Pejotização e processos trabalhistas com Giancarlo | Além do CNPJ ( EP #173)

A Vítima da Burocracia e o “Risco Brasil”

No cenário corporativo nacional, o empreendedor frequentemente se enxerga em uma posição de desvantagem nas relações de trabalho. Diante de uma legislação paternalista e de uma Justiça do Trabalho que julga mais de 2 milhões de novos processos por ano, muitos empresários passam a operar sob constante ameaça, abrindo mão de autoridade para evitar litígios.

No mais recente episódio do podcast Além do CNPJ, o host Felipe Cassola recebeu o Dr. Jeancarlo Teresani, advogado especialista em Direito Trabalhista Empresarial e consultor de dezenas de PMEs.

Com uma visão prática de quem atua diariamente no contencioso e no preventivo, Jeancarlo desmistifica a ideia de que “o empresário sempre perde” e ensina como utilizar documentos internos, dados e rigor nos processos para blindar o CNPJ contra passivos trabalhistas e defender a empresa contra ações de má-fé.

1. Prevenção vs. Reação: A Cultura do Registro de Provas

O erro fatal de grande parte das PMEs é enxergar a assessoria jurídica como um socorro emergencial — acionado apenas quando a notificação de um processo chega. De acordo com Jeancarlo, a proteção do caixa da empresa começa no primeiro dia de trabalho do colaborador.

[Omissão de Registros / Regras Verbalizadas] ➔ [Cultura do "Eu não sabia"] ➔ [Condenação na Justiça do Trabalho]
[Regulamento Interno + Registros Assinados] ➔ [Alinhamento de Expectativas] ➔ [Proteção Jurídica e Blindagem]

Para evitar condenações por “pejotização” e fraudes de horas extras, a empresa deve construir um dossiê diário com regras transparentes e assinadas desde o início do vínculo.

2. A Inevitabilidade do Passivo na Demissão por Justa Causa

Muitos executivos evitam aplicar a demissão por justa causa com medo da reversão judicial. No entanto, ceder à chanting de colaboradores que praticam faltas graves ou fraudam atestados contamina a cultura do time interno.

Elemento de Análise Demissão Sem Justa Causa (Comum) Demissão Por Justa Causa (Falta Grave)
Custo Rescisório Pagamento de aviso prévio, multa de 40% do FGTS e liberação de seguro-desemprego. Isenção de aviso prévio e multa do FGTS; pagamento apenas do saldo de salário e férias vencidas.
Probabilidade de Litígio Média/Baixa (se todos os proventos forem pagos em dia). Alta (Quase 100%): O ex-colaborador tende a ingressar com ação pedindo a reversão da justa causa.
Requisito para Blindagem Quitação das verbas no prazo legal. Gradação Pedagógica de Penas: Provas documentadas de 3 advertências formais + 3 suspensões.

3. A Fraude dos Atestados Médicos e a Investigação Preventiva

Um dos temas mais críticos abordados no episódio foi o uso indiscriminado de atestados médicos falsos ou emitidos por clínicas virtuais sem exame físico detalhado. Para combater a prática, Jeancarlo orienta os departamentos de RH a implementarem auditorias de rotina:

  1. Checagem de Padrão Temporal: Identificar se os afastamentos ocorrem sempre nas mesmas datas (ex.: sextas-feiras ou segundas-feiras) ou após feriados prolongados.

  2. Confirmação de Registro Médico: Entrar em contato com o posto de saúde ou clínica para validar a presença do médico no dia e horário informados no documento.

  3. Consignação em Pagamento: No caso de abandono de emprego pós-período de afastamento, ajuizar a ação de consignação para depositar em juízo as verbas rescisórias, comprovando que o empregador não recusou o pagamento.

4. A Regra do Ouro: Regulamento Interno Assinado

Uma empresa que não documenta suas diretrizes operacionais não pode cobrar alta performance. A implementação de um Regulamento Interno assinado no ato da admissão — ou apresentado formalmente em reuniões de alinhamento — atua como a “lei da empresa”.

Assuntos como uso de celular no expediente, conduta com clientes, batida de ponto via aplicativo e padrões de vestuário devem ser detalhados no regulamento, servindo como embasamento jurídico inquestionável caso haja necessidade de aplicação de sanções disciplinares.

5. O Maior Conselho: A Escolha do Parceiro de Vida

Ao encerrar o episódio com uma reflexão sobre seus 29 anos de idade e sua trajetória de superação ao lado da família, Jeancarlo deixou sua mensagem de vida para os fundadores:

“Escolha muito bem a pessoa que vai estar ao seu lado. O crescimento acelerado do meu escritório só aconteceu depois que eu me casei e tive minha filha. Quando você assume a responsabilidade de ser pai e parceiro, não existe mais a opção de dar errado.”

Quer aprender a blindar a sua empresa contra passivos trabalhistas, reestruturar o seu RH e aplicar demissões por justa causa de forma segura? Assista ao episódio completo no canal Além do CNPJ!

Ler Transcrição Completa

Nesses 30 dias depois que ela foi mandada embora, ela ficou grávida dentro desse período. E ela ficando grávida nesse período, ela teria que ser reintegrada. Teria, teria, teria. Só que aí o advogado falou exatamente isso: reintegra, é, reintegra ela, e eles reintegraram. Eu não falaria isso. Eu falaria assim: “Não, não reintegra para ela entrar com o processo, vocês vão ter que pagar a mesma coisa”. Ah, 3 dias é R$ 89,00. E cara, é isso, o valor que se vende a porra do atestado: o cara vendendo um atestado de três dias por R$ 89,00. Mano, que loucura, cara! Sabe o que é pior? Eu já vi anúncio de clínica tipo essa — não de algumas clínicas aí —, falando assim: “Não leve falta no trabalho, agende uma web consulta aqui assim, assim, assado”, sabe? Eu discuti com uma clínica isso aí, e essa aí ainda é uma consulta de verdade. Esses aí que a gente tá falando é de comprar realmente o atestado. Eu falo que toda demissão por justa causa é uma responsabilidade enorme pro meu escritório e pra pessoa que tá fazendo. Por quê? Porque toda demissão por justa causa vai gerar uma animosidade. O cara não vai ficar feliz. “Ah, fui demitido por justa causa, perdi maior grana, saí com a mão na frente e outra atrás, ah, recebi R$ 1.000,00, e se eu fosse sem justa causa, era para receber 20”, entendeu? Todos os benefícios da CLT não vão. É, exatamente. E aí nessas eu concordo que acaba sendo pedagógico, o cara vai aprender, talvez, né? Mas toda demissão por justa causa vai gerar um passivo trabalhista.

Buenas, buenas, buenas, seja bem-vindo a mais um podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui pra gente trocar essa ideia de empreendedorismo vida real. E aqui na minha frente nós temos um convidado que, cara, já tô seguindo já há alguns meses no Instagram, o conteúdo desse cara é bom. Aqui embaixo no Spotify ou aqui embaixo no YouTube, depende de onde você tá assistindo esse esse podcast, escutando esse podcast, tem o arroba dele no Instagram. Começa a seguir, dá uma navegada nos posts lá porque é um conteúdo bacana, um conteúdo que traz prática do dia a dia, da vida real, de um problema crônico de Brasil e dos empreendedores, que somos os que sofremos esses sintomas e somos, de certa forma, parte… Eu não gosto dessa palavra, mas parte vítimas dessa dessa situação toda em que o país se encontra nesse âmbito. E qual o âmbito de que eu tô falando? A esfera trabalhista. Meus caros, tô aqui com Jeancarlo Teresani. Meu brother, muitíssimo obrigado por topar o convite, cara.

Obrigado. É, meu, a gente não é vítima, a gente é refém, [ __ ].

A gente é refém.

A gente é refém, e é de fato, é de fato uma situação de que, a palavra é exata, a palavra é refém. Muitas vezes a gente estando certo, a gente ainda tá errado. Precisa engolir sapo, baixar a cabeça, porque a gente sabe de que se essa pessoa resolver e buscar os seus direitos — e por isso que eu entro, eu coloco gigantes aspas aqui —, a chance dessa pessoa levar o teu dinheiro, às vezes abrir um precedente para outras pessoas de má-fé e tudo mais, faz com que você precise ficar engolindo o sapo mesmo estando certo, cara.

Exatamente. Eu falo muito que hoje o empresário, ele não… Não é que ele tem que se defender, ele tem que estar sempre coletando provas para que, caso futuramente ele tome um processo trabalhista, ele não se, não se prejudique tanto. Outra coisa que eu vejo muita gente me procurar é: “Pô, eu virei realmente refém do meu funcionário, porque hoje às vezes, ah, eu contratei PJ. Tenho duas empresas lá que só têm PJ. Beleza, para que que serve o meu contrato?”. Já os dois já viraram para mim e falaram assim: “Mas para que que serve o meu contrato? Porque hoje se o cara quiser me botar na Justiça do Trabalho, é dele, não serve para nada”. Inclusive a gente tá fazendo a renovação desses contratos porque a gente pegou um trabalho de outro advogado. Estamos fazendo a renovação para que tenha uma validade melhor, entendeu? Porque às vezes o cara vai lá: “Não, vou colocar uma multa de 1 milhão de reais”, que meu, aquela multa na Justiça Cível vai ser desconsiderada, imagina a Justiça do Trabalho, entendeu? Então são… É um trabalho de formiguinha mesmo, sabe, passo a passo.

A sensação que eu tenho é de que se a lei não muda, a gente só enxuga gelo.

E a lei mudou, mas a lei mudou, mas não mudou, né? Ela muda e desmuda. Ela mudou e desmudou, né? Na verdade, ou ela… Ela voltou ao que era. É, ela mudou e desmudou. Em 2017 a gente teve lá a reforma trabalhista em que… Exato, que teve ali a a sucumbência recíproca. A gente começou a verificar uma melhora aí nas ações trabalhistas, tava, tava bagunçado igual tá hoje. E aí caiu pra, acho que 600.000 processos por ano, pô, que ainda é muito, mas é bem menos do que era antigamente. Hoje a gente tá batendo 2 milhões de novo, 2 milhões de novas ações, um passivo gigantesco de bilhão, assim. Se eu não me engano, mais de 47 bilhões foram movimentados pela Justiça do Trabalho no ano passado.

Cara, mas o que o Temer mudou de reforma trabalhista foi o quê, só colocar a sucumbência também pro outro lado ou teve outras grandes mudanças?

Tiveram várias grandes mudanças, mas a principal era essa, era você conseguir responsabilizar o trabalhador caso ele te processasse sem uma, sem um justo motivo, entendeu? “Pô, perdeu o processo integralmente, você tem que pagar o meu advogado, pagar o honorário de sucumbência”, ainda mais sobre o valor da causa. Exato, exato, pagar essas causas que ele colocava lá na altura. É, os caras botam R$ 300.000,00 uma causa de um cara que trabalhou três meses. Pô, eu já vi isso ontem, entendeu?

É, é aquela… Aí o cara, aí o cara que tá tomando o primeiro processo, ele fica desesperado, porque fala: “Meu, 300.000 eu não ganho em dois anos, quebrei”.

Exatamente, exatamente. Aí os caras mais calejados, né, eu, você, a gente já olha e fala: “Pô, mais uma vez um aventureiro aqui”, entendeu?

Cara, é isso! Mas, Jeancarlo, antes da gente entrar nessa, nessa esfera, e, cara, eu já garanto para você que eu tenho um muro de lamentações aqui. Imagina, eu vou chorar [risadas] nesse podcast, eu vou chorar, eu vou ficar bravo, [limpando a garganta] vou ficar puto. Mas, cara, antes de a gente entrar nessa esfera mesmo e trazer dicas pros empreendedores e tudo mais, dá um overview do Jeancarlo. É, da onde você veio, quais suas referências, que que você queria ser quando você crescesse, o Jean Carlinho veio da onde? Dá um overview até… A gente tava conversando nos bastidores aqui, né, de que você tem famílias empreendedoras, mas dá um overview pra gente para como foi o contexto da sua vida até a vida atual.

Legal. Eu falo que eu não vim do zero, né? Graças a Deus, a minha, a minha mãe sempre conseguiu me proporcionar uma boa, uma boa experiência aí, né? Eu sou filho da Regina, do Ricardo, o, o Hernandes é meu padrasto. Todo mundo ali sempre contribuiu muito na minha, na minha, na minha criação, e contribuindo na minha criação de que forma: sempre tive um bom estudo, né, sempre tive uma boa base. E quando eu era criança, perguntou o que eu queria ser: eu queria ser dono de supermercado, porque minha avó, minha avó ia muito em supermercado porque ela, ela cozinhava pra gente, né? Eu estava na minha casa da minha avó todo dia, e aí eu queria ser dono do supermercado porque eu queria que minha avó não pagasse no supermercado, entendeu? Era meu sonho. Aí eu nunca quis fazer Direito, minha mãe… Minha mãe virou advogada nos anos 2000, ela era advogada também? É, minha mãe virou advogada nos anos 2000, acho que 2005 ela virou advogada. Ela começou a estudar Direito em 2000, 2005 virou advogada, e aí eu falava: “Não, pô, não sou maior fã de lei”, e tal, tal, tal. É, eu queria, queria ser arquiteto. Pá, comecei na, no segundo ano da, da, do colegial, cheguei a prestar para Arquitetura na USP, não passei por dois pontos, aí eu falei: “Meu, tá, vamos ver isso aí”, né? Aí meio que desisti da ideia de fazer faculdade. Aí fui fazer Administração, fiz Administração, fiz um processos gerenciais por dois anos. Depois de processos gerenciais, eu fiquei meio sem rumo, aí eu falei pra minha mãe: “Mãe, acho que eu quero fazer Direito”. Ah, isso aí era 2015, 2016. Começo de 2016, era fevereiro, cara, não tinha uma faculdade com processo, eh, processo seletivo aberto. Eu entrei na UNIP, aí eu comecei um pouco atrasado, mas logo me encaixei lá, comecei a gostar do, do negócio, mas eu não gostava da faculdade, nunca gostei da matéria do Direito, nunca gostei da, da teoria do Direito. Eu fui gostar do Direito quando eu comecei a trabalhar como advogado. Depois que eu passei na OAB, eu falei: “Pô, Direito é legal”. Eu, eu demorei 5 anos para poder falar assim: “Não, é aqui que eu quero ficar”, entendeu? A única matéria… É, a única matéria que eu realmente me, como posso falar, me identifiquei foi Direito do Trabalho, porque era a única matéria de que sem esforço eu tirava 10. [risadas] Falei: “Pô, legal, isso aqui eu entendo”. Exato. Já é o cheiro. Falei assim: “Ah, vamos Direito do Trabalho, vamos Direito do Trabalho”. E aí, cara, quando eu comecei a trabalhar, eu comecei com o Direito, né? Comecei a fazer conteúdo, só que eu comecei a fazer conteúdo para reclamante. Comecei a querer pegar, porque, pô, advogado novo de OAB, tudo mais, eu não vou conseguir uma, um… Você confiaria a sua empresa com um cara que acabou de tirar a OAB? Não vai confiar. Então eu comecei a ir atrás do outro lado. Então eu produzia conteúdo e tal, e não e não deixa de ser também eh uma preparação para isso. Exatamente. Uma porque se eu conheço o que o cara vai atacar, eu também sei como me defender, entendeu? Você começa a se preparar para se defender. A única coisa é que você não pode se prender naquela mentalidade de que o empresário tá sempre errado, entendeu? Você precisa começar a se organizar. E aí eu comecei a, a, a fazer conteúdo para reclamante, até que chegou o fatídico dia em que o meu pai e o meu padrasto tiveram um problema com funcionário por minha causa. “Ah, porque eu vi um conteúdo do seu filho e ele falou que isso aqui, isso aqui, isso aqui tá errado”. Velho, nessa hora eu… Acendeu uma luzinha na minha cabeça, eu falei assim: “É, acho que tem uma coisa que eu tô fazendo de errado. Eu tô, eu tô jogando num time que não é o meu”. Exato. E aí eu comecei a fazer uma mudança de conteúdo, comecei a falar mais para empresários e tudo mais, e comecei a abandonar esse tipo de, de ação, né? Foi um caminho meio difícil, aí eu vou falar para você que eu fiquei uns dois anos fazendo conteúdo não muito constante, né? Eu fazia, pô, todo dia da semana, durante a semana, de segunda a sexta eu fazia um, um vídeo por dia, e não crescia, né? Fiquei ali naquela, naquela meia-bomba. Subi até acho que 1.800 seguidores e travei ali. Aí eu conheci um, um cara fenomenal que mudou ali o meu game, né, o Antônio da Silva, e ele me, me… Eu eu fechei ali um, um negócio com ele, e aí a gente… Aí ele me ensinou algumas coisas, eu comecei a botar em prática.

Fechou com o Antônio?

É, tinha fechado com o Antônio, é, fechei ano passado com o Antônio. Foi em maio do ano passado. Aí, mano, eu, eu arrisquei o dinheiro que eu não tinha, falei assim: “Meu, vou, vou, vou botar fé nesse cara, vamos ver o que ele vai me trazer”. Cara, em um mês… Aí eu falei assim: “Vou botar sangue no olho”. Porque ele falava para mim: “Ah, não, você tem que fazer cinco vídeos por dia”. Beleza, fazia sete todo dia, de sábado a sábado, de domingo a domingo. E aí meu, minha página começou a bombar, começou a crescer. Aí em um mês e meio eu já tinha 10.000 seguidores, aí depois, logo mais, passaram mais dois meses ali, mais 30.000. Hoje a gente tá com 70.000.

Hoje é seu maior canal de aquisição?

Meu maior, meu único canal de aquisição, meu único canal de aquisição. Eu tenho algumas pessoas que vêm do Google, tenho, já tive gente até que veio do ChatGPT. Cara, essa semana passada foi legal que a, a moça tomou um processo lá pertinho, lá no Rudge Ramos, tomou um processo, procurou no ChatGPT: “Ah, melhor advogado, se melhor do campo”. Aí eu tava lá entre os indicados, entendeu, para poder defender a empresa, e aí ela veio, me buscou, e a gente conseguiu fechar ali uma defesa. Então hoje eu tenho alguns meios de aquisição, mas o meu principal é o social selling do Instagram.

E você faz social selling mesmo?

Faço, faço, cara.

Você mesmo na…?

Não, eu tenho, eu tenho um social seller.

Que legal, cara!

É a melhor coisa do mundo, cara. Eu falo de que desde que eu implantei isso, minha empresa assim, ó, decolou, decolou. Eu fui de um cara que tava praticamente quebrado em maio do ano passado, né? Porque…

Super-rápido!

Exato, porque em fevereiro, vou falar, eu ainda tinha alguns processos…

Legal você contar essas coisas, porque, cara, é a vida real do empresário.

Exato. Em fevereiro do ano passado, eu perdi três contratos que eu tinha de empresa mensal, que eram contratos hoje para mim inviáveis, hoje eu não conseguiria fazer esses contratos porque, pô, era um era de R$ 500,00, outro de R$ 700,00, outro de R$ 600,00, mas pagava as contas, entendeu? E eu tinha seis acordos com uma empresa que eu tava pelo reclamante, seis acordos com uma empresa, e essa empresa parou de pagar todos os acordos ao mesmo tempo, ou seja, tudo o que pagava minhas contas travou, travou, travou. E aí eu tive que pedir ajuda pra minha mãe, pedir ajuda para meu pai, meu padrasto, todo mundo, falei assim: “Gente, pelo amor de Deus, eu preciso sobreviver até para pagar funcionário”. Eu falei: “Mãe, preciso disso aqui, falta isso aqui para pagar funcionário, pagar mim, pagar…”. Me passou, depois a gente se acerta. E aí depois disso eu consegui me arrumar, e agora o escritório tá funcionando legal. A gente já tá com dois advogados, um estagiário, um social seller e uma secretária. Pô, estamos, estamos crescendo e com 45 empresas atendidas hoje.

E o, e a equipe de, a produção de conteúdo…

É muito boa!

…é só sua?

É só minha.

Legal.

Eu ainda tenho uma parceria com o Antônio, né, mas eu…

Como que o Antônio entra nessa parceria com você?

Cara, ele, ele, ele faz um, a minha agenda de conteúdo semanal. Então toda semana ele, é toda semana eles trazem para mim uma agenda de conteúdo semanal com ali as postagens que eu devo fazer, sugestões, né, de temas e tal, e aí eu vou…

Isso é focado no seu negócio.

Exatamente, focado para mim, com o meu guia de voz e tudo mais, tudo o que é para eu fazer. E aí eu pego aquilo, eu já peguei aquilo também, criei um, algumas skills no Claude, no Manus, para poder me ajudar a reproduzir e produzir o meu conteúdo de uma forma cada vez mais focada ali naquele, naquele empresário.

Exato, exatamente.

Caramba, que legal, cara!

[ __ ] Dessa forma, a gente consegue conversar, né, dialogar com o empresário do caramba.

Do caramba, legal, porque eu já, eu já ouvi coisas boas e ruins da contratação do Antônio.

Uhum.

Eu sou, eles me usam de case de sucesso de um monte de gente lá.

Porque de fato foi, foi, foi… Eu tento muito agradecer ele, muito, e eu acho que vale a pena. Então até como insight aí, antes de entrar na parte trabalhista pro empresário que tá assistindo, sobre dependendo do que você vende, o canal de aquisição mais fundamental que você pode ter é o Instagram, cara. E aí você, você se você tá na dúvida: “Ah, como que eu poderia fazer e tudo mais?”, produção de conteúdo atingindo diretamente a dor do seu cliente ideal, do seu ICP, do seu Ideal Customer Profile, do seu cliente ideal mesmo. Putz, o meu cliente ideal é o empresário, é o médio empresário.

A decisão na mão dele, você também tem que saber onde ele tá, porque, por exemplo, eu já fiz conteúdo e usava o MLabs para poder colocar no Instagram, no TikTok, no LinkedIn e no YouTube. Cara, só o Instagram funcionava, porque eu botava no TikTok, que que acontecia: um monte de nego vindo, vindo ratear. Beleza, hate também dá engajamento, também cresce a sua página, mas não trazia um cliente. O TikTok não trazia uma, um cliente. Agora, o Instagram é nosso.

Mesma coisa. Eu, eu toda vez que eu coloco um conteúdo que dá bom no Instagram, de gente falando que legal, no TikTok dá bom de gente que falando, falando assim: “Você é um merda”. Merda, a galera é a juventude ludibriada com coisas e que pintam de, esse papo de vitimismo, né, que pintam de bonito.

Legal. E aí, e depois você estrutura nesse, nesse último ano, graças ao Instagram, você estruturou o escritório: 45 empresas atendidas.

Exatamente. Aí eu tenho duas pessoas que eu agradeço muito: o Antônio e o Zacarias. O Zacarias é um advogado que ele dá mentoria para advogados que querem fazer assessoria jurídica. Então esse cara é um dos maiores nomes de assessoria jurídica hoje no país. Ele atende jogadores de futebol, grandes empresas e tal. E graças a ele, eu consegui realmente estruturar uma operação para que eu conseguisse atender todo mundo de uma maneira eh minimamente boa, para que todo mundo saia satisfeito, entendeu?

Top! E como que é o processo… Agora já conhecendo um pouco da parte operacional, como que é o processo de você atender 45 empresas, que com uma equipe enxuta dessa é bastante gente, é bastante cliente, é um… Todos eles são contratos mensais?

Todos eles são contratos mensais, tá? Eh a gente faz, eh a gente faz avalmente trabalhista, mas não, eu atendo ao 360, então se a pessoa precisar de consumidor, tem; é precisar de imobiliário, tem; ah, até criminal já fizemos, entendeu? Então o que que a gente, o que que a gente leva em consideração quando entra uma empresa: qual que é a principal dor desse cara, esse cara tá tomando processo? Não, não tá tomando processo, ah, ele, então ele precisa de uma organização preventiva, então a gente vai direto pro preventivo. Quando é o processo, a gente vai, foca primeiro na defesa do processo para depois a gente mexer no preventivo, porque não adianta eu, eu… Exato. Então cada empresa hoje tem um, um advogado designado, né? Então a gente trabalha uma equipe de três ali, como somos três advogados, eu fico com 10 empresas e os meus advogados ficam ali em torno de 15, 20 cada um ali.

Exato, dependendo da quantidade diferente.

Exato, e aí eles vão… Eles atendem como principais, mas eu também tô como backup, então qualquer coisa que me mandarem no sábado à noite, eu, eu peguei o celular e respondi. Já atendi cliente ligando domingo de manhã, era um cliente dono de um, de uma casa de repouso: “Morreu um, um dos meus residentes aqui, o que que eu faço?”. Era a primeira vez que tinha acontecido isso. Falei: “Não, ó, chama a polícia, faz isso, faz isso”. E aí orientei o cara para poder, para poder se livrar desse problema. A minha mulher adora, né, porque [risadas] não tem sábado, domingo, feriado.

Plantonista.

Plantonista. Esses dias eu tava almoçando com ela, cliente me ligou, falei: “Não, pera aí, rapidinho, é um cliente importante”. Tá certo.

[risadas]

E como que funciona? Eh quando, quando eu olho essas possibilidades todas de que abre para empreendedor, como que funciona a tua aquisição de conteúdo, é 100% focado em trabalhista? Porque isso também é, é um insight legal. Ele o, ó, vamos pensar por esse, por esse prisma: o Jeancarlo atende eh Direito Empresarial.

Exato.

Então é uma análise, quando você fala empresarial, é uma análise 360, é confecção de contrato, análise de contrato entre todos, trabalhista. Só que qual é uma dor latente do empreendedor? Trabalhista, ainda mais que é uma dor eh de um que, que faz com que um conteúdo sobre isso seja eh altamente viral.

Com certeza.

Porque você fica puto, você manda para alguém, você fala: “Olha aí o que você fez”, ou “Olha o que você tá fazendo”. Então as pessoas compartilham isso. Então através da dor de um conteúdo compartilhável do cliente ideal, que é o trabalhista, você acaba trazendo cliente pro empresarial.

Exatamente. É, mas é justamente isso que eu, que eu prego muito, né? Não adianta eu ser um generalista das empresas, eu falar de Direito Societário, falar de Tributário, falar disso, falar daquilo. Pode até funcionar, mas não toca tanto na dor quanto se eu ficar enfiando o dedo na ferida ali, ó, todo dia, porque eu sei que se eu fizer um carrossel falando sobre um custo que você vai ter porque você não fez uma prevenção na sua empresa e mandar ele, subir ele 9:00 da noite num sábado, eu sei que isso aí vai ter pelo menos 60.000 visualizações, e ali eu vou conseguir algum cliente, entendeu?

E consegue mesmo, porque no final das contas…

Eles me veem especialista no seu conteúdo, né?

Às vezes o cara começa a ver teu conteúdo e aí você bate sempre na mesma tecla, e o cara não precisa até ele precisar.

Até ele precisar.

É, e se você tem essa constância, justamente vai falar: “Puts, é aquele cara lá do Instagram, qual é o nome mesmo?”, né? Ele começa a procurar, acha, e pode te mandar um, virar um lead.

Sim.

Atende o Brasil inteiro?

Brasil todo, Brasil todo. Hoje a gente tá presente em 14 estados.

E aí nos outros estados e tudo mais, você vai com correspondente.

É, na verdade, até nesses estados a gente vai com correspondente em caso de audiência online, tá? Mas eu tenho cliente já em 14…

Você tem correspondente em, em audiência online?

Na audiência online, na verdade a gente acaba usando os advogados do escritório-sede, né? Mas quando é em outro estado e é presencial, eu acabo usando uma, uma rede de correspondentes que já são previamente cadastradas no escritório. Então eu conheço a pessoa, sei como é que funciona o trabalho, não é uma pessoa aleatória, e aí eu uso essa pessoa para poder sempre representar o escritório, entendeu?

Top! E aí vamos entrar agora na parte legal, parte legal, [risadas] a parte triste, cara. Eh a gente já deu um spoiler aqui no começo: eh tínhamos uma lei trabalhista que sempre favorecia o empregado, até por uma lei trabalhista sobre a CLT meio paternalista, né, que eu acho que sinceramente eu não sou 100% contra a CLT, ainda mais no momento em que ela foi criada, anos e anos atrás, lá pros anos 60, se eu não me engano.

É, ela foi criada muito próximo do final da Segunda Guerra, né? Foi pelo Getúlio Vargas, a carta inspirada na Carta del Lavoro do Mussolini e tal. Então é, é uma lei de que se você for avaliar hoje, logo de cara, é uma lei controversa.

E aí quando você começa a analisar isso, pô, querendo ou não, quando você tem uma, talvez uma lei dessa numa África funcionaria bem ainda, porque é uma coisa bem primitiva de que tem gente de fato sendo escrava. “Ah, mas tem escravo, tem trabalho escravo no Brasil”. E o Brasil não é São Paulo, tudo bem, mas ainda assim o Brasil, mesmo sendo uma terra continental, e com certeza ninguém sabe o que acontece, com anomalias absurdas aqui em São Paulo já vi coisa absurda, então imagina nos rincões do Brasil. Então acho que sim, precisa ter uma CLT e um Direito Trabalhista que proteja um povo que a gente tem que é um povo ignorante, infelizmente é um povo com baixa instrução. Então é necessário ter. O que eu acho que a gente precisa ter é uma eh imparcialidade de fato, eu acho.

Eu, eu penso diferente de você: eu acho que a gente devia ter o direito de escolha, se o cara quer ser CLT, ele vai ser regido pela CLT; agora, se o cara quer trabalhar e não ter os direitos da CLT, mas poder ganhar mais, ele também tem que ter o direito dele.

A pejotização que o próprio livre mercado tem trazido.

Exatamente, só que ainda assim na pejotização a gente tá tendo problema trabalhista, porque o cara, o cara aceita todos os termos do contrato porque para ele ele vai ganhar mais, ele vai ficar melhor, mas no final das contas ele fala assim: “Ah, não, ó, eu quero meu Fundo de Garantia, meu esmola-desemprego, meu isso, meu aquilo”, e pronto, aí vira uma zona. É impressionante isso aí!

Esse é o problema, entendeu? Não dá para confiar na palavra dos caras. Então o direito de escolher deveria ser respeitado, só que ao mesmo tempo, meu, chegou para processar querendo o direito do CLT, “Ah, você escolheu o quê?”. “Ah, eu escolhi isso”. “Beleza, você não vai ser tratado como um bobinho que não sabia o que você podia escolher. Você assinou um contrato, então, meu filho, você vai ser regido por esses contratos”.

Eu já tomei um. O meu primeiro processo trabalhista foi exatamente isso: a gente tinha uma agência de, uma agência de marketing, e a nossa designer, que ganhava bem, ficou dois anos com a gente. Eu lembro que a gente contratou ela logo no comecinho da empresa, eh e a gente tava ainda sem muito dinheiro em caixa, aí nós contratamos todo mundo PJ. Só que já sabendo dos riscos trabalhistas, em determinado momento eu falava com os meus sócios: “Assim que a gente tiver melhor de grana, vamos cltizar essa galera”. E chegou o momento da gente cltizar, e começamos a chamar todo mundo, e fizemos ainda um de-para. Então assim: ó, você tá ganhando quanto aqui? Isso 12 anos atrás, se eu não me engano, caraca, eh cara, quanto você tá ganhando aqui? Ah, você tá ganhando líquido porque é o seu PJ, é você tá ganhando líquido aqui 2.800,00. Então, ó, a gente já fez as contas, a gente vai te colocar como CLT, seu salário vai ser 3.400, porque líquido vai sair 2.800. Então a gente criou ainda uma… Vai ter que pagar uns 5.000,00. E ainda mostrava: olha, o meu custo tá indo para cima, eu vou ter… Você vai ter FGTS e tudo mais, e além disso, o seu líquido tá se mantendo. Os que a gente achava que não mereciam, a gente demitiu, mas a grande maioria a gente fez essa transição. Até que essa designer, ela chegou em mim e falou: “Eu já fui empreendedora, eu já tentei ter uma agência, eh eu sei o quanto é difícil, eu tô precisando de dinheiro…”. E, cara, ela foi no meu casamento, ela foi… Dolorida porque ela foi a primeira. “…eu tô precisando de dinheiro, cara. Se você vai me pagar isso, cara, eu sei que você vai gastar X, cara, me transmite esse dinheiro que isso vai me ajudar demais”, e tal, tal, tal, tal, tal, tal. Falei: “Tá”. Aí eu, no final, topamos e falamos: “Não conta para ninguém”, e tal. Apesar de que ninguém dos outros tinham… Era uma empresa pequena, oito pessoas, mas ninguém dos outros tinham pedido, “Mas, ó, só não conta para ninguém para, para também não virar uma festa”. E aí aconteceu o que aconteceu, você já imagina: eh essa menina processou a gente por pejotização e eu tomei 100 conto eh na época. Na época, nossa, R$ 100.000,00, hoje equivalente a meio milhão de reais, fácil, de meia milha. E assim, uma coisa: fui mal assessorado, contratei um grande… Aí eu vou, vou me reservar ao direito de não contar, mas contratei um grande escritório de, de Direito de amigos meus, mas que por ser muito grande, grande assim, estamos falando de 80, 100 funcionários, eh eles acabaram colocando o meu processo num limbo assim de operacional. E hoje, com a experiência de que eu, de que eu tenho, vejo o quanto mal assessorado eu fui, porque no final eles disseram que não tinha o que fazer e tudo mais. Eu lembro que o advogado… Essa frase “não tem o que fazer” é uma das coisas que me mata na minha profissão, cara. Porque vamos lá, eu não sou melhor do que ninguém, não sou melhor do que ninguém, mas quando você é especialista num negócio, você não pode falar pro cara que não tem o que fazer, a menos que realmente não tenha o que fazer.

Ele, ele falou que não tinha o que fazer depois de que não, que já não tinha mesmo o que fazer, e esse cara errado ainda. Por quê? Porque eu lembro de receber a ligação da advogada dela pedindo acordo prévio, hum, para tirar o processo. E eles tinham pedido, cara, eu não vou lembrar, tá, 40.000,00 parcelados em 10 vezes, o que para quem tomou um pau de 100…

É, o que para, o que para mim já era altíssimo: “como assim, tá louco?”, né? E aí eu falei com o meu advogado de que na época ele falou: “Cara, eu não aceitaria porque o risco é baixo, o risco do processo, assim, o, o risco da, da perda é baixo, é bem menos do que isso, acho que você não teria que, que fazer esse acordo pra gente tentar forçar um acordo lá no, no dia”. Tudo bem, e tomamos 100.000,00. Eh a gente, o advogado: “não, já negociou o parcelamento”, aí depois mandou um e-mail pedindo parcelamento, a equipe, eles não responderam, e aí nós fizemos eh follow-up, não responderam. Ele poderia ter entrado pedindo isso e tudo mais. Resumindo: um belo dia sumiu 100.000,00 da nossa conta. Sumiu 100.000,00, famoso Sisbajud. É, sumiu 100.000,00 da nossa conta, era o dinheiro que a gente tinha contado para pagar os funcionários. A gente ficou desesperado, e 100 conto, cara, e na época eu era [ __ ] de grana ainda, então tipo, tava construindo, né? Então, pô, eu lembro disso aí, que foi dolorido demais. E aí tipo, sempre olhei o processo trabalhista como um negócio muito complexo, sabe? Nossa, tem que ter medo.

Hoje nas minhas palestras eu até falo assim: “Quem de que tem menos de 10 funcionários?”. Aí as pessoas levantam a mão. “Vocês que têm menos de 10 funcionários, vocês sonham um dia ter uma empresa de 100 funcionários? Quem sonha levanta a mão”. Um monte de gente levanta a mão. Eu falo assim: “Então não reclame do que você tá pedindo, porque você quer ter uma empresa de 100 funcionários, você vai ter processo trabalhista. Então quando vier o primeiro, não reclama, faz parte”. Eu falo, falo só: você começa a crescer a partir do meu processo trabalhista que você toma, fala. Exato, e você sente antes do processo trabalhista. Apesar de que assim, depois do meu primeiro eu continuei achando que o processo trabalhista seria a morte, porque o meu primeiro me esfolou. Uhum. Mas depois de que você começa a entender do jeito que tem que ser feito, e tá assessorado para alguém bom, eh independente de você perder ou não, é mitigável.

Você quer um exemplo de alguém que foi mal assessorado? Peguei um cliente recentemente que teve uma empregada gestante. Contrataram a mulher… Não, não, não, não! Contrataram a mulher, funcionária lá para trabalhar, e deu uma semana, tá grávida. Beleza, nossa, sem problema, pá, pá, pá. Uma semana de contratado. Uma semana de contratado, viu? Ficou grávida naquela semana, provavelmente ficou, ficou grávida. Aí o que que aconteceu? Beleza, começou a meter um atestado atrás do outro, aquele famoso caso da pessoa que recebe todo mês, mas não trabalha porque vai dando aquele negócio de atestados de CID diferente. Esse negócio já vai acabar, tá, na minha opinião, vai falar disso aí também, atestado. Deu o atestado por um ano, tá? Até, até o bebê fazer 5 meses, ela ficou dando atestado. Terminou a estabilidade gravídica dela, mandaram ela embora. Aí passou o período do aviso prévio, ela: “Ó, tô grávida de novo”. Só que ela tava, ela ficou grávida na projeção do aviso, e aí o advogado da pessoa falou… Projeção do aviso prévio. Então tipo, ó, entre esses, nesses 30 dias depois de que ela foi mandada embora, ela ficou grávida dentro desse período, e ela ficando grávida nesse período, ela teria que ser reintegrada. Teria, teria, teria. Só que aí o advogado falou exatamente isso: reintegra, é, reintegra ela, e eles reintegraram. Eu não falaria isso, eu falaria assim: “Não, não reintegra para ela entrar com o processo, vocês vão ter que pagar a mesma coisa”. Ah, 3 dias é R$ 89,00. E cara, é isso, o valor que se vende a porra do atestado: o cara vendendo um atestado de três dias por R$ 89,00. Mano, que loucura, cara! Sabe o que é pior? Eu já vi anúncio de clínica tipo essa — não de algumas clínicas aí —, falando assim: “Não leve falta no trabalho, agende uma web consulta aqui assim, assim, assado”, sabe? Eu discuti com uma clínica isso aí, e essa aí ainda é uma consulta de verdade. Esses aí que a gente tá falando é de comprar realmente o atestado. Eu falo que toda demissão por justa causa é uma responsabilidade enorme pro meu escritório e pra pessoa que tá fazendo. Por quê? Porque toda demissão por justa causa vai gerar uma animosidade. O cara não vai ficar feliz. “Ah, fui demitido por justa causa, perdi maior grana, saí com a mão na frente e outra atrás, ah, recebi R$ 1.000,00, e se eu fosse sem justa causa, era para receber 20”, entendeu? Todos os benefícios da CLT não vão. É, exatamente. E aí nessas eu concordo que acaba sendo pedagógico, o cara vai aprender, talvez, né? Mas toda demissão por justa causa vai gerar um passivo trabalhista.

Seguraram a mulher dois anos. E aí me chamaram, falaram assim: “Ó, tô com esse problema aqui”. Falei: “Gente, não deixa ela nem voltar pro trabalho, deixa eu ver se ela vai voltar ou não”. Ela ficou um mês sem vir. Falei assim: “Ó, ficou um mês sem vir, vou mandar o telegrama para ela para poder demitir por justa causa”. Exato, não precisa de nada para demitir por justa causa. Mandei o telegrama, não respondeu, não apareceu na empresa, rodamos a demissão por justa causa. Aí entra aquele negócio de que eu falei até no meu Instagram: dificulte a vida do seu funcionário, crie provas. Exatamente. A gente vai fazer o quê: em vez de a gente pagar direto no Pix dela, vamos entrar com uma ação de consignação em pagamento, então se ela quiser receber, ela busca o advogado lá e pega o dinheiro na Justiça, porque ela sumiu, ela não responde mensagem, ela não responde, literalmente uma má-fé. Então, velho, vai atrás da Justiça lá, e parece assim que a gente tá falando essas coisas, parece assim: ah, não, pô, a gente tá falando de coisas eh esporádicas, não é esporádico. Pelo amor de Deus, o que, o que tem de gente que tem problema com gestante, cara, é impressionante.

Eu nunca tive, acredita, cara?

É impressionante! Você, graças a Deus, não teve, mas assim, eh acho que 25% a 30% dos funcionários, dos empresários de que eu pego têm problema com gestante.

É, eu já tive gente gestando, mas assim, super, foi tranquilo. Era, tem gente que é super do bem, mas tem gente que é, que tem, vai na fé mesmo, cara. Tem gente que vai na fé.

E, cara, como que você vê, e aí é uma pergunta que eu já quero entrar, que eu considero um grande câncer hoje do nosso país, como que você vê e o que que você espera do futuro, se tem alguma, alguma projeção, talvez de esperança, uma luz no fim do túnel pra gente na questão dos atestados? Porque assim, é fato que atestado se compra sim de forma até tão indiscriminada que dá para você comprar na internet, escolhendo que um dia é X, 2 dias é X, ah, 3 dias é R$ 89,00. Cara, é isso, o valor que se vende a porra do atestado, o cara vendendo um atestado de três dias por R$ 89,00, meu irmão, que loucura, cara!

Sabe o que é pior? Eu já vi anúncio de clínica tipo essa — não de algumas clínicas aí —, falando assim: “Não leve falta no trabalho, agende uma web consulta aqui assim, assim, assado”, sabe? Eu discuti com uma clínica isso aí, e essa aí ainda é uma consulta de verdade. Esses aí que a gente tá falando é de comprar realmente o atestado.

Exato, mas eu, eu discuti esses dias com uma clínica porque ela tava falando: “Telemedicina com atestado”, e aí, e eu peguei e expus os caras. Fiz, fiz, coloquei no story, falei: “Meu, olha isso”, aí eles: “Você tá sendo leviano”, tal, tal, tal, tal, tal. Falei: “Meu, leviano tão sendo vocês mesmos. A gente diz de que a pessoa tem que passar por consulta e atestado, né?”. Meu irmão, é muito fácil eh conseguir um atestado de um dia com vocês, porque se eu chegar e falar que eu tô com uma dor de cabeça, que eu não tô conseguindo abrir o olho na telemedicina, você vai me dar um atestado de um dia. Você não precisa me examinar, você não precisa me examinar. Então no final, por que que você coloca “com atestado”? Porque justamente você tá tentando atrair os espertões, o lead do esperto. O lead do esperto. Então vai se ferrar, para de hipocrisia, porque você tá sendo otária. E isso aí virou o grande, o grande problema. Por quê? Porque você não consegue… E sabe qual é o pior: não é nem atestado falso nessa porra. É, é verdade. É atestado falso… O meu sogro trabalhou numa grande empresa lá no Rio Grande do Norte, em Natal, e ele chegou um dia que ele mandou 25 pessoas embora por justa causa porque tinha uma empresa que vendia atestado tipo a duas quadras ali da, do, da empresa, era um quiosquinho ali, vendia atestado. Os caras tava todo mundo comprando atestado no mesmo lugar, 25 pessoas ao mesmo tempo.

Cara, eu tenho uma, uma máxima lá no escritório, que a gente costuma demitir uma pessoa por justa causa nos primeiros dois meses de, de assessoria, sempre vai alguém, mano, sempre vai alguém.

Cara, justa causa… Eu dei poucos justas, justas, justas justa causas, não, justas causas. Justas causas. Eh, já vou até colocar aqui também, e, e é um assunto que eu quero falar de justa causa também sobre, sobre isso, porque todas as vezes de que eu pude, eu preferi não dar, pagando o direito inclusive para evitar problema. Mas de últimos tempos para cá, é uma coisa de que é, é de se avaliar. Eh, mas enfim, sobre os atestados, e aí, qual é a projeção pra gente, cara?

É assim, é, é você ter um setor especializado nisso, pegar o RH e botar eles para checarem os atestados, ver se é de verdade ou não, porque se for de verdade não tem o que fazer.

Mas se for de verdade como? Porque se o atestado for verdadeiro, se você conferir, o médico existe, o CRM tá certo, o, a clínica tava aberta, o médico tava lá nesse dia… E a gente pode entrar nesses médicos de falar o seguinte: “Ó, clínica, oi, oi, tô te ligando. Hoje um, ontem um funcionário meu esteve aí às 8h da manhã, você pode me passar a relação dos médicos que estavam atendendo?”. Pode, pode. Porque fica muito fácil, “falar o Antônio tava”, ela vai falar: “tava”. A UBS, inclusive, normalmente manda um relatório para você de que o atestado é falso, caso ele, caso ele não seja verdadeiro, entendeu? Então eu já consegui fazer isso algumas vezes com alguns clientes meus, da gente ir atrás da UBS, e a UBS trazer pra gente um, um, uma resposta assinada, tal: “ó, esse médico não trabalhou aqui esse dia”, e tal, e manda pra gente.

Mas isso resolve o atestado falso.

Resolve o atestado falso.

Mas existem atestados verdadeiros, mas que de fato são mentirosos. É assim: tô com atestado verdadeiro, assinado por um médico, um CRM, etc., mas o médico não trabalhou na clínica aquele dia, como que eu me defendo?

Aí é, aí você tem que ver, e a, essa, essa questão… Porque querendo ou não, dessa forma que você falou, ainda, ainda é um atestado falso. Agora o que que a gente já conseguiu ver: algumas decisões da Justiça do Trabalho, como ela pensa: atestado dado sempre no mesmo dia, por motivos parecidos, e por exemplo, ah, meu, todo… Na segunda-feira sempre, ou na sexta-feira…

Ou na sexta-feira ou na segunda, tal.

…você consegue mandar a pessoa embora porque você percebe um padrão, entendeu?

Mesmo sendo atestados originais?

Mesmo sendo atestados verdadeiros, exato. Já teve empresas que manten-, já teve juízes que mantiveram a justa causa de empresas, né, por conta de atestados dados ali mais ou menos sempre na mesma…

Mas a justa causa foi mediante a isso?

Uhum, uhum. Então a gente vê uma luz no fim do túnel aí.

É. Tá, podemos falar de luz no fim do túnel. Sim, só que o que que eu acho que resolveria…

Depende do juiz.

Não, o que que eu acho que resolveria: é não ter que depender mais de CIDs iguais. “Ah, meu, qualquer CID… Eu tive dor de cabeça um dia, fiquei afastado sete dias. Tive eh dor nas costas, mais sete dias. Passou outro dia, eu tive febre, fiquei dois”. Beleza, vai pro INSS, meu amigo, porque ninguém quer receber o do INSS, ninguém quer ficar na fila do INSS.

Mas para ir no INSS você precisa ter no mínimo 10 dias… Passar de 15 dias nos últimos 60.

Ah, 15 dias. Ah, mas ainda assim, [ __ ]. Então, mas 15 dias nos últimos 60 do mesmo é muito mais difícil, tem que ser de qualquer CID, meu amigo. Você aparecer com ressaca…

Mas eu consigo através de… Da lei, CIDs aleatórios, se o cara dá… Se a lei mudar assim.

Se a lei mudar assim, hoje não. Hoje não. Hoje não, entendeu?

Que loucura, cara!

Hoje tem que ser o mesmo CID aí, velho. Quem vai ter dor de cabeça sempre é os cara… O cara sabe, né? O cara sabe, até eu, que sou mais bobo.

Caraca, cara! Então, então, mas então é importante o RH fazer esse trabalho e ficar em cima e tudo mais?

Cara, às vezes deixar o estagiário de RH só para fazer isso, chegar de fato, porque isso traz um recado importante pra equipe: “Claro, nós vamos atrás”. Claro, entendeu? Tem um, outra coisa que evita muito o processo trabalhista: ter um regulamento interno, você saber, você mostrar quais são as regras para a sua equipe, quais são as regras da empresa, o que que eu admito, o que que eu não admito fazer na minha empresa. Porque se eu tenho a regra, eu jogo com ela debaixo do braço, falo assim: “Meu, ó, você não pode…”.

Todos têm que assinar na, na admissão.

Todo mundo tem que assinar na admissão ou quando for apresentado o regulamento interno. O que que eu costumo fazer pros meus empresários aqui do, da Grande São Paulo: fazemos o regulamento interno, legal, tá pronto, tá aprovado, a gente vai lá e apresenta, apresenta para todo mundo, funcionários atuais. A gente pega… Já fiz até isso com empresa no Paraná, ah, eu fiz online, a gente, todo mundo senta ali como se fosse uma reunião, uma, uma, um, uma palestra, e eu apresento: “Ó, gente, o regimento interno é assim, assim, funciona assado. A gente vai ter regras falando sobre isso, sobre isso, o que que não pode é isso, isso, isso. Como que a gente bate o ponto? Desse, desse, desse jeito”, porque se você não falar como as coisas têm que ser feitas, você não pode esperar o resultado, né? Exato.

E todo mundo de acordo?

Sim.

Todo mundo assinou?

Sim.

Aí aquilo lá passa a ser, vale, vale como regra.

Vira lei dentro da empresa, entendeu?

Legal, isso aí é um… A gente tem o regulamento lá, mas isso é importante como dica. E assim, regulamento hoje em dia, cara, se você é muito pequenininho, tá difícil contratar um advogado, custa caro, etc., que não é caro, né? Mas vamos falar que, cara, faz o regulamento interno no ChatGPT. Entendeu? E aí pede…

[risadas]

Não, mas assim, eu tô falando do pro minúsculo, pro cara… Tá entendendo o que eu tô falando? Porque aí depois você melhora, aí, putz, começou a crescer um pouquinho, aí tá tendo uma quantidade de funcionários de que vale a pena você fazer um processo de prevenção bacana, aí pelo menos você já tem as coisas feitas, você pode criar uma versão 2.0 com o advogado validando o seu, o seu, o seu…

Usando a convenção coletiva, fazendo uso da CLT ali, sempre olhar a, a convenção.

Agora entrando em pejotização, hum, eh eu sou a favor, [risadas] super a favor, até porque se fosse, se fosse isso, eh teria um monte de americano vindo procurar emprego no Brasil. Eh lá nos Estados Unidos a gente pode escolher ter dois, três empregos. Eu vendo horas, eu posso escolher: ó, para você eu vou trabalhar das 8h às 10h, tá, e na loja do lado… Então você consegue dividir, você consegue fazer as, as, a, os acordos com advogado lá, trabalha por hora.

É, então você consegue fazer os acordos como bem entender, e no final das contas você dá a liberdade pro ser humano escolher o que é melhor para ele. Se o cara quer trabalhar 24 por 24 por 24 horas por dia, boa sorte. Às vezes é necessário desequilibrar para equilibrar, para você crescer. Empreendedor faz muito isso: trabalha que nem louco para poder dar uma descansada lá na frente, tal, conseguir fazer isso enquanto tem energia. E aí você na CLT, aqui no Brasil, você não pode, não pode. É, você tem um paisão que é o governo que não deixa você fazer um monte de coisas, mas na hora de tomar a parte dele, ele tá sempre ali, entendeu?

E que toma forte!

Toma forte, toma forte. O, o é justamente isso. Eu sou a favorzaço da, da pejotização, né? Eu acredito de que o que fica, o que é combinado não sai caro.

Não sai caro.

Esses caras que falam: “Ah, não, se não fosse a CLT, a gente ia ter escravidão ainda”, pelo amor de Deus, cara! O cara, os caras que falam isso, eles não entendem o mínimo de oferta e demanda. E outra: mantém a CLT, como você falou.

Exato, mantém, fica. Você quer ficar nessa regra? Eu não quero, eu não sei se eu vou ser escravizado, eu não sei se eu vou ser, tá? Eu falo: eu quero CLT, OK.

Bom, exato. E aí é bom a pessoa ter o direito de escolher, cara. Hoje você não tem o direito de escolher, e até se você tem o direito de escolher, você ainda pode ferrar o outro. E que no final das contas, toda pessoa que tem o direito de escolher escolhe a pejotização, a grandissíssima maioria, porque é muito mais vantajoso.

É porque você tem, você tem acesso ao seu FGTS antecipado para fazer o que bem entender com isso, você tem acesso ao seu… Eh o INSS, se você paga, é, se você quiser pagar do jeito que você quiser pagar, você tem acesso ao 13º antecipado, porque no final das contas não existe 13º e férias. CLT lá de janeiro a dezembro, eu ganho um salário, não existe. A gente acha que existiu na, logo que inventaram o 13º existiu, depois não existiu mais, cara. Os caras, se o mercado se regula, é a mesma coisa da escala 6×1. Vai existir logo de cara, mas vai ciclar. Todo mundo vai ciclar e daqui a pouco, se a, a mão invisível do mercado vai estruturar. Não é, pensa o seguinte: tudo que se faz que vai em desencontro à natureza humana não funciona, então não é, você não vai forçar ninguém a fazer nada. É igual taxar riqueza: “Ah, eu vou taxar riqueza”, os ricos vão embora, você tá levando a geração de empregos para outros lugares, não adianta, cara, não adianta. Então o que você tem que fazer: tem que incentivar quem gira a economia a estar. E a trabalhista não faz isso.

Outra coisa de que eu acho interessante, o pessoal fala muito: “Ah, não, mas a gente tem que proteger a indústria aqui dentro”. Beleza, eu até acredito que deva proteger algumas empresas aqui dentro, só que você também tem que fomentar essas empresas, você não pode deixar os caras, por exemplo, não adianta eu botar um, uma Gurgel, vamos dizer assim, para competir com a Chery, que tá vindo pro, tá vindo com subsídio para caramba de fora, e, e agora a gente não tem indústria nacional de carro que, que seja nossa, entendeu? A gente não produz tudo aqui, a maioria das coisas vem de fora e a gente monta aqui dentro. A gente virou um, um, um país de montadoras, que o nome é montadora, não é fábrica, é uma montadora.

Mas os caras falam “fabricado no Brasil”, bota aquele adesivão assim “fabricado”. Fabricado aonde, mano? E, e isso é uma coisa de que se você parar para analisar, até parafuso, até a própria BYD, que tem acordo com o governo, tá sofrendo consequências gigantescas com, com o trabalhista nas fábricas lá, da BYD.

O sabor do, o sabor do Brasil, né?

[risadas]

E, mas pensando nessa pejotização, a gente já concordou que é um, um tema importante. Eh hoje, quando você vai em alguns mercados, por exemplo, a, o mercado de dev, de programação, praticamente eh as PMEs já trabalham todos com PJs, né? Eh tirando as grandes corporações, um Itaú da vida contratando um dev lá, provavelmente é CLT. Mas quando você vê esse dev de pequenas e médias empresas, ele já prefere PJ, já é meio que padronizado na cabeça deles, e mais, muitas vezes eles prestam serviço para empresas de fora também no regime. Uhum. E de um tempo para cá, o STF tem pacificado algumas relações com o ST-, com, sobre PJ. Até travou aquilo, e depois voltou atrás. Qual é a, qual é o status atual? E a gente tem esperanças de que haja uma flexibilidade, porque o STF tem julgado alguns casos com má-fé do trabalhador, que aceitou as condições e depois falou que não, né, fazendo o seguinte: posso até condenar a empresa, mas você também vai sofrer todas as consequências da cltização.

Exatamente, exatamente. Eu, eu acho que nesse ponto o STF tem agido muito assertivamente, porque o TST, ele é retrógrado. O TST matou a reforma trabalhista. O TST, na verdade, ele é progressista. Ele é extremamente progressista, extremamente progressista, e aí o que que acontece: o STF vem com uma vanguarda de que tipo, ó, o negociado é o negociado, entendeu? E a gente teve um parecer muito legal que dá um horizonte pra gente pensar, pô, acho que vai dar certo essa questão da pejotização, foi porque a Procuradoria-Geral da República se manifestou a favor, falou: “Ó, o que é negociado é negociado”, entendeu? Então eu acredito ainda, né, que eu, eu sou brasileiro, né, acreditei, tenho fé até o final de que uma hora vai sair, entendeu? Que uma hora vai sair, que a gente vai poder contratar PJ e o PJ, se ele quiser entrar na Justiça do Trabalho, ele vai ter que entrar primeiro na Justiça Comum, que vai demorar 3, 4 anos para resolver, para depois entrar na Justiça do Trabalho, entendeu?

Isso, e aí aquela questão: qual é o salário de mercado na CLT? 3.000. Quanto você ganhava na PJ? Sete. Sete. Então, meu irmão, você tava de acordo? Você tava de acordo. Agora, qual é o salário de um cara desse no mercado X3 na CLT? Quando você ganhava três? Aí vale a discussão. “Ah, mas eu tinha… E mas eu tinha liberdade de horário, tinha isso, podia trabalhar quat-…”, tem que ter requisito, tô falando no PJ cumprindo ex-. Não, tem que ter, tem que ter os requisitos realmente objetivos. Hoje a gente fala no SHOP, né, que são a subordinação, habitualidade, onerosidade e pessoalidade. Então a subordinação é um dos mais fáceis de quebrar, é não ter chefe, é não ter a quem você prestar contas. Pô, entreguei meu serviço, o máximo que você pode fazer é revisar e me pedir para fazer alterações. Acabou. Habitualidade: pô, habitualidade é difícil. Uma vez por mês é habitual, é. Uma vez por semana é também, é. Então não tem muito como quebrar isso aqui. Onerosidade: só trabalho voluntário quebra onerosidade, ou pagamentos diferentes, mas aí tem gente que diverge. E pessoalidade também é fácil de quebrar: o cara pode mandar alguém substituir ele? A maioria das vezes pode, pode subcontratar alguém? Pode, então fechou, entendeu?

Vou ser, vou, vou falar uma coisa que é a minha opinião: eu não concordo com esses termos, porque no final das contas, se eu quero contratar um funcionário no regime de PJ, ele tem que ter esse direito de topar. Sim, porque eu… Concordo com você. Os meus clientes são meus chefes, sim. Ah, eu não posso, eu não posso ser subordinado a um cliente, amigão? Se tá, se tá com, se tá combinado, sim, eu sou subordinado a ele. Claro, não é uma relação de subordinação idiota, né, cega, de que eu preciso cumprir com coisas que não estão nos termos. Mas se tá nos termos, eu preciso sim eh ser subordinado a ele. Se na nossa negociação ele combinou que ele… Por exemplo, se eu tô negociando com você alguma coisa, eu falo: “Ó, eh você vai contratar a consultoria do Além do CNPJ, e eu vou estar aqui agora, eu vou, eu vou falar: ó, amigão, não vai ser mais eu, vai ser outro, um amigo meu, um funcionário meu”. Aí eu mando um cara que às vezes tem uma baita experiência, mas que não sou eu. Tem uma pessoalidade envolvida numa negociação comercial, dependendo de quem você queira. Eh então, meu irmão, deveria também eh… Eu acredito que se fosse para para colocar logo o PJ para valer, é meio que padrão americano mesmo, que é: o combinado não sai caro, vai ser você, OK, cara? Ó, você vai prestar contas para mim porque você vai desempenhar uma função de que eu poderia, eu poderia estar colocando aqui um funcionário CLT, estou colocando você, então você vai ter que ser subordinado. Você vai vir aqui segunda, terça e quarta, OK? Todo dia, OK. Qual horário, mais ou menos? Cara, tem que combinar, porque se eu falar pro meu cliente que eu vou começar a trabalhar, eu vou chegar em tal horário, eu preciso ter ter esse combinado. É o que eu acho, porque você traz 100% da autonomia para ambas as partes, sim, né? Você como advogado com certeza tem as suas opiniões, né?

Não, eu, eu concordo com você, eu acho que as pessoas realmente deviam ter o direito de escolher e mudar a hora de que elas quisessem: “Pô, ó, passou seis meses, acabou o prazo do meu contrato. Pô, não gostei, eu queria ser CLT, dá pra gente fazer?”. “Ah, não, não dá”. “Ah, não, dá sim, beleza, vamos mudar”.

Vamos fazer um aditamento. “Quarta-feira eu vou ter que levar minha filha na escola, fica difícil. Vamos deixar quarta-feira home office ou quarta-feira eu não trabalho, ou vamos mudar o horário, vamos mudar o valor”, como qualquer coisa. Em vez de trabalhar oito, eu trabalho 16 horas, o que eu também poderia fazer.

Exato, e vou embora, então no final das contas eu acho que a gente teria que ter essa, esse pej-, essa pejotização realmente definida, porque se foi definido, acabou. Mas para isso você tem que quebrar muitos paradigmas. Não dá, no Brasil aí eu olho para o horizonte, vejo que não funciona.

É, não funciona. E aí agora eu entro na justa causa, hum. Eh vou contar um caso: um funcionário nosso, eh a gente, a gente colocou um cartão de ponto de que o cara pudesse bater o cartão na obra, né, porque eu trabalho com construção civil, até que a gente começou a ver que o lugar que ele tava batendo o cartão não era nem na obra, nem na casa dele, porque às vezes para ele voltar para a casa era o trajeto necessário de que voltasse pra empresa, então a gente combinava: pode chegar na tua casa e bater o cartão. Só que por acaso as minhas equipes sempre trabalham no mínimo em dupla ou trio, então eu consigo fazer um comparativo do dia de quem estava com quem e fazer uma, uma comparação, até que… E a gente nunca olhou isso porque a gente sempre confiava assim, de ficar abrindo foto, olhar a localização, até que um funcionário meu, eh a gente começou a ver que ele batia sempre num determinado lugar, e por acaso a rua em que ele batia era o nome da casa de noturna de prostituição, que era a Dita Cuja. Então, por exemplo, eh Avenida Justino, a casa lá era o Justino, e eles ficavam: “Vamos no Justino, vamos no Justino”. Tô dando um exemplo aqui para não ficar claro a, a realidade, né? Na construção civil ainda, quando os caras recebem salário, eles iam pro Justino, só que esse rapaz batia cartão todo dia no Justino, todo dia.

[risadas]

Todo dia! Assim, para não falar todo dia, ele batia… O cara tinha cartão fidelidade. Dos 20 dias úteis, ele batia 12 dias úteis lá na saída, eh e situações algumas assim bruscas de eh o, a equipe dele bater 18h, 19h, e ele bater 22h na casa dele sem camisa, com o guarda-roupa de fundo, porque é obrigatório tirar foto. Eu acho que inicialmente ele, você olha lá no comecinho quando ele começou, quando a gente fez a investigação, ele começava a bater na casa dele, mas com uma parede branca e uniforme, só que depois de meses e meses e meses fazendo isso, o bandido sempre deixou… Ajou que ninguém olhava. Uma hora ele perdeu a mão. E quando nós vimos isso, nós demitimos por justa causa, e não tinha o que falar, não tinha simplesmente o que falar, sendo que até na justa causa tá falando de casa noturna e coisa do tipo. Foi a única justa causa que eu apliquei, justamente para evitar problema de eh processo trabalhista. Alguns amigos meus, se o cara deu o mínimo de mancada, preferem demitir por justa causa porque diz: “Vou ter que pagar de qualquer jeito, que eu pague na Justiça”. É… Qual é a tua opinião?

Cara, eu, eu tenho uma opinião muito parecida com a sua, mas assim, essa dos seus amigos também não está errada. Eu falo que toda demissão por justa causa é uma responsabilidade enorme pro meu escritório e pra pessoa que tá fazendo, por quê? Porque toda demissão por justa causa vai gerar uma animosidade. O cara não vai ficar feliz: “Ah, fui demitido por justa causa, perdi maior grana, saí com a mão na frente e outra atrás, ah, recebi R$ 1.000,00, e se eu fosse sem justa causa, era para receber 20”, entendeu? Todos os benefícios da CLT não vão. É, exatamente. E aí nessas eu concordo que acaba sendo pedagógico, o cara vai aprender, talvez, né? Mas toda demissão por justa causa vai gerar um passivo trabalhista, então o cara vai entrar na Justiça.

O cara vai… Já viu alguma justa causa que o cara não foi no processo?

Ah, bem poucas, já vi.

Eu já vi, as duas últimas que eu dei, de atestado falso, ainda não viraram processos trabalhistas, que era uns caras que tava tipo 10 anos na empresa e aí deram essa vacilada, e ainda tomaram um criminal na cabeça para ficar esperto.

Esse também não. Mas é porque assim, cara, era, não tinha o que fazer, eu tinha, tava lotado de prova até a cabeça. Eu falo, o advogado trabalhista reclamante, ele também tem a má intenção dele, mas quando ele vê que o negócio é muito descarado, aí normalmente não era para ele fazer, às vezes faz, mas não era para ele fazer. Então eu falo que se você não quer ter a dor de cabeça de numa audiência, de contratar um advogado, de passar pelo estresse de um processo, não demite por justa causa, manda o cara embora normal, paga tudo certinho e espera, porque às vezes o cara pode ainda te processar. Mas se você não tá nem aí para isso, meu amigo, você já tá acostumado, já foi no fórum várias vezes, paga certinho, você paga extra, paga certinho tudo dentro de folha e tudo mais, pensa que a rescisão que você vai ter que pagar é a rescisão que você vai pagar na justa causa também, com os ajustes.

Exatamente, exatamente. O cara pode pedir uma coisa a mais ou outra, lá se discute, faz acordos e tudo mais, então se for para pagar, paga na, na Justiça. Se o cara te ferrou, faça isso, e vou usar o “dificulte a vida dele”. Dificulte a vida dele, e mais: o pedagógico. Pensa o seguinte: o cara deu mancada comigo, me deixou na mão várias vezes, eu tentei várias vezes conversar com o cara, não adiantou e tudo mais, aí eu vou fazer isso pedagogicamente para ver se ele aprende a lição. Amigão, eu quero que você se dane, você não tava nem aí para mim.

[ __ ].

Porém, é pedagógico muitas vezes uma demissão por justa causa para um cara desse na sua empresa.

Exato.

Porque existe o seguinte: ah, não pode divulgar como que foi o processo e tudo mais, a rádio peão… A rádio peão. E você muitas vezes se conecta, a rádio peão você chega lá em uma pessoa, fala: “Não fala que eu te falei, uma pessoa de confiança, mas espalha essa porra”. Isso, isso, isso, isso. “Acabou, tal pessoa foi demitida porque tava fraudando o cartão de ponto, você tem que ver o que aconteceu”. Aí nós fizemos uma reunião e dissemos que agora a nossa equipe de, de advogados estão avaliando todo o cartão de ponto, fazendo auditoria. Acabou o problema. Gente chegando 5:00 da tarde em casa. Acabou o problema. E eu não falei que a gente demitiu alguém por justa causa por causa de fraude, mas eu fiz isso, caí na rádio peão, e quando eu falei como empresa, [ __ ], tô falando coisa, tô falando demais aqui, mas é real. É… E como eu falei com a minha empresa, eu passei um recado educativo, por isso que a didática, a didática não, a o fator educativo funciona para quem fica também.

Funciona demais, funciona.

É, eu, eu gosto, eu gosto da justa causa, eu acho que é uma coisa que você tem que saber usar, mas dá para você fazer sem ser revertido. Muita gente fala: “Ah, não, eu não vou dar justa causa porque vai ser revertido na Justiça”. Não, vai ser revertido se você fizer cagada, se a pessoa tá dando mancada e você não foi emocionado…

Uhum.

…e não já agir com impulsividade, se montar a cama. E quando eu falo montando a cama, parece que a gente tá falando assim: eu estou fazendo algo para ferrar, armando. Não, muito pelo contrário, na verdade você tá fazendo o quê: você tá dando corda para alguém que está agindo na má-fé contra você, e nessa corda você coleta dados, provas, para que justamente numa demissão por justa causa você esteja respaldado contra um processo.

E para quem, e para quem quer dicas de como pode demitir sem justa-, por justa causa sem ter muito problema, normalmente é: três advertências, três suspensões, uma justa causa, acabou, acabou, acabou. Normalmente o que a Justiça mais aceita é isso aí, dá até para ser menos, mas esse aí é o mais seguro. Você fez três advertências, suspensão, suspensão, suspensão, pum, suspensão de 1, 3 e 5 dias, acabou.

E, cara, você vai, e as pessoas que a gente já aplicou a advertência e suspensão — aplicamos uma suspensão só na nossa, na nossa vida —, os caras já se ligam.

Vou achar nada, aqui eu não vou achar nada, porque hoje acontece muito também do funcionário que quer sair, não quer pedir e não quer fazer acordo porque ele quer que você… Porque se ele faz acordo, as empresas podem até fazer acordo com ele, só que vai pedir a multa de volta, aí o cara fala: ainda corre o risco enorme de não receber essa multa de volta e também de se ferrar no, se ferrar. O que o cara fala: vou começar a fazer corpo mole, e aí você começa justamente com, ainda mais com um regulamento, né, aplicar a, a… Ele fala: aqui eu não vou me criar, e aí o cara prefere sair. Tem um colega meu que tem uma grande oficina lá no, lá no ABC, que ele faz exatamente isso, meu: o cara começou a fazer corpo mole, meu, vai tomar advertência até por beber água, velho, e você consegue encontrar porque você abre, você abre vários precedentes se o cara tá fazendo sem querer. Mas quando você percebe que o cara tá fazendo para te ferrar, você vai na mesma moeda e você demonstra um poder, inclusive isso aí é As 48 Leis do Poder, você demonstra um poder perante a tua equipe para, e um recado para todo mundo de que é tolerância zero. Tolerância zero para espertão é importante para caramba, meu irmão!

Finalizamos praticamente, baita de um papo. Já tô, já tô com vontade de colocar aqui alguns exemplos também que aconteceram lá, porque foram legais, mas antes da gente finalizar, eu vou agradecer daqui a pouquinho o patrocinador, me conta um pouquinho de como funciona… Eh me conta um caso bizarro aí, alguma coisa que, que foi assim de te dar dó mesmo, sei lá, que envolva Bolsa Família, algum caso que você já tenha visto, dá um overview pra gente aí de alguma coisa que é de chorar.

Cara, é esse, esse eu tenho dois casos legais, mas acho que um deles é o, é o melhor de todos. Tem uma empresa em Osasco que contratou a gente por conta de um processo trabalhista que eles estavam tomando. Demitiram a mulher. A mulher era contratada sem registro, ela roubou em torno aí de R$ 40, R$ 50.000,00 na empresa, porque o que que ela fazia: era uma empresa de alimentação e aí ela… Eles chama-, a pessoa chegava, ela passava o Pix dela…

Nossa!

…e, ou pedia pelo WhatsApp, ela passava o Pix dela, eles pagavam, e ela entregava o pedido, e ela mandar entregar o pedido. E, e nessa aí, meu, foi mais de seis meses fazendo isso, imagina o tanto que não afetou o caixa da empresa. Acho que a, a dona da empresa não sabe até hoje mensurar o quanto foi de prejuízo. E aí agora a, aí eu entro em contato com o advogado dela, falo assim: “Ó…”, e ela processou por trabalhista depois.

Exato, ó, eu vou te contar o caso: aconteceu isso. “Não, eu sou advogado dela no criminal”. Falei: “Tá bom, mas ó, eu vou entrar com uma reconvenção, que é um processo…”, para quem não sabe, é um processo dentro do processo trabalhista. Então a pessoa está me processando, eu tô processando ela dentro do processo dela, “entrar com uma reconvenção para que ela devolva o valor por conta de dano moral, e tal, tal, tal. Você tem certeza de que é…?”. Ele falou assim: “Um erro não anula o outro”. Falei assim: “Fechou, meu amigo, vamos pras cabeças”, né? Aí você chega lá na audiência, o, o cara ainda quer se crescer para cima de você como se a pessoa tivesse toda a razão no mundo, entende? Então esse é um caso que a gente ainda não finalizou, né, ainda falta aí para a parte de instrução, mas já, já assusta para caramba. E eu tenho um outro de uma pessoa que estava recebendo seguro-defeso da pesca lá, né, é acho que é um salário mínimo por mês que eles recebem na época que não, que tá proibida a pesca, e ela trabalhava num restaurante também de uma cliente minha, e ela processou essa cliente porque trabalhava sem registro, meu, uma cidade desse tamanho no Maranhão, nossa, que ninguém trabalha registrado, né? É aqueles lugares que, meu, a lei, a lei ali não existe, entendeu? A lei ali, a lei ali não funciona, tem que viajar 400 km para ir na Vara do Trabalho mais próxima, entendeu? E aí essa, essa moça processou tudo mais, e eu falei para ela assim, ó, na hora da, na audiência, eu cheguei, fiz toda a defesa, e falei assim, ó: “Eu puxei no Portal da Transparência, eu vi que ela recebia seguro-defeso. Eu joguei isso na audiência, falei assim: ó, vamos fazer um acordo”, que o processo acho que era de R$ 30, R$ 40.000,00, “vamos fazer um acordo. O acordo é R$ 3.000,00 em três parcelas, vamos fazer porque eu sei que ela recebe seguro-defeso, se você fizer o registro em carteira dela, ela vai ter que devolver todo o valor para o INSS, beleza?”. Fizemos tal o acordo bonitinho, terminou o processo, eu entrei no, no Fala.BR e denunciei, joguei o processo lá dentro, falei assim: “Ó, tá pedindo vínculo de emprego, tá recebendo seguro-defeso, tal”. A pessoa provavelmente vai ter um problema, porque essa pessoa ela tem que entender que ela causou um problema e que não é assim tão fácil. Eu já tive empresário que tomou eh criminal porque tinha empresa e recebia um benefício porque tinha visão monocular desde criança, e o INSS queria que ela devolvesse desde que ela era criança, pelo amor de Deus, cara.

Nossa Senhora!

Agora a pessoa, a pessoa que faz na má intenção não vai tomar uma dessa? Tem que tomar, tem que tomar, aí é o pedagógico, [risadas] aí é o pedagógico, tem que fazer mesmo, cara, porque tem que acabar com essa indústria. Andar e assim, a indústria é tão louca que assim, funcionários saem da nossa empresa, vários advogados chamam: “Ó, nós já estamos com vários processos de funcionários antigos dessa empresa X, Y, Z, que ganharam causas por causa que tem muitas coisas que eles deixam de fazer”. A gente acabou de ver aqui, ó, você tem uns 40, nem sabe qual é o cargo. Se o cara apertar qual cargo que eu tinha, o advogado nem sabe, ele só joga, e tal, que é a a é a o Direito predatório, né?

É a advocacia predatória, e acontece muito. Eu tô com um cliente lá em que a gente vai acabar tendo que fazer denúncia contra o advogado, se os caras falam assim: “Ah, não, eu trabalho análogo à escravidão”, só porque o cara não tava registrado, velho, ah, pelo amor de Deus.

E é, e é ridículo porque precisa ter um, um endurecimento da OAB talvez com esses caras.

Não vai ter, não vai, não vai ter. Eu tava falando esses dias, comentando lá no escritório, eh não vai diminuir o número de processos trabalhistas porque eles arrecadam muito dinheiro pro Estado, muito dinheiro. Então assim, não tem muito como a gente fugir disso. A OAB ela pode até se manifestar, porque normalmente quando é para jogar contra os advogados, ela, ela sempre faz alguma coisa assim, né? Então…

[suspirando]

Ela é boa.

Ela é boa. Então pode ser até que tenha alguma manifestação, mas é difícil demais porque você vai jogar na subjetividade disso aí.

Exato.

Porque às vezes o cara acredita: “Ah, pelo que eu estudei, tem direito”. Entendi.

E é louco porque quando você começa a pegar, ainda mais quando é peãozada, no começo a gente ia, hoje, hoje eu não vou mais, é a própria advogada com a moça da empresa lá que tá com a procuração, mas no comecinho eh são causas pequenas, são funcionários pedindo R$ 40, R$ 50.000,00, porque eu trabalho, e grande parte da, da equipe de construção civil é um salário baixo. Então a galera pedindo R$ 40, R$ 50.000,00, mas se você for ver lá, se tiver algumas coisas que eles peçam e tudo mais, o risco do processo às vezes é R$ 6.000,00, que você chega lá com acordo de três…

E leva.

…e leva. E você chega lá, o advogado não sabe nem o processo, ele fica entrando de uma salinha em outra assim, ó, pegando um monte de processo. É uma indústria, é uma indústria, e é um nível de, de advogados que chega a ser impressionante. Mas assim, carniceiro, porta de cadeia, que loucura, cara! Que indústria que se cria.

É uma indústria terrível, e deixa infelizmente o empresário refém.

É. E é uns caras que não sabem negociar também, eu falo porque você vai negociar um acordo esses dias, “Falhão, comecei oferecendo R$ 15.000,00 de acordo num processo de 300”. Beleza, mas eu comecei oferecendo 15, não comecei oferecendo R$ 1.000,00, como esses advogados fazem. “Ah, não, eh a pretensão é R$ 200.000,00, pô, então beleza, você não tá a fim de negociar”, entendeu?

Já entendi, já entendi, entendeu, cara? É isso.

Baita do, do podcast. Antes de você terminar, eu um presentinho para você, um copo do escritório para poder lembrar da gente quando fizer um churrasco.

[risadas]

“Jeancarlo Teresani, Advocacia Trabalhista Empresarial”. Tamo junto, cara. De novo, repito: quem aqui não pegou o comecinho e tudo mais, acompanha o conteúdo do Jeancarlo, é um baita de um conteúdo. Parabéns, de verdade, gosto demais do, do tipo de conteúdo de que você faz. Eh dá uma raiva da [ __ ], de…

[risadas]

…caraca! E pior que essa é a intenção, meu, os caras brigarem.

Então, sem brincadeira, assistam, olhem lá os carrosséis e tudo mais, é um baita de um conteúdo muito bom para empreendedor. É, aqui embaixo tem o @jeancarloteresani. Entra em contato aí, se precisar de processo trabalhista, vai no cara, vai no cara. Meu, vou te pedir licença rapidinho, que eu vou agradecer o patrocinador e já volto aqui para te fazer a pergunta final.

Galera, todo esse audiovisual de qualidade são graças aos patrocinadores que acreditam no podcast do Além do CNPJ e investem pra gente trazer isso aqui de forma gratuita pra internet. O que a gente teve hoje nesse podcast, pô, é uma consultoria gratuita, literalmente, né?

Então quero começar agradecendo o nosso patrocinador master, a SMB Store, que desde 2018 tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com um sistema acessível e fácil de usar.

Quero também agradecer a RZ3, que transforma conhecimento em impacto real, porque negócios fortes movem o futuro. Eles são uma consultoria integrada que une estratégia, finanças, tributos e tecnologia para transformar complexidade em crescimento. Todo negócio precisa ou vai precisar um dia da RZ3, porque a complexidade não espera você tá pronto para ter que lidar com ela, normalmente chega antes. Um pouco do trabalhista também é assim.

Agência RPL, porque o mundo digital não para, e o seu negócio não pode ficar para trás. Eles são uma agência de inovação digital que acompanha tudo o que tá mudando, desde TikTok Shop até agentes de IA, e traduzem essas tendências ao seu negócio com resultados práticos pra tua empresa. Se você acha que a inovação tá indo rápida demais e você não tá conseguindo acompanhar, a RPL entra justamente nessa dor.

Semic Displays: quem vende forte no varejo já sabe, o ponto de venda decide a compra. Se a sua marca ainda não aparece do jeito certo no seu PDV, no seu ponto de compra, ponto de venda, a Semic Displays resolve isso. Eles são líderes no Brasil, disparado inclusive, em soluções criativas para PDVs, com balcões, bandejas, displays e muito mais.

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Tamo junto, patrocinadores queridos. Vou botar a Teresani Advocacia daqui a pouco.

[risadas]

Legal, hein! Legal.

E, meu irmão, pergunta final que eu queria te fazer é o seguinte: quantos anos você tá? Desculpa.

Eu tô com 29.

29, novinho assim.

[risadas]

Imagina você tá com 29 anos, indo para casa, pegando lá a Anchieta para voltar para São Bernardo…

São Bernardo.

…São Bernardo, né? Eh e, cara, a gente vive, ainda mais a gente que é novo, principalmente, a gente vive a vida de uma certa forma, eh sabendo que ela é finita, mas de forma infinita, porque a gente acha que tem muito tempo pela frente, e o tempo passa muito rápido, né? E, e, e às vezes entendendo que “ah, sei lá, vou morrer com 80 anos, tem muito tempo pela frente”, e a gente faz planos, adia coisas, procrastina decisões, e muitas vezes os planos de Deus são diferentes. Imagina que, saindo desse podcast, voltando para a tua casa, ao piscar de olhos, você acorda na frente de Deus, Deus com um sorriso singelo, trazendo paz para você, dizendo: “Jeancarlo, missão cumprida”. 29 anos, “se eu soubesse que ia ser tão rápido, eu tinha feito diferente”. “Fica tranquilo, missão cumprida, não deixou nada a desejar aos planos de Deus”. Mas se, então bate na madeira aí primeiro: nunca ninguém… 200 podcasts, cara, nunca ninguém morreu, nunca bateu o carro, nunca. Mas só para trazer peso, considerando eh essa situação, se você tivesse que condensar 29 anos de vida num conselho, que conselho seria esse?

Escolha bem a pessoa que vai estar do seu lado. Eu só comecei a evoluir depois que eu me casei com a minha esposa.

[suspirando]

[risadas]

Sensacional!

Eh você, depois que você vira pai, depois que você casa, tem uma filha…

Tem uma filha de 3 anos.

Que delícia!

Tenho de 2 e o… Ah, delícia, é uma fase gostosa demais. Então assim, eu falo que depois que minha filha nasceu, eu virei pra minha esposa e falei assim: “Agora não tem mais como dar errado, agora não pode mais dar errado”. Ou vai ou vai, e aí foi a partir daí que eu comecei a tomar essas decisões que me levaram onde eu tô hoje. Então se não fosse a a minha mulher, que tá do meu lado me apoiando…

Natália.

Natália, ó, tá paga, hein? Se não, se não fosse, se não fosse ela me apoiando em todas as decisões, estando do meu lado em tudo, acho que eu não teria chegado tão longe.

E é 100% real o que você tá falando, a ponto de, tão real que também é uma faca de dois gumes, sim, sim. A pessoa pode ser uma âncora ou pode ser uma mola para te jogar para cima, não só a esposa ou o marido, o cônjuge em geral, quem está do seu lado determina muito do seu sucesso ou do seu fracasso, sim.

E isso também se trata sobre amizades, né? Você, se você tem amigos que só saem pra balada e pensam em bebida e mulherada, você só vai pensar nisso também, você vai ser o… É dos cinco amigos, você vai ser o sexto, né?

Assim, a ambiência muda, muda o seu jogo, muda o seu jogo. Estar com pessoas melhores que você é, é um grande gatilho para você falar assim: “Meu, eu quero essa realidade, eu quero viver isso”. Eu tenho amigo hoje que, pô, sai, compra Rolex, faz isso, viaja, tá, tá tranquilo, eu falo: “Pô, meu, eu quero viver essa realidade. A hora que eu tiver vivendo essa realidade, aí eu busco o cara que tá mais acima”.

Total.

É isso aí, é isso aí.

E amizades, ainda mais as melhores, elas te provocam a evoluir.

Provocam, exatamente.

E como um filho também te provoca aí.

É a grande provocação, cara.

Prazer te conhecer, meu brother, parabéns mais uma vez pelo conteúdo. Teu conteúdo é muito bom, de verdade. Continue, eh vida longa. Tenho certeza de que, na tendência que você tem seguido, vai continuar, eh e tamo junto. Quem precisar do Além do CNPJ, o que precisar de mim, conte comigo. Se eu tiver com os B.O.s trabalhistas, vou te ligar, você, por favor…

Por favor, o dia, a hora que precisar, tamo junto.

[risadas]

Sou um vizinho, a gente é… Eu sou de São Caetano, ele é de São Bernardo, nós somos do ABC Paulista. E você que ficou aqui até o final, muito obrigado por ter acompanhado esse podcast até, até o fim. Aqui embaixo tem vários botões, clica em todos para engajar, inclusive tem o botão de compartilhar. Se você acha que o teu sócio tá precisando escutar o que foi falado aqui, um amigo, um amigo empreendedor, encaminha esse episódio pra gente fazer chegar ao máximo de pessoas. Tamo junto. Até a próxima, Jeancarlo.

Tamo junto, valeu!

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