Curadoria Cultural, O Mito da Carreira Única e a Inteligência de Eventos com Rodrigo Simonsen | Além do CNPJ (EP #074)
A Sutileza como Vantagem Competitiva no B2B
No ecossistema de negócios atual, a maioria das empresas e infoprodutores foca exclusivamente em táticas agressivas de vendas, métricas frias de tráfego e modelos de eventos padronizados. No entanto, quando todos os players utilizam os mesmos roteiros, a verdadeira diferenciação e o equity de uma marca passam a depender de dois fatores raros: bom gosto e curadoria de conteúdo.
No mais recente episódio do podcast Além do CNPJ, o host Felipe Cassola recebeu Rodrigo Simonsen — publicitário, mestre em Ciências da Religião, cineasta, ex-diretor editorial da H1 (do grupo O Novo Mercado) e cofundador da Fitz, agência especializada em experiência e curadoria de eventos corporativos de grande porte.
Filho do ex-secretário de cultura e deputado Plínio de Arruda Sampaio e criado em um ambiente efervescente de intelectuais, dramaturgos e regentes, Simonsen explica como transformar a profundidade estética e a bagagem cultural em uma alavanca de valor para negócios, além de abordar os perigos do “narcisismo da internet” e da robotização do aprendizado.
1. A Curadoria de Conteúdo na Era da Inteligência Artificial
Com o avanço e a democratização de ferramentas de IA (como o ChatGPT), as respostas técnicas, scripts e códigos tornaram-se commodities de baixo custo. O grande desafio dos líderes modernos não é mais a geração de volume de dados, mas a filtragem e o refinamento do repertório.
O bom gosto, o senso estético e a sensibilidade humana são atributos extremamente difíceis de serem replicados por algoritmos. Na visão de Simonsen, o papel das lideranças modernas migrou para o design de experiências: escolher o que não mostrar e priorizar a profundidade sobre a superficialidade.
[Excesso de Informação / Algoritmo] ➔ [Filtro de Curadoria e Estética] ➔ [Experiência de Marca Memorável]
2. A Morte da “Carreira Única” e o Fim do Caminho Estreito
Outro ponto cego da gestão de talentos é a insistência em modelos rígidos de carreira linear. O termo “carreira” deriva do latim carraria, que significa “caminho estreito para carroças”.
No mercado contemporâneo, manter um colaborador ou um fundador preso a um único trilho por 30 ou 40 anos costuma podar o repertório criativo necessário para resolver problemas complexos.
| Modelo de Carreira | Estrutura de Aprendizado | Impacto na Capacidade de Inovação |
| Carreira Linear (Tradicional) | Caminho único, rígido e ultraespecializado em uma única disciplina. | Limitado: Dificuldade de adaptação a mudanças de mercado e falta de repertório cruzado. |
| Carreira Plural / Multidisciplinar | Trânsito entre negócios, comunicação, artes, filosofia e tecnologia. | Exponencial: Capacidade de conectar universos distintos, criar novas soluções e Inovar. |
3. A Engenharia de Eventos Corporativos: Da Pirotecnia à Emoção Real
À frente da agência Fitz, Simonsen aplica conceitos de direção de cinema e music branding no mercado de grandes eventos (atendendo marcas e palestrantes do ecossistema de inteligência e tecnologia, como a comunidade Adapta).
A maioria das empresas comete o erro de estruturar convenções e lançamentos como um amontoado de palestras desconexas, sem um fio condutor narrativo. A verdadeira inteligência de eventos reside em desenhar uma jornada emocional para o participante:
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Ambientação e Music Branding: A escolha correta das frequências sonoras (do organ jazz ao eletrônico) altera a recepção cognitiva do público.
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Quebra de Expectativa (Plot Twist): Inserir elementos culturais ou narrativos inesperados (como um vídeo poético ou uma performance artística no meio de um painel de negócios).
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Conexão de Vendas (Conversão): A venda no palco (pitch) deixa de ser uma pressão comercial fria e passa a ser uma consequência natural da atmosfera criada.
4. “Mude o Seu Mundo, Não o Planeta”
Após enfrentar um infarto grave com obstrução arterial severa há poucos meses — evento que ressignificou sua visão de tempo e relacionamentos —, Simonsen traz um conselho definitivo para os empresários que vivem sob o estresse crônico das métricas de vaidade.
A obsessão moderna de tentar “salvar o mundo” ou agradar algoritmos costuma gerar frustração e isolamento. A verdadeira transformação do empresário começa no seu microcosmo: cuidar da saúde, amar a família, tratar com respeito o porteiro e o funcionário, e construir uma comunidade de valores reais ao seu redor.
Quer aprender a aplicar curadoria cultural, elevar o nível estético da sua marca e transformar seus eventos corporativos em motores de vendas? Assista ao episódio completo no Além do CNPJ!
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Aí as pessoas ficam querendo entrar nas cinco pessoas que, que elas admiram, mas por que que essas pessoas vão abrir esse grupo para você? O que que você traz para esse…? Contribui com… Tem muito mais mérito o cara que saiu da favela e consegue um emprego de, de cinco paus na, na Faria Lima do que o cara que é filho da pessoa muito rica e só conseguiu alguma coisinha assim. Que o ChatGPT, a inteligência artificial vai substituir um milhão de coisas, mas o bom gosto é muito difícil. E, e na vida de todo mundo o entretenimento é um negócio muito importante. No mínimo deveria ser, se não for é porque talvez você esteja em descompasso na sua vida e você eventualmente está só trabalhando.
Buenas, buenas, buenas, seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui para trocar essa ideia vida real com a gente de empreendedorismo. Mas, cara, antes de tudo, antes de eu apresentar para vocês o, o convidado que tá aqui na minha frente e tudo mais, convido você a pegar uma cadeira, sentar-se à mesa com a gente pra gente trocar uma ideia sobre a vida que acontece nos bastidores da internet, nos bastidores do que se mostra: as Ferraris que a galera tem mostrado na internet, os carrões, as viagens de primeira classe… Cara, como que funciona não só o, o caminho para chegar lá, ou como que funciona a verdade nua e crua, sem esse, essa maquiagem que a internet traz pra gente que é empreendedor e muitas vezes isso traz na gente de que tá lá na, no dia a dia passando um perrengue do caramba, traz na gente aquela sensação de atraso, de que você fala: “caramba, meu, esse negócio não tá bom, as minhas coisas não estão andando e tudo mais”, sendo que na verdade a internet só tá trazendo pra gente mentiras que a gente acredita e acaba se comparando, olhando a grama do vizinho.
Então hoje eu tô aqui com um convidado… Cara, eu tô lisonjeado de estar com ele aqui na minha frente, sem rasgação de seda, mas é um cara de que eu conheço antes de ele me conhecer, por causa que ele é um cara bem, bem conhecido na internet. É um cara que já se envolveu em grandes, grandes mesmo, mesmo projetos de marketing digital de que a gente vai e trazer aqui durante a, quando ele estiver contando a história dele. E, cara, é uma mente brilhante. É, é aquela mente que tem, que que pelo menos eu tenho essa sensação quando eu conheço alguém que tem essa inteligência, essa sabedoria, dá vontade de falar assim: “cara, fica aí falando três horas, eu não vou nem comentar, só vou, eu só vou escutar, sabe, na lareira, sabe?”. Então é um cara que tem uma mente que de fato é admirável, e a internet e os seguidores que o acompanham, as pessoas que o conhecem valorizam exatamente isso: o raciocínio desse cara, a mente desse cara. E não à toa, a gente tava conversando aqui nos bastidores, o cara tem uma baita formação, e a gente vai entender tudo isso agora. Tô aqui com Simon Simonsen, meu caro. Muitíssimo obrigado, de verdade, tô muito feliz de você estar aqui.
Eu tô muito feliz de tá aqui, tamo junto, cara.
Cara, antes de quem já te conhece… Pô, tá, tá muito ansioso pelo episódio. Mas quem não te conhece, antes de te conhecer oficialmente, o Simon Simonsen, o cara que já construiu tudo isso que você construiu e chegou onde você chegou, cara, o Simonzinho, de onde você nasceu? Você nasceu no litoral mesmo? Como que foi, você teve… Como que foi a tua criação? Quero saber tipo a parte de infância mesmo: você teve pai e mãe presentes? Como que foram as criações, como que foram as referências? Você sempre foi um cara estudioso? Como que foi, qual foi a referência para isso, ou é natural? Me dá um overview assim da tua origem.
Eu sou de Santos mesmo, nascido e criado lá, graças a Deus com a presença dos meus pais, de quem eu tenho profundo orgulho. Minha mãe é bióloga e é professora de escola, coordenadora hoje, eh daquelas figuras assim que ela já tá aposentada há mais de 10 anos, não consegue parar de trabalhar porque realmente tem aquela, aquela paixão, sabe, paixão pedagógica assim, de que realmente sente que pode contribuir com a vida daquelas crianças, e contribuir mesmo. É a professora sempre mais adorada.
Com quantos anos ela tá?
Minha mãe tá com 69, eu acho.
Caraca, que ativa ela tá!
Super bem assim, tá ativíssima, muita energia. Que legal! E ela foi minha professora inclusive no, no colegial, quando a gente chamava de colegial, né, no segundo e terceiro anos, e professora de biologia excelente. E uma figura assim, é realmente os alunos gostam, todo mundo, todo mundo. É impressionante, sabe a alma da festa, aquela pessoa que por onde passa chama a atenção porque é simpática, fala com todo mundo e tudo mais. E meu pai, falecido há, há dois anos, tinha um temperamento muito parecido com o meu, assim, o jeito de falar muito parecido, é chega a ser engraçado. Meu pai era uma figura pública, foi político.
É mesmo?
Advogado de formação, mas político a vida toda. E foi vereador, foi deputado, foi candidato a prefeito, ele foi secretário de cultura também, tanto em Santos quanto secretário junto do do Estado de São Paulo.
Caraca, que legal!
Então, eu acho que esse, querendo ou não, meu pai foi essa primeira grande influência intelectual, não só por conta do que eu ouvia dele, às vezes ouvia na TV, nos programas, os discursos, tudo mais, mas também para ele ter proporcionado um ambiente onde a cultura era presente e era natural, né? Era algo que acontecia nas nossas vidas, fosse pelo meio do cinema, dos espetáculos de dança, das orquestras, da música, enfim, e das, das mais variadas manifestações. E às vezes eu, muito menino, só absorvia aquilo, né? Conhecia figura…
Você é filho único ou tem irmãos?
Eu tenho uma irmã mais nova, e, e às vezes eu cruzava com, com figuras assim extraordinárias, mas não tinha essa dimensão. Você é criança, né, então você acha que é normal, né? Eu lembro muito bem assim, o Plínio Marcos, né, talvez o segundo maior dramaturgo do país, sei lá, dos últimos 50 anos, depois de Nelson Rodrigues, Plínio Marcos. Ele foi almoçar na minha casa uma vez, e para mim era só uma figura muito estranha, porque chegou um cara com, com aparência de doido assim, com uma bolsa toda pichada e um vocabulário muito engraçado, pega, me dá um livro, e o livro tem 200 palavrões na primeira página. E quando você é criança, é a coisa mais legal do mundo, né, você se diverte imensamente. E ele sempre perguntava por mim quando encontrava com o meu pai, e brincava: “Cadê o gênio?”, não sei o que, e era eu. E várias outras figuras assim…
Te chamava de gênio?
Então acho que eu tenho cara disso. E é fácil, porque eu tenho esse jeito meio pausado de falar e tal, as pessoas já assumem coisas, eu acho engraçado. Mas tinham, tinham várias dessas figuras presentes. E depois, quando mais velho também, então eu lembro quando fui fazer faculdade, fiz ESPM em São Paulo, e nessa época meu pai era secretário de cultura do estado. E a secretaria de cultura fica no prédio da Estação Júlio Prestes, a Estação da Luz ali, onde tem a Sala São Paulo, né, talvez o prédio mais bonito de São Paulo. Então eu ia para lá de vez em quando visitar meu pai, não sei o que, e daí essas figuras estavam lá. Eu lembro de chegar pós-trote assim, cabelo raspado, cheio de tinta na cara, e aí tinha grandes atores e atrizes fazendo consulta com o meu pai lá. Eu achava aquilo muito engraçado.
Nessa época você já tinha dimensão de quem eram as pessoas?
Sim, sim, que flutuavam… Inclusive alguns eram muito amigos do meu pai. Por exemplo, o John Neschling, que foi regente da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo por muitos anos, era muito amigo do meu pai e era uma figura presente. Então ter essa chance, né, de, ainda que seja um convívio mínimo, você acaba fisgando muitas coisas das pessoas.
Referência total mesmo.
É, às vezes uma maneira de enxergar a vida, né? Eu acho que esse meu lado de alguma maneira artístico que eu trago embutido em mim, acho que vem um pouco daí, né, de enxergar as coisas um pouco como arte e um pouco como negócios. Acho que a faculdade trouxe isso, né, então eu vejo as coisas como produto, como possibilidade de comunicação, o que que eu posso fazer para reforçar, né, mercadologicamente as coisas, mas também como que eu posso aplicar um pouco de beleza, como é que eu posso inserir o meu modo de enxergar o mundo nesse objeto ou nessa campanha.
Isso reflete nas coisas que eu já vi você executando como trabalho. Sempre tem essa… Querendo ou não, fica no meio do caminho às vezes.
Exato, você tem essa pegada business, mas sempre com uma veia artística.
É, então se fossem nos documentários de que eu dirigi, ou nos livros que eu editei, nos eventos que eu faço, sempre tem um pouco disso assim: como é que eu posso fazer as coisas de um jeito um pouquinho diferente, como que eu posso inserir um pouco de estética, um pouco de beleza, um pouco de design, né, naquilo que às vezes é convencional. E como que às vezes isso acaba alterando todo o segmento, né, não só um produto, mas você muda a maneira de enxergar uma empresa. Com a Editora H1, eu sinto que foi muito isso que eu acabei fazendo, e provavelmente a gente vai falar sobre isso também aqui, mas essa essa conjunção às vezes de de leituras, de uma formação muito, muito atípica… Depois da ESPM, fui fazer mestrado em Ciências da Religião e Filosofia da Religião com o professor Pondé, Luiz Felipe Pondé na PUC, que me convidou para fazer um mestrado sobre Bento XVI, e eu empolgado, jovem e tal. Eu conhecia da Casa do Saber, a Casa do Saber que era um espaço de cursos, né, hoje em dia só tem online, mas antes era um espaço ali no Itaim, e ali eu tive a chance de conhecer alguns professores absurdamente sensacionais quando eles ainda não eram famosos, então era Pondé, Clóvis, Karnal, por três professores com quem eu fiz muitos cursos. E o Karnal foi um professor na faculdade também, né, de Filosofia, mas era um professor jovem, tinha 30 e poucos anos, talvez. Não eram essas figuras… Depois eles foram se tornando, até no caso deles por uma influência também mercadológica, eles perceberam que dá para ser rico sendo professor e palestrante, né, o caminho é esse, não é universidade. A USP nunca vai te pagar bem.
Você fez o que na ESPM mesmo?
ESPM eu fiz Publicidade.
Publicidade. Como que foi a escolha, então?
Foi uma escolha curiosa porque antes de fazer a Publicidade, eu fiz dois anos de Direito. Eu entrei muito jovem, tinha 16 anos, faculdade de Direito, uma faculdade tradicional de Santos também. Meu pai tinha feito Direito, eu tinha um pouco de vontade de seguir na carreira política também, tinha algo ali. Aí professores me diziam: “poxa, você é muito bom em defender pessoas, defender ideias, você é ponderado, acho que Direito tem a ver com você”. E aquilo de fato me pareceu fazer sentido de…
Mas faz sentido mesmo.
De alguma maneira sim. Mas aí quando você chega e olha pra prática do Direito, você fala: “ah, não é exatamente isso de que… O que é o mundo do Direito”, né? E aí no primeiro ano eu já tinha pensado em mudar de curso, mas aí todo mundo falou: “não, fica mais um ano, tem mais Direito no segundo ano, você vai gostar mais, faz um estágio”. Eu fiz um estágio, mas aí tudo para mim piorou, na verdade, porque aí eu acho que foi trazendo essa dureza do Direito, que não era o que eu queria, foi sumindo esse lado artístico que eu gostava. E aí nesse momento eu falei: “puxa, eu posso trancar para fazer Cinema”. Era uma possibilidade, porque eu queria ser crítico de cinema, não porque eu queria ser cineasta, né? Meu pai também era amigo do Rubens Ewald Filho, que era da cidade de Santos, e o Rubens sempre foi muito querido com meu pai, apoiava nas campanhas, era realmente uma boa figura e, poxa, o crítico mais importante da história do país. Então eu tive esse contato com ele também, me pareceu uma profissão desejável porque eu gostava muito do cinema mesmo. E aí, mas aí num momento eu falei: “puxa, eu acho que tem mais serventia eu fazer a Publicidade porque eu posso possivelmente mexer com várias coisas”.
Você navega em vários ambientes.
Exato, então tinha a coisa do marketing político, que também me fascinava, sim, tinha ainda essa possibilidade de lidar de algum jeito com produção de cinema e tudo mais, e a comunicação ela realmente é ampla o suficiente para te permitir, né? Depois de muito tempo, até num num num documentário de que você participou, Para Essa Chave, a gente discutiu isso nas muitas possibilidades de carreira, né? Que quando a gente era mais jovem, especialmente nas gerações anteriores à nossa, a ideia de carreira era muito forte, né? Você escolhe uma faculdade, você vai fazer, vai ter sua profissão relacionada a essa faculdade e você vai passar 30, 40 anos naquela profissão, e se possível, na mesma empresa, que chegando no final você ganha um Rolex. E esse era o sucesso que todos olhavam, né, exato. E hoje em dia é, é o contrário, é realmente, ou é o oposto, ou no mínimo é dramaticamente diferente. Quando eu vejo alguém com 15 anos de experiência num único CNPJ, a figura que vem à minha mente, e eu sou… Ao olhar de empregado, né?
Acomodado.
E todo mundo vê isso, é, é isso. No filme inclusive, de que tá disponível no YouTube, eu adoro, eu reassisti recentemente, acho que foi uma das coisas mais legais assim que eu fiz. Um dos entrevistados fala que “carreira” vem do latim carraria, que é caminho estreito. Por que que você vai escolher ter um caminho estreito se você pode ter três caminhos, quatro caminhos, cinco caminhos? Você pode trafegar neles e um vai fortalecer o outro, um vai melhorar a sua capacidade no outro, né? Hoje em dia a vida permite isso. Talvez antigamente não permitisse mesmo, né, mas hoje se você quisesse ser assim, talvez o próprio sistema ia te falar: “você é louco, seu doido, vem, volta para cá”, exato. E hoje, até por uma facilidade de educação também, né, você aprende muito mais fácil, hoje tá tudo disponível, tá tudo disponível, né? Você tem de graça um milhão de excelentes podcasts no YouTube, você tem acesso a livros muito, muito fácil. Eu tava conversando isso com uma amiga recentemente: poxa, como o fato de que você não precisa ter mais uma livraria na sua cidade faz com que as coisas mudem. Porque pessoas que estão numa cidade muito distante têm acesso a… Tem acesso a qual livro quiser. Qualquer livro, e também há muitos e muitos cursos, você não precisa mais fazer o curso presencial, você tem Harvard inteira tá lá no…
Você acessa a mente de quem você quiser hoje, esse é o ponto: acessar a mente de quem você quiser.
Porque antigamente você acessava a mente como? Lendo livros daquela pessoa, hoje você assiste um vídeo daquela pessoa, e cara, e às vezes aquele, aquele vídeo já tá falando numa conversa meio informal com algumas pessoas, elas soltam umas pérolas, você fala: “cara, tô…”. Você consegue fazer um download da mente da pessoa mesmo, às vezes até segredos, às vezes até meios de agir, meios de pensar que normalmente não caberiam num livro.
Total, é isso. E aí é um, é um momento muito privilegiado, o que não quer dizer que a gente esteja aproveitando bem também, né? Eu acho que as pessoas carecem de uma curadoria mais, né, mais relevante, mais, mais presente. Porque as pessoas por si só têm dificuldade de fazer essa curadoria. Esse é o futuro, inclusive, eu acho que é a curadoria.
Eu tava pensando nisso também recentemente: o, o, o ChatGPT, a inteligência artificial vai substituir um milhão de coisas, mas o bom gosto é muito difícil, né? Essa capacidade de, de filtrar aquilo que de fato é bom daquilo que de fato não é bom.
E autoridade sobre a vivência, é porque o ChatGPT faz tudo, cara, mas assim, por exemplo: hoje eu tive a oportunidade de ir no endócrino, que é um amigo nosso, que ele é um dos, vai… Ele não tá entre os top 5, ele acho que é o top 1, ele é o primeiro endócrino do Brasil, Felipe Gaia, inclusive, é aqui, o cara é monstro, lidera pesquisas de endocrinologia mundiais aqui no Brasil, o cara, o cara é fera. E, cara, primeiro: metade das coisas que todo mundo tá falando que funcionam, ele fala que não funcionam com artigo científico, então tipo, você vê como a indústria influencia trezentas mil coisas. E eu tava falando com ele, eu falei: “cara, e aí?”. E aí eu mostrei lá, eu fiz um, um agente no ChatGPT de uma nutróloga que sabia tudo, ela tinha feito vários cursos, eu fiz um baita de um prompt, e eu fico trocando ideia com ela sobre calorias, pratos, receitas e tal. Só o que que ela falou para mim: ela falou para eu tomar certas vitaminas porque ela usa a referência do que se escreveu na internet.
Uhum, a própria indústria escreveu isso.
Sim, claro. Então, por exemplo, uma das coisas controversas, ô Simons, já vou colocar a fogueira aqui do que você falou hoje, mas assim, ele falou que colágeno, aham, todo colágeno, tanto o que eu tomo para articulações quanto o que a minha esposa toma para pele e cabelo, não é que não funciona, mas que um bife de frango de 100 g equivale a 97 cápsulas de colágeno, então que tipo… Não é que não funciona, mas que é irrelevante, é irrelevante o colágeno, a o suplemento, o colágeno. Porque, cara, ele falou assim: para você ter ideia, é quase 1 g por cápsula, então se você pegar uma carne moída, um negocinho da carne moída e comer, é como se fosse um comprimento de colágeno. Resumindo, é quase que psicológico a questão, e o ChatGPT tinha me falado colocar colágeno nas minhas, nas minhas dietas. Então, no final das contas, cara, ele só replica o que as pessoas espalham ao monte por aí. Mas quem é a pessoa que vai ter de fato a curadoria daquilo, a autoridade daquilo, a credibilidade daquilo? Vai ficar cada vez mais caro essas pessoas, o Gaia, por exemplo, vai ficar cada vez mais caro porque vai tá tão condensado esse conhecimento que quando você quiser alguém que faça isso, vai ficar cada vez mais raro também o cara que que tem essa, essa capacidade de te dar essa, essa direção.
É porque você não constrói isso também da noite pro dia, são vários e vários anos de pesquisas, de leitura de artigos e essa capacidade de filtrar também que você não desenvolve da noite pro dia, você desenvolve acertando, errando, acertando, errando, e vai vendo o que funciona, e vai…
Vivência.
…e pegando nas experiências dos outros. Você precisa conviver, né, e isso a internet tem como um limitador.
Não à toa existe todo um movimento para, para algo mais presencial. E aí eu até enxerguei isso como oportunidade de negócio, mas e as pessoas viram que você fazer um curso online, você ter um mentor online, etc., é excelente, é desbravador, te traz um, uma série de, de conhecimentos que de fato antes seriam inacessíveis, mas também é limitador.
É, falta um abismo, cara, porque o online, por mais que seja tão quanto quando se há o comprometimento, mas as pessoas, eu acho que sei lá, fala “ah, é online, daqui a pouco eu faço”, ou “é ao vivo, eu preciso assistir aquilo, mas depois eu assisto”, tá? Ficou, ficou tudo muito fácil, “daqui a pouco, daqui a pouco, daqui a pouco”, e daqui a pouco nunca chega. Então até que se pegar não só os meus conteúdos gravados de que eu vendi há dois anos atrás… Hoje eu não tô vendendo mais nada, mas das pessoas que venderam, muitos não acessam o curso, gastam lá dois contos num curso e nunca entram, ou entram uma, duas vezes, fazem metade de uma aula, e quando vai ver o o login expirou. Uhum, é óbvio que esse, que esse mercado não ia se sustentar, porque se tivesse uma aderência funcionaria, mas não, não, não tinha essa aderência, tinha aderência na venda, mas não necessariamente na execução.
Sim.
E é o que, é o que você falou: o presencial tá cada vez mais voltando. Só antes de entrar já nessa, nessa parte mais de agora, cara, eu vi assim que nas suas referências, tua mãe sempre muito presente por conta do jeito dela, mas teu pai de fato foi uma referência filosófica de que você seguiu, e a gente normalmente tem a referência do pai, principalmente homem tem referência do pai ou no sentido de “sou muito próximo dele, ele é meu super-herói”, ou no sentido “esse cara é…”, e eu fico até numa posição, se não tem uma proximidade tão grande, de “putz, eu preciso superá-lo”, o homem tem isso, né, o animal tem isso, o, o leãozinho brigando com o, com o pai leão e tudo mais. Como que foi essa, se você não quiser entrar nesse, nesses, nesse mérito, mas como que foi a tua convivência com o teu pai, talvez por ele ser um cara tão assim e tão, e tão avançado e com vários contatos? Ele acabou ficando um pouco distante, então você foi meio que buscando referências e tentando alcançar, ou ele é um cara que acolhia e te puxava para isso aí?
Então, é um pouco temperado, é um pouco dos dois mesmo. Meu pai trabalhava muito, muito, tanto é que ele desenvolveu problemas cardíacos e fumava demais para compensar na época, ainda era… Em época de campanha, ele fumava quatro maços por dia, né?
Caraca!
Ele fumava no banho, tomando banho com o cigarro, era esse nível assim, um nível de ansiedade brutal.
Para compensar, né?
É, e a minha mãe tinha que se desdobrar em 1.000, levava a gente para tudo quanto é lugar, e ela de fato fez isso como ninguém poderia fazer, né? Então tinha um pouco dessa distância, a gente nem sempre viu meu pai durante a semana, às vezes chegava muito tarde, a gente ia dormir, não sei o que, então tinha um pouco desse afastamento de, de olhar também pra, pra pessoa como se tivesse numa altura mais distante.
Altura.
Mas também em muitos momentos meu pai fez esse movimento de: “poxa, vamos lá, vamos assistir as coisas, vamos na orquestra, vamos no teatro, vamos no cinema”, etc., e foi importante. Eh então às vezes voluntariamente, às vezes involuntariamente, ele foi contribuindo. Mas também tem uma coisa de o fato de que eu sempre gostei, por isso que é tão difícil você, você não consegue forçar uma pessoa na, a adquirir cultura, por exemplo, ela realmente precisa estar muito disposta e precisa gostar, e para gostar talvez você precisa ir galgando degraus, né? De início você não vai gostar de, da ópera de Puccini de cara, e isso todo mundo é assim mesmo. Eu que, que desenvolvi isso de algum jeito, né, despendiam tempo, tem várias áreas que eu não desbravei. Eu falei ópera porque é uma delas, a ópera conheço pouco, gosto, mas não entendo quase nada, e aí eu, eu conversei com, com o Nelson Ascher anos atrás, grande crítico literário, foi poeta e colunista da Folha, né? E ele falou: “Poxa, eu só comecei a ouvir ópera com 50 anos”. E eu, no Ascher, eu fui, eu fui na biblioteca dele: 40.000 volumes, não era…
Caramba!
…era pouca coisa assim, era uma casa infestada de livros, e ele tinha uma cultura realmente brutal, tem ainda, tá vivo. Eh então é isso, você precisa dar tempo às coisas e você precisa ir galgando esses degraus em função de de interesses. E a muitas vezes você vai ter que começar um pouco lá de baixo, mas eh o que muito a maioria das pessoas não faz é talvez tentar alcançar um patamar um pouquinho mais alto, né? Então tudo bem você gostar de de As Branquelas, é legal, todo mundo gosta, beleza, mas será que não tem nada que seja um pouquinho mais refinado, e aos pouquinhos, né? E por que refinado? Não é uma vontade de de afetação, né, porque obras mais profundas podem te trazer mais coisas, né? Tem mais camadas.
Mais reflexões.
Reflexões mais profundas que podem impactar mais profundamente a sua vida, né? Então são pessoas que chegaram no nível máximo da sua atividade, né? Eh não dá para comparar Mozart com MC Kevinho, não dá, e eu não tô falando “vamos abolir o MC Kevinho”. Exato. E você não tá nem desmerecendo o cara. Não, ele tem totalmente a sua função, e na verdade os caras que têm mais ou menos um discurso próximo do meu, muitas vezes caem nessa armadilha, que é a armadilha do pedantismo de falar: “só o Mozart importa”, enquanto eu fico pensando: “poxa, o entretenimento é um negócio muito importante e ele, e o MC Kevinho tem a sua função, tem a sua função”. E aí você, ele por exemplo, o Kevinho numa comunidade, ele tira pessoas… Claro! …do crime, claro, porque gera entretenimento na comunidade. Exato. E gera uma possibilidade de vida que não existia antes, e as pessoas podem enxergar e tomá-lo como referência, isso é muito poderoso. E ir pra música, por exemplo, né, por mais que talvez não saiba cantar e vire produtor independente, não importa, né, saiu do crime muitas vezes. É o c… O “se” de que a gente nunca vai ter a resposta, mas que no final das contas traz um corredor, né? Sim. E, e na vida de todo mundo o entretenimento é um negócio muito importante, no mínimo deveria ser, se não for é porque talvez você esteja com descompasso na sua vida e você eventualmente está só trabalhando, né, que é um é um perigo. É, ou você tá só se dedicando a alguma coisa, você precisa de um espaço de lazer. Muitas vezes o espaço de lazer inclusive vai ser aquele que vai ser mais formativo pra sua vida, né, aquele de que de fato vai trazer as coisas que vão eh te permitir ser a peça-chave que a gente discutia no filme, de ser essa pessoa diferente que vai trazer uma visão diferente a ponto de se tornar praticamente insubstituível dentro de uma empresa, ou a ponto de criar uma empresa de que eh substituir as outras, né, com com uma visão de mundo poderosa, com estratégia diferente.
Exato, é a visão que a essa, essa pluralidade de informações que você recebe acaba formando em você. Por isso que a parte técnica é tão importante, mas aquilo que não é técnico talvez e tenha mais impacto ainda. E vai ficar cada vez maior, porque a parte técnica, cara, é commodity, é virou commodity real, tá aí para todo mundo. Quem quiser aprender, vai aprender. Tem nos livros, tem nos cursos, tem na faculdade, e você aprende com rapidez, né, hoje em dia, hard skills, essas coisas, e a gente discutia isso também, o quanto é que a maioria dos dos funcionários não é dispensada por falta de hard skill, é dispensada por problemas de soft skill.
Ah, pra você ter ideia, a melhor nutricionista que eu já fui na minha vida foi agora um agente de ChatGPT, porque para todos… Eu já fui em vários nutricionistas, dos baratos ou os caros, e sempre disse: “eu não quero me tornar um atleta, eu sou empreendedor, tenho uma vida muito corrida, eu preciso de uma dieta que eu… Eu sou nota 3, não quero uma dieta nota 10, me faz uma uma dieta nota 6,5”. Nutricionista padrão, dos dos mais baixos aos altos níveis, não sabem. Uhum. Sabe, é maluquice, eu falo: “cara, faz uma dieta que não tenha talo de brócolis”, eu sabe, que coloque coisas que eu ache na rua, que às vezes eu preciso colocar uma coxinha ou uma esfirra de carne. Uhum. Não tem essa flexibilidade. O prompt do ChatGPT me trouxe exatamente o que eu precisava, sabe? Uhum. É o que você falou: a técnica não mais importa, cara. O que eu sempre pedi pros nutricionistas humanos que eu fui, foi soft skills. Uhum. Adapta a dieta para um cara que não vai conseguir carregar marmita no carro… Sim. …e que consiga achar isso em qualquer lugar que eu precise parar, por exemplo, num restaurante por quilo, e adicionar algumas coisas, ou até num fast-food: o que que eu ponho no fast-food e tal. Nunca, nunca se pensou dessa forma, e o ChatGPT conseguiu entender o que precisava.
É porque demanda essa adaptabilidade, demanda essa flexibilidade, e de vez em quando demanda criatividade. Criatividade, né, e criatividade é um negócio que você precisa exercitar, senão atrofia. Exato. Atrofia, e, e poxa, por que não a gente exercer a nossa criatividade na nossa atividade empresarial ou de trabalho, total, né? Eh poxa, é um é um é um meio tão vasto e tão rico de possibilidades, né, e muitas vezes a gente fica acanhado repetindo processos, só repetindo as mesmas coisas, seguindo fórmulas, seguindo manuais, né, enquanto a gente realmente poderia estar criando, criando coisas, né? E que eu gosto muito dessa ideia de, de que arte não precisa ser só a arte que tá pendurada no no museu, né, cara? Realmente você pode fazer arte no seu dia a dia se você fizer de um jeito inspirado, né, que toque as pessoas ou que tenha o seu toque muito pessoal, eh que seja diferente. Poxa, por que não aquilo, né, não seria arte também, né, em todas as atividades possíveis? Eu realmente acredito nisso, e porque eu vi isso acontecendo e eu vejo como essas pessoas muitas vezes são mal compreendidas pelos seus gestores, isso é muito comum, mas se você encontrar alguém que eh pô entende e potencializa, perceba esse diamante e não use esse diamante como peso de papel, né, ele de fato explore a beleza desse diamante. Poxa, eh é uma carreira que tende a ser muito mais, muito mais gloriosa, exponencial.
E aí depois da sua faculdade que você fez de Publicidade, você falou que você entrou no… Da Casa do Saber, você falou que você tinha professores gigantes. Como que foi esse convite do Pondé? Foi assim, o a Casa do Saber eu já ouvi falar da Casa do Saber, mas não, não sei profundamente, mas é um… Era uma escola que você se cadastravam-se… Como surgiu a Casa do Saber?
Surgiu de, de uma tentativa de replicar coisas que aconteciam na Grécia Antiga. Então existia, e aí existia um, um… Que acabou sendo um dos donos da, da casa, ele tinha uma casa muito grande, ele proporcionava jantares e chamava um professor, chamava o Clóvis, chamava outros professores para eh conversar sobre algum tema filosófico enquanto eles comiam, enquanto as pessoas tinham ali o seu, o o seu convívio. E aí eles perceberam: “poxa, a demanda tá aumentando, toda semana que a gente faz tem gente já, já aparecendo, chama o amigo, chama o primo, chama não sei quem. Será que não tem uma oportunidade de negócio aí?”. E eles se juntaram, eram, eram seis sócios, figuras muito renomadas nas suas áreas, etc., e montaram esse espaço com cursos livres. Num primeiro momento, muito de filosofia, depois foram expandindo: psicologia, história, história da arte e até temas mais contemporâneos, mas sempre cursos livres num espaço que proporcionava não só o aprendizado com grandes mestres, para além daquelas bancas universitárias onde o ambiente é ruim…
É ruim, exato.
Né? Eh tem que seguir um método, um… E é, e é um ambiente de, de muita disputa. Tava conversando com a, com a Sara, minha esposa, porque ela fez faculdade federal, fez História, e, e a universidade, especialmente a universidade pública, é um ambiente de, de muito ego, muita vaidade, muita disputa, né? E aí lá não, era um ambiente muito mais fraterno, onde tava todo mundo tentando… Eles estavam lá porque eles queriam estar lá primeiro. Essa, isso é, isso é chave inclusive pro aprendizado, né? Sim. Você tava todo mundo querendo aprender alguma coisa ali. E aí, eh eles proporcionavam esse convívio entre as pessoas, então um ajudava o outro, tinha intervalo com, com vinho, então era, era um clima realmente diferente.
Você pegou essa fase, cara?
Peguei, nossa, deve ter pego por vários anos assim. E, e aí eu, na época, como eu tava muito empolgado com eh todo esse universo, especialmente da filosofia, eu comprei um cartão que dava direito a todos os cursos.
Que legal!
Então eu só ligava e falava: “tô indo”. Eu ia.
Que da hora!
E eu fazia também uma iniciação científica na, na faculdade sobre Nietzsche, então não trabalhava no… Eu já trabalhava home-office numa época em que ninguém fazia home-office, sabe?
Você foi o precursor disso aí.
Então eu tinha muita flexibilidade de horário, então dava para eu ir fazer curso à tarde, à noite, e eu realmente era dedicado a isso. O Clóvis eu já conhecia, então a gente teve um, um relacionamento muito próximo ali também. Clóvis, uma das figuras mais generosas que eu, que eu já conheci.
Tem jeito mesmo.
O Clóvis, ele, ele não me espantou só pela, pela capacidade pedagógica dele, eh oratória, e todo mundo sabia disso, que todo mundo consegue perceber muito fácil, 5 minutinhos já percebe. Mas o Clóvis pessoa sempre me, me surpreendeu muito positivamente. Eh ética de trabalho, sabe, responsabilidade. Ele não perdia uma aula de jeito nenhum. Ele teve uma vez que ele, ele tava no pós-operatório, tinha tirado o apêndice, alguma coisa assim, e ele visivelmente estava cansado e prostrado, ele não devia tá dando aquela aula. E ele tinha boa desculpa: “pô, acabei de operar”. Ele tava lá, não tava o Clóvis gritando e pulando de vez em quando ele fazia, mas ele tava lá, e a, o trato dele com a família também era muito impressionante, muito carinhoso.
O que muitas vezes é um sinal, né? É que aqui tá tudo maravilhoso, aí olha pra, pra família, descarrega.
Fala: esse é o cara de verdade. O amor dele pela, pela esposa, pelos filhos e pelos alunos também, ele sempre frisou isso. E não era, eh não eram palavras ao vento, ele, ele falava: “é importante que o professor ame os alunos”, e ele amava mesmo, ele queria extrair o melhor de cada aluno, ele proporcionava o que ele tinha de melhor também.
Um professor de verdade.
É, e fazendo um, um esforço que a maioria das pessoas dentro da academia também não faz, que é esse esforço pedagógico de tentar traduzir aquilo que é quase ininteligível, muito difícil, nos termos mais, mais simples, nos exemplos mais práticos, cotidianos, do dia a dia, e ele eu acho que eu não encontro paralelo nesse, nesse exercício assim, de sair da estratosfera e chegar no…
Ele conta a história da esfirra, ele conta a história… Não sei o que, você consegue facilmente se relacionar, né?
Eh então a, a gente desenvolveu ali uma amizade muito, muito frutífera. Com o Pondé foi engraçado porque o Pondé eu não conhecia, eu conheci porque eu resolvi fazer um curso dele, eh era um curso sobre eh Filosofia do Amor, até, e aí gostei muito e tal, e num dia eu tava no intervalo lendo um livro do Paulo Francis. Não é uma leitura comum, e aí ele virou para mim e falou: “caramba, eu tô lendo Paulo Francis também, que legal, você gosta?”. E para ver como muitas vezes as, não só as amizades surgem assim, mas os relacionamentos de trabalho, networking também pode surgir assim, né, em função de gostos em comum.
É referências, né, que vocês, vocês têm em comum.
Exato, a gente a partir dali a gente tinha um assunto. É, e aí: “ah, você gosta de Francis?”. “Gosto”. “Ah, também gosto de Roger Scruton, também gosto de não sei o que, gosto de não sei o que lá”. Você, você vai puxando as outras coisas, de repente tem, tem um vínculo formado, inclusive você consegue agregar: “se a gente gosta disso, já tentou isso?”. Exatamente, que é o que os amigos fazem, né? Eh eu tenho essa fama no dentre dos meus amigos assim, que eu gosto de recomendar coisas porque é isso: se foi bom para mim, pode ser bom para você também, então por que eu vou proteger isso? Pelo contrário, eu quero a sua felicidade, olha isso aqui, ouve esse disco, eh vai nesse restaurante, assiste esse filme, eh é um dos grandes prazeres. E eu acho que é algo que a gente poderia fazer muito mais pelo, pelos nossos relacionamentos como um todo, né? Eh ainda que a gente tenha interesses de, de trabalho no fundo de alguns desses relacionamentos, sim, e o que não é errado…
Não é errado.
…mas você precisa nutrir, exato, né? A pessoa precisa lembrar de você, ela precisa enxergar que você tem algumas capacidades, né, e ela… O jogo do networking é muito complexo.
Quer dizer, complexo assim, é na verdade é muito mais complexo do que a internet pinta, é muito mais, porque, cara, você precisa construir relacionamento.
Precisa.
Você precisa ser lembrado, você precisa ser alguém, primeiro assim, você precisa ter isso dentro de você, exato, e você precisa gerar valor.
É, cara, você, você deve ver isso também: o que tem de gente que chega pedindo coisa e não gera nada de valor, cara. Se a pessoa não sabe, não tem aulas básicas do, do, do, do princípio de relacionamento… E você precisa ter credibilidade, autoridade no assunto. Sabe, é muito complexo para você conseguir realmente extrair muito valor de uma bagagem de networking.
É porque tem aquele papo bem do marketing digital, né, de que você é a soma das cinco pessoas ao seu redor, etc., aí as pessoas ficam querendo entrar nas cinco pessoas que, que elas admiram, mas por que que essas pessoas vão abrir esse grupo para você? O que que você traz para esse…? Contribui com…
Se essa verdade, se se essa frase fosse verdade, a pessoa vai querer te trazer para as cinco pessoas próximas dela por…? Vai, vai, ela vai perder com você.
Exato, vai perder, exato. Então o que que você traz de bom na, na sua bagagem? Não é algo interesseiro, na verdade é algo que vem da generosidade da sua possibilidade de contribuir com aquele grupo, total, né? Eu enxergo o networking muito assim, e é outra coisa que o ChatGPT também não substitui, que vai ter cada vez mais valor porque você não, você não estabelece relacionamento via ChatGPT, via ChatGPT, você estabelece relacionamento com pessoas. E, e eu vi uma estatística, eu já não lembro precisamente o número, mas é, é sei lá, 87% dos, dos empregos são indicação.
Caramba!
É um número assim, mais de 80% eu acho, eu acredito. Pessoas nem sabem disso. Porque eh e, e é e é algo bastante racional, né? O fato que você vai contratar alguém que você confia, ou vai, ou vai eh acreditar no, na confiança de que a outra pessoa tem, assim, na credibilidade da pessoa, ainda mais pelo menos… Isso não é um movimento só nacional, mas mundial, de cada vez mais tá difícil contratar, claro, né? Então você tem um turnover alto, um custo altíssimo de errar os candidatos que você coloca para dentro. Uhum. Então como você tenta minimizar esse, esse, esse risco: é referência. Claro. E funciona muito.
Funciona, funciona, e porque a pessoa que tá te sugerindo também não quer se queimar.
Exato.
Porque ela fala: “opa, a minha autoridade tá junta”.
Exato.
Então eu não vou sugerir qualquer pessoa só para agradar essa pessoa.
E por isso que é um jogo tão sutil também, porque eh as pessoas que pedem esse tipo de favor não estão percebendo que existe um capital simbólico ali, né, ao redor sendo negociado também, exato, né? Então eu tenho isso como primeira regra assim: não, não peça nada se você não ofereceu nada primeiro, total. E não peça nada antes de um ano, possivelmente, e é isso, né? Cultive, é um… Esteja presente, ainda que seja virtualmente…
É isso.
…pô, e funciona virtualmente também muito, muito. É isso, pô, vi uma notícia, lembrei de você, dá uma olhada nisso aqui, acho que você vai gostar, e muitas vezes você vai fisgar as pessoas pelos hobbies e pelo, pelo trabalho, porque, pô, se ela é técnica no trabalho, às vezes se você conseguir achar alguma coisa que de fato seja muito nova, né, que possivelmente ela não, nunca viu, um livro que saiu, um artigo que saiu, etc., legal, você tem uma capacidade também boa para oferecer, mas às vezes, sei lá, você sabe que a pessoa gosta de, de basquete ou de cinema ou qualquer coisa do tipo, e é ali que você vai fisgar o coração da pessoa.
É isso.
E aí que é o relacionamento verdadeiro que começa pelo coração, né?
E aí você e o Pondé se conectaram isso via, através de, de um livro.
Via livros. E ele te chamou para um curso para mestrado lá, lá na PUC. Qual foi o mestrado?
Em Ciências da Religião.
Ciências da Religião.
Eu não defendi, no final das contas, eu fiz todos os créditos, tal, e eu vi que a academia não era para mim. Eu tive conflitos ali na, na PUC e, e de fato não, também o que que de certa forma não importa, o que importa é o que você aprendeu ali. Eu tinha 25 anos, de fato não era para mim assim. Do Pondé eu consegui extrair muito e consegui aprender muito, mas todo ambiente universitário, ele tem problemas que para mim eram muito sérios e muito graves, que eu levava muito a sério, então não tinha a liberdade de pesquisa que eu gostaria que tivesse, liberdade de expressão de ideias não era, era um ambiente difícil. E para pras ideias de que a gente tava tentando estudar, eh a gente tinha que lutar contra muita gente, e é até hoje, né? Eu acho que é até pior.
É até pior.
A gente não vai tocar nesse vespero da, das universidades. E aí, cara, depois você fez todos esses cursos, em que você entra na… Depois dos 25, vai? Como que você entra na carreira profissional? E eu sei que você, como a gente tá conversando nos bastidores, chegou a ter uma editora. Em que momento essa editora entra e como que isso surge na tua mente, cara?
Então, eu, eu, eu trabalhei em agência de publicidade também em São Paulo eh e continuava morando lá?
Sim.
Bate e volta?
Não, continuei morando em São Paulo, fiquei, morei, fiquei por oito ou nove anos em São Paulo. Eh trabalhei em agência na época do mestrado, e era algo que dava para conciliar. Eh aprendi bastante com agência, eu tive um, um chefe que era uma grande figura, era o Ubiratan Muarrek, ele é autor de romances, é um cara diferenciado também, e ele conseguiu estimular muito uma parte de pesquisa minha, não pesquisa de mercado assim, mas era muito de pesquisa de internet, coisas surgindo, novas ideias, então o nosso núcleo era responsável pelas novas ideias ali na, dentro da, da agência, e foi, foi um momento interessante, de bastante aprendizado também. Eh nessa época algumas coisas foram confluindo, e aí eu assisti um curso na Casa do Saber também, do professor Pedro Paulo de Sena Madureira, que foi talvez o maior editor de livros dos anos 70 e 80 no Brasil, ele era responsável pela Nova Fronteira, depois pelo Grupo Siciliano, que ele ajudou a fundar na, na Editora Siciliana, e era uma figura de uma cultura absolutamente devastadora assim, de, cultura literária mesmo, começou a trabalhar muito cedo assim, com 16 anos acho que ele já era editor, ou, ou 18, sei lá, muito jovem, eh não fez faculdade, e cultura de livro mesmo. Eh e aí, a partir do curso dele, eu falei: “puxa, é isso de que eu quero ser”, porque é um jeito de juntar também muitas as competências que eu tava desenvolvendo, esse, eh esse lado das ideias, que para mim também era importante, mas também esse lado mercadológico de: “puxa, o livro é produto, como é que eu faço para vender?”. Eh sempre tive um fascínio pelo universo dos livros porque eu gosto do objeto também, eu gosto obviamente daquilo que, que ele proporciona, eu sou a pessoa que lê com prazer também ainda, eh não leio só por necessidade para aprender, aquisição de, de conhecimento, que também é importante, mas não é só para isso que eu leio, eu gosto, e eu falei: “puxa, acho que tem um, tem um caminho aí”. E aí eu fui também galgando degraus. O Pondé me indicou para traduzir um livro, eh curiosamente eu achei esse livro numa livraria ontem, e eu não via esse livro fazia uns 15 anos assim, e se… Que traduzir é Como Pensar Sobre as Grandes Ideias, do Mortimer J. Adler, um livro de 570 páginas, um tijolão, eh de um grande filósofo americano, mas não era um livro difícil de, de traduzir porque ele era, ele era adaptado de um programa de TV. O Adler teve o primeiro programa de TV que falava sobre filosofia.
Legal, cara.
E cada semana ele discutia um assunto filosófico, tentando trazer pro mundo real também. E aí foi um ghostwriter que traduziu isso em… É alguém, alguém pegou e de fato fez essa adaptação assim do, dos diálogos de que ele tinha, ele tinha um diálogo com, com uma outra figura no programa, que era uma espécie de discípulo, e eles pegaram os episódios, transformaram em livro. É um livro legal, fácil de ler e tal, mas deu trabalho, mais de 500 páginas não é moleza. Mas foi essa a primeira porta de entrada pro mundo editorial. E aí depois eu comecei a, a traduzir mais livros, a revisar, não sei o que, aí pintou uma oportunidade de, de ser editor assistente na, na Editora Realejo lá de Santos. Eh galguei essa e busquei essa oportunidade também. Eu, eu era amigo do, do dono da editora, ele era meu livreiro lá em Santos, ainda é, e ainda é um grande amigo, o José Luiz Tahan, eh figuraça, escreveu um livro recentemente de, de crônicas da livraria assim. Ele é muito mais livreiro do que editor, ele gosta dessa atividade de recomendar os livros para pessoas, ele tá ali no, no dia a dia da livraria, eh mas ele também tem essa, essa editora e, e desenvolve um, um, um festival literário em Santos muito legal, a Tarpa, né, a Tarf, a Tarpa Literária da qual também fiz parte como, como curador. E aí o, eu tinha um contato de de um livro que eu gostaria de traduzir, de trazer pro Brasil e tal, que eu tinha conhecido num, num numa viagem que eu fiz eh para Washington, eu tinha conhecido a autora, eh participei de uma conferência em Washington muito legal e tal, conheci a autora e falei: “poxa, tem esse livro que é eh Como a Jane Austen Pode Melhorar os Relacionamentos Contemporâneos, o que que tem, o que que ela pode oferecer, os livros da Jane Austen, as personagens da Jane Austen pro pras pessoas de hoje em dia? Acho que é um livro legal, Jane Austen tem muitas leitoras no Brasil, né?”. Ele topou trazer, topou editar, ele falou: “top, ah tô precisando de um editor assistente, não quer vir?”. Aí eu fui, então foi esse primeiro aí, virei editor lá mesmo, tive esse contato com com o festival literário que era muito legal, e existe até hoje, eh um belo festival literário, traz muita gente de fora, autores portugueses e, e à época eu pude trazer o Tom Perrotta, por exemplo, que é um autor americano de, de romances de sucesso, mas também de séries de sucesso e, e roteiros de sucesso de Hollywood assim, é um, é um baita cara. Eu pude mediar um papo com ele, então foi uma experiência muito rica. Aí num dado momento eu percebi que, eh não sei se você lembra dessa época, tinha o do crowdfunding, né, aquele financiamento coletivo que tava uma bombada…
Que tava começando.
…mas tava vindo muito forte assim, as pessoas estavam aderindo. Falei: “puxa, acho que eu consigo basear toda a minha editora nova no sistema de crowdfunding”, e foi o que eu tentei fazer, e durante um tempo foi muito legal porque o crowdfunding de fato tava bombando e aí funcionava, eh tinha adesão das pessoas, era um modelo legal porque tinha uma coisa meio: “vamos se juntar para tornar um projeto”, né, “factível e real”. E a em algum momento eu acho que eu fui o recordista de projetos bem-sucedidos.
É mesmo? Que legal!
E aí, e como você remunerava elas, ou elas… O dinheiro que elas davam já era do livro?
Já virava o livro.
Virava o livro.
E no final virava outras coisas também, alguns benefícios que você trazia. Foi a primeira vez que, conversando com, com o Ícaro de Carvalho, meu amigo, ele falou: “por que que você não coloca um curso também dentro?”. Cara, sabe o que eu ia te falar? Que é o que você acabou de trazer: isso não deixa de ser o MVP da H1.
Sim, sim.
Já tava ali, não tem… Tem, tem a alma dela.
Tem, tem a alma dela, eh que é uma coisa também meio coletiva, né, juntar as pessoas, etc. E porque querendo ou não, a H1 faz uma leitura coletiva, um lançamento de um livro de que muita gente lê junto, isso aí é bem S… E aí tinha, tinha isso assim: eu comecei a adicionar alguns outros produtos, e às vezes físicos, às vezes virtuais, eh nos livros, e, e foi muito bacana o que aconteceu. Logo em seguida foi que o mercado editorial começou a colapsar, foi um momento de muita crise.
Sim.
Foi quando a, a Cultura quebrou pela primeira vez, e agora quebrou de fato, né, e a distribuidora que distribuía meus livros também quebrou, então eu perdi minhas duas grandes fontes de receita. Eles ficaram me devendo e nunca pagaram até hoje. E, e ali foi um momento muito dramático assim, como, como empreendedor, porque essa minha atividade empresarial tinha, tinha muito de paixão, tinha… Minha editora era Editora Simons, né, então era qualquer coisa que desse errado com a editora, dava errado em mim; qualquer coisa que dava errado em mim, dava errado na editora também, né? Eh é, e é, e é complicado é envolver nome, né? É, então eu não tinha essa dimensão, claro, era, era um nome que soava bem, tal, era meu nome, eh mas ali foi, foi um momento muito dramático, que eu passei por, por dificuldades pessoais mesmo, eh bateu financeiramente a dificuldade.
É mesmo?
Sim, sim, eh porque mercado editorial já é escasso, assim, é, é difícil você ganhar muito dinheiro com livro. As tiragens eram pequenas porque não tinha capital para fazer tiragens muito grandes, então eu ia bem assim, eu reimprimia os livros, eu, eu fisgava alguns livros que nunca tinham, os temas nunca tinham aparecido em português. Então eu fiz o primeiro livro sobre eh sei lá, futebol americano do Brasil, e é isso, tinha um público. E aí eu fazia uma quantidade de livros, mas aí acabava, eu precisava reimprimir, só que até eu receber para poder reimprimir demorava, porque as, a livraria demora às vezes seis meses para te pagar.
Caramba!
É um inferno! O, o, todo assim, às vezes chegava a seis meses para pagar pra distribuidora, a distribuidora te paga… Nossa, cara. …então você tem que ter um, você precisa ter um capital de giro absurdo.
Caraca, seis meses eu não imaginava que era tudo isso, não.
Cara, é n… Alguns casos chegava a isso. E nossa, e aí foi, foi muito difícil assim. Eu, eu passei por realmente um problema pessoal eh forte assim, de… E eu tive, foi um caso que ficou até meio público e tal, tive uma namorada muito complicada, foi um namoro de três semanas que me custou três anos de terapia, assim, foi…
Caraca!
…é, negócio muito doido, eh do tipo minha mãe ligar e falar: “acho que a sua namorada está no Jornal da Globo”, e era isso assim. Ela era, enfim, tinha, tinha lá sérios problemas, e eu não… Mas foram literalmente três, três semanas, três semanas, não, não passou disso, mas o impacto foi tão grande assim que eh aí, aí de fato entrei numa depressão, eu tava num momento muito prejudicado, né, financeiramente prejudicado, fisicamente também, porque o, e você sabe muito bem, o trabalho do empreendedor pode ser fisicamente muito extenuante, porque é isso: tem que dedicar 12, 13, 14, 15, 16 horas por dia, e eu realmente descuidei da minha saúde ali. Então parei de treinar, comia muito, dormia mal, aquelas coisas todas que contribuem para um quadro de, de, né, de, de distúrbios da mente, é… E um pontual fracasso financeiro, e ainda numa crise amorosa.
Exato, eh não tinha o que fazer, foi… Pedagogico na dor, assim. Eh eu acho que de alguma maneira é importante para várias coisas que eu, que eu faço hoje. Não queria ter passado, não, porque foi difícil, mas, mas trouxe aprendizados, né, então, porque é isso, agora é um momento de que minha vida tá, tá dando certo, então preciso ser grato a tudo que aconteceu, as coisas boas e, e ruins. E é engraçado porque na minha história de vida eu não tenho a história clássica do, da pessoa do marketing digital, do, da jornada do, do herói, assim. Eh minha família foi muito boa, não tive problemas financeiros assim no começo da vida, era mais difícil assim, mas não era, era justo, mas não era apertado assim, era uma família normal, classe média. Meu pai foi crescendo na vida, graças a Deus, absurdamente honesto, assim, político honesto, coisa tão rara. Quando, quando ele morreu, era isso que as pessoas falavam, e foi tão legal ouvir tudo isso. Então não é que ele nunca enriqueceu, mas ele foi, pô, ele tinha cargos importantes, deu para ir vivendo, ele era muito prudente e não gastava mais do que deveria gastar, realmente muito comedido e muito trabalhador. Minha mãe também, muito trabalhadora, então é isso, foi melhorando de vida. Então não tenho essa coisa para contar, o que, o que não desmerece nada, não.
Outra trajetória.
É, isso é um pouco da internet, de que se você não tem mérito, se você não sofreu na vida, para com isso, não tem nada a ver. E, cara, o mérito que você tem é sobre o que você tem de resultado hoje, independente do que você, de onde você veio.
É, então são, são vidas diferentes, né? As pessoas, elas querem comparar. Eu claro, claro que existe privilégio, um exemplo claro é dependendo de onde você larga nessa corrida, mas o que que tem a ver? É porque de fato não é uma corrida contra as outras pessoas, exato, é uma corrida de você com você, exato. Então tem muito mais mérito o cara que saiu da favela e consegue um emprego de, de cinco paus na, na Faria Lima do que o cara que é filho da pessoa muito rica e só conseguiu alguma coisinha assim, que pode ser 15.000 e não cinco, mas é meio que esperado que ele conseguisse, só seguiu uma trajetória normal, né? Eh minha trajetória sempre teve muito esforço da minha parte, e era esse esforço que era intelectual, então eh eu nunca fui da, da zoeira absurda, mesmo na época de garoto assim, com 15 anos eu assistia 300 filmes por ano, desenhava tudo, levava a sério, eu lia bastante e tal. Então eu, eu não tive esse tipo de sofrimento, tive outros, e depois de velho tive outros bem grandes, eh e enfim, a vida vai entregando essas cartas, a gente vai, vai lidando com elas, vai lidando, né? Eh mas é hoje é isso, eu consigo ter muito orgulho da, da minha trajetória, pras coisas que eu realizei, as coisas que eu fiz de errado, tudo bem, fiz, fiz de errado, tentei aprender alguma coisa, tentei retirar alguma coisa. O importante é para onde eu tô olhando agora, né, penso muito nisso.
Exato, e em algum momento, depois de tudo isso, você passou por um processo, um período depressivo que que só quem já viveu sabe o quanto isso é, isso é duro. Em que momento entra, ou quanto tempo depois entra a, o projeto do TEDx?
O TEDx entra bem nessa época, assim.
É mesmo?
É, foi uma, foi uma… Foi um resgate. Foi bem, talvez, e porque esse momento mais frágil foi ali 2016, eh chega em 2017, começo de 2017, tipo… É uma, é uma, é uma motivação no sentido literal da palavra: motivo para a ação mesmo. Me tira daqui, é, é preciso criar alguma coisa para, para me ocupar e de algo que também colaborou muito com a minha vida. Eu tinha muito disso, assim, eu vi… Muita gente fala de você, lembrando o TEDx, muita gente marcou, te marcou bastante esse evento, porque se a gente for pensar, eh certamente foi um dos TEDx mais significativos do Brasil, porque revelou… Não é que revelou, porque as pessoas foram reveladas de vários jeitos, mas…
Revelou.
Mas se você olhar quem é quem… Então na época eles não eram conhecidos, e onde estão, de certa forma, você fez uma baita curadoria em pessoas desconhecidas.
É, é. E juntei pessoas muito diferentes para falar de coisas que muitas vezes elas não estavam habituadas a falar. Então nesse primeiro TEDx, não é só que tinha o Joel J, que ainda era Joel Moraes e era só um professor da cidade, né? Eh e tinha um rapaz chamado Thiago Nigro, que na época acho que ele tinha, sei lá, 80.000 seguidores…
Sim.
…e não 8 milhões.
Não. Sério, você, você reuniu… Você que fez essa curadoria pessoalmente?
Foi sozinho.
Então, cara, é isso, você reuniu uma…
Com a ajuda do, do Marcel, que eu sei que já veio aqui. O Marcel me ajudou justamente no, no caso do Joel, porque era o Pondé para participar, aí o Pondé me ligou e falou: “cara, eu tô com problema de família aqui, eu não vou conseguir ir nesse dia, eh e tem como você conseguir outra pessoa?”. Eu falei: “não, claro, pô, tranquilo, deixa eu arranjar alguém aí”. O Marcel veio e falou: “por que que você não fala com o meu irmão?”. Falei: “quem é seu irmão?”. “Ah, meu irmão é professor aqui universitário e tal, do curso de Educação Física, e começou a trabalhar agora com o Neymar também no Instituto Neymar”. Eu conheci o João nessa época, é, é. E, e aí eu falei: “legal, vamos, vamos, vamos conhecer aí”. E ele marcou um café, o Joel me entregou um livrinho que ele tinha feito assim, aquele pequenininho.
É, “Sucesso é Treinável”? Lá… É esse.
É, esse era o… Pô, eu peguei esse livro esses dias, eh Como Posso Te Ajudar, acho que era isso, Como Posso Te Ajudar, e era uma pergunta. E ele conta essa história assim, que eu olhei a capa, muito feia, e tinha um logo muito torto assim, tava muito para cá. Eu achei esse livro esses dias, nesse final de semana eu mandei uma foto para ele, falei: “pô, o logo tá muito torto mesmo, não fui eu só que impliquei”.
[risadas]
Eh mas a gente teve essa conexão em função dos livros.
Que legal.
Ele sempre foi um excepcional leitor, um leitor a sério mesmo, esse tipo de livro ele, ele vai fundo.
É fundo.
Eu lembro quando, quando eu fui na casa dele na época de Joel Moraes também, porque eu patrocinei o Instituto Neymar Jr. com os vidros.
Ah, que legal!
Então eu conheci ele lá, aham. E um dia eu fui na casa dele porque ele tava querendo fazer uns vidros e tal, e a gente ficou batendo papo. Cara, ele queria adesivar na casa inteira várias frases de livros.
É, e era…
E cara, é uma coisa que eu sempre… Eu falo pras pessoas: eu conheci o Joel antes de ser o Joel J, o Joel era esse cara empolgado, tá, sabe? É a mesma coisa, tipo, porque tem muita gente que não é, você sabe, né, que tipo, na internet não tem nada a ver com a vida real. Mas o Joel era esse cara. Eu lembro, no Instituto Neymar ele pegava os professores de manhãzinha: “pessoal, todo mundo aqui no campo, vamos sentar”, e aí ele ficava fazendo tipo… Então ele era esse cara. Ele, o MVP do Joel J foi o Instituto Neymar Jr., que ele tinha toda uma equipe e ele fazia esses projetos, ele fazia uma seleção de pessoas que era muito impressionante: ele entrevistava 1.000 pessoas assim, e ele sempre perguntava as coisas do livro: “que que você tá lendo? Eh e aí, tá, mas o que que você aprendeu com esse livro?”. Ele sempre tentava fisgar a mentira aí também, né? E, e ele acabou se tornando um grande amigo por causa dos livros, ele é isso. Ele queria publicar um livro para uma editora grande, eu acho que eu fui o grande incentivador dele ali, a gente foi em gráficas juntos no meu carro, eh ele foi à minha casa várias vezes, a gente bebia café, e é um amigo até hoje.
E vocês se conheceram através do TEDx?
Através do TEDx, e aí eu falei: “pô, esse cara é legal, acho que vale a pena ele, ele palestrar”. Aí eu falei: “Joel, monta uma palestra e me apresenta”. E ele conta de vez em quando em palestra essa história, que ele… Aí ele montou a palestra, foi me apresentar, e eu falei: “cara, ainda não tá no nível do TEDx”. E ele disse que ele ficou louco da vida, e ele ficava correndo na praia e gritando assim para tentar vir ideia. Ele montou outra palestra, eu falei: “cara, melhorou, mas ainda não tá, ainda não”. Aí a terceira que ele montou, eu falei: “é essa, essa vai dar certo”, e aí foi a que ele apresentou. Eh talvez tenha sido o grande destaque do dia assim, porque, sei lá, teve o Geronimo Theml, mas já era um cara mais conhecido, sim. Eh teve a Cecília Dassi, que era uma figura da TV, tudo bem, ela era estranho ela falando sobre outras coisas, e era uma menina que era atriz da Globo. Eh tinha uma expectativa com relação a ela, tinha, tinha outras figuras conhecidas também e pelas quais as pessoas tinham essa expectativa. Mas o Joel, ele conseguiu acordar todo mundo assim, aí, e ele me falou que depois desse dia ele de fato decidiu que ia seguir essa carreira de, de palestrante, comunicador.
E como foi levar o TEDx para lá, cara, conseguir isso?
Então, o, o TEDx de fato me ajudou nessa, nessa minha trajetória. Vários dos vídeos tiveram um impacto muito grande na minha vida, vídeos sobre os quais eu pensava. E depois o livro do, do TEDx escrito pelo, pelo Chris Anderson, acho, acho um grande livro, e, e moldou um pouco o meu jeito de, de entender a comunicação presencial assim, e o que eles fizeram de fato foi muito, muito revolucionário. E eu pensei: “poxa, como trazer isso pra, pra cidade?”. Acho que a cidade merece também eh para que a gente possa fazer esse tipo de intercâmbio: traz pessoas de fora, que são muito legais, e também mostra pessoas daqui que são muito legais para fora. Eh eu acho que muito do meu trabalho de curadoria tem esse, esse espírito, porque eu, porque eu li, eu li num livro muito tempo atrás, um livro chamado Caminhos da Curadoria, do Hans Ulrich Obrist, que é um curador do, suíço de obras de arte. Ele falava que na Suíça tem os Alpes, etc., tudo é muito separado, né, então ele, ele tinha que de fato fisicamente trazer as coisas de fora, levar para dentro, e o contrário. O Brasil é meio ilhado assim nesse sentido. Então como fazer que esse, com que esse intercâmbio de ideias seja mais frutífero? Eu tinha esse desejo, e aí eu fiz o do caminho tradicional: você entrar no, no, na plataforma deles, tem toda uma parte burocrática que é chatíssima, claro.
Você não, não foi uma indicação, você seguiu o processo burocrático da…?
Que eu acho que é o único jeito inclusive de, de trazer, de ter aprovação. Eles vão te entrevistar, eles vão checar seu background, eles vão tentar entender se você não tem interesses financeiros, né, porque é um projeto sem, sem fins lucrativos e pelo bem da comunidade mesmo, e, e eles vão ver se você não tem algum interesse em específico com relação a algum convidado que para que você possa ganhar dinheiro em função dessa pessoa, né? Tem, tem tudo isso. E aí, passando por tudo isso, eles liberam a licença, e é uma licença gradativa também, vai aumentando de tamanho na medida em que você vai fazendo eventos, né, melhores.
E você não seguiu?
E eu fiz dois, eu fiz 2017 e 2019. E, e hoje, relembrando assim nas figuras, né, é muito legal de ver porque tem isso: tem as figuras da cidade, então tem a, a esposa do Chorão, que tem uma baita história.
Caramba!
Ela foi casada com o Chorão, né, a Grazzi, que é uma, assim, uma graça de pessoa. Essa eu não assisti, eu vou procurar.
É muito legal, e a Grazzi é, é excelente. Poxa, ela tinha essa, essa história problemática e difícil, né, com, com um dos grandes artistas da cidade, que acaba de modo trágico. E então ela tinha essa história para contar, né, que poderia contribuir com muita gente. E tinha essa, ela é de lá, né?
E mora lá ainda.
É mesmo?
É. Mas também pude fazer esse, esse movimento contrário, então trazer essas figuras e muito impactantes que se tornaram gigantes aí, né, e de áreas diferentes, ou já eram também gigantes. E o TEDx, ele traz um, um peso institucional também, então eh eu lembro do César Cielo, por exemplo, que, que palestrou na segunda edição, ele tava muito nervoso, e o Joel fala também: ele nunca ficou tão nervoso numa palestra com, com o TEDx. Tem um peso, inclusive da segunda vez, porque na segunda edição o Joel participou também, foi, foi o único que repetiu. Ele abriu o evento nesse dia e ele falou: “caramba, eu fiquei nervoso do mesmo jeito”, é engraçado. E aí eu tive que separar uma salinha pro César Cielo para ele se concentrar como se ele fosse nadar na piscina, ele ficou sozinho durante 15 minutos, não sei o que, concentração de… E ele foi, e agora ele tá fazendo palestras, tá fazendo palestras. Então foi a iniciação dele praticamente. É, é muito legal ver, eu acho que a realização, minha realização como curador, seja dentro da, dos eventos, seja na, na editora, seja no, nos filmes que eu faço, eh é ver quando as pessoas vão ganhando cada vez mais destaque, e às vezes eu pude contribuir um pouquinho.
Você, e você muitas vezes foi o pontapé, muitas vezes.
Sim, seja no, no estímulo, seja numa palavra, às vezes eu nem tenho essa dimensão, e as pessoas falaram: “é que você conseguiu trazer uma chancela muito grande de colocar isso na mão de gente de que você acreditou”, e também eu acho que, que é uma prova de que é acessível para muita gente, assim. Do… Muitas vezes eu não tinha nenhum contato com, com as pessoas de que eu trouxe, nenhum, nenhum, nenhuma ponte fácil, alguém que poderia pudesse me recomendar, nada. Eu só fui lá e mandei um e-mail.
Caramba!
E quantas vezes, sei lá, o, o Daniel Kahneman respondeu e-mail meu para publicar um livro e topou uma publicação de livro?
Caramba!
Eh eu já entrevistei vencedor de Prêmio Nobel por causa disso: Alvin Roth, no documentário de que eu fiz pra, pra Avenue, que foi uma das grandes experiências da vida, e é isso. Caramba, eu lembro quando eu era criança, eh a gente ia num clube lá em Santos, no Tênis Clube, e tinha uma plaquinha no salão principal, tem até hoje uma placa falando: “Albert Sabin, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina, passou por aqui”. É isso, o cara passou por aqui, e tem uma placa. Eh e aí eu ficava com isso na cabeça: “caramba, alguém ganhou um prêmio tão importante assim, que por onde ele passa tem uma placa, placa”, né? Eu sempre tive esse desejo de ter algum contato, conhecer alguém que, que nesse nível de importância. E eu tive essa chance, eu editei o Mario Vargas Llosa, que é vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, entrevistei o Alvin Roth, eu tive esse contato com, com o Daniel Kahneman — e o livro dele tá traduzido, não sei se a editora vai publicar ou não, mas tá, tá lá —, eh e para ver como, como essa capacidade de networking não é exclusiva minha, ela tá acessível a todo mundo. Às vezes é você que não tá fazendo essa parte, não tá fazendo direito, né? Às vezes não custa nada mandar um e-mail, as pessoas esquecem do e-mail. O e-mail é uma ferramenta tão boa…
E é um… A pessoa esquece hoje em dia, tá tão automatizado que ainda existe o: “Opa, tudo bem? Eu sou tal pessoa…”.
Total, total. Mostra suas credenciais, mostra seu interesse, vontade de aprender ou de, de proporcionar alguma coisa legal. Eh com relação ao Brasil, porque as pessoas de fora, eu vejo uma boa vontade muito grande assim, as pessoas gostam de estar no Brasil, de, de proporcionar alguma coisa. Eu não sei se é meio condescendente até, ou até curioso. Às vezes quando, quando eu pude trazer essas pessoas para cá, tinha muito disso assim: que país é esse que tá interessado em mim, né? Por que que ele tá interessado em mim? Um país que não tem essa fama de, de se interessar por, por coisas, né, desse, desse quilate. E muitas vezes isso aconteceu e foi, e foi proveitoso mais uma vez não só para mim pessoalmente, mas para, para as pessoas que puderam desfrutar disso tudo, porque eu acredito piamente nesse, nesse intercâmbio profundo de ideias, visões de mundo, né, de experiências, e o que que eu posso aprender com você. Porque todas as pessoas têm alguma coisa muito legal para te ensinar, assim, e, e realmente eh tem conselhos que podem mudar sua vida, independentemente do, do que que elas, do que elas façam na vida assim. Não é, não é uma questão de só o vencedor do Prêmio Nobel tem alguma coisa para me ensinar, certamente não é, certamente não.
E conselhos que às vezes influenciam diretamente ou influenciam indiretamente, como muitas vezes acontece. O conselho não foi o caminho que eu segui, mas ele me alertou para outros caminhos que, que apareceram.
Claro, claro, claro, claro. Ou até o contraexemplo de vida assim, você fala: “eu não quero virar isso, então não vou seguir por esse caminho, isso aqui vai, vai me derrubar”. As pessoas têm inclusive o… É uma dificuldade de aprender com, com o erro dos outros, mas o erro dos outros é muito pedagógico, muito pedagógico. Total, se você observar, se você perceber, né? Eu lembro de tinha uma pesquisa que eh era uma turma que estudava Ciências e, e a turma foi dividida em, em duas metades: a primeira metade só, só aprendia sobre os feitos dos grandes cientistas; a segunda metade aprendia sobre os feitos, mas também sobre os erros do Einstein, da Marie Curie e de todo mundo. Eh a segunda metade se dava muito melhor.
É mesmo?
Muito melhor! Que é isso, você, você aprende também o que não fazer, o que não fazer através do que fizeram, o que pro empreendedor… Que todo empreendedor tem consciência, ou pelo menos deveria ter, de que ele vai tropeçar, vai errar para caramba, mais até do que acertar, mais do que acertar, e que às vezes tem uma coisa de imponderável e tem de sorte de, de circunstâncias que você não consegue prever tudo, mas você consegue prever várias coisas, né? Você consegue eh realmente se alimentar do, dos erros dos outros e, e talvez se blindar de algumas, de alguns caminhos errados.
Com certeza. E independente do mercado: o cara da C… O cara tem uma, uma siderúrgica e o outro trabalha com marketing digital, você vai conversar, parece uma trajetória muito semelhante, cara. Todo mundo tem que lidar com funcionário reclamando, funcionário é uma coisa muito parecida, é muito… Eu fiz a, tive o prazer de fazer a campanha do Itaú agora, do Itaú Empresas, e eles entrevistaram vários empresários, foram acho que 12 empresários lá. E, cara, ramos completamente diferentes. É maluco, eu já tinha um pouco dessa visão com o Além do CNPJ, mas assim, as dores, as dificuldades, tudo igual, mas assim, da moça que vende, que tem uma escolinha de futebol, da outra que tem uma franquia de, de franquia de doce, um franquia de biscoito, eu que sou construção civil, um cara que trabalha com meu… Cara, aí você olha e fala: é igual, é a mesma… Parece que é, parece que estão falando da mesma coisa. Se não fosse a prova de que são setores diferentes, a gente desconfiaria.
Sabe que todo mundo tem que ter uma visão estratégica sobre as coisas, todo mundo vai ter que lidar com o funcionário, todo mundo vai ter que lidar com, com a sua própria preguiça, o seu, a sua própria incapacidade de resolver problemas, a sua necessidade de se desdobrar, porque tecnicamente todo mundo tem o seu, a sua zona de conforto. Então, ah você sabe muito bem sobre vidro, beleza. Só que se você começa a empreender com vidro, isso quase que não serve de nada, uhum, porque você vai ter que saber fiscal, comercial, marketing, tributário. E, pô, cara, então aquilo tudo que fez eu empreender, hoje a minha equipe que faz, e eu sou responsável em cuidar de tudo que que é o, o a, a, o acessório disso. Então, cara, é muito complexo, por isso que eu acho que muito repete, e, Simons, cara, e aí depois você entra no grupo O Novo Mercado, vou chamar assim inicialmente, O Novo Mercado mesmo, depois abrindo um braço de, de editora, que é um braço editorial que é a H1, como que foi essa sua, a sua trajetória? A gente tá no, no finalzinho, mas eu vou estourar um pouco, mas passa, dá uma pincelada no, nessa parte do O Novo Mercado, que eu quero entrar na, na tua atualidade hoje, tá bom?
Tá. O, o Ícaro de Carvalho é um amigo antigo meu, a gente participava de um grupo de e-mails juntos, para ver como é um negócio antigo, caraca, antes de… Então até de TEDx? Muito antes. É mesmo? Muito antes, deve, tem mais de 15 anos isso, facilmente, deve ter uns 20… Caramba! …e é isso, mas a gente era, tava num grupo de e-mails, que era um grupo pequeno de pessoas que estudavam alguns assuntos, etc., então a gente se conhecia dali. Depois no Facebook, no Facebook a gente aí já teve contato um pouco mais direto, e a gente percebeu: “caramba, a gente mora na mesma cidade, a gente nunca se viu, não faz sentido, vamos se encontrar”, e aí a gente foi num café, né, eu bebi café, ele bebeu cerveja na época, ah na época ele era do, ele era esse ainda, e a gente teve uma conexão imediata, sabe aqueles, aquela coisa da amizade de que você reconhece, né? Só de ver assim já bate, é isso. As histórias, né, o, eh apesar de serem histórias muito diferentes de vida, acho que os dois gostavam de, de contar suas histórias, e, e na verdade ele gosta muito mais de contar até do do que eu assim, ele é um storyteller de primeiríssima, né, e, e acho que eu, eu pelo menos tento ser um bom ouvinte, então acho que ele gostou também disso em mim. E porque as histórias dele também muitas vezes são muito fascinantes, e, mas era isso, ele ele não tava nem perto do seu o Ícaro famoso e, e rico da internet, ele era só um cara que tava passando por muita dificuldade, que morava num apartamentozinho pequeniníssimo lá em Santos, e eu que ia buscar de carro pra gente comer espetinho no, no restaurante. É da época em que ele ainda já… Ele já fazia os textos no Facebook com o pinguinzinho no final, já?
Ah, então eu conheço ele dessa época.
É dessa época, eu conheci o Ícaro no… Eu lembro que no, alguns textos dele, ele relutava em ir pro Instagram.
Sim, no Facebook ele, ele até falava que não ia pro Instagram, né? Isso aí acho que essa aproximação deve ter sido 2015, por aí, sei lá, acho que por aí. E, e então essa amizade foi se fortalecendo, a gente começou a se envolver em projetos também juntos, projetos de, de, de trabalho, eh alguns meus, alguns dele, e, e aí em 2018, ele era o CMO da, da Avenue, foi convidado, eu tava nesse dia inclusive, em São Paulo com o, com o Roberto Lee, que é o dono da Avenue e um dos caras mais geniais, mais brilhantes que eu já conheci na vida. E o Lee falou: “poxa, eu tô montando esse, essa empresa que vai internacionalizar os investimentos no Brasil, e queria fazer um negócio meio Brasil Paralelo assim, começar com conteúdo e não começar com, falando da empresa, vamos falar do setor e, e vamos montar uma peça de conteúdo”. Aí ele pegou e falou assim: “você não quer vir comigo pra, pra gente conversar, conhecer o Lee e ver o que que ele quer fazer?”. Eu fui e pintou essa ideia de fazer um documentário, então. E, e aí eu me escalei para ser o diretor desse documentário, eu falei: “acho, acho que eu posso ser o diretor, que que você acha?”. Ele falou: “vamos para cima, vamos fazer”.
Que da hora!
E já tinha feito algum…? Não, eu tinha feito um projeto muito, eu esqueci de contar isso, chamado Código da Riqueza, que era eu, o Ícaro, o Joel e o Nigro, e que eram quatro episódios, tal, acabaram no final virando três episódios, etc., mas não tinha um diretor, mas eu era a figura mais próxima de, de diretor ali, eu que escolhi os, os entrevistados, que montava todas as entrevistas, e que foi um baita de um produto, era baita de um produto, era bem legal, era complexo, né? É, e, e aí eu tinha essa experiência de cinema, só alguma coisa de faculdade assim, mas eh e muita experiência de fotografia também porque eu gosto. E, mas ele sabia que eu, eu me dedicaria infinitamente, e aí foi isso que eu fiz, eu me debrucei nos livros, eu fui atrás dos melhores entrevistados, a gente foi para Harvard, a gente foi para Stanford, NYU, as grandes universidades americanas, eh grandes professores no Brasil também, especialistas, etc. Entrevistamos acho que 40 pessoas, deu um filme ali de, de pouco mais de uma hora. E, eh o, sei lá, o presidente do Banco do Brasil assistiu, ligou e elogiou, o Ricardo Amorim que retweetou e falou “isso aqui é incrível”, matéria no Estadão, foi um monte de coisa muito boa, e era um assunto completamente novo, era internacionalização dos investimentos assim. O Brasil globalizou tudo, né, e naquele momento a gente lembra, né, eh que é isso: quando eu era criança, todo mundo queria ter um, sei lá, um moletom da GAP e um boné da NBA porque era tudo importado, era difícil, depois foi ficando fácil assim, tudo, tudo globalizou, e aí não, e os investimentos ficaram, ficaram… Explicando justamente o brasileiro, sim, e aí como a Avenue traria essa possibilidade, precisava explicar, então por que que isso não aconteceu, né? Era, era um documentário pedagógico assim, e por que diversificar também se seus investimentos, né, porque inves… Tinha que educar mesmo, hoje tá tão fácil porque vocês educaram.
Mas é isso, a gente foi educando influenciadores que hoje influenciam todo esse mercado, e foi, foi fantástico assim, foi uma experiência e tanto. Eh logo em seguida, então, o, a gente tava pensando num outro documentário junto com a Empiricus, a gente chegou a conversar, a gente estava pensando em algumas ideias, aí veio a pandemia. Quando veio a pandemia, o Ícaro falou: “poxa, agora, agora O Novo Mercado tá crescendo absurdamente por causa da pandemia, explodiu”. Ele falou: “você não quer vir aqui e montar o estúdio, eh desenvolver, criar o departamento de audiovisual?”. Falei: “pô, quero, vamos lá”. Aí montei todo o estúdio, os processos, as filmagens das aulas, que antes era webcam, a gente fez um negócio realmente legal. E aí estando ali dentro, eu dei essa ideia de, de desenvolver a H1, que é uma editora muito particular, uma editora de livros de negócios que tem uma proposta de fazer livros bonitos, né, com edições…
São lindos, né?
Né, realmente destacadas, e acoplar cursos online com eles. Eu acho que ali tava o pulo do gato, porque você permitia com que as pessoas lessem os livros da maneira que eles devem ser lidos, e as pessoas nunca foram ensinadas, né? Então é isso: vinha um professor, explicava o conceito, falava: “ó, isso aqui é importante, isso aqui não é tanto, isso aqui tá datado, isso aqui mudou, olha para isso aqui, tem esse autor que falou isso aqui também”, né, é como o bom leitor faz ao ler um livro, né? Ele vai lembrando das referências, ele, ele, ele faz pontes, conexões, etc., e foi um projeto assim muitíssimo bem-sucedido. Acho que revolucionou de algum jeito o…
O mercado inteiro.
O mercado inteiro, tanto que várias editoras hoje copiam o modelo, e é, é muito legal ver isso assim, me dá uma satisfação. E eu fico muito satisfeito assim, e foi uma, uma baita experiência, foi foi um, um grande, grande aprendizado mesmo.
E depois, cara, você fez… Você foi bem influente no O Novo Mercado, inclusive você liderou muitas vezes a, o próprio conteúdo do Aulão, depois seguiu com o KS1. E aí por um tempo, que foi o dia que eu dei a aula lá, eu lembro que você tava naquele momento nas duas frentes: você tava liderando conteúdo de aula, sim, e ainda H1. Eu lembro porque, eu lembro que você tinha combinado comigo o conteúdo e, no final, cheguei lá, você tava louco, um monte de livros, e ainda tava fazendo o documentário.
É verdade.
Puts, o cara tá na correria completamente insano, insano, que você tava fazendo o documentário que é, acho que era que o, que aquele designer famoso, Gabriel Rosa, se eu não me engano, Lucas… Lucas Rosa. É, sim, é que o pôster era O Defeito. Influência. Foi bem, é, foi bem naquela época, cara. O cara tava vendo três coisas ao mesmo tempo.
Mas três coisas gigantes ao mesmo tempo, bicho!
Tava. Foi isso assim, eu tive um, uma importância também no departamento pedagógico: eu escolhi os professores que davam os cursos, davam as aulas, eh e eu tinha um carinho por essa curadoria também, porque era um jeito de exercitar isso de que eu gosto, assim, exato, tá. Eu trago as pessoas que já são conhecidas, mas isso é fácil, né? Eh como é que eu posso revelar algumas pessoas, como é que eu posso trazer alguns assuntos que não são os assuntos óbvios, né? E, eh por exemplo, você não era uma escolha óbvia.
Exato, eu não sou do marketing digital.
É, né? Eh mas você trouxe conceitos que amadureceram muitas pessoas.
É, eu falei de processos e de vendas.
Exato, né? Quando você vinha com essa bagagem do empreendedor, que é algo que o marketing digital tá precisando, é uma profissionalização quase que, cara, obrigatória, porque a galera conseguiu fazer dinheiro rápido e ficou, e agora tá, tá correndo atrás, né? Eh então foram, foram aulas muito bem vistas assim pela comunidade e pela, pela diretoria ali, eh porque foram excelentes mesmo e, e tinham essa, a marca assim de: como amadurecer um setor que ainda é amador, amador, eh e até hoje ainda patina nisso, e sinto que tem muito a evoluir. Agora que as empresas estão descobrindo que existe a possibilidade de ter um executivo, por exemplo, você pode contratar alguém: “vem aqui, resolve, né, seja o meu CMO, meu CFO”, etc., né, pessoas muito mais técnicas, e então tinha isso aí. Dentro da, da H1 a gente tinha vontade de, de comunicar de um jeito diferente também, então fizemos documentários, né, da… Fizemos podcasts e campanhas realmente diferentes. E eu me divirto no processo, eu gosto muito, né? Então não, não tenho o que dizer, foi muito cansativo, muito, muito, muito, eh mas eu, eu tenho muito orgulho mesmo das coisas que a gente…
Você tem vários filhos, né, várias coisas que você criou, cara, que tem totalmente tua identidade. É isso, muitas das coisas que você criou na H1 é tua identidade, H1, os livros… Você é, isso aqui é o Simonsen.
Eu acho que eu consegui imprimir isso assim, todas as coisas que eu faço eu tento, né, imprimir essa visão de mundo eh que passa um pouco pela, por essa questão que é estética, mas também passa muito pela questão de conteúdo, né? Precisa ter, a primeira coisa é sagrada, é o bom conteúdo, é isso. E o resto é: como eu faço para chegar de um jeito mais legal nas pessoas, um jeito diferente que possa, né, despertar às vezes vocações que estavam adormecidas, né, ou, ou pessoas que não tinham eh desejo ou capacidade de aprender, de repente se despertam pra, pra leitura, para o aprendizado. Isso é, foi muito, muito…
E você conseguiu ser ponte para isso, viu, cara, com certeza.
Eu, graças a Deus, tive muitos feedbacks nesse sentido, assim, pessoas que vinham e falavam: “eu nunca li nenhum livro, ah, por causa do, daquilo de que você editou, hoje eu leio um livro por mês, dois livros por mês”. Fala: “cara, a vida dessa pessoa automaticamente mudou”, ou que, que vieram e falaram: “poxa, por causa do, desse livro específico, eu ganhei uma promoção no meu trabalho, e hoje eu posso proporcionar uma, uma vida mais digna pra minha família”. É tipo um efeito borboleta, você não consegue nem imaginar.
É isso. E aí a vitória, a vitória do produtor, a vitória do editor, do curador, do que quer que seja, é isso: quando, quando as pessoas conseguem atingir os objetivos que elas têm, é, para mim o jogo tá ganho.
E aí, cara, hoje faz quanto tempo que, que você saiu do projeto?
Faz, foi no comecinho do ano, foi em janeiro.
Janeiro, eh hoje, querendo ou não, O Novo Mercado voando e tudo mais, você resolve seguir carreira solo, e para abraçar o empreendedorismo, o que é uma decisão controversa, porque você troca o certo pelo duvidoso, e você vai para, para um negócio que é assim: risco total, né? Por mais que você tenha toda bagagem, uma rede, networking ampla e tudo mais, mas é aquilo que a gente falou do copo, você manja muito disso, mas daqui a pouco o, o lado empresário vai começar a, o teu, o, o sucesso no copo de vidro vai exigir eh aprendizado de empresário, sim, né? Desenvolvimento de empresário. Como que tá esse processo aí de quase um ano como empresário, depois, depois de tantos projetos bem-sucedidos?
Cara, tem sido muito desafiador, mas eu gosto desse tipo de desafio, quando eu realmente sou instigado a aprender algo que eu não sabia fazer, sabe? E, num dado momento, na H1 existia um, uma um distanciamento de, de visão estratégica mesmo, né? O a diretoria queria uma editora voltada pros alunos do O Novo Mercado, eu queria realmente criar uma editora para fora assim, para, para ser a grande editora de negócios do país, então, eh e é isso, a editora é deles, eles têm o direito de tocar do jeito que eles quiserem, né? Eh e eu realmente sou muito grato por, por todo esse período, eh mas eu queria fazer as coisas do meu jeito, então, e eu observei essa oportunidade, né, uma oportunidade que vem de um de uma demanda muito crescente, que é: as pessoas perceberam a limitação do digital, né? O digital é excelente para abrir portas, para permitir um primeiro contato, né, para que você conheça o pensamento de uma pessoa, para que você aprenda algumas coisas, mas e depois, né? Será que a gente não, não merece um pouco mais de contato físico, de experiência, né, de algo mais elaborado? E, e o mercado tá demandando isso, demandando, o que é muito novo, porque eh o, o universo corporativo faz evento há muito tempo, mas eles sempre, sempre foram eles que fizeram, as entidades, as empresas, etc. Hoje não, hoje é a pessoa, o influenciador consegue organizar o seu próprio evento, né? Então isso é uma novidade muito grande e, naturalmente, os, esses influenciadores não não sabem organizar seus eventos. Têm o desejo, têm essa vontade, mas não sabem o que fazer. Então todos os eventos são, todos não, mas a maioria é muito parecida, né, e é um compilado de, de palestras, as palestras não conversam entre si, não tem uma experiência de ambientação, não tem uma experiência de, com ativações, etc., coisas que possam acontecer ali que, que despertem emoções, não tem nada muito artístico, né? Então nunca tem um show, uma dança, alguma coisa que envolva, que emocione.
Caramba, que legal, hein, a visão que você traz artística para um, pro mais do mesmo que existe.
Exato, eu acho que aí que eu consigo contribuir. É uma curadoria de palestrantes que seja diferente, então que tudo bem, você, você pode trazer as figuras conhecidas do, do marketing digital ou de qualquer setor que seja, eh e é importante porque elas são chamariz, elas são as pessoas que, que muitas vezes vão trazer o público. Traz o público. Mas lá, será que você não pode surpreender? Por que que você não pode colocar um escritor, ou um filósofo, um artista, um DJ, qualquer coisa que, porque traz muito mais caldo pro evento, né? Traz o sabor, é o sabor. Você fala: “nossa, que interessante, cara, do nada um cara subiu lá e falou de filosofia”. Exato, falou de vida. Fala: “puxa, às vezes você vai lembrar mais disso, outra coisa”. Ou às vezes não, é bem, é bem possível, cara. Ou a conexão que você fez da experiência de que você teve, do jogo de que você participou, da dinâmica, não sei o quê. Eu acho que dá para ser muito mais do que tem sido feito agora. Então eu com, me juntei ao Fernando Azevedo, que é um grande, grande produtor de eventos já há 30 anos, de eventos sabe tudo, e aí a gente montou a agência Fitz, que vem F. Scott Fitzgerald, o autor de O Grande Gatsby, né, que a gente adora. Eu falei: “Fitz é um nome que soa bem”, e aí porque tem essa coisa de festa, de celebração também, de que o evento pode proporcionar, e, eh a gente já conseguiu clientes muito grandes. A gente realizou um evento agora para, para a Adapta, a escola de, de inteligência artificial, né, quase 6.000 pessoas, um evento assim com, com palestrantes estrangeiros, um evento que tinha de evento gringo, sabe? Então tinha um mood muito bem criado, o Lucas Rosa fez a identidade visual também, ficou incrível. A gente tem uma sinergia assim de, de briefing, sabe? Eu consigo passar as referências, ele traduz exatamente do jeito que eu quero e dá um negócio muito bonito. Foi um evento… Agora tem os eventos do Eslen Delanogare para acontecer no final do ano, que a gente vai fazer também, já vários outros contratos fechados, e, e por sorte indo muito bem, porque acho que as pessoas estão entendendo que primeiro precisam fazer, segundo podem fazer de um jeito único, né, diferenciado, que impacte as pessoas de um jeito mais profundo, e esse impacto naturalmente vai te trazer ganhos de branding e ganhos financeiros também.
Financeiros, total. Quanto mais envolvida a pessoa está, mais fácil o pitch converter, mais fácil ela voltar a comprar com você.
Isso, e você tá se surfando uma tendência, é, né, de um jeito diferente, trazendo inovação para essa tendência, mas uma tendência justamente um desligamento do digital, desse online, e as pessoas estão loucas por contato. Eu tenho sentido isso, isso eu fiz um, eu vou… Tô começando o mastermind e com contatos presenciais e tudo mais, e aí, cara, muit… Teve muito interessado, só que eu coloquei pouquíssimas vagas porque, como vai ser um evento presencial, eu quero fazer um MVP para, para testar. Teve mais interessados que… Bem mais, na verdade. Eu, eu abri lá 25 vagas e teve 300 interessados, aí no final eu, eu não tenho estrutura, o Além do CNPJ é um CNPJ, mas eu não tenho gente. Aí eu soltei lá o valor para todo mundo desistir, aí tipo 120 pessoas quiseram. Aí eu fui lá, coloquei um, criei um Google Forms super comprido assim pras pessoas desistirem, um monte de gente preencheu. Falei: “caramba, o pessoal tá querendo”. Só que eu falei: “eu não vou…”, aí eu até olhei o dinheiro na mesa, uhum, e falei: “cara, tem muito dinheiro aqui, mas eu não vou enfiar os pés pelas mãos, deixa eu fazer do jeito de que o, o eu tô achando que tem que ser feito”. Só que aí eu pensei: “pô, essa galera aqui eh já abriu a carteira, não tirou ainda o dinheiro porque eu não quero, mas já abriu a carteira. Vou fazer um downsell…”.
Uhum.
“…numa mentoria online, de que eu ponho a galera no Zoom e puxo pelo menos uma grana. Sim, claro, não vai ser o valor da mentoria, do mastermind, mas eu puxo um valor”. Não quiseram.
É.
Falaram assim: “cara, quando abrir novas vagas, eu quero”. Eles querem presencial.
Presencial.
E eu fiz uma baita de uma entrega, fiz uma entrega legal de mentoria online e tudo mais. Não querem, “eu quero presencial”. É doido. E aí já, já virou a chave da galera, todo mundo percebendo que é, é o que de fato estabelece esse vínculo, é onde você vai encontrar outras pessoas que, que têm esses mesmos problemas de que você e que podem, podem te ajudar. Eu acredito demais nisso. A gente vai vir agora com, com… Aconteceu na verdade o problema bom também: a gente teve mais demanda do que a gente imaginou, então a gente teve que realizar muita coisa, e a gente não começou a comunicar ainda, então tô só eu mesmo fazendo os contatos, etc., mas a gente vai entrar com uma linha de comunicação agora muito legal e meio inspirada no universo da moda, que eu acho que é o universo onde a estética é muito, né? Então, e como é que o Tom Ford teria uma agência de, de eventos? Isso que eu fiquei com isso na cabeça, e é um universo que eu gosto, e, e eu acho que de fato eles têm, têm muitas conexões, e eu só vejo possibilidade de crescimento mesmo, porque é isso, é tendência, e os eventos vão ficando cada vez mais sérios também no sentido de que as pessoas vão exigir mais, né? Não adianta você só juntar seus amigos e, e montar um negócio.
Sim, vai ter que ter propósito. E falo mais, cara: eh o que você tem trazido é uma pegada que inova no evento, no evento, no ramo de eventos, não no ramo de evento de marketing digital, sim. Então existe uma tendência, claro, que os eventos de marketing digital dos grandes, né, são enormes, mas ainda assim existe uma tendência de você migrar para coisas corporativas. Uhum, eu acho que é a grande tendência. Se, se você uma hora perder o braço porque tem muita demanda, você vai ir pro corporativo, que são eventos muito maiores, de uma XP Investimentos, essas coisas, esses eventos enormes que o cara, que rola uma competição ferrenha entre eles, cada um tem que inovar. O de hoje, cara, eu, eu tenho um evento no universo da, da construção civil, chama ArqGlass, que é um evento que a gente faz alto padrão, Vila Bisutti e tudo mais, para arquitetos, para apresentar o mundo do vidro, que é um evento bem lúdico. A gente quebra vidro no palco, uma doideira lá que a gente faz. E a primeira vez a gente, o primeiro foi 300 e poucas pessoas e foi um baita de um evento, é um baita de um evento assim, tipo, e sem experiência, mas foi muito bom, muito bom. A quebra de vidro no palco, uma coisa muito lúdica de vários vidros tipo tudo vidro igual, qual é a diferença: nenhuma. Aí quando você quebra, cada um se comporta de um jeito completamente diferente, deu muitas marcações nos stories e tal, e cara, uma semana assim, frenética, tipo entendendo o que aconteceu, fala: “cara, nós fizemos um negócio muito bom”, saiu na mídia do mercado, do nosso setor. Aham, quando a gente falou: “e aí, qual vai ser o próximo passo?”, falou: “ferrou, como que a gente supera?”. Porque você, você mesmo eleva a sua régua, e a galera que, que tá lá, automaticamente também tem essa percepção: se esse foi bom, o que vem vai ser muito melhor. Então o evento entra num loop, o próprio evento vai, vai, vai, vai subir na régua e o próximo ter que ser melhor e melhor e melhor e melhor. Então uma empresa que pensa nessa, nessa demanda cada vez maior de eventos cada vez mais diferentes, que chamem atenção e que às vezes não é nada muito mirabolante, às vezes é o simples, mas que funciona, que é o, é o diferente original.
É isso, é, é a inserção de, de uma música que combine com o evento. Tava conversando com um profissional de music branding no final de semana, e que trabalha com marcas, né, em lojas, muito PDV. E é isso, seu evento ele se, se ele tiver um organ jazz, como a gente botou num evento, ou se ele tiver uma música eletrônica, ele deve ter moods completamente diferentes. Então isso tem que ser pensado, né? Evento é muito detalhe, é muito pepininho assim, pequenas coisas que você precisa resolver, que de fato vão, vão trazer a vida pro evento e, e muito disso assim, essa capacidade de emoção, por exemplo. Caramba, quem já viu o vidro sendo quebrado? Quase ninguém. Então quando você vê, é impactante, né?
E no segundo evento, cara, a gente precisava inovar, e eu não sabia como, e a gente não tinha verba também, era verba limitadíssima dos patrocinadores. Aí eu resolvi fazer um vídeo que poderia ser um tiro no pé, e que todo mundo disse, disse, disse para mim que seria, e não foi, foi muito bom. Eu queria um telão muito grande, um evento que foi no Vila Bisutti, que era acho que 30 metros de tela, tal, um negócio bem grande. E que o vídeo, pensa: um monte de arquiteto, e arquiteto é uma profissão que envolve muito ego e tal. Sim. Arquitetos famosos e tal. Então, beleza, primeiro, o primeiro vídeo do evento é um vídeo de que a gente começa a colocar a, a profissão de arquiteto lá em cima, porque querendo ou não, eles constroem o mundo e etc., é a visão deles. Mas que em determinado momento a gente faz um plot twist no vídeo, que a gente começa a trazer pro… “E aí? Você tá… Quem é o olho do mundo não pode ter a vista cansada”. E começa a fazer e analogia com o filho, e o filho brincando de, de aviãozinho e o cara no celular, e tipo: calma, desacelera, tendência. Porque o arquiteto tá sempre nisso: tendência, tendência, tendência. Qual é o próximo investimento lançado? Qual é a pró… Uma tendência da, de Milão e etc. Tendência, tendência, tendência. Calma, desacelera, tal, tal, tal, cara, porque a gente deu uma, um, a gente deu uma lição de moral, vai, digamos assim, uma, um choque de realidade. E a gente ficou com medo de a galera não levar bem. Foi no NPS do evento a parte mais comentada, teve gente chorando na plateia assim. E assim, como que eu fiz: eu tinha, eu não sei escrever tão bem quanto você, mas eu tinha o quê? Eu tinha o, a ideia. Contratei um cara, um poeta que escreveu um, de um texto top. Aí ele mesmo fez a locução. E esse poeta, cara, é muito engraçado, ele é um cara muito sábio, muito sábio, mas ele teve uma, um período muito complicado na vida dele financeiramente, e ele fez locução de… Cara, eu não sei o nome disso, mas eu vou, eu vou falar do jeito de que eu sei: locução pornô. Tem um nome lá que é tipo locução, é histórias, ah, não sei lá, tá? Cara, ele ganhava a maior grana com isso, então ele tem uma voz bem, bem grossa assim, bonita e tal. Eu falava: “cara, você já é locutor, cara, você já… Por mais que você vai, né?”. Que ele falava, ele fazia contos eróticos, contos eróticos, lembrei. Ele fazia, ele vendia podcasts de contos eróticos, ganhava a maior grana com isso aí. E aí ele fez a locução, cara, deu muito bom esse vídeo, e foi isso, foi simples, eu não fiz nada de mais, eu só mudei o, o padrão do, do vídeo. E você com esse olhar de que você tem, cara, putz, vai ser muito legal no fundo…
São pessoas.
…são pessoas, é isso. Pode ser o arquiteto que vai para Milão todo, todo semestre, etc., mas ele tem filho, ele tem esposa, ele tem problema, ele tem insegurança.
Tem um peso também, de caramba. Claro, claro, claro, claro. E, e você mexer nos sentimentos humanos, né, na, tocar na natureza humana é o que de fato emociona e me emociona.
Impacta muito mais do que pirotecnia às vezes, total, né? Sim, cara, estouramos o tempo, mas foi uma delícia, cara, de verdade! Eu tinha, eu tinha várias ideias para conversar com você de outros assuntos. Eu queria entrar em inteligência artificial, queria entrar nessa parte filosófica, e que você é, é muito bom, até o texto que a gente tinha comentado dos posts que você, você tem feito, não vai dar tempo. Peraí, te convido a voltar, cara, pra gente, até porque agora a gente já tem a tua história já contada, quem quiser conhecer um pouco mais de você assiste esse episódio e, no próximo, trocar uma ideia, cara, de de vida mesmo, trazer assuntos…
Putz, fico, fico à sua disposição para quando você quiser também a gente vai marcar. Eu também vou marcar, tá?
E não acabou ainda, tenho uma pergunta final para te fazer, mas eu vou pedir licença rapidinho para agradecer aos patrocinadores, beleza? E aí, Tiagão, tá no esquema aí? Boa.
Galera, todo esse audiovisual de qualidade, essa história sensacional do Gui… De novo, Gui, parabéns mais uma vez, cara, [ __ ] de uma história. Enche aí, ó Gui. [risadas] Eh, [ __ ] de uma história, uma história realmente de, de vida real, do empreendedorismo, das mazelas do empreendedorismo, né, das dificuldades, das histórias de superação, das… Por cima. Isso aí é a realidade do mundo empreendedor, da vida empreendedora, que muitas vezes na, na esfera romântica da internet não se fala, e na esfera romântica de alguns, de algumas bolhas, em alguns espectros políticos, se ameniza. É muito complexo a vida empreendedora, e a gente que é empreendedor sabe muito bem do que eu tô falando. Tudo isso aqui, trazendo esse, esse, esse papo de qualidade aqui para a internet de forma gratuita, são graças aos patrocinadores que acreditam no projeto do podcast e investem para que a gente tenha tudo isso aqui, de esse audiovisual de qualidade de forma gratuita aí na internet.
Então quero começar agradecendo a Semic Displays, do meu parceiro Adalto de Carvalho: tá precisando vender mais? Então o seu negócio precisa de soluções criativas para PDVs: balcões, bandejas, displays e muito mais, tá aqui o site e o arroba da Semic na tela.
SMB Store, do meu parceiro Alonso: desde 2018, a SMB Store tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar, tá aqui o site e o arroba da SMB na tela.
Agência RPL, do meu parceiro Rodrigo Álvares: a RPL oferece a solução completa de marketing digital para negócios, cuidando das empresas com olhos de dono, desde a criação de sites, gestão de anúncios, planejamento estratégico, social media e SEO, tá aqui o site e o arroba da agência aqui na tela.
WJR Consulting, do meu parceiro Valenstein Júnior: aumente seu lucro, seja aumentando a receita ou reduzindo a despesa, gestão financeira descomplicada para empresários: DRE, análise de capital de giro, fluxo de caixa e uma gestão profissional como todo negócio não só merece, mas também precisa, tá aqui o, o site e o arroba da WJR Consulting.
Inspira Capital, do meu parceiro Fabiano Brito: operação e gestão financeira por assinatura, o braço direito do empreendedor, BPO financeiro não é mais futuro, é presente, traga isso pro seu negócio e veja como vai se pagar, Instagram e site aqui na tela.
Polux, do meu parceiro Ricardo Ferrazini: sabia que existe a possibilidade de desembolsar menos com impostos através de planejamento tributário, especialista em gestão de tributos e de crise, site e arroba aqui na tela.
E Max Service, contabilidade consultiva que fica ao lado da gestão, não só do balanço e da burocracia, enquanto a maioria dos contadores aparece uma vez por ano na empresa dos PMEs, né, nas, nas empresas pequenas e médias, eles estão na mesa de decisão junto com o empresário, e especialmente para quem opera no Lucro Real, site e arroba da Max Service aqui na tela.
Galera, muito desses empreendedores e empresas que estão à frente desse negócio resolvem dores reais da gente que é empreendedor, então vai de olho fechado, e qualquer dúvida, chama aqui a gente. Pode ir de, de, de contratá-los de forma tranquila, que depois você volta aqui para nos agradecer. Tamo junto.
Simonsen, meu caro, pergunta final, cara. Imagina… Eu vou bater na madeira só pra, porque eu preciso contextualizar, mas imagina que, cara, você tá saindo daqui, tá voltando para Santos, bate o carro e morre. Você não vai morrer não, tá? Só eu tô batendo na madeira por… Porque é só para trazer peso para a pergunta. Nunca ninguém saiu daqui, bateu o carro e nem morreu, mas, cara, imagina que por tua família, seus amigos, essa é a tua última aparição pro mundo. Essa foi a sua última mensagem, esse podcast vai bombar, né, mas assim, além de tudo, cara… Cara, putz, quantos anos você tá agora? Desculpa te perguntar.
40, 40 anos, cara, um cara sábio que todo mundo tinha, tava louco para escutar o que ele tinha para falar, foi embora cedo. Que que você deixaria pro mundo, cara?
E você sabe, Felipe, que eu, eu quase fui embora mesmo.
É mesmo?
É, eu enfartei alguns meses atrás.
Mentira, cara! Pera aí, agora… Agora, primeira vez que eu conto isso em público, inclusive.
Caramba, não acredito!
Fui, tava com mais de 90% de obstrução na artéria.
Meu Deus, foi por um triz assim.
Mas chegou a infartar mesmo?
Infartei real, três stents no peito e, e uma loucura assim, foi uma experiência… Estresse, tal, é um somatório de assim, vários anos, né? E muito estresse, alimentação ruim, sedentarismo, né, dormindo mal, etc. Bicho… É, acho que somou genética também: meu pai enfartou cedo, meu avô enfartou cedo, isso tudo pesou, pesou. Eh eu já vinha me cuidando melhor assim nos, nos últimos tempos, tava treinando bem, tava comendo melhor, etc., mas eh nada, nada… A conta chega, chegou. E no tempo de reverter, mas eh eu sinto que por algum motivo Deus permitiu que eu permanecesse, então eh eu não tenho como ter certeza desse motivo, mas eu tenho suspeitas de quais são esses motivos, né? Eh e eu tenho plena convicção de que o primeiro e maior motivo é amar ainda mais as pessoas. Então a, a minha esposa, com quem eu me casei faz dois meses…
Que legal!
…foi, teve isso no meio do processo inclusive.
Um infarto… Que loucura, hein, que loucura! Casamento, infarto…
É, e foi um ano intenso. Ah, e amar mais a minha família, amar os meus amigos, né, e também ter essa possibilidade de, de amar aquilo que eu faço a ponto de que isso impacte profundamente a vida das pessoas, e é esse meu desejo final. Então tudo o que eu faço profissionalmente eu também faço no, na minha vida pessoal. Essa, esse tipo de recomendação de: “olha, vi alguma coisa, achei boa, achei bonita, pode ser que sirva para você”.
Legal.
É, é a minha espécie de, de generosidade. Então se eu puder aplicar mais disso ao mundo, puder contribuir um pouco mais com esse tipo de, de possibilidade de, de vidas diferentes, né, no fundo é isso: quando você entrega um livro para uma pessoa ou mostra um filme para uma pessoa, eh e ela se identifica com alguma coisa ali, é porque talvez ela possa mudar um pouquinho de trajetória, ela se inspira ali por, por alguma figura, por alguma ideia, a ponto de que aquilo tenha de fato um impacto positivo na, na vida dela, né? E, e esse impacto pode se desdobrar de muitas maneiras: de uma maneira relacional, de uma maneira… De uma maneira financeira, de uma maneira experiencial, né, de, de um… De aumentar um propósito de vida. E sempre que eu puder contribuir com um pouquinho que seja, né, na vida dessas pessoas todas, estejam elas próximas ou não, para mim essa é a vida que vale a pena ser vivida, cara.
Te, te provoco de verdade, como a gente tá conversando nos bastidores, a que você seja um tradutor da sutileza. Eh não é comum enxergar a sutileza das coisas como para você é simples, não que isso é mérito, não seja mérito. Quando eu falo simples é porque para você é simples, você chegou num nível… Traduza as sutilezas da vida, cara. É importante isso porque isso, isso vai, isso, isso traz bagagem cultural pras pessoas, bagagem de raciocínio pras pessoas aprenderem a raciocinar, aprenderem a desacelerar, desacelerar e olhar o, o que não tá, não tá dito nas entrelinhas, ainda mais num mundo tão polarizado, tão complexo e, e que o caminho é a piora, uhum, o caminho é o extremismo. Quando eu falo extremismo, não para qualquer lado, para todas as vertentes. Então, cara, a gente precisa olhar o, a gente precisa olhar a sutileza das coisas, e você tem uma percepção da sutileza das coisas. Eh para não me estender, mas aconteceram al-, alguns, algumas coisas ultimamente, principalmente lá no G4, com o Tallis Gomes sobre… Falou de CEO mulher e tal, o Simonsen fez um post, e vai lá e resgata o post dele: é uma tela preta com uma frase lá que, que você fala de, de CEO. Mas o, o ouro não tá ali no post, tá no texto, tá na, na descrição, e, cara, aquele texto eu acho que eu vou colocar… Você me permite colocar na descrição do vídeo? Vou colocar na descrição do, do post, viu, editor? Pega depois, me pede esse, esse post que eu te mando pra gente colocar aquele texto aqui na descrição, porque é um texto que você entendeu… Todo mundo tava falando do que que ele deveria sofrer de consequên-, tá todo mundo analisando o óbvio, tá entendendo o que eu falo, tá? E aí o que aconteceu com ele, você viu o que aconteceu com ele e tal, tal, ó, agora ele caiu. Não, e você foi para outro lugar, você pegou a sutileza daquilo, é o jeito que eu consigo traduzir o que eu tô querendo pedir para você, sabe, que é essa sutileza das coisas, o, o, o a big picture de, de tudo isso, sabe? Você vai lá e faz um negócio, cara, que eu lendo, pegou em mim, falou: “nossa, cara, alerta!”, sabe? Porque é isso: a gente como empreendedor, muitas vezes quando a gente acerta demais, a gente começa a ficar com ego lá em cima, toque de Midas: “o que eu encostar vai virar ouro”. Isso vai virando um, um caminho muito perigoso. E você pega um negócio e traz um, um ensinamento que serve para geral. Então, cara, traduz essas sutilezas, cara, porque isso é muito importante pro mundo.
Eu, eu me comprometi comigo mesmo, principalmente depois desse episódio do, do infarto, onde a recuperação foi muito cansativa e dolorida e tudo mais, mas foi um momento de muita reflexão também, então: como é que eu posso colaborar também desse jeito, assim, a partir das minhas palavras, a minha visão de mundo? E eu gosto de, de tentar enxergar pelo esforço que eu faço as pessoas com gentileza, então eu não enxergo como amigos e inimigos, como pessoas de enfrentamento. Por mais que, que eu não simpatize com, com a pessoa, ela é uma pessoa, então ela merece esse tipo de, de tratamento da minha parte, e aí eu tento fisgar alguma coisa que muitas vezes as pessoas não estão, né, observando. Então eu mudei até minha bio essa semana, eh durante muito tempo foi: “venha pelas fotos, fique pelos textos”, agora eu coloquei: “textos inesperados para pessoas inteligentes”, ou “para leitores inteligentes”, eh porque eu, eu gosto de trazer esse inesperado. Tá todo mundo falando uma coisa, mas, puxa, acho que tem mais aí.
Exato, é isso, e você enxerga isso, eu não sei se isso é tão simples ou você precisa de algum, de algum tempo de, de reflexão sobre o tema, mas, cara, quando você traz, fala: “caramba, é legal”.
Isso, é porque a partir de qualquer episódio, né, onde existe esse drama humano, você consegue retirar lições pra sua vida, né, sobre virtude, sobre eh experiências de vida, algo que você pode aplicar na sua empresa, na sua família ou na sua trajetória. Então, gente, né, se eu conseguir retirar um pouquinho disso, mostrar para você, eh muitas vezes citando também coisas que eu li, coisas que eu aprendi, né, para que você também busque no, no seu caminho de estudo, de aprendizado, de leitura, para mim isso é ótimo, como se fosse uma, uma primeira faísca para que você pense de um jeito um pouquinho diferente, enxergue, tá, o episódio total de, de um jeito um pouquinho diferente. E não vai ser um negócio assim, por mais que você é muito bom do que você faz, não vai ser um negócio extremamente viral porque não é…
É zero topo de funil, assim, digamos, né?
Você sabe, tipo, é zero topo de funil, é um negócio muito eh eh profundo, né, na… Mas é altamente impactante.
E altamente engajado, sim, porque é assim: a galera que tá lá é aquela pessoa que vai querer escutar, e ler, e, e, e acompanhar tudo o que você faz. Então, cara, que é o que já acontece no teu perfil, o perfil é muito engajado. Tem todo esse papo, né, de “ah, o Instagram é quarta série, o Instagram…”, um grande amigo meu, o Alan Araújo, falou num evento esse final de semana, ele falou: “o Instagram é, é um grande Domingo Legal”. Falei: “muito bom”, mas eu entendo que existe essa dimensão, mas eu sei que também tem mais, assim, tem gente carente por, por reflexão, por algo que não seja só entretenimento, por alguma coisa que, que leve a outro caminho, né? Então por que não também usar o Instagram, que não é uma plataforma de textos, mas para, para escrever um texto, deixar uma mensagem? É, é meu jeito de subverter um pouco.
E você manda muito bem com texto, você já sabe disso, mas eu considero que você manda tão bem quanto se comunicando, então vídeo é muito bom também, cara, seu… O seu texto é muito bom, mas você também manda muito, eu acho que tão bem quanto no vídeo, vai pro…
E quem sabe, quem sabe no 2025 tá aí, tô animado, tô com, com muita energia, muita vontade de fazer coisas legais e bonitas, então com certeza eh eu vou me comprometer ainda mais para levar mais essa mensagem pro público.
Legal. Desculpa palpitar, mas é porque eu ia gostar muito se você tivesse…
Esses amigos podem, pessoas inteligentes podem, você é os dois, então tá, tá liberado.
[risadas]
Obrigado, prazer, cara, cara. Muitíssimo obrigado, de verdade, tô, tô muito feliz de ter, de tê-lo aqui comigo trocando essa ideia. Pô, esse papo, cara, vai ter o segundo, vai ter. Conta comigo, vamos.
Obrigado.
E, galera, você que ficou aqui até agora, muito obrigado pela companhia. De novo, siga aí o, o João… Eh o Tiagão, coloca a tela geral de novo, coloca o @ do Simonsen aí, ó, já, já segue ele imediatamente, já, já vai lá, @rodrigosimonsen, e, e acompanha esses últimos posts de que ele tá fazendo, que são ótimos. E tamo junto, clica em todos os botões aqui embaixo para engajar o episódio, manda pro seu sócio, pros seus amigos empresários, e como a gente falou bastante coisa além do empreendedorismo, além do CNPJ, quem você achar que faz sentido essa mensagem, encaminha aí, com certeza vai fazer bastante, vai trazer bastante impacto para quem assistir. Tamo junto, até a próxima e valeu.
Obrigado, pessoal, tamo junto.
