Gestão de Saúde Populacional, o Indicador Magenta e a Estratégia do “Não” com Pedro Rodrigues (Alice) | Além do CNPJ (EP #118)

A Disrupção de um Mercado Tradicional

No cenário das pequenas, médias e grandes empresas, o plano de saúde corporativo costuma ser encarado de duas formas: o segundo benefício mais desejado pelos colaboradores e, simultaneamente, uma das linhas de despesa mais imprevisíveis e inflacionadas do orçamento anual. A maior parte das operadoras tradicionais funciona como instituições financeiras puras, tratando a sinistralidade como uma métrica fria de risco e o usuário como um número.

No mais recente episódio do Além do CNPJ, apresentado por Bruno Bertozzi, recebemos Pedro Rodrigues, sócio e diretor comercial da Alice — a primeira gestora de saúde do Brasil a integrar planos corporativos a uma infraestrutura de atenção primária baseada em tecnologia de ponta.

Carioca, formado em Finanças no Canadá (University of Calgary) e com uma sólida bagagem no mercado financeiro do Leblon, Pedro compartilha como a Alice aplica a ciência de dados e a medicina preventiva para quebrar o ciclo inflacionário da saúde privada, gerando previsibilidade de caixa para os empresários e devolvendo o ativo mais precioso do ser humano: o tempo.

1. A Indústria do Desperdício: O Plano de Saúde como um “Cartão de Crédito”

Pedro Rodrigues utiliza uma metáfora cirúrgica para explicar por que os custos com saúde corporativa disparam acima da inflação todos os anos no Brasil. No modelo tradicional, o plano de saúde opera como um cartão de crédito com limite livre, entregue ao colaborador junto com uma lista telefônica complexa e confusa.

Sem direcionamento técnico, o usuário que acorda com uma dor de cabeça comum agenda uma consulta com um neurologista de alta complexidade ou satura o pronto-socorro de um hospital de grife. Essa jornada irracional gera exames desnecessários, consultas redundantes e explode a sinistralidade do contrato empresarial. A Alice resolve esse gargalo ao centralizar a jornada no Alice Agora (pronto atendimento digital 24/7) e em equipes de atenção primária dedicadas, coordenando o cuidado de cabo a rabo.

[Sintoma do Usuário] ➔ [Triagem no Alice Agora] ➔ [Direcionamento Correto: Médico de Família / Especialista] ➔ [Eficiência de Custo]

2. O Indicador Magenta: Cruzando Dados de Saúde com Produtividade

O grande diferencial competitivo da Alice para os departamentos de Recursos Humanos (RH) é a capacidade de transformar a gestão de saúde em uma ciência fidedigna e preditiva. Através do Score Magenta, uma ferramenta proprietária baseada em protocolos internacionais, a Alice avalia os hábitos de saúde dos colaboradores em sete pilares essenciais (como sono, alimentação e atividade física).

Os dados anonimizados são compilados em um dashboard gerencial para a diretoria da empresa. Com esses indicadores em mãos, o time de pós-venda da Alice (composto por executivos de contas e enfermeiros dedicados) desenha planos de ação específicos para atuar nas principais fraquezas da população da empresa.

A ciência de dados da Alice comprovou uma correlação exata: equipes com scores de saúde mais elevados entregam melhor performance e maior produtividade nos ciclos de avaliação interna.

3. A Trajetória de Escala: O Poder de Dizer “Não”

Com uma receita recorrente que caminha para ultrapassar a marca de R$ 700 milhões de reais, dobrando de tamanho a cada 12 meses, a Alice foca sua estratégia de captação e crescimento no canal de corretores e em empresas de até 30 vidas (permitindo a contratação a partir de um único MEI).

Pedro revela que o segredo para sustentar um crescimento exponencial com um nível de satisfação (NPS) acima da média do mercado foi a disciplina de aplicar a estratégia do “não”. Marcar presença e manter a consistência exige recusar contas gigantescas que estejam fora do Perfil de Cliente Ideal (ICP) ou em regiões onde a rede credenciada (composta por grifes como o Hospital Albert Einstein, Sírio-Libanês e laboratórios Fleury) não esteja perfeitamente azeitada.

Métrica de Desempenho Operacional Média do Mercado Tradicional Performance Alice
Percentual de Partos Vaginais (Naturais) ~20% a 30% ~60% a 70% (Premiação Fast Company)
Índice de Reajuste Anual de Contratos ~20% a 25% ~11% a 11,5% (40% menor que o mercado)
Retenção de Clientes (Contratos > 30 vidas) Variável ~100% de renovação nos últimos 2,5 anos

4. Acelerando sem Perder a Essência

Para encerrar o papo, Pedro divide o estalo de vulnerabilidade que transformou sua carreira durante o período da pandemia. No auge do sucesso no mercado financeiro tradicional, o sonho com sua filha Cecília o fez questionar qual o real legado que deixaria para as próximas gerações.

Mudar de emprego no meio do caos global para cofundar as estratégias de crescimento da Alice exigiu coragem e o apoio incondicional de sua esposa, Simone. O conselho final de Pedro para os empreendedores que buscam alta performance é claro: tenha a coragem de sair da zona de conforto por um propósito real. Quando você foca em resolver uma dor legítima do mercado com excelência, o retorno financeiro deixa de ser uma obsessão e se torna uma consequência natural.

Quer aprender a reduzir os custos de reajuste do plano de saúde da sua empresa e aplicar inteligência de dados no seu RH? Assista ao episódio completo agora mesmo!

Transcrição Completa

Acho que talvez essa seja a parte mais difícil do trabalho: você ter a disciplina e a intencionalidade de vender só para quem vai maximizar o uso do seu produto e vai realmente ver muito valor ali. É difícil. Desde que a gente migrou pro B2B, né, há pouco mais de dois anos atrás, a gente dobra o tamanho da Alice a cada 12 meses. Tem sido muito sobre onde tá vindo mais volume, a gente tá conseguindo ter mais recorrência, é no canal de corretores e empresas até 30 vidas, que é onde o nosso produto tá mais redondo. É… o que eu vou falar é um, é um pouco… é totalmente contra, não faz… não vai fazer muito sentido, tá? Mas a gente cresceu porque a gente soube dizer não para muitas oportunidades de crescimento. Por que isso? Do plano de saúde tradicional: ele é um cartão de crédito que você pode usar em locais específicos à vontade e uma lista telefônica escrita em russo, onde o usuário tem que entender. Não dá para culpar o usuário, a culpa é nossa, da indústria, de não ter conseguido entregar uma proposta de valor que coloca esse cara no lugar mais, mais efetivo. Pressão de…

Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia de empreendedorismo vida real. Então pega uma cadeira, sente-se à mesa com a gente pra gente falar sobre business, cara. E hoje, o cara que tá aqui na minha frente é um cara que tem uma história para contar que eu tô assim… eu tô curioso, tô ansioso. Vou aproveitar para pegar a consultoria do cara aqui, porque os caras estão vivendo um crescimento surreal em níveis extremamente acelerados graças, claro, ao mérito do modelo de negócio, ao mérito da disrupção que os caras estão trazendo pro mercado, fazendo algo diferente em um mercado tradicional, e também mérito da gestão dos caras, que automaticamente tá dando conta do recado. E a gente que é empreendedor — eu já dividi várias vezes a minha história com vocês —, que uns anos atrás a gente teve um crescimento vertiginoso e eu perdi a mão, coisa que, graças a Deus, no final recuperei, mas ninguém sabe o quanto foi dolorido e o quanto a gente saiu sangrando dessa, dessa situação. Então, putz, toda história de crescimento acelerado… que crescer é até fácil de forma sólida e lenta, mas crescer de forma acelerada é complexo. E o cara que tá aqui na minha frente vai poder trocar uma ideia muito forte disso aqui. É, talvez vocês já conheçam a empresa, a gente estava até conversando aqui, eu falei: “Cara, vocês são conhecidos nacionalmente”, e ele: “calma, a gente tem muito trabalho a fazer, a gente tá na bolha do empreendedorismo, tal”. Mas que vai ser uma coisa legal pra gente, inclusive, trazer aqui para vocês, porque o que ele vende faz total sentido pra gente, empresários, para trazer pras nossas empresas, inclusive como benefício. Tô aqui com Pedro Rodrigues, o sócio da Alice. Muito obrigado, viu, cara, pela moral.

Cara, obrigado você pelo convite. Prazerzaço estar aqui junto, cara, e falar de um tema de que eu tanto amo, que é empreendedorismo e Alice, nosso modelo de negócio, que a gente tá tentando fazer e para mudar um pouquinho aí o sistema de saúde do Brasil.

E, cara, vocês estão mudando, e eu acho que essa é a grande, a grande sacada. Mas eu não vou entrar nesse, nesse tema agora, porque isso aqui eu vou deixar para, para daqui a pouco. Porque antes de a gente entender o universo da Alice, o que é a Alice e tudo mais, eu queria entender do Pedrinho. Boa, né? De onde o Pedrinho veio? Onde você nasceu? Como foi sua trajetória, eh a tua, a tua formação? Você teve pai e mãe presentes? Quais foram as referências dele? O que que você queria ser quando você crescesse? Dá um overview pra gente, pra gente contextualizar um pouco do Pedro atual, assim, boa.

Legal. Eh sou carioca e, quando eu vou pro Rio, o pessoal fala que eu perco… tô perdendo o sotaque carioca. Quando eu tô aqui, o pessoal fala que eu tenho sotaque carioca para caramba.

Não, mas eu, eu não tinha identificado que você era carioca, cara. Olha só.

Você viu? Pois é, pelo visto tô perdendo mesmo.

Tá perdendo.

Agora voltou, agora voltou. Então, carioca, nascido no Grajaú, bairro da Zona Norte do, do Rio. Eh meus pais são professores, e meu pai é professor de Matemática, minha mãe professora de Português. Então, sempre… cresci com muito, muita rigidez ali nos estudos e eh sempre foi bem importante assim, estudar e se dedicar, né? Ah quando eu estava com 18 anos, meu pai teve a oportunidade de se mudar pro Canadá a trabalho, e aí eu acabei indo junto. Eh acabei conseguindo fazer a faculdade lá, ganhei uma bolsa, fiquei lá os 4 anos, e tava me formando bem na época da crise imobiliária dos Estados Unidos, né, que acabou afetando muito o Canadá também. E é engraçado que eh acho que era muito mais óbvio ter ficado lá e muito mais óbvio ter feito carreira lá, mas a situação tava tão feia naquela época e o Brasil tava bem melhor, né? Então, enquanto lá a coisa não tava tão, tão clara… Quem lembra daquela capa da The Economist, né, o Cristo Redentor e tal?

Foi a, foi a marolinha do Lula na época.

É isso aí, exatamente, é. E, e começou a aparecer oportunidades muito mais legais no Brasil do que, do que lá. Também tava com morrendo de saudades da praia, do calor… Passar eh 4 meses acordando no escuro, no, no escuro, e indo dormir ali, né? Era, era, era tenso. O inverno também não, não me acostumei tão bem.

Em que lugar do Canadá você ficou?

Era em Calgary, era ali nas Montanhas Rochosas, né? Perto de Banff, então era, era o Canadá. O Canadá frio mesmo, que é o Canadá alto.

Sim.

Então neva para caramba. Eh mas foi uma experiência incrível assim, acho que morar fora é um negócio que, [ __ ], foi uma oportunidade incrível para mim aprender inglês.

E você já sabia inglês? Mas lá você se…

Ah, sabia aquela coisa daquele jeito de Brasil, né? Se virava, aquela, aquele cursinho meio, né? The book is on the table. Aí, quando você é jogado no mundo de onde você tem…

Exatamente.

…foi jogado lá no meio sem falar português, aí que o negócio realmente andou. Aí me mudei pro Brasil, voltei pro Brasil, né? Acabei eh trabalhando com…

Seus pais continuaram lá?

Meus pais até voltaram antes, na verdade. Eh acabou lá o projeto e ele voltou, o projeto do meu pai, ele voltou. Eh então, nos últimos dois anos eu morei sozinho lá. Eh e aí voltei pro Brasil eh cabeça bem generalista. Eh você fez o que de faculdade? Eu fiz Finanças. Finanças, boa. E, e aí, cabeça bem generalista, acabei caindo em eh grupos de investimentos e aí fundo e aquela coisa bem mercado financeiro, Leblon ali, eh né, aquele polo ali do do Leblon de fundos e tal. E, e cara, eu não tava entendendo direito, mas eu não tava realizado, não me sentia realizado e não entendia muito bem porquê. Ganhava bem, trabalhava perto de casa, tava tudo certo, né? Tava tudo certo. É, pô, viagem pro, pro exterior volta e meia pela, pela empresa e tal, mas não, não tava sentindo mais aquele tesão de acordar todo dia, ir pro trabalho e dar aquele gás e chegar no final do dia, sabe, feliz com o que, com o que você fez. Aí, pandemia, minha esposa ficou grávida. Eu sempre quis ser pai de menina. Eh e aí, no dia em que a gente descobriu que era uma menina, eu, a gente foi para casa e aí eu sonhei com uma menina perguntando: “Papai, o que que você faz no trabalho?”. E não me lembro o que eu respondi, o que eu respondi, só que eu acordei no dia seguinte, aí falei pra Simone, minha esposa, eu falei: “Puta, eu entendi: eu não tenho orgulho do que eu faço”.

Caramba, cara!

“Eu tenho que ter alguma coisa que a minha filha vai perguntar, que a Cecília vai perguntar, e eu responda com gosto, né? Eh que eu fale: pô, o papai faz isso aqui que é…”, sabe, que gera um legado, né? É, que gera um legado, que muda a vida das pessoas, que tá, né, construindo algo novo. E eu não sentia isso. E aí foi assim que eu achei a Alice. Tava bem no comecinho ainda, eh acho que eram menos de 2.000 membros na época. Então, mega startup, Series B, ainda tinha acabado de levantar a grana do Series B. Eh e aí eu, eu me lembro que lá na Alice a gente tem uma cultura muito forte e a gente não negocia a offer, né? Não negocia a oferta de, de que a gente faz pros candidatos. A gente faz a melhor oferta que a gente consegue fazer, eh e isso é bom pra cultura por vários aspectos, né? Mas você vê que a pessoa tá realmente alinhada com o que você, com o que você tá propondo. Você se obriga também a fazer uma oferta muito generosa, e a gente gosta de dizer que a gente é bem generoso com o time. Eh e aí a, a Gabi, que foi… era a Gabi, foi a primeira, primeira funcionária da Alice, né, parte do funding team, ela fez e falou lá a offer. Eu falei para ela: “Putz, acho que eu merecia um pouquinho mais, mas eu entendo que vocês não negociam, então, é… tô dentro. Tem uma coisa só que eu não negocio: eu não saio do Rio”. E aí ela falou assim, era época de pandemia, né: “Não, a gente é 100% remoto, não, não tem isso”. Pandemia, cara, saúde, não tem. A gente… cara, a galera não ia pro escritório, quem ia eh se sentava afastada. Pouquíssimas pessoas eram realmente o, o pessoal que tá no, no front, né, pronto de saúde. Quem não precisa, aí não vai. Aí corta para 2 anos, eu tô na Alice há um pouco mais de 4 anos, tô eu me mudando para São Paulo.

São Paulo, o cara de praia!

Exatamente, vindo para São Paulo. É, mas, cara, não, não me arrependo nenhum dia. Eh eu tô gostando de São Paulo. Tem, tem bastante coisa.

Tem que se acostumar, né?

É, mas eu gosto mesmo. Acho que tem muita coisa legal.

Eu, cara, eu gosto de São Paulo, cara. Tem muita gente que critica, alguns amigos meus pensando do Sul assim, criticam. Cara, eu gosto da energia de São Paulo, por mais que, por um lado, tenha os seus contras também, trânsito e tudo mais. Mas, cara, se você se acostumar, sabe, quando você não consegue mudar a realidade, você aceita algumas coisas? Pô, trânsito, cara, você ficar reclamando do trânsito, você tá em São Paulo, você tem que aceitar e, e faz tempo que eu não me estresso com trânsito assim, sabe? “Ah, mas nossa, 1 hora e meia para andar 10 km”, beleza, é São Paulo, tá? Eu me programo, saio antes e exato. E, cara, aceita que, que dói menos. E, e curte os próprios…

Exatamente. Exato, é isso aí, cara. Isso toda essa mentalidade total assim, não eh quando mudei, tentei morar perto do trabalho e aí, cara, também ir rápido, bicicleta quando dá, com motinho, aquelas motinhas elétricas. Então você tem que… senão sua vida vira uma loucura, cara, uma loucura e, e fica… você fica miserável, não vale a pena, né?

Total, você perde duas horas de trânsito só para ir, depois duas horas para voltar, você não vive.

Exato, então eh eh cara, gosto bastante e assim, e liderar time comercial tem que ser presencial, né? Não tem como.

Porrada. E, cara, você falou que você entrou quando a Alice tinha menos de 2.000 membros. Quando você fala membros, são clientes, isso? São os usuários. É como a gente chama os beneficiários. Usuários. E como que funciona? Na verdade, antes de a gente entrar nesse modelo de negócio e tudo mais, eh o que é a Alice? Explica pra galera aí que não tá ainda antenada de do que que se trata.

A Alice é um plano de saúde corporativo, eh e a gente integra o cuidado com tudo o que acontece na sua jornada como usuário do plano. A gente faz isso com muita tecnologia e com um time próprio de atenção primária. Um time próprio de quê? Tipo, de atenção primária. Atenção primária, boa. Então, médicos e enfermeiros de atenção primária, que é muito inspirada no modelo do SUS, né, do posto em que você tem um médico generalista que conhece aquela população ali. O que a gente fez foi, de forma muito simplista aqui, foi pegar esse modelo de atenção de você ter um médico que cuida de você como um todo e colocar muita tecnologia e montar um modelo que é escalável. Eh então o que a gente viu no Brasil é que hoje você tem… você tem, quando você é criança, você tem o pediatra; quando você tá na terceira idade, você tem o, o geriatra. E quando você tá ali entre os, sei lá, 15 e e 60 anos, você corre. Então você tem um ortopedista pro seu joelho, um pro seu ombro, eh um dermato, e esse pessoal não tá se conversando. Cada um tá olhando uma parte do seu corpo separada e não tem uma, uma inteligência ali. Então, quando você eh monta uma atenção primária muito robusta, né, de médicos que conseguem te conhecer através de uma uma tecnologia profunda embaixo, eh você consegue ter um uso muito mais racional e desfechos de saúde muito mais bem-sucedidos.

Quando você fala, quando você fala dessa atenção primária e o médico te conhecer, fico pensando o seguinte — e aí eu vou entrar um pouco no modelo de negócio, tá, assim, pensando no empreendedor —: vocês têm médicos eh da Alice ou vocês têm uma rede de conveniados? Como funciona isso aí? E quando você fala o médico te conhecer bem, acredito eu que, independente de qual seja o modelo de negócio com o médico, é um turnover gigantesco, né, porque é o mercado. Então, a estrutura de know-how sobre o paciente tá na Alice? É isso, é assim que funciona? Dá um overview pra gente.

É eh acho que dando um passo atrás aqui, eh a gente integra tudo o que acontece com você, a sua jornada de saúde, tá? Então, se você é membro da Alice, se você vai em alguns laboratórios que a gente tem (Fleury, a+ enfim, todos os que a gente tem), eh esses exames eles vão estar integrados com com o seu histórico, caramba. Tanto no seu aplicativo quanto no…

Isso é uma dor gigantesca, cara. Isso é uma dor gigantesca, exato, exato.

Então, tanto no seu aplicativo quanto pro profissional que tá te atendendo. Quando você vai num médico especialista da rede da Alice, então quando você vai num gastro, num dermato, eh ele tem acesso a esses, a esses, os resultados desses exames, e ele consegue eh e tudo o que ele escreveu no seu prontuário vai estar registrado no seu prontuário. Quando você fala no Alice Agora, que é o nossa tele, né, o nosso teleatendimento, nosso pronto atendimento digital no nosso app, eh o enfermeiro ou o médico que vai te atender vai ter acesso à sua ida no… o exame que você fez, a sua ida no médico especialista e o seu caso específico ali que você relatou no nosso chat antes do atendimento. E aí você consegue criar uma jornada que é muito mais eficiente. Então o cara consegue até saber que às vezes você tá com uma dor de cabeça, mas que você não tá dormindo bem, porque isso no seu psiquiatra… aí a pessoa consegue ter uma visão holística sobre você, 360 sobre você.

Perfeito, perfeito.

Tem um caso meu que ele é bem anedótico, ele aconteceu logo que eu entrei na Alice, eh que acordei um dia com a pele… tava super vermelha aqui, botava a mão do… né, aqui no nariz assim. Entrei no aplicativo do Alice Agora, no, no Alice. Falei no Alice Agora. O Alice Agora é o… é a telemedicina. Isso, é como a gente chama nossa telemedicina, mas que você vai ver que é bem diferente de uma telemedicina tradicional. Boa. Então, acordei, vermelhidão, ardendo. Entrei no Alice Agora, falei com uma enfermeira, ela pediu uma foto, mandei a foto — igual, tipo, um WhatsApp —, ela pode botar o médico no grupo, outros enfermeiros e tal.

Caramba, que legal, cara!

E ela pediu uma foto. Mandei a foto e aí, 2, 3 minutos depois, ela volta: “Pedro, eu vi que você foi no gastro tem duas semanas mais ou menos, e ele passou esse medicamento para você. Eh você tá tomando esse medicamento ainda?”. Eu falei: “Não, a… já a dor já passou, eu parei…”. Ela, ela… eu falei: “Não, tô tomando ainda, mas a dor já passou”. Ela fala: “Ah, então ótimo, então pode parar de tomar esse medicamento. Eh isso daí é um efeito colateral desse medicamento”.

Nossa!

“E eu vou subir aqui uma, uma pomadinha para você passar, só para aliviar a dor no aplicativo aqui. E amanhã, depois de amanhã, sumiu”. Essa jornada, ela demorou 20 minutos mais ou menos, da minha casa. Ela custa pro sistema de saúde — a gente sempre fala do sistema de saúde, né, que é a sinistralidade —, eh custou pro sistema de saúde entre R$ 25 e R$ 35, tá? Mais ou menos. Pensa agora numa jornada num plano de saúde tradicional em que eu acordo com essa dor: será que eu provavelmente vou procurar ou um dermato ou, se você é um pouco hipocondríaco, você vai no pronto-socorro, né? Que tava feio mesmo o negócio. Eh ele não vai entender nada porque não tem o seu histórico, vai te pedir exames…

Exato, exato.

Então essa é uma jornada que não… num, num plano tradicional, a eficiência pro ex… ele vai, ele vai custar aí, cara, centenas, senão milhares de reais.

Caraca!

E aí, quando você coloca isso em escala… então esse é um exemplo bem bobo meu, mas agora pensa em alguém numa… uma pessoa com diabetes, por exemplo, que requer um cuidado constante, uma atenção muito próxima, né? Essa pessoa assim, qualquer problema que ela tem, ela provavelmente vai ficar bem mais preocupada do que uma mãe com mancha na pele. E aí, assim, Deus sabe, né, essa jornada que ela vai ter, e aí ela vai ficar no pronto-socorro, que o médico não conhece ela, não entende nada daquele caso, né, eh uma pessoa que é bem generalista. Então, quando você consegue eh cuidar das pessoas, principalmente dos casos mais de saúde mais graves (uma diabetes, uma hipertensão), bota elas num protocolo, e entre, e junto com isso, né, você coloca um time de que tem acesso ao seu histórico, que te conhece, que te acompanha… Cara, os desfechos são incríveis. Legal. A gente foi nomeada pela Fast Company a segunda empresa, há dois anos atrás, a segunda empresa mais inovadora da América Latina, e ano passado, a empresa mais inovadora da América Latina.

Caraca, bicho!

E um dos cases que a gente, né, que eles usaram para, para dar esse prêmio pra gente foi o percentual de partos… partos vaginais na Alice. Então, enquanto no Brasil aí a média vai girar entre 20% e 30%, na Alice ela gira entre 60% e 70%.

Cara, como assim, mano? Ah, mas incrível, né, aqui.

E o que a gente viu basicamente é que a grande maioria das mulheres, quando descobria a gestação, eh vinha com uma, uma vontade de ter um parto natural, um parto vaginal, e o sistema acabava empurrando elas para um parto cesáreo, né? O parto cesáreo, ele custa mais, de forma geral, pro sistema. Não só o parto em si, você pensa que eh um, um um bebê que nasce, um prematuro de um, de um parto cesariano, né, que é um dos casos eh que acontece, que pode ser um caso de risco e pode acontecer bastante, a, o risco de internação desse bebê é muito maior, né?

Entendi. Eh da mãe também. Então o desfecho é pior e menor, para caramba, o ticket que se gasta, né? Então, a gente descobriu que, putz, a mãe quer. Na maioria das vezes, a mãe chega com essa vontade, ela não, muitas vezes ela não sabe muito bem, né, o que seguir, aí acaba chegando com essa vontade e o sistema acabava empurrando ela para um, para um parto cesariano.

Qual, qual o motivo? Tem alguma explicação do sistema empurrar? Vocês chegaram a uma conclusão? Será… vocês têm esse dado?

Programação? Tem uma porção de dados. Tem desde o, né, do médico eh que ganha, do obstetra que ganha mais… putz, né? Eu posso botar o… deixa que eu falo, escolher ali o, o horário, sim, eh para fazer esse parto mais conveniente, né? Até o próprio agendamento com o hospital e, enfim, você cria uma logística mais organizada.

Exato. E aí acaba, né, eh pode acabar custando até mais. Então existe um desalinhamento de incentivo relevante.

Total. E, se eu não me engano, o próprio SUS empurra a cesárea.

É, acho que depende muito da região e do, né, do da capacidade, assim, boato.

Isso aqui eu tô falando sem nenhuma comprovação, mas, se eu não me engano, eh o que eu tinha falado, ouvido falar, é que o SUS ele não… porque o parto normal dá maior trabalho, porque tem que ficar induzindo, tal, tal, tal, as pessoas não querem, é porque demora, as pessoas não querem ter esse trabalho e aí vai para a cesárea. Aí no SUS contrariava muitas vezes.

O SUS ainda é melhor do que no particular, né? É bem, bem melhor. O índice eu não tenho de cabeça aqui, mas é melhor.

Então, bicho, e vocês com dados?

É, então o que a gente faz é colocar essa, essa gestante numa, numa linha de cuidado, num protocolo com você.

Alice mais… Alice mais é o Alice Agora. O Alice Agora, vocês conseguem ir acompanhando naquelas aflições da grávida.

Exatamente. “Será que eu tô tendo contração?”. E, e nisso aí entra uma pessoa.

Exato, é. E aí você tem a sua jornada, então, né? Chega lá na décima segunda semana, onde tem que fazer o exame morfológico, a enfermeira te procura e fala: “Oi, fulana, como é que tá o, né? Como é que tá aí? Tá preocupada? Vamos ter o exame? O exame morfológico serve para isso, isso, isso. Você vai fazer com, né, em qual laboratório você vai fazer? Você precisa de ajuda com o agendamento?”, enfim. Então você coloca essa pessoa numa jornada. Aí se o exame vem com alguma coisa estranha, que tem que já eh fazer alguma, alguma verificação, alguma consulta de follow-up, a própria enfermeira já fala. Então: “ah, ó, esse, esse, esse, esse índice aqui de de sangue ou de qualquer coisa específica, eh acho que vale a gente dar um, um duplo clique aqui, entender se pode ser um problema ou não, o que que a gente, né, faz para tratar”. Eh e aí com isso a pessoa fica muito engajada com, com o nosso modelo de saúde e acaba criando, de fato, mais confiança.

Brincadeira. Eu tô… vocês estão falando aqui, você tá me falando como funciona, eu, eu tô ficando com inveja do que vocês estão fazendo, que eu falo: eu devia, eu queria ter isso, pô, porque é o que acontece. Os médicos não se conversam. Você pode ter um bom, cara. Exato, exato, os médicos não se conversam.

É, que é um ótimo exemplo, cara. O, eh o caso da Preta Gil, ah eh o câncer que ela teve é um câncer muito violento, eu, eu não sou profissional de saúde, então eh não tenho o entendimento profundo aqui, mas eh eh que provavelmente se ela estivesse seguindo um protocolo ali de check-up por conta da idade dela, condições de saúde existentes, é, talvez esse caso ele tivesse sido descoberto antes e poderia ser prevenido, poderia ser prevenido, ou então poder, talvez, ter alongado um pouco mais a vida dela, né? Eh e ela tem toda a condição, né? Ela tinha toda a condição financeira, dinheiro, inclusive nos Estados Unidos, exato. O que acontece é: o plano de saúde tradicional ele não engaja, e a grande maioria dos planos tradicionais no Brasil hoje são instituições financeiras. Ele vende o seguro de carro e também vende um seguro de saúde. É isso, não é uma empresa de saúde, é uma empresa financeira que olha para a base como um sinistro.

Cara, por mais que seja óbvio, porque o próprio nome é o mesmo, eu nunca tinha parado para pensar nisso, de que eles não são de saúde, eles são financeiros.

Exato.

Já, já coloquei um pé atrás aí.

Exato, exato, é verdade, exato. Dinheiro puro, sem pensar muitas vezes em eficiência.

É ROI total por vida.

Exato. É o cara que… não deixa de ser sempre porque é um business, nós estamos no capitalismo, mas o melhor jeito de você prevenir um gasto excessivo é trazer eficiência pro que… pro core business, que é a saúde. E foi exatamente aí que a Alice nasceu, então a Alice nasce para, antes de ser um player financeiro, a gente ser um player de saúde, saúde regulado pela ANS, tem lá todas as burocracias de que precisa, necessárias, mas a gente é uma empresa de saúde que por acaso é regulada pela ANS e segue o, o padrão de um plano de saúde.

Exato. E, cara, como que funciona a parte de… eu já vou entrar também na parte de crescimento, que eu tô bem curioso, mas é, por exemplo, de um tempo para cá, eu não sei nem qual o motivo, antigamente a pessoa física conseguia contratar convênio direto e aí, depois de um certo tempo, sei lá por algum motivo, parou de se deixar a pessoa física contratar direto. Tanto que é um B.O. lá, porque a gente tem convênio na empresa e vamos até, bicho, já tô colocando aqui uma reunião pra gente, pra gente já se alinhar para isso. Mas, cara, quando o cara sai, eu preciso ter… ele tem seis meses para ficar com o convênio e tudo mais e depois tá ferrado, se ele não conseguir outro emprego ou se ele quiser empreender, dependendo de um microempreendedor, vender brigadeiro, sei lá, tá ferrado porque ele não consegue renovar esse convênio. É uma burocracia gigantesca. Como que funciona ali? Qualquer um consegue contratar ou é B2B também, como todos os convênios? Se por acaso for, por que que tem essa… eu não tenho uma explicação, provavelmente deve ter alguma justificativa financeira por trás, mas me explica um pouco desse, desse, desse rolê aí.

Legal. A gente nasceu como B2C eh porque, imagina, você cria um plano de saúde, aí você tem um hospital, né? Você tem que partir de algum lugar, você tem um hospital, um médico de cada especialidade. É, é um médico de cada especialidade. O primeiro hospital da lista foi o Oswaldo Cruz. Ah, foi? É um médico de cada especialidade e, cara, um laboratório e vamos embora, né? Você vender para uma empresa era, era bem difícil, então a gente nasceu no B2C. Eh e, cara, o problema do B2C é que ele tem uma, uma dinâmica de regulamentação complexa eh e o, né, o reajuste limitado, enfim, tem vários, várias questões regulatórias.

Imagina, já comecei até a imaginar algumas coisas que acontecem, porque o convênio se ferra para caramba na Justiça. Tem isso também, acho que é um problema para qualquer indústria do Brasil, né? Brasil, mas numa pessoa física é um contrato, numa pessoa jurídica você consegue analisar ainda um pacote de vidas.

É. E, e a forma como o produto é regulado é bem diferente, tá? Então, eh…

Entendi, existe uma regulação diferente.

Existe uma regulação diferente, caramba, que doideira. Então, a gente nasceu B2C, a gente cresceu, a gente aprendeu muito com o B2C, então o nosso produto ele é o que ele é hoje graças a essa experiência incrível que a gente teve no B2C aí durante quase 3 anos. Eh quanto tempo ali você tem? A gente tem 5 anos. Cinco, então você entrou no começo mesmo. Foi, foi no comecinho. É eh e, e, e aí com o tempo a gente foi cada vez mais migrando pro B2B, porque o B2B é um mercado muito maior no Brasil. Eh hoje, mais de 70% dos planos de saúde são B2B, e o B2C acontece também que você… você pensa que você tem uma seleção adversa muito grande, né? Então muita… a galera que mais precisa do plano é quem mais vai procurar, e aí acaba que o sistema fica… é difícil você ter o colchão que o B2B gera, né? De colocar um pool muito grande. Então é um business mais difícil mesmo, tá? Acho que a gente… a gente sonha em voltar pro B2C em algum momento, eh e tem que ter um jeito de fazer dar certo. Eh acho que o caminho para o qual a gente tava indo tava bem legal, a regulamentação precisa afrouxar, talvez fazer uma espécie de um, de um grupo igual acontece com consórcio. É, tem o coletivo por adesão, né? Mas aí precisa… mas aí vai… mas a regulação precisa afrouxar, porque se tudo é problema para vocês e vocês ficam com o risco, ninguém vai querer fazer.

É, eu acho que é papel um pouco do empreendedor também, cara. Olhar o sistema e tentar, e tentar contornar, meu, tentar dar um jeito de trabalhar com aquilo ali. Eh então a gente não gosta muito de depender de regulamentação e tal. É lógico que tem regulação que ajuda, atrapalha, mas é dado o cenário que a gente tem, como que a gente eh trabalha em cima disso, sabe? Eh então, por uma questão de foco, né, e tamanho de mercado, a gente decidiu interromper o B2C e focar só no B2B. Mas a gente vende para empresas a partir de uma vida, então o MEI aí, o microempreendedor consegue fazer a Alice.

Sim, putz, que legal, cara. E como funciona o processo de contratação? Tudo online ou existe um consultor, tá? O que normalmente também precisa, que eu sei que no mercado tradicional é assim: você tem que falar com um cara, um corretor, é quase comprar um, um seguro, um carro, uma casa, é um negócio.

É, a gente eh usa corretores para empresas até 30 vidas, tá? E a gente usa um canal interno para empresas com mais de 30 vidas.

Legal.

Eh a gente espera que, com o tempo, a gente vá aumentando o uso do corretor pro canal inteiro. Eh mas hoje a verdade é que a gente tá muito focado ainda em empresas até 30 vidas, que a gente tem um produto que funciona muito bem para empresas até 30 vidas, e um produto muito focado, que legal, que entrega muito para essa empresa até 30 vidas.

Qual o di… o grande diferencial para essa da Alice e, principalmente, o grande diferencial para essa empresa até 30 vidas, que normalmente no mercado lá fora é subjugado? Ah, você tem quantas? Trinta? O cara nem olha para a sua cara direito porque você tem pouca vida no teu convênio. Qual é o, o diferencial da Alice para esse, para esse, para esse público-alvo de vocês?

É o engajamento com o membro na ponta, a pessoa, o usuário final. Então a gente consegue trazer essa pessoa para muito perto da Alice, eh e engajar ela num sistema em que entregue mais saúde para ele e para a população toda que usa a Alice, top.

E como que… existe alguma… aí eu já tô viajando, mas existe alguma, com tanta tecnologia assim, algum compartilhamento de dados, claro, não sensíveis, eh entre a Alice e a empresa, assim, talvez de eh KPIs de saúde do colaborador, coisas desse tipo? Porque vocês têm, querendo ou não, vocês têm o prontuário do cara. Sim, é uma é um, é um dado eh riquíssimo, claro que existe, os 99% lá é tudo sensível, mas daquele 1% vagabundo, dá para compartilhar? Como funciona isso aí?

Boa. E acho que é um pouco isso de que a gente tá tentando desenvolver agora, para quando a gente lançar pro mercado de corretores, vender para empresas maiores, a gente estar pronto também. Eh a gente não gosta de botar muito o pé no acelerador quando a gente sente que não tá pronto, então por isso que a gente preferiu ainda manter no canal interno. Eh o… então a gente tem esse dado eh o que a gente entrega pro RH são dois grandes pontos, tá? E é sempre focado em visão de saúde e gestão de saúde populacional. Então a primeira vertical é, de fato, condições de saúde, CIDs ali, né? Então eu consigo virar pro RH e falar, eh sei lá, 10% da sua população tem hipertensão, 12% tem obesidade, X% tem tal condição. Eh por mais que isso não gere, necessariamente, um atestado…

Não, e realmente CIDs de hipertensão, isso não gera um atestado. Mesmo assim, você consegue puxar essa informação, então isso já é um diferencial ferrado.

Legal, então a gente consegue entregar, de fato, o CID para aquele RH, e a gente consegue agir junto com o nosso time de pós-venda, que tem um enfermeiro… nosso time de pós-venda tem uma pessoa de negócios…

Caramba, que legal.

…para gerir a conta, e um enfermeiro também. Então o papel desse enfermeiro é ajudar o RH a interpretar aqueles dados ali de saúde mais, eh mais frios, né? E falar: “Putz, como é que eu, como é que eu consigo melhorar a saúde do time aqui?”.

[ __ ] isso, hein?

E aí, além disso, a gente tem o que a gente chama de Score Magenta. O Score Magenta é um produto nosso que a gente criou lá, eh que ele mede hábitos de saúde. Então são sete pilares: sono, alimentação, exercício físico… cada um desses pilares, a gente segue uma métrica eh respeitada internacionalmente, um protocolo eh de saúde de alguma universidade, algum governo específico. Ela é autorreportada, então quando você entra no app da Alice e responde lá o Score Magenta, você vai ter uma nota de, de zero a 1.000 de como estão os seus hábitos de saúde. E aí o Score Magenta, a gente consegue entregar pro RH que tá engajado, que tá preocupado no nível de detalhe de: “ó, eh o pilar de atividade física da sua empresa, comparado com os seus pares, com empresas da mesma região geográfica, com a mesma idade, mais ou menos a mesma idade, né, da mesma da mesma indústria, tá 20% menor”.

Nossa!

E aí, junto com o RH, a gente cria programas para tentar melhorar a saúde como um todo.

Mas vocês, vocês eh interagem inclusive na criação de programas para isso?

Sim.

Caraca, bicho! Então tem uma empresa… tem, tem agora tem algumas empresas já. Como você gerenciou isso aí? É muita coisa mesmo, mas da hora, tô, tô animado, tô quase fechando aqui, dá o contrato aí. Legal, é legal. Eh então, obviamente que quanto maior a empresa, né, maior a população e mais a gente consegue fazer. Eh mas tem algumas empresas clientes nossas que hoje elas têm OKRs, né, que são metas ali trimestrais envolvidas com, com o Score Magenta. Então, elevar o Score Magenta da empresa de 650 para 700.

Putz, que legal, bicho!

E aí nosso time de pós-venda faz junto com o RH um processo de: “putz, aqui o seu pior pilar é, sei lá, saúde mental, então vamos fazer uma campanha aqui de Setembro Amarelo, vamos fazer uma, um papo sobre saúde mental, a gente traz um psicólogo, um psiquiatra nosso para, para falar com, com a equipe”.

Caramba! Eh essas ações para empresas maiores, acima de 30, é assim? Até para empresas menores a gente faz também, mas é mais difícil, porque aí o dado ele começa a ficar… começa a ter que ser muito anonimizado, então não consigo ir no nível de: “ah, tal time tem tal coisa, tal time tem tal coisa”. Exato. Eh quanto maior a empresa, mais, mais personalização se consegue fazer.

Exatamente, mas assim, programa de, sei lá, eh Outubro Rosa, Novembro Azul, isso aí já tá no…

Exatamente, a gente consegue entregar e ajudar o RH de qualquer empresa a fazer esse tipo de campanha na sua empresa.

Cara, muito legal, cara, sem… cadê… analisando o modelo de negócio, é uma dor de fato. Quando você percebe que o modelo de negócio é bom, eh primeiro o resultado, né? Claro, o resultado de vocês já fala por si só, mas antes do resultado, porque antes era só um, um plano de negócio, dependia de ação para os resultados virem, mas é quando de fato o que você resolve de dor é uma dor de que é padrão, todo mundo fala: “Nossa, cara, isso é um B.O. pra gente”, e é uma dor padrão. Você tá falando isso aqui, cara, é uma dor padrão.

Sim, é, e a gente agora tá no nível em que a gente tá conseguindo cruzar dados de saúde populacional daquela empresa com os resultados de cada time. Então a gente já faz isso na Alice, ver que as pessoas com um grau de engajamento maior com sua saúde performam melhor. Então a gente cruza o dado do, né, da pesquisa do Score Magenta, de hábitos de saúde, com: essa pessoa foi avaliada no último ciclo de avaliação.

Caraca!

E tem uma correlação muito grande, total.

Esses dias eu tava vendo um… eu não sei onde eu vi, eh sobre o quanto de poluente tinha nos gases que os carros soltavam, atrelado ao nível de QI da população. Olha só, tipo isso, nos anos 70, tipo assim, e que é um dado totalmente correlacionado. Então, quanto mais o ar era poluído e tudo mais — se eu não me engano, até enxofre, se eu não me engano, era uma das coisas —, pior era o QI, e aí conforme eles instalavam filtros nos carros e tudo mais, o QI em anos começava a elevar. Então tem muita correlação invisível, porque a gente não cruza dados, quando você começa a cruzar dados… Eu tenho certeza absoluta de que um time que se exercita mais, que dorme melhor, entrega muito mais, cara.

Com certeza, e, e na verdade é só… só falta alguém cruzar esses dados, vocês vão conseguir fazer isso aí, isso. E esse Score Magenta, ele é preenchido de forma eh voluntária, ou dá pra gente meio que, por exemplo, falar assim: “Pessoal, todo mundo tem que preencher o Score Magenta aí”?

Com ele é autorreportado, então, eh mas a empresa consegue cobrar isso, consegue, mas ela… por, por conta de LGPD, ela não consegue saber quem preencheu ou não preencheu. Ela vai saber que: “ah, eu tenho 100, 100 funcionários, 50 preencheram, 60, 70”, mas não vai saber quem.

Você não consegue dedurar? Tá bom, beleza. A LGPD… essa LGPD atrapalhou a gente, empreendedores, de dados, mas beleza. E, mestre, agora falando da parte mais prática, que assim, pô, tudo isso é muito bonito. Eh em termos de valores, tudo isso por um lado você ganha um baita de um de um custo eh comparado ao mercado, mais eficiente, graças à sua eficiência. Mas, por outro lado também, você oferece muito mais serviços e tecnologia embarcada, que isso custa também de certa forma, de certa forma diretamente. Como funciona essa, essa gangorra aí? O teu preço, ele acaba sendo mais competitivo, menos competitivo, no geral elas por elas e aí a gente tem uma entrega… vocês têm uma entrega melhor? Como que, que f… que fica isso aí?

Eh a gente não é um provider low cost, tá? Mas eu gosto de dizer que a gente deveria estar sempre nas cotações que a gente faz, de 5% a 10% ou 15% mais barato do que um plano de saúde tradicional.

Vocês não se posicionam ali, mas é ali que vocês estão posicionados num, num mapa de, de orçamento.

É, é. E o nosso ticket, ele vai começar ali em R$ 350, R$ 400 com o plano de entrada, né? O plano enfermaria de entrada, que já tem hospitais incríveis como a Beneficência Portuguesa.

Caramba, é o de entrada!

Isso, esse é o de entrada. É, então a gente não é um provider low cost. Eh onde eu diria que isso faz mais diferença é na renovação. Então, nos últimos 4 anos, a nossa renovação, o nosso, o nosso aumento eh ele foi 40% a menos da média do mercado. Então, enquanto nos players tradicionais aí eh em média o reajuste foi 20% e poucos por cento, o nosso foi 11%, 12%.

Caramba, cara! Eu tive agora uma paulada de aumento lá na empresa, paulada forte, surreal. Foi quanto você falou que foi agora esse último? Agora a média foi… da Alice foi 11%, 11,5%, mas o da o do mercado 20% e poucos por cento. Foi isso mesmo, 20% e poucos por cento, se eu tenho o número na minha cabeça, eu não tenho certeza, mas tipo, veio 27%.

É, aí vai depender da operadora e tudo.

Cara, eu falei: aumentou um terço, cara! Aumentou um terço o convênio, bicho.

Cara, nos últimos 10 anos, o aumento do convênio de saúde no Brasil, todos os, todos os anos nos últimos 10 anos foi maior do que a inflação. Tem ano que foi três, quatro vezes a mais que a inflação.

Qual a explicação disso?

Uso irracional dos recursos do sistema, isso do próprio usuário ou também do… É, é assim: é do usuário, mas eu não culpo o usuário. Pensa, pensa, pensa o seguinte: o plano de saúde ele virou uma lista telefônica em russo. O que que acontece: você… e um cartão que você acessa, que você pode usar de à vontade, né? Você compra o plano de saúde, você recebe na sua casa o livrinho com uma coisa que você não entende, que é especialidade, subespecialidade. Às vezes você tá com um problema que nem é daquela especialidade, você vai lá encher o saco. Cara, quantas vezes, né, eu escuto casos de: “ah, entrei no grupo do WhatsApp da família, pedi um contato de um ortopedista, cheguei lá, mostrei minha dor no joelho”, ele falou: “Ó, não parece nada sério não, mas eu sou especialista em ombro, vai nesse aqui que é o especialista de joelho, né?”. Por que isso: o plano de saúde tradicional ele é um cartão de crédito que você pode usar em locais específicos à vontade, né, tudo liberado, e uma lista telefônica escrita em russo, onde o usuário tem que entender onde ele tem que estar por conta de, né, de algo específico. Então, não dá para culpar o usuário, a culpa não é do usuário, a culpa é nossa, da indústria, de não ter conseguido entregar uma proposta de valor…

Concordo.

…que coloca esse cara no lugar mais, mais efetivo para… E que cria uma descobribilidade, digamos assim, um processo de experiência que o cara consegue entender qual é a dor dele, que às vezes ele passa por um processo de triagem para entender para onde ele tem que ir também. Pô, várias vezes em que eu não entendo nada de especialidade de médicos, só que eu tenho alguns amigos médicos que eles fazem a triagem para mim, mas muitas vezes eu não sei para onde eu vou: “ah, cara, tô sentindo tal coisa, que que você acha?”. “Você precisa de tal pessoa”, e aí eu vou lá no, no médico específico. Mas isso porque eu tenho amigos médicos, a população em geral, cara, o que que faz?

É o clássico caso do cara que tá com dor de cabeça e procura o neurologista.

Exato, e aí vai para um cara que não tem nada a ver, ele fala: “Meu, não é nem comigo aqui”.

É, às vezes ele tá precisando de um psicólogo.

Psicólogo, é isso, loucura total. E pra legal. E nos planos que vocês oferecem, vocês têm desde os planos de entrada até planos super avançados. Sei lá, vocês, vocês têm planos em que atendem Sírio, Einstein, etc. Boa, então vocês conseguem atender geral, geral, cobertura nacional, plano com ou sem reembolso, com ou sem coparticipação.

Nacional, nacional.

Caramba, achei que vocês eram locais ainda.

Não, a gente tem mais de 1.200 hospitais no Brasil.

Puta, bicho!

Mais de 15.000 médicos pelo Brasil.

Legal, meu. [ __ ] que massa, hein? Depois eu vou fazer um orçamento com vocês, de verdade, vou colocar o RH para falar com vocês pra gente tentar validar isso aí. Vou tocar no assunto, antes de a gente entrar na parte de crescimento ainda, agora só um assunto polêmico pra gente… Se você não quiser mencionar isso aí, de boa. Mas, cara, eu trabalho com construção civil, um mercado eh que tem um nível de instrução muito baixo. Eh e aí, quando você pega o mercado da construção civil e todos os mercados com essa, com essa, com esse nível de instrução, você percebe que existe um padrão de atestado. Hum e que é surreal. Quando você falou construção civil também, que você você já falou, já vai cortar isso. Um padrão de atestado: segunda-feira é um monte de… E assim, não tem como, “ah não, eh você tem que implementar uma cultura na sua empresa para evitar isso”. Concordo, é o que a gente tenta a todo momento, a gente tem planos de, de absenteísmo dentro do negócio, dentro da empresa. Mas, bicho, segunda-feira o cara tá doente, aí você não tem nem o que falar, e a, e aí as amarras da trabalhista te dão três voltas, você não pode nem questionar a quantidade de atestados que o cara apresenta. Só que você pega: “nossa, mas qual é, qual é o problema? O que que tem a segunda-feira para ser tão mais problemática que os demais dias?” e tudo mais. E você começa a ver que isso é um padrão. E aí eu começo… eu converso com, com amigos médicos, eu converso com médicos com quem eu tô me consultando, eu sei até… E olha, o meu convênio eu atendo, eu estou em bons hospitais, mas mesmo assim, a determinados momentos em que eu preciso ir no médico, eu falo: “de jeito nenhum eu vou nesse horário porque eu não vou ter vida, porque lá vai estar lotado graças à… também não só galera de construção civil, mas analistas e tal, tal, tal, que também estão indo atrás do seu atestado”. Tô sendo… eu tô sendo bem filho da mãe aqui, que eu tô jogando a merda no ventilador, você não precisa se se comprometer, eu que tô falando. Lógico. Mas, cara, isso é um problema que eu vejo que os próprios médicos já dizem: “Cara, não tem como brigar com isso”. Os médicos falaram já para mim — eu já toquei esse assunto nos stories lá —, a quantidade de médicos que responderam, falaram: “Cara, não tem, eu já tentei brigar com isso, eu já não falei, eu já não quis dar um atestado”, aí eu falei: “Ah, mas tem um CID que mostra que é fingimento”. Ele falou: “Você é louco? Se um dia você der um desse, o cara te mata”. Então a gente tá no Brasil, sabe? Essa ideia criativa aí, essa é a primeira que eu vi. Eu já vi muita sugestão já testada, essa é a primeira. Porque tem um CID… me falaram que tem um CID que é… é um… Eu, eu posso estar falando merda aqui, mas falaram que tem um CID lá que é um CID que é tipo, meu, não é nada, é… Eu, eu não… Depois eu vou pesquisar no GP… no GPT. Se tem um CID, escreve que vou colocar aqui, ó, e aí eh vou colocar aqui enquanto isso. Quer ver? Ó, existe algum CID que o médico avisa que, na verdade, a pessoa não tem nada para colocar no atestado, ela só tá fingindo? Já… Vamos responder aqui, aí a gente já, já tira essa fake news com a fake news. Não existe, então é mentira o que eu tô falando aqui, boa. Aí, cara, tem um, tem um… Talvez tenha, depois a gente vê isso aí, depois quem, quem souber coloca no, no negócio aqui. E aí, cara? Eh cara, como funciona isso aí? Como que a gente consegue correr atrás disso? É uma cultura meio que brasileira, eh a lei trabalhista é uma coisa que trava muito também. Se eu demitir uma pessoa porque tá apresentando muito atestado, é processo e perda na certa, e aí você tem que inventar qualquer outra desculpa de: “ah, pô, estamos precisando cortar custos” para cortar uma pessoa que tá te apresentando muito atestado e que você sabe. Teve casos já de lá na empresa, e aí essas pessoas obviamente saíram, que disseram: “Amanhã eu não venho”. Aí no dia seguinte não vieram, de fato, e, e meteram atestado. É muito fácil conseguir atestado. Eu converso com as pessoas e falo: “Cara, é só chegar e falar que você tá com dor de barriga, acabou”. Hoje existe alguma coisa, ainda mais vocês que são focados em B2B, então querendo ou não, isso é uma entrega e um diferencial pro mercado em que vocês atuam. Existe alguma, alguma coisa que vocês fazem para tentar evitar um pouco desse cara, dessa festa? Essa é a realidade que, que o empresário tá vivendo?

Sim, cara, vamos lá. Eh acho que, primeiro de tudo, má-fé você… é o g… Se comprometer, tá? Eu sei, eu sei. Eh é aquela coisa: se você cria um processo, a pessoa que tá de má-fé, a pessoa que quer faltar ao trabalho, a pessoa que não é dedicada, ela vai dar um jeito de burlar, burlar de alguma forma. É uma questão de tempo, é que nem golpe na internet, cara: aparece um aí, [ __ ] resolve, aí vai aparecer outro. Então assim, isso eu acho que má-fé é, é um pouco difícil de você eh controlar e, enfim, é meio… eu acho que é meio utópico a gente achar que vai resolver, porque o cara consegue inclusive inventar as coisas mais loucas possíveis, cara: “eu caí, deu uma tontura, a minha visão ficou preta, eu caí, bati a cabeça”. O médico, lógico, não vai ser louco de falar: “vai trabalhar, sim”. Então, as histórias mais absurdas você coloca o médico numa posição de, de risco absurdo, ele também não deveria, né, se comprometer com isso. O que a gente faz com, com um cliente que eh que tem uma operação presencial muito grande, né, eh vai com mais de 150, 200 pessoas, é a gente coloca um médico de família na operação desse cliente. Aí depende do volume de uso daquela população.

E como que isso conversa com o atestado? Eh quando você tem uma… um time que tá mais engajado com esse médico, mais engajado com o modelo de saúde da Alice, e ele sabe que aquele médico conhece ele, ele sabe que aquele eh que o Alice Agora ali tem o histórico dele, sabe, né? Eh e tá vendo o comportamento dele, a nossa tese, que não é comprovada ainda, é que ele vai se sentir menos confortável em tentar fraudar aquele sistema, que do nada ele inventou uma doença que ninguém tá sabendo. Então pensa no cara que eh vai num médico de família da Alice, que tá dentro do escritório dele, e fala: “Ah, tô com uma tontura”, e ele tá, né, tá dando migué e tentando mentir. Acho que o médico vai dar o atestado para ele e vai falar: “Não, vai para casa”. Só que esse médico vai procurar ele no dia seguinte, e na semana seguinte, e na outra semana depois. Aquilo vai gerar um follow-up que o cara vai ter que ficar se justificando: “E aí, o que que você fez?”. Exatamente, exatamente. “E aí, o que que aconteceu, cara? Você tá melhor, né?”. E, cara, isso é muito bom, porque por mais que ele não consulte… se consulte com o próprio médico da empresa e simplesmente falte e volte com uma guia do SUS, que digamos que tenha usado, ainda assim o médico vai fazer o follow-up, porque se preocupa com as vidas, perfeito, exatamente. Então, mesmo quando ele procura um hospital, né, externo, e ele ainda tem o médico de família dele ali, o médico de família dele, o trabalho dele é entender como é que tá a saúde dele, como é que tá, né, o acompanhamento da jornada de saúde dele. E esse médico vai procurar, ele vai tentar entender o que aconteceu e tentar, [ __ ], como é que a gente faz para você não ter de novo? Será que é uma coisa que a gente deveria investigar? Vamos fazer aqui um, um check-up e tal. Então, eh de novo, né, muito difícil por conta de limitações trabalhistas, legais e realmente da saúde da pessoa. Uma ótima ideia, mas a gente acredita muito que, quando a pessoa tá engajada com a Alice e ela tá usando o nosso aplicativo, ela tá usando o médico de família, o enfermeiro, o pessoal conhece ela, ela esse… ela vai se sentir menos confortável, constrangida de… perfeito… constrangida de fraudar um…

E de fato vai, é… de fraudar ali.

O médico conhece ela, sabe? Alguém conhece.

Porque do nada, eu não sei… do nada quando o cara fala que tava com uma dor nas costas, fala: “nem tava sabendo”, mas quando tem alguém preocupado com isso e, se ele falar que tá com dor nas costas, ele vai começar talvez a falar com o técnico de segurança do trabalho para forçar ele a usar melhor os EPIs, perguntar como que tá, e perguntar… Cara, o cara vai ficar preocupado, hein? “Putz, aqui não tá tão fácil meter esse lucro”.

Exatamente, e aí, mas de novo, né? Você não… quem, quem tá com má-fé de fato, você reprime um pouco, né? Você pode tirar um pouco esse incentivo, mas o cara tá com má-fé, ele vai burlar. E, cara, é… mas eu acho que até eh legal, porque o médico também consegue, estando dentro da empresa, também vai interagir com os líderes. Uhum. Ele automaticamente também vai trazer insights para a liderança. Então, cara, isso é um baita de um diferencial só para empresas de mais de 150. É, a depender da população, isso poderia ser até um… viajando aqui, mas me intrometendo inclusive, mas no modelo de negócio, de serviços à parte, ué. Entendeu? Serviços à parte. Eu… pode ser o contrato lá. Claro, não é serviço à parte para uma empresa pequena, que consegue lá colocar um médico, que é um… é um gerenciamento complexo. Mas acima de tantas vidas, você cobra um serviço à parte, caso o cara queira. E dependendo do quanto a, a operação vale a pena, você pode ver até presente… esses médicos de família que a gente coloca na empresa, a gente até nem cobra, porque a gente… o… assim, no final, é mais barato. Exato. Se a pessoa tá engajada com a Alice, a gente vai conseguir entregar uma, uma condição de cuidado legal, o nosso desfecho vai ser melhor, nosso custo vai ser menor, meu reajuste vai ser incomparável, e aí eu vou manter você como cliente. Caramba, nos últimos 2 anos e meio, a gente teve de todas as empresas acima de 30 vidas, a gente teve um churn… todos os outros a gente continuou na Alice.

[ __ ] pariu, bicho! Impressionante, é legal, é. É. Não, isso eu nunca vi isso.

Quantas, quantas têm em média? Ah, são hoje mais de 250 empresas com mais de 30 vidas só.

Nossa, cara, não, sério. Impressionante, é impressionante.

A gente renovou todas.

É, caramba. Parabéns, cara. E aí falando de crescimento, a gente tava trocando ideias nos bastidores aqui de que, nos últimos 2 anos, vocês cresceram mais de 10%… entre 5% e 10% ao mês. Uhum. Que é o que… e assim é, é exponencial. Cinco, dez por cento, então não é 5, 10… Ah, mas 5%, 10% em 12 meses dá 5%, 10%… Não, é exponencial, é, é cara, isso tem uma diferença, uma diferença surreal, é juros compostos.

Você cresceu juros compostos. Exatamente, exatamente.

[ __ ] Isso é brincadeira! Uma empresa já consolidada e tudo mais, falar que vai crescer 20% já é um número surreal. Quando você coloca entre 5% e 10% no exponencial — sou ruim de matemática, mas eu chutaria aí 100%, 150%… Como isso, bicho? Como vocês conseguem crescer nessa, nessa proporção mantendo uma operação enxuta e admirável, admirada, que é a, a grande, a grande dificuldade do empreendedor aqui? É, no universo agora do empreendedorismo na internet, tá famoso “ordem e progresso” ou “progresso e ordem”, como se fosse uma, uma regra, né? Tá, a galera gosta de colocar em gavetas. Vocês cresceram com eh com aumento de receita e, junto, aumento de engajamento, de de melhoria de processos. Cara, é uma tarefa árdua. Dá pra gente um pouco desses números, como que foi esse crescimento? Aí a gente entra já, já na parte operacional de como vocês estão sustentando isso. Legal. Dá um overview pra gente.

É, a gente desde que a gente migrou pro B2B, né, um pouco mais de dois anos atrás, a gente dobra o tamanho da Alice a cada 12 meses.

Nossa senhora!

Eh e, e tem sido muito sobre, né, o nosso foco. A gente vende muito para empresas grandes também, mas eh onde tá vindo mais volume, a gente tá conseguindo ter mais recorrência, eh no canal de corretores e empresas até 30 vidas, que é onde o nosso produto tá mais redondo. E, e eu acho que a… é o que eu vou falar é um é um pouco… é totalmente contra, não faz, não vai fazer muito sentido, tá? Mas a gente cresceu porque a gente soube dizer não para muitas oportunidades de crescimento.

Faz todo sentido, cara. Ah, então entender o que você, o que você quer, cara. É muito difícil para um empreendedor, para um líder de vendas, falar não para um cliente para o qual ele não tem o produto mais adequado. É muito difícil. E o que acaba acontecendo é você tá ali com… você criou seu produto pensando numa persona, num tipo de empresa, num tipo de usuário, e do nada aparece uma oportunidade, [ __ ] uma oportunidade gigantesca na sua frente de que você vai falar assim: “Não, isso vai mudar a história aqui da minha empresa”. E aí você vai e vende para essa empresa, para essa pessoa, para esse negócio, e o tiro sai pela culatra porque seu produto não foi feito para aquela pessoa. Então é, é muita consciência isso, hein?

É, tem que ter e, e frieza, muita frieza e muito erro, que a gente já fez muito isso também. A gente errou. Então esse único cliente que a gente teve churn é exatamente isso: é uma empresa de que não deveria ter vendido para ela.

Exatamente. Só que é muito difícil, cara, é muito difícil você… acho que talvez essa seja a parte mais difícil do trabalho: você ter a disciplina e a intencionalidade de vender só para quem vai maximizar o uso do seu produto e vai realmente ver muito valor ali. É difícil, é foda.

É foda, eu falo isso porque é uma briga de… E às vezes é porque vocês estão crescendo bem, mas quando o mercado tá ruim, as vendas estão ruins, cara, a meta tá apertada, aí você fala: “Meu, esse aqui vem, vem, entra, vai”, porque isso vocês devem trabalhar… Você que tá na frente desse crescimento todo, bicho, você deve ter uma, uma pressão em cima de metas fortíssima. Aí fala: “Não, esse cliente aqui com várias vidas, não, não vou trazer porque não é meu ICP, cara”, o que deve ser muito difícil, cara.

É difícil, cara, é muito difícil. Eh eu, assim, a forma como a gente, como eu tento olhar isso é tentando olhar metas mais de longo prazo, né? Então, meta de um trimestre inteiro. Lógico, quero bater metas todo mês, bater meta é importante para caramba, né? Mas eh entre fazer uma loucura para bater a meta ali — às vezes faz loucura de, [ __ ] virar a noite, tá com o time ali, criar programa de…

É, exatamente, exatamente, criar programa de, [ __ ] quem vender mais vai ganhar, cara, R$ 1.000 no Caju amanhã e tal. Isso é animal, né? Tipo, isso cria muita cultura, isso é legal.

É, então esse tipo de loucura eu gosto. O que eu não gosto é fazer loucura de: “vou dar as três primeiras mensalidades de graça para fechar este mês”. Isso a gente nunca faz.

No desespero.

“Vou vender para uma empresa que tá numa região onde minha rede não é a melhor rede que vai atender ele”. Problema na certa.

Foda, é. Eh então isso foi eh isso, isso é muito difícil, cara. Isso é, isso é difícil por um simples fato de que você precisa colocar dois setores ou até mais para se conversarem e se alinharem, isso é o interesse. E se você parar para analisar como o modelo de negócio é formado hoje em dia, os setores eles são conflitantes, cada um tem o seu interesse: vendas quer vender, financeiro quer receber, a operação quer ter a operação mais redondona possível, então você precisa garantir essa unidade numa decisão única da empresa de: “pô, para quem a gente tá vendendo?”. Então, pô, a operação tá se intrometendo… Uhum. …de forma proativa e, e justa. Uhum. Na venda, e que muitas vezes os setores não se conversam.

É, o que a gente fez lá foi colocado o pós-venda… eu também toco o pós-venda. É, então, parte de geração de demanda eu divido com, com a Lilian, que olha mais a parte de marketing, branding. A gente olha junto ali geração de demanda e venda, mas venda e pós-venda tá de fato comigo. Então assim, volta e meia eu viro pro vendedor e falo: “Cara, não faz essa venda aí porque depois eu vou ter… sou eu que vou ter que dar…”.

Não, mas isso é legal, hein? Você coloca o os dois, os dois setores na mão de um cara único.

É, porque aí você começa a se preocupar também.

É, é.

E, e porque o problema clássico também é quando o marketing… é que eu tenho uma ótima relação com a CMO, com a Lilian, eh e, e a gente não faz isso. Mas assim, outro problema clássico também de vendas é: “Ah, o marketing não gera lead, o lead é ruim, o lead tá vindo”. Aí o marketing fala: “Cara, eu tô entregando lead para esses vendedores cabeça de bagre, aí eles não estão vendendo nada”. Esse é o problema. Essa interação entre vocês é boa?

É, é ótima, sim, porque o marketing da Alice é muito bom. E aí, eh pelo menos eu conheço vocês, cara. Vocês quando, quando eu, quando eu conheci a Alice pela primeira vez assim, foi eu acho que no YouTube, provavelmente, cara, bicho, só via, só via… eh me dá um, um overview de como funciona essa parte operacional da coisa eh de como vocês vão entrar na, na geração de lead, até como vocês vão dar conta desse atendimento, como vocês vão embarcar isso, inclusive em pós-venda, inclusive em operação, como que os sócios se conversam para alinhar quais são as dinâmicas. Porque o que eu tenho visto e, e li a respeito da Alice antes de a gente conversar, é que eh o nível de, de satisfação dos clientes é ótimo. Uhum. Então, como que você dobra por ano mantendo esse nível? É, é, é assim, quem é empreendedor sabe do que eu tô falando, isso é um B.O. gigantesco, cara, é muito complexo. Como que você gerencia essa… como vocês gerenciam essas duas, essas duas frentes tão conflitantes num crescimento em pouco espaço de tempo?

Cara, volta pro ponto de focar no seu ICP, no seu… em quem você tem o produto fechado. É. E que aí você consegue ganhar margem de escala, você consegue ganhar escala, o processo tá redondo, tá bem azeitado. Eh cara, e aí a coisa funciona. E o pior é que é, é, é óbvio, mas não é simples.

É, pelo contrário, cara, é muito difícil, cara.

É óbvio, cara: se você foca no seu ICP, quanto mais você vende, mais azeitado você fica mesmo, como você falou. Mas não é simples isso para… É. E aí o que eu acho que ainda muito líder de vendas faz mal é conseguir dar visibilidade pros times de produto, de tecnologia, o time que tá pensando na evolução daquele produto ou serviço, o que a gente… o que a empresa poderia fazer para vender mais. Então isso é uma coisa que eu cobro muito ali do time, assim: eh tá, mas você não… por que que essa venda aqui não virou? “Ah, porque não tinha, sei lá, porque o reembolso era X e não Y”. Tá, vamos então, vamos então pegar o número de casos de…

Vamos pra estatística, vamos para os dados.

Exatamente, quantas empresas que pediram reembolso Y? Tantas. Ah, legal, então, [ __ ] na… agora chegando agora no trimestre… todo trimestre a gente faz planejamento, né? No planejamento, vamos pegar essa análise, vamos levar pro nosso time de que tá pensando aqui em produto, né, criação de produto, e vamos dar para eles o, o guideline de: se você mudar meu produto assim, eu vou vender X% a mais. Esse fato de, de vendas é surreal pra equipe de produto.

Exato, exato.

E você tem essa cabeça, né? É, é acho que você tem que criar uma cultura de que putz, né? Eh do todo. Exatamente. E assim também que funciona muito na geração de leads. Então, eh gente, eu não sei o que aconteceu essa semana aqui, mas caiu muito lead dessa indústria, e essa indústria aqui não tá convertendo nada. Vamos tentar fazer alguma coisa na campanha do Google, vamos tentar… não vamos mais patrocinar eventos dessa… que focam nessa indústria, porque não veio, o lead veio, não tá vindo, não tá legal. Então esse feedback bem data-driven é bem importante para fazer a máquina funcionar bem.

E é uma coisa que também, de novo, óbvio, mas pouca gente faz, que é mapear, é rastrear de onde tá vindo o lead, como que está vindo, quais são as ações, que é uma, uma lição que fica para todo mundo, cara. ICP, que é o cliente ideal: qual é o seu modelo, o seu, o seu perfil de cliente ideal? Tem que ter o perfil exato. A gente agora atende muita construtora, só que por muito tempo lá atrás, cara, precisando vender, crescer e tudo mais, atendia a Deus e o mundo. Uhum. Meu, meu, meu NPS era uma merda. Uhum. Porque eu não atendia ninguém bem. Hoje, as construtoras nos amam, gostam para caramba do nosso serviço, por quê? Porque, cara, eu aprendi a trabalhar com eles e quanto mais eu trabalho, mais eu vendo, mais azeitado fica, que é o que você falou, a mesma coisa que vocês fazem. Eh falando de números, no que você pode abrir, quanto que vocês estavam em termos de faturamento, eh como tá a parte de rodadas? Vocês já estão em que nível? Eh vocês… quais são os próximos passos? Vocês pensam em quê? Vocês pensam em novas rodadas, não sei, em, sei lá, IPO? Qual é o… o que que vocês pensam pro futuro? Vocês querem bater de frente com as… vocês querem figurar entre os maiores? Eh dá um overview pra gente aí do próximo passo da Alice.

Boa, cara. Nossa missão do que, do que tem acontecido em números e os próximos passos: nossa missão é tornar o mundo mais saudável, então a gente é ambicioso e a gente quer eh realmente ser um dos principais players de saúde do Brasil. E mais do que isso, ter uma, um input relevante no como o sistema de saúde funciona. Então, eh acho que provocar, né? A gente fala muito, um sonho nosso muito é, eventualmente, algum dia fazer algum tipo de parceria com o governo ou eh…

Cara, legal, uma forma de entregar uma tecnologia pro SUS para poder ser mais escalável.

Enfim, então acho que tudo o que a gente faz é com o sonho de tornar o mundo saudável e, e esse é nosso objetivo. A gente vai fechar o ano faturando aí perto de, ah 700 milhões, 650, R$ 700 milhões de reais por aí, né? Estamos dobrando todo ano. Então, ano que vem, provavelmente, a gente… agora ficou mais difícil dobrar, hein? É, agora ficou mais difícil, porque quando é dobrar de 100 para 200, 200 para 400, vai, 700… mas vamos dobrar, tá, e tá no… Estamos, estamos bem no pace, a gente deve, deve dobrar, sim. Então, ano que vem, a gente já passa da casa de um bi real de faturamento. É, a gente fez três grandes rodadas de captação, levantamos um pouco mais de um bi real.

Boa, até hoje. Caramba.

Então vai ser um bom para caramba de, de números também. Os números para investidor.

É, a gente tem um…

Porque levantaram pouco mediante o que estão faturando no ano já, pô.

Sim, sim, sim, a gente fez uma… fez uma rodada grande. O negócio é que o mercado de saúde é muito grande, né? É, então é um mercado que tem muito espaço para crescer e, e tem dinheiro também, né? É, exatamente. E então a gente deve… acho que é isso, assim, o plano é continuar crescendo, a gente tem caixa para continuar crescendo, boa. Eh a gente tá, enfim, né? E o legal de receita recorrente é que você vai empilhando a receita, exato, então fiz uma venda num mês, que vem…

Não tem churn desse, ainda.

Exatamente, é, com o churn baixo, a gente vai empilhando a receita e aí o crescimento fica exponencial. Eh sobre o próximo passo, eu acho que é muito sobre… acho que não tem, não temos pressa para tomar o próximo passo, continuar… É, acho que se o que for necessário pra gente tornar o mundo mais saudável for um IPO, fazer um IPO; se for, eh levantar mais dinheiro com fundo de venture capital fechado, é levantar mais dinheiro; se não, se for continuar como a gente tá, já tem caixa para, né, eh sobreviver aí, continuar crescendo com as nossas próprias pernas, sim, por que não? Entendeu? Então a gente… todo mundo lá tá no longuíssimo prazo, do time. A gente não tem ninguém no, no na liderança que tenha menos de acho que… acho que eu sou o mais novo, 4 anos de Alice para cima, tá todo mundo desde o começo.

Que legal.

E é o projeto de vida de todo mundo. Então, eh a gente não tem uma, não tem essa pressa.

Vocês estão… vocês estão vivendo e cumprindo as metas do curto prazo, é isso, total.

Exato, curto prazo, entregar um produto incrível para quem… com OKR, crescer com OKR, exato, entregar um produto incrível, e isso passa para vender para quem realmente vai valorizar o nosso produto, total, e é isso.

A dor que vocês resolvem a nível Brasil, resolvem a nível global assim, pelo menos vai, em outros, em outros mercados, por exemplo, Estados Unidos, essa, essa questão… eu não entendo, tá? Mas essa questão de, [ __ ], os médicos não se conversarem e tudo mais, são dores meio que em outros países também ou é mais Brasil?

Vai depender muito do país, né? Então acho que a Inglaterra, por exemplo, não, o NHS é o sistema eh de saúde, porque isso…

Isso abre uma possibilidade de internacionalização gigante para vocês.

Aí, cara, mas pensa que no Brasil mais de 50 milhões de pessoas têm plano de saúde, é um mercado muito grande, cara. É isso, é isso, é um mercado muito grande, cara.

Só, só aqui você já tem trabalho de…

Exatamente, cara, só São Paulo, só São Paulo já é um negócio absurdo, entendeu? Então, eh assim, hoje a gente tem… não é uma o que a gente… a gente não pensa, pelo contrário, a gente bebe muito do que acontece em sistemas de saúde lá fora para trazer pro Brasil.

É, exato, exatamente.

E aí, a última pergunta pra gente já chegar na parte final: eh cara, quando você olha toda essa, essa figura que que vocês estão construindo e tudo mais, eh desse, desse sistema — eu posso chamar vocês de convênio? Vocês odeiam esse nome? Não, gente, não, plano de saúde —, plano de saúde… eh desse, desse modelo de plano de saúde que vem para provocar, vocês estão sendo o Nubank da desse universo da saúde e tudo mais, enchendo o saco. É isso, não? É que mudou muito de…

Em tempo real, né, cara? Exatamente.

A diferença é isso.

Então chega um cliente lá, domingo, 8 horas da noite, ele começa a chamar, né, chama lá a gente. Antigamente, a gente ia responder só no outro dia, 10 horas da manhã. Agora não, agora vai falando, falando, falando, falando ali, né? Eu estava vendo outro dia um vídeo do cara falando que o maior vendedor dele, pessoa, fecha os melhores contratos de sexta, sábado e domingo à noite.

Caramba!

Sabe por quê? Porque o cara tá disponível. Exatamente, exatamente. E foda, 7 horas da noite o cara te… o cara manda mensagem, ele tá disponível porque… já, já ó, você faz isso. Vender para empresário é um saco, cara. Cara, mas então, horário comercial de empresário você não consegue falar. Aí você tem que pegar horários fora do comercial. Então você pega o horário da noite, ou o horário muito cedo, ou o horário na hora do meio-dia, então você começa a intercalar. A verdade é que assim, né, às vezes até fala: “Ah, eu vou perder meu emprego por causa da IA e tal”. Na verdade, assim, as pessoas que souberem se adaptar, saberem utilizar, elas vão permanecer e vão voar. E aquela velha história: se a pessoa ela sabe usar, ela sabe, eh, eh trabalhar corretamente, aquilo lá vai evoluir 10 vezes. Então, ela fala que ela vai perder o emprego do jeito que ela acha que é aquele emprego.

Exato, o emprego antigo.

Exatamente, porque então é isso. “Porque ah, eu ligo, faço call center”. Legal, você vai perder o call center, só que você vai evoluir para outro tipo de emprego, outro tipo de, de funcionalidade. É, os empregos vão ficar mais legais na minha cabeça. Porque pensava, cara, é porque tem gente que gosta de trabalho operacional, mas carimbar, né, né? Deixa… os trabalhos, trabalhos assim manuais, trabalhos repetitivos, eu digo que já…

Filosófico, né? É, é. E tem muita filosofia para poder… Dá para a gente marcar um dia de filosofar em cima de IA, né? É legal, cara. Mas é, mas é, cara, eu acho que assim, a IA, ela veio para ficar e, como eu falei, ela tá, tá num ciclo onde a gente tá descobrindo as melhores formas de utilizar de uma forma eficiente também. Mas aí eu acho que aqueles trabalhos repetitivos, aqueles trabalhos assim que exigem ali algo todo dia a mesma coisa, a tendência é ser, é ser substituído.

É ser substituído, exatamente, né? Então é assim, né, a gente tem que saber, saber utilizar ela de uma maneira, né, eh inteligente para, para colher os frutos que ela traz.

Exatamente. Meu irmão, finalizamos, hein?

Estouramos.

Nossa, estourou. Passa rápido, hein?

Demais. Nossa vida. Queria falar muita coisa, mas é que é um tema, velho, que…

É porque tá muito assim, tá, tá muito… é muito novo, é muito novo, dá para fazer muita coisa e a gente tá descobrindo o que dá, o que dá para ser feito com ela, de tanto descobrir. É empolgada, muitas vezes se perde.

Exatamente.

Mas cara, é isso. Acho que o, o objetivo principal do episódio, na hora que eu tava para comecar com, com esse, com esse papo, era trazer luz pro empreendedor de: tá bom, tô ansioso com esse negócio da IA, o que que eu faço? Será que eu tô fazendo do jeito certo? Será que eu tô indo pro caminho certo? Se eu precisar ir pro caminho certo, se eu precisar ajustar a rota, para que lugar eu vou? Acho que a gente trouxe bastante luz.

É, só para assim, de forma resumida, porque a gente falou muita coisa, mas assim, pega ali o que te consome 80% do, do do tempo e fala com ela: “Olha, eu tenho esse problema, acontece isso, isso, isso”, dando muito contexto para ela. Manda um áudio de preferência, qualquer coisa, e fala para ela como que ela pode te ajudar. Fala: eu tô, eu tô travado nisso, 80% da minha vida tá aqui.

Exatamente, exatamente. E assim, não precisa ficar pensando que… que nem até uma vez o Felipe falou: “Cara, tô com fome aqui”. Acho que eu tô achando… Cara, a verdade é que assim, a IA ela chegou num determinado nível onde as pessoas estão descobrindo como utilizar. Tanto é que tem uma história bem… só rapidinho aqui que aconteceu recentemente, que foi muito engraçado, que a… né, o famoso Claude Code, eles sem querer eles vazaram o código-fonte do, do do próprio aplicativo Claude Code, não da IA, mas do aplicativo ali onde você usa para fazer a programação e tal. E todo mundo, o mundo da programação achou que o negócio era o código mais perfeito do mundo, que seria algo assim, nossa vida. É, e cara, era um emaranhado de, de código ruim, uma porcaria de código, cara, nossa vida, um negócio péssimo, péssimo. Agora na mão de um programador sênior, o cara ia vomitar ali de tão ruim que era o negócio. Mas por quê? Porque eles estavam atrás de feature, de lançar filtro atrás de feature, e não estavam cuidando para ver se o negócio estava… se era bom ou não. Então assim, até as próprias grandes empresas, elas estão passando por isso. Então assim, não precisa ficar com essa fome de: “ai, será que tô…”. É mais fácil você pegar, cara, senta na cadeira ali, fala: “o que que eu, o que que eu posso melhorar hoje?”, vai lá, conversa com ela.

E usar, inclusive uma dica que você dá é isso: é usar a própria IA para te direcionar.

Exatamente, né? Pega, joga uma planilha, por exemplo. Você: “ah, eu não sei nada e tal”, beleza, baixa a planilha do seu negócio lá, joga lá na no no chat de… “ah, mas todo mundo vai ver, cara”. Não tem problema.

Se dane, cara. Se dane, cara.

Você acha que o cara tá… o negócio tem mais de um bilhão de usuários lá, o cara tá preocupado com uma empresinha que, que fatura ali 1 milhão só por mês ali e tal?

LGPD, [ __ ] nenhuma. O que que, o que que interessa isso aí?

Logicamente que a gente tem que tomar cuidado, né? Você não vai também jogar ali qualquer tipo de informação, principalmente em IAs gratuitas, porque realmente essas geralmente usam esses dados para treinar. Mas geralmente empresas, quando você paga uma assinatura ali, tem toda uma estrutura por trás ali, e se foi usar, usa essas mais conhecidas.

Eu não jogo qualquer coisa, né? Esses nudes que você me mandou, eu joguei.

É, mas aí é só…

Mas eh às vezes traz muito impacto, velho.

Mas só tem esse negócio de: “ai, meu Deus, verdade, eu tô aqui, nossa, eu faturo R$ 1.000, R$ 10.000 por mês, mas o pessoal da, da OpenAI vai me ver, cara”. Cara, os caras estão cagando para você, cara, tão cagando para você. Tem nada de de especial aí. É, aí acha que: “ah, mas se eu jogar um dado aqui, meu concorrente vai… ó, qual que é o, qual que é o faturamento do, do meu concorrente?”. Você acha que a IA vai falar? Ela, ela não tem esse nível assim de pegar esse tipo de informação.

Já tentou?

Já, já tentei. Não, não traz. Ela só traz baseada em informações abertas, né, que, que ela conseguiu pesquisar na internet. Oreo que ela pode fazer ali é treinar se aquela resposta tá boa ou não, aquele formato tá bom ou não, mas não assim de gravar números e te dar eh te dar isso como banco de dados. Exatamente, exatamente. Então é mais um modelo de, de treinamento. Então assim, senta lá, cara: “o que que eu posso melhorar nessa situação aqui?”, e vai conversando com ela, vai conversando, conversando até conseguir chegar, né, melhorar aquela aquela situação. Exatamente. Estamos junto, meu irmão.

Galera, todo esse episódio e esse, e esse conteúdo, de forma gratuita aqui na internet, são graças aos nossos patrocinadores, começando pela SMB Store, né, que desde 2018 tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro. Tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar, que inclusive anotei e mandei um insight para você no meio da nossa conversa no WhatsApp pra gente depois falar sobre isso, pra gente também trazer a SMBIA.

Sim, sim, aqui pra gente começar a falar, porque, cara, é um negócio que tá super hypado. Eu, como eu falei, eu tenho usado… não o suficiente, eu queria usar mais ainda a, a SMBIA, de criar meus agentes e tudo mais. Mas, cara, é que você precisa treinar e tudo mais, e na correria você não, não acaba conseguindo.

Você queria porque você queria, mas não por necessidade.

Exato. O que eu precisava mesmo criar, o que eu criei tá funcionando.

E você tem que usar de pouquinho em pouquinho, não quer… você não pode chegar lá e meu, já quero… É, se você criar 10 agentes ao mesmo tempo, você não consegue nem dar conta. Também tem que ir aos poucos ali. E, e às vezes para você, né, com o empresário tá com dificuldade aí de criar os seus agentes, nesses exemplos que a gente falou: criar um, um gerente de vendas que olha o CRM da sua empresa e entrega relatórios para você, que cruza com seus dados de marketing, o outro que faz uma a pauta de reunião para você — que é no caso a minha idia de bibliotecária. Se for usar a bibliotecária, a própria aí você paga os direitos autorais, né? Eu que criei. Eh mas é isso, como criar isso? Vai para a SMBIA e entra em contato com o Alonso, e, e pergunta para ele como faz para contratar, porque ele te dá todo o passo a passo. Tem a página, tem tudo lá. Se você procurar SMBIA aparece, né?

Exatamente, exatamente.

É isso aí, né? Também a RZ3, transformando conhecimento em impacto real, porque negócios fortes movem o futuro. Eles são uma consultoria integrada que une estratégia, finanças e tributos com eh tecnologia, a fim de transformar complexidade em crescimento. Todo negócio precisa, ou vai precisar um dia, da RZ3, porque a complexidade não espera o empreendedor estar pronto para lidar com ela. A agência Rplan, porque o mundo digital não para, o seu negócio não pode ficar para trás. Eles são uma agência de inovação digital que acompanha tudo o que tá mudando, desde o TikTok Shopping a agentes de IA, e traduz essas tendências em resultados práticos pro seu negócio. Polux: sabia que a maioria das empresas paga mais impostos do que deveria? A Polux é uma consultoria especializada em gestão tributária que encontra, de maneira legal, onde o seu negócio tá deixando dinheiro na mesa com impostos. Semic Displays: quem vende forte no varejo sabe que o ponto de venda decide a compra. Se a sua marca ainda não aparece do jeito certo no PDV, a Semic, a Semic Displays te ajuda com isso. Eles são líderes no Brasil em soluções criativas para PDVs, desde balcões, bandejas, displays e muito mais. Tá precisando vender mais? Conte com a Semic. Cross Host: quer dar voz ao seu negócio e alcançar mais pessoas? A Cross Host é referência em produção audiovisual para podcasts e eventos, e com estrutura completa para quem quer construir autoridade de verdade na internet. E Max Service, que isso é uma contabilidade consultiva que fica do lado della gestão, não só do balanço e da burocracia. Enquanto a maioria dos contadores aparece na sua empresa uma vez por ano, eles estão na mesa de decisão junto com o empresário, especialmente para quem opera no Lucro Real, que é onde o jogo fica muito mais complexo e também muito mais caro quando mal gerido, ou muito mais barato quando bem gerido. Então a Max Service te ajuda nisso aí, estamos juntos. E você que tá aqui eh acompanhando esse podcast, pode ter certeza de que muitos dos patrocinadores que estão aqui em cima são patrocinadores que te ajudam no dia a dia, nos problemas que você enfrenta. E, pô, às vezes você tá aí caçando eh como resolver, e a solução tá aqui. Depois você volta aqui para me agradecer. São empresas e empreendedores à frente dos negócios, curados por mim, então pode ir de olho fechado porque o negócio é garantido. Beleza? Tamo junto, Alonso. Seguinte, meu caro, imagina que você tá saindo aqui, voltando para São José. São José, Josinha, terrinha da tecnologia, do avião, né? Tá voltando para São José, Embraer lá. Eh quantos anos você tá agora?

  1. No auge dos seus 38 anos, acontece um, um imprevisto: você pisca e acorda na frente de Deus. Ele fala: “Filho, bem-vindo agora”. “Falei agora, que eu tava lançando a SMBIA? Espera, o negócio vai bombar”. Mas os planos de Deus às vezes pregam peças, né? E a gente vive achando que a vida é para sempre. Eh nunca aconteceu com ninguém, você… a gente já fez uma pergunta semelhante a essa para você lá atrás, mas na vida de hoje, 3 anos depois, se desse para condensar — não 35 de 3 anos atrás, mas 38 agora —, anos de vida eh em um conselho, que conselho você deixaria, cara? O que que você deixaria gravado na sua IA? Na sua IA, cara. Eh eu acho que é, é algo que eu, que eu venho eh aprendendo muito, mas é como eh agregar na vida do próximo, ajudar sem esperar nada em troca, sabe? É, você… é que nem com essa questão da IA, a gente tá… implementou em alguns clientes ali sem ficar cobrando, sem ficar, sabe, cara, né? Eu quero, né, investigar essa tecnologia aqui e tal, não vou cobrar nada e tal, sabe? Querer ajudar o próximo de fato.

Exatamente, exatamente, né? Fazer ali por vontade de ajudar, de como agregar na vida do próximo mesmo. Porque quando você coloca o financeiro, o dinheiro na frente, eu acho que aí o negócio já começa errado, né? Então assim, é algo que não perpetua. Então quando você age ao contrário, o dinheiro, as finanças, as coisas ali — não que você vai ficar pensando nisso —, mas assim, é uma… vira uma consequência.

É sintoma.

É uma consequência. Então é uma coisa que eu tenho aprendido muito com várias pessoas e, e eu acho que é isso, né? Como agregar na vida do próximo sem esperar nada em troca ali, né? De fato, melhorar a vida da próxima, da próxima pessoa. O que que eu posso fazer para melhorar ali a vida da próxima pessoa, né? Então acho que, que é isso.

Estamos juntos, meu caro Alonso. Valeu, tamo juntaço. Baita de um podcast. Use e abuse desse episódio, corta para caramba, manda, vai embora, porque o negócio ficou bom, cara. Você vai ter cortes para caramba. E outra coisa, o Alonso também tá produzindo conteúdo de IA na página dele: @AlonsoSMB. Está aqui embaixo também o perfil dele. Cara, dicas super eh operacionais, super reais de como de fato implementar isso no seu negócio e não só: “Ah, o Google tá acabando”, como você falou, que é o que eh hoje em dia só se tem conteúdo raso e superficial desse tipo. Então, cara, acompanha o Alonso lá, porque se você seguir só a página dele, eh já provavelmente já é um filtro importante sobre o que que você precisa consumir de inteligência artificial na internet. E é isso. Se você gostou, compartilhe com seus amigos, com seu sócio, com a a turma que você acha que precisa ouvir o que a gente conversou aqui. Tamos juntos e até a próxima. Valeu!

Até a próxima. Falou.

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