Terapia de Sócios, Governança do Capital Humano e os 5 Pilares das Sociedades com Rogério Bragherolli | Além do CNPJ (EP #168)

A Fragilidade Oculta do Ecossistema Societário

No universo corporativo, quando um negócio começa a apresentar sinais de queda nas margens de lucro ou desaceleração de vendas, a reação imediata dos fundadores é auditar a área comercial, o fluxo de caixa ou a estratégia de marketing. No entanto, o mercado real prova que o motivo número um de mortandade das empresas em fase de escala reside em uma causa sutil e dolorosa: o alinhamento de expectativas e o ruído comportamental entre os sócios.

No mais recente episódio do Além do CNPJ, gravado no estúdio da Cross Host em São Paulo, recebemos Rogério Brageroli, engenheiro, economista (USP), psicanalista, ex-vice-presidente de RH da Syngenta e criador da metodologia patenteada Terapia de Sócios.

Com 35 anos de bagagem executiva em multinacionais na América Latina e atuando como mentor de C-Level, Rogério desconstrói as narrativas rasas de palco e aborda a gestão do capital humano como o ativo mais valioso — e perigoso — de uma organização.

1. Da Educação de Base à Quebra de Ciclos

A história de Rogério Brageroli reforça o poder transformador da educação de qualidade. Nascido no Brás e criado na periferia da Vila Maria, em São Paulo — filho de pais com o primário incompleto —, ele foi o primeiro membro de sua família a conquistar um diploma universitário. A virada de chave em sua trajetória ocorreu ao estudar em uma escola filantrópica subsidiada pelo Colégio Sion.

Ao comparar o abismo da educação pública com o ensino privado no Brasil, Rogério destaca que o verdadeiro ganho da boa formação não é apenas o diploma, mas o acesso, a ambiência e a construção de networking.

“A única maneira de melhorar a distribuição de renda deste país é através da educação de base. O investimento no ensino de base evita que a juventude perca o futuro. Meritocracia existe na vida real, mas quem sai 40 metros atrás em uma corrida precisa de um esforço infinitamente maior para alcançar a linha de chegada.”

2. A Ilusão das Comparações e a Estratégia de Mercado

Forjado em cadeias complexas de suprimentos (Supply Chain), vendas e recursos humanos, Rogério traz uma visão pragmática sobre o papel da estratégia no ambiente de negócios. Para o executivo, a estratégia não é um privilégio restrito a generais ou CEOs de grandes corporações; é a ferramenta que concede um diferencial competitivo até mesmo para o pequeno prestador de serviços.

Ele faz um alerta sobre a “comparação sacana” alimentada pelas redes sociais, onde empresários pautam sua saúde mental e decisões de negócios ao se comparar com mentores de palco e falsas métricas de sucesso.

$$\text{Diferencial Competitivo} = \text{Competência Técnica} \times \text{Abordagem Estratégica}$$

3. O que é a Terapia de Sócios?

Inspirada na psicanálise e no funcionamento dinâmico dos relacionamentos humanos, a Terapia de Sócios é um processo preventivo, estruturado e individualizado. Seu objetivo é mediar a relação societária a partir do equilíbrio entre a técnica de gestão e o perfil psicológico dos sócios.

Diferente do mediador jurídico tradicional — que costuma ser acionado quando a empresa já está em processo de dissolução —, a Terapia de Sócios atua na prevenção para garantir a longevidade da empresa e o bem-estar do time executivo.

[Anamnese Individual (Sócio A e Sócio B)] ➔ [Diagnóstico do "Inconsciente" do Negócio] ➔ [Alinhamento dos 5 Pilares] ➔ [Sustentabilidade do CNPJ]

Os 5 Pilares Inegociáveis da Sociedade:

  • 1. Comunicação: Capacidade de ter conversas corajosas e transparentes no dia a dia, evitando que pequenos incômodos acumulem e virem atritos destrutivos.

  • 2. Técnica e Processos: Definição clara de como a operação roda. Processos organizados evitam que a mudança de mercado destrua o produto.

  • 3. Estratégia: Visão alinhada sobre a direção do negócio e a forma de posicionamento perante a concorrência.

  • 4. Organização e Descrição de Cargos: Definição milimétrica de atribuições, limites de alçada e responsabilidades de cada parceiro dentro da empresa.

  • 5. Planejamento Financeiro: Alinhamento sobre previsibilidade de caixa, reinvestimento do lucro e visão de crescimento de longo prazo.

4. O Tripé do Trabalho Feliz

Rogério sintetiza que a felicidade profissional — seja em uma carreira corporativa, como servidor público ou à frente do próprio negócio — exige o equilíbrio de três variáveis:

  • Grana: Remuneração justa e alinhada às necessidades e ao padrão de vida.

  • Propósito e Ambiente: Um ambiente de trabalho saudável, focado no respeito e em uma missão real.

  • Aprendizado Contínuo: A percepção de estar em constante evolução e desenvolvimento de competências.

Quer aprender a mediar conflitos na sua diretoria, estruturar o capital humano da sua empresa e aplicar a Terapia de Sócios no seu negócio? Assista ao episódio completo agora mesmo!

Ler Transcrição Completa

Pessoal, eu acho que a única maneira de você melhorar a distribuição de renda desse país é através da educação. Não tem outro jeito: ou você investe na educação e você põe dinheiro e ajuda. Eh e eu, eu… o pessoal fala… tem muita gente, e não tô aqui para para discutir sobre cotas ou não, a, a cota é muito importante hoje. O governo precisa investir em educação e na educação de base. Por quê? Porque senão essa molecada vai acabar indo pro crime, não vai acabar tendo chance, e aí assim por diante. Aí vira aquela bola de neve que, infelizmente, a gente tá vivendo nesse nosso país, né? Estratégia serve para você ter um diferencial competitivo. Então, se eu sou um pintor de paredes e tenho estratégia, eu posso não ser o melhor pintor de parede, mas se eu tiver aquele approach para chegar: “Bruno, eu sei, eu fiz isso, eu trabalhei desse jeito, eu faço desse jeito”, você vai me contratar e não vai contratar ele, que pode ser até melhor do que eu. Isso é estratégia. Uhum. Hoje a comparação é sacana. Por que que a comparação é sacana? A comparação é sacana porque você tá sempre se comparando com o melhor. Porque a hora que você entra na internet: “ah, eu quero o cara mais bonito”, putz, você vai lá, vai ter o Cauã Reymond e você fica do lado dele: “putz, eu sou mais feio”. “Eu quero o cara mais rico”, aí você vai no Elon Musk: “putz, eu sou um miserável”. “Ah, eu quero o cara mais inteligente, eu quero o cara mais famoso”. Além de os caras serem mentirosos, né, porque na internet está cheio de mentiras, você sempre vai achar um cara melhor que você.

Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um episódio do podcast do Além do CNPJ. Muito obrigado por estar aqui pra gente trocar essa ideia de empreendedorismo vida real. Do meu lado, Bruno Bertozzi, o monstro.

Estamos juntos, vamos para cima.

Para cima de mais um.

E cada dia melhor.

É isso que eu tava falando, eu tava pensando nisso: o nosso podcast tá cada dia mais entrosado.

Tá, por mais que eu ache que o nosso primeiro podcast já foi muito entrosado, mas a gente tá cada dia melhor. E é isso, é uma construção, e, e o, o feedback que eu tenho recebido da galera que, que nos, nos ouve é muito bom, cara. Você acredita que eu tenho… Esses dias eu tava conversando com um amigo meu que eu nem sabia que ele escutava os podcasts, ele fala: “Cara, escuto todos, todos, todos, todos”.

Um amigo me deu feedback outro dia também, falou: “Nossa, cara, gosto muito. A, a forma como vocês levam é muito de boa, é muito tranquilo, não tem aquele negócio muito rápido”. É, é, ele tava até analisando os podcasts na… A galera fala assim: “Não tá muito estruturado lá, é muito ‘piti’ de vendedor”. Aqui a gente é… é isso, cara. Aliás, a gente não faz um corte, né?

[risadas]

A gente é… A gente leva tão na boa que a gente, a gente aproveita muito pouco, aproveita muito pouco. Porque eu poderia aproveitar tanto, nós poderíamos aproveitar tanto. Hoje tem cara bom, hein!

E hoje o podcast é emblemático, cara. A gente sabe que na trajetória empreendedora, muitas vezes a gente, quando começa pequenininho — que é a grande maioria da, da vida dos empreendedores —, ah, pô, o cara foi demitido junto comigo, ou um amigo de infância, ou conheci ele na empresa: “pô, vamos montar uma empresa aí, ó, vamos, vamos empreender juntos, bora! Amizade, né?”. Eh ou um primo, um amigo… Só que, conforme a empresa começa a crescer e os, e as dificuldades da vida real começam a imperar, os problemas começam a acontecer. Fora que se pinta na internet um empreendedorismo muito romântico. Uhum. “Ah, empreender é maravilhoso, flexibilidade, faça seu próprio horário, seja seu próprio chefe, ganhe dinheiro”, tal, tal, tal. Mas não saiba, não saibam… As pessoas não sabem, e, e não se fala ou se fala muito pouco sobre isso, que o empreendedorismo é pegado e que exige muita maturidade e inteligência emocional, resiliência, inteligência, resiliência, tudo mais. Então, esses pontos são pontos que a gente condensou em trazer o convidado de hoje, o cara é monstro disso aí. As conversas de bastidores que a gente tava tendo aqui já dava, já dava vontade de gravar, mas eu falei: “vamos parar porque eu preciso trazer isso pro episódio”. Tô com… Com vocês, Rogério Brageroli, meu caro, muito obrigado.

Prazerão estar aqui com vocês.

Por topar e aceitar o convite, vir trocar ideia com a gente.

Eu é que agradeço.

E vai ser um baita podcast, cara. Já tô ansioso, vou… Já vou aproveitar…

Claro.

Você gosta, né? É uma temática que particularmente te pega, né?

Gosto. E é uma coisa assim, ó: é quando eu tô com caras igual o Rogério aqui na minha frente, eu já falo: “Nossa, chegou a hora da consultoria grátis”. É isso, velho. Vou aproveitar…

[risadas]

Aproveitar a ideia, essa mesma história, aproveitar esse podcast para mim.

[risadas]

Rogerão, cara, mais uma vez, obrigado por topar o convite.

Obrigado.

E, cara, antes de a gente começar e falar um pouco da tua trajetória, o que que da… do… da tua vida hoje, o que que você faz, como você ajuda os empreendedores e, mais do que tudo, a tua, a tua trajetória também empreendedora, eu queria que você eh nos falasse um pouco do Rogerinho. De onde que o Rogerinho veio? Nasceu aonde? Como que foi a tua infância? Você teve pai e mãe presentes? Quais foram suas referências? O que que você queria ser quando você crescesse? Qual era a tua trajetória da infância até a vida adulta? Dá um overview de contexto pra gente.

Então, vamos lá. Eh eu sou um paulistano nato, eu sou nascido no Brás.

Caramba, do Brás nato!

É, sou nascido no Brás, depois eh morei na Vila Maria, que é um bairro hoje da periferia, né? Eh morei na Vila Maria. Meus pais eh fizeram até o terceiro ano primário cada um.

Legal.

E eu cresci, putz, tive uma infância muito legal, [ __ ] jogando futebol. Não tinha nem… Não tinha nem asfalto na minha, na minha rua. Depois chegou o asfalto, depois chegou o esgoto. Eu vou, eu vou fazer 65.

Caramba, tá conservado, hein, bicho?

[ __ ] conservado para [ __ ].

Obrigado, obrigado. E aí, o que que aconteceu? Foi legal, foi uma infância muito bacana, eh grandes amigos que eu tenho até hoje.

Legal.

E uma das coisas que aconteceram na minha infância, que foi muito legal, e na minha adolescência, além de todas essas coisas que aconteceram numa infância raiz, mas muito bacana, é assim: eu tive a oportunidade de estudar numa escola gratuita, porque no meu bairro nem escolas pagas existiam na época. Mas uma história… uma escola gratuita que, na verdade, era subsidiada por uma escola aqui do centro de São Paulo, que era o Colégio Sion, em Indianópolis.

Caramba, super…

É, eles subsidiaram… Tinha uma escola na Vila Maria, que também era o Colégio Sion, que era subsidiado para as crianças que não tinham condições, num bairro mais periférico.

Caramba, que legal!

Isso me ajudou demais. Eu acho que isso foi um primeiro ponto de impacto, né? É, não, a educação é muito importante porque isso, putz, fez a grande… Eu posso te falar que fez a grande diferença. Eh, eh depois que eu acabei o antigo ginásio, que são os… os oito primeiros anos… Eram os oito, agora são nove primeiros anos, né? Eu fui para uma, para uma escola do Estado, no bairro mesmo, mas foi essa base que conseguiu me levar para a Universidade de São Paulo, que conseguiu me formar engenheiro, que conseguiu me formar economista. Então foi muito legal isso daí.

E, e como era a relação dos teus pais, que não completaram nem os estudos, com o estudo do filho, dos filhos ou do filho?

Foi uma relação extremamente importante, porque eles me priorizaram. Sim, eles não esperavam que eu ia chegar onde eu cheguei porque, putz, na época eu tinha uma prima minha que fez Tecnologia, que conseguiu se formar, mas eu fui o primeiro a me formar na família inteira, né?

Que legal!

E eu acho que isso é muito normal na, na periferia, né? E essa formação, [ __ ] ela me deu uma série de, de vantagens. Eu consegui ter uma, uma ascensão bastante razoável socialmente, financeiramente, economicamente.

Quebrou o ciclo.

Quebrou o ciclo. E não é uma coisa… Educação, o poder da educação.

É. E não… E, e eu, e eu vejo, pessoal, eu acho que a única maneira de você melhorar a distribuição de renda desse país é através da educação. Não tem outro jeito. Ou você investe na educação e você põe dinheiro e ajuda… Eh e eu, eu… O pessoal fala… Tem muita gente, e não tô aqui para para discutir sobre cotas ou não, a, a cota é muito importante hoje. Ela pode causar alguns problemas e ela causa, é verdade, mas não tem a solução perfeita. Mas eu ainda diria mais: eu acho que o governo tem que investir na, na educação de base. Ah, isso tem um negócio na internet que é um filme que acho que todo mundo pode pegar, muito interessante, onde tem várias crianças… Não sei se vocês já viram, mas aquilo para mim é, é emocionante. E aí um, uma pessoa, um técnico começa a falar: “Vocês vão fazer uma… uma corrida de 100 ou 200 metros”. Não tô… Mas tá na internet. Aí fala: “Bom, quem tem inglês?”. Aí alguns levantam a mão: “Andem 10 passos”. “Quem está estudando numa escola paga?”. “Tantos passos”. “Quem tem comida todo dia na sua casa?”. Bom, cara, a hora que começa a corrida, o cara que não tem nada, ele tá a 40 metros atrás do, do outro. Eu vejo meus filhos hoje estudam numa escola de ponta, é a melhor escola que tem o melhor… que tem o melhor eh índice dessa do Enem, é o melhor índice do Enem a escola onde os meus filhos trabalham, eh onde os meus filhos estudam. Pô, eu vejo o nível quando eu comparo com… E eu conheço porque eu trabalho, às vezes faço serviço de voluntariado numa escola estadual, não dá para comparar, cara. Não, você pode ser o… Você pode ser o Pelé, mas você vai… Você vai ter que jogar muita bola para chegar lá, entendeu?

A meritocracia que falam, porque de fato existe a meritocracia do ponto de vista da realidade. Porque o cara que largou 40 metros atrás, ele consegue chegar na… Mas com um esforço muito maior.

Exatamente. E vamos ser sinceros: às vezes não consegue porque não dá, cara. Porque não dá, porque não é só o estudo, não, não é uma… É o relacionamento.

É o relacionamento, é o ambiente que você vive, tem um monte de coisas. Putz, eu me lembro, eh quando eu era estagiário, a primeira vez eu fui almoçar num restaurante que ainda existe até hoje ali na Pan-Americana, [ __ ] eu era um duraço, duro, duro, não tinha gato para puxar pelo rabo. E aí eles me levaram para almoçar e eu não sabia que a coisa ia ser paga por… pela pessoa jurídica. E os caras começaram a, a comer, a pedir chopp, a pedir… E eu, cara, comendo pouco, falei: “Cara, se for dividir, eu não tenho…

[risadas]

…grana para pagar isso aqui, eu não tenho grana, não”. Tava assim, eu, eu não comi nada, foi horroroso, suava, eu tava desesperado, cara. Depois foi a pessoa jurídica que pagou. [ __ ] se eu soubesse, se eu soubesse, cara. Por quê? Porque eu vim de um lugar que não era assim, era tudo dividido, entendeu? Então, essas coisas vocês têm razão, eu acho que eh a gente precisa tentar dar chance para esse tipo de, de pessoa que tá querendo vencer, e o governo precisa investir. Eu não tô falando… Independente do governo que tiver, o governo precisa investir em educação e na educação de base. Por quê? Porque senão essa molecada vai acabar indo pro crime, não vai acabar tendo chance, e aí assim por diante. Aí vira aquela bola de neve que, infelizmente, a gente tá vivendo nesse nosso país, né?

É isso aí. E aí, como foi o seu salto para, para a carreira?

Pois é, aí eu, eu quando eu acabei o colégio, eu sabia que eu ia morar debaixo da ponte se eu não, se eu não trabalhasse, se eu não fizesse alguma coisa diferente. Isso, acabar o colégio. É, aí colégio é o… Para quem não sabe, é, é… Não é o intermediário, né? É o intermediário, né? Eh aí eu dei uma sorte, porque sorte também, e, e assim, eu falo de sorte, sorte é uma coisa muito importante, mas eu vejo assim: a, a metáfora que eu uso é o cavalo. O cavalo passa, você tem que montar, cara. Isso é a sorte, pô. A sorte passa, tem cavalo que passa na frente do cara, o cara fica olhando ali, não monta, o cara não vai montar, não vai subir nunca, você entendeu?

A sorte acontece quando você tá preparado.

A sorte acontece. E aí eu tive uma tia-avó que faleceu e deixou uma herança para 10 sobrinhos, no qual minha mãe era uma das sobrinhas. Aquilo foi possível eu poder estudar em duas faculdades e minha mãe conseguir segurar as pontas com o dízimo da herança de uma casinha que a minha, a minha tia-avó deixou, aí deixou. Então aí foi legal, aí eu consegui fazer o primeiro, segundo ano de Engenharia, depois eu entrei na Economia, e aí eu já tive… Aí a grana já tava acabando, aí eu tive que começar a estagiar e trabalhar por minha conta, pá, pá, pá. Comecei a trabalhar, entrei numa multinacional e aí tudo começa a mudar. Dentro de uma multinacional, você começa a ter ah oportunidades, subsídios, referências, além de tudo isso. E assim, e eu não tô me gabando, é diferente você entrar na marra, né, com o peito e com a coragem, do que entrar indicado.

Uhum.

Hoje até tá um pouco mais tranquilo porque com a internet… Mas a indicação é muito importante, o networking é muito importante. Então, uma das coisas que eu falo pras pessoas, uma das competências que todo mundo tem que ter é networking. É, essa é a… Pô, mas competência networking? Para mim é networking, contato… Uma das mais… Não é contato. Networking é uma coisa difícil, que é uma… É uma via de duas mãos, dá trabalho para fazer, mas você tem que ter. Poxa, eu preciso de um cara para reformar minha casa, então eu preciso ter um pedreiro, ou um arquiteto, ou um engenheiro bom. Eu preciso ter esse networking para saber. Eu preciso de um médico bom, eu preciso de um economista, qualquer coisa a gente precisa ter networking, e você precisa também ajudar as pessoas, como eu falei, o networking é você dar e você receber. E o networking para mim é muito importante. Aí comecei a trabalhar, entrei numa multinacional, comecei a trabalhar como engenheiro, depois eu percebi — tarde isso —, percebi que trabalhando como engenheiro eu ia chegar a um determinado nível, e eu não tô desprezando os engenheiros, não.

Sim.

Mas eu precisava dar um salto. Aí fui para uma empresa completamente diferente da, da que eu trabalhava e fui, deixei de ser engenheiro. Fui trabalhar com Supply Chain, depois trabalhei com Finanças, trabalhei em Vendas, acabei em RH, trabalhei 17 anos nessa empresa. Voltei pra minha empresa inicial, caramba, por uma coincidência, uma feliz coincidência, uma feliz coincidência. Eh e aí já voltei como diretor de recursos humanos dessa organização, trabalhei mais 4 anos, e depois eu ainda fui para uma outra empresa onde eu trabalhei mais 8 anos, que foi muito legal, e cheguei a, a posições de diretor latino-americano, vice-presidente de, de RH. Isso me ajudou muito a conhecer o mundo, a conhecer diferentes culturas, a conhecer outras pessoas, a estudar estratégia — que é outra coisa que pro empreendedorismo eu falo que é outra competência extremamente importante: “putz, eu tenho que estudar”. Aí como é que eu estudo estratégia? E não… Primeiro, cara, para que serve estratégia, né? Estratégia serve para você ter um diferencial competitivo. Então, se eu sou um pintor de paredes e tenho estratégia, eu posso não ser o melhor pintor de parede, mas se eu tiver aquele approach para chegar: “Bruno, eu sei, eu fiz isso, eu trabalhei desse jeito, eu faço desse jeito”, você vai me contratar e não vai contratar ele, que pode ser até melhor do que eu. Isso é estratégia. Isso.

Uhum.

Então, todo mundo tem que ter estratégia. Estratégia não é só para político, para eh general, para CEO de empresa. Estratégia é para todo mundo.

É. Uhum.

Entendeu? Até carreira, carreira até pro porteiro de um, de um, de um, de um… de um hotel, estratégia para tudo. E o cara que é minimamente estrategista, ele voa.

Ele voa.

O porteiro vai ficar por pouco tempo como porteiro.

Sem dúvida.

Dúvida. Ou então alavancas, né? Aquilo com alavancas.

Ou então o porteiro vai pegar esse toque: “putz, eu sou um porteiro, mas se eu aprender a falar direitinho português e aprender um pouquinho de inglês…”, ele sai de um hotelzinho vagabundo e vai para um hotel cinco estrelas.

Exato.

E ele triplica, quadriplica o salário dele, você entendeu?

Funcionários ótimos que eu tenho hoje que estão comigo já há anos, e anos, e anos, alguns deles eu recrutei em telemarketing da vida.

Nossa, sim.

Outro… Uma, a Jaque, que trabalha comigo até hoje, mais de 10 anos trabalhando comigo, ela me atendeu na padaria. Eu olhei e falei: “Diferente”.

E essa diferença, isso é estratégia. Eu sou, eu sou conselheiro de, de uma empresa e a gente contrata gente pro front office, para atendimento de uma empresa alimentícia, para atendimento no balcão. E outro dia eu tava dando uma entrevista para uma, para uma emissora, eh uma entrevista na TV, e aí a, a pessoa me perguntou: “Qual é a competência, a maior competência que você daria pro jovem hoje?”. E eu falei para ele assim: veio o debate, pronto, eu falei “vontade”. Porque, cara, você faz alguns processos, o que você falou: você faz alguns processos, o cara chega com uma cara… Parece puto, parece que ele veio obrigado aqui. Ele vem na… Ele vem com aquela posição: “é, eu tô aqui para ganhar meu salário”.

Nem que ele seja… Que você ganha 10 e aparecem três.

Isso, nem que ele seja pequeno. “Eu tô aqui para… Não me encha o saco”. Outras coisas, cara, e assim, vontade já… Você já tá lá no topo da, da, da pirâmide. Hoje se tiver só vontade, você já tá num patamar… Já tá no… Já melhora. Só com vontade, você já tá num… Cara, é impressionante. Se você não tem vontade, e, e você fala: “pô, mas todo mundo tem vontade”, olha, não. Não tem vontade na primeira semana, porque depois da segunda semana perdeu. Aí a primeira bronca, o primeiro dia em que você fala: “Dá para você ficar meia hora a mais?”, acabou a vontade, acabou a vontade. Todo mundo quer ser diretor, todo mundo quer ser presidente, todo mundo quer fazer um podcast como se fosse fácil você crescer dentro de um podcast, como se fosse fácil você ter um… um YouTube. E hoje existe uma outra coisa que eh a gente trabalha muito em psicanálise: é o comparativo. Antigamente, na minha… E eu não, não quero falar “pô, antigamente era melhor”, não tem nada a ver, é outro mundo. Mas na minha época, eu me comparava com alguém, falava: “Putz, aquele cara é um engenheiro, eu quero ser igual a ele, é um cara que, que conhece bastante, é um cara que resolve os problemas”. A comparação, ela era saudável.

Exato.

Hoje a comparação é sacana. Por que que a comparação é sacana? A comparação é sacana porque você tá sempre se comparando com o melhor. Porque a hora que você entra na internet: “ah, eu quero o cara mais bonito”, putz, você vai lá, vai ter o Cauã Reymond e você fica do lado dele: “putz, eu sou mais feio”. “Eu quero o cara mais rico”, aí você vai no Elon Musk: “putz, eu sou um miserável”. “Ah, eu quero o cara mais inteligente, eu quero o cara mais famoso”. Além de os caras serem mentirosos, né, porque na internet tá cheio de mentira, você sempre vai achar um cara melhor que você. Então, em vez de ela te levantar e de você usar a comparação como uma coisa bacana, você usa a comparação para te arrebentar.

Exato, a internet… A internet acabou com isso.

Acabou com tudo isso. “Nossa, né? Eu sou um nada”. Você… Tudo o que você olhar para… “Eu quero me comparar…”, é, “eu quero me comparar com o mentor, mentor de executivos”, que é uma das coisas que eu faço. Putz, eu vou achar caras melhores do que eu. “Eu quero me comparar, sei lá, como um atleta”, você tá sempre ferrado, cara.

Hoje tem uma, uma métrica de que o mais conhecido vence o melhor, né? Porque é isso: quanto mais você tá exposto e fazendo não sei o quê, você acaba sendo referência.

E tem, e tem uma história, né? E tem uma… E eu falo dos mentirosos, eu venho escrevendo bastante sobre isso. Tem uma história que é assim, ó: o fundo do poço é o lugar mais habitado no mundo corporativo e no mundo empresarial, só que ninguém tira selfie dele. Você não tira selfie do fundo do poço, né? “Ah, tô aqui, ó. Tô na falência, tô na merda, ó”.

Mas dariam boas histórias.

Putz, se pudesse, bem aproveitadas, acho que dariam histórias melhores do que as histórias de sucesso. Mas ninguém mostra, você entra no LinkedIn, você só vê cara arrebentando: “Eu tô fazendo… Eu tô, eu tô estudando na Europa”. Não, você tá sem emprego e tá fazendo uma hora tentando arrumar outro emprego. Ninguém conta a verdade, cara, é isso. No YouTube, em qualquer coisa. Então, verdade. E aí eu me formei, né? Trabalhei muito tempo. Eu tinha um medo porque eu fui indo bem, você vai crescendo, né? E não é crescendo… Eu tive uma um crescimento exponencial, mas de 35 anos. Não é o crescimento exponencial hoje que as pessoas querem ter de 1 ano, 2 anos. Aí eu, eu tava… Tava conversando com ela, anos uma empresa… Tanto é, tava conversando com uma empresa, eu tava conversando com ela sobre o um colega que tá batendo de frente com a Rede Globo em cima das transmissões, né? Não vamos falar de nomes, mas, [ __ ] é ele, quem é o outro? Putz, eu bato palma pro cara, ele pode ter problemas e não sei o quê, mas o cara fez, fez, cara. Foi lá e fez, o cara foi lá e fez.

Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.

Pois é, ele foi lá e fez. Então todo mundo fala: “Não, em seis… Em seis anos eu quero estar milionário, bilionário”. Não, não é assim, minha carreira foram de 35 anos, e morrendo de medo de perder a posição.

Agora você falou que você foi da Engenharia para a Economia, Finanças, tal, e caiu numa área que é bem diferente de todas essas, que é o RH, que é a área mais eh comportamental e análises, e demanda outras… do que é uma Engenharia. Engenharia é prova de conceito, é simples, é um mais um, tá lá e você constrói o negócio.

Bruno, você disse tudo. Eh eu entrei no RH porque, primeiro, eu cometi alguns equívocos na empresa onde eu fiquei mais tempo e via que dali eu não ia passar. Primeiro, eu era um cara que era um gerente sênior de uma área de vendas, mas eu era engenheiro mecânico no meio de 240 agrônomos, porque é uma empresa agrícola. Putz, para crescer, eu ia precisar ir para Cuiabá, para Uberlândia, para Londrina, onde as coisas acontecem, e não era o meu negócio. Eu falei: “Putz, além disso, cometi alguns equívocos, que em 17 anos você começa a ter algumas marcas, não é?”. Pô, é… Sabe, eu, eu sofria de sincerídio, era um problema terrível isso daí, né?

Legal você falar isso.

É, sofria de sincerídio, era um problema danado. Então aí eu falei: “Putz, tô ferrado”.

No caso do sincerídio, você sendo sincerídio…

Isso, eu matava a mim mesmo, dava tiro no pé, mas com os outros, certo? Com os outros, dava tiro no pé. E a gente vai aprendendo isso com a, com a… Com o passar do tempo você vai minimizando esse tipo de coisa, né? Já tive a fazer e a imaturidade, de certa forma. Isso, total, total. E aí você coloca a sinceridade à frente de tudo. O que que eu aprendi? Eu falei: “Bom, eu tô ferrado”. Mas eu já tinha aprendido bastante estratégia e eu notei que era a minha chance de ir pro RH. Pela minha consciência de engenheiro e pela minha estratégia, eu achava que no RH 2 + 2 dava 4.

Hum, hum. Aí é abstrato demais, hein?

Putz, é loucura. Baita aprendizado: 2 + 2 nunca dá quatro, e você lida com problemas que você nunca nem imaginou lidar, é porque uma coisa é você ver o peão lá na frente, outra coisa é você ver… A, Bruno, eu, eu, eu falo assim: começa o dia, parece que… Imagina um formigueiro, todo dia vai dar um cara, dá um pontapé no formigueiro, sabe aquela formigaiada? E esse é um grande problema de muitos profissionais de RH, eles não têm esse conceito estratégico, então eles não param para pensar, eles correm atrás do prejuízo. É, aí o cara fica o dia… A vida inteira correndo atrás do prejuízo, apagando incêndio, e não pode.

Mas RH, na minha concepção, é um dos setores mais complexos e mais importantes na organização, porque…

Isso, demais.

…não tem, por mais que você tenha processos, né? É abstrato, é problema novo a todo momento, diferente de vendas. Porque vendas você cria um canal de vendas, você sabe que vai vir alguma coisa, você sabe que tem recorrência, em algum momento você tem ali a, o, o previsível, você tem previsibilidade de performance. Agora você vai falar contratação: aí você pode pôr num canal, você pode pôr no outro, pode pôr nos outros, cada um tem uma competência, cada um tem uma skill, cada um tem um negócio: “pô, mas é a mesma empresa, ah, mas é o mundo”, e se apresenta de uma forma totalmente complexa.

A grande maioria das organizações ainda não perceberam. Eu felizmente escolhi empresas onde o RH era estratégico, no final da minha carreira, os 10, 12 últimos anos da minha carreira, eu escolhi locais em que o RH era estratégico. Mas o RH talvez seja a área mais importante, porque ela é quem potencializa o capital humano no final do dia. O que faz a diferença entre uma empresa e a outra são as pessoas, é… Então não adianta você fazer: “olha, eu tenho tecnologia, eu tenho isso, não sei o quê”, e botar um bando de gente incompetente, não resolve.

E é [ __ ] porque isso que você falou, eh muitas vezes, ó, você que acabou de escutar isso aqui: “ah, no final das contas, o que garante o sucesso de uma empresa são as pessoas”. É tão falado que se tornou quase que uma frase invisível, que passa na nossa cabeça como um clichê que a gente não para para reparar, e tem que ser levado muito a sério. Mas tem que ser levado muito a sério! Esse é o meu… O meu recente erro que tá me custando muito tempo e prejuízo nas minhas empresas por não levar o capital humano como prioridade. E eu fui muitas vezes alertado, mas isso passava de forma automática como clichê: “ah, é lógico, ah clichê, clichê”. Mas, cara, eu não dei a devida importância para isso, errei na base da liderança e tudo ruiu. Então, cara, falo isso vivendo a dor de uma negligência como empreendedor do capital humano.

Tá certíssimo, às vezes é melhor você ter dois bons profissionais ao invés de cinco.

Exato, e isso acontece com o empreendedor, porque quando não tá dando certo, ao invés de ele parar e falar: “deixa eu olhar pras pessoas e arrumar”, ele traz mais um, mais um, mais um, vai criando uma salada, cara.

E bota, e vai piorando, vai… Mais caro, né? É mais caro, não resolve. “Vou trazer… Vou trazer alguém de mercado que tem, tem inteligência, que não sei o quê”. Já passou muitos anos. Aí, cara, uma coisa é o seu negócio, outra coisa é o outro negócio do outro. Pode ser o mesmo, o mesmo ramo, a mesma coisa, só que são ciências diferentes porque você tá lidando com pessoas diferentes, lideranças diferentes, culturas diferentes.

Total, eu tô reconstruindo algumas coisas com base… Não tem as empresas inteligência artificial first, AI first? A minha é Human First. Human First, é, é isso, porque eu tô… Você tem que levar as duas coisas primeiro, as duas coisas não, porque foi uma coisa que eu sempre pensei demais nas pessoas, hoje eu tô pensando nas pessoas, é isso. E aí o que que eu pensei? Eu falei: “Cara, isso aqui vai ter um fim, porque vida corporativa, apesar de muitos executivos acharem que não, vida corporativa é que nem a nossa vida: a gente morre, vida corporativa tem o fim, por melhor que você seja, por melhor”. E eu comecei a pensar na minha carreira empreendedora: o que que eu poderia fazer? E aí também vem uma coisa, né: eu acho que a gente precisa trabalhar estratégia e muito planejamento, dedicação e comprometimento. Porque: “ah, o que que eu quero ser? Ah, vou ser modelo fotográfico”. Não, não vai dar. “Vou ser jogador de futebol”, também não vai dar, cara. Aí as pessoas às vezes se se atrapalham, eles tentam fazer o que teoricamente, na visão deles, é mais fácil e às vezes não é. Por exemplo, montar um restaurante: é extremamente complexo montar um restaurante e fazer o restaurante florescer, loucura, extremamente complexo. É um dos mercados mais difíceis que eu conheço, cara. É, mas todo mundo fala: “Vamos montar um restaurante, um bar, que aí vai estourar”. Vai estourar quem? Você combinou com quem que ele vai estourar? E se ele estourar, você vai ter uma estrutura financeira, vai ter… Você vai ter… Porque às vezes ele até estoura, mas você não sabe administrar e você, você acaba se enrolando, entendeu? Eh putz, muita gente da minha área: “não, eu vou ser coach”. Você vai ser coach, tá cheio de coach. A gente tava conversando também agora há pouco: coach, [ __ ] tá cheio, mas o que que o coach faz, cara? Não adianta eu ser formado… E com todo o respeito a quem é formado em Contabilidade, eu perco o meu emprego, trabalhei 30 anos em contabilidade, vou ser coach, e aí eu vou pegar um, um diretor de fábrica e vou ser coach do cara, eu vou falar o que para ele? Sabe? Então, a gente precisa pensar quais são as nossas competências que podem te colocar numa situação bacana para que você possa ter o seu negócio, é isso, né? Então, primeiro: eu preciso alinhar expectativas, eu preciso me planejar financeiramente, e é coisa que, infelizmente, no Brasil muita gente se afoga. Por quê? Porque vai naquela do, às vezes, de uma conversa de bar você resolve fazer uma sociedade, aí tudo é legal, aí tudo vai dar certo, e a gente sabe que, infelizmente, isso não é verdade. É, né? Quem não teve… Quem não teve problema de sociedade, talvez tenha. É, então se você nunca teve, você já tá velho, agradeça, cara. Nossa, é… Você passou pela linha de acho que nem 1%, né? Porque é 0,03%. E a sociedade é necessária porque às vezes também… Olha, eu tenho uma colega minha que ela fala hoje, ela, ela vem me falando: “Putz, eu quero me associar a vocês”. A gente tem uma… Eu trabalho dentro de uma consultoria estratégica: “eu quero me associar a você, não é porque eu sou incompetente, porque eu não sei fazer, porque eu não quero ficar sozinha”. Porque às vezes é chato, pô, vocês sabem disso. O empreendedorismo ele é solo, ele já é por si só, ele já… Ele é solitário, ele é triste, ele, [ __ ] você cai naquele “aqui tá chato para caramba”. Então você precisa ter uma sociedade, mas ela precisa ser harmonizada, ela precisa ser boa, ela precisa ser… Eh ela precisa… E tudo tem o lado bom e o lado ruim, mas ela tem que ter o custo-benefício positivo no final da história, né? É isso.

E aí você foi para essa, para essa área… Executivo, fez a… Plano executivo, e o pós, como que é? Então, o que que eu faço hoje… Transição, né? …o que que eu faço hoje da vida, né? Eu achei que eu ia me aposentar e ia ficar tranquilo, eu trabalho muito mais e mais feliz. Porque também tem uma coisa… Uma coisa que eu sempre… E por que que eu aguentei e vocês falam que eu tô conservado, né? Porque eu acho que você tem que trabalhar feliz.

Sim.

E para mim, três parâmetros são fundamentais para você trabalhar feliz, independente se você quer ser um empreendedor, se você quer trabalhar no Estado, se você quer trabalhar como… numa empresa corporativa, três coisas. Primeiro é grana. Antigamente, na minha época, só tinha grana: comprava o Estadão… Vocês não… O pai de vocês vai lembrar, era um negócio desse tamanho de grosso assim, tinha 200 folhas de domingo, e você procurava emprego no Estadão. Eu procurei emprego no Estadão. Tudo era procurado… Eu brinco, procurava carro pro meu pai… Carro, procurava carro, mas emprego, putz, o negócio de emprego era desse tamanho. Você ia lá e o que que eu queria? Grana. Onde eu vou ganhar mais, não importa. Dinheiro é importante hoje? É claro que é, mas hoje tem mais dois parâmetros tão importantes ou até mais, dependendo, para as gerações novas inclusive… Para as gerações novas, para você se sentir feliz trabalhando: é qual é o meu propósito, qual é o ambiente em que eu trabalho. Putz, eu tenho um propósito, trabalho num ambiente legal, isso não tem preço, né? Isso não tem preço. E o outro é: o que que eu estou aprendendo? A gente sabe, tem um estudo, as grandes empresas famosas de tecnologia, elas pagam menos no mercado, as top pagam menos no mercado do que a média. Por quê? Porque você sabe que lá você vai aprender.

Caramba, você é guiado por um propósito.

Lá é legal, lá tem um monte de gente cool, como eles chamam agora. Sim, não é? Então, a grana ela é importante, mas ela passa a ter a mesma porcentagem de importância do que o propósito, o aprendizado e o dinheiro. Se você conseguir juntar esses três negócios, você vai ser feliz como empreendedor, como funcionário, como funcionário público, qualquer coisa. É difícil para caramba. Eu, felizmente, boa parte da minha vida profissional eu consegui juntar as três coisas, boa parte. E, e dependendo da tua vida e da tua situação em que você se encontra, você vai priorizando. É, o recém-formado, eu acho que ele tem que priorizar muito o aprendizado. É, depois de um tempo, se você estiver num ambiente, você vai, você vai crescer e depois você vai pensar na grana. Geralmente a gente pensa em grana e aí começa tudo errado, é. Aí você entra numa empresa de moer carne. Eu fiz uma experiência outro dia, eh eu tenho… Eu nunca deixo passar de 30.000 pessoas no meu LinkedIn, por quê? Porque se passa, eu viro Top Voice, eu não quero ser isso, eu quero que qualquer uma pessoa me convide para eu ter o direito de aceitar ou não. Então, tá bom, e eu tô acostumado a fazer isso. Eu peguei outro dia, numa brincadeira… Eu ainda tenho que fazer um estudo estatístico para transformar isso numa, numa teoria: eu peguei, convidei 50 pessoas de uma empresa e 50 de outra, empresas de moer carne, aquela empresa em que você entra e o cara te arrebenta, que todo mundo sabe quem é, eu não vou contar, depois eu posso contar para vocês as duas. Mas peguei as duas e convidei na hora, convidei as 100 pessoas. Qual foi… Não, para mim não foi surpresa, mas eu, eu só ratifiquei a minha ideia: a resposta, a velocidade e a porcentagem de respostas e a velocidade foi muito maior do que o normal. Por quê? Porque o cara tá lá, tá ganhando dinheiro, mas ele quer sair dali, ele não aguenta mais, cara.

Mercado financeiro, uma de mercado financeiro e outra de mercado de consumo.

Já imagino qualquer… Cara, eles querem ir embora daquele treco, então você vai, a resposta é muito boa. Algumas pessoas, algumas pessoas vão para essas empresas… Falei isso de um amigo meu, amigo assim de mercado, que recebeu uma proposta de uma dessas empresas do mercado financeiro de moer carne. Eu falei assim: “Você sabe que você tá indo para o abatedouro”. Eu falei literalmente isso aí, cara: “Sei, mas é meu projeto de dois anos”. Tá bom, tá tudo certo, mas é isso o que eu acabei de falar: “[ __ ] vou lá para ganhar grana”. Ele coloca o tripé do… Ele se blinda emocionalmente e entra. É igual trabalhar em navio, sabe esses caras que vão trabalhar em navio, o cara fica dois anos embarcado, mas cheio de… Passar seis meses, e nada contra essa profissão que é a mais antiga do mundo, é uma prostituição, amigo. Você, você sabe que você tá indo para lá e você vai para lá, cara. Isso, é isso, acabou. E vai, você vai perder sua vida por cima, tá? Você vai lá. Então é isso. Aí eu comecei a empreender eh faz 5 anos, né, porque eu me aposentei com 60, eu comecei a empreender. E aí eu faço três coisas hoje na vida: eu sou mentor de executivos…

[ __ ]

Ah, no meio disso, uma coisa importante: no meio disso, eu fiz, eu me formei em Psicanálise.

Caramba! É isso que eu ia perguntar: qual a formação para poder…

Eu me formei em Psicanálise, e eu devia ter feito esse curso de Psicanálise há 30 anos. Eu acho que eu teria uma inteligência emocional e uma… um comportamento emocional muito melhor. Eu, eu acho que tem duas coisas que eu… Se as pessoas tiverem tempo, faça Filosofia, porque antigamente falavam: “Filósofo é o cara que faz por vagabundagem”, [risadas] né? Vagabundo, não, não, o cara vagabundo, Filosofia, vagabundagem, não, não. Sabe, eu já pensei que, na minha época de, de universitário, de engenheiro, cara, “filósofo, vagabundo”, é, é. Fiz um curso esses dias, ele vai fazer Política. Eu fiz um curso de um dia esses dias na Nova Acrópole, Filosofia, cara, pirei. Não é vontade de me inscrever no curso? É que o tempo hoje em dia não dá, né? Fantástico, mas cara, Filosofia… Então me perdoem, eu já pensei, mas eu mudo, eu tô aqui para falar: cara, se você fizer Filosofia e fizer Psicanálise, é sensacional. Porque eu diria que 70% das nossas decisões são inconscientes, você toma de supetão, você toma em função da maneira que você foi criado, você toma em função das repetições que você fez na sua vida, das manipulações diretas, das manipulações e tudo. E quando você começa a ter consciência disso, você traz pro teu consciente, você começa a gerar o teu destino, você passa a não ter mais destino, você começa a gerar o teu futuro.

Caramba, forte!

E aí é que é importante. Então eu fiz Psicologia. Hoje eu sou mentor de executivos, e mentor é mentor de verdade, né? Qual é… É assim, porque eu vejo esses coaches de plantão, esses gurus, cara, eu tenho muita bronca deles. Não é porque, porque eles, eles até me atrapalham, mas eu também tô um pouco me lixando, o cara que prefere eles, vai lá, vai, fique bem. Mas assim, se você tivesse que subir o Himalaia, é o exemplo que eu dou: se você tivesse que subir o Himalaia, você ia subir o Himalaia com um cara com o manual debaixo do braço, que aprendeu em, nem que seja em Harvard, “aprendi em Harvard como subir o Himalaia” e nunca subiu, ou você ia subir com aquele velhinho japonesinho que já subiu 10 vezes? É isso, eu ia subir com esse cara. É, então eu sou mentor por… [ __ ] Se eu precisar dar uma mentoria de Finanças, eu já passei por um budget; se eu precisar dar uma mentoria de Estratégia, eu trabalhei em multinacionais no Brasil, fora do Brasil, eu sei como fazer; se eu precisar dar uma, uma mentoria em Economia, putz, eu sou formado na melhor faculdade da América Latina, eu sei os parâmetros. Eu escrevi um livro, não sei, eu esqueci… Depois eu mando dois livros para vocês, ó, podia fazer um merchã aqui, ó, que falha danada, foi falha. Eu esqueci, depois eu mando para vocês autografado, viu?

Autografado! Pros dois, pros dois.

Eu escrevi um livro: O Executivo que Tropeçou no Divã.

Que lindo.

É o nome do livro, que eu falo reflexões da vida corporativa: o que que eu aprendi? Não, vou mandar para vocês amanhã, a gente já manda para vocês o que eu aprendi na vida corporativa e que, se eu tivesse esse suporte terapêutico, psicológico, eu podia fazer muito diferente, gastando… Lembra quando você falou que você gasta energia com gente, gasta grana? Tudo seria muito mais fácil.

Mas é, eu acho que o pessoal recrimina muito mentoria, consultoria, ou… E eu acho que são super importantes para fases e etapas do negócio e da vida, né? Eu tive uma fase super importante que, quando assumi o negócio da família num processo de doença do meu pai, assumi o negócio da família, eu falo que eu tive mentores ali que foram as minhas, os meus… As minhas muletas, porque provavelmente eu teria capotado e caído se eu não tivesse eles para me apoiarem: “não, ó, vai, direciona”.

Bruno, o problema são os picaretas e os charlatões que têm nisso aí, é. E aí a pessoa fala… Deixa de acreditar, mas eu acho que tem, tem muita gente boa e tem muita gente com, com retórica para fazer acontecer, precisa ter isso daí.

Eu, quando cheguei aqui, eu tinha 15 minutos, aí eu tava vendo no LinkedIn e vi um mentor do LinkedIn, que eu fui olhar esse mentor. Esse mentor é um analista de RH ainda novo — eu não tenho nada contra gente nova experiente, mas ainda novo —, mas analista de RH que diz que mentora CEO. Ah, me conta como é que é, gente.

É, não tem como, o cara não passou nem pela cadeira, né?

O cara nunca passou pela cadeira, mas tem 300.000 seguidores. É, 300.000 seguidores. Então, hoje eu sou mentor de executivos, acabei desenvolvendo uma coisa sem querer, que depois é legal a gente conversar: sou terapeuta de sócios.

Isso é legal, caramba, vamos entrar nisso.

Eu tenho uma consultoria de estratégia e de potencialização de capital humano, e sou conselheiro de empresas, só isso. Então são quatro coisas, mas eu faço o que eu gosto, eu tenho meu horário, eu consigo trabalhar com gente que eu tô afim, eu aprendo para caramba, porque quando você é mentor de executivos, putz, eu aprendo com gente de diversas áreas, eu atendo gente aqui no Brasil, atendo gente fora do Brasil, então isso é muito legal. Então acabo gostando disso e acabei desenvolvendo o que eu chamo de Terapia de Sócios, que é um nome análogo à terapia de casal, sim, mas que tem muita diferença isso, e eu venho me divertindo bastante com isso e isso tá muito voltado aos empreendedores, né? Eu acho que isso é muito legal.

E você só entra no B.O. ou não, ou você entra preventivo também? Então vamos lá.

Você entra no B.O. e depois faz o…

[risadas]

Não, não entra no B.O., não. Não entra no B.O., não. Eu entro… Dificilmente eu entro no B.O., porque quem entra no B.O. geralmente — existe isso daí —, são os mediadores de… Os mediadores societários, esses caras entram no B.O., eles entram quando a Inês é morta. Sim. Eu não. O que que a gente chama de Terapia de Sócios, né? Eu tô desenvolvendo isso, eu tô desenvolvendo essa metodologia porque eu patenteei isso.

Caramba!

Tô desenvolvendo essa metodologia com psiquiatra, com advogado, com uma terapeuta de casais, com uma especialista em comunicação, e vocês vão entender por quê. Porque ela não é… Eu usei esse nome porque um dia eu tava mentorando uma pessoa, ele falou: “Cara, você salvou minha aposentadoria, você salvou minha sociedade”. E eu falei… Sabe quando vem aquele insight? “Cara, salvei tua sociedade? Me conta”. Ele me contou, eu fui para casa pensando, eu falei: “Cara, mas eu fiz isso e fiz isso num outro lugar também, cara. Eu fiz isso também”. Há um padrão. É, eu falei: “Gente, eu faço isso sem querer”. Terapia de Sócios… O que que é o terapeuta de sócios? Então vamos lá, eu vou tentar explicar, né: é um processo individual, consistente e estruturado. Por que que é individual? Porque não é receita de bolo. Uhum. Eu posso… Se vocês são sócios, eu posso fazer a terapia aqui. Se eu for para a sala ao lado, que tem outros caras que fazem a mesma coisa, é outro papo. É outro papo. Então não é receita de bolo, não tem uma, uma metodologia: “ó, faz isso, isso, isso”. Não: “eu tô com pneumonia, toma, toma um antibiótico”. Não, não. Então, ele é estruturado, individualizado e consistente, né? Ele trabalha a dinâmica… O objetivo deles é trabalhar a dinâmica entre as relações, através do quê? Através de avaliação de aspectos técnicos e aspectos emocionais, porque é a mesma… É muito parecido com a terapia de casal: você tem uma briga com teu parceiro ou tua parceira, você não briga por um motivo só, você briga por vários motivos. As coisas às vezes você acha… E você acha que tá brigando por um motivo e, na verdade, a causa é outra, né? Então, eh então assim, ele envolve aspectos técnicos e aspectos emocionais. E o que que a gente visa com isso? A gente visa a prevenção — não significa que a gente não vai no B.O., no corretivo —, mas a gente visa a prevenção, a sustentabilidade e a longevidade do negócio, além do bem-estar entre os sócios. Eu passei por algumas experiências que tinha sócio falando: “Eu vou na segunda e você vai na terça porque eu não suporto mais você”.

Ô louco, [ __ ] cara! E às vezes não dá para dividir, né, porque cada um faz uma coisa.

É, é assim, não dá para dividir. Então, putz, os caras não se davam mais e eram amigos de infância.

É, é importante só fazer um adendo nisso quando a gente fala de sócio, sócios executivos, né? Porque facilmente uma empresa grande pode ter vários sócios que se odeiam, e dane-se o negócio de vocês. Imagina você… Como é que vocês iam trabalhar se vocês não se falassem? É que dá para trabalhar só o executivo. Quando você e seu sócio trabalham, cada um tem uma função, e, e o pior, divergências acontecem.

É, acontecem todos os dias. Então, eh por que que eu falo que tem um monte de gente envolvida? Porque são cinco pilares importantes dentro dessa Terapia de Sócios: o pilar Comunicação — cara, se você não tem uma boa comunicação, se você às vezes não precisa ter uma conversa corajosa, não sabe como ter uma conversa corajosa com o teu sócio, e eu duvido que as pessoas que estão nos assistindo nunca tiveram aquele problema: “putz, eu preciso falar com ele, cara, o cara tá saindo mais cedo, eu tô me ferrando aqui, mas eu preciso ter essa conversa com ele”, tô dando um exemplo banal. Mas aí você não tem essa conversa, aí começa a aumentar, aí o cara passa a não ir, aí você… E de repente o que vira que nem um buraquinho numa represa, o que é um buraquinho derruba a represa, entendeu?

É isso aí.

Então: Comunicação. Técnico: o que que tem na técnica? Se você não tiver processos muito claros de como as organizações andam — e os processos variam, porque às vezes você pode ter um início fenomenal: “trabalhei 5 anos assim, putz, o mundo hoje trabalhou 5 anos assim, no sexto ano pode ser completamente diferente”, uhum. Vocês lembram… Não lembro nem o nome daquele negócio antes de chegar o, o… O negócio do celular que você… O GPS. Lembra do GPS? TomTom. Eu na… Na época, ficaria sócio de qualquer empresa de GPS. Sim, o Waze derrubou o GPS em seis meses. É, ele matou todas as empresas de GPS, a tecnologia do Waze, que hoje todo mundo… Matou todas as empresas de GPS. Eu seria sócio de uma empresa de GPS, com certeza, é porque era, [ __ ] era a crista da onda, não é? Era o top do top. Então você precisa ter processos muito bem arrumados, você precisa ter a Estratégia — é o terceiro item, estratégia —, é fundamental. Você precisa ter a Organização, e quando eu falo organização, tem uma coisa que eu aprendi isso em RH: é a coisa mais básica, até entre sócios tem que ter descrição de cargo, total. Porque se você alinha a descrição de cargo tua com a tua, tá tudo certo, sim. “Eu vou embora todo dia às 4 horas da tarde”. Tá alinhado? 4 horas da tarde você tá indo embora, é isso. “Eu, eu tenho 80% e você 20% do lucro porque sou eu que trago a maioria dos clientes”. Tá tudo acertado? Uhum. Tá tudo bem, é isso. A gente não faz isso, é que nem… Isso é o mesmo problema nos casais. A gente, a gente casa e fala às vezes: “ah, depois a gente vai ver se a gente vai ter filho, nós vamos ver se nós vamos morar na Mooca ou vamos morar em Alphaville”. É, cara, a hora que você casa, e aí fala: “Não, na Mooca eu não moro não, mas a minha família mora lá, eu quero morar o resto da vida na Mooca”. E aí, como é que fica? É isso, a gente não faz isso nas sociedades, que é [ __ ] cara, que assim…

[roncando]

…que esse cara tá explicando verdades duras.

Não, mas é assim, ó, ó, [ __ ] mas você olha, os problemas de sociedade são tudo em cima de óbvios… Óbvios ignorados.

Óbvios ignorados. Eu, eu falo, e é o problema de sócio e problema de família, porque a família tá sendo destruída por causa disso. Então assim, e assim… E começa a virar uma bola, e a galera… E, e aí o que que é muito importante, é muito… Eu falei de processo, eu falei de estratégia, eu falei de comunicação…

Comunicação. Só um ponto da comunicação, que é legal: a comunicação, a ponto… A comunicação é tão importante como esse pilar porque, por exemplo, um dos, dos meus grandes problemas de sociedade não foi um problema meu com meu sócio, porque eu sou… Sempre fui um cara muito comunicativo, nunca deixei as coisas passarem e trazia as conversas duras pra mesa. Só que a empresa tava exigindo muito da gente e ele não sabia ser comunicativo em casa. Aí a mulher se mete aí. Aí começou… A nossa empresa começou a ter um problema familiar para ele, e isso aconteceu de monte, ruídos de monte, ruídos. Então não foi a sociedade, mas a falta de comunicação. Por isso que tem que ser um pilar, porque a comunicação não é entre sócios, é também dos sócios com as suas famílias.

É. E aí tem um outro item que pouca gente olha: o Planejamento. E eu não tô falando só planejamento financeiro, o financeiro também é importante: pô, vamos falar do bar, eu vou montar um bar, se eu não tenho fluxo de caixa, como é que eu vou comprar cerveja para pôr dentro do bar? É coisa básica.

[limpando a garganta]

Eu acompanhei um caso há pouco tempo de um bar que os caras falam: “Puta, a gente não tem grana para comprar cerveja”. Aí falta cerveja, aí falta cerveja, começa a faltar faturamento, e aí pum, pum, pum, pum, pum, dançou, tá? Então: planejamento, fluxo de caixa… Mas vocês entram no, no…

Entram. Por isso que eu digo, dependendo da situação, dependendo do tamanho da empresa, porque a Terapia de Sócios pode ser um bate-papo, por exemplo, vocês dois sócios, um bate-papo só com vocês e a gente resolve problemas… Eu não diria simples, mas problemas pontuais, pontuais. O que que, o que que diferencia da terapia de casal? Eu prefiro sempre, quando eu vou trabalhar com sócios, ter uma conversa contigo e uma contigo. Não é para pôr um contra o outro, é para entender o padrão e o que tá rolando. Porque o outro mais importante é o psicológico: pô, o que que você pensa? Qual é o teu propósito? Qual é a tua linha de pensamento, qual é a dele? Porque às vezes pode não bater, e às vezes bate no início, mas diverge no futuro. Sim, você entendeu? Então, respondendo à tua pergunta, tem… Não é receita de bolo, pode ser como se fosse uma terapia de casal, mas antes é legal você fazer essa, que a gente chama teoricamente de anamnese, uma contigo e outra contigo, e depois juntar os dois e falar: “vamos tentar mediar isso daí”. E tem outra que talvez você precise fazer o que a gente chama de assessment, que é uma avaliação: é, deixa eu ver como tá a tua organização. Ó, o teu… A gente já chegou a avaliar, falar: “Teu produto morreu, cidadão”.

Caramba!

“Vocês têm que fechar a empresa”, acontece. “Ou você precisa reestruturar isso”. Então, dependendo do tamanho e das circunstâncias, a gente também precisa fazer um trabalho de, de consultoria, mas é uma consultoria muito rápida. É, de repente se o cara quiser me contratar depois… Eu, por exemplo, comecei a fazer uma consultoria, fui bem e o cara me convidou, até hoje eu sou consultor da empresa. Por quê? Porque ele gostou do meu trabalho da consultoria: “Você quer ser meu consultor?”. Eu cheguei lá para fazer uma consultoria de RH, e hoje eu sou consultor de Estratégia, um negócio completamente diferente, tá? Mas isso, isso vai depender, não tem, não tem prazo, não tem receita de bolo, vai depender, vai depender de cada história. Mas esses cinco fatores são importantes para quê? Para que você possa direcionar e para que você possa ajudar as pessoas a liberarem o seu potencial e quebrarem algumas coisas que às vezes, às vezes é bobeira. Todo mundo fala: “Não, o pessoal briga por dinheiro”. Eu diria que não é a maior causa das… De romper sociedade, de sociedade não dar certo, não é por causa de dinheiro.

Nunca tive problema com dinheiro, dinheiro é o… Consequência depois.

Nunca tive problema de sociedade com dinheiro, nunca tive. Tivemos já discordâncias, claro, mas problema de sociedade…

E a discordância faz parte do crescimento.

Exato, mas problema de sociedade sempre foi comportamental, cara, sempre. Sempre e aí o cara… Sempre comportamental, coisa que você falou que é assim também: sócios maravilhosos em determinadas fases da empresa, só que o cara fica com cabeça de empresa pequena, aí a empresa começa a crescer: “Eu preciso de um… Eu preciso de um sócio mais… Que evoluiu junto com a empresa”. Aí o cara fica ali estagnado, [ __ ] O cara estagnou. Isso aí. Você fica com um [ __ ] peso na consciência porque o cara construiu junto com você, você fala: “Cara, vou deixar ele… Vou deixar ele para trás, como que eu faço?”. Só que ele tá me travando. Cara, sociedade é muito complexa.

Eu, por exemplo, amanhã eu tenho um consultório ali na Faria Lima. E consultório não é um… É um escritório, consultório é da minha esposa porque ela é psicóloga de executivos, por isso que eu fui fazer Psicanálise, é uma história engraçada. Só cortando um pouquinho, uma vez ela chegou para mim e falou assim: “Putz, passei a maior vergonha…”, porque ela é psicóloga de executivos já há muito tempo, “…passei a maior vergonha porque eu tava atendendo uma moça que é CFO, ela é responsável por Finanças de uma empresa gigante, ela começou a falar em EBITDA, eu nem sei o que é isso”. Psicólogo, psiquiatra não sabe o que é EBITDA, EBITDA todo mundo sabe ou, quem não sabe, é lucro no final da história. Mas uma pessoa que trabalha dentro da Psicologia, dentro da Psiquiatria não sabe o que é EBITDA, é. Aí passou mais umas duas semanas, ela falou: “Cara, outra pessoa veio me falar de estrutura matricial internacional. Que que é isso? É algum… É alguma estrutura, algum planejamento?”. Falei: “Não, isso aí aqui o cara tem dois chefes, um aqui no Brasil, um lá fora, outro…”. Eles não sabem. Eu falei: “Cara, olha o nicho que tem aí”. É, o psicólogo, o psiquiatra, ele pode ser muito bom — e eu conheço vários psiquiatras —, mas ele não sentou aqui onde eu sentei, ele não sabe o que eu exec… Por isso que eu fiz o livro também, entendeu? Ele não sabe o que o cara passou.

E é uma dor que eu tenho, cara, em terapia. Quando eu… Eu já fiz ter… Eu fiz muito, entendendo o que você tá falando, né? Já é uma dor gigantesca. Eu já não consigo fazer terapia por causa disso, quando eu falo, aí ele começa a construir, eu falo: “mas você tá construindo…”, eu brinco, “viajando”. Não, eu brinco com ele: “você tá construindo uma pirâmide sem estrutura”, é porque o que você tá me falando aqui é… O que que é isso? Eu adaptei a minha terapia: as terapias que eu faço, eu simplesmente ignoro a minha vida profissional, eu falo das dos campos filosóficos da vida profissional, mas eu não consigo, eu não consigo trazer problemas reais porque a pessoa não consegue opinar, não consegue.

E o que que eu tento fazer: eu, em cima do que eu já vivi, eu tento ajudar as pessoas com isso. Por isso que eu acho que tem uma baita de uma, de uma oportunidade de você poder ajudar eles psicologicamente, aquela… Trazer o, o inconsciente pro consciente. E é isso. Eu cheguei a participar de algumas brigas entre sócios onde eu tava vendo os caras se arrebentarem. Eh eu vou dar um exemplo, não posso dar nomes, mas tem um desses shows famosos, famosos que acontecem no Rio, em São Paulo, que vai todo mundo. E eu tava trabalhando com uma empresa que era responsável pela eh estruturação técnica desses shows, tipo Rock in Rio, vai, vou dizer… Não pode ser, pode não ser o Rock in Rio, tipo Rock in Rio. Então os caras, pô, isso é extremamente importante porque se não funciona o som, pô, não funciona iluminação, se as torres, a estrutura do palco não funciona, nada funciona. E os caras ganham uma baita grana, são responsáveis pela engenharia, por toda essa estrutura, tal. E os sócios… Eu tava atendendo, na verdade, uma mentoria, eu tava fazendo a mentoria no CEO, que depois eu ia passar pro sócio pra gente ajustar as responsabilidades da sociedade, muito bem. Quatro dias antes de começar o show, eles resolveram romper a sociedade.

Nossa, [ __ ]!

Aí o cara me ligou: “Nós vamos romper a s…”. “Como vocês vão…? Vocês são malucos? Estão a quatro dias do evento! Tá, me dá um tempo”. [ __ ] eu tava na praia, foi logo depois da Covid, vivia mais na praia do que aqui. Eu tava na praia e corri, fui conversar com os outros quatro sócios. Eram em cinco, fui conversar com os outros quatro sócios. 30 minutos de conversa: um foi numa, numa padaria, o outro foi na hora do almoço, o outro foi… Tá, amanhã nós vamos se juntar no meu…

[roncando]

…no meu escritório. Chegando lá, tava lá os cinco. Aí eu olhei, tá, começou. Falei: “Acho que eu vou ter que ser chato, cara”.

[roncando]

Eu, aí eu comecei, eu vou começar.

[limpando a garganta]

“Bom, eu tô chamando vocês aqui para mostrar: não dá tiro no pé, dá tiro no coração mesmo, cara. Vamos pegar agora o revólver e vamos dar um tiro em cada um e vai todo mundo morrer, porque vocês estão se matando, cara. Vocês vão ficar famosos, vocês vão sair no Jornal Nacional, vocês vão ficar famosos para caramba, só que nunca mais vocês vão arrumar emprego, nunca mais vocês vão ter um negócio, cara. Vão matar vocês, vão tomar o dinheiro que vocês têm, porque tem. Vocês resolveram romper a, a sociedade agora? O que que vocês estão com a cabeça assim, sabe? Meio de… Não é aquela assim, [ __ ] agora eu vou pro que der e vier, porque eu vou, eu vou me afundar, mas eu vou te levar”.

“Eu te levo junto”.

E parece, parece louco o que ele tá falando, mas acontece, hein?

Nossa, no cara suicida. O cara, o cara abraça você e pula. E o pior: irmãos, hein? E o pior: irmãos. Irmãos, estão juntos até hoje. Um, um saiu, mas estão juntos até hoje. Irmãos se dão super bem, cara. 3 horas e meia de conversa, eu suava, cara, minha camisa suava. Fica rara, mas eu… E aí eu comecei: “bom, vocês têm problema, vocês dois, eu sei o teu problema, conta para ele o teu problema. Vamos aí, vamos assistir o problema dele”. Aí ele contava: “ah, tá bom. Agora você conta pro outro lá”. Aí um ficou contando o que que tava pegando em cada um: trabalha demais, ganhou… Tenho menor participação na sociedade, você não vem no escritório, você fica o dia inteiro em casa, aquelas coisas de… Coisas simples que você falou. Coisas simples. Bom, 3 horas e meia de conversa, a gente saiu para almoçar, deu tudo certo, eles estão juntos até hoje.

Que legal.

Eu não tô querendo me gabar, mas acho que, se eu não tivesse lá, tinha dado merda, cara, sim, eles teriam… Em função de “eu não vou abrir mão”, “tá bom, então. Então não vai abrir mão, tá bom. Faz isso, dá um tiro no teu pé”. Não é no pé, no coração. Coração, você entendeu?

E como funciona assim? Por exemplo, você tá… A gente tá falando eh… Caramba, já acabou o podcast, foi rápido, né? Hoje eu perdi até o… Episódio bom é assim, viu? É ótimo, tá ótimo. Podemos disparar… Pera aí, vou, vou entrar numa finalização aqui, mas vou… Tenho uma pergunta ainda. Por exemplo, estamos falando dessa parte de Terapia de Sócios. Eh como que funciona o processo de contratação? Então, imagina: primeira, primeira coisa, como… O que você poderia falar pro empreendedor que tá assistindo, que talvez ele precise disso? Porque às vezes ele tá bem, “ah, algumas coisinhas eu não falo, mas tá tudo sob controle”, ou isso é de fato um trabalho preventivo? E dois, eh quais são os níveis de empresa em que você atua? Por exemplo: “putz, tenho vontade de contratar, mas, cara, hoje nós temos só três funcionários, eu sou pequenininho”. Qual é o tamanho do, do bolso, né, de que é exigido para isso? Só para ter uma ideia eh de… Do como dá para chegar.

Olha, eu não tenho a resposta correta para você, eu vou dizer. Por exemplo, amanhã eu vou atender… Porque eu tô saindo, eu tô indo para Trancoso depois, na quarta-feira, que eu também descanso, sabe? Eu acho que é legal. Isso é uma coisa que a gente não falou: de saúde mental.

Sucesso é quando ele vai para Trancoso de quarta-feira.

É, então é…

[risadas]

Esse cara chegou lá, esse cara chegou lá.

Não, não, não, não. Mas aí, porque a gente esqueceu de falar de saúde mental, se der um tempinho, era legal falar um pouco de saúde mental. Mas assim, eu vou atender um patrono de uma empresa do Nordeste gigante, gigante, e eu vou convencer o patrono a fazer o processo de sucessão.

[ __ ]

Uma coisa difícil, porque patrono é patrono, o cara fez tudo sozinho na porrada: “E aí eu vou entregar para esses meus filhos que sempre gastaram dinheiro, que sempre…”. Já tem uns caras preparados e ele vai ter que fazer porque um dia ele vai morrer.

É.

E se ele não… E se ele morrer e não fizer, vai ser pior. Então a gente vai trabalhar um… uma…

E você que vai falar com ele?

Ele vai vir. Ele veio para São Paulo, que ele tem algumas coisas para fazer aqui em São Paulo, e vai vir. Eu vou conhecê-lo, um dos… Um dos… Acho que o primogênito vai trazer ele para eu conhecer o patrono, e eu quero saber como é que é. Pode ser que não dê nada: “O que que esse cara veio falar comigo? Não tem… Ele não tem um dízimo do meu dinheiro”. Vai ter que… Vou ter que mostrar para ele, falar: “Colega, tu não vai viver pro resto da vida e acho que a gente precisa chegar num, numa, numa, numa solução boa, né, no denominador comum”. Bom, tá bom. Então, empresas médias, grandes e pequenas também, porque você falou: “Eu tenho três, quatro funcionários, mas você não quer crescer?”.

Então o preço é ajustável de acordo com…

É ajustável de acordo com a empresa, o processo é ajustável de acordo com a empresa e, assim, para uma empresa pequena, ele não é muito maior do que um preço de uma terapia de bom nível.

Caramba!

Tá, legal, não é muito maior que isso.

Legal.

Então dá para fazer, e eu diria: é necessário, ajuda pra caramba, cara. Eu, eu acho… Eu falo assim, ó: que o, o nível de investimento, né, nem pelo, pelo custo, né, é o quanto você vai investir para você se capacitar para, para crescer.

E às vezes um insight paga um ano de, de terapia.

É isso. Mas o pessoal não tá… O pessoal fala assim: “Mas tá bom, qual que é esse insight para eu ver se vai dar ROI?”. É isso, o pessoal quer saber antes, mas a galera não tem a cabeça ainda…

Cabeça pequena.

Mas aí é a mesma coisa que você entrar no Mercado Pago, né, e falar: “Putz, eu vou jogar tanto no Google, putz, quanto eu vou ganhar?”. Sei lá, cara, a gente vai precisar para fazer o teste. Eu acho que o insight ele vem, ele é mais rápido do que o resultado do Google — não menosprezando o resultado do Google —, mas ele vem, o insight vem. Eu tive vários casos que: “putz, era isso que eu precisava, era, era essa, era esse o negócio que, que tava faltando”, você entendeu? Não é isso assim: pessoas que não têm essa cabeça ainda são pessoas que um dia, tomara que aprendam. Mas o insight muitas vezes é seu.

É claro.

O in… É assim, é claro, eu te ajudo, eu te provoco.

Insight é assim: que insight você vai me dar? Não, eu vou provocar conversas para você.

Isso, te provoco perguntas.

Isso. E mais uma coisa que eu vou falar, a última coisa que eu acho que a gente tá falando demais: saúde mental. Cara, imagina você ir trabalhar… De novo, na felicidade do trabalho, você ir trabalhar, falar: “Putz, meu sócio tá me roubando” — porque acontece na minha —, “o meu sócio é uma mala, o cara… Eu tô travado e tô querendo montar um baita de um negócio e ele tá pensando pequeno. A, a mulher dele se mete, ou o marido dela se mete no meu negócio”. Cara, tudo isso vai… Tem muita gente que fala: “Pô, esse cara tá copiando a minha vida”. Não, isso daí é… Faz parte do ser humano. Minimizar isso é que nem terapia de casal ou terapia pessoal: você passa primeiro a tomar decisões mais racionais e você sofre menos.

Sim.

Tem gente que fica: “Putz, eu preciso falar para pro meu sócio que eu quero sair da sociedade”. O cara fica enrolando um ano, 2 anos. O cara fica doente, o cara fica depressivo, o a eficiência dele baixa, ele perde a amizade com o cara porque começa a ficar aquele clima horroroso.

Ele prefere dar mancada.

Pois é.

Ele prefere dar mancada.

Ele prefere dar mancada. Pois é, ele prefere construir a saída às vezes orgânica, conforme as mancadas, para…

O pior pra empresa, para ele e para a outra pessoa. Os três perdem.

Não, não, e tem um quarto: e tem os funcionários em volta, perdem também.

Perdem. Os funcionários em volta perdem também.

É loucura isso, eu vejo todos os dias acontecer.

Todos os dias acontecer.

Então isso tem custo? Tem um custo intangível, que é o do bem-estar: “Putz, eu tô… Eu consegui falar para ele o que eu não conseguia falar, eu acertei as responsabilidades. Tá bom, eu… Ele não… Ele vai embora às 4 da tarde, mas eu vou poder chegar às 11 e tá tudo certo”, você entendeu? São coisas que às vezes um pequeno detalhe, uma mediação, uma, uma facilitação pode ajudar muito, e aí não tem preço, né? Quanto custa isso? Não sei.

Exato. E principalmente, e principalmente pelo fato de que essa era a minha pergunta no começo, mas você já respondeu na metade do, do podcast, como funcionava. Porque terapia de casal, quando a gente ouve falar — falo de ouvir falar porque nunca fiz —, mas é o que eu saiba, é junto, o pau tora lá dentro.

É junto.

Terapia de sócios, eu acredito que o ideal seria junto às vezes, mas individual, porque é onde vão sair as conversas…

Técnico.

…é porque é onde vão sair as informações. Porque uma terapia de casal aí já, às vezes, já tá na, na treta mesmo, já vai lá e, e solta. Mas terapia de sócio tem contrato, tem um monte de coisa envolvida, e aí você fica muitas vezes medindo esforços. Quando existe um intermediador, um terapeuta que entende quais são as dores do Bruno, entende quais são as dores do Felipe, e começam a avaliar assim: “hum, eu preciso provocar uma conversa sobre tal coisa”, você não abre isso, as informações: “ó, o Felipe disse isso do Bruno”, nada disso, nada disso. Você provoca pontes para que essas coisas sejam faladas.

Isso. E eu vou tomar uma bronca da pessoa que fala de terapia de casal, que é a minha esposa, que vai escrever essa parte de terapia de casal: a terapia de casal tem um, um facilitador, ela tem o sexo que pode resolver; terapia de sócio geralmente não dá, geral… Geralmente, geralmente não dá para fazer isso, entendeu? [risadas] Geralmente não dá para fazer isso, então ela fica um pouco mais complexa nesse caso. Mas não dá para… É só o nome, é analogia, tem algumas similaridades. Mas tem a parte, a parte psicológica ela é muito parecida, mas nas outras partes, na parte de definir responsabilidades, é diferente de definir quem lava a louça. É porque também é importante entre os casais, né, quem é que lava a louça no final da, do jantar, né? É importante, mas na sociedade é mais importante: quem é que faz o quê? Quem é que… Quem é que usa o investimento? Que tipo de coisa a gente vai fazer? Quem contrata quem? As regras. Eu me lembro numa outra empresa em que existia, nos sócios, duas mulheres trabalhando na empresa, duas esposas dos sócios trabalhando na empresa. Cara, eu tive que mandar embora as duas embora, e não é fácil fazer isso. Os outros dois só estavam… E até os dois caras estavam emputecidos.

Sim.

Porque o cara perde o respeito, mistura, mistura a relação e uma [ __ ] bagunça.

Principalmente essa hora é a hora boa também de um intermediador.

Isso, não fui eu que mandei as duas embora. Porque o que acontece: quando, quando os quatro sócios já estão cientes de que isso é ruim, se os dois sócios, que são os maridos, não tomam a… Tomam a decisão, eles criam problemas em casa…

Problemas nos outros dois sócios.

…criam um impeditivo. Não, ele precisa de uma, de uma, uma terceira pessoa para os outros dois vão dizer: “os culpados do… Contrata o culpado”. O que que os outros dois diziam? “Aqueles dois são dois frouxos”.

É, eles dizem isso.

“Dois frouxos, cara, não têm coragem, pau-mandado”. O que… Pau-mandado. O que que os outros dois diziam? “Cara, eu vou ser expulsos da minha casa”. É isso.

E é realidade isso aí.

Minha família em psicologia. Então como… Aí eu falo: “Tá bom, então vamos descobrir o que que é, o que que precisa, tal, tal”. Aí eu alinhei tudo o que podia ser feito e eu fui conversar com cada esposa, e deu tudo certo. É isso, mas, cara, trabalhão.

[ __ ] legal, hein, cara! Pô, baita podcast, hein!

Baita, incrível.

Foi muito bom, cara. Pena que passou tão rápido.

É, fica até o… Fica aqui até o convite pra gente voltar.

Nossa, tería o maior prazer de…

O, o Brunão falou que vai colocar em prática isso para mim, brincadeira. Mas a gente vai começar um, um projeto dentro do nosso podcast que um episódio por mês — eu não gosto nem de falar mais isso no ar porque a gente já tá prometendo isso faz tempo, né? —, mas um projeto por mês a gente vai fazer uma mesa redonda sobre temas específicos. Olha que lugar legal, te convido a, quando a gente for falar de pessoas e tudo mais, te trazer até de eh sociedades, sociedade, né? Te convido a voltar. E, cara, baita de um, de um episódio, com certeza com vários insights. Eu vou agradecer patrocinadores, mas nós não finalizamos ainda, tem uma pergunta final para te fazer.

Tá bom, galera? Olha esse podcast que trouxemos aqui para vocês, tudo isso de forma gratuita na internet. Rogerião aqui nos presenteando com esse, com esse conteúdo, e tudo isso graças à turma que acredita no nosso projeto e investe pra gente trazer o melhor do, dos conteúdos relacionados a empreendedorismo aqui para a internet.

Então quero começar agradecendo a SMB Store, que desde 2018 tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar. RZ3, transformando conhecimento em impacto real, porque negócios fortes movem o futuro. Eles são uma consultoria integrada que une estratégia, finanças e tributos com tecnologia para transformar complexidade em crescimento. Todo negócio precisa, ou vai precisar um dia, da RZ3, porque a complexidade, gente, não espera você estar pronto para ter que lidar com ela. RPL, porque o mundo digital não para e o seu negócio não pode ficar para trás. Eles são uma agência de inovação digital que acompanha tudo o que tá mudando na internet, desde TikTok Shopping até agentes de IA, por exemplo. Então, se você sente que a inovação tá acontecendo rápido demais para acompanhar sozinho, a RPL entra exatamente aí. Polux: sabia que a maioria das empresas paga mais imposto do que deveria? A Polux é uma consultoria especializada em gestão tributária que encontra, de forma legal, onde seu negócio tá deixando dinheiro na mesa com impostos. Semic Displays: quem vende forte no varejo já sabe, o ponto de venda decide a compra. Se a sua marca ainda não aparece do jeito certo no PDV, a Semic Displays resolve isso. Eles são líderes do Brasil em soluções criativas para PDVs. Tá precisando vender mais? Conte com a Semic. Cross: quer dar voz ao seu negócio e alcançar mais pessoas? Estamos aqui nos estúdios da Cross Host. Ela é referência em produção audiovisual para podcasts e eventos, com estúdios em São Paulo e estrutura completa para quem quer construir autoridade de verdade. E Max Service, uma contabilidade consultiva que fica do lado da gestão, não só do balanço, da burocracia. Enquanto a maioria dos contadores aparece uma vez por ano, eles estão na mesa de decisão junto com o empresário, especialmente para quem opera no Lucro Real.

Você que é empreendedor, com certeza você tá com várias dores aí. Muitas dessas dores são dores que essas empresas e esses empresários à frente dessas empresas conseguem te ajudar. Porque eles, justamente quando a gente recebe essas, essas demandas, né, de patrocínio — que já tá fechado faz tempo, tal —, mas a gente avalia: pô, essa pessoa, essa empresa ajuda, e o legal é que tá validado, né? É isso, validado, a gente conhece o empresário, e muitos deles, cara, são fornecedores nossos, né? Então são pessoas que a gente contrata e sabe do, da qualidade. Então vai de olho fechado, depois volta aqui para me agradecer.

Rogerão, pergunta final, meu caro: 65?

Vou fazer 65.

Vai fazer 65. No alto dos seus 64, quase 65 anos, voltando para a tua casa… Eh a gente tá acostumado a viver uma vida sempre com projetos de longo prazo e tudo mais, mas a gente esquece que eh os planos, por mais que tenhamos, eh os maiores são de Deus, né? Não sei como é a tua crença, tua religião, mas trazendo esse conceito, imagina que, voltando para casa, no piscar de olhos você se vê na frente Dele, e fala: “Já? Deu meia-hora?”. Ele fala: “Rogerão, parabéns, missão cumprida, cara”. Te dá até um conforto de uma vida bem vivida. Mas imagina que essa fossem suas últimas palavras — e bate na mesa aqui, em 200 episódios nunca ninguém saiu daqui e morreu, nada disso, né, cara? Nós nunca tivemos… Com 200 episódios, nós já entrevistamos senhorzinhos, cara, senhorzinhos assim de 90 anos. Nossa, não tivemos nenhum finado, que bom!

Então a gente, na verdade, essa pergunta acho que dá sorte, porque eu tenho… Eu entrevistei o… Esqueci o nome, o senhor… Esqueci o nome dele, cara. Tem o… Ives Gandra. É, Ives Gandra tá vivo. Entrevistamos, cara. Entrevistei um, um senhorzinho de 90 e poucos anos, que eu queria entrevistar um empreendedor na ativa com acima de 90 anos, aí veio uma indicação de um seguidor, acho que ele tinha 94 anos, cara. Eu entrevistei ele acho que faz um ano, e tá lá, tá vivão lá. Então a gente dá sorte, dá sorte, né? But imagina que os planos de Deus fossem diferentes, e é isso, suas últimas palavras. Se precisasse condensar, Rogério, 65, 65 anos de idade num conselho, cara, que conselho você deixaria aí para a gente, pro mundo?

Eu acho que o conselho que eu posso deixar é que as pessoas têm que viver de maneira mais humanizada. Eh a gente tá vivendo hoje uma época da tecnologia onde tudo acontece muito rápido, sociedade de consumo arrebentando. Então eu acho que as pessoas precisam primeiro se dar mais chance de poderem viver uma vida boa. Quando a gente falou de Filosofia, é voltar para 2.500 anos atrás e seguir o que os estoicos, os, os filósofos falavam, né? É, vamos viver um pouco melhor… Tem conhecimento ali, tem conhecimento ali. …então vamos viver um pouco melhor, vamos eh respeitar o ser humano, vamos tentar ensinar e deixar algum propósito verdadeiro e não propósito só material. É claro que o dinheiro é importante, o dinheiro te ajuda a fazer escolhas, o dinheiro te dá conforto, mas vamos trabalhar alguma coisa fora do, do material e tentar fazer alguma coisa boa pra humanidade e, principalmente, para as pessoas mais próximas suas, né? No meu caso, meus filhos. E quem precisar de ajuda, nós estamos aqui para tentar ajudar.

Pô, muito bom! Baita podcast, pô, legal demais te conhecer mais. E você que ficou aqui até agora, muitíssimo obrigado por acompanhar esse podcast até o final. Aqui embaixo tem vários botões, clique em todos para engajar. Se você acha que o que a gente conversou aqui faz sentido para algum amigo, algum sócio, eh cara, encaminha esse episódio, faz, faz sentido, faz sentido encaminhar pro sócio. Não é uma indireta não para você que recebeu, mas é que é importante essas conversas e tudo mais. Se precisar de ajuda, Rogerão tá aqui para, para ajudá-los. Tamo junto e até a próxima. Valeu, valeu, valeu!

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