Cultura do Time Único, a Transição de Executivo para Empreendedor e o Mercado de Longevidade com Marcelo Spaziani | Além do CNPJ (EP #176)

A Engenharia do Alinhamento e o Fim das Barreiras Corporativas

No ambiente de grandes corporações e PMEs em expansão, o desalinhamento entre departamentos é uma das principais causas de estagnação de receita. Vendas culpa o marketing pela qualidade dos contatos, o desenvolvimento reclama das entregas operacionais e o financeiro atua como um freio de mão dos investimentos. Quando esses feudos organizacionais trabalham de forma isolada, o resultado é a perda de produtividade e a desaceleração do negócio.

No episódio do podcast Além do CNPJ, o host Felipe Cassola e o co-host Bruno Bertozzi receberam Marcelo Spaziani — executivo com 33 anos de trajetória na IBM (onde atuou como Vice-Presidente para a América Latina), autor do livro Time Único e atual CEO da DUX e sócio da Viccan.

Spaziani compartilha a metodologia que desenvolveu para integrar áreas técnicas, de backoffice e comerciais no mesmo ecossistema de metas, além de detalhar sua transição segura da carreira executiva para o ecossistema empreendedor na indústria química e na saúde.

1. O Método “Time Único”: A Integração dos Silos Organizacionais

Em 2002, ao assumir a diretoria do setor financeiro da IBM Brasil durante uma retração de mercado, Spaziani enfrentou o desafio de bater metas agressivas com uma equipe dispersa. A solução foi romper o formato tradicional e reunir especialistas de hardware, software, serviços, jurídico e RH no mesmo espaço físico e conceitual.

[Áreas Isoladas (Hardware / Software / RH / Vendas)] ➔ [Unificação no Conceito Time Único] ➔ [Alinhamento de Linguagem de Negócio] ➔ [Crescimento de 120% em 3 anos]

Para garantir o engajamento contínuo, o executivo implementou rituais claros de gestão:

  • Treinamento em Linguagem de Negócio: Capacitação do time técnico em finanças corporativas para que o diálogo com os clientes deixasse de ser focado apenas em especificações tecnológicas e passasse a focar na resolução de dores operacionais.

  • Celebração Transparente: Compartilhamento de resultados, repasse de bonificações coletivas e comemoração a cada marco atingido.

2. A Matriz dos 8 Passos da Liderança de Alta Performance

A metodologia estruturada no livro Time Único é aplicável tanto a multinacionais quanto a empresas de médio porte:

Passo do Método Objetivo Prático na Gestão Ação Executiva
1. Visão e Propósito Clareza de direção. Definir o objetivo principal e garantir que todos saibam exatamente o que se espera deles.
2. Inspiração e Motivação Conexão emocional. Compartilhar o sonho e mostrar o impacto real do trabalho de cada colaborador.
3. Plano de Comunicação Alinhamento interno e externo. Manter transparência nas metas internas e posicionar a empresa com autoridade no mercado.
4. Desenvolvimento de Pessoas Capacitação contínua. Identificar talentos e investir na elevação técnica e comportamental da equipe.
5. Gestão de Mudança e Inovação Adaptação cultural. Regra dos 15/70/15: Focar no grupo neutro ($70\%$) para consolidar transformações organizacionais.
6. Avaliação e Feedback Transparência e justiça. Avaliações trimestrais claras para que nenhum colaborador seja surpreendido por um desligamento.
7. Empatia (Gostar de Gente) Cultura organizacional saudável. Tratar as pessoas com respeito, mantendo um ambiente de alta exigência e acolhimento.
8. Celebração e Reconhecimento Fixação de conquistas. Reconhecer vitórias do time, distribuindo parte do resultado e promovendo momentos de integração.

3. A Regra dos 15/70/15 na Gestão de Mudanças

Ao implementar uma grande alteração de processo em uma empresa, o líder se depara com três grupos bem definidos:

$$\text{Time de Mudança} = \underbrace{15\% \text{ Engajados}}_{\text{Apoiam a Ideia}} + \underbrace{70\% \text{ Neutros}}_{\text{Aguardam Direção}} + \underbrace{15\% \text{ Resistentes}}_{\text{Contrários à Mudança}}$$

O erro mais frequente do gestor é gastar energia tentando convencer os $15\%$ resistentes. O foco correto deve ser direcionado aos $70\%$ indecisos. Ao engajar a maioria neutra, a mudança se torna a norma cultural da empresa, forçando o grupo resistente a se adaptar ou a ser desligado.

4. A Transição para o Empreendedorismo e o Mercado de Longevidade

Marcelo realizou a transição da carreira executiva após 10 anos atuando como investidor passivo na DUX. A decisão de assumir a liderança em tempo integral ocorreu após o desenvolvimento e a comercialização de uma tecnologia patenteada de neutralização de amônia na refrigeração industrial e a expansão de produtos para sanificação.

Atualmente, Spaziani também lidera a expansão da Viccan (plataforma de tratamentos com canabidiol e longevidade), aplicando os mesmos princípios de governança corporativa, responsabilidade socioambiental e foco no cliente final.

5. Seja Protagonista em Qualquer Idade

Encerrando o episódio com uma reflexão sobre a recriação da vida pessoal e profissional aos 61 anos (pai de três filhos, sendo o caçula com menos de dois anos), Marcelo reforça que a aposentadoria precoce é uma ilusão:

“Faça tudo com propósito e paixão. O trabalho nos mantém ativos e úteis para a sociedade. Não espere o momento perfeito ou a aposentadoria para ser feliz; seja o protagonista da sua história em qualquer fase da vida.”

Quer aprender a aplicar o método do Time Único na sua empresa, formar lideranças e escalar seus resultados? Assista ao episódio completo no canal Além do CNPJ!

Ler descrição completa

É, então algumas preocupações que eu acabo expondo nos livros, preocupações de ver como o dia a dia das empresas principalmente acaba acontecendo. Então o meu primeiro livro, que é Humanidade e Suas Fronteiras, é sobre globalização. Humanidade e Suas Fronteiras, que é a ideia exatamente de globalização econômica. Como que ela afetou? Que ano que você lançou isso? Já faz 20 anos, caramba! Já faz 20 anos, foi meu doutorado, na verdade, lá pela USP também. Pode existir um ponto muito grande aí de, eh na verdade de uma clivagem, né, um um buraco entre as carreiras iniciais não existindo mais, e depois você vai precisar de líderes lá na frente, tipo profissionais mais experientes, e aí você fala: “Bom, eu tô quebrando essa escada, né, aqui não tem mais ninguém entrando”. Era meu antibiótico. É, essas empresas não deixam de ser soberanas, elas têm uma soberania que é funcional, tá? Ou seja, elas conseguem dentro desses territórios dizer o que que vai prevalecer, o que não vai. A gente falou aqui da influência que as plataformas podem ter sobre pequenos negócios. Um pequeno negócio que dependa de uma grande plataforma de marketplace, ele acaba se sujeitando às regras daquele marketplace. Hoje, que é um um monopólio, a mesma coisa. Então, se ele não aparece, ele perde negócio. Ele aparece negócio, perde negócio, ele desaparece, ele some como negócio.

Se eu tenho um sonho, e o meu sonho é um sonho grande, eu tenho que compartilhar esse sonho com a equipe. A equipe tem que sonhar junto, porque, cara, como é que você cria motivação, né? Motivar a ação: a pessoa tem que estar engajada com você para isso. E eu não tenho problema nenhum de relacionamento pessoal com ninguém. Eu sempre tive relacionamento pessoal com meus funcionários. Mas eu falo: cara, se eu respeito alguém, a primeira coisa, eu tenho que fazer uma avaliação de desempenho e feedback com clareza, com transparência, porque eu dou a chance das pessoas corrigirem. Agora, o que não dá é para não dar feedback, e aí você demite a pessoa, ela não sabe por que saiu. Aí não faz sentido, é injustiça, aí você tá sendo injusto. No final de 2020 saiu uma patente para neutralização de amônia, amônia usada na refrigeração industrial. É o produto mais utilizado, são 90% dos equipamentos no mundo de refrigeração industrial utilizam a amônia, porque é um produto natural, é mais eficaz, é barato e tal. Ela vai a -30, -35º C sem congelamento, só que ela é corrosiva e tóxica. Então quando ela vaza, a indústria tem que sensorizar, alarmar, e aí muitas vezes evacuar uma planta.

Buenas, buenas, buenas. Seja bem-vindo a mais um episódio do podcast do Além do CNPJ. Primeiro de tudo, muito obrigado por estar aqui pra gente trocar essa ideia de empreendedores vida real. O cara que tá aqui na minha frente, conversando nos bastidores com ele, meu meu irmão, eu já tô ansioso para conhecer a história desse cara cada vez mais de perto, porque é um é um cara que onde passou foi deixando rastros positivos, e e são coisas que muitas vezes podem ter influenciado a nossa trajetória e a gente nem sabe que às vezes tinha o dedinho dele lá. Então eh é um cara com uma visão de gestão muito boa, a ponto que eh a metodologia que ele criou eh no dia a dia mesmo, trabalhando nas empresas que ele trabalhou, eh deram origem a um livro, que é o livro que tá aqui na nossa frente. E também com o decorrer disso, ele foi fazendo essa transição empreendedora, e ele vai contar tudo aqui pra gente, além das das empresas em que ele tá empreendendo num ramo totalmente eh falado hoje em dia e que a gente vai desmistificar muita coisa e falar sobre como eles isso tudo funciona. Tô aqui com Marcelo Spaziani. Meu caro, muitíssimo obrigado por topar o convite, viu?

Imagina, Felipe, prazer enorme estar aqui com você, com o seu público. Espero poder contribuir aí e trazer algumas dicas aí de empreendedorismo, né, cara?

Marcelo, eu já tava conversando com você aqui, eu já tô com a cabeça fervendo, cara! Tem muita coisa que eu quero trazer nesse podcast, eu vou correr um pouco porque eu quero trazer tudo, porque tudo que nós conversamos aqui, se eu deixar alguma coisa de fora, vai fazer falta. Vamos começar com a tua história: o Marcelinho veio da onde, onde você nasceu, [risadas] como foi sua origem? Dá um overview pra gente, tá legal?

Bom, primeiro eu sou do interior, sou de São Carlos, boa. E minha família é descendente de italianos. Eh fiz Engenharia Civil, meu pai tinha uma empresa de terraplenagem. Então fiz Engenharia Civil, eu e meu irmão mais velho fizemos engenharia com aquela ideia de que vamos conduzir a empresa, vamos seguir os negócios da família e tal. [roncando] Aí quando eu tava me formando, eu dizia que tinham duas coisas que eu não faria na minha vida: a primeira era morar em São Paulo, e a segunda era trabalhar de terno e gravata. [risadas] Aí, bom, o que acontecia? Eu tava concluindo o curso, a IBM abriu um programa de trainee. A IBM tinha ficado 10 anos sem admitir funcionários porque tinha vindo uma reserva de informática, isso foi uma coisa lá na década de 70, 80, eh em que as empresas multinacionais, elas não poderiam trazer tecnologia que concorressem com tecnologias desenvolvidas no Brasil. Então a IBM ficou bloqueada e tal durante 10 anos. E aí quando desbloqueou isso, ela falou: “Poxa, vou pro mercado e vou começar a desenvolver novos potenciais executivos”. Bom, eu me inscrevi para fazer a prova. Olha que coisa curiosa, Felipe: me inscrevi no dia… Eu fiz a minha última prova na faculdade, então fiquei estudando à noite, fui, fiz a prova, fui embora pra república, deitei, almocei e dormi. Dormi. Uma amiga minha passou, viu meu carro parado em frente ao prédio, interfonou, eu acordei. Ela: “Marcelo, você não vai fazer a prova?”. Falei: “Que prova?”. Falei: “Já fiz a prova”. Ela falou: “Não, a prova da IBM”. Eu falei: “É hoje?”. Ela falou: “É”. Falei: “Ah, não vou, não, cara”. Tinha esquecido, falar “não, você não tem nada a ver comigo”, e tal, “não, não vou”. Ela falou: “Não, vamos lá, vai, já te acordei”, não sei o quê. Eu falei: “Não, não vou tirar meu carro”. Ela falou: “Vamos comigo, te dou a carona”. Conclusão: fui fazer… Que anjo, o anjo! Aí eu fui fazer a prova, conclusão: só eu fui admitido, olha a coisa curiosa, da minha turma, só eu. Aí o que aconteceu: na verdade eu fiz a prova final de novembro, e aí fui para São Carlos e comecei a trabalhar com meu pai, tá? A IBM só… Eu só entrei na IBM em maio do ano seguinte, caraca. Então foram seis meses trabalhando na empresa do meu pai. Na empresa do meu pai eu virei a empresa dele do avesso, porque meu pai era terraplenagem, né? Então, pô, pegar obra, caminhão, máquina para fazer terraplenagem nos terrenos e tal. E eu comecei a ver dezembro, janeiro, meio de chuva, a gente não conseguia trabalhar porque atolava o caminhão e não sei o quê, e eu falei: “Pai, tá tudo errado”. Eu falei: “Pô, vamos… Nós estamos com os caminhões tudo parado aqui”. Eu falei: “Vamos começar a puxar areia e pedra”. Falou: “Não, isso aí não dá nada”. Eu falei: “Pô, nós estamos parado, pai, não dá”. Aí começamos a visitar os areeiros, pedreiras da região, pegar amostra e tal, montei planilha de preço. Meus concorrentes, os concorrentes do meu pai eram caminhões de menor capacidade. Eu falei: “Pai, nós vamos trazer o dobro do que eles trazem, não tem como não ser competitivo”. Conclusão, cara: rapidamente a gente tinha 60%, 70% das construtoras de São Carlos puxando material. E aí o que acontecia: a gente 5:00 da manhã começava a puxar até as 8:00. Está o tempo bom? Vamos trabalhar na terraplenagem. Não tá? Areia e pedra o dia inteiro. Caramba! Aí peguei uma amostra de pedra de areia grossa, falei: “Porra, isso aqui para bloco é fantástico, não precisa de pedrisco, vai sair mais barato”. Conclusão: fomos, tinham três fábricas, começamos a puxar para as três. Aí eu falei: “Pô, esse negócio é bom, duas viagens por dia para cada para cada fábrica”. Conclusão: compramos uma fábrica.

Caramba, que legal, cara!

E aí começamos a trabalhar nisso e tal. Aí a IBM me chama. Aí falei: “Não, não vou, não vou, não vou”, e tal. Aquele dilema, né? Tô falando disso porque eu tava empreendendo, tava curtindo muito, tava dando resultado, dando resultado. A gente saneou toda a parte financeira da empresa, começou a atualizar os caminhões, tudo pneu novo, manutenção em dia, tal. Pegamos uma construção de mais de 200 casas populares em São Carlos. E aí a IBM me chamou. Aí eu vim, eu fiz cinco entrevistas, Felipe, e eu sempre voltava, meu pai falava: “E aí?”. Falei: “Passei, pai”. [risadas] Ele falou: “Como você sabe?”. Eu falei: “Pai, eu falei tudo o que eles queriam ouvir, pai. Eu tava tranquilo, eu não eu não quero ir, então eu tô tranquilo”. Bom, no dia da decisão, meu irmão mais… Eu tava lá em Goiás, construção de hidrelétrica. Ele me liga, fala: “Marcelo, eu sei que você tá aí na dúvida, mas se você for, eu volto e fico com o pai”. Eu falei: “Puta, beleza”. Falei: “Então eu vou, fico um, dois anos, e volto e a gente toca aqui, faço faço aprendo para ver empresa grande, sistema, processos, né?”. Vim. Quando eu chego na IBM, olho aquele mundo, né, uma oportunidade gigantesca… É de Jaguariúna, não é? A de Jaguariúna. É, na verdade ali é Hortolândia, Hortolândia que nasceu como Sumaré, depois Hortolândia. De lá que você trabalhou mesmo? Não, eu trabalhei aqui em São Paulo, aqui do lado aqui, na Tutóia, aqui na Vinte e… Mas enfim, trabalhei em outros escritórios, mas começou aqui. E aí, bom, eu comecei a ver aquele mundo de oportunidades e e claro, me desenvolvi demais dentro da IBM, criei uma carreira toda de sucesso. Primeiro como vendedor, depois como gestor de vendas, né, e até que eu comecei a liderar equipes, e aí foi um divisor de águas. Porque um cara muito bem-sucedido, mas que tem, né, uma carreira de vendas. Pô, eu era reconhecido nas convenções do Brasil, da América Latina, globalmente, então como vendedor vendedor. Aí de repente eu sou gestor de pessoas, a minha performance já não é mais suficiente, eu tenho que desenvolver as pessoas para que a performance desse time passe a ser significativa.

Que é outra outro jogo.

Outro jogo. Para ter ideia, eu entrei na IBM em 88. 94 era gestor de uma equipe de vendas, e aí naquele momento eu comecei realmente a focar no desenvolvimento de pessoas, e aí começa uma carreira diferente, né, como um gestor. E aí fui crescendo e tal. 2002 eu assumi minha primeira posição como diretor executivo da IBM, responsável pelo setor financeiro, então tinha vendas para bancos, seguradoras, operadoras de cartões de crédito, que é o maior segmento de qualquer companhia de tecnologia. E aí foi o grande dilema, porque em 33 anos de carreira, né, foi meu pior resultado de vendas na IBM, caramba, a primeira designação como diretor executivo. E aí é [roncando] interessante porque eu faço um diagnóstico e vejo o seguinte: o setor tinha mais de 60% de market share, e eu tinha recebido um plano para crescer 15% frente ao resultado do ano anterior, gigantesco. É uma meta surreal. Gigantesco. Num ano, o ano 2002, o mercado de TI no Brasil decresceu 6,5%, então você imagina o tamanho do desafio. Falei: “Cara, eu não tinha como, né, crescer na área de TI com mais de 60% de share“. Só que ao mesmo tempo, eu sempre acho o seguinte: quando você tem uma dificuldade, você tem que procurar alternativa, procurar solução, não adianta você ficar, né, se lamentando do mercado, do time, disso, daquilo. Não, faça um diagnóstico, tome uma decisão. Naquele momento, a IBM tinha criado o conceito de home office, 2002.

Caraca!

Todo mundo trabalhava com notebook, celular, então a IBM globalmente veio com uma direção que é: trabalhem da casa do cliente; se não tiver na casa do cliente, trabalhe de suas casas para não ficar se deslocando e tal. Se vier para a IBM, registra no térreo e vai para um andar de mobilidade. E aí como diretor executivo, não tinha mais time, porque as pessoas estavam em qualquer lugar. Para eu fazer uma reunião, eu tinha que convocar uma reunião por e-mail, invitar todo mundo, né, na melhor das hipóteses pro dia seguinte. Diferentemente de hoje, que você fala home office, , fez uma videoconferência. Já não tinha ferramenta para suportar isso, então ela é a vanguarda que traz problemas, traz desafios. Eu não tinha mais troca, né, entre o time, que é importantíssimo, importantíssimo. Eu tinha um time de vendas pros bancos, seguradoras, mas tinha um time que atendia hardware, tinha um time que vendia software, que vendia serviço, consultoria, então eu não tinha sinergia entre os times. Essas pessoas não se reportavam a mim e estavam em qualquer lugar do prédio.

Elas não conversavam porque não tavam…

Exatamente, entendeu? Não tinha dia a dia, né, de troca entre eles. Falei: “Pô, isso aqui tá errado, sem tecnologia”. Aí eu falei: “Cara, vou criar um andar que eu vou colocar todo o time de finanças trabalhando junto”. Daí saiu a ideia do livro, Time Único, né? Time único no sentido de ser um time único, ser um só, ser um time integrado, mas único no sentido de ser um time diferenciado, um time realmente formado por pessoas com um nível de skill muito alto, porque quem atende banco, seguradora na área de TI, cara, tá sendo desafiado o tempo todo. O banco demanda demais, né, ele se joga à frente, né, no uso da tecnologia, consequentemente toda a indústria tem que tá muito bem preparada para isso. Só que ao mesmo tempo, então eu crio o conceito, brigo internamente, né, com as áreas de real estate, porque tava contra o guideline e tal, e aí consegui com o presidente da IBM. Ele falou: “Vamos fazer um piloto. Piloto não precisa pedir a aprovação”. E aí ele autoriza, eu crio o conceito. E desse conceito eu trago todo o time de hardware, software, serviços, consultoria, trago o time de backoffice, RH, jurídico e finanças, coloco todos no mesmo andar. Claro que eram quatro pessoas por mesa, sim, então não tinha assento eh físico. Chegava lá, se registrava e ia para uma mesa, só que ela tava ali do lado, né? Eu começo a criar um sistema de comunicação onde, pô, fechamos um negócio, eu, , tocava uma sirene, vinha todo mundo e eu falava: “Cara, fechamos um negócio assim, assim, assim”. Pegava o vendedor, falava: “Compartilha a experiência sua com os demais”, né, qual foi o diferencial, com quem a gente tava concorrendo, não sei o quê, porque isso ajuda, né, o outro, né? Então você começa a ter sinergia, né?

Caramba!

Aí eu peguei… Isso que ano mais ou menos?

Isso foi 2002. Foi quando eu criei o conceito do Time Único, tá? Isso me acompanhou… O conceito me acompanhou até eu sair da IBM em 21, né? E e aí o que que eu fiz além disso: como eu vi que a gente tinha um relacionamento fantástico com os executivos dos bancos, mas a gente uma dependência enorme dos CIOs, porque o nosso linguajar era tecnologia, eu falei: “Cara, a gente tem que mudar, a gente tem que começar a discutir soluções, eu tenho que entrar na área de consultoria”. Eu falei: “Poxa, como é que eu preparo a equipe para isso, né? E como é que eu me preparo?”, porque também era um desafio para mim, porque você também acaba sendo teto. Exato. Aí o que que eu faço: fui procurar uma pós-graduação, encontrei na FGV uma pós-graduação que era para executivos de bancos.

Que legal!

Aí eu fiz uma adaptação disso, ofereci pro Time Único as pessoas… Meu time representava cerca de 30%, 40% do Time Único. O restante eram de outras áreas, né, de áreas de produto. E aí, para minha surpresa, 100% aderiu. Nós fizemos o curso durante sábados, durante 18 sábados, sábado sim, sábado não. Eles pagando 25%, a IBM pagava 75%, mas eles tinham que ter o comprometimento. 100% fez, inclusive o time do backoffice.

Que legal, cara!

O que que representou isso, Felipe: em 3 anos, nós crescemos 120%. Só para ter ideia. Por quê? Porque nós usamos todo o relacionamento que a gente tinha, mas começamos a a ter discussões de negócio com a área de tesouraria, com os canais eletrônicos pros bancos, com a área de recursos humanos. Mudou completamente a nossa abordagem, né? O nosso linguajar já era outro, já era um linguajar de negócio, um projeto maior, muito maior, né? Isso virou um case de sucesso. Três anos depois eu vou para vice-presidente da América Latina para pro setor financeiro, e aí continuou minha minha trajetória crescendo continuamente. Exatamente. Então, primeira coisa, eu queria já te entregar, já tem uma dedicatória aí para você, olha aqui, ó, ó.

Obrigado, meu! Que que presenteço, cara! E eu vou ler esse livro, hein, cara! Pera pera aí, deixa eu só ver… Deixa eu só achar o prefácio aqui para ver, já colar [risadas] na…

O ele é um método, Felipe, de oito passos. Eu tenho uma introdução, né, para ter uma contextualização do livro, e depois eu entro: o passo um, dois, três. Primeiro passo: Visão e Propósito. Exato. Se você não sabe para onde tá indo, qualquer direção serve, né? Serve. Segundo passo: Inspiração e Motivação. Terceiro: Plano de Comunicação. Felipe, olha só: se eu tenho um sonho, e o meu sonho é um sonho grande, eu tenho que compartilhar esse sonho com a equipe. A equipe tem que sonhar junto,

Muita gente erra nisso, hein!

…porque, cara, como é que você cria motivação, né? Motivar a ação: a pessoa tem que estar engajada com você para isso. O terceiro ponto é falar da comunicação, e a comunicação em duas coisas: interna, para que as pessoas saibam exatamente o que tá acontecendo, o que tá bom, o que não tá, o que a gente tem que corrigir; e ao mesmo tempo, uma comunicação externa. Quando eu entrei nesse modelo do Time Único, eu tive que me posicionar como executivo de soluções financeiras, e não mais como um executivo de tecnologia para bancos. Isso mudava completamente a abordagem. Eu comecei a participar de eventos da indústria, eu ganhei um prêmio de melhor executivo financeiro do setor financeiro do Brasil concorrendo com consultoria…

Porque você já você entendia a posição que você tinha que tá.

Exato, exato. Agora aí é uma exposição, né? Você sai da zona de conforto, né, Felipe?

Eu posso falar isso aí, principalmente na parte de inspiração e motivação: muita gente tem até visão e propósito, só que ela não comunica. E essa inspiração e motivação que faz com que o time engaje, exato, porque senão é um sonho seu, ele não vai se tornar realidade, entendeu? Que é louco. As soluções soluções normalmente são [limpando a garganta] óbvias e é óbvio, mas muita gente falha nisso.

Tudo o que tá aí é básico, Felipe, sabe qual é a grande a grande dificuldade? É fazer tudo bem feito, implementar do jeito certo. O passo quatro eu falo de Desenvolvimento de Pessoas. Quando eu fui atrás da pós-graduação, é porque eu tava dando a direção, o time comprou, engajou, falou “pô, mas eu tenho que capacitá-los, porque senão ele não muda”. Se ele não mudar o linguajar, se ele não tiver uma base de conhecimento mais ampla, ele não consegue sustentar um discurso na frente do executivo de negócio.

Como que você pensa pensando em em desenvolvimento de pessoas, trazendo talvez para uma visão de empresa eh menor? Uhum. O desenvolvimento de pessoas… E você tem esse case, né, porque você também eh fez depois a visão a a mudança pro empreendedorismo. Mas pô, uma empresa que não consegue pagar uma pós-graduação, como que você sugere que os empresários menores façam o desenvolvimento de pessoas?

Então, hoje você vê o mercado de mentoria explodindo, né, por quê: porque as pessoas não querem mais um curso formal de 1 ano, 2 anos. A pessoa quer uma coisa mais curto prazo, uma coisa mais objetiva. Com o livro, por exemplo, eu tô palestrando em empresas, das palestras eu sou convidado para fazer mentoria do time, inclusive já implementei em duas empresas o conceito do Time Único, entendeu? Então é é isso, sabe, porque muitas vezes um trabalho como esse, de mentoria, pode ser muito mais objetivo, direcionado: “vamos fazer isso acontecer”, entendeu? E [roncando] o próximo é Gestão de Mudanças e Inovação. Gestão de Mudanças e Inovação. Eu falo: poxa, mudança e inovação é uma coisa constante hoje em dia, não só pela tecnologia — sem dúvida que há tudo isso tá acontecendo, robotização, tem muita coisa por vir ainda, tá certo? —, mas a gente tem que estar muito alerta. Quando eu lanço esse desafio do Time Único, a gestão de mudança era fundamental. Quando você lança uma mudança de grande porte em qualquer organização — não é IBM, multinacional centenária, qualquer organização —, você vai ter 15% do time que vai aderir, vai falar “puta, é isso aí, a gente tem que fazer e tal”. Tem 15% que vai falar “puta, tá errado, vai contra, vai contra”. O desafio do líder não é convencer quem tá contrário, o desafio do líder é convencer quem tá indeciso. Se você puxa os 70%, 80% que tão aí no meio, a mudança vai acontecer. Tem 5%, 10%… Tem 5%, 10% que não vem, Felipe, e tá tudo bem, convidados para serem felizes em outro lugar, porque isso é outra coisa. Eu falo: cara, seja feliz com o que você faz. Se o cara é contra, ele não tá aderente à sua visão, ao seu propósito, ele tá resistindo. Esse cara, se você não tira, é laranja podre, ele contamina uma caixa inteira sem que você perceba. Então tira fora, e eu falo muito sobre isso.

Isso isso essa visão, cara, isso isso mostra que você tem track record, mas porque é real, não é não é todo mundo que engaja, mas também não é todo mundo que desengaja. A grande maioria é neutra. Se você olhar qual é o grande desafio hoje da eleição, é isso, é é o meio do caminho.

Isso. Nós estamos polarizados — eu vou falar um pouco disso, tá? —, o mundo tá polarizado, não é só o Brasil, tá certo? Mas eu acho que as pessoas estão procurando uma terceira via, elas estão aí no meio meio assim, sabe, mas estão buscando, tão buscando. E acho que isso é fundamental, e é isso que acontece na gestão de mudança: 15%, cara, você vai fazer uma mudança, tá, tal, tal, você vai vender o sonho, 15% vai falar “tamos junto, gostei da ideia”. 15% vai falar “você acredita nisso? Vai ser uma merda, né?”. “É, Felipe não sabe o que ele tá falando aí”. E o restante lá, os 70%, tá ali, ó, neutro, massa de manobra mesmo. Aí o que que você tem que fazer é isso. Você não tem que focar nos 15% que não tá aderindo, você tem que focar nos 70% que tá indeciso, bum, isso, acabou. Vai entrar, acabou, puxou, já foi. Aí os 10, dos 15, 10% vai se convencer a mudar de lado por por força da caneta. Cinco: tchau, manda embora.

Legal, hein?

Depois disso eu falo de Avaliação de Desempenho e Feedback, que eu acho fundamental.

Entra mais nisso, como que…?

Porque pensa o seguinte: eu criei uma visão, né, tô dizendo claramente para onde eu vou. Eu vou botar meta e objetivo individual, meu time inteiro, Felipe, sabe exatamente o que eu espero que eles façam. Por isso também é importante a importância da comunicação.

Exato.

E aí, se ele sabe o que eu espero dele, eu não tô dizendo o que ele pode fazer, porque sempre você pode fazer mais do que se espera, tá certo? Mas eu tô dizendo o que eu espero que você faça, o mínimo. E aí eu vou fazer uma avaliação de desempenho e feedback pontualmente, né, periodicamente, para manter esse engajamento, para dizer: “cara, isso aqui, cara, tá fantástico, você tá…”.

Qual o prazo que você recomenda?

Normalmente eu faço a cada três meses, legal, mas o formal é a cada seis. E eu e eu monto… Você faz um no meio do caminho lá. Eu monto uma meta anual, ao final do ano sento e bato tudo, entendeu?

E quem não entrega?

Quem não entrega, cara, você cria um plano, ele sabe que não tá entregando. Nas intermediárias eu já posicionei o que não tá legal. Se for um problema de atitude, é diferente, atitude é imediato, entendeu? Foi imediato, e muitas vezes justa causa e fim, tá certo? Mas se não é, que é uma coisa que dá para corrigir, ele sabe, aconteceu, chama, fala: “cara, não foi legal a sua postura, seu posicionamento, não sei o quê, corrige isso”. Do ponto de vista de performance, você falar: “cara, isso aqui tá bom, mas tá faltando isso aqui, você tem um gap, você precisa cobrir isso aqui, tá certo?”. Documentou, pô, passa seis meses o cara não executa, você documentou, não executa, tchau, né, ou muitas vezes até seis meses depois já era, né?

Exatamente quão longe ele tá e que nível de esforço ele tá fazendo.

Total, porque se ele não tiver engajado com você, cara, se você não tira, você contamina o resto, o cara tá lá comprometido pra caramba, 200% de compromisso, e o cara tá tranquilo na dele.

Quero trazer um pouco dessa sua visão de IBM, porque assim, só gente top, galera realmente trabalhando assim que você fala, cara, a competição assim, no final a competição assim, todo mundo tá se ajudando, mas assim, a competição dos seus pares, a galera acelerando.

É isso aí.

Então existe uma cultura de alta performance, porque se você fala “vamos fazer o melhor”, né, e quem não performa bem você mantém, você passa um recado.

Exato, né? Então é isso, legal a tua visão de que é o problema do líder depender: ó, não tá performando, a atitude tá boa, mas não tá performando, ó, precisa melhorar aqui, aqui, aqui. Seis meses, depois de seis meses, putz… Não, pelo menos apontou tendência. Tchau, tchau. Te adoro, gosto de você, você é meu amigo, tchau. É isso aí. E eu não tenho problema nenhum de relacionamento pessoal com ninguém.

Isso.

Eu sempre tive relacionamento pessoal com meus funcionários, mas eu falo: cara, se eu respeito alguém, a primeira coisa, eu tenho que fazer uma avaliação de desempenho e feedback com clareza, com transparência, porque eu dou a chance. Agora, o que não dá é para não dar feedback, e aí você demite a pessoa, ela não sabe por que saiu. Aí não faz sentido, é injustiça, aí você tá sendo injusto.

Verdade.

Entendeu?

Que massa, hein!

E o depois disso eu falo de empatia. Empatia, Felipe, para mim é o seguinte, cara: eu tenho que tratar o próximo da forma como eu gostaria de ser tratado, tá certo? Se eu fizer isso, eu vou ter um ambiente de trabalho mais agradável. Eu sempre falo o seguinte: hoje a gente trabalha muito de casa, trabalha de qualquer lugar, mas eu falo: cara, o ambiente de trabalho ele tem que ser bom, porque você gasta muito tempo, você investe muito tempo seu nesse ambiente, cara. Se não é um ambiente legal, não é um ambiente agradável, cara, aquilo vai ser sofrível para todo mundo, sabe, para todo mundo. Eu não conseguiria ficar num ambiente assim, tóxico, não consigo, né? Então eu falo: pô, para mim empatia é muito isso. Para ter ideia, no dia que eu tava saindo da IBM, dia 31 de janeiro de 2021, [roncando] meu funcionário, que era um gestor de pessoas, ele tinha que demitir algumas pessoas, nossa, porque a organização dele tava deixando de existir, não sei o quê. A gente remanejou quem a gente conseguiu, e tinham três profissionais, se eu não me engano, que seriam demitidos. A esposa desse gestor adoeceu, acabou falecendo, e ele tava no hospital e tal, não sei o quê. RH me liga, fala assim: “Spaziani” — né, na IBM era Spaziani —, fala: “Spaz, cara, você precisa fazer o desligamento de três profissionais, cara”. Pandemia, nossa, meu último dia de empresa, 33 anos depois, sabe aquele que você tá fechando tudo só que era para ser tudo lindo, e demitir… Uma porcaria, demiti três, nossa. E Felipe, como é que eu fiz: eu fiz exatamente como eu gostaria que fizessem comigo. Para ter ideia, os três me agradeceram muito, que legal, pela forma, pelo respeito, né, pela seriedade com que eu tratei aqui, entendeu? Então eu acho que é isso, né? No final das contas, empatia é isso. E eu falo em empatia, eu falo que tem dois tipos de pessoa, Felipe: o “coisólogo”, que gosta de coisa, e o “gentólogo”, que gosta e estuda gente.

Que legal, cara!

Eu falo: um gestor, um líder de pessoas tem que gostar de gente, gostar de servir as pessoas. Fala: se não gostar de gente, faça outra coisa, seja um ótimo profissional dentro da sua sala, parte técnica, e acabou.

Exato, aprofunda o que você quiser, entendeu?

Agora não ser um gestor de pessoas, porque eu vejo muito isso: tem empresas que têm ótimos profissionais que viram gestores medíocres ou medianos, entendeu, porque ele quer ganhar essa ascensão, ele quer ter o status de ser um gestor, só que ele não gosta de gente, cara, não vai dar, entendeu? É simples assim.

Sim. E no ponto de vista empreendedor, um empreendedor que não gosta tanto de gente, o que que você recomenda: dá para fazer isso através de funcionário para gerir, ou vai ter que ter sócio?

Dá, dá para fazer com sócio. Dá para fazer com sócio. Com sócio ou mais, ou com funcionário. Então, com funcionário claro que dá, mas eu sempre acho o seguinte: por exemplo, eu vou falar depois da DUX, da minha transição, mas na DUX, por exemplo, nós somos em alguns sócios, mas são quatro que tocam a empresa hoje, eu e mais três, tá? Cada um tem seu papel, e a gente se dá muito bem porque os quatro são gestores muito humanos, né? Então isso é bom.

Valores são semelhantes.

Exato, os valores são semelhantes, isso é fundamental. E quando você tem sócios, você tem um nível de comprometimento diferente. Eu vejo muita gente que tem dificuldade com sócio, e eu tenho o privilégio dos sócios que eu tenho serem ótimos, entendeu? É ótimo quando você tem sócios assim, mas em quatro sócios é difícil, né? Mas se você não tem sócios assim, você pode sim ter gestores que você vai fazer. Quando eu criei o Time Único, óbvio, eu tinha funcionários, mas eu tive que olhar ali para ver quem realmente eram os top talents, quem eu queria investir para que fossem realmente os executivos que pudessem ser meus chefes.

Isso inclusive sempre esteve no seu radar: “Opa, esses top talents aqui precisa ficar de olho”.

Só para você ter ideia…

E existe uma dedicação diferente para essas pessoas.

Sim. Só para você ter ideia, quem prefacia o livro: Ana Paula Assis, tá aqui ó, na capa, na capa, na capa aqui, ó.

Ah, Ana Paula Assis!

Ela… Eu a conheci, ela era estagiária, ela [roncando] trabalhou comigo durante anos, né, e eu sempre via nela um potencial muito maior do que o meu. E eu falava: “Você vai ser minha chefe um dia”. Ela foi minha chefe nos meus últimos dois anos de IBM.

Que legal, cara!

Hoje ela preside a IBM…

Você já você já identificava isso nela?

É, hoje ela preside a IBM na Europa e Growth Markets, ela tem 130 países se reportando a ela. E no prefácio ela fala que ela levou o conceito de Time Único para a Ásia, para a Europa, para todas as áreas dos países onde ela passa, né? Então é um conceito bem legal, não é?

Acaso.

E quem tá na contracapa é o atual presidente da IBM Brasil, tá aí na na no final no final.

Marcelo Braga.

Braga, que é o outro que trabalhou comigo muitos anos, e eu falava: “Você vai ser o futuro presidente da IBM Brasil”. Hoje ele é o presidente, e eu tenho muito orgulho disso, né?

Que legal, você tem um spoiler de dois grandes de grandes cadeiras.

Felipe, eu eu ajudei a desenvolver muita gente, e eu acho sempre o seguinte: você tem que se cercar de pessoas melhores que você. É isso, sabe?

Você nunca teve esse…

E o bom líder ele não tem esse ciúme bobo, não, muito pelo contrário, ele por gostar de gente, é isso, tá louco por identificar a gente. Exato, por exemplo, a Ana eu coloquei ela num assim, em Nova York, depois ela voltou, passou alguns anos, eu mandei ela pra China, ela virou minha par. Eu nessa época era responsável por software pra América Latina, ela virou responsável por software na China, e aí ela ficou no meu par, né, ela se reportava internacional, legal pra caramba, voltando com outra cabeça.

Você pegava o talento e jogava, jogava, entendeu? Então eu acho isso, eu acho que a gente tem que estar sempre preparado para isso. E meu último ponto, último passo, que é o último, mas não menos importante, é a celebração, a comemoração, porque reconhecimento e comemoração…

Exato.

…porque a gente sempre bota a barra lá em cima, né? O grande ponto é como é que você reconhece as pessoas, as equipes, como é que você valoriza aquilo que tá sendo conquistado, as pequenas conquistas, porque no campeonato você ganha, todo jogo é importante, entendeu? E muitas vezes você tá ali no dia a dia, você fecha, que nem fechamos o mês hoje — eu tava no fechamento até agora —, atingi uma meta mensal, porque eu boto o desafio pra galera, vou falar um pouco disso, bateu o faturamento, saí de lá, vim para cá, tranquilo, entendeu? E é isso, né, esse espírito, e eu gosto de fazer parte do time, não é chefe/funcionário, fazer parte com a galera, estar na linha de frente nas horas boas e nas horas ruins, né? Quando a DUX fez completou 15 anos agora em junho desse desse ano, eu convidei a todos para uma experiência diferente: levei numa escola de mergulho.

Que legal!

Tem aqui em Cotia uma escola muito legal, com piscinas e tal, e depois tem um tanque que tem 5,5 m de profundidade que tudo ali, as rochas, os peixes vieram lá de Bonito.

Que legal, cara!

Então tem milhares de peixes ali. Depois vem…

Me indica esse lugar, cara.

Vou te indicar, e e olha, uma experiência linda, e a maioria do time nunca tinha mergulhado, então quebrar, sabe, as barreiras, os medos e tal, todo mundo foi. Quando saíram, eu cozinhei para eles, eu fui fazer uma moqueca, né, e fiquei, pô, 1 hora e meia, 2 horas cozinhando para servi-los, porque eles realmente representam o futuro da empresa, o nível de comprometimento que eles têm. A empresa vem crescendo muito graças ao trabalho de todos eles, então…

E Marcelo, cara, me conta um pouco de como foi essa transição, né, porque assim, de executivo, de alto executivo da IBM pro empreendedorismo, cara, é muito difícil. Pessoas de que eu tenho muitos muitos amigos que passaram por essa esse dilema: o cara é bom, tem um baita ímpeto empreendedor, tanto é que por isso virou foi bom na carreira, porque intraempreendeu.

Exato.

Até que alguma hora começa a coçar de fato a a mosquinha do empreendedorismo, picou de fato, ele fala: “Cara, eu quero ter o meu próprio negócio”. Só que o cara tem um salário altíssimo, uma um estilo de vida que já o acompanha, eh e deixar tudo para trás é muito doloroso, até porque é uma transição complexa com um salário desse desse desse tamanho. Como que foi a sua transição para você sair da IBM e ir para a DUX? Dá um overview pra gente.

Então, o que que eu acho, Felipe: o melhor momento para você arriscar — porque quando você vai empreender, você vai arriscar, é um mundo novo —, o melhor momento para arriscar é quando você tá bem empregado, verdade. Claro, você tem que avaliar onde é que você tá entrando, você não vai ter tempo. Eu não tinha tempo, eu eu para ter ideia, a DUX, né, que é a empresa que eu hoje sou sócio e CEO, a DUX é uma empresa química, a gente faz neutralização de gases e odores em ambiente industrial, extremamente específico, muito específico. Foi fundada por dois sócios, um deles era um primo, é um primo meu, sim, e eles, quando fundaram a empresa, eles começaram a buscar o investidor porque eles não tinham dinheiro para operar. O que que eles tinham de diferencial? Eles tinham uma solução para a neutralização de gases e odores em autoclavagem. Autoclave, né, você vai fazer esterilização e tal, exatamente. Só que você tem autoclaves industriais, né, por exemplo, o Einstein é um cliente nosso, tem lá as autoclaves, 1.500, 2.000 L, se eu não me engano, e [roncando] e ali quando faz o processo de esterilização, quando abria ali a autoclave vinha um cheiro muito forte. E essas autoclaves, no caso do Einstein por exemplo, tava próximo da área de oncologia, então você imagina você ali, né, internado e tal, e de repente vinha aquele cheiro que incomodava todo mundo. E eles tinham um produto que você coloca algumas gotas, a autoclave ao aquecer ele vai evaporar junto, e ele faz atração e decomposição da molécula do gás que tá sendo gerado, consequentemente não tem odor porque você neutralizou a molécula do gás. E eles que inventaram isso. Então era uma solução que eles trouxeram do Canadá, e aí não tinham dinheiro para operar, foram procurar um investidor. Aí meu primo me liga e falou assim: “Ó, a gente tá procurando investidor, você não quer dar uma olhada? A gente criou um business plan para ver se faz sentido e tal”. Me apresentaram, eu olhei e falei: “Pô, isso aqui do jeito que vocês querem, não, mas se for assim eu topo”, e entrei. E aí eu falo que eu pivotei a empresa, porque eles tinham além disso, eles tinham diagnósticos rápidos para atender hospitais, para atender na área de emergência, de pronto atendimento, e eu comecei a olhar, falei: “Cara, isso aqui não tem lucratividade, isso aqui vocês não têm dinheiro para operar, vai ser pior ainda, porque você vai ter que ter escala, para ter escala você tem que ter recurso, cara, margem baixa vai ser um sacrifício, dinheiro”. Falei: “Cara, esquece isso, vamos para a inovação, isso que vocês têm para autoclavagem é inovação, é a razão pela qual eu tô investindo”. E aí com três meses de empresa, a gente pivotou e focou na área de neutralização de gases e odores, que é o nosso principal foco hoje, exatamente. Muito pontualmente, a operação eles tocavam, eu não me envolvia em absolutamente nada. Durante 10 anos, Felipe, eu não tirei R$ 1,00 dessa operação, eu só reinvesti, fui aumentando minha participação, né? Então precisava de capital para investimento, ao invés de ir pro mercado, eu vinha e pumba, por… Eu via ali a oportunidade realmente de transformar esse plano B num plano A em algum momento, mas a empresa tinha que crescer legal para realmente diminuir essa barreira de entrada, porque é difícil você sair, é como você falou, você é muito bem pago, você tem uma reputação muito grande, e eu era o Spaziani da IBM, cara, tinha muita reputação, as pessoas me conheciam, me respeitavam, e eu sempre criei relacionamento de confiança e credibilidade. E aí eu me lembro quando eu saí, fui para a DUX, primeira entrevista, nós desenvolvemos soluções para coronavírus naquela época, e aí primeira entrevista pro Valor Econômico, a jornalista falou: “Porra, que transição de carreira legal”, não sei o quê, pá, pá, falou “qual é o seu maior desafio hoje?”. Eu falei: “É deixar de ser o Spaziani da IBM para ser o Spaziani da DUX”.

Virou IBM, virou sobrenome.

Não é fácil, exatamente, entendeu? Não é fácil. Enfim, mas eu fiquei 10 anos fazendo esse investimento. Investi em outras coisas: abri um negócio com meu irmão em São Carlos, né, fizemos o empreendimento de construção civil, algumas coisas muito bem, muito legais, outras coisas não tanto, mas era o momento de fazer, isso tava empregado, tava com estabilidade. Exatamente, a hora que eu tomei a decisão de sair… Porque isso é outra coisa, se você não se preparar para sair, em algum momento vão sair com você, e vão, entendeu? É a única certeza, e não tem nada errado nisso, a relação é clara. No caso da IBM eu sempre falava, eu falava: “Cara, é questão de tempo para eu sair”. Falou “então eu quero sair no momento que esteja bom para a IBM, bom para mim”. Eu devo muito à IBM, só que eu fiz muito pela IBM também, entendeu? Foi uma relação boa para ambos. Para ter ideia, Felipe, eh eu criei uma iniciativa, uma maratona para developers, né? Eu fui desafiado num evento com grandes executivos da IBM no mundo todo, eu tava em Dublin, e um alto executivo que tinha sido contratado a peso de ouro pela IBM chega, se apresentou, apresentou as suas credenciais, falou: “Eu fui contratado para mudar o modelo de negócio da IBM”, ele falou “e eu vou fazer isso”. Ele falou: “Só tem uma dificuldade: eu não conheço a IBM, vocês conhecem, se vocês estivessem no meu lugar, o que vocês fariam?”. Aquilo foi uma bomba, cara! Para ter ideia, ele ele finalizou o primeiro dia do evento, a gente tinha o segundo dia, saímos [roncando] para jantar com com os executivos e tal, voltei pro hotel, cara, não conseguia dormir, aquele negócio na minha cabeça, eu falava: “Pô, tenho 30 anos de IBM, eu tenho que dizer o que que a IBM deveria fazer”. E naquele momento, a IBM tinha inteligência artificial, que a gente saiu na frente…

É, tinha.

…investido em nuvem, comprado uma empresa de infraestrutura, tinha uma plataforma toda de desenvolvimento para para soluções em nuvem, e eu falei: “Qual é a grande dificuldade? Só os grandes clientes corporativos sabem, o mercado developer não conhece”. Eu tive uma ideia: 3:00 da manhã comecei a escrever, falei: “Vou fazer uma maratona para developers, vou trazer desafios reais de clientes, dos grandes clientes que eu atendia”. Para ter ideia, o primeiro desafio foi Pão de Açúcar: criar um sommelier virtual.

Você criou um hackathon, né?

Só que era assim, só que lá atrás, né, eu tô falando, isso foi 2018, eu botei a primeira versão em 2019 no Brasil, tive 42.000 developers participando.

[ __ ]!

No segundo ano foi América Latina, eu coloquei 71.000. Qual era o conceito: eu botei seis provas. Não, não era hackathon, não, seis provas. O cara que me desafiou, eu fui, pedi 1 milhão de dólares para ele, ele me deu 500.000. Aí eu fui nos clientes, os clientes patrocinaram as suas provas, deram prêmios, então eu dei curso de graduação para quem ganhava as provas, pós-graduação. Nós levamos, no primeiro ano levei os 100 primeiros para a Bahia, para um resort. Dos 100, 62 nunca tinham viajado de avião. Olha isso, cara! Lá nós fizemos a última prova, que foi do Banco do Brasil. Os top 5 eu levei pro Vale do Silício. No ano seguinte, fizemos América Latina, levamos os top 100 pro México, e do México, cinco foram para Israel. O cara que ganhou a prova no primeiro ano…

A parte social disso!

Então, o cara que ganhou no primeiro ano, o cara era do interior do Pará, um cara pós-doutorado, Felipe, cara, com uma [roncando] capacidade gigantesca. Ele ficou em primeiro praticamente a maratona inteira, inteira dominou. Eu conto sempre de um caso de uma de uma menina, né, que agora já passou tempo, né, mas ela ela tinha sido demitida e entrou numa situação, né, complicada, teve uma crise, não sei o quê, tava sendo medicada, sabe aquele negócio realmente de se sentir a pessoa mais inválida?

Sim.

E de repente ela entra na internet, fala: “Como aprender inteligência artificial?”. Veio a Maratona Behind the Code, né, Por Trás do Código, minha maratona. Ela falou: “Porra, eu não sou capaz, mas é de graça, não sei o quê, eles falam que vão ensinar”. Entrou. [roncando] Ela ganhou uma prova da maratona na primeira versão, ganhou a prova do Banco Original. O Banco [roncando] Original a contratou, aí quando acaba… Ela ficou entre os top, ficou, aí quando acabou a maratona, ela e mais dois participantes se inscreveram num hackathon da NASA, ganharam o hackathon da NASA no Brasil, foram disputar a prova global e foram campeões da prova global.

Não acredito, cara!

Aí você fala da da parte social, você imagina quantas oportunidades foram geradas a partir daí, cara!

Que vai ter um negócio de louco.

Um negócio de louco, Felipe, negócio de louco, assim, tem depoimentos… Uma menina que era de Jornalismo, nunca tinha codificado, mesma coisa…

Você perdeu a noção do que…

Perdi a noção. Ela entrou…

É, já o efeito borboleta avançou, você já não tem nem noção do impacto.

Exato, e naquela época a inteligência artificial, você tinha que fazer as frases para submeter para ela interpretar. A jornalista fazia mais rápido do que os outros: ela não codificava, não sabia, mas ela escrevia mais rápido. Então quando mandavam 10 frases, ela mandava 100 frases. Ela ficou entre os 100 sem nunca ter codificado na vida. Caramba, fez pós-graduação na área de computação, enfim, mudou de carreira. Enfim, tem histórias assim maravilhosas, cara.

Isso tem que você tem que entrevistar essas pessoas.

[risadas]

Quando começar o podcast seu, entrevista essas pessoas.

É verdade, é verdade, o podcast do Time Único.

Tá tá no tá aí, tá no tá no tá no pipeline.

[risadas]

Que legal, cara! Mas olha só aí, bom, aí eu saio da IBM, né, vou para a DUX. Mas a qual o que que a decisão: “Nossa, agora é a hora”? O que que aconteceu: a gente faz neutralização de gases e odores. No final de 2020, saiu uma patente para neutralização de amônia. Amônia usada na refrigeração industrial é o produto mais utilizado, são 90% dos equipamentos no mundo de refrigeração industrial utilizam a amônia porque é um produto natural, é mais eficaz, é barato e tal. Ela vai a -30, -35º C sem congelamento, vai tranquilo. Só que ela é corrosiva e tóxica. Então quando ela vaza, a indústria tem que sensorizar, alarmar, e aí muitas vezes evacuar uma planta. Aí você imagina um frigorífico com abatedor de frango: abate 1 milhão de frangos num dia. Parou meio-dia, são 500.000 frangos sem bater, você imagina o impacto operacional além do impacto nas pessoas, porque tem situações de levar ao óbito, né? Então o que que a empresa tem que ter: ela tem que ter uma forma de tirar, retirar essa amônia, e se não usar a nossa solução, vai usar água, e a água vai fazer o quê: criar um hidróxido de amônia, porque vira água com amônia, vira esse hidróxido. Mas e em termos físicos, é o quê: é água. É, é líquido, só que esse líquido você não pode jogar no esgoto, você tem que destinar, então você tem que ter, né, um sistema para a captação daquilo, e daí tem que ir pra área de resíduos especiais e tal. Eh ou outras vezes você tem que ter um sistema de ventilação para fazer com que aquela amônia seja extraída, vai jogar pro meio ambiente. Qual é o problema: na hora que joga numa chaminé, dependendo da condição climática, por exemplo, um tempo nublado, essa amônia não sobe, ela fica presa na… Fica presa, e ela pode baixar, e ela pode ir para outras áreas da indústria, ela pode ir pro bairro que tá do lado. Então, normal, frequente, infelizmente todo dia praticamente tem vazamento de amônia, né, todo dia tem bombeiro sendo acionado, não sei o quê, pá, pá, pá, tem impacto pras pessoas.

Desculpa minha ignorância, essa amônia é um gás?

É um é um produto líquido, mas pressurizado, ele fica no estado gasoso, então quando ele vaza em pressurização, ele ocupa uma sala como essa em segundos, e se você não sair rapidamente, se ela entrar pelas vias respiratórias, ela vai procurar sempre a umidade, então ela entra pelas vias respiratórias, vai pro pulmão, entra pelos olhos, pode cegar, então é bem crítico, é bem crítico. Aí o que que a gente faz: eu tenho um produto que ele tem um tempo de reação de 0,3 segundos, ele transforma, ele atrai a molécula e eu faço a decomposição da molécula da amônia, transforma em vapor de água e em um composto biodegradável que pode ser descartado sem impacto pras pessoas e pro meio ambiente. Essa é a DUX. Quando a gente saiu com essa patente, sai essa patente, eu falei: “Cara, agora tá na hora de explodir ter ideia”.

Quem inventou isso aí?

Meu sócio, seus sócios são dois sócios. O fundador foi fazer uma visita num frigorífico, aconteceu um vazamento, ele correu [limpando a garganta] junto na evacuação, a cabeça dele: “quando é que eu volto pra reunião, né?”. Aí ele fala: “O que que aconteceu?”. “Vazamento de amônia”. “Amônia? Mas o que que vocês usam?”. “Ah, na refrigeração industrial”. Falou: “Pô, mas e agora para recuperar?”. “Ah, nós vamos jogar vinagre, depois vai jogar água, vai fazer isso aqui”. “Mas quanto tempo?”. “Ah, vai demorar horas”. A veia empreendedora dele já… Ele voltou pra empresa, falou: “Cara, não fiz a reunião, mas tem uma oportunidade”, e aí falou: “Nosso DNA é solução biodegradável e atóxica”. Então, muito antes de começar a falar em ESG, a gente já nasceu com isso, entendeu?

Que legal, cara!

E aí a gente desenvolveu. Quando saiu a patente, eu falei: “Tá na hora de transformar o plano B em plano A”. Que legal. Quando eu chego na DUX, o que que aconteceu: quando entrou a pandemia em 20, eh a gente viu que a pandemia… A gente lançou o produto rapidamente, o mercado fechou em março, em maio a gente já tinha produto para coronavírus, para desinfecção de ambientes, e depois em junho para higienização de mãos. Esse negócio explodiu, Felipe, entramos na indústria, entramos em escolas, entramos em academias, a gente explodiu.

Mérito de vocês também pelo timing, pela agilidade.

É timing. Quando chegou 20… Isso também meu sócio, que é o fundador da empresa, tem uma cabeça para negócio que é uma coisa, um timing incrível, incrível. É muito… O mercado fechou na na China, ele veio para mim e falou: “Nós vamos desenvolver um produto para coronavírus”. Eu falei: “Cara, você tem certeza?”, sendo que o Brasil o Brasil ficou ignorando a realidade, né? Exato. Ele falou: “Tenho certeza”.

Carnaval durante a pandemia mundial.

É isso aí, né? Aí, bom, o que que acontece aí? A gente saiu a patente, eu saio da IBM, vou para a DUX. Naquele momento, a pandemia começou a arrefecer, 21. É, aí essa linha de produto começou a perder relevância, a gente tinha batido os recordes de faturamento. Eu olho e falo assim: “Cara, como é que eu volto ao faturamento anterior, né? Como é que eu volto pro pro recorde, né?”. E aí eu crio o conceito do Time Único, lanço o desafio do time, e eu falei: “Se a gente voltar a um faturamento de tanto, que a gente bata o recorde histórico da DUX em qualquer mês…”, eu lancei em maio, eu falei: “em qualquer mês até dezembro, eu vou levar todos vocês para um hotel all inclusive com esposas, maridos e filhos”. Meus sócios falaram assim: “Cara, você tá louco? Você acha que você tá na IBM?”. Eu falei: “Cara, olha só: nosso faturamento caiu pela metade, se a gente voltar a faturar o que a gente faturava, dá para pagar 10 eventos desse, só que, cara, mais do que isso, eu quero mudar o mindset, eu quero fazer com que as pessoas acreditem que é possível e busquem a solução, exatamente”. Lancei em maio, em julho a gente bateu o recorde de faturamento, caramba, e até dezembro a gente praticamente ficou nesse faturamento recorde. Então a gente criou um outro…

Você precisa comprar um resort.

Conclusão: comprar um resort. Conclusão: todo ano eu levo a galera pro resort, virou realmente um grande evento onde a gente tem o envolvimento da família, que é outra coisa que eu curto demais. Eu falo: cara, se tem uma coisa… Porque quando você tá crescendo, não tem crescimento sem dor, tem sacrifício das pessoas, pessoal, sabe? O cara vai passar o final de semana fazendo uma instalação, tá lá no Rio Grande do Sul, tá lá não sei onde, a esposa tá jogando junto o jogo, sabe? A esposa, o marido, né, tem que tá no jogo, sabe? Ela tem que entender, ele tem que entender de que, putz, tem um objetivo, mas tem compensação, né? Por exemplo, eu falei do faturamento, né, que a gente tá fechando o faturamento mensal agora: esse faturamento mensal, a gente atingiu uma meta mensal que eu coloquei. Toda vez que atinge a meta, eu divido 1% do faturamento — não é do lucro —, caraca, 1% do faturamento com o meu time não comissionado, com o time não vendas. Por que que eu faço isso, Felipe: primeiro, quando um vendedor vende, ele é os vendedores são fundamentais pro crescimento de qualquer organização, mas ele ganha com isso, ele tá ganhando, e ele só tá gerando uma expectativa que será atendida se o produto químico for de boa qualidade, se o equipamento que faz a implementação desse produto no ambiente industrial tá OK, se o projetista encontrou a melhor solução para implantar sem gerar impacto na planta, total, né, se o nosso jurídico, né, trabalhou direito para nos proteger e ao mesmo tempo ter uma operação que seja boa para os dois lados… Mas se ele estourou de vender, ele ganhou dinheiro pra caramba, mas ele gerou trabalho extra para todo mundo que vai trabalhar pelo mesmo salário. Agora, quando ele tem a recompensação, é isso aí, ele fala: “Putz, quanto mais vende, mais a gente ganha, vale a pena”. Então todo mês a gente vai lá e fala: “Ó, chegamos na meta”. Hoje, antes de entrar aqui, eu tava mandando uma mensagem pro time falando, cara, atingimos, entendeu? O conceito do time é esse: o Time Único.

Posso pegar?

Claro, fica à vontade. O conceito do Time Único, né, a gente tem aqui o código de barras, né? Então quem vê, fala “pô, liderança que une pessoas multiplica resultados, código de barras leu, faturou”, né? Só que eu penso o contrário: cada barrinha dessa é uma pessoa. Ela tem uma origem, ela tem uma formação, ela tem uma experiência profissional, ela tem preferências, e aí você tem todo o conceito de diversidade, sim. Ela pode atuar em áreas diferentes da mesma empresa, só que [roncando] quando todas se unem por um único propósito, você tem um código, código de barras. Não existe um código duplicado, né? E se faltar uma, não lê. Então é exatamente isso, porque você fala “pô, o código é único”, agora o grande desafio é se uma barrinha não dá leitura, já era. Já era, você não tem o resultado. Então, líder, unificar as pessoas não é fácil, não é fácil, porque cada um tem a sua vida, tem as suas…

Mas é o caminho.

O trabalho de time continua sendo fundamental, e eu falo… Outra coisa que eu falo, Felipe, é o seguinte: é um modelo de gestão em plena era da IA, né, todo mundo hoje falando de inteligência artificial, robotização, as pessoas preocupadas “eu vou ter emprego?”, quantas profissões estão deixando de existir, né? Agora eu continuo achando que o principal ativo de qualquer organização são as pessoas, e se elas são as pessoas, eu vou colocá-las no centro das decisões estratégicas que eu tomo, eu e meus sócios. Então por isso que eu falo, é um trabalho em equipe, né, a gente tem uma realmente uma identidade muito forte, um trabalho muito sincronizado, essencial, essencial, porque todas as áreas têm que performar, todas as pessoas têm que estar comprometidas com isso, e a hora que a gente consegue ter essa integração, essa sinergia, cara, somos imbatíveis. E aí outra coisa: o meu sucesso não depende do fracasso de ninguém, total, entendeu? Qualquer coisa que você fizer na sua vida, entendeu, o seu sucesso depende de você, da equipe que você tem, do trabalho conjunto, mas ele não depende que o outro fracasse. Pelo contrário, quanto mais todos fizerem sucesso, mais o meu sucesso é alavancado. Não adianta eu, dentro de uma empresa, ser um vendedor maravilhoso se a minha equipe não entrega. Eu ser um vendedor maravilhoso, os outros vendedores não vendem, a minha empresa vai ter dificuldade. Então eu falo: pô, se um vendedor não pode fazer 100% do seu objetivo, se ele entregar 80, 20% dá para cobrir, agora se ele entregar 20, 80 fica muito difícil, você entendeu? Ele começa a defasar a empresa, e como que é a equipe de alta performance, né, que eu falo muito gestão de equipe de alta performance, eu falo: é fazer com que todos entreguem o máximo que podem, não quer dizer que todos vão entregar mais de 100%, mas se todos tiverem um comprometimento de entregar o que puder entregar, aí a gente tem realmente uma equipe de alta performance.

Caramba, muito… Eu vou ler esse livro, cara. Eu tô até ansioso para ler, talvez eu consiga [risadas]… Talvez eu comece até hoje, hein, que eu terminei um no final de semana.

E antes, olha só, antes que a gente acabe, que o tempo tá curto, queria só dizer o seguinte: eu também sou sócio de uma empresa de medicamentos à base de canabidiol, essa empresa chama-se Viccan…

Sair, eu quero eu quero entender, calma aí.

[risadas]

Me conta um pouco como que ela como que você entrou de sociedade nessa empresa.

Eu entrei como conselheiro e aí, depois de um tempo, a gente acabou assumindo a empresa. Somos três sócios, legal. E o que que a gente faz: a gente faz, se hoje você tiver uma prescrição, o médico prescreveu canabidiol para você e você não quer comprar um medicamento aqui nas farmácias — não tem muitas opções, tá, são poucas ainda por regulamentação, por uma série de coisas —, você pode importar. Então hoje eu ajudo a fazer a importação da Suíça e dos Estados Unidos, né, é um processo oficial pela Anvisa. A gente vai colocar a prescrição, seus sua documentação, endereço, você vai receber o medicamento na sua casa, tá? Então esse é o conceito. O canabidiol ajuda em várias situações, várias comorbidades, entre elas, né, as doenças neuronais, a gente fala muito de autismo, falamos, verdade, aqui o que o pessoal fala, exato, de Alzheimer, Parkinson, então tem uma série de benefícios. Então a gente começou a trabalhar nessa parte neuronal. Aí o que que aconteceu: desenvolvemos uma plataforma de telemedicina, então com a plataforma funcionando, aí a gente olhou, começou a ver agora os tratamentos de emagrecimento, mas mais do que uma caneta para diabetes, a gente começou a ver o seguinte: as canetas hoje elas trazem benefícios para a diabetes, trazem benefícios para todo o sistema cardiovascular, sim, né, a gente tá falando de saúde total. E hoje, se pensar em longevidade, por exemplo, eu tenho 61 anos, né, eu tenho um filho de 33, uma filha de 30, e um filho de 1 ano e 11 meses, que legal, cara, que da hora, então eu ainda costumo brigar, falei “eu recomecei aos 60”, que legal, que massa. E quando eu olho longevidade, eu falo assim: “Poxa, eu posso viver 100 anos? Posso viver mais de 100? Eu posso sim”. Por que que eu não queria antes: por qualidade de vida, eu falo “cara, se eu chegar lá na frente sem saúde, dando trabalho para um monte de gente, eu gerar um impacto pra família, tal, eu não quero isso, eu prefiro…”, né, todo mundo pensa assim, só que a vida a gente não tem controle, você faz planejamento, mas a vida muda, depende, trabalha, mas não é você que determina. Exato, e aí eu falei: “Poxa, então vamos entrar nisso”. Meu sócio chega para mim, um dos sócios fala assim: “Porra, vamos montar tal”, não sei o quê, falei “tá bom”. A gente foi olhar, hoje você tem o Mounjaro, mas existe a possibilidade, se você tiver uma prescrição, de ter a tirzepatida manipulada, que é a mesma substância feita em farmácia de manipulação. Então hoje nós temos farmácia de manipulação credenciada, nós estamos trabalhando no nosso protocolo, um protocolo inicial de 3 meses para você entrar, você faz um responde um questionário para falar de qualidade de vida, mas é uma autoavaliação sua, tá? Então vamos, claro, tem seus exames, que aí é o mais formal, se você dorme… Exatamente, qualidade de sono, energia. É isso aí, é isso aí, então você faz, você tem ali um primeiro diagnóstico, vai para uma consulta, se na consulta sair uma prescrição para você e você entrar no protocolo nosso, vai ser um protocolo de 3 meses com acompanhamento médico, endócrino, nutricional e tal. Nós estamos com um, nós fizemos um acordo com uma médica que ela é líder do Centro de Pesquisa da Universidade de Toronto, então ela pega esse primeiro diagnóstico, essa autoavaliação, ela pega os exames, quando chegar três meses depois, você refaz os exames, e aí, se você autorizar, esses exames são enviados pra Universidade de Toronto, e é feita uma análise do seu sistema mitocondrial.

Caramba!

Aí nós estamos falando em qualidade das células, nós estamos falando de saúde das células, aí a gente começa a falar de longevidade, existem estudos ainda não comprovados, mas existe direcionamento científico de que as canetas também trazem uma redução significativa em incidência de demência, de Parkinson, de Alzheimer.

Caraca, porque se tá melhorando a qualidade das células atualmente, consequentemente, automaticamente é um efeito rebote.

Exatamente, e aí nisso a gente tem todo um trabalho de conscientização para que você tenha atividade física, para que você tenha uma parte nutricional equilibrada, né, não quer dizer que você vai deixar de fazer tudo e deixar de, né? Mas esse protocolo de 3 meses, por exemplo, é com canabidiol, com não, é com a tirzepatida manipulada, ah tá, com a IA manipulada, entendeu? Exato, porque muitas vezes é o que a gente tá falando, não é peso, não é obesidade, a gente tá falando de saúde, entendeu? Então é outro conceito. Em cima disso a gente tá colocando suplementos, enfim, tem estamos aí os projetos.

Toda tudo isso que você falou é a empresa de canabidiol.

Cannabol, que legal, cara! E essa plataforma, a empresa chama-se Viccan, e agora em setembro nós estamos lançando a Longevita, que é a plataforma de longevidade da Viccan, caraca, e aí a gente vai ter todas… A canabidiol com longevidade tem alguma tem muito, tem muito, porque como eu falei pras doenças para prevenção de doenças também, e até funciona, funciona, e para a redução de incidência também. Então por exemplo, tem vários pacientes, por exemplo, né? Tem a filha do nossa, aquele chefe do MasterChef…

Qual, o Jacquin ou o Fogaça?

Fogaça. A filha do Fogaça, por exemplo, ela tinha epilepsia, e e ele começou um tratamento com canabidiol, cara. Ele fundou um instituto com o nome da filha para fazer a divulgação disso.

Caramba!

Porque ele fala “cara, como é que nos dias de hoje a gente ainda tem preconceito, né, atrela com a maconha”. Exatamente. “Ah, é maconha”, não tem nada a ver com maconha, entendeu? Sim, tá falando de ciência, estamos falando de saúde. E aí quando você fala sobre prevenção, aumento, eh redução da da incidência, isso é para pessoas normais que não estão precisando necessariamente, e começam a tomar em doses homeopáticas o quê, diariamente? Como que é isso?

Então você tem que ter uma prescrição médica com o médico, sim, sim. Nós temos um médico, por exemplo, na plataforma tem mais de 30 anos de experiência, ele foi a razão da criação dessa empresa, tem mais de 10.000 pacientes tratados. Então ele avalia, tem casos que ele fala: “não é caso para pro canabidiol”.

Quando, para para a audiência aqui entender, quais sintomas talvez a pessoa pode estar esperando ou avaliando essa possibilidade?

Tem vários tipos de uso. É o que eu falei: uma epilepsia, é claro, né? Eh mas você pode ter, por exemplo, dificuldade de sono, então o canabidiol pode ser… Ansiedade, o Brasil hoje é o país que tem mais ansiedade, crise de ansiedade no mundo, 9,3% da população, de crianças a idosos.

Que loucura!

Nós estamos falando de 20 milhões de pessoas com ansiedade.

Que doideira!

Isso aqui é gera isso, né? Por quê: porque a gente não tem mais ociosidade, estamos aqui falando, a hora que sair daqui, o que que a gente faz? Já vai, rede social, um, dois, três, 50 termos. Aí você deu um like, deu um like, seu algoritmo pegou, você vai ser bombardeado com as coisas que você gosta e bombardeado com as coisas que você provavelmente odeia, consequentemente nós vamos nos distanciando, polarização, que é o que a gente encontra hoje aqui no mundo todo, né? Então, celular, rede social e algoritmo de IA é perfeito para gerar isso, né? Então eh a gente tem que ter uma mudança de hábito, mas um medicamento como esse, ele pode gerar esse relaxamento, entendeu? Que não tem nada a ver com alucinógeno, com dependência, nada, zero, zero. A Anvisa, por exemplo, em THC, que é a substância, né, que gera, né, essa dependência, aceita até 0,3%, ou seja, o teor é muito muito baixo, né, mas ele gera esse bem-estar, ele gera isso. Eh pacientes que têm dores, estão sofrendo com dores agudas, pode tomar o medicamento, então tem uma série de comorbidades que o canabidiol pode ser efetivo.

Marcelão, prazerzaço, não finalizamos ainda, que eu tenho uma pergunta final para te fazer, mas queria agradecer, pô, baita… Que história legal, cara! 61 anos aí, novo pra caramba, baita de uma trajetória, eh vida longa DUX, vida longa à… Como chama?

Viccan.

A Viccan, eh pô, parabéns pela pela por tudo, né? Até a parte do do quanto você usou de grandes canhões, que eram as que é a IBM, para trazer eh coisas positivas pro mundo, pro Brasil, como você falou aí da das duas maratonas que você fez. E é o que eu te falei, você perdeu completamente o controle do impacto que você trouxe, você não tem noção, é aquela coisa que a pequenas ações aos nossos olhos, mas que geram grandes mudanças. Pô, você sabe de algumas histórias, imagina quantas pessoas passaram…

Ah, virou uma minissérie no Amazon Prime na época.

É mesmo?

Infelizmente foi descontinuado, é claro.

Putz, com depoimento dos participantes.

E não tem mais acessível, não tem aí.

Caraca! Mas pelo amor de Deus, [risadas] coloca de volta, bicho, esse esse catálogo aí. E Marcelão, cara, vou agradecer rapidinho o patrocinador, tem uma pergunta final para te fazer, viu?

Rapidinho.

Galera, todo esse audiovisual de qualidade, graças aos patrocinadores que acreditam no projeto e investem pra gente trazer esse conteúdo aqui de forma gratuita pra internet, então quero começar agradecendo a SMB Store, que desde 2018 tem ajudado micro e pequenos empreendedores a controlarem seu estoque, vendas e financeiro, tudo isso com sistema acessível e fácil de usar. Quero também agradecer a RZ3, transformando o conhecimento em impacto real, porque negócios fortes movem o futuro, eles são uma consultoria integrada que une estratégia, finanças, tributos e tecnologia para transformar complexidade em crescimento, todo negócio precisa ou vai precisar um dia da RZ3, porque complexidade não espera você tá pronto para lidar com ela. Agência RPL, porque o mundo digital não para, e o seu negócio não pode ficar para trás, eles são uma agência de inovação digital que acompanha tudo o que tá acontecendo de novo na internet, desde TikTok Shop até a implementação de agente de IA, e traduz essas essas tendências em resultados práticos pro seu negócio. Semic Displays, quem vende forte no varejo já sabe que o ponto de venda decide a compra, se sua marca ainda não aparece do jeito certo no PDV, a Semic Displays resolve isso, eles são líderes no Brasil em soluções criativas para PDVs, com balcões, bandejas, displays e muito mais, então se você tá precisando vender mais, conte com a Semic. E Castro Consultoria e Negócios: empreender no Brasil já é difícil demais para ter uma contabilidade que só calcula imposto, a E Castro une contabilidade e consultoria de negócios para olhar para a empresa e o empresário como um todo, do planejamento tributário ao patrimônio do sócio, passando por balanços bem estruturados, acesso a créditos e decisões estratégicas, tudo isso é pensado de forma personalizada e integrada no seu negócio. Inclusive a gente já entrevistou aqui o Everton, e vocês sabem que eu sou eh cliente deles, falo isso com propriedade, os caras são monstro, porque uma contabilidade boa não serve apenas para cumprir obrigações, ele ajuda o empresário a pagar o que é justo, organizar melhor o negócio e tomar decisões melhores. E por e por fim, Cross Host, eh quer dar voz do seu negócio e alcançar mais pessoas, a Cross é referência em produção audiovisual para podcasts e eventos, com estúdios aqui em São Paulo, inclusive estamos nos estúdios da Cross Host, e estrutura completa para quem quer construir autoridade de verdade, se você tem algo a dizer, eles fazem isso chegar do jeito certo. Tamo junto, patrocinadores, muito obrigado pela confiança. Você que é empreendedor, tá assistindo esse podcast, pode ter certeza que muitas das dores você tá vivendo, algumas dessas empresas aqui em cima que eu acabei de falar ajuda você a resolver, então pode ir de olho fechado, são empresas e empreendedores à frente delas curados pela aqui por mim, pelo Além do CNPJ, então pode ir com tranquilidade, depois volta aqui para me agradecer.

Tamo junto. Marcelão, pergunta final: 61 anos de idade, a gente sempre constrói a vida aos olhos de que a gente vai ter vida eterna, só que a gente não espera que eh chegue o nosso fim, pelo menos a gente espera, mas deixa isso na gaveta debaixo do tapete, né? [roncando] Então imagina que com 61 anos, tantos projetos, a DUX aí voando, batendo meta, o livro sendo lançado, a a Viccan eh agora lançando plataformas e tudo mais, mas imagina que você voltando desse podcast, indo pra tua casa, é surpreendido e, num piscar de olhos, você acorda na frente de Deus. Deus fala: “Marcelão, missão cumprida”. Você fala: “Agora não, pera aí, [risadas] o lançamento começou outro mês, eu preciso vender”. “Missão cumprida”. Ele te Ele te recebe com o olhar sereno de missão cumprida mesmo, e a gente justamente para para nessa nessa correria da vida, a gente às vezes acaba esquecendo, né, que a nossa vida é finita. E eu tô te fazendo todo esse esse contexto, até bato na madeira, 200 episódios já, nunca ninguém bateu o carro, nunca ninguém morreu, fica tranquilo, mas só para trazer peso pra pergunta: 61 anos de vida, cara, com vários projetos, muitas coisas acontecendo, uma baita experiência de vida, muitos ensinamentos, se desse para condensar isso num conselho pra humanidade — não só de negócio —, que conselho seria esse?

Eu acho que a primeira coisa é fazer tudo com muito amor, cara, com muita dedicação. E eu fui assim na minha carreira profissional toda de IBM: eu me dedicava, eu colocava ali tudo que eu podia, vestia a camisa literalmente. Hoje eu falei da DUX, falei da Viccan, são projetos que têm propósito, e acho que é outra coisa: trabalhe naquilo que tenha propósito, que esteja alinhado com seus valores, porque assim você vai ser feliz com aquilo que você tá fazendo, né? A outra coisa: apesar de trabalhar muito, eu sempre fui uma pessoa muito família, né, então meus filhos são importantíssimos na minha vida, a minha esposa, né, meus irmãos, meu pai, enfim. Então eh a gente tem que ter tempo de qualidade, talvez não tenha tanto tempo em quantidade, mas tempo em qualidade, né? E aquela coisa de você poder, se acontecer isso… E a única coisa que a gente tem certeza é que iremos morrer, tá certo? É é realmente você ter a tranquilidade de que fez tudo o que podia, né, e e que gerou impacto, como você falou, por exemplo, da maratona. Eu falo: poxa, eu acho, por exemplo, em carreiras de liderança, a gente pode gerar impacto nos nossos times, a gente pode transformar vidas, né? E por que não fazê-lo, né? Se a gente puder unir as duas coisas, eu falo: ah, é só dinheiro? Não, hoje literalmente não é, né? Se fosse por dinheiro, eu tava tranquilo. Exato. O que eu quero realmente é fazer alguma coisa que pode impactar vidas, sim. E eu sei que eu posso fazer isso, né? E quando eu falo de longevidade, pode ser que eu viva 120 anos, pode ser o oposto. Então hoje não dá mais para pensar que 60 anos você vai estar aposentado, vai estar tranquilo, até porque a Previdência não vai suportar essa vida, tá certo? Você não tem mais esse tempo, entendeu? A Previdência é é tiro curto, tá quebrada, entendeu? Então você tem que ter um planejamento também nesse sentido. Então uma pessoa de 60 anos tem que tá ativa, tem que tá no mercado, tem que estar atenta ao que tá acontecendo, e tem que tá contribuindo com tudo aquilo que se capacitou até o momento. De que a bem na minha vez, meu irmão, pelo amor de Deus, pelo amor de Deus, ao contrário, seja protagonista, entendeu? É assim que eu penso. Eu quero começar a falar sobre isso inclusive, Felipe, foi uma coisa que me despertou agora, eu falei: cara, eu sou esse exemplo, tô falando disso…

Você é é a é a pessoa que você é a pessoa que que tá vivendo isso.

Quando o pessoal vem falar para mim, fala “senhor”, eu falo “eu tenho um filho de 1 ano e 11 meses”. Quantos anos você tem seu filho?

Aí fala assim: “Você tem filho?”. “Tenho”. “Quantos anos?”. “2 e meio”.

Tá vendo? Aí, tá mais novo que o seu, e muitas das vezes eu pego o pessoal fala: “Ah, tem 10, tem 15”. Falou: “Então me respeita ainda, tô começando de novo, tô molecão, tô molecão”. [risadas] E é e é isso mesmo, porque assim, você pega… Falo isso com exemplos familiares: pessoas de 61 anos chateadas porque vão ter que trabalhar mais quatro para se aposentar, já estão entregando a chuteira, pendurando as chuteiras, e assim, superativo, porque assim eh você olha os anos 90, os anos 80, as pessoas de 60 anos não são as mesmas atualmente.

Não são, não são.

Você pega uma pessoa de 60 anos, eu acho que equivale a uma pessoa de 38, 36 daquela época, até em fisionomia, exato, né? Porque uma pessoa de 60 anos nos anos 80 era uma pessoa velha. É verdade, sabe? Você vê você vê uma uma foto de uma pessoa de 60 anos lá atrás, parece 80 hoje. Então, sabe, as pessoas estão vivendo mais mesmo, e a cabeça precisa acompanhar e a expectativa acompanhar também, porque não dá para você querer se aposentar com 60 anos mais. Você tá jovem, tá tá novo, cheio de energia, tá quer aposentar, você vai viver 120, você não vai ter dinheiro lá na frente, vai virar um problema do mesmo jeito. A vida fora que a a cabeça a cabeça ativa faz o negócio acontecer.

É isso aí, Marcelão. Prazer te conhecer, prazer pela entrevista, baita entrevista. Obrigado pela confiança de de vir aqui bater esse papo comigo. Tamo junto e até a próxima, viu, meu irmão? Sucesso.

Tamo junto, obrigado.

E você que ficou aqui até o final, porra, baita do podcast. Isso aqui vale o like, clica em todos os botões aqui para engajar. Tá vendo esse aviãozinho aqui? Encaminha pro seu sócio, pro seu amigo, para um para um empreendedor que você acha que precisa ouvir essas histórias, e tamo junto, até a próxima. Valeu, compre o livro, editora gente, Time Único, Marcelo Spaziani. Valeu, tamo junto.

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *