalhado fora, então eu não entendi o mercado numa visão de um executivo, por exemplo. “Nossa, estoque tá alto, não dá para suprir, é, as vendas estão baixas, vamos ter que segurar, não sei o quê”. Eu tinha um caixa para três meses. Isso era real ou isso era uma desculpa que eles estavam…? Começou sendo desculpa, começou sendo desculpa. Talvez foi uma compra errada. Eu acho que a legging branca foi uma compra errada e acontecia muito isso: comprei errado, eu falo que tô sem caixa. Tá todo mundo em casa? Home office parece que não vai terminar nunca, eu vou fazer roupa pra mulher que faz home office e ao mesmo tempo ela quer ir até a padaria, mas não quer tirar a roupa que ela tá em casa, uma roupa confortável, não sei o quê. Então eu criei uma coleção de pijama voltada pro público feminino, que era um pijama que não tinha cara de pijama.
Eu fiquei à frente do escritório, hoje tem 30 anos, mas eu fiquei há 20 anos na frente do escritório, recebendo empreendedor, ouvindo… Nunca ninguém chegou com uma conversa dessa, né? Eu acordei de manhã, do nada deu com vontade de fazer carro. Tudo foi me acrescentado. Por exemplo, a Horse entrou em contato com a gente para fornecer o motor que é o coração, é a alma do carro. Coração, alma do carro é motor. Você é o motor melhor do mundo, mais eficiente do mundo, tá? A primeira pergunta que ele fez: “onde você arranjou tanto dinheiro para mexer com isso no Brasil?”. Eu falei assim: “Aurélio, eu já sabia a história, já tinha pesquisado”. Lógico que 2012 foi, é o ano da pesquisa, o ano do business plan. Eu entrei ali na intuição, mas eu botei o pé no chão. Caso é isso aí, né? Porque projeto, cara, se parar hoje tudo, né, você…
Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um episódio do podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui pra gente trocar essa ideia de empreendedores vida real. Do meu lado, Bruno Bertozzi, o, o cara da mesa.
É isso, tamo junto.
Tá nas mesas certas, e hoje tem mais uma mesa aí. Hoje esse podcast é brabo, hein, brabo. O cara que tá aqui na minha frente tá criando uma disrupção no mercado, tá sendo muito falado na mídia justamente pela ideia que ele tá trazendo, que é desenvolver um automóvel, um carro brasileiro.
Não, eu acho que não é só nem por isso, nem, nem só pela disrupção, é por ser de fato um cara que pensa fora, que pensa à frente e que tem a ousadia…
Exato.
…de publicar os pensamentos. Porque eu acho que esse é, é o, é o mais incrível: publicar um pensamento que é tão ousado, é tão disruptivo, é dar porta, dar voz a qualquer um criticar e falar e fazer. Então, cara, eu acho que muito mais do que isso, muito mais do que só o fazer, é expor suas, as suas pensativas, as convicções, porque não é nem plano, é convicção, né? Que você conversando um pouquinho com ele, você vê que tem convicção do, do, do, dos acontecimentos. Então, eu acho que isso é louco. A gente pega, vamos pegar um exemplo do Elon Musk, tá? O grande eh empresário mundial que traz ideias e tudo mais. Qual é a diferença do Elon Musk gênio para um Elon Musk louco? É o resultado dele, é isso aí. Então, enquanto o cara coloca os seus planos e fala: “ó, vou fazer isso, isso, isso”, muita gente torce contra, mas também muita gente torce a favor, coisa que a gente tava conversando aqui nos bastidores.
É, mas olha só: depois que uma loucura dá certo, todas as outras loucuras viram possibilidades, 95% de de certeza que pode, que vai acontecer. E é um cara com uma trajetória empreendedora de longa data, que inclusive é o que a gente vai conversar aqui. Estamos aqui na frente com o Flávio Dalecar. Muitíssimo obrigado por topar o convite para trocar essa ideia com a gente.
Ó, obrigado pelo convite, né? Já fui muito bem recebido aqui, a gente teve aqui uns 15 minutinhos de conversa, foi maravilhoso. Mas já vou abrir com a, com a primeira: eu acho que a gente tem que ter eh direcionamento na vida, né, e eu aprendi que crítica é consultoria gratuita. É verdade. Eu encaro como consultoria gratuita, né? E o, e o… Quanto ao Elon Musk, né, que saiu de cartão e foi para carro elétrico, coincidentemente a minha jornada, né, que veio aí o, o carinhosamente chamado, e eu tenho muito eh orgulho disso, né, falar assim: “ah, mas eh você tem que parecer com você”. Falei assim: “não, você tem que se inspirar em, em pessoas que fizeram grandes, grandes, grandes feitos, né, e ele fez grandes feitos em, sei lá, uns 40 anos de muito trabalho e dedicação, né? Não foi da noite pro dia, né?”. Eh estamos aqui também inaugurando aí a minha reaparição, né?
Você deu, você deu… Você voltou pro casco da tartaruga?
Ah, falei assim: “não, cara, o pessoal quer carro, deixa eu cair para dentro aqui da, da engenharia. Vamos, vamos tirar carro da garagem, né, que o povo quer carro”. Então, eh eh trabalhei bastante, né, tirei barba, o cabelo para… Dei uma repaginada visual também. Não, eu juro para você que foi para economizar tempo.
É mesmo?
Porque você, você cuidar da barba, cara… Barba é legal, mas você passou toda semana, você tem aquele ritual ali de cuidado, tal. E eu parti para cima de trabalho, né? Então, quer dizer, tirei 20 kg, tirei barba e cortei o cabelo.
Mas é para ganhar velocidade.
É isso aí, total.
Velocidade com direção.
Isso aí. Flavião, pra gente começar o nosso papo, antes de a gente chegar na Lecar, na tua vida atual, eh nas coisas que a gente quer conversar sobre o carro brasileiro e tudo mais: o Flavinho, o Flavinho vem de onde? Onde você nasceu? Referências? O que que você, o que que você queria ser quando crescesse? E assim, me dá um pouco de contexto da sua vida até chegar na vida adulta, pra gente conseguir entender um pouco, e um pouco da tua trajetória empreendedora até a Lecar com essa estrutura. Me dá esse overview pra gente.
Acho que ninguém me perguntou isso: de onde que eu saí.
É isso aí, a gente gosta de entender o contexto do empreendedor.
É, eu nasci de uma fazenda…
É mesmo?
…em Guaçuí, no Espírito Santo.
Legal.
Né, do lado da cidade de Cachoeiro de Itapemirim, né, que é a terra do Rei Roberto Carlos, sim, né? E com cinco anos eu fui para Vitória e fiquei em Vitória até, até os… Eh, tem 5 anos… Fez em abril 5 anos que eu tô em Alphaville, porque eu vim trazendo a empresa, a Lecard, que tem benefício fiscal para a empresa de cartão. Meus concorrentes estavam todos lá: Alelo, Ticket, Sodexo, né? Então eu fui para lá. Mas 5 anos… Nasci, até os 5 anos fiquei nessa fazenda, depois fui para para Vitória. E teve até um, um atrito meu com o Boris Feldman…
Caramba!
…que ele, eh eu associei porque ele… Falou assim: “ninguém me fez essa pergunta mais numa, no… Em um… Na verdade, numa solução, no diálogo, num diálogo com ele pra gente amenizar ali a, as críticas eh um do outro, né?”. Eh ele me deu essa abertura, aí eu fui lembrar, né, porque eu critiquei ele. Falei assim: “cara, você fala, eh você critica, fala o que você quer, mas o dia que você fizer um carrinho de mão que seja, eu te respeito. Você nunca fez um carrinho de mão, cara. Como é que você vai falar de alguém que tá fazendo um carro?”. Exato. Quem pode falar mal de mim sem resultados? Que não fez carro? Falou assim: ó, se o Gurgel estivesse vivo, né, um monte de gente aí se estivesse vivo, que fez o carro, podia me criticar. Quem não fez carro tem que ficar assistindo, assistindo, né? E, e de 10, 12 anos de idade, eu, eu fazia um carrinho de madeira bem simples, bem, bem rústico, né, com a caixa de, de verdura, de madeira, botava ali as travessas, um, uma rodinha na frente e já fazia delivery.
Caramba! O que que você fazia com esse carrinho?
As senhoras faziam compras, eu botava dentro do carrinho e acompanhava em casa. Não, não tinha, não tinha esse, esse perfil tão empreendedor assim, né? Senão na época já tinha inventado o delivery, [risadas] ninguém…
Mas você já tinha esse perfil empreendedor. Você só não tava ganhando dinheiro do negócio. Tinha o nome, não tinha, [risadas] né? Então assim, sempre eh eh trabalhei também em, em elétrica, né, que na época se consertava eletrodomésticos, né? Então o motor queimava, do, do ventilador, liquidificador, então rebobinava, mexia com essa eletrônica.
Isso com 12, 13 anos?
Caramba. É, mas isso era referência de família, alguma coisa? Não, seus pais… Era necessidade ou era, era simples porque você gostava de fazer, fazia?
Não, eu, eu era sempre curioso, tava sempre desmontando alguma coisa, montando, juntando coisas, montando, desmontando. Aí depois, depois desse, desse, dessa experiência de, de motores elétricos, olha isso, cara, aí eu fui pra oficina, oficina mesmo, mas eu era ajudante do ajudante do, do ajudante de mecânico, mas tava ali curtindo. Aí só que a minha mãe, eu, eu sou muito clarinho, minha mãe detestava que eu chegasse em casa encardido. Falou assim: “não, não tá certo isso”. Aí ela, um, um amigo dela falou assim: ó, no Banco Real, até do meu saudoso e, e grande mestre Aloysio Faria, cara, Aloysio de Andrade Faria, porque eh no banco… E ele achava muito caro o preço da ignorância, então ele investia em treinamento, cara, a gente vivia fazendo treinamento, treinamento, treinamento, treinamento. Era uma maravilha, foi, foi bem, bem impactante assim, bem transformador também, né, que são ferramentas, na verdade. Treinamento é ferramenta. Eu saí de lá com um tanque de guerra. E então minha mãe, com esse amigo que trabalhava no banco, falou assim: ó, abriu a inscrição para, para contínuo, né, serviço ali de, de entrada. Aí eu fiz a prova, passei, aí eu fui realizar o sonho da minha mãe, de eu trabalhar num lugar limpinho, que eu sempre gostei da bagunça, [risadas] trabalhar com roupa social, voltar para… Sem graxa. Fui ali e, e também no banco, né, foi, foi o primeiro eh setor em que foi o computador, foi assim: rapaz, eu tenho que ficar perto disso. Eu já migrei para a contabilidade, aí saí aí do banco, montei uma contabilidade.
É mesmo? Que legal, mas sem ter maioria ou não?
Não, já aí fiz, fiz… Fui para dentro da agência, fiz contabilidade, né, e com os próprios clientes do banco, já montei, fiz a base ali do, do escritório. Eu falei assim: pô, não tinha comparação, não, ganhava 20 vezes mais do que no banco.
Aí era seu escritório à parte?
É, que existe até hoje. O meu primeiro funcionário, olha que legal, virou sócio e toma conta do escritório.
Que legal, e você continua como sócio, hein? Você continua como sócio?
Sim, que legal, cara, que legal, que massa!
Legal, né? É que isso é formação, tempo.
É, isso é formação, é o que você tá validando, você tá formando pessoas para poder tomar conta das coisas que você construiu.
Eu já… Agora eu tô, tô meio devagar, tô só com nove projetos tocando ao mesmo tempo.
Tranquilo, tá tranquilo.
[risadas]
Mas eu já, do, do escritório, já demandei mais de 30% do escritório.
Demanda minha, cara. Cliente, cliente própria, era tua.
É, você era quase um meio escritório ali só pros meus, só para, que legal, pros meus negócios.
Que massa!
Eh então, aí fundei a, a Lecard em 2012, né, que é uma empresa… Aí no banco também eu trabalhei com, na época era o Real Master, eu tomei conta de cartão, hum. E foi a outra dedução, falei assim: olha, já… O escritório tomava conta de 15.000 funcionários de clientes dos, de, de, de funcionárias, né? Eu falei assim: ué, vou começar o cartão aqui, que eu já tenho 15.000 clientes, né, potenciais, mas viraram, né? Eh o aprendizado desses viraram aí, né? Quando o negócio começa a dar certo, a ajuda chega, o apoio chega, todo mundo quer ser seu cliente, que até, né, até ali os, os próprios ali clientes ali, vai ser uma, é uma aventura aí, vou esperava esses negócios dar certo, e é o que acontece em todo negócio. Assim, ah, ah não vou, vou contar, vai dar certo, não vai dar certo. Os primeiros degraus são altos, não vai. Pessoal apoia na hora que deu certo.
É, começou a dar certo, aí começa a apoiar. E os principais apoiadores depois que dão certo são seus amigos, porque os primeiros que acreditam provavelmente não são seus amigos.
É porque os seus amigos… “Amigos, ah, será? Não sei o que…”. Então assim, mas e eh tem, tem uma diferença muito grande, né? Lógico, a, a proporção da Lecar para a Lecard no início, né? Então assim, em Vitória eu, eu… Ah, que legal, era Lecard no começo? Lecard. Legal. E eu montei preço para operar na Grande Vitória. Entendi. Que assim, eh sei lá, 10 km². Uhum. Na diária, né? Então assim, um negócio despretensioso ali, e tal, né? Nunca imaginar que eu ia atuar no Brasil inteiro, ia ter mais, faturar mais de 1 bilhão, mais de 800 prefeituras, fornecendo para mais de 800 prefeituras. Caramba! Aconteceu, né? Mas assim, não planejei nada tão, tão grandioso assim, tá? Foi, era um projeto bem simples, bem, bem local e já sem pretensão de ser, de ser ter essa extensão, tá? O pessoal já me chamava de doido. Falou assim: “rapaz, você vai concorrer com Ticket, com Sodexo? Não tem a mínima condição”. Eu falei assim: “rapaz, mas meu coração tá apontando nessa direção, é isso que eu, é isso que eu tenho que fazer”. Não tem explicação, fala assim: eh empreendedor é doido. Você não… O empreendedor tem muita fé. É isso aí, é o cara que mais acredita em Deus, eu acho que é o empreendedor, [risadas] que ele vai… Deus vai mandando ajuda aí: “Providencia, Deus, que eu tô indo”. É, eu tô indo, só me empurra aí, põe o chão, é isso aí, é isso, é.
E aí essa, depois da Lecard, a Lecard, né, já tá nesse tamanho, nessas proporções, como que foi o processo da ideia da Lecar? Hum, hum. Vou começar um… Como que começou isso a surgir na tua cabeça? Isso já era um sonho? Eh esse, esse modelo de negócio começou a surgir de que forma? Como que foi esse processo de criação? E foi uma transição normal entre a Lecard, aí você vendeu e, e se inspirou na Lecar? Como que foi essa, essa também, essa passagem, né?
Então, eu tive, eu tive durante 2 anos e meio para três, assessoria de imprensa. Eles falam assim: “cara, não conta essa história sua, porque isso aí não, não é legal”. Mas eu falei assim: “não, cara, eu, eu… Contar minha história”. “Ah, é, é doideira”. Mas nunca tinha acontecido comigo. Nem eu fiquei à frente do escritório… Hoje tem 30 anos, mas eu fiquei há 20 anos na frente do escritório, recebendo empreendedor, ouvindo… Nunca ninguém chegou com uma conversa dessa, né? Eu acordei de manhã, do nada deu com vontade de fazer carro.
[risadas]
No segundo dia de novo, no segundo dia de novo. No terceiro dia, eu tô assinando um documento da Lecard. Aí eu olho assim: “rapaz, esse negócio de carro tá me perseguindo, cara. Tem uma empresa de carro aqui dentro, é só tirar o D. Aqui dentro, é só tirar o D. Sete a D, incrível”. E tem também eh eu falei assim: ó, Deus me livre esse falar assim, não, o cara tá falando mal da mãe, qualquer coisa, falei assim, não. Eh a orientação da, da mãe é importante, elas… Os pais sempre querem o melhor pra gente, né? Uhum. Eh eu falo assim, cara, mas a gente tinha que acertar as mães, porque as… Abre a boquinha, a primeira coisa que ela fala: “eu quero que meu filho arranje um serviço”. É verdade. Por isso que a gente trabalha, culpa de mãe. [risadas] Culpa de mãe, praga de mãe. Não vamos empreender.
[risadas]
É isso aí. Nenhuma mãe quer que o filho empreenda, né? Mas empreendedor é meio maluco, ainda mais no país em que a gente vive, aí tem que ser maluco mesmo. Aí, aí, por exemplo, eu falei, né, que eu fui ali fazer, eu saí da oficina mecânica, fui fazer o, o… A vontade da minha mãe ali, que ela queria, lógico, né? Até eu, né? Falou assim: “pô, você quer que meu filho trabalhe num banco, uma oportunidade assim foi maravilhosa para mim, ou na oficina mecânica de lavador de peça, assistente do lavador de peça?”. Lógico que é no banco, né? Isso aí eu não vou discordar, mas eh eh a gente tem que eh seguir a nossa intuição, seguir o nosso caminho, né? Não deixar, ou deixava assim… Cara, isso aqui tem gente fazendo Medicina, cara, é uma coisa até que eu aprendi na igreja, né? Mais de 70% das doenças emocionais hoje são pessoas que tão, tão no lugar errado de trabalho, cara. Total, então isso é complicado. Mas eu também saí do, do circuito de invenção, desmontar as coisas… Botei fogo na casa uma vez, tal, é, é. Aí minha mãe proibiu e ela falou uma palavra, uma palavra, você vê como que é poderoso isso, e eu vim descobrir isso há pouco tempo também, tá? Falou assim: “você, você tá parecendo um cientista maluco”, e eu fiquei apavorado com aquilo, eu não queria ser confundido com, com o cientista maluco. Falei assim: “meu Deus, eu vou parar de fazer essas coisas”. Sim. Então bloqueou a minha criatividade, a minha inventividade ficou limitada ali, e por anos isso, tá? E lógico que você não tem consciência disso, que ela colocou uma barreira de, opa, você tá saindo, e você não querendo se parecer, acabou a, a segurando esse ímpeto aí. E eu me libertei tanto, né, que eh há pouco tempo eu tava mesmo com cabelo e barba de cientista maluco, né, [risadas] e tava curtindo, curtia e curtindo. Eh [risadas] muito.
Você encarnou o personagem de fato.
Personagem, falei assim, cara, isso aqui eu nasci para isso aqui, né? Tava no meu, meu habitat ali, curtindo, né? Só tirei, já avisei, não é por, por causa do trabalho que dava, é só para, para ganhar velocidade mesmo na, no dia, né?
Sim, e isso é um insight legal, porque é isso: a gente, muitas das vezes, a gente não presta atenção, mas tem coisas que na nossa rotina tira a nossa velocidade, às vezes de de pensamento, de trabalho, de execução, né? E você vê, eu queria dar atenção a isso, porque é uma inteligência prestar atenção num detalhe, sim, né? Do que: “putz, a barba me dá um trabalho para poder fazer isso acontecer. Eu preciso sacrificar às vezes o tempo de que eu poderia estar dedicando ao trabalho a fazendo outras coisas”, que dá performance ou performance ou dormir, fazer. E a gente às vezes não presta atenção nos detalhes, né? Aí todo mundo quer ser o, o hiperprofissional ou o, o superatleta. Cara, superatleta é prestar atenção nos detalhes: é como o cara corre, como ele se, como ele entra no ângulo do pé e, falando em futebol ou falando de qualquer outro esporte, é microdetalhe, microajuste. E se a gente não se autoajustar o tempo inteiro na nossa vida, né, a gente acaba perdendo algumas funções que, que provavelmente façam a diferença. Então, parabéns!
Faz diferença, sim, faz diferença. Eh é que o momento pede também, né?
Sim, sim.
Às vezes, na hora em que eu tiver mais relaxado, posso, total.
É importante a gente saber também os momentos, os ciclos, né? E aí você fala que você eh se encorujou, né, depois principalmente do Salão do Automóvel. Isso que você falou: “ó, vou dar uma segurada agora, vou, vou pra engenharia, vou produzir carro”. Como que foi esse processo? Então, a ideia do carro, ele veio através de um dia em que você acordou com vontade de produzir carro. No terceiro dia, você viu que o Lecard já tava dentro do Lecard, e aí você começou com essa ideia. Foi quando isso? Em 2022?
2022, há 4 anos atrás.
Estamos agora em 2026 gravando esse episódio. Como foi esse processo de construção? Em que momento que você falou: “preciso ir pra mídia, preciso divulgar essa ideia”? Como que foi esse processo da Lecar agora falando?
Então, a, e eu fui, eu fui seguindo os sinais.
Boa.
Tudo foi me acrescentado, caramba, que legal, né? Então eh por exemplo, né, o, a Horse entrou em contato com a gente para fornecer o motor, que é o coração, é a alma do carro.
Sim.
Coração, alma do carro é motor. É o motor melhor do mundo, o mais eficiente do mundo. Entraram em contato, eles que entraram em contato.
Caramba!
Então assim, é, tudo são sinais, né? Eu tava comentando que o CEO é brasileiro, brasileiro, Matias, Matias. Ele saiu da Europa, ele é… Pô, a Horse é uma empresa que fatura 1 bilhão e meio de euros por ano, caraca, uma empresa gigante, né? Eh fora de ser fornecedor estratégico, e ele ficou muito feliz e ele fez questão de sair da Europa, vir aqui pessoalmente assinar o contrato e me conhecer.
Você aproveitou visitar a família, né?
É, é, eles têm, eles têm um, uma rotina, né? Que legal, né? Eh então assim, e sempre vem ajuda. Agora, recentemente, a gente foi abraçado pela Qualcomm, caramba, que o CEO é brasileiro, Cristiano, caralizando o Brasil, apaixonado por carro, né? A sede é em San Diego, né? É gigantesca, de chips. É, é a maior, né? De chip, né? Maior de, de chip. E ele mora em San Diego, anda num Opalão, mas Opalão eu acho que o Opala ele não é Opala americano, não. Acho que ele levou do Brasil, né? É [risadas] antigo, curte carro, brasileiro raiz, raiz, raiz, né? E, e falou assim: “cara”, falou assim: “ó, vamos ver o que que eu posso contribuir, o que que eu posso ajudar”, né? Então foi bem bacana, e também, né, a gente tem muito brasileiro em destaque.
Sim, muito brasileiro de que muitas vezes não é, não é falado, né?
Uhum.
Inclusive eh no início da, da Lecar, a gente, a gente comprou um Tesla para a engenharia desmontar pra gente aprender a fazer carro.
Que legal, cara!
E com isso eu entrei no grupo do Tesla Brasil. Olha, e conheci o Aurélio, engenheiro brasileiro, menino de uns 35 anos, [roncando] e trabalhou no inicinho da Tesla.
Olha só!
Ele é responsável pelo, pelo sistema… Ele é programador, engenheiro, mas eh trabalha em programação também. Então ele foi responsável pela eh equipe de direção autônoma do Tesla.
Olha só!
E eu chamei ele pro projeto, mas ele tá aposentado com 35 anos. Ele já, já ganhou, já estourou aí. É, ele falou assim: “rapaz, a gente eh eh que a cultura dos Estados Unidos ganha ações, né? E ele, e ele pegava 80% do salário dele e comprava de ações”.
Caraca, ele falou que ele tem 0,0035% ou 53% da Tesla.
Caramba, tá feito, então tá feito.
É, já vendeu agora, né? Fez o IPO. Ah, não, a Tesla não fez ainda, né? É, é, não, já fez, já fez. Ah, a Tesla fez, já fez. É, é, mas a, um inclusive uma bancada para [ __ ] 1 trilhão, né? Daí tá, tá com um dinheirinho, né? Eu acho que, eu acho, eu acho que ele tá bem, eu acho que ele tá bem, [risadas] eu acho. É, posso ser 35, 53, pode ter aí uns 300 milhões de, de dólares, aposentadinho, tá bom. Mas ele, aposentadinha, mas [risadas] ele foi, foi engraçado: ele foi me visitar, a primeira pergunta que ele fez assim: “rapaz, onde você arranjou tanto dinheiro para mexer com isso no Brasil?”. Aí eu falei assim: “Aurélio, eu já sabia a história, já tinha pesquisado”. Lógico de que 2012 foi, é o ano da pesquisa, o ano do business plan. Eu, eu entrei ali na intuição, mas eu botei o pé no chão. Caso é isso aí, né? Porque projeto, cara, você se parar hoje tudo, né? Então você vai, você para começar um momento que assim, não tem como parar, é só acelerar. Aí, aí eu falei assim: já sabia a história. Falei assim: “não, conta a história de vocês aí”. Falou: “Flávio, a, o Tesla, o primeiro Roadster dele foi montado em cima da plataforma da Lotus”.
Caramba!
Ele praticamente só levou a tecnologia, né, o motor, a bateria, né, para essa plataforma, foi assim o Roadster. “Ah, legal”. “E Flávio, a gente não tinha câmera de ré, mas já falava em direção autônoma”. Olha que legal, falou assim: “caraca, olha a ousadia aí. Para que caminho que leva? Que qual o caminho que leva?”. Mais uma vez, o cara tá mirando lá em Marte, acertou a estratosfera, é isso aí, mas, né, errou para caramba o alvo, mas tá lá em cima.
Tá lá em cima.
Tá lá em cima. Então, quer dizer, ousadia, você, você construir algo em cima dessa ousadia, desse, de uma crença muito fortalecida, tem que ser lógica, né? Sim, você tem que ter um pouquinho de, de visão, um pouquinho de recurso, tal. E a coisa mais incrível, né, eu falei que 2022 foi o momento ali de analisar o negócio como um todo. Me deparei com a lei de emissões e segurança veicular, né, que eu também parei de falar isso, mas vou voltar a falar isso, que tá até perto e as evidências hoje estão maiores, né? Tem 4 anos que eu falo isso e parei na metade do caminho, que não é uma conversa muito produtiva, mas carro elétrico não é modinha, não é tendência, é legislação. 2029, todos os carros que são produzidos no Brasil não atendem a lei de emissões. Olha que da hora.
Caramba!
29 a gente tá perto aí. É por isso aí. Vai falar assim: “ah, Flávio, nunca ouvi falar nisso”. É Proconve L, já estamos no L8, né? Eh aí o pessoal fala também: “ah, mas o Brasil segue a, a Euro”. Na verdade, não. Eh tem eh um braço da ONU que toma conta de emissões e segurança veicular, fica na Europa o escritório e as leis são feitas lá. Mas é ONU, né? Todo, todos os países signatários têm que obedecer. Ah, mas tem uns que obedecem antes, tem uns obedecem depois, mas tá ali naquela, tá no radar dos 29, no radar, né? E, e a gente vê aí, e uma pesquisa simples, você, você já vê o tanto de carros, só pesquisar no, no Google, né, os carros que saíram de, de linha por conta de, de emissões.
Caramba, já gosto de fazer nisso.
É, eu gosto de fazer uma comparação, né? Em 2021, quer dizer, 2022, o Gol parou de produzir, produziu até o final de 2021 porque 2022 o coeficiente de emissão de emissões era 80 microgramas por quilômetro. O Gol fazia 96.
Caramba, então esse foi um dos motivos.
Foi o motivo, a Kombi também. Então o motivo… Combi, a Kombi deu dó, nosso Uno, esse carro todinho, tudo emissões. Mas isso é bem claro, mas eu, eu gosto de refletir com vocês sobre esse número, né? Então o Gol, carro pequeno, lógico, com, com motor defasado, né, mas é um carro que fazia 98 microgramas por quilômetro, e quando você fala 2029, assim, 2030, carro elétrico, o coeficiente é 30 microgramas. Hum, então assim, não, não é, não é eh… Ah, entendi, não, não existe tecnologia de combustão que atenda. Aí você vai… Aí o que que para reduzir o impacto tem? [roncando] O carro híbrido, que eles estão… Você tá percebendo também que estão aumentando a bateria, não é porque é tão bonzinho, é para atender focado nesse, nessa emissões, né? Mas em 2029 vai ser uma bateria tão grande, já próximo de um 100% elétrico, que não vale a pena você trabalhar com dois sistemas.
Caramba, então já vai ter que realmente ser elétrico.
É, e o outro motivo, né: caiu no gosto, né? Eu, por exemplo, meu Tesla zero problema. Primeira revisão com 50.000 km, primeira revisão. Troquei nada nesse período. E R$ 13.300. Troca filtro do ar…
Nossa Senhora!
…palheta do, do para-brisa ali, eh fluído e vai embora.
Agora eu acho legal isso. Eu tenho só algumas reflexões que eu queria entender o seu ponto de vista como visionário também. Uhum. Porque a gente parte de um, de uma, de um princípio de que a energia ela também não é um bem renovável, a energia elétrica, né, pro, pro negócio, porque também esgotam-se as fontes ali. A gente tem que entender como que se cria novas fontes, ainda mais com a IA, e a energia tem sido um, um grande problema.
Então, é isso que eu ia falar.
Então a gente tem a IA consumindo cada vez mais energia, a gente tem centros e isso no mundo inteiro, que não comportam abastecimentos grandes de energia. Então assim, a gente não tem hoje até muitos carros elétricos com essa parte do, do, da, dos centros de, de abastecimento, tal. Mas se eu for para um lado do tipo, a gente começa a entrar, entender de que os carros vão mudar, mas os aviões também, porque tem o eVTOL, que é já o, o B… Lá o, o drone da Embraer que precisa de tecnologia. Então a gente vê essa tendência de entrar na era da energia, mas como a gente fazer para que isso dê conta? Porque a gente tá entrando numa era de superenergia. Ou seja, o que eu tô entendendo aí, se a gente pegar a atenção, né, em detalhes, trocando a combustão por detalhes, é que o grande dinheiro está na energia, mas não no consumo da energia, na produção da energia como um bem. Só tem que fazer… Como você enxerga isso e essa tendência de superenergia, de tudo usar energia, e como a gente repor ao longo do tempo? Porque a gente tem o etanol, que é um produto brasileiro, né, que tem o dos combustíveis que disse, eu também não sou o expert, mas disse menos poluente, menos com menos impacto, com maior capacidade de produção. Então, queria entender a sua visão assim como, né, um visionário entender que o Brasil já tá conseguindo reduzir muita emissão porque agora a gasolina é tudo de etanol, praticamente.
É, a gasolina [risadas] tá, daqui a pouco é 100% etanol. É, o, o etanol, por exemplo, ele polui menos do que a gasolina. 8% só, pouco.
É pouco.
Só que o, o petróleo ele não é renovável. Você extrai ele e queimou, foi embora. A, a o, o etanol não, tem o ciclo dele, né? Que polui, aí a plantinha usa de alimento para produzir outra plantinha, e assim vai renovando, né? É, é renovável realmente, mas a lei é clara no uso: 30 microgramas e aí não tem discussão. Então, independente da, da infraestrutura, do que for, precisa. Ó, outra, outra coisa que é bem interessante: o primeiro orçamento de bateria que a gente fez há 3 anos atrás era $ 260.000 o kW.
Caramba, caramba!
$ 270.000 o kW, e hoje $ 60.000.
Caraca, só que a bateria de volume diminuiu 40% de volume, 100% segura. Nem você botando fogo na nossa bateria ela pega fogo. A nossa não, né? A, a bateria a geral. Bateria. Eh inclusive eu tenho dois Tesla lá em casa, um que é de 2021 que pega fogo a bateria…
Ah, é?
…que é da tecnologia passada, e o outro de 2022 que não pega mais fogo.
Que legal, né?
Então 2022 para cá a bateria começou a melhorar muito, baratear, então assim, reduziu peso, volume, tecnologia embarcada realmente, né, que é o que fez custo, né? Então assim, eh por motivo qual que seja, é, é por força de lei, mas tá cada dia mais diluindo ali os investimentos, ganhando escala, então o preço do carro elétrico eu acredito que já esteja mais barato pelo que ele oferece, né, de, de tecnologia. Não vou falar assim “ah, bateria em si”, né, claro, mas o, o que, o que tem ali no carro em comparação ao, ao carro a combustível já tá mais barato o elétrico, e vai ficar mais.
Mas e o fato da energia, como que faz a energia? Como que o mundo vai dar conta dessa tamanha demanda de energia? Eh é um, é um tema que você já trouxe isso pro radar?
Não, não, não é preocupante, né? Que eu acho que essas coisas vão, vão ser ajustadas, né? A gente tem eh problema maior, né, distribuição. Inclusive, inclusive o… Um grande problema, ainda mais Brasil. É, inclusive o o ex-dono lá da Troller eh é meu vizinho lá em Alphaville, coincidentemente, né, legal. É bem, bem legal ele. E ele tá investindo em energia eólica, né? Então ele tem lá ativo lá de quase 1 bilhão que ele não consegue distribuir.
Caramba!
Nossa, tá lá parado porque não, não consegue a, a, a linha, a rede. Isso é infraestrutura, esse, esse é esse é um problema. É, mas, mas vai ajustando, né? Até porque, né, e é eh tem que se adaptar porque vai ter uma demanda.
Vai ter demanda.
É, substituir a frota não é da noite pro dia, claro, né, não é, mas já tá eh expressivo aí a participação, né, dos, dos elétricos.
Exato.
É, mas é Brasil, né? As chinesas entrando, né, porque aí eu acho que ele deu BYD, GWM, eu acho que dominaram bem aqui.
É, e eles deram, eles deram acesso a uma coisa que era inacessível até o momento, né? A forma de parcelar, a forma de, de colocar. E a tecnologia embarcada num carro desse é, é outra, outra realidade que a gente coloca. O, o que aconteceu de verdade que a China, né, eles investiram pesado querendo, querendo eh que existisse uma Tesla chinesa, só que deu 150 empresas certas ao mesmo tempo. Todo mundo deu certo.
É, né? Aí na verdade a gente foi essa, e eh essa inundação de carros chineses, inundação, né? Eh essa, esse crescimento, né? Eh excesso de produção deles. Estados Unidos eles não entraram, né, que é um mercado grande, né, [roncando] aí sobrou pra África, pro Brasil, pra América do Sul.
E ainda incentivo para caramba aqui.
É incentivo e, e também eles pressionados lá vendendo carro muito barato, né?
Sim, muito barato.
E aí falando agora da Lecar e um pouco de das coisas que se comentam, né? Eu assisti alguns podcasts seus, eh o a própria Feira do Automóvel também foi um grande boom do nome da Lecar no [roncando] mercado. Hoje em dia as pessoas estão falando: “tá, mas e aí, eh o a Lecar é uma, é uma montadora, vai, digamos assim, de PowerPoint, né? Como que, como funciona? Cadê o carro andando?”. E eu acho que isso é um pouco do motivo de você pós-Salão do Automóvel ter mergulhado na engenharia. Quais são as projeções, eh como que foi esse processo? Depois eu quero entrar também um pouco na pré-venda que vocês fizeram, que a gente tava conversando nos bastidores aqui, foi um dos grandes indicadores que o Flávio teve de apoio dos brasileiros, né, porque eh enquanto tinha um falando mal, tinham 10, 20 comprando eh na pré-venda, justamente apoiando esse projeto de um brasileiro. E a gente é patriota nisso, pô, eu mesmo quando vi esses cortes, eu já quis te chamar para, para vir aqui e já quis comprar o carro também, falei: “cara, eu quero [risadas] ter esse carro brasileiro”, porque, pô, é um baita de um, de um, de um negócio legal. Ah, e, e que faz eh muito sentido para nós. Eh dá esse overview pra gente: como que foi, como que tá, qual o status atual, o carro vai sair, vai fazer na China, vai fazer no Brasil? Dá um overview pra gente do status atual.
É, o, o carro, né, você… A gente dividiu ele em, em três, né? Então a primeira coisa que saiu assim muito rápido foi o powertrain.
Caramba, pô!
A gente parceirão de, de bateria, que é a Winston, gigante também, fornece pros Estados Unidos, Europa, né, gigante. E, e, e gigante também não é só do produto, né, é de, é de passar segurança, experiência pra gente no, né, pro pra nossa equipe, que todos eles, querendo ou não, fazem parte do processo produtivo, né, influenciam no processo produtivo. E, e assim, na sequência, né, então a gente fechou com a, com a WEG para fornecer o gerador de energia, com a Horse para fornecer o motor, e o powertrain tá montado.
Sim.
Então foi, foi bem rápido. Aí a gente… Aí nós temos que fazer eh toda a parte eh da bolha do carro, né, que seria a carroceria e, e a parte eletrônica, né? Essa aí ficou essas três divisões aí. A, a parte da carroceria é toda nossa e é bem complexa, né? Nós chegamos no Salão do Automóvel eh em fase de mockup, que é uma, uma… A parte… E é muito gostoso, né, é o filho nascendo, né?
E é igual o filho: depois ele vai crescer, ele vai andar, ele vai comer sozinho, vai falar com você.
Ainda tá em 3D, em projeto 3D, impressão 3D.
[limpando a garganta]
Ainda é mockup, você tá só validando aí. Primeiro é o 3D, depois você pega ele, aí você vira o… Aí daqui a pouco ele começa a ter vidas, né, 3D com impressora 3D, você imprimiu ele, agora você já tem ele lá, ele existe, mas ele é um mockup ainda, né? Mas eu acho que eu fui muito feliz aqui com a, com a comparação, né: igual o filho nasceu, o cara não conversa com a gente, é só [risadas] caquinha, comidinha e dorme para caramba, né? Você não, não interage, né? É algo estático, mas é o filho. Nasceu, ele vai andar, ele vai falar, ele vai… É natural. E lembrando também, tá, uma montadora tradicional, ela leva 7 anos para desenvolver um carro. Totalidade. A Lecar tem 4 anos.
Caramba!
A gente avançou bem.
Então, então o pessoal tá numa pressão antecipada sobre isso.
É, mas a gente também fica, né, a ansiedade, e é super natural. A gente, a gente acha que é super natural as pessoas quererem eh esse carro logo e tal. Mas aí a gente chegou no salão com isso, que é para ver eh volume, design, né? Que, por sinal, tá lindo.
É, obrigado. 100% brasileiro, o Homes do Carro de Vitória, Espírito Santo.
Lindo, lindo, lindo.
Aceitou esse desafio porque… E a primeira coisa que eu fiz foi entrar em contato com a Pininfarina para, para desenhar, desenhar o carro. A gente tá na fila de espera até hoje.
Vixe! Foi assertivo fazer com design brasileiro.
Ah, bem, bem… É bem, bem assertivo. O mundo… A, os planetas se moldaram, se ajeitaram para que o design também fosse brasileiro. E não vejo eh… É um bicho de sete cabeças, deve ser pro italiano fazer também uma picape, né, igual, igual a nossa, né? E ficou linda também, cara. É, na verdade essa aí eu falei: “puta, essa eu, essa eu…”. E ela, e ela foi responsável por 85% das vendas.
Não, essa aí ficou surreal, ficou muito legal.
E 90% da cor do mockup, aquele azul.
É mesmo?
É, falei assim: ó…
É porque é icônico, mas isso daí é legal, né? O louco da, da picape é que, cara, com tanto design bons de elétricos que estão vindo, a picape conseguiu ser diferente, ela tem DNA, né?
É, tem um DNA, cara, tem um DNA, tem um DNA no design dela, muito bonito.
E como que foi esse processo?
Ah, deixa eu falar: o, o Homes é o, é o líder da equipe de design, tá, e a criação do design da Campo foi de um rapaz que escreveu pra gente, ele é de Brasília, é o Diego Mendonça. Aí o que que é o legal da história: o tanto de oportunidade que você vai, você vai dando, e olha o tanto de talento brasileiro aguardando por uma oportunidade nossa, né? Aí ele, ele escreveu, né, eh não sei se foi rede social ou e-mail, aí chega, botaram para mim, aí fala: “liga para ele”. Você ligou na atenção, né? Você… Legal. O motor lá escreveu uma carta grande e, e falando que ele desenha carro desde 5, 6 anos de idade, que desenha carro, que queria fazer carro. Eu falei assim: “ah, cara, que legal, olha só: a gente vai fazer uma picape, né, a gente já tem nosso time aqui e tal, mas a gente pensa no futuro fazer a picape. Desenha alguma coisa pra gente, pra gente ver seu estilo, tal”, mas para ser educado ali, “isso, desenha aí pra gente dar uma olhada”. Ele acertou de primeira aquele desenho.
É mesmo? De primeira.
Caramba, de primeira. Coisa, coisa incrível. Aquele, o modelo que foi lançado mercado foi o modelo, foi o, o que ele mandou.
Caraca, aprovado de primeira!
Não, mas esse cara aí, habilidade nata. O cara desenha carro desde 5, 6 anos, mandou um monte de desenhos. O cara é, é o dom dele, né? E se a gente, e se o empreendedor não empreende, fica meio redundante, mas é isso, tá? Eh, eh, talentos aí que vão morrer sem se expressar, sem se realizar.
É, eu acho que o dom do empreendedor é colocar os talentos no lugar certo para poder dar performance, é isso aí. Acho que esse é o principal dom do empreendedor, é lidar com as pessoas certas no lugar certo para poder impulsionar elas.
Verdade, verdade.
E aí o, quais são agora os planos? Quando que se tem um carro, tem uma projeção de data? Como que, que tá? Qual… Eu, eu queria dar um, um passo antes aqui: é como que tá a formação do… Como que você formou o time? Como que você escolheu as pessoas do time e tal? Porque eu acho que é legal valorizar também, pegando o processo produtivo.
É porque, pô, legal, tive, tive, tive o insight, vou, vou fazer um carro. Aí veio a, veio a Horse: “vou te dar motor”, mas motor para quem? Quem que vai montar? Como que vai fazer? Onde que vai mexer? O que que vai acontecer aqui? Quem que as pessoas que vão pôr a mão? Eu vou treinar quem, né? Vem a WEG e compra, acredita no projeto, mas é só os projetistas que vão… Como que você montou o time? E como que você montou essa estrutura?
Então, aí o projeto, ele foi nascer em Caxias do Sul, olha que legal! Porque eu vi o movimento da Marco Polo fazendo o ônibus elétrico, e é lá em São Mateus, no Espírito Santo, então já, já sabia disso. Tava nascendo, quer dizer, já tinha nascido ali, acho que a Eletra tem uns 3 anos, que é da van elétrica, né? Eles têm uns 3 anos, pô, ajudou a gente, trocou ideia pra caramba, [roncando] e, e a gente compartilhou ali fornecedores da Marcopolo, da Randon, da Frasle, né, um ecossistema ali bem interessante. E a Randon tava fazendo o terceiro eixo elétrico deles, e convidou a gente lá na Randon. Rapaz, sentou… Eles têm lá 13 braços de tecnologia, de, de empresa diferente. A Randon tem mais de, tem mais umas 13 empresas.
Caramba!
Rapaz, chegamos lá, tava uns 13 seniores na mesa.
Que legal, bicho!
Aí é isso, é um projeto que agrega tudo, fala: “faz parte disso aqui”.
É, aí falei assim: ó, apresentando um por um, todo mundo aqui à disposição, Randon, né? Quer apoiar, tá aqui de braços abertos, tem pista de teste, tem que legal, eh compósitos, né? O cara botou lá um eixo de mola de, de compósito para substituir uma mola de compósito, desculpa, é uma resina, a resina, mas tão tecnológica, com nanopartículas, não sei o quê, um, um, uma mola de resina que é na tecnologia desse, que eu não sei, tá? Mas assim, para substituir uma mola de 80 kg, nossa, de aço, uma de 7 kg de resina. Não, eles estão desenvolvendo a Randon, cara, vai dar muita alegria pro Brasil ainda, que eles investem pesado de em P&D. Eles têm mais de 100 cientistas dentro da Randon.
Que acho que tudo isso acontece por um fato de que tem um doido querendo fazer um carro brasileiro, e aí todo mundo quer abraçar pelo patriotismo. Eu acho também que a gente tem um pouco de dívida com o Gurgel, sabe? Não sei se todo mundo fala assim, porque essa história fala muito assim: cara, o Gurgel foi desvalorizado em termos de Brasil, porque a gente pode perder o segundo. Esse segundo a gente tem que abraçar, cara, sabe? Vamos, vamos dar força para ele, porque tá todo mundo torcendo mesmo para que isso aconteça.
É, eu cada dia que eu conheço mais o Gurgel, que gênio! Foi gênio, né? Né? A, não sei, entre quatro, cinco décadas atrás, ele tinha fábrica de motores.
Caraca!
Os últimos Gurgéis, né, com motor próprio que ele desenvolveu, ele produzia.
Loucura!
Coisa incrível! Passou quatro, cinco décadas, a gente não tem mais Gurgel, nada é produzido aqui, nenhum prosperou até a Lecar chegar.
Sim.
Né? Então a gente teve um vácuo, né? E eu vou falar uma coisa para você: não é só em automóvel, não é só em automóvel, em tudo, é, né? Se você olhar o, olha em 1990, o PIB da China era menor do que o do Brasil, tá?
Vinte vezes maior.
É, né? Então assim, a gente, a gente não sei o que que aconteceu, deu um… É uma, é um incentivo à desindustrialização, ao aumento de serviços. Então um monte de coisas também que, que politicamente talvez a gente errou, e também eu acho que eh quando você olha a história de, de grandes empreendedores aí do passado, eh faltou a gente olhar o empreendedorismo e ter uma cultura, acho que até a nível de, de população mesmo, que favoreça o empreendedorismo. Uma coisa meio americana, que os caras olham o empreendedor, e inclusive enfrentando fracassos, enfrentando dificuldades com olhar de aprendizado. A própria população vê isso assim: quando você aqui no Brasil vê alguém passando por dificuldade, o primeiro, o primeiro a apontar os dedos é da própria população. Você vê até pela própria a sua própria história, você vê na internet, [roncando] a quantidade de gente falando mal, e uma coisa que você…
Mas essa quantidade de gente falando mal não é nem 10% de quem, quem comprou o carro, tá?
Uma coisa que, uma coisa que é legal é que a gente tava conversando no bastidor, os críticos, as pessoas que torcem contra, elas são barulhentas. E eu acho que é isso, uma lição de que o Flávio conversou aqui no, no bastidor com a gente, de que se pegar a galera falando mal, não bate nem 10% das pessoas que de fato foram lá, apoiaram na pré-venda e compraram o carro para fazer o negócio acontecer. Só que a galera que apoia, que tá junto e tudo mais, são silenciosos, tão lá: “tamo junto, conta comigo”. E a galera que tá contra é barulhenta, e parte do empreendedor muitas vezes, eu acho que até não é nem do empreendedorismo, nem do empreendedor, do ser humano, a gente muitas vezes olha para quem tá falando mal…
Ser humano.
…e acaba, a gente valoriza o que fala mal e desvaloriza às vezes o que fala bem, ou apoia, tudo mais. Então cabe ver a gente também como empreendedor ser um pouco mais surdo, né, e focar no que tem que ser feito.
Então, eh, eh são credenciais também, né? Aí na Randon, na Randon, por exemplo, a gente teve essa abertura bem legal e lá a gente conectou com a empresa do Mahatma, que é de Santa Catarina, inclusive casou com uma colega minha de Vitória.
Caramba, que legal!
E estão grávidos aí, até eh acho que é agosto, setembro, aí já estão até de, de bebê, assim, bem legal as coincidências, né, assim, bem, bem legais. Aí, aí ele perguntando, você perguntou para a era namorada na época assim: “você conhece o Flávio que tem a Lecard no Espírito Santo?”. “Assim, não, não é possível”. Porque eu ainda era conhecido como Flávio da Lecard. Vai, vai saber que que eu tava fazendo carro quando ela conheceu. “Ah, estudamos juntos”. [risadas] É bem, bem legal, né? Então assim, ele, ele nasceu debaixo de, de carros, e é um engenheiro, né? Eh, eh e engenharia também tem um problema, né? Ele tem uma empresa de engenharia, né, para fazer, igual você falou assim: “ah, para fazer o, o só o sistema elétrico conversar, você precisa de uns 20 tipos de engenheiros diferentes”. Ué, mas engenheiro elétrico, um resolve? Não, mas cada um entende de bateria, outro entende de não sei o quê, outro entende de motor. E, cara, eu vi o tanto que essa turma trabalhou para ajustar, ajustar o motor, refinar o motor direitinho, porque [roncando] também a congruência da disciplina, das disciplinas, né? É que tem, que tem um, eu não, não entendo muito bem, mas tem um probleminha de hertz, acho que na China é 60, aqui é 50, aqui tem que dar uma calibrada. É, cara, assim, é muito, é muita, muitas disciplinas, né, que foi legal. Por exemplo, a gente, a gente fez isso e, e foi legal também que a gente foi fechando certo a torneira: fechou o powertrain, tá lá, a gente desligou essa torneira de custos, a gente não precisou de ter 20 engenheiros ali contratados todo mês para fazer isso.
É isso.
Trabalhou pra gente 2 anos, 20 engenheiros para mexer com isso, acabou, acabou. Entendi, tá feito, próximo, tá, é ali, tá descarregado, tá bugado agora, é, não tô com 20 engenheiros com a folha de pagamento de, senão não sai o carro.
É isso, acontece muito na construção civil: é muita disciplina e você tem que compatibilizar disciplinas para que elas se conversem, aí que tá o trabalho, né? Porque cada um por si só consegue falar muito bem do seu, mas e compatibilizar? Aí você fala de empreendedorismo, quando a gente fala de startups, tal, falar de tecnologia, é fácil montar um MVP, né, que é o mínimo produto viável, e sair com ele digitando, fazendo no aplicativo. E o carro, o MVP é o quê, montar um skate?
É, vamos montar o skate, é.
Vai montar um carro, meu amigo, que é isso. O MVP, eu preciso contratar 20 caras só de engenharia para poder montar o… Só de elétrica, só da, só de elétrica. Aí eu preciso contratar mais um tanto para poder fazer a parte de suspensão, chassi, aí eu preciso fazer… Doideira!
E, e lógico também que eu, que eu venho com as credenciais, né? É isso. Eu venho com as credenciais: “Olha, o cara tem dinheiro para fazer, para montar o carro?”. Talvez todo não, mas ele tem um dinheiro aí. É, né, é credencial. “Ah, o cara já fez um negócio de sucesso grande, o cara já tá no faturamento de bi”, eu acho que não é nem 3.000 empresas no Brasil que faturam acima de um bi, o cara já fez um negócio assim, então você vai credenciar para sentar junto com a WEG, com a Horse, com a Randon, com a Mar… Vão buscar o teu currículo, certo? É aí, aí você, aí você também vai… É uma construção, né? São credenciais também que você tem acesso. Aí eu sempre falo que as demais coisas foram me acrescentadas depois que eu fiz um negócio que deu certo.
É isso, é isso, você vai, você vai fundamentando, né? Hoje, quantas… Me dá os números da Lecar assim, em termos operacionais: quantos funcionários? Quanto, quanto que você tem queimado de caixa? É porque, querendo ou não, ainda você tá numa fase de queima. Como que tá esse processo? Você já tá buscando investidores? Tem investidores já por dentro do negócio? Eh a fonte de financiamento em pré-venda, como que foi? Foi estratégica, deu, deu bom? A gente sabe que sim, mas dá, dá um pouco desses números pra gente, dos que você pode, claro, dá um overview.
O, na, na verdade, desde o início, né, a gente tinha muita procura por compra do carro. Falei assim: “rapaz, que loucura, mas a gente nem começou”. [roncando] E ele falou assim: “ó, vamos testar isso aí, eh esse tipo de apoio, será que vende mesmo?”. E vender é o suprassumo da validação de, do MVP, do projeto. Não tem carro no iníciozinho, o pessoal tá entendendo. A gente sempre comunicou muito assertivamente, né? Prazos, “atrasamos? Atrasamos”, se comunicamos também, comunicamos. E sempre e eh eh bem próximo, né, com o público, né, que a gente faz questão também. É, é igual a gente tava falando ali de, de empreendedores, né? Eh a gente sempre tem muita demanda de visita de escola, cara.
Caramba, que legal!
É bem legal, a gente gosta porque eh eh eu acredito que o nosso testemunho é muito forte, né? Muito legal, é o da coisa impossível: “ah, tem chinês”. Chinês não, não consegue atender todo mundo. Chinês produzindo aqui, ele não compete com a gente em preço.
Caramba, verdade!
Não compete. Mas ah, mas assim, rapaz, olha o que vocês estão falando. Eh tem dificuldade de homem-máquina, de cultura, é total, de, é de tudo, né? E, e normalmente assim, para quem é de fora, tudo é mais caro, [roncando] é natural, é, né? Então assim, e a gente tem que aproximar já desde criança as crianças na fábrica, visitar e, e ter essas referências, né, e ter referência. Eu, eu gosto muito, outro parceirão também que foi… Pessoal não gosta que fala, mas eu, eu, eu sou fã assim, ó: pesaram na bola, mas eh acredito que pagaram por isso, né, que é a JBS, né? Eles também visitaram a gente, falou assim: “ó, carro brasileiro, banco de couro brasileiro”. Falei assim: “rapaz, mas é caro”. Falei assim: “ó, nem que a gente toma um prejuízo pequeno no material que você vai botar em sintético, o couro vai ser de boi brasileiro, da JBS”. Aí você visita ali a escola, cara, eles têm uma escola dentro da sede deles, cara. E assim, é coisa de menino de 12 anos, 13 anos já acessando DRE, já acessando…
Olha que legal!
…investindo na Bolsa, todos têm licença especial para… Já investem na Bolsa, campeonato interno, que legal, cara, 0800. Então assim, eu acho que, que começa ali a gente trazer as crianças aí para eh histórias de sucesso. Até, até eles contam lá, né, que o Joesley eh sempre aparece de vez em quando para almoçar com eles, né, que tá trabalhando ali, né, desce, inclusive o pai dele trabalha até hoje lá todos os dias e é o grande fundador, tá? Eles aceleraram o negócio, pisaram no acelerador igual aos filhos deles, cara, muito capacitados, são os melhor do que os os Batista ainda, vem aí a turma boa, uma geração boa, boa, os meninos bem focados. E aí o Joesley dizem, né, eh o Joesley falava assim: “cara, se, se esses meninos aqui tão almoçando com, com o empresário do, do porte, né, nosso, que que esses meninos vão… Não vai, não vai ter medo, é, não vai ter limite, não vai”. Pô, se o cara aí tem história lá na parede, o pai dele começou com a… Em Brasília, porque tava chegando o pessoal para construir, precisava de comida, foi lá com, com o açougue, transformou naquilo ali, cara, é o maior empregador do Brasil. Faturamento é, é, tem números, eles têm números lá incríveis, né? A historinha tá lá na parede para todo mundo ver, cara. Começou ali, né, e, e outra coisa de que o Brasil eh deveria ser, eh eh ser matéria de escola: como é que começa um negócio? Total. Nove das 10 empresas mais valiosas do mundo começaram na garagem, cara.
Verdade.
Tudo pequenininho, comia poeira, um sonho. É, então assim, e a gente, a gente não conectou com isso ainda. É isso. “Ah, você é uma montadora, Fê, que tal?”. Você, você acha que como é que começou a Volkswagen? Como é que começou a Brastemp? O brasileiro, ele não tem tanto essa visão de valorização do empreendedorismo.
Tem, cara, isso é uma agonia que eu tenho assim: “cara, será que o pessoal não enxerga que tudo começa pequeno assim mesmo?”. Total, total. Não tem.
E, Flávio, então dos números, o que que a gente consegue eh trazer assim? Como que eh o, o carro… Qual é a previsão, o que se tem essa previsão, quais são os números, aquele negócio que eu falei: será, eh dos números que você pode falar, tem quanto que você tem investido? Eh você tem investidor por trás? Dá um overview pra gente só do, a gente já finalizou o podcast, o status final da Lecar para quem tá na dúvida como que tá, e o projeto sai quando, o carro sai quando? Dá um overview pra gente.
Então, nós conversamos nesses três últimos anos com quatro das 10 maiores montadoras chinesas, boa, uma até vazou agora, que foi a Dongfeng, porque a gente tem NDA, não pode divulgar, sim, mas o jornalista, o jornalista falou assim: “ó, não, eles falaram da Lecar, citaram que tiveram tratativas com vocês para vir pro Brasil através de vocês”. Eu falei assim: “ah, então não, então eles quebraram, eles que quebraram o NDA”. Eu confirmei, né, tudo bem. Mas a gente tem outras três, né, do do mesmo porte da Dongfeng, a gente buscou apoio, colaboração, transferência de tecnologia, né, já com, com isso, tá? A gente nem importava assim: “ah, vamos trazer a Dongfeng”, tá, mas você transfere tecnologia pra gente? Você capacita nossos engenheiros? Conecta com a sua rede de, de fornecedores? Nenhuma dessas quatro grandes deu certo, né? Mas recentemente uma montadora menor, que também está no NDA, né, eh tá colaborando com a gente, que legal, né? Aí você fala assim: “ah, mas eh como é que tá o, o a Campo? Como é que tá o, o 459?”. Tudo, tudo em revisão, tudo em melhoria de projeto, de, eh porque o grande segredo da, da China, na verdade, não, não são nem as montadoras, é, é o supply deles, que é fortíssimo. Você, você vai lá na prateleira para você assim: “ó, quero essa suspensão”, tão, tão, aí monta o carro. Inclusive isso limita o design, tanto que são tudo iguais. O SUV puxa um pouquinho para cá, mas é o mesmo tamanho, a mesma suspensão, o mesmo freio, o mesmo tudo, né? Que eles vão lá no fornecedor e, e, e a mola tem tal, precisa ter para-choque desse tamanho.
Tudo igual, tudo igual, né? E, e eu percebi, e é o futuro disso mesmo, não tem que ficar desenvolvendo um sistema de freio exclusivo pro meu carro, uma suspensão exclusiva, não, não tem. Eh isso não, não tem, não tem bolso que aguente, não. Não tem mais bolso que aguente, né? É, então eh eh a gente aprendeu isso, a gente tá em colaboração com essa empresa, eh como é muito rápido, muito fácil você pegar peças de mercado para montar esse carro, né? Então a gente vai trazer um, um SUV pequeno, premium, muito, muito bacana. Design totalmente diferente de Dolphin Mini, de BYD Dolphin. Acho que o carro ele conecta muito [roncando] e a gente vai poder mostrar em setembro, tá, o carro.
Legal, já tá perto!
É, a gente vai, a gente vai ir pra China em setembro já para fazer os testes dinâmicos de rodagem, avaliação.
Legal, já tá avançado assim.
Sim, e, e a gente liberando, já começa a produzir em dezembro, e em março já estamos aqui legal vendendo um terceiro novo carro.
Isso.
Mas ele, ele é muito rápido porque ele também, ele já tá aproveitando toda a tecnologia existente, existente, né? E a gente tem eh Sábia decisão isso. …e a gente tem, né, eh o nosso contrato muito claro que a gente começa nesse primeiro momento trazendo o carro montado, depois vai fazer SKD, CKD e, e montagem no Brasil até 2030…
Buscando para justamente embarcar a tecnologia a nível nacional.
Isso, e transferência de tecnologia, né? Isso, isso aí é claro, né? E na verdade, assim: “ah, Flávio, mas como é que você conversa com quatro e ninguém te quer?”. Assim, não é que a gente também foi exigente, cara. Assim, a gente tem que aprender a fazer carro, e foi dessa forma que a China aprendeu a fazer carro, total, [roncando] né? Chegou a Volkswagen, chegou a Toyota, tal, eles, eles aprenderam, aprenderam a fazer e foi rápido, em 20 anos, olha isso! A história de carros da China é de 20 anos para cá, 20 e pouquinho. Que massa, né? Então a gente já tem aí o Lecar Pop, né, que é o nome dele.
Que legal, né?
E é assim, eh e, e, e a gente aprendeu nesses 4 anos que as pessoas têm expectativa eh de carros, já um conceito formado, então esse carro tá com essa expectativa. É o maior barato porque, ah eh eh vamos até falar bem demais, né? Os carros, por exemplo, o Dolphin Mini, eu acho ele fantástico. Vai ser, né, acho que é a maior montadora disparada aí, rapidinho, Geely, a maior do mundo.
Geely, não conheço.
Geely, não conheço.
Aí é uns, tem uns quadradinhos assim, né? É, a Geely é dona da Volvo… Volvo, dona da Lotus.
Não sabia, né?
Dona da Zeekr, tem acho que umas 20. É, é. E sabiamente, né, tá juntando a tecnologia de cada um desse aí e criando também produtos incríveis, acho que ele, né? Mas é um carro muito bonitinho que você olha assim: “ah, é um carro”, mas ele parece que não vai funcionar tão bem, é muito sensível, muito… Então a gente trouxe um carro, um carro mais, mais robusto, mas um pouco retrô, sem exageros, né, um pouquinho retrô, e, e a gente tem certeza aí que vai agradar muito.
E aí a produção, e lança em… Vocês vão para lá em setembro e já começa a produção. Quando que a gente pode ver esse carro no Brasil?
Já começa a vender da China.
Que legal, que legal!
Começa vendas, começa a produzir em dezembro, março já tá chegando aqui, já tá chegando no Brasil.
E dos, a… Só pra gente finalizar, os, as pré-vendas que vocês fizeram dos modelos iniciais, como que tá esse processo?
Então, a, eh com esses ataques, vou falar que que ataques, né, até porque, né, a denúncia no Ministério Público foi feita por um jornalista.
Nossa!
Não foi feito para um cliente, não foi feito… Um jornalista inclusive, né, que eh fez uma reportagem, já começou fazendo a reportagem ali no salão super desagradável, né, mas e eu tava no salão, inclusive falei com ele no salão, com esse repórter, e, e até na reportagem ele ficava incomodado. Aí, aí eh e ele relata isso na, na reportagem dele, né, que falou assim: “mas como é que você tá comprando o carro? É, o carro é de, de papelão, de, de isopor, cara”. Produtos de alta tecnologia, né, produto tecnológico. Nunca ninguém fez um algo… E realmente confunde. Se você não fosse dizer “ah, isso aqui é um carro meio de loja assim”, o cara compra com o que é perfeito os mockups, né? Foi feito um material tecnológico muito bem feito, e aí ele ficava… Ele ficava mais aborrecido quanto mais a gente vendia, e ele conversava, falava assim: “não, rapaz, é… O carro não existe”. Falava assim: “não, não tem problema, não, tô ajudando o Brasil, tô ajudando o cara, tá com o cara, não compra mais o carro”.
Mas jornalista é louco, é brabo com isso.
É, aí ele ficava mais rá… Aí depois do, do salão, ele fez um, uma denúncia, ele mesmo fez uma denúncia no Ministério Público para eh eh contando a versão dele, né? Até hoje a gente não foi citado, isso não virou inquérito nem nada, né? O pessoal até fala assim: “ah, você devolveu porque o governo mandou devolver?”. Falei assim: “não, devolvi por livre e espontânea vontade. Quem pediu a devolução, devolvemos, isso aí”. Entrou em contato, pediu, e, e a gente tem um indicador muito bom: a maioria absoluta volta a fazer negócio com a gente, com o projeto avançando.
Caramba, que legal!
É isso aí que a gente faz pesquisa, foi por uma às vezes um momento de vida do cara, não foi? Foi a insegurança, né, o cara falou assim: “ah, a empresa tá sendo investigada pelo Ministério Público, cara”. Aí a pessoa deu um passo atrás e falou: “mas o negócio andando, conta comigo”.
É.
E o, e o… Eu nunca tive experiência, né, com, com outros setores assim, com, com jornalista, né, mas o, o jornalista do automotivo é um jornalista diferenciado. Eles fazem, eles falam o que querem, de quem quiser, na hora que quiser.
Imprensa no geral, lidar com imprensa.
Então, não, mas eu acho que eu acho que do automotivo é, é, é mais, pega mais no pé um pouquinho, né? Eu falei assim: “pô, fala mal da BYD, fala mal da Lecar”. Eu falei assim: “não, então não é perseguição, né?”. É. E outra coisa que é, que eu eh eu compreendo, depois de 40, 50 anos, chega uma pessoa que é do setor financeiro, que é setor de cartão, e pega para resolver carros, mas nem engenheiro mecânico é, é, é esquisito. Sim, mas eu, eu falo que eh olha o prestígio que a gente tem, cara, a gente foi uma delas, né, que a gente pode falar aí que já eles quebraram o NDA, né, pô, a gente foi três vezes, nossa equipe, fomos três vezes na Dongfeng, na China, eles vieram duas vezes aqui no Brasil. Então, inclusive com o carro muito bonito, né, e não era tão bonito quando a gente viu pela primeira vez, eles mexeram bem, bem no, no projeto, né, evoluiu bem o projeto. Ia ser maravilhoso essa, essa parceria se tivesse dado certo. Mas olha o tamanho do prestígio que a gente teve, cara.
Sim.
Vai bater na porta do, do de uma empresa dessa. Se os caras estão sem credenciais, sem ter… Se o projeto… Analisando o projeto, é porque realmente o projeto é bom, você prestando atenção, né? Isso na… Que coisa deu errado é que, se você não tem as credenciais, essas portas não se abrem.
É isso, é verdade.
Se eles olham quem entende mesmo de carro, quem produz carro tá apoiando a gente, tá ouvindo a gente, querendo parceria, abriu gigante. E, e outra coisa: não fecharam porque a gente foi muito exigente, cara, a gente… É transferir… A gente precisa que isso aconteça.
Ah, transferir tecnologia, né?
Capacitar nossa equipe, e é o Brasil aprender a ca- a fazer carro pra gente ter nossa, nossa indústria relevante um dia.
Isso, as exigências, as premissas do contrato de vocês eram grandes, então isso talvez melou o negócio.
Que na China não foi o CNPJ pedindo, foi um governo pedindo pras empresas: quer vender carro na China, produz na China; quer produzir na China, só chinês. Foi assim a história, né? A história que se con… Falou assim: vou repetir, vou repetir o governo chinês. Não tive tanto sucesso, tanta força, mas era, e era, era ali a nossa intenção mesmo da gente criar esse legado. Eh, eh uma coisa eu posso eh garantir: que quem entende de produzir carro tá apoiando a gente. Legal, né? A, a Horse é uma, é uma, eh uma parceira, é, é um fornecedor de classe mundial, né? Quer dizer, eh que a Renault… Aí, aí o pessoal fala assim: “ah, mas o, os grandes a… Eles que, eles que vão te derrubar”, tal, pelo contrário, os grandes estão apoiando a gente.
Que legal!
E todos esses, e todas essas empresas chinesas que a gente não fechou parceria, a gente visitou a fábrica deles lá, e assim, com tudo liberado. A gente trocou informação técnica, a gente tirou foto, a gente filmou processos industriais, né? Eh, eh para você ter uma ideia, aqui no, no nosso projeto de fábrica, a gente diminuiu quase 20% e melhorou 30% a eficiência só pela engenharia, só a produção, pelo benchmarking que você fez na China. Então assim, valeu muito, né? A gente é muito grato.
Mas assim, cara, e foram abertos, hein, porque normalmente é um, um segredo, né, industrial?
É, a gente foi muito, ficamos muito à vontade, aprendemos muito, então teve a troca também, né? Porque, claro, a gente também deu contribuição, né? Eh, eh a gente explicou o, os processos de homologação do Brasil, conversou um pouco de mercado, só para confirmar de que eles entendem, é, é um absurdo, mas eles t… Eles têm números do nosso mercado, eh noção do nosso mercado melhor do que nós.
Caramba!
Ou igual, caramba, benefício fiscal, eh entende tudo. Eles sabem de tudo, né? Sabem de tudo: onde, qual estado é melhor, qual alíquota, tal, cara, tudo. É doido, né? Mas é isso, eles, eles entendem, eles estão preparados pra, pra guerra, eles não vieram abrir, abrir, abrir mercado. Ah, e, e outra estratégia, né, nossa, que vai ser o nosso grande diferencial, né? Nossos concessionários vão ser revendas de usados. Foi um sucesso, né? A gente inaugurou duas lojas.
Que legal, né?
Eh uma na Zona Leste e outra em São Bernardo, e, e temos 1.300 empreendedores aguardando aí para, para a gente começar a operar.
Cara, mas isso o quê, de revenda de usados?
Revenda de usados.
Que legal, cara!
Porque o que que a gente pega: a gente faz, eh tem, tem no site ali até um a loja de, de eh lá em São Caetano… Não é São Bernardo, não, é São Bernardo. A loja de São Bernardo, ela, ela, a gente altera ali a, a fachada, a comunicação visual, então pega o vendedor de usados e transforma ele num concessionário Lecar com muito pouco investimento.
Legal.
E com isso, o que que a gente faz: a gente eh eh dilui o custo fixo, porque ele já tem a loja, já tem equipe, já tem internet, já tem luz, já tem o banheiro, já tem o café, já tem tudo, então é, é bem legal, e é uma oportunidade pro empreendedor.
Isso.
E, e a gente vai vender aqui eh nas capitais, tal, mas nós, eh eu pessoalmente… Nós não, eu pessoalmente selecionei desses 1.300, 400 concessionários…
Caramba, que legal!
…né, com baixo custo de investimento, né, porque a gente vai sair do roba-monte, a gente vai se instalar em municípios do interior…
Que legal, né?
…que é uma parte estratégica também, por, né, eh a conta não fecha você botar uma concessionária no interior.
Exato, né?
Mas a gente não tem custo fixo.
Exato, você já usa a estrutura existente da pessoa lá, né?
Então a gente vai trabalhar muito no interior, então, então a gente vai levar, e eh o Lecar Pop é 100% elétrico, né? Diferente do 459 e da Campo, que é híbrida, o, o, o popular, ele vai ser elétrico, e então a gente vai chegar com esse carro no interior, e o que é legal, onde que não tem disputa. E ele, e ele é, ele é bom de trilha, tá?
É mesmo?
É bom de briga, sabe? O valor de venda lá de mercado já?
Não, 115, 120.000.
Caramba, legal, preço bem competitivo de preço.
Mas é um carrinho bem diferenciado, ele tem eh, eu acho que o brasileiro valoriza muito, né? Ele tem um ângulo de ataque muito alto, de saída também, é um carro que eh eh é um mini-SUV.
Que legal, que massa.
É um mini-SUV, não, um SUV compactozinho.
Deixa aí a proposta para março a gente poder testar o [risadas] carro. O design, o design tá previsto para quando ser liberado?
Então, a gente vai fazer toda essa cerimônia lá, direto da China.
Ah, entendi, né?
A gente já fazendo o test drive, até porque eh a gente, a gente acompanha, né? Inclusive eh hoje, hoje a, a nossa engenharia tá muito focada nesse desenvolvimento, né, nesse acompanhamento. Então a gente vem acompanhando, sabe que não vai ter estresse, não vai ter problema, mas como a gente, a gente não pode ser reincidente em renovar prazos, né, então a gente chega lá de, né, eh dia 16 de setembro a gente chega na China, já faz os testes dinâmicos de, de rodagem, tudo isso. A engenharia aprovou, liberou, aí a gente divulga prazo, de lá já começa a vender.
Isso aí. Flavião, finalizamos. Estouramos um pouquinho o tempo, mas valeu a pena, baita episódio. Nós não finalizamos 100% ainda porque eu vou agradecer ao patrocinador e tenho uma pergunta final para te fazer.
Ah, por favor.
Boa, galera. Olha esse audiovisual de qualidade! Tudo isso graças aos patrocinadores que acreditam no projeto do podcast e investem pra gente ter esse audiovisual aqui de forma gratuita pra internet.
Então, quero começar agradecendo à SMB Store, que desde 2018 tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar. Quero agradecer também à RZ3, transformando conhecimento em impacto real, porque negócios fortes movem o futuro. Eles são uma consultoria integrada que une estratégia, finanças, tecnologia para transformar a complexidade em crescimento. Todo negócio precisa, ou vai precisar ainda, da RZ3, porque a complexidade não espera você estar pronto para ter que lidar com ela. Agência RPL, porque o mundo digital não para e o seu negócio não pode ficar para trás. Eles são uma agência de inovação digital que acompanha tudo o que tá mudando, desde TikTok Shopping até agentes de IA, e traduz essas tendências em resultados práticos pro seu negócio. Então, se você sente que a inovação tá acontecendo rápido demais para acompanhar sozinho, a RPL é exatamente para isso. Polux: sabia que a maioria das empresas paga mais imposto do que deveria? A Polux é uma consultoria especializada em gestão tributária e de crise que encontra de forma legal onde seu negócio tá deixando dinheiro na mesa. Semic Displays: quem vende forte no varejo sabe que o ponto de venda decide a compra. Se a sua marca ainda não aparece do jeito certo no PDV, a Semic Displays resolve isso. Eles são líderes no Brasil em soluções criativas para PDVs, com balcões, bandejas, displays e muito mais. Cross Host: quer dar voz ao seu negócio e alcançar mais pessoas? A Cross é referência, principalmente aqui em São Paulo, em produção audiovisual para podcasts e eventos, com estúdios aqui na cidade e estrutura completa para quem quer construir autoridade de verdade. E Max Service: eles são uma contabilidade consultiva que fica ao lado da gestão, não só do balanço e da burocracia. Enquanto a maioria dos contadores aparece uma vez por ano na empresa dos PMEs, né, nas nas empresas pequenas e médias, eles estão na mesa de decisão junto com o empresário, e especialmente para quem opera no Lucro Real.
Galera, muito desses empreendedores e empresas que estão à frente desse negócio resolvem dores reais da gente que é empreendedor. Então vai de olho fechado e qualquer dúvida, chama aqui a gente. Pode ir de de, de contratá-los de forma tranquila, que depois você volta aqui para nos agradecer. Tamo junto.
Flavião, pergunta final para te fazer: quantos anos você tá?
54 anos. Nos seus 54 anos, Flavião, tantos projetos para acontecer agora, prestes a lançar o Pop, que vai ser um, uma tendência aí, um sucesso com certeza.
Líder de mercado, líder de mercado. Nasceu para ser líder.
E, cara, tô, tô, tô torcendo muito para que isso aconteça. Eh mas imagina que você tá saindo daqui, voltando para a sua casa, e num piscar de olhos, Deus aparece na tua frente e fala: “Flavão, missão cumprida agora”. “Não, deixa o Pop sair”. “Não, não, não. Missão cumprida, Flavão”. Ele traz leveza para pro fim da tua trajetória, dizendo que você cumpriu tua missão. Mas é porque a gente, muitas vezes, ainda mais você novo, a gente vive como se a vida fosse infinita, né? E planos, e planos, e planos… Mas, pô, ninguém sabe os planos de Deus. Então, batendo na mesa, porque já são quase 200 episódios, nunca ninguém bateu o carro, nunca ninguém se acidentou, nunca ninguém morreu. Mas eh digamos que no alto dos seus 54 anos, você tivesse que traduzir, condensar tanto tempo de história num conselho, que conselho você deixaria?
Hum. Eh quando você quer falar com Deus, você faz uma oração, é isso. E quando Deus quer falar com você, é uma intuição. Acredite nela.
Caraca, forte, hein! Acredite nela.
Essa é forte.
E hoje em dia, eh a gente falou do Coba, da WEG, aquela eh dedicação… É a pessoa que tá lendo no um por um mesmo, né? Te dá atenção, te dá… Eu acho que é dessa forma que as coisas acontecem: deixar de que às vezes Deus quer, quer ligar para você com a intuição, se você tá ocupado, você tá eh nessa vida corrida, né, automática, né, deixar, deixar um pouquinho, né, eh no telefone aí, no gancho, para quando Deus quiser falar com você, você esteja disponível, a linha esteja disponível.
Caramba, fortíssimo.
É, caramba.
Flavão, prazer te entrevistar, obrigado pela confiança.
Melhor do que o carro é o conselho.
[risadas]
E, cara, tenho certeza de que o Pop vai ser, vai ser um baita de sucesso, parabéns. Se precisar do Além do CNPJ, da gente aqui para te dar voz, te dar amplitude na sua comunicação e tudo mais, conte com a gente. Quiser voltar aqui para trazer os bastidores de novos projetos e tudo mais, estamos à disposição.
Tem, tem novidades até antes do Pop. Eu tenho certeza, né, que eh muita coisa que a gente faz, faz com empresa muito grande sobre sigilos, né? Eh mas tem coisa grande antes do Pop também para acontecer, e com certeza logo que sair a notícia me chame, eu vou te contar os bastidores de 2 anos para esse negócio acontecer. E vai ser uma notícia boa não é para a Lecar, não, pro Brasil, tá?
Legal, que legal. Conta pra…
É um legado pro Brasil, assim, gigantesco, tá? Superimportante.
Estamos à disposição, é isso, Flavião. Mais uma vez, obrigado, incrível. Sucesso. Você que ficou aqui até o final, clica aqui embaixo em todos os botões para engajar esse episódio, encaminha esse episódio pras pessoas que estão querendo comprar um carro, né? É, nem só comprar um carro [risadas] que quer entender, quer entender o que é a vida e o que é a missão de um visionário, porque isso é importante, cara. Não só execução, mas o como pensa e o como faz.
Sou muito feliz com essa percepção de inspirar muitas pessoas, tá?
É isso aí. E, pô, prazer você ser um cara brasileiro que tá eh trazendo essa disrupção do mercado. E é isso, eh vida longa à Lecar e que tudo dê certo. A gente tá na torcida, e quem sabe final do ano eu não tô de, de Pop?
Obrigado.
Ah, não é com cer… Em março você com certeza você já deixa dois, mas [risadas] se vier antes aí, a gente tá à disposição também. Tamo junto. Obrigado. Obrigado vocês que ficaram até aqui, tamo junto.
