Branding vs. Performance, a Lição do “Mar Raso” e a Estratégia dos Grandes Projetos com David Leandro | Além do CNPJ (EP #180)

O Fim da “Guerra de Descontos” e o Poder do Valor Percebido

Em momentos de retração econômica ou incerteza de mercado, a primeira reação de muitos pequenos e médios empreendedores (PMEs) é cortar o orçamento de marketing ou apelar para promoções agressivas na tentativa de manter o fluxo de caixa. No entanto, essa estratégia costuma ter um efeito colateral devastador: a destruição do valor de marca. Quando um negócio se apoia exclusivamente na guerra de preços, ele se torna um bem substituível (commodity) e fica à mercê do próximo concorrente mais barato.

No episódio do podcast Além do CNPJ, o host Felipe Cassola recebeu David Leandro — executivo de marcas, CVO da GG Creators, estrategista de branding e fundador da High Branding, agência com atuação no Brasil e expansão para os Estados Unidos e Europa.

Com uma trajetória que vai das origens em Santo André (SP) ao atendimento de contas como Sunheiser, Next 10 (marca do jogador Neymar Jr.) e o lançamento do IPO Humano do investidor Guga Stocco, David revela como unir o encantamento da publicidade tradicional à mensuração da performance digital.

1. A Lição do “Mar Raso” nas Crises Econômicas

No mercado publicitário, existe um ditado marcante citando que “quando o mar baixa, você descobre quem estava nadando sem roupa”. Durante ciclos de euforia econômica ou bolhas de mercado no digital, empresas sem estrutura real conseguem faturar alto investindo apenas em anúncios imediatistas.

[Mar Alto / Euforia] ➔ [Anúncios Imediatistas (Sem Marca)] ➔ [Faturamento Momentâneo]
[Mar Raso / Crise]   ➔ [Queda nas Conversões de Mídia]   ➔ [Sobrevive Apenas Quem Construiu Branding]

Quando a margem de lucro encolhe e o Custo de Aquisição de Clientes (CAC) sobe, apenas as empresas que construíram lembrança de marca, autoridade e lealdade continuam vendendo sem precisar queimar margem.

2. Branding vs. Performance: A Falsa Guerra do Marketing

Um dos maiores erros da gestão moderna é dividir o marketing em duas facções opostas. David Leandro defende que o crescimento sustentável nasce do equilíbrio entre a construção de reputação e a conversão de vendas:

Critério de Análise Estratégia Focada Apenas em Performance União de Branding + Performance (High Branding)
Atração de Clientes Foco exclusivo na oferta imediata e descontos. Atração pelo Desejo: O cliente busca a solução pelo valor da marca.
Sensibilidade a Preço Alta (o cliente troca a empresa por qualquer cupom). Baixa: Permite margens de lucro mais altas e tickets elevados.
Retorno do Investimento ROI focado no curto prazo (interrompeu o anúncio, para a venda). LTV (Lifetime Value): Construção de ativos e lembrança de longo prazo.
Posicionamento Risco de desgaste da imagem por promoções constantes. Autoridade: A marca se torna referência no seu segmento de atuação.

3. A Regra do “Projeto Mais Caro” da Empresa

Para vender projetos de alto valor (como R$ 50 mil, R$ 100 mil ou mais), o empreendedor precisa entender o perfil financeiro do seu cliente:

  1. Nunca Seja a Conta Mais Cara: Se o seu contrato for o boleto mais alto que o cliente paga no mês, você será o primeiro item a ser questionado e cortado na primeira crise do caixa dele.

  2. Prospecção Qualificada: Venda para empresas que já estão acostumadas a transacionar valores altos. Nesses casos, um projeto de R$ 50 mil representa um custo marginal baixo perto do resultado potencial que a sua solução entrega.

4. A Essência como Pilar dos Negócios

Aos 29 anos, refletindo sobre sua evolução do desenvolvimento de software (dev) para a liderança de grandes campanhas publicitárias, David destaca que a consistência vem do alinhamento interno:

“Busque a sua essência. Quando você entende qual é a sua missão e alinha a sua intuição e o seu trabalho com Deus, as coisas acontecem de forma natural. O mercado pode duvidar, mas a sua essência é o que sustentará o seu negócio nos momentos mais difíceis.”

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Eu sempre falo que a melhor coisa que você pode fazer pelo seu filho é estudar na melhor escola, da melhor região, porque se tudo der errado para ele, o melhor amigo dele é dono do banco. E aí eu vou para uma palestra que já tinha uma rede de contatos interessantes, sou chamado para uma palestra onde ia palestrar o Godílio. Godílio, para quem não sabe, é o presidente da agência África, uma das ou a maior agência de publicidade do Brasil. É o Godílio lá palestrando. Isso me marcou de tal forma que eu que eu falo em qualquer lugar. Ele começa a palestra dele dizendo assim: “Marketing é a alma dos negócios, mas só para negócios que têm alma”. Então imagina: todo mundo no marketing digital tava anunciando para quem? Para o cara que tem um negócio na esquina. Eu já tinha feito isso com a minha software house. Você nunca pode ser a conta mais cara da empresa, nunca. Então assim, poxa, se eu quero vender um projeto por R$ 50 mil, R$ 100.000, ela tem que estar acostumada a pagar esse boleto, porque se eu sou o projeto mais caro, o primeiro que ele vai me encher o saco e o primeiro corte de custo sou eu.

Buenas, buenas, buenas! Seja bem-vindo a mais um episódio do podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui pra gente trocar essa ideia de empreendedorismo vida real. O cara que tá aqui na minha frente, um mestre no que ele faz, que é transformar o jeito de contar histórias de marca, apresentar pro mercado e trazer essa essa visão e esse objeto de desejo de uma marca, né? Que é muito o nosso foco como empreendedor: posicionar a nossa marca num novo patamar. Muitas vezes empreendedores aí errando, caras grandes errando nessa parte de branding. E é um cara que tem um histórico surreal quando você olha as marcas que ele já atendeu, o nível do networking que ele tem, o nível de acesso que esse cara tem. Esse cara tá eh com coisas que inclusive vai poder contar aqui de novidades, né, de concorrências que já tô sabendo aqui no bastidor, de coisa grande, coisa boa. E, pô, é um cara que vai trazer conhecimento prático, dica prática, coisas que de fato a gente vai conseguir aplicar trazendo insights para você que é empreendedor, que muitas vezes… Cara, eu sei a dor do PME, né, do pequeno e médio empreendedor. A gente tá correndo para entregar o que vendeu, para vender e conseguir pagar o custo numa economia cada vez mais difícil, participando das concorrências e fazendo com que a operação gire, se envolvendo na operação, às vezes não tendo nem tempo pra família. [ __ ], para que que eu vou agora olhar para branding, cara? Para que que eu vou olhar para isso? Porque, cara, tá numa loucura, não tô conseguindo. Mas é justamente nessa hora que você tem que olhar, né? Quando as coisas vão mal, o primeiro setor que você precisa olhar é marketing, não para cortar e sim para investir. Essa é a trajetória que faz você sair da lama. E o papo que a gente vai ter aqui é sobre isso, né? Como a gente consegue se posicionar, como a gente consegue pensar em branding. E quero trazer muito do conhecimento dele, que sempre atua em grandes marcas também, como que ele pode trazer esse conhecimento para ajudar hoje aí você que tá pequenininho atrás do balcão, se virando nos 30, vendendo o almoço para comprar o jantar. Então, tô aqui com David Leandro. Meu brother, muito obrigado por aceitar o convite, por vir aqui hoje, meu irmão!

Tamo junto! Prazer é todo meu. Acho que cada dia mais… Você falou algo muito importante, que é: a gente tá num ano delicado no mercado. Esses dias um amigo meu me ligou e falou: “Cara, tá ruim para todo mundo, o que que tá acontecendo? Eu não sei mais empreender”. Eu falei: “Cara, você é novo igual eu, é a primeira crise que você tá passando”. Isso é crise, cara. Porque 2020 pro digital ninguém sentiu.

Exato, explodiu!

E hoje a gente tá sentindo uma crise em todos os setores, cara. Não sei se você viu um corte do Adib, da Cimed, falando: “cara, o mercado tá estranho, tá voltando a ter pirataria, tá voltando a ter coisas que tinham passado já”. E é muito louco. Então, eu acho que para todos os empreendedores é calma, o mar tá ruim, e é isso.

Exatamente. E qual é o problema disso? Eu vou até pegar um gancho: muitas vezes quando o mar está ruim, não o barco, faz com que você ache então que a culpa não é sua e, portanto, você não precisa limpar o barco. Mas muito pelo contrário: você tá com peso desnecessário para um mar em fúria, talvez valha a pena você eliminar peso, valha a pena você fazer uma faxina no seu barco, porque momentos de cautela são momentos também em que vale a pena você olhar para dentro e reformar para aquele novo cenário. Falo isso porque muito empreendedor, por conta do mar, faz com que ele olhe e fale: “Não, a culpa não é minha, então vamos manter do jeito que tá, porque já já passa”. Muito pelo contrário: é hora agora de você agir, porque na crise o dinheiro troca de mão.

Exatamente.

Tomara que não saia da sua pra mão de alguém, que saia da mão de outros pra sua. E o que vai determinar isso é como você tá agindo na tempestade.

Eu ouvi uma frase no mercado publicitário que era: “Mar raso mostra quem tá sem roupa”.

É isso!

Então, na época… Hoje em tempos de internet, né, todo mundo mostrando que tá bem, empresa voando, faturamento sem lucro… Quando baixa, quando vem a crise, você vê de fato quem tem roupa, quem tá pronto para nadar.

Exato! Meu irmão, cara, obrigado por mais uma vez aceitar o convite, cara. De onde você veio, onde você nasceu? Me dá um overview assim da tua vida. Quantos anos você tem agora?

Tenho 29.

  1. Me dá um overview da sua vida até a vida adulta assim: pai e mãe, quais quais foram as referências? Teve pai e mãe, teve referências de pai e mãe? O que que você queria ser quando você crescesse? Dá um overview assim do contexto para chegar na vida adulta.

Eu venho de uma família tradicional brasileira, aquela bem tradicional da minha geração, que é pai e mãe separados. Meus pais nunca foram casados, cresci com meus avós. Cresci com meu avô, minha avó e meu pai na mesma casa. E é engraçado, porque com meu pai…

Ah, boa!

É um fator bem diferente: é que eu cresci com meu pai, e a maioria cresce com a mãe. Eu cresci com meu pai. Minha mãe vem de uma situação super delicada de vida, minha mãe era empregada doméstica, tinha outros três filhos e, enfim, ela tentou ficar comigo, só que no meu primeiro mês de vida eu tava com pneumonia, peguei diversas doenças, quase morri.

Caraca!

E aí meu pai foi: “eu preciso ficar com meu filho, eu quero ficar com meu filho”. E quando eu tinha um ano de idade, ele conseguiu me levar para casa. E minha família também não sabia que eu existia.

Caraca!

Então meu vô e minha avó… Meu vô falou que do nada a minha avó chegou e falou assim: “Ó, o Adir aprontou uma coisa aí”. E aí quando ele foi ver, tava eu lá com um ano. Ela falou pros meus familiares, para minhas tias, que tinha um cachorrinho na casa dela, e era eu.

Caramba!

Então eu cresci nesse lar. Eh eu sempre fui muito curioso, eu sempre tive uma inquietação muito grande. Eu costumo dizer que que algumas coisas, alguns ciclos, eles vêm tentando se quebrar nas famílias, né? Não sei qual a sua religião, eu sou cristão. E esse apelo para você voltar para a sua essência, ele acontece e as pessoas vão tendo oportunidades. E eu, muito vendo o meu tio… Eu tinha um tio que também morava com a gente, depois ele casou, se mudou, meu tio Leandro. E ele era um empreendedor nato: criativo, levava carro, desmontava carro, fazia brincadeira… Eu lembro que ele fechava circuito assim, e aí ele montava uma coisinha de arame para você no Natal brincar de passar o arame, e aí se você encostasse, acendia a luz. Então fazia várias brincadeiras. Meu tio sempre negociava com todo mundo, sempre fazendo rolo. Meu tio é o cara do rolo.

Legal, é o comerciante, né?

Exato, exato. E eu peguei essa referência. Hoje olhando, né? Antes eu não tinha muito essa visão. E aí com… Eu era skatista, nada a ver! Se você olhar umas fotos minhas na minha adolescência, não tinha nada a ver. Mas eu lembro que chegou uma determinada idade que começou aquela questão: o que que você vai fazer da vida? E meu pai trabalhou…

Em que idade isso começou a bater?

13, 14 anos. E meu pai tradicional, meu pai trabalhava em banco. E eu odiava o trabalho do meu pai, porque meu pai ele sempre foi muito trabalhador. Então meu pai ele trabalhava de madrugada, e meu pai viajava muito pela empresa, e eu quase não via meu pai. Aquilo me deixava muito irritado, e eu tinha aquela sensação de: cara, eu não posso trabalhar para ninguém. Se trabalhar para alguém é isso… E aí aquele sonho, né? Meu pai tinha um sonho que eu trabalhasse na Petrobras, meu pai tinha um sonho que eu trabalhasse no Itaú, meu pai tinha esses sonhos, e eu: “cara, não quero, não quero”. E aí quando eu fui fazer 15 anos, entrando no ensino médio, meu pai me chama e fala assim, ó: “você vai fazer uma prova numa escola que era a melhor escola de Santo André, o Singular”.

Caraca, você é de Santo André? Sim, também!

E aí ele pegou e falou assim, ó: “vamos lá fazer a prova, eu quero ver se você passa para conseguir a bolsa”. Fui lá, passei, peguei bolsa de 100%.

Caramba! Quase 100% na Oliveira Lima.

Exatamente! E aí do dia para a noite meu mundo mudou, e aí foi a primeira vez que o mosquito da riqueza me picou.

Isso. Você tinha quantos anos?

Tava fazendo 15 anos no ensino médio, foi bem no ensino médio. E aí o que acontece: no Singular eu tive um choque de realidade de manhã, estudando de manhã, que é a playboyzada.

Exato! Então imagina: eu nasci ali em Mauá, morei a minha vida inteira próximo ao Vila Luzita…

Conheço bem lá a sua região, minha região também.

E aí do nada tô no Singular. E aí eu lembro, me chocou, eu tenho isso na memória: a primeira vez no intervalo eu vi alguém esquecendo um iPhone. Eu nunca tinha visto um iPhone, e na minha cabeça: “como que uma pessoa perde um celular desse, do [ __ ]?”. E, né, eu nasci em comunidade, você sempre fica com cuidado de tudo, das suas coisas, né? Eu falei assim: “caramba, não é possível!”. E aí teve trabalho em grupo, aí a primeira vez que eu fui numa casa de uma pessoa, e aí você vê outra realidade: a casa toda organizada, as pessoas falam baixo… A primeira vez que eu cheguei e falei: “Meu Deus, essa casa inteira é só para sua família? Você, seu pai e sua mãe?”. Eu assustado, e aquilo me picou, é muito louco. E eu falei assim: “Meu, como que eu faço? Como que eu chego nisso?”.

É isso! Você teve uma trajetória muito doida assim, que você falando, pô, me relembra muitas coisas, porque eu eu tive uma história muitíssimo parecida, muitíssimo parecida. Só que eu estudei no Sérgio Milliet a vida inteira, até o 8 de Abril. Estudei no 8 de Abril, depois fui pro Sérgio Milliet. Aí minha mãe inventou que queria… Aí minha família melhorou de vida conforme eu fui fui crescendo. Aí quando eu tava lá na faixa dos meus 16 e pouquinhos, tava indo pro colegial, minha mãe falou: “Ó, quero te colocar no Singular, mas à noite”, que era mais barato. E aí consegui convencer a não ir no primeiro colegial porque eu tava namorando no Sérgio Milliet e tudo mais. Fui pro segundo e, cara, foi surpreendente! Mesma coisa que você tá falando, e isso que é à noite ainda, hein! Mas assim, caramba! Então tinha muita gente que estudava no Singular que trabalhava durante o dia para pagar a escola, então não era gente playboy como a galera da manhã. Mas, [ __ ], ainda assim foi um divisor de águas na minha vida, né? Minhas namoradas eram da Vila Luzita, minha esposa tem família na Vila Luzita, mesma coisa do lado do terminal, eu ia até o terminal. Caraca, é muito louco! Aí foi quando eu comecei a mudar a minha referência, porque eu falava assim: “quando eu tiver filho, ele vai estudar em escola pública para ele entender o valor do dinheiro e coisa do tipo”. E aí eu comecei a entender que não, a ambiência, as amizades, isso tudo já é o máximo possível. Talvez seja o maior patrimônio que você pode dar pro seu filho.

Eu sempre falo que a melhor coisa que você pode fazer pelo seu filho é estudar na melhor escola, da melhor região, porque se tudo der errado para ele, o melhor amigo dele é dono do banco.

É isso! Dono do banco, é herdeiro da melhor empresa, ou um cara que vai despontar, exato, né? Por mais que o cara não tenha lá o empreendedorismo na veia e tudo mais, ele vai despontar num cargo executivo, e aí quando você estiver com 35, 40 anos, seus amigos vão ser CEOs, C-levels e tudo mais. Isso é fundamental, e foi uma virada de chave. Eu lembro dessa mesma coisa que você falou, cara, que você falou assim: “porra, você estar numa casa que as pessoas falam baixo, [ __ ] isso foi do [ __ ] para mim”. Fala: “Nossa, que loucura, cara!”. Sabe, tipo, é uma referência que você quebra mesmo, sabe? Porque isso não era a tua realidade. Muito louco! Legal você ter falado isso.

Exato, e aí isso começou a mexer comigo. Aí primeiro ano do Singular, bombei por muito pouco.

Bombou literalmente, perdeu a bolsa?

Bombei. Não, não perdi a bolsa, ela diminuiu, mas eu bombei. Só que assim, eu me esforcei ao máximo, só que para você ter noção da minha situação, era assim: “isso daqui você viu no ano tal”. Aí eu olhava e falava: “eu nunca tive aula de química, nunca tive aula de física”. Eu cheguei lá, era duas químicas, então era orgânica, sei lá qual, duas químicas. Falei: “[ __ ], não tinha nem aula de química lá!”.

Exato.

Aí eu ficava assim, geometria… Tinha aula de geometria! Para mim era tudo era tudo matemática.

Exato, exato! Mesma coisa.

E aí eu bombei, só que meu pai viu o meu esforço, e ele também viu que aquele ambiente começou a mudar. Meus amigos todos falam que quando eu entrei no Singular, por coincidência, foi a primeira a mesma época em que eu conheci Jesus. Eu bati com a cabeça e tanto é que eu não tenho tanta memória de antes disso…

[ __ ]!

De de tão chocante que foi essa virada de chave. Eu comecei a ler, porque você tinha que ler para fazer as provas, eu comecei a ler. Aí eu peguei gosto para ler, e aí a minha vida começou a se transformar, porque daí eu comecei a ler muita biografia, comecei a ler muito livro de empreendedorismo. E aí, como eu eu fazia o colégio técnico de manhã, e aí eu comecei: “pô, preciso vender”. E aí eu lembro que todo mundo tinha muito dinheiro para comprar tudo no intervalo, e as viagens para Disney, nas férias era viagem para Disney. Não, eu lembro, a minha turma me achava muito engraçado, que o pessoal chegava para vender Bariloche… Eu lembro até hoje, ó: “a gente tá fazendo a viagem desse ano pra Bariloche”. Aí ela falou assim… Eu perguntei quanto que tá essa viagem, aí ela lá: “11.000 o pacote”, não sei o quê. Eu olhei para ela e falei assim: “com 1.000 eu compro um Fusca!”. E aí a sala dando risada! Eu falei: “a gente…”, sabe aquele meme: “a gente não tá vivendo no mesmo mundo”? Não tinha nem como falar pro meu pai assim, totalmente fora da realidade. E só que eu falei: “cara, eu preciso de dinheiro”. E aí meu pai fazia uns lanches muito bons, né? Meu pai era chapeiro antes de… Meu pai tem uma história incrível: no ano em que eu nasci, meu pai tava trabalhando no GPA, na área de crédito, e aí ele tinha conseguido esse emprego graças aos amigos. No ano em que eu nasci, o Itaú comprou a área de crédito do GPA.

Tá, exato.

E aí ele entra pro Itaú, e aí a carreira do meu pai começa a ter uma ascensão gigantesca, aí ele faz mestrado, enfim. Meu pai é uma pessoa super incrível. E aí, nessa nessa questão eu comecei: “pô, meu pai faz uns lanches muito bons, eu vou vender o lanche na escola para ter dinheiro para comprar as coisas”. E aí eu comecei: cara, como que eu vou fazer dinheiro? Eu comecei a perceber no técnico que a gente começou a fazer site, eu me apaixonei por desenvolvimento naquela questão. A primeira coisa que você faz é dar um Hello World, né? E aquilo é a primeira coisa para você se sentir um Deus, entendeu? Então você começa: cara, tudo que eu pensar eu posso colocar e a coisa vai aparecer. Fiz Informática no técnico, e aí eu comecei a desenvolver site. Eu falei: “pô, ninguém do meu bairro tem site: farmacinha, relojoeiro, não tem site”. Comecei a vender site, e aí eu comecei a vender site, aí eu contratava os melhores da turma, e aí começou a chegar uma questão muito louca, porque eu entrava de manhã com um bolo de dinheiro, chegava na sala de aula, começava a distribuir dinheiro. Aí ia pra diretoria: “tô vendendo droga, o que que tá acontecendo, o que que você faz?”. Eu falei: “não, tô vendendo site”.

[risadas]

E aí a minha primeira empresa chamava Galatas Web Solution. Inclusive o meu designer era o Hugo, que hoje é um dos braços direitos do Primo Rico, o Gão da Flas.

[ __ ], tô ligado o Gão!

E aí eu contratei ele para ser meu designer, ele que fez minha primeira logo.

Caramba!

Sim, e aí ele fez minha logo e tal, minha logo era um leãozinho. Eu comecei a vender site, vender site. Chegou no TCC, né, no trabalho de conclusão do curso do terceiro ano, eu tinha que fazer alguma coisa e eu tinha que estagiar. Eu falei: “não vou estagiar”. “Mas como você não vai estagiar?”. “Não vou estagiar, eu tenho uma empresa”. E aí eu não estagiei, não consegui meu diploma, voltei lá com a minha empresa aberta e falei assim: “ó, tá aqui, eu quero meu diploma porque eu abri minha empresa”. Eles tiveram que mudar o regulamento inteiro para dar meu diploma, porque eu falei: “eu não vou estagiar, não vou trabalhar para ninguém, minha empresa é o meu estágio. Olha aqui ó, o contrato”. E na época tinha uma empresa de foto e vídeo, RGB Foto Estúdio RGB, lá de Santo André, do Nicolas, que era uma empresa muito legal, relevante. E eu falei: “vou criar um sistema para vocês”. Comecei fazendo o site, etc. Eu criei um sistema que chamava Rubi, que era um sistema que fazia emissão de nota, ERPzinho.

Exato!

E aí eu cheguei na minha bancada de TCC: “que que você fez?”. Eu falei: “eu criei esse sistema, esse sistema tá vendido por tal”. E aí os professores: “não, mas pera aí, como assim você criou um sistema? Mas isso você vendeu?”. Falei: “vendi, eu tenho uma empresa”. E os professores começaram a ficar malucos, e aí isso virou notícia, eu saí no jornal do Singular.

Caramba, que legal!

Aí eu falei: “cara, esse é o caminho”. E aí eu não parei de empreender, eu não paro de empreender. Começo a entender: beleza, mas como que eu ganho mais dinheiro? Porque não tá dando, eu tô vendendo meu tempo-hora aqui, eu preciso fazer mais coisas, preciso estudar. Quando chegou o trabalho de conclusão, meu pai: “e aí, vai fazer faculdade?”. E aí eu já naquela de “putz, eu não queria fazer faculdade, não”.

[risadas]

Ele: “mas tem que fazer”. “Eu vou fazer o quê?”. “Fazer Ciência da Computação”. E aí eu começo a fazer Ciência… Nem era, Sistemas da Informação na FIAP.

Boa!

E a FIAP me deu um networking muito bom, só que ao mesmo tempo a minha empresa começou a disparar. Comecei a vender software, comecei a contratar, e aí o negócio começou a crescer, começou a crescer até que eu vou desenvolver um software para um grupo chamado Cena. Nesse meio do caminho, eu queria fazer um site pro Yudi. Falei: “cara, artista tem uns sites horríveis”. O Yudi tá num momento bom. E aí eu falei: “cara, eu vou achar um contato, vou vender esse site”.

Mas assim, você por que o Yudi?

Cara, todo mundo dizia que eu era muito parecido com ele, tá? E eu sempre tive…

Lembra mesmo, viu?

Pois é, lembra mesmo! Tudo. E aí tinha uma questão que eu falei: cara, eu vou tentar. Eu sempre fui meio hackerzinho. Tanto é que na faculdade tinha muito um apelido de script kiddie. Script kiddie, para quem não sabe: você tem o hacker, você tem o cracker. Hacker é um cara do bem que hackeia para fazer o bem; cracker é quem faz o mal. E script kiddie geralmente é quem copiava e colava código, e mexia em código feito, que hoje em dia nada mais é do que o Vibe Coder, porque você é um script kiddie, você é o melhor script.

Sim.

E e eu sempre fui muito bom de pesquisa. Uma das coisas que eu me interessava era a lógica, então eu comecei a entender lógica de pesquisa, como que funcionava o algoritmo do Google. Você hoje no Google, a maioria ainda não sabe disso, mas você consegue usar colchetes, chaves para criar uma pesquisa sofisticada e criar diversos filtros ali dentro para aparecer o que você precisa. Eu fui nessa e falei assim: “eu vou vender um site pro Yudi, e se algo entrou na minha cabeça, eu vou fazer acontecer”. Eu comecei a pesquisar, pesquisar, achei o site da mãe dele, o telefone da mãe dele. Falei assim: “ó, tudo bem?”. Nem sabia que era a mãe dele. “Ah, aqui é a Tânia”. “Ah, o site de vocês tá ruim por causa disso”. Na mesma semana ele tinha tido uma conversa com a pessoa que cuidava da carreira dele para mudar o site, então ela achou que eu era a pessoa. “Nossa, ai, que bom que você ligou!”. E aí, loucura, ela falou: “Nossa, vamos falar assim, fulano de tal falou de você, tal, e você quer…”. Só deixei.

[risadas]

“Falou mesmo, era eu, era para ser eu”. E aí foi a segunda virada de chave, porque eu venho para Alphaville, né? O Yudi morava em Alphaville e falou: “vamos fazer uma reunião”. Pego 3 horas de condução…

Isso há quanto tempo atrás?

Isso 2017, 16, 17, exato. E aí eu vou para Alphaville, e aí eu tenho um choque. Aí a coisa ficou maluca, e não era nem esse Alphaville de hoje, né? Nem era esse Alphaville de hoje. Eu falei assim: “Meu Deus, não é possível!”. E aí eu tive alguns choques sociais, né? Eu até brinco com a minha esposa, ela até fica brava comigo, mas a primeira vez que eu tive esse choque, eu falei assim: “eu entendi o cara que fica rico e muda de esposa”. E ela: “você tá maluco, o que é isso?”. Eu falei: “Amor, você não tá entendendo, as pessoas se vestem tão bem e têm acesso a um cuidado desde a infância que é impossível. Se a pessoa não tem, não é nem princípio, se ela não tem uma boa cabeça e não entendeu o que fez ela estar com a pessoa com quem ela está, ela vai deslumbrar, porque é muito fácil”. Eu lembro que eu comecei a olhar umas pessoas tão bonitas, o shopping em silêncio… O qual não são necessariamente bonitas de berço, elas são bonitas porque elas têm acesso a coisas que as deixam bonitas, ela tem acesso à beleza.

A beleza, exato, exato!

E aí eu tive essa conversa com a minha esposa também. Eu olhava o shopping assim com as pessoas, não tem barulho. É Santo André, restaurante… Santo André, Vila Luzita, um barulho enorme o tempo todo, você vai no Plaza, você vai nos shoppings da região. E não é falando mal de Santo André, né, mas é falando sobre a realidade, né? Estamos falando aqui sobre…

É uma questão social.

Social, e que se você não enxerga isso, você dificilmente vai ter a necessidade de mudar a mentalidade, porque o sucesso ele é você quebrar esses vínculos sociais. Por isso que o sucesso é solitário, porque imagina… Recentemente, até casando, depois eu volto pra história, mas eu levei meu pai para almoçar, e a gente foi no… Como que é o nome daquele restaurante que fica perto do Pobre Juan? Esqueci agora, mas era um restaurante chique, enfim. Aí eu levei ele para almoçar, e aí meu pai foi no banheiro, quando meu pai voltou, ele falou assim: “Filho, tinha dois amigos conversando sobre Tom Jobim. É muito diferente”. É, eu falei: “Exato, pai”. E aí eu comecei a explicar pro meu pai: por isso que às vezes as pessoas não querem, elas internamente não querem ficar ricas, porque imagina assim: você vai ter que mudar o seu estilo de vida, a sua referência. Você você quer tomar a sua cerveja, falar alto, é outro ambiente, o ambiente não cabe aquilo, e aí a pessoa fala: “Pô, eu não quero isso”. E aí começa a demonizar a riqueza, e ela começa a achar que ela precisa cumprir esses protocolos, o que não necessariamente precisa.

Exato! Você vê muitos empresários aí que enriqueceram e cagaram pros protocolos. Eu sou um cara que caga um pouco assim, até um pouco para esses protocolos assim de “ah, [ __ ] nenhuma, eu uso camiseta”, isso aí, sabe, tipo… Porque eu sou um pouco de saco cheio com esses protocolos, mas de fato você precisa entendê-los.

Sim.

Para você saber jogar o jogo, porque dependendo da pessoa com quem você vai conversar, cara, às vezes eu meto uma camisa, às vezes o carro em que você chega importa, precisa se encaixar, você precisa se encaixar.

Exatamente. Teve uma época na minha vida, meus 25 anos, aí 10, 10, 12 anos atrás, que eu já empreendia, que eu fui meio rebelde: eu usava roupa rasgada, a gola da camisa toda [ __ ], cabelo comprido. Não, porque eu falei: “quer gostar de mim? Goste pelo que eu tenho na cabeça”. Mas no final das contas, isso é imaturidade.

Imaturidade, sim.

Porque é você achar que o mundo vai se adaptar a você. Meu irmão, se eu sendo daquele jeito me impactava com alguém bonito, uma mulher bonita que passava na rua, um cara bonito, um carro bonito, e eu queria que o mundo inteiro não pensasse isso de mim, vai se ferrar! Aí você começa a entender que, pô, são protocolos, tudo bem você escolher aceitar ou não, cumpri-los ou não, mas você tem que saber jogar o jogo.

Exatamente. É uma coisa que a maturidade me trouxe.

Mas isso aí é legal essa visão, porque o rico de berço, ele não percebe, não percebe. Ele não percebe, não. E o e o old money, o rico de uma família old money, também não percebe. Só percebe a pobreza, a qual eles repelem, né?

Exato. Às vezes até a pobreza de um alguém rico.

Sim, doido, né?

E é muito interessante isso porque, ah, eu enfim, depois conheci grandes empresas, vou chegar lá. Mas esses dias eu tava conversando com sócios da GG Creators, que é uma agência que me chamou para ser CVO. E aí o João, que é um dos meus sócios, a gente tava no meio da reunião, e aí eu comecei a anotar, porque eu sou muito bom de identificar padrão. E aí eu comecei a anotar que, por exemplo, eu vou falar aqui: fiz a melhor campanha da Black Friday da Sennheiser. A gente que cresceu do nada, a gente vai falar assim: “porque veja bem, olha aqui, veja isso”. O rico de berço, ele não sente a necessidade de se explicar. E aí eu olhei pro João e falei assim: “Você notou que o tempo todo você quer explicar sua afirmação? Porque o tempo todo você ficava… Você tem que se reafirmar na sociedade”. E se você começar… Graças a Deus, eu tive a oportunidade de conhecer muita gente rica de berço, muito rica, gente de família bilionária, e eu comecei a identificar esses padrões. Eu gosto muito de série, né, e em Game of Thrones tem uma frase que fala assim… O anãozinho lá, esqueci o nome dele, eu sou péssimo de nomes, ele tá camuflado, e aí o cara fala assim: “Óbvio que eu sabia que era você, você anda igual a um Lannister”. Ele fala assim: “Mas como você sabia?”. Ele falou assim: “Porque você anda como se o mundo pertencesse a você, você não sente que ‘posso entrar aqui, será que pode?’, o mundo pertence a você”. E aí quando você faz um comparativo, isso é muito real, porque até o jeito que se lida com o dinheiro: o dinheiro para quem já cresceu numa família abastada, ele é uma mercadoria.

Verdade.

Não é uma necessidade, não é algo que eu preciso pra vida, ele é uma mercadoria. “Ah, eu preciso de tanto para fazer tal projeto”.

É, ele sabe que a mercadoria tá aí e é acessível.

É uma coisa dispensável e disponível, exato. Uma coisa que para nós ele tem que ser construído, né? Até o inglês ele fala make money, você precisa criar o seu dinheiro. E quando você tem essa ascensão social, você começa a não entender que esse dinheiro tá disponível, né, que é possível acessar.

Demora, e demora totalmente! E falo mais: às vezes, [ __ ], são 15 anos empreendendo, às vezes ainda assim, muitas vezes, meus instintos caem pra minha pra minha base total. Não sei se você entendeu o que eu tô falando, assim: pô, se eu tiver um projeto bom na mão e precisar de 100 milhões, tem disponível. É doideira, 100 milhões, que loucura! Eu não tenho… Mas você não tem esse dinheiro. Não tô falando que eu tenho esse dinheiro, muito longe, mas a questão não é essa, a questão é que tem gente que tem 100 milhões buscando uma boa oportunidade. Se você tem uma boa oportunidade, vai ter dinheiro para essa boa oportunidade, desde que de fato seja uma boa oportunidade. Mas às vezes aí, claro, tô colocando um exemplo irreal, né, de 100 milhões, mas, por exemplo, às vezes você tem algum projeto na mão que eu falo: “cara, mas como que eu vou conseguir esse dinheiro de algum lugar?”. Meu irmão, aí eu preciso voltar e falar: “porra, mas a minha vida adulta provou que tem esse dinheiro disponível, eu já fiz vários projetos que pro Felipe lá de trás seria impossível, e só deu certo porque eu acreditei que dava e deu, porque tem disponível, tá acessível”.

Exato.

Só que muitas vezes a o meu primeiro pensamento é ainda o pensamento da base, o qual eu preciso falar: “calma, pera aí, isso aqui é o que o meu instinto tá trazendo, mas não é assim, eu já aprendi que não é assim que o mundo funciona, o mundo tá disponível”. Então é louco, porque muitas vezes você tem ainda quase que a primeira a língua nativa.

Sim.

Sabe, a língua nativa ainda te puxa para aqueles pensamentos com os quais você foi formado. É [ __ ] isso, você quebrar esse padrão.

Exato, é o tempo todo você precisa ficar revisionando.

Revisionando, é isso. E aí o que acontece: a partir desse momento em que eu consigo contato com o Yudi, eu conheço uma empresa, eu conheço o antigo gestor de carreira dele, e o gestor de carreira dele me apresenta para uma empresa chamada Ecena. E aí ele tinha um projeto, a Ecena era de cenografia, ele tinha um projeto de basicamente ele queria criar um mercado de cripto para cenografia, ele queria criar muito assim, muito visionário. Estamos falando na época que Bitcoin era R$ 2.500,00.

Nossa Senhora!

Visionário! Ele falou assim: “cara, se eu pegar isso daqui, tem todo esse dinheiro na mesa, trazer todo esse dinheiro para uma plataforma que seja minha, como se fosse um iFood, então o dinheiro só circula ali dentro, e criar uma moeda minha, cara, eu consigo garantir que vai ser entregue, eu consigo ver qualidade, eu consigo…”. Ele criou o o que mais tarde poderia ser o GetNinjas. Ele falou: “eu quero que você desenvolva isso”. Eu falei: “cara, legal, só que o que você tá de interesse aqui é o é a moeda por trás disso, porque se você for o controlador dessa moeda, aí sim você tem um negócio de valor de bilhão”.

Sim.

Ele falou: “cara, como você sacou isso?”. Eu falei: “tá no papel, tô vendo”. Ele falou: “cara, você é genial, precisamos trabalhar juntos”. E aí na época ele perguntou: “quanto você ganha?”. Eu falei: “ó, meu time faz isso aqui”. Ele falou: “eu pago, monta um time, o time que você quiser, traz esse time para cá, né?”. Porque o Moraes Sarmento falou: “manda todo mundo pra Vila Lobos”. O cara alugou um prédio.

[ __ ]!

Falou assim: “vem trabalhar aqui comigo”. Eu falei: “demorou”. Liguei pra minha mãe — eu chamo minha avó de mãe, tá, então sempre que eu falar a minha mãe, é a minha avó —, liguei pra minha mãe, falei: “Nossa, aconteceu tal coisa”, e tal. Ela: “vem contar pro seu pai”. Fui para casa. “Aí, ó, pai, só que eu vou ter que mudar”. Minha avó chorando: “jurava que você ia sair de casa quando casasse, que coisa horrível você tá fazendo comigo!”. Só que eu fui um… Eu sempre fui uma pessoa extremamente radical em certo nível, muito individualista. Eu assim, não que eu seja uma pessoa ruim, mas eu sempre tive facilidade de falar: “eu vou fazer o que eu quero”.

Total.

Então, nessa mesma época eu tava certo de que eu ia largar a faculdade. Aí meu pai: “você tá maluco”, depois você… Eu não contei muito, mas nessa adolescência eu brigava muito com o meu pai. Hoje eu tenho uma relação assim maravilhosa. E na época eu também sempre tive uma relação de muito amor com meu pai, só que a gente brigava muito sobre carreira. Então eu lembro que eu passava a madrugada trabalhando, dev, codando, meu pai acordava assim de manhã e falava assim: “quando você vai arrumar um emprego?”.

Nossa!

“Pô, você vai ser um ninguém, você tem que arrumar uma empresa, você tem que fazer uma faculdade, essa brincadeira de criança tem que acabar”. E aí eu, cara, vou fazer, tô nem aí.

Legal, ele te amolou na raiva.

Exato, e raiva transforma demais, demais. E aí eu falei: “vou”. E aí minha avó: “não, não vai, não vai”. Eu falei: “tô indo, já fui”. No mesmo dia veio um carro, pegou minha mudança, fui para lá. E foi uma experiência horrível, foi porque eu não sabia valorizar minha empresa, eu não sabia negociar, não sabia que minha empresa tinha equity, não sabia de nada disso. Então eu conheci uma galera ferrada, chamei, tinha até um Bruno, um ótimo developer, ele morava na Bahia e eu falei: “ó, eu quero trazer esse cara”. “Onde que ele mora?”. “Na Bahia”. “Tá bom, traz”. Liguei para ele e falei assim: “cara, eu falei que um dia ia te trazer para São Paulo, faz sua mala, tô comprando seu voo”. Aí o cara veio da Bahia, trouxe, aí todo mundo morando junto, e essa época foi muito gostosa…

Da hora!

…porque por mais que muitas coisas deram erradas, cara, eu saía da faculdade, voltava onde vocês estão, o pessoal no escritório jogando: “pô, precisamos entregar tal coisa pro tal cliente”. E nessa época eu tive o meu primeiro contato com publicidade, porque eu era de uma família tão humilde que eu não sabia que existia faculdade de publicidade, eu não sabia que existia publicidade. E eu sempre fui muito apaixonado pela questão de experiência de usuário, pela parte de CSS, pela parte de de imagem de como o ser humano funciona, padrões.

É isso aí.

Tudo a ver, é o pano de fundo da publicidade.

E eu não sabia que existia publicidade.

Sim.

Quando eu chego na Ecena, o mercado principal de cenografia era o mercado de publicidade. Então eu lembro que ele tinha uma campanha que ele fez uma caixa do lançamento de Westworld da HBO, e era uma caixa… Eu falei: “cara, do caralho!”. E o universo de publicidade, ele é encantador, sim, porque, cara, você faz umas coisas malucas. E assim, nessa época, porque hoje tudo é performance, né? A gente até vai entrar nisso, mas nessa época não era nem o auge, mas a publicidade, quando ela não tem por finalidade a performance, ela te permite coisas incríveis.

Eu tava vendo esses dias um post sobre isso, sabe?

Sério?

Mostrando alguns algumas publicidades de 20 anos atrás que jamais seriam feitas hoje por conta de performance.

Exato.

O que pifa a conversão e etc., que no final das contas você acaba perdendo o ativo mais precioso, que é impactar a pessoa.

Mais do que isso, a memória.

Memória, exato, que fica atrelada à marca, que é o branding.

A minha relação com publicidade depois, isso eu fui entendendo com os anos, mas meu pai ele me cantava muito jingle, ele ficava cantando jingle: “Então não adianta bater, eu não deixo você entrar…”.

É isso aí, a campanha do frio!

A campanha do frio, e meu pai ia cantando, eu arrumava aquilo: “Onde tá meu celular? Na Pernambucanas!”.

Exato, e aí conectava tanto comigo, e eu não sabia explicar. E aí eu tenho o primeiro contato com a publicidade, eu me apaixono pela publicidade. E aí, pô…

Você entendeu que tinha uma ciência por trás daquilo que você vivia.

Exato! Mais do que isso, é muito mais simples: eu existi, eu entendi que aquilo era uma profissão. Eu não existia, eu não tinha ideia de que tinha faculdade de publicidade, de que tinha agência.

Você só era impactado por ela, mas você não sabia que existia de fato uma carreira.

Exato. Que é para às vezes as pessoas não entendem: poxa, por que que às vezes a pessoa em situação precária de comunidade, o cara não desenvolve? Cara, às vezes a pessoa realmente não sabe que esse universo existe, tá?

Falta referência.

Como eu não sabia. Referência total, porque a internet ajudou demais.

Exato, faca de dois gumes, né? A internet.

Exatamente. E aí eu, pô, isso é animal. E a gente começou a desenhar campanha pro Uber, a gente começou a desenhar coisa de cenografia, eu comecei a trazer as tecnologias de eventos, que era WebGL, que são aqueles painéis interativos, cara. E aí eu comecei a desenvolver isso.

Legal.

E aí, enfim, passado alguns meses, de nem um ano, uma briga muito ferrenha com esse sócio. E aí eu eu vou para uma conversa com ele e o outro empresário, e ele fala assim: “Poxa, cara, isso daqui não tá dando certo”. Eu falei: “beleza, eu saio daqui, levo os meninos e continuo a minha empresa”. Ele: “que empresa? Sua empresa é minha”.

Mentira! E é isso.

Que filho da [ __ ]! Mentira, mano!

E ele nem foi tão FDP assim. A questão é: eu não sabia de contrato, porque uma coisa que eu fui entendendo é que negócio não tem pudor, não existe bem ou mal, certo ou errado, negócio é negócio.

Concordo. E mas entendo, entendendo o tanque de tubarões que existe.

Mas, [ __ ], porém, pelo jeito que ele te convidou também, não foi ele fazendo “traz sua empresa para cá”, ele te contratou.

Exato, exatamente.

Ele te contratou, ele falou: “abandona o teu projeto…”.

Exatamente.

“…vem trabalhar para mim”, e você teve a cabeça de que isso era uma… Ele te contratou como um gerente de projetos.

Exatamente.

E você veio como: “ah, estou trazendo uma empresa para cá”.

Exatamente. Para mim eu tava fazendo M&A, entendeu? E aí, cara, pô, não li contrato, assim, super inexperiente. Eh hoje eu tenho uma boa relação com ele, mas na época, cara, eu queria matar ele, não aguentava. E eu lembro que eu falei assim: “cara, ó, aconteceu isso”. Aí os meninos: “pô, não vamos trabalhar mais aqui, a gente tá contigo”. Eu falei: “não, continuem suas coisas, pô, você veio da Bahia, jamais vou te pedir para largar o projeto aqui”. E a fim, o projeto não foi pra frente, ele queria que a gente desenvolvesse algumas coisas que eu não concordava na época. Eh eu lembro na época ele queria que a gente desenvolvesse uma tecnologia que hoje pode até ser real, pode ser até que exista isso, que era uma tecnologia que verificava a íris para identificar doenças, porque ele conhecia um médico não sei da onde que curou a mãe dele usando isso. Ele achou fantástico e falou: “Cara, se a gente pegar, desenvolver um app, mapear isso que mapeia a íris, o cara tira uma foto e a gente dá para ele o que que ele precisa tratar, etc., a gente revoluciona o mercado farmacêutico”, uma ideia B2C, cara, um cara de certa forma meio visionário.

Visionário, ele é visionário. E o e o papel do visionário é ser doido, porque a diferença do doido pro louco, do louco pro gênio é o resultado. Então você precisa ser doido em algum momento para enxergar algo que ninguém enxerga.

Exato, exatamente. E eu falei assim: “você é maluco”. [risadas] Quando eu entrei no canal desse cara, o cara tinha 400, 600 views. Falei: “isso não existe, eu não vou fazer isso nem a pau”.

Tô o cara que inventou isso, né?

Exato. Não, não, nem a pau vou fazer aqui. Anos mais tarde eu descobri pelo Miguel Nicolelis, um cientista super renomado, um dos grandes pais da da neurociência no Brasil, que na China tem tecnologia disso.

[ __ ]!

Então talvez ele estivesse certo o tempo todo. Então tá aí, mas tempo. Exato, só que eu chamei ele de louco.

Mas assim, de certa forma você também eh estar à frente do tempo e ser visionário fora do timing do mundo também é ser louco, exato. “Ah, eu quero, por exemplo, entendo que o Elon Musk quer agora povoar Marte. OK, tem tecnologia para isso, acessível… Não existe ainda a tecnologia para fazer, mas a acessibilidade da tecnologia para desenvolver”. Mas tem coisas, por exemplo: “ah, eu quero construir um iFood antes da internet”, não tem como, meu irmão! Então também é estar muito à frente de um conjunto de tecnologias para que algo aconteça, e aí isso aí também é ser louco, você querer construir algo que ainda não é possível por questões tecnológicas.

Exato, mas numa dessas vem um Steve Jobs da vida.

Vai um doido, um Musk, um doido, uns doidos desses, né?

Exato, exatamente. E aí eu brigo com ele, a gente tem uma briga feia, saio, separa, volto para casa com o rabinho entre as pernas: pior momento da minha vida. E aí o meu pai, ele meu pai, cara, meu pai é um cara incrível. Meu pai podia falar qualquer coisa, meu pai falou assim: “Tá bom, não deu certo, tenta outra coisa”. Já era, tirou todo o peso.

Exato, e aí, cara, eu comecei… Eu tinha a pulguinha da publicidade me picou, e aí eu comecei a entender: cara, publicidade, eu entendo de tecnologia, tem que ter alguma coisa aí, alguma coisa eu devo conseguir desenvolver com isso. E aí eu vou para uma palestra, já tinha uma rede de contatos interessante, sou chamado para uma palestra onde ia palestrar o Godílio. Godílio, para quem não sabe, é o presidente da agência África, uma das ou a maior agência de publicidade do Brasil. É o Godílio lá palestrando, e ele fala uma… Isso me marcou de tal forma que eu que eu falo em qualquer lugar: ele começa a palestra dele dizendo assim: “Marketing é a alma dos negócios, mas só para negócios que têm alma”. E ele faz uma palestra sobre a história da publicidade da África no Brasil.

[ __ ]!

E aquilo me impactou de uma forma que eu falei: “Cara, eu preciso trabalhar com isso, preciso!”. Invadi o palco, obviamente, né? Santo André raiz! Invadi o palco. Eu tinha uma técnica para ir em qualquer lugar nos eventos, não vou contar aqui porque ainda funciona. E aí eu fui pro palco, fui conversar com ele, falei: “Cara, eu desenvolvo site, faço tal coisa…”. Pós-evento, pós-evento! Ele fala assim: “Pô, passa seu número pra minha secretária, vamos conversar”. E aí eu passei, a minha expectativa era de que ele me ligasse. Aí passam meses, nada. Um dia eu tô no quarto jogando, escuto o telefone, minha avó atende, e aí eu escuto minha avó: “Que África? Isso é golpe, para de passar, que coisa feia, mulher!”. Na hora eu conectei os pontos, falei: “Mãe…”. Não, corri pra sala, peguei o telefone: “Alô, é o David?”. “Ó, Senhor David, tudo bem? Godílio quer marcar uma reunião com você”.

Nossa!

E aí, cara, eu pego um terno do meu pai — nunca tinha na época visto uma agência —, e a agência África no prédio do Google, eles eles tinham mudado de prédio. Ela falou assim: “Você consegue vir?”. “Eu consigo!”. Nem perguntei endereço, nem perguntei nada, esqueci. Peguei o endereço no Google, era o endereço antigo, eles tinham mudado de prédio. Eles ficavam num prédio ali na Faria Lima, mudaram pro… Eles tinham recém mudado pro prédio do Google. E aí eu fui nesse primeiro prédio: “Não, não fica mais aqui, fica lá, cara”. Suei, tinha que andar, ainda não tinha os os patinetes elétricos. Cheguei na África, primeira recepção é incrível: é você sai do elevador, tem um um corredor de LED com os painéis passando os maiores comerciais que eles já fizeram. E aí eu super impactado, fingindo que era normal, super impactado. O Godílio não pôde me atender, e ele pediu pro pro Ricardo, que era um dos diretores de de branding na época, me atender. Aí o Ricardo — vou até sentar —, ele chega e fala assim: “Você que faz site? É, tal… Conta um pouquinho da minha trajetória”. Ele: “Cara, que incrível!”. E aí a África, cara, eu vejo uma banda, todo mundo de branco numa sexta-feira, tinha um corner gigante de café no meio do escritório, todo mundo de Mac. Tinha visto três Macs na minha vida inteira.

Isso que ano mais ou menos?

Isso já era 2017, 18. 18, 19. E aí eu fico impressionado, eu falei: “Cara, preciso fazer alguma coisa”. Aí aquele aquele negócio: “não vou trabalhar para ninguém” virou para “eu preciso trabalhar para… [risadas] Eu preciso tá aqui, cara, meu Deus!”. E ele: “como que você imagina o site da África?”. “Porque sabe o que eu imagino: se a gente pegar um satélite, apontar para uma tribo, e aí o site vai se mexendo, e aí conforme vai acontecendo as coisas na tribo, vai aparecendo”. E aí na minha cabeça eu: cara, quanto que é um satélite?

[risadas]

Cara, que dinheiro esses caras têm? E aí eu volto para casa, África fatura não sei quantos bi. Falei: “Meu Deus, é muito dinheiro, cara, não é possível! O cara tava falando sério, um satélite!”.

[risadas]

E aí eu começo a trabalhar com publicidade. Então eu começo a fazer freelancer para agências, então fiz freela para a Grey, DPZ, pras agências, para projetos criativos.

Fez pra África?

Não, porque logo a gente começou esse projeto, ele saiu da África, o Ricardo, e aí o projeto morreu. Tentei alguns contatos novamente, mas nunca… Mas aquilo serviu para acender essa chama. Eu começo a fazer a os projetos, daí eu desenvolvi projetos para o C6 Bank, desenvolvi para a Locaweb, desenvolvi projeto para todo mundo.

Quando você fala de projeto, ainda mais relacionado a publicidade, é já branding ou publicidade específica?

Já branding. Então o que acontecia: as agências, elas tinham alguns budgets de projetos fechados, que elas chegavam, por exemplo, a equipe de pra empresa de áudio e vídeo e falava: “Ó, você tem que criar um esse projeto aqui já briefado“, né, que são os projetos principais que eles geralmente rodam dentro da casa. E alguns outras, alguns outros projetos menores eles terceirizam para agências. Então, a agência de publicidade que tem a conta eh pega uma agência de audiovisual, né, uma produtora de vídeo e fala: “Ó, eu tenho budget, eu preciso rodar um comercial menor para a Honda, e essa agência ela precisa criar esse projeto para apresentar”. E eu fazia esse projeto para apresentar para para vender. E legal, pô, comecei a entender os números, comecei a me apaixonar, só que eu comecei a ouvir uma reclamação: performance. Então todo mundo: “pô, vocês me entregam o número, mas não sei o que, tal, tal, tal”. É para avaliar lá antigamente pelo menos mídia espontânea, impacto, tal, tal, tal. Mas e aí, ROI? Não tinha essa análise. Comecei a olhar isso, e aí nessa época eu também tava fazendo um freelancer para uma produtora chamada Barro de Chão, que me abriu muito também o o olhar, o a toda a visão pro universo de publicidade. E aí eu eu falo assim: “Cara, eu preciso aprender sobre vendas, eu preciso aprender sobre o que que é isso”. E aí eu descobri o marketing digital, e aí eu lembro que era o primeiro ano que ia ter o evento do Mercado Livre. E aí eu cheguei pros donos da marca da Barro de Chão e falei assim: “Ó, eu preciso ir nesse evento porque eles vão falar disso, preciso estar por dentro por causa disso, disso. Compra o ingresso para mim”. Eles compraram o ingresso para mim e pro filho deles, falou: “vamos tocar”. E aí eu cheguei no evento, comecei a entender sobre marketing digital, comecei a perceber as palestras, eu falei: “Cara, preciso chegar nessas marcas”. E aí eu falei assim: “E se eu começasse a dar oi para elas?”. Eu falei: e se eu tivesse uma empresa chamada High Branding? “Como assim?”. Eu falei: oi lá, marca, vou chegar para as pessoas, vou falar “Oi, marca, eu consigo bombar tua marca, tal”. Abro a High Branding. Nesse nesse período isso foi muito rápido, então imagina, a gente tá falando de um ano, eu tinha acabado de conhecer o Yudi, de conhecer pro Yudi, acontece todo esse caos na Ecena, só que o Yudi me levava para alguns eventos, porque nessa mesma época que ele tinha desfeito essa essa sociedade, eu entrei em contato de novo com ele. Nessa época a gente pega o perfil dele com 700.000 seguidores, leva para 1 milhão e pouco.

Caramba!

Falei: “Cara, me descobri, eu sou bom nisso!”. E aí ele me leva para um evento, no evento da Fundação Edmílson, e lá tinha vários empresários. Comecei a me apresentar, e aí eu conheço uma marca chamada Just Another Brand, que é a JAB, que foi meu primeiro cliente de marketing de performance. E aí o o dono era o Tom, falei: “Cara, consigo fazer a marca bombar, etc.”. Aí o Tom fala assim: “Cara, vem no escritório”. Preparei uma baita apresentação, toda a referência, tal, metade do que eu tava falando não sabia fazer, ia aprendendo. Apresentei e tal, ele falou assim: “Pô, animal! O que que você tá fazendo da vida?”. Eu falei assim: “Cara, acabei de desfazer uma sociedade, tô meio quebrado, tô recomeçando, mas entendo muito de publicidade eh e quero fazer isso, eu quero fazer o e-commerce de vocês bombar”. Ele falou assim: “Tá bom, vou acreditar em você. Quanto você cobra?”. Aí na época eu falei assim: “Cara, não faço ideia, não sei se tomo, etc.”. Falei: “Ah, cara, quanto que eu precisava para pagar o aluguel?”. “Ah, tal”. “É tanto”. Falou assim: “Feito!”. Nesse tempo eu tinha acabado de conhecer a minha futura esposa, que era minha namorada. Falei assim: “Cara, fechei meu primeiro cliente, agora já era”. E aí eu falei assim: “Pô, preciso aprender tráfego”. Aí eu comecei a a estudar a Comunidade Sobral de Tráfego, só que eu tinha um background que ninguém tinha, porque eu era dev. Só que mais do que isso, eu conhecia agora a publicidade, e esse mercado do marketing digital odiava a publicidade.

É, porque a publicidade, por por erro deles, sempre deixou de lado, ficou uma coisa mais romântica, e os caras eram 100% de performance.

Até porque na época o modelo de negócio da publicidade em cima de BV e etc. era um modelo que não podia caber performance, porque eles ganhavam muito dinheiro nas viagens malucas que eles tinham, exato.

“Não quero um barro aqui caindo do céu, um chão no estúdio”.

Imagina, você ia fazer uma… Quanto mais cara a campanha, mais a agência ganhava, é isso. Então, poxa, eu não quero.

E os budgets eram altos.

Exato, gigantescos! Comerciais de 10 milhas.

Que loucura isso, milhas!

Mas até isso eu lembro que na época, para anunciar na Globo era 50 milhões, não tô falando produção, muitas vezes.

É, não, fora a produção, fora a produção. Produção, o maluco fala: “[ __ ], mano, como vocês estão gastando isso de produção, mano?”. Imagina a distribuição disso aí. Loucura, loucura! Chover em estúdio, piscina, o carro só…

Só que daí eu eu tinha, cara, eu amei esse mundo porque eu falei assim: “Cara, eu quero fazer publicidade, eu quero fazer filme, eu quero fazer comercial, eu quero contar histórias”. E isso sempre foi minha vantagem. Quando eu entro para a JAB, eu começo a pensar os anúncios. Então, sem querer, eu comecei a fazer tudo: então eu fazia o anúncio, eu pensava no vídeo, eu comecei a editar o vídeo, eu subia o site, eu ajustava o e-commerce, você virou uma… É tudo. E aí eu lembro até uma vez que eu vi o o Nizan… O Nizan falou assim: “Cara, pessoas como eu, como o Washington, são uma agência”, porque ele tava sendo questionado por que o mercado de publicidade ficou na mão deles aí, ele falou assim: “porque nós somos a agência, se precisar fazer tudo, a gente sabe fazer tudo”. E aí isso pegou na minha cabeça, falei: “Cara, beleza, eu tô entendendo aqui como que faz o anúncio, que anúncio performa”. Só que eu comecei a contar a história. Então na época a gente tava vendendo uma camiseta da JAB, nem existia Insider, e aí eu comecei: “estica, mas não amassa”, não sei o quê, “mas não envelhece”. Peguei todos esses ganchos, coloquei, montei um baita criativo, que até um tempo atrás era o criativo ainda que mais vendia, que era um criativo de um dos sócios puxando assim e voltando em câmera lenta a camiseta. Bombou! Aí eu lembro que eu fiz minha primeira venda no marketing digital, olhei pra minha esposa e falei assim: “Cara, descobri a roda, já era. Pô, se eu vendo isso, eu vendo tudo”. Desde então, todos os meses eu comecei a dobrar de faturamento. Durante um ano consecutivo dobrando de faturamento, comecei a contratar. Então eu já tinha muita noção de empresa, porque querendo ou não, na época eu tinha oito oito devs, e o projeto de desenvolvimento é um projeto muito complexo.

Sim, total.

Então imagina gestão: eu tinha estudado o método IT, eu tinha estudado gestão ágil, então eu tava entrando para um mercado super imaturo, em que ninguém sabia nada de empreendedorismo, que todo mundo com gestão muito falha — isso a gente tá falando 2019 —, só sempre se fazia em cima da hora, de madrugada, etc.

Publicidade sempre deixava pra última hora.

Exato. E aí no marketing digital era pior, porque aí você tinha um problema de prometer e não entregar, você tinha um problema de falta de gestão, de não entender negócio, de não entender processo. E aí eu começo a olhar tudo isso, e eu começo, cara…

E você vindo de dev, que você tem que ter scrum realmente.

Exato, exatamente. Eu começo a crescer os projetos, eu faço: “cara, eu preciso ir para… Eu quero mirar a publicidade, como que eu viro uma agência de publicidade?”. E aí eu fui, faço uma reunião com um, faço uma reunião com outro, e aí eu eu faço… Eu lembro que eu consegui uma reunião com um dos donos da PokerStars, [ __ ]!

Brasileiro.

Brasileiro.

[roncando]

Ah, não sabia.

É, um dos sócios da BR Media. E aí ele me recebe para uma baita reunião, e aí ele me ouve falar pra caramba, e aí ele cata e fala assim: “Ó, uma vez eu vi uma história de de Frank Talk que ele veio vender um projeto pra Band, e ele falou, falou, falou, e no final a o dono da Band falou assim: ‘Tá, mas me responde três coisas rápidas: você tá aqui falando há uma hora…'”. Olha como que ele foi educado, porque ele queria me dar uma baita lição sem ser rude. Então ele criou uma história, uma história para você fazer o paralelo. E aí ele catou e falou assim: “o que você pode fazer por mim, o que você vai fazer para mim, e o que que isso vai me dar de resultado?”.

O [ __ ]!

E aí eu sou rápido de pegar padrão, entender [risadas] de tudo na hora, e aí eu, muito humilde, eu falei assim: “Olha, eu não sei o que eu posso fazer por você, não sei o que dá para para te dar de resultado, não tô preparado para isso, mas eu sei que você precisa de marketing digital”. Ele falou assim: “Cara, volta para casa, melhora esse pitch“. Só que quando ele falou isso, eu falei: “Eu preciso trabalhar meu pitch“. A partir daí, eu nunca mais errei numa apresentação, porque ficou claro para mim que…

Você falhou na na…

Exato. E aí eu começo a fazer contatos, começo a fazer contatos, as pessoas começam a me indicar, e aí começa a vir as grandes empresas. Então, por exemplo, Sennheiser foi uma, Sennheiser foram uma, eh Lenovo, aí aparece projeto com o Banco do Brasil, enfim… Trabalhei em grandes marcas, e tudo isso justamente por conta dessa reunião e pelo meu apetite, porque eu olhava a marca… Então imagina: todo mundo no marketing digital tava anunciando para quem? Para o cara que tem um negócio na esquina. Eu já tinha feito isso com a com a minha software house, eu sabia que essa galera não dava vida.

Não tem consciência.

Exato! Falei: cara, para eu vender… E aí eu comecei a entender que você nunca pode ser a conta mais cara da empresa, nunca. Então assim, poxa, se eu quero vender um projeto por R$ 50 mil, R$ 100.000, ela tem que estar acostumada a pagar esse boleto, porque se eu sou o projeto mais caro, o primeiro que ele vai me encher o saco e o primeiro corte de custo sou eu.

Muito inteligente isso.

E eu comecei: cara, eu não posso ser… Se eu quero cobrar tanto, eu não posso ficar com esse tipo de cliente, eu tenho que ter… Tem que ser… Eu tenho que fazer com que os meus 50 seja barato.

Exatamente.

E aí, nessa época eu sou contratado pelo Congresso eh de Tecnologia do Brasil — nem sei se existe ainda —, para fazer uma campanha. E aí eu faço minha primeira supercampanha: na época tava passando Mr. Robot, não sei se você conhece, é uma série de hacker. E aí, putz, uniu tudo o que eu gostava.

Uhum.

Eu começo a fazer uma campanha de CRM de e-mail marketing falando que o Congresso tinha sido hackeado, que seus dados estavam inseguros. Eu faço uma sequência do hacker conversando com a comunidade, no último eu falo assim: “se você ficou com medo e quer que seus dados não sejam vazados nos seus projetos, nós estamos fazendo o workshop de segurança do Congresso Nacional de Tecnologia do Brasil”.

[ __ ]!

Explode de vender!

Nossa!

E aí, esse foi meu primeiro grande case. A partir desse momento em que eu comecei a colocar eles na apresentação, começou a chover gente, começou a vir muita empresa, muito contato. E aí um desses contatos, ah, é uma pessoa que é a Priscila Reis, que é uma expert em inteligência artificial, ela pede para eu desenvolver um projeto.

Esse em que ano?

Aí a gente já tá falando de 21, 22.

Boa.

A a pandemia… Então imagina: eu abro a High Branding em 2019, vem a pandemia. Na pandemia, v-, bombou, bombou! Todo mundo queria estar no digital, a parte mais simples. Quando passa a pandemia, eu começo a falar assim: ó, o que que eu vou fazer, como fazer? Eu preciso focar nos clientes maiores porque eu não quero ficar aqui, eu quero ser agência de publicidade, e aí começam a nascer esses projetos.

Eu só eu só queria dar um um pulo um pouco mais pros dias atuais, que já tá quase estourando, e quando você fez a… Porque assim, quando quando eu vejo teu histórico e pelo que a gente estava conversando nos bastidores, eu vejo que você hoje tá focado em branding, mas ou não necessariamente?

Eu sou focado em branding e performance.

Que que eu entendi? Porque isso aí, cara, você vai na contramão da… Justo a performance não querendo olhar pra branding, e o branding não querendo olhar pra performance, e você une os dois! Você acaba com uma guerra exatamente entre duas áreas do marketing que ficam se atacando.

Exato.

E fica muito fácil culpar um só porque o B.O. é todo seu.

O o meu maior professor foi o Tom, que hoje é meu sócio em vários projetos, que ele falou assim: “Cara, é o seguinte: eu não vou fazer promoção no meu site, se vira”. Porque no marketing digital… Porque ele é dono de qual marca?

Da JAB, JAB.

Ele falou assim: “Cara, eu não vou fazer promoção, então se vira”. Porque você pegar eh marcas como Insider, por exemplo, Insider mais do que Minimal, por exemplo, mas Insider, [ __ ] é a base de promoção.

Exato.

Por quê: porque quem entende um pouquinho de business sabe que sabe que o negócio é extremamente elástico. O preço dos caras para pagar uma porrada de influencer, para pagar uma porrada de de cupom, você fala: “porra, eu não vou comprar agora, vou esperar a próxima promoção”.

Exato.

Que é o que acontece com o consumidor, com o mínimo que você entende disso.

E essa conta não fecha, e aí que é uma pirâmide de certa forma, vai analisando. A realidade é que você tá construindo grande parte do seu do seu valor em marketing.

Exato.

E no final das contas você fica com a cara da promoção, esperando a próxima promoção. É bom em termos de faturamento e tudo mais, mas em outro em outro caminho você deteriora a tua marca.

Exatamente.

Que é o que se cada usa o… A JAB teve. E aí quando ele teve essa visão, eu comecei a, pô, me virar, a ser criativo. Eu falei: “Cara, é essa união de branding e performance que vai fazer as coisas darem certo”. E aí eu começo a a de novo, explorador… Aí eu faço projeto com a Sennheiser, faço a melhor Black Friday da Sennheiser.

Caramba!

A partir da Sennheiser, aí começam a se abrir muitas portas, e aí eu começo a fazer um projeto pro Eduardo Lins, que é o cofundador da Delivery Much, que é dona do iFood. Um cara do iFood liga para mim, fala assim: “Pô, me falaram bem de você, tal, eu quero lançar uma mentoria”. Só que antes de lançar a minha mentoria, meu amigo quer lançar a dele, fala com eles. E aí eu crio o projeto, a gente lança um produto chamado “De Startup a Unicórnio”, que eu dou esse nome, e aí o projeto, esse produto arrebenta de vender. E aí eu comecei a, cara, pô, legal também esse esse esse mercado de de mentoria, porque até então o que que era mentoria: infoproduto. Falei: “Cara, mas dá para criar negócio aqui, dá para criar branding, né? Branding e valuation por trás”. A partir daí, um dos meus clientes era a Rick Forge, que era uma loja de sabres de luz. E aí eu, cara, viciado em números, sabia que ele tinha muita margem para crescer… Vou correr um pouquinho, eu falo assim: “Cara, vamos fazer uma campanha no Flow?”. Ele fala: “Você tá maluco?”. Eu falo assim, ó: “coloca o dinheiro, se não pagar, eu pago tudo”, porque eu já sabia que o ROI dele tava muito esticado. Então, imagina a gente fazer uma campanha… Eu tinha um ROI de 15, 17. Se você tem um ROI tão alto, significa que você tá deixando dinheiro na mesa porque você tá investindo pouco, né? Eu falei: “Cara, você tá deixando dinheiro na mesa, coloca, se não voltar, eu pago”. Ele falou: “Tá, vai atrás”. Aí eu faço contato com o Fênix, que era sócio do Igor no Flow Games, falou assim: “ó, tem uma campanha tal”. A gente faz uma campanha da May the 4th. Esse meu cliente, a gente lutava para vender R$ 100.000,00 por mês, a gente fez essa campanha, três dias bateu R$ 100.000,00.

[ __ ]!

E aí foi uma das melhores campanhas do Flow em questão de venda, investimento e retorno, os caras falaram: “caraca!”.

E como que foi? Pensando um pouco na parte operacional desse Flow, foi assim: só aparecer no Flow? Teve todo um…

Cara, primeiro eu cheguei para eles sabendo que eles eram fãs de Star Wars, eu dei o produto para eles no meio do podcast, e eles iam fazer um uma… Isso era em maio, e tem o 4 de maio, que é o May the 4th. Falei assim: “Cara, a gente quer patrocinar, tal”, dei sabre para todo mundo, “você não precisa falar muito da minha marca, não precisa falar já, só faz o programa com meu sabre”. Porque as pessoas que estavam lá estavam interessadas em Star Wars, se o cara vê um sabre animal, ele vai atrás. E aí os caras começaram a falar e: “nossa, passa para cá, que é isso? Nunca vi isso, melhor que o da Disney, tá? E o cupom tá aqui”, só explode de vender.

Nossa Senhora!

E aí um dos clientes da Rick Forge era o Guga Stocco, um dos fundos, dos sócios do Buscapé.

[ __ ]!

E aí o cara fala assim: “Ó, o Guga tá lançando um negócio, um projeto de…”, era num curso de sabre de samurai, o Guga é meio louco.

[ __ ], sério?

E aí o Guga cata assim e fala assim: “Cara…”, e aí eu chego e falo assim, ó: “O Rick falou de você, tal…”, ele não fez a ponte, mandei um Instagram, falei: “eu que cuido do do do marketing da Rick Forge, eu quero fazer um projeto para você”. Ele me abre o que que ele precisava, eu criei um projeto, [ __ ] projeto! Ele falou assim: “Pô, animal! Eu tô fazendo um IPO Humano”.

[roncando]

Só que o IPO Humano tinha 7 meses que tava lançado, tinha captado nada. Ele precisava bater 3 milhões de faturamento, senão… Essa história foi, foi.

[ __ ], eu vi essa história! Maior doideira.

E se ele não bate, sai na mídia pra [ __ ]. Se não batesse a oferta, ele tinha que devolver o dinheiro de todo mundo. Eu falei assim: “Cara, bora, tô pro desafio”. Eu falei: “vamos fazer”, a gente tinha três meses.

[ __ ]!

Eu crio uma campanha, então eu pego todo esse know-how em branding, eu crio uma campanha que é “Se você tivesse uma máquina do tempo”. E aí eu começo: “Se você tivesse uma máquina do tempo, você investiria em empresas como Loggi, Gympass, Hotmart, Google, Apple?”. E ele fala assim: “Essas três primeiras eu investi”.

Então você já consolida, cara. O maluco é um gênio, cara. O primeiro cheque que o cara fez foi Loggi, Gympass e Hotmart, três unicórnios. E ele começa, fala do IPO Humano, fiz uma live de lançamento: três meses a gente esgota a oferta.

[ __ ]! E que que deu essa [ __ ]? Ele fez o IPO Humano mesmo, cara?

Fez, a gente esgotou a oferta e tá dando supercerto. Todas as empresas… Ele tá lançando agora a Red Mind, que é o banco que ele tá trazendo um banco internacional de investimento com cripto, onde você tem uma série de de algoritmos para que, junto com inteligência artificial, você consiga montar uma carteira sem entender nada do mercado. Então você fala lá: “cara, o que que tá no no auge agora?”. “Ah, inteligência artificial”. “Monta uma carteira para mim com inteligência artificial, mas que também seja segura”. A inteligência artificial vai lá, monta a carteira e opera para você.

[ __ ]! [ __ ] animal, [ __ ]!

E aí eu começo essa super-relação com o Guga, o Guga começa a me indicar para diversos projetos e aí eu desponto. E aí é onde é um cara com acesso te dando um monte de…

Exato, o Guga sempre foi muito muito gentil comigo e comecei a dar resultado. Até que a gente aparece numa concorrência agora de uma supermarca, me ligam e falam assim: “Cara, a gente tem uma marca tal de um cara pouco famoso”. Falei: “quem?”. O cara: Neymar Jr. Um tal de Neymar aí. Eu falei: “Caraca, que marca!”. E aí os caras trazem a Next 10. Aí eu monto, eu pego o meu time, em uma semana eu monto um e-commerce do zero, sem contrato fechado, sem ter apresentado, sem nada. Eu tinha uma apresentação para a semana que vem, eu falei: “a gente vai fazer a melhor coisa do mundo”. Contrato ilustrador, fazemos uma ilustração enorme do Neymar, cara, tudo o que eu aprendi em todos os anos de publicidade coloquei dentro. E o Neymar abre portas demais, cara. E aí a gente trouxe a ideia do “O 10 sempre foi nosso”, que é trazer a ideia de que a Next 10 é uma marca que sempre esteve por aí, porque o camisa 10, o 10, cara, você é 10 na sua profissão, não é sobre academia, não é sobre treino, é sobre performance, é sobre ser obsessivo. Qual a sua obsessão? A Next 10 te ajuda a chegar lá.

[ __ ]! [ __ ]!

Apresento, cara, imagina: a maioria veio com pitch, não sei o quê, eu vim com o site pronto.

É como esse “rodão”, você veio com a publicidade, isso.

Os caras: “pô, tá fechado!”. E a gente ganhou essa concorrência e agora estamos cuidando de todo o projeto de lançamento.

[ __ ], mano, que da hora! E hoje, então, cara, o branding é a cereja do bolo?

Cara, eu diria que ela é a base, porque o o que acontece, o marketing… A gente pode fazer até um programa sobre isso: o marketing no Brasil, ele tem vários vícios, desde a publicidade que, infelizmente, criou um mercado ruim para ela, só que o marketing digital piorou isso. Piorou, porque o marketing digital primeiro que não é verdadeiro. Então eu, o slogan da minha agência é High Branding. Hoje a gente é uma agência internacional — nem entrei nisso, mas hoje a gente tem cliente nos Estados Unidos, a gente tá fechando a compra de uma agência na Europa.

Que da hora!

Então assim, ah, cara, é muito assunto. Como eu cheguei nos Estados Unidos: então é, um dia eu falei assim “cara, eu preciso ser internacional”, tá, tá, tá, tá. Do nada a gente fechou uma das maiores estilistas de Ohio, chamada Valerie Mayen, para lançar o projeto dela. E aí a partir disso começo a pegar Revive… Eu lembro que como que que aconteceu: eu contratei um professor de inglês pros Estados Unidos, e o professor de inglês falou assim: “cara…”, eu falei o nome dele, “como que eu faço para ser internacional?”. E, cara, o americano ele é um bilhão de vezes à frente, ele cata e fala assim: “pega um voo, vai para os Estados Unidos, fecha um cliente, agora você é internacional”.

Simples assim!

Comprei uma passagem para Nova York e fui sem ter nada, sem ter nada. Fui lá, do nada eu ligo pro Booking em Nova York, fechei um prédio que eu sabia que era um prédio que rodava muito Mórmon, porque eles fazem muito negócio, etc., que eu falei “aqui é um prédio de…”. Não era um prédio glamuroso, não era um prédio que tinha… Era um prédio onde pessoas iriam para ter reuniões ali em Nova York. Fechei esse prédio, cara.

Fechou esse prédio como, você diz?

Não, fui lá e e fechei pra hospedagem, né?

Ah, tá.

Levei minha esposa, meu filho. Aí eu falava pra minha esposa: “ó, vou fechar negócio”. Eu descia pro saguão, ficava ouvindo as conversas, onde eu entendia que dava para entrar, eu entrava. Comecei a conectar…

[ __ ] a cara de pau!

Conheci o Andy, que era dono de um dos maiores sites de de sites, não, né, operadores logísticos, ele é igual a um iFood de logística em Londres.

[ __ ]!

Cara, vendeu a empresa dele por sei lá quantos milhões de dólares. Comecei a conectar com todo mundo, e aí, pô, eu tenho uma eu tô valorizando a minha história, né: “pô, o menino que veio do nada”, tal, “tá em Nova York, vende empresa”, tal. E os caras: “caramba, cara, que animal!”. Até que um dia eu tô assim no no saguão do hotel conversando, um cara senta: “o que que você faz, cara?”. Porque às vezes eu começava a fazer reunião falsa alta em inglês para falar o que eu tava fazendo. Aí o cara senta: “o que que você faz?”. Eu: “pô, desenvolvo, trabalhei…”. O nome da Sennheiser me abriu muitas portas, “fiz esse projeto”, tal, não sei o quê. Ele: “e você?”. Ele: “eu faço isso aqui”. Eu: “o hotel em que você tá sentado eu que construí”.

OK!

[ __ ]!

Aí ele era dono da Zura Construction, uma empresa sócia do Trump. Ele fala: “não tenho site, você faz meu site?”. Nossa, já era internacional! Fechei o primeiro cliente e aí foi. E aí retornando: qual que é o problema? O marketing digital no Brasil ele promete muita coisa mentirosa. Então, cara, putz, eu vou fazer um projeto, “não, vamos investir 10 que vai dar um ROI de 100.000”, cara, eu sempre fui muito, “cara, isso não existe”. Quando você vai entrando, vindo em mentoria, mastermind, você vê que a maioria, cara, tá gastando milhões, queimando verba para vender o que não pode, porque daí consegue fazer um barulho e aí consegue ser lucrativo, só que é um jogo para muito poucos.

E às vezes colocar, é no final é só pagar CAC para colocar gente na esteira e tentar vender um.

Exato, e essas complexidades acabam queimando o mercado. E aí quando veio a crise, cara,

[roncando]

você falou: a água baixa, quem tá nu aparece.

Exato.

Só que daí o que que acontece: você não tem mais… O Facebook cresceu o preço. Só que eu tava um ano na frente porque eu tava já trabalhando no mercado dos Estados Unidos. Lá não tem CAC. Lá é o seguinte: você vai fazer campanha, só que o empresário americano ele é muito mais maduro, o empresário americano vai engajar numa campanha, ele não quer saber quanto que ele vai dar de ROI. “Você vai me trazer X clientes? É X clientes que eu tô olhando. Deu ROI negativo? Tudo bem, esse é o jogo, porque em quatro compras eu começo a ter lucro com esse cliente”, e ele tá preparado. Só que o mercado ele educa tão mal, e é por isso que é importante o Além do CNPJ, é importante a gente tá aqui, porque a internet vendeu muita mentira e aí o cara não tá preparado. “É, pô, vou vender, só que daí se eu abro um e-commerce, tem custo de produto, tem custo de frete, tem custo de não sei o quê”.

Margem, é isso.

A ponto de até ele colocar, acreditando que vai dar ROI pelas promessas que se faz, dinheiro além do que ele pode.

Exatamente.

Se enforcando em fluxo de caixa, pensando que isso vai voltar, e no final não volta.

Exatamente. Aí que se estrepou, e aí você vê pessoas com ROI 2 escalados e aí some. Por isso que no mercado digital todos os anos muda quem são os top players.

É isso, porque o que que eles precisam… Legal a visão que você teve, foi foi do caralho! E outra: trazendo branding para uma coisa que no final das contas as pessoas estão querendo só às vezes colocar um uma caixinha de pergunta lá e taxar porque no final tá dando tá dando ROI.

Exatamente, mas tá dando ROI até que ponto? O que que você tá construindo por trás? Qual autoridade você tá construindo?

Credibilidade e lembrança de marca, lembrança do nome, [ __ ] é isso!

E outra, growth. Tipo, por exemplo, vamos pegar esse caso da Next 10, cara: por que só usar marketing digital? Ninguém mais tá usando TV.

Exato.

Ninguém mais tá usando OOH, as pessoas estão na rua.

É, as pessoas estão descendo o elevador.

Então, o a grande questão do marketing digital que se perdeu é você sempre explorar novas ondas. Só que agora todo mundo só vendeu, é só anúncio, anúncio, anúncio, anúncio, anúncio, e tem todas umas camadas do marketing que ninguém tá olhando.

Total! É isso, elevador funciona pra [ __ ] ainda mais em São Paulo.

Demais, demais! Tudo hoje dentro das casas.

[ __ ] do [ __ ], meu irmão! [ __ ] baita de um podcast, meu irmão! Estouramos, mas estouramos com com eh intencionalidade porque valia a pena.

Isso.

Mas não acabamos ainda, cara. Vou pedir licença rapidinho para agradecer o patrocinador, e aí eu volto aqui com a pergunta final. Eu quero ver a resposta dessa pergunta final. Galera, [ __ ], todo esse audiovisual com qualidade são graças aos patrocinadores que acreditam no projeto do podcast e investem pra gente trazer esse conteúdo aqui de qualidade.

Então quero começar agradecendo a SMB Store, que desde 2018 tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com sistema acessível e fácil de usar.

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Galera, todos esses eh desafios que hoje você tá enfrentando, empreendedor aí, pode ter certeza de que muita dessas dores parte desses patrocinadores conseguem resolver essas dores para você, seja com as empresas e os empresários que estão à frente com atendimento personalizado e uma confiança fora de série. São todas pessoas e empresas curadas por mim, pode ir de olho fechado, depois volta aqui para me agradecer. Tamo junto, meu irmão!

David, pergunta final, cara: você tá com 29 e, pô, a gente que é que é jovem — você você é mais novo que eu, tô com 37 —, a gente que é mais mais tá tá nessa nessa meia-idade, próximo dos 30, a gente vive a vida eh considerando que talvez esse seja o melhor momento da nossa vida, porque a gente tá no auge, talvez não necessariamente dos resultados, porque a gente espera muito mais, mas da maturidade. Fala: “cara, tô começando a entender agora de fato o game“, porque você vai descascando a cebola e vai chegando no núcleo, né, do que de como o mundo funciona, ainda mais com esse perfil que você tem, que é um cara muito eh atento aos sinais e aos padrões. Mas, cara, é [ __ ], porque como cristão — e você já disse que é —, eh a gente acredita que a gente tá sendo eh assistido. Mas mais do que isso, nessa idade a gente vive como se fosse para sempre, pelo menos por mais que a gente saiba da finitude, a gente acredita que ela tá longe pela nossa idade, então vive como se não houvesse amanhã. “Ah, não, a gente sempre fala de 10, 20 anos, ah, o que eu vou fazer no futuro, eu vou dominar tal coisa, eu vou fazer tal coisa”, porque aí a o tempo joga a nosso favor, mas a gente não sabe dos planos de Deus. E se por acaso, saindo daqui no piscar de olhos, você acorda na frente dele, e ele com uma baita de uma segurança, uma serenidade no olhar, fala: “Meu irmão David, missão cumprida agora. Calma, eu peguei a Next 10, não vai, vai dar tudo certo” e tudo mais… [ __ ] Bate na madeira aqui, porque em 200 episódios nunca ninguém saiu daqui e morreu! Mas, [ __ ], 29 anos de vida… Se essa fosse, se essa fosse a idade do teu fim, cara, e tivesse que talvez resumir essa trajetória toda em um conselho, que conselho você deixaria?

Difícil. Normalmente os primeiros que vêm à mente são os melhores que vêm, mas eu acredito que o melhor conselho que eu poderia dar é: busca a sua essência.

Busca a sua essência.

Exato. Eu acho que aquilo que tá dentro de você, que você acredita, por mais que o mercado não acredite, que seus pais não acreditem, por mais que pareça que não seja isso, se você se alinhar com a sua essência — e eu entendo que só dá para se alinhar com a sua essência quando você tem uma um relacionamento com Deus —, as coisas vão acontecer e vão dar certo, porque se ele te deu uma missão e você tá seguindo essa missão, as coisas vão dar certo, ponto.

E quando você… Vou vou fazer um adendo, pelo menos como eu enxergo esse seu conselho e que concordo em gênero, número e grau: ouvir a sua essência, né, é ouvir o teu coração, é isso, literalmente o que às vezes é contraponto da razão.

Sim.

Principalmente quando aos olhos dos outros… Teu pai, por exemplo, falando “vai trabalhar”, e você trabalhando… Então é muito louco, você tem que o teu coração de algum jeito sabe qual deve ser o seu destino, porque eu acredito que é o local que Deus escolheu para conversar com a gente…

É isso.

…através do coração. Cara, será que… Sabe aquele incômodo: “não tô gostando daqui, isso aqui não tá me fazendo bem, mas isso faz sentido”, por mais que não faça algum sentido. Publicidade, será? Tatá. Você podia ter seguido somente por dev, tá voando aí hoje no dev, mas, cara, por que isso faz sentido? Racionalmente não, mas meu coração diz que sim. Essa é a essência.

É isso, essa é a essência. Eu escuto a minha essência assim, e concordo 100%. Você é um cara muito intuitivo pela tua trajetória,

[roncando]

e foi ouvindo a tua intuição que você tá aqui.

Exato.

[ __ ] do [ __ ]! Baita história, mano! Parabéns!

Obrigado, tamo junto!

Episódio monstro demais, hein, galera! Pô, vale o like, vale aí o joinha, pô! Aqui embaixo tem vários botões, clica em todos para engajar, se você acha que o que a gente conversou aqui faz sentido para um sócio, um amigo, um amigo empresário, encaminha para ele, e tamo junto! Até a próxima! Aqui embaixo tá todas as redes aqui do nosso brother. E, pô, eh você produz conteúdo no Instagram?

Comecei agora.

Então já era! Aqui embaixo, ó, Spotify ou eh YouTube, caso você esteja assistindo nessas plataformas, aqui embaixo tá o Instagram dele, segue lá o David! Tamo junto, meu irmão, mais uma vez! Tamo junto, parabéns pela trajetória!

Valeu!

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